#475 Cado Santos
O meu convidado de hoje não cresceu apaixonado por esportes. Frequentou por uma década as aulas de natação por insistência dos pais. Também jogou futebol, vôlei, se arriscou no polo aquático e praticou tênis, mas nunca foi aquele garoto ligado aos esportes.
A vida seguiu por outros caminhos e o esporte desapareceu da sua rotina. Formou-se em Publicidade, deu algumas voltas antes de encontrar-se na comunicação. Já com alguns anos no mercado, em 2004, criou a Milk, na época uma agência de comunicação. No ano seguinte, incentivado por sua psicóloga, foi experimentar algo totalmente novo para ele: a corrida.
O que começou apenas como atividade física passou a ganhar mais espaço em sua vida. Em 2008, completou sua primeira maratona. Enquanto acumulava quilômetros, sua agência também mudava de direção. Em 2009, a Milk foi contratada pela Nike e, com isso, teve a oportunidade de se aproximar do universo da corrida. Foram anos de muito aprendizado e contato com a comunidade de corredores. Em 2016, o contrato terminou e a Milk precisou se reinventar. Passou a atender diversas empresas do segmento, ampliando muito sua curva de aprendizado. A pandemia gerou outro ponto de inflexão e, a partir de 2022, a empresa se reorganizou e passou a se assumir como uma agência especializada no mercado da corrida.
Mas não foi apenas a Milk que mudou ao longo dos anos. A sua relação com o esporte também se intensificou. Ao longo de duas décadas, completou sete maratonas, algumas dezenas de meias-maratonas, três L'Étape du Tour e participou de uma etapa do Troféu Brasil de Triathlon para comemorar seus 50 anos. Conheceu novas modalidades, novas pessoas e novos lugares. Em outubro de 2023, iniciou um desafio pessoal: correr todos os dias, sem falhar, rotina que manteve por quase dois anos.
Recentemente, realizou um sonho antigo e correu a Comrades Marathon, uma prova que o fascinava havia mais de duas décadas.
Conosco aqui, o publicitário, empresário, escritor, corredor, aprendiz de saxofonista e esforçado surfista, Diretor Executivo da Milk, uma empresa de inteligência estratégica, relacionamento e experiências de marca no ecossistema da corrida. O paulistano Luiz Ricardo Ferreira dos Santos, conhecido por todos como Cado Santos.
Inspire-se!
Este episódio é oferecido pela @z2perfomance e pela @2peaksbikes
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A 2 Peaks Bikes é a importadora e distribuidora oficial no Brasil da Santa Cruz Bikes, da Yeti Cycles e de diversas outras marcas e conta com três lojas: Rio de Janeiro, São Paulo e Los Angeles. Lá, ninguém vende o que não conhece: todo produto é testado por quem realmente pedala.
A 2 Peaks Bikes foi pensada e criada para resolver os desafios de quem leva o pedal a sério — seja no asfalto, na terra ou na trilha. Mas também acolhe o ciclista urbano, o iniciante e até a criança que está começando a brincar de pedalar. Para a 2 Peaks, todo ciclista é bem-vindo.
Conheça a 2 Peaks Bikes, distribuidora oficial da Santa Cruz e da Yeti no Brasil.
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Eu fui pra lá completamente assim, cara, eu não quero fazer isso, né? Puta coisa chata, vou ter que correr, acordar cedo. A camiseta das Torradas do Balduco não serviu em mim. E aí, os primeiros treinos, minha perna doía muito, né? Eu sofria, sabe aquela dor na canela? Doía muito, né? E eu falei assim pra Tereza, né? Eu falei assim, não, nas 10 primeiras vezes eu vou. E aí eu fui. E aí, cara, o que rolou comigo não tinha a ver com os outros, tinha a ver comigo.
E eu acho que a graça da corrida e a mágica da corrida, ela é essa. Ela é você com você. Hi, this is Brett Sutton.
Eu sou a Vivi Faberini. Olá, aqui é o Emerson Ciserven. Sou o Nicolas César.
Aqui quem fala é a Vitória Lopes. Aqui é o Thiago Drills.
E esse é o Endorfina Podcast. Good luck to all this season. Sou o Michel Bogli e aqui no Endorfina Podcast você conhece as histórias e opiniões de triatletas, Corredores, nadadores e ciclistas, profissionais e amadores. Descubra quem são e o que pensam os seres humanos que vivem o esporte e são movidos à endorfina. Olá, seja muito bem-vindo a mais um episódio do Endorfina Podcast. Esse e todos os episódios são editados pela produtora Pulsante.
Esse episódio foi gravado no Estúdio Estema, onde eu tive o prazer de receber o meu convidado de hoje. Então, se você busca um lugar para gravar o seu conteúdo de áudio e vídeo, procure o pessoal do Estúdio Estema mandando uma mensagem no Instagram, uma mensagem direta no Instagram do Estúdio Estema, que é o seguinte: @estudio, com S mudo, estema, também com S mudo, e 2 M's. @estudioestema. Falando um pouco aqui sobre a minha conversa de hoje, o que você vai ouvir aqui, Assim como meu convidado da semana passada, o professor Walter Tuch, o Ricardo Santos, mais conhecido como Cado, da Milk, ele é um cara aí que tem muitas histórias.
Aliás, ele é um excelente contador de histórias, ele se coloca também como um contador de histórias profissionalmente e pessoalmente, na vida pessoal. Então ele vive de contar boas histórias, e é o slogan aqui do Endorfina, né? Então você vai ouvir aqui muitas histórias interessantes, muitas opiniões muito legais. Se você já ouviu o Cado em outros podcasts, é muito provável que se você conhece ele ou se você ouve outros podcasts do mundo da corrida, você deve ter cruzado já com alguma conversa aí, algum episódio que recebeu o Cado.
Inclusive ele tem também um próprio podcast que ele grava aqui junto com o pessoal do esquema. E aqui você vai ver uma versão completamente diferente. Aqui a gente não vai falar sobre a Miu, que aliás Se você quiser conhecer a Milk, no próprio site da Milk você encontra um vídeo podcast dele, da sócia dele, falando aí sobre a Milk. Então aqui a gente não vai falar sobre a Milk, a gente vai falar, claro, sobre corrida, mas a gente não vai falar muito sobre o running ou a cena da corrida aqui em São Paulo, aqui no Brasil.
