Episódios de Endörfina com Michel Bögli

#476 Paulo Mendes

06 de agosto de 20262h17min
0:00 / 2:17:14

Nascido em Belém do Pará, ainda criança mudou-se para Castanhal e na escola, gostava de jogar futebol. Aos 18 anos de idade, começou a trabalhar como agricultor e feirante. Sem deixar a agricultura, trabalhou também como técnico de informática, motorista de caminhão e encarregado de obra e não havia espaço para o esporte.

No início dos anos 2000, decidiu mudar-se para o interior e dar continuidade à plantação de cacau iniciada por seu pai na década de 1970. Foi ali que construiu sua vida, formou sua família e encontrou o sustento e a tranquilidade que sempre buscou.

Porém, décadas de excessos e de uma vida desregrada fizeram com que sua saúde física e mental cobrasse a conta. Sobrepeso, hipertensão, diabetes, ansiedade e outros problemas que já comprometiam sua qualidade de vida o fizeram entender que precisava mudar para continuar vivendo. Em 2020, começou a pedalar. Pouco depois, vieram as primeiras corridas. Mais do que perder peso, descobriu uma nova forma de enxergar a própria vida.

Quando conheceu o triathlon, encontrou uma nova motivação. Sabia pedalar, estava aprendendo a correr, mas não sabia nadar. Começou praticamente do zero e decidiu aprender. A cada treino, uma nova descoberta. A cada pequena evolução, mais certeza de que estava no caminho certo.

Treinar, porém, nunca foi simples. Onde mora não existe piscina. Muitas vezes, treina em um tanque de irrigação. Corre pelas estradas de terra da região ou pela BR-230, a Rodovia Transamazônica. Pedala no rolo ou enfrenta a rodovia, estreita, sem acostamento e com asfalto ruim.

Participou do seu primeiro triathlon em 2024 e, desde então, divide os dias entre a lavoura de cacau, os treinos e as competições, certo de que o esporte não apenas mudou sua rotina, mas também lhe devolveu o controle sobre a própria vida e o ajudou a recuperar sua saúde física e mental.

Conosco aqui, o agricultor, ex-dj e colecinador de discos de reggae, estudante de Educação Física e triatleta que participará do Ironman Brasil 2027 e sonha em disputar um Ultraman. Direto de Medicilândia, o belenense Paulo Roberto de Albuquerque Mendes Júnior.

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Participantes neste episódio7
M

Michel Bogli

HostApresentador do Endorfina Podcast
N

Nauber

Host
B

Bettina Morchai

Co-host
G

Gabriela Futsuru

Co-host
G

Guilherme Tamega

Co-host
P

Pamela Oliveira

Co-host
P

Paulo Mendes

ConvidadoAgricultor, triatleta
Assuntos11
  • Problemas com alcoolismoSobrepeso·Hipertensão·Diabetes tipo 2·Ansiedade·Depressão·Alcoolismo
  • Transformação Pessoal· SociedadeMudança radical de vida·Controle sobre a própria vida·Saúde física e mental recuperada·Paciência e perseverança·Motivação e inspiração
  • IA e saude mental· SaudeCorpo são, mente sã·Luta contra a ansiedade·Prazer de estar vivo·Viver o presente
  • Experiência com maratona e triatlo· EsportesPedalar·Correr·Nadar·Treino em tanque de irrigação·Experiência com maratona e triatlo
  • Música e Gostos Pessoais· CulturaDJ·Reggae·Colecionador de discos de vinil·Viagens pela América do Sul·Viagens pela Europa·Jamaica
  • Origens e vida no ParáBelém do Pará·Castanhal·Medicilândia·Viagem Transamazonica·Lavoura de cacau·Família
  • O Papel da Família e do Ambiente no EsporteRelacionamento com a esposa·Motivação para a família·Mudança de hábitos·Inspiração para outros
  • Desejos, sonhos e objetivos de vida· SociedadeIronman Brasil·Ultraman·Patagomê·Foco e disciplina
  • Superação de Obstáculos· SociedadeTreino em tanque de irrigação·Correr na poeira e lama·Adaptação a diferentes terrenos·Lidar com lesões
  • Treino Indoor e EquipamentosCondições das estradas·BR-230 (Transamazônica)·Treino no rolo·Estrada sem acostamento
  • Ressignificação da história de vidaAgricultor·Feirante·Técnico de informática·Motorista de caminhão·Encarregado de obra
Transcrição100 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Vai procurar um esporte, vai procurar uma nutricionista, vai fazer uma dieta, toma medicação. Você vai ter que tomar remédio para curar essa diabetes e fazer dieta, exercício físico. Não tem outra saída para ti. A outra é tu fazer uma bariátrica. Eu disse, não, bariátrica eu não quero, eu posso, eu posso vencer. Aí eu comecei devagar, só que o álcool atrapalhava muito, eu não conseguia parar de beber. Comecei no pedal e, por incrível que pareça, eu vinha da festa, chegava 4 da manhã, entrava em casa, tomava um banho, vestia a roupa de pedal e ia pedalar bêbado com um grupo, porque eu queria fazer aquilo, mas eu não conseguia me livrar do álcool. Olá pessoal, aqui é o Nauber do vôlei.

?Voz B

Olá, aqui é o Paulo Caquinóvio.

?Voz A

Oi pessoal, aqui é a Gabriela Futsuru.

?Voz B

Oi pessoal, aqui é a Bettina Morchai. Oi, aqui é a Pamela Oliveira.

?Voz A

Olá, aqui é o Guilherme Tamega e esse é o Endorfina Podcast.

?Voz B

Sou Michel Bogli e aqui no Endorfina Podcast você conhece as histórias e opiniões de triatletas, corredores, nadadores e ciclistas profissionais e amadores. Descubra quem são e o que pensam os seres humanos que vivem o esporte e são movidos à endorfina. Olá, seja muito bem-vindo a mais um episódio do Endorfina Podcast. Esse e todos os episódios são editados pela produtora Pulsante. Esse episódio foi gravado no Estúdio Estema. Então, se você busca um lugar para gravar o seu conteúdo de áudio e vídeo, entre em contato com o pessoal do Estúdio Estema mandando uma mensagem no direct do Instagram, no perfil @estudioestema, com S mudo e dois M's, @estudioestema.

Informe-se, é muito mais prático e muito mais barato do que você imagina. Bom, começando aqui mais um episódio do Endorfina Podcast, há mais de 9 anos no ar, trazendo histórias relevantes, histórias interessantes. Afinal de contas, quem é que não gosta de uma boa história? E é o caso de mais um episódio, de mais uma conversa aqui que me foi sugerida por um ouvinte, nesse caso aqui o Peterson Bilhar, que é ouvinte do Endorfina há muitos anos.

E o Peterson me chamou atenção para o Paulo, e obviamente eu acato e e vou atrás de entender, né, porque que cada ouvinte sugere um determinado convidado. Mas de cara a gente se depara aí com alguns vídeos no Instagram do Paulo que chamam muito atenção, principalmente para quem mora numa cidade grande como São Paulo, como Rio de Janeiro, como uma das principais aí capitais do Brasil. O Paulo é um triatleta do interior do Pará e ele faz treinos, posta os treinos dele no perfil dele do Instagram, que chamam muito a atenção porque ele é agricultor, ele é um plantador de cacau, trabalha na lavoura, e ele faz triatlon já faz alguns anos.

E você vai ouvir aqui então a história. E foi isso obviamente que chamou atenção do Peterson, e foi isso obviamente que me atraiu a curiosidade. Afinal de contas, o Endorfina é sobre diversidade, diversidade em todos os sentidos, e também nas regiões, nas cidades, nos municípios que o Brasil tem, né? E é uma infinidade, e tem então uma infinidade de perfis. De atletas, de pessoas que têm as suas vidas transformadas pelo esporte.

O que eu não sabia, e o que você vai descobrir agora, é que o Paulo não é simplesmente um triatleta, vamos dizer, comum, ordinário. A história do Paulo é uma história muito rica, muito bacana, e o esporte acabou literalmente salvando ele de uma rota de colisão que o desfecho não seria muito favorável para o Paulo. Então muito obrigado, Peterson, pela sua sugestão. O que você vai ouvir aqui agora nessa conversa é como é que a vida no interior do Pará, ele que mora à beira da Transamazônica, ele pedala na Transamazônica, o caminho que ele tava seguindo, que tava quase perto aí de uma condição de alcoólatra, viagens que ele fez pela América do Sul, pela Europa, em busca de discos de reggae, foi até a Jamaica, ele foi DJ, era um cara que adora música, a luta, né, contra esse alcoolismo dele, os treinos de internet, como que ele fez para aprender a nadar, como ele se tornou um triatleta, sobre paciência, sobre luta contra a própria cabeça, amor, paixão pelo triátlon, churrasco em competição, o sonho do B515, e obviamente uma mudança radical de vida, no caso do Paulo.

Então uma história muito bacana. O Paulo foi muito atencioso, muito simpático. É o primeiro podcast que eu gravo via Starlink. Sim, a empresa lá de satélites e de conexão do Elon Musk. Quando eu perguntei para o Paulo se daria para a gente gravar, ele falou, ah, eu tenho Starlink aqui no meu sítio. Então foi bacana também nesse aspecto. Vocês vão ver aí, quem for assistir pelo YouTube. Aliás, vai agora para o YouTube para assistir esse episódio, que ele tá ali na frente ali de uma, da casa dele ali, né, de uma construção simples, mas, né, com um visual riquíssimo e fantástico que faz inveja de quem mora aí numa região bacana na Floresta Amazônica.

Enfim, uma conversa bem diferente de todas que eu tive aqui e um personagem obviamente muito diferente de todos que eu tive aqui, com uma história muito bacana. Antes de seguir para o episódio, quero agradecer aqui aos patrocinadores desse episódio, a Z2 Performance e a Two Peaks Bikes. Sem o apoio de vocês não seria possível. Gravar esse episódio e todos os episódios aqui desde o começo do ano, no caso da Tio Pix, desde o ano passado.

E se você quiser ir além, além de ouvir, além de comentar, além de engajar com esse e todos os episódios do Endorfina que você curtir, você pode ir além apoiando financeiramente esse projeto. É muito simples, prático e com um custo muito acessível. Você vai no meu Instagram, que é o Endorfina BR, você já sabe, Clica na bio, na bio vai ter lá uma abinha. A hora que você clicar na bio, tem um link, perdão. A hora que você clicar nesse link, vai ter uma abinha chamada Apoia.se.

Você clica nessa aba e você vai ser direcionado para plataforma de financiamento coletivo, onde você pode escolher que faixa de apoio financeiro você gostaria de dar. E já a partir de R$15 por mês você já vai estar contribuindo bastante. Se todo mundo contribuísse com R$15 por mês, eu garanto que o Endorfina estaria prosperando financeiramente e eu teria fôlego para continuar continuar gravando por mais uma década independentemente, sem rabo preso e sem compromisso com nenhuma pauta editorial, a não ser trazer histórias interessantes.

Então considere, se você acha que o Endorfina colabora com a sua experiência como atleta, como ser humano, como pai, como mãe, considere apoiar financeiramente o Endorfina. Toda ajuda é muito bem-vinda. E é isso, vamos lá para mais um episódio. Não se esqueça de seguir, eu esqueci, né? Não se esqueça de seguir o Endorfina no YouTube, se é por lá que você gosta de consumir o seu conteúdo aqui mesmo, a tua plataforma de podcasts preferido.

Isso também ajuda muito a endorfina. Então vamos lá para mais uma conversa com triatleta amazonense, praticamente, né, mas forjado na Floresta Amazônica. Ele é paraense, mas é forjado na Floresta Amazônica. Afinal de contas, quem é que não gosta de uma boa história, não é verdade? Nascido em Belém do Pará, ainda criança mudou-se para Castanhal e na escola gostava de jogar futebol. Aos 18 anos de idade começou a trabalhar como agricultor e feirante.

Sem deixar a agricultura, trabalhou também como técnico de informática, motorista de caminhão, encarregado de obra, e não havia espaço para o esporte. No início dos anos 2000 decidiu mudar-se para o interior e dar continuidade à plantação de cacau iniciada por seu pai na década de 1970. Foi ali que construiu sua vida, formou sua família, encontrou sustento e a tranquilidade que sempre buscou. Porém, décadas de excesso e de uma vida desregrada fizeram com que sua saúde física e mental cobrasse a conta.

Sobrepeso, hipertensão, diabetes, ansiedade e outros problemas que já comprometiam a sua qualidade de vida o fizeram entender que precisava mudar para continuar vivendo. Em 2020, começou a pedalar. Pouco depois vieram as primeiras corridas. Mais do que perder peso, descobriu uma nova forma de enxergar a própria vida. Quando conheceu o triatlon, encontrou uma nova motivação. Ele sabia pedalar, estava aprendendo a correr, mas não sabia nadar.

Começou do zero e decidiu aprender. A cada treino, uma nova descoberta. A cada pequena evolução, mais certeza de que estava no caminho certo. Treinar, porém, nunca foi simples. Onde mora não existe piscina, muitas vezes treina em um tanque de irrigação. Corre pelas estradas de terra da região ou pela BR-230, a Rodovia Transamazônica. Pedala no rolo ou enfrenta a rodovia estreita, sem acostamento e com asfalto ruim. Participou do seu primeiro triátilon em 2024 e desde então divide os dias entre a lavoura de cacau, os treinos e as competições.

Certo de que o esporte não apenas mudou sua rotina, mas também lhe devolveu o controle sobre a própria vida e o ajudou a recuperar sua saúde física e mental. Conosco aqui hoje o agricultor, ex-DJ e colecionador de discos de reggae, estudante de educação física e triatleta que participará do Ironman Brasil 2027 e que sonha em disputar um Ultraman. Direto de Medicilândia, o belenense Paulo Roberto de Albuquerque Mendes Júnior. Seja muito bem-vindo, Paulo.

?Voz A

Luta, até fiquei até emocionado com essa tua introdução, cara. Contou um pouquinho da minha história aí e parece que passou um filme assim na cabeça.

?Voz B

Mas é, pois é, pessoal vê as cachaça que a gente toma, mas não vê os tombos, né? Literalmente, não é isso, Paulo?

?Voz A

Rapaz, é muito tombo, tropeço, levanta e bate a poeira e continua. Mas é assim mesmo, cara.

?Voz B

Primeiro, é um prazer, prazer te receber. Eu fui, enfim, alertado aí sobre você através de um ouvinte, e alguns vídeos seus, eu não sei se a gente pode dizer que viralizaram, mas eles talvez vão viralizar já já, quem sabe até depois aqui do Endorfina. Mas são vídeos que são muito peculiares, né? Você trabalhando na lavoura e depois você vai lá para aquela casinha ali de madeira, sobe na bicicleta e faz o seu treino de rolo ali, só vigiando a sua plantação aí de cacau.

