Episódios de Endörfina com Michel Bögli

#469 Gabriela Ferolla

18 de junho de 20261h35min
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Quando criança, o futebol ocupava boa parte do seu tempo e era, de longe, sua maior paixão esportiva. O vôlei também fazia parte da rotina, até que a bicicleta apareceu e rapidamente deixou de ser apenas um momento de diversão com as irmãs e alguns amigos. Em pouco tempo, o mountain bike passou a direcionar seus objetivos e transformar sua vida.

Os primeiros resultados vieram cedo. Em 2021, conquistou o título de campeã brasileira de XCO na categoria sub-17. No ano seguinte, recebeu o convite para participar de um estágio de cinco meses na sede da UCI, na Suíça. Ainda em 2022, conquistou a medalha de bronze no Campeonato Brasileiro de XCO.

No ano seguinte, o ciclismo voltou a abrir portas. Conquistou uma bolsa de estudos e passou uma temporada competindo na liga universitária americana, conciliando os estudos com as competições. Em 2024, retornou ao Brasil para continuar a graduação, sem perder o foco nas duas rodas. Naquele mesmo ano, conquistou o bronze na Brasil Ride Espinhaço.

Os resultados passaram a aparecer de forma cada vez mais consistente. Em 2025, estreou no Cape Epic competindo ao lado do pai, e juntos chegaram à quarta colocação. Na CIMTB de Carandaí, terminou em terceiro lugar, conquistou o título do Iron Biker e tornou-se vice-campeã brasileira sub-23.

Já em 2026, viveu sua temporada mais expressiva até aqui. Foi vice-campeã do Cape Epic na categoria duplas mistas ao lado do treinador Hugo Prado Neto, vice-campeã pan-americana sub-23 de XCO e medalhista de bronze no XCC da mesma competição. Também conquistou a terceira colocação no XCC elite da Internacional MTB Series, em Lavras, venceu a maratona da CIMTB, em Conceição do Mato Dentro, e terminou o Campeonato Brasileiro de Maratona na terceira colocação da elite.

Conosco aqui, a estudante de Publicidade e Propaganda, atleta de mountain bike e uma das jovens ciclistas brasileiras em ascensão no cenário internacional, que sonha alto, a belo-horizontina Gabriela Pereira Ferolla.

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A 2 Peaks Bikes é a importadora e distribuidora oficial no Brasil da Factor Bikes, Santa Cruz Bikes e de diversas outras marcas e conta com três lojas: Rio de Janeiro, São Paulo e Los Angeles. Lá, ninguém vende o que não conhece: todo produto é testado por quem realmente pedala.

A 2 Peaks Bikes foi pensada e criada para resolver os desafios de quem leva o pedal a sério — seja no asfalto, na terra ou na trilha. Mas também acolhe o ciclista urbano, o iniciante e até a criança que está começando a brincar de pedalar. Para a 2 Peaks, todo ciclista é bem-vindo.

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Participantes neste episódio2
M

Michel Bobli

Host
G

Gabriela Ferolla

ConvidadoAtleta de mountain bike
Assuntos6
  • Cape Epic 2025 e 2026Competição com o pai em 2025 · Quarta colocação na categoria mista · Competição com Hugo Prado Neto em 2026 · Vice-campeonato na categoria duplas mistas · Desafios físicos e mentais durante a prova
  • Início da carreira de Gabriela FerollaPaixão por futebol e vôlei na infância · Descoberta do mountain bike · Primeiros resultados e títulos · Estágio na UCI na Suíça · Bolsa de estudos e competição nos EUA
  • Histórias de ciclismoSuperação de limites e desafios · Importância da força de vontade e determinação · Mentalidade e resiliência em competições · Diferença entre experiência e talento · Lições aprendidas com Hugo Prado Neto
  • Repensar objetivos e visão de futuroSonho de competir nas Olimpíadas · Objetivo de correr todas as Copas do Mundo · Inspiração em atletas como Kate Courtney · Conciliação entre esporte e estudos · Formação em Publicidade e Propaganda · Desejo de criar projetos para mulheres no esporte
  • Contexto esportivoAdrenalina e autoconfiança proporcionadas pelo esporte · Legado de inspiração e dedicação · Experiências únicas que o esporte oferece · Desenvolvimento de características como determinação e positividade
  • Ciclismo femininoFalta de proximidade entre atletas · Importância do incentivo mútuo · Superação da competitividade excessiva · Exemplos de atletas brasileiras inspiradoras · Crescimento do esporte feminino
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GFGabriela Ferolla

Eu aprendi muito com ele que, tipo assim, quando a gente tem um objetivo muito bem estabelecido, qualquer desafio nesse meio do caminho assim vira como se fosse um salto que você tem que pular na trilha e vira uma coisa muito pequena, porque o que a gente estava buscando era algo muito maior, sabe?

MBMichel Bobli

Olá pessoal, aqui é o Bernardinho.

GFGabriela Ferolla

Olá amigos, eu sou a Fernanda Maciel.

MBMichel Bobli

Olá, eu sou Dijan Madruga.

GFGabriela Ferolla

Eu sou Ana Polegate. E aí, galera, aqui é o Thiago Vinal.

MBMichel Bobli

E esse é o Endorfina Podcast. Sou Michel Bobli e aqui no Endorfina Podcast você conhece as histórias e opiniões de triatletas, corredores, nadadores e ciclistas profissionais e amadores. Descubra quem são e o que pensam os seres humanos que vivem o esporte e são movidos a endorfina. Olá, seja muito bem-vindo a mais um episódio do Endorfina Podcast. Esse e todos os episódios, você já sabe, são editados pela produtora Pulsante. Esse episódio foi gravado no Estúdio Estema.

Se você busca um lugar para gravar o seu conteúdo, entre em contato mandando uma mensagem no direct do Estúdio Estema no Instagram, que é @estudio, com S mudo, estema, também com S mudo, e 2 Ms, @estudioestema. Studio Systema. Bom, eu gravei aqui no Studio Systema, embora remotamente, com a minha convidada de hoje. Ela tava lá em Belo Horizonte, a Gabi Ferola. Eu quero começar esse episódio aqui agradecendo ao Bruno Reis, meu amigo também de Cape Epic e de alguns treinos aqui em São Paulo, outro mineiro que mora aqui em São Paulo, e ele que me conectou com a Gabi.

A Gabi que tem apenas 21 anos e ela chegou ao meu radar aí no ano passado, depois que ela concluiu a Cape Epic ao lado do próprio pai e chegaram em 4º lugar. Aí foi o Bruno Reis que me falou dela e esse ano ela voltou para Cape Epic para competir com ninguém mais, ninguém menos do que Hugo Prado Neto. Se você não conhece, vale a pena você ouvir a história do Hugo Prado Neto aqui no Endorfino. Já faz muitos anos que ele esteve aqui, mas ele contou aí o início da jornada dele na bicicleta, no mountain bike.

E até lá, aquela época que a gente gravou, não me recordo aqui o ano, o que que ele vinha fazendo em cima da bicicleta, mas ele seguiu aí firme e forte. Ele que é um treinador e super campeão master, múltiplas vezes campeão mundial master de mountain bike, cara bacana. E ele competiu então com toda a sua experiência com a Gabi, uma praticamente uma estreante no Cape Epic, né? Ela fez ano passado com o pai dela, esse ano ela fez aí num outro patamar, no outro nível com o Hugo.

E chegaram então em segundo lugar na categoria mista. Ano passado ela foi quarto lugar com o pai, esse ano ela foi segundo lugar, chegando atrás apenas de ex-campeões mundiais. Ela vai falar então aqui sobre juventude, sobre idade, sobre experiência, sobre treinar no limite. Obviamente ela fala bastante sobre a Cape Epic, que ainda tá muito fresquinho na cabeça dela, sobre viradas de chave, acreditar em si mesmo. Vai falar um pouquinho do início dela na bicicleta, determinação, essência, enfim, várias outras coisas coisas muito legais.

Uma menina muito eloquente, ela fala super bem, se expressa super bem. Enfim, foi uma conversa muito agradável para mim. Mais uma mineira. Eu já falei aqui algumas vezes, eu acho que eu preciso fazer um dia umas contas, mas eu acho que tem mais mineiro do que tem carioca aqui no Endorfina Podcast. E isso para mim é sempre muito legal, porque além de gostar dos mineiros, a maneira como eles falam e a experiência deles, principalmente no mountain bike, não é só mountain bikers, mas principalmente no mountain bike, é muito bacana.

E agora você vai ouvir aqui então em primeira mão a Gabi Ferola contando um pouco aí da história, da vida dela, das opiniões, e esse conteúdo que você já tá acostumado a ouvir aqui no Endorfina, que você só ouve aqui no Endorfina. Antes de seguir com o episódio, eu quero lembrar a você de seguir o Endorfina no seu agregador de podcasts de escolha ou Vai lá para o YouTube agora, siga, assine, comente. Minha meta é chegar aí até 6 mil seguidores, 6 mil assinantes até o final do ano.

Já tô bem próximo disso, então conto com a sua ajuda para fazer o Endorfina chegar a cada vez mais pessoas de qualquer região do Brasil e do mundo. Endorfina que é ouvido em mais de 140 países, já tem 9 anos de existência e traz um conteúdo diferenciado aí com muitas personalidades e pessoas desconhecidas que você acaba conhecendo aqui no Endorfina com histórias fantásticas. O Endorfina depende sim do apoio de vocês, da ajuda de vocês, da repercussão que vocês dão aqui para o Endorfina.

E se você quiser ir além, você pode contribuir com Endorfina já a partir de R$15 por mês. Basta ir no meu Instagram, no EndorfinaBR, você já sabe, né? Clica lá na bio, na bio você vai ter uma abinha ali escrito Apoia.se, lá você vai ser direcionado então para página do Apoia.se, do financiamento coletivo Apoia.se, e você se informa como é que você faz para apoiar o Endorfina. E esse episódio, ele só acontece esse graças também aos patrocinadores dele, como a 220, o energy drink que te leva além, como a 2Peaks Bikes.

Já já eu vou falar aqui dessa loja de bicicletas incrível, tem 3 endereços: São Paulo, Rio e em Belo Horizonte— não, em Los Angeles. Podia ter uma em Belo Horizonte também, né? Eu vou falar aqui com o André. E a Z2 Performance, que faz aí um jazz, uns produtos de primeira categoria, e tem aí tomado aí de assalto o mercado dos dos géis, principalmente dos géis, mas também das barras, dos pós, dos preparados aí do mercado brasileiro.

Então se você não conhece, vai ouvir aqui já já também eu falar um pouquinho aqui da Z2. Aliás, provavelmente você conhece. Se você conhece a Gabi Ferola, você conhece também a Z2. E por fim, o Endorfina, que apoia essa iniciativa Race Smart, Check Your Heart. Se você não conhece, dá uma olhadinha no Instagram ou ouça meu episódio, minha conversa aí recente desse ano aí, acho que de abril, com o Sérgio Zolino e você vai entender como é importante a gente cuidar da nossa máquina do coração para que a gente possa sim estar realizando todas as aventuras que a gente gosta, seja elas na vida, através do esporte, com a nossa família, onde quer que seja.

Então faça check-ups do seu coração e garanta que você tem condições de se aventurar e de se divertir praticando a modalidade que você quiser, aonde você quiser, no nível que você quiser. Enfim, vamos lá. Para mais um episódio do Endorfina Podcast. Afinal de contas, quem é que não gosta de uma boa história, não é verdade? Quando criança, o futebol ocupava boa parte do seu tempo e era de longe sua maior paixão esportiva. O vôlei também fazia parte da rotina até que a bicicleta apareceu e rapidamente deixou de ser apenas um momento de diversão com as irmãs e alguns amigos.

Em pouco tempo, o mountain bike passou a direcionar seus objetivos e transformar sua vida. Os primeiros resultados vieram cedo. Em 2021, conquistou o título de campeã brasileira de XCO na categoria sub-17. No ano seguinte, recebeu um convite para participar de um estágio de 5 meses na sede da UCI, na Suíça. Ainda em 2022, conquistou a medalha de bronze no Campeonato Brasileiro de XCO. No ano seguinte, o ciclismo voltou a abrir portas.

Conquistou uma bolsa de estudos e passou uma temporada competindo na Liga Universitária Americana, conciliando os estudos com as competições. Em 2024, retornou ao Brasil para continuar a sua graduação sem perder o foco nas duas rodas. Naquele mesmo ano, conquistou o bronze na Brasil Ride Espinhaço. Os resultados passaram a aparecer de forma cada vez mais consistente. Em 2025, estreou na Cape Epic competindo ao lado do Kapai e juntos chegaram à 4ª colocação na categoria mista.

