#471 Fabiana Silva
Foi na adolescência que ela descobriu os esportes. Mergulhou de cabeça no handebol e no basquete. Durante alguns anos, também se dedicou à dança e chegou a considerar seguir carreira como bailarina.
Em 1998, mudou-se para Salvador para cursar a faculdade, afastando-se da vida esportiva. Anos mais tarde, em 2013, o jornalismo a levaria ao Rio de Janeiro, onde os esportes ao ar livre passaram a ocupar mais espaço em sua rotina. Em dezembro de 2020, em plena pandemia, decidiu ingressar no triathlon, mesmo sem saber nadar e praticamente sem experiência sobre uma bicicleta.
A estreia aconteceu em 2021, no Capixaba de Ferro. Uma síncope durante o ciclismo, porém, impediu que completasse a prova. Já no ano seguinte, concluiu seu primeiro Ironman 70.3, no Rio de Janeiro.
Em 2023, participou do seu primeiro Ironman, em Florianópolis, e conquistou uma vaga para disputar o Mundial no Havaí. Em outubro, viveu alguns dos momentos mais marcantes da sua trajetória esportiva ao alinhar na largada do Campeonato Mundial de Ironman.
Voltou ao Ironman Brasil em 2025 já pensando em um objetivo ainda mais ousado: disputar uma prova nas distâncias do Ultraman, o UB515. Reuniu uma equipe de apoio formada exclusivamente por mulheres e partiu para uma experiência tão transformadora quanto enriquecedora: completar os 515 quilômetros da competição.
Conosco aqui, uma jornalista e triatleta disciplinada, campeã do UB515, uma mulher intensa, de muitos contrastes e paixões, a goianense que acredita muito no seu axé, Fabiana Jacinto da Silva.
Inspire-se!
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O difícil é você escolher o que você quer. Uma vez você escolhendo o que você quer mesmo, não há nada nem ninguém que faça você desviar do caminho. Pelo menos é assim comigo, assim. Então, uma vez decidido, eu vou fazer aquilo. É óbvio que eu não tinha em nenhum momento na minha cabeça vencer o Ultraman.
Olá pessoal, aqui é o Nauberto Bolle. Olá, aqui é o Paulo Kakinos.
Oi pessoal, aqui é a Gabriela Fussur. Oi pessoal, aqui é a Bettina Nordschayter. Oi, aqui é a Pamela Oliveira. Olá, aqui é o Guilherme Tamega. E esse é o Indoor Fina Podcast.
Sou Michel Bogli e aqui no Indoor Fina Podcast você conhece as histórias e opiniões de triatletas, corredores, nadadores e ciclistas, profissionais e amadores. Descubra Quem são e o que pensam os seres humanos que vivem o esporte e são movidos a endorfina? Olá, seja muito bem-vindo a mais um episódio do Endorfina Podcast. Esse e todos os episódios são editados pela produtora Pulsante. Esse episódio foi gravado mais uma vez, você já sabe, no Estúdio Estema.
Se você busca um lugar para gravar o seu conteúdo de áudio e vídeo, conteúdo para rede social, webinars, aulas, cursos online, né, que ultimamente aí pós-pandemia tem feito muito sucesso, considere gravar aqui no Estúdio Estema. Mande uma mensagem, venha conhecer o Estúdio Estema, mande uma mensagem através do Instagram @estudioestema, estúdio com S mudo, estema também com S mudo, 2 M's, @estudioestema. E foi aqui que eu recebi a minha convidada de hoje.
Eu quero fazer aqui um um disclaimer, um aviso antes de começar. Eu me surpreendo positivamente com todos os convidados, ou 99 deles, porque esse 1% que eu não me surpreendo é porque eu conheço muito bem a pessoa, então não tenho essa surpresa quando eu gravo aqui com eles. Mas tem alguns que me chamam muito mais atenção, que me surpreendem muito mais. E me parece que tem se tornado um padrão, as pessoas que têm realizado feitos incríveis de ultra-endurance têm me chamado a atenção com mais frequência, como foi o caso da Tatiana de Biasi faz poucas semanas.
E agora é o caso da minha convidada de hoje, a Fabiana da Silva, Fabi Silva, que é uma jornalista que venceu o primeiro, a única participação dela no UB 515, e é uma mulher que faz triatlon há pouquíssimo tempo e leva o triatlon de uma maneira bem, talvez fora do usual, fora do que se é padrão hoje no triátlon, né? Muita gente se queixa. Eu não tô dentro, inserido, né, no mundo do triátlon, mas o que eu ouço falar é isso: é um ambiente muito de cobrança, de competitividade, às vezes até de falta de camaradagem pelo excesso de competitividade.
E a Fabiana, embora tenha ido, né, para ultradistância nesse ano, faz poucas semanas, poucos meses que ela venceu o B515, faz um pouquinho mais de 2 meses que ela UB 515. Ela tem uma maneira muito legal de encarar o esporte, de encarar o triátlon particularmente. É isso que você vai ouvir aqui nessa nossa conversa. Ela que ganhou, né, o UB 515 esse ano, num field, numa participação total aí de 8 mulheres, o recorde da existência do UB 515 até hoje.
Então você vai falar, vai ouvir ela falando aqui sobre disciplina, liberdade. Ela escolheu fazer uma jornada praticamente sozinha até o B515, quer dizer, nos treinos. Ela tem uma rede de apoio muito grande e ela fala do valor dessas pessoas. Ela se cerca de pessoas muito competentes que ela confia. Ela fala sobre experimentar a vida, ela fala sobre axé, sobre Exu, estado de flow diário. E aí é uma passagem muito interessante sobre viver em Nárnia, experiências transcendentais sobre a bicicleta, dualidade, experimentar o diferente, integridade, respeito e muitas outras coisas.
Tenho certeza de que você também se surpreenderá, mesmo que você não seja um triatleta, mesmo que você tenha algum tipo de barreira ou preconceito contra as ultralongas distâncias. Eu acho que vale muito a pena você ouvir aqui essa conversa. Uma mulher simpaticíssima que eu dei sorte por conta da Copa do Mundo. Ela trabalha na Rede Globo, no jornalismo. Ela veio a São Paulo e a gente conseguiu marcar uma manhã dela aqui para bater esse papo.
Não se esqueça de seguir o Endorfina no seu Instagram, que é o @endorfina. .br, que você já sabe, a essa altura que você tá ouvindo eu já fiz vários posts marcando inclusive o Instagram da Fabi para você passar a segui-la, para você mandar uma mensagem, dar um alô para ela, fazer algum comentário sobre o que você vai ouvir aqui agora. Se você quer assistir essa conversa, vá agora mesmo para o YouTube, fecha esse aplicativo aqui, vai lá para o YouTube, já começa assinando, dê um like, ative o sininho, comente, compartilhe.
Minha meta é chegar a 6 mil assinantes até o final do ano e vocês têm colaborado bastante. Quem sabe eu chegue até antes do final do ano. Lembrando que Endorfina já tem 9 anos e alguns meses. Qualquer ajuda de vocês é muito bem-vinda. Encaminhar esse episódio para outras pessoas. Tem sempre gente descobrindo o Endorfina, isso é muito legal, e o YouTube é uma porta de entrada para muito mais gente descobrir o Endorfina. Então eu conto muito com a sua ajuda, seja você que está chegando aqui e gostar dessa conversa, seja você que ouve o Endorfina desde o primeiro episódio, seja você um cara que está ouvindo aqui agora por conta do B515.
Todo mundo é bem-vindo e eu conto muito com a sua ajuda. Agora, se você também quiser ir além, para quem já está acostumado com Endorfina, se esse episódio, se os episódios de Endorfina colaboram com você de alguma maneira, se eles contribuem com você de alguma maneira, considere apoiar financeiramente esse projeto. Sim, você pode contribuir também, assim como os patrocinadores desse episódio. Você pode fazer contribuições mensais, pode fazer contribuições pontuais.
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E é isso, então vamos lá para mais um episódio do Endorfina, mais uma campeã de uma prova de triatlon, dessa vez o B515, uma campeã talvez improvável. Talvez ouvindo aqui essa conversa você vai ver que ela não tem um perfil de campeã, e ela mesma diz ela não tinha objetivo nenhum de vencer, né? Ela tava cumprindo aí uma jornada, e você vai ouvir aqui como é que foi esse caminho na trajetória da Fabi Silva. Afinal de contas, quem é que não gosta de uma boa história, não é verdade?
Foi na adolescência que ela descobriu os esportes, mergulhou de cabeça no handebol e no basquete. Durante alguns anos também se dedicou à dança e chegou a considerar seguir carreira como bailarina. Em 1998, mudou-se para Salvador para cursar a faculdade, afastando-se da vida esportiva. Anos mais tarde, em 2013, o jornalismo a levaria ao Rio de Janeiro, onde os esportes ao ar livre passaram a ocupar mais espaço em sua rotina. Em dezembro de 2020, em plena pandemia, decidiu ingressar no triathlon, mesmo sem saber nadar e praticamente sem experiência sobre uma bicicleta.
A estreia aconteceu em 2021 no Capixaba de Ferro. Uma síncope durante o ciclismo, porém, impediu que ela completasse a prova. Já no ano seguinte, concluiu seu primeiro Ironman 70.3 no Rio de Janeiro. Em 2023, participou do seu primeiro Ironman em Florianópolis e conquistou uma vaga para disputar o Mundial do Havaí. Em outubro, viveu alguns dos momentos mais marcantes da sua vida ao alinhar na largada do Campeonato Mundial de Ironman.
Voltou ao Brasil, ao Ironman Brasil, em 2025, já pensando em um objetivo ainda mais ousado: disputar uma prova nas distâncias do Ultraman, ou UB515. Reuniu uma equipe de apoio formada exclusivamente por mulheres e partiu para uma experiência tão transformadora quanto enriquecedora: completar os 515 km da competição na edição deste ano de 2026. Conosco aqui hoje uma jornalista e triatleta disciplinada, campeã do UB 515, uma mulher intensa, de muitos contrastes e paixões, uma versão esportiva da filósofa existencialista francesa Simone de Beauvoir, a goianense que acredita muito no seu axé, Fabiana Jacinto da Silva. Seja muito bem-vinda, Fabiana!
Ah, que legal, obrigada!
É um prazer te receber aqui, eu nunca recebi uma campeã Quer dizer, já recebi presencialmente a Natália Sales, campeã do B515, agora frente a frente. Aliás, falei com a Natália ontem dizendo que lembrei muito dela, né, quando eu tava aqui pesquisando para preparar a nossa pauta. Você tá em São Paulo para abertura da Copa do Mundo. A hora que esse episódio for ao ar, né, a Copa do Mundo já vai estar rolando aí a pleno vapor. Tomara que o Brasil ainda esteja na Copa do Mundo, né?
Tomara que ele chegue à final. Cara, tua história é muito legal, né, pelo que a gente já trocou de figurinha coisinhas. Eu vi uma participação sua com o Dr. Gustavo Asmar, não pode esquecer, numa rádio. Aí peguei mais algumas coisinhas. O que que foi preciso, Fabi, para vencer? O que que você acha que fez você não somente participar do Ultraman, que já é um feito por si só, mas esse ano foi o ano com a maior participação feminina no B515, né?
Eu já gravei aqui agora, semanas passadas, poucas semanas, com a Tati DeBiase. O que que você acha que fez com que você chegasse na frente dela e de outras, né? Você chegou acho que só meia hora, 35 minutos, na frente da Tati DeBiase. Eu imagino que deve ter rolado ali uma pequena, talvez, disputa. Não vou dizer nem competitividade, né? Mas assim, qual é o seu talento? Para você ter chegado no seu primeiro OB assim na frente de outras 7 mulheres?
Então, eu acho que...
Não vai me dizer que é seu axé?
Também, com certeza, é a partir disso assim.
Onde é que vem desse axé?
É a partir disso. Eu acho que não tem uma razão única, né? Acho que é a história de uma vida assim, você não chega numa prova dessa do nada, acordei e vou fazer um OB assim. Quando eu paro para analisar, eu sempre me pergunto: como assim não seria o B? Para mim é quase óbvio que eu faria algo dessa ordem, assim, porque tem tudo a ver com quem eu sou, com toda a história da minha vida, assim. Então toda essa coisa de se relacionar com a coisa da disciplina, o foco, não é, nunca foram, não são características que me causam, que me causem dor, assim, é pelo contrário.
Necessário. Eu preciso de alguma organização para eu exercer toda a minha liberdade, que é algo que eu definitivamente não abro mão, nunca abri na vida toda, assim. Então, tipo aquela música de Milton Nascimento, né? Eu preciso do cais, assim. É a partir do cais que eu vou. Então, a coisa da disciplina e do foco, acho que para você fazer uma prova de endurance, precisam ser seus aliados, assim. Mas objetivamente, em relação ao UB, assim, o que que eu analisei que aconteceu comigo?
Quando eu decidi fazer essa prova, eu tava com um treinador, eu estou com um treinador, Claudio Morgado, e aí eu falei com ele: olha, quero fazer o UB, você quer me treinar? Porque, né, você precisa perguntar para o seu treinador, porque ele estava ali no dia a dia mais acostumado a treinar a turma para 70.3, maratonas, Ironman, e é uma prova que exige Exige ali uma, né, uma parceria que vai um pouquinho além. Ele me falou, eu me lembro disso, ele me falou emocionado assim que ia dar o melhor dele para mim.
Ele tem uma vasta experiência no triátilo e com campeões, enfim, já treinou o Ribeiro, treinou o Armando, que Armando é meu amigo, então é um cara que eu que eu criei uma relação muito estreita assim, que é o Morgado. E aí, bem, ele falou: "Vou te treinar." Eu falei: "Então tá certo." E aí...
