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História da Eletrônica - O ano de 1956

07 de julho de 202615min
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O ano de 1956 foi um período de transição e intensa movimentação em várias esferas globais, marcado por tensões da Guerra Fria, o avanço de movimentos de independência na África e a ascensão de novas formas de expressão cultural.

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Mouser Electronics

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Participantes neste episódio1
N

Newton

Host
Assuntos7
  • Hardware e tecnologia de computadoresTransição Válvula-Transistor · IBM 1401 · Computador Pessoal (PC)
  • Primeiro Disco RígidoArmazenamento de Informações · IBM 350 (305 RAMAC) · Capacidade de 5 Megabytes
  • Galileu e Inovação CientíficaPrimeira Usina Nuclear Comercial · Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) · Consolidação da Televisão · Elvis Presley na TV · Bossa Nova · Marilyn Monroe
  • Importância do tráfego pagoComunicação Pessoal · Motorola Hand Talk Vision System · Hospitais · Comunicações Móveis
  • Invenção do VaricapCapacitor Variável · Varactor · RCA · Circuitos de Sintonia
  • Linguagens de ProgramaçãoFortran · Cálculos Científicos · COBOL · Cálculos de Contabilidade · Universidade de São Paulo
  • Contexto internacionalGuerra Fria · Movimentos de Independência · Descolonização na África · Governo Juscelino Kubitschek · Plano de Metas · Construção de Brasília
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
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Olá pessoal, aqui estou eu, Newton Sebraga, do Instituto Newton Sebraga, por mais, para mais um episódio da nossa série em podcasts História da Eletrônica, onde eu conto tudo que aconteceu na existência da eletrônica. Desde as primeiras descobertas, lá quando o homem da caverna teve um graveto aceso por um raio, até algumas incursões aí no futuro. Esse episódio é o 47 da temporada 2 e vai tratar do período que corresponde ao ano de 1956.

Mouser Electronics, compre seu componente com atendimento em português. Ligue 0800-892-2210. Compre com confiança. Para começar, vamos ver como que era o mundo nessa época, para ter uma ideia de que como a situação, vamos dizer, mundial influenciou as descobertas eletrônicas, tanto na tecnologia como na ciência. O ano de 56 foi um ano de transição intensa, porque ainda estava havendo aquela bipolaridade da Guerra Fria e, além disso, avanços de movimentos de independência de muitos países, terminando assim a era colonial, principalmente na África.

Na descolonização, nós podemos citar as independências do Sudão, do Egito, do Reino Unido, que se separou do Reino Unido, do Marrocos, que se separou da França, Tunísia, que também se separou da França. No Brasil, o governo era de Juscelino Kubitschek, e nessa época ele lançou o Plano de Metas que viria fazer a construção de Brasília. Então foi nessa época que começou a ser construída a nova capital do Brasil. A tecnologia, os computadores avançavam, nós tínhamos a inauguração da primeira usina comercial nuclear, a usina de Calderhall, na Inglaterra.

Foi a primeira usina atômica do mundo. No Brasil, o governo, certo, fez a criação da Comissão Nacional de Energia Nuclear, a CNEN, que viria tratar do assunto da energia nuclear no Brasil. A partir de então, nós temos a consolidação da televisão e o ano que o cantor Elvis Presley fez a sua estreia na TV. No Brasil, na cena musical, nós temos aí a presença da bossa nova, que dava os primeiros passos, e o cinema brasileiro também estava em alta nessa época.

Lá no resto do mundo, certo, destacava-se a atriz Marilyn Monroe, com seus filmes. Mas vamos ver o que aconteceu de eletrônica. Em 1956 foi descoberto o processo de difusão do silício, que deu origem ao desenvolvimento maior dessa tecnologia, porque até então a tecnologia dos semicondutores era baseada no germânio, e o silício estava apenas engatilhando. Com o processo de difusão de impurezas no silício, ele passou a ser melhor controlado para a fabricação de semicondutores.

Então eram introduzidos átomos, elementos e outros elementos como o fósforo no cristal de silício para obter os cristais P e N e outros elementos raros, né, que hoje, certo, são importantes por causa das as chamadas terras raras, né, que elas são usadas justamente não na fabricação em si do componente, o componente continua sendo o silício, mas na sua dopagem. Então nós temos diversas técnicas de montagem que levam à valorização das chamadas terras raras, além da fabricação de outros componentes em que elas entram de maneira integral.