E isso obviamente chama muita atenção. E eu vi que recentemente você tem tido cada vez mais gente comentando, seguindo, né? E principalmente te te elogiando como um exemplo para muitas pessoas. E então, para mim vai ser um prazer receber mais um belenense, né? Te falei que o Marco Faria teve aqui já faz alguns anos, uns bons anos, mas ele mora aqui no Sudeste, em São Paulo, faz muito tempo. Então é primeira vez que eu gravo com alguém direto aí de Belém e de Medicilândia.

Não preciso nem dizer, né? Você tá, você tá conectado aqui conosco através de um Starlink, que eu acho que também é a primeira vez que eu me conecto com alguém através de um Starlink. E dá para ter ter uma noção que você mora num lugar muito afastado e na beira da Transamazônica. Mas Paulo, ouvindo um pouquinho aí da tua história, né, esse preâmbulo aqui que eu fiz é um resumo bem rápido da sua trajetória, e eu vou querer explorar alguns, alguns assuntos dessa tua vida até hoje.

Você tá com 45 anos, mas cara, você é um cara que se vira, né? Depois você me contou que ainda mochilou, sei lá, por 5 anos. Aí você foi trabalhar de treinador lá na França, em Annecy, e você conheceu, sei lá, 30 países. Quer dizer, você é um cara que não para quieto e você se vira, né?

?Voz A

Sim, sim, eu não sei parar, ficar quieto num canto. Até aqui em casa mesmo, é, às vezes quando fica assim mais ou menos, a gente fica uns 3 meses só aqui sem sair, só treinando. Fazendo o ciclo de prova, eu falo para minha esposa que já começa a dar coceira no pé e eu tenho que sair, eu tenho que sair. Aí a gente vai, vai perto, vai aqui em Belém e passa 15, 20 dias, sei lá, e volta para cá de novo, porque também a gente já não consegue mais ficar assim tão longe daqui, até porque não pode largar tanto a lavoura.

E também a gente já acostumou com essa tranquilidade daqui, né? Então muito barulho já incomoda a gente. Então o limite ali é até um mês, dependendo do local. Se o lugar for um lugar calmo, a gente passa um pouco mais de tempo. A última vez que nós saímos, nós fomos para Florianópolis, que eu fui fazer o primeiro Primeiro 73, e nós passamos 40 dias. Mas quando deu uns 20 dias, a gente já queria vir embora, porque apesar de nós termos ficado num local bem tranquilo, foi que fazia barulho ainda.

Não sei, a gente acostumou com essa lida daqui, mas é o estilo de vida mesmo. Que é difícil, né, aqui. Mas a gente gosta, a gente gosta daqui assim, que não quer tá saindo muito não. Por isso assim, eu desisti um pouquinho mais de viajar, viajar de mochileiro, né. Essa última viagem que eu fiz foi tá com 3 anos, eu acredito que 3 anos, que nós dois saímos. Ela já começou a andar comigo, né, depois que nós nos casamos. E nós ficamos um bom tempo fora, mas depois daí não saímos mais daqui, nem do Brasil, e nem muito tempo daqui do lote, né.

?Voz B

E o que que te levou para Medicilândia, né? Você disse que teu pai começou a plantação aí. Qual que é a ligação da tua família que mora em Belém, Castanhal, e para um lugar que é tão distante, né? Quantas horas você tá aí de Belém?

?Voz A

12 horas, 12, 13 horas de carro.

?Voz B

Cara, para a gente que tá aqui no Sudeste, né, 12, 13 horas você já vai até, é muito, quase até Ushuaia.

?Voz A

É muito, é muito, é mais ou menos É 830 km daqui para Belém.

?Voz B

Então às vezes, e por uma estrada que não é uma estrada de 120 km/h, né, Paulo?

?Voz A

Hoje tá, hoje tá bem melhor, que uns 10 anos atrás asfaltaram um pedaço da rodovia, né? Mas antigamente, quando eu vinha para cá com meu pai, né, nós levávamos 3 dias de viagem. Porque não tinha asfalto e a gente costumava ficar atolado na estrada, dormir em bar, dormir em fazenda, dormir dentro de ônibus. Enfim, foi assim. Meu pai, meu pai era engenheiro agrônomo. Hoje ele é falecido e ele como engenheiro agrônomo veio para a região de Medicilândia para implantar a a lavoura cacaueira na época e veio trabalhar para cá em 74 ou 75, se não me falha a memória, que foi quando começou o plantio de cacau para cá.

E se apaixonou pela região, ele sabia o que tava fazendo. Os professores dele diziam que ele era louco porque ninguém queria vir para cá, todo mundo queria ficar na capital depois de formado. E ele preferiu vir para o lugar onde ninguém queria vir. Mas ele com o tempo comprou essa terra aqui de um colono e plantou um pouco de cacau, né, e ficou trabalhando por aqui. Mas logo nasceu a minha, a minha, ele conheceu minha mãe aqui também, que era de Marabá.

E tiveram, tiveram a minha irmã Paulinha e logo saíram daqui, né? Eu, eu, que nem a minha mãe diz, eu fui fabricado aqui, mas eu fui nascer em Belém. E ele optou por não ficar aqui pela questão da educação da gente, que a gente não ia ter uma educação boa aqui, né, por ser dificultoso. Não ter escola na época era muito difícil. Isso já era no início dos anos 80, né? E ele plantou o cacau e deixou o cacau aqui, vinha às vezes aqui, né?

Só que ficou um tempo abandonado porque só ele tomando conta, e nós nos mudamos para Castanhal. E eu me criei praticamente em Castanhal, né? Ele trabalhar numa empresa do governo. E quando foi com 10 anos, 9 anos, ele me trouxe aqui a primeira vez, cara. Uma viagem de 3 dias no Opala, 5 pessoas: eu, mamãe, papai e mais as minhas duas irmãs. Eu botei o pé nessa terra roxa aqui, eu me apaixonei. E eu queria vir todas as férias para cá, todas as minhas férias eu queria vir para cá, eu não queria ir para outro lugar.

Eu não me encantava com praia, não me encantava com rua, eu queria vir para cá. E fiquei vindo, vim 3 anos consecutivos com ele, né? E fui gostando daqui, falei, falei que eu não queria, eu não queria estudar. As minhas irmãs Minhas duas irmãs são formadas, tem nível superior, e eu não tenho. Porque eu sempre falava para minha mãe: mãe, eu não preciso estudar, eu preciso saber como é que eu trabalho nisso. É isso que eu preciso para mim, é isso que eu quero.

Eu gostei de viver daquilo, eu gostei de viver no mato, eu gostei de pescar. Eu nunca fui fã de caça, não dá para mim. Mas eu gostava de estar naquela tranquilidade sem saber Só que eu vinha, vinha para cá e passava minhas férias e voltava, passava minhas férias e voltava. E era assim até que um dia eu resolvi vir trabalhar para cá com meu pai. Meu pai me deu um pedaço de terra e falou, tu planta, já que tu não quer estudar, tu planta, vai ser teu, e tu vai ter que trabalhar, vai ter que se virar.

Quer arrumar mulher, quer ficar nisso, tu tem que sair dessa tua vida que tu tá. Porque eu já tava, eu já tava entrando, começando a entrar no alcoolismo com, aí eu tinha uns 18 anos já, 18, 17 anos, acho que antes dos 17. Achava que tava, que tava só bebendo por esporte, mas já tava bebendo por profissão na verdade. E vim para cá Comecei a trabalhar e plantar, plantar o cacau que eu tenho hoje. Foi plantado na época que eu saí de castanhal, que eu não quis mais estudar e vim para cá e comecei a trabalhar com isso.

Só que nesse intermédio eu fiquei trabalhando com isso e com, nos intervalos de, vamos dizer assim, de entre-safra, eu saía para trabalhar com outra coisa. Aí fui conhecendo gente, aí me envolvi com informática, que eu conheci, fiz um curso de informática em Castanhal e sabia como trabalhar. E conheci o professor, o professor voltou de São Paulo para Belém para dar outro curso, outro lugar, e ele já me começou a me ensinar, dar aula, a ser tipo como se fosse um estágio dentro do curso.

E eu já fui me virando para outro lugar. E aí eu trabalhava com aquilo e voltava para cá, e trabalhava com aquilo e voltava para cá. E teve uma época que eu saí daqui porque o cacau ficou com preço muito ruim, muito ruim, que não compensava trabalhar com isso. Até aqui muita gente cortou, cortou plantação para plantar pasto, e a gente preferiu deixar no mato do que cortar. Que a paixão do meu pai era isso aqui, e eu tive que sair e fazer outras coisas.

Aí fui trabalhar com informática, fui trabalhar de encarregado de motorista numa empresa de arqueologia. Fiquei nisso, eu acredito que uns 4 anos. Com informática eu trabalhei 10, e nesse meio aí Teve, teve a paixão pelo reggae, foi um amor que passou mais tempo na minha vida do que qualquer outra coisa. E entrei nesse, nesse negócio de ser DJ e produzir evento, fazer festa, né, festas pequenas. Fiz um, entrei de sócio em um show uma vez Era assim, eu trabalhava com uma coisa ali, trabalhava com uma outra coisa ali, e sempre foi assim, sempre mexendo com um pouquinho, porque aqui é um período, é um período de safra, e na entre-safa tu tem outro trabalho que é plantar, plantar e cuidar.

Então tinha tempo para estar saindo, eu podia estar saindo, só que eu tive que abandonar porque Sinceramente não dava cacau assim. A gente vendia o cacau a R$3, R$4 o quilo, e o preço de custo era bem mais alto. Então eu tinha que trabalhar com outras coisas, e eu ia me virando de qualquer jeito. E isso aconteceu por duas vezes que eu tive que sair daqui para poder trabalhar em outro lugar, né? É, até a ida para Europa, para França, foi, foi por causa disso também.

Preço muito baixo, custo de vida alto. Aqui no Pará, o custo de vida nosso é um pouco mais alto pela distância, né? Eu tive que ir embora. Eu namorava com a minha esposa na época e Eu olhei para ela e falei assim, ó, a gente namora, a gente não tem nada a não ser um namorinho aí, mas eu sou do mundão, já sei, já sei me virar aí no mundão, porque eu já tinha viajado muito, já tinha ido duas vezes lá, e eu tô indo embora. Se quiser ir embora, larga teu emprego aí, bora embora comigo, a gente vai se virar lá.

Fica na faxina, eu fico de entregador. Eu tô sem nada, não tenho onde cair morto, que nem diz o ditado. E bora tentar, se tu quiser. Mas louca foi ela, que nem olhou para trás, só largou o emprego e foi embora. Mas antes disso teve, teve as viagens, né, que eu fiz, que Do mesmo modo, na louca, um certo ano, um certo dia acordei um domingo, eu olhei o email meu e tinha uma passagem para o Chile, tava um trocado. Eu sem mais nem menos, eu não tinha nem cartão de crédito, eu pedi um cartão, liguei para um amigo meu, ele pediu um cartão de crédito e comprei uma passagem para ir Chile sem ter nenhum centavo. 3 meses para viagem, aquelas passagens que ficam baratas perto da, perto de uma data de viagem.

Eu comprei, só fui, cara, e me larguei. Comecei a viajar aí, Chile. Eu ia só para o Chile passar 30 dias lá, não sei nem o que eu ia fazer, não tinha plano, não tinha dinheiro, não tinha nada. Do Chile eu fui para Bolívia, da Bolívia para o Peru. Conheci o sul do Peru todo e acabou o dinheiro, porque eu saí de Belém com $100 no bolso. Mas lá eu ia batendo carona, conhecendo gente, gente me ajudava. Eu esperava secar cacau aqui para vir dinheiro para minha conta e fui me virando.

É a primeira viagem, eu passei um mês viajando. E quando vi, já tava viciado. Era viciado em viagem e viciado em comprar disco de reggae. Me pergunta como eu conseguia, que eu me virava de um jeito, me virava de outro, e me metia em viagem e atrás de disco de reggae. Aqui na América do Sul não tinha, não tem tanto lugar para vender, né? Mas quando eu fui mais para Europa assim, eu comecei, eu comprava bastante. Mas na América do Sul eu fiz 3 viagens aqui onde eu conheci do Ushuaia até a Venezuela.

Da Venezuela, é todos os países. Eu fui de ônibus e de carona. Só que claro, não foi uma única viagem, né? Foram 3. Então eu dividi em blocos. Uma hora eu fiz o meio da América, da América do Sul, outra hora eu fiz o sul e outra hora eu fiz o norte. O norte foi uma viagem mais demorada porque eu fui até o México da mesma forma. Batendo carona e caminhando. Ainda essa semana eu tava conversando com um amigo meu que fez um, um amigo daí do sul que eu conheci na estrada, e a gente se deu bem e viajou junto aí.

A gente atravessou a fronteira da Argentina com Chile andando 20 km com mochilão na rua, na estrada, na estrada de chão. Aí ele tava lembrando, falei, pô, cara, bora fazer de novo. Falei, bicho, não sei se eu tenho coragem mais, cara, aquele perrengue.

?Voz B

Mas você pode fazer correndo hoje em dia, né?

?Voz A

Talvez eu posso fazer correndo, né? Eu acredito.

?Voz B

Deixa ele de bicicleta carregando a mochila, você vai fazer no treino.

?Voz A

Eu acredito que se me convidarem para correr, eu vou. Se for para passear, eu não quero ir.

?Voz B

Agora, ô Paulo, Essas viagens todas, é uma delícia viajar. Aliás, eu fui até o primeiro, teu primeiro post no Instagram, né, lá em 2013. Você não vai nem lembrar, você tirou a foto de um amigo, tava num sofá, uma foto embaçada, não tinha legenda. Mas um dos posts, no comecinho do Instagram, e você é um cara bem ativo no Instagram, né, aliás, você já foi conhecido como Paulo Sincero, depois era Paulo Black, na época do Etiópia Land, né?

Enfim, mas teve um post teu no Instagram que era assim: se você tiver triste, vai viajar. Se você tiver feliz, vai viajar. E se você não souber o que fazer, vai viajar, que você vai arrumar o que fazer, né? Alguma coisa assim, né? Viajar, eu vou ter que concordar com você que é uma delícia, né? Mas a sua intenção era eventualmente arrumar alguma coisa que te prendesse por lá, ou você foi sem era nem beira, sem lenço nem documento?

E enfim, você caminhava ou você passava pelos lugares que você passou, ficando ou não ficando, dependendo do que tivesse por lá, o que você visse, alguma oportunidade? Porque você viajou muito, né? Você queria se estabelecer por lá e acabou não dando certo em qualquer um desses países que você esteve?

?Voz A

Não, a ideia era ir sem eira nem beira mesmo, era bater perna, conhecer cultura, conhecer gente, entender como o mundo funciona na vera mesmo. E das vezes que eu fiquei aqui na América do Sul, que América do Sul que foi a minha escola de viagem, né? É porque aqui é bem difícil viajar aqui, e do modo que eu viajei foi bem mais difícil e me deixou assim com a carne dura, vamos dizer assim, para viajar. Mas nem em nenhum local tentei tentar me estabelecer, porque eu sabia que aqui onde eu tô hoje era sempre a minha base.