Mas no mesmo dia, no mesmo momento?
Na mesma hora. Eu pensei... Eu falei dizendo, né: "Pode pensar, porque qualquer coisa..." Acho que eram em torno de 10 atletas, eu acho que 9, 10 atletas do Rio de Janeiro nessa prova. Todos estavam treinando numa assessoria e eu era a única descolada assim de todo mundo. Por, enfim, aconteceu de ser assim. Eu conheço todas as pessoas do Rio de Janeiro que iam fazer, então eu imaginei, é, ah, somos, né, a gente se mistura no meio desse ciclo, a gente se mistura.
Mas durante, logo na largada, é, eu me concentrei muito para fazer essa prova. Eu queria muito fazer essa prova, eu tinha um sonho de fazer essa prova por tudo assim, porque essa coisa da busca da busca por se conhecer melhor. Eu faço psicanálise há mais de duas décadas. Essa coisa de se testar, essa coisa do limite, é um assunto que me interessa muito. E você se colocar nesse lugar de fazer uma prova de ultradistância vai muito além, eu acho, eu acredito, do que o esporte em si, do que o dia em si.
São outras coisas. É a partir do seu físico que tudo acontece. Não é só sobre a sua condição física de realizar, é a partir disso. E isso me interessava, assim, eu falava: "Nossa, como é que deve ser isso, assim? Do que que eles estão falando, assim?" Então, quando, logo no início do ciclo, eu decidi que eu ia treinar sozinha, mesmo conhecendo as pessoas, eu falei. E aí isso veio comigo desde o treinamento pra Kona, porque acabou que era um ciclo que ninguém mais ia fazer no Rio que eu conhecesse.
Então eu fui obrigada a fazer o ciclo sozinha, então eu aprendi a me virar sozinha. Então no B eu falei: "Vou fazer sozinha." E aí, o que que eu fiz? Eu não vi nada que ninguém estava treinando. Porque a comparação é inevitável, você fala, né? Tipo assim: "Ah, tem um grupo ali fazendo." Você fica: "Será que eu tô fazendo? Será que tá bom? Será que não sei o quê?" E o Morgado me falava uma coisa assim, que eu levei. Ele falou assim: "Fabi, tem muitas formas de chegar a Roma, tá?
Você pode chegar de navio, de avião, de várias formas." Então assim, Esse é o nosso jeito, então foca aqui. E aí confia, é, e confia. E eu não tenho dificuldade com isso. Então assim, eu acolho muito assim o que é o trabalho de cada um. Então meu treinador tem que me treinar, a fisioterapeuta tem que cuidar de mim, a minha personal tem que cuidar de mim, e cada um faz o seu. Eu não vou discutir, eu vou trazer as minhas questões.
Olha, tô sentindo isso, aquilo e tal, mas eu não discuto. Então O que ele colocava para eu fazer, eu fazia. Então não precisa ter margem de erro comigo. Ah, faz um pouquinho, vou botar um pouquinho mais para ela fazer um pouquinho mais. Não faça isso porque você vai errar, porque o que você mandar eu fazer, eu vou fazer. Porque você tá mandando fazer porque você acredita que eu vou dar conta. E isso é na vida. Então eu tenho uma meta no trabalho, eu vou fazer, eu vou cumprir, eu não vou, eu não vou dramatizar isso.
Dificilmente eu vou criar uma história, eu vou fazer. Então vou arranjar meu jeito. Então assim, eu me recolhi e me concentrei no que eu queria fazer, no meu propósito. Então o externo de quem eram as pessoas, quem eram os outros 42 competidores, eu não sabia. Não sabia assim exatamente como tava tendo, conheci algumas pessoas, mas eu não me conectei com isso.
Não teve um grupo de WhatsApp entre os Uberman? Não, zero.
Não, tinha o grupo que o Luna, que é o responsável pela prova, criou lá na frente, poucas semanas antes da prova, mas não tinha, e eu não me relacionei com isso. Eu precisava ter tempo pra treinar, trabalhar e descansar. E acabou, fim de papo. Não podia ter desvio. Porque não dava tempo. Pra eu conseguir trabalhar e render no trabalho, eu precisava estabelecer um pacto. Eu tinha ali 8 meses em que eu ia abrir mão de algumas coisas.
Cada escolha, 200 renúncias. Então, eu sabia que era isso e tudo bem. Então, vamos nessa. Essa é a brincadeira, então vou fazer. Então, acho que essa coisa de me concentrar pra isso, tomar decisões. "Mas eu escolhi um caminho e acabou." Então acho que isso é uma coisa que é importante, e eu faço isso na vida, assim. Então eu tenho um projeto, esse é o caminho. É óbvio que você tá aberto a tudo que for ajudar, a todas as informações, né, que vão compor.
Mas a forma de fazer, a crença, a fé no que você vai fazer, eu estabeleço aquilo e aí eu vou. Então foi o que eu fiz, me organizei no tempo e no espaço e falei: vou me dedicar a isso. Acho que isso foi uma das coisas que me trouxe uma ancoragem, assim, eu decidi, eu defini. Então acho que isso é uma coisa. E a partir disso eu fui vivendo um dia após o outro e me relacionando com todas as novidades que um ciclo desse provoca em você, que são muitos, e que eu não tinha contato até então.
E aí eu escolhi algumas pessoas que eu conversava. Então o Alexandre Ribeiro foi um ícone, é um ídolo. E aí uma amiga do trabalho fez, do trabalho, nem foi do esporte, fez a conexão porque conhece ele e tal, da família, não sei o quê. Me colocou em contato com ele, a gente começou a trocar WhatsApps. E aí ele, eu trazia algumas coisas e ele muito generosamente me dizia as impressões. O Armando Barcelos, que é um craque também, sou muito fã dele, é um amigo, é na Barcelos que eu cuido da minha bike, e a gente tem uma relação de amizade e de muita gaiatice assim.
A gente brinca muito um com o outro, é uma É uma confusão quando a gente tá junto. E ele era uma pessoa que falava assim, eu lembro que quando eu tava, quando veio a coisa no joelho, porque eu tive uma lesão no joelho durante o ciclo. E eu falei, ah, cheguei lá, tipo, ah, eu tô com o joelho coisa. Ele, qual? Eu falei, o esquerdo. Ele falou, mas você tem dois joelhos. Eu falei, ah, tá bom. Tipo assim, ah, bora, segue aí. Então, eu tinha algumas pessoas assim, o próprio Morgado.
Que é um cara que tem uma estampa assim bravona, mas é um vovô, é um Papai Noel, assim, é uma pessoa muito doce. E ele era muito generoso, assim, muito atento. Então, o Morgado era assim, eu fazia, ele sabe que eu trabalho, trabalho muito. Então ele me passava o treino, acabava o treino, e ele: "E aí, como está o aparelho locomotor?" Era um pouco assim, ele falava comigo todos os dias. Eu até ficava: "Não precisa de tanto." Então, e aí ele passava o treino do dia seguinte considerando como eu tava me sentindo, o que eu tinha de trabalho no outro dia, e era isso assim.
Então, Fabi, amanhã 8 km na piscina e depois sair para pedalar. Eu, partiu, bora olhar os horários para ver, fazer caber esse negócio para eu chegar, porque eu tenho que estar pronta, tomada banho, para trabalhar às 10:30 da manhã.
E não pode chegar com o cabelo molhado, escorrido.
Não chegava. E aí eu também convoquei todo mundo assim. Eu tenho também uma chefe que é uma parceira, que É uma pessoa humana, generosa e tudo, sabia. Então eu chegava com o cabelo molhado e aí tudo bem, assim. E chegava contando as peripécias, assim.
Estilo Guga Chakra.
É, tipo isso.
Você conseguiu essa liberdade. É, tipo um escalador pra cima.
E deu pra fazer, assim. Acho que tem a coisa do ponto de vista, né? A coisa de quando você toma uma decisão. Quando você— É porque eu acho que A força tá sempre muito na gente quando o difícil é você escolher o que você quer. Uma vez você escolhendo o que você quer mesmo, não há nada nem ninguém que faça você desviar do caminho. Pelo menos é assim comigo, assim. Então, uma vez decidido, eu vou fazer aquilo. É óbvio que eu não tinha em nenhum momento na minha cabeça vencer o Ultraman.
Isso, até porque eu acho que não é nem possível muito você— bem, você faz esporte, você pensa em performar bem, né? Todo mundo, é sobre o esporte, tem a ver, tá dentro do pacote. Mas não sei, eu acho que no Ultraman não é um objetivo, vou fazer Ultraman para ganhar Ultraman. Acho difícil, acho confuso, sei lá, ainda mais no meu caso que eu eu não sou uma profissional de educação física e que vai fazer isso e depois levar para sua assessoria, que foi campeão do tremendo, que isso vai gerar algum benefício.
É algum tipo, para mim, a busca era de outra ordem. Então essa coisa do ganhar, da disputa, não sei o quê, eu tenho uma visão sobre isso que é uma visão própria sobre essa. Eu acolho, existe, Eu lido com ela, claro, quando eu tô no game, eu tô no game. Aí eu tô no game. Mas não é exatamente sobre o pódio. Porque eu entendi que quando era sobre o pódio lá atrás, no dia seguinte eu entrava em depressão. Porque assim, acabou. E aí o pódio, ele faz sentido naquele nanosegundo.
E aí, se você faz uma coisa na sua vida ou no esporte pra você ter o ápice. Todo um esforço pra um nanosegundo não vai fazer o menor sentido.
Exatamente.
Então precisa ser pra alguma coisa, então aquilo está no processo. É muito legal quando você tem um resultado muito positivo, é muito legal, muito legal. Mas e aí, assim, isso quer dizer, você vai pra, né, como é, o dia seguinte, qual é o café da manhã que você vai tomar? E depois, o que que você vai fazer? Para onde isso vai te levar? Assim, para mim interessa isso. Eu celebro, tudo certo, é incrível, mas isso quer dizer alguma coisa que vai me levar além.
Então, porque eu acho que a busca minha pessoal, eu fui tentando racionalizar isso, né? Porque como mexe muito com você, mexe muito com a gente assim, esse foco esse desejo, você movimenta uma energia dentro de você que é muito grande assim, que é muito dispendioso e é muito bonito se você, se não, né, quando você canaliza isso para você. Para mim é muito íntimo assim, essa vitória do Ultraman, por exemplo, Nossa, foi uma celebração muito íntima, foi um negócio muito bonito essa coisa do vencer.
Era menos para fora, eu senti assim, foi muito mais para dentro, assim, foi uma celebração diferente, assim, foi legal viver, muito legal.
Olha, eu fiz aqui algumas anotações, eu quero voltar em alguns pontos aqui que me chamaram a atenção, e essa tua linha de de ação, né, muito pragmática, muito clara, muito assim. Eu simpatizo com isso, eu acho bacana você tomar uma decisão que foi uma decisão importante, séria, né, embora você não viva do esporte, mas a hora que você decide fazer um UB, já fazer um Ironman já impacta todo o seu entorno, um UB muito mais. Mas com certeza, se a gente falar com todos esses profissionais que te apoiaram, eles vão te elogiar como uma pessoa vamos dizer assim, fácil de se trabalhar, né?
Você não falta fisioterapia, você faz os exames que o médico pede, você faz os treinos que o Morgado pede, você cumpre o que te propõe porque você confiou nessas pessoas para te ajudarem a chegar nesse teu objetivo. Então tudo isso é muito legal, mas antes disso, na hora que você estava ainda em negociação consigo mesma para tomar essa atitude, e aí sim depois se entregar de corpo e alma a esses profissionais, e a sua dedicação, a sua vida por 8 meses para fazer o Uber.
Como é que foi essa construção? Porque você pratica triatlon há 5 anos, você, pelo que eu vi aqui no teu histórico, você não competiu muito, você não é uma pessoa super experiente, você simplesmente foi saltando talvez de 2, subindo as escadas de 2 em 2 degraus, de 3 em 3 degraus, e você chegou no B. Em Kona você já chegou no teu segundo Ironman, o primeiro você fez 2 no ano, né, que também não é uma coisa fácil, né, ainda mais 2 no ano, um próximo do outro, né, 3 meses de diferença praticamente.
Mas como é que foi a construção para você chegar a enfiar na sua cabeça essa decisão assim? Eu decidi 'Eu vou me inscrever no OB, vou fazer a candidatura, né?' Porque você precisa passar no crivo do LUNA, quer dizer, eu vou participar do processo seletivo para fazer o OB. Como é que foi essa construção? Foi sozinha também? Foi muito pragmática? Ela veio aos poucos? Você foi incentivada, motivada por algum fato específico?
Sei lá, acho que há várias formas de responder a essa pergunta, assim, me ocorre. Eu acho que essa decisão começa na minha infância, porque quase tudo que eu fiz na vida partem de decisões. Às vezes, quando você falou aí no início, na abertura, né, ah, começou no esporte, o basquete foi um esporte muito relevante na minha vida durante alguns anos, assim, eu joguei realmente, fiz parte da seleção e tal. É, mais ou menos, né? Eu era armadora, ala e tal, mas eu era habilidosa assim, um 1,68.
Eu era habilidosa assim no jogo. Eu comecei com 12 anos, o que tecnicamente é tarde assim, as pessoas começam muito mais cedo. Na dança, imagina, eu comecei na dança mais velha assim, por acaso, e me apaixonei loucamente. No triátilo Eu comecei com 41 anos sem saber nadar. Eu não sabia nadar. Eu boiava, né? Fazia normal, tipo, não morria afogada. E sem pedalar, sem essa coisa de clipar. O que é clipar? Ah, tem que colocar sapatilha.