A gente vai falar mais sobre o Kado e as motivações dele, e claro, a última grande conquista dele na corrida Ele que também é um corredor, que foi a Comrades que ele participou agora pela primeira vez esse ano. E quando ele esteve aqui, já faz um pouquinho mais aí de mais ou menos um mês, ele tinha chegado fazia pouco tempo e tava com as emoções ainda muito à flor da pele, com as pernas ainda sentindo os 90 km que ele teve que percorrer lá na Comrades.
Você vai ouvir então ele falando sobre isso, sobre amigos imaginários, a lógica de ajudar as pessoas, fazer o bem. É um cara que adora fazer o bem. Beisebol, competitividade, diferentes fases na relação dele com a corrida, o primeiro triatlon dele numa bicicleta de aro 16, aquela bicicleta com um aro bem pequenininho de criancinha mesmo, trabalhar com o que gosta, as descobertas e as dores da Conrads, e muito mais histórias interessantíssimas com esse cara que, como eu disse, é um excelente contador de histórias.
E antes de seguir para o episódio, vou lembrá-lo aqui também de dar um like, de seguir, de dar um joinha aqui no seu agregador de podcast. Se você quer assistir esse episódio, vai lá agora mesmo para o meu canal no YouTube, que é o Endorfina com Michel Boggi. Aliás, já siga o Endorfina, me faça esse favor. Tô querendo chegar a 6 mil seguidores ou assinantes até o final do ano. Já estamos aí na quase na reta final, né, do final do ano.
E antes de também seguir para o episódio, quero agradecer aqui a participação do meu amigo, que coincidentemente ou não por coincidência também é irmão do Cado, que fez uma participação muito legal aqui. Então, Luiz, muito obrigado pela sua participação, deixou o episódio muito mais bacana, muito mais legal. E tenho certeza também pela própria reação do Cado que ele adorou aí, foi pego de surpresa aí com a sua participação. E quero agradecer aqui também aos patrocinadores desse episódio, a Two Peaks Bikes e a Z2 Performance.
E já já eu vou falar aqui sobre eles. Então, muito obrigado a todo mundo que segue, que ouve o Endorfina. E vamos lá então para mais um episódio, mais uma história com um verdadeiro contador de histórias. Afinal de contas, quem é que não gosta de uma boa história, não é verdade? Querido Cacabó, você deve se lembrar que o esporte não ocupava um lugar especial na vida dele. Durante anos ele frequentou aulas de natação por insistência dos pais, também jogou futebol, vôlei, se arriscou no polo aquático e praticou tênis.
Mas nunca foi exatamente alguém apaixonado por esportes. Você também acompanhou quando a vida dele tomou outros rumos. O esporte desapareceu da rotina, ele se formou em publicidade, deu algumas voltas antes de encontrar seu caminho na comunicação. Em 2004, criou uma agência chamada Milk. Talvez você tenha estranhado quando no ano seguinte ele resolveu experimentar algo completamente novo. Incentivado pela sua psicóloga, ele começou a correr.
O que parecia apenas uma atividade física foi ganhando espaço. Em 2008, ele completou sua primeira maratona. Enquanto acumulava quilômetros, a Milk também mudava de direção. Em 2009, a agência foi contratada pela Nike e passou a se aproximar cada vez mais do universo da corrida. Vieram anos de aprendizado, convivência com corredores, eventos, marcas e comunidades. Em 2016, a parceria chegou ao fim e a empresa precisou se reinventar.
Passou a atender diversas marcas do segmento e ampliou sua atuação no mercado esportivo. A pandemia trouxe novos desafios e, a partir de 2022, a Milk assumiu definitivamente a corrida como seu principal território de atuação. Mas não foi apenas a empresa que mudou ao longo dos anos. Você foi privilegiado quando acompanhou a corrida passando a ocupar um lugar cada vez mais importante na vida dele. Vieram 7 maratonas, algumas dezenas de meias maratonas, 3 etapas do e até uma etapa do Troféu Brasil de Triatlão escolhida para celebrar os seus 50 anos.
Vieram novas amizades, novos lugares e novas histórias. E você também estava por perto quando ele decidiu levar essa relação ainda mais longe. Em outubro de 2023, iniciou um desafio pessoal: correr todos os dias sem falhar, rotina que manteve por quase 2 anos. Recentemente, ele realizou um sonho que acompanhava havia décadas e correu a Comrades Marathon, Na África do Sul, uma das provas mais tradicionais e emblemáticas do mundo.
Mas pensando bem, Cacabó, talvez nada disso seja o mais importante, porque você sabe que as melhores histórias nunca foram sobre quilômetros, medalhas ou linhas de chegada. Foram sobre pessoas, encontros, descobertas, e sobre a forma como a vida muda quando a gente encontra algo que faz sentido. Conosco aqui hoje, publicitário, empresário, escritor, corredor, Aprendiz de saxofonista e um esforçado surfista, diretor executivo da Milk, uma empresa de inteligência estratégica, relacionamento e experiências de marca no ecossistema da corrida.
O paulistano especialista em contar histórias, Luiz Ricardo Ferreira dos Santos, conhecido por todos nós como Cado Santos. Seja muito bem-vindo.
Caramba, velho, obrigado!
Prazer te receber aqui, cara.
Obrigado, Michel. Nossa, eu tô arrepiado aqui, cara, que legal! Que legal, obrigado, adorei muito.
Que bom, queria te fazer essa surpresa.
Sim, fez.
Eu fui vendo, né, querido Cacabó, querido Cacabó, e Cado, Cacabó, Bocó. Eu fiquei imaginando o que que era esse Cacabó, achei que fosse um voo, um pai. E eu fui até o post no teu Instagram, não consegui, né, ir até o final, que eu vi o seu livro. Eu não tinha ouvido falar desse livro em fevereiro de 2023. Aquele do Cacabó. Até tentei comprar, não tem mais na Amazon, não tem ainda. Eu pensei, eu vou pedir para o Cadu ver se me traz um exemplar.
Agora eu vou te pedir, me traga um exemplar. Se você tiver, eu vou lá pegar na tua casa. Mas eu falei também, não quero revelar, né, a história do Cacabó. Mas enfim, cara, finalmente, finalmente você veio ao Endorfina. E eu tenho que fazer um aviso aqui para você e para todo mundo. De todos os convidados que não são celebridades, porque as celebridades a gente já espera, né? Eu tô na fila do Rodrigo Hilbert, ó, há anos. Mas você foi o cara mais difícil.