Então eu sempre iria voltar para cá, não existiria possibilidade de eu sair e se estabelecer no lugar e ir embora daqui, e isso aqui não existe mais. E isso aqui é onde eu vivo, é o lugar onde eu vou viver o resto da minha vida. Porém, eu tenho essa inquietação de não conseguir ficar muito tempo. Eu tenho que sair por um curto tempo para, sei lá, dar deixa eu ver, respirar outros ares, vamos dizer assim. Mas eu nunca tentei, nem na França, que foi onde eu passei mais tempo e eu trabalhei.

Eu tentei, eu disse, eu vou ficar aqui, mas uma hora eu vou voltar, eu vou voltar porque eu não consigo viver sem aquele lugar não. A ideia nunca foi essa, a ideia sempre foi Sempre fui rodar por aí mesmo, não aguenta senão.

?Voz B

Ô Paulo, e durante a tua infância em Castanhal, né, você me falou que era um futebolzinho e olhe lá, você não deu nenhum, você não teve nenhum, nada que te atraísse para o esporte? E você consegue identificar por quê? Era falta de oportunidade? Eu vi que Castanhal é uma cidade modelo, né? É a quinta, sexta maior cidade do Pará. Enfim, eu dei até uma pesquisada ali na Praça do Estrela, Praia do Crispim ali e tal. Mas você nunca teve nenhum, nada que te estimulasse para o esporte?

Porque, e eu pergunto isso por uma razão óbvia, né? Para quem nunca teve uma ligação forte com esporte, de repente no alto dos teus 40 e pouquinhos anos, 40 anos, você decide mudar radicalmente. Eu vi que você pedalou, chegou a pedalar distâncias, né, o Caminho da Cora Coralina. Você fez algumas coisas assim antes de ir para o triatlon, bem, bem impressionantes. E de repente você se fixa no triatlon, que é uma modalidade que demanda muito, você já sabe, nós vamos falar disso já já. Nada te atraía para o esporte ou foi falta de oportunidade?

?Voz A

Nada me atraía para o esporte, ou os dois? Nada mesmo. Não era, não seria nem a falta de oportunidade. Tinha oportunidade, mas naquela época, na década de 90, que eu já me entendia por gente, era só futebol e não tinha mais Nada além, né, na escola ainda. Só que nesse período que eu morei lá, eu ainda me envolvi com skate e surf. Tinha as tribos naquela época e eu comecei a andar de skate. A galera do skate fazia, praticava surf também.

Eu ainda fiquei nessa vida aí uns 2 anos ou 3 anos, moleque. Acho que eu tinha 15, 16 anos.

?Voz B

E tem uma foto sua no Instagram com uma turma de surf, mas não é na praia, né? Eu não entendi onde é que é ali que vocês surfam, na Pororoca ou sei lá.

?Voz A

Eu acho que aquela foto é numa ilha chamada Ogudual. A gente deveria estar em outro, em outro lugar da ilha, né? Não foi na praia. Eu tenho muito material assim que os amigos da época mandam para mim quando encontro as fotos na antiga. E eu guardo, eu guardo. Às vezes até fico pensando em publicar, e quando eu vejo, já publico outra coisa e publico outra coisa, porque eu gosto de estar lembrando disso. Eu tenho hoje, eu tenho uma proximidade maior com esse pessoal assim, grupo, né, que a gente se encontrou e conversa sobre o assunto.

Mas era o máximo que eu cheguei no esporte assim, foi, foi o skate e o surf, que eu fiquei mais tempo do que até no futebol, que futebol foi mais coisinha assim de escola. Sei.

?Voz B

Bom, você começou a trabalhar aí cedo, seguiu os passos do teu pai, se virou da maneira como você falou. Mas no teu Instagram, eu acho que a maior quantidade aí de posts, e obviamente a maior quantidade de tempo, é você nas nas festas, promovendo lá ou sendo convidado para ser DJ, você com vários disquinhos de reggae, né? São aqueles disquinhos pequenos, né? Os compactos, não sei como é que chama hoje em dia. Como é que você foi enveredar para esse lado da noite, do reggae, né?

Porque o reggae Eu sei que aí, pelo menos o que a gente fica sabendo aqui do sul do país, do Sudeste, né, do sul para vocês, é que tem uma cena, ou tinha uma cena de reggae aí bastante interessante aí em Belém. Eu não sei aonde mais, no Amapá, né? Mas enfim, como é que você foi cair nessa, nessa de ser colecionador de discos de reggae? E DJ, né, que, cara, é uma coisa bacana. Tem umas fotos legais suas lá nas picapes, né, com fone de ouvido.

Aliás, a essa altura, se você me autorizar, eu já vou querer ter postado alguma dessas fotos aí, né, do triatleta DJ.

?Voz A

Claro, claro, pode postar.

?Voz B

Charuto na boca, nem parece o Paulo, cara.

?Voz A

Eu acho que eu não tenho metade daquele cara daquela época, porque Como eu tinha me envolvido com o pessoal do skate, então tinha a musicalidade, né, o rock, o reggae. E quando tinha as festas em Castanhal, o meu amigo DJ, o Paulo Roots, ele começou a— ele falava, vai lá cedo para me ajudar a montar o som. E eu prontamente largava o skate que era na Praça do Estrela, ia numa, num clube que era bem do lado da praça, ia lá ajudar ele a carregar as caixas, carregar o som, carregar os CD, montar o som.

Ele me ensinava tudo ali e eu fiquei, digo, cara, isso é muito massa. Aí teve um dia que ele falou para mim, Paulinho, vai lá para mim, tu monta tudo, eu não vou poder chegar cedo, eu já te ensinei como é que tu liga tudo. Tu coloca o CD, deixa o CD tocando, não precisa tu mixar, só deixa o CD tocando. Tu leva meus CDs. E eram os CDs muito caros na época, era tudo importado, não vendia no Brasil. E o que vendia aqui ele comprava, só que era muito caro.

E ele disse, tu pode até queimar o CDJ, mas não quebre nenhum CD meu, por favor. Aí, não, Paulo, deixa que eu vou dar um jeito. Deixa que eu me viro. E fui, foi a primeira vez, eu comecei a tocar, comecei 9 da noite, quando foi umas 11:30 ele chegou e eu já tava mixando no CDJ, mexendo no equipamento, e ele ouvindo, ele ficou, ele parou lá fora, ele falou, cara, tu tem jeito para isso daí, tu é um pouco ruim no microfone aí, mas Tu tem jeito para isso daí. Eu vi que—

?Voz B

por que que você era ruim no microfone?

?Voz A

Pois é, eu sempre fui ruim de falar por ser tímido. Não sei da onde vem essa timidez, mas eu era um DJ considerado DJ mudo. Então eu sabia o quê? Era o típico— é porque no meio do reggae tem uns estilos, né, de Tem o toaster, que é o DJ que fala na música o tempo inteiro. Em São Luís, tem São Luís do Maranhão, onde o reggae é muito forte, tem a cultura de falar muito na música, em cima da música, animar a festa, né? E eu não, era o estilo seleta.

Seleta, ele faz o que seleta, faz o quê? Ele faz a seleção, e um outro DJ é basicamente o animador.

?Voz B

Então, entendi.

?Voz A

Só que quando eu entrava para tocar, que eu ia para outros locais, isso já era quando eu já tinha virado DJ, né, no caso. Mas deixa eu voltar um pouquinho aqui atrás. Então, Paulo me chamava toda semana já: vai lá e monta o som, eu vou chegar um pouco mais tarde. Ótimo. E ali eu ficava pela cervejinha e tal, fim do fim da festa, olha, deu bom, toma aqui. Aí eu olhava assim, eu digo, cara, isso aqui é muito louco, olha, eu vou ficar fazendo isso aqui.

E logo eu me mudei para Belém e parei de frequentar. Só que em Belém eu ia, eu fui para estudar para Belém, que a mamãe tinha mandado minhas irmãs, e eu fui atrás e eu comecei a frequentar as festas de reggae. Isso em 98. 96, 98, por aí. E frequentando as festas, eu comecei a conhecer o pessoal, me misturar e ver como é que pegava as músicas e gravava as músicas, que as músicas já tinham, era CD e MD, uns aparelhinhos assim pequeno, uns disquete de MD.

?Voz B

E eu fui conhecendo a galera, são os mini, eram os mini compact, né, mini disc.

?Voz A

E eu comecei a me entrosar com a galera do meio, né? E fui me entrosando e começou a aparecer o lance da internet também, né? E eu, como já tinha trabalhado com informática, já sabia me virar, como que eu fazia as coisas na internet. E comecei a baixar música e baixar música, e era convidado nas festinhas porque conhecia os DJ. Epa, vai lá, abre a festa, vai lá, começa a tocar no início, né? Eu já tenho os MDzinho já aqui das músicas que a gente baixa e gravava do computador para o MD, que ele só usava MD, né, na época.

Alguns DJs que usavam CDJ porque era da turma do, da galera que veio do CD. E eu fui me entrosando e conhecendo gente, conhecendo gente. Quando eu vi eu já tinha sido convidado para ir tocar em uma festa de verdade, como atração. E esse dia, esse dia foi tenso. Eu tive que beber para poder tocar, porque pressão assim de iniciante, digo, eu vou tomar uma para relaxar aqui, que eu não sei o que que eu vou fazer, porque eu não falava.

E por eu não falar, o meu amigo Didi Alex, ele ficava falando enquanto eu ficava tocando aqui os MD, né? E aí me auxiliava, porque atrapalhado, se tremendo todo, nervoso. E aí foi indo esse negócio de reggae. Quando veio despertar do vinil, por eu ter acesso, acesso mais fácil, já tinha viajado, já tinha conhecido as coisas, como é que funcionava aqui fora. Eu digo, a gente tem que buscar disco Porque o vinil é que é o futuro, apesar de ser o passado.

Aí eu, eu peguei, tipo, rapaz, eBay. Existe um site chamado eBay onde a gente pode comprar vinil. A gente compra lá de fora, os cara compra só no eBay. E não tinha cartão de crédito. E aí baixava música e conhecendo reggae, estudando e se aplicando e dava música para os outros. No reggae tem um negócio que chama a gente de boqueiro. O que é o boqueiro? É o cara que vai para festa e grava a música na caixa do som para procurar que música é aquela, que é para ter também, porque é muito difícil a informação.

E eu era um boqueiro, só que eu era um boqueiro da internet. Eu fornecia música para galera, só que era uma coisa assim bem, bem pequenininha, nada, nada demais assim dizer não, ele que é o cara. Tem gente que era muito maior do que eu nesse sentido, que de fato era o hipokero mesmo. E por estar dando música para muita gente assim, que eu pegava muito, baixava coisa assim 50 GB num dia de música, e tinha que parar para ouvir ver o que prestava, o que era música dançante para festa, para poder dizer: DJ, toca essa música!

DJ, olha essa música aqui, bacana! Olha essa música aqui! Ah não, essa daí já foi lançada. Tem que ser uma— como é que não foi lançada? Olha essa daqui! Ah, essa daqui nunca foi tocada, bora trabalhar! E nisso daí eu fui me envolvendo mais com reggae, o tempo foi passando, eu já fui começar a fazer evento de reggae. Logo quando eu me envolvi com vinil de fato, eu comecei a comprar muito no eBay, comprava lotes e lotes de disco de reggae.

Disco de reggae na época custava $1, 50 centavos de dólar, de dólar, e era muito barato porque não tinha muita gente no mercado. E comecei comprando muito, muito investimento assim Para mim era alto investimento. E comecei a tocar em festa, chamado. Na época nem tinha a força do vinil no negócio do reggae, e me chamavam para tocar vinil. Por ter comprado muito e publicado, tá no Facebook ali publicando que tinha vinil, comecei a ser chamado para tocar fora.

Aí eu fui convidado para tocar em Fortaleza várias vezes. Fui convidado para tocar em São Paulo umas duas vezes, duas ou três vezes. São Luís várias vezes também, Macapá, Manaus, que eu me recordo agora. Toquei, toquei uma vez no México, quando fui até a Cidade do México. Não foi, não foi bem, bem Vim bem para tocar reggae exclusivamente. Eu fui, eu tava na Cidade do México e uma galera viu que eu tava lá e disse, pô, cara, tu não quer tocar aqui?

Aí, cara, eu não tenho, não trouxe disco nenhum, eu tô viajando aí, tô no mochilão. Ele falou, não, a gente junta os cases, coloca os cases lá atrás, vai ter um evento tal lugar, tu conhece, só precisa ler. Digo, é, eu sei, mas vocês vão disponibilizar? Se disponibilizar, eu toco. Eu toco, não tem problema. Foi que eu me meti aí para dentro da Cidade do México, aí numa quebrada, e acabei tocando na festa, coisa que não tinha nem programado.

Mas enfim, ficou o registro de uma tocada, uma tocada internacional, né, que para muitos é claro, tá no currículo. Para muitos aí é muita coisa, e tem gente que tá aí nessa vida aí há anos e E nunca conseguiu isso. Mas aí eu digo, aí começou a aparecer os grupos de DJs, né, formar as equipes. Aí eu digo, rapaz, eu tenho que criar uma equipe, mas a minha equipe ela é raiz, a gente só vai tocar músicas não comerciais, onde as festas não aceitavam, é aquele som pesado, roots mesmo.

Em vinil. E eu me juntei com um amigo meu, Flávio, que até hoje ele coleciona, compra ainda, e o Gerson. Os dois ainda tocam ainda. E a gente começou a comprar disco. E mais um outro amigo, Evilácio, comprar disco de sociedade para comprar lote, comprar muito. Para poder ter material para tocar em festa. E a gente começou a tocar em festa e fazer barulho, e era só vinil, não tinha mais CD, não tinha mais MD, era informação, gastar grana para poder comprar, porque a gente já tava vício no vício.

Só que tinha o detalhe, né, a gente tava se metendo, principalmente eu, que eu que ia mais nas festas. O Flávio costumava não ir muito em festa, ele ia mais em festa assim mais selecionada. E o Gerson e o Evilácio iam comigo sempre. E logo criei aí o Etiópia Land, né? E a gente começava a tocar em tudo que era lugar aí, festa e festa. E tu já viu, festa, noitada. E quando eu vi, eu abri um clube de reggae e E aquilo começou a me desgastar.

E a história é longa desse negócio de reggae, mas assim, sou apaixonado pela música reggae. Não compro mais disco, ainda tenho bastante disco em casa, apesar de ter me desfeito de bastante. Eu me vendi quase tudo assim da coleção, os melhores que eu tinha eu vendi, vendi por questões financeiras mesmo. Queria ter deixado guardado, mas também tinha outra questão que era: eu não, eu não consigo ficar acumulando as coisas. Por exemplo, tá ali para nada?

