Entre 25 de abril e 1º de maio
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- Discurso de TrumpValores de Abril · Liberdade e trabalho · Direitos sociais em Portugal e Europa · Democracia e participação cidadã · Populismo e desinformação · Papel dos jovens na política · Transparência e financiamento de partidos · Liberdade e responsabilidade · Liberdade e cultura · Liberdade e progresso científico · Liberdade coletiva vs. individual · Liberdade e paz
- Justiça em PortugalDemora nos processos judiciais · Corrupção e escrutínio de políticos
- Redes Sociais PoliticaDiscursos de ódio e fake news · Algoritmos e rentabilidade
- Discurso de Aguiar BrancoEscrutínio de políticos · Proteção a políticos · Caso Spinoviva
- Componentes da remuneração de servidores públicosSalários de políticos · Salários de médicos e enfermeiros · Desigualdades salariais
- Custo de VidaPressão sobre salários · Custo da habitação
- Direitos TrabalhistasDebate na concertação social · Posição da UGT
- Comissões e concertação socialComissão para a saúde · Colaboração interinstitucional · Concertação na saúde
- Ataques Iranianos Infraestrutura EnergeticaBloqueio do Estreito de Hormuz · Questões ambientais
- Donald Trump e a NASA
No episódio anterior, que pode ser ouvido em um podcast, refletimos sobre uma questão bem atual, que continua atual, o conflito entre Donald Trump e Leão XIV, os valores da Igreja Católica e dos movimentos políticos extremistas. Entre duas datas históricas, o 25 de Abril e o 1º de Maio, vamos discutir os valores de Abril a partir do discurso do Presidente da República.
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Preserve your memories. They're all that's left you. Para Viva, num momento marcado por protestos laborais, pelo debate em torno da nova lei laboral, da revisão que está neste momento a ser debatida na concertação social, com a UGT numa posição bastante delicada.
Uma crise energética agravada, para além das questões ambientais, pelo conflito que acontece no Irão e, concretamente, pelo bloqueio do Estreito de Hormuz. Um momento marcado por um custo de vida mais elevado, pressão sobre salários e, claro, o custo da habitação. Num ambiente político mais inclinado à direita e securitário,
O significado da liberdade, do trabalho e dos direitos sociais em Portugal e na Europa volta a ser questionado. As celebrações de abril já sucederam, lembrando os valores primordiais da democracia e uma necessidade de romper amarras do passado e olhar o futuro, essa dicotomia, esteve bem presente nos discursos políticos que aconteceram há cerca de uma semana. Entre o 25 de abril acontecido e o 1 de maio, o dia deste encontro,
Aqui estamos para refletir sobre proteção dos trabalhadores, memória histórica, retrocesso democrático e desigualdades, desinformação e relativismo histórico, populismo e os jovens na política. Curiosamente, há alguns dos temas que o presidente António José Seguro referiu no primeiro discurso que ele fez numa sessão solene do 25 de abril. Olá Old Friends, Manuel Sobrinho Simões. Olá, olá. Olá Júlio Machado Vaz.
Olá, Tiago Inho. Olá, Miguel Soares. Olá, Tiago Alves. E o Tiago falou de vários discursos, incluindo o do Presidente da República, o primeiro discurso de António José Seguro já em pleno exercício de funções, também por isso mesmo simbólico. O que é que te apraz, Júlio, sublinhar do discurso do novo Chefe de Estado neste 25 de Abril? Olha, eu acho que foi um bom discurso, para começar.
Depois, acho que ele tocou vários pontos que são importantes. Acho que houve alguns comentadores e as pessoas da rua que, eu compreendo isso, ficaram um pouco hipnotizados pela questão da transparência, os políticos, etc. Eu... ...
Sem retirar a importância a isso, e podemos lá voltar, há uma frase de António José Seguro que me pareceu muito oportuna, pode não ser um chavão daqueles de encher o olho e ouvido, mas que a mim diz muito, que é a democracia perde-se aos poucos.
E isso é importante nós percebermos porque de pequena cedência em pequena cedência acaba-se por se desaguar em, e vou ser otimista, em democracias que já são quase caricaturais. E no mundo em que vivemos isso está a acontecer de um modo para mim.
que estou a pensar, já não na minha geração sequer, mas nos meus filhos e nos meus métodos, de um modo assustador.
De resto, há aqui um apelo à ação de António José Seguro, sobretudo aos jovens, para que não sejam meros espectadores da democracia, sejam protagonistas. E há também uma mensagem, gostava de ouvir a ti e ao Manuel, sobre essa frase específica.
em que ele se refere à necessidade dos portugueses não se queixarem apenas do regime, mas participarem nele e de forma ativa. Até que ponto é que esta frase é também uma forma de responsabilizar os cidadãos e de, ao mesmo tempo, responder-se a uma vaga mais populista que parece pôr em causa o próprio regime?
