Episódios de Endörfina com Michel Bögli

#477 Liege Walter

13 de agosto de 20261h31min
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Minha convidada de hoje praticava esportes apenas nas aulas de Educação Física da escola e adorava pedalar pelas ruas tranquilas da sua cidade. O primeiro contato com o mountain bike aconteceu em 2006, aos 18 anos, incentivada pelo então namorado, hoje seu marido. No fim daquele mesmo ano disputou sua primeira competição.

Em 2007 participou do seu primeiro Iron Biker e iniciou sua trajetória no cross-country olímpico. Dois anos depois passou para a categoria Elite em busca de novos desafios. Durante muitos anos conciliou os treinamentos com o trabalho, realizando grande parte das sessões à noite, depois da jornada profissional.

Formada em Edificações, trabalhou alguns anos na área até 2013, quando deixou a profissão para se dedicar ao negócio da família, tornando-se sócia do marido em uma loja de bicicletas. A mudança proporcionou uma rotina mais flexível e permitiu aumentar a dedicação aos treinamentos.

Em 2018 interrompeu a carreira esportiva para realizar outro projeto de vida: a maternidade. Sem saber se voltaria a competir, permaneceu afastada das competições durante a gestação e o puerpério.

O retorno aconteceu quando seu filho tinha apenas seis meses de vida. Durante a pandemia voltou a treinar com mais regularidade e, em 2021, terminou o Campeonato Brasileiro de XCO entre as sete melhores atletas do país.

Em 2024 disputou, pela primeira vez, etapas da Copa do Mundo de Mountain Bike e foi quarta colocada no Campeonato Pan-Americano realizado no Brasil. No ano seguinte conquistou dois dos principais resultados da carreira: a vitória na Brasil Ride Espinhaço e a medalha de bronze no Campeonato Pan-Americano de Maratona, disputado no Chile.

Conosco aqui , mãe, atleta e empresária, que procura fazer sempre o seu melhor com o que tem no momento, autora do livro Como treinar quando não há motivação, a marianense Liege da Silva Walter.

Inspire-se!

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Este episódio é oferecido pela @z2perfomance e pela @2peaksbikes

A Z2 lançou o Performance System, uma linha pensada em organizar a suplementação ao longo da rotina do atleta, com produtos que cumprem papéis específicos dentro da performance. A linha tem dois produtos: a Creatina e o Nitrato.

E um produto da Z2 que merece atenção: o Saltz Pastilha. Reposição de eletrólitos num formato inédito no Brasil. Dissolve na boca, repõe sódio, potássio e magnésio na hora, sem precisar de água. Compacto e ideal pra treinos e provas.

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A 2 Peaks Bikes é a importadora e distribuidora oficial no Brasil da Santa Cruz Bikes, da Yeti Cycles e de diversas outras marcas e conta com três lojas: Rio de Janeiro, São Paulo e Los Angeles. Lá, ninguém vende o que não conhece: todo produto é testado por quem realmente pedala.

A 2 Peaks Bikes foi pensada e criada para resolver os desafios de quem leva o pedal a sério — seja no asfalto, na terra ou na trilha. Mas também acolhe o ciclista urbano, o iniciante e até a criança que está começando a brincar de pedalar. Para a 2 Peaks, todo ciclista é bem-vindo.

Conheça a 2 Peaks Bikes, distribuidora oficial da Santa Cruz e da Yeti no Brasil.

@2peaksbikesla

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Participantes neste episódio2
M

Michel Bogli

HostApresentador do Endorfina Podcast
L

Liege Walter

ConvidadoAtleta e empresária
Assuntos8
  • Resiliência e Propósito· SociedadeForça mental pós-maternidade·Persistência nos objetivos·Propósito como motivação
  • Superacao e Motivacao· SociedadeEnfrentar desafios diários·Inspiração para o filho·Superar a falta de motivação
  • Maternidade e Esporte· EsportesRetorno ao mountain bike após maternidade·Conciliação de rotina·Desafios da mãe atleta
  • Desenvolvimento do Mountain Bike Feminino· EsportesMelhora na modalidade·Falta de volume de atletas·Investimento nas categorias de base
  • Redes Sociais e Comunicação· SociedadeNaturalidade na comunicação·Identificação com mães·Propósito de inspirar
  • Transição para Elite· SociedadeCategorias femininas vazias·Busca por desafios·Valorização do esporte feminino
  • Carreira e Negócios· NegociosFormação em Edificações·Loja de bicicletas·Empreendedorismo feminino
  • Início no Mountain Bike· EsportesPrimeiro contato com a bicicleta·Influência do ambiente·Primeira competição
Transcrição126 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz 1

A gente tem que organizar uma rotina de uma forma que fique leve, porque se a gente quer dar conta de tudo, a gente fica doida, porque não tem jeito de dar conta de tudo. Nós mortais, humanos comuns, que não temos essa— não somos famosos aí que têm 10 mil babás, 10 mil empregadas, a gente leva uma rotina normal, então a gente tem que saber que não tem como a gente dar conta de tudo. Então, o primeiro passo é ter isso em mente e estabelecer as prioridades, né?

Então assim, se teu filho tá bem, tua família tá bem, você quer treinar, então vai treinar, porque é difícil você cuidar de um ser, né, de uma criança, mas também é difícil você se cuidar enquanto faz isso. Oi, eu sou a Fernanda Keller.

MBMichel Bogli

Eu sou o João Amoedo. Sou a Poliana Kimoto. Eu sou o Fischl.

?Voz 1

Aqui quem fala é Ronaldo da Costa.

MBMichel Bogli

Olá, sou Henrique Avancini. Esse é o Endorfina Podcast.

?Voz 1

Endorfina Podcast, tamo junto, hein!

MBMichel Bogli

Sou Michel Bogli e aqui no Endorfina Podcast você conhece as histórias e opiniões de triatletas, corredores, nadadores e ciclistas profissionais e amadores. Descubra quem são e o que pensam os seres humanos que vivem o esporte e são movidos à endorfina. Olá, seja muito bem-vindo a mais um episódio do Endorfina Podcast. Esse e todos os episódios são editados pela produtora Pulsante. Esse episódio foi gravado no Estúdio Estema, onde eu recebi remotamente a minha convidada de hoje.

Então, se você busca um lugar para gravar o seu conteúdo de áudio e vídeo, seja ele qual for, considere gravar no Estúdio Estema. Você vai se surpreender com a qualidade, com a facilidade, comodidade de gravar aqui no Estúdio Estema. Siga @estudio com mudo, Estema também com S mudo e dois M's, e informe-se mandando um direct no arroba do Estúdio Estema, que é @estudioestema com S mudo e dois M's no Instagram, é óbvio. Bom, depois de um episódio muito bacana, um episódio que surpreendeu muita gente pela simplicidade, pela coragem do Paulo, Paulo Mendes, meu convidado da semana passada, de falar abertamente sobre o alcoolismo, sobre pedalar bêbado, sobre os sonhos dele no triatlon e sobre o dia a dia dele, a luta dele para treinar no interior do Pará.

Ele tá muito distante de Belém do Pará, ele pedala na Transamazônica, para você ter uma ideia. Então foi um episódio muito bacana, o Paulo, um ser humano fantástico e com uma história mais legal ainda. Então agora eu venho com uma outra história muito muito bacana, completamente diferente. Aliás, de Walter, ela nasceu, foi criada e reside no quase que no berço do mountain bike brasileiro, em Mariana, um epicentro. Vai, não vou falar berço, vou falar do epicentro, um epicentro do mountain bike nacional.

E ela e o marido dela criaram, estão criando um garoto, um filho, e ela e eles ainda têm uma loja de mountain bike, uma loja de ciclismo ali em Mariana. E ela veio aqui então para falar com indicação de uma ouvinte, né? O episódio passado foi indicação do Emerson, do Peterson Bilhar, e esse aqui foi uma indicação da Arila Barbosa, que conhece e pedala de vez em quando com a Liege. E ela quem me chamou atenção então para conhecer e convidar a Liege para falar sobre maternidade, resiliência, maturidade, retorno ao mountain bike após a maternidade.

Ela que vive quase que como se fosse uma profissional, mas ela ainda depende da outra profissão, de ser administradora e ser sócia da loja com o marido dela, sobre propósito, rotina, um sonho realizado e muitas outras coisas muito legais. Com mais uma mineira aqui para carimbar o passaporte na lista de convidados do Endorfina. Tenho certeza que você vai curtir essa conversa porque é outra mulher fantástica, outra mãe que faz o possível para equilibrar a vida os pratinhos da vida diante aí da maternidade, dos desafios que as mulheres acabam tendo que assumir nessa nossa sociedade.

Inclusive, a Liege é autora do livro Como Treinar Quando Não Há Motivação. Então dá para ter noção aí da força de vontade aqui da Liege, ela que resolveu então colocar esse livro. Aliás, esse livro você encontra Você pode encomendar através de um link na bio do Instagram dela. A gente acabou esquecendo de falar disso no final, né, Liege? Então tô aqui falando. Entrem no Instagram da Liege e na bio você vai encontrar um link para comprar o livro Como Treinar Quando Não Há Motivação.

E o Instagram dela é fantástico. Nós falamos disso aqui também. Tenho certeza de que você vai curtir. E antes de seguir para o episódio, não se esqueça de seguir o Endorfina aqui no YouTube. Se é pelo YouTube que você gosta de assistir o seu conteúdo, aliás, se é pelo YouTube, vai lá agora no YouTube. Siga o Endorfina, comente, mande para os seus amigos, para as pessoas que você acham que pode, que esse episódio pode interessar, o que os outros episódios pode interessar.

Sempre é a melhor maneira que você tem de contribuir, seguindo o Endorfina no seu agregador de podcasts, comentando, espalhando a palavra dos meus convidados. E se você quiser ir além, não se esqueça, você pode apoiar financeiramente esse projeto. Toda ajuda é bem-vinda, a partir de R$15 por mês. R$15 por mês para muita gente não significa nada, mas se todo mundo colaborar com R$15 por mês, vai fazer uma grande diferença aqui meu projeto.

Então considere colaborar com Endorfina financeiramente. E para isso você também pode ir no meu Instagram, que é o Endorfina BR. Clica lá na bio, vai ter um link. Nesse link você clica e vai ter lá uma abinha Apoia.se. Lá você se informa como faz então para apoiar financeiramente com esse projeto, como tantas outras pessoas ao longo aí dos últimos, não 9 anos, mas ao longo aí dos últimos 7, 6 anos aí de Endorfina. Mas é isso, vamos lá para mais um episódio incrível do Endorfina, mais um episódio fantástico do Endorfina com mais uma mountain biker mãe e mineira, a Liege Walter.