Na Copa Internacional de MTB de Carandáí terminou em 3º lugar, conquistou o título do Iron Biker e tornou-se vice-campeã brasileira sub-23. Já em 2026 viveu sua temporada mais expressiva até aqui. Foi vice-campeã do Cape Epic na categoria duplas mistas ao lado do seu treinador Hugo Prado Neto, vice-campeã pan-americana sub-23 de XCO e medalhista de bronze no XCC na mesma competição. Também conquistou a terceira colocação no XCC Elite da International Mountain Bike Series em Lavras, venceu a maratona da Copa Internacional em Conceição do Mato Dentro e terminou o Campeonato Brasileiro de Maratona na terceira colocação na Elite.

Conosco aqui hoje a estudante de publicidade e propaganda, atleta de mountain bike, uma jovem ciclista brasileira em ascensão no cenário nacional e internacional. Que sonha em disputar os Jogos Olímpicos, conquistar o título mundial e vencer o Cape Epic. A bela horizontina Gabriela Pereira Ferola, seja muito bem-vinda, Gabi.

GFGabriela Ferolla

Obrigada, Michel.

MBMichel Bobli

Gabi, é um prazer te receber aqui. Fazia tempo que eu não recebia alguém assim tão novinho quanto você. E aí, uma das coisas que hoje de manhã eu te falei, né, que eu tava pedalando cedinho aqui em São Paulo, a gente tem pedalar de madrugada, mas uma coisa me ocorreu. Você deve ouvir muito, com muita frequência, e nas matérias, nos textos que eu li, nas entrevistas que você deu lá para o Breno, acho que até também para o Bike na Lama, você fala, as pessoas se referem a você como jovem, né?

Você, claro que você é jovem, você tem 21 anos recém-completos, né? Mas você se acha assim, tipo, poxa, Sabe essa conversa de tipo, os mais velhos só me chamam de jovem? Você se acha jovem no sentido assim de ser muito, talvez, inexperiente, ou ainda, sei lá, muito nova no esporte? Porque você já tem uma historinha aí, né?

GFGabriela Ferolla

Ah, eu acho que eu olho como eu ainda tenho muitas coisas assim para viver. Eu olho como eu ainda tenho muitas oportunidades na vida pela idade que eu tenho. Eu tenho 21 anos, querendo ou não, isso é pouco, mas ao mesmo tempo, para mim, eu já me sinto um pouco velha, porque você já viveu bastante no mountain bike, né? É, e tipo assim, para mim acho que tudo aconteceu muito naturalmente. E os anos desde que eu comecei a pedalar, que foi em 2020 na pandemia, os anos foram meio que se passando.

Eu fui adquirindo experiência nas competições, vivendo nessa atmosfera do esporte, conhecendo cada vez mais pessoas, mais lugares. E acho que isso foi me trazendo experiência de certa forma. E às vezes eu esqueço um pouco a idade que eu tenho, acho que as coisas passam tão rápido que eu olho para trás e penso: "Nossa, tem tanto tempo disso!" Aí eu olho e falo: "Nossa, eu só tenho 21 anos, tem muita coisa ainda que pode estar por vir." E ao mesmo tempo eu penso: "Nossa, eu tenho muito pouco tempo de esporte também." Porque é muito, mas é pouco também, são 6 anos.

E muitas vezes a gente disputa com atletas que pedalam desde novinha, sabe? Desde que já estão imersas nesse universo, até por conta de família mesmo que tem histórico de atletas do mountain bike ou do ciclismo, enfim. Então, ah, eu acho que eu ainda me sinto jovem e inexperiente, mas ao mesmo tempo eu também sinto que eu tô construindo algo muito legal e de certa forma adquirindo mais experiência. Eu me sinto mais experiente hoje.

Por exemplo, para uma maratona eu fui largar nessa prova aqui de Conceição do Mato Dentro, né, a maratona foi uma prova que eu larguei muito confiante. É uma maratona e muitas vezes as pessoas olham e falam: "Uhu, essa atleta um pouco mais velha já", tipo, sei lá, um pouco mais velha, eu imagino uma pessoa de 40 anos assim, 35 anos, é uma pessoa um pouco mais velha já, muito experiente, já tem muita carcaça e tal. E eu consegui largar muito confiante com 21 anos para competir essa maratona que foi assim bem dura.

Então eu me sinto uma pessoa experiente, mas mas ainda assim com muita coisa a aprender, né? Acho que sempre manter a humildade assim, porque acho que eu tenho muitas coisas para viver ainda até criar uma realmente uma noção e uma experiência mesmo que vai me dar a base para as competições, eu acho.

MBMichel Bobli

Ô Gabi, eu vi em matérias que você me mandou, que eu li a teu respeito na internet, quando você gravou com o Breno lá do Ciclo Sul, acho que ele falou isso, O Bike na Lama, até o podcast que você gravou com Hugo, com o Bravinho e a Vivi Faveri, que aliás já teve aqui também faz uns bons anos. Você ainda tinha acho que 15 anos, né? E a temática do podcast era exatamente essa. O Hugo já era seu treinador e vocês falando sobre o treino, vocês e o Hugo, né?

Você, o Bravinho e o Hugo. Mas naquela época Eu não lembro que ano que foi isso, né, mas você tá com 21, foi aí 6 anos, ainda não era o que acabou se tornando tendência nesses últimos anos. Desde então, ciclistas cada vez mais jovens performando como se fossem ciclistas experientes. Ou seja, a história de você adquirir experiência na prática talvez hoje não conte tanto quanto a gente achava, o quanto contava antigamente. Nesse sentido, você e o Hugo, que é um dos caras mais experientes, nos treinadores que eu acho que são mais experientes aqui do Brasil, um cara super antenado com tudo e um cara que comprova não somente nele, mas em atletas como você e tantos outros, os resultados dele, né, o resultado do trabalho dele.

Vocês conversam de alguma maneira nesse sentido? Tipo, Gabi, né, sei lá, no pré-Cape Epic desse ano, foi a primeira Cape Epic dele contigo. Eu sei que ele anda um absurdo, é uma moto, né, para um velhinho, né, Hugo, velhinho, o cara é uma moto. Mas ele provavelmente, ele confiou em você, tipo assim, pô, a Gabi vai conseguir. Claro que tem que ter um equilíbrio, mas assim, a Gabi ela consegue, né. E eu vi na live que vocês fizeram no Bike na Lama que o Hugo tinha algumas expectativas assim porque ele te conhecia.

Vocês conversam sobre isso no sentido de você não precisa ter participado de 5 Cape Epic para você adquirir experiência para um dia tentar conseguir um pódio? Você também tá surfando dessa onda de recovery, de nutrição, os equipamentos top de linha, de uma metodologia de treino pautada em muito mais elementos como glicose, potência e e tantos outros. Mas enfim, para que você consiga performar como você tá performando, não somente na Cape Epic, embora sua performance tenha sido fantástica lá num cenário internacional e altamente competitivo, né?

Você só perdeu para dupla lá da campeã olímpica, pô, né? Assim, não é pouca coisa, né? E com o teu pai você já tinham tirado um quarto lugar, quer dizer assim, pô, você anda bem demais, mas você não tem a experiência, a casca grossa, né, que a gente achava antigamente que deveria ter um ciclista ou qualquer outro atleta, né, de modalidade de Endurance principalmente. Como é que é isso entre você e Hugo? Você discorda disso? Você concorda?

Mas você é um ponto fora da curva. Eu queria que você falasse um pouco disso, por favor.

GFGabriela Ferolla

Nossa, eu fico até arrepiada lembrando do Cape Epic. Foi uma semana muito intensa.

MBMichel Bobli

Mas não traumatizou, né?

GFGabriela Ferolla

De forma alguma, eu já esqueci todo o sofrimento. Mas assim, eu acho que difícil eu falar se eu sou um ponto fora da curva ou não, igual você perguntou. Mas da minha percepção sobre mim assim e sobre tudo que eu treinei com o Hugo antes, eu acho que desde que eu comecei no esporte, desde que eu faço, pratico esporte desde mais nova, eu sempre fui uma pessoa que gostei de me desafiar assim e de me esforçar muito, sabe? De me dedicar mesmo, de levar meu corpo ao limite mesmo.

Isso é uma característica minha. E tiveram vários treinos com o Hugo que eu chorei, Eu parei porque ele tava me levando no meu limite e tinha um momento nos treinos, teve um treino em específico que tava eu, o Hugo, o Shikara, que é um amigo do meu pai, e um menino aqui de BH que tava junto com a gente assim nesse treino. E a gente saiu para rodar em Nova Lima, a gente foi fazer um treino de 5 horas que deu 100 km e subia bastante, eu acho que subia quase 3.000, esse treino era só de mountain bike.

Aí no final do treino a gente foi subir a Vale, que é uma subida aqui que chega aqui É, eu não sei se você vai conhecer, mas aqui em Belo Horizonte a gente chega ali no 6 pistas. E aí, na hora que a gente tava chegando, tipo assim, nessa subida, eu comecei a sentir muito ritmo. E a gente já tava mais para o final do treino. Essa subida era nos últimos 40 minutos de treino. E era uma subida que no início ela era numa trilha e mais íngreme, e aí depois ela dá uma estabilizada e ela é cheia de sobe e desce.

Só que as subidas eram muito inclinadas. Aí no início da subida eu caí. Caí de cansaço, tipo assim, alguma coisa travou, não foi cãibra, foi tipo assim, cansaço, caí. Aí eu olhei pro Hugo, comecei a rir, falei: "Hugo, eu tô morta." Aí ele: "Respira aí." Só que o "respira aí" dele era tipo assim: "Respira aí e continua pedalando." Então ele continuou na minha frente me puxando. Só que aí, como ele é meu treinador e ele entende muito bem das minhas zonas de potência, do meu esforço, até do meu comportamento corporal assim, ele conseguiu e conseguia e consegue também identificar.

"Como que eu tô, sabe?" E aí ele foi mantendo um ritmo difícil pra mim naquele momento, mas um ritmo que ele sabia que eu não iria quebrar naquele treino. Aí chegando no meio da subida, ele viu que eu comecei a entrar ali num estado meio que de flow assim, onde eu não estava confortável, mas eu tava num estado bem concentrado assim. Michel, ele começou a apertar, apertar, apertar, e eu não gosto de largar o osso, sabe? Eu gosto de ir.

Ele começou a apertar, apertar, apertar. Aqui, eu cheguei do treino De verdade, eu fiquei tipo igual eu fiquei no final do Cape Epic. Demorei uma hora para assimilar tudo que tinha acontecido, entendeu? Então acho que isso é uma característica minha assim. Eu aqui em Belo Horizonte eu treino com muitos homens, eu saio com um grupo de pedal aqui que muitos são amigos do meu pai, o Ritmo Bruto. Então a gente roda, eu rodo muito com homem e eu acho que isso me puxa muito para cima.

As pessoas aqui elas incentivam muito o esporte, então eu acho que Eles também me incentivam muito, todos os amigos do meu pai, todo mundo acredita muito em mim assim. Então acho que isso ajuda muito até para eu confiar no que que eu vou fazer ali no treino, sabe? E muitas vezes assim mesmo, tipo, com o Hugo assim, saindo para treinar, tipo, tinha hora que eu ia lá e tava sentindo muito bem, aí eu saía fazendo força igual uma doida, como se não houvesse amanhã, como se fosse treinar só uma hora.

"Ah, já quebrei." Só que aí nesses momentos que a gente tava treinando pro Cape Epic, o Hugo toda hora conversava comigo, tipo assim: "Nessa situação você tem que esquecer todos os fatores externos. A única coisa que importa é você, sua concentração na sua pedalada, em mim também, porque a gente vai ser uma coisa só no Cape Epic." E eu aprendi muito com ele, assim, que com a pouca experiência que eu tenho, né, que eu fiz um Cape Epic, eu aprendi muito com ele que tipo assim Quando a gente tem um objetivo muito bem estabelecido, qualquer desafio nesse meio do caminho assim vira como se fosse um salto que você tem que pular na trilha.

E vira uma coisa muito pequena, porque o que a gente tava buscando era algo muito maior, sabe? Então eu acho que veio mais da força de vontade mesmo. Porque eu confesso que eu nunca vivi nada igual ao K-pop. Que realmente a gente passou por muitos desafios. Em 8 dias e que eu me preparei muito, mas eu não tinha imaginado que seria da forma como foi, sabe? Então eu acho que veio muito da troca de experiência com o Hugo, veio muito também da minha força de vontade, eu acho, da minha dedicação.