Eu acho que sim. Manoel, desculpa. Como estava eu a falar, acaba e pronto. Eu acho que sim. Muitos de nós, não me estou a pôr de fora desse barco, desse passeio. Muitos de nós, por preguiça...
Alguns por desencanto, não vou dizer o contrário, mas muitos de nós acabam a ter uma interpretação do que é participar na democracia e defendê-la que se restringe a ir votar. Muitos outros, pura e simplesmente, não votam ou votam em branco. Vocês sabem que para mim são duas atuações que não são sobreponíveis.
E, portanto, é preciso fazer mais. E em relação, as duas coisas estão entrelaçadas, é preciso fazer mais porque neste momento, mais do que estarmos, e é triste dizer-lhe, mais do que estarmos a tornar mais pujante ,
muitas democracias, nós estamos a ser obrigados a defender dados que considerámos adquiridos. Mais as mulheres, por todo o mundo, mas isso também não é nada que nos surpreenda, mas em termos gerais. Ora bem, a questão dos populismos, pois os populismos...
têm que ser combatidos e não, em minha opinião, de certa forma normalizados, como têm vindo a ser, por vezes, talvez até por cansaço, não digo que não, outras vezes porque políticas originárias dos partidos do centro não foram políticas justas para as pessoas e criaram sentimentos de revolta, mas também...
vamos ser completamente abertos em relação a isto, mas também por busca de audiências, sem haver, digamos assim, triagem quanto ao tipo de mensagem que é passada, desde que choque e atrai espectadores, às questões das redes sociais, em que os próprios algoritmos, entre aspas, foram educados.
na consciência de que discursos de ódio, de fake news, etc., atraem com muito mais facilidade a atenção do público, logo são mais rentáveis. Há muitas frentes para resistir.
De resto, o Presidente também refere a questão dos algoritmos e da inteligência artificial. Manuel, que lhe pareceu este discurso, António José, seguro? Consequente ou inconsequente? Não, não, eu estou de acordo com o Julio. Eu também achei um bom discurso. Claro que eu acho que estes, fins e fins de abril, e estes discursos muito formais...
Eu sou um bocadinho cínico e, portanto, a gente acha, apesar de tudo, que a gente sente que há um excesso de boa vontade. Mas tem que se ter e, portanto, acho que um Presidente da República o que deve ter é isso.
E a propósito deste ponto que o Júlio estava a falar, eu, por exemplo, acho que por falar agora dos populismos e a maneira como a gente se comporta face aos tais sistemas de um fundo de comunicação social que os partidos populistas utilizam por excesso, por exemplo, eu acho que o Pacheco Pereira fez muito bem ter feito aquilo que fez. Portanto, eu sei que há muita gente que discorda, mas eu acho que ele fez um ponto.
e demonstrou que existe uma alternativa. Eu estou com este ponto aqui, porque o Júlio disse, eu também gostei da frase que tu escolheste, mas eu escolhi duas frases dele que eu achei mais graça. A que eu achei mais graça é que Abril não precisa de guardões suenes, precisa de cidadãos atentos, livres e com capacidade crítica. E a necessidade de nós pararmos para pensar é crucial.
E foi o que o Pacheco Pereira tentou fazer permanentemente e não conseguiu, mas eu estou totalmente de acordo que é preciso introduzir neste processo, que é um processo dilacerante, porque estas coisas são muito polarizadas e eu sou a favor desta ideia de que é preciso introduzir, pensar para pensar, parar para pensar. E a segunda coisa que eu também achei, e foi evidente, que foi transversal a tudo isto,
foi a liberdade também exige responsabilidades e instituições íntegras. Não há verdadeira liberdade sem transparência no exercício dos cargos públicos. Os cidadãos têm o direito de saber como são tomadas as decisões que afetam as suas vidas. Isso tem a ver com o financiamento também dos partidos políticos e da recente polémica em torno disso. Pelo menos toda a gente interpretou assim. Exato. Aliás, eu ia perguntar-vos...
se este discurso do Presidente da República era um discurso que justificaria que, na ótica deles, os deputados da extrema-direita lhe voltassem as costas. Foi uma decisão individual, pá, não sei porquê, pá. O que é que lhe passou para cabeça? Foi uma decisão de cidadania. Claro. Claro, e Deus-me livre.
de cercear a cidadania, seja de quem for. A questão é se fosse a extrema direita a fazê-lo, se diríamos que era um exercício de cidadania, não é? Estamos a falar do deputado do PS, Pedro Delgado Alves, para quem não tenha percebido. Eu fiz a pergunta, a olhar para o Manuel, porque era o Manuel que estava com a palavra e porque estávamos a falar dessa dimensão da cidadania. Claro.