Que isso?
É, que isso?
Primeiro porque você participa de— eu não me recordo de alguém que tenha participado tanto de podcasts como você.
Eu sou muito arroz de festa, né, cara? Eu vou—
não é nem bom nem mal, só tô comentando, né? Aí eu falo, cara, mas o que que eu vou conversar com o Cado, né? Que que eu vou conversar com o Cado? Tanto é que eu cheguei para Yara e falei, Yara, vamos ver o seguinte, deixa eu gravar com a Ju. Aí de repente a Ju começa a participar de um monte de podcasts, ela também não tem agenda, né? Nós chegamos a marcar e aí a Yara disse que não ia dar e tal. Aí eu falei, quer saber, eu tenho uma coisa aqui, Cado, que já tô há 9 anos e pouquinho, né, nessa cadeira aqui.
Um dos primeiros, né, Michel?
É, eu assim, eu acho que de esporte que não seja futebol, nem talvez o primeiro mesmo, né? Legal. Mas Aí eu falei, cara, tem horas que eu falo assim, eu não vou ficar indo atrás, né? Tem uma hora que vai rolar, sabe aquilo lá de alinhar as estrelas? E no nosso caso aqui agora, eu acho que foi o momento ideal. E eu sempre digo isso, mas não é retórica não, é porque eu sempre acho isso mesmo quando eu digo. É porque, cara, você fez a Conrad, você tá numa fase talvez pós-pandemia, né, já de 6 anos ou 5 anos ou 4 anos pós-pandemia, onde também muita coisa já mudou.
Você tem muitos podcasts atuais, mas você tem muitos podcasts também não tão atuais. E aí eu falei, cara, quer saber, agora acho que chegou a vez do caldo. E que deu certo, né? Porque finalmente você entrou aqui por essa porta, não para gravar o seu podcast, mas para participar do meu. Porque ainda eu pensei, né, tomara que a Yara não me escreva, abri hoje o WhatsApp cedinho dizendo que houve algum contratempo e você não vai poder participar.
Mas, cara, A gente não tá aqui para falar se o Tostini é mais gostoso porque vende mais ou se ele vende mais porque é mais gostoso. A gente não vai falar isso. Eu não quero ficar abordando esse tema se a Milk é uma agência, se não é, né? Com todo respeito, assim, quase todos os podcasts que eu ouvi, os temas são mais ou menos esses. E claro, porque é sua vida, é a sua história, as pessoas te procuram por causa da Milk, você conta do lançamento do Sky e tudo mais.
Mas eu tô mais interessado no Cado, né? De um sedentário, você foi fumante, você não era um cara que era escolhido nos times de escola, né? E de repente você acabou de participar faz 10 dias, esse podcast vai ao ar daqui a um mês, então vai ter, vai fazer um pouco mais de tempo, mas assim, você ainda tá com esse cheirinho da África do Sul, sim, né? Que é um país fantástico. Então eu quero ir um pouquinho mais a fundo. E quem quiser ouvir as suas histórias, a sua opinião sobre o mercado, a sua expertise toda adquirida em 21, 22 anos, né, de mil, de 22, vê que eu estudei, né?
Isso aqui é tipo um vestibular para mim, você sabe, né? Eu comecei pela redação, que é a parte mais difícil. Ouça todos os outros podcasts, ou quase todos. E quem quiser ouvir você falando livremente, né, no Radar Extrema, no Radar Extrema, que foi cria sua, mais ou menos, mais ou menos, é porque ele é muito jornalístico assim, é um formato legal e é um formato que eu entendo que tem um espaço gigantesco na mídia, não só esportiva, né, mas esse formato jornalístico é muito bacana, né, haja vista que tem muita gente aí fazendo bastante sucesso.
Mas sendo que você já conversou sobre muitos assuntos profissionais e algumas opiniões pessoais, eu quero te começar fazendo uma pergunta: o que que você gostaria de falar que você nunca falou, que nunca te perguntaram, ou um tópico que nunca foi pauta de nenhuma conversa que você já participou? Tem alguma coisa que você fala, pô, mas eu queria ter falado daquilo e no meio da conversa não rolou? Porque a gente já pode começar por esse.
Nossa, Michel, eu acho que, puta, de bate-pronto assim, mas eu no final das contas, né, eu sempre que sou abordado, eu participo de alguma coisa, é sempre sobre isso que você falou, né, sobre essas entrevistas de podcast, de falar da Milk, de falar da, às vezes, da minha relação com a corrida, né, da Mas sempre sobre a Milk e sobre comunidades de corrida e como que eu entendo marketing esportivo e tudo mais. Mas, cara, eu acho que tem uma coisa que talvez seja um motor por trás disso tudo, é, e que não necessariamente tem a ver com a Milk, tem a ver com o mercado de corrida, com o mercado de marketing e tal, que é É, acho que ter uma vida equilibrada emocionalmente assim e tentar sempre, eu falo de uma forma meio aparentemente rasa, mas que para mim tem bastante profundidade, que eu digo que tudo que a gente faz a gente tem que ser legal, né, e tem que ser legal num âmbito muito amplo.
Né, alguns anos atrás, isso foi no começo da Miu, que apesar de não ter nada a ver com o nosso negócio— nossa, você tá me fazendo revirar umas coisas aqui muito, muito malucas. Mas acho que no nosso negócio da publicidade E eu sou formado em publicidade, apesar de que eu acho que a Milk é bem diferente de uma agência. A gente é bem mais parecido com uma consultoria com execução do que com uma agência. Mas dentro do nosso negócio, a gente vive muito de ideias, né?
As pessoas compram ideias, né? A gente apresenta uma ideia maluca e a gente acaba executando essa ideia maluca, como eu já contei em vários outros podcasts. Só que existe uma, uma apreensão dos publicitários de contar a ideia e a ideia ser roubada, né? E no começo da Milk, eu me lembro que eu passava às vezes umas aflições de que quando eu chegava para apresentar um projeto, porque acho que quando a gente começa um negócio, né, a gente é um pouco mais Ah, mais inexperiente, ou mais, e também com mais vontade, né?
