#470 Bernardo Fonseca
Aos 12 anos de idade, ele correu 43 quilômetros. Pouco depois completou sua primeira maratona e, em 1998, fez o primeiro Ironman de Porto Seguro. Depois de mais de uma década dedicada ao triathlon, passou a buscar desafios em ambientes extremos ao redor do mundo.
A estreia nas ultramaratonas aconteceu na Antártica. Venceu a Ice Marathon e, no dia seguinte, também ganhou a prova de 100 quilômetros, estabelecendo um recorde. Mais tarde encarou os 250 quilômetros da Marathon des Sables, no deserto do Saara, além de uma ultra no Nepal. Parte dessas experiências acabou registrada em episódios do Planeta Extremo, exibido pela TV Globo.
Alguns anos depois ele decidiu se aventurar em expedições de montanha. Subiu o Kilimanjaro, o Aconcágua, o Elbrus, além do Huascarán e do Quitaraju, no Peru e a Pirâmide Cartenz na Indonésia. Em 2018, encarou o Manaslu, no Himalaia. Em 2023 realizou a façanha de escalar o Monte Everest. A expedição aconteceu em uma temporada histórica no Everest, marcada pela letalidade, superlotação e pelas longas filas na chamada zona da morte. A experiência deu origem ao documentário Um Passo a Mais, lançado em 2025, que acompanha uma expedição sustentável ao Everest e propõe uma reflexão sobre o impacto ambiental causado pelo excesso de pessoas na montanha.
Em paralelo ao esporte e às aventuras, trabalhou durante alguns anos no mercado financeiro até decidir empreender. Criou então a X3M para organizar o primeiro XTERRA no Brasil, projeto que mais tarde se transformaria em um circuito e incorporaria provas de corrida e mountain bike.
De volta conosco hoje, o administrador de empresas que saiu do mercado financeiro para criar a X3M, agência especializada em experiências e eventos esportivos. O atleta aventureiro e inquieto com 13 Ironman no currículo, faixa azul de jiu-jitsu, piloto de moto, paraquedista e montanhista que se tornou o 35. brasileiro a alcançar o topo do Everest, o carioca Bernardo Pereira Mascarenhas da Fonseca.
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Então nunca foi o desafio técnico que me chamou atenção nas montanhas, mas sim o lugar, mas sim a beleza de onde eu estava. Beleza que eu digo não só visual, mas a beleza, sabe, da sobrevivência de dentro. E aí, cara, quanto mais inóspita é a montanha, mais eu gosto.
Olá, aqui é o Herbert Cizerbem.
Sou o Nicolas Sessler. Aqui quem fala é a Victoria Lopes.
Aqui é o Thiago Drius. E esse é o Endorfina Podcast.
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Voltando ao Endorfina, depois de muitos anos, o Bernardo Fonseca. Aliás, o Endorfina já com 9 anos e algumas semanas de existência Eu venho trazendo aí com cada vez mais frequência novamente convidados, repetindo convidados para atualizar a conversa, para atualizar aí os seus projetos, as suas perspectivas. E claro, você que acompanhou a primeira passagem do Bernardo por aqui vai agora acompanhar então a volta dele, o que que mudou nele, na vida dele.
Mas teve um fato muito marcante que foi o que me atraiu atenção aí para convidá-lo. Eu já convidei ele faz um tempão e só agora que deu certo, ele veio para São Paulo E parou aqui no Estúdio Sistema foi o fato dele ter escalado, chegado ao cume do Everest e lançado um documentário chamado Um Passo a Mais. Então a gente vem atualizar a conversa e falar sobre a escalada dele do Everest. Então você vai ouvir aqui muito sobre, obviamente, a escalada do Everest, sobre o lixo, qual foi o propósito dessa escalada dele, é susto no que lhe manjaram, é o Everest sustentável.
Ele Tem uma frase polêmica que ele disse que escalar o Everest não é difícil. Meio Ironman, transformações, família, tomada de decisões. Ele teve também, passou por um susto aí no final do ano passado aí de saúde. Ele correu Boston logo depois disso. Ele vai falar sobre medo, filhos e a empresa dele, a X3M, que organiza há muitos anos, há duas décadas, o Xterra aqui no Brasil. Se você não ouviu a primeira conversa com o Bernardo, vale a pena ouvir.
Porque ele fala aí como é que ele chegou ao Xterra, como é que a empresa dele acabou trazendo o Xterra para o Brasil, é bem interessante. Enfim, foi uma conversa muito legal, tá aí atualizado agora aqui o meu papo com o Bernardo Fonseca, espero que você goste tanto quanto eu. E várias outras pessoas que escalaram o Everest já passaram por aqui, esse é um tema que me chama muito a atenção. Entre eles a Ludmilla Lucas, que junto com o marido dela também aí se tornou o primeiro casal, casado de fato, a chegar ao Everest.
A Yesha Bonfim, a Yesha e a Olivia, Bonfim também chegaram aí ao Everest em duas situações bem diferentes. A Aretha, o Manuel Morgado, Joel Krieger, enfim, muita gente já passou por aqui que chegou ao Everest. Eu tenho buscado trazer outros convidados, quem sabe até o final do ano eu trago mais alguém. Mas é isso, quero lembrar você de seguir o Endorfina Podcast, seja no YouTube. Aliás, se você quiser assistir a esse episódio, vai lá agora para o YouTube, não se esqueça de dar um like, de seguir, de comentar.
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E vamos lá então para mais um episódio muito bacana com essa figura muitas vezes polêmica, Bernardo Fonseca. Afinal de contas, quem é que não gosta de uma boa história, não é verdade? Aos 12 anos de idade, ele correu 43 km. Pouco tempo depois, completou sua primeira maratona e em 1998 fez o primeiro Ironman de Porto Seguro. Depois de mais de uma década dedicada ao triatlon, passou a buscar desafios em ambientes extremos ao redor do mundo.
A estreia nas ultramaratonas aconteceu na Antártica. Venceu a Ice Marathon e no dia seguinte também ganhou a prova de 100 km, estabelecendo um recorde. Mais tarde encarou os 250 km da Marathon des Sables, no deserto do Saara, além de uma outra no Nepal. Parte dessas experiências acabou registrada em episódios do Planeta Extremo, exibido pela TV Globo na época. Alguns anos depois, ele decidiu se aventurar em expedições de montanha.
Subiu o Kilimanjaro, a Concagua, o Elbrus, além do Huascarán e do Kitajaro, no Peru, e a Pirâmide de Kartens, na Indonésia. Em 2018, encarou o Manaslu, no Himalaia. Em 2023, realizou a façanha de escalar o Monte Everest. Em 2024, né? 23. A expedição aconteceu em uma temporada histórica no Everest, marcada pela letalidade, superlotação e pelas longas filas na chamada Zona da Morte. A experiência deu origem ao documentário Um Passo a Mais, lançado no ano passado, em 2025, que acompanha uma expedição sustentável ao Everest e propõe uma reflexão sobre o impacto ambiental causado pelo excesso de pessoas na montanha.
Em paralelo ao esporte e às aventuras, trabalhou durante alguns anos no mercado financeiro até decidir empreender. Criou então a X3M para organizar o primeiro Xterra do Brasil, em 2005, projeto que mais tarde se transformaria em um circuito e incorporaria provas de corrida e de mountain bike. De volta conosco aqui hoje, o administrador de empresas que saiu do mercado financeiro para criar a X3M, agência especializada em experiências e eventos esportivos, o atleta aventureiro e inquieto com 13 Ironman no currículo, faixa azul de jiu-jitsu, piloto de moto, paraquedista e montanhista que se tornou um dos brasileiros a alcançar o topo do Everest.
Marido da Roberta Muricy, o carioca Bernardo Pereira Mascarenhas da Fonseca. Seja muito bem-vindo, Bernardo.
Obrigado, Michel. Caraca, fiquei até cansado aqui, cara.
Acabou o podcast, tchau, obrigado, saúde, vambora.
Tava fazendo uma reflexão aqui, é muita coisa, né?
Então, cara, para um jovem de 48 anos, né?
Isso não foi, cara, o que teoricamente o item mais desafiador aqui da vida, né? Porque eu tenho duas ex-esposas e três filhos filhos e casado aqui com Roberta, que não é mãe de nenhum dos filhos, né? E a gente aqui faz tudo acontecer.
Vou te falar, cara, eu fico só imaginando. Eu tô no meu segundo casamento e é o último, isso eu garanto. E tenho filho com as duas mulheres, atual e a ex. Mas eu fico imaginando com 3, tenho só 2, né? E uma já é adulta. Mas eu fico imaginando assim, né, a dinâmica, a confusão das ex-mulheres, dos filhos, da Roberta.
É, é fácil comparado com isso.
Exatamente. Falar isso, cara. A hora que você vai para o Everest, você fala: cara, eu tô um pouco de sossego, tá tranquilo, tá tudo sem sinal no telefone.
Máximo que vai ter aqui é uma avalanche, pô, então a gente controla.
Uma avalanche de neve, né? Não é avalanche de reclamação, de pedido de dinheiro, de pagamento de boleto.
Mas olha, eu não tenho que reclamar não, tá? Porque tudo foi bem, as mães são ótimas, os filhos estão super felizes.
Mas você é um cara meio caótico, cara?
Não sei se caótico ou ou turbulento, não sei se a palavra correta é essa, mas eu tenho minha opinião aqui formada. E às vezes quando você é uma pessoa de opinião forte, né, você causa um pouco também. Mas eu sou aquele construtor, eu tô sempre construindo e tô inquieto quando tá ruim, tô inquieto quando tá bom também, porque eu tô sempre tentando olhar um pouquinho à frente. Isso acaba irradiando ao meu redor, né, seja no mundo esportivo, seja em casa, seja no trabalho.
Mas o esporte para você, ele tem também essa função, também essa função, essa finalidade de te centrar, de te afastar, cara, da loucura, né, do dia a dia, né? Tem muita gente que diz que esporte também é uma forma, o esporte de endurance, né, não jogar squash, mas é uma forma de meditar, né, onde você fica ali com a sua respiração, você fica ali com o teu visual, tendo que mexer na, sei lá, no seu equipamento.
O Marcelo Glazer acabou de, né, passar um pouquinho a mensagem como essa, que quando ele sai para correr na trilha, ele tá fazendo a meditação dele em movimento, né? Aí eu fiquei fazendo uma reflexão assim: caraca, como é que será que é a minha meditação a -40 graus, a 8.000 metros de altitude? Eu só quero sobreviver assim. Acho que a minha meditação, ela vem antes, né? Quando a gente olha, né, para as conquistas, elas não são a foto da conquista, né?
Elas são um filme que te levaram até essa conquista ali. Acho que isso é muito mais difícil. Eu costumo brincar aqui que os treinos para as provas, para as outras maratonas, ele é mais, sim, mais duro para mim do que o próprio dia da prova, né? Isso nem todo mundo vê, né? E o engraçado que, como eu trabalho com marketing esportivo, né, marketing esportivo, a gente tá olhando sempre as tendências, comportamentos, os eventos. E se a gente fala de uma pessoa bem-sucedida que fez tudo certo, né, se planejou, se dedicou, não dá ibope.
Só dá ibope quando deu tudo errado pro cara, aí esse cara se superou e tal. Agora, um cara que fez tudo certo, que planejou, que se dedicou, que treinou, que se alimentou bem, esse cara não dá audiência. Muito doido, né? E pelo contrário, esse cara deveria ser a referência, né? Então hoje eu tô—
eu acho que as pessoas têm uma tendência para o drama, né?
Não sei se isso O drama vem de notícia, né? Então eu assisti o filme lá, né, Um Passo a Mais, e a gente não falou de drama nenhum e teve muito drama ali. Só que a gente conta, né, uma história de sustentabilidade, a gente conta ali as boas ações que são feitas na montanha. E tudo bem, qualquer dia a gente senta aqui, eu te conto o drama, né, num suco.
O Rafael Duarte, ele foi briefado por isso porque era o projeto lá que que vocês tinham de dar foco na sustentabilidade. E, mas é um filme, um documentário, né, de 52 minutos. E de fato, assim, do Everest em si, da escalada, tem muito menos imagem do que do vai ver o lixo, as estações de reciclagem, aquela ideia de $150 cada garrafinha de oxigênio. E aquele 1 quilinho de lixo nas costas para todo mundo descer, cara, eu achei uma sacada assim, meu, se chama meu, muito, mas muito legal, cara.
Assim, eu imagino que deva estar contribuindo bastante, que o trabalho de formiguinha, né? Mas se tem muita gente indo e poluindo, tem muita gente trazendo de volta um quilinho de sujeira.
E a poluição é uma linha tênue entre desenvolvimento, cara. Se você me perguntar, o Everest hoje ele tá muito melhor, muito mais limpo do que há 10 anos atrás. Só que isso não vende notícia, né? A real aqui, você pode chamar o Carlos Sotalino, Carlão, todo mundo que tá lá agora, Aretha, que vai recorrentemente, mas quem tá organizadinho, né? As expedições, elas estão preocupadas ali com a sustentabilidade, todo mundo se organiza.
Até 10 anos atrás não, era salve-se quem puder. Então, cara, acho que é uma mudança de hábito, e hoje o planeta tá um pouco mais ligado. Mas, cara, não adianta nada limpar lá o base camp se o governo lá em Katmandu é uma zona também, sabe? Então o lixo ele só muda de lugar, ele só muda de lugar. Só que olha, Qualquer coisa na Everest, dai bop, né? Dá escala. Mas assim, acho que pegando exemplos aqui das montanhas, eu tô indo pro Denali, né, daqui a duas semanas.
Denali ou McKinley?
Cara, você pode escolher.
Mas eu vi no seu post lá que mudou de nome oficialmente, né?
Todo mundo localmente fala Denali, mas o Trump... Ah, tem a ver com o Trump, claro. O Trump é dois anos...
Tem que dar um nome americano.
É, o Trump há dois anos atrás falou assim: "Ah, essa montanha agora ela se chama McKinley, ela não se chama mais Denali." Bom, podia ser Trump Mountain, né?
Que bom!
Pois é! E o McKinley, ou Denali, ele tem muito menos gente lá, ele é uma montanha assim, eu sinceramente acho bem mais difícil que o Everest, tá? Acho muito mais duro que o Everest.
Você já esteve lá no passado e teve que voltar, né?
Já estive lá, não fiz o cume e tô voltando lá agora pra, numa outra estratégia, tentar fazer o cume. É uma montanha que você tem que ter uma autonomia total, você leva o seu sled lá, leva bastante peso, tem muito risco que ele é invisível, né, que são as fendas, que são as cravassas, então tem muito histórico de você cair em cravassa, o tempo muda muito rápido, não tem resgate, então se você não se virar você morre. Na Everest tem resgate pra tudo, na Everest tem um corrimão de ponta a ponta ali, que é uma corda fixa, Você vai amarrado nela.
Então assim, no Denali você tem que carregar um recipiente que é um CMC, que é um Clean Mountain Can. Então você faz o teu número 2 o tempo inteiro ali, não fica nada na montanha. Então acho que isso vale para qualquer montanha. Então é culturalmente, né, o americano muito mais organizado, né, que o nepalês ali, né, vamos dizer assim. Acho que ele conseguiu colocar umas regras e funciona. Então tem um parque muito muito organizado, que ele te dá regra e te multa, cara.
Fiscaliza, né, faz as regras serem cumpridas, né?
E você vê os fiscais, né, teoricamente tem lá o patrulha, né, que fica ali no Campo 4 antes de você ir para o High Camp. Então acho que dá para organizar. No fundo, fundo, tudo é uma questão de hábito, né? Quando eu tava lá no Everest, cara, eu fiquei louco que eu tava super preocupado com poluição. E eu vi uma pessoa que tava trabalhando uma expedição, pegou uma garrafinha de Coca-Cola e jogou. Eu falei assim, caraca, o cara jogou uma garrafinha de Coca-Cola no meio do nada assim.
Eu falei, pô, mas por que que o cara fez isso, né? E eu ainda comentei com o cara, falei assim, pô, não, na próxima me dá que eu carrego. E o cara ficou me olhando de cara feia assim, tipo, me repreendeu.
Que nacionalidade que era, cara?
Era um Sherpa, era um Sherpa lá, etnia Sherpa, que tava lá trabalhando alguma expedição. E tipo assim, quem é você para falar de alguma coisa aqui que eu tô fazendo, né? Você é turista, né? Você é estrangeiro. Mas essas expedições se aprende muito, cara. Eu sempre volto transformado assim.
Queria saber assim, vamos lá, por que que você foi? Quem que deu a ideia para você? Assim, você já tinha subido, acho que o Manaslu tinha sido a mais difícil até então, né?
É, Manaslu não é um dos grandes, enfim, montanhas ligadas a marketing, né?
Mas é uma montanha de verdade, 8.000.
É, Manajlu também acho bem mais casca grossa que Everest, mas ninguém nem sabe que é Manajlu, né?
Eu mesmo só ouvi falar aqui dos meus convidados que falaram que subiram lá, né?
8.163 metros. E o Manajlu, ele é uma montanha de verdade, é uma montanha que tem lá o, né, o O Corredor das Avalanches. Eu, quando fui decidir para o Manaslu, eu tive um convite no mesmo ano de um brotherzão meu, que é o Romain Romancini. E o Romain assim: "Pô, Bernardo, eu tô indo para o Everest." O filme dele foi produzido também pelo Rafael Duarte. É, eu e o Romain, a gente é muito amigo.
Da cama ao Everest, né? Da cama ao topo.
Da cama ao cume, alguma coisa assim. É, o Romain é foda.
Cara, eu não assisti ainda, preciso assistir.
O Romain é um cara genial assim, né? Nos esportes, fora dos esportes também, a gente troca bastante. E ele foi quem me convidou para esse mundo das montanhas. Ele me convidou e a gente foi para o Kilimanjaro juntos. Eu na época era triatleta, tava bem treinado, aquele negócio que você acha que é o físico, né? Aí ele, cara, vamos para o Kilimanjaro. Eu falei, cara, quando? A semana que vem. Aí eu olhei, é, cara, um dos 7 cumes historicamente mais fáceis, né?