Ah, que sapatilha? Era assim. Ah, vamos, coloca aí. Nesse nível assim. E aí eu, em todos esses casos, eu entendi assim assim, ó, tô vivendo uma experiência diferente. Porque eu acredito que, pô, a vida é tão curtinha assim, então se você se interessa por alguma coisa, partiu viver, partiu experimentar esse negócio de verdade para ver o que que sai disso aí, que humano sai disso aí, quem é, né? Porque a gente é o resultado de um monte de coisas assim, então O que que vai provocar essa história?
Então, eu acho que tudo que me motiva tem a ver um pouco com essa coisa de experimentar a vida mesmo, assim. De alargar limites, de saber até onde é possível ir. Que experiências eu posso viver. Essa coisa de ficar sempre no mesmo lugar nunca fez muito parte da minha vida. Então, essa coisa de se deslocar, do movimento, é uma constante. Não é uma dor, ao contrário. Então, quando eu comecei no triátilo, já tarde, eu fui experimentando e entendi muito rapidamente que eu gostava mais do que era mais longo do que o que era mais explosivo.
Então, me interessava mais o 70.3 do que o sprint. Esse negócio de coração na boca o tempo todo, eu ficava: "Ah, fi, não consigo nem respirar, nem comer, nem olhar a paisagem minimamente, assim." Eu achava legal, mas eu não ficava absolutamente emocionada com isso. É, e aí eu falei, poxa, gosto dessa coisa um pouco mais longa. Isso não me dói a cabeça, minha cabeça funciona muito bem. As pessoas ficavam assim, ai meu Deus, eu tenho que nadar no mar, vou ficar 2 horas, não pode pegar no celular, não vai falar com ninguém.
E eu ficava, graças a Deus que eu vou ficar em silêncio, ninguém vai falar comigo, que coisa boa. As pessoas, ah, vai nadar 8K, 8 km na piscina contando azulejo. Eu, gente, tudo que eu faço, eu faço tudo menos contar azulejo. Que eu tô pensando na braçada, se eu tô, como eu não sou da natação, a evolução é muito lenta. Então, como eu queria fazer coisas, eu não queria perder tempo. Então, todo treino para mim tá valendo, todo treino eu tô atenta, tô treinando.
Então, o Morgado me fala: "Fabi, o braço tá entrando muito." Na outra braçada eu já tô organizando esse braço. Então, você me deu uma dica, eu vou aprender logo, porque Não havia muito tempo para se perder assim, eu não tinha por que ficar procrastinando, entendeu? Então bora, é para fazer, bora fazer, porque você vai melhorar, e se você melhorar, você vai experimentar coisas. Então bora experimentar coisas, vamos lá. Então eu fui um pouco nessa constante, e aí o Bê apareceu assim: ah, quais são as distâncias do triatlon?
Ah, o sprint, olímpico, 70.3, o Ironman. Aí eu, tá bom, e depois? Não tem depois. Ah, mas tem o Ultraman. Aí a história nasceu em Kona, tá, tá, tá, distância da ilha, o povo faz na ilha. Quando eu fui em Kona fazer o mundial, eu falei, gente, as pessoas dão a volta, que gente louca! E quando me falavam do Ultraman, eu falava, gente, é impossível fazer um negócio desse, tipo 3 dias, 515 km, é impossível! Que gente é essa? Deve ser tudo maluco.
'É, deve ser tudo gente estranha.' Eu imaginava isso assim meses antes, eu falava: 'Não é possível, não tem condições de as pessoas fazerem, não é humano fazer isso, a pessoa deve viver só disso, não sei o quê.' Como é doida a vida, né? Como tudo é uma questão de perspectiva. Então, como é possível você mudar a perspectiva vivendo as coisas? Então eu ficava tentando assim problematizar menos as coisas. Então é para viver, vamos viver um dia de cada vez.
Mas vamos vivendo lá as coisas. É fácil? Não é fácil, é bem difícil viver um dia por vez. É uma loucura com telefone tocando, com Zap, com o externo te instando o tempo todo a fazer coisas. É difícil você manter a disciplina, coerência. Porque eu falo, eu falo que o Uber ele testa o seu caráter. Ele testa quem é você, assim. Então, se você for malandro, você vai enrolar no resto da vida, porque você tem motivo, você tá, né, você tá ali dedicado a um projeto.
Mas se você tem um compromisso, e esse compromisso não é único, eu tinha um compromisso com uma experiência de vida, eu tenho responsabilidade no meu trabalho, eu tenho responsabilidade na minha vida, e a vida é uma grande pizza com várias fatias, e que Vou fazer uma metáfora bem tosca, mas não dá pra fazer uma coisa e largar outra. Eu não tenho essa chance. Eu preciso fazer. Quer fazer? Faz aí. Foi quando eu me mudei de Goiânia pra Salvador, que era inevitável eu me mudar porque eu sou baiana de adoção.
E aí, quer se mudar? Vai aí, eu não vou te— aí, minha família, né? Eu não vou te manter a sua vida que você tem aqui lá. Vai aí. Então, e eu falo sempre assim, independente da religião, mas é dar o passo que Exu dá o chão, ou dar o passo que Deus dá o chão, é que quem você quiser dar o chão, a sua crença. Eu acredito um pouco nisso. Então, se você fizer isso com responsabilidade, obviamente, mas com alguma responsabilidade pelo menos, mas você precisa se movimentar para as coisas acontecerem.
Então Respondendo, deu um monte de volta, você vê, perceba que eu sou prolixa, mas a decisão do B tem a ver com essa coisa meio inevitável. Eu tava fazendo, eu tava no esporte completamente apaixonada, a pessoa apaixonada ela fica inebriada, e aí vamos fazer, mas sempre com cuidado. Você vê que eu não fiz milhões de provas, eu fiz um primeiro Ironman e que foi um Ironman difícil naquele ano, 2023, que choveu muito, fez muito frio, vento, e as pessoas caíram e gente quebrou e não sei Foi um Ironman difícil, assim, muito frio.
Começou com 15 graus, terminou com 13, assim, bem frio. Quando eu terminei, eu juro pra você, parece até sacanagem, mas assim, quando eu terminei, as pessoas falaram: "Olha, eu acho que você se classificou pra Kona." Eu: "Gente, o que significa exatamente isso?" Não, mundial Kona, Google. Foi assim, porque não tinha dado tempo de eu desejar, parece uma heresia falar isso, mas não tinha dado tempo de eu me apaixonar loucamente, o que que eu quero, qual é a meta?
Então caiu meio no meu colo assim, foi um pouco assim, é óbvio que eu sabia, existe Kona e tal, mas assim, imagina, eu tinha ido fazer meu primeiro Ironman depois de um 70.3, depois de um primeiro em que eu tinha sofrido um trauma ali, que foi um negócio meio traumático, caí da bicicleta, desmaiei e tal. Então eu só estava vivendo, eu lembro que a gente foi, o grupo decidiu ir pro Ironman, aí, ah, vamos fazer um Ironman pra gente contar na nossa história, nossa biografia, que a gente fez um Ironman.
Eu comprei a mochilinha, a camisetinha, os negócios todo para poder guardar no quadro, dizer que eu vivi essa experiência. Assim, era uma experiência. E a vida vai levando a dar o passo, dá o passo que as coisas vão acontecendo, as coisas vão acontecendo. Eu falo, você não planta arroz e colhe feijão assim. Então não tem jeito, se você vai se movimentando e se sua energia é positiva, você tá fazendo o seu, você tá seguindo lá seu caminho, você tá, sabe, não tá, não tá se perdendo com outras coisas.
Então a vida, a vida vai andando com você. Não é, não é fácil. Você percebe tudo isso quando tudo passa, aí você olha e fala: uau, óbvio que tinha que ser assim, que legal que foi assim! Foi muito difícil, mas mas era inevitável que fosse assim. É sobre ser difícil, né? Viver é difícil, não é uma coisa fácil. Então tudo bem, é só mais uma coisa que você tá fazendo que é difícil.
Coincidentemente, ontem fez 2 meses, né, do Uber. Mas no post que você fez no teu Instagram, 30 dias depois, um post longo. Eu peguei aqui algumas partes que eu vou ler, acho que você vai se lembrar de todas elas, mas para contextualizar essa transformação. A Tatiana de Biasi já falou isso, a Fernanda Moraes, que também fez o B, falou disso, a Nath, Alexandre, não sei se ele falou que mudou ele muito, mas era uma outra época, né?
E parece que É uma, parece não, você acabou de falar isso, a nossa relação com o esporte ela é muito individual. Para fazer uma, para passar por uma transformação, dependendo da pessoa, não precisa ser um Uber, né? Pode ser um short, pode ser uma corrida de 5, pode ser uma corrida de 10 km, né? Não sei se você já viu no Instagram, uma senhora, agora me fugiu o nome aqui, minha cabeça, meu HD tá lotado. Mas ela já esteve aqui no Endorfina, ela já está há 1.700 dias correndo 5 km, 4 km todos os dias, todos os dias, faça chuva, faça sol, ela tem acho que quase 80 anos.
Olha!
Começou meio que numa promessa lá de um curso de motivação que ela estava assistindo, tipo um curso de vendas assim, e ela correu acho que 10 dias, depois 15 dias, depois 1 mês, depois 2 meses, aí ela resolveu não parar mais. Cara, um pecado não lembrar o nome dela. Ela teve aqui com o filho dela, isso mudou a vida dela completamente. Inclusive ela se tornou uma celebridade da internet para nós, né, que consumimos esporte. Mas enfim, você escreveu o seguinte, tá: sigo emocionadíssima.
Isso 30 dias após. Agradecida e honrada. Eu nunca vivi algo tão intenso assim. Tive que acionar lugares na minha mente que eu não sabia que existiam. Uma coisa meio primitiva mesmo. Essa prova mudou a minha vida, e isso não é conversa fiada. O processo todo desnuda a gente. Você vai ver— aí passa uma parte— por uma parte você vai ver que seu caráter, integridade, coragem, suas crenças e fé, capacidades técnicas, toda sua vida é colocada em xeque.
E no final você escreveu: você conhece uma versão sua que nem sabia que existia, só que ela existe, e eu estou completamente apaixonada por ela. Essa aí no vídeo sou eu, né? Era um vídeo seu. É forte, corajosa, dando resposta para cada pergunta que aparecia, vivendo um dia por vez com toda a integridade da alma e aprendendo mais uma vez que é no coletivo que a gente vive as coisas grandes. E aí, talvez para quem não saiba, o UB é uma prova que você faz tudo o esforço sozinho, mas sem a equipe de apoio não rola.
E eu falei aqui no começo, você ainda escolheu uma equipe 100% feminina, você correu com uma mensagem de feminicídio e tudo mais. Eu quero abordar isso mais para frente. O que que essa nova— nova não— o que que essa Fabiana que você descobriu ser? Porque eu também acredito isso, assim, a gente usa o esporte para descobrir quem a gente é. Não que o esporte nos transforma em outra pessoa, são só coisas que eventualmente a gente não tem acessado.
E que através do esporte, principalmente o endurance, e eu tô aqui há 9 anos à frente do Endorfina e eu já vivi isso com os convidados, né, ouvi isso dos convidados uma infinidade de vezes, a gente descobre lados que a gente talvez não fosse descobrir tão cedo ou de uma maneira tão rápida ou talvez nunca descobrisse, né. O que mais que te surpreendeu nessas coisas, nessa força que você descobriu em você mesma assim? Qual foi o grande impacto nessa sua celebração muito pessoal da vitória que você ficou, né? Porque a gente fica com isso na cabeça muito tempo, o negócio fica, né?
Até hoje, imagina.
Exato, o negócio não sai da gente, né? Porque é muito intenso, né? Fica conosco e muitas coisas ficam para sempre, né? O que que você se surpreendeu que você falou: meu, eu sou isso, eu sou— nossa, caramba, né, porque é uma massagem gigantesca para o ego, né. E não tem problema nenhum dizer isso, tudo bem, mas é uma maneira muito bacana da gente se conhecer.
É muito íntimo, de fato. Assim, tem uma coisa, eu acho que o esporte de Endurance obriga você a ficar muitas horas focado. Bem, dependendo do trabalho que você faz na vida, né, do seu trabalho formal, você tem que ficar mais ou menos focado numa atividade Mas no caso do esporte e no caso do Endurance especialmente, é uma exigência assim, né? Para você ficar vivo, para você ficar de pé, você precisa estar atento ao se alimentar, no meu caso de meia hora, em o que você tá bebendo, se é bebida com carbo ou é só água, como é que tá seu corpo.
No meu caso, que eu fiz o B com uma lesão e eu tinha treinado para correr com essa lesão, como é que tava meu quadril, se eu tava segurando meu quadril, se eu tava meu core tava segurando, me sustentando. Eu não podia me cansar para não cair assim e eventualmente estressar meu joelho. Então havia um foco naquilo, é muito, muito grande assim. E tudo aquilo é ação da prova, ela depende de você. Então assim, o caminhar, o nadar, o— isso é seu assim, é É sua perna que tá girando, é.
E aí, o que motiva essa sua perna girar? O que motiva esse braço a fazer por tantas horas? Porque não é só fazer, né, é por tantas horas assim. Então, é, para chegar lá você passa por um processo assim, esse processo vai te construindo, e aí você vai observando a sua, o seu alargar assim, de aí você é impossível, aí você vai lá e faz. Como assim você olha para piscina, vou nadar 8 km nessa piscina amanhã? Como assim você fala, claro que não, é impossível você fazer isso, vou ficar 200 horas aqui.