Então a gente acabava desenvolvendo projetos sem as marcas saberem que a gente existe, né? Então a gente desenvolvia um projeto, batia na porta da marca, falava assim: Coca-Cola, acabei de pensar uma coisa muito louca para vocês, vocês precisam ouvir, né? Como se a gente fosse resolver o problema da Coca-Cola, mas enfim, a gente achava isso. Só que ao mesmo tempo era muito aflitivo de você apresentar a ideia e a pessoa pegar a sua ideia, como algumas vezes já aconteceram.
Claro que a gente nunca vai conseguir provar essas coisas, mas algumas vezes já aconteceram da gente apresentar um projeto que ninguém pediu para a gente apresentar e passa um tempo, a marca apresenta, lança um projeto muito parecido com a nossa ideia. Assim, já aconteceu isso com algumas marcas conhecidas inclusive, mas como é que não dá para afirmar? Porque de repente os caras estavam tendo uma ideia parecida, né, e a gente apresentou alguma coisa muito parecido com que eles já iam fazer, enfim.
E eu me lembro de uma vez que eu conversei, eu saí de uma reunião com a Sony Ericsson, né, falecida Sony Ericsson, que fazia celulares antes do advento do iPhone. Isso, a gente apresentou um projeto, cara, e era muito irado o projeto, muito, muito, muito, muito irado. E a gente apresentou o projeto e aí a cliente virou e falou assim, não sei se vai rolar, se não vai rolar, tal. E eu saí de lá Aflito, aflito, porque eu falava assim: esse projeto, ele não serve para ninguém.
Se esse cliente não comprar esse projeto, eu não consigo apagar a marca Sony Ericsson e levar para Nokia, porque ele foi feito para isso, né? E eu falei, eu pensava assim: eu não devia ter contado. E eu super aflito. E aí eu liguei para o meu pai para contar essa história, e a gente teve uma conversa até filosófica sobre isso, né, de que a gente precisa contar porque as pessoas precisam saber que a gente sabe e que a gente tem boas ideias.
E aí ele me acalmou com uma coisa, e eu já vou conectar com uma pergunta mais profunda, né, ainda tô falando de negócio, mas E ele falou assim para mim: do mesmo jeito que você teve essa ideia, essa é a tua essência, você sempre vai ter, não se preocupa, elas não vão acabar, né? E eu de fato me acalmei nessa hora. Só para concluir essa história da Sony Ericsson, eles não fecharam o negócio, mas passaram 6 meses, eles chamaram a gente e falaram assim: a gente vai fazer o negócio.
E a gente fez uma ação Enfim, também não vou me aprofundar nisso porque não é a pauta. Mas eu acho que junta isso, Michel, com uma coisa assim, às vezes é uma marca, né? E quando você fala de uma marca, a marca ela é um, não sei se a gente pode chamar de um organismo, mas ela é um treco frio, é diferente de uma pessoa, né? Mas em determinadas situações eu me sinto eu, pessoa física ou pessoa jurídica, eu me sinto ajudando às vezes marcas e às vezes pessoas, né?
E bem no começo da Milk eu cheguei a uma conclusão lá atrás e que eu trago isso para sempre, que é de ajudar as pessoas. E muitas vezes essas pessoas elas estão em empresas e elas são projetos. Mas eu entendo, eu passei a acreditar numa coisa e eu acredito bastante nisso até hoje, que é muito bom ajudar as pessoas. E eu cheguei a começar a rascunhar um livro sobre a lógica de ajudar. E sempre que eu tenho a oportunidade de parar para conversar com alguém, e aí é muito da minha característica, né?
Eu muitas vezes eu acabo funcionando em algum, algumas vezes como uma espécie de psicólogo, né? As pessoas vêm conversar comigo falando algumas coisas e eu me meto a ajudar, cara, mesmo assuntos que eu não entendo porra nenhuma. Eu gosto de ajudar, né? Eu sou aquele cara, sabe, você vê um carro quebrado na rua e você fala assim, eu vou ajudar. Eu não entendo nada de mecânica, mas eu vou lá, eu vou tentar entender, eu vou abrir mantendo direitinho isso.
O ChatGPT aqui, vou falar assim, meu, ó, ChatGPT, tá saindo uma fumaça ali do negócio. O que que a gente faz aqui? Eu sou esse cara, né?
Aliás, isso hoje em dia é incrível, né?
Incrível, né? Então eu acho, e aí tentando trazer, né, o que que eu gostaria de falar, cara, eu acho que a gente vive uma sociedade, né, um, e não tô falando de agora, eu acho que sempre foi, né? Você vai falar assim, as redes sociais elas estão deixando as pessoas mais doentes, o tempo de tela e tal. Eu concordo com tudo isso, Mas eu acho que sempre foi uma coisa das pessoas, muitas pessoas não enxergarem a lógica de ajudar. Não é, não é a coisa sutil da, ah, você vai ajudar, vai te fazer bem porque você tá ajudando o próximo.
Não, não é isso. Eu acho que quando você ajuda outras pessoas sem buscar nada em troca, é como se— e falando de uma forma bem pragmática e bem fria, tá— é como se você tivesse semeando. E não é que eu tô ajudando as pessoas porque eu quero algo em troca, mas assim, eu tô ajudando as pessoas porque eu quero que a minha reputação seja construída com base nisso. Eu quero que as pessoas entendam que eu sou uma pessoa que posso ajudar.
E quando eu falo ajudar, eu não tô falando de vender ou de fazer negócio, eu tô falando do prazer que eu tenho de poder conversar com as pessoas, entender um problema que ela tenha. Se for um problema que eu entendo, né, que hoje é muito o mundo da mídia e tal, cara, eu tenho o maior prazer do mundo em sentar e conversar e ajudar essa pessoa dentro de uma empresa, ou essa pessoa como um influenciador, como um atleta. Então Eu gostaria muito de aprofundar, assim, para eu falar sobre isso eu precisaria me aprofundar sobre isso, mas eu gostaria muito de me aprofundar para poder falar sobre como é que a gente se sente bem, como é que a gente se sente útil para as outras pessoas e o quanto que isso é importante para nossa vida.
Isso não tem a ver com negócio, não tem a ver com nada. Acho que eu gostaria de falar sobre isso.