Foi, por favor, tô fazendo Ironman, tá fazendo não sei o quê, vamos embora, cara. Quase morri naquele manjaro. Mas enfim, quase morri porque eu fui com essa crença de que ser atleta é o que faz a diferença da montanha, e não é. E aí eu fiz tudo errado. São 3 pilares para você subir qualquer alta montanha: é conseguir se hidratar muito bem, comer muito bem e dormir bem. Eu não fiz nenhum desses, né? Acho que eu fiz tudo errado.
Romain, ele esticou a corda ali, eu fui junto. O Romain decidiu passar por uma rota que tava fechada e a gente Acabou fazendo o cume do Kilimanjaro e voltou bem rápido, em 3 dias. Normalmente as pessoas fazem em 7, mas eu tive mal da montanha, não bebi água, desidratei. Aí desidratei, perdi o apetite, aí não comi. Aí, cara, a gente entrou numa bola de neve negativa aqui no meu ecossistema, que a minha primeira montanha me deu tipo um sossega palhaço assim.
Menino, isso aqui não é uma prova, uma competição, não. Isso aqui é montanha. Montanha é outro, brincadeira, o buraco é mais embaixo. E aí, cara, por mais que aquilo quase me matou, quando a gente chegou no cume, cara, eu tava com 63% de oxigenação, tava completamente groggy. Descemos, Romã me ajudando, o teacher, que era um local que tava com a gente, a gente tinha planejado dormir na cratera, descemos voado porque eu tava mal.
E pior que esse negócio que quase me matou me despertou, assim, caraca, Isso aqui é muito mais maneiro do que a competição. O negócio quase me destruiu e eu sou o cara, sou sempre desafiado, e o desafio ele é um combustível para mim. E aí essa formiguinha da alta montanha, né, entrou aqui, né, no meu mindset de tudo e comecei a virar um explorador. E aí o Romain, aí fui fazendo várias montanhas, a gente foi para o Elbrus, né, eu fui com o Romain também.
Isso aqui, porra, O Roman queria fazer no inverno. Falei assim: caraca, Roman, não pode ser no verão não. Não, nenhum brasileiro nunca fez no inverno, vamos no inverno. O Roman tem um projeto dele de fazer os 7 cumes invernais, né? Aí eu fui na onda, né? Pô, então vamos, cara. Contratamos um guia lá para mostrar o percurso para gente. A montanha não tinha ninguém, ninguém, nenhuma alma viva. Aí o guia, um pouco mais velho, a gente fala assim: pô, legal, quantas vezes você subiu essa montanha já?
Ele vai ser, ah, já subiu um monte de vezes, 250 vezes. Você, ai, que bom, cara, bem experiente, tá tranquilo, e vai dar bons toques aqui para gente. Mas quantas você subiu no inverno? Ele falou assim, não, nunca subi no inverno. Eu falei assim, caraca, como assim? Não, ninguém sobe esse negócio aqui no inverno não, mas vocês me pediram, então a gente tá indo, cara. Foi um sufoco, eu também quase morri lá, escorreguei, né, aquele escorrega que você, né, tá com crampon no gelo e aí não fincou direito e tipo vai embora e só para quando a corda estica.
Aconteceu comigo.
Tive meus desafios. Então o Roman tá sempre esticando a corda comigo, mas a gente se dá bem. E eu às vezes eu reclamo, mas eu gosto disso também. E aí o Roman mirou o Everest e falei assim: pô, cara, vamos para Everest.
Você não, assim, fica na tua cabeça porque o Everest é a montanha mais conhecida, né? Mas não era uma coisa que você falava: um dia eu quero.
Cara, eu nunca quis subir Everest. Eu, apesar de ter feito um filme, né, eu sempre achei as pessoas fazem Everest para fazer palestra, fazer filme, fazer livro e tudo mais. Eu não preciso disso aqui, eu não vivo disso, eu quero ir nas montanhas de verdade aqui. Então eu fui em várias outras montanhas que não fazem parte dos 7 cumes, né? Todas as montanhas que você falou aqui, o Roche Caran, o Quitaraj, no Peru, são montanhas maravilhosas e não são conhecidas.
E o Maraju também não é uma montanha conhecida. E aí no ano que o Roman foi para Everest, ele me convidou, pô, vamos. Eu falei assim, pô, cara, não tô a fim de ir para Everest. Everest para mim é mais comercial e tudo mais. Vou para o Manaslu. Aí Roma: caraca, cara, Manaslu é uma montanha de verdade, sério, pô, toma cuidado, Manaslu super perigoso. Mas é um 8000 baixo, né, 8163 metros. E eu treinei e eu fui super bem, né. Tinha um chefe da nossa equipe chamado Arnold, o Arnold Costa, que eu amo o cara.
O cara tem um mindset muito legal, muito parecido com o meu. E a gente acabou fazendo um ataque ao cume, né? A gente pulou o campo 4, a gente atacou do campo 3, foi lindo, foi ótimo. E aí a gente, cara, costurou já um desejo de subir outros 8000. E aí falando com o Arnold, né? Também sempre quis entender os caminhos dele, que ele tá sempre explorando montanhas novas. E eu falei assim, cara, eu gosto muito de uma montanha lá no Nepal que de alguma forma um dia eu vou passar por lá, que ela se chama Lhotse.
Lhotse fica do ladinho do Everest. A gente divide o campo 4, inclusive, mas o Lhotse tem 8.611 metros e o Everest 8.848. Algum danado da vida aí agora falou que ele tem 8.849. Mas porra, eu não volto não, tá? Eu fechei nos 8.848 e tá de boa. Até assim, depois falaram que o Manajú tem um outro cume agora. Quando eu fui no Manajú, agora parece que tem um cume super real, que o outro não era real. Assim, caraca, gente, cada um uma história.
Mas eu tô de boa com o cume que eu fiz no Manajú também. Até então a humanidade sabia que aquele era o cume. Então acho que tem esse pilar aqui do montanhista. É, e aí quando a gente desenhou para ir para o Lhotse, eu procurei aqui alguns amigos, e um deles era o Fabrício, Fabrício Luzi, que hoje lidera aqui a North Face no Brasil já há alguns anos, que é meu amigão de vida, amo o Fabrício. Ele falou assim: pô, mas tu vai subir montanha lá e tirar uma fotinho, Bernardo?
Pô, todo mundo faz isso, você não quer trazer uma jornada, construir uma narrativa, trazer algum legado? Eu falei assim: "Poxa, quero, mas levar alguém comigo para ajudar a documentar isso é super caro." Aí ele falou assim: "Não, te ajudo. The North Face aqui banca para você." Eu falei assim: "Ah é? Pô, legal. Então vou ver quem no mercado conseguiria estar numa montanha de altitude." E até que eu cheguei no Tarso, que é um cinegrafista sensacional, o cara é foda, já tinha ido para Everest duas vezes.
E eu falei, beleza, então pô, Norte Face me ajuda aqui nessa guerra, Norte Face foi lá, viabilizou, e aí eu falei, bom, então quero fazer uma coisa muito legal. E aí eu voltei no Rafa, no Rafa Duarte, eu falei, Rafa, cara, vamos fazer um documentário que a gente possa mandar uma mensagem legal.
Mas da onde você conhecia o Rafa?
Ele tinha feito o filme do Romain.
Ah, sim, tá.
Ele tinha feito o filme do Romain, eu fiquei conhecendo o Rafa, e o Rafa tá no meu ecossistema ali, a gente tem um monte de amigos em comum, Manu Vilaseca, Enfim, a gente já se conhecia, só que o Rafa tava morando na Suíça, né? A gente começou a trocar e falei assim: pô, Rafa, o que que a gente pode fazer, cara? Eu não quero, cara, eu quase não quero aparecer nesse negócio. Se eu puder só mandar algum tipo de mensagem, fazer uma pesquisa científica, alguma coisa, porque eu preciso devolver retorno aqui para as marcas que estão envolvidas comigo. E para o filme ser legal, né?
Para não ser um filme de que as pessoas tenham vontade de assistir e aprendam alguma coisa.
E não são filme de um cara super-herói que passou desafio ali, desafio Eu quero um filme que tem uma narrativa interessante. E depois de vários estudos, a gente entendeu que esse momento de sustentabilidade tava passando talvez por um momento de muita gente falando mal, mas pouca gente falando bem. Todo mundo criticando quem polui, quem faz isso, quem tá errado, quem não sei o quê, mas ninguém falando de quem fazia o bem. Esse cara, vamos fazer o inverso, vamos fazer um estudo aqui de quais são as ações de sustentabilidade que que tem lá na região e vamos entrevistar esses caras e vamos servir, talvez aqui de um instrumento para dar escala para eles, para trazer voz.
Então veio a ação do Carry Back, né, que é aquela sacolinha que o cara desce com 1kg ali no trekking. Veio assim o cara que não vende mais cerveja em lata, que só vende o show. Até isso muda, então tudo muda. E a gente foi falar com a organização lá que que se chama SPCC, que é Sagamata Pollution Control, e eles estão fazendo um bom trabalho, distribuíram várias coisas lá para coleta de lixo, tem o lixo seletivo. E a gente falou assim, cara, vamos!
Mas eu não ia subir Everest, eu queria fazer o Lhotse, fazer isso tudo com Lhotse. Aí o Rafael, pô, cara, tu tá do lado do Everest, aproveita e sobe esse negócio então.
É porque o Lhotse não é tão comercial nem de perto do Monte Everest, que é o ponto mais alto da Terra, né?
Mas, cara, a montanha é linda, montanha linda, tem uma energia. As montanhas, elas têm uma energia que só quem vai lá entende. É impressionante. E aí eu tava fissurado pelo Otis. Eu falei, caraca, e custa a mesma coisa que Everest, tá? Custa tão caro quanto. Eu tava de boa e não subia Everest. Aí me convenceram, pô, já que você tá lá, cara, tem um negócio chamado Doublehead, você faz os dois. Porque eu não abri mão de subir o Otis, eu queria fazer o Otis.
A gente planejou, enfim, teve um custo mais caro porque eram dois permits e tudo mais, mas vamos. Então, no nosso planejamento, a gente falou assim: "Então tá, quem que a gente sobe primeiro? O Lhotse ou o Everest?" Aí, na estratégia lá de altitude e tudo mais, a gente, por janelas, por coisas, a gente, com o Arnold, decidiu subir primeiro o Everest. E aí a gente fez a nossa expedição, coletou lixo. A gente não foi 100% sustentável, a gente fez o nosso melhor, mas obviamente tem coisas que não teve jeito.
A gente Consumiu coisas lá na montanha, mas lixo a gente não deixou. Lixo a gente trouxe, ainda trouxe bastante lixo dos outros também. E aí a gente fez o Everest, a gente acabou ficando doente, perdeu janela, a gente teve que descer a montanha para se tratar. E eu, enfim, acabei tendo uma infecção na garganta. O Tarsio também teve alguns problemas lá dele. E enfim, subimos a montanha Quando a gente chegou no cume, a gente começou a descer, a gente teve alguns problemas e a gente decidiu não fazer o Lhotse, né?
Lhotse fica para um segundo momento aqui. E aí o filme tem muita narrativa ali do Everest, mas ele nunca foi o principal protagonista do filme. Mas acaba que Everest chama atenção, né? Então acho que o nome do filme é Um Passo a Mais, porque a gente além de estar procurando ser sustentável, a gente já tava fazendo além. Trazendo informação e tentando coletar o que não era nosso ali para resgatar. Mas Everest é sempre muito polêmico, né?
A polêmica ali do Everest, e até ronda fora disso, né? Eu, na época que eu subi Everest, eu tava fazendo parte aqui do grupo SBF, né, que é uma empresa de capital aberto, grupo super sério, né, dono da Centauro, de toda Centauro, né, distribui a Nike no Brasil. Quando eu falei que eu ia subir o Everest, E o grupo tinha feito uma investida na X3M, a galera ficou doida. Pera aí, como assim, menino? Tu vai subir a varejo? A gente acabou de investir aqui na companhia, né?
A X3M aqui fazendo parte do grupo. E eu me lembro do advogado, que é meu brother, adoro aqui, né? É o advogado mais esportista, mais saudável que eu conheço, que é o Sikira. Mandando abraço aí para ele, adoro ele. Ele falou assim: gente, eu falei "Esse M&A que a gente fez aqui, essa aquisição, é plug and play, vai dar tudo certo. O problema são as férias desse menino, né? O problema são as férias dele. O que ele vai inventar das férias, porque ele toma risco no seu dia a dia ali." Mas foi muito bom, cara.
Assim, acho que foi um aprendizado de vida. Eu curti muito essa jornada. Depois, continuo, né? Eu não sou uma pessoa que faz check, né? Eu faço parte do ecossistema de montanhas. Eu vou Tá sempre fazendo algum tipo de montanha porque é meu dia a dia, meu lifestyle, né? Vamos dizer assim. Então por isso eu tô indo para o Denali de novo agora. Denali é fantástico, Denali é sensacional. Gosto muito.
Quando esse episódio for ao ar você vai estar lá ainda, né? Porque não é uma expedição curta, né?
É um mês, né?
Mais ou menos. Então você vai estar lá com certeza a hora que for ao ar.
Tomara que eu volte vivo.
Ô Bernardo, eu quero falar disso, mas de novo, você queria O que quando você, quando o Romain ou você pensaram nessa história do Everest assim, tipo, o que que você imaginou subir lá? Você queria o Lhotse, eu entendi, mas obviamente à medida que você não decidiu lá, você decidiu isso aqui, é um planejamento que não é uma coisa que você decide, né? Eu vou virar para esquerda, eu vou virar para direita, não dá. Até para você vender, né, o filme, o projeto incentivado e tudo mais.
Mas você foi criando expectativas na sua cabeça, conversando com o Romain, conversando com o Tarso, ambos já tinham estado lá. O que você imaginava? Que você ia chegar lá e ver o quê? Encontrar o quê? Se transformar como? E aí eu conheci a Roberta graças ao seu post lá na época no Instagram sobre ela, né? E assim, a Roberta é super espiritualizada, a Roberta tava indo pra Índia, Ayurveda, né? Ela tá numa busca, numa outra vibe de você, né, que eu te conhecendo, pois eu quero ouvir isso de você, eu te conhecendo um pouco da nossa primeira conversa e dos nossos negócios lá atrás, é completamente diferente da dela, né.
E você se tornou montanhista porque você não era, não nasceu, não tá nessa desde os 15 anos, não seguiu lá, sei lá, né, alguém, você, você foi se transformando e você acabou de dizer isso, faz parte do teu ecossistema, né. Então assim, eu fico imaginando o que que você imaginou buscar ou encontrar lá, que você não voltou igual, como você disse?
Cara, tem um negócio legal, porque eu comecei minha jornada esportiva muito jovem, né, lá como você comentou, 12 anos, já correndo distâncias longas. Depois eu fiz ultramaratonas. De alguma forma, cara, eu queria algo a mais além de um evento de performance, né? Eu queria encontrar alguma coisa que suprisse ali a minha vontade, a minha inquietude de desenvolver sempre. Então eu já achava, e eu acho até hoje, tá, que o Everest não é difícil, brother.
O Everest, você aqui, Michel, se você se organizar, você sobe Everest de boa. Obviamente tem aqui a montanha tem que deixar você subir, né, riscos envolvidos. A montanha tem que deixar. Mas se você pegar um dia de sol, como foi essa temporada agora, pô, todo mundo fez cume. É raro são as exceções que estavam lá e não fizeram cume. Então assim, você pegou um tempo bom, você, Michel, se organiza, obviamente você vai treinar e você faz, ponto.
Você sendo minimamente saudável, né? Não precisa ser um super-homem. Tem um lado aqui que me despertou, porque quando você sai desse drive de só buscar performance, tempo, e aí eu comecei a conhecer lugares que poucas pessoas conhecem no planeta, Isso me transformou. Então, quando eu fui lá e conheci o Kilimanjaro, quando eu fui lá e subi o Aconcagua, cara, são lugares muito transformadores. Transformadores pela cultura, transformadores pelo ambiente, onde você vê que você é muito pequeno.
A natureza muito presente ali, você se sente, cara, um grão de areia no meio disso tudo. E isso me chamou atenção. Tem uma energia completamente diferente do que a gente está acostumado. Lá é como o Glazer comentou, né, que ele faz lá a meditação dele na corrida. A minha é na montanha. Aí você traz uma espiritualidade lá, você encontra, né, locais, né, pessoas locais que são completamente— a montanha, ela é uma entidade. A montanha não é um monte de terra ali, é a montanha, ela fala e você escuta, cara.
Quem tá lá escuta. Então nunca foi o desafio técnico que me chamou atenção nas montanhas, mas sim o lugar, mas sim a beleza de onde eu estava. Beleza que eu digo não só visual, mas a beleza, sabe, da sobrevivência de dentro. E aí, cara, quanto mais inóspito é a montanha, mais eu gosto. Não é o mais alto não, tá? Nem é o mais difícil. Quanto mais inóspita, quanto menos habitada, quanto mais desafiadora. Eu tenho um sonho aqui que ainda vou desenhar ele.
Tem uma montanha na Antártica chamado Monte Erebus. Eu sou doido para ir lá, só que hoje a humanidade não permite que ninguém vá lá a não ser com estudo científico Na verdade é um dos 7 vulcões que tem lago de lava. Só existem 7 vulcões no planeta que você tem um lago de lava ali na cratera, ele vivo, né?
Caramba, nunca ouvi falar, no meio da Antártida, né?
No meio da Antártida, cara, e ele é extremamente remoto. E aí, cara, você ainda tem uma história, né? Acho que outro dia me perguntaram assim: se você pudesse almoçar com alguém que não tá vivo, né? Não sei se já te perguntaram isso também. Eu falei, cara, eu queria almoçar com o Shackleton. Shackleton pra mim foi um dos maiores exploradores aqui da história, mas cara, a expedição dele foi um fracasso, né? Mas cara, o cara salvou todo mundo depois, o livro dele, o Endurance.
É, uma história épica mesmo.