Há qualquer coisa tentadora em ver a direita pelas costas, é verdade, mas é meramente simbólico. E apesar de tudo, eu acho que o discurso foi muito bem construído, quer dizer.
até o que eu achei eu de resto estava a conversar antes aqui com o Miguel eu acho sempre um pouco acho sempre um bocadinho piedoso no sentido de ter ideias tão boas e tão bem distribuídas a gente depois percebe porque é que apesar de tudo não discutimos a defesa não me lembro de ter ouvido uma nota sobre a defesa e o que é que nos vai acontecer eu acho que eu achei muito boa eu acho que eu achei muito boa
Também não houve nenhuma, não se tocou de forma nenhuma no pacote laboral, embora haja uma mensal... Que é o elefante no meio da sala a esta altura. Exatamente. E houve depois uma frase, que é por isso que eu achei piedosa, que é esta ideia de que é, que eu acho que eu não estou de acordo, que é a liberdade é também inseparável da cultura. Não é verdade para mim. Então porquê?
Porque, opá, a cultura sem liberdade. Há muitos anos e vai continuar a haver. E, portanto, o que eu acho é que há aqui um componente de voluntarismo. Mas há verdadeiro exercício de cultura sem liberdade? Claro, claro. Capaz, não há.
O pensamento nunca é... É muito difícil. Está a remeter, enfim, por exemplo, e obviamente neste contexto, para a cultura enquanto gesto de resistência, é isso, Manuel? Não, aí... Ou seja, gesto de resistência num contexto autoritário, em que não existe a liberdade. É indiscutível, mas há muitas outras manifestações que não passam por aí.
E que têm que ser consideradas Por exemplo Mas só antes de passar a Julio para perceber Em qualquer manifestação de cultura
que tenha a ver com tudo aquilo que ultrapassa o limite da política e passa, por exemplo, para a natureza, ou passa, por exemplo, para a humanidade, não tem a ver com liberdade. Ou, portanto, este é burro. Não tem, obrigatoriamente, que ser impossível sem liberdade. Júlio? Ah, pois, mas isso é num sentido da frase. No outro sentido, eu não concebo liberdade sem que haja cultura.
Claro, tem que ter razão, claro. É nesse sentido. Depois leste assim. Claro. Sim, eu também ouvi assim. É, porque longe de mim negar, qualquer um de nós os quatro, que algumas das maiores obras da humanidade, em termos culturais, até foram escritas, pensadas, pintadas, o que quiserem.
em contextos em que não havia liberdade. Pronto. Não estou a negar isso. Eu leio ao contrário, como ela foi dita. Pensar uma liberdade que não inclui a cultura...
e que não inclui, portanto, liberdade nessa cultura, para mim não é liberdade. Mas é isso, vocês têm toda a razão, e nessa vossa leitura estou 100% de acordo. Agora, outra coisa que vocês reparem, que eu também achei curioso, apesar de tudo, é isto, provavelmente, também é fruto de ser o primeiro presidente da República.
aparece muitas vezes mais ou parece mais vezes o eu do que o nós e portanto o que é para mim impressionante apesar de tudo a liberdade implica garantir que a tecnologia serve o ser humano e não o contrário é verdade e a comunidade
E o grande problema para nós, nos dias de hoje, não é tanto a liberdade individual, é a liberdade coletiva. E, portanto, isso escapa. E, de resto, é isso que nos está a deixar. Mas aí cuidado. Pois eu sei. Aí cuidado. Posso aceitar isso que tu, se tu for a buscar, outro três. Porque quando dizemos o ser humano, estamos a falar da comunidade. Mas a afirmar-se individualmente, percebes?
Nós faltamos... Tu, quando dizes o ser humano, estás a falar de um indivíduo? Não, mas não estou também a falar... O ser humano tem direito a isto. É verdade. Estamos a falar num sentido comunitário. Não necessariamente. Percebes? Esse é que é o problema. Eu, de resto, penso que é esse o grande problema dos dias de hoje.
O que é que é o tipo sozinho O que é que é o tipo em comunidade Mas estou de acordo contigo Ah não, mas estou completamente de acordo O que eu estou a dizer é que para mim Quando se vive o ser humano A expressão é inovida Que me possas dizer Que essa comunidade Pode viver de uma maneira que a não honra
Menos humana até, estou de acordo. Agora, quando a malta fala do ser humano, estamos a falar necessariamente do grupo, dos humanos.