Aí você, um dia você acorda e vai lá e faz, e termina, e pega a bike e vai para montanha, e termina, e toma banho, vai fazer uma reunião às 11 horas da manhã, e não reclama, e fica amarradona, e fica felizona, parecendo uma doida assim. E aí você fala, meu Deus, né, coisas estão acontecendo. Então você vai tendo provas dessa mudança e o quanto você precisa ficar, acomodar isso dentro de você. E assim, no meu caso, o que você vai fazer com isso?
Tem uma coisa que assim, eu antes de prestar outras provas, eu treinava e entrava em estado de flow. Para quem não sabe, estado de flow é aquele estado em que você na meditação você atinge muito esse lugar, assim, é um pouco um estado de transe, assim, um negócio que você experiencia sensações um pouco transcendentes, assim, né? Acho que talvez isso traduza bem. Aí, só que no ciclo pro UBE, menino, era toda hora esse negócio. E aí eu ficava assim: "Gente, que doideira!" Então assim, você fica doido o tempo todo.
Então eu ficava: "Gente, tô tipo doidona toda hora." E aí eu comecei a dizer assim: o que que eu vou fazer com isso, né? Porque aí eu fazia um negócio, né? Acordava 3 horas da manhã um dia, e aí treinava, aí chegava, tomava banho e saía correndo para uma reunião ou para aprovar um release. Que que eu fui fazendo? Eu fui organizando o meu dia para aproveitar esse estado de flow, que é um estado mais criativo, mais benevolente, uma euforia.
E aí tudo que era um pouco mais criativo eu deixava para essa parte do dia. Então chegava, tinha aprovar release, eu tava, vamos aprovar release, é fazer as reuniões mais difíceis ou as coisas que eu tinha que ficar mais inteligente, falar mais bonito, não sei o quê, sabe, envolver mais as pessoas, seduzir mais e tal. Então eu tava naquele momento, eu fazia, e deixava as coisas mais burocráticas, as coisas mais chatas para fazer mais para o final do dia.
Então isso foi transformando o meu jeito de agir no planeta, porque para eu usar esse estado de flow, para não ficar só com ele para debaixo do chuveiro, ficar lá com ele, eu aplicava me ajudava ele de alguma forma. Nossa, eu ficava felizona assim, eu disse: nossa, o release tá maravilhoso, parabéns para equipe, uhul, sabe? Ficava, é uma outra energia assim. Então a primeira vez, eu lembro assim, uma das primeiras vezes que eu subi a Vista Chinesa, e aí eu, uau, entrei assim no estado, aí sua audição ficou um pouco mais aguçada.
Eu olhava os macaquinhos, parecia que os macaquinhos estavam olhando para mim, e olhava as folhas assim, as folhas balançando de um jeito assim que eu olhava, eu falava Gente, que loucura! Nem tô usando tóxicos, é tipo, é isso mesmo, é isso aqui no puro. Então, que genial, que coisa maravilhosa esse negócio! E aí o negócio começou a ficar constante, eu falei, gente, que vida boa que pode ser a vida de uma forma geral, que coisa sensacional!
Então, entenda, não era claro, doía, né, doía a perna, mas Nossa, era nada diante dessa experiência de conseguir nadar 8 km, sair para pedalar, não sei o quê. E sair para pedalar, eu fiz o circuito insano umas 2 ou 3 vezes, que o insano no Rio de Janeiro, você vai para um lugar que chama, uma cidade chama Guapimirim, tem lá um posto que é meio um posto de um lugar de encontro dos ciclistas, você estaciona ali e vai andar ali pela estrada, sobe uma pirambeira e vai para Teresópolis e vai lá e dá a volta volta para ali, dá 183 km, uma altimetria de 2.500, uma coisa assim, no Rio de Janeiro, quente.
Então é uma, nossa, é extenuante. Como quando eu fui fazer a primeira vez, eu disse, meu Deus, vou fazer um insano, chama insano, sei lá quem deu esse nome, mas e aí eu falei, gente, meu Deus, eu vou fazer um insano. Depois eu fiz um insano 2, 3 vezes, sei lá, e teve uma vez que eu fiz os 240, que foi o máximo de treino, que eu fiz o ensaio, terminei, continuei, fui de novo num ponto ali de Guapimirim que é conhecido e voltei de novo.
Quer dizer, aí quando eu terminei caiu uma chuvinha, eu falei: "Ó, Jesus mandando, ó axé, ó axé." Na hora que acabou assim, e era um final de semana que: "Ah, vai tá chovendo, não tá chovendo, você vai?" Eu falei: "Claro que eu vou." Então essa coisa da coragem também, que as pessoas chamam de coragem, eu também posso chamar, mas assim, Essa coisa prática de: "Vamos acordar 3 horas da manhã, vamos pra estrada, não sei o que lá." E eu tava indo sozinha.
Vivi coisas difíceis, porque mulher é diferente. Vivi algumas abordagens, fiquei com medo várias vezes e tal. Mas o ir, nossa, eu acordo 3 horas da manhã: "Bora, uhul!" Parecendo criança quando vai pra excursão na escola. Isso pra mim não é ruim, eu não sofro com essa parte. Então, então, essa transformação, tudo isso transforma uma pessoa. Como é que uma pessoa passa por um negócio desse e não se transforma? Não tem condições.
Você experimenta uma versão sua que é isso, tipo assim, 4 semanas antes você fala impossível, 4 semanas depois você está fazendo além. Meu Deus! Então é um negócio que se você olha para isso, você fala: onde eu posso chegar? "Vai até onde isso assim? Que massa!" Aí eu posso atingir estado de flow uma vez, duas vezes, 200 mil vezes, eu posso viver nesse lugar? Tipo, eu posso ir pra Nárnia toda hora, sabe? Então, partiu ir pra Nárnia toda hora.
Muito mais legal, a vida tem muito mais poesia. Então, é isso, eu acho que transformou muito nesse lugar de transcendência, que é uma busca. Minha, individual, de você conseguir ir além, se transformar, virar uma versão melhor de você pra você mesmo. Porque às vezes o externo nem observa, porque mudança pra fora demora pras pessoas perceberem, né? As pessoas têm uma experiência com você há 10 anos e acham que você é a mesma pessoa 10 anos depois. Obviamente você não é.
Exato.
E quando você busca essa transformação, eu acho que isso acontece mais rápido até. E aí, então, eu tenho certeza da mudança que isso provocou em mim. Eu não tenho dúvidas, ninguém precisa me dizer. Está no meu dia a dia, está na minha condição de reação às coisas, aos problemas, às dificuldades, meu jeito de olhar a vida, meu jeito de olhar o outro, assim, de ter um pouco mais resiliência ou mais respeito em relação ao outro, que não tem a mesma velocidade que eu, porque eu tenho uma velocidade alta, nem todo mundo tem isso, nem precisa ter, mas ver beleza nisso também, respeitar o outro, é um exercício, isso é um exercício contínuo, não é, né, é fácil você comparar as pessoas a você mesma, é mais fácil, como assim tá com dificuldade, se é possível fazer e tal, mas eu tomo muito cuidado para não fazer isso e observar o outro, a dificuldade do outro, porque você ganha muito com isso, né, você aprende muito com isso, eu venho exercitando muito isso, sabia?
Depois do tremém, eu ainda mais, eu ainda observo mais, porque eu tive essa experiência do tremém, é uma experiência de muita humildade, muita. Você tem ali um staff que abre mão da sua própria vida durante alguns dias para lhe servir. Você precisa ter aquele público, aquelas pessoas junto de você E você precisa, eu acho que precisa, é o seu sonho vir o sonho do outro. Eu acho que não tem nada mais bonito na vida, ainda mais em dias atuais, do que isso.
Como é que você consegue fazer o seu sonho, que é seu, virar o sonho de outra pessoa e de outras pessoas, e elas servirem você para você realizar? Então Então eu morro de falar depois do Ultraman, meus posts todos dão conta disso. Então assim, meu staff, gente, sério, foi uma experiência inacreditável. As meninas foram, nossa. Eu também tive uma sorte, um direcionamento, meus guias todos colados comigo para poder escolher, e eu escolhi as pessoas muito certas assim.
Não podia ser melhor. Eu tive uma experiência nutramente assim no dia a dia, que foi mágico. O que a gente construiu junto ali, nós quatro, ainda tinha minha mãe e uma outra amiga que fez cona comigo, que chegou depois.
Mas essa é a Fabi, Priscila Gonçalves?
Ah, não, a Pri era uma das amigas, mas foi a Michelle. A Pri tava em cona, mas foi a Michelle que veio, mora em Londres, veio veio, mas ela chegou depois. No primeiro dia ficou ali com minha mãe em casa. Mas as 3 meninas que foram desde o início, a turma que tinha definido, e que são pessoas com skills específicos, e eu tinha convidado um pouco por isso também, porque éramos mulheres.
Não, não, a tua escolha teve um critério um pouco mais técnico, não foi só as minhas melhores amigas, não, ou quem tava disponível e era legal, não.
Não, teve não.
Porque isso é importante também.
Não, teve. Eu tentei unir as coisas porque emocionalmente conta muito, mas eu precisava de gente que soubesse algumas coisas, porque senão não adianta nada. Só ter amigo perto, fura um pneu, faz o quê?
É.
Né? Tipo, tem que ter alguém que consiga. Você precisa, é importante que você tenha alguém ali, um fisioterapeuta, alguém pra te ajudar. E aí, eram duas Michelles. A Michelle que A Michelle, ela é fisioterapeuta, ela é campeã de pentátono naval, ela é da Marinha, ela é forte demais, tem uma cabeça. A Michelle era do grupo aquela que fala pouquíssimo, mas o que ela fala, meu irmão, é sobre o que ela fala. E ela é muito competente, muito focada.
Então ela, ela é o job, foi o job dela, que é a missão dela. Ela tratava assim, era missão. Então ela tinha que cuidar das minhas pernas e do meu joelho. Ela fazia isso. Eu nunca vi nenhuma das meninas reclamar de nada, tava tudo bem o tempo todo, assim, um negócio assim enviado. Foi tipo, você vai viver uma experiência maravilhosa, vamos lá, então vai doer, mas vai ser incrível. A Thaís, ela é campeã também, ela é das Forças Armadas, ela é campeã de Life Safe, ou não sei, mas ela nada em águas abertas assim, é professora de natação em Copacabana ali, ela tem o TX, que é assessoria dela, é de uma doçura incrível, forte, o braço dela tamanho da minha perna, mulher, é forte assim, e ela foi para o mar comigo, entende tudo de mar.
Então ela me guiou no caiaque e ela foi aquela, ela calma, muito calma, e ela falou: "Fabi, parece que o mar tá tranquilo, mas não tá, e vai chegar um sei lá o quê." Que aí cada um no seu trabalho, ela entende disso, eu entendo de girar o braço. "Vai chegar um negócio que vai ser meio ruim, segue nadando." E chegou o negócio, e eu já sabia, ela tinha falado, não sabia que ia ser tão negócio, mas é porque aquele mar, você olha aquele mar bonito, na hora lá deu um coisa.
Mas ela falou: me segue, segue o caiaque. E ela dava os comandos, a gente se entendeu ali na hora, foi um negócio assim. Então ela me dava batatinha, me dava o negócio de meia hora. Na hora que foi o vulco ali do momento mais tenso, a gente seguiu, esqueceu esse meia hora, vamos nessa, para a gente vencer aquilo ali. Então, porque se nadar 10 km, para quem não é da natação, não é um negócio muito fácil.
Não, definitivamente não é, principalmente por ser no mar, né? Que nós fosse na piscina, vocês pelo menos tá ambientado numa coisa.
Exatamente, é duro, é duro, é muito duro. Foi duro. Então eu tinha feito o Rei e Rainha do Mar em dezembro para testar, foi maravilhoso porque eu vi que eu podia enjoar, que é uma coisa que não acontecia comigo, eu não tinha essa experiência de enjoar no mar. Eu vou para mar, barco, não sei o quê, eu não enjoava. E quando eu fui fazer foi uma experiência específica, o Rei e Rainha do ano passado teve questões, demorou para largar, o mar tava isso e aquilo, eu fiquei muitas horas com a roupa de borracha, enfim, foi duro a prova.
Mas eu enjoei no mar, passei mal, tive cãibra. Então, isso me preparou pra entender que coisas poderiam acontecer. O que que eu faço? Conversa com os médicos, entende o que que você pode fazer. Ah, toma Vanal, não toma Vanal, faz isso, aquilo. Então, eu treinei pra isso, assim. Foi um projeto importante pra mim. E a primeira, que era a líder da equipe, é minha amiga, é ultramaratonista, muito acostumada com montanhas e tal. Tanto é que na corrida Ela foi comigo, ela ficava: "Faz a diagonal, não sei o que lá, agora sobe assim, faz menorzinho." Ela sabe tudo do negócio, muito calma.
E ela é muito calma, mas muito firme. E precisava ser uma pessoa firme para lidar comigo, porque eu também tenho muita personalidade. Tenho alguma personalidade. E aí a pessoa precisa falar para obedecer. E aí Ela é firme. Então eu tive uma situação no segundo dia, eu sofri, fui atropelada e ela conseguiu me acessar. Ela, eu entendo, a gente combina e ela é muito, entende das distâncias, essa coisa de direção, que é uma coisa que eu vim sem chip de negócio de direção.