Cara, curioso você ter falado isso. E porque, cara, assim, para mim isso é muito importante. E eu acho que eu tenho realizado isso agora. Eu sou um pouquinho mais velho do que você, mas a gente é, vai, a gente pode dizer que a gente é da mesma idade. Ainda tenho 3, 4 anos a mais do que você. Mas esse acho que tem sido um dos efeitos colaterais positivíssimos da gente ter mais idade. Eu acho que a gente tem essa maturidade, né, que tem muito a ver com o tempo que a gente tá em pé nessa terra fazendo um monte de coisa, acertando, errando.
Mas, e eu tenho procurado passar muito esses valores para as minhas duas filhas, para minha esposa e para as pessoas que por acaso sabem que eu tento ajudar as pessoas Literalmente gratuitamente e metaforicamente gratuitamente, né? E eu tenho percebido um padrão em mim, cara, que isso tá sendo assim, às vezes eu fico aflito com a aflição do próximo. E aí às vezes eu falo, cara, mas calma aí, também não pode fazer mal para mim.
Mas eu penso, cara, mas a pessoa tá muito mais em necessidade do que eu. E talvez nesse momento eu esteja numa condição melhor de dar, talvez não, ainda não passei por uma aflição pior do que a das pessoas que eu tento ajudar, além das minhas próprias aflições. Mas, cara, isso tem feito um bem para mim e principalmente aí, né, eu, nós somos pais, mas assim, pelo fato de que eu não fico esfregando isso na cara, que não é um distintivo, né?
Olha, essa aqui é a minha medalha, eu sou um bom samaritano. Mas fica nas entrelinhas e de vez em quando até explicitado, né? Principalmente com a minha filha mais nova, que tem 9 para 10 anos. Então assim, você tá naquela fase de deixar o máximo de informações, exemplos possível, porque daqui a pouco eles vão, né? Você já tá aí nos seus aí, quase saindo da adolescência, já é outro, né?
Sim.
Mas curioso você falar isso, cara. E eu percebo que para mim, cara, eu vou te falar que eu já parei pelo menos umas 3, 4 vezes há muitos anos no meio da marginal para ajudar a trocar pneu de pessoas que estavam paradas lá e eu achava pelo visual que talvez não tivessem força. Cara, daqui que eu desparafuso pelo menos os 4 parafusos da roda. Envolve risco, né? Você não sabe se a pessoa vai se sentir bem ou mal, mas você oferece ajuda, né?
E agora, curioso você falar isso também, porque eu tenho tido mais reflexões que aí também, como as coisas mudaram muito nos últimos anos, Principalmente com relação ao que é politicamente correto, ao que é machismo exagerado e tudo mais. Mas principalmente quando eu tô pedalando e vejo uma mulher parada trocando pneu, a primeira coisa que eu penso assim, cara, deixa eu ver se ela precisa de ajuda. Não no sentido de que ela não saiba ou não consiga trocar um pneu, sim, mas eu tenho me policiado e muitas vezes eu não tenho cumprido. Se é um homem, eu paro na hora. Ou pergunto na hora.
Olha que interessante, né, cara?
Inverter uma lógica que nem sempre é uma descompensação minha isso, mas assim, eu preciso conversar mais com mulheres. Mas o dia que a minha filha mais velha, que tem 26 para 27, chegou para mim, e ela era meio feminazi uma época, ela vai estar ouvindo essa conversa, ela talvez não goste, mas ela falou, pai, eu não preciso ter um namorado, eu não preciso de ninguém que abra a porta do carro para mim, não preciso que alguém que espere eu entrar passando na frente.
De fato, ninguém precisa disso, mas como eu sou à moda antiga, eu falo, cara, aí fico pensando, mas que custa, né? Eu abrir a porta do carro para minha esposa ou para minha filha ou para você, né? Mas esse prazer de ajudar os outros, né, um altruísmo, cara, é muito, é muito bacana. Mas eu acho também que assim, é legal a gente exercitar isso para nós mesmos, para nossa própria para o nosso próprio bem-estar e desenvolvimento, mas também é legal a gente exercitar isso, porque eu acho que aquela frase de que o bem espalha o bem, eu acho que é muito verdade, cara.
Assim, tipo, se a gente, tipo, se eu não vou te trapacear, se eu não vou te colocar para baixo em nenhum momento, se eu não vou na largada do triatlo puxar o teu pé, e a gente já viu isso muitas vezes acontecer na época que eu era triatleta, cara, não vou cortar caminho, não vou, né, não vou Enfim, pegar 5 copos d'água para você não ter água, né, quando você passar lá atrás para tomar numa coisa. Cara, eu acho que eu tô tentando deixar o mundo mais agradável, menos, né, porque o mundo assim, a gente podia aqui enveredar para outro assunto, mas o mundo, né, é cheio de coisa ruim.
Mas eu acho que nós conseguimos fazer a diferença, e mesmo que seja no nosso métier, dentro dessa sala, nessa nossa conversa, ou com a nossa família, ou com os corredores que você impacta, né?
Eu acho que é muito, eu acho que é muito isso, Michel. Acho que assim, eu não acho que a gente vai mudar o mundo, não. Eu acho, mas eu acho que a gente tem que fazer a nossa parte.
Exato.
É, sem loucurinhas, né? Eu acho que assim, se você tem um radicalismo, eu acho assim, se você tem, cara, isso como propósito de vida, se você vai de fato, isso te motiva você transformar mais gente, você De repente montar uma ONG, de repente você fazer um movimento muito maior para ajudar, eu acho maravilhoso. Mas eu acho que minimamente, minimamente a gente tem que fazer a nossa parte.
É porque tem que partir da gente, do indivíduo para o coletivo, né?
E eu acho que assim, a gente já... Você gera um prazer quase egoico quando você ajuda uma pessoa, porque você se sente potente por ajudar uma pessoa, né? Então você tem um prazer no seu ego, né? E que tá tudo bem. E que tá tudo bem, né? Então eu acho que talvez a solução, né, quando você vê uma mulher com pneu furado de bike, você pode chegar do lado dela e falar assim, sem falar que eu acho que você consegue, mas você gostaria, né?
De repente a gente vai ter uma etiqueta nova, né? Senhora, dá licença, eu tenho certeza que a senhora consegue, mas se a senhora precisar de ajuda, eu tô aqui, tá? E aí vê o que acontece, né, cara?