Penso eu. É. Deus quer que sim. Eu só quero porque podemos estar a falar para ouvintes que não escutaram toda a intervenção, e ela é longa, estamos a falar de um discurso que impresso em corpo normal tem seis páginas. António José Seguro referia que a liberdade não vive isolada está profundamente ligada à paz.
E obviamente aqui existia uma referência a conflitos passados, mas ele situou presentes, porque há um tempo em que assistimos a guerras que devastam disso. A liberdade é também inseparável da cultura. Uma sociedade livre é uma sociedade que cria. A cultura floresce onde há liberdade de pensamento e de expressão. Sem liberdade, a cultura empobrece. E depois acrescentou algo.
que diz respeito aos meus estimados amigos, a liberdade é igualmente condição indispensável para o progresso científico, onde não há liberdade académica, o conhecimento estagna e a inovação esmurece.
É verdade. O Manuel sobre isso poderá falar durante quatro programas seguidos. É verdade. É verdade, o Presidente tem razão. Claro. Não, eu repare, é por isso que ele também tem razão. E o Donald Trump não tem nada a ver com isto. Não, até o daí é.
Porque não houve um único momento em que celebrasse aquilo que a missão da NASA conseguiu, fez recentemente. Que é impressionante, como é que um presidente dos Estados Unidos, ele que inclusive gosta de aparecer e colocar-se em bicos de pés noutras circunstâncias.
Esteve calado Em relação a isto E é por isso que o Júlio começou por dizer uma coisa Que eu não escolhi Mas também tinha gostado muito Aquela ideia de que esta coisa se perde devagarinho E é um perigo A democracia E tem a ver com o silêncio O silêncio que é um silêncio E com aquilo que o Pacheco Pereira O exemplo do Magal foi até bastante interessante Lembrar isso Os inocentes E portanto eu acho que E eu acho que
Eu acho que ele fez um discurso muito bom. E atenção, é verdade que eu gosto dele, portanto, por uma pessoa, e, portanto, é verdade que sou enviesado, mas ele transmite-me segurança e seriedade. E ele tem. O António José Segura, Presidente da República. E é curioso nós ouvirmos aqui, por exemplo, este momento que é dirigido a cada um de nós, mas pensando sobretudo...
e é dirigido aos jovens porque surge na sequência de uma intervenção que ocupa cerca de um quinto do discurso e podemos já, enfim, valorizar esse aspecto, mas pensando em pessoas mais velhas como nós.
Ele também está a dizer-nos que está nas nossas mãos defender a democracia e a liberdade nos gestos concretos do dia-a-dia. E aí lembrar para Checo Pereira é muito interessante. Diz claramente, vou saltar aqui o ponto do discurso, não sejam espectadores da democracia, sejam protagonistas, não se resignem, não se calem, não desistam.
Cada geração tem o seu teste, este é o vosso, garantir que a liberdade não enfraquece, não recua, não se perde. Cuidar da liberdade é exercê-la com coragem, é defendê-la com determinação, é transmitida inteira e mais forte à geração seguinte. Ele está simultaneamente aqui a falar para os mais jovens, porque isto está encadeado na intervenção mais longa sobre o significado do 25 de Abril para uma população mais jovem e aliada.
Mas quando diz não sejam espectadores da democracia, está também a falar para nós, que a temos por adquirida, não é? E que vivemos no nosso tempo de vida esta transformação que aconteceu em Portugal, que aconteceu em Portugal no contexto da União Europeia, que aconteceu também na União Europeia enquanto espaço de liberdade fortalecido entre mais de uma dezena de países, unidos na mesma organização política, digamos assim, para simplificar.
Eu senti que este momento é um momento em que ele diz a pessoas que viveram isto, têm a noção do que sucedeu, dos momentos históricos, das conquistas e das dificuldades, e está também a despertar ou a pedir que despertemos para um maior compromisso. Exatamente. Isso é indiscutível. O que é que me falta aqui para mim?
O que falta é economia.
Há uma referência ao custa-habitação, aos salários, nomeadamente das mulheres, à desigualdade em relação às mulheres. Não há, de facto, referências à questão laboral. Não é isso, mas reparem. E há a questão da economia no seu todo. Exatamente. Apesar de tudo, esta democracia é muito discutida e bem no plano político e na liberdade e em aspectos... ...