Não, vai embora, não me serve mais. Eu não vou ficar acumulando isso aqui. Eu já vivi isso, isso tá na história da minha vida, mas eu não preciso do objeto em si. Ele vai ter que seguiu o caminho dele para outra pessoa circular energia. Eu dei, prestei, vendi os raros. Tinha gente que ia comprar disco em casa e comprava assim tipo 5 discos. Diga, toma esses 3 aí. Ah, tem um aniversário de um amigo meu que gosta de reggae, eu levo um disco para ele.

Toma. E tu vai me dar isso? Claro, é seu, tome. Mas isso é raro. Prefiro que fique com você, vai estar bem guardado. E eu faço isso até hoje, né? Então, de vez em quando que tem um—

?Voz B

você chegou a ter quantos discos? Você teve um dia aí paciência para contar? Tipo 500, 1000, 2000, 5000, só para a gente ter uma ideia?

?Voz A

Em sociedade com o Evilácio, acho que nós chegamos a ter uns 1800 discos. Nossa Senhora, meu, meu mesmo! Eu cheguei a ter uns mil meu.

?Voz B

Você tem espaço para guardar isso também, né?

?Voz A

Porque ficava muito na casa dele, tinha os dele, tinha os meus e tinha os nossos. Então era muito disco, era muito. Ele tinha uma prateleira assim que ficava completamente cheia. Quando eu fui Quando eu fui buscar lá os discos, eu coloquei no banco traseiro do carro cheio, no banco dianteiro, e dei duas viagens para poder pegar, para pegar o que tinha que era meu. Aí botei em casa, já não tinha mais espaço em casa, prateleira completamente lotada, armário cheio, mas passou, passou.

E E ficou a paixão assim. Os vinis é aquele coisa, para mim é um objeto, mas tem a história que passou assim. Eu tô te contando aqui, eu tô me arrepiando de lembrar de algumas coisas, né, que a gente não consegue lembrar de tudo. Fui para Jamaica para comprar vinil.

?Voz B

Ah, eu vi, eu vi você lá.

?Voz A

É, fui para Jamaica, eu, Flávio, cometi ópio além de para comprar vinil. Nós passamos 10 dias indo indo, entrando em casa que era vinil até o teto, literalmente até o teto, sem capa, empilhado em cima do outro. Lugares que eu, gordo, que na época eu tava bem gordo mesmo, eu não entrava porque não dava para mim passar. O Flávio ia buscar, que ele é magro, ele ia atrás dos discos dentro de banheiro, dentro de quarto fechado. Eu tenho umas fotos no Instagram sobre isso daí, lugares que a gente entrou, entrou na favela, entrava com um cara que ia buscar a gente, que a gente não conhecia, porque alguém indicou ele, e ele deixava a gente com outro cara que a gente ia para outro lugar, que entrava por uma favela, dentro de uma casa de um cara, saía para dentro da casa de outro.

E saía andando no meio do gueto para ir atrás de disco, sabe? Entrava em lugar assim, os cara falavam: fica aí dentro e quando terminar tu me chama, sabe? O cara te trancava dentro da casa dele, ficava lá. Aí eu olhava assim, cara, a gente apaixonado demais por isso para fazer uma loucura dessa, cara. A gente não sabe onde tá, não sabe com quem.

?Voz B

E você comprava os discos Você comprava os discos literalmente sem ouvi-los?

?Voz A

Não, porque não dá para você colocar na vitrola. A gente andava com uma vitrola na Jamaica, uma vitrola pequenininha portátil a pilha. Então era assim, era, era, o cara chegava, o cara na rua, quando era na rua a boca, a gente sentava no chão, botava a vitrola, o cara chegava com a caixa de disco, uma caixinha. E começava a ouvir um por um ali, 10 segundos, ouvia o chiado, tudo sujo. Só que como a gente conhecia, a gente sabia o que era bom, o que era ruim, o que era raro, o que era fácil.

E muitas das vezes a gente passava batido também, né, naquilo dali, dizer, poxa, a gente viu aquele disco, diz que era raríssimo e não comprou, bora voltar lá, que depois é para internet. Tirar a foto dos selos para questões financeiras, para vender também. É porque não era só comprar para coleção, não. Vamos comprar, vamos pegar um bocado para vender, para custear isso aqui também, porque claro, fazer uma grana, a gente tem que ganhar dinheiro com isso.

E na rua a gente ficava ouvindo lá 10 segundos da música e tocava. É isso aqui, bateu certinho, bota para cá. Não, esse aqui não, esse aqui não. E às vezes os cara vinham de longe e a gente escolhia, tipo, o cara trazia lá 200 discos, a gente escolhia 30. Dizia, cara, não, não, você tem que comprar mais, você é obrigado a comprar mais, você tem que comprar mais. Aí o cara, pô, cara, um negãozão, um não, 3, 4, no país dos outros, no meio da rua.

Eles não conversam, eles falam gritando. Eu não falo inglês, eu falo o que eu aprendi viajando. Eu entendia, mas eu não conseguia me comunicar. E os cara falava assim, ah não, você tem que comprar mais. Eu não trouxe tudo aqui para chegar aqui você comprar só isso, você tem que comprar mais. E das primeiras vezes assim eu ficava com medo, e os cara encarado mesmo, e eu ficava com medo e comprava mais só para, só para mim sair daquilo dali.

?Voz B

Claro, se livrar do problema.

?Voz A

É difícil isso e não dá para a gente ficar fazendo isso não, cara, na rua assim é complicado, cara. A gente vai apanhar ou vão roubar a gente. Roubar era a última coisa que eles fariam, eles não fazem isso de jeito nenhum, hipótese alguma. Só que a pressão é psicológica, você tá ali, você tem que comprar. E a gente comprava algumas vezes, outras vezes eu me aborreci, falava não, não vou, não, não quero. Às vezes falava em português Aborrecido e pedia para sair.

Eu entendia que era assim, eles falavam grosso e você tinha que acatar. Não, não era assim. Se ele fala grosso, fala grosso também, bate de frente. Então quando eu batia de frente, o cara se recolhia. Eu falei, ah, tá aí, é assim, tu tem que bater de frente. E o meu amigo era muito, ele assim, eu falava para ele, fala ter educação em inglês, cara. Então é muito educado, mano. Esse cara não tem que ser educado, tem que ser forte.

Você tem que falar forte também. E eu briguei umas duas vezes lá com os cara e negociava com taxista uma coisa, na hora de pagar era outra. Eles queriam mais dinheiro, ele dizia que não, que não era desse jeito, que não sei o quê. E eu pedia para o Flávio traduzir tudo que eu tinha falado e o Flávio falava outras coisas para o cara porque eu tava sendo muito Muito grosso. Só que eu entendia como ele falava, porque ele falava bem pausado em inglês, ele tem pausado, eu entendia, cara.

Perrengue na Jamaica para comprar disco, tudo por causa de disco. E não tinha hora para comer, não tinha hora para tomar banho, era o dia inteiro sujo porque andava só em lugar, locais que estavam completamente entupido de vinil, mas Foi assim, foi na loucura. Ontem mesmo ele me ligou e falou assim, bicho, R$3.000 ida e volta, São Paulo-Kingston, bora! E não faz.

?Voz B

Ô Paulo, só uma curiosidade, você que viajou tanto, cara, para você sair daí, que que é, via Fortaleza, via Recife?

?Voz A

Eu saí daqui via Belém. Aí Belém eu tenho escala, eu tenho que escolher entre Manaus, se eu for para o Norte, né? Se eu for para Europa, eu escolho entre Fortaleza e São Paulo e Belém. Belém eu tiro de rota porque é o custo muito alto. Mas se eu for para o Sudeste, não tem jeito. Belém, São Paulo, Belém, Fortaleza, Fortaleza, Brasília, Belo Horizonte. Eu sei, a base é São Paulo, tudo é para São Paulo, independente.

?Voz B

Então você tá distante para chegar aqui em São Paulo, você já tem que contar aí praticamente um dia, um dia e meio de viagem, né, contando as escalas e tudo mais.

?Voz A

Quando normalmente, quando eu ia para América do Norte, para questão do México ou para Colômbia, eu ia, eu ia por aqui, eu ia pelo Se eu ia para o Peru, para Colômbia, eu ia por aqui, pelo Acre, de ônibus. Pegava avião até Boa Vista, de Boa Vista ia pela transoceânica. E mas para sair do Brasil normalmente é Fortaleza ou São Paulo, não tinha outro lugar não. Aí Aí a Jamaica, quando eu fui para lá, eu fui, eu fui por, eu fui por Manaus, Manaus, Panamá, Panamá, Kingston.

Mas sair daqui é uma logística, viu? É sair daqui de casa, é bem complicado. Pois é, mas já tô, já tô bem adaptado com isso daí, já não.

?Voz B

Exato, é até porque senão você não vai sair, né? Então Tem que, tem que se sujeitar a isso. Depois de tantas décadas convivendo com atletas e nos últimos anos ouvindo e aprendendo com os convidados aqui no Endorfina, está claro que evoluir no esporte não depende apenas de dedicação e consistência. Passa também por fazer boas escolhas, especialmente quando o assunto é equipamento. Saber o que faz sentido para o seu momento, para o seu objetivo e para o terreno onde você pedala faz toda a diferença.

Esse entendimento você encontra na Tupix Bikes, patrocinadora do Endorfina. A Tupix Bikes é importadora e distribuidora oficial no Brasil de marcas como a Factor Bikes, a Santa Cruz Bikes e a Yeti, além de outras referências do mercado. Mais do que vender bicicletas, vestuário e acessórios, a proposta deles é orientar você. A Tupix foi criada para atender quem busca dar o próximo passo no esporte, seja no ciclismo de estrada, no mountain bike, no gravel ou no triatlão.

A lógica é simples: cada ciclista tem uma necessidade diferente, e o papel da equipe da 2Pix Bikes é ajudar você a fazer escolhas melhores, mais conscientes e mais eficientes. Essa filosofia se reflete também nos espaços físicos. Na loja do Rio de Janeiro, o ciclista encontra manutenção de alto nível, bike fit, café e espaço para encontros e eventos. Em São Paulo, na Avenida Faria Lima, além de uma oficina especializada, a unidade recebe clientes e amigos para treinos aos finais de semana.

Já a loja de Los Angeles segue exatamente o mesmo padrão, a mesma curadoria e a mesma essência. Por tudo isso, é um prazer ter a Two Peaks Bikes ao lado do Endorfina. E fica o convite: se você está buscando orientação para melhorar seu equipamento, entender melhor suas escolhas ou simplesmente pedalar com mais qualidade, vale conhecer a Two Peaks Bikes, distribuidora oficial da Santa Cruz e da Yeti no Brasil. Siga @2peaksbikes.

Eu vou soletrar: @2peaksbikes. Siga @2peaksbikes no Instagram. Ô Paulo, e aí, cara, essa vida dá para escrever um livro de pelo menos umas 1000 páginas, hein, cara, de todas essas histórias aí dessa época, não é?

?Voz A

O que tá faltando para mim, que Eu já fiz um filho, fiz dois, já plantei várias árvores, tá faltando escrever o livro.

?Voz B

Exato, mas vai fazer um Iron Man antes, Paulo. Mas vamos lá, e como é que foi, cara, essa transformação radical de um cara que levava essa vida que você levava, se virava, viajava, trabalhava na lavoura, ia fazer outras coisas na de pré-safra, DJ da noite, copinho de uísque ou de cachaça sempre ali na mão para dar uma coragem, o charuto. E de repente, cara, você decide, cara, eu vou, se eu continuar assim, acho que eu não vou, não vou chegar em nenhum lugar.

Eu preciso perder peso, preciso recuperar minha sanidade, vou começar a pedalar.

?Voz A

Pois é, foi, foi bem essa transição aí, foi bem lenta, mas foi o corpo que cobrou. Não foi alguém que chegou comigo e falou, não, foi meu corpo, minha saúde, que tava bem gordo, com 128 kg. Eu passei mal, fui para o hospital. Glicose de 300, hipertensão algo em torno de 16 por 11. Esse era o normal. E o médico olhou para mim e falou assim, olha, tu não vai durar muito se tu continuar nessa tua vida. Então eu já entrego o alcoolismo.

Só que achava que era só pela noite, né, anoitada e tal. Beber, fumava muito, fumava tipo duas carteiras por dia. E achando que aquilo era só um barato, uma diversão, era alcoólatra na verdade. Só que nunca admitia porque bebia de quarta a quarta, basicamente todo dia. No dia que eu parava de beber era porque eu tava com muita ressaca ou passando mal. E eu tive que dar uma mudada. E isso não tem muito tempo, né? Eu tô mais ou menos uns 5 anos.

Eu parei, eu comecei a diminuir o volume com 38 anos, e foi uma luta grande me livrar do álcool. O álcool foi bem difícil porque eu tentei começar a pedalar Tentei começar a correr. Eu já tinha feito algumas, algumas tentativas de dieta anteriormente, mas eu não tinha problema com álcool. Eu cheguei a fazer uma dieta e perdi 30 kg, e depois voltou tudo. Descontrole emocional, enfim, tinha depressão, ansiedade. Até hoje eu ainda cuido disso, né?

Parece que isso acompanha minha vida inteira, mas quando eu tive, eu acho que foi ansiedade, coração disparou e eu fui bater no hospital de novo. O médico disse que eu não tinha nenhum problema no cardio, mas tinha que fazer exame. Eu fiz, voltei ao médico, o médico disse, cara, assim, tá obeso, grau 3. Isso no cardiologista. Teus exames estão bons, você não tem veia entupida. Você tem duas coisas: você é depressivo e ansioso.

Isso, esses teus, essas tuas arritmias são de ansiedade pura. Você é diabético tipo 2, mas se você perder peso você pode melhorar. A tua hipertensão já aumentou um pouco do teu coração, mas é milímetro, não é preocupação, não tem como se preocupar tanto porque tem medicação para isso, a gente pode melhorar isso, mas tudo só depende de você, não é de outra pessoa. O que eu posso fazer por você? Vai procurar um esporte, vai procurar uma nutricionista, vai fazer uma dieta, tome a medicação.

Você vai ter que tomar remédio para curar essa diabetes e fazer dieta, exercício físico. Não tem outra saída para ti. A outra é tu fazer uma bariátrica. Eu disse: não, bariátrica eu não quero, eu posso, eu posso vencer. Aí eu comecei devagar, só que o álcool atrapalhava muito, não conseguia parar de beber. Eu comecei no pedal e, por incrível que pareça, eu vinha da festa, chegava 4 da manhã, entrava em casa, tomava um banho, vestia a roupa de pedal e ia pedalar bêbado com um grupo, porque eu queria fazer aquilo, mas eu não conseguia me livrar do álcool.

Muitas vezes eu fiz isso. Algumas vezes um amigo meu perguntou, falou assim, tá só cachaça? Eu falei, Eu tô bêbado, mas eu preciso fazer exercício físico. Eu gosto de pedalar, mas eu não consigo largar o álcool. E depois eu fui começando a diminuir porque a saúde apertou, apertou muito. Eu tinha muita crise de hipertensão e muita glicose muito alta. Eu passava mal o dia inteiro. Era o tempo inteiro 300, 350, e era muito. E meus exames todos alterados.