O livro Endurance, ele virou capítulo aqui de Harvard, né? Tem várias coisas legais, eu sou fanático com isso. Então se você me perguntar, eu sou um explorador por natureza. Eu acho que eu nasci com esse viés aqui dentro. Mas eu talvez despertei ele depois dos 30 e poucos, depois dos 35, assim. E o esporte obviamente me deu uma ajuda. E o meu DNA aqui de inquietude, cara, eu sou muito do tipo, tem certeza que eu vou na Rebels em algum momento?
Não é agora, talvez não seja a fase, mas esses desafios que eu coloco aqui na vida não necessariamente tem a ver com físico, louco, são muito mais ligados assim. Eu sou muito ligado à natureza. Natureza, para mim, a gente lá na X3M tem um monte de projetos, né? Tem vários que dão muito dinheiro, tem vários que dão prejuízo, mas tem o tal do Xterra que eu gosto para caramba. Esse, para mim, ele é muito especial. Que a galera da X3M não me escute aqui porque eu gosto de todo mundo, tá?
A galera que faz Valdez Brava, a galera que faz Uphill, todos os projetos tem um espaço no meu coração aqui. Mas o Xterra pega no negócio que é meu aqui, como DNA de pessoa. Então é um projeto grande, enfim. Mas eu, quando vou para montanha dessa, eu quero é conquistar, conhecer e viver o lugar. Então quando eu volto nessa transformação, é porque, cara, né, qualquer lugar tem algo sagrado ali que você só descobre indo lá. Mas Everest, cara, é um sem aço, tá?
É difícil fazer. Eu tô trazendo aqui uma uma analogia de que ele é fácil, qualquer um faz. Mas, cara, 200 milhões de habitantes aqui, só tem 40 e poucos brasileiros que fizeram.
Eu tenho vários ali, uma enxurrada nessa temporada, né?
Agora tiveram 270 cumes num dia só, né? Acho que essa temporada teve uns 10 brasileiros, né? Uns 8, 10, eu acho que é isso, acho que por aí, na Copa ainda. Só com o Carlão lá levou uma galera ali, e tudo bem. Acho que passou para 50, de 200 milhões de habitantes. Pô, cara, é um número muito, muito pequeno. Por isso que eu pego meus amigos aqui que faz Ironman, que eu já fiz Ironman também, né, já fiz vários. Eu falo assim, pô, Rafa é outro, né?
Não é só ter a bicicleta de não sei quantos mil dólares, né? Você tem aí um lado de entender a montanha, você tem um lado estratégico, você tem um lado obviamente tomada de decisão, né? Everest é tomada de decisão do início ao fim. Qualquer montanha é tomada de decisão do início ao fim. Agora no Denali, cara, eu fiquei preso na barraca por 5 dias, passamos fome, e a tomada de decisão era só sobrevivência. Mas nem isso eu conseguia descer a montanha.
A gente ficou preso lá porque uma tempestade de vento, né, se antecipou, e aí nevou para caraca e não tinha como descer. E aí não tinha como ligar para ninguém, só ficava ali no Garmin inReach, falando com a Roberta, minha esposa. Mas tá tudo bem, aqui o americano panicou, disse que vai morrer, eu tô aqui conversando com ele, mas a gente tá aqui dividindo o último pedacinho de queijo. E cara, eu sou uma pessoa que eu gosto do caos, cara, impressionante. Eu me sinto bem no caos.
Esses perrengues todos valem a pena no frigir dos ovos, no final de tudo?
É, na prática, cara, eu eu sempre encontro uma narrativa de construir uma vitória comigo mesmo. Mesmo no Denali, que não teve cume, a gente não fez o cume da montanha, eu senti, cara, uma mega vitória. Foi ótimo, tive uma experiência sensacional, treinei habilidades novas, conheci gente nova. A gente chegou até o high camp, cara, tava sei lá, 600 metros do cume, tava pertinho. Não fiz o cume, mas foi muito maneiro, foi muito maneiro.
E eu tive uma experiência assim completamente diferente das outras montanhas. Então cada montanha tem uma experiência diferente. E aí eu construí uma narrativa comigo, não, beleza, tô treinando, tô treinando para o dia que eu for para o Erebus, tô treinando para o dia que eu for para o Vinson. E faz parte. E assim, quando eu olho Vinson, eu olho Antártica, né? Quando eu tô olhando os, acho que as montanhas, eu não tenho a menor vontade de subir o K2, por exemplo.
Não que não seja bonita, não seja transformadora como todas. Mas eu acho que sim, tem tanta coisa para conhecer aqui. Não me pegou ainda essa pegada de, pô, eu fui na montanha, eu não quero porque a montanha mais difícil do mundo, entendeu? Acho que o drive, se um dia eu for no K2, não vai ser por isso, vai ser porque de alguma forma ela me pegou aqui por alguma coisa cultural, uma coisa de conhecimento local, alguma beleza. E não por performance.
E a galera que vai pro K2 é meio: peraí, deixa eu ir para mais difícil. Ah, por isso que eu falei que o Everest não era minha primeira opção aqui, a primeira opção era o OTC. E a construção veio porque, como você falou, marketing, e a gente tinha patrocinadores ali, viabilizando filme. O Everest, pô, o Rafa, é melhor a gente fazer uma faxina no Everest do que no OTC, né? Assim, é, então vamos, que o conceito, se eu passar pelo OTC, Tô de boa aqui, mas enfim, o Lhotse eu volto em algum momento aí.
Mas o K2, ele vai ser muito mais vendável, é um produto que chama muito mais atenção do que o Lhotse. Pois é, cara, mas um documentário pode te levar para o K2 antes do Lhotse.
Pois é, cara, já me convidaram aqui para subir o Everest do outro lado, né, enfim, ali pelo lado do Tibete, mas eu não topei não. Eu falei: ah, não, pô, deixa para a próxima aqui. Nem contei isso para a família, mas ano passado rolou um convite. E o que chama atenção ali é porque tudo que é mais difícil gera um gatilho, de uma certa forma. E a fronteira está fechada, não pode subir a montanha há algum tempo. Mas o Arnold me convidou, perguntou se eu queria ir.
Eu falei que não era o meu momento. E eu acho que tudo tem fase. Eu preciso sentir ali que é o momento. Então, Eu tô indo agora pro Denali, tava com muita vontade. Tem um amigo meu que vai comigo, eu e ele. A gente não tem guia, não tem nada, só nós dois. Eu amarrado nele, ele amarrado em mim. A gente fica com a vida do amigo ali na mão o tempo inteiro.
Literalmente, é.
E, cara, no Denali muito mais, né? Porque tem essas fendas, é quase batata assim, que um ou eu, ou eu, a gente vai cair. E tudo bem, a gente cai e sai, faz parte. E a gente lida bem com isso.
Pra quem não sabe, ficar preso na corda do outro, né? Você não cai, você fica, você cai, mas não vai no fundo, né?
Assim espero, né?
Agora, o Bernardo, e por que que você tá voltando para o Denali?
Ah, porque eu não conhecia o ponto, é, o ponto.
O cume é importante demais, lembrando que o cume é metade do caminho, né? É o meio Iron Man, né? Você tem que fazer a outra metade, que é muito mais difícil, né? Fazer uma analogia aqui para o triatlon, né?
Esse ponto do Iron Man, cara, que eu tô vendo agora jogador de futebol falando que faz Iron Man, é quando o vai descrever a distância. Fez, irmão, deixa eu te avisar, isso que tu tá falando que tu fez não é o Ironman.
É o Ironman 70.3, é porque a gente é antigo e a gente demora para acostumar com essa ideia, cara.
Eu nunca fiz o meu Ironman, e nada contra quem faz, tá, que eu acho que é uma prova de uma distância legal ali, você não morre de treinar e tal, você consegue conviver com a família. Mas, cara, eu nunca tive oportunidade de fazer um 70.3, e quem faz Ironman não gosta de falar que faz meio nada, né. Por isso o nome é 70.3.
A sacada é legal, você que é o marqueteiro.
Os caras mandaram bem demais, né?
Mandaram bem demais. E os caras que falam... Porque na nossa época, né, você fez o primeiro Ironman de Porto Seguro, né? Eu fiz até 97, que foi o 3/4 de Ironman, e eu não lembro nem como é que era o nome dessa prova, mas era um 3/4 de Ironman.
Era o que o Dijan organizava, não era?
Exato. E 96 foi o último Ironman, meio Ironman, mas a hora que você fala assim, né, E por coincidência eu ganhei. Você foi campeão do meio Ironman, então você é um meio campeão. A hora que eles mudaram para Ironman 70.3, cara, foi uma sacada.
E o cara quando faz a tatuagem, ele faz a tatuagem do símbolozinho, né?
Metade da tatuagem.
Ele não faz a tatuagem 70.3 ali. Então, cara, eu tenho vários amigos aqui que faz Ironman, né? E porra, Tem o marketing, né, Michel? Pô, o cara é um executivo, a gente tava falando agora há pouco, o executivo diferenciado porque ele faz Ironman, ele tem comprometimento. Eu falei, cara, e o que será então o cara que sobe montanha? O que que ele é, né? Ele é um cara, um PhD, é um doutorado do executivo? E quando eu pego os amigos, a gente fica nessa rodinha assim de, porque todo mundo é competitivo, né?
Não tem jeito, a galera quer brincar até de dança da cadeira ali com tudo. Mas eu tenho um monte aí que deve estar me escutando agora, que deve estar aí se coçando, né? Mas faz parte, cara.
Quem sabe aí, você que é um cara inquieto e desbravador, aventureiro, quem sabe dá para fazer um Iron Man no Nepal? Nada em algum lugar lá, não sei, no inverno, né? Vai ter que nadar bem baixo, vai ter que pedalar no mountain bike, no Xterra. Até o campo base, subir e descer, né? A hora que você chega no acampamento base, na volta tem uma linha de chegada lá do Xterra.
Eu fiz uma ultramaratona no Everest, né, que largava no base camp, foi 80 km ali.
Eu acho que já teve um triatleta que fez alguma coisa tipo, que chegou e terminou no Everest. Eu acho que teve, que foi sozinho, não era uma competição.
Teve um moleque que eu esqueci o nome agora, que ele fez um Ironman na Antártica. Muito maneiro, ele fez um filme.
Pô, depois eu— Ah, que legal, depois tenta me passar.
É, vou te passar. E ele mora no Brasil agora.
Uau!
Eu fui no lançamento do filme dele, que foi numa sessão de cinema fechado, e ele fez uma operação—
Nossa, nadar lá é casca grossa, hein, meu.
Cara, ele nadou, pô, com roupa de borracha e tipo, sabe, é, leão marinho em volta, toda aquela fauna ali de tudo, pedalou numa bicicleta de pneu, aquele fat bike, sabe, pneu gordão. Só que o Ironman dele durou 3 dias porque entrou um vento. Mas, cara, foi muito legal o filme. E o moleque treinando, que é um bom convidado para você aqui, vou depois.
Mas ele é brasileiro?
Não, ele não é brasileiro, mas mora no Brasil.
Me passa o, enfim, me arruma o nome dele, tá? Eu vou tentar chegar nele pelo Instagram. Essa eu não sabia.
Não, muito bom. Pois é. Aí quando o moleque fez essa parada, foi assim, porra, desculpa. Quando o moleque fez esse negócio, eu falei assim, caraca, Adorei a ideia, mas pô, já fez, né? Então já era.
Depois de tantas décadas convivendo com atletas e nos últimos anos ouvindo e aprendendo com os convidados aqui no Endorfina, está claro que evoluir no esporte não depende apenas de dedicação e consistência. Passa também por fazer boas escolhas, especialmente quando o assunto é equipamento. Saber o que faz sentido para o seu momento, para o seu objetivo e para o terreno onde você pedala faz toda a diferença. Esse entendimento você encontra na 2PIX Bikes, patrocinadora do Endorfina.
A 2PIX Bikes é importadora e distribuidora oficial no Brasil de marcas como a Factor Bikes, a Santa Cruz Bikes e a Yeti, além de outras referências do mercado. Mais do que vender bicicletas, vestuário e acessórios, a proposta deles é orientar você. A 2PIX foi criada para atender quem busca dar o próximo passo no esporte, seja no ciclismo de estrada, no mountain bike, no gravel ou no triátlon. A lógica é simples: cada ciclista tem uma necessidade diferente e o papel da equipe da 2PIX Bikes é ajudar você a fazer escolhas melhores, mais conscientes e mais eficientes.
Essa filosofia se reflete também nos espaços físicos. Na loja do Rio de Janeiro, o ciclista encontra manutenção de alto nível, bike fit, café e espaço para encontros e eventos. Em São Paulo, na Avenida Faria Lima. Além de uma oficina especializada, a unidade recebe clientes e amigos para treinos aos finais de semana. Já a loja de Los Angeles segue exatamente o mesmo padrão, a mesma curadoria e a mesma essência. Por tudo isso, é um prazer ter a Two Peaks Bikes ao lado do Endorfina.
E fica o convite: se você está buscando orientação para melhorar seu equipamento, entender melhor suas escolhas ou simplesmente pedalar com mais qualidade, vale conhecer a Two Peaks Bikes 2PEAKS, distribuidor oficial da Factor, Santa Cruz Bikes e da Yeti no Brasil. Siga @2PEAKSBikes. Eu vou soletrar: @2PEAKSBikes. Siga @2PEAKSBikes no Instagram. Dando seguimento aqui, a gente passou rapidinho aqui pelo Ironman e tudo mais, mas eu queria ainda voltar na história do do Everest, você disse no documentário que você perdeu óculos, você perdeu 10 kg, você perdeu alguns outros equipamentos lá.
Perdi juízo também.
O que mais você perdeu assim? O que você voltou com o dedo do pé inflamado, sei lá o quê? Você tava realmente abatido? Eu vi o teu vídeo na chegada lá e tal, você tava realmente abatido? Mas o que mais que você perde, né? O que que desagrega, né? Você tem muitas coisas positivas e você já falou isso N vezes, e todo mundo que teve aqui no Endorfina que subiu Everest também falou. Mas o que que a gente perde? A gente perde alguma coisa a mais assim?
Bom, se você volta vivo, né, você perdeu, você pode recuperar de alguma forma. Tem um pensamento positivo aí.
É, mas alguma marca, sabe, na tua, enfim, alguma coisa que você fala, cara, que tava comigo morreu no ano seguinte, né?
Então assim, são coisas. Morreu no Marajó inclusive, não foi nem na Everest. Enfim, a gente hoje tem um negócio legal porque o que rege a nossa vida é o tempo. E o que você faz com o tempo é uma decisão sua, né? Eu tenho 3 filhos, então o tempo que eu fico longe deles, eu tava até estudando ontem, né, um, mandei para Roberta aqui um gráfico, né? Que 97% da nossa convivência diária, né, dos encontros com os nossos filhos, são até os 18 anos. 93 ou 95%.
Os outros 5% são no restante da vida. E eu ontem falei com Roberta, assim, caraca, eu fiquei meio chocado. Como assim, 93, 95% do tempo que eu tive com meus filhos, ou vou ter, até os 18 anos? Então o tempo é muito valioso. Quando você escolhe para um lugar que você vai ficar 2 meses, né, ou um mês, sei lá o que quer que seja, é uma decisão que você faz com tempo. Não acho que é uma perda de tempo, mas é um investimento que você perdeu tempo fazendo alguma outra coisa que poderia ser muito importante para você.
Eu não vejo nenhum prejuízo de perda quando você volta inteiro, né. Eu quase tive, eu tive um frostbite ali no dedão do pé quando eu fiquei parado na balcony lá esperando e tal. Infelizmente, o equipamento, ele é feito para você ficar em movimento. Quando você fica parado, ele gela, não tem jeito. E aí o meu dedão do pé lá ficou mal, quase cortei, mas voltou. Perdi os 10 kg, que às vezes é até bom, né? Então, só que aí eu perdi músculo, perdi tudo.
É, você perde condicionamento físico, você não chega do Everest e fala: agora posso fazer um Ironman que eu tô treinado. Não, pelo contrário, né?
Você volta acabado.
Você fica 2 meses lá sem fazer muito esforço físico.
Roberta falou que eu parecia um mendigo quando eu cheguei, assim: caraca, cara, tu tá acabado, tá parecendo 20 anos mais velho, magro e tal. Eu por acaso agora eu tô indo para o Denali e tem um amigo que acabou de fazer o cume da Everest, faz 2 dias, e ele vai me encontrar lá. Cara, ele tá bem aclimatado, né? Isso é um fato. Eu não tô.
Fisiologicamente o cara tá—
é, mas eu tô forte, ele tá fraco, então a gente vai se equilibrar. De alguma forma.
Ah, ele vai participar também?
Vai, ele vai direto. Ele é australiano, vai ficar uma semana em casa e vai pegar o avião, vai me encontrar lá no Alaska. Vai ser bom. O nome dele é Keith.
Mas assim, tipo, um exemplo aqui, talvez para tornar um pouco mais palpável essa minha pergunta. Isso eu nunca perguntei para nenhuma das pessoas que subiu Everest, que teve aqui. Tipo assim, você volta, chega aqui no no Brasil, no Rio, lá na tua casa, você começa a ter sonhos recorrentes com alguma coisa assim meio que pesadelos, tipo, puta, eu sonhei que eu— que teve 17 mortes na sua temporada, né? Eu não sei se você chegou a ver algum corpo, mas assim, então assim, são coisas que marcam, né? Nesse sentido, sabe? Assim, aí de repente você começa a sonhar.
Bom, eu sou carioca, né? Carioca, todo mundo tem medo do Rio de Janeiro, só que o carioca é acostumado com o Rio de Janeiro, então não tem medo.
Uma pena, né, cara?
É, mas cara, a gente acostuma. E aí, assim, morte, acidente, você também. O primeiro corpo que eu vi na Everest, eu falei assim: caramba, o cara morreu! Tava ali, tinha acabado de morrer, congelado, né? Assim, você encontra o cara deitado. Eu achei que o cara tava descansando, Michel. Aí eu fui olhar, o cara tava morto. Eu só percebi que ele tava morto quando eu olhei pro rosto dele sem máscara. Tomei um choque assim, né?
Fazendo: caramba, foi na subida.