Afinal de contas, quem é que não gosta de uma boa história, não é verdade? Minha convidada de hoje praticava esportes apenas nas aulas de educação física na escola e adorava pedalar pelas ruas tranquilas da sua cidade. O primeiro contato com mountain bike aconteceu em 2006, aos 18 anos, incentivada pelo namorado hoje seu marido. No fim daquele mesmo ano, disputou sua primeira competição. Em 2007, participou do seu primeiro Iron Biker e iniciou sua trajetória no cross-country olímpico. 2 anos depois, passou para a categoria elite em busca de novos desafios.

Durante muitos anos, conciliou os treinamentos com o trabalho, realizando grande parte das sessões à noite, depois da jornada profissional. Formada em edificações, trabalhou alguns anos na área até 2013, quando deixou a profissão para se dedicar ao negócio da família, tornando-se sócia do marido em uma loja de bicicletas. A mudança proporcionou uma rotina mais flexível e permitiu aumentar a dedicação aos treinos. Em 2018, interrompeu a carreira esportiva para realizar outro projeto de vida: a maternidade.

Sem saber se voltaria a competir, permaneceu afastada das competições durante a gestação e o puerpério. O retorno aconteceu quando seu filho tinha apenas 6 meses de vida, Durante a pandemia, voltou a treinar com mais regularidade. Em 2021, terminou o Campeonato Brasileiro de XCO entre as 7 melhores atletas do país. Em 2024, disputou pela primeira vez etapas da Copa do Mundo de mountain bike e foi 4ª colocada no Campeonato Pan-Americano realizado no Brasil.

No ano seguinte, conquistou 2 dos principais resultados da carreira: a vitória na Brasil Ride Espinhaço e a medalha de bronze no Campeonato Pan-Americano de Maratona disputado no Chile. Conosco aqui hoje, a mãe, atleta e empresária que procura fazer sempre o seu melhor com o que tem no momento, autora do livro Como Treinar Quando Não Há Motivação, a marianense Liege da Silva Walter. Seja muito bem-vinda, Liege!

?Voz 1

Obrigada, Michel, é um prazer imenso estar aqui participando do podcast Endorfina com vocês, compartilhar um pouco aqui dessa jornada da maternidade, do trabalho, de tudo assim, conciliar o esporte, né? E transmitir um pouco do que eu aprendi nesses anos aí, nessa loucura que é a maternidade, e para isso que é esporte ao mesmo tempo, né? Fico muito feliz e honrada. Obrigada pelo convite.

MBMichel Bogli

Legal, prazer vai ser meu. O teu Instagram é muito bacana, né? Eu tava falando aqui para você antes, e foi, acho que, acho não, a Arila que me indicou você, né? Ela falou, olha, ela é muito bacana, ela tem uma história muito legal, ela compartilha maternidade, com os treinos, de uma maneira muito, é muito leve, né, talvez muito natural. E o que eu vejo que você traz de muito positivo, entre outras coisas, é mostrar para as mulheres que elas não estão sozinhas na maternidade, nem assumir as responsabilidades da casa, profissionais, os seus desejos pessoais.

E os seus vídeos, acho que a grande maioria, sei lá, dos últimos 3, 4, 5 anos— eu fui até o teu primeiro post do Instagram, viu? Quando não tinha, quando não tinha esses vídeos bacanas que você faz hoje. Mas eu acho que é legal para que as mulheres e os homens também, né? Porque os homens que são pais ou que querem se tornar pais também entendam que a vida não é fácil quando se é mãe, né, quando se quer realizar os seus próprios desejos, suas próprias ambições, e ainda encara uma rotina aí de atleta, que embora você não seja profissional, você se dedica bastante, né?

Mas eu tô super animado. Mas antes de seguir, eu quero falar um pouquinho dessa história do teu Instagram. Eu nunca conheci ninguém que é formado em edificações. Não, nunca. E eu dei uma olhadinha aqui, né, no Google, e já veio para mim aqui um resumo que eu entendi Mas eu queria que você falasse para o ouvinte que por acaso, quem tiver nos assistindo, que não saiba o que que é uma pessoa formada em edificações.

?Voz 1

Edificações, né, foi um curso que eu escolhi, é um curso técnico, é como se fosse um técnico de engenharia civil, né. Então eu gostava muito de desenhar plantas de casa assim na infância mesmo, gostava de fazer planta de casa. E quando eu parei de, quando eu terminei o ensino médio, caiu, foi E aí, quando eu terminei o ensino médio, eu falei, não, vou fazer edificações, que eu acho que é um ramo bem legal. E foi uma área que abriu muitas portas, porque aqui na cidade mesmo é uma cidade que tem muitas empresas do setor da construção, né?

Então eu tive a oportunidade até de trabalhar fora de Mariana também. E é um curso bem legal, é bem interessante e tem muitas oportunidades de emprego mesmo.

MBMichel Bogli

Bacana. É verdade que você também pode atuar como arquiteta de edificações, de construções de até 80 metros quadrados?

?Voz 1

É isso, cara?

MBMichel Bogli

Que legal!

?Voz 1

Eu posso assinar projetos, né? Pequenos projetos eu posso assinar.

MBMichel Bogli

Bacana, cara, que legal! Você sabe que eu acabei entrando em arquitetura já na minha segunda formação, mas acabei não escolhendo, fui para o desenho industrial, mas me arrependo até hoje. Quem sabe um dia ainda me arrisque a formar arquiteto. Mas vamos lá, Liege, e quando que você decidiu? Porque eu fui até o teu primeiro post do Instagram e de repente, né, voltando aí, né, de baixo para cima, de 2013 para cá, de repente teu Instagram começou a ficar entre aspas, super divertido com os seus vídeos.

Você faz, eu não sei nem como é que chama, né, o tipo de vídeo que você faz, mas são vídeos que são bem humorados, é, com frases muito legais. Eu recebi aqui semana passada um outro atleta lá do Pará também que faz vídeos muito bacanas assim, e eu não vou dizer necessariamente que eles são elaborados do ponto de vista técnico, Mas assim, você tá pensando nesses vídeos, né? Eu imagino que você treine pensando neles, você viva pensando neles.

Quando é que começou e qual era o seu objetivo a hora que você começou a se dedicar mais ao seu perfil no Instagram?

?Voz 1

É, hoje o perfil do atleta mudou um pouco, né? É questão de visibilidade com os patrocinadores. Eles buscam, claro que buscam resultados dos atletas, mas também buscam uma comunicação. Com as redes sociais. Então o atleta tem que ser comunicativo e eu busquei transmitir isso de uma forma mais natural, né? Tem atleta que compartilha rotina de treinos, mas é uma coisa assim que é muito robotizada, eu acho, sabe? Eu acho que a partir do momento que eu comecei a transmitir isso de uma forma mais natural no meu dia a dia, os meus seguidores gostaram muito, porque principalmente muitas mães se identificam com a minha rotina, né?

Eu tô ali competindo no nível profissional, né? Eu falo que eu sou sabor profissional, excelente, tô ali competindo com as meninas, mas eu levo uma rotina de uma pessoa médica, como, porque eu tenho que trabalhar, né? Então eu falo que as meninas que competem nas categorias amadoras, nas marchas, que leva uma rotina igual a minha, se identificam muito com isso, né? Então é o que eu gosto, transmitir a naturalidade na oportunidades, os desafios, encarar algumas coisas com bom humor.

Porque às vezes eu tô gravando um vídeo com o Lucas em cima dele de casa, assim, por dentro eu tô ali para morrer porque ele é meio teimoso. Só que no final o vídeo fica engraçado, né? Então você vê que o momento que é de raiva, de que você podia estar em casa querendo estertar o pescoço da criança, no fim se torna uma coisa engraçada. E os meus seguidores gostam demais. Quando eu posto um vídeo assim com o Luca, né, afrontando alguma coisa assim, a galera sempre reposta, a galera entra em contato comigo, manda um direct, né, e é muito divertido mesmo.

E aí eu tive um Instagram assim e muitas mães se inspiram nisso também, né. E eu que eu gosto, faz parte do meu propósito fazer assim, inspirar pessoas, né. Eu acho muito bacana isso, é bom para mim também, né.

MBMichel Bogli

Claro, porque enfim, o que já é não é simples do ponto de vista da realidade. Aquilo que você falou, muitas vezes você tá fervendo por dentro, mas assim, é a realidade. E a verdade é que, guardadas aí as devidas proporções, a hora que a gente escolhe ser pai, ser mãe— e aí eu vou ter que defender as mães, porque ser mãe com certeza é muito mais difícil do ponto de vista da dedicação, do sacrifício e tudo mais, né? Uma criança vive relativamente bem sem pai, mas sem mãe ele vai ter vários problemas, né?

?Voz 1

Mãe, mãe, mãe, o tempo todo.

MBMichel Bogli

Quantas vezes que o Luca te chama por dia mãe?

?Voz 1

Eu fico, tem dia que eu fico assim, pelo amor de Deus, a cabeça desse pobre.

MBMichel Bogli

Mas ao mesmo tempo você acaba rindo de você mesma, né, da situação, e talvez fique realmente um pouco mais divertido. Uma coisa, eu tenho duas meninas, uma já bem mais velha e tem uma de 9, vai fazer 10. Então eu já passei aí pela, por isso uma vez, e tô passando agora de novo nessa idade de que os filhos demandam muito, e demandam do pai, mas não demanda no pai nem um décimo do que demandam da mãe, né? Então assim, alguns vídeos que você fez, eu vou lembrar de dois aqui, o da beterraba, que você tá fazendo um pós-treino.

E aí você fala, bom, agora deixa eu enganar ele, eu vou falar que é uma vitamina. E você tá com beterraba com casca?

?Voz 1

É, eu gosto de aproveitar todo mundo.

MBMichel Bogli

Eu nunca pensei nisso, ó. Eu vou começar a usar.

?Voz 1

A casca tem muita propriedade, né?

MBMichel Bogli

Bem lembrado. E aí o menino foi seco tomar vitamina, o Luca. Ai, tem beterraba! E saiu correndo, né?

?Voz 1

E assim, eu que tenho costume de comer beterraba, não senti o gosto da beterraba, né? Porque é comum. Mas hoje, como ele não gosta, né?

MBMichel Bogli

Na hora, né? E outro que eu achei engraçado, que é você, você fez a legenda no vídeo, né? Quando a gente passa lá pelo grid, é treinando com meu estresse. E eu até já imaginei, né, o que que era você estressada com a cabeça. Você arruma umas trilhas sonoras fantásticas, né? Originais, alguém falando, é fantástico. De repente é você pedalando numa estradinha de terra, a hora que você olha para trás, tá o Luca lá, o seu estresse.

Cara, eu achei muito divertido, cara. Agora, a maior parte das pessoas que entra em contato contigo são mulheres, assim, você consegue ver lá, né, no seu perfil, são mulheres, né?