E eu digo, é, eu tenho que largar essa vida aqui 100%. Foi aí que eu comecei a abandonar a vida de festa, comecei a parar de tocar, parar de estar saindo à noite. Foi demorado, demorou, demorou, não foi do nada. E eu fui abandonando e fui indo para o pedal. Aí foi lá para 2020, 2019, eu já tava até pedalando melhor, perdendo peso. Só que perdendo peso, mas tava assim com, já tinha perdido algo de 8 kg, tá perdendo ali. Eu tava pesando ali uns 118, 120, mais ou menos.

E eu resolvi ir para França na época e apertou o financeiro. Eu fiquei lá esse tempo, perdi peso porque trabalhava muito, trabalhava, pedalava 12 horas por dia trabalhando, só entregava, entregava de bicicleta até comprar uma moto. Demorei lá 3 meses para arrumar dinheiro para comprar uma moto lá, mas sempre na bicicleta, o tempo inteiro. Trabalhava de manhã na bike por ser mais ágil, por causa do trânsito, trabalhava de noite na moto porque tinha mais tempo.

Aí quando eu voltei para o Brasil, eu voltei, diga aí, eu vou parar. Só que eu voltei para cá, tava muito pesado ainda, já tinha ganhado peso de novo, e já, só que eu já tinha controlado mais o Só não tinha controlado hipertensão, tava com tudo, tudo ruim ainda. Eu aproveitei para vir para cá, falei com a Suelen: Suelen, a gente vai ficar no lote, a gente não vai morar em Belém, a gente vai ficar no lote, a gente vai, a gente vai viver daquilo intensamente, a gente vai trabalhar naquilo e a gente vai ficar uns 2 anos parado aqui.

E a gente pode voltar para Europa depois, mas por enquanto eu tenho que cuidar da minha saúde, do nosso financeiro. Aí eu vim para cá e fiquei aqui, comecei a fazer dieta. E eu já tinha lotado boxe, eu tenho, tinha luva, tenho saco de boxe aqui. Comecei a fazer o boxe, fazer mobilidade no chão, fazer calistenia do jeito que dava, olhava na internet e caminhada. O único tênis que eu tinha é o tênis que eu uso para trabalhar, que é o que eu trabalhava na França, que é um tênis impermeável.

E eu uso ele até hoje para trabalhar. Eu comecei a fazer caminhada com esse tênis porque era o que tinha, e ela ia comigo. E assim, meio que não querendo, mas ia comigo, né, para me ajudar, para mim incentivar. E eu falava, amor, eu tenho que fazer dieta, eu preciso comer isso, comer esse tantinho aqui, comer isso aqui, parar com os excessos. E na medicação e cortando o álcool, eliminando o álcool da minha vida. Comecei a correr aqui na poeira mesmo, que é uma poeira que no verão é uma poeira braba, no inverno é lama.

Tem dia que a gente nem consegue sair para treinar porque o carro não passa na estrada, para tu ver como é que é. E na época eu nem tinha carro nem moto e E a gente andando mesmo, tem que resolver as coisas, tem que ir na cidade fazer compra, pedir a moto emprestada, pagava táxi. Ah, tem que, a gente tem que fazer a caminhada, bora caminhar na lama, é o que tem, eu tenho que fazer isso, eu não fizer isso eu vou morrer. E aí eu fui pegando gosto, pegando gosto, pegando gosto, pegando gosto, e não parei.

E tinha uma motobike Hoje eu não tenho mais a mountain bike. Eu andava de mountain bike aqui, ia para estrada sozinho, sol, chuva, com poeira, com lama. Eu nunca dava desculpa. Eu tenho que ir treinar, é o horário do meu treino, eu tenho que treinar. Eu não sabia fazer isso quando era para beber. Se eu bebesse o dia inteiro, eu tinha que beber o dia inteiro. Mas agora eu tenho que treinar, eu tenho que cuidar da minha vida, da minha saúde.

Se eu não tiver, eu só tenho a minha saúde. Se eu perder ela, eu não tenho mais nada, não posso fazer mais nada. Então eu ia treinar, chovesse ou não, ia treinar. Comecei a fazer as caminhadas, a bicicleta eu fazia 2 ou 3 vezes por semana, pedal só para girar a perna. Aqui tem muita serra aqui e E comecei a caminhar e depois fui olhando na internet, no YouTube, no Instagram, negócio de treinador, de treinamento. Ah não, você tem que correr e caminhar, você tem que fazer os intervalos e não sei o quê.

Aí eu comecei, aí não tinha relógio, comprei um relógio na internet aí parcelado de R$300, aquele tipo, aquele Amazfit, né, que era baratinho na época. Época. Aí só que não pegava treino nesses relógios, aí eu pegava no celular e ficava correndo com o celular na mão, com os intervalados rolando aqui. E fui pegando gosto pela coisa. Aí treinando sozinho, treinando sozinho não, treinando com o YouTube, né, com as dicas dos coach.

Rapaz, começou a aparecer as lesões e e os problemas de alimentação, que eu não sabia que tinha que comer durante os treinos. Aqui eu saía para correr 10 km aqui. Ah, quando eu fazia 10 km uma hora, era uma felicidade do mundo. Eu falei, não, tô correndo agora, tô correndo bem, não sei o quê. Que passava mal aí na rua porque a glicose baixava muito ou porque a glicose aumentava demais. Chegava em casa com a hipertensão, é, como é que é, pressão alta, pegava muito sol.

Como já tava descontrolado, o corpo descontrolado responde, né? E eu digo, não, eu tenho que procurar um médico. Já tinha perdido bastante peso, já tava pesando 110 kg fazendo dieta louca, louca, louca mesmo, não comia nada, vivia passando mal. E digo, eu tenho que procurar um médico nutricionista. Fui no cardiologista, fiz todos os exames de novo. Ele disse, você continua dizendo, você não tem nada, tu só é ansioso. Tome esse remedinho aqui para ansiedade, pare de tomar seu remédio de hipertensão, pare de tomar o glifage, você não precisa mais disso.

Mas doutor, vive alto, faça seu exercício. Teu exercício tá regulando. E tá bom, não parei, continuei com os remédios, né? Fui, fui, não fui, fui ao contrário do que o médico tinha falado. Nesse intervalo eu fui nutricionista, comecei a me alimentar direito, tive umas lesõezinhas aí, cuidei, gastei uma grana com um negócio de para curar essas lesões na perna, no pé. Porque fazia forte demais, não sabia intensidade, porque treinava da minha cabeça.

Aí eu resolvi procurar um treinador, procurei um treinador de corrida na internet, achei um, comecei a correr com ele. Só que eu sou do tipo virado, eu comecei a pesquisar também. Eu digo, ele tá me passando treino de iniciante porque ele tá me conhecendo, cara. Aquilo parece que não passava nunca. Ah, tu tem que correr devagar, não é rápido. Eu corria num pace de 6, mas o meu coração tava em 200, e eu achava que aquilo era certo.

Aí eu ficava assim, não, mas esse cara me passa para correr a pace de 8, isso não existe, tu é doido, não pode ser. Aí eu ia para internet, não, porque aí eu começava a entender que todo mundo falava isso. Isso. Corrida é devagar, corrida é devagar, você tem que entender isso. E eu doente fazendo força demais, né? Nessa brincadeira aí eu comecei a estudar tanto que eu digo, rapaz, eu tenho que, eu tenho que treinar como o cara tá falando, porque ele tá certo.

Quem tá errado sou eu. Então, se eu tô pagando para ele me treinar, eu tenho que parar de ouvir as vozes da minha cabeça e fazer o que ele tá falando. Foi o que eu comecei a fazer, começou a dar certo. Aí eu, eu do nada fui para Belém, a gente foi passar uns 2, 3 meses em Belém, foi 2 meses em Belém. Aí eu saí daqui, acabou a safra, aí eu fui para Belém, fui conversando com amigo meu, ele falou Por que tu não faz triatlon? Tu já corre, já pedala bem, tu já tá correndo.

Eu falei, cara, eu não consigo malmente correr, pô, eu corro 5 km morrendo. Não, mas tem uma prova de, tem uma prova mês que vem aí que é um mini sprint. Falei, como é que é isso? Não, tu vai nadar 350 metros, tu vai pedalar 10 km e correr 2,5. Faz isso comigo, não dá mais um negócio para mim, eu não aguento mais nada. Eu tava pesando 98 kg nessa época. Aí eu fui procurar nos grupos, né, tem nos grupos lá que você conhece onde tem piscina aqui em Belém, não sei o quê.

Aí foi, me botaram num grupo de triatlo. Ah, tu vai com, procura o Jackson lá na Feijó. Já que você é do triatlo, ele vai te ensinar. Sabe nadar? Eu digo, rapaz, eu sei, eu sei. Quando era moleque, eu vivia no Igarapé, sei nadar assim. Rapaz, isso deu lenha, viu? Cheguei lá no Jackson, ele falou, tá, entra aí na piscina, nada aí, deixa eu ver o que que tu sabe fazer. Entrei na piscina, cara, cheguei do outro lado. Ele falou: volta.

Falei não, só falei não, era só. Volta. Não. Tá bem? Não. Eu sobrevivi atravessando a piscina. Aí ele falou: tá, Paulo, vamos fazer assim, é, vou ser franco contigo, tu sabe sobreviver. Isso não é natação, a gente precisa de técnica. Natação é técnica para tu ficar veloz. Aí começou a falar como funciona a natação de fato. E eu, tá, quando é que eu vou começar a nadar? Não, a gente vai passar os educativos. O que que é educativo?

Educativo é como tu vai aprender a nadar. Falei, tá, bora, cara. Tinha 2 meses para fazer a prova e eu não tinha me inscrito ainda. Eu sei que comecei a nadar, meu treino era 40 minutos de treino, eu nadava 300 metros nesses 40 minutos. Aí digo, bicho, como é que tu vai? Tu vai nadar lá? É fácil, fácil. Aquele papo assim, vamos pedalar ali, sabe essa história? Bora pedalar, vai ser, vai ser leve. Aquele pedal que tu sai 6 horas da manhã e volta meio-dia, é assim.

Ele disse, não, é leve, pô, tu vai conseguir nadar. Cara, eu passei esses 2 meses, perdi a inscrição, a época da inscrição, não conseguia nadar os 300 metros de fato, 350 metros. Nadava no treino ali, né, com nadadeira, com boia, com os itens do educativo, né, mas livre, livre, eu não conseguia nadar 300 metros. Não. Aí ele, não, deixa que eu vou ajeitar para ti essa inscrição, tu vai fazer essa prova assim. Falei, tá, mas tu vai falar com— não, vou falar com o dono.

Falou com o dono, aí me deu contato. Fala aí, fala aí, ela é gente boa, ela te escreve na prova e tu faz a prova. Aí tá, me inscrevi, cara, faltando uma semana, cara. Eu treinando por conta, pedal, pedal era, não, não, a corrida era com um pedal, era da minha cabeça, e a natação era com jacks. Aí beleza, fui fazer a prova, tremia mais que vara verde nervoso para entrar na água, cagava de medo. E fui, cara, eu não sei, eu saí da água, eu acho que eu nadei mais cachorrinho do que Do que eu não sei se todo mundo sabe, que era do cachorrinho, né?

?Voz B

Claro que sei.

?Voz A

Aí eu saí da água, saí, peguei a bicicleta, fiz ali na bicicleta ali, eu arrebentei. Na época, na época eu fazia pedal ali para média de 33. Ixi, para mim aquilo ali foi um absurdo. Cheguei no pedal grande morto, morto para correr 2,5. Quando eu desci da bicicleta, que eu deixei a bicicleta lá no, lá no T2, que eu corri 200 metros, a realidade veio à minha porta. Comecei a caminhar. Imagina eu com 90 e poucos quilos fazendo aquilo.

Sem treinamento nenhum. Aí eu digo, não, eu vou, eu vou finalizar. Aquilo ali era como se fosse um full para mim. Eu vou finalizar, eu vou finalizar isso aqui. E corri, caminhava e corri, caminhava e corri, caminhava. Eu fui, cheguei, terminei a prova, fiquei emocionado. Aí os amigos vêm me abraçar, tu é doido, fez isso aí, não sei o quê, não sei o quê. Eu falei, pô, bacana. Aí a ilusão, achando que tinha feito pódio, né, e tal.

Que nada, fiquei em último. Mas tudo bem, terminei, vim em casa grande, cheguei em casa todo grandão. Sou triatleta, sou triatleta, tá? Vai nessa. Aí digo, agora eu vou procurar um, eu vou procurar um, eu tenho que procurar na verdade uma assessoria de triátilon, porque não dá para treinar com 3 treinadores e a minha cabeça, que ainda tem a minha cabeça, né, que ela me treina também. Aí eu tava, vou caçar um. Aí achei um na internet, comecei a treinar, treinei 3 meses e reclamava com o cara: não, mas é porque eu, esse negócio de correr devagar não dá.

Mas tu não aguenta correr forte, tem que correr devagar. Triátilo se constrói com o tempo, você tem que ter paciência. O cara era mais meu psicólogo do que meu treinador.

?Voz B

Eu faço ideia.

?Voz A

E eu queria tudo, queria tudo rápido e ansioso para tudo. E tinha que cuidar da minha saúde, só que eu já tava pesando, já tava com 95 kg, 94. Eu tava baixando peso assim muito rápido porque não comia, vivia quebrado em treino. Meus treinos tudo meia boca, porque eu quebrava, literalmente eu quebrava, não aguentava fazer o treino, que fazia forte demais e não tinha alimentação adequada. Mas minha saúde já tinha melhorado muito, muito assim.

Quando eu entrei no triátilo, eu tava, eu já tava uns 4 meses de triátilo, eu já tinha melhorado, vai, uns 80%. Eu passava mal uma vez na semana, por exemplo, eu não passava todo dia, mas quebrava porque não sabia, sabia treinar, não sabia me alimentar, achava que tudo era do corpo, era só na água, né? E entrei nessa, nessa lida aí e já tava com treinador, fiquei com treinador 3 meses e achava aquilo absurdo, era caríssimo pagar um treinador.

Não, porque tá muito caro, porque eu pagava R$50 para o outro e eu não vou pagar esse valor para esse aqui, que, vixe, tá muito caro, não aguento não, vou treinar sozinho, vou treinar sozinho, não vou aguentar. Fui, inventei treinar sozinho de novo. Aí fiquei 3 meses treinando sozinho. Rapaz, não dá não, veio a fadiga, a tal do over. Treinando sozinho, treinava demais. Ah, eu tenho que fazer Eu tenho que fazer 5 km forte, tem que fazer tipo um triátilo todo fim de semana, uma prova, porque achava que tinha que ser desse jeito.