E eu acho que também eu acreditei muito do início ao fim, mesmo quando eu achava, eu sentia muita dor no corpo no final, eu sentia muito mal-estar no final do Cape Epic também. Só que como a gente veio de muito tempo conversando, trocando muita ideia e sentindo um ao outro ali no treino, essas coisas ficaram muito pequenas, sabe? Então eu acho que, que acho que, acho que a paixão pelo esporte mesmo que carregou tudo isso. Acho que não foi a experiência, porque experiência comparada a Hugo não tem nada, né?

MBMichel Bobli

Então acho que não, mas você tem um talento aí, é inegável. Eu acho que isso não dá para, não dá para descartar. Você tem alguma coisa aí, ou algumas coisas que te dão esse diferencial, porque não é todo mundo. Imagino que as pessoas que você treina, ou mesmo as suas competidoras aí, não são todas assim desse nível, né? Vocês combinaram, né, já que o Hugo— quantas vezes que o Hugo fez, você sabe? Já umas 10, sexta. Achei que fosse mais, mas vocês combinaram alguma coisa de comunicação entre vocês?

Porque às vezes você tá no pelotão, às vezes ele tá um pouco na frente ou você tá um pouco na frente, né? Vocês combinaram alguma estratégia de comunicação que não seja só a linguagem corporal no sentido, ah, eu tô vendo que o Hugo tá pedalando assim ou que a Gabi tá pedalando assado, então ela tá querendo dizer, ela tá dizendo alguma coisa sem querer, né? Mas tirando isso, vocês tinham algum truque, uma buzininha, alguma coisa assim para vocês logo se sintonizarem de novo, que um tava indo mais rápido, que um precisava apertar o ritmo?

GFGabriela Ferolla

Não tinha, a gente tinha muito bem alinhado assim. Teve o prólogo, e depois do prólogo que a gente conquistou a segunda colocação no prólogo, a gente não imaginava, foi uma grande surpresa para a gente. E aí a partir desse dia a gente tava muito determinado a a dar tudo no início e a viver um dia de cada vez. E aí eu acho que, tipo assim, todas as largadas, principalmente que eu faço provas de XCO, eu acho que do ano passado para cá eu evoluí bastante alguns aspectos assim no cross-country.

A gente, tipo assim, eu sempre ia na frente do Hugo, e quando ele ia na minha frente na largada, eu seguia ele. Se eu perdia ele de vista mesmo, Aí eu berrava no meio do pelotão o nome do Hugo. Mas praticamente todos os dias a gente tava muito bem alinhado, tava tudo muito bem sincronizado. Os últimos 2 dias foram dias mais duros, que eu antes da largada já falei com o Hugo: "O meu corpo ele tá muito cansado. Eu tô muito positiva, eu tô muito animada, mas eu tô muito cansada.

Então a gente vai ter que administrar isso ao longo desses 2 últimos dias aqui no KPM." E aí, tipo, foi tudo muito conversado antes. E lógico, assim, tem situações que a gente não prevê antes, né, que são coisas, são, né, surpresas que a gente tem ali no meio da etapa. Então a gente tava sempre sincronizado para resolver. Mas em questão de se perder no pelotão e tal, não aconteceu nenhum dia. Todos os dias a gente tava muito próximo, e se era longe era tipo assim a 30 metros no máximo de distância, sabe, que é muito, mas dá para ver, sabe. Então não tivemos nenhuma perda.

MBMichel Bobli

Ele chegou a te empurrar alguma vez? Ele me empurrou nas subidas e tal, que a gente vê as duplas fazendo muito isso, né, não só mistas, duplas em geral, né. Às vezes a pessoa tá um pouquinho mais fraca e o outro consegue dar um naqueles Esses Jeep Tracks, né, que chama isso, né, que tem duas trilhas, né, você pode ficar na esquerda ou na direita.

GFGabriela Ferolla

O que aconteceu foi tipo assim, eu e Hugo, a gente teve pouco tempo para treinar juntos antes do Cape Epic, porque eu ia com meu pai.

MBMichel Bobli

Porque você ia fazer com teu pai, teu pai se machucou.

GFGabriela Ferolla

A gente decidiu ir juntos, eu e Hugo, no início de fevereiro, e o Cape Epic ia ser no meio de março. E aí eu já tinha tipo, tinha me frustrado, meu pai também tava super chateado, e aí surgiu essa dupla. E olha o que aconteceu, tipo assim, o Hugo, na hora que a gente definiu isso, eu falei: "Hugo, pelo amor de Deus, você não vai me empurrar, eu não gosto que me empurrem." Só que aí, obviamente, eu falei isso, mas assim, eu confesso que eu tava muito ansiosa nos meses, tipo assim, depois dessa decisão de correr com ele, porque eu sabia que não ia ser uma coisa fácil.

E eu tava tipo assim: "Gente, imagina eu quebro, sabe?" Tipo assim, porque o Hugo é muito mais forte que eu. Que meu pai, quando eu fui, ele é muito mais forte que eu, só que a gente, a nossa força é um pouco mais próxima, sabe? Não é tão distante.

MBMichel Bobli

E assim, e é uma outra história, teu pai não é um atleta profissional, teu pai não vive disso, né? Eu fico imaginando eu com a minha filha mais velha, você vai se entender de alguma maneira, muito mais simples, né? A equação é menos complexa.

GFGabriela Ferolla

E aí, tipo assim, quando chegou lá no Cape Epic, o Hugo ele só me empurrou nos pelotões. Então, tipo assim, tinham dias que eu tava com muita dificuldade no início de encaixar no pelotão, ele ia lá e me dava uns leves. Mas ele em momento nenhum me empurrou, me empurrou mesmo, deu tipo pendurar no camelback dele ou dele me empurrar. Ele tinha um desgaste muito grande porque ele parou em todos os apoios, ele carregava praticamente tudo, tipo gel, equipamento e tal.

MBMichel Bobli

E ele parava em todos os lados, mais leve possível.

GFGabriela Ferolla

E tipo assim, era impressionante, porque na minha bike eu tenho um Scott Small, então só tem um suporte de garrafa. E eu bebo muita água, tipo, em cross-country, Michel, eu tipo tomo muita água mesmo durante o treino. E acabava muito rápido. E também tinha dia que se minha água não acabava, eu tava com camelback, é muito desconfortável. Camelback é impressionante, na hora que eu tirava parecia que eu tava flutuando.

MBMichel Bobli

Não é mesmo, é?

GFGabriela Ferolla

Então tipo, tudo era pro Hugo, entendeu? Teve até um dia que ele esqueceu de comer lá, que foi na segunda etapa, no terceiro dia. Eu fiquei até super preocupada porque no final da etapa o Hugo tava tipo assim muito cansado. E não é que eu não tava cansada, mas ele teve um desgaste muito grande de preocupar comigo, além de tipo assim administrar a força que a gente tava colocando ali, além de administrar tudo que tem ao longo da etapa, porque Tipo assim, eu buscava entender tudo, claro.

Eu tenho noção do que eu tenho que comer, eu tenho noção do que esperar também, a gente conversava. Só que ele que era o chefe, assim, vamos falar, né. Eu obedecia praticamente tudo que ele mandava eu fazer. Então, no final desse dia, ele chegou muito desgastado, assim, porque ele esqueceu de comer. Então, ele tinha um desgaste muito grande em se preocupar comigo, sabe. E aí, esse negócio de empurrar, de dar o leve e tal, a gente tentou evitar ao máximo. Foi muito pouco assim, em 8 dias foi muito pouco mesmo.

MBMichel Bobli

E você ter duas participações e duas finalizações com muito êxito, de novo, é alguma coisa você tem aí que tá dando super certo, né? Porque a Cape Epic ainda tem o mountain bike, as quedas são normais, e a Cape Epic por passar em, acho que a penúltima etapa ainda tem aquela parte que é proibido pedalar, que é tipo um santuário. O proprietário pede que todo mundo desça da bicicleta e você tem que fazer tipo um sobe numa montanha cheia de pedra, vai carregando a bike, não dá nem para ir com a bike do lado porque é muita pedra, e depois você desce de novo e aí monta. Tem isso ainda?

GFGabriela Ferolla

Ano passado não teve isso, mas esse ano na etapa rainha a gente chegou num topo super remoto assim, tava maior neblina, chuva e tal, e aí tinham muitas pessoas da organização mandando a gente descer da bicicleta que era uma descida toda de pedra molhada e tal, que a gente tinha que descer empurrando, não podia descer pedalando, mas era uma descida de pedra.

MBMichel Bobli

Eu não sei se nesse era um trecho que a gente fazia assim, tipo, um subia um pedacinho e descia assim, era, eu não lembro mais, faz muitos anos que eu fui a última vez, mas assim, eu lembro que a gente tinha que carregar a bicicleta. Mas enfim, aí você tem que carregar a bicicleta, que já é um perrengue por si só, que você também não quer escorregar na sapatilha e tal, mas você tem que tomar um cuidado para se você escorregar você também não cair bater o câmbio, entortar a gancheira e por aí vai, né?

Você tem que preservar o seu material, né? E por si só você preservar o material e conseguir terminar duas vezes em duas participações com a idade que você tem, de novo, eu fico toda hora me dizendo assim, eu tenho que me policiar para não achar que 20 anos ou 21 anos é jovem em termos de experiência para fazer uma Cape Epic ou para ganhar um Tour de France, né? Os grandes aí já provaram isso, não é necessariamente um pré-requisito.

Você pode ter menos experiência e ainda ser experiente o suficiente. O sabor daquele champanhe no final lá no pódio em Stellenbosch, qual foi o sabor dessa champanhe?

GFGabriela Ferolla

Foi o melhor sabor da minha vida! Nossa, foi muito gratificante, sério, foi muito especial. Meu Deus, foi assim, eu falei com o Hugo, a gente tava até conversando hoje que antes de entrar aqui pra gravar o podcast, eu tava vendo umas fotos do KTF e nossa, foi muito gratificante. Eu lembro direitinho, meus pais chegaram no final da KTF, a gente chegou pra encontrar com eles e eu lembro que a gente ficou na área VIP de quem pega pódio.

Pra mim isso já foi tipo muito top porque eu tava perto de tipo ídolos, né? A Jenni Richards pra mim ela é uma ídola, tipo teve um dia que a gente rodou com eles por 2 horas e meia na etapa. Depois da etapa no pódio, ela me deu a camisa de líder e tipo me deu parabéns pela competição. Ela disse que eu tava andando super bem nas trilhas e para mim isso foi motivo de tipo, nossa, fiquei em êxtase assim, fiquei muito alegre. Então esse pódio significou muito para mim e tipo eu lembro direitinho na hora que a gente chegou esse dia.

Michel, para mim os dois últimos dias foram tipo os piores e eram os mais legais, o percurso era mais legal. Era o que se encaixa super bem no meu perfil, porque era parecido com cross-country, muita subida, tipo, em trilha, muita descida e tal. Só que eu não consegui aproveitar, tipo, foram os piores dias da minha vida. Só que na hora que a gente chegou, foi uma sensação tão boa, mas eu demorei mais ou menos 1 hora e meia assim para assimilar tudo que tinha acontecido, sabe?

E na hora que a gente subiu no pódio, estourou champanhe, nossa, não sei nem descrever, mas eu fico até arrepiada, sério.

MBMichel Bobli

Você acha que foi a conquista mais importante? Importante no sentido assim, a que você mais vibrou de todas as conquistas até hoje?

GFGabriela Ferolla

Eu acho que eu vibrei muito assim, mas eu acho que foi algo muito grande assim, foi muito além daquele pódio, sabe? É tipo assim, é porque eu falei com meu pai, é uma coisa tão rápida, né? Você sobe no pódio, você tipo estoura o champanhe Você tira uma foto e tal, aí você desce e tudo meio que volta ao normal, sabe? Mas só que eu senti uma coisa muito forte lá no K-Pop. Porque foram 8 dias que tipo assim, Michel, eu levei meu corpo a um ponto onde eu nunca tinha levado antes.

E eu nem sabia que eu era capaz. Tinham muitos momentos no K-Pop que tipo assim, eu tava em situações críticas. Tipo, antes da etapa rainha, Eu passei a noite inteira vomitando e eu não dormi. E a gente tinha que acordar 4 da manhã para pegar o transfer para largada, porque esse ano todas as largadas foram longe onde a gente estava, que a gente ficou em hotel. A gente não ficou em barraca nem motorhome esse ano. E aí eu ligava para o meu pai no meio da noite porque eu tava sozinha e eu fiquei tipo assim, o que que eu vou fazer?

Eu não sei o que que eu vou fazer. E eu não queria acordar o Hugo, porque o Hugo tinha que estar bem, ainda mais se eu fosse largar nessa situação.

MBMichel Bobli

Dupla que é dupla é assim mesmo, né?