?Voz 1

A maioria são mulheres, elas super identificam, tem muitas mães, né, que falam, nossa, aqui em casa é a mesma coisa.

MBMichel Bogli

É muito legal isso, você fazendo agachamento e ele pintando na tua frente, né? Não sei se é na academia, na tua casa, enfim. Mas aí, filho, fica desenhando aí que eu vou, que eu vou fazer meus treinos. E depois você agachando com ele, né?

?Voz 1

Aí às vezes eu não consigo levar, deixar ele com alguém, né? E aí eu levo ele para academia comigo. E quando ele era menorzinho também eu fazia academia aqui em casa mesmo. Eu tenho uns pezinhos e ele sempre participava comigo, né? Atrapalhava, né? E a pessoa assim, os seguidores adoram, né, quando ele afronta.

MBMichel Bogli

Eu tenho a impressão que isso é super comum no exterior, principalmente vou falar aqui da Europa, dos Estados Unidos, porque lá não tem às vezes a rede de apoio que a gente se acostuma a ter aqui, nem avô nem avó, muito menos uma empregada, uma secretária que vai ficar com teu filho, que seja uma hora enquanto você vai rapidinho até academia e volta, né? Ou vai fazer a unha e volta, né? Então hoje minha esposa foi fazer a unha com a minha filha, com a nossa filha de 9 anos, 10 anos, porque não tinha com quem deixar, tava pedalando, né?

E é legal você mostrar. Eu quero mostrar, não tive tempo de mostrar ainda para minha esposa, mas assim, é uma luta diária isso, né? Você, você, você quando decidiu junto com o teu marido Tacobel, é o apelido do Anderson. Quando você decidiu com o Tacobel ter filho, você já imaginava que seria assim tão, eu vou falar difícil, porque é difícil mesmo, né? Não, também não dá para a gente camuflar, né? É uma maravilha, mas é difícil para caramba, né?

E principalmente se você quer continuar tendo uma vida realizando algumas coisas para você, porque eu acho que é totalmente certo a mulher seguir com a vida dela agora com um filho, né? Você já imaginava que seria esse perrengão?

?Voz 1

Olha, sinceramente, a gente tem uma noção, mas a gente não consegue chegar nem perto do que era. Eu assim, eu falo que Deus mandou para mim o anjinho mais levado que ele tinha lá. Ele falou assim, esse menino aqui vai ser para Niede, porque acho que ela vai dar conta, porque ele é abençoado, sabe? E é uma criança que demanda muita energia da gente, né? Então assim, ele é muito, muito ligados nos entes vivos. É o tempo todo demanda atenção e ele gosta de esporte também, né?

Então assim, a gente tem que fazer o nosso treino e tem que ir treinar com ele também. Então tem que dar a volta no quarteirão, tem que gastar energia dele. E esse é uma loucura mesmo, sabe? Mas isso é uma coisa que eu escolhi para mim. Eu sempre sonhei em ser mãe, né? Mas realmente assim, eu não imaginava que ia vir um anjinho mais levado. Mas assim, é, tudo pode acontecer, né?

MBMichel Bogli

Então, e você, você acho que disse numa legenda ou num vídeo, e teve um outro vídeo teu que você aparece de perfil com capacete debaixo da blusa, né, como se você tivesse grávida. E nesse outro vídeo você falou alguma coisa de uma irmãzinha, alguma coisa assim de uma menininha e tal. Você, vocês gostariam de ter mais um filho, mais uma filha? Tá nos planos ou você O que que te, o que que te fez ainda não ter?

?Voz 1

Então, é, dizem que quando você tem o segundo filho, ele é mais levado do que o primeiro, né? Então eu não me arrisquei, eu ainda não tenho a coragem de arriscar o segundo. Primeiro, assim, o Luca ainda, o Luca pede um irmãozinho até hoje. Ele sempre fala, mãe, eu vou ser filho único, eu não vou ter irmão nunca, sabe? Dá uma apertadinha no coração. Mas eu ainda não tenho energia suficiente ainda para criar outra criança, porque você tem uma responsabilidade dessa, sabe, demanda muita entrega, né?

Então um filho para mim por enquanto é o suficiente, sabe? Não tá nos planos ter o segundo não.

MBMichel Bogli

E aqui que você acha que, que você deve esses seus melhores resultados ou mais expressivos terem vindo justamente depois da fase do Luca? Né? Eu gravei faz algumas semanas, alguns meses, com a Gabi Ferola, e uma maravilha, né? 21 anos, né? Tem uma energia que não acaba nunca, né? Não tem preocupações com filho, ainda tá estudando. Quer dizer, ela tem tudo, né, para ter a melhor performance da vida dela. Exato. Aí você, com 38, que você já fez agora recentemente, Você com o Luca, que tem 7, né?

Exato. Então, mas nesses últimos anos pós-pandemia você teve resultados muito bons. A que que você deve isso? Você não tá ficando mais nova, você tá ficando mais cansada, você tem que dividir a sua energia além de tudo que você já tem normalmente, você ainda tem que dividir energia com o Luca, que drena muito, você acabou de falar. Da onde que você acha que você tirou esses resultados e essa resiliência. A tua história é muito de persistência, né?

Assim, eu interpretando a tua história, é muita persistência. Da onde que vem isso?

?Voz 1

Então, Michel, a maternidade me ensinou uma coisa que chama resiliência, sabe? E tudo que eu aprendi com a maternidade, você tem uma responsabilidade de criar um filho, você tem que estar sempre com muita paciência no processo, você tem que confiar no processo, E isso aí para bike fez crescer esse sentimento em mim, sabe? Às vezes assim, chegar no treino, chegar no pós-treino, não ter um descanso, me fez treinar 3 vezes melhor, com mais qualidade, porque eu sei que para mim ali vai ser diferente das outras meninas, sabe?

Eu não vou ter o mesmo descanso que elas, eu não vou ter a mesma recuperação, tanto pela idade que eu tenho Mas a maternidade me trouxe uma força, sabe? Eu não sei explicar direito que força que é essa, sabe? Mas quando eu fui mãe, eu fiquei mais forte mentalmente, principalmente, sabe? Persistência nos meus objetivos. Eu acredito que antes da maternidade eu não tinha um propósito muito certo, sabe? Eu pedalava porque eu gostava de pedalar, mas não tinha ali um propósito, sabe?

Um porquê. E hoje eu vejo que o meu propósito é ser uma inspiração para as mulheres, é ser inspiração para o meu filho, ser exemplo para ele. Então, a partir do momento que eu tenho um propósito, a minha disciplina, né, a minha rotina toda fica focada no meu propósito. Então, isso aí que me trouxe melhores resultados também, sabe? Eu acredito que seja essa força e ser mãe, se tornar uma outra mulher, né, que a gente muda depois da maternidade, tudo muda.

Então eu acho que essa força veio junto, tanto mentalmente quanto fisicamente mesmo.

MBMichel Bogli

E até então, essa, vamos chamar aqui de nova versão da Liege, agora Liege mãe, essa resiliência, essa força, você nunca tinha experimentado ela do jeito que elas, do jeito que você percebeu ela pós-maternidade, quando você voltou a competir, mesmo ali quando você foi para elite, ou antes disso, né? Se bem que você também não participava de esportes muito competitivos antes de começar a andar de bicicleta, você começou aos 18 anos. Você nunca tinha sentido isso?

?Voz 1

Eu acho que não. Eu acho que a maternidade me trouxe maturidade, sabe? O esporte, a gente tem as fases no esporte, e essa falta de propósito, sabe, que não deixava eu ter os resultados que eu tinha hoje, sabe. Eu acho, eu não sei explicar muito bem uma palavra certa, né, de que que foi isso, que foi essa transformação, sabe. Parece que eu me tornei outra pessoa mesmo, né. Os objetivos antes não eram tão claros, eu sonhava, né, tinha sonhos em ser uma atleta profissional, sonhava em ir para as Olimpíadas, mas um foco, sabe, uma direção para aquilo, as responsabilidades, né, com o trabalho, né, que eu não podia dedicar como as outras meninas.

E só depois da maternidade que as coisas ficaram mais claras, mais leves, menos cobranças, né. O jeito que eu levo o esporte na minha vida não me traz muita pressão. Sabe, eu faço por amor, porque eu gosto. E eu acho que essa transformação assim, que essa versão da Lied antiga para Lied nova, que foi assim o marco, sabe, para mim conseguir melhores resultados mesmo.

MBMichel Bogli

O que que a tua mãe, por exemplo, acha disso, de você?

?Voz 1

Número 1, tá? Ela é aquela pessoa que tá sempre na linha de chegada me esperando. Tanto é que no último fim de semana eu participei de uma prova, então eu não me senti bem na prova, demorei para chegar. Minha mãe, ela chorou. Olha, você viu que eu tenho 38 anos com a mãe chorando para chegar na minha mãe? Eu tenho 38 anos, porque mãe é mãe, né? E toda prova ela sempre tá lá, quero dizer, toda vez que ela pode, né, ela tá lá me aplaudindo, é a primeira a estar lá na frente do pódio esperando, sabe?

Uma mamãe incrível. E ela, ela sente muito orgulho, né, do que eu me tornei hoje de atleta. E ela sempre fala para as pessoas, ah, eu sou mãe da Eliete, ela tem orgulho. Às vezes ela chega na corrida, ela dá um jeito de falar que ela é a mãe, né?

MBMichel Bogli

Como você já deve ter feito com o Luca, e você vai fazer, né, em algum momento, né? Você vai fazer questão de dizer, olha, esse é meu filho, eu sou mãe dele, né? Agora, essa volta para o esporte, ela também não é fácil, né? Você acabou de ficar um tempão parada, os primeiros meses da maternidade obviamente são bem complicados, vocês estão se conhecendo, dorme mal, aquela coisa toda. E muitas vezes a gente acha que o mundo vai acabar, né?

Você voltou porque você também queria sair um pouco daquele foco Luca, Luca, Luca, Luca, 24 horas por dia, que é super normal, né? Acho que a maior parte das mulheres tem isso. Ou você já estava pensando em voltar a ganhar uma forma física? Enfim, deixa eu experimentar ver se eu consigo voltar a ser a Liege que você achou que você era. Que você achava que era bacana, boa, dedicada, né? Você tava aí, você acabou se descobrindo, como você falou.

O que que te motivou a voltar? Não sei, na minha opinião, relativamente cedo, né? Com Luca com 6 meses.

?Voz 1

Pois é, quando eu decidi ser mãe, eu tava numa fase que eu tava muito em propósito na minha carreira esportiva. Eu não sabia assim por que que eu tava passando temporada pós-temporada, porque, sabe, acabava uma temporada, já começava outra. Mas nossa, para que isso? A gente começa a questionar, o treino começa a ficar um pouco de obrigação. Aí eu comecei ali, nossa, eu não, eu tô me abdicando de tantas coisas, sabe? Às vezes um churrasco em família, às vezes um aniversário, às vezes comer um bolinho e um chocolate, sabe?