Me fala, vai reto, eu vou, vai não sei o quê, eu vou, mas eu não gosto muito desse negócio e ela é muito habilidosa. Então veja que cada uma tinha ali aí uma questões importantes. A Michelle sabia muito essa coisa da mecânica, poderia me ajudar na bike. Então eu tava coberta assim, tecnicamente eu tava coberta. E o meu carro de apoio era o mais animado de todos, o som comia assim, ó, era um trio elétrico. O carro passava por mim para dar o pulo do sapo, era, e as meninas passavam cantando desafinado assim.
Então era, os outros participantes ficavam 2 para a gente passar, porque era uma animação, uma loucura. Eu, gente, e elas estabeleceram isso no primeiro dia, e elas brincavam comigo: vou pagar flexão para você. Aí ficava fazendo flexão, não sei o quê, cantava assim, neurociência. Elas ficavam uma coisa que eu falei: gente, vocês sabiam que isso é? Porque eu corri, elas ficavam assim: o asfalto é preto, a árvore é verde, o carro é amarelo, para me trazer para aquele momento assim.
E ficavam fazendo isso o tempo todo, e cuidado para o que elas estavam falando perto de gente. Foi um negócio que eu falei "Como é que foi? Vocês treinaram isso aí?" E foi na hora, assim. Então eu não tive muita experiência. Eu sei que tem, eu vi coisas acontecendo, porque você fica muito nervoso, o atleta fica muito nervoso, fica muito tenso, é muita coisa, muitas horas.
Você fica mais sensível, né? Você fica com os nervos à flor da pele, literalmente, né?
Muito, muito. É isso, você testa isso também, você fica muito sensível, você fica muito tenso ali. E elas cuidavam o tempo todo para que eu tivesse alegre, porque a endorfina é essencial. E então essa coisa de manter essa alegria, o sorriso, sorria, Fabi, onde você quer ir lá, e botavam minha playlist que eu tinha. Minha playlist era uma confusão, porque eu, é esporte, música. A música é muito importante para mim na vida. Eu nado tudo com o metrônomo de alguma música que eu estabeleço, assim.
Então, a música é um negócio que me define muito. E aí elas botavam a playlist, a playlist é uma salada. Então, tinha de pagode, baiana, javan, todo mundo. Então, passava, elas passavam no carro e brincavam com isso, assim. Então, foi uma alegria. Eu fui muito feliz fazendo o B. Parece esquisito falar isso, porque você é muito, é muita concentração, você precisa Né, e fazer muita força.
Exato, você tá se desgastando num nível que você nunca tinha feito. É o primeiro Uber, você não tinha nunca passado por isso. Chegou numa zona que você passou aí, né, do que você já havia experimentado, e muito, é muito, mas você conseguiu se manter nesse astral. A gente vai falar mais para frente, antes de terminar eu quero tocar nesse assunto do Race Across America com você, mas você sabe quem é Daniela Genovese? No Brasil.
Sim, eu depois quando eu olhei um pouco sobre o aham, eu ouvi algumas coisas da Dani.
A Dani foi duas vezes, ganhou duas vezes com intervalo de 10 anos entre a primeira e a segunda. Acho que ela foi com 40 e foi com 50, mais ou menos assim. E eu nunca tinha sentado com ela para conversar e eu tava curioso para ouvir dela como é que foi a relação dela com a equipe, né? Que a gente já falou um pouquinho do Race Across America antes de começar a gravar aqui, é tudo muito mais intenso do que o que você viveu no UB, para quem faz solo, e tudo pode dar muito mais errado em todos, é tudo muito amplificado, né?
E você fazendo esse relato da tua equipe me lembrou muito, não dessa animação da música e tal, mas digo assim, das pessoas certas com as atitudes certas que eram legais ou firmes, necessárias nas funções as quais você enxergou e elas assumiram, né? A Daniela Genovese foi assim, e que já é um mérito por si só. Claro que não foi por isso que ela ganhou, e não foi por isso que você ganhou, mas com certeza os teus staffs te deram todas as condições para que você pudesse desempenhar o seu melhor e que por acaso foi chegar na frente das outras 7 mulheres, né?
Então isso é um ingrediente importantíssimo, né? Porque eventualmente você até pode, você até poderia ter tido esse resultado, mas teria sido não da maneira como você relatou, 100% feliz, 100% legal, né? E é muito mais gostoso quando é assim, né? Porque enfim, é uma coisa que me chama muito atenção, principalmente no ultra-endurance, Endurance, ou em provas de Ironman, já que já é um Endurance que a gente pode dizer quase Ultra, né?
Mas assim, a gente tá lá porque quer, porque você se inscreveu, cara, você, né, se dedicou, acordou às 3 horas da manhã não sei quantas vezes, você gastou dinheiro, energia. Então assim, só que chega um ponto que às vezes a gente se perde, tipo assim, meu, porcaria, que que eu tô fazendo aqui e tal. E essa história de você da tua equipe ter sempre feito você voltar para aquele, para você mesmo, para concentrar, para você entender que, cara, é legal você viver aquilo, porque você se propôs.
E se você tivesse passado e tivesse tomado uma pílula e não lembrasse de mais nada, que teria valido o título? Ah, eu fui campeã do B, não lembro de nada, não sei nem onde é que eu tava. Assim, não faz sentido nenhum, né? Então me lembrei muito da Daniela Genovese, que teve essa habilidade de montar uma equipe Olympic, que foi campeã para ela, e ela conseguiu repetir a dose 10 anos depois e que acabou também sendo campeã para ela, enfim, no objetivo que ela tinha, que aí sim a segunda vez era vencer o Race Across America na categoria solo.
Mas o acidente, né, você foi atropelada, a Tatiana também se machucou, né, caiu da bicicleta. Quanto que isso foi na hora que essa sua staff aí chegou lá e te colocou, né, no prumo e falou vamos, vamos, vamos? Eu vi você falando para o Rodrigo Aichler, né, que isso também serviu meio tipo agora eu vou, né? Quanto que durou esse agora eu vou? Foi só naquele dia até você terminar a bike, ou foi uma coisa que você, né, pô, aí mais incomoda, além de dolorida e tal, ainda enfaixada, joelho, braço, Tipo, você se lembrou que falou: "Meu, agora eu vou terminar essa porcaria aqui, até, não importa do jeito que eu termino, eu vou terminar." O quão decisivo foi, o quão importante foi isso para você?
Bem, você não vai para um lugar desse e acha que vai acontecer um acidente, né?
Você vai com... Então, porque te coloca em perspectiva, né? Você fala: "Meu, podia ter sido atropelada, perdido uma perna, né? Quebrado um braço." Exatamente, exatamente. "Eu tô aqui para me divertir, eu não quero me quebrar." Exatamente.
Quando eu tenho muito claro na minha memória, eu assim, clipada, eu tinha acabado de descer a Serra de Lítice, passado um pouquinho, faltavam 100 km para eu— eram 276, faltavam 100 km para poder chegar. Eu e a Tati de Biasi, a gente tava muito pertinho, tanto é que quem para para poder me ajudar é o carro da Tati, de apoio da Tati, não foi o meu. O meu tinha dado pulo de sapo, tava um pouquinho na frente, elas voltaram porque perceberam que eu tava demorando.
Mas quem parou, e o staff de Tati são médicos maravilhosos, os dois, eu passei o resto da prova agradecendo a eles, muito carinhosos assim. Então eles vieram rapidamente, era um casal, vieram rapidamente, desceram com uma bolsa assim, abriram a bolsa, pá, no chão assim, falaram: a gente é médico, a gente é médico. Começou assim, eu lembro deles falarem isso. Só que eu me levantei e aí aquele sangue escorrendo e molhando a sapatilha, eu falei: ai, minha sapatilha branca molhou a sapatilha assim de sangue.
E eu eu, meu Deus, eu caí. Porque é isso, eu tava clipada e eu vi um vento, uma coisa que eu olho para o lado, aquela lataria preta em cima de mim, a lataria toda em cima de mim, ele bateu em mim. Aí eu falei, que que é isso, gente? Eu tô aqui no acostamento, eu tava no acostamento assim, eu, gente, que que tá acontecendo? E aí eu caí e me arrastei assim até a metade da pista. Aí quando eu levantei, eu não tava entendendo exatamente o que que tinha acontecido naqueles microsegundos assim que você fica, que que tá rolando?
Machuquei, quebrei. Eu levei a mão no ombro porque eu tinha sofrido um acidente em 24, setembro de 24, nesse ombro. Eu caí do esquerdo. E aí, ai, levei a mão na costela porque, né, assim, só que eu acho que essa coisa, o atleta acaba aprendendo até a cair, né? A gente cai, eu acho que foi isso que aconteceu. Eu caí, me engessi tudo assim, me protegendo, protegi um pouco a cabeça assim. Eu acho que teve isso, eu acho, né? Tudo você acha depois que sabe?
Mas o fato é, eu levantei, vi que tava muito machucado no braço, até hoje tá aqui assim, tá bem ferido ainda, ainda cicatrizando. E aí a perna assim subiu um caroço assim no quadril, na hora subiu, tá até hoje esse caroço aqui, menor, mas tá. E aí ralou assim a perna. Aí eu fiquei assim, ela veio, começou a limpar, jogar uma, sei lá, um soro, um negócio, começou a colocar curativo. Aí eu lembro de falar assim 'Nossa, acabou para mim?' Ela: 'Não, não acabou.' Ela, a staff, eu lembro dela falar isso: 'Não, não, pera aí.' Aí o menino chegou e: 'Gira a bike dela, gira a bike.' Aí girou a roda, porque era muito fácil empenar o pneu, e ele: 'Não, tá girando e tal, o clipe, ah, talvez não consiga ler a potência e tal.' Eu falei: 'Ah, né?' E: 'Mas sobe aí.' Então foi ela me limpando.
E assim, o carro que parou Eles pararam e a pessoa tentou se aproximar de mim, e eu lembro deles me protegendo: "Dá espaço, dá espaço!" Bravos assim. E aí ficava assim: "Por que isso? Para que o senhor fez isso com esse espaço todo? O carro todo adesivado e tal." E ela dando bronca nele. Eu só sei que ela me arrumou, eu subi na bike, ela falou: "Vai, a gente se vê lá embaixo." Eu lembro dela falar um negócio desse. Beijos para ela, ela é muito maravilhosa.
E aí eu subi, o meu carro chegou, eu falei: gente, fui atropelada. E aí eu subi na bike e aí não dava mais para clipar porque tava machucado. E aí o vento todo no peito e eu assim meio zoada. Eu demorei um tempo assim, tipo, entendendo, ficava olhando para costela, ficava olhando para o braço, pedalando e olhando assim. Eu fiquei um tempo me concentrando, tentando entender os sentimentos, que que tava rolando, mas seguindo. Pensando em movimento, pensando em movimento.
As meninas passavam por mim e tentavam falar comigo e eu não respondia. Tava brava assim, brava com tudo, confusa. E eu lembro de Tuíla, que é essa capitã de equipe. Olha como ela fez: ela passou por mim e falou assim, de 0 a 10, como tá a dor? Eu falei, não quero falar, brava assim. Aí ela virou para mim e falou assim, eu vou ali na frente, vou te dar uns minutinhos para você pensar 'Você pensa e depois você me responde.' Assim, brava.
Aí eu falei, foi isso, era um pouco essa história. Aí eu falei, nossa, brava ela, né? Aí pensei um pouco, depois eu entendi porque a organização da prova tava pressionando ela também para saber o que que tava acontecendo, se era para me tirar da prova, se não era e tal. E aí ela passou por mim, eu lembro de falar '5.' Aí passou o carro de novo, porque o carro não pode ficar parado, né? Então ele passa por você. Aí depois ela passou de novo, '5 é bom.' Aí eu, ah, tá bom.
Então aí eu E aí nessa sequência aconteceram várias coisas, assim, coisas que aconteceram, visões, uns troço doido. E eu pedalei muito forte, eu meti 38, 40 na bike, uma loucura, porque tava assim, já tinha pedalado 170, mas eu fiquei, virei um animal, eu virei um bicho assim, virei um negócio bravo assim. Falei: "Vou terminar aqui, depois a gente raciocina." E eu fui. E aí tive umas experiências divinas. E aí umas sinalizações.
E cheguei. Aí no que eu cheguei, eu dei uma desabada, assim. E eu tava preocupada com minha mãe, que minha mãe é agoniada com essa coisa da bike. "Ah, a bike, a bike, a bike." Aí eu caio bem na bike. Porque o acidente da primeira prova que ela foi, foi na bike. Aí eu: "Vai nessa, bike." Inclusive, tô achando que não vou levar minha mãe. Mas assim, aí eu ficava assim pra mim: não fala pra minha mãe que eu fui atropelada, não fala.
Só que na hora que eu chego, toda emocionada, uma amiga do Rio, a Su, vem me abraçar pra me receber, pra me acolher. E eu falo: fui atropelada. Dá pra você ler. E aí foi, eles sobem nas redes. Quando eu cheguei dentro do carro pra volta, porque o segundo dia termina em Paraty. E o povo: sua mãe, sua mãe, ela tá buscando a gente, o que que a gente fala, o que que a gente fala? Eu não vou falar qualquer coisa. Não, Fabiana, ouviu, ela leu seus lábios, você se machucou.
Mas o fato é, quando eu cheguei no carro, bem, quando eu cheguei, a ambulância veio, cuidou de mim. Aí eu: tá, pega aqui, aperta ali e tal, você quer, o que que é isso? E eu dei uma olhada assim, a ambulância tava entreaberta, eu dei uma olhada, tuíla tava na mesa de cronometragem. Aí eu falei: ai, meu Deus, né, será que vão tirar a prova? Sei lá, será que alguma regra? Não sei. Quando eu entrei dentro do carro, pulando tudo, quando eu entrei dentro do carro, a Michelle já tava colocando os eletrodos em mim, fazendo lá um choquinhos, fazendo uma drenagem, me acalmando, porque elas estavam ocupadas de me acalmar.