As vozes da minha cabeça, né? Fazia o treino, quebrava, ixi, é para prova de sprint. Fui fazer uma prova sozinho, sem treinador, terminei a prova, terminei até bem assim, bem, bem mal, né? Fiz a prova tudo em 17, morto, mas fiz. Aí eu falei, cara, tem que parar com isso. Eu não sei, definitivamente eu não sei treinar sozinho, eu não tenho disciplina. Eu tenho que ter uma planilha, eu tenho que ter um treinador, eu tenho que ter alguém que me direcione.

Não adianta eu querer fazer na minha cabeça. Eu botei na minha cabeça que ia fazer com treinador, aí fui atrás de um. Foi que eu encontrei o Ken Monteiro lá da Solac. Aí conversei com ele e tal, a gente começou a treinar, cara. Demorou encaixar, olha, do mesmo jeito. Ah, é muito devagar. Foi fazer o teste, o teste dos 3K, quebrei no teste. Aí fiz de novo o teste, aí não quebrei, mas deu muito baixo, cara. Para mim, o meu, meu Z2 era 6, 7, 7 de pace, cara.

Aquilo mexia com a minha cabeça mais do que com meu corpo, porque era muito devagar e não cansava. E para mim tinha que cansar. Aí eu fui conversar com quem, tio, é assim, tio, a gente chama de tio um para o outro, tio, criado. Triatlo se constrói com o tempo, não é assim, tá? O endurance leva muito tempo para tu obter uma resposta. Então tenha paciência. Se você não tem paciência, você não vai conseguir ser o que você quer ser.

Você tem que ter muita paciência e perseverar naquilo, porque isso aqui, o que eu construí no triatlo hoje, levou mais de 10 anos. Então não acha que tu vai estalar o dedo e conseguir o que tu quer. Tadinho, bora, bora treinar, bora treinar então, bora, eu vou te ouvir, cara. Eu comecei, entrei, aí que começou a mudança mesmo assim, o lance da disciplina, horário de treino, horário de comer, hora de dormir, viver praticamente igual um profissional, tinha horário para tudo.

Só que eu lá em Belém, ótimo, eu tinha tudo ali ao meu alcance, tudo era fácil. E mesmo assim eu me reclamava, ah, porque se passar do horário não dá para correr porque é quente, ah, tem que nadar, tem que ir para piscina. Achava aquilo chato. Pedal não, pedal sempre foi uma coisa assim que eu sempre gostei de fazer. E eu achando que era um mar de rosa Só que não era, né? Aí chegou a época de vir embora para cá. Vim embora para cá, cara.

Quando eu cheguei aqui, que eu vi que era dificuldade, que eu tinha que ser muito disciplinado e tinha que ter certeza 100% do que eu queria fazer da minha vida, foi difícil engolir isso. Disciplina, a disciplina, ela é muito difícil, o cara se tornar disciplinado, e E eu não sou um profissional. Eu tinha que entender que eu não tinha que viver igual um profissional, que eu tinha que trabalhar, que eu tinha que aprender a dividir trabalho e o treino, e que isso era disciplina, que eu tinha que saber os limites que eu tinha do meu corpo, os limites que eu tinha do meu tempo, limite que eu tinha da minha grana para poder tentar ser um triatleta, porque eu achava lindo aquilo.

Lindo, achava lindo, lindo, lindo, lindo. Eu vi as provas, falei, cara, como é que esse cara consegue correr desse jeito? Como é que esse cara consegue fazer isso desse jeito? Como, como eu ia pesquisar a vida do cara? Era basicamente o que o Kenny Monteiro tinha falado para mim: você tem que ter paciência e perseverar. Você tem que treinar intensamente, sim, mas tem um dia fraco, tem um dia forte. A maioria dos dias é fraco para você construir essa base.

Então Eu vi o pró falando e eu não quero fazer igual o pró? Como é que é isso? Aí o professor me guiando, eu digo, é isso aqui que o professor fala, não preciso nem ouvir o profissional. Eu não sou profissional, eu sou um mero amador. Entende isso, põe isso na tua cabeça, cara. Eu conversando com a minha cabeça, daí eu mesmo conversando comigo. Foi que eu comecei a conseguir dividir isso. E foi ficando mais fácil e mais fácil e mais fácil e prazeroso.

E tudo foi ficando prazeroso. O nadar, que era, era uma obrigação, virou prazer. O pedalar, que era obrigação, que era, não, que era prazer, virou amor. E a corrida, que era um sofrimento absurdo, virou prazer. E ficou mais fácil, foi fácil porque virou paixão, né? A minha esposa começou a andar comigo, começou a correr, começou aí a gente fazendo junto as coisas. Ela tinha, ela tem, ela tem o treinador dela e, ah, eu quero fazer isso, quero fazer aquilo.

Aí eu ficava na motivação. Às vezes ela acordava, não queria treinar. Ei, bora, bora, tem hora, você tem que ter hora para fazer isso. Se você não tiver hora, você não vai conseguir. Você tem que ter hora para fazer isso, você tem que ter hora para comer, você tem que ter hora para dormir. Então o que eu me cobrava, eu comecei a cobrar ela, porque ela tinha que fazer igual. Aí depois eu falei, rapaz, eu tô cobrando demais essa mulher, ela vai embora, vai me largar de mão aqui, que esse bicho tá ficando é louco com esse negócio de esporte.

Comecei a pegar mais leve com ela, né? É porque era demais, cara, porque eu tava no limite assim de achar que eu tava vivendo igual profissional, cara. Aquilo não era, não era certo com a gente, porque o custo alto, né? Treinador, suplemento, prova, viagem, cara, botar isso na ponta da caneta, tu sabe melhor do que eu, é muito custo.

?Voz B

E é muito custo, muito.

?Voz A

E acabava que eu comecei a diminuir um pouco, não o treino, mas diminuir as cobranças. Cara, eu tava procurando perda de peso, mudança de vida, saúde. Eu já tenho tudo isso. Agora, o que que eu quero? Eu tenho que conseguir manter a perda de peso, eu tenho que conseguir manter a minha saúde mental e física. Eu tenho que trazer minha esposa para ficar nesse mundo comigo, para a gente poder ter um relacionamento sadio. E eu só não tenho que viver disso, tem, porque eu, esse não é o meu meio de ganhar grana.

Eu tenho que viver, eu tenho que sentir prazer nisso. E eu entrei, entrei de cabeça, treinei, procurei uma meta, entrei para fazer sprint, passei um ano só fazendo sprint até achar que eu poderia passar para uma outra etapa mais longa. Como eu fiz uns Olímpicos, 2 ou 3 Olímpicos, vi que era bem pesado, que eu precisava de um volume maior de treino, precisava de ter mais tempo tempo para treinar. E onde eu morava, e o tempo que eu tinha para trabalhar, no caso, a gente não trabalha, eu não trabalho o dia todo aqui porque eu trabalho de manhã cedo, eu saio 6:30, 7 horas para trabalhar, trabalho até às 10, aí almoço 11, 11:30, descanso.

Quando dá 4, 5 da tarde, eu volto para trabalhar de novo. Que é quando o sol tá mais frio. E eu comecei a entender que eu tinha que dividir isso e tava dando certo. Diga, é isso aqui, é isso aqui. Eu tenho que continuar com meu, com a minha perda de peso, tem que fazer musculação, eu tenho que ter disciplina. Aqui vai virar um quartel agora. Só que o quartel era só aqui dentro, eu não podia transmitir isso para minha esposa, porque senão ela mexia com meu relacionamento, né?

E meu quartel tá aqui dentro, continua aqui. Eu tenho horário para tudo. Se eu saio do horário, alguma coisa dá errado. Sempre dá alguma coisa errada. Então, quando eu conversei com o tio para aumentar o volume, para a gente, que eu tinha que fazer uma prova de Olímpico e tal e tal, mas que eu tinha, tinha foco em fazer um 73, ele falou, tio, Pelo jeito tu quer isso mesmo, mas vai dificultar um pouco mais. Tu vai ter que ser mais devagar do que tu tá fazendo ainda.

Vamos, a gente vai ter que fazer um trabalho aí. Eu já tô, já tô com a cabeça pronta para isso. Vamos trabalhar. Vamos, vamos. A gente começou, ele começou. Eu tinha que fazer um Olímpico, mas eu entrei num volume de 73, que já era focada numa prova que tinha com 6 meses. Que era o Florianópolis. Aí eu comecei a treinar, treinar e treinar. E eu sou o cara que eu motivo todo mundo, eu o tempo inteiro é motivando os outros, é nos grupos perturbando a vida dos outros, é chamando os outros para treinar.

Quando eu tô na cidade assim, é chamando os outros para treinar, é levando os amigos, os amigos da cachaça, trazendo para aqui, tentando trazer para cá. E vai na academia aí, não sei o quê, e perturba os outros e treina, e perturba os outros e treina. E hoje, hoje, basicamente, depois de ter feito o 73, que eu fui ter certeza de que eu queria ficar nisso, que eu queria viver isso, que esse seria meu lifestyle, que era viver para o triatlon, viver para o esporte.

Era basicamente isso que eu tava buscando. E eu continuei, né, fiz o, fiz esse, fiz essas provas de Olímpico, foi bacana, peguei pódio em uma ou outra, mas eu assim nunca liguei para isso, não sei por quê. Às vezes eu ficava assim até, achava até estranho, perguntava minha colocação, que era para poder ir embora logo, né, para poder ir para casa, porque tava dando a hora de comer e eu não podia passar porque minha glicose ia despencar.

Não, tu ficou em terceiro. Tá certo mesmo, tá, ficou em terceiro. Não, tu ficou em segundo. Tá certo, tá, tá bom, vou esperar então. Aí ficava esperando para ver, mas nunca foi assim uma coisa de, não, eu tenho que ir para ganhar. Eu não sei por que, eu não sei ser competitivo. A minha competição é comigo mesmo, meu negócio é comigo, a minha luta aqui é comigo, porque eu preciso eu preciso melhorar. Quanto melhorar, não seria nem correr mais rápido, eu preciso ser mais forte.

Não é ter o corpo mais forte, ter a mente mais forte, porque eu preciso dela. É ela que me mantém no foco, o foco do treino, do triatlon, das provas, do alcance dos meus sonhos, né? E aí eu termino o ciclo do 73 A gente voltou, a gente passou 40 dias lá em Florianópolis, e lá eu conheci o Fernando Couto por intermédio de um outro amigo que ele me indicou que era para mim, porque eu sempre tive problema com o nado. O nado sempre foi um problema, e águas abertas pior ainda, por causa do pânico, o pânico que eu tinha, porque eu Eu tive um problema no rio aqui uma vez, que eu entrei com amiga, ele me deixou, e eu não morri por causa da minha cabeça.

Trabalhei minha cabeça para não morrer, que eu hiperventilei, não morri, enfim. Mas ficou esse pânico. E eu falei com um amigo meu lá de Belém, o Edilson, ele me indicou o Couto para acompanhar só para entrar na água. Ele tem assessoria dele lá e tal. Aí eu comecei a treinar com ele, falou, não, tu pode treinar com a gente, pô. Tal dia tem dia de corrida, tal dia é pedal e tal dia natação. Aí tá tudo bem. Aí eu ia entrar no oceano com eles lá e ficava a gente sempre olhando, né, ficar mais tranquilo.

Aí, claro, fui para fazer adaptação e tal para o 73. Eu nunca tinha nadado 1900 metros, só de uma vez. Rapaz, ele pegou e já me botou para treinar com ele já, já ficava me cobrando, tipo como se eu fosse da assessoria dele, né? Aí eu olhei para ele, eu falei, rapaz, eu gostei, continua. Eu gostei, tá me cobrando ali ao vivo. E tinha uns pedais, mandava o horário, local que tinha que chegar. Eu sempre fui chato com esse negócio de horário, não tem que chegar na hora certa, ninguém tem que me esperar, ninguém tá fazendo favor para mim, eu que tô fazendo um favor para mim.

Que tô me ajudando. Então chegue cedo e vá lá e faça, não falhe, entre mudo e saia calado, né? Que é uma regra que eu aprendi viajando. No país dos outros você entra mudo e sai calado, você não fala nada, você só observa. E eu ia lá treinando, treinando, treinando, e peguei, fiz a prova, o fio 73 Florianópolis. Me apaixonei por essa distância. Achei louco aquilo ali. Já tinha corrido uma vez 21 km, não depois de pedalar. Nunca tinha nadado 1900.

Ainda cortaram a natação, cortaram 400 metros da natação. Já tinha pedalado 90, pedal eu já tinha feito pedal de 200 e poucos quilômetros, já tinha feito vários pedais aí longo. Pedal era de menos, o problema era sair para correr, né? Só que o Kenny, ele me treinou muito bem, mesmo eu dizendo que não era assim, não era devagar, tinha que ser rápido, né? Só que ele tava certo, eu que tava errado. Então ele disse, faz a corrida assim, faz o pedal assim, faz a natação assim.

Eu fiz direitinho e saiu. Não olhei para tempo, não olhei para relógio. Eu lembro que na prova Tinha uns staffs que tava fazendo uma churrascada, e acho que lá pelo quilômetro 15 eu falei para o cara, eu falei, pô, podia me dar um pedaço de churrasco aí, né? Aí ele falou, come aqui, pô, quando tu passar de novo tu come. Eu falei, sério? Me dá aqui logo. Aí eu parei, ele falou, e a prova? Eu falei, não, deixa a prova rolar aí, meu irmão, eu tô me divertindo.

Aí botei um churrasco na boca, peguei um pedaço de farofa, botei na boca aqui Peguei o isotônico, joguei na boca, fui embora. Aí o cara ficou rindo, ele falou, rapaz, esse bicho é doido mesmo, tá até comendo na prova. Falei, mano, é diversão. Mas fui embora correndo, terminei a prova. Só que eu terminei a prova tão bem, tão bem, que eu falei, cara, dá para fazer melhor. Aí vim embora para cá, aí já entrei em contato com o Couto.

Falei, escuta, assim, assim, assim, assim, eu tô com um plano para fazer um 73 e tal e tal. A gente já tinha conversado lá, lá em Florianópolis, e eu tô fazendo dieta, eu preciso perder peso e não dá para entrar em dieta no meio do ciclo, porque eu já tinha passado muito mal. Foi que eu continuei fazendo dieta no ciclo, que ela tinha me inscrito em outra prova. Que foi de Fortaleza, o Cabra da Peste. É o Cabra da Peste. Aí eu entrei no ciclo com ele fazendo dieta.

Irmão, passei mal, não foi uma vez nem duas não, mas eu não falei nada para ele, né? Assim que eu tava fazendo dieta, que eu tava comendo pouco, eu tava tomando medicação, aí tinha explicado dos meus problemas de saúde para ele, ele Tudo bem, tu já fez um ciclo do coração, tu não morre. Eu digo, não, não, Fernando, eu, eu tenho rotina de ir no médico. Eu vou semestral ou anual, depende da condição que eu esteja, mas eu vou sempre, eu faço sempre exame porque eu, eu não posso ficar doente, não posso ser mais doente, né, que eu já era doente.