Aí eu tava nessa fase assim, meio assim querendo desligar um pouco do esporte já. Que é, sabe, dos 18 até os 30 anos, nessas temporadas, pós-temporada. E aí eu falei assim, não, eu quero parar para respirar, talvez eu volte. Eu tava assim sem futuro certo, não tava com esse pensamento de voltar assim tão cedo, mas eu falo assim, uma vez que você é picado pelo mosquitinho, né, não tem jeito. E o tempo que eu fiquei parada foi o suficiente para eu respirar, para eu ver o esporte de outros, com outros olhos, Fui várias provas para assistir durante a gravidez com o Luca pequenininho, até despertar de novo aquela vontade de competir, sabe?

Então quando eu voltei a treinar ali, claro que eu tava querendo recuperar a forma física, né? Eu tava gordinha e atleta não gosta de ficar gordinha. Então eu queria voltar a me reencontrar, né, fisicamente. E também fugir um pouco, né, daquela loucura dos primeiros meses da maternidade, porque realmente é muito desgastante. Você não tem noite de sono, você não tem um tempo para você. Às vezes você se olha no espelho, você não se reconhece, você vê ali umas olheiras, você vê cabelo, você não consegue ter tempo de fazer as unhas.

Então aquele começo é muito tenso para todas as mulheres, sabe? E pedalar me trouxe eu de volta. Não, eu agora consigo me cuidar. E a minha rede de apoio incrível, né? Minha mãe, meu marido, e me ajudaram muito nesse retorno, porque assim, neném pequenininho, às vezes mamava no peito ainda, e eu tinha 30 minutos para fazer um treino, né? Que eu tinha que voltar, que era exclusivo. Então eu ia, dava uma voltinha de 30 minutos, já voltava, mas já era o suficiente de eu ficar sozinha, sabe?

Às vezes eu subia uma montanha, ficava respirando um pouquinho assim o ar fresco, silêncio, E isso aí foi me trazendo de volta, né? Então quando o Luca fez 6 meses que eu voltei a competir, não, eu agora eu quero de novo. Aí aquela vontade voltou, aquele desejo de querer melhorar, aqueles pensamentos de por que já tá consumindo, né? Porque eu tava me reencontrando ali de novo naquele momento.

MBMichel Bogli

E o que que você viu no mountain bike depois que o Anderson te apresentou? Para modalidade, você começou a pedalar. Eu imagino que ele já era um mountain biker, né? E que você resolveu dar continuidade, principalmente dessa maneira séria, né? Você se dedicou, como você falou, dos 18 aos 30 anos, né? O que que você via? O que que você— o que que te atraiu no mountain bike até você chegar num ponto de falar, poxa, Eu quero ser elite, eu quero tentar uma vaga olímpica.

Tudo bem que você mora em Mariana, né? Então você tá num lugar também que eu conheço Mariana, mas não me recordo quase nada. Mas assim, você tá em Minas Gerais, você tá num lugar que é super favorável para fazer o mountain bike. Imagino que quase todo mundo aí ande de bicicleta, né, quando faz algum esporte. Mas assim, você podia não ter curtido muito. Aí deixa isso aí para o Anderson. Eu não vi, eu não vejo o que o Anderson vê. O que que você viu?

?Voz 1

É, então, a bicicleta sempre foi minha brincadeira preferida na infância, né? Então eu já tinha aquele gostinho de andar de bicicleta, já gostava, né? E aqui em Mariana é muito propício à prática do mountain bike e tem muita gente que pedala. Na época que comecei não eram tantos, né? Mas a minha rede de amigos ali, a rede de amigos Anderson, eram todos de ciclistas. Então quando você tá no ambiente, né, o ambiente te influencia, né.

Então de início eu ia acompanhar ele nas competições, né, eu não competia, eu ia, mas eu já tava ali no bolinho dos meninos, né, que já competia. Então aquilo ali vai fazendo a cabeça da gente, né. Nosso ambiente era daquilo, então foi um processo bem natural, sabe. Eu já gostava de bicicleta e já envolvida no meio ali de pessoas que também gostavam. Então foi fácil.

MBMichel Bogli

Quem que te ensinou a andar de bicicleta? O seu irmão?

?Voz 1

Sim, eu aprendi mais que sozinha mesmo, porque o meu pai comprou umas petis, né? Acho que era uma petis de cestinho, né? E eu ficava andando. Minha casa tinha um quintal bem grande, eu ficava indo na garagem, tentava fazer um circuitozinho E como eu ficava o dia inteiro em cima da bicicleta ali rodando, tinha um canteiro central no jardim daqui de casa, então ficava igual baratinha tonta assim no canteirinho. E aprendi sozinha mesmo, aí eles arrancou as rodinhas e eu ia tentando.

Mas que foi mais influência do meu pai ali que ficava ali me ajudando, às vezes ficava tirando foto. O meu irmão, ele gostava mais de skate na época.

MBMichel Bogli

Entendi. Quando você, aí você começou, competiu aí em Mariana, né, que também você tem a facilidade, né, de ter provas aí na tua própria cidade, o que também acaba ficando mais simples. Eu entendo que isso aí também motive mais. Agora você olhando para aquela Mariana, desculpa, para aquela Liege, na sua primeira competição ali, provavelmente Provavelmente você, né, tava apreensiva. O Anderson deve ter te acalmado. Eu não sei se você treinou muito ou pouco, mas enfim, você consegue enxergar algum traço da Liege que você é hoje, ou que você se tornou ali naquela primeira competição? Dá para você lembrar como é que foram as sensações?

?Voz 1

Olha, eu me lembro perfeitamente o friozinho na barriga, porque eu sinto até hoje, por mais experiência que eu tenho, quando eu tô alinhada ali vai largar, dá aquela ansiedade, aquelas borboletinhas no estômago. E na minha primeira prova eu sentia isso também. E eu lembro que eu olhava para minha mão, minha mão tava desse jeito, sabe? E assim, eu tinha pouco tempo de pedal. Eu não me lembro o nome da prova, mas eu sei que era, a gente saía de Mariana e até um distrito daqui, e eu fui a última E a ambulância andava atrás de mim, porque ambulância vai atrás do último.

Então assim, eu lembro assim que eu parava no caminho, bebia água, falava assim, espera aí que eu tô indo. Mas cheguei, mas eu fui a última colocada da prova, sabe? Mas cheguei lá.

MBMichel Bogli

E quando você decidiu ir mais longe, né, fazer o Iron Biker, que também aí pertinho, e as provas de cross-country olímpico, né, que são provas de uma, enfim, exigem mais destreza do ciclista, né? Não é uma prova, é uma prova muito técnica, né? O que que te assustou quando você começou a ter essas experiências mais sérias?

?Voz 1

Eu acho que assim, não foi, digamos, um susto, sabe? Mas igual quando eu comecei a competir o Ironman, era uma prova que era um pouco diferente, né? Porque Era o maior evento que tinha aqui na cidade, né? Quando eu comecei, ele era um dia em Mariana e outro dia em Ouro Preto. Depois que começou a ser só aqui, e era uma competição diferente. Então quando a gente começou ali a treinar com mais frequência, o objetivo já era estar no Aerobike.

Então eu já tava preparando a minha mente, e o Aerobike era mais de 1000 atletas esbarradando junto. Então o meu psicológico veio trabalhando para sair, sabe? E eu, um ano, um ano e meio depois, eu já tava participando do meu primeiro, que largou em Ouro Preto. E as provas de cross-country também vieram depois, mas eu sempre fui assim bastante corajosa, sabe? Como eu já gostava de pedalar, eu não era medrosa não. Eu enfiava no meio da galera e gostava muito de descer também, não tinha medo de descida, tanto me machucava bastante no começo, era bem temida, muita coragem para pouca técnica.

Mas depois eu fui melhorando, mas assim, não foi um susto mesmo, preparei bastante o psicológico para estar nesses eventos maiores.

MBMichel Bogli

E você obviamente curtia, né, mesmo enfim tendo as dificuldades normais da prova, mesmo as quedas literais, era uma coisa que você curtia. E em 2009 que você decidiu ir para elite. Como é que foi a construção dessa decisão?

?Voz 1

Então, quando eu decidi ir para elite, as categorias femininas eram bem vazias, né? A gente tinha ali a Jaqueline Mourão, tinha Adriana Cimento, Adriana Machado, mas assim, eram poucas ainda, né? E as categorias amadoras eram menos meninas ainda. Tanto que na época eu era atleta sub-23 e não existia categoria sub-23. Então eu lembro que o brasileiro lá, eu não me lembro o ano, mas um brasileiro que foi realizado lá em Resende foi a primeira vez que teve a categoria sub-23 feminina.

E tinha eu, Isabela Lacerda, tava competindo também, Luana Machado, mas era assim 5, 6 meninas, sabe? E até as categorias amadoras não eram vistas, né? Eu lembro que eu dava uma volta na pista quando ia correr um XCO, né? Então como que você vai evoluir, né, dando uma volta na pista, né? E as categorias, né, não tinham uma premiação legal também. Eles não, vamos subir para elite, né? Somos tão poucas, né? Então vamos juntar. E aonde que eu consegui ter mais, encontrar mais desafios, né?

Porque eu tava competindo ali com as melhores do Brasil. Então você tá ali, você não vai poder ficar sossegada não, você tem que buscar evolução sempre. E aí que eu decidi, falei, não, categoria amadora não era tão valorizada. Já somos tão poucas, né?

MBMichel Bogli

Então a Raquel Gontígio teve aqui já faz uns bons anos, mas ela falou bastante, né? Ela teve uma posição bem importante aí, uma, um protagonismo bem importante aí nessa, nesse desenvolvimento, né, do mountain bike feminino. E Adriana Nascimento também já teve aqui, com certeza ela falou, não tô lembrando. E a Jaque Mourão também, nas duas vezes que ela teve aqui, ela também, eu lembro que ela falou dessa luta que era para as mulheres, né, infelizmente.

Mas felizmente elas persistiram, né? E o mountain bike hoje, você vê o mountain bike hoje como uma modalidade que dá as mesmas oportunidades para homens e mulheres?

?Voz 1

Eu acho que melhorou muito, né? Você vê nas provas bastante categorias Mas eu acho que ainda somos muito poucas, porque vou dar um exemplo das categorias Masters, né? Tem provas que juntam as categorias pelo número baixo de atletas, né? Então eu acho que assim, podia ser bem melhor se nós fôssemos mais, né? Se tivesse mais voz para questionar a criação de mais categorias, né? Mais subdivisões. Porque às vezes tem poucas meninas correndo, então não tem como argumentar com os organizadores a criação das categorias, né?