Mas olha, cara, eu depois de você ter tocado nesse assunto completamente, né, não tava previsto, mas assim, a partir de hoje, a partir de amanhã, eu vou me oferecer se eu achar que a pessoa também tá lá parada, né? Na ciclovia, às vezes assim, você vai, a pessoa tá lá, aí você volta, a pessoa continua lá, aí você vai, a pessoa tá lá. E muitas vezes eu não parei Porque eu sei que também tem mulher que é um pouco mais radical, sei lá, né?
Eu já fui criticado aqui no Endorfina, no bom sentido, mas assim, cara, para de chamar as meninas de meninas, por isso você tá infantilizando a mulher.
Ah, tá bom.
Eu refleti, eu não chamei mais. Eventualmente escapa, às vezes eu peço até desculpa, né? Porque a gente não fala assim, cara, e os meninos lá da Milk? Você não fala, mas você fala, e as meninas lá?
Especificamente na Milk não tem meninos. O único menino que tem na Milk sou eu. Só tem mulher na Milk hoje, cara.
Mas enfim, eu vou, eu vou, eu vou, aliás, vou perguntar para Gisele Gasparotto, né, que grava aqui, a Analídia. Agora eu vou perguntar para elas, que elas estão bem inseridas no mundo do ciclismo e do triatlon, se é, se pega mal você oferecer ajuda, né?
Escrevam aí nos comentários, né?
Não, cara, eu já emprestei bomba, já troquei pneu de tanto homem, já dei câmera para tanto homem. Por que que eu não posso fazer isso para as mulheres, né? Depois de tantas décadas convivendo com atletas e nos últimos anos ouvindo e aprendendo com os convidados aqui no Endorfina, está claro que evoluir no esporte não depende apenas de dedicação e consistência. Passa também por fazer boas escolhas, especialmente quando o assunto é equipamento.
Saber o que faz sentido para o seu momento, para o seu objetivo e para o terreno onde você pedala faz toda a diferença. Esse entendimento você encontra na 2Pix Bikes, patrocinadora do Endorfina. A Tupix Bikes é importadora e distribuidora oficial no Brasil de marcas como a Factor Bikes, a Santa Cruz Bikes e a Yeti, além de outras referências do mercado. Mais do que vender bicicletas, vestuário e acessórios, a proposta deles é orientar você.
A Tupix foi criada para atender quem busca dar o próximo passo no esporte, seja no ciclismo de estrada, no mountain bike, no gravel ou no triatlão. A lógica é simples: cada ciclista tem uma necessidade diferente, e o papel da equipe da 2Pix Bikes é ajudar você a fazer escolhas melhores, mais conscientes e mais eficientes. Essa filosofia se reflete também nos espaços físicos. Na loja do Rio de Janeiro, o ciclista encontra manutenção de alto nível, bike fit, café e espaço para encontros e eventos.
Em São Paulo, na Avenida Faria Lima, além de uma oficina especializada, a unidade recebe clientes e amigos para treinos aos finais de semana. Já a loja de Los Angeles segue exatamente o mesmo padrão, a mesma curadoria e a mesma essência. Por tudo isso, é um prazer ter a Two Peaks Bikes ao lado do Endorfina. E fica o convite: se você está buscando orientação para melhorar seu equipamento, entender melhor suas escolhas ou simplesmente pedalar com mais qualidade, vale conhecer a Two Peaks Bikes, distribuidora oficial da Santa Cruz Bikes, e da Yeti no Brasil.
Siga @2peaksbikes. Eu vou soletrar: @2peaksbikes. Siga @2peaksbikes no Instagram. Mas vamos lá, deixa eu fazer um parênteses e contar um causo rápido, né?
Eu, um dos letapes, né, que você falou que eu fiz, foi quando eu resolvi fazer, eu fiz 2 curtos e um inteiro.
Sensacional, de Brompton.
Não, não, nem ia contar do de Brompton, mas sim, fotos que você tem de Brompton é muito bom, né?
É muito interessante.
Não, mas quando eu fiz dois curtos, né, um de Brompton e o outro não, e eu fiz um, eu resolvi fazer um inteiro. E nesse inteiro, cara, a gente tava falando antes de entrar no ar sobre meu irmão, né, cara? Você conhece bem meu irmão, gosta dele, eu também gosto muito. Meu irmão, puta, ciclista dedicado, né, cara? Um cara que já fez porrada de etapas e tal. E meu irmão foi o cara que meio me carregou para o pedal, né, cara? Era muito legal porque o Nando fazia uma coisa assim, ele meio que organizava o rolê assim, né?
Ele falava assim, ó, cara, você tem que levar isso aqui, você tem que levar isso aqui, isso aqui. Ele montava o bagulho para mim, né? Então ele falou, não, isso aqui você vai botar no bolso assim, tipo pai, né?
Legal. Ele é mais velho?
Ele é mais velho. E sempre foi muito, muito fofo, muito querido com tudo e tal. E aí quando a gente ia fazer os treinos, a gente ia pedalar em campos, né? E ele sempre com a coisa, ó, teu kit tá aqui, você tem, beleza. Nesse Letap especificamente, ele não cuidou das minhas coisas. E acho que ele deve ter falado assim: vai te catar, você é grande, você se vira. Algo parecido com isso. E aí eu juntei as coisas lá para levar no Letap, e era a primeira vez que eu ia fazer o inteiro, né?
Então eu tava tenso, tava apreensivo e tal. E beleza, botei minhas coisas no bolso e tal. Você já fez Letap, você sabe como é que é, né? Larga. Subida de Itapeva, né? Eu biquei lá no Itapeva, comecei a pedalar, de repente eu falei: eita, porra, furou o pneu do bagulho aqui, cara. Beleza, tô com tudo aqui, né, cara? Peguei, abaixei, pneu da frente, graças a Deus, né? Mais fácil, mais fácil, pneu da frente e tal. Eu, a hora que eu prestei atenção, eu falei assim: eu não trouxe a bomba.
Nem CO2, nem mão, não levei. Cara, eu tava só com a câmera. Aí você falou assim, ofereço ajuda, faltou você, Michel. Cara, aí eu troquei o pneu.
Até no Letap eu já ofereci, cara, você tem ideia. A pessoa não quis.
É que você com certeza estaria muito na minha frente. Mas, mas, cara, aí eu parei ali, troquei o pneu e parei, cara, e fiquei esperando a moto da Shimano passar. Pergunta se eu tinha anotado o telefone para pedir ajuda. Óbvio que não, óbvio que não. E aí passou o alemão, sabe quem é o alemão da Shimano?