E então tudo bem, bora, a gente começa tal quanto quer começar. Me dá, me dá um mês, aí a gente começa. E tô até hoje com ele, mas vou fazer 7 meses com ele. O foco, depois do que eu comecei o ciclo primeiro, 73, foi quando eu vi o Pedro Valfi, que é lá de Belém também, é um professor que é ultramaratonista, outro atleta, é Cara foda, ele, eu sigo ele, publicou que quer fazer o primeiro B515 dele. Aí eu botei a mão na cabeça assim mesmo, falei, não acredito, não posso ver isso.

Aí eu vi, acompanhei a prova, cara, todo empolado, pode falar. Eu vi aquela prova ali, eu fiquei acompanhando ali pelo Instagram, não tem, não tem ao vivo, não tem ninguém assim, uma pessoa ou outra que filma. Eu comecei a seguir as pessoas que estavam filmando para acompanhar aquela loucura ali. Eu falei, é isso que eu quero para minha vida, eu preciso chegar nisso. Mas para chegar aí é devagar, e bem mais devagar. Eu tenho que ter paciência.

Aí eu montei o plano de que eu já fiz o 73, eu sei como é, eu vou fazer mais 2,73 e vou entrar no FU em 27. Eu tenho que ter caixa para isso. Eu vou fazer esses 2,70 e pronto, eu já tô no segundo, eu vou para o terceiro agora no fim do ano. Aí é outubro, aí só que veio a inscrição do FU, né? Quando eu fui ver o preço, cara, aquilo me assustou. Eu sabia que era caro, mas não é só inscrição, tem outras coisas que envolvem ainda: treinamento, suplementação, peça de bicicleta, tempo, a minha esposa, meus filhos.

Meus filhos não vivem comigo, mas envolve também meus filhos. Então, uma série de trabalho. Como eu vou fazer isso? Situação financeira não tá, não tá muito favorável. Eu só pedi um cartão emprestado e fiz a inscrição. A minha esposa ficou mais ansiosa do que eu. Não, você tem que fazer, você tem que fazer. E eu deitado na rede, cabeça fria. Tá rolando a inscrição, tá rolando a inscrição, e tu não tá nem aí. Amor, calma, vai dar certo, calma, vai dar certo.

Eu tentei no celular ali, que nem a gente deita para mexer no WhatsApp, e tentando, provou, passou. Eu falei, amor, passou, vou fazer o full. Ela ficou mais feliz do que eu. Eu falei, cara, ela tá mais motivada do que eu. Mas assim, eu tento deixar as coisas na normalidade, que é para não criar uma expectativa e ansiedade vir junto.

?Voz B

Ansiedade de novo, claro.

?Voz A

Então eu fico numa boa. Ela ansiosa, feliz por isso, né? Aí eu digo, o cara não caiu a ficha. Eu passei 2 dias acordando para cair a ficha que eu tinha me inscrito. Até porque realização começa aí. Eu já tinha dado o primeiro passo, que era mudança de vida completa. E o segundo passo para realização do primeiro sonho, que era o FU. Que eu acompanho uma galera que já fez vários FU, não os conhecidão, pessoas simples, pessoas que nem a gente, os normais, né?

Os normais que não são normais, são mais perturbados. Aí eu acompanhando a galera e conversa, e pô, galera dá mó atenção no Instagram e fala e tal e diz como é que é. Não, cara, tu vai conseguir, não sei o quê. E as outras pessoas que vê minha lida aqui, as dificuldades que eu tenho, fala, cara, treina, tu treina no lugar desse, tu vai, pô, é bacana, tu consegue treinar onde não é para treinar, onde não dá para treinar, e tu não reclama de nada, tu vai conseguir fazer esse full aí de boa.

Falei, pô, problema não é fazer o full, cara. O problema é fazer o B515, mas eu vou focar no full primeiro. Eu vou fazer, eu pretendo fazer 2 antes de tentar, né? Porque me parece que tem uma entrevista para entrar ali, eu não sei como é que funciona. Então eu fiz a inscrição, tô dentro, tô dentro da, para fazer, né? Bora ver até o ano que vem como é que vai ser isso aí. Mas por enquanto eu tô aqui curtindo os 73, que é uma distância muito gostosa de fazer.

Correr 21 km é muito gostoso. Fiz uma prova esse fim de semana agora lá em Alter do Chão. A prova é tão difícil que ela é mais difícil que tu fazer um 73 em zona 1, e é um olímpico. Só que deu 700 de altimetria em 40 km com sol quente e a umidade altíssima. A corrida deu 100 de altimetria em 10 km, um calor absurdo. E a natação, um passeio. Natação é perfeita, aquele é um lago. É no rio, mas é liso igual uma piscina. Mas, cara, o sofrimento!

O 73 de Florianópolis foi um passeio perto dele. Mas assim, eu gosto de prova dura. Eu fui fazer o Cabo da Peste porque é uma prova dura, a prova no calor, o vento, o pedal é com vento, tem ladeira, e a corrida só no calor, não tem uma sombra. E eu fui lá porque eu preciso endurecer a carne, né? A outra prova que eu vou fazer no fim do ano é um T100 em Mosqueiro. Lá é muito duro, muito. Desde a natação é no rio, a água, a densidade é, pode dizer que é zero, tu não flutua e não pode usar roupa de borracha.

O pedal é no calor e a corrida no calor absurdo. Ainda é uma ladeirinha ainda, mas enfim, eu tô fazendo prova mais dura por causa disso. Para endurecer a carne. E não sei mais parar, não sei. Eu não paro por mim e não paro assim um pouco pelas outras pessoas, que todo dia eu recebo mensagem de gente falando, cara, eu não ia treinar, mas eu vi teu post de manhã cedo que tu acabou de treinar, e o lugar onde tu treina na beira de uma pista e eu tô reclamando porque eu vou treinar numa pista de corrida e eu não quero ir treinar.

E pô, tu foi lá, cara, eu fui treinar. Aí os outros acabam me motivando, eles acham que eu sirvo de motivação, é uma motivação recíproca, claro. Então eu fico assim, eu digo, não, cara, eu tenho que, eu tenho que treinar, não é só por mim não. Agora tem até as outras pessoas que estão contando com, esperando o Paulinho postar. Que treinou. Ah, é 5 km, não interessa, eu vou fazer. O lugar que eu treino aqui fica 17 km daqui, né?

Então a gente tem que ir todo dia. Hoje eu dei uma cortada porque a gente teve que trabalhar mais cedo e tinha esse compromisso com você também. E mais tarde eu já vou, bem aqui do lado da bicicleta, já tá no rolo. Depois do almoço vou ter que sentar aí que eu já tenho Eu tenho bike e tenho uma natação, e essa natação vou fazer no tanque hoje porque não dá, não dá para ir na cidade. A gente tá em época de safra e eu não posso estar saindo muito.

Inclusive tem cacau nas barcaças aqui. A gente não pode estar saindo muito que tem que ficar em casa, né? E não sei mais o que fazer outra coisa a não ser treinar, cara. Isso me ajudou Triatlo me tirou de uma vida que eu não podia, eu não podia ficar mais. Não que eu não gostasse, eu gostava, mas eu não podia mais ficar naquela vida. E hoje eu vivo, eu vivo para o triatlo, basicamente. A minha esposa virou corredora, futura maratonista, já se inscreveu numa maratona.

Consegui levar ela para academia fazer musculação também. Que ela não gostava, do mesmo jeito que não gostava de correr. E hoje a gente vive, vive para o esporte, porque é isso que salvou a gente, salvou até o nosso relacionamento, melhorou e muito, muito, muito, muito absurdo, absurdo, absurdo mesmo como mudou por causa do esporte que entrou assim, tá no meio das nossas vidas e Tudo que me circula hoje é relacionado ao esporte, as pessoas, meus amigos hoje são outros.

Eu troquei tudo. Dos antigos, eu tenho, eu tenho contato com os dois que são amigos mesmo de muito tempo, mas hoje todo mundo que me circula é do esporte, todo mundo, 100%. Tá em casa minha mãe, eu encho o saco dela. Ei, ô mãe! Ô mãe tem quase 79 anos. Mamãe, musculação. Mamãe, musculação. A senhora tem que ir para musculação, fazer alongamento, se mexer. Mamãe, você tem que andar, você tem que caminhar. Seu corpo não pode parar.

Quanto mais a senhora se mexer, mais vida a senhora vai ter. Pois é. Só que é difícil, é difícil tu colocar isso na cabeça de quem, de quem não pratica, né? Até hoje minha mãe fala, fala: meu filho, você, você tá muito mudado. Cara até outro cara. Não mesmo, eu não bebo mais, não fumo mais, não sinto vontade. Tô num plano de 1 ano sem álcool. Em dezembro, em dezembro vira 1 ano, que a última vez que eu bebi foi em dezembro. Cigarro, eu não lembro quando eu fumei, não lembro quando foi a última vez que eu fumei.

Mas o mais interessante é que eu não sinto vontade de fazer essas coisas. Não tenho um pingo de vontade, mas é as cobranças do esporte. Assim, se eu beber, eu vou ter ressaca, eu não vou treinar, eu vou regredir. E isso não faz parte mais da minha vida. Faz parte da minha vida é o esporte. Aí eu não quero mais voltar para onde eu tava, eu não preciso mais daquilo. Não, não tem nada a ver assim com o negócio do reggae. O reggae o reggae não vai sair da minha vida nunca.

?Voz B

Isso você ainda ouve diariamente?

?Voz A

Eu ouço assim em casa, não vou em festas porque normalmente é complicado. Eu não vou nem aniversário mais, cara, é porque normalmente tem treino cedo, né? E me convida para almoçar, eu vou. Ah, o almoço vai sair que horas? É 11:30, meio-dia? Não, é 3 horas. Então eu vou almoçar em casa e vou para o teu almoço. 6 horas da tarde eu tô indo para casa, eu tenho que voltar. Eu virei o chato. Minha esposa tá igualzinha, viu? Nós dois.

?Voz B

Bom, que bom, né? Pelo menos vocês estão juntos aí nessa, fica mais fácil para vocês entenderem, né? E o resto o pessoal vai ter que se adaptar.

?Voz A

É, mas fica, fica bem mais fácil. Mas a ideia, a ideia é continuar treinando Eu preciso monitorar minha saúde o tempo inteiro, que eu preciso ter saúde mental, a lei da física, fazer esse full. Os 73 viraram treinos para o full, eles vão ser encaixados nos treinos para mim fazer o full. Não vou, me cobro um pouco com a relação de Tempo, me cobro, não vou mentir, eu me cobro muito, não é pouco, não deveria, mas já diminuí bastante.

O full eu tô, eu tô tentando não estipular tempo, eu quero terminar, mas o foco principal não é tanto Ironman, é a ultratriatlon. Aquilo me deu um soco que me deixou maluco.

?Voz B

Por quê, Paulo? O que que primeiro você viu no triatlon, né, sendo que você começou sem saber nadar? A tua vida é uma vida que não facilita o treino, né? Então assim, eu vejo muito nítido nos posts, nos seus posts no Instagram, nesses obviamente mais, mais recentes, dos últimos anos para cá, que as pessoas realmente têm se comunicado com você nesse sentido, né? E as suas próprias frases, aliás, você tem umas frases fantásticas, né?

Você disse que é tímido, mas você tá aqui há 2 horas falando para Dedéu. E as suas frases no Instagram são com sarcasmo, com humor refinado, muito legal. Mas O que que você viu no triatlão? E aí, cara, você vai mergulhar de cabeça do jeito que você mergulhou. Tudo isso que você acabou de dizer, né, mudou sua vida radicalmente, mas você não quer parar no full, pelo menos não por enquanto. Você já tá vislumbrando algo muito maior, né? Que que te atrai nisso? Já percebe? Já parou para pensar, cara?

?Voz A

Nunca parei para pensar nisso, que que foi que me atraiu. A princípio eu achava bonito o lance da bike, da corrida, e achava bonita essas bicicletas TT, é pelo jeito assim, o estilo, achava lindo. Só que eu ficava me olhando numa roupa daquela, falei, mano, eu com essa barriga aqui, um macaquinho, não vai dar legal não. Mas não sei, o O prazer que isso gera é inexplicável. Eu não consigo me ver fora disso assim, sem fazer, sem praticar.

Não triatlon em si, o esporte tá no meio ali do esporte, mas o triatlon é porque é um desafio, é muito difícil, é muito difícil. Mas eu demorei a entender que o triatlon não tá no teu corpo, ele tá na tua cabeça. Você tem que ter a cabeça boa para praticar ele, não teu corpo. Teu corpo tá treinado, você consegue, você vai lá e consegue, mas o que te derruba é tua cabeça. E estando com a cabeça boa, o teu corpo tá bom. Eu tinha professor de educação física, Nazareno Abraçado, que ele sempre falava assim: Eu acho que era os gregos que falavam isso, é corpo são, mente são.

Hoje eu entendo isso, que tua cabeça tá boa, o teu corpo fica bem. Eu achava que aquilo era só falácia. Hoje eu já vejo que não tem nada de falácia aqui. Sempre que eu tô treinando, que o corpo começa a querer me derrubar, a minha cabeça já me derrubou 10 vezes, eu falo, não, não vai, tu não vai conseguir. Conseguir mais, tu não vai conseguir. Quem manda aqui sou eu, é o outro eu que tá aqui dentro falando e dizer vai, vai, e o outro tá dizendo não, não, não.

Tu sabe muito bem como é que essa luta aí. Aí eu ainda não consegui descobrir o que que me levou até isso assim, a querer mais, mas eu já vi aquele, aquele Patagomê também. Inclusive eu já até fui lá onde nadam, já fui na cidade Já fui lá, já fui. Eu fui lá quando eu era mochileiro, não fui atrás do triângulo, fui, claro, fui esporadicamente. Foi na época que eu fiz, eu não recordo o nome da carreteira austral, eu fiz andando pedindo carona, né, batendo carona, um vento lascado ali naquela carreteira austral, né, bater lá no Fui bater lá no lugar da prova.

Depois que eu fui descobrir que eu tava no mesmo lugar, no mesmo lugar onde a balsa sai, onde ela entra, eu tenho vontade de fazer.

?Voz B

Você já foi pesquisar o Patagomê?

?Voz A

Já, já. Porque se eu conseguir fazer o B, eu vou fazer, eu vou tentar entrar no Patagomê. Fodaxi, o culto não deixou fazer. O Fodinha, que chama, né? Eu queria fazer esse ano já.

?Voz B

Ele falou, SP.5, falou não faça.

?Voz A

Eu já fiz o Fodaxi, o Fu, eu já fiz o Fodinha, e esse daí eu me, eu te juro, foi mais difícil que o maior. Então eu não quero que tu faça agora, fica mais duro.

?Voz B

Exato, calejar mais, né?

?Voz A

Depois tu faz ele, já que tu quer. Mas bora focar nesse teu full agora. A gente vai entrar num ciclo daqui 2 meses. Então daí tu te embrenha aí onde tu quer ir, onde tu quer chegar, tu que sabe. Mas pelo jeito que tu tá indo aí, tu vai longe, porque do jeito que tá determinado aí, eu espero, né? Mas eu vou pensar nisso daí, o que que me levou a querer tanto assim.