GFGabriela Ferolla

Ele não podia se preocupar comigo naquele momento. Aí eu fiquei passando muito mal, muito mal estar assim. Aí eu tomei um banho, arrumei minhas coisas, porque eu tinha passado muito mal, e dormi por uma hora, eu acho que foi muito. Aí eu acordei no dia seguinte, eu tava branca. Branca, tipo assim, branca mesmo, tipo pálida. Aí eu falei: gente, mas não pode, assim, a gente fez tudo isso até agora, isso não pode estar acontecendo.

Só que eu também não tinha o que fazer, sabe? Tipo assim, aquilo tinha acontecido, eu tinha que aceitar aquela situação. Aí eu falei: vou tomar um banho muito gelado, colocar minha roupa, arrumar minhas coisas que já estavam tudo pronto assim, vou tomar o café. Chegou no café, eu tomei uma Coca e um pão branco com muito sal. Hugo não entendeu nada, né? Porque a minha ideia era não contar pro Hugo que eu tinha passado mal. Mas eu tava passando muito mal, então eu não consegui comer.

Aí comi isso, conversei com o Hugo, o Hugo levou uma banana pra mim, porque eu falei: "Hugo, não vou comer de jeito nenhum, não consigo." Aí chegando lá ele falou: "Eu trouxe pra você porque você tem que comer essa banana, mesmo se você não consegue, você tem que comer." Aí no que a gente largou eu tive alguns calafrios assim no início, só que eu consegui encaixar no pelotão, deu certo assim. E aí eu tava muito preocupada porque tipo assim, a gente não tava conseguindo disputar pela primeira colocação realmente, né, o Simon e o Adrien assim, a genius, eles dois são os melhores do mundo.

Só que na posição que a gente tava, tava dando uma sensação assim muito tipo assim, tava uma disputa muito legal, sabe, com a dupla que ficou em terceiro. E aí eu ficava pensando, gente, a gente não pode perder tudo isso agora, sabe? Aí eu encaixei bem no pelotão. Assim, no início eu tava sentindo muito incômodo no meu estômago. E a Etapa Rainha foram 130 km com acho que 3.000 de subida, e choveu muito no dia da Etapa Rainha, e muita lama também em alguns momentos. E deu 6 horas e 25 de prova, foi o dia mais longo de prova.

MBMichel Bobli

Uau!

GFGabriela Ferolla

E aí a serra mais dura para vocês, hein, que voaram, né? A serra mais dura da etapa foi no final, entendeu? E aí foi esse dia que eu descobri que tipo assim a gente é capaz de qualquer coisa, entendeu? Porque na hora que a gente tipo assim tava no meio da etapa, essa dupla em terceiro lugar começou a buscar a gente, eles estavam vendo a gente, e o Hugo não deixou a gente parar em nenhum ponto de apoio. Então a gente não parou para repondo nada.

Então no final a gente tava sem absolutamente nada. E no que a dupla tava vindo encostando, o Hugo falava: não tira o pé, não tira o pé. Eu só pensava tipo assim, eu xingava o Hugo de todos os nomes diferentes internamente e pensava tipo assim: eu vou explodir, entendeu? Porque já tem 4 horas e quase 5 horas de prova, essa dupla tá encostando aqui, eu já dei tudo que eu tinha. Tipo assim, você começa a pensar mil coisas, né, Michel?

E aí eu lembro, foi insano, a gente chegou na última serra e eu falei: "Hugo, então já que você tá falando isso tanto, pega meu camelback aqui." Aí eu taquei meu camelback no Hugo e falei: "Toma." E não sei o que aconteceu, eu liguei de uma forma inexplicável nos últimos 10 km, assim, que eram nos últimos 30 km tinha uma serra de 10 km. Aí nessa serra eu tipo comecei a sentir muito bem e era no final da etapa praticamente, né, já tinham passado quase 100 km.

E eu lembro que esse dia eu cheguei da etapa branca assim, tipo, no meu limite. Aí esse dia foi uma virada de chave, acho que para mim mesmo no esporte mesmo, sabe? E acho que me possibilitou acreditar em outras coisas também, eu acho. Essa, isso que foi feito esse dia assim. E eu lembro que foi tão duro também que eu e o Hugo, a gente não conversou nada praticamente por 6 horas e meia. Foram pouquíssimas trocas de balas.

MBMichel Bobli

Não deu espaço, né? Além de você tá mal.

GFGabriela Ferolla

Eu tava conseguindo comer, mas todo gel que eu tomava, minha barriga dava uma movimentada. Aí foi um desafio muito grande esse dia, assim. Mas foi muito legal, porque com a pressão que tava vindo de trás, a gente conseguiu administrar bem e manter a nossa posição no KPI, porque esse dia, então, foi muito gratificante esse dia. Mas depois os dois últimos também foram gratificantes, mas foram piores ainda. Eu achei que não pudesse piorar depois de Itaewon Rain, mas foi possível piorar.

MBMichel Bobli

Qual foi na sua interpretação o ponto, o seu ponto alto na K-pop?

GFGabriela Ferolla

O melhor momento assim da K-pop que você fala?

MBMichel Bobli

Isso. Ou vamos fazer uma coisa menos física assim, qual foi a lição mais valiosa que você aprendeu da Cape Epic?

GFGabriela Ferolla

Eu acho que, eu acho que tipo assim, é muito difícil colocar em palavras, né? Ainda mais você também que é do esporte, tem muitas coisas que a gente sente que são intuitivas ali no momento, né? E são coisas muito únicas. Mas eu acho que para mim o Cape Epic, o maior aprendizado assim é tipo É literalmente ter fé assim, sempre acreditar, sabe? Que é uma coisa que todo mundo fala. Eu já, eu adoro às vezes ler livro de outros atletas, acompanhar outros atletas.

Eu tenho muitos ídolos assim, pessoas que eu gosto muito de acompanhar. E muitas vezes você vê muitas pessoas falando: ah, você tem que acreditar, você tem que manifestar aquilo, ah, você tem que lidar com os desafios no meio do caminho. E tipo, é tudo um clichê assim, é muito fácil na hora que você tá escutando a pessoa que fala muitas vezes fala porque é o que escutou também e não de fato sentiu na pele. Só que tipo assim, é impressionante na hora que você entra naquela atmosfera ali, fica imerso naquilo e começa tipo viver aquela disputa, viver essa competição, é uma coisa muito grande, sabe?

E é tipo assim, é impressionante o que que o ser humano é capaz assim. Você vê os próprios atletas de elite, o tempo que eles fazem, né, os homens numa prova dessa, é uma coisa surreal assim, chegar colocando mil e poucos watts no sprint depois de uma etapa super dura de 4 horas e meia, por exemplo. Só que tudo isso é possível porque a pessoa acredita, porque no final do dia a pessoa que— o que eu percebi assim vendo de mim, do Hugo e dos adversários que estavam próximos da gente, a gente só conseguiu aquela segunda colocação porque a gente tava muito forte mentalmente, sabe?

E dava para ver nitidamente que eu tava sofrendo muito nos dois últimos dias. E a dupla adversária, a outra mulher, tava sofrendo muito também. Só que tipo assim, e eles estavam vendo o tanto que eu tava em dificuldade, porque nos dois últimos dias eu realmente sofri muito assim, tipo, foi muito difícil mesmo. Eu tipo, eu pensei que eu não fosse aguentar o último dia do K-pop, que eu falei, não é possível que eu vou perder tudo aqui.

Eu larguei, eu não conseguia colocar 200 watts fazendo muito esforço, sabe? Então assim, eu acho que tudo foi possível porque a gente realmente acreditou muito naquilo. E eu aprendi isso porque às vezes a gente se vê numa posição ali que nem a gente largava todos os dias do lado da Jenny Rissveds. Ela é uma atleta olímpica, ela é uma ídola para mim. Só que tipo assim, se eu ficar olhando para ela também, obviamente eu fiquei, no primeiro dia eu fiquei arrepiada, eu fiquei tipo eu pensei: meu Deus!

Todos os dias, na verdade, eu fiquei em êxtase na largada. Só que tipo, o Hugo, ele ficava, ele respeita demais esses atletas também, só que ele não endeusa eles a ponto de acreditar que eles são muito melhores que a gente. Então tinha muitos dias que, apesar de que isso não aconteceu, ele me fez acreditar que seria possível ganhar deles, sabe? Então eu acho que eu aprendi muito a respeitar o adversário, mas também a gente acreditar no nosso potencial mesmo, que eu acho que isso que fez muita diferença no Cape Epic pra gente, principalmente nos dois últimos dias que a gente passou uns apertos assim, sabe, de pressão da dupla adversária.

E tipo assim, eu mesma, eu tava em dificuldade, eu percebia que o Hugo tava aflito e administrando a minha dificuldade também, entendeu? Então parece clichê, mas eu realmente, o maior aprendizado que eu tive é tipo assim É ter fé, sabe? Acreditar muito que as coisas são possíveis, assim. Acho que isso é para tudo que a gente quer, né?

MBMichel Bobli

Definitivamente. E aquilo que, né, normalmente se diz: se você não acreditar em você mesmo, cara, como é que as outras pessoas vão acreditar? Então assim, também é um clichê, mas é muito verdade, né? A gente precisa acreditar que é capaz de fazer qualquer que seja a coisa, né? Para que também as pessoas vejam isso na gente e claro, aí fica uma coisa que tem mais chance de dar certo. Para terminar a Cape Epic, porque eu quero aqui entender um pouquinho mais aí do teu começo e da tua trajetória, a Cape Epic foi agora em 2026.

Se chegar para você agora aqui um convite do Hugo para vocês largarem ano que vem, 2027, e um plano, né, que ele vai dizer para você, que ele vai, que ele já viu lá pela experiência que ele teve contigo esse ano, que vocês têm chance de bater a Jenny Rieswes e o Simon Andreasen no ano que vem. Então vocês vão para cabeça. Ou você voltar a competir ano que vem com o teu pai para vocês terem de novo uma experiência de pai e filha, para você poder ajudar o teu pai a realizar mais uma conquista da Cape Epic. Quem que você escolheria?

GFGabriela Ferolla

Não, eu acho que são duas coisas muito assim, para mim o meu maior sonho é ganhar o Cape Epic na Elite como mulher. Uma dupla feminina. Então nesses dois assim eu fico meio em cima do muro, sabe? Porque ganhar da Jenny Riss e do Simon Dreyfus...

MBMichel Bobli

Você tem que escolher, vai com o teu pai, quem sabe pegar um pódium, ou você vai com o Hugo para bater a Jenny Riss versus o Hugo?

GFGabriela Ferolla

Bater a Jenny Riss e o Simon Dreyfus seria muito top, né? Isso é muito top! Muito top! É um sonho assim, né? É, mas um grande sonho mesmo é correr na elite feminina.

MBMichel Bobli

E você gostaria de correr, por exemplo, ano que vem? Tipo, você vai tentar buscar uma oportunidade com alguma, precisa ser brasileira, pode ser estrangeira, né? Não sei, a sua vontade.

GFGabriela Ferolla

Meu pai, ele me acompanha muito nessa trajetória, sabe, Michel? E ele me auxilia muito assim Ah, ele acredita muito em mim também, e a gente tem muitas conversas entre nós de muitos planejamentos que a gente tem. Então, quando eu voltei da faculdade fora, a gente sentou e a gente tipo sonhou muitas coisas juntos. E um grande sonho meu é correr toda a rodada da Copa do Mundo de cross-country. E esse ano, agora no meio do ano, eu vou para lá fazer um bloco de provas.

Eu vou ficar 45 dias na Europa. Competindo. E para mim, o meu maior sonho ano que vem é correr todas, sabe, todas as Copas do Mundo, incluindo o Mundial de Cross Country. E o Cape Epic, para mim, o dia que eu for correr na elite, eu quero muito correr como atleta de elite, né, também. E eu gostaria de correr com uma atleta mais experiente que eu. Eu admiro muito algumas atletas de fora Meu maior sonho seria correr com aquela sul-africana, sabe, a Candice Liu.

Ela é minha ídola master, eu sou tipo muito fã dela. Mas nesse meio tempo, enquanto eu sou sub-23, eu também acredito muito nesse processo de construção, sabe. Então eu ainda não tenho muita ansiedade assim para já ir para o Cape Epic como outra mulher tão cedo, porque eu acho que quando a gente vai, as minhas duas experiências foram com homem, né, com meu pai, com o E é um cenário assim muito diferente, né, quando você vai com outra mulher.

Eu acho que eu ainda quero adquirir um pouco mais de experiência para conseguir colaborar para uma mulher da mesma forma que ela vai colaborar para mim na dupla, sabe? E aí eu ainda, sabe, mas eu sonho muito em ganhar na Elite Feminina, muito mesmo, assim, é um sonho muito grande.