E hoje eu acho que tem muito a melhorar ainda. As categorias de base eu acho que ainda não estão tão cheias. Tinha que existir mais projetos, né? Igual lá fora, você vê, comparando aí com Suíça, né? Categorias de base lotadas, é um celeiro de atletas mesmo. E no Brasil Ainda você vê surgindo ali algumas meninas, você vê duas surgindo, três, e era para ser mais, né? O masculino, né, você vê que sume vários atletas aí todos os anos.

E o feminino, eu acho que tá bem empilhado ainda, né? Nós temos muito a crescer, mas em volume. Eu acho que tem que ter mais investimento nas categorias de base para crescer o número de mulheres praticando esporte e ter mais vozes.

MBMichel Bogli

Eu não conheço quase nada do mountain bike, mas eu vejo muita analogia nesse teu depoimento, nessa tua opinião, com a situação do triatlon aqui no Brasil. É a mesma coisa, né? Tá sempre surgindo garotos, rapazes novos, e que você percebe que, né, estão ali já querendo subir de nível e tudo mais. Nas mulheres, essa rotatividade é menor, né? Nas mulheres, isso acontece num ritmo mais lento, né? Mas é um, mas enfim, parece que esse é um problema mais estrutural nosso, do talvez do esporte brasileiro, e aí especificamente do ciclismo, né?

Porque não é um esporte popular, não é um esporte barato, né? E para as mulheres envolve também aí uma questão da segurança, onde treinar, como treinar e tudo mais. Sem falar nos outros atributos que você desenvolve bastante bem no seu Instagram, né? A história de cuidar da casa, ter trabalho, treinar, cuidar do filho, né? E ainda ter que estar arrumadinha para se sentir, enfim, quem você é de fato, né? Mas quando você falou que você tava sem propósito e tal, mas eu acredito que por um bom tempo você tinha, né?

Ambições, você queria ir para as Olimpíadas e tal. Então você tinha alguma coisa ali que tava te fazendo treinar à noite enquanto você trabalhava durante o dia, você tinha que fazer algumas sessões à noite e tudo mais. Quer dizer, você tinha uma motivação, né? Como é que você, olhando para trás, você enxerga essa Liege dessa época em comparação ou com a sua perspectiva de hoje, né, no alto dos seus 38 anos? Essa Liege mais nova que trabalhava durante o dia, que tinha que fazer os treinos à noite quando dava, da maneira que dava, para você tentar atingir um seu objetivo?

?Voz 1

Olha, eu vejo a Liege, eu poderia ter feito mais, né? Eu tinha mais tempo, né? Eu vejo isso como, poxa, eu tinha tempo para descansar, né? Às vezes fim de semana eu trabalhava o dia inteiro e treinar à noite, mas eu não tinha uma criança ali pulando em mim 24 horas, né? Eu ainda morava com a minha mãe, então as responsabilidades eram menores, né? E mas assim, dava para ter feito mais pelo esporte, mas eu acho que eu não conseguiria chegar onde eu cheguei se eu não fosse, não tivesse acontecido tudo que aconteceu comigo antes, né?

Eu construí uma carreira, eu trabalhei, eu juntei dinheiro, construí minha família, tudo através daquela, né? E toda a minha rede de apoio, todo mundo, eu acho que contribuiu muito para eu me tornar quem eu era. E aliás, de antes também contribuiu para isso, definitivamente.

MBMichel Bogli

É aquele dilema, né? Se a gente tivesse, enfim, é, se a gente é o se que não existe, né? Mas se a gente tivesse a cabeça que que a gente tem hoje com o corpo à disposição e o tempo que a gente tinha com 20, 25, 30, mesmo 30 anos, cara, uma maravilha, né? Eu tenho 57, é impressionante o nível de energia que eu tinha, não me cansava. E não tinha filhos, não tinha grandes responsabilidades, é outra história, né? Obviamente. Agora você aí veio depois por esse processo de tava meio sem propósito e tal, falou, vamos ter filho logo, conversou com o Anderson, A bicicleta em algum momento deixou de ter graça para você, ou você deixou de olhar para bicicleta com aquele olhar, sei lá, apaixonado, com aquelas lembranças de criança que você, né, já mencionou aqui que você tem?

Em algum momento a bicicleta deixou de ter esse papel e e assumir um outro talvez não tão interessante ou não tão gostoso?

?Voz 1

Eu acho que todo mundo já passou por uma fase um pouco assim, né?

MBMichel Bogli

Uma raivinha da bicicleta.

?Voz 1

Nesse finalzinho ali, quando eu já tava ali querendo ser mãe, eu tive isso, sabe? Porque quando a gente pede proposta e o treinamento passa a ser uma obrigação, você meio que não quer mais fazer bicicleta, porque você não vê aquilo ali como, pô, o que que eu tô fazendo temporada após temporada? Por quê, né? Então a bicicleta passa a ser uma obrigação, então você acaba perdendo aquela vontade, aquele amor que teve mesmo. Acho que essa fase aí, um pouquinho antes de eu ter o Luca, marcou muito isso em mim, sabe?

Foi um período bem difícil, mas eu precisava dar uma respirada mesmo. Eu falo que eu precisava ter uma vida de gente normal por um tempo, sabe, para mim voltar a ter uma vida de atleta, né.

MBMichel Bogli

E a decisão de se juntar ao Anderson na Fly Bikes em 2013, né, você falou que a loja abriu em 2010, 2013, você foi uma tentativa, foi um movimento no sentido de enfim, trabalhar com uma coisa que talvez tivesse te fazendo mais sentido, obviamente colaborar com o negócio da família, né? Afinal de contas, o negócio era de vocês. E tentar se dedicar mais, ter um pouco mais de flexibilidade, né? Você conseguiu realizar isso ou de repente você viu que, cara, você também ser dona do próprio nariz do ponto de vista profissional Também não é o que talvez você imaginasse que fosse.

?Voz 1

É, quando a gente tem um negócio próprio é diferente, porque a gente, a preocupação quando você deita no travesseiro é diferente. Quando você trabalha CLT, né, você trabalha para alguém, você deita, faz os trabalhos, você esquece tudo, deita e dorme. Mas quando você tem um negócio seu, você deita à noite e fica pensando em formas de melhorar aquilo. Mas em relação— mas eu já sabia que era assim. Em relação aos senos, ajudou muito porque eu consegui uma flexibilidade de horário melhor.

A loja precisava de mim, precisava de um toque feminino, precisava de uma loja só com homem. Meu marido é bem desorganizado e a loja era pequena, era uma portinha só. E eu todo final de semana eu ia para lá dar uma geral, modernizava tudo, mas tava faltando um toque feminino para loja crescer, uma visão. E nós dois juntos conseguimos fazer a loja crescer e eu consegui mais flexibilidade assim, sabe? Acho que no fundo, no fundo deu certo.

É, as preocupações aumentaram, lógico, mas foi muito bom. Acho que eu fui bem assertiva na escolha de mudança. Eu fiquei menos estressada, por incrível que pareça, mesmo tendo um negócio próprio, porque eu conseguia treinar, conseguia ter minha válvula de escape, né, e fazer o que eu gostava mesmo, juntando o útil ao agradável, né, atender os clientes. Eu gostava de vender o que eu gostava de fazer e eu acho que foi muito assertiva essa mudança de vida que eu tive.

MBMichel Bogli

E esse episódio é oferecido pela Z2. A Z2 lançou o Performance System, uma linha pensada em organizar a suplementação ao longo da rotina do atleta, com produtos que cumprem papéis específicos dentro da performance. A linha tem dois produtos: a creatina e o nitrato. E um produto da Z2 que merece atenção é o Salt Pastilha, reposição de eletrólitos no formato inédito no Brasil. Dissolve na boca, repõe sódio, potássio e magnésio na hora sem precisar de água.

Compacto e ideal para treinos e provas. Sabores limão e menta. Siga Z2 Performance no Instagram e fique por dentro das novidades. Agora, voltando na decisão da maternidade, você vinha numa pegada E de repente aquilo, né, começou a ficar meio embaralhado na tua cabeça e tal, esse negócio de treinar por obrigação. Quando você engravidou de fato, né, você descobriu que tava grávida, você continuou pedalando um tempinho ou você já logo decidiu não, enfim, não arriscar, ou fazia rolo, né, bike indoor?

?Voz 1

Então assim, quando eu decidi engravidar, e o engravidar foi muito rápido, Que bom, né? Porque assim não perdeu tempo, não tive nem tempo, sabe? Vamos engravidar, vamos. Aí já foi. E aí eu descobri a gravidez com pouquíssimas semanas. E assim que eu já tive a consulta, né, a médica já falou, não, você já pratica esporte, já pode continuar, pode dar seguimento, mas de uma forma mais tranquila, né? Você não vai exagerar, você sabe disso.

E aí eu continuei pedalando, mas claro, uma forma bem mais suave, mas não por obrigação mais, né? Eu pedalava o dia que eu queria, o dia que eu queria fazer a caminhada eu fazia, já não tinha aquela obrigação de seguir farmácia mais. Então assim, já eu tava pedalando, mas eu tava desligada do esporte, né, de certa forma, que eu não tava sendo obrigada a treinar, mas eu ia Assim, pedalar bastante no rolo, procurava lugares mais planos, não pegava muitos lugares mais perigosos não.

E assim, foi uma gravidez bem tranquila, sabe? Eu fui até 41 semanas e 6 dias, se não me engano. Foi tipo, o Luca nem queria sair, sabe? Mas eu fui bem ativa.

MBMichel Bogli

Competir, você não competiu nenhuma vez? E aí, como é que fica a cabeça com relação à sua relação com a bicicleta, né? A expectativa do Luca, vocês, né, foram se relacionando cada vez mais à medida que a barriga vai crescendo, vai vendo lá no ultrassom, às vezes escolhem o nome, né? Tem esse processo natural para muitas pessoas de que, né, você vai realizando que você agora é uma mãe. A hora que você vê no ultrassom que tem lá um negocinho pequenininho, né, com coraçãozinho batendo, é emocionante, né?

Mas e a tua cabeça para bicicleta assim? De vez em quando, né, vocês vivendo da bicicleta, né, da loja, você na loja o dia inteiro e tal, conversava com Anderson tipo, meu, será que eu vou voltar? Eu não quero mais saber de voltar. Eu quero voltar, mas não sei. Vai difícil, eu não vejo mãe pedalando, não sei como é que ficou a cabeça também. Porque ao mesmo tempo que você vai se assumindo e se enxergando, se entendendo uma mãe, uma mulher que tá carregando uma vida dentro de você e tá gerando essa vida, você tem que abrir espaço para essa nova eu, nessa nova Liege dentro de você, mas Você já tem uma história muito longa antes da gravidez e você, né, vem num ritmo e você ainda tendo sido atleta de elite.