Mas o nosso aperto não é só político. O nosso aperto também é financeiro e económico. E nós estamos à rasca com isso. Sim, ele tem um momento em que, quando se dirige a um público mais novo, e não é na passagem específica para os jovens, em que fala dos jovens que aos 30 anos, mesmo trabalhando, vivem em casa dos pais.
Não há referência, desculpa Tiago, não há referência aqui à questão laboral e eu gostava que saltássemos um bocadinho para esse tema porque é o tema realmente marcante destes dias, ainda por cima neste 1º de maio. Não é ingénua essa ausência de referência. Pois não, Júlio? Ou estou eu a saltar?
Não, não vou... Na interpretação. Há uma coisa que devo dizer, não é? Há aí uma frase que citaram, que para a minha geração é uma frase um pouco angustiante. Nós não fomos capazes de transmitir aos mais jovens uma democracia mais pujante. Basta olhar em volta.
Cuidar da liberdade é exercê-la com coragem, defendê-la com determinação, transmití-la inteira e mais forte à geração seguinte. Mais forte. A minha geração não se pode gabar disso. É tão simples. Não vou rasgar as vestes, não me vou atirar da ponte, mas...
Por variadíssimas razões, acho que nós gostaríamos de o ter feito, nós não conseguimos construir uma sociedade mais justa, digamos assim, do que há 10, 15, 20 anos atrás. Há 20 anos que se desenvolveu. Há 20 anos que se desenvolveu. Isso é complicado.
A questão do pacote, quer dizer, isso é de tal maneira. O elefante na sala. O elefante, não é? Para não dizer a manada de elefantes. Porque provavelmente tudo o que ele dissesse seria interpretado como pressão ou não pressão ou depois aproveitado fosse por os sindicatos, fosse pelo governo, etc.
Aí, provavelmente, ele continua com aquilo que se convencionou chamar a magistratura de influência e a tentar chegar a um consenso. Aquilo que nós temos ouvido, ou por aquilo que temos ouvido, as posições parecem um bocado extremadas, vai ser complicado.
É um bocadinho como o senhor Trump, não é? Desesperadamente à espera de uma solução que possa apelidar de vitoriosa no Irão. Aqui também é um bocadinho difícil de imaginar como é que uma das partes pode chegar a um acordo sem admitir que...
E a ficar nas mãos do parlamento o Presidente da República terá uma palavra importante a dizer e não a quis condicionar o... Eu sou suspeito mas daquilo que o Presidente da República foi dizendo se isto vai para o Parlamento e se é aprovado com dois ou três pontos essenciais para a discussão como estão eu ficaria surpreendido se ele não vetasse Amém
Porque foi o que disse em campanha, não é? Exatamente. Foi. É isso que se espera do Presidente da República, Manuel, neste capítulo? Vamos ver qual vai ser a prática dele. Acho que, apesar de tudo, os presidentes fazem-se um bocado a fazer. Portanto, a gente não... É como a história do melão. É como a história do melão também.
Mas é um problema, não é? Porque é verdade que a posição com a UGT tem-se vindo a estremar-se. Acha que esta pressão presidencial para haver um acordo é para o próprio presidente evitar ter que vetar, como prometeu na campanha, o diploma, isto é, está a tentar tirar essa pedra do sapato dele?
Por acaso não tenho a certeza que seja. Acho que é mesmo, ele genuinamente acha que... Quer consertar posições. Consertar, ele acredita. Porque agora vou estar... Mas esse consertar de posições é a qualquer preço? Não sei. Mas é verdade que eu... É verdade que vocês até já me têm apertado sempre com isso. Eu sei ser do centrão. Eu acho que a solução neste país é nós...
governarmos ao centro. Mas a questão que julgo eu que o Miguel está a querer refletir e é nesta fase uma tremenda incógnita, como é que vai evoluir em sede, enfim, entre concertação social e parlamento, a questão aqui é a pressão excessiva que poderá estar a ser colocada sobre uma central sindical, a do Centrão, justamente.
Enfim, a forma como o tema foi sendo gerido a partir de Bolém, antes de António José Segur ser presidente, mas também enquanto presidente, que chega lá com uma palavra e com uma posição, não está a retirar espaço de manobra, de negociação, de confrontação e de concertação.
Ao GT. Pois, o que é que se ganha e o que é que se perde. Pois. É muito, eu não sei. Mas reparem que vocês, porque vocês já falaram, é verdade que ele fez muito bem a história da habitação, fez muito bem a história da saúde, mas por exemplo, não fez tão forte quanto eu acho que devia ter feito. Se eu tiver que identificar também uma coisa que é desgraçada neste país, é a justiça. E a justiça está neste estado em que está.