Porque na estrada, lá pelas tantas, eu me acalmei. Elas botaram um som: alegria, Fabi, vamos, alegria, fica alegre! "Grita!" Elas ficavam assim: "Grita, grita, fica alegre!" Passava com a música lá pela China, porque elas ficaram muito nervosas também, assim.
Valeu, uma sensação horrível.
É, tipo, o que aconteceu, né? Será que tá grave? Sei lá, aconteceu uma coisa e a gente não tá vendo, e depois é uma coisa grave? Meu Deus, todo mundo preocupado. E aí, alegria, liguei elas preocupadas comigo. Aí eu tô lá dentro do carro, tu e Lô sentada no banco de passageiro. Eu tinha vivido todas as experiências transcendentais lá nesses últimos 100 km. Todo mundo falando, Santos, guias, Jesus, todo mundo falando comigo. E aí quando eu chego dentro do carro, falo: Tuíla, o que que você foi fazer na mesa de cronometragem?
Aí ela virou a cabeça assim, eu lembro direitinho da imagem, com a cara assim de menina travessa, falou assim: você segue em primeiro lugar. Eu falei, cara, meu Deus, que informação! Tipo, ninguém tava falando disso, tava. Mas o que ela queria dizer é, e o que ela quis dizer, o que ela disse era: tá tudo bem, Olha que maravilhoso, tudo aconteceu e você— Então, depois de tudo isso eu falei: gente, isso é um sinal, vamos, vamos para porrada, vamos para o game.
Tipo, a corrida, eu já tava preocupada da corrida por causa da lesão, mas eu falei: gente, bora, partiu guerra, vamos nessa! Porque eu lembro que no primeiro dia, quando eu venço, o primeiro dia eu cheguei em primeiro lugar. Eu fazia uma coisa assim, Michel, quando eu tava chegando, percebendo, porque eu só percebi que eu tava em primeiro no retorno de Paraty, porque a gente não tava ligada nisso, então, e não dava para saber.
No retorno de Paraty, quando todo mundo começa a voltar, e eu vi que não tinha mais mulheres, eu perguntei para as meninas, ela falou: tá, mas segue seu treino. Eu seguindo o treino, mas na hora que eu tava chegando, eu virei para o céu, falei: Deus, assim, igual quando eu era criança, se for do meu merecimento, deixa eu viver essa emoção, assim, eu quero viver essa sensação de chegar nesse lugar assim para ver como é que é isso, assim.
Então quando eu cheguei em primeiro no primeiro dia, eu falei, nossa, era tudo que eu era, tava maravilhoso, eu ia contar isso pro resto da minha vida, né, tipo, venci uma primeira etapa, tava bom, tava lindo. Então as coisas foram avançando a essa medida e eu fui vendo que Era possível. E aí falei: vamos, bora tentar. E aí comecei a fazer estratégia, comecei a entender. Agora a gente tem 84 km, eu tenho um problema, mas eu não vou me concentrar no problema, eu vou me concentrar em manter a serotonina, manter a alegria, manter o meu estado, cuidar de manter o quadril e tal, e vamos nessa. Foi o que eu fiz.
Você disse, quando você foi para Salvador e você começou a trabalhar com carnaval e tudo mais, que você já tinha um bom endurance, né? Porque o carnaval lá dura, né? Você era rainha do endurance do Barrondina, não sei lá. Exatamente. Mas você, nessa preparação, nessa jornada toda da ProUB, que você teve que resistir a 8 meses de treinamento, que foram ficando cada vez mais intensos. Você já relatou. Aliás, eu fiquei sabendo que nas reuniões do Globo Repórter tem gente que lá que fica surpreso com você, especialmente a Mona, né?
Fiquei sabendo. Então agora ela vai ouvir aqui a nossa conversa. Depois eu te conto. E aí você vai, ela vai entender um pouquinho melhor, né? Essa, como que você conseguiu, né, trabalhar tanto, porque já entendi que na Globo a sua fama também é essa, né, de uma mulher que trabalha, que bom, mas que fez um UB, né, que fez um Ultraman, não só fez um Iron Man, mas enfim, nesse processo todo você foi testada inúmeras vezes, né, desse teu endurance, da tua resiliência mental, física, Você foi se surpreendendo, vamos dizer assim, gradativamente?
Ou em que ponto que você começou a achar que talvez isso aqui que eu vou ter que fazer daqui a uma semana ou daqui a 10 dias, meu, isso aqui já me dá um pouquinho mais de medinho porque eu já tô indo numa zona que, né? Você falou várias vezes, aí eu fiz o Insano uma vez, aí eu fiz o Insano duas vezes, eu fiz o Insano e continuei. Vai alargando realmente os nossos limites. Mas teve algum momento que você duvidou de você mesma? Tipo assim, acho que agora talvez, será que eu cheguei no meu limite? Eu não vou fazer mais isso, não vou conseguir nadar 8 mil, sei lá, né?
É, Michel, assim, durante todo o processo eu não tive nenhuma dúvida, mas eu me ancoro muito nisso na vida, para tudo, para todos os desafios. Assim, a parte do que depende de mim tá garantido, eu vou, vai rolar, porque eu sei lá o que que eu faço, mas eu consigo". Mas chegou 4 semanas antes, 3 semanas antes, eu comecei a dar uma bugada assim, porque começa a ficar mais forte a coisa da produção assim, então compra não sei o que lá, bota o engate no carro, ah, mas o carro não tem...
Tá chegando próximo mesmo da viagem dele, né?
Exatamente, exatamente. E aí assim, "Tem que colocar, pra colocar o suporte do carro que eu consegui emprestado, que eu nem tinha, tem que colocar um engate. Onde coloca o engate?" "Ah, lá não sei aonde, no subúrbio do Rio de Janeiro." Vou eu com carro no subúrbio do Rio de Janeiro sozinha numa oficina mecânica pra botar um negócio. Então aí começa a ficar meio tenso assim. Vai no mercado, compra não sei o quê. "Ah, lá tem isso, mas não tem aquilo." Aí começou a ficar muito agoniante.
Eu tinha desenhado um desenho de férias assim, eu ia tirar férias na semana do bebê. Obviamente eu tava bem maluca quando eu fiz esse desenho. Eu tirei na semana anterior para poder dar uma respirada, que também foi pouco, mas foi bem melhor. Então na semana anterior eu já comecei. E aí, o que que eu fiz? Teve um— eu liguei para uma amiga minha, Salvador, minha casa, né, assim, minha onde eu me ancoro mesmo. E uma amiga muito importante para mim, psicóloga, eu liguei para ela, falei: "Maí, olha só, pô, tô começando a duvidar de mim.
Aí ficou ruim, porque pode acontecer tudo menos eu duvidar de mim. E se isso acontecer, eu fico em risco. Eu preciso fazer umas sessões intensas de terapia, porque eu faço psicanálise, de terapia assim, para, não sei, acionar algumas coisas. Gente que é especialista em trauma, porque, né, tem psicanálise, especialista em trauma, você tem ali alguns gatilhos, algumas dinâmicas que ele ajuda lidar com isso assim. E eu tava perdida, eu fiquei, entrei numa gira.
E ela, não, nossa, ela, tipo, eu em geral não peço ajuda. E aí, quando Maíra falou, depois ela falou assim, quando você me ligou e pediu, eu parei, eu falei, meu Deus, eu vou aqui fazer, porque é importante, porque se ela tá pedindo tem alguma coisa acontecendo. E tinha mesmo. E ela me ajudou. E eu, na última semana que eu tava, eu fiz 3 sessões Eu queria assim especialista em trauma para eu poder, ó, vamos lá lembrar as técnicas, respiração, vamos.
E aí essa coisa da neurociência, eu começava a imaginar a prova, faço sempre isso, mas comecei, começa a prova muito longa, então eu tava com dificuldade até de imaginar, então eu comecei a realizar a prova na minha cabeça, comecei a desenhar se eu ficasse ansiosa, se eu ficasse, que respiração que eu ia fazer, como é que eu ia, e eu comecei a testar isso nos últimos dias, pré-dias assim, para eu reencontrar meu eixo, para eu não duvidar de mim.
Eu então assim, eu nunca tive dúvida de fazer o treinamento do dia, mas chegou um lugar íntimo assim de eu não vou dar conta disso tudo, de produzir tudo isso e de pegar o carro e dirigindo até Ubatuba e se quer e alugar e fazer, começou a embolar assim. E aí ela me ajudou Nessas 3 sessões assim de urgência, e eu já tinha, já tenho algum, já tenho histórico, então eu acessava rápido, eu entendia rápido essas coisas. E aí eu me centrei, então eu cheguei no B ancorada, organizada, sem histeria, normal assim.
Então tava tudo bem, mas teve esse momento e eu falei: tem um problema, eu preciso resolver esse problema. O problema é esse, eu preciso falar com a pessoa certa, que nesse caso era a Mayra, e ela me indicou e deu tudo certo. Então tem um problema, vamos resolver o problema e vamos seguir para o objetivo. Um pouco isso.
Legal que você, apesar de ter sido uma novata no UB e relativamente novata no triatlon de longa distância, Você conseguiu ter e montar e acessar e procurar e formar uma equipe de apoio, do Morgado a essa Maíra, o médico Gustavo e tudo mais, para te dar esse apoio, porque aí também é fundamental, não só a tua equipe no dia da prova, né? Você tinha quem recorrer, porque se você tivesse tido essa realização, cara, eu tô, quem que eu vou procurar?
Você já tinha alguém para procurar, né? Então assim, nada acontece por acaso. E talvez é isso que você falou no início, agora para mim tá fazendo muito mais sentido. Tudo que você viveu até hoje, o início um pouco mais tardio no basquete, a história da bailarina também, essa toda, essa tua dualidade, né, de balé e esporte, de carnaval e jornalismo, te levou até onde você chegou. Chegou com capacidade para concluir um UB com sucesso, que por acaso foi um repertório, né?
Acho que o repertório ajuda você a alcançar o que você precisa ali. Que que eu preciso? Vou naquela caixinha ali. E aí essa coisa de estar aberto, né, as coisas, ao diferente. Então essa dualidade, ela sempre teve presente na minha vida, e eu acho que ela me protege, ela me ajuda, ela define quem eu sou assim. Aberto ao diferente, do experimentar o diferente, de conviver mesmo assim. Então eu não faço economia com as novidades.
Para mim não é uma questão as novidades assim, pelo contrário, eu corro atrás delas assim, e eu gosto de lidar com elas. Então acho que ao longo da vida você vai colecionando esse repertório e vai lhe ajudando, porque no fim do dia É tudo muita cabeça, né? Para tudo, para montar um time. Isso é no esporte, no trabalho, nos amigos, na vida. Você precisa ter essa condição, usar seu feeling, usar sua experiência de vida, usar o que os amigos falam, pessoas, mentores.
Eu sempre fui muito agraciada com bons mentores ao longo da vida, sempre aconteceu, professor, treinador, sempre aconteceu. Que É, e pessoas que, e não são muitas não, porque eu também não gosto de muita gente falando, dando opinião. Eu não recorro a muita gente, eu tenho ali, a vida vai me apresentando as pessoas e eu falo com essas pessoas quando eu preciso. Também não gasto as pessoas, vou na hora que eu preciso, já com um caminho assim, e a pessoa vai me validar ou não, vai me dar experiência dela ou não.
Foi muito o que Alexandre fez comigo assim, quando eu ia para ele, eu não ia gastar o Alexandre, imagina, ele tem as coisas dele. Então eu ia com uma questão assim: olha, aconteceu não sei o quê e tal, o que que você fez? O que que você acha? Porque ele tem experiência de quem ele treinou e tal, mas eram questões de outra ordem que meu treinador já tinha me explicado, mas era outra coisa. Então a experiência não é uma coisa salgada, Fabi, se você comer uma coisa, sabe, umas coisas assim.
Então, e eu vou juntando essas coisas para construir o meu o raciocínio, o que funciona para mim. Porque eu falo isso assim, o mundo, o externo, te convida ao desequilíbrio todo tempo. Então, o telefone, a histeria dos outros, o timing dos outros, a expectativa dos outros, os outros. E se você não tiver muito acertado assim com o que você quer, é muito fácil você Cair na cilada ou cair na gira de outra coisa, de outra situação, assim.
Não é fácil você fazer isso porque, né, você tá, às vezes você tá mais frágil, às vezes você tá mais fortalecido, mas eu procuro muito não deixar o externo me confundir, assim, sempre que é possível. Eu trabalho muito isso, assim. Então o externo tá, o pau tá quebrando e eu tô. Então gerenciar crise para mim Para mim não é uma dor, porque tá todo mundo fora do eixo, eu consigo dentro de mim ler um cenário e tomar uma decisão. Não é difícil isso para mim, não é extremamente difícil para mim conseguir fazer isso.
Eu faço isso com certa, com alguma tranquilidade assim, mas também não nasci assim. Isso é um fruto, é um resultado de um monte de coisas assim, de uma sensibilidade para algumas de ter errado muito para poder acertar. Seguir errando, graças a Deus, partiu errar para poder acertar, né? Então tem que ter espaço para isso. Então vou seguindo assim, cara.
Muito bacana, cara, esse teu jeito de encarar. E de fato, assim, para mim tá fazendo tudo muito sentido. Antes da gente terminar, você falou agora um pouco aí também de novidade e tal. Esse episódio é oferecimento da Z2. Acho que você, como uma boa, boa atriz, já de falar da Z2. Eles lançaram agora, você sabe que tem um gel para Ultraman, né?