Como é que ficou a cabeça? E quando que você, ou se você imaginou, tipo, se não vai dar para voltar porque, meu, essa gravidez não, aí já o puerpério, a hora que nasceu, aquela confusão, não durmo direito, não consigo ter tempo para mim, não sei se eu vou voltar. Como é que foi esse, essa essa transformação da Liege numa mãe, mas ao mesmo tempo tendo sido atleta por tantos anos e vivendo da bicicleta através da loja?

?Voz 1

Então, Michel, eu não fiquei com muita, muita bitolada nisso não, preocupada em voltar rápido. Eu me entreguei ali ao pertuário. Eu tinha em mente, ah, vou voltar a pedalar, mas não sei se eu vou em si não era tão certo ainda, mas eu tentei aproveitar aquele comecinho, curtir a gravidez, curtir o Luca bebezinho e tentar resgatar a vontade aos pouquinhos, sabe? Acho que não foi, eu não me senti pressionada a querer voltar logo, sabe?

A cabeça ficou mais leve, não fiquei tão sentindo essa obrigação extrema de voltar não.

MBMichel Bogli

Eu acho que você já falou por alto, mas eu queria ouvir um pouquinho mais. A partir do momento que te falta tempo para quase tudo por conta da alta demanda de um bebezinho recém-nascido, a tua vida muitas vezes, né, pelo menos em casa foi assim as duas vezes, tipo assim, fica um caos a vida da pessoa, a casa fica um caos, mas tem a prioridade obviamente número 1 número 2, número 3, número 4, que é sempre o filho. E a mãe obviamente, né, tem que dar de mamar, tem que se preocupar com N coisas para o bem-estar do filho.

Afinal de contas, o filho depende exclusivamente da mãe, né, nesses primeiros meses. A hora que você voltou a competir, a hora que você voltou a pedalar primeiro e depois você decidiu competir, né, quando ele tinha aí 6 meses de idade, idade, mais ou menos. Você já voltou talvez um pouco mais organizada no sentido das suas prioridades? Você, porque você mencionou aqui que você saía para pedalar meia horinha, mas, mas, né, tipo, era um respiro, mas você voltava logo porque ele tinha que mamar de novo.

Quer dizer, isso, isso se refletiu, essa nova maneira de enxergar as prioridades, também nessa tua fase agora atual, né, que você voltou atleta?

?Voz 1

Quando eu já voltei à rotina de treinos ali, eu tive que readaptar a minha nova rotina, né, porque os horários ali já estavam mais apertados. O treino, mas assim, o treino ficou com mais qualidade. Por exemplo, se eu tinha meia hora para treinar, eram meia hora bem aproveitados, né. Então 1 hora, 2 horas de treino, tinha que sair na risca. Então a qualidade do treino foi até melhor, mas eu falo assim que a prioridade no começo, claro, era o meu filho.

Mas agora, por exemplo, que ele já ficou maiorzinho, eu falo assim, a prioridade agora é meu treino, porque meu filho todo bem, minha família, ninguém tá doente, tá todo mundo bem, eu vou treinar. Depois eu vocês vão morrer. Tem vez que eu saio de casa, eu deixo cozinha, banheiro, tudo bagunçado e vou treinar. Não, na hora que eu voltar, essa aqui é outra prioridade. Então assim, meu filho tudo bem, minha família tá todo mundo com saúde, prioridade agora é treinar. Era mais ou menos assim. Agora tá mais tranquilo que o Luca tá maior, né?

MBMichel Bogli

Claro.

?Voz 1

Então eu consigo treinar com mais qualidade ainda.

MBMichel Bogli

E como é que foi esse processo aí para o casal, né? O Anderson também pedalando, também trabalhando na loja, um cara apaixonado pelo mountain bike. Vocês conseguiram entrar num acordo desse revezamento, né, que você citou aqui algumas vezes para mim? Que é isso, né? Aí um vai treinar, um fica com o Luca, e assim vai. Eventualmente os avós ficam com ele. Mas esse revezamento é uma coisa que eu acho que muitos casais acabam negociando, principalmente nesse quesito do esporte, né?

Não dá mais para você sair junto com o Anderson para fazerem o treino, vocês vão ter que revezar, né? Quem que fica com o melhor horário, quem é que fica com o pior horário, né? Foi um processo que aconteceu também mais fluido ou também demorou para ele? Porque afinal de contas ele se tornou pai, né?

?Voz 1

Quando eu pensava em voltar a treinar, ele foi o meu maior incentivador, sabe? Até mesmo quando eu falava que eu acho que eu não vou competir mais, ele sempre falava, não, você vai. Então ele sempre foi o maior apoiador nesse sentido. E quando eu falasse, não, eu vou treinar, e aí ele sempre ficava com o pior horário, porque assim, a gente abre a loja às 9, né? Então a gente tem ali de 5 da manhã até às 9 para ir os dois. Então às vezes Eu ia mais cedão, chegava às 7, ele saía 5, chegava às 7, aí eu saía às 7, chegava 9, ele já saía tal hora para eu chegar.

Então assim, ele foi o meu maior apoiador nesse sentido, sabe? Toda vez que eu falava assim, ah, eu hoje eu não quero ir, aí ele, não, vai, eu queimo o rolo, sabe? Então foi bem mais tranquilo porque ele queria que eu voltasse, sabe? Então Foi mais tranquila essa nossa conversa, esses nossos acordos.

MBMichel Bogli

Que bom, né? Porque tem homem que não, enfim, que talvez não entenda isso dessa maneira, mas a verdade é essa, né? Se você, na minha opinião, mas assim, se você gosta da sua mulher, você também quer ver ela bem, né? E nesse período da maternidade é isso. O máximo que a gente pode fazer sendo pais não chega nem aos pés do que vocês podem fazer, mas é o que a gente tem para contribuir, né? É aquilo que eu disse aqui no começo da sua apresentação e que eu peguei de algum vídeo teu, né?

Fazer o melhor com que a gente tem, né? Os pais podem fazer o seu melhor, embora não chegue nem aos pés do que as mães fazem e tem aí, enfim, a necessidade de fazer por causa da demanda do filho. Agora, como é que tem sido essa tua jornada de conciliar trabalho, casa, filho, né? O casamento, que você também não pode esquecer, obviamente. Né? E o treino, né? Eu sei que você, mas talvez isso seja a pauta do seu Instagram nos últimos— o Anderson, ele vê o teu Instagram, você sabe? Ele fala alguma coisa? Vocês comentam ou você mostra para ele antes de postar?

?Voz 1

Bem, eu falo, nossa, eu fiz um vídeo aqui legal.

MBMichel Bogli

O que que ele acha? O que que ele acha olhando aí da perspectiva do pai?

?Voz 1

Ele adora também. Antes de postar, eu mostro para ele. E olha aqui, o que que você acha? Nossa, esse livro vai ficar top! Ele gosta.

MBMichel Bogli

E aí, como é que é conciliar tudo isso assim, né? Se você pudesse passar um recado aqui para todas as mães, futuras mães, novas mães que estão nos assistindo, nos ouvindo, como é que tem sido essa jornada nos últimos 7 anos?

?Voz 1

Essa pauta é que as pessoas mais me me perguntam, sabe, como é, como que você consegue dar conta de tudo, Lili? E eu falo, eu não dou conta de tudo, gente. Eu deixo cozinha sem arrumar, eu deixo muita coisa para treinar, né? Porque às vezes a pessoa segue a blogueira no Instagram e vê tudo perfeito, né? Mas assim, eu mostro que eu não sou perfeita, eu não dou conta de tudo, né? Tem muita coisa que que eu deixo de fazer. Então, rodar meu celular aqui pela casa, você vai ver que tem roupa precisando dobrar, tem um monte de coisa para fazer.

Mas a gente tem que organizar uma rotina de uma forma que a gente, que fique leve, porque se a gente quer dar conta de tudo, a gente fica doida. Exato, porque não tem jeito de dar conta de tudo, né? Nós mortais humanos comuns, né, que não temos essa, não somos famosos aí que tem 10 mil babás, 10 mil empregados, a gente leva uma rotina normal, então a gente tem que saber que não tem como a gente dar conta de tudo, né. Então o primeiro passo é ter isso em mente, né, e estabelecer as prioridades, né.

Então assim, se teu filho tá bem, sua família tá bem, você quer treinar, então vai treinar, porque é difícil você cuidar de um ser, né, de uma criança, mas também é difícil você se cuidar enquanto faz isso. Então tem que buscar caminhos ali na sua rotina para organizar tudo direitinho, para você ter o tempo para você. Porque eu vejo muitas mães que querem voltar a treinar, querem voltar à rotina de treinos, mas deixou perder o hábito, né?

Aquele, porque o hábito é assim, né? Se a gente ficar ali uma semana sem sem fazer, a gente perde. Então, se você quer voltar a treinar, então você tem que criar o hábito de novo, colocar ele na sua rotina e seguir fielmente todos os dias fazendo, mesmo sem motivação. Até no meu e-book eu falo um pouco disso. Você tem que fazer repetidas vezes até retornar aquele hábito novamente. Então, a primeira coisa é organizar a rotina de novo e colocar essas prioridades.

Hoje a minha prioridade, depois da minha família tá todo mundo bem, é treinar. Eu consigo dividir meus horários de trabalho, eu consigo trabalhar no período da tarde apenas, mas tem mãe que consegue trabalhar só no período da manhã, tem mãe que trabalha de manhã e à noite. Então assim, tem que achar um tempinho ali para se cuidar, nem que seja meia hora. Cada mãe tem uma rotina diferente, lógico, Mas se a prioridade, se você quer treinar, você tem que colocar isso como uma das prioridades do dia, né?

Eu já consegui organizar minha rotina aqui de uma maneira que cada dia eu faço uma coisa, tá? Hoje eu treinei, hoje para mim foi um tempo, fiz um bolo, por exemplo. E ontem mesmo foi um dia off na bike, e aí eu aproveitei para arrumar a casa que eu não tinha arrumado na quarta e na quinta. Então eu vou dividindo assim para chegar no final da semana. Ah, eu fiz tudo, não tudo no mesmo dia, mas tudo saiu. Eu tô com o trabalho do meu filho pronto já e a gente vai tendo que se readaptar à rotina nova depois que nasce o filho. É loucura mesmo, mas tem que ter calma.

MBMichel Bogli

E como é que você chegou nesse nível de consciência do jeito que você fala agora? Parece que é simples. Mas a cabeça fica bagunçada, né? Porque você também tinha uma rotina antes do nascimento do Luca e tem a rotina, né? Exatamente assim, você vai para maternidade, ele nasce, a hora que você volta para casa, pronto, mudou tudo, né? Então até ontem tava tudo bem, de repente tá tudo diferente, né? Você tentou ir por outros caminhos e de repente viu que não ia dar certo?