E se nós tivermos uma situação de conflitualidade, uma das áreas onde nós vamos ter uma necessidade absoluta é de ter uma justiça funcionante. E a tempo. Isto está num estado, pá, lamentoso.
Lamentável. Às vezes é o lamentoso. A vez de lamentável. Comatoso. Mas percebemos não é mesmo. Percebemos. O Miguel me deu a casa. Comatoso. Saltou. Júlio, concordas com o lamentável? Ah não, claro. Eu estava antes. Quer dizer.
os anos que se passam neste país para que determinados processos vão a julgamento, outros que terminem, não é? Eu devo-vos confessar, bem, sei que já tenho 76 anos, não é? Mas eu devo-vos confessar que quando...
De repente vi nos jornais que pessoas individuais e a SAD o Benfica e não sei o quê tinha acabado o julgamento, já nem me lembrava, e depois fui verificar que ele tem 10 anos. Pois. Isto para não cair no exemplo habitual que é sempre o engenheiro Sócrates. Mas é verdade. E voltando, se quiseres, ao ponto anterior, também partilhas da mesma visão?
Ah, era o que eu ia dizer, ouço, isto se calhar também é cínico. Eu penso que qualquer presidente preferirá não ter que vetar.
E penso que ele foi muito claro, e eu aprecio que seja claro, acho que ele foi muito claro em campanha, e que dificilmente haverá algum contorcionismo que permita não vetar com algumas das questões que ainda estão em cima da mesa. Mas é evidente que isso não põe de parte a nostalgia de haver acordo entre os intervenientes. Ponto final.
Acho difícil, acho que chegou um ponto, podem-me dizer, estamos de acordo em dezenas de artigos e mais isto, mais aquilo, mas depois acaba-se sempre por desagoarem três ou quatro.
que são verdadeiramente nucleares, acho eu. Mas depois já tínhamos uma discussão sobre se o homem da UGT ia votar contra ou pura e simplesmente não estava de acordo, e se ele depois ia para a UGT dizer que não estava de acordo, se isso teria influência. Depois já tínhamos as interpretações sobre as declarações do José Luís Carneiro, quer dizer, quer queiramos, quer não.
Isto também se arrasta, não é só a justiça que se arrasta, não é? Estas conversações arrastam-se há quantos meses? Há um ano, praticamente, sim. Há praticamente um ano. Há praticamente um ano. Se ao fim de um ano não foi possível, e ainda há coisas que ficam entaladas na garganta dos dois lados,
Agora num passe de mágica a haver um acordo, lá estamos na tal questão. Vai ser muito difícil havendo um acordo, alguém não cantar vitória, aliás vimos a pressão do seu primeiro-ministro que disse que a UGT não concordar só sou por razões políticas, se bem me lembro.
Foi dito assim. O que é que ele está a dizer? E haver acordo será sempre só com uma das centrais, não é? Claro, claro. Mas o que ele está a dizer, no fundo, é pronto, tem tudo...
para concordarem, foram, não sei quantas propostas acolhidas, etc. Portanto, se não concordarem, o que eles estão a fazer é a fazer um frete ao PS e, eventualmente, a quererem encostar o Presidente da República numa situação em que terá que vetar. Isto são razões políticas. Com toda a franqueza, há alguns dos pontos ainda em discussão. Eu penso que são difíceis de engolir por uma central sindical, mas pronto.
Mas, oh Julio, tens toda a razão, mas tu reparaste, o que eu achei muito interessante foi que ontem, foi ontem ou anteontem, apareceu esta ideia da criação do plano estratégico de concertação na saúde e a nomeação do Adalberto.
Percebes? E repara que é agora é a mesma coisa. E isto, uma honra seja feita, foi sempre a posição do Presidente. É criar condições para a consertação. Já agora, fazendo aqui um parênteses, o que é que vos parece esta ideia para a saúde? É boa. Tentarem consertar qualquer coisa. E o nome encontrado para liderar-se? Não achei mal. Ele nomeou-me a mim, por exemplo, para consertar os centros.
académicos e eu não consegui e andei nisso seis anos mas ele era ministro e no miúma levava-me sempre pela mão e eu lá fazia os meus números e continua na mesma mas pode acontecer qualquer coisa
Eu tive uma experiência mais curta, porque ele gentilmente convidou-me para uma comissão, e o convite foi através de uma pessoa, porque eu tenho enorme consideração, o Saclar Ives, e o que aconteceu é que eu fui a uma reunião...