MBMichel Bobli

Esse episódio é oferecido pelas E2 Performance. A Z2 agora está com nova embalagem dos géis, abre fácil, com melhor fluxo de sucção e bordas arredondadas para não te machucar durante o treino ou prova. E tem mais novidade: os géis com sabores originais da Maratona do Rio voltaram! Água de coco e mate com limão em edição limitada. Outra novidade é o gel de 75 gramas de carboidratos, ideal para estratégias de alto consumo. Siga @z2performance e fique por dentro do universo da Z2.

No mundo do esporte hoje em dia, Sempre tem alguém na sua frente, mais cedo, mais forte, mais rápido. Mas e se isso não for um problema? A comparação não te diminui, ela te provoca. Existe uma distância entre quem você é e quem você pode ser. Porque nunca foi sobre eles, sempre foi sobre quem você quer alcançar. Você mesmo. Porque essa corrida Nunca acaba. Depois de tantas décadas convivendo com atletas e nos últimos anos ouvindo e aprendendo com os convidados aqui no Endorfina, está claro que evoluir no esporte não depende apenas de dedicação e consistência.

Passa também por fazer boas escolhas, especialmente quando o assunto é equipamento. Saber o que faz sentido para o seu momento, para o seu objetivo e para o terreno onde você pedala faz toda a diferença. Esse entendimento você encontra na 2Pix Tupix Bikes, patrocinadora do Endorfina. A Tupix Bikes é importadora e distribuidora oficial no Brasil de marcas como a Factor Bikes, a Santa Cruz Bikes e a Yeti, além de outras referências do mercado.

Mais do que vender bicicletas, vestuário e acessórios, a proposta deles é orientar você. A Tupix foi criada para atender quem busca dar o próximo passo no esporte, seja no ciclismo de estrada, no mountain bike, no gravel ou no triátlon. A lógica é simples: cada ciclista tem uma necessidade diferente, e o papel da equipe da 2PIX Bikes é ajudar você a fazer escolhas melhores, mais conscientes e mais eficientes. Essa filosofia se reflete também nos espaços físicos.

Na loja do Rio de Janeiro, o ciclista encontra manutenção de alto nível, bike fit, café e espaço para encontros e eventos. Em São Paulo, na Avenida Faria Lima, além de uma oficina especializada, A unidade recebe clientes e amigos para treinos aos finais de semana. Já a loja de Los Angeles segue exatamente o mesmo padrão, a mesma curadoria e a mesma essência. Por tudo isso, é um prazer ter a Two Peaks Bikes ao lado do Indorfina.

E fica o convite: se você está buscando orientação para melhorar seu equipamento, entender melhor suas escolhas ou simplesmente pedalar com mais qualidade, vale conhecer a Two Peaks Bikes, distribuidora oficial da Factor Santa Cruz Bikes e Daiichi no Brasil. Siga @2paksbikes. Eu vou soletrar: @2paksbikes. Siga @2paksbikes no Instagram. A Cape Epic, ela tem um prestígio muito grande no cenário mundial, né, internacional do mountain bike.

Mas vencer uma Cape Epic ou vencer uma etapa da Copa do Mundo, o que que você escolheria vencer?

GFGabriela Ferolla

Primeiro, nossa, uma etapa da Copa do Mundo, uma etapa da Copa do Mundo.

MBMichel Bobli

Você acha que isso é, se a gente perguntar aí para os grandes nomes do mountain bike brasileiro e internacional, vale mais do que vencer uma Cape Epic? Não vencer o Campeonato Mundial, né, a Copa do Mundo de mountain bike, então uma das etapas.

GFGabriela Ferolla

É, aí pode ser os dois.

MBMichel Bobli

Eu tô torcendo para que você vença os dois. Eu só queria ter uma noção do peso, porque a Cape Epic que ela ganhou um prestígio tão grande. Na minha época, né, que faz muitos anos, já tinha esse prestígio, mas era mais assim, ou atleta que não tinha ainda despontado tanto, né, nas etapas da Copa do Mundo, ou gente que já tinha tentado e talvez não tinha tanto resultado, não tinha tido tanto resultado, pelo menos assim que eu enxergava.

Aí depois, na época, era o Christoph Sauser, que já tava mais para lá do que para cá e tal, ele acabou, né, morava lá em Stellenbosch e tal, acabou virando também um grande propagador da Cape Epic, mas eu tenho acompanhado desde então e eu tenho impressão que tem ganhado cada vez mais relevância, né? O próprio Vansini competiu n vezes, né? O Nino Schurter e tantos outros buscando um reconhecimento, um prestígio, e não porque, né, uma maneira de treinar no altíssimo nível numa competição super bacana, definitivamente, e numa época também que não atrapalha as Copas do Mundo, né?

Não atrapalha muito o calendário porque é uma época que na Europa ainda não tem prova, né? Por isso que eu fiz essa pergunta para você. Mas, Gabi, vamos voltar um pouquinho na linha do tempo e falar, né, da pequena Gabi ali atrás que era apaixonada pelo futebol e tal, e de repente você jogava vôlei e tal, e de repente você começou a pedalar na pandemia, o teu pai já devia pedalar muitos anos, você começou a pedalar com as suas irmãs, você falou que com os amigos e tudo mais, mas de repente algo te levou para ir para competição, né?

Para tipo ir um pouquinho além. Até então todo esse teu lado que você acabou de contar aqui nessa primeira parte do episódio, né, de ter descoberto essa, né, de ter vomitado, passado a noite mal, de ter aguentado, ter chorado em treino, isso aqui para você era uma coisa, né, não é que desde criança você chora no treino, né? É diferente, né? Assim, Fazer esporte do jeito que você fazia era super legal, mas não tem nada a ver com fazer esporte do jeito que você tá fazendo aí nos últimos 4, 5 anos.

Muda radicalmente. Como é que foi essa descoberta? Qual foi o primeiro passo? O que que foi que te disse? Porque eu sei que o teu pai tava te dizendo isso o tempo inteiro, mas o que que foi que te disse que tipo, puxa, deixa eu ir um pouquinho mais, deixa eu experimentar, meu pai tá me incentivando, tá me ajudando, tá, né? Me motivando. Como é que foi essa transformação de uma garota, aí sim você era uma garotinha adolescente, que, né, não tinha tido contato com essa coisa do esporte, né, de sofrer, de treinar na chuva com dor de barriga, de chorar no treino, né? Como é que foi essa transformação?

GFGabriela Ferolla

Pois é, foi muito natural assim, porque o futebol e o vôlei foram dois esportes que eu amava. Só que eu lembro que o vôlei eu pratiquei no Minas, que eu tenho um clube aqui em Belo Horizonte. E o futebol eu pratiquei na escola, só que eu gostava tanto do futebol na escola que eu fazia futebol fora da escola também. E eu fazia com outras amigas, era um time só de mulheres. E era muito legal, a gente tinha preparação física e tinha hora de jogar bola assim.

E à noite a gente ficava tipo fazendo treino técnico de futebol, esses drills assim, correndo nos cones, enfim. E eu lembro que eu amava muito a atmosfera do esporte, Michel. Sempre gostei muito das pessoas no meio do esporte. Eu lembro que eu comecei a fazer até basquete na escola. Eu fazia basquete, futebol e vôlei, porque tinha um campeonato. Eu estudei numa escola americana, tinha um campeonato que acontecia no NR Acampamentos em São Paulo, nosso recanto, é, e era duas vezes no ano.

E aí, tipo, tinham as seasons, né? Tinha a season que tinha futebol, não lembro se era futebol e vôlei ou futebol e basquete, e tinha a season que tinha futsal e vôlei. Ou futsal e basquete, era alguma coisa assim. Então eu fazia tudo que eu sempre queria no acampamento para disputar pela escola. Tipo, eu comecei a fazer o basquete porque eu queria ter mais chance de ir, entendeu? Que quanto mais, né, eles iam precisar, né? Enfim, aí eu entrei.

E aí quando veio a pandemia, tudo começou a ser online. Então tava fazendo treino de futebol com meia na sala aqui de casa.

MBMichel Bobli

Nossa Senhora!

GFGabriela Ferolla

Ele mandou a gente pegar duas meias, fazer uma bolinha e fazer embaixadinha, ficar treinando, e tava muito chato. Aí eu falei, gente, numa boa, se for para ficar fazendo futebol assim, eu não quero mais fazer futebol, porque não dá para ficar dentro de casa. Eu sou muito agitada, sabe? E eu tenho duas irmãs mais novas, e eu não fazia academia, não fazia corrida, não fazia outros esportes além desses esportes coletivos mesmo, coletivos, esportes de escola, né?

Aí eu e as minhas irmãs, a gente começou a fazer academia aqui no prédio com o personal que tá comigo até hoje, que é o Bruno Dornas, que ele inclusive me ensinou a pedalar quase também. E aí a gente corria na quadra e fazia academia na quadra, porque como tava no auge da pandemia, né, em 2020, a gente não podia ficar dentro de lugares fechados. E minha mãe muito preocupada e tal, e eu e minhas irmãs tipo assim, não, a gente só quer sair de casa.

Enfim, aí meus pais voltaram a trabalhar. Aí eu fiquei indignada, bicho. Eu falei: "Pai, não vai ter como. Como é que você vai sair pra trabalhar? A gente vai ficar dentro de casa. A gente vai ter que fazer alguma coisa também." Aí minha mãe começou a pedir pra ele levar minhas irmãs pra pedalar. Só que meu pai, até na época, você acredita que ele... Não é que ele não incentivou, mas ele não ficou tão animado pelo fato de que tava tudo muito difícil.

Eles estavam até fechando as trilhas. "Para não ter gente, né, no meio do caos e não pedalar e tal." E aí ele falava: "No, Carol, mas no momento mais difícil elas vão inventar de pedalar." Aí eu reuni uma turma de amigas e a gente começou a pedir bolo, fazer pão de queijo e tal, e começamos a pedalar para fazer piquenique. E só que aqui eu lembro direitinho, Michel ia eu, duas amigas e mais alguns meninos. E a gente tem uma subida aqui no meu bairro, que não é uma subida, né?

É um falso plano, deve ter 1 km se for muito. Aí é tipo uma avenida principal. Aí eu lembro que todo mundo ficava com preguiça de subir tudo. Eu ficava querendo ir e voltar várias vezes, ninguém tinha paciência, todo mundo só queria chegar na hora do piquenique. E eu queria ficar pedalando. E isso era no bairro. Aí depois disso, a minha mãe chamou o Chiquinho Maranhão, que ele é aqui de Belo Horizonte, você deve conhecer ele.

MBMichel Bobli

Não, não conheço, mas eu vi que você fez a Cape, a Brasil Ride com ele, né?

GFGabriela Ferolla

Eu fiz o Iron Bike, o primeiro Iron Bike.

MBMichel Bobli

Ah, o Iron Bike.

GFGabriela Ferolla

Eu fiz de dupla com ele. E ele treina aqui comigo, ele já foi ciclista profissional de estrada, ele é um cara super legal. E aí ele treinava comigo com as minhas irmãs de manhã cedinho. Aí a nossa rotina era assim, acordar, pedalar no Linho de Trem, que é uma área ali meio ali na Vale aqui em Belo Horizonte, um pouco abandonada e tal, a gente pedalava lá. Ficava dando voltas no bairro, não ia para trilha, ficava só no bairro mesmo, no asfalto.

E na época, como tava todo mundo meio que enclausurado dentro de casa, acabava que não tinha tanto carro, tanto trânsito e tal.

MBMichel Bobli

Exato, é.

GFGabriela Ferolla

Aí eu chegava em casa com as minhas irmãs, a gente fazia um café da manhã e ficava o dia inteiro vendo série de esporte, enfim, essas coisas. E aí eu fui pegando gosto, mas conforme as coisas foram reabrindo, minhas amigas começaram a sair de novo, minhas irmãs começaram a sair de novo, então todo mundo meio que desvinculou um pouco desse esporte, só que eu amei muito. Então eu pedi para o meu pai me levar na trilha e eu não pedalava de sapatilha até então.

Aí ele comprou uma sapatilha para mim, um pedal, né, para colocar, para prender a sapatilha. E aí eu lembro que ele me levou na Milkshake, que é uma trilha no Alphaville, que lá já é Nova Lima, né. Aí eu lembro, Michel, que meu pai me colocou nessa trilha, eu não consegui pedalar porque eu não conseguia ficar em pé na Eu não conseguia, meu pé, eu caía, tipo assim, eu juro, eu caí umas 100 vezes, sem brincadeira. E aí, a partir daí que eu comecei a ir com meu pai, a gente sempre pedalava juntos na fazenda, porque na época da pandemia a gente tem uma fazenda lá em Lafayette, a gente ficava muito lá.