Foi na subida. Aí no dia seguinte, um cara teve um ataque cardíaco e morreu também. E aí helicóptero resgatando ele. Cara, quando era assim, aí depois eu tive uma notícia lá que 3 caras, 3 Sherpas, colapsaram num negócio de gelo que colapsou e sumiram, né, morreram também. Cara, quando chega no oitavo, tu já acostumou, se acostuma. É muito, muito ruim isso, né, muito triste, mas se acostuma. Com a morte das pessoas. Então no ano que eu fiz—
Mas a minha, a minha, desculpa te interromper, mas assim, a minha coisa fica assim, por exemplo, né, eu pedalo quase 40 anos, quando alguém— eu caí da bicicleta faz uma semana, 10 dias assim, da bicicleta de passeio voltando do clube para casa, tomei um escorregão besta, por sorte minha filhinha pequena, Nina, também não tava na garupa, não me machuquei, bati o cotovelo e tal, tava de calçadinho, mas assim, cara, Faz 10 dias que eu tô andando, meu, na chuva principalmente, muito devagar, porque eu já saquei que a frente da minha bicicleta cargueira lá, ela sai fácil.
Você garoteou, né?
Garoteou. Exatamente. Não, mas é que eu passei num limo lá, meu, um negócio que, cara, uma raiva desgraçada, mas acontece. E claro, já perdi vários amigos pedalando e tal. Assim, você fica, cara, né? Eu ando de moto aí, meu, você toma um susto, você volta, você fala: não, agora vou começar a andar devagar. Eu imagino num espaço de tempo muito mais curto, muito mais intenso, você passa por um corpo, aí você coloca em si, meu, mas esse efeito poderia ser você, que você tá lá na mesma situação que o cara.
Esse efeito elástico, Michel, elástico. Você agora ficou mais cauteloso com a bicicleta, daqui um mês você voltou.
Então, mas no Everest é tudo muito curto, né? Não é que você ficou no Everest um ano e você viu lá 17 mortes. Você tá subindo, aí vem uma, aí Você ouve a notícia no rádio, ó, 3 Sherpas caíram lá no Serac, não sei da onde.
Isso não, cara, não mexe, porque tem uma autoconfiança, né? Acho que tem um lado aqui de cada um. Eu sei que eu treinei, tô pronto, eu tô pronto para isso aqui. É, não é porque um outro morreu, assim, que é muito ruim, que eu vou desviar minha rota. Posso desviar minha rota para alguma coisa que eu decidi. Eu decidi que essa rota aqui não era mais viável, ou por alguma avalanche, por alguma coisa. Ou porque alguma coisa mudou, porque um Serac caiu, ou porque eu não estou me sentindo bem com meu corpo, sei lá, é uma decisão.
Por isso que eu te falei, é igual executivo, né, são tomadas decisões o tempo inteiro. Se você olha assim, essa concorrente aqui resolveu pintar o negócio de azul, vou pintar o meu de azul também. Eu acho que cada um tem a sua interpretação das informações. A gente assim, o que eu me transformei, ou que eu voltei no efeito elástico, né, e não que Não gosto, mas logo depois você fica numa carência de família assim, de estar com os filhos, de grudar neles e não largar mais o tempo inteiro.
Aí depois você volta normal, depois você volta para subir montanha de novo, você volta para os esportes, mas você se priva de estar ao redor de pessoas que você ama. Isso para qualquer desafio, eu acho que ele é meio assim, é o lado duro do negócio, né? Você é muito solitário numa montanha como essa, apesar de eu estar lá e tava com o cinegrafista É, quando a gente tomou a decisão lá de esperar e de não continuar descendo, é uma decisão minha, né?
O certo era continuar descendo a montanha. Se alguém teve um problema lá, a regra da montanha é cada um por si. É, o certo era descer. Então a minha decisão foi: não, não vou descer e deixar alguém para trás. Pelo menos eu vou tentar saber, buscar, tentar resgatar alguma coisa.
E isso não é treinável, né?
Isso não é treinável, isso é de cada um.
Eu acho que não deve ter gente que vai fazer um trabalho com psicólogo ou tal para tipo começar a ter decisões um pouco mais racionais no sentido da—
Por isso que o Everest, por mais que seja comercial, né, ele tem aí o seu desafio, né, tem o seu, acho que a sua fase de planejar, né? Você planeja, aí você, na hora de executar, é diferente. Você tem que tomar a tua decisão, você não tem ninguém do teu lado ali para te abraçar. Enfim, se você cair numa fenda, ah, você tá na corda, mas cara, eu tenho que dar corda sozinho, eu tenho que ter a técnica para subir, eu tenho que ter o meu auto-resgate.
É um típico exemplo aqui que eu acho que uma pessoa morreria se eu tivesse tido eu tomei uma decisão diferente. E que bom que deu certo, né? Porque senão também não me perdoaria nunca mais de pelo menos não ter tentado, né, voltar, esperar, enfim, tudo que aconteceu ali acima de 8.000 metros de altitude. É muito duro de criticar qualquer tipo de decisão porque o cara tá lá no ambiente extremo, né, fraco, é menos 40 graus, 8.000 e tantos metros de altitude, tá completamente comprometido, né?
E mal ou bem, mesmo com oxigênio, você tá ali grogue, cara. A hipóxia, né, assim, você tá ali, o oxigênio não faz você ficar aqui na, no, sei lá, no nível do mar. Ele dá uma ajudinha, né? Mas se você não tiver aclimatado, hoje tá mudando, né? O Everest tá ficando logisticamente mais fácil. As pessoas estão dormindo, né? Você viu agora, todo mundo fez Everest rapidinho, 30 dias, não sei o quê. Pô, eu fiz em 52, aclimatação super lenta, old school, fui e voltei várias vezes, 4 rotações.
Agora a galera tem aquela câmara hiperbárica, já fica aqui no Rio de Janeiro, já chega lá com a sua aclimatada 6.000 já. Tudo bem, cada um na sua estratégia, mas assim, ele melhora a logística, mas cara, biologicamente lá em cima a guerra continua, né? Então assim, eu sinto que cada movimento que eu faço, né, de explorar uma nova montanha, eu evoluo como pessoa. E essa evolução como pessoa reflete também pro meu dia a dia de trabalho, reflete na minha luta diária ali de construção de projetos e comercial.
Eu sou... A galera fala assim, cara, quando eu volto da montanha eu volto querendo fazer mil coisas. Eu já sou inquieto na natureza, quando eu volto, eu volto aceleradaço aqui querendo, sabe, fazer o que eu tinha planejado em 6 meses acontecer em 1, assim. Então eu volto meio energizado assim, positivamente.
Eu fico pensando um pouco nisso, né? E agora você falando, me ocorreu isso: dá para dizer que o Everest, ele acontece num ritmo que não é o ritmo que você quer, é o ritmo que a montanha permite, é o ritmo que o seu corpo é capaz de se adaptar e tudo mais. Mas que é um ritmo lento para quem tá acostumado a fazer Ironman, fazer Xterra. É uma coisa, né, quando a gente ouve, né, a gente, eu e quem nunca foi assim, ah, você teve que ficar 5 dias esperando não sei o quê, aí você teve um problema lá, você teve que voltar e ficou esperando melhorar um resfriado, sei lá o que que você pegou, alguma coisa lá.
A Aretha que teve problema nos olhos, tem que voltar e tem que esperar, em vez de desistir 'Vamos tentar um pouco mais, fica aqui alguns dias tomando remédio, aí se cura e vai.' Quer dizer assim, resiliência, né? Resiliência. Então assim, você tem que, de novo, não é você quem decide, porque por mais que o Ironman do Havaí, o Ironman de Floripa seja difícil, tenha chuva, vento, frio, calor, o que importa, cara, no final daquela noite, daquele dia, você vai estar no hotel, no teu condomínio, dormindo, e vai ter terminado com 17 horas ou com 12 horas ou com 9 horas, né?
É diferente numa coisa dessa que você não sabe 'Quando que você vai fazer o cume?' A diferença é que ninguém tá me perguntando em quanto tempo eu fiz Everest. Exato.
O pessoal tá só me perguntando se eu voltei vivo.
O cume é importante, né?
Mas o cume é opcional, cara. Voltar vivo não é.
Exatamente. Você não é— isso aí, você pode escolher isso.
O cume é opcional, voltar vivo não é opcional. Você tem que voltar, né?
Então, mas essa, essa vontade, essa, essa vontade de ficar fazendo coisas que você sentiu quando chegou, será que não é porque assim, você fica também lá 2 meses, cara, na verdade parado, né? Assim, se movimenta, mas assim, são poucos os dias. Você deu um exemplo, né, no documentário, que muitos convidados aqui já deram assim, cara, você demorou 1 hora para andar 1,5 km, né? Eu não consigo entender como você é o primeiro triatleta Ironman que fez o Everest que eu recebi, porque o Joel não tinha feito Ironman antes de subir o Everest, né?
Eu queria, eu queria, eu não consigo entender como é que você anda 1,5 km em uma hora, às vezes mais, tá?
Às vezes 2, 3 horas, depende, cara.
Tem a ver com aquele negócio, dá um passo, aí espera um pouquinho, fala: meu, que agonia, cara. Mas é óbvio que eu sei que não é porque você não tinha condicionamento físico, nem porque você não queria, porque não dá, né?
É pesado.
Mas isso psicologicamente, para quem acostumado numa outra velocidade, salta de paraquedas, meu, é, anda de motocross, faz downhill, é uma velocidade que não te dá uma agonia.
Tá, agora, cara, a alta montanha, o desafio, ele é mental, ele não é físico, ele é muito mental.
Eu, mas você tem dificuldade mental de dar o passo?
Ou não, cara, você quer que esse negócio passe rápido, mas não dá para passar, não dá, não dá, não tem jeito.
E você tem que respeitar, se você Sim, por que que você tentou dar 5 passos rápido, por exemplo, para ver o que que acontecia?
Lógico. Na verdade, o exemplo que eu tive com o Romano, que ele mandaram, foi exatamente isso. Minha primeira volta, uma cacetada na montanha, cara, tocamos o pau para cima lá, aceleramos e deu tudo errado, cara. E eu quase morri. Meu corpo não se aclimatou, né? Minha oxigenação foi lá para baixo, fiquei com mal da montanha, desidratei, perdi apetite, deu Tudo errado, mas o físico tava inteiro. Até que chegou uma hora, montei, falei assim: olha aqui, chegou tua conta, tu subiu muito rápido agora, cara, fica aqui comigo, tu não vai descer mais não.
Assim, a gente luta nessa de não, pera aí, o corpo reage. Aí tem alguém, te ajuda, hidrata. Aí, cara, sobrevivi. O Kilimanjaro para mim foi infinitamente mais difícil que Everest. Nossa, Muito mais difícil, muito doido isso, né? Porque é um dos 7 cumes mais fáceis hoje comparado.
É uma caminhada, né? Para quem não sabe, é um trekking, não tem que pôr nada de gelo nem nada, isso, não tem que pôr crampon.
Eu, antes de casar com a Roberta, a gente foi lá e fez o Kilimanjaro juntos, né? Eu falei, vou brincar aqui, vou fazer um teste com ela para ver se ela passa nesse teste. E a gente foi, e aí, né, eu guiei lá o Kilimanjaro com ela, foi ótimo. Ótimo, ela dormiu em barraca. Para mulher é um pouco mais difícil fazer xixi dentro da barraca. Mas assim, cara, eu aprendi no Clima Diário que não é preparo físico. Inclusive eu vejo várias pessoas até com sobrepeso fazendo Everest e fazendo bem, fazendo assim, porque o cara tem um corpo que aclimata bem, né?
Esse é o primeiro fator.
Esse é o primeiro fator.
Tem gente que é uma cabeça boa O meu amigo que tem um super condicionamento físico foi para o Kilimanjaro super animado e tal, jovem, relativamente jovem. Passou um sufoco, cara, não conseguiu, ele passou muito mal.
Ele falou, cara, é isso. Tem gente, o Cleiton, que é meu brother também, o Cleiton Coservani, ele é um cara que aclimata um pouco mais lento, mas ele já sabe disso. Só que ele tem uma cabeça muito boa e entendeu que o corpo dele geneticamente precisa de mais tempo para aclimatar, e ele tá de boa. E faz tudo que tem que fazer, e com a cabeça forte. Porque, cara, a montanha faz de tudo para você não subir. A montanha, ela tá com o teu mental, quando mostra lá os perigos, quando tem alguém que morreu, quando tem alguma coisa, quando tem um avalanche vindo para cima de você, você dá uma assustada, né?
A avalanche pode estar 5 km de você, você: caramba, olha esse negócio aqui, imagina se fosse em cima de mim, né? Agora, o físico Ele para mim não é o diferencial, é muita cabeça ali, a cabeça e os atletas de Enduro.
Agora, porque você também parte de um condicionamento físico que não é um condicionamento físico de 99% da população, né? Tem essa vantagem, né?
Isso me ajudou no clima diário, né? Porque eu fiz errado, e mais aí, obviamente, eu tive um equilíbrio ali da saúde. Eu tive uma trombose, né, esse ano, né? Então esse meu lado físico também me ajudou por conta disso, né?
Igual meus É, eu não morri do coração porque eu fazia esporte, mas eu tive problema no coração porque fazia muito esporte.
É, exatamente, cara. Eu tive uma trombose e não sabia que era trombose. Aí eu fui pedalar, sem que o homem— viajei para Nova York, encontrei com um amigo meu, Edu. Eu fui para assistir a maratona de Nova York, só que 2 dias antes, cara, eu senti um negócio na panturrilha esquerda, uma contratura, cara, que eu não dei tiro, não fiz nada, não treinei. Por que que esse negócio apareceu aqui? Mas o atleta, ele convive muito bem com a dor, né?
E eu fiquei mancando com aquele negócio, não me toquei, peguei um avião com a trombose na perna, cheguei lá em Nova York, um amigo meu: pô, Bernardo, vamos pedalar, tem uma bicicleta aqui, a gente pedala 100 km.
Mas você ia correr a maratona? Mas sacou que não ia, que não ia dar?
Não, eu ia só assistir.
Ah, tá.
Eu ia só assistir a maratona da Nova York, eu não ia correr, não tava inscrito para ela, mas eu queria ir lá para ver, porque é o mesmo ecossistema aqui, eventos e uma major, né? Viajeira. E aí esse meu amigo falou assim: ah, tô com a bicicleta aqui, vamos pedalar. Vamos pedalar. Eu falei: cara, mas eu tô mancando aqui, não sei se eu vou pedalar os 100, mas vamos nessa, vamos ver. E pedalei 100 km com a trombose na perna. Beleza, assisti a maratona.
Aí domingo à noite eu voltei, peguei um voo de 9 horas e meia, cheguei no Brasil, continuei mancando, continuei mancando. Aí eu peguei o carro, vim para um evento que tinha aqui em São Paulo Vim de carro para cá. Às vezes eu não tenho muita paciência de vir de avião, demora quase igual, cara.
Exato, quase igual.
E aí vim de carro, aí quando eu tava voltando, olha como é louco, né? Porque é importante você falar com o médico. Eu senti uma dor no peito lateral direita. Aí eu tava ali, aí eu cheguei no ChatGPT, né? Certo, com uma dorzinha aqui, tal, tal, tal, o que que pode ser? Aí o ChatGPT: ah, mas me fala o que que você tá sentindo. Ah, o trabalho tá difícil. Milhões de coisas, cabeça cheia, tá, tá. Então você deve estar com alguma tensão, né?
Toma um relaxante muscular. Aí eu falei assim, ah, tá bom. Eu não tava conseguindo respirar direito, né? Mas ele falou, não, fica tranquilo, lado direito, não tem nada a ver com o coração. Ainda bem, ChatGPT, que você me falou isso. Tô falando isso aqui, o exemplo ruim, tá, gente? Porque o certo era ligar para o médico, né? Exato.
Aí não dá para negligenciar isso, pelo amor de Deus.
Aí dei mole, fui ali, aí cheguei em casa, falei com a Roberta, amor, não tô conseguindo respirar direito aqui. Deitei, dormi, acordei de manhã.
Foi agora esse ano?
Foi, foi em dezembro.
Foi em dezembro, começou em dezembro.
É, foi dezembro. E aí eu acabei acordando e aí liguei para o médico, Dr. Márcio Ananias. Cara, meu médico só passa sufoco comigo, cara. Eu só ligo para ele de lugares remotos, ou tô tendo alergia disso, ou tô tendo não sei o quê. Aí liguei para o Márcio e falei assim: Boa, Bernardo, vai para o hospital. Falei, pô, vai para emergência agora. Aí cheguei na emergência, aí viram lá um índice lá, acho que é D-dimeron, alguma coisa assim, ou dimeron D, que tava super elevado.
Aí fiquei por lá, aí descobriram que eu tava com uma TEP, que é uma tromboembolia pulmonar. Então aquela trombose que tava lá na minha panturrilha, que normalmente as pessoas tratam e ela nem sobe da perna, ela subiu.
É ruim por si só.
Que já é ruim por si só, mas aí você fica tomando um anticoagulante que passa. Aí ela subiu e aí chegou no meu coração. Ainda bem que meu coração era de atleta, como você falou, e aí deve ter expelido para o pulmão. E aí no pulmão começou a entupir as coisinhas. E, cara, é causa de morte súbita, né? A TEP, você tá conversando com a pessoa, de repente, pum, apaga e morre. E aí eu fiquei 5 dias lá no CTI. Fui internado rapidinho ali, fiz tudo que tinha que fazer, tomei lá os remedinhos, e cara, já na semana seguinte já tinha saído todo o trombo, já não tinha nada.
Então meu corpo assim passou por um susto. E aí, cara, aquele susto que você fala, e aí, o que que você fez diferente? Que eu fiz diferente foi que eu fui correr maratona de Boston logo, para ficar esperto. Eu falei, pô, Meu corpo me deu um susto.
Mas como é que a Roberta libera? Roberta acha que tá tudo bem? Ela também é doida nesse nível?
Porque, meu, deixa eu falar para o corpo aqui, filhos, cara, deixa eu falar para o corpo aqui que quem manda é a cabeça, não é o corpo. E aí, cara, eu já tava escrito para bosta.
Esse é o Menino Maluquinho que eu aprendi, né, na conversa tua com Armando, que eu não sabia.