O Sá Clari diz, demitiu-se, e eu demiti-me. Por inderência. A seguir ao Sá Clari diz, eu e para aí metade da comissão. O que não deixou de ser curioso, pode me ter escapado. Porque como é habitual, as comissões depois têm que apresentar resultados. E eu, escapou-me seguramente. Eu não me lembro de ver na imprensa, tanto na escrita como...
nos média, não me lembro de ver gente a perguntar olha lá, aquela comissão, assim e assim, afinal o que é que produziu? A avaliação, sabes que é uma coisa que... Pode ter sido distração minha, não é? A avaliação entre nós, a avaliação, pá, é uma coisa, nós fugimos. O autocâmbio. Eu só me lembro de encontrar uma personalidade também da comissão.
E perguntar, sem nenhuma malícia, perguntar, então como é que vão as coisas? E receber de volta um olhar admirado, dizer, ai, mas o professor não sabe. E pronto, tinha ficado tudo em águas de bacalhau. Ou seja, começava a dizer para outras palavras. A velha fã.
É que as decisões, este tipo de decisões, passa pela criação das comissões, pronto. E já está. Não é as comissões. E já está. As comissões é um bocado como a velha história do futebol prognóstico, só depois do jogo. Eu comissões prognóstico, só depois de ver os relatórios das comissões. Porque tanto eu como Manel temos idade para nos lembrarmos da velha história que dizia, que no tempo da outra senhora...
Fazia-se assim. Se havia um problema, nomeava-se uma comissão. E se a comissão começava a trabalhar, rapidamente se nomeava uma subcomissão. Portanto, às vezes as comissões não são o caminho mais curto. Claro que todos esperamos que elas funcionem, vamos ver. Que é saúde. Mas aqui eu tenho um party pri. Eu lembrarei.
que eu torci logo o nariz em relação à direção executiva. Pronto. E, portanto, às tantas nós depois começamos a ficar cheios de órgãos, estruturas, etc., que ainda por cima, olhem, eu estive...
convidado com muito prazer no Congresso Nacional de Cardiologia na Alfândega, e lá estive a ouvir colegas meus, e por acaso essa mesa eram colegas minhas porque eram só senhoras, e uma vereadora da Câmara do Porto. E imediatamente foi posto em cima da mesa o quê?
o imperioso dever de haver colaboração interinstitucional. Senão, nada funciona. E então na saúde crescer.
Se não há uma melhoria, por exemplo, da articulação entre cuidados de saúde primárias e cuidados hospitalares, esqueça. Eu fechava o parênteses e gostava de voltar aos discursos. Não sei se vos ateste nesta reta final comentar. Eu gostava de saber a vossa opinião. Comentar o discurso do número da segunda figura do Estado, de Aguiar Branco.
que se referiu à forma como os democratas e os políticos são muitas vezes escrutinados de tal forma que afastam os melhores da política. Concordam? Reveem-se nisso? Acham que faz?
Fez sentido as palavras dele ou alguns veem no discurso uma proteção ao Primeiro-Ministro e uma referência indireta ao caso de Pino Viva? Júlia.
Houve, eu não faço processo de intenção, portanto, parte do princípio que o Presidente da Assembleia estava a falar em termos gerais e que esta é a posição dele, que inclusivamente será anterior ao caso de Spinoviva. Agora, há uma questão que se põe em relação a isso.
as pessoas, e vamos meter aqui um pequeno parênteses, com, isto é verdadeiramente uma palavra anémica para a situação, mas enfim, com alguma razão, fecha parênteses, as pessoas não andam a rebentar de confiança nos políticos. Portugal
não têm tido propriamente um currículo, um vitae impecável em termos de corrupção e até, se calhar, é tipicamente português, não é? Temos tido casos que, se não fossem tristes, seriam anedóticos. E, portanto, as pessoas, na minha opinião, têm o direito, digamos assim, de escrutinar. É claro que isso pode ser chato.
Mas, com toda a franqueza, por exemplo, eu li uma notícia que o Fisco, não sei se é verdade ou se é mentira, se era uma atuarda, mas penso que não, que o Fisco vai passar a prestar especial atenção a pessoas individuais e coletivas com rendimentos acima de 250 mil euros por ano, qualquer coisa assim, etc., para ver o que é que se passa.