Nós tivemos então a criação dos transistores de silício, muito mais finos, muito mais eficientes e, portanto, mais rápidos, porque sendo mais finos, o tempo de tráfego, de movimentação dentro do componente era menor. E aí nós temos então uma nova era de semicondutores. A Shockley Laboratory, apesar de sua vida curta, né, ela foi o ponto de partida para isso, né, ou um dos descobridores do do transistor, né, o Shockley, né, ele montou uma empresa na Califórnia, um grupo, e ele fez descobertas importantes, mas a empresa não foi bem, porque se bem que ele era um excelente engenheiro e cientista, ele não era bom de administração de empresa.

E aí os sócios dele se separaram e fundaram outras empresas. E aí foi o ponto interessante, foi 8 traidores, como eles chamam na história, que fundaram as empresas que deram origem ao Vale do Silício. Cada um fundou uma, e hoje, e hoje, né, a região lá é o Vale do Silício, conhecida pela quantidade de empresas de alta tecnologia no mundo da eletrônica. Então ela teve início justamente com essa saída desses engenheiros da empresa do Shockley, de Paliu e que formaram as suas próprias empresas, dando origem ao Vale do Silício.

Isso lá em 1956. Nessa época nós também tivemos uma inovação tecnológica muito importante que já seria o primeiro passo para a chegada do celular, que era o pager. Antigamente, quando você tinha que dar um aviso no hospital, numa estação rodoviária, numa empresa, algum lugar, para chamar alguém: senhor tal, venha, compareça a tal lugar, certo? Como hoje ainda se faz nos supermercados: funcionário tal, dirija-se ao caixa, né? Naquela época isso aí é incômodo, certo?

Porque todo mundo tem que ouvir o chamado e saber que o sujeito tá sendo chamado. Então criou-se o pager, né? O pager envia rádio. É o seguinte: é um aparelhinho que você carrega com você na cintura. E quando alguém precisa te chamar, vai lá na central, pede para te chamar, mandar você para tal lugar. E somente a pessoa que é chamada recebe um bip, um sinalzinho lá, certo, no seu aparelhinho. A pessoa pode estar em qualquer lugar.

Os pêjens, em muitos casos, eram assim, tinha uma cobertura muito ampla de muitos quilômetros, cidade inteira. Então a pessoa sabe, quando bipou lá o seu pager, você procura o telefone e liga para central para ver o que que querem de você, para onde você deve ir, para onde você deve se dirigir. Eu mesmo, durante um certo tempo, usei o bip. Como eu trabalhava praticamente em casa, trabalhava assim, não trabalhava dentro da editora, né, eu carregava o bip.

Então quando alguém precisava alguma coisa mandava bipar para mim, eu recebi o sinalzinho, eu ia ao telefone mais próximo, certo, e ligava para a central de bip e via quem tava me chamando. Eu ligava para essa pessoa e via qual era o problema, que se podia ser resolvido por telefone ou se teria que ir lá. Então foi uma inovação tecnológica, né, bastante interessante. O sistema inicial foi criado pela Motorola, chamava-se Hand Talk Vision System.

Ele permitia, por exemplo, a primeira aplicação dele era nos hospitais. Então, quando precisava que o médico corresse a um determinado lugar, ele tava atendendo, por exemplo, no quarto, o bip tocava, né, dava o bip, ele corria imediatamente para saber onde que ele deveria ser chamado, onde que ele deveria correr. Certo, algum paciente que estava passando mal, alguma coisa assim. Essa criação do VIP teve um impacto muito significativo nas comunicações, porque ela abriu a possibilidade de você ter um sistema de comunicação pessoal.

O passo seguinte foi não de você fazer a chamada somente, mas também de ouvir a mensagem e daí para o celular foi o quê? Foi um passinho bastante curto que foi dado. Nós tivemos nessa época, em 56, o desenvolvimento de um componente muito importante na época e que também é muito utilizado hoje, que é o Varicap, que também é conhecido, né, tinha um outro nome na época, e ele foi lançado na realidade com o nome de Varactor. O Varicap ou Varactor é o capacitor variável sem peças móveis, é o componente eletrônico que é um capacitor variável.