A gente começou a fazer trilha juntos, aí eu comecei a pedalar com os amigos do meu pai também. Aí foi muito natural assim, eu gostei muito do esporte, sabe? E tipo assim, no início eu ainda tinha muito, muito contato com as minhas amigas. Eu ainda tenho essas amigas que pedalavam comigo, só que tipo assim, eu não quis mais sair tanto, porque como eu sou da cidade, aqui tem muita festa, tem muitas coisas desse tipo, né? E aí eu parei de fazer isso, eu fiquei muito mais voltada para esse estilo de vida, né, bike, querer dormir, querer comer bem, fazer programas mais tranquilos.

E aí eu fui meio que gostando desse estilo de vida. Aí no final de 2020 meu pai me levou numa competição e eu achei o máximo. Eu cheguei em último, tipo assim, eu cheguei, sei lá, muito atrás das minhas adversárias, só que para mim foi maravilhoso. Eu não fiquei triste de ter ficado em último, eu tipo adorei a corrida, sabe? Aí a partir dali eu fiquei muito motivada para treinar, para evoluir, e meu pai me incentivou muito nessa, principalmente no início assim, porque querendo ou não ele sempre pedalou.

Então, tipo assim, ele precisava de ter um pouco de paciência com a filha dele, né? Porque assim, eu era bem ruim no início.

MBMichel Bobli

Você já tá andando mais forte do que ele agora em 2026?

GFGabriela Ferolla

Não, agora ele teve essa lesão, então acaba que ele tá no ombro, né? É, no ombro. Então ele tá com um pouco de dificuldade com os treinos. Então tô num momento melhor que ele. Aí eu falei: pai, eu te amo, eu tô arrasada que você tá com esse problema, mas eu tenho que aproveitar esse momento Muito bonito, quebrudá na sua cabeça. Aí ele fica morrendo de raiva.

MBMichel Bobli

Olha, eu só posso imaginar o orgulho do teu pai de estar vendo você se desenvolver dessa maneira, né? Enfim, qualquer pai fica orgulhoso de ver o filho se desenvolver, mas se desenvolver num esporte que para ele é importante, né? E ele curte ainda ter feito a Cape Epic contigo. Que bacana! Você disse que caiu mais de 100 vezes. Você podia ter tipo: "Ai, isso aqui não dá certo, eu vou continuar pedalando ali na Vale, sei lá onde lá, que eu faço exercício, é legal e eu não preciso ficar caindo toda hora, ralando o joelho aqui na trilha", né?

Mas você decidiu continuar, né? Você não quis arredar o pé. Isso corresponde ao que você era, a sua personalidade de não desistir fácil? Porque eu já tô vendo esse teu comecinho de cair 100 vezes, eu tô vendo um paralelo aqui, uma similaridade com você ter passado a noite inteira acordada vomitando e não ter nem dito nada para o Hugo e ter conseguido continuar no dia seguinte a Cape Epic que você foi aí com o Hugo, segundo colocado na categoria mista.

Quer dizer, não é que vocês estavam lá também só para terminar, né, para se divertir, né? Vocês tinham esse um objetivo claro de ter performance. Teu pai reconhece isso em você? A tua mãe? Tipo, ah, Gabi sempre, se a gente, né, fosse perguntar para tua mãe agora, ela falaria, não, a Gabi sempre foi assim, aguerrida, às vezes até cabeça dura, insistente e tal? Ela sempre foi atrás do que ela quis?

GFGabriela Ferolla

Eu acho que muitas pessoas falam que uma das minhas características é determinação, que eu sou muito determinada. E muitas pessoas falam também que eu sou uma pessoa muito positiva, assim, sabe? Eu acho que quem me conhece fora da bike não acha que, tipo assim, eu pedalo. E também, se eu falo que eu pedalo, acha que eu, tipo, ah, ela deve dar uma volta ali na Lagoa Seca, que é uma lagoa que não deve ter nem 800 metros o negócio aqui.

A minha personalidade na bike e fora da bike são completamente diferentes, mas eu acho que tipo assim um pouco da minha essência assim é o que me traz força e confiança na bike, sabe? Mas muitas pessoas falam da minha determinação assim, eu acho que principalmente até na escola mesmo eu não era muito boa no futebol, para falar a verdade eu nem era boa no futebol, mas aquilo me desafiava muito, eu gostava muito daquilo, então tipo eu sempre ia, eu sempre tipo Era muito focada nos treinos.

Eu também na escola, quando eu não ia bem na escola, teve uma vez que eu tava indo muito mal em matemática. Aí meu professor virou e falou assim: você precisa muito de começar a fazer aula de algum tipo de música, vai te ajudar muito a evoluir na aula de matemática. Aí eu comecei a tocar violão, aí eu toquei violão por tipo 3 anos e realmente eu melhorei muito na aula, tipo nas provas de matemática e tal. Então eu corro atrás das coisas, sabe?

Eu acho que quando eu quero alguma coisa, eu sou muito determinada com aquilo. Óbvio que assim, nada é uma linha perfeita onde eu nunca tenho, tipo assim, onde eu nunca sinto desmotivada ou preguiça. Acho que isso é uma coisa completamente normal de sentir. Quem fala que não sente, eu acho que é mentira, né? Mas assim, muitas pessoas falam dessa característica minha, que eu sou uma pessoa determinada. E muito positiva também. Eu acho que é importante.

MBMichel Bobli

Você já falou disso em outros lugares, que isso também é, enfim, é o seu jeito e você quer levar isso, você quer transmitir isso, né? Você tá, na minha opinião, você tá indo super bem no teu Instagram, né? Eu fui até o primeiro post teu e tal. Você tem aquele Miles, como é que é o nome da tua minissérie lá? Eu comecei Made of Isso, made of miles, você tá, né, você fez uma propaganda do café lá que você é patrocinada, agora me fugiu o nome, com a tua mãe.

Elisa Café. Exato, Elisa Café. Assim, dá para perceber que você é uma menina desenvolta, né, você é uma menina autêntica e desenvolta e você tá cumprindo também um papel que é, na minha opinião e de muita gente que já passou por aqui, é muito importante hoje em dia, né, porque você consegue controlar a sua narrativa. Você não precisa só estar no pódio ou só contar com uma entrevista do jornal XPTO, da televisão local de Minas Gerais, para você se expressar.

Você tem o seu Instagram e você consegue fazer aí a sua voz chegar da maneira como você quer para as pessoas que te acompanham, né? Você sonha em ser atleta profissional? Ou, né, você estudou em escola americana, você foi um ano, né, conseguiu bolsa e passou um ano lá na Carolina do Norte, lugar frio para caramba, né, competindo, pedalando, né. Você já teve esse estágio na UCI. Pelo jeito, teus pais, eles são bastante compreensivos e apoiadores nesse sentido, mas eu também imagino que eles estão cobrando que você, né, cobrando, eles estão te incentivando e te dando até subsídio para que você se forme, para que você também se desenvolva fora do esporte, porque essa é a melhor maneira definitivamente, isso eu não tenho dúvida, né?

Você tem que ter uma formação, os estudos, tudo isso que você faz fora da bicicleta, dá para a gente traçar um paralelo a tocar violão e ir bem em matemática. Se você tiver toda essa experiência, essa vivência que você tá tendo além, para além dos treinos, com certeza você vai se tornar uma ciclista melhor, né? Mas como é que você vê isso hoje? Como é que você já conversou com os teus pais? Você tá numa equipe agora bacana, né, a Scott, você já teve na Trek ano passado, mas eu tô imaginando que, pelo que eu vi, essa equipe agora da Scott é uma equipe mais estruturada, uma equipe, enfim, vamos assim, com mais investimento em vocês.

Qual que é a tua ideia para os próximos anos? Assim, você vai querer competir todas as etapas da Copa do Mundo, mas você não vai largar a tua faculdade, faculdade, você vai querer trabalhar em paralelo, você vai querer equilibrar da melhor maneira possível. Queria que você falasse, já que você é uma menina ainda com 21 anos e tem a vida inteira pela frente.

GFGabriela Ferolla

Eu acho que esse ano que eu entrei na Scott, né, chama Scott Vultro Free Force Team, é a equipe que eu tô hoje. E comparado com algumas outras coisas que eu já tive, é uma experiência muito diferente, é uma experiência que eu tô muito feliz com em paralelo a isso eu tenho os meus estudos na faculdade também. Eu confesso assim que esse primeiro semestre foi o semestre onde tinha muito tempo assim que eu não competia tanto. Na verdade, eu nunca fiz tantas provas fora, porque também teve o Panamericano no Paraguai, o Cape Epic, que queira ou não é uma viagem muito longa para África do Sul.

MBMichel Bobli

Longa, é.

GFGabriela Ferolla

Então perdi muita aula. Então agora no meio do ano eu viajo em 2 semanas, então eu tô meio que correndo contra o tempo na faculdade, tá me demandando um pouco mais agora em questão de prova final, trabalho final. Mas eu não tenho vontade de parar meus estudos. Eu acho que isso para mim é uma coisa muito importante, assim, eu confesso que eu tô formando em Publicidade e Propaganda, mas eu tô formando nisso porque eu acho que é algo mais geral, é algo mais atual e é uma coisa que eu gosto.

Eu sou uma pessoa muito comunicativa, então eu gosto de estudar isso na faculdade, mas ao mesmo tempo eu tenho um grande sonho que é o esporte, sabe? E isso para mim é muito claro assim, eu sonho muito em ir para as Olimpíadas e principalmente com a idade que eu tenho, eu queria muito ir em 2028, mas como Sub-23 é um desafio muito grande ainda pela questão da pontuação, por pontuar menos que elite, mas é um sonho muito grande meu e é um sonho muito grande competir todas as Copas do Mundo.

E eu admiro muito assim a Kate, né, e a Yessa Kandiswil, que são duas atletas que são, eles chamam de Aqui, né, são duas atletas que têm os próprios patrocinadores, e os projetos que elas fazem, eu fico muito admirada assim, eu gosto muito do que elas fazem. É o projeto, a Kate, por exemplo, tem a She Sends Foundation, que ela incentiva outras mulheres, outras meninas mais novas, meninas mais novas a meninas mais velhas. Ela, eu sigo ela em um aplicativo que chama Substack, é um aplicativo tipo blog assim, sabe?

E ela posta vários textos toda segunda-feira. Então, né, é a Kate Courtney, e ela tem esse projeto que eu acho muito legal assim. Então eu me inspiro muito em outras atletas, e a forma também como eu tento me posicionar tanto para as pessoas em competições, tanto no meu dia a dia aqui, porque querendo ou não, aqui em Belo Horizonte principalmente, a gente vai sair para treinar, muitas vezes a gente tá muito concentrado no treino, mas aqui existe uma comunidade muito grande, especial da bike, e sempre que eu posso eu tento sempre prestigiar tudo aqui da comunidade.

Esporte. E busco me posicionar da melhor forma também, porque eu acho que o esporte, por mais que eu ainda sou muito nova e ainda sonho em conquistar vários títulos e várias coisas, né, porque meu maior sonho é ser campeã brasileira. Eu não considero que eu fui, porque para mim tem que ser em categoria oficial. Eu era sub-17 ainda, eu não ganhei a camisa branca. A camisa branca é de campeã brasileira oficial, entendeu? A que eu ganhei é azul, de categoria Então é um sonho muito grande para mim também ir para as Olimpíadas, é um sonho muito grande.

Mas antes disso tudo acontecer, eu também vejo que o esporte vai muito além desses resultados, principalmente com o que eu vejo a Kate fazendo, sabe? Ela é uma atleta que eu me inspiro muito assim. E eu acho que através de todo, de toda essa participação no esporte, dessa minha busca também, de sempre tentar me posicionar da melhor forma para as pessoas que me acompanham, Em algum momento eu sinto que eu vou criar algo voltado para mulheres no esporte, sabe?

Eu sempre busco reparar muito coisas que me faltam assim, e coisas que eu sinto a necessidade, coisas que são importantes para mim. Então, tipo, eu sempre falo muito. Outro dia eu fui convidada para fazer um bate-papo no Elisa Café, e eu falei, eu vi no seu Instagram, e eu falei o quanto que é importante para mim me cuidar assim, Eu acho que não que seja uma regra, e eu acho que cada mulher tem a sua forma de ser, cada uma é autêntica da sua forma.

Mas para mim é muito importante me cuidar. Eu gosto muito de, tipo, tacar maquiagem na minha cara. Eu gosto muito de, tipo, ir no salão, de fazer minha unha. Essas coisas me trazem força. Eu não sei descrever, mas tipo, parece que me motiva.