Na garrafinha, né?
Na água. Mas esse gel aqui é o que eu brinco, né? Brinquei lá com a Júlia, quase que dá para colocar num bolso, né? Mas isso aqui para o Ultraman tem um sentido total, né?
Muito prático, né?
Mas obviamente ele é para pôr na garrafinha. Mas a Z2 está com lançamento que agora eles estão com Z2 Performance System, Eles estão lançando uma linha pensada em organizar a suplementação ao longo da rotina do atleta. Tem a creatina e vai ter o nitrato também, muito bacana, com produtos que cumprem papéis específicos dentro da performance do atleta. A linha tem dois produtos, a creatina e o nitrato, como eu falei. E tem um produto que não pode ser esquecido também.
É, você provavelmente deve ter usado sal na sua, no seu Ultraman, e agora eles lançaram sal Saltos, os saltos, pastilha, 700mg de sódio em pastilhas que você põe na boca, uma pastilhazinha bem pequenininha, ele dissolve e você consegue repor então aí os eletrólitos no formato que é inédito no Brasil. Ele dissolve na boca, repõe o sódio, potássio, magnésio na hora, sem precisar de água, compacto, ideal para treinos e provas. Então siga a Z2 Performance no Instagram para ficar por dentro das novidades, onde, como que você faz para adquirir.
E claro que tem o seu kit aqui, tá? Pro teu próximo ciclo de Ironman, que você vai falar isso daqui a pouco. No mundo do esporte hoje em dia sempre tem alguém na sua frente, mais cedo, mais forte, mais rápido. Mas e se isso não for um problema? A comparação não te diminui, ela te provoca. Existe uma distância entre quem você é e quem você pode ser. Porque nunca foi sobre eles, sempre foi sobre quem você quer Você mesmo, porque essa corrida nunca acaba.
Depois de tantas décadas convivendo com atletas e nos últimos anos ouvindo e aprendendo com os convidados aqui no Endorfina, está claro que evoluir no esporte não depende apenas de dedicação e consistência. Passa também por fazer boas escolhas, especialmente quando o assunto é equipamento. Saber o que faz sentido para o seu momento, para o seu objetivo, ativo e para o terreno onde você pedala faz toda a diferença. Esse entendimento você encontra na 2Peaks Bikes, patrocinadora do Endorfina.
A 2Peaks Bikes é importadora e distribuidora oficial no Brasil de marcas como a Factor Bikes, a Santa Cruz Bikes e a Yeti, além de outras referências do mercado. Mais do que vender bicicletas, vestuário e acessórios, a proposta deles é orientar você. A 2Peaks Bikes foi criada para atender quem busca dar o próximo passo no esporte esporte, seja no ciclismo de estrada, no mountain bike, no gravel ou no triátlon. A lógica é simples: cada ciclista tem uma necessidade diferente e o papel da equipe da 2PEAKS é ajudar você a fazer escolhas melhores, mais conscientes e mais eficientes.
E essa filosofia você encontra nas 3 lojas da 2PEAKS: no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Los Angeles. Por tudo isso, é um prazer ter a 2PEAKS Bikes ao lado do E fica o convite: se você está buscando orientação para melhorar o seu equipamento, entender melhor suas escolhas ou simplesmente pedalar com mais qualidade, vale conhecer a Two Peaks Bikes, distribuidora oficial da Factor, Santa Cruz Bikes e Diete no Brasil. Siga @twopicksbikes.
Eu perguntei isso aqui para, perguntei isso daqui para Tatiana de Biasi. Eu quero ouvir aqui de você, nos teus posts de Cona, você agora me explicou que Cona caiu no colo. Talvez você nunca tivesse assistido nenhum vídeo de Cona antes de ter sido contemplada com a vaga, de ter conquistado a vaga, né? Não foi uma contemplação, foi uma conquista. Você chegou lá e pelos teus posts, pela legenda dos teus posts, tem um post muito legal teu pedalando lá na estrada ali e tal, que aquela cena, né, que eu sou suspeito, só vidrado naquele visual de Kona.
Mas você citava naquela época que tinha sido, e eu falei isso aqui na abertura, a experiência mais intensa, mais legal. Você tava tudo legal, você escreveu naquele post alguma coisa assim, aí nesse momento que eu tava pedalando, tava muito feliz porque não sei o quê, não sei o que lá, enfim. E agora você experimentou uma outra coisa, né? Você tá aberta a novas experiências, o esporte proporciona isso, que é muito bacana. E experiências que são intensas.
E Kona, claro que é super intenso, né? Ainda mais você que tava fazendo, né, como quase todo brasileiro, já um segundo Ironman em 3 meses praticamente, né, com 3 meses de intervalo. Como é que você compara, se é que dá para comparar, o que você viveu lá e o que você acabou de viver agora 2 meses no UB?
Conan foi o ponto de virada para mim assim no esporte, caiu no meu colo, mas assim, nada é por acaso, né? Não foi simples, caiu no meu colo. Quando eu falo isso é porque não era o meu objetivo ali, eu não tava mirando isso, então foi um presente nesse lugar, né, sobre esse ponto de vista. Mas, né, com muito respeito a todos os atletas, e tem gente que passa uma vida tentando essa essa vaga para Kona. É, mas gente, aquilo ali, pelo amor de Deus, é um negócio mais maravilhoso do mundo.
E eu não imaginava ir para Havaí, não tava nos meus planos. Gente, é bom da hora que você embarca até o dia que você vai embora. Quando você vai embora, você fala: não quero ir embora desse negócio. Porque, porque Tem um axé, né? Tem, tipo Salvador, tem a magia, tem um negócio. É claro que tem, porque, né, aquelas pessoas todas. E assim, gente com idade, com pessoas mais velhas, né, sei lá, 70 a mais, muita gente nessa idade fazendo corpão assim, a galera toda sarada, e gente inteira santíssima com histórias de vida.
Eu falei Gente, esse aqui é meu pessoal! Onde é que eu tava que eu não tinha chegado aqui antes? Essa galera! E as comidas, alimentação muito maravilhosa assim, tudo muito saudável e tal, que é o que eu gosto. Aquela beleza toda, aquele, né, aquela coisa daquelas pedras, aquele vulcão, é um arrebatamento. Eu acho que é essa palavra assim, me ocorreu agora. É um negócio inacreditável. Como é que aquilo existe? O planeta nos permitiu porque é incrível, é tudo incrível.
Eu falando com você, eu lembro assim, eu pegando o kit, aquele olho de novidade, parece, sabe, criança indo para o parque de diversão assim, tudo muito grande assim. Eu olhava e falava: nossa senhora, gente, eu aqui, que coisa! E aí ficava vendo aqueles campeões todos. Não, assim, eu com muito respeito assim, eu andei tudo assim Agradecendo, honrando, falando: nossa, muito obrigada por estar vivendo isso, que negócio grande que eu tô fazendo, que negócio maravilhoso, obrigada todo mundo aí do céu, da terra, de todos os lugares.
Tô agradecendo todo mundo, se faltar. Mas foi, é muito bonito viver aquilo, é muito especial assim. E ali eu conheci muita gente legal, conheci a Mi, conheci a Pri, conheci a Ana Lídia, Itália, é porque tem ali a Casa Brasil, conheci várias triatletas assim. E aí o triátilo foi para um outro lugar para mim, é de entender que existiam várias possibilidades, histórias de vida de mulheres, homens e pessoas que tem aquilo como estilo de vida.
E eu fui entendendo que o triátilo tinha entrado na minha vida para ficar, não era um amor de carnaval, não era, sabe, passar um carnaval, uma música de carnaval, era Para mim era uma realidade assim, porque falava o meu coração e é sobre isso a vida. Mas além disso assim, aquilo fazia todo sentido para mim. Então assim, a forma de você respirar, o seu corpo, aquilo fez muito, significou muito, tinha muito significado aquilo ali.
Então é claro que é muito difícil a gente fazer um Ironman, pelo amor de Deus, e ainda em Kona é calor, vento, nossa senhora, é um combo do caos perfeito, né? Mas eu olhava aquilo, falava: gente, esse mar azul desse lado e esse, essa montanha que esse negócio lava, que toda escura. Eu tava nadando no mar, falava: gente, sabe o filme Lago Azul? Tô nadando na Lagoa Azul. Então, gente, é muito privilégio, é muito privilégio. Eu tinha total consciência, ficava assim: gente do céu, eu Eu, entendeu, saída de lá do centro do país, depois adotada pela Bahia, e tô aqui em Kona entre essas mulheres disputando um mundial, representando o Brasil, tem aquele desfile.
Não, assim, nossa, muito, muito agradecimento, assim, muita honra, muita honra. E aí ali virou um negócio, eu falei, é isso, vou ter que fazer "Vou fazer isso junto com todo o resto da vida, porque é isso aqui. Esse rolê aqui é o rolê que eu vou fazer. Como é que eu vou fazer?" Porque o negócio é caro, né? Mas como é que eu vou fazer? Sei lá, vou dar o passo, vão me dar o chão, vamos indo assim. Você vai arranjar uns amigos, um dá uma luzinha, outro dá não sei o quê, divide várias vezes, não sei, você vai dar um jeito.
Então o B chega depois em que eu me transformei mesmo, né? Porque tudo é um processo, não tem um dia, você acorda um dia e de um dia, amanhã de outro, dorme de um dia, amanhã de outro. Mas foi um processo contínuo, rápido, mas consciente. Eu não fiquei fazendo 800 mil, 70.3, 800 mil, porque eu me destruiria. Eu tenho consciência do— mas também tenho consciência da minha evolução, do como eu consegui, porque eu conquistei uma vaga ali em CONA, eu fui construindo e me habilitei para fazer um UBE assim.
Então tem aí uma questão técnica, física, que eu consegui atingir, que suficiente para realizar essas coisas. E eu acho que a cabeça, eu acho que a cabeça é sempre o que você precisa olhar com mais atenção, assim, porque, porque é isso, assim, é fácil o mundo se desequilibrar, assim, é fácil você dizer que tá difícil, "Porque tá mesmo." Então você pode dizer porque você vai estar certo. Mas aí o que você vai fazer com isso? Qual é o limite disso?
Porque precisa ter um limite também, não pode ir indo assim, ah, né? Você tem que entender também que, né, você vive em sociedade, tem uns limites ali. Então como é que você faz isso? Então essa pessoa que vai ali pra Kona meio ainda deslumbrada ali e tem esse arrebatamento, e aí essa pessoa que chega no B é uma consequência, uma deságua na outra, assim. E aí eu fui aprendendo, me aproximando de gente que me fazia bem, de gente que me colocava para frente, e profissionais poucos e bons, que como eu sou na vida, muitos amigos, mas os amigos mesmo poucos e bons.
E fui sendo honesta, eu fui sendo honesta no processo. Então, como é que você é íntegra? Respeita isso, respeita essa distância, Respeita quem veio antes, respeita que você tá fazendo um negócio que você tá colocando algumas coisas em risco, e dimensiona esses riscos, e vai fazer isso com integridade, com responsabilidade, assim. E aí, interessada, qual é o seu propósito nisso? No Uber eu tinha um propósito muito claro, então não tinha dúvidas, eu sabia o que que eu tava fazendo ali.
E aí, e eu acho que de novo é isso na vida assim, quando você tá no trabalho, está num projeto, você não tem dúvidas sobre aquilo que você vai fazer, não tem como dar errado, gente.
Assim, pode não dar tão certo como você gostaria, porque nem tudo depende de você, mas se você fizer as coisas com integridade, com consistência, né, você não tava lá por nenhum outro, você não busca isso por nenhum outro motivo que não seja a sua satisfação pessoal, sua saúde, os momentos que você vive, e principalmente a jornada.
E aí o resultado disso, ou terminar ou ganhar, o que vai mudar é a quantidade de cerveja que você vai beber depois. Se você vai beber muito, vai beber pouco, você vai ficar mais chateada. Mas assim, em termos práticos, assim, é a mesma pessoa, né? Que, mas é muito legal, tipo, ganhar ou ser, né, ter esse título assim, é muito legal, é muito maneiro você poder contar essa história e como é que ela se deu. Eu tenho muito claro na minha cabeça cada dia, cada bananada que eu comi, cada batatinha com sal que eu comi, cada— quando eu subi aquela montanha, que eu vi aquela pirambeira, eu correndo, falei: meu Deus, meu joelho!
Aí na hora da descida, porque era uma inflamação que ela teve especial. Eu desci de costas, eu comecei, o povo tenta de costas, aí eu tentei de costas, aí aquele negócio meio desajeitado, depois já pelas tantas eu peguei o jeito, aí eu tava trotando assim de costas porque aí doía menos. Era o jeito de resolver a questão, era essa, então vou resolver, vou andar aqui e vai dar certo. E deu certo assim. Nossa, foi muito emocionante assim, foi muito legal passar por essas, dar resposta as coisas com uma certa tranquilidade, porque, né, você tá ali no vulco, você tá no vulco, mas com alegria, com...
E as meninas ali junto, uma de bicicleta, outra correndo. Quando eu me machuquei mesmo assim e senti que... Porque eu me machuquei no início do ciclo. E aí, no meu aniversário, 30 de janeiro, eu aquariana natíssima, Fui pra Salvador, passo meus aniversários sempre em Salvador, pra não dar errado. E aí eu fui fazer, tava na semana de fazer um simulado. E aí eu ia correr no último dia. Quando eu comecei a correr, eu comecei lá de perto do aeroporto e eu ia até a Igreja do Bom Fim.