É, meu apelido é Menino Maluquinho, cara.
Homem Maluquinho agora, né? Pai Maluquinho, porra.
É, exatamente. Aí fiz bosta, foi ótimo. Pô, fiz um tempo ok ali, né, 3 horas e 10, e tá de boa, né, sem treinar muito. Para quem treinou 5 semanas, eu tô felizão. Mas Boston você tem que classificar, né? Então já tava classificado, aí eu fui. Minha família falou: não, pô, melhor não, cara, você acabou de sair, você tá tomando anticoagulante ainda, você vai fazer isso aí e tal? Mas, cara, é um pouco disso, eu precisava me provar, né, mas me Me conectar novamente, né?
Porque quando você tem um objetivo, você treina, né? Eu não sou o cara que fico treinando por treinar, eu tenho sempre objetivo, sempre alguma coisa. Obviamente a saúde, né? A gente faz— eu hoje eu tô aqui em São Paulo, já tô meio bravo aqui que eu vim para São Paulo cedo para caramba e não fiz nada, mas de noite eu vou fazer alguma coisa. A gente precisa do esporte, né, cara? A gente tem uma necessidade aqui que se a gente não praticar esporte, a gente fica meio mal-humorado. Eu fico mais mal-humorado assim.
É, a gente se habitua Para mim, a minha interpretação, pelo menos na minha visão, é assim: é um pouco de vício misturado com hábito, misturado com necessidade, misturado com vontade. É um mix, tem horas que é mais vício, tem horas que é mais vontade, tem hora que é mais, enfim. Deixa eu aproveitar que você falou da Maratona de Boston, porque eu vi nos seus posts mais recentes, o cara teve tromboembolia pulmonar e E foi correr a Maratona de Boston.
Mas eu quero falar aqui da Z2, que você provavelmente já conhece, né? Super! Tá com nova embalagem dos géis, com bordas arredondadas e com melhor fluxo de sucção. Você já viu esse daqui? Esse daqui é para você, ó. Caraca! 300 gramas de Caroidra. Obviamente não é para você levar isso daí na tua poche.
Pô, mas já gostei aqui até da frase: Winners Never quit.
Exatamente. As frases do Vitor são muito bacanas.
Já vi que o Vitor é da comunidade e ele é um Iron Man de mão cheia, cara. Cara, isso é muito bom, cara, porque é um produto feito de quem faz parte, quem usa, né?
Exatamente. E tem o gel de 75 gramas também, que esse daqui, né, para quem tem estratégia de autoconsumo, com cafeína, sem cafeína, com sabor, sem sabor. E tem as barrinhas que são super legais, as bars. Essa daqui é de berries com limão siciliano, super gostoso. E essa daqui é de chocolate com amendoim. E tem, né, eu peguei aqui especialmente para você, para te mostrar, e você vai ganhar aqui a Kids.
Pô, que legal!
Você solucionar o lanche da Nina, principalmente, né, já que ela ainda é pequenininha. De morango com beterraba, sem nenhum ingrediente artificial e sem adição de açúcar, e laranja com cenoura. E você vai ganhar, obviamente, um kit aqui com um sample de todos esses produtos para você levar para Roberta, para Nina.
Obrigado! O Joãozinho tá começando a fazer triátil já, pô.
Então, cara, então, então, mas enfim, então muito obrigado aí a Z2.
Obrigado!
E vou colocar agora aqui um vídeo da Z2, um vídeo muito legal que depois você vai assistir no episódio no YouTube. Um vídeo muito bacana aí da Z2.
Vamos levar Z2 para o Xterra.
Olha lá, eu vou te conectar com o, vou te conectar com o Vitor, mas vamos assistir o vídeo aí. A gente volta para falar aqui do JP e a estreia dele no triátilon.
Legal.
No mundo de esporte hoje em dia sempre tem alguém na sua frente, mais cedo, mais forte, mais rápido. Mas e se isso não for um problema? A comparação não te diminui.
Ela te provoca.
Existe uma distância entre quem você é e quem você pode ser, porque nunca foi sobre eles, sempre foi sobre quem você quer alcançar, você mesmo.
Porque essa corrida nunca acaba.
Bom, antes de falar do JP, estreia dele no triátlon, Bernardo, Você volta do Everest, tem todas as histórias. O JP, né, o João Paulo tem 17 anos, né? Então assim, ele assiste o filme, ele entende, ele raciocina, ele já deve ter pesquisado na internet, você deve ter conversado muito com ele e tal. Como é que fica, cara, a tua relação com os filhos como um pai super-herói, né? Que ainda você tem essa questão com os filhos, né? Daqui a pouco essas coisas vão mudando um pouco, mas os filhos vão percebendo, né, as nossas as nossas falhas e tudo mais.
Isso faz parte também do crescimento deles. Mas como é que fica, cara, com os teus filhos menores, com o próprio João, essa história de que você tá indo? E com você, né? Você tá indo, na conversa com o Armando lá e a Karen, você falou que foi no cartório, que você deixou cartinha. Cadê a cartinha? Você não trouxe, mas cadê a cartinha de despedida?
Vou deixar mais uma agora. Né, tô indo para o Denali, vai ficar uma cartinha com cada um e só pode abrir a cartinha se o pai não voltar.
Mas cadê a cartinha que você fez no Everest? Eles abriram ou você recolheu e queimou? Ou você vai mudar a data e pôr lá Denali?
Os meus amigos falam assim: cara, por que que tu rasgou a cartinha? Deixava pronta para a próxima já, né, cara? Mas acho que são fases, né?
E cartinha, você não é o mesmo, você não é o mesmo Bernardo de 2023, nem Nem do começo do ano da tromboembolia pulmonar.
O João tem outra fase, né? A Nina, né? A Nina tem 6, o João tem 17, a Duda tem 16. Eu tento passar aqui, a gente sempre tenta que nossos filhos sejam melhores do que a gente, né? Dá mais oportunidade. O Joãozinho começou a fazer triatlon agora, mas ele já faz esporte desde pequeno, sempre foi teoricamente inundado de informações e vive nosso ecossistema de dentro de casa, né? A gente tem um esporte como pilar de vida. A Roberta faz muito esporte também, apesar de não ser a mãe do João, da Duda, da Nina.
Ela hoje convive ali como é um exemplo. A gente chama de boa drasta, né? Ela não gosta de falar que é madrasta, é boa drasta. Mas depois ela trouxe uma analogia sobre o que é a palavra madrasta, assim, foi muito legal. E o Joãozinho pega exemplos e lá em casa a gente pratica, come bem, saúde. Hoje o João fez o primeiro triáton, e ele que me pediu para fazer, tá? Não fui eu que empurrei ele. Ele já tinha feito um revezamento com a gente no Xterra, onde a Roberta nadava, eu pedalava, ele corria.
Ele gostou, aí começou a correr com os amigos, uma corridinha ali, uma corridinha aqui. Aí ele foi, falou assim: pai, queria fazer lá o triáton do Rio. E eu conheço muito o Júlio, né, o Júlio Alfaia, que organiza a Cercos, o cara muito gente boa. E eu falei, cara, vamos, porra, fiquei empolgadão, né, falei assim, caraca, vamos. Aí eu olhei e falei assim, putz, eu não vou dar Factor da Roberto para ele pedalar, né, nem vai pedalar aqui com a bike de carbono.
É a bicicleta que eu uso, cara, inclusive patrocinadora aqui, o importador é patrocinador aqui do Endorfina, é uma super bicicleta, cara. Você deu uma mountain bike para ele?
Claro, né, cara?
O cara fez o primeiro triátil no asfalto.
Exatamente. A única coisa que eu ajudei foi que era de pneu fino, mas ele fez. Eu não reparei, eu falei, pô, ele fez o primeiro triátil de mountain bike, cara, igual eu fiz também lá, meu primeiro triátil olímpico. Pô, na época, né, Marco Ripper organizava, né, Circuito Boa Vista. Nossa, faz tempo.
Eu vi minha conversa com ele aqui. Faz pouco tempo.
Boa, quero escutar, com certeza. Então o Joãozinho não podia começar com a bike de carbono, né? Pô, acho que tem fase. Aí o moleque nadou bem, mas caraca, na bike todo mundo passava ele, tadinho. E aí assim, ele sofreu, chegou morto, mas correu bem também e ficou em segundo na categoria dele.
Ele curtiu demais, ele curtiu demais.
E os amigos assim, acho que a Duda também, né, a Luta Ela já fez tudo quanto é esporte, todos os dois já fizeram natação, nadavam direitinho. A Duda agora tá lutando jiu-jitsu já uns 3 anos, já faixa azul também. Aliás, eu voltei a lutar jiu-jitsu para poder conviver com ela ali, para voltar com ela, foi bom demais. O problema que eu dei uma machucada, né, acabei aparecendo aqui uma hérnia de disco aqui na L5. E aí assim, é transformador o esporte para os moleques.
A Nina, menorzinha de 6 anos, ela faz natação, mas ainda é uma brincadeira, né? Ela não pescou ainda esse lado competitivo, mas sempre que eu posso, eu tô estimulando esses moleques.
Mas para Duda e João Paulo, vocês tiveram uma conversa um pouco mais assim, tipo, eles falaram: pai, não vai, o risco muito grande. Ou algum amigo falou, foi procurar no Google, perguntou para o ChatGPT.
Mas os amigos deles são todos meus fãs. Os professores da escola querem que eu vá dar palestra na escola o tempo inteiro.
Todo mundo dá palestra para caramba, né, cara? Não sei se você coloca postadas no Instagram, mas no Instagram tem um monte, cara.
Tem, tem, cara, porque eu sou um executivo de venda, e aí eu pego um pouco da minha história fora do dia a dia de trabalho, e cara, acho que é uma receitinha ali que tem dado certo. E assim, você constrói uma credibilidade, né? A credibilidade, reputação, credibilidade não vem só de você falar uma verdade, né? Vem quando você também domina um assunto e você mostra o que você fez. Então, quando você é um cara verdadeiro, né, você transparece ali total conhecimento que você tá falando, e ainda tem assim, e olha tudo que eu fiz, aí você constrói uma credibilidade.
Acho que o meu lado, eu dou palestra, não é porque eu sou famoso ou sou uma pessoa que tá na mídia o tempo inteiro, mas, mas flui. Mas voltando para o que as crianças pensam, elas estão super de boa. Eu acho que não sei como, mas eu consigo passar uma segurança para eles. Então Roberta, no dia que eu fiz já o cume da Everest, ela foi dormir. Meus amigos todos em claro lá me seguindo, né, no GPS lá. Você vai rastreando, né, no Garmin lá.
Pô, galera lá, e a Roberta: não, é o seguinte, acordei, já tinha feito o cume. Eu falei assim: caraca, tava lá no sufoco danado. E ela dormiu.
Acho que ela quis dormir para não passar esse sufoco, vai.
Cara, ela fala o seguinte: se você pensar positivamente, esse pensamento positivo ele irradia.
É, eu lembro que ela falou algo nesse sentido quando a gente gravou.
Então eu acredito que isso faz parte. Nós tem que pensar que vai dar tudo certo. "Vai dar tudo certo mesmo." Se você pensa que vai dar tudo certo, isso ecoa e os meus filhos estão acostumados, né? Já me conhecem, né? Nos momentos teoricamente mais desafiadores. Eu acho que eu não perco contato também, então eu tô passando um pouco dessa segurança aqui pra eles. Hoje tecnologia ajuda, ou seja, com o nosso InReach, né? Que é um tipo um pager, mas que ele faz você conseguir trocar o SMS.
Hoje já tem até o Starlink, que ajuda para caramba, mas, cara, carregar o Starlink é difícil. Então, para quem é da montanha aqui, acho que tem gente que leva o Starlink até o base camp, não é a verdade da vida, mas ele é muito pesado. Que, ah, cara, ele é pesado, tem que ter bateria, né, dura pouco. E quando você num Denali da vida, pô, vou levar um Starlink ou vou ficar mais leve? É um trade-off aí, né? E, mas você não fica 100% sem conexão.
Você pode ficar 2 dias, 3 dias, mas rapidinho você traz ali algum sinal de vida. É, eu com isso eu consigo passar um pouco de segurança para eles. Então não tem ninguém do tipo, ninguém nunca me pediu para não ir, nunca.
Tua mãe?
Não, ninguém. Na verdade, todo mundo curte. Não sei se eu falo com a gringa, né, com a Roberta, cara, estão querendo ficar livre de mim, não é possível. Quando eu falo que quero ir para um Erebus, que ninguém nunca foi, que é um vulcão de lava, cara, a galera me dá força.
Agora, os perrengues que você passou aí, podemos dizer, em qualquer montanha, talvez exceto Kilimanjaro, você não correu o risco de morrer no Kilimanjaro, né? Você só passou perrengue, né? Mas assim, vamos dizer do Everest ou no Manaslu, sei lá, no Denali, que você passou situações mais extremas que que de repente você podia ter escorregado, sustos. Você fica numa boa com a sensação, com a, com a, com o fato, fato de você eventualmente morrer?
Fico, na verdade, de deixar os teus filhos, né? Assim, você fala, cara, mas isso não é um prejuízo, cara.
Na verdade é o seguinte, tem um, sei se a palavra correta é essa, mas um pensamento aqui que fica dentro de mim que O medo de viver está diretamente proporcional ao medo de morrer. Exato. Uma pessoa que vive intensamente tá preparada para morrer a qualquer momento. Eu tenho meu fulfillment de vida aqui construído já. Então quando você tá ali, né, eu não sou egoísta, tá, Michel, eu planejo. Então nessas cartinhas que deixo para os filhos, eu dou caminhos, né.
As pessoas falam assim: pô, depois que eu tive filho, agora tenho medo de fazer não sei o quê. 'É, agora que eu tenho filho não vou fazer isso.' Agora meus filhos já estão grandes, meus filhos já têm as mães para criar, né? A gente tenta fazer aqui um mínimo de orientação. Não vai faltar mais nada para eles, vai faltar estudo, não vai faltar alimentação. Agora que eu tomo mais risco mesmo. Então assim, de uma certa forma, eu não sou suicida, eu quero voltar.
Eu planejo muito, planejo até o cortador de unha, porque se a minha unha inflamar, eu eu não consigo botar bota, eu morro lá por isso. Então assim, eu sou um cara que planejo no mínimo detalhe para voltar vivo e para, né, poder curtir. Mas eu tenho já um combinado com a minha esposa. Ela, quando casou comigo, eu falei assim: olha, queria só te trazer aqui um drive de que provavelmente eu não vá morrer de doença ou alguma coisa ligada à saúde.
E bem provável que você vai viver mais do que eu. Você tá de boa com isso? Como assim, né? Você é sempre um choque. É porque eu sempre fiz coisas que tem um certo risco de vida. Já perdi vários amigos com esportes diferentes. Já perdi amigo na montanha, já perdi amigo saltando de paraquedas, já perdi amigo de bicicleta. Todos os esportes que eu faço, de uma forma, cara, ele acaba tendo uma chance de ter um acidente E aconteceu, por mais que você planeje muito, eu tô em esporte que, né, tem acidentes que não são comuns, né, vamos dizer assim.
Eu tinha um grupinho de 7 amigos, desses 7 amigos, 4 morreram já. A gente começou com um nomezinho lá, a galera chamava de Xtreme, nem tinha na época nada ligado a X, né, depois virou, acho que eu não sei se eu posso falar nomes aqui, mas a galera criou lá aquelas empresas com X, IMX, não sei o quê, X, pode, Pode falar. Pô, o Ike Batista, né? Você tá copiando o Ike? Não, o Ike que tá copiando a gente. Nossa galerinha aqui, ó, é extreme há 10 anos antes dessas empresas bombarem, cara.
Já morreu um, que era o Fernando Brito. Ele saltava de paraquedas e morreu na Pedra da Gávea. Ele tava fazendo um salto de base jump, morreu. Já morreu o Duda. O Duda, o apelido dele era Duda Cambojano. Ele era da Marinha, ele era piloto de helicóptero, fazia aeromania comigo. Helicóptero dele caiu em Santa Catarina e morreu nadando. Mundo. E morreu Rodriguinho, que é amigão meu, morreu com 24 anos, fazia Iron Man comigo também, fez meus primeiros Iron Man todos, e morreu nadando, teve um mau súbito na praia de Ipanema.
Então enfim, os brothers ali, a galera que era muito, sabe, que é o grupinho que cresceu anos e anos, já foram embora alguns. E cara, é a vida, a vida não avisa quando é que ela acaba, né? Então eu vivo intensamente, né? Eu não tenho medo de viver. Eu tô aqui me dedicando a viver o melhor possível, com responsabilidade, né, com planejamento, mas quase que sem medo de ser feliz.
Você tem medo do quê?
Ah, porra, pergunta pesada, né, cara. Eu sempre falei que eu fui um cara meio sem medo assim, mas isso não é verdade. Quase tudo que eu faço eu tenho medo, quase tudo. Medo, ele existe. Para mim, ele é, né? É um double check. Quem não tem medo é uma pessoa meio suicida. Fala que eu não tenho medo de subir montanha? Claro que eu tenho, mas eu enfrento bem o medo. O medo, ele serve como um trigger aqui para eu, cara, planejar, né?
Se você vai fazer uma coisa que você não tem medo, também ela não te desafia, né? Eu confesso que recentemente tive um medo aqui que eu não controlo, né, que é a saúde. Óbvio que você controla um pouco também, né? Mas quando eu tive essa embolia, eu falei assim: caraca, por que que eu, super atleta, pô, saudável, faço tudo, foi ter uma embolia pulmonar, né? E meu amigo brinca comigo em sacanagem, né? Você teve uma embolia no base camp, irmão?
Tivesse uma embolia pulmonar lá em cima na Everest, porque é diferente, né? Eu tive uma tromboembolia, que veio de uma trombose. Embolia que tem na altitude é por troca de gases, né? E eu falei assim, caraca, saúde pode acabar com tudo. E do nada, né, as pessoas que têm tendência a câncer ou qualquer coisa do tipo assim, não sei, fiquei com medinho de leve, mas passou também, tá? Fiquei com medo do tipo assim, pô, será que alguma coisa de saúde aqui vai atrapalhar minha jornada, né? Porque, e aí enfim, aí você faz umas baterias de exame.