Tua mãe te ajudou? Foram amigas que foram te aconselhando, mais experientes mães que te aconselharam e você foi seguindo? Como é que foi também essa construção dessa Liege que assume todos esses papéis hoje em dia?

?Voz 1

Nossa, eu acho difícil essa pergunta porque eu acho que foi tão natural essa construção que eu fiz, sabe? Porque assim, eu vi que não tinha outro jeito, sabe? Ou eu organizava minha rotina ou eu não treinava, ou então eu treinava, eu deixava, né, de fazer as coisas. Então assim, não, tem que parar, sentar e organizar. Então tem que dar um jeito aqui, quem quer dá um jeito, né? Eu queria voltar, né? Quando eu assumi o compromisso de voltar a treinar sério, não, então eu tenho que dar um jeito. Então vamos organizar aqui direitinho.

MBMichel Bogli

E ano passado, né, você foi para o Chile. Aliás, você disse que foi a primeira vez que fez uma viagem, você foi sozinha, né? Eu imagino a aventura que foi, mas ao mesmo tempo você teve um resultado fantástico, né? Foi bronze lá no Pan-Americano. E também o mesmo ano que você venceu a Brasil Ride Espinhaço. Né? E que aconteceu obviamente aí em Minas Gerais. O que que esse ano teve de diferente para Liege ter desempenhado tão bem assim?

Qual que é a sua avaliação? Você treina com treinador hoje em dia? Você treinou ainda? Vocês sentaram para conversar?

?Voz 1

Eu treino com Henrique Martins lá de Ouro Branco, é aqui pertinho. Eu treino com ele tem uns 3 ou 4 anos. E assim, ele sempre me apoia nas decisões. Se eu falar assim, olha, eu quero correr uma prova, já faz minha programação. Mas ano passado foram resultados muito, muito legais e foi um ano, assim, foi um ano de construção, sabe? Eu acho que eu consegui construir muitas coisas nos treinos. Foi um ano que o Luca, né, já tava maiorzinho, então já tava mais independente.

Independente, conseguia viajar, porque quando ele era menorzinho eu levava ele nas viagens, nas competições todas, né, que era muito dependente. Então acho que ano passado, ali 5, 6 anos, ele já tava assim, já ficava com a vovó mais tempo, já dormia na casa da avó, então já ficava um tempo sem a mamãe. Então ano passado foi um marco mais Independência para ele, né, e para mim, porque aí eu conseguia viajar mais sozinha e ter um descanso, né.

Eu falo que a concentração pré-prova melhorou porque eu não levava ele. E aqui a viagem no exterior também, que eu, poxa, eu fiquei uns 5 dias fora de casa preocupadíssima e ele nem aí para mim mais, sabe. Ele tá em outro nível. Acho que a mãe que sofre mais.

MBMichel Bogli

Exato.

?Voz 1

Mas ano passado foi mais marcado por isso, sabe? A independência dele me ajudou muito.

MBMichel Bogli

E tem um ditado que as mulheres falam, e muitas já falaram aqui para mim no Endorfina, né? Quando nasce um filho, nasce uma mãe e nasce a culpa da mãe, né? Você falou agora de 5 dias fora de casa, né? Imagino que você deva ter ligado para ele todos os dias e tal, falado com o Anderson, com a sua mãe. Como é que foi essa história da culpa para você, principalmente nesse, nessa volta aos treinos e depois as competições? Como é que você lidava com esse, com essa, com esse sentimento? Como é que você está hoje na sua relação com a sua culpa?

?Voz 1

É, no começo, né, que eu comecei a viajar, eu sempre levava ele. Porque eu ficava assim me sentindo culpada mesmo de deixar, mesmo quando eu não amamentava mais, porque o Luca mamou até os 2 anos. E até depois eu continuei levando ele nas provas porque eu não queria ficar deixando ele, né? Não sei se era por culpa, mas ele sempre foi muito levado, né? Ficar deixando ele com minha mãe, eu pensava, coitado da minha mãe, né? Nem mesmo ele.

As pessoas ficavam com ele, eu ficava com dó. E aí eu sempre levava, eu dava um jeito e levava ele, né? E hoje, aí chegou a época da transição, a primeira, eu não me recordo qual prova que eu fui, que ele ficou a primeira vez, mas foram 3 dias, se não me engano, e ele ficou super bem. Eu consegui fazer a concentração de prova, corri super bem também. Eu falei, ah, então agora tá ótimo, porque eu tô nadando agora na tranquilidade com ele independente.

E aí eu conseguia ir nas provas mais fáceis, né? E não me sentia mais culpa, né? Porque eu conseguia ter uma boa prova, fazer uma boa prova, conseguia concentrar, conseguia descansar, e ele tá super bem, né? Eu que estava preocupada só.

MBMichel Bogli

E tua mãe, como você falou agora no começo da conversa, e tua mãe sempre te apoiando, porque isso também é importante, né? Porque enfim, eu imagino que você deva ter se enxergado muito mais próxima da sua mãe após o nascimento do Lucas. E se tua mãe tá te apoiando e tá te incentivando, além de ser também, né, uma pessoa importante para ficar com o Lucas, que você confia 100%, isso acaba também te dando um pouco mais de coragem, né, para enfrentar essa culpa, para os receios, os medos de deixar o Luca sozinho.

Será que ele vai achar de mim? Ou você acha que ele vai passar mal porque eu não estou, né? É mais a gente que sofre como pais do que necessariamente as crianças. Agora, em 2026, hoje na atual fase, agora que julho para agosto, é depois disso tudo que você contou aqui, dessa tua história toda com a bicicleta, com as competições, os sonhos, as realizações. Você tem propósito, né? Você falou o que que te move hoje, né? Qual que é o seu grande— o que te faz acordar cedo todos os dias e treinar e viver a vida que você vive, ainda muito ligada à bicicleta?

?Voz 1

Então, depois da maternidade, eu descobri que eu sou uma pessoa que desafios, né? Talvez antes eu não me sentia tão desafiada, sabe? E hoje eu vejo que sair para treinar é um desafio, né? Porque eu tenho uma criança em casa, então se a Vitória quer sair para treinar, então eu acho que para mim, sabe, foi muito significativo dessa Ai, me perdi aqui. Deixa eu tentar lembrar aqui.

MBMichel Bogli

O desafio, você tá falando do desafio, né? Eu te perguntei qual que é, o que que te faz acordar cedo todos os dias, e você falou que é o desafio, que você acha que a maternidade te trouxe essa consciência de que você gosta do desafio.

?Voz 1

Exatamente. E hoje eu vejo que inspirar as mães, né, inspirar o Luca, ele me ver sendo disciplinada, me ver sendo dedicada, ele é uma motivação a mais para mim, sabe? É um propósito meu. E ver o retorno que eu tenho nas redes sociais, as mães me mandando mensagem, sabe? Eu acho que é muito legal isso, isso me ajuda muito a enfrentar para o dia seguinte. Depois que eu escrevi o e-book lá de como treinar com uma motivação, Às vezes eu tô ali querendo levantar, tô com preguiça de treinar, aí eu lembro, nossa, eu escrevi um e-book sobre como treinar quando não há motivação, e vou ficar sem treinar porque eu tô sem motivação?

Aí eu levanto e vou, porque eu consegui achar mais um propósito ali no meio dessa rotina.

MBMichel Bogli

O Luca tá com 7, mas Quando ele tiver com 15, 16, que ele já for aí um adolescente já bem formado e tal, ainda mais essa geração, e ele vai olhar o teu Instagram, se é que ainda vai haver, né, daqui a 7, 8 anos o Instagram, mas ele vai olhar ou ele vai saber, ou teu marido vai contar para ele, o pai vai contar para ele e tudo mais, né. O que que você gostaria que ele entendesse, né, sobre essa mulher que treinava, trabalhava, levava ele para academia, fazia agachamento com ele nas costas, né, viajava, às vezes passava alguns dias fora, voltava com um troféu, com uma medalha, feliz, realizada, né? O que que você gostaria que ele entendesse?

?Voz 1

Nossa, eu acho que eu queria que ele sentisse muito orgulho, né, do que a mãe dele construiu depois da força que ele deu a ela, sabe? Tipo assim, ele saber que foi por causa dele que eu consegui ser mais forte, consegui ser mais persistente, mais objetiva, né, nos meus compromissos. Eu acho que ele já entende isso também, sabe?

MBMichel Bogli

Você acha que ele entende?

?Voz 1

Quando eu saio para pedalar com ele, ele já sabe que é a mamãe que vai com ele mais vezes, sabe? É a mamãe que mais incentiva. E tem vez que ele falou comigo uma coisa assim, mãe, não sei se você chegou a ver o vídeo que eu fiz com ele sobre a Karen, que eu falo, seu louco, a mamãe vai numa prova E você acha que eu vou ganhar? Aí ele fala assim, ah, se a Karen for, não.

MBMichel Bogli

Legal, porque são sinceros, né?

?Voz 1

Esse vídeo foi muito engraçado. E ele tem essa noção, sabe, das meninas que são melhores do que eu. E um dia ele virou para mim e falou assim, mãe, mas elas não têm filho, né? Eu falei, não, elas não têm filho. E olha só, mamãe tá lá brigando com ela. Tá vendo como é que é? Então ele já tem uma percepção disso, sabe, da minha força, né? E ele sabe que ele não é fácil também, que ele já fala: eu sou levado, né?

MBMichel Bogli

Legal demais.

?Voz 1

Eu acho que ele já no futuro ele vai enxergar isso até com mais clareza.

MBMichel Bogli

Eu já ia te chamar de Karen. Ô, Oliège, você Eu falei no comecinho, né, do teu vídeo lá com o shake, né, pós-treino, com a beterraba com a casca e tal. Da onde que vem a tua energia? Não deve ser só da beterraba com casca, né, assim, mas da onde que vem essa energia para você ter essa rotina corrida demais? Que bom que você mora em Mariana, né, pelo menos você não pega aí 40 minutos de trânsito para ir da da casa para o trabalho, trabalho para casa, da casa para o local de treino.

Então obviamente você vive uma vida mais tranquila do que quem tá em BH, ou muito menos em São Paulo ou no Rio. Mas você obviamente não tá ficando mais nova, como eu falei, e você teve os melhores resultados ano passado. Agora, do ponto de vista do treino, do ponto de vista do que você faz fora da bike para que você tenha essa energia, o que que tá tendo de diferente? O que que você tá sabendo aproveitar melhor para estar, além de viver o dia a dia dessa rotina doida, para ter resultados tão bons?

?Voz 1

Olha, eu acho que já falou um ponto muito importante, que eu morar no interior ajuda muito. Eu tenho uma rotina, né, bem, bem corrida, mas por exemplo, eu moro na cidade que tem 60 mil habitantes A loja fica a 1 km daqui, a escolinha do Luca fica a 500 metros da loja, eu levo ele para o pet tender que é 500 metros da minha casa. Então assim, as coisas são mais fáceis porque eu consigo me organizar bem fácil aqui na cidade, né?