E ia dar umas voltas, tudo via orla assim. Ia dar lá, e eu ia fazer um bate e volta ali na Barra. Ia dar a idade que eu tava fazendo, tipo, a brincadeira era essa. E aí começou a doer muito. Tanto é que tem um vídeo de eu chegando na Igreja do Bonfim para amarrar a fitinha, eu tô mancando assim, com muita dor. E eu liguei para o Luna, eu falei no dia do meu aniversário, desesperada: Luna, machuquei. Você tem histórico? As pessoas, como é que é, se machuca?
Aí ele falou um monte. Nossa, um monte de gente chega, né, porque o ciclo é muito duro, mas você pode usar bastão. Ele falou uma coisa assim. Eu nunca tinha usado bastão. Quando eu cheguei na hora da prova, tu e ela, que tem muita experiência com bastão. Ela, eu falei, faz aí, eu correndo, faz aí. Aí ela fez, aí eu passei, aí ela passou, e aí eu fiz. E aí lá pelas tantas eu já tava namorando o bastão, tipo eu e bastão, bastão e eu, na hora da subida ali. E foi, e deu certo.
Caramba, eu não vi nenhum vídeo de ninguém usando bastão no Ultraman, não tinha me ocorrido.
Na hora da serra você pode usar, tem essa autorização para poder usar, e você usa um pouco na subida ali, né? Mas eu Eu tinha total de zero experiência, então tive que lá durante a prova ver. E aí eu vi, mas aí meu problema era mais na descida assim, pegava mais na descida. Então, mas dei lá meu jeito e deu certo.
Claro que deu. Antes de terminar, eu preciso fazer uma pergunta que o pessoal da Globo acho que deve ter feito muito, mas não teve coragem de te perguntar, né? Teve axé no seu treino? Teve algumas aulas de dança? Teve algumas baladinhas pelo menos para dar uma relaxada?
Não tem como Não sou eu, achei coladinho aqui, ó, o negócio. Não ando sem axé não, eu ando o tempo todo. Vamos junto aqui, ó, a gente vai junto.
E tá dando para dançar axé depois do Ultraman?
Totalmente. Eu fiz, se você olhar os vídeos, tem um vídeo que eu tô com a mãozinha para cima assim, ó, porque passa, os carros estão parados, passa meu carro com pagodão baiano assim, eu é no meio da bike assim, ó, com a mão para cima cantando. A gente, se não for para ser assim, faz como? Pô, já é tudo tão difícil, vamos ser feliz nesse negócio. Eu não tô ganhando dinheiro com isso, não tenho um patrocinador, inclusive marcas estão aí, mas entendeu, era só para fazer o negócio, para buscar a minha mudança pessoal, era sobre isso.
Então tinha por que, não sei, mas falando assim, depois que passa é bonitão, na hora você fica Você só vive, né? Você vai vivendo as coisas e entendendo. É isso, é integridade, né? Vai ser você do início ao fim. Então busque ser você. Então as pessoas falavam muito: ah, tem muito estresse, você fica estressada com as pessoas. Eu não tive essa experiência assim. Foi tenso em vários momentos, mas minha mãe foi, gente. Ela fazia comidinha pra gente, a gente chegava, tinha um macarrão com com franguinho grelhado ali, fala sério, é muito luxo.
E aí com tudo limpinho, com tudo temperadinho, com tudo desintoxicado, não tinha. E ela dormia comigo, foi para, sabe, dormimos na cama eu e minha mãe. No último dia, que aquela trança no cabelo foi minha mãe que fez. Tem poesia maior, muita poesia no negócio.
Eu tenho muito assunto aqui que eu queria ainda trazer, a gente não vai ter tempo, mas você já tá inscrita para o Ironman de Florianópolis em 2027, né, no que vem. Então você já tem aí um objetivo bacana para cumprir. Você já pensou em voltar para o B? Você não teve esse pensamento ainda? Você, sei lá, Tem o triplo, tem o quinto pro lado do Daniel, né? Agora me fugiu o nome também, Ultra não sei das quantas, Desafio Ultra lá dele.
Você ainda, como é que você tá nesse aspecto da tua vida esportiva no ultra endurance, né? Você já tava falando do Race Across América, a gente pode falar um pouquinho antes de terminar. E outra coisa, já emendando, você falou do Ultraman, você falou do Ironman de fantástico, aquela vibração e tal. E o Mundial de Ultraman é lá, né? Sim, Ultraman nasceu lá, né? Então aí já imagino que para você também deva ser alguma coisa que no radar, né?
Ó, eu ainda vivo emoções dessa prova e tudo, e tudo que aconteceu por causa disso, assim, ainda assim aconteceu no trabalho de uma área lá me chamar para falar para equipe Eu ia falar isso, você acredita?
Você tem que fazer umas palestras na Globo.
Sim, algumas já estão me chamando assim pra poder fazer, pra conversar com as pessoas e tal. Contar um pouco dessa experiência, como é que eu trabalhei, porque pra eles vai fazer ainda mais sentido, né? Como é trabalhar aqui, o que você fez e tal. E foi muito legal, adorei fazer assim, adorei bater um papo, trocar com as pessoas. Tudo a ver, né? Aí eu uno a comunicação com o esporte, que são pilares da minha vida. Então faz todo sentido.
É assim, primeiro eu acho que eu entendi e passei o recibo assinando frente e verso que o Endurance é um lugar que é o meu lugar. Pronto. Então eu acho que tem essa coisa aí. E aí abre-se um universo de coisas, de possibilidades, de histórias. Ultraman é um negócio muito maravilhoso. Não pensei em fazer imediatamente agora, quero fazer o Iron Man, porque a última vez que eu fiz em 25, eu tive um negócio, perdi a lente de contato.
E aí quando eu entrei no mar, um abençoado chutou minha cara e saiu o óculos e pulou a lente. Aí eu fiz o Iron Man sem enxergar, porque meu pé é grande, e sem enxergar, aí eu tava embaçado. E imagina você fazer uma prova com um negócio embaçado. E aí o objetivo era uma coisa, passou a ser sobreviver, terminar a prova. Então, ah, chato. E aí eu quero fazer agora, fazer, porque eu gosto da distância assim. E aí é isso, quando eu terminei o Ultraman, meu algoritmo lá no Instagram, eu mandando, não sei o que lá, me trouxe o Race Across America.
E eu comecei a ver uns vídeos, umas coisas e tal. Falei: nossa, que gente louca! Aí falei: meu Deus, não posso falar isso, porque eu falei isso, né? Começou assim. Aí eu falei: quem sabe, né? Um Michel, se um Michel for meu chefe, que importa ser. Mas enfim, eu acho que eu quero continuar fazendo coisas de ultradistância assim, porque eu gostaria de desdobrar isso, de conseguir escrever um livro sobre isso, de conseguir falar com as pessoas mais sobre isso, porque eu gosto, porque eu acho que é legal.
Às vezes que eu fiz isso, eu tive trocas muito legais, assim. Então eu gostaria de fazer isso se desdobrar em outras coisas, assim, que seja, sei lá, né, eu sou do audiovisual, não sei, que isso vire coisas de audiovisual, vire um livro ou alguma coisa que eu possa contar para as pessoas nessa história tão curta, porém discussão tão intensa, profunda, né, do que significa isso, e trocar com as pessoas, porque acho que, né, é o que dá sentido às coisas, que faz a gente evoluir e tal. E é legal. Então não sei, tô pensando em coisas, quero continuar fazendo.
Você volta aqui para contar, obviamente, né, porque você vai ter que voltar aqui para a gente seguir aqui com vários papos, inclusive da Simone de Beauvoir, né, do feminicídio. Não deve ter tempo para falar, lado, feminismo e tudo mais, dessa tua escola, que eu fiquei curioso, né, que você falou do segundo grau lá, que te deu até a iniciação em física quântica.
Ah, sim, é no segundo grau. Eu não estudei física mecânica, estudei física quântica, né? Não, olha que coisa boa não ficar sabendo negócio da mecânica, achava chatão. Mas a física quântica, isso marcou muito assim, porque era muito novinha, para ir um professor falando de física quântica, é relativo. Eu, meu Deus, é relativo, acabou tudo agora. Agora se é relativo, lascou, vou fazer tudo e tô perdoada, porque é relativo. Então partiu fazer de um tudo agora.
Mas bom, você vai voltar aqui, tá bom? É uma mulher interessantíssima. Parabéns, muito obrigado por ter arrumado um tempinho na sua agenda aí de jornalista da Globo para vir aqui. O teu Instagram é @fabisilva?
É @fabio_silva, são 5 underlines assim.
É isso mesmo. Então vou colocar no post do episódio de hoje, tá lá no meu no meu Instagram também. Fabi, muito obrigado, adorei. Saúde para você, muito axé para gente, saúde hoje e sempre. Foi um prazer te conhecer e você volta aqui no Endorfina para contar mais histórias, sabe lá o que que você vai fazer, ou pós o seu Ironman de Floripa também, não precisa ir muito mais longe, muito.
Bora, tá bom, tá certo, combinado. Imagina, amém.
Muito obrigado pela sua audiência. Eu espero que você tenha curtido tanto quanto eu curti esse papo aqui com essa mulher cheia de axé, literalmente. Que energia que essa mulher tem! E bacana, né, ouvir. Eu pelo menos nunca tinha ouvido uma abordagem assim do ultra triátlon, do esporte de ultra endurance. Então adorei esse bate-papo aqui com a Fabi. Mais uma vez, muito obrigado, Fabi. E se você curtiu também também. Comente, dê o seu like aqui no YouTube, se é por aqui que você tá assistindo.
Se é no seu agregador de podcast de preferência, também faça lá um comentário. Mande esse WhatsApp, mande esse episódio por WhatsApp para outras pessoas que você acha que possam gostar. E a gente falou aqui de várias outras pessoas que participaram do Ultraman, inclusive o Alexandre Ribeiro, né, que é o nosso Ultraman Máximo Mor, com 6 vitórias lá no Campeonato Mundial. Mas eu falei aqui Daniela Genovese, que fez o Race Across América também, uma ultra triatleta, uma ultraciclista fantástica.
Armando Barcelos já passou por aqui, não fez Ultraman, mas do Ultraman teve a Natália Sales, que venceu o Ultraman em 2022. Já gravei aqui com a Fernanda Moraes, a primeira Ultraman brasileira. A Marise Junqueira Nunes já passou por aqui, fez o Ultraman lá do Havaí, não Não existia o B1515 aqui ainda. A Vanusa Maciel já passou por aqui, a Tati De Biasi agora mais recentemente. E você acha todos esses episódios aqui mesmo onde você está consumindo, onde você está assistindo ou ouvindo esse aqui.
Muito obrigado, não se esqueça, você pode apoiar financeiramente esse projeto lá na plataforma do Apoia.se. Vai lá no meu Instagram, na bio, clica no link e vai ter lá uma abinha Apoia.se. Você se informa como é que já a partir de R$15 R$10 por mês você vai estar contribuindo, assim como vários outros ouvintes contribuem. E quero aqui agradecer aos patrocinadores do episódio de hoje. Sem vocês todos, esse episódio não teria ido ao ar e o Endorfina não teria 9 anos e agora 1 mês de vida.
Muito obrigado e até o próximo episódio. Valeu! Depois de tantas décadas convivendo com atletas e nos últimos anos ouvindo e aprendendo com os convidados aqui no Endorfina, está claro que Crescer no esporte não depende apenas de dedicação e consistência. Passa também por fazer boas escolhas, especialmente quando o assunto é equipamento. Saber o que faz sentido para o seu momento, para o seu objetivo e para o terreno onde você pedala faz toda a diferença.
Esse entendimento você encontra na 2Pix Bikes, patrocinadora do Endorfina. A 2Pix Bikes é importadora e distribuidora oficial no Brasil de marcas como a Factor Bikes, a Santa Cruz Two Peaks Bikes e a Yeti, além de outras referências do mercado. Mais do que vender bicicletas, vestuário e acessórios, a proposta deles é orientar você. A Two Peaks foi criada para atender quem busca dar o próximo passo no esporte, seja no ciclismo de estrada, no mountain bike, no gravel ou no triátlon.
A lógica é simples: cada ciclista tem uma necessidade diferente e o papel da equipe da Two Peaks Bikes é ajudar você a fazer escolhas mais conscientes e mais eficientes. Essa filosofia se reflete também nos espaços físicos. Na loja do Rio de Janeiro, o ciclista encontra manutenção de alto nível, bike fit, café e espaço para encontros e eventos. Em São Paulo, na Avenida Faria Lima, além de uma oficina especializada, a unidade recebe clientes e amigos para treinos aos finais de semana.
Já a loja de Los Angeles segue exatamente o mesmo padrão, a mesma curadoria e a mesma a mesma essência. Por tudo isso, é um prazer ter a 2PIX Bikes ao lado do Endorfina. E fica o convite: se você está buscando orientação para melhorar seu equipamento, entender melhor suas escolhas ou simplesmente pedalar com mais qualidade, vale conhecer a 2PIX Bikes, distribuidora oficial da Factor, Santa Cruz Bikes e da Yeti no Brasil. Siga @2PIX_Bikes.
Eu vou soletrar: @2PIX_Bikes. E-A-K-S Bikes. Siga @2picksbikes no Instagram. A Z2 lançou o Performance System, uma linha pensada em organizar a suplementação ao longo da rotina do atleta, com produtos que cumprem papéis específicos dentro da performance. A linha tem dois produtos: a creatina e o nitrato. E um produto da Z2 que merece atenção: o Salt Pastilha, reposição de eletrólitos no formato inédito no Brasil. Do Brasil. Dissolve na boca, repõe sódio, potássio, magnésio na hora sem precisar de água.
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