?Voz B

Muito bom. Agora deixa eu arriscar uma coisa aqui. Você hoje, quando acorda para treinar, eu imagino que você não pense mais em melhorar sua saúde ou emagrecer, porque você já entrou num outro estágio. Eu tô enganado?

?Voz A

Já entrei em outro estágio, já não tô mais nesse de perder peso.

?Voz B

É só um resultado do que você tá fazendo, você emagrecer, que você tá mantendo a tua saúde, né? Você tem que se preocupar com diabetes e tal. Será que no fundo você tá querendo ir cada vez mais longe para talvez se distanciar cada vez mais da vida que você levava e que te levou a ter todos os problemas que você teve?

?Voz A

Ela tá aí, eu tô, tu me deu até uma ideia, eu não tinha pensado nisso, mas pode ser que Pode ser que seja isso mesmo, sabe?

?Voz B

Assim, no subconsciente, você, cara, eu não posso voltar para aquela vida de jeito nenhum, porque apesar de ser uma vida bacana, né, você não se arrepende, mas é uma vida que te levou para os problemas de saúde que você teve. E eu digo isso, sabe por quê, Paulo? Eu também tô há muitos anos nessa e tô há 9 anos aqui conversando com gente bacana, como você, mas o triatlon, ele, ele, isso já não cheguei ainda a uma conclusão e talvez não exista uma, mas o triatlon ele puxa a gente para ele, né?

Assim, ele, ele draga a gente para dentro. É diferente se você tivesse fazendo uma corrida aqui, uma ali, ou se você tivesse escolhido, enfim, alguma outra modalidade esportiva. O triatlon, por serem as 3 modalidades, de alguma maneira ele vai te sugando. Né? E se ele não te sugar ou você não gostar, você vai sair dele. E você tá querendo se embrenhar cada vez mais. Então também atrai pessoas talvez que tenham um pouco mais de facilidade nessa, entre aspas, uma compulsão, né, pelo treino, pelo, enfim, para se manterem ocupados e gastarem essa energia e sentirem depois os efeitos bacanas que o pós-treino dá para gente, né, aquele barato.

Ô Paulo, deixa eu arriscar aqui uma coisa. Você, será que você não tá querendo no subconsciente se distanciar o máximo possível da vida que você levava, que te levou até os problemas de saúde que você teve? E nisso você se agarra no triatlão e você quer cada vez mais para você de fato colocar aí um, enfim, encerrar um ciclo definitivo e falar, cara, obviamente eu nunca mais vou conseguir voltar para aquela vida que eu Reserva, mesmo que você não faça eventualmente depois mais um Ironman, um Ultraman, depois que você já experimentar, porque você já sacou, né?

Você tem 45 anos, que, cara, a vida que você leva hoje ela tá muito mais saudável, mesmo, né, com as lesões e com, né, o custo financeiro que tem a gente competir, fazer triatlon e treinar. Mas você quer de fato deixar para trás aquela vida e e enterrar aquele passado, porque te levou para um caminho que poderia ter custado a tua vida?

?Voz A

É, cara, sabe que é tu acordar e sentir prazer de estar vivo? Sabe quando tu termina uma corrida e tu fica com aquela, aquela endorfina, aquela dopamina rodando?

?Voz B

É gostoso, claro.

?Voz A

Pois é, eu acordo assim. Tu imagina o quanto viciado eu tô nessa, nesse estilo de vida, que eu não preciso mais nem praticar o exercício para sentir esse prazer. Então eu nunca tinha tido esse, isso na minha vida. Então hoje eu tenho, hoje eu sinto isso sem prática de exercício físico. Eu sinto prazer em estar vivo. E antes eu precisava de subterfúgio para estar vivo. Eu preciso de, eu preciso de álcool, eu preciso de noitada, eu preciso de prazeres, que hoje eu nem vejo que isso daí não vale nada.

Eu não precisava de nada, eu precisava só me sentir vivo de novo. O esporte me deu isso fácil, fácil, bem tranquilo. Não volto mais. Não consigo, não consigo. Já entrei no automático.

?Voz B

Que ótimo, né?

?Voz A

E fácil. E tava aqui na minha frente, tava tudo entregue ali para mim, eu não sabia, não conseguia enxergar. Hoje eu tento motivar muito, muitas pessoas. A gente que até me chama de chato, só fala de treino. É, mas porque eu não tive ninguém, ninguém me alertou, ninguém me chamou. E tem muita gente que só precisa disso, alguém que te puxe. Ei, vem para cá! Então, ah, tu vai ali, enche o saco de uma vez, enche o saco de uma, duas, três vezes, duas, tu vai conseguir, tu vai, vai, vai.

E quanto mais pessoas eu trazer para cá para esse lado, para enxergar que tem isso. Eles vão me agradecer um dia e vão olhar assim, pô, tava tudo bem ali na frente, eu não via, eu tava aqui nessa, nessa ideia aqui, e hoje eu tô aqui porque, pô, meu amigo, meu amigo lembrou de mim, me tirou daquilo ali que eu tava. Mas tem gente que eu não encho muita paciência, é porque fez bem para mim, então eu quero que que outra pessoa prove disso também, que eu sei que vai fazer bem.

É mais ou menos isso. Mas eu mesmo, daqui, daqui é só para ir mais longe, prova mais longa, treino mais longo, puxar mais gente para esse lado e viver, para viver basicamente para isso, viver para o triátilo, para o treino, para esporte. É perfeito isso. Quando eu penso nisso, me emociona. Eu vou procurar, vou procurar pensar, pensar mais ou menos o que que me levou para— mesmo que eu te mande um áudio com a resposta, mas eu vou procurar saber. Hoje eu ainda não tenho resposta para isso.

?Voz B

Bom, eu acho que é uma ótima maneira para a gente encerrar, Paulo. Você, nessas duas horinhas aqui de conversa, deu para entender exatamente. Eu consigo te compreender certinho aí nessa tua motivação, nessa tua felicidade, porque você nem precisava ter chegado onde você chegou para você descobrir o esporte. Mas cada um tem a sua história, né? Cada um tem a sua trajetória. E talvez, se você não tivesse chegado nesse limite, você não teria acordado, né, para despertar, para mudar de vida.

Eu já recebi aqui uma quantidade enorme de pessoas que tiveram que sim ter um problema de saúde, passar mal, o médico chegar e falar: você vai morrer, então você vai ter que fazer alguma coisa. Mas não importa o caminho, o que importa é que aquele ditado, né, que diz antes tarde do que nunca. E você é um cara que descobriu isso, né, e tá curtindo. E você tá buscando a sua felicidade também através do esporte, porque como você mesmo disse, independente do teu tempo ou do resultado, né, ou da competição, o que você gosta é dessa rotina, desse treino, porque isso dá força para gente, mostra que a gente é capaz Provavelmente você já teve algumas experiências nesses últimos anos sendo um triatleta, que você é muito mais forte do que você imaginava ser, e os treinos já mostraram isso.

Aí é numa situação de vida, num problema, sei lá, né, todos os problemas que a gente enfrenta no dia a dia, um problema na lavoura, um problema de grana, a gente consegue extrair força porque a gente já foi testado num super sprint numa prova de 70,3, e você vai ser testado até o seu OB, que eu tenho certeza que você vai conseguir fazer. Então, cara, parabéns pela sua escolha, vai sim! Parabéns pelas mensagens que você passa no teu Instagram.

Qual que é o teu Instagram mesmo para convidar aqui as pessoas a estarem te seguindo?

?Voz A

Paulinho Triatleta.

?Voz B

Paulinho Triatleta, exatamente. Paulinho Triatleta, tudo junto. Isso. É, pode falar.

?Voz A

É Paulinho e Tratata tudo junto.

?Voz B

Exato. Então que você tenha aí bastante sucesso nessa trajetória e que você siga firme inspirando as pessoas. Os seus vídeos são muito legais, as suas frases não são nem legendas, né, que você põe a frase lá na foto, né. Eu até anotei algumas aqui, deixa eu só achar onde que eu coloquei aqui. Cadê? Deixa eu ver aqui onde é que tá na pauta aqui. Ah, não tô achando aqui, mas, cara, tem frases muito legais que você, que você usa, que vale a pena a gente ver, mesmo quem já tá acostumado com o esporte, quem já tá mordido aí por essa, por esse bichinho aí da saúde, da qualidade de vida.

Mas, cara, as suas frases são muito bacanas. Você é um cara que tem, como eu falei, um senso de humor muito legal. E que você siga, cara, inspirando as pessoas, porque a tua história é muito bacana e é uma prova, né? Você é a prova viva de que uma segunda chance na vida tá aí para todo mundo que quiser, que acordar para mudar o seu estilo de vida e entrar aí numa busca talvez mais mais real, né, do que que é a felicidade para cada um de nós. E a saúde é o alicerce de tudo.

?Voz A

Sim, sim, sim.

?Voz B

Legal, Paulo.

?Voz A

É só continuar, é continuar. Não posso parar mais. Já não sei nem mais o que te falar assim sobre sobre o que fazer. É só chegar lá no ponto que eu quero, que eu quero chegar, e trazer o máximo possível de pessoas comigo, máximo de pessoas possível que eu puder mostrar o que que é, o que que é essa vida aqui. É muito boa, é doido. Fico emocionado o tempo inteiro assim, aqui em casa assim. Eu tenho uns problemas da gente aí, mas é que nem você falou, eu fiquei, acabei ficando mais forte do que eu pensava com os treinos de triatlon e as coisas da vida aí que acontece.

A gente olha assim, não, a gente vai resolver isso, a gente resolve, só ter paciência, a gente resolve. Bem diferente de antes, né? Mas tudo dá certo, vai dar certo, quer dizer, já deu certo, né? Recuperei minha saúde e para mim já tá, já tá ótimo, eu já tenho o que eu mais precisava.

?Voz B

Exatamente.

?Voz A

Quero ter saúde.

?Voz B

Que bom! Muito obrigado, Paulo. Saúde sempre, hoje e sempre para você. E eu vou seguir aqui te acompanhando. Quem tá nos assistindo, nos ouvindo, tenho certeza que também vai ficar curioso, quem ainda não foi impactado aí pelas suas histórias no seu Instagram. E a gente vai acompanhar você, obviamente, lá no Ironman no ano que vem. Aí você volta para contar como é que foi a sua experiência no Ironman. E depois da sua trajetória até o Uber?

?Voz A

Que nem eu digo todo dia, todo dia: bora para cima!

?Voz B

Legal, Paulo, obrigado, viu? Adorei te conhecer, cara, foi um privilégio.

?Voz A

Obrigado também, obrigado pelo espaço, um abraço aí, satisfação. E quando eu for em São Paulo, espero te conhecer pessoalmente.

?Voz B

Vai, vamos sim, vamos dar um trote lá no Parque do Ibirapuera. Valeu, muito obrigado pela sua audiência. Não se esqueça de dar um like, mandar uma mensagem para o Paulinho Triatleta no Instagram e dizer o que que você achou aqui dessa conversa, o que que te chamou atenção. Um cara muito bacana, é legal ver o triatlão, enfim, né, chegando aí nos rincões desse Brasil gigantesco, em de Chocolândia. Então, se você curtiu esse episódio, já tive um episódio aqui com uma outra agricultora e corredora de corrida de montanha, a Ivânia Rambo.

Já teve aqui duas vezes, lá do sul do país, bem distante de onde tá o Paulo, mas uma conversa igualmente interessante, uma pessoa muito bacana como a Ivânia. Já gravei também com o Marco Faria, na época ele era um alto executivo da Claro, ele também é Belém do Pará. Então esse aqui é o segundo belenense que eu trago para bater um papo aqui no Endorfina, sempre buscando trazer aqui representatividade também aqui dentro do nosso Brasil, de pessoas que são tocadas e têm as suas vidas mudadas pelo esporte.

Não se esqueça de seguir o Endorfina no seu agregador de podcasts, aqui no YouTube, se é por aqui que você curte o seu conteúdo. Siga o Endorfina também no Instagram. Quanto mais gente conhecer o Endorfina, mais maior a comunidade que a gente traz aqui para esse universo de boas histórias. E se você acha que esse conteúdo aqui tá colaborando com você de alguma maneira, tá te trazendo algo além de entretenimento, se tá colaborando fazendo você refletir, considere apoiar financeiramente esse projeto e na plataforma Apoia.se, você pode fazê-lo.

Então vai lá no meu Instagram, no Endorfina BR, clica na bio. Na bio você vai clicar ali naquele linkzinho, e aí você vai ser direcionado para uma página onde tem uma abinha escrito Apoia.se, e lá você consegue então fazer um apoio de a partir, já a partir, perdão, já a partir de R$15 por mês. E pode não ser muito, mas se todo mundo colaborar, é uma ajuda importantíssima para que esse projeto continue independente, Endorfina, já com 9 anos de existência, 9 anos e alguns meses.

Então considere apoiar esse projeto e toda ajuda é muito bem-vinda. Então vamos lá, muito obrigado, até a semana que vem com mais um convidado, com mais uma convidada, com uma história fantástica como essa daqui do Paulo Mendes. Afinal de contas, quem é que não gosta de uma boa história, não é verdade? A Z2 lançou o Performance System, uma linha pensada em organizar a suplementação ao longo da rotina do atleta, com produtos que cumprem papéis específicos dentro da performance.

A linha tem 2 produtos, a creatina e o nitrato. E um produto da Z2 que merece atenção é o Salts Pastilha, reposição de eletrólitos no formato inédito no Brasil. Dissolve na boca, repõe sódio, potássio e magnésio na hora, sem precisar de água. Compacto e ideal para treinos e provas. Sabores: limão e menta. Siga Z2 Performance no Instagram e fique por dentro das novidades. Depois de tantas décadas convivendo com atletas e nos últimos anos ouvindo e aprendendo com os convidados aqui no Endorfina, está claro que evoluir no esporte não depende apenas de dedicação e consistência.

Passa também por fazer boas escolhas, especialmente quando o assunto é equipamento. Saber o que faz sentido para o seu momento, para o para o seu objetivo e para o terreno onde você pedala faz toda a diferença. Esse entendimento você encontra na Tupix Bikes, patrocinadora do Endorfina. A Tupix Bikes é importadora e distribuidora oficial no Brasil de marcas como a Factor Bikes, a Santa Cruz Bikes e a Yeti, além de outras referências do mercado.

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Siga @2PEAKS Bikes. Eu vou soletrar: @2PEAKS Bikes. Siga @2PEAKS Bikes no Instagram. Obrigado por ouvir esse episódio do Endorfina. Acesse o endorfinabr.com, vá no do episódio de hoje para conhecer um pouco mais sobre o meu convidado e alguns assuntos abordados em nossa conversa. Lá você ainda encontra todos os episódios do Endorfina. Siga o Endorfina BR no Instagram e confira imagens inéditas e inusitadas dos meus convidados.

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