Passou o alemão da Shimano, parou falou, tá precisando?
Eu falei, por favor, cara. E ele encheu meu pneu. E no final eu fui desclassificado por tempo, né?
Ah, estourou o tempo.
É, estourou meu tempo. Eu terminei a prova, só não entrei no Machadinho. Terminei a prova, mas enfim, faltou você ali para me oferecer ajuda.
E isso é uma coisa, cara, você sabe que só para terminar esse assunto da bike agora, pelo menos, mas em 1990 eu morei na Suíça quase um ano com ciclista profissional português, Acácio da Silva, ganhador da camisa amarela em acho que em duas etapas, da rosa diversas etapas. Aliás, já gravei com ele, é um cara muito querido, Acácio da Silva. Eu conheci ele aqui no Brasil porque ele vinha para o Brasil para se tratar dos dentes, era amigo do Fernando Nabucco também, que era meu padrinho de casamento e tal.
E fiquei amigo do cara e eu fui morar na Suíça e ele falou, cara, vem morar aqui comigo. Aí passei alguns meses com ele E aí nessa época eu era triatleta profissional, eu saía para pedalar algumas vezes com ele, claro, quando ele não estava competindo nem em fase competitiva.
E aí assim, senão era impossível, é isso?
Impossível, não, impossível, é literalmente impossível. Assim, a hora que o cara quer, né? Com Mauro Ribeiro já foi assim quando eu fiz o Race Across America com ele e tal. Assim, a hora que o cara quer, você até vai com ele, ele deixa. Quando ele deixa, você até acha que você tá indo bem, né? Mas a hora que o cara quer, é igual os caras de bicicleta elétrica na ciclovia, cara, assistida. Você tá bem, você fala, pô, tô bem, tô atrás do cara de bike elétrica.
De repente o cara faz alguma coisa ali, cara, que é tipo um sprint. Mas, cara, era legal porque ele era um cara português na Suíça, um cara super extrovertido, um cara bacanérrimo, falante e tal. Mas, cara, ele pedalava acenando o tempo inteiro para as pessoas.
Né?
E eu falei, cara, que legal! Isso 1990, 91. Eu falei, cara, que legal, né? E aí eu voltei para o Brasil eventualmente e eu pensei em fazer isso e tentei fazer, mas você não tem a reciprocidade a maioria das vezes, né? Então assim, isso já seria uma coisa que se todo mundo se cumprimentasse, né, no elevador, na calçada, a gente que anda muito a pé, cara, né? Você tá andando aqui pelo Itaim, olá, bom dia! Ou você olha, dá um sorriso, né?
Você vê que tem gente que não olha, tem mulheres que não olham, e eu não vou recriminar porque às vezes acham que você vai assediar, vai olhar de uma maneira, né? Enfim, mas eu acho que você poder fazer o bem, seja com um sorriso, né, seja dando um bom dia no elevador ou trocando o pneu na marginal ou ajudando com uma ideia a uma empresa, eu acho que isso, cara, não tem efeito colateral negativo.
De novo. Sim, e mesmo que a pessoa não cumprimente de volta, tá tudo bem.
Exato, exato. Mas, cara, eu quero— a gente não tá começando literalmente agora, mas eu quero começar do começo, do seu começo. O fato de você ter tido uma relação não próxima com esporte, porque eu já recebi muita gente aqui que era fanático, que quis ser nadador, que quis ser jogador de futebol profissional, né, que jogava vôlei na seleção da escola e tal. Você não teve uma relação muito próxima com esporte. É, agora você que já é um corredor, um ultramaratonista, nós vamos falar de Conrades, claro.
Quando você olha para trás, você acha que aquilo teve alguma influência na forma como você passou a enxergar o esporte? Tipo, deixa eu recuperar o tempo perdido. Tipo, meu, agora eu vou mostrar para mim mesmo que eu sou um cara que gosta de esporte. Porque o esporte tem a ver naquela época com competitividade, tem a ver com autoafirmação, tem a ver com pertencimento. Hoje também, né, depois de uma certa idade também a gente também busca esse pertencimento.
Você quer fazer parte da comunidade, você trabalha com isso, né, você vende isso. Mas a partir de uma certa idade, né, de uma certa maturidade— idade eu não digo necessariamente biológica, cronológica, mas eu digo uma idade de maturidade— a partir de uma certa maturidade, então não é idade, aquilo tem muito mais a ver com o que aquilo significa para você, pela saúde, pelo bem-estar, né, pelas endorfinas, dopaminas e tudo mais.
Você acha que teve alguma coisa, alguma influência essa tua menor relação ou pouca relação com o esporte, com a maneira como você acabou vingando na corrida?
Sabe fazer uma sessão, algumas sessões de terapia para chegar nessa resposta, cara? Não tem nenhuma pretensão de ser terapeuta, mas eu acho que não, não, eu acho que não. É porque eu não gostava de fazer esporte, nunca. Eu, cara, o esporte, eu acho que agora é um achismo, achismo mesmo. Eu acho que o esporte competitivo ele sempre me incomodou porque eu não era bom. Então eu tava sempre para trás, cara, era sempre sofrido para mim o esporte competitivo.
Então Eu fui fazer natação, pelo que eu me lembro, tá? Eu fui uma criança com bronquite, com problemas de respiração e tal. E aí tinha aquela história, né? Você precisa fazer natação e precisa fazer natação porque precisa aprender a nadar e tal. E aí eu fiz natação durante muitos anos, mas me incomodava porque eu ficava para trás, né, cara? Então eu via todos os moleques indo para frente. E a natação, ela é um lugar que estimula a competitividade, né?
Nadão do lado do outro.
Exato, você nada um do lado do outro. Aí eu via, puta, meu irmão nadava super bem, meus primos nadavam super bem e tal. E eu fico, cara, eu ficava para trás, ficava para trás. E era uma merda, né? Eu achava uma merda. Vou contar um caso rápido também, cara. Quando eu fui fazer polo, né, galera resolveu lá na Polé, né? Que daí, sim, aí a Cidade Jardim, né?
Porque a gente é da mesma idade.
Isso, isso. Ali numa travessinha ali, acho que devia ser ali perto do Milquimelo ali, não era?
É isso mesmo.