E eu levo ele sempre na bike elétrica agora, então nem trânsito de carro eu pego, né? Aqui a cidade pequena, mas tem trânsito que às vezes embola ali no centro. Então eu acho que não, esse ponto aí da cidade, da localização das coisas, me ajuda mais.

MBMichel Bogli

E de alimentação, sono, assim, o que que você faz para te manter nesse nível aí de entrega nos treinos e na vida?

?Voz 1

É um pouco irregular o sono, né? Quando o Luca tá bem, a gente dorme super tranquilo, né? Mas o Luca acorda de noite, vai lá para o nosso quarto, né? Então já atrapalha. E assim, às vezes fica doente, né? Mas assim, na maioria das vezes o Luca é uma criança muito saudável e não fica muito doente não. Mas o sono é variável, né? Não tem aquela noite de qualidade igual eu tinha antes, mas já melhorou muito em relação Só quando ele era pequenininho, né?

Claro. Mas e a suplementação, essas coisas? Você já retomei igual era antes, né? Faço suplementação tudo direitinho, então fica mais tranquilo, tem uma, dá para ter uma energia, dá para recarregar as energias.

MBMichel Bogli

Se você pudesse escolher qualquer pessoa atleta para você viver um dia na vida dessa pessoa, que atleta que você escolheria? E que dia?

?Voz 1

Eu acho que, deixa eu pensar aqui rapidinho, poxa, eu não consigo imaginar um atleta. Eu acho que eu mesma numa temporada na Europa competindo várias provas em lugares surreais. Eu acho que isso, tendo uma vida de atleta profissional por um tempo, massagista, mecânicos, todo mundo, a prontidão. Eu acho que mais ou menos isso.

MBMichel Bogli

Para terminar, eu vou te falar 5 palavras e você vai me responder com a primeira coisa que tiver à cabeça. Tá me ouvindo?

?Voz 1

Um fone meu descarregou, mas você tá me ouvindo ainda, né?

MBMichel Bogli

Legal. Vamos lá, 5 palavras, 5 palavras, e você vai me responder com a primeira coisa que tiver à cabeça. Filho.

?Voz 1

Amor, entrega, entrega.

MBMichel Bogli

A vitória, persistência. E a bicicleta, paixão.

?Voz 1

Sucesso, sucesso é Gostei.

MBMichel Bogli

E pegando aqui um vídeo que eu assisti teu, que é muito engraçado, você acha uns áudios fantásticos, né, para os seus vídeos. O que é a vida?

?Voz 1

A vida é uma maravilha.

MBMichel Bogli

Adorei, adorei.

?Voz 1

Porque a vida é única.

MBMichel Bogli

Exatamente, né? Eu concordo. Exato, exato. Se a gente for olhar as coisas que não são tão legais da vida, né, não, enfim, para quê, né? Vamos olhar a vida, que a vida é uma maravilha, né? Que a gente tá aqui com energia, com saúde, né, para acordar todo dia e tocar a nossa vida em busca da nossa felicidade. Seus sonhos, realizações esportivas, o que que você gostaria de realizar ainda? Você não pensa nisso? O que vier, veio? Você vive um dia após o outro?

Como é que você encara aí olhando para sua vida, somente a vida da Liege atleta?

?Voz 1

Olha, eu acho que no meu maior sonho eu realizei ano passado, que era competir uma Copa do Mundo. Era uma coisa que eu não imaginava que um dia eu ia competir, sabe? Quando você tá assistindo a Copa, a Copa do Mundo, você tá acompanhando a Copa de Futebol, você tá vendo ali o Neymar, tá vendo o Messi, você se imagina ali um dia jogando com ele?

MBMichel Bogli

Nunca, zero.

?Voz 1

Eu não me imaginava. Então assim, eu vi as meninas na televisão, né, a Jolanda, e um dia eu tava lá do lado delas. Né? Então foi um sonho, sabe? Porque é uma coisa que eu não imaginava que ia acontecer comigo, e muito menos após a maternidade, sabe? Foi uma coisa assim surreal. Eu tava largando, eu tava alinhada largando rino, sabe? Tipo, gente, concentra na aula, sabe? Mas eu tava assim em êxtase porque era um sonho que eu tava vivendo, sabe?

E assim, eu não tenho mais perspectivas em virar uma atleta olímpica, sabe? Eu acho que é um dia de cada vez agora. Eu tô curtindo o processo, tô curtindo a minha evolução, os meus desafios, sabe? Acho que tudo que tem assim para realizar eu já consegui realizar. Eu sempre sonhei em ser mãe, tenho um filho maravilhoso. Eu falo que minha grana é muito verde, eu sou muito agradecida, sabe? E assim, sonho meu mesmo é ter tudo que eu tenho hoje, sabe?

Uma família, sabe? Continuar pedalando por prazer, sem pressão. Eu acho que é isso.

MBMichel Bogli

Bacana. O teu Instagram é Liege Mountain Bike, né? Como é que é? Isso, Liege_MTB. E qual que é o Instagram da Fly Bikes, da tua loja? Fly.bike, fly, FLY, ponto bike no singular. Legal, Liege, muito obrigado, adorei te conhecer. Arila, muito obrigado por ter me colocado, ter colocado a Liege no meu radar. Parabéns pela mensagem que você passa, cara, é muito legal que mais e mais mulheres consigam, enfim, se comunicar com você, né?

Não necessariamente através de texto, mas digo assim que você passe essa mensagem para cada vez mais mulheres, porque de fato eu acho que quanto mais exemplos a gente tiver de mulheres como você, melhor vai ser para o esporte, melhor vai ser para as mulheres, aí consequentemente melhor vai ser para os maridos e obviamente para as crianças. Então muito obrigado, adorei te conhecer. Sucesso agora nesse segundo semestre. Quais são suas metas agora no segundo semestre?

?Voz 1

Olha, a próxima prova agora eu vou ter o Campeonato Brasileiro de XCO. Aí perto, em São José dos Campos.

MBMichel Bogli

Ah, bacana!

?Voz 1

Depois tem o Brasileiro de Maratona em Salvador, são as principais provas aí. Legal! E tô planejando voltar no Pan-Americano de Maratona na Argentina esse ano ainda.

MBMichel Bogli

Olha lá, bacana! Então boa sorte no teu segundo semestre, eu vou estar aqui acompanhando e torcendo por você, e sucesso sempre, Liege! Muito obrigado!

?Voz 1

Obrigada, Michel! Obrigada todo mundo aí ouvir o nosso podcast. Fiquei muito feliz. Obrigada, Arila, né, pela indicação de estar participando aqui. Eu adoro compartilhar tudo aí com todo mundo. E beijo a todos aí, tô muito, muito honrada com essa participação aqui.

MBMichel Bogli

Obrigado você, saúde, abraço. Muito obrigado pela sua audiência, espero Espero que você também tenha curtido mais esse episódio, mais essa conversa com uma atleta do mountain bike. Aqui recentemente já teve aqui a Gabriela Ferola, mas se você quer ouvir outros episódios com atletas do mountain bike, tem algumas aqui que inclusive algumas foram mencionadas aqui pela Liege. Eu anotei aqui Adriana Nascimento, Jaqueline Mourão já teve aqui duas vezes, inclusive antes da decisão de retornar ao mountain bike.

A gente veio falar aqui da história pregressa dela, da relação dela com os esportes, com os Jogos Olímpicos, esportes de inverno. E depois ela acabou decidindo voltar para o mountain bike. Então gravei com ela depois de novo. A Meire, a Raquel Gontijo, a Isa Lacerda, outro mineiro que teve aqui, o Bro Bruto, que eu vi que curte muito as postagens aí da Liege. E tem outras histórias de duas mães também muito dedicadas que voltaram a competir as suas modalidades enquanto enquanto os filhos ainda estavam muito pequenos.

Lembrei aqui da Ana Augusta, uma triatleta lá do interior do Pernambuco, e a Camila Nicolau, uma corredora de aventura que relatou aqui que em algumas provas, que logo enquanto ela, quando ela decidiu voltar a competir, ela levava a mãe dela para ficar tomando conta do filho dela, Kylian, e nas transições, né, das provas de corrida de aventura, onde ela mudava de modalidade, encontrava o apoio, ela dava de mamar rapidamente para o Kylian e depois voltava a competir.

Então são histórias que me vieram aqui à mente de mães super dedicadas que voltaram a competir e ainda com filhos muito pequenos. Enfim, você encontra esse, todos os episódios do Endorfina, você já sabe, aqui no YouTube ou no seu agregador favorito de de podcasts, aquele que você ouve os seus podcasts prediletos. O Endorfina está em todos. Não se esqueça de seguir o Endorfina no Instagram, Endorfina BR. Dê o seu like no vídeo, dê o seu like no episódio em áudio, comente, compartilhe.

Isso é muito importante para longevidade, para continuidade dos trabalhos aqui que eu venho fazendo há 9 anos. E se você acha que esse episódio contribuiu, te enriqueceu, te engrandeceu, te trouxe reflexões estudantes, considere contribuir financeiramente para esse projeto. Todo ouvinte pode contribuir sim financeiramente, basta você ir no meu Instagram, o Endorfina BR, clica lá na bio, vai ser, vai abrir uma abinha ali escrito apoia-se, e lá você clica e você vai ver como é que você faz para apoiar esse projeto.

Já a partir de R$15, apenas R$15 por mês, você vai estar fazendo uma grande diferença para esse projeto. É isso, muito obrigado e até o próximo episódio com mais um convidado, com mais uma convidada, com uma história sensacional. Valeu! A Z2 lançou o Performance System, uma linha pensada em organizar a suplementação ao longo da rotina do atleta, com produtos que cumprem papéis específicos dentro da performance. A linha tem 2 produtos: a creatina e o nitrato.

E um produto da Z2 que merece atenção é o Salts Pastilha, reposição de eletrólitos no formato inédito no Brasil. Dissolve na boca, repõe sódio, potássio e magnésio na hora sem precisar de água. Compacto e ideal para treinos e provas. Sabores limão e menta. Siga Z2 Performance no Instagram e fique por dentro das novidades. Obrigado por ouvir esse episódio do Endorfina. Acesse o endorfinabr.com, vá no post do episódio de hoje para conhecer um pouco mais sobre o meu convidado e alguns assuntos abordados em nossa conversa.

?Voz 1

Conversa.

MBMichel Bogli

Lá você ainda encontra todos os episódios do Endorfina. Siga o Endorfina BR no Instagram e confira imagens inéditas e inusitadas dos meus convidados. Participe enviando comentários e sugestões. Se você curtiu, colabore assinando o Endorfina no seu agregador de podcasts preferido e compartilhando com seus amigos.

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