Que que ele consiste? O que que ele faz? Hoje a gente usa, a maioria de vocês já conhece muito bem. Ele foi descoberto em 56, né? O seu descobridor foi o engenheiro chamado Giacoletto, juntamente com J. O'Connell, que trabalhavam na RCA nos Estados Unidos. Já tinha se observado que quando um diodo comum é polarizado no sentido inverso, a junção dele ela se alarga, e ela se alarga de acordo com a tensão aplicada. Então, polarizado inverso, a gente já sabe que o capacitor que o diodo funciona como um capacitor.

Se as armaduras se alargam e se aproximam, essa capacitância muda. Em outras palavras, quando você polariza um diodo comum no sentido inverso, ele funciona como um capacitor cuja capacitância depende da tensão. Em outras palavras, ele funciona como um capacitor que pode ser controlado pela tensão. Certo, é um varicap, como disseram. Então o que esses pesquisadores fizeram foi aperfeiçoar um diodo comum para funcionar como um capacitor variável, e o componente passou a ser chamado de varactor ou varicap, como a gente conhece hoje.

Onde que ele é usado? Circuitos de sintonia. Então onde antigamente se utilizava um capacitor variável com aquelas placas mecânicas que você girava para um e com um eixo. Hoje você pode fazer a mesma função com um componentezinho no estado sólido, no tamanho de um diodo, um bem pequenininho, em SMD, um quadradinho de alguns milímetros quadrados. Então ele é usado onde? Nos circuitos de sintonia, nos circuitos em que a gente precisa de um capacitor variável para fazer a função de atuar no circuito ressonante.

Nessa época nós também tivemos algumas outras invenções importantes, como o primeiro disco rígido, né, o primeiro HD, né, o hard disk, né, que aí a ser usado nos computadores, porque não havia um meio eficiente de se armazenar informações num computador na época. E o disco rígido, ele veio a suprir, né, essa dificuldade de armazenamento. Eu não pensei que podia gravar muito nele, não. O primeiro disco rígido que foi lançado pela IBM, o IBM 350, 305 RAMAC, ele tinha um disco, ele tinha uma capacidade de armazenamento de 5 megabytes.

Hoje a gente fala já nos terabytes, né, que já são comuns, né. Agora imagina como que isso evoluiu, sim, de 5 megabytes para vários teras como são hoje, né. E ele era formado por uma pilha interna de 50 discos de 24 polegadas de diâmetro. 24 polegadas, você já imaginou quanto que dá o tamanho desse disco rígido. Não era pequenininho como os de hoje, não. Ele era enorme, né? Então ele foi criado por uma equipe chamada por um pesquisador, pesquisador, certo, da IBM, que lançou isso em 1956.

Nessa época também nós tivemos o aparecimento de uma das primeiras linguagens realmente eficientes de programação, que foi o Fortran. Eu mesmo aprendi Fortran no primeiro computador que eu manuseei lá nos meus tempos de estudante ainda. O Fórmula Translation, ele foi criado para fazer cálculos científicos. Paralelamente se criou o COBOL para fazer cálculos de contabilidade, cálculos de economia. Então haviam duas linguagens básicas que se aprendia.

Eu, quando estava lá na Universidade de São Paulo, como eu fazia escola politécnica e também depois Instituto de Física, eu aprendi o Fortran. Os meus amigos, o pessoalzinho que foi lá para a faculdade de economia, aprendeu o COBOL. Então haviam essas duas linguagens que foram criadas na época. Eu aprendi lá no final dos anos, dos anos 60. Ela foi criada em 56 e era uma das primeiras linguagens de programação que ficou durante muito tempo assim ativa, certo, como principal linguagem de programação para matemáticos, cientistas e engenheiros.

Fato curioso da época: em 1959 nós estávamos na transição da válvula para o transistor, e a maioria dos computadores ainda era valvulado, com poucas funções transistorizadas. E nessa época nós tivemos o primeiro computador que foi totalmente transistorizado. Em 59, a IBM lançou o modelo 1401, que era um computador totalmente transistorizado. E justamente pelo fato de ser transistorizado, ele era mais econômico, ele era menor, e por isso ele se tornou um sucesso comercial muito grande que acelerou a adoção dos computadores pelas empresas.

É lógico, ainda não havia ainda o computador pessoal, o PC, mas esse, vamos dizer, esse IBM 1401 pode ser considerado uma etapa intermediária. Pessoal, ficamos por aqui, agradecemos a sua audição. Até mais!