MBMichel Bobli

Faz bem para você e você se sente bem. E aí, claro, o resto fica mais fácil, né?

GFGabriela Ferolla

Exatamente. E tem cuidados também que eu tenho com peças da minha bicicleta. Por exemplo, selim. Eu tive a maior dificuldade para encontrar um selim que realmente se encaixasse bem para mim. Um bretelle. E essas coisas são buscas que eu faço assim, até de entender, tipo, como que vai ser meu treinamento no período de ciclo menstrual. Porque tem meses que para mim é muito desafiador. Então, em algum momento da minha vida, conforme eu fui entendendo, conquistando minhas coisas no esporte também, eu acho que Eu tenho uma, eu tenho uma vontade muito grande voltada para isso, sabe?

MBMichel Bobli

Mas eu gosto de fazer o esporte uma plataforma para você se expressar e ajudar outras mulheres, outras pessoas, mas para além do esporte. Sim. Você ouviu um podcast, talvez do começo desse ano, com a Kate Courtney e o Rich Não escutei, eu acompanho muito ela, mas eu não escutei. Eu vou te mandar. Foi aí que eu descobri essa história de que ela era uma privateer, que tinha contratado, né, o mecânico, massagista, toda uma equipe, o marido dela, o namorado, não sei.

E cara, ela tava com patrocinadores, meu, enormes. Eu não sei volume, mas assim, marcas grandes, marcas renomadas. Eu acho que isso, não vou dizer que isso é uma tendência, mas eu acho que isso é um plano alternativo para você não precisar necessariamente fazer parte de uma equipe. E aí, claro, fazendo parte de uma equipe, de um time, você tem que correr de acordo com os interesses da equipe, mais ou menos, né? Então essa história desses privateers, que no gravel é muito comum, eu não sabia que nem podia no mountain bike. Eu achei que talvez tivesse regras que não pode.

GFGabriela Ferolla

O que eu acho legal assim é que eu acho legal as ações que a Kate faz assim, eu acho Muito legal o envolvimento dela com a comunidade dela, sabe? Ela tem uma comunidade. E o que eu tô gostando muito, muito da equipe que eu tô hoje é que é uma equipe muito família assim, é uma equipe onde eles me escutam bastante, onde eu tô me dando muito bem com os outros atletas da equipe.

MBMichel Bobli

Você é a única mulher, né?

GFGabriela Ferolla

Eu sou a única mulher, é. Então eu tô gostando muito desse formato, mas assim, o que eu tô falando também são outros formatos que eu acho muito bacanas também, até a forma como Então é realmente a forma como a Kate se posiciona, eu fico admirada assim. Eu acho que ela tem uma comunidade muito forte e eu acredito muito nisso assim, sabe? Em você ter uma comunidade, essa eu acho que dessa forma você consegue impactar muitas pessoas, né?

MBMichel Bobli

E o teu estudo, a tua faculdade também te dá uma visão mais técnica, né, a respeito disso. Porque de novo, né, essa oportunidade que os atletas, todo mundo tem hoje, mas estamos falando aqui dos atletas em de você mesmo poder se expressar e controlar a sua narrativa, cara, isso aqui é, por mais que você não goste, mas ninguém pode negar, que a pessoa não goste, ninguém pode negar que isso é fantástico. Você não depende do que o jornalista vai gravar num gravadorzinho que você disse, transcrever na revista, que era minha época assim, né?

A gente esperava, eu falo isso com alguma frequência, quando a gente viajava não dava, né, ia para Minas Gerais para fazer um triátlon em Uberaba, em Minas Gerais, a gente tinha que às vezes dormir no domingo para segunda para que na segunda saísse o jornal, para quem sabe saísse uma matéria do triátlon, e quem sabe, se você foi segundo campeão e tal, falasse você, sobre você. E aí você pegava o jornal, recortava e colava no papel e ia mostrar no final do ano para o patrocinador.

Cara, isso é É incrível hoje em dia com que vocês têm à disposição através das redes. Ah, meu, você já faz o seu testão, você já faz a sua foto, faz o seu vídeo. Cara, é muito melhor para construir uma comunidade, porque de novo, no final das contas, o atleta profissional ele é uma pessoa que tá lá para entreter, né? Você tá sendo pago para entreter, só que você entretém através da sua performance, né? Mas hoje em dia você consegue talvez nem ter a performance de campeã mundial, campeã da Cape Epic, mas você pode ter retorno financeiro, né?

GFGabriela Ferolla

De outras formas.

MBMichel Bobli

Tem muita gente que vive do esporte e não é o campeão, não é a campeã. Ganha dinheiro do esporte, mas não sendo necessariamente o melhor. Mas quem se comunica melhor, quem cria maior comunidade, a comunidade mais engajada, né? Então essa tua faculdade, eu acho que no final das contas, para esse seu plano, ela vai cair como uma luva, né?

GFGabriela Ferolla

É, vai auxiliar. Esse semestre eu confesso que eu fiquei meio perdida na faculdade por causa da quantidade de viagem, mas você recupera. Mas de qualquer forma, alguma coisa eu tenho que captar, né?

MBMichel Bobli

Então assim, Gabi, de vez em quando eu me permito dar um conselho aqui de pai para alguns convidados. Eu vou te dizer uma coisa aqui, mais ou menos como pai: aproveita, porque você tem uma energia hoje que não volta, né? Cansa, chega cansado à noite, tem que fazer trabalho, né? Mas, cara, a energia que você tem você não vai ter quando você tiver 30, muito menos com 40. Então aproveite para se desdobrar em 5 Gabias e fazer tudo que você tem que fazer, o que você quer fazer, porque com o passar dos anos as coisas vão ficando um pouco mais difíceis, né, de você ter essa energia para fazer tudo isso.

GFGabriela Ferolla

É isso, né?

MBMichel Bobli

Acho que foi com a Marcela Lima aqui que eu falei a mesma coisa, porque ela também tinha essa preocupação de aprender inglês, ela não tinha estudado numa escola, né? E ela fazia inglês, ela queria estudar, não sei o que que ela falou que eu falei, aí isso vai servir para você ler os seus contratos, entender que contrato que você assina, como é que você assina, porque de novo tudo isso te dá bagagem para vida. E se você escolheu ser uma ciclista pelo menos por uma fase da tua vida, isso vai te dar bagagem para essa fase também, né?

Então uma coisa ajuda a outra, o esporte te dá bagagem para vida a vida te dá bagagem para o esporte. Caminhando aqui para o final, Gabi, você citou aqui várias pessoas, várias, você citou a Jenny Rissvitz e a Kate, acho que você citou essas duas, acho que você citou mais uma, a Candice Liu, mas das atletas brasileiras competindo ou já aposentadas assim, quem que você conhece que você fala, cara, essa mulher é bacana por A, B ou C, seja porque ela fez fora das pistas ou porque ela faz ou fez nas pistas? Quem são as atletas que você admira?

GFGabriela Ferolla

Ó, eu admiro muito todas as atletas no Brasil e eu acho que também é oportunidade que eu tenho de ter um contato maior com elas por ter menos atletas aqui. Tem o lado bom, né, que a gente fica mais próximo das competições. Que eu falo, o lado bom que a gente consegue ter mais contato com todas. Mas eu tenho tido um pouco mais de contato com a Karen agora, e ela é uma atleta que eu admiro muito, assim, ela tem uma força muito inexplicável.

E pelo pouco que eu conheci ela, eu sinto que ela também é uma pessoa que carrega uma essência diferente fora da bike, dentro da bike. Eu acho muito legal isso, porque eu acho um esporte muito bruto assim, e quando você vê uma personalidade diferente do que é entregue ali, eu acho muito legal, sabe? Então eu conheci mais a Karen, eu admiro muito ela como atleta, eu acho ela uma pessoa muito forte assim e também uma pessoa muito boa, sabe? Então eu admiro muito como ela faz o que ela faz, as coisas. Coisas assim.

MBMichel Bobli

Preciso trazer a Karen aqui, era uma das poucas que eu— das top que eu não trouxe. Ela, aliás, anunciou, acho que foi ontem, né, que ela saiu da Soul e vai não sei para onde, né, que ela seja aí feliz, que ela encontre uma equipe bacana aí para temporada de 2026. A vida das mulheres no esporte sempre tem uns perrengues, né, e no mountain bike não foi diferente, né, A Jaque abriu o caminho, Adriana Nascimento, não sei se você chegou a conhecer, conhece Adriana Nascimento, também foi uma, acho que 10 vezes campeã brasileira, né, se eu não me engano, numa outra época, teve tantas outras aí, inclusive algumas mineiras, que desbravaram o caminho para ficar um pouquinho mais fácil, menos difícil para as mulheres hoje em dia, mas de fato ainda não tem, nas competições que eu acompanho do mountain bike, ainda não que não tem tantas mulheres participando.

O que que você acha que tá faltando para que haja mais mulheres nos start list das principais provas aqui do Brasil?

GFGabriela Ferolla

Eu ainda, eu acho que quando eu fui lá fora para o CI, eu vi que as pessoas são muito mais próximas assim, fazem muitos training camps, se apoiam muito assim, e eu acho que às vezes no Brasil eu acho que isso melhorou muito. Eu senti que as mulheres estão cada vez mais próximas umas das outras. Mas eu acho que talvez um convívio maior com outras atletas ajude nesse crescimento do esporte feminino, sabe? Que eu acho que, tipo assim, todo mundo é rival ali na pista, é óbvio.

Uma quer matar a outra, e é super normal. Se não fosse assim, tava até errado, né? É uma competição, é uma disputa. Mas eu acho que você sair para treinar numa pista com a sua adversária, não tem o menor problema em vocês discutirem uma linha, em vocês discutirem como vai ser uma subida, porque eu acho que o mais forte e o mais inteligente que vão ganhar. Eu acho que a linha você pode sozinho ou com alguém, que de qualquer forma você vai acabar visualizando a mesma linha que a outra pessoa, sabe?

Talvez sua capacidade técnica seja um pouco melhor que a outra, ou da outra seja melhor que a sua, Mas o que eu sinto assim, que vai, que a minha percepção assim, né, eu por mais que eu tive algumas experiências, eu sou pouco experiente ainda comparada com algumas mulheres que largam comigo, mas eu acredito muito nesse incentivo de uma para outra, sabe, de aprender uma com a outra, porque eu acho que, por exemplo, tiveram várias corridas que meninas mais novas vieram conversar comigo e falar me admiram, pedir para tirar foto.

Aí eu chamei para andar comigo. E eu acho que tudo isso você vai incentivando a pessoa, sabe? Porque tipo assim, muitas pessoas te admiram, você dá uma volta com ela, ensina uma linha diferente, aí ela ensina para outra amiga, aí essa outra amiga dá bike, ensina para outra amiga, e isso vai motivando a comunidade, vai motivando o esporte, sabe? Então eu acho que esse incentivo mesmo, que eu não acho que é nada muito difícil de ser feito, É algo que vai ajudando a fomentar isso, sabe?

Eu vejo que muitas vezes acaba que falta um pouco mais de proximidade dos atletas, eu acho.

MBMichel Bobli

É, talvez a competitividade esteja falando um pouco mais alto, mas de fato, né, a competitividade tem que ser na hora que dá o tiro de largada, né? Antes ou depois, acho que tinha que ser um pouco mais mas não precisa ter isso, né? Na minha época, quando eu era atleta profissional, triatlon era muito pequeno. A gente não achava tão pequeno, mas é que depois do que se tornou, ficou realmente muito pequeno perto do que é hoje. Mas a gente tinha muito mais essa relação, já que eram poucos atletas, a gente tinha muito mais essa relação de ficar na casa um do outro quando viajava, porque aí você já tinha, né, comida, já tinha um lugar de graça para ficar, você já tinha alguém que podia te levar para os lugares, via, como é que você andava naquela cidade.

E a competição acontecia na hora que dava o tiro de largada, a hora que acabou, acabou e vambora, né? Eu acho que essa é uma estratégia bem interessante dos atletas, principalmente, não precisa ser só mulheres, mas principalmente quando são poucas pessoas na mesma cidade ou poucas pessoas naquela categoria ou naquela modalidade, se juntarem, né? Para ter troca, porque essa troca é muito legal e muita gente valoriza isso, e eu acho que isso é verdade.

Quando você vai fazer intercâmbio, vai passar uma temporada na Suíça, e agora você vai passar 45 dias na Itália, na Europa, né, não sei onde você vai passar, você tem um intercâmbio, você conhece, você passou um ano nos Estados Unidos, conheceu atletas, cidades, pessoas diferentes, treinadores diferentes, tudo. E isso você não precisa estar necessariamente indo para o exterior gastando em dólar ou em euro, você pode fazer isso, quem sabe em BH, quem sabe sei lá, em Campos do Jordão, que é um lugar bacana que se treina mountain bike.