Cara, e aí eu entrei na Poléu, tinha 15 anos, cara. Eu me lembro que era assim, eu já não gostava muito de nadar, né, cara. Não sei por que que eu entrei ali, acho que eu entrei meio com meu irmão, com meu primo e tal. Mas eu me lembro de um exercício, para mim essa coisa foi a coisa mais humilhante de todas, cara. O exercício era o seguinte: você tinha que segurar a perna do outro, um segurava a perna do outro, e aí o cara eu que tava segurando a perna do cara, eu tinha que fazer perna alternada para puxar o cara para trás, e o cara dava abraçada para me puxar para frente.
Cara, na vez que eu segurei a perna do cara, o cara atravessou a piscina comigo. Na vez que o cara segurou a minha perna, ele voltou a piscina comigo. Foi muito humilhante, muito humilhante, cara. Então eu acho que o esporte, a competitividade da escola também, né, porque é sempre esporte coletivo na escola também, né. Então É o futebol, é o basquete e tal. Eu era sócio de um clube de campo no interior de São Paulo. Eu era um dos últimos a ser escolhido no futebol, no vôlei.
Tinha um esporte, um esporte que eu me dava bem, mas que a gente jogava pouco porque ninguém sabia jogar aquela porra direito, que era beisebol.
Caramba, meu irmão!
Beisebol eu jogava bem, cara. Eu era o cara que batia mais forte de todos, que ia a bola mais longe. Que eram mais de estratégia e tal, eu mandava super bem. Esse eu era o primeiro a ser escolhido no beisebol. Mas, cara, beisebol, velho! Então eu acho que essa competitividade do esporte, ela sempre me repeliu do esporte, porque principalmente na infância e na adolescência você acaba sofrendo não só o bullying da galera, mas um auto, uma uma, a gente acaba sendo, eu acho que eu fui muito duro comigo com relação a isso e eu acabava sofrendo com isso.
A gente não tem nem recursos, né, para lidar com isso. O certo seria você conversar, o professor perceber, te dar algum recurso, mas é, mas eu era, cara, nunca fui bom, nunca fui um cara habilidoso.
Eu joguei tênis também, né, ou fiz aula de tênis um tempo e eu morei num prédio que tinha uma quadra de tênis e eu jogava sempre. Então, cara, tomava porrada o tempo todo, cara. Então era assim, eu sempre perdia, era chato.
Você não viu diversão, né? Não era prazeroso, né, cara?
E aí eu fiquei muito tempo sem fazer nada, né? A hora que os meus pais já não tinham mais tanta força sobre você vai fazer isso, não. Então a partir, sei lá, dos meus 15 anos até os meus 30 anos, não fiz nada, nada, cara. Eu era o cara, eu sou ex-fumante.
E você tava confortável nessa situação? Não era uma coisa que você via? Você viu a moda da aeróbica? Você viu a moda do zero, né?
Zero.
Desconfortável. Você tava no seu metier, tava bem, cara?
Tava, meu, barrigudinho, fumando Marlboro Vermelho um maço por dia. É horrível, horrível. Tomando cerveja na faculdade, cara, aquela vida assim completamente maluca. E aí, cara, quando pintou a história do treinamento de corrida, que foi a Teresa que me deu, né, que você falou, a minha psicóloga, que é a sogra do Mário Sérgio, né, da Rafa Quando ela me deu esse treinamento, eu fui para lá completamente assim, cara, eu não quero fazer isso, né?
Puta coisa chata, vou ter que correr, acordar cedo. A camiseta das Torradas do Balduco não serviu em mim.
Eita, começou ruim.
Exato, já zoado. E aí as primeiras, os primeiros treinos, minha perna doía muito, né? Eu sofria, sabe aquela dor na canela? Doía muito, né? E eu falei assim para Teresa, né? Eu falei assim, não, nas 10 primeiras vezes eu vou. E aí eu fui. E aí, cara, o que rolou comigo não tinha a ver com os outros, tinha a ver comigo. E eu acho que a graça da corrida e a mágica da corrida, ela é essa, ela é você com você. E eu acho que o fenômeno corrida, e que eu não vou falar de agora, tá, porque todo mundo fala o hype da corrida, eu não sei o quê, cara, desde que a minha começou a trabalhar com corrida, a corrida não para de crescer, nunca parou de crescer.
O que muda é a inclinação do ângulo. Às vezes ela tá crescendo com ângulo de 45 graus, às vezes ela tá crescendo com ângulo de 20, mas ela nunca parou de crescer desde que eu comecei a correr em 2005, né? E já vinha crescendo antes. E eu acho que a graça da corrida e a mágica da corrida foi muito o que aconteceu comigo, porque quando eu comecei a correr eu tava pesando, sei lá, acho que 105 kg, mas com uma proporção corporal ridícula porque eu não tinha nada de musculatura.
Eu já tinha parado de fumar fazia um bom tempo, tal, mas, mas bem, bem acima do peso. E, cara, como eu comecei a correr em 2005, a gente tá falando de 20, 21 anos atrás. Eu tenho 53, eu tinha 32. A velocidade de mudança do corpo nessa época é muito surreal. Então eu, em 6 meses, Eu perdi 15 kg sem remédio, sem canetinhas, né, os Empix da vida, não tinha essa porra, né, cara. Fazendo um acompanhamento nutricional com a Suzana, né, que é a filha da Tereza, esposa do Mário Sérgio, né.
Fazia um acompanhamento com ela, que era o projeto das Torradas Bauduco, e participava de prova de corrida, cara. Eu comecei a viver o mundo das provas de corrida, conheci uma galera muito legal. Eu sou um cara que Acho que como você já me conhece há muitos anos, você sabe que eu tenho zero dificuldade de conversar com as pessoas, né? Converso com todo mundo. Então, cara, eu comecei a fazer uma turma ali e eu comecei a ver o meu corpo mudar muito rápido.
E isso impactou a turma fora da corrida, porque a turma dentro da corrida era uma turma nova para mim, mas a minha turma era fora da corrida. E aí, cara, eu que sempre fui o fumante de Marlboro Vermelho, E a galera olhava e falava assim, que porra aconteceu com o Cado, né, cara? Que que tá acontecendo? E a gente vira quase, a gente vira quase um pastor da corrida, né? Você começa a conversar com uma pessoa, você fala assim, eu vou te trazer a palavra do Kipchoge, né?
Nem era o Kipchoge na época, né, cara? Mas a palavra do Vanderlei Cordeiro