Isso você faz?
Eu faço, cara.
E pô, meus brother, principalmente em coração, vou.
Então eu tenho aqui 20% obstrução tanto aqui nas coronárias, né, que carótidas, carótidas e nas coronárias. Aí, né, o meu médico falou assim: pô, tá tranquilaço, precisa mudar nada na tua vida, acelera fundo.
Você descobriu isso agora?
Descobri isso agora, depois que eu fiz a tromboembolia.
Aí você tá monitorando? É, por enquanto você não toma nem estatina.
Cara, não tomo mais, não. Vou começar, tô começando a tomar porque eu tive a trombose. Então, o fato de ter tido trombose, mesmo que tenha só os 20% aqui, mas o Fabrício, que é o meu médico, né, ele tá de boaça, pô. O Marcio Ananias também, pô, para vocês é nada. Aí eu chego, vou passar o final de semana na casa do Ribeiro, 90% entupido, 80, e o cara fazendo, pô, tô com 20 só. Até chegar lá tem muita coisa, mano.
Eu tava 85, cara.
85, caraca! Então, cara, você pega a tua história, né, cara saudável, ganha prova, pô, com certeza sua alimentação é boa. Então tem um lado genético, não tem jeito, você não controla.
E o esporte, ele não é um salvo conduto, tipo, ah, agora eu posso comer o que eu quiser. Não, o esporte, eu posso fazer Ironman, eu sou ferradão. Não, o esporte não é a garantia. O esporte de Endurance ou de alta performance, ele não é a garantia de que você é um cara super-homem, que você é um Iron Man. Não é, meu. É só ver o nosso Ultraman aí, né? Exato. Consertando tudo agora. Leandro Macedo também trocou quadril, Oscar Galíndez, o Armando Barcelos é porque diminuiu muito, né?
Mas Armando agora tem 20 kg a mais, pô.
Exato. Mas então assim, mas é, cara, Não é um salvo conduto, cara.
Eu, eu, o pai da minha esposa, o Juca, Juca Moricia, ele para mim é um exemplo de vida. Ele tem 92, vai fazer 93 agora, tá melhor que nós dois aqui.
Olha isso, cara, é que tem gente que é privilegiado nesse sentido, né?
Mas ele sempre foi uma pessoa de equilíbrio, porque então olhando para nós dois, a gente foi em algum momento da vida extremo, né? A gente foi extremo no esporte, o extremo em alguma coisa. Tudo que você estica demais a corda, uma hora chega o preço. E ele não, sempre foi do balance. Lá, mas o Juca tem 6 filhos, sempre foi de pegar o solzinho dele, se alimenta muito bem, uma dieta grace, cara. Legal, ele é um case. E tipo, com 92 anos, dirige.
Ele é assim, é uma pessoa que se autocuida, tipo, não tem, cara, é impressionante, cara, você estudado aí. Então a minha esposa, que tem a genética dele, com certeza vai para os 90 também, tranquilo.
Você falou do cortador de unha, que você é um cara que se prepara. O que que não pode faltar na sua mochila a hora que você sai, né, fecha a porta de casa?
Coragem, coragem, porque o começo é muito maneiro, Todo começo é empolgante, né? Aí quando você chega no meio do caminho, seja qualquer coisa que você tá fazendo, é que fica difícil mesmo. E se você não tiver coragem para enfrentar ali tudo que vem, né, todos os movimentos, você não passa pelo meio. Porque quando você já tá chegando, você tá vendo o cume ali, também já tá fácil, você tá vendo alguma coisa, te anima. Acho que essa coragem, não é coragem, não é irresponsabilidade, tá?
A coragem é para enfrentar e também para tomar boas decisões. Porque o medo faz você— eu não sou uma pessoa— a minha esposa, ela não toma tanto risco quanto eu, ela é um pouco mais conservadora. Não quer dizer que a gente seja um melhor ou pior que o outro, só diferente.
Exato, são estilos diferentes.
Então é importante, por exemplo, eu vou escalar agora o Denali com um cara que é muito mais conservador do que eu, muito mais conservador. Ele é mais cauteloso, eu já sou mais vamos no flow e vamos, a gente vai conseguir. Eu preciso ter pessoas assim do meu lado. Se eu tiver dois Bernardos aqui, a gente não tem equilíbrio. Ao mesmo tempo, quando ele tá cansado, fazendo—
Mas você busca isso voluntariamente ou isso é uma coisa que você percebeu e tá casando?
Ah, cara, eu tô casando meio que sem querer. Meus grandes amigos, a gente se soma, né? Cada um tem o seu perfil e a gente tem um olhar do tipo um ajuda o outro em alguma coisa, e um literalmente é fã do outro pelo que o outro tem diferente também. Acho que isso faz parte do ecossistema aqui de amigos que tá ao seu redor. Cara, eu sou fã de todos os meus amigos. Se você vier alguém do meu lado, eu sou fã desse cara. Acho que isso é importante.
Aí cada um tem um porquê de eu ser fã, né? Seja o meu advogado João Paulo, que, putz, tem o perfil dele, seja O Davi, seja o Joe, cada um tem um.
É, diga-me com quem andas que te direi quem és.
Exatamente. Então, tenho, cara, tem uns amigos aqui bem legais que somam aqui no meu dia a dia. E é importante, né? Acho que eu tenho um amigo que é o maior cagão do mundo, que é o Rodolfo Mateus. Amo ele, tá? Ele vai escutar isso aqui em algum momento. Mas quando ele cola comigo, a gente faz as coisas mais legais do mundo. Mas se a gente não tivesse junto, a gente não faria. E aí, cara, parece que quando ele tá comigo ele dá uma animada, que ele fala assim: caraca, se você for, vou.
Então, sabe assim, ele precisa de pessoas como você, da mesma maneira que você precisa de pessoas que te segurem um pouco, né?
A gente tava inscrito para fazer o Cape Epic esse ano em dupla.
É, eu ia falar isso, cara.
Então, cara, ele tava na fase—
aliás, é um benchmark fantástico para você, cara, sem dúvida nenhuma.
Esse ano não deu, mas ano que vem eu tô lá firme e forte com o de novo. E aí eu dei essa questão para ele, presente, irmão, te inscrevi aqui no Cape Epic. Ele tava na fase que ele tava mudando lá uma transição de carreira de trabalho e tal, então tava mais pensativo. E aí, enfim, você fica ali naquele momento meio recluso, né? E eu falei assim, ó, tem um presente para você. Não sei se é presente ou castigo.
Aí, presente, só você se preparar um pouco, né, cara?
Aí te inscrevi aqui para o Cape Epic. Ele anda bem de downhill, é um cara que pedala bem para caraca, o cara que tem técnica. Então pronto, já fez o Rally Dakar de moto, pô, legal, toca bem. Rodolfo é fora de série. Mas, cara, tem um lado de performance, né, de longos dias, né? Para quem não sabe, um Cape Epic é uma prova de mountain bike de 7 dias, às vezes são 7, às vezes são 8, enfim, que você pedala ali com a atmosfera.
Tem sido 7, um prólogo e 6 etapas, né?
Isso, por aí. E aí esse meu amigo tava lá, Rodolfo, te dei esse presente aqui. Ele falou assim, caraca, mas pera aí, como assim? Negócio é difícil para caramba. "Na semana seguinte o cara já comprou uma bike. Aí na outra semana ele já tinha comprado uma outra, porque não, porque eu preciso de uma de estrada, mas eu preciso de uma mountain bike, pá." Cara, a esposa dele, a Camila, Mateus, assim: "Bernardo, você fez um favor aqui para o Rodolfo, que o Rodolfo tá treinando que nem louco, pedala para tudo quanto é lado, emagreceu 10 kg, aconteceu tudo." Resumo: a gente não foi esse ano porque eu tive um contratempo lá, mas a gente continua postergando inscrição para o ano que vem.
"Come on!" E a gente vai. Então assim, os amigos se ajudam, isso é importante. Então é um amigo ali que eu amo e eu achei que ele precisava desse presente. Espero que ele não ache que seja um castigo, mas é o presente. E isso muda a rotina de pessoas. É importante essa leitura, né?
Eu acho que à medida que a gente vai ficando mais velho, a gente vai ficando mais sábio e seletivo. E eu acho que isso que você falou, cara, é— e eu também acho que já ouvi isso aqui de outras pessoas, eu já li isso aqui enfim, em algum lugar. Mas assim, a gente vai se dando a esse luxo, que é um privilégio, de escolher as pessoas com as quais a gente quer andar. Você vai ficando mais impaciente ou menos tolerante com pessoas que não te agregam, né?
E você fala, pô, as pessoas que eu posso escolher estar perto— e se a gente puder escolher estar perto de todas as áreas da nossa vida, mas cara, a gente vai fazer essas escolhas mais racionais de pessoas que tragam alguma coisa positiva para gente, né, cara? Então isso é legal, porque se a gente consegue viver assim, cara, você vive na sua bolha lá de pessoas bacanas como essas aí todas que você elogiou, né?
É, eu acho que tem um ponto também que você, quando tá mais velho, você tem mais lastro, né? E ao ter lastro, é, que vem conhecimento, vem com a tua autoconfiança, vem com o que tá ao teu redor, e você fica seletivo mesmo, né? Eu eu não tô com ninguém por obrigação, eu tô porque eu quero estar. Mas talvez quando você é moleque e você tem alguma coisa que você precisa fazer, né, pô, vou ter que treinar com, sabe, treinar essa pessoa para prova, um trabalho meu, sou professor, cara, o cara é chato para caraca, mas vou ter que treinar ele, sabe assim, ou vou ter que trabalhar com esse cara aqui, pô, sabe assim, acho que você adquire isso com o tempo, maturidade traz isso também.
Exatamente, a gente vai ficando um pouco mais entupido, mas ao mesmo tempo a gente vai ficando mais sábio em algumas outras coisas, né, cara.
Pô, tu botou 3 stents, cara?
3, cara. Um para nadar, um para pedalar, um para correr.
Ainda tem isso?
85%, no exame de rotina, cara.
Mas agora pelo menos tu tá turbinado, né? Tu tá melhor.
Hoje eu já não sinto mais a diferença, mas logo em seguida, quando eu voltei a treinar, né, demorou um pouco para voltar, cara, comecei a não me sentir mais cansado como eu vinha me sentindo. E achava que tinha a ver com a idade, achava que tinha a ver com a minha filha pequenininha, que sabe, essa fase que os filhos são muito pequenos, né? A menina era muito pequenininha. É, você dorme mal, né? Então, cara, de repente, meu, eu saía para pedalar.
Tudo bem que eu não treino mais volume nem nada, só treino, não faço, vai, eu sou um esportista, não sou mais um atleta. Mas, cara, a sensação era como se eu tivesse tipo desentupido alguma coisa, cara, era literalmente a sensação. Dá para dizer Fazer uma pergunta difícil aqui, capciosa, cara. O Bernardo, ele tá, o Bernardo Fonseca, ele já é maior que a X3M, meu?
Com certeza, mas é n vezes, né?
N vezes, n vezes.
Na verdade, eu tenho capacidade de montar outra na hora que eu quiser, assim. Acho que eu amo X3M, eu sou aquela pessoa que ama segunda-feira, eu gosto, eu saio de um mercado financeiro, né? Trabalhava na mesa de operações de um banco suíço chamado e tô aqui, né, num negócio que eu escolhi estar. E assim, a minha inquietude é porque em algum momento a gente tem altos e baixos, né? E a inquietude, ela tem que ser assim equalizada ou irradiada na empresa inteira.
Então as pessoas que estão nas 3M têm que trazer essa inquietude dos seus projetos. E tem fase também, né? Hoje Sim, acho que o Xterra nasceu comigo ali, eu era um porta-voz dele.
Aliás, a tua história com Xterra, né, que você já contou 6 anos, né, faz 6 anos você esteve aqui, cara. Olha isso, faz 6 anos, Bernardo.
Tô vivo ainda, tá vendo?
Que bom, que bom. Vale a pena as pessoas escutarem porque é folclórica, quase folclórica.
Quando veio a Nissan, não tinha CNPJ.
Exato.
Então, cara, acho que todo mundo tem vários Everest na vida, É, esse foi um Everest que eu fiz, cara, de alguma forma.
Divisor de águas total na tua vida, né?
Que foi um divisor de águas. Depois já passei por outros divisores, né? Virar uma empresa, né, de um grupo de capital aberto, virar S.A., foi um outro divisor.
Você agora recomprou, né? Você acabou de me contar antes de gravar, mas agora a X3M voltou a ser sua, não, você não tem mais parte com a SBF.
É assim, acho que a minha escola na SBF foi muito boa, me sinto um executivo muito mais musculoso, participei de um M&A, E depois tive um movimento aqui de recomprar nossa parte, tem agora uma velocidade diferente, né? Quando você anda com uma empresa de capital aberto, né, muito grande, tudo é assim um board com muita gente decidindo. Agora eu decido se eu vou para direita, para esquerda, mais rápido.
Você não tem sócios na X3M?
Não, não tenho. Eu tenho assim um grupo de pessoas que fazem com você há um tempão. Tem, tem algumas pessoas assim, cara. Acho que as 3M estão na fase de amadurecimento agora. Na verdade, esse amadurecimento—
21 anos, né, cara? Já tá maior de idade na última maioridade que existe, né? 21 anos.
Pois é. E quando você fica grande, cara, os movimentos são grandes, né, cara? É impressionante. E eu não sei se eu tô com saudade de ser pequeno ou se é bom ser grande, né? Aquela questão de lastro também, né? De você só faz o que você quer. Chove de gente pedindo para fazer projetos, chove de time de futebol para fazer a corrida do time de futebol. Isso é o tempo inteiro, cara. Todo mundo tem uma ideia sensacional, mas precisa de um patrocinador, né? É sempre assim.
Exato.
Aí, não, mas você consegue e tal. Então assim, acho que tudo tem seu momento.
Ideia todo mundo tem, né? Agora realizar, não é todo mundo que realiza, né?
Exatamente. Agora tenho assim cruzado com vários fundos de investimento, com pessoas que estão O pensamento, cara, ninguém tem pensamento de curto prazo. É muito legal isso, porque eu também mudei meu olhar aqui, né? Eu não tô mais tirando foto, eu tô construindo filmes. Isso demanda tempo, demanda governança. E teve uma escolha que eu fiz na vida, né? Eu poderia estar morando aqui em São Paulo, certamente, né, sim, com algum recurso financeiro algumas vezes maior do que a gente tem hoje, mas foi uma escolha de ficar no Rio equilibrar com as minhas viagens, meus parceiros de outras empresas. Cara, como é que você faz, Bernardo?
Que você toca a empresa, mas você viaja, meu, você viaja, hein, cara, 3 meses por ano. É um passaporte por cada 2 anos.
É, cara, mas eu escolhi isso, é uma escolha, e tem um lado de autoconfiança.
Mas você conseguiu, né? Porque de novo, você tá numa empresa, você é dono da empresa, você tava, você tinha sido comprado pela SBF nos últimos 3 anos. Quer dizer, você consegue gerir o seu tempo?
Sempre vou dando um jeitinho, né? Pensa assim, acho que tem um lado da autoconfiança. Tem gente que confunde autoconfiança com arrogância. Não é arrogância, é tipo assim, eu acho que eu tenho possibilidade de, ao enfrentar um novo desafio, tomar boas decisões para passar por ele. Não quer dizer que eu tô sempre crescendo não, tá? E nem quer dizer que eu tô sempre acertando. Tem um monte de problemas, um monte de falhas. Eu tenho um monte de gente que ama o Bernardo e tem um monte de gente que não gosta do Bernardo também, né?
Uma pessoa— eu não queria falar que eu sou polêmico, mas eu sou uma pessoa de voz forte ali, de uma opinião às vezes dura. E quando eu vou para o meu dia a dia de trabalho, você, cara, você é um atleta como eu, ou foi atleta, ou fomos atletas a gente vivenciou aqui muitos momentos duros para chegar numa conquista. Acho que eu acabo ficando mais duro com as pessoas por isso, porque no fundo qualquer coisa, seja no trabalho, seja no esporte, quando você quer alguma coisa, você traça alguma coisa, você tem que se privar de outras, né?
Você planeja, você se dedica, você corre atrás. E aí alguns momentos quando eu não vejo isso no trabalho, eu falo assim: caramba, por que que você não fez isso? Foi preguiça? Não é possível, né? E eu digo, cara, você escolheu dormir de, sei lá, de 10 da noite às 6 da manhã porque foi uma escolha tua. Eu já cansei de virar a noite fazendo alguma coisa para um objetivo meu. Quando eu tava treinando para Antártica lá, quando foi fazer os 100 km, eu ia correr 3:30 da manhã, ia correr 3:30 da manhã. 9 horas eu tava no escritório já, de boa.
As pessoas nem sabiam, mas eu já tinha corrido lá meus 40 km. E tudo bem, uma escolha minha. Me privei, saí de festas ou qualquer coisa social que tinha, mas eu fui em função de um objetivo e alcancei meu objetivo. Parece que a geração, ela vai se transformando. Hoje a geração é mais tecnológica, hoje a geração tem informação mais fácil. Então, não diminuindo ou aumentando alguém, é só que as coisas mudam. E na minha época eu me dedicava mais.
Hoje, se a água do escritório não tiver gelada, gera um mutinho lá. Porra, quando eu trabalhava no Flamengo lá, eu fiquei 6 meses sem salário e fiquei lá trabalhando suado. Antes tu viesse. E fiquei feliz. E foi uma construção. Salário atrasado 6 meses, Clube de Regatas do Flamengo. E, cara, faz parte, né, construção da vida. Então, na X3M, eu preciso equalizar a forma, porque às vezes você conversa com alguém "Não deu tempo de fazer o negócio." Porra, irmão!
Não deu tempo de fazer? Não deu tempo não, você não priorizou isso, você priorizou outra coisa. Não deu tempo é...