GFGabriela Ferolla

É, isso vai dando força, né? Tipo, as pessoas vão ficando cada vez mais motivadas com esses assuntos.

MBMichel Bobli

Exato. É uma coisa que todo mundo se une para fazer a coisa subir juntos. Aí, claro, tem umas diferenças, mas assim, você tá todo mundo na mesma oportunidade, né? Eu sou a favor. Agora, para terminar, Gabi, você tá super animada, tá numa fase aí bacana com o ciclismo. Eu não acho que você tem pouca experiência, acho que já tá com uma experiência, ok, já tá assim 5 anos pedalando aí bastante. Agora, o que que você espera ter de retorno do ciclismo?

Vamos dizer daqui a 10 anos você vai parar de competir profissionalmente, ou daqui a X anos assim, o que que você quer levar desse esporte tão bacana, né, que é o ciclismo, e em particular o mountain bike, que eu sou fã do mountain bike, acho muito mais legal pedalar de mountain bike do que pedalar andar nas estradas, né? Mas é porque é muito mais divertido você andar de mountain bike do que você rodar nas estradas. O que que você gostaria de receber de volta, ou que você já teve de volta, e fala: cara, se eu tiver que parar amanhã, eu já tô, sou grata ao ciclismo. O que que o ciclismo tem que te dar, o que você gostaria que ele te desse?

GFGabriela Ferolla

Nossa, que difícil. Eu acho que ele já me proporciona muita adrenalina. Isso é Eu sou muito grata pela bike. Eu acho que ele me proporciona muito autoconfiança. E o que assim, não é nem o que eu espero, mas o que eu gosto de tipo assim de receber quando eu tô aqui em BH, principalmente, é tipo assim: ah, eu acho que é muito legal você incentivar outras pessoas. Tipo, depois do Cape Epic, eu saí para pedalar com a minha amiga aqui em BH, é Letícia, ela anda de bike também, né?

A gente foi pedalar no Alphaville e eu encontrei muita gente no meio "Obrigada, Carmen!" E nunca fui parada tantas vezes para conversar, e eu adorei passar aquela experiência que eu tive. Tipo, as pessoas ficaram muito inspiradas assim. Então acho que isso é uma coisa que me motiva muito a buscar coisas grandes. E não é que algo que eu desejo em troca, mas é uma coisa muito boa ver que outras pessoas se inspiram em você, sabe?

É uma sensação muito boa. Então eu acho que tipo assim, se eu for para parar de pedalar em 10 anos, né, parar com essa carreira, vamos falar assim.

MBMichel Bobli

Exato, vai continuar pedalando, tá?

GFGabriela Ferolla

É, eu acho que o que eu quero mesmo é tipo assim, é que as pessoas que vão em competições lembrem da minha dedicação e da minha paixão pelo esporte, que as pessoas lembrem de mim como uma pessoa que carregava a paixão pelo mountain bike e vivia aquela adrenalina com muito amor, que eu acho que quando a gente faz as coisas com amor tudo flui mil vezes melhor. Então Então eu acho que é tipo, eu quero deixar um legado no esporte, que eu sempre busquei incentivar outras pessoas e sempre fiz tudo com muito amor assim, com alegria. E tipo, eu acho que eu não sei o que que eu espero em troca.

MBMichel Bobli

Não, já falou, tá respondido.

GFGabriela Ferolla

Mas isso assim, sabe, você vê as pessoas motivadas com algo que você faz, sem nem, porque muitas vezes você não sabe, né? Pelo menos eu não sabia que tantas pessoas tinham acompanhado o KP Epic Confesso que eu me desliguei um pouco lá e foi muito gratificante para mim ver tantas pessoas vibrando com isso, sabe? Foi especial.

MBMichel Bobli

O que o esporte proporciona, talvez você já tenha ouvido, lido, ou teu pai, tua mãe tenham te falado isso, o que o esporte proporciona para o praticante você não acha em outros lugares. O esporte competitivo, o esporte assim já de alto rendimento e tal, você não acha em lugares, né? Assim, você não— o que você vai aprender na faculdade, o que você vai aprender na tua vida pessoal, nas viagens, não é— você pode aprender muito, mas não é o que você aprende no esporte, né?

E você começou falando, né, quando eu te perguntei da sua juventude, da sua pouca idade, você falou que às vezes parece que você é mais velha, né? Quando eu tinha 24 anos, faz muitos anos, eu dei uma entrevista, eu cito isso aqui com bastante frequência, Eu dei uma entrevista, eu tinha feito o Ironman do Havaí e tinha feito o Race Across America, meu primeiro Race Across America. E eu lembro de eu ter respondido, não sei exatamente qual foi a pergunta do entrevistador, mas eu lembro de ter dito exatamente isso assim: a impressão que eu tenho é que eu sou muito mais velho do que eu sou.

Eu tenho só 24 anos, mas a impressão que eu tenho é que eu sou muito mais velho. Então talvez para resumir não só a nossa conversa, mas um pouquinho aí dessa tua essa minha pergunta, talvez o que você queira viver e esteja vivendo isso é isso, você ter experiências que só esporte proporciona, né? Só um dia você fazendo o que você faz e fez já, você vai poder dizer para suas amigas, depois para os seus filhos, depois para os seus netos o que você viveu, né?

Que é completamente diferente das suas amigas que não pedalam ou que estão, sei lá, jogando vôlei ainda lá na escola e tudo mais, na faculdade, realidade é diferente, são experiências diferentes. E aí, claro, eu acho que são experiências muito engrandecedoras do ser humano. Sou suspeito para falar, e você aqui tá dizendo de alguma maneira que é isso que você tá sentindo. Então parabéns pela sua escolha, parabéns pela sua dedicação, pelo seu talento, pela sua simpatia.

Você de fato é muito simpática. Esse sotaque mineiro, eu sou suspeito, né? Eu tenho muitos mineiros convidados aqui do Indorfino. Eu adoro esse sotaque, por mim a gente poderia conversar horas. Gabi, um prazer, prazer te conhecer. Muito obrigado por ter se doado, seu primeiro podcast assim de fato, né? Você fez participações ali no Gregário, no MTB PES e tal. Muito obrigado e vou estar aqui acompanhando e torcendo por você. E aí você volta aqui, quem sabe quando você ganhar a Cape Epic, ou ano que vem, quando você quiser.

Quem quiser, para contar um pouco mais das suas experiências e o que que você tá vivendo aí na sua vida profissional. Muito obrigado, foi um prazer. Saúde para você!

GFGabriela Ferolla

Muito obrigada, Michel, foi um prazer estar aqui com você hoje.

MBMichel Bobli

Vou colocar no post do episódio de hoje um link para o Instagram da Gabi. Esqueci de perguntar agora aqui no final para ela, mas também se você segue o no seu Instagram, perdão, no Instagram. Eu já vou ter colocado essa altura vários posts com imagens, fotos da Gabi, e já vou ter marcado ela. Então vai lá no meu Instagram e siga a Gabi. Se você quiser conversar com ela, se você quiser dizer para ela alguma coisa que você achou interessante aqui, que você aprendeu, que você descobriu, que você refletiu, tenho certeza de que ela vai adorar como você Vocês viram aqui agora, ela se comunica super bem, é super extrovertida, fala muito bem, enfim, super eloquente.

Não se esqueça de seguir o Endorfina também no Instagram, no YouTube, no Spotify, na Apple Podcasts, onde quer que você consuma os seus podcasts. No YouTube, particularmente, minha meta é chegar até 6 mil assinantes até o final do ano. Então, dá uma força lá para o Endorfina, isso ajuda muito não somente ao Endorfina, mas ajuda muito as pessoas descobrirem conteúdos que eu publico aqui semanalmente, já faz 9 anos e algumas semanas.

A gente falou aqui de algumas pessoas, o Hugo Prado Neto já passou por aqui, mas eu lembrei aqui de várias outras pessoas como a Vivi Faveri, a Nina Carvalho, a Raíza Goulão, a Gil Gil Morgan também novinha quando esteve aqui, a Marcela Lima, Yara Caetano, a Tota Magalhães também me lembrou muito a Tota Magalhães aqui no jeito, na eloquência, na maneira de falar, a Gabi de hoje. E tantas outras pessoas mineiras aí, toda sorte, Thiago Vinal, Thiago Drius, o Bro Bruto, que eu vi num post ali da Gabi que ele disse que ela queria pedalar com ele quando era mocinha, né, e agora provavelmente já tá num nível bem acima, quer dizer, com certeza já no nível bem em cima.

Enfim, todos esses convidados você encontra em todos os lugares onde o Endorfina está disponível: no YouTube, no agregador de podcasts da sua escolha, e lá no meu site endorfina.com, onde você também consegue ver ou assistir a todos os episódios. Não se esqueça, você pode contribuir financeiramente com esse projeto. O Endorfina depende de patrocinadores como a Tubics, como a Z2, como a 220, né, que me me dá energia aqui para aguentar o pique aí dessas, desses meus convidados aí super atletas.

Mas também conta com ajuda de quem pode e acha que vale a pena contribuir financeiramente com esse projeto. Toda ajuda é bem-vinda. A partir de R$15 por mês você vai fazer uma grande diferença aqui no Endorfina. Vai lá no meu Instagram, na bio, clique no link, lá você vai ver o Apoia.se, como é que você faz para fazer parte desse seleto grupo. Muito obrigado e até a próxima semana com com mais um convidado, com mais uma convidada de primeira grandeza como foi aqui hoje a Gabi Ferola.

Valeu! Esse episódio foi um oferecimento da Z2 Performance. A Z2 agora está com nova embalagem do Géis, abre fácil, com melhor fluxo de sucção e bordas arredondadas para não te machucar durante o treino ou prova. E tem mais novidade: o Géis com sabores originais da Maratona do Rio voltaram! Água de coco e mate com limão em edição limitada. Outra novidade é o gel de 75 gramas de carboidratos, ideal para estratégias de alto consumo.

Siga @z2performance e fique por dentro do universo da Z2. Depois de tantas décadas convivendo com atletas e nos últimos anos ouvindo e aprendendo com os convidados aqui no Endorfina, está claro que evoluir no esporte não depende apenas de dedicação e consistência. Passa também por fazer boas escolhas, especialmente Principalmente quando o assunto é equipamento. Saber o que faz sentido para o seu momento, para o seu objetivo e para o terreno onde você pedala faz toda a diferença.

Esse entendimento você encontra na 2Peaks Bikes, patrocinadora do Endorfina. A 2Peaks Bikes é importadora e distribuidora oficial no Brasil de marcas como a Factor Bikes, a Santa Cruz Bikes e a Yeti, além de outras referências do mercado. Mais do que vender bicicletas, vestuário e acessórios, aposta deles é orientar você. A 2PEAKS Bikes foi criada para atender quem busca dar o próximo passo no esporte, seja no ciclismo de estrada, no mountain bike, no gravel ou no triátlon.

A lógica é simples: cada ciclista tem uma necessidade diferente e o papel da equipe da 2PEAKS é ajudar você a fazer escolhas melhores, mais conscientes e mais eficientes. E essa filosofia você encontra nas 3 lojas da 2PEAKS, no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Los Angeles. Por tudo isso, é um prazer ter a Two Peaks Bikes ao lado do Endorfina. E fica o convite: se você está buscando orientação para melhorar o seu equipamento, entender melhor suas escolhas ou simplesmente pedalar com mais qualidade, vale conhecer a Two Peaks Bikes, distribuidora oficial da Factor, Santa Cruz Bikes e Diete no Brasil.

Siga @twopicksbikes. Obrigado por ouvir esse episódio do Endorfina. Acesse o endorfina.br.com, vá no post do episódio de hoje para conhecer um pouco mais sobre o meu convidado e alguns assuntos abordados em nossa conversa. Lá você ainda encontra todos os episódios do Endorfina. Siga o Endorfina.br no Instagram e confira imagens inéditas e inusitadas dos meus convidados. Participe enviando comentários e sugestões. Se você curtiu, colabore assinando assina no seu agregador de podcasts preferido e compartilhando com seus amigos.

Marketing is hard. But I'll tell you a little secret: it doesn't have to be. Let me point something out. You're listening to a podcast right now, and it's great. You love the host, you seek it out and download it, you listen to it while driving, working out, cooking, even going to the bathroom. Podcasts are a pretty close companion. And this is a podcast ad. Did I get your attention? You can reach great listeners like yourself with podcast advertising from Libsyn Ads.

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