Eu compreendo que haja pessoas que não estão para se sujeitar a essa... Pronto, eu não lhe chamaria de vassa, acho que é qualquer coisa que sabe adessoar em determinadas posições na vida. Ouvi alguém argumentar, por exemplo, com o caso de António Damasio.
dizendo que Damasio tinha recusado, ou tinha saído do Conselho de Estado, saiu, porque se recusava a fazer isso.
com todo o respeito e admiração que eu tenho por António Damasio, isso foi a opção dele. Eu posso imaginar, por exemplo, que uma pessoa com o estatuto de António Damasio não lhe interesse ver nas primeiras páginas quanto é que cobra por conferência,
Quanto é que cobra por ir a este evento? Ou há aquele, etc. Quer que se queira, quer não. Isto depois, a Vox Populi avança para estas coisas. Mas é assim. São opções que se têm de fazer. Qual é a alternativa? Para ir buscar os melhores... Eu estou muito mais de acordo, devo dizer, olha, eu corro-me agora. Estou muito mais de acordo que se diga assim. Para ir buscar os melhores é para pagar-lhes bem.
Claro, é isso, pá. É evidente. Os nossos políticos não são bem pagos. E os médicos, os enfermeiros, pá. Tudo isso, não é? Claro, pá. Vamos pagar de cento de momento às pessoas. Agora dizer, ai, os melhores não vêm porque depois a malta pode ver os rendimentos. Mas se os rendimentos foram ganhos, honestamente, qual é o problema? Descobrir que alguns deles têm muita massa? Mas a malta acha que não há gente com muita massa neste país?
Ouçam, eu uma vez ia para, vou fazer publicidade, ia para a minha amada Petisqueira do Godinho, em Matosinhos. E o taxista, às tantas, que estava irritado com alguma coisa, já não lembro o quê, estava a falar das desigualdades e mais isto, mais aquilo. E às tantas, disse assim.
Porque começam com esta história e tal. Dinheiro não falta. Ó doutor, as marisqueiras em Matosinhos estão cheias todas as noites em duas rodadas. E eu pensei, não deixa de ser verdade. Portanto...
E agora vamos pensar assim, não. E agora temos pessoas que poderiam, por exemplo, ir para o governo, mas que dizem assim, não, porque eu não quero que se possa saber as propriedades que tenho, quanto dinheiro tenho no banco e tal, que sempre.
Se isso é assim tão importante em termos de privacidade, tem que fazer uma escolha. É 1º de maio e o Manuel também quer amassar. E os últimos minutos deste dia, Manuel, são seus. Acho que o Júlio, acho que puseste muito bem o problema.
E pessoalmente eu acho até que o discurso dele a mim não me pôria de costas, percebes? Mas é verdade também que eu dou-me bem com ele. De resto, o Conselho do Expresso havia a cota do Porto, que era ele e eu, o primeiro, a Guiá Branco e eu, porque era o PAI 20 e a cota do Porto éramos dois, no Expresso. Para vocês terem uma ideia, a gente tem que perceber o que é a macrocefalia lisboeta. O Conselho tinha dois tipos do Porto.
E nenhum do resto do país, provavelmente. Claro. E também havia três ou quatro mulheres, diga-se de passagem. Sim, não interessa. Mas o que eu quero dizer é que ele defendeu-se usando o sistema, uma ironia borderline e em que deu para tudo. Ó Manuel, borderline é uma palavra que tem peso, não é? Portanto, explica lá qual é o teu conceito de borderline.
Borderline foi isto mesmo, quer dizer, foi quem leu aquilo como uma forma de... As coisas que correram mal na utilização de pessoas que são políticos e têm... Percebes? E uma outra coisa... É que borderline é um diagnóstico psiquiátrico. É de ser cuidado. Não, não. Borderline no sentido... Não, portanto, é verdade que nós...
Nós ganhamos mal, percebes? E, portanto, o teu ponto... O ponto melhora. Nós temos... Os profissionais deviam ser bem pagos. E também os políticos, se calhar até por maioria de razão. Porque apesar de todo um político que deixa... Mas isso não é transversal toda a sociedade? Não. Toda a nossa sociedade? Não, não é. Há uma... Há... Não é? Há disparidades, claro. Há disparidades cada vez maiores. Assustadores.
E aí a gente se calhar Temos que fazer uma coisa com esta coisa De ir buscar o dinheiro onde está Há de haver um sítio onde há dinheiro neste país Para além dos que vão Para além do ouro Para além do ouro E os que vão aos petiscos Matozinhos É pá
é um país cheio de gajos riquíssimos, para que ninguém perceba onde é que vem o dinheiro. As manisqueiras, não é? Também. Se calhar é um assunto para desenvolver-se à mesa do almoço. Vamos ao piquetim. Nós temos que ir mariscar para o outro lado. Ficamos à espera do convite do Júlio para irmos à esqueira do rodinho.
Podemos fazer isso e eu convido e vocês pagam Para dividir as tarefas Lá está ele Bom, meus caros, bom fim de semana Bom fim de semana Um abraço
Eu tenho uma foto. Preserve suas memórias. É tudo que você tem.