Por coincidência, eu tive dois convidados aqui recentes, o Roy Siqueira, que é um treinador de corrida e tal, Cara super espiritualizado, meu, um cara bacana. É, recomendo aí quem não ouviu o episódio com o Roy ouvir. E eu tive agora a segunda vez também da Aline Wolff, que é psicóloga do esporte, psicóloga da Rebeca e tal. Eles dois falaram uma coisa e eu quero comentar aqui contigo para ver a sua opinião. A gente tem filhos, né, vai mais ou menos aí da mesma idade, a gente trabalha com pessoas mais novas, mas isso que você falou da água gelada gera Ramotim.
Segundo a Line, mais ainda vai, talvez com um pouco mais de gabarito do que o Roy, né, porque ela é psicóloga, mas também é mãe. O Roy e ela falaram uma coisa que me chamou atenção, e eu tô agora muito atento a isso. Talvez esse vai ser, pelo menos para os próximos anos, ou já está sendo, o novo normal dessa geração mais nova. Eles não querem mais, não quer tomar água morna, ou não quer passar sede, ou não quer trabalhar no escritório que não tem a janela como esse estúdio.
O cara não quer, ele não vai se sujeitar. E tem um lado bom, e tem um lado que nós da geração mais velha, de outra geração, a gente estranha, porque a gente estava se sujeitando algumas coisas, mas que isso também nos foi, vai, de uma maneira herdado pela geração dos nossos pais mais que foi herdado da geração dos avós. Então assim, talvez a gente tenha que se acostumar, e no teu caso que você deve trabalhar com muita gente mais nova no teu segmento, que assim, cara, não é que você é melhor, mas mudou.
E talvez a gente tenha que se adaptar a essa nova realidade de que, cara, os jovens não estão mais dispostos a trabalhar 6 meses sem ganhar.
Não, mas cara, acho que tem um lado aqui que é: o mundo não necessariamente é o que a gente gostaria que ele fosse. Mas é o mundo que tem.
Exato.
E a gente precisa ganhar com esse mundo que tem. Se hoje o mundo é tecnológico, pode ser que daqui a 5 anos não seja mais. E a gente precisa ter a flexibilidade de ler comportamento e mudar. Acho que isso faz parte do bom gestor, né?
Ia falar isso agora.
Acho que faz parte do bom gestor. É tipo aquele bambu, ele tem que envergar, mas não quer, mas ele tem que ter uma flexibilidade.
Inclusive em aceitar os nossos filhos, porque eles são dessa geração.
Eu não sei como, mas até hoje a X3M tem home office. Eu sou um cara quadrado, cara. Eu sou aquele cara que gosta de estar lá no escritório trocando.
Eventualmente você vai ter que ceder em algum momento.
Não, mas eu já cedi. Tem home office.
Ah, tem home office?
Tem.
Ah, mas você não é a favor?
Não, não sou não.
É, mas é isso, cara. É isso, a gente tem que se adaptar.
É, não sou, mas tem. E é a vida. E, cara, eu fico nessa luta aqui Ah, porque eu acho que lá a gente produz mais. Mas cara, eu tenho várias pessoas que trabalham para a 3M e moram em São Paulo, inclusive, e foram no escritório 2, 3 vezes na vida.
E se você forçar o não home office, o trabalho presencial, essas pessoas vão espirrar.
Não, aí tem gente que nem vai para entrevista. Exatamente, nem vai para entrevista, cara. Mas assim, acho que tem também a leitura. Eu tenho um amigo aqui que, né, que trabalha com petróleo e tal. Ele falou assim, cara, mas você também precisa encontrar pessoas da tua Você, se o cara, tudo bem, mas você vai encontrar alguém que queira.
E aí eu tô num equilíbrio aqui, acho que, eu acho que o caminho do meio é sempre melhor.
Eu tô no equilíbrio.
Você tem que ter os talentos, a força de vontade, a visão da nova geração, até porque você quer perpetuar o teu negócio. É, senão você só vai receber quarentões no Xterra porque você tá se comunicando de uma maneira que, cara, você precisa ter a geração mais nova para se comunicar, porque também para a gente se comunicar Eu não sei se você sente isso com o João, com a Duda, com a Nina, mas, cara, a gente tá ficando velho. A verdade é essa, cara.
Assim, a minha filha, a Nina, que a minha tem 9, vai fazer 10, cara, ela pega umas coisas assim do, do, principalmente do digital, mas sacadas, né? Não, não que eu não tenha, porque ela ainda também é muito nova, mas assim, ela pega numa velocidade que eu menosprezo a inteligência dela, cara, perspicácia dela, cara.
Impressionante, né? Acho que a luta da gente é tentar manter as nossas raízes né, os valores. Exatamente, os valores. E onde que você tá, vai para escola, né, eles têm ali o tempo inteiro influências dos amigos. E nem todo mundo tem em casa, né, pessoas que tragam bons exemplos, ou seja de alimentação, hábitos, esporte, sei lá, tem um caminho ali. Mas quando você tem um pilar ali muito enraizado, não importa, pode vir qualquer tipo de interferência, que seus filhos estão bem alinhados.
Agora, quando você olha ali para o mundo, você teve vários entrevistados aqui que são executivos, faixa preta, né? Os caras são, né, assim, muito bem-sucedidos. E eu me sinto ainda engatinhando nesse mercado, apesar de X3M já ter tido aqui teu, teu, tuas fases, teus crescimentos. Eu tô sempre me autocriticando, estudando, tava tentando entender aqui como é que eu equalizo com essa nova geração, mas mas não é um ou outro, é e, né?
Então é um somatório das duas coisas, né? Acho que a gente precisa saber que a gente tem uma cultura, a cultura das 3M é uma. Eu tenho um DNA bem claro ali de trazer projetos que tragam experiências um pouco meio disruptivas, fora da caixa. Quando a gente fez o projeto da Nike aqui em São Paulo, você lembra da corrida?
Lembro.
Que tinham 4 percursos.
A ideia foi legal para caramba, viu, cara?
Até a própria Nike Ele assim, não, isso não vai dar certo, vocês nunca vão conseguir uma autorização aqui.
Não continuou, era um projeto pontual da Nike, eu não me recordo.
Não continuou, foi só um ano, foi um puta sucesso. A gente teve que conversar com a prefeitura, mas aí vem aquele negócio do atleta, né, insistência, resiliência. Eu do Rio de Janeiro liguei para os organizadores aqui de São Paulo, gente, eu queria falar com o prefeito porque a gente queria propor aqui um formato diferente. E São Paulo é muito organizado, que bom. Mas ela tem caixinhas já pré-marcadas para as provas acontecerem.
Exato.
Só acontece aqui, aqui é o quê? Aí chega um carioca e fala assim: não, a gente quer fazer um negócio diferente, que ninguém fez. Aí a gente fez primeiro um projeto aqui chamado Revesa, que era no Ibirapuera. A gente fez vários percursos diferentes no Ibirapuera. Ele falou assim: nossa, como é que vocês enxergaram isso que ninguém aqui conseguiu enxergar? E aí quando a Nike veio, né, quando a gente trouxe para Nike, né, a gente construiu a proposta, aposta, conceito do projeto.
Legal, né? A narrativa veio da X3M e a gente tava no grupo, né? A gente colocou na mesa, a Nike ia patrocinar um evento e ao invés de patrocinar esse evento acabou fazendo o seu próprio projeto. E a gente sugeriu um formato, ninguém acreditou, ninguém no grupo, ninguém na marca. Não, não, não vai dar, não vai dar, não vai dar. E no final foi um golaço, a prova foi um case aqui em São Paulo, a gente fechou Radial Leste, nunca tinha fechado, eu acho, alguma coisa assim.
Eu não sou bom de ruas aqui, mas eram 4 percursos diferentes, chegava no Pacaembu, foi legal para caramba.
4 distâncias diferentes, com 4 distâncias diferentes. Que tão legal esse conceito, cara.
Pois é, então, mas isso vem do perfil inquieto, né, que transcende para empresa. Essa inquietude tá nas pessoas e vira os trabalhos que a gente faz. Então nada tá desconectado, cara.
Essa é a parte que você mais gosta? É, é parte de viajar nas ideias e tentar arrumar clientes.
Ou se me perguntasse assim, quais são minhas fortalezas, eu acho que a minha fortaleza aqui é muito ligada a produto, a construção de produto e comercial, né? Eu acho que eu consigo te vender uma máquina de escrever nos dias de hoje.
Eu quero ouvir essa proposta a hora que a gente desligar os microfones. IPhones aqui.
É investimento, cara, né? Se é raro, se é exclusivo, ele tem, né, valorização. Se você compra um negócio novo hoje, não vale nada daqui a pouco.
Você puxou a quem? Quem é que te inspira nessa coisa?
Acho que a minha mãe é muito vendedora. A minha mãe é muito vendedora, ela é muito inteligente e ela sempre construiu um lado comercial dela. O meu tio Tomé, meu paizão, né? Apesar de não ter pai, meu pai é falecido, eu não conheci meu pai, ele morreu com 1 ano de idade. Mas eu tenho um tio que é um—
Lembra que o meu, eu tinha um ano e pouco, né? Eu conheci o meu pai.
Mas você teve um tio também?
Não, não tive, cara. Teve uma mãe, Maria Júlia.
Ai, que bom! Eu tive duas mães, né, que foi a Dadá, que era minha mãe preta, que era minha babá e ficou 42 anos comigo até o privilégio, hein, privilégio, até ela falecer. E o tio Tomé, cara, o tio Tomé é um case. Eu acho que também puxei alguma coisa dele, não é possível. Ele Hoje tem 70 e tantos anos, casado com a Marinês, a mulher da vida dele. Ele é pai da Sofia. A Sofia deve ter uns 11, 11, 12, alguma coisa assim. Só que o tio Tomé, ele foi casado 5 vezes e teve um filho.
Você não siga esse exemplo, hein, meu, né, Roberta?
Pois é, teve um filho com cada ex-esposa. Só que o interessante da história sabe que todas as esposas gostam dele. E quando você vê Natal, tá todo mundo. Não sei como é que meu tio conseguiu isso, cara. Isso para mim é um case. Então, meu tio Tomé, amo ele, adoro estar com ele, é o meu pilar aqui, família, né? Meu tio Tomé, minha madrinha Vera, enfim, pessoas muito queridas aqui que me ajudaram nessa jornada.
Você imagina a Roberta sendo a melhor amiga da mãe dos seus filhos?
Cara, Roberta, melhor amiga, não sei, mas ela se dá bem.
Então você ouve a conversa aqui minha com Virgílio, melhor amigo dele é o ex-marido da mulher dele.
Meu Deus do céu!
Melhor amigo, vamos sair para tomar cerveja. Ele que fica com você, ele é mais velho, fica aconselhando Virgílio que passos que ele deve tomar na vida dele.
Cara, o Virgulino, ele é muito doido, mas que bom, cara.
Foi inédito isso em 9 anos de Endorfina, foi inédito, cara.
O Virgílio, cara, gosto muito dele, ele tem um perfil comercial tipo o meu aqui.
Exatamente, eu vejo uma similaridade. Ele articulou bastante coisa ali, desenrola.
É, sou fã dele aí, não tá aqui, mas se ele escutar, né, a gente tá sempre tentando. Sempre quando eu encontro com ele, você, pô, Maluquinho, compra aqui, compra minha empresa aqui, cara, né? Você já vendeu lá e tal, tá cheio de dinheiro, compra aqui.
Para a gente terminar, senão a gente vai ficar aqui até amanhã, ou se você não vai treinar hoje, ou Você falando isso, cara, me veio aqui a cabeça, né? E de novo, não é preconceito nenhum no sentido negativo, mas eu tenho impressão que esse é um jeito carioca de se virar. Cara, o Virgílio e você nesse aspecto eu acho muito similar.
É super, cara.
Lembra quando a gente fez o Xterra lá em Fortaleza?
Lembro.
Eu lembro que eu conversava com o Zé e falava, meu, Esse cara é carioca, meu, o cara desenrola, cara, ele dá um jeito. Eu trabalhei com o Walid Ismail fazendo lá o Jungle Fight naquela mesma época. Walid é outro, cara, vai, vai de um jeito ou de outro, mas vai, se vira, arruma, dá um jeito.
Você tem falado com o Zé ainda? Adoro o Zé.
Tenho, falo mais com o irmão dele, ele também, né, teve que fazer peito aberto e tudo mais, mas E eu lembro aqui também, só para citar mais um exemplo, eu quero agora ouvir a tua opinião, o Armando Barcelos, ele para mim tem um pouco dessa impressão lá na Barcelos Bike, se vira, faz negócio, não perde negócio, o cara entra lá, sai com alguma coisa. E o primeiro triatleta profissional do Brasil, na minha opinião, é o Carlos Roberto Dolabella, que também naquela época, meu, se virou, se virou para ser um atleta profissional, se vendia.
E ele disse isso aqui para mim, ele se vendia para Coca-Cola, para, né, tinha uma empresa de turismo lá que patrocinava os cariocas e tal naquela época, não lembro agora o nome. A Fernanda Keller, de uma maneira, também se virou, cara. Para mim, eu não tenho acesso, claro, ela é minha amigona, mas eu não tenho acesso aos números, é a única atleta brasileira de homem e mulher que ganhou dinheiro com esporte, que fez Concerto, né? Eu acho que ela vive do teatro até hoje.
Até hoje, certeza.
Ela não tem uma profissão assim que não seja palestrante e tal, tudo em cima da carreira dela. Então assim, eu tenho essa impressão que os cariocas se viram de uma maneira que é muito melhor do que a dos paulistas nesse sentido de fazer a coisa acontecer, esteja indo bem ou indo mal, né?
Só mais uma vez, não quer dizer que seja melhor ou pior, são só diferentes, são só diferentes, mas tem isso. Então muito. Olha só, os organizadores de evento, né, cara. O cara que organiza Maratona do Rio, Duda, é meu brother, meu irmão amigão. João Travem, meu amigo, assim, a gente se ajuda. Por mais que a gente seja concorrente, a gente tá sempre se ajudando. Aqui a galera de São Paulo não se ajuda não. A galera parece que um tem um pé atrás com o outro, que todo mundo vai te passar a perna de alguma forma.
E o carioca, ele se abre um pouco mais. Realmente tem um jeito, né, a cultura do carioca ajuda. Então quando eu vim aqui conversar com o prefeito na época do percurso, cara, a galera que organiza aqui não entendeu nada. Como assim? Aí eu fui, cara, costurei daqui, articulei, né? Pedi para alguém do governo do Rio de Janeiro indicar uma pessoa daqui. E aí a resiliência vai. E quando eu vi, eu tava sentado falando com o prefeito, e nenhum organizador aqui de evento, nenhum fala com o prefeito, nem o cara da Maratona de São Paulo.
Você tem um networking também que faz isso, você constrói, cara.
Você não nasce com ele. Exato, você não nasce, você tem que querer também.
E talvez seja o teu maior asset, né?
É, se você pega uma misturinha do Bernardo, né, acho que tem um mix de capacidade de construção, né, com uma experiência, né, network construído, e com, não sei, um brilho nos olhos em tudo que faz. Eu acho que essa é a diferença, que esse brilho nos olhos é que faz você passar do meio do caminho, sabe? Porque tem muito desafio aqui na nossa jornada, seja no trabalho, seja em casa. A gente sempre acha que a grama do vizinho é mais verde, né?
Mas não, cara, todo mundo tem seu desafio, né? Toda família tem seu drama, ou seu— até quem tem muito dinheiro tem muito problema também.
Então, acho que dinheiro não é, não significa necessariamente a solução.
É, tô aliado contigo. Então acho que o que é ser feliz para você, né? A pergunta é o que que é ser feliz? Acho que o que que é ser bem-sucedido? É ser saudável? É ter grana? Acho que sempre tem um momento de você fazer uma reflexão, né, da tua vida. E aí vem naquela frase que eu falei lá no início, né, ou no meio do caminho aqui, que o medo de viver é proporcional ao medo de morrer, né? Se você vive intensamente, você tá preparado para morrer a qualquer momento.
Acho que isso para mim é o meu mantra, que é um combinado com todo mundo que tá ao meu redor. Acho que eu acabo dando muita palestra porque eu só falo o que eu acredito. E aí às vezes eu falo umas coisas que tipo pode ser meio duro, mas cara, é o que eu acredito. Até você me convenceu, eu mudo de opinião, não tem o menor problema. Se você trouxer um argumento, agora vai no achismo, eu acho o eu, né? Achei, por acima você traz um argumento, eu mudo, tô sempre mudando.
Por isso agora eu tenho estudado mais, né? É muito louco que eu já fiz muito evento na vida, trabalho com eventos há séculos. E aí às vezes eu olho pessoas que trabalham comigo e nunca foram ver o evento concorrente. Eu falei, caraca, gente, o cara tá te dando uma aula ali de coisas boas e coisas ruins.
É uma oportunidade, óbvio, né?
Você não vai aí, cara, A galera não vai, muito doido. Aí depois eu não sei por que não cresce. Então já vi de tudo, porque quando você vai para um lugar só por dinheiro, cara, tem uma grande diferença aqui do trabalho, e é importante se você conseguir equalizar isso na tua vida. Quando você vai só por dinheiro, você vai lá para bater ponto. E aí quando você tem um desgaste, né, quando você tem um estresse de trabalhar até mais tarde, você fica emburrado.
Você fica chateado e vira desgaste mesmo. Agora, quando você trabalha com alguma coisa que você gosta e que você acredita, ou que você quer aprender e tal, quando você fica até mais tarde, eu, quando acontece qualquer coisa, no final, na entrega, vira satisfação. Não importa se você teve que trabalhar mais. Então, para trabalhar nas 3M tem que gostar, porque senão não vai aguentar, não vai aguentar mesmo. Então tem que curtir. A gente trabalha com eventos, eventos são eventualidades.
Você ainda que faz parte aí, grande parte do processo seletivo?
Não, não muito.
Mas você conseguiu? A cultura dentro da X3M é essa daí? Ninguém que tá ouvindo aqui tá se surpreendendo?
Não, pô, a X3M, se você passar do primeiro ano, você fica 10. Agora o primeiro ano ele é 18 anos.
Tem uma foto tua em cada aventura, em cada sala lá?
A minha?
Na sala do Everest? Sim.
Não tem não, cara, tem sala do deserto.
Sala do planeta extremo, sala garantir o porto seguro.
Mas se você for na minha sala, aí, cara, aí tem bandeira de Tucuté-Ugá, tem tocha que eu carreguei, tem bota do Everest. O cara, eu tenho umas plaquinhas do lado de fora assim, da placa, daquela porta de correia que não dá para ver. E aí eu deixo uma frasezinha lá que eu vou trocando. Aí tem uma frase assim, olha: dia puxado, só abra se realmente for muito importante. Aí tem outra plaquinha assim, é: informe Foco, mas se for urgente, entre tranquilo.
Estou produtivo hoje. Enfim, tem várias frases, mas tem uma que assim, dia puxado, não entra de jeito nenhum. Então, cara, e para entrar nesse aqui é porque, enfim, eu sou um CEO de porta aberta, porta sempre aberta, mas quando eu fecho, eu deixo mensagenzinha só porque é só para terminar aqui.
Quanto que custou para você chegar nesse nesse Bernardo de hoje assim? Ou foi um preço muito alto? Foi um preço— você acha que foi a relação custo-benefício do investimento na sua vida, né?
Se você tivesse que fazer um balanço agora, tipo, bom, olhando por tempo, eu acho que de alguma forma meu primeiro casamento pode ter terminado por isso. Então, né, respeito super aqui a Camila, mãe dos meninos, mas esse meu jeito de construção do Bernardo talvez possa não ter equalizado com uma pessoa que não tinha o esporte como centro. Então acho que pode ter me custado um casamento. Erros e acertos só me custaram amigos, pessoas que eu gosto e que em algum momento a gente se afastou.
Por decisões e trabalho, ou decisões de esporte, trabalho, expedições e tudo mais. Eu sou bem distante da minha mãe. Então, minha mãe também acabei me afastando de alguma forma. Ela foi morar em Londres, casada com um londrino, e me custou realmente. No fundo, fundo, você tem sempre ao redor uma família, né? Então assim, quando eu olho para o Bernardo executivo, pô, eu posso fazer o que eu quiser da vida. Quando eu olho para o Bernardo pai, eu também me acho um paizão aqui.
E eu, se eu meio que divido as crianças, fica uma semana com a mãe, uma semana comigo. Se quiser ficar 100% comigo, eu tô feliz da vida aqui. É Bernardo marido da Roberta, a gente faz muita coisa junto, super dedicado. Bernardo X3M é o mais sofrido. Porque você constrói uma empresa para ela andar sozinha, né? E de alguma forma você precisa construir sucessão, né? E esse meu drive de virar parte de um grupo de capital aberto, isso é uma mudança muito brusca para mim.
Eu era uma boutique, né? Uma empresa, apesar de grande, eu chamo de boutique, mas a gente nunca foi de fazer circuitos com 30 etapas ou coisas do tipo. E quando você entra num grupo de capital aberto, isso me mudou muito. Eu tive que vir muito para São Paulo, nada contra São Paulo, mas quando você fica longe da família, você vai ficando mais duro, né? É, eu acho que dessa minha jornada aqui, de tudo que eu enfrentei e de crescimentos e aprendizados, e aprendizados nas derrotas também, que são importantes, né?
Ou concorrência, ou patrocinador que se perdeu, é, eu sempre volto para o eixo tempo. E aí o meu tempo durante esse aprendizado aqui de empresa grande, eu acho que é o item que me custou mais caro. O que me custou mais caro na minha jornada foi minha temporada aqui de estar talvez num ecossistema, num ambiente onde eu não me senti em casa. E tudo bem, aprendizados, oportunidade, né? É, mas paguei um preço por isso. Foi meio isso.
Um Passo a Mais tá no Amazon Prime, né, no subcanal do Amazon Prime chamado Aquarius, disponível lá para quem quiser. Dá para fazer uma assinatura por 7 semanas, por 7 dias, gratuita, né? Até para conhecer o Aquarius. Eu confesso, ainda tô pagando o Aquarius, mas eu não fui ver o que que mais tem no Aquarius. O filme do Roman Romancini tá lá?
Não, não tá. O filme do Roman acho que só para o streaming no passado, mas a galera do Aquarius deveria botar lá também, pô. Filmaço!
Quem sabe tem até no YouTube, não sei. A ideia é que esse filme em algum momento vá para um YouTube para que todo mundo possa assistir?
Sim, cara, na verdade a Aquarius comprou o direito de distribuição, né? Licença. Então Aquarius, ao comprar isso, decidiu estar dentro do Prime Video, mas daqui a um ano, acho que essa licença tem um período. Quem toca isso é o Rafa Duarte. E aí depois você começa a ver em avião, começa a ver em outros lugares aí para viajar, porque essas barreiras acabam sendo, né, reduzem audiências.
Eu procurei no primeiro momento, eu não achei. Eu falei, cara, onde será que tá? É, cara, mas Sim, bom, precisa procurar direito. Um Passo a Mais no Amazon. Eu não devo ter procurado direito, tem que ser digitar Um Passo a Mais. E aí tá lá, você já tem que assinar o Amazon Prime, né, para ter acesso, eu acho. E aí você tem esse subcanal chamado Aquarius, onde tá lá o filme Planeta Extremo.
Se quiser dar uma olhada, bota no YouTube. Exato, Planeta Extremo traço Antártica.
Eu vou colocar no post do desse episódio aqui lá no meu site. Eu vou colocar um link que você— eu peguei do teu Instagram. Super legal, você ainda com o cabelo, ainda não era grisalho, né, cara?
Você com até de boné aqui hoje, né?
Não, mas o boné por causa da North Face. Aqui, ó, prateado, meu. Você com Clayton Conservani, né, meu? Legal aquele vídeo, meu. Legal. Você assistiu o Aqui no Aquários, o Um Passo a Mais, você assiste com alguma frequência?
Fez um, assistiu 500 vezes, né?
É legal você ver, tem pessoa que deve ser tão legal, cara, você ficar, não você ficar se vendo pelo seu ego, mas assim, para você relembrar, né? Porque aquilo é mais legal do que ver foto, né? Muito mais legal, é muito legal.
Porque você, primeiro, quando me vi numa telona de cinema com aquele som, cara, não lembro, não fiquei sabendo quando teve exibição aqui em São Paulo, cara.
Eu lembro que você tava com um Pô, já podia ter ido, cara.
É muito maneiro para o cinema, caraca. É um negócio assim que eu não imaginava. E aí a qualidade de tudo, né? A qualidade do storytelling que tá ali feito por Rafael, a qualidade das imagens feito pelo Tarso. Aí tem um esquema de áudio.
Você só viu o filme pronto ou você participou também junto com Rafael da, sei lá, da edição, da edição final, final cut?
Muito Pouco, porque o Rafa não me dava muita liberdade não, era meio assim, vai, tô confiando, né, ele é o especialista. E aí tinha um storytelling ali que ele construiu, achei muito legal. Rafa realmente é um cara fora de série. Você sabe que o filme tá em vários festivais, né?
Então eu vi no site da Aquarius, né, da Aquarius, no site da Bambalayo, que é a produtora do Rafael.
E agora acho que tá no festival lá em Katmandu. Então assim, nata, né, do montanhismo aí. E aí toda hora ele manda lá prêmio, cara, que eu não fico, é tanta coisa que vai ganhando assim. E aí assim, agora é o trabalho do Rafael brilhando, né? Exato, é o momento dele ali.
Você já teve o seu momento, mas agora é ele quem—
eu quero mais é ir para outro lugar para construir alguma coisa que gere legado, né? Não precisa ser filme de novo, pode ser livro, filme, que que seja. Eu só acho que é muito importante.
Se você tiver, você manda aqui para colocar na prateleira, hein, cara. E você volta aqui para falar livro?
Pronto. Medo de escrever um livro, cara, porque dizem que depois você planta árvore, faz filho e faz livro, nada mais te impede de morrer, né? Então livro eu tô me segurando aqui.
Você é supersticioso? Ah, eu te perguntei no começo do, né, porque é da X3M, do Bernardo é 77, né?
É, não sou muito não, cara. Não, mas essa aí não sei por que eu guardei aqui. Eu fui chamado uma época pela editora 3 para fazer um livro tem uns anos atrás. Aí eu falei, não, agora não, agora não, deixa, deixa eu viver mais um pouquinho aqui. E eu assim, acho que tem um momento, né? Daqui a pouco a gente constrói alguma coisa.
Bernardo, saúde, meu! Obrigado, vida longa, vida longa! Um prazer, um privilégio. Manda um abração para Roberta.
Pô, legal isso aqui que tu tomou, hein, cara?
Pode tomar, é patrocinador também do Pode Tomar. Pode, pode tomar sem açúcar ou com açúcar, fica super à vontade.
220, pô, eu já sou 220, tomo mais 440 aqui.
Aproveitando, agradecer a 220, ao César e ao Ciro, agradecer a Z2 e a Two Peaks Bikes. Aliás, patrocinador do Endorfina é Two Peaks Bikes. Eu preciso perguntar para o— ele é carioca, cara, você deve ter conhecido ele, o André Paulo Sanches?
Não, Morango, né? Você conhece ele como André Sanches, eu conheço como Morango.
Red Bull da Oakley.
O André tá morando fora.
Exato, é patrocinador do Endorfina Podcast.
É mesmo?
Exato. E eu não perguntei para ele, ele teve aqui já contando a história dele. Ele é Dom Rileiro, né? Anda muito de bike.
É muito amigo do Rodolfo Mateus, já escalou montanha comigo inclusive.
Ah, é?
É, o Paulo Sanches é nota 10.
Ah, que top! Mas eu não perguntei porque que é Two Peaks, cara.
Será que tem a ver com Everest e com Não deve ser, mas a gente comprou a bike da Roberta também com ele e tal.
Exato.
Ele tá com uma loja fora, enfim, ele representa.
Exato, tem a Santa Cruz, tem a Yeti, só marca top, cara. E a Factor.
Agora tá com a Yeti também.
Exato.
Acho a Yeti sensacional.
Exato, meu irmão, tem bike.
Você tem e-bike?
Não, eu tenho uma bike de levar Nina para lá e para cá, que é uma e-bike, mas é uma bike leve, é uma bike leve, que acho que é do Rio também, né?
E-bike, mountain bike é game changer, porra! Eu adoro, cara, adoro. A gente treina com e-bike também. As pessoas acham que não faz força, mas casa tem.
Enfim, já gravei com algumas pessoas aqui, desde a Renata Falzone, o Avancini, que elogiam a e-bike, e o André também, obviamente, né? O teu treino fica muito mais, com muito mais qualidade, né? Não é fácil, ele fica com mais qualidade, muito pelo contrário.
Você gosta?
Cara, eu ainda não andei assim, eu andei uma vez só para testar na ciclovia, mas eu acho uma modalidade super— Cara, eu sou fã de bicicleta, eu sou suspeito para falar, né, cara? Mas para mim, qualquer bicicleta, desde essa que eu tenho, uma leve, pesada, que não é leve, é leve, mas não é leve, é pesada, que serve para levar Nina para lá e para cá, e que tem cesta, que cabe a mala da escola dela, dá para levar no clube, tem encosto.
Eu acho que, cara, é um meio de transporte fantástico, né? E o meio de diversão, obviamente, né?, cara, de entretenimento, de descoberta.
Não vou estender aqui não, mas vai ter um Ex Terra com gravel também aqui do Adin de São Paulo. Acho que gravel é o meio do caminho.
Então pode fazer a propaganda, óbvio, né, cara?
É, na verdade vai ter assim, o Ex Terra tá crescendo aqui no entorno de São Paulo, então vai ter um Ex Terra em São Sebastião, top, recente, acho que daqui a um meizinho.
Então vai ser quando esse episódio vai estar indo ao ar.
E vai ter um Ex Terra em, aqui vocês chamam É Parque Caminhos do Mar, aquela antiga estrada ali que liga Santos a São Paulo.
Exato, é, é Caminho do Mar. Eu não sei se é um parque estadual.
Vai ter, vai ter um XTR ali também, e ali vai ter modalidade motoveloz.
Porque nada no Riacho Grande, naquela represona lá. Isso, a Estrada do Riacho Grande, já tem uma galera que treina ali. Virou um ponto de triatlon ali, cara. Tem os os restaurantes, as barracas, eu não sei como é que chama, montaram estruturas com vestiário, com, meu, assim, virou um—
Então ali vai ter um Xterra. Que legal, beleza. Maneiro, né? E aí o Xterra vai ter opção de mountain bike e opção de gravel.
Perfeito.
Porque acho que é um entry level ali, quem sai da estrada e quem não tá no mountain bike ainda. Exato. Comprei uma gravel também, tô adorando.
Cara, é uma, meu, eu acho assim, quanto mais versátil você for, você fica menos preso, né, cara? E a verdade é a seguinte, né, cara, aqui para gente, por isso que eu sou fã do mountain mountain bike e do gravel agora, pedalar nas nossas cidades grandes, talvez nas cidades médias, e até é um perigo, né? É um perigo, cara. Então a hora que você sai da estrada e você entra num, mesmo que seja uma estrada de terra, não fica passando 10 caminhões por minuto, muda tudo.
Isso você vai para uma trilha no mountain bike, você vai para uma estradinha mais vicinal de gravel, cara, é Tô adorando, cara.
Rio de Janeiro é bom para treinar, mas quando você vai para serra ali, pô, então funciona bem.
Então que legal, cara, que legal. Então gravel, Xterra gravel em São Sebastião e no Caminho do Mar, na Estrada do Caminho do Mar.
Isso aí, que legal, cara.
Qual que é o site do Xterra, o Instagram, o site do Xterra?
XterraBrasil.com.br.
Legal. E o Instagram?
O Instagram XterraBrasilBR, não sei também não.
Eu vou colocar no post do episódio de hoje, vou colocar o teu. Você tem 2 Instagrams, mas tem um que é o ativo, né? O 77 é parado.
Não, 77, cara, é só meio família, fechado.
Ah, legal. Então é porque eu tenho acesso.
Esse era meio segredo, é só poucas pessoas que tem. E eu tenho o Bernardo BFO, que é de vez em quando também não sou muito ativo não, uma vez por semana eu boto alguma coisa ali.
Ah, mas tem coisa, eu fui até o teu primeiro post já de novo, mas não, mas tem coisa legal. Essa história do Everest, assim, eu gosto, né, cara? Essa história para mim da montanha, eu não tenho vontade nenhuma de ir para o Everest. Eu quero ir para o acampamento base, vou com o Manuel Morgado um dia fazer um trekking com a minha filha mais velha.
Morgado é fera.
É, mas esse perrengue todo de passar frio, congelar dedo do pé, eu, meu, eu não, assim, eu por isso que eu admiro muito quem, quem está mal vestido, só passava de uma camisa. Um oferecimento da North Face, vai lá na loja do shopping em Iguatemi.
É isso aí.
Bom, obrigado, Bernardo, foi um prazerzão, cara.
Obrigado, eu.
E sucesso sempre.
Valeu, cara, obrigado você aí.
Bom, espero que você também tenha curtido a segunda passagem do Bernardo aqui no Endorfina. Mais um montanhista que chegou ao topo do mundo. Eu vou lembrar aqui todos que já passaram pelo Endorfina: Ludmilla Lucas, Areta, Duarte, que nós falamos. O Joel Krieger também esse ano já deve ter agora atravessado o Canal da Mancha. Vamos dar uma olhada, mas quando esse episódio for ao ar, ele já deve ter atravessado o Canal da Mancha.
Subiu o Everest, já foi para Kona, cara super bacana, tô com um livro dele aqui atrás. A Olivia Bonfim e o Manuel Morgado são pessoas que escalaram o Everest, já passaram passaram pelo Endorfina. Alexandre Manzan foi um dos grandes atletas de Xterra aqui no Brasil, fez fama, entre aspas, e fortuna no Xterra. A Giovanna O'Piperi, mais recente também, ambos triatletas que passaram pelo Xterra. A Roberta Muricy, mulher do Bernardo, passou por aqui, acho que faz já uns 2 anos, e o Bernardo já teve aqui em 2020.
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E tem mais novidades Novidade: os géis com sabores originais da Maratona do Rio voltaram: água de coco e mate com limão, em edição limitada. Outra novidade é o gel de 75 gramas de carboidratos, ideal para estratégias de alto consumo. Siga @z2performance e fique por dentro do universo da Z2. Depois de tantas décadas convivendo com atletas e nos últimos anos ouvindo e aprendendo com os convidados Aqui no Endorfina, está claro que evoluir no esporte não depende apenas de dedicação e consistência.
Passa também por fazer boas escolhas, especialmente quando o assunto é equipamento. Saber o que faz sentido para o seu momento, para o seu objetivo e para o terreno onde você pedala faz toda a diferença. Esse entendimento você encontra na 2Pix Bikes, patrocinadora do Endorfina. A 2Pix Bikes é importadora e distribuidora oficial no Brasil de marcas como a Factor Bikes, a Santa Cruz Bikes e a Yeti, além de outras referências do mercado.
Mais do que vender bicicletas, vestuário e acessórios, a proposta deles é orientar você. A 2PEAKS foi criada para atender quem busca dar o próximo passo no esporte, seja no ciclismo de estrada, no mountain bike, no gravel ou no triátlon. A lógica é simples: cada ciclista tem uma necessidade diferente e o papel da equipe da da Matrix Bikes é ajudar você a fazer escolhas melhores, mais conscientes e mais eficientes. Essa filosofia se reflete também nos espaços físicos.
Na loja do Rio de Janeiro, o ciclista encontra manutenção de alto nível, bike fit, café e espaço para encontros e eventos. Em São Paulo, na Avenida Faria Lima, além de uma oficina especializada, a unidade recebe clientes e amigos para treinos aos finais de semana. Já a loja de Los Angeles exatamente o mesmo padrão, a mesma curadoria e a mesma essência. Por tudo isso, é um prazer ter a Two Peaks Bikes ao lado do Endorfina. E fica o convite: se você está buscando orientação para melhorar seu equipamento, entender melhor suas escolhas ou simplesmente pedalar com mais qualidade, vale conhecer a Two Peaks Bikes, distribuidora oficial da Factor, Santa Cruz Bikes e da Yeti no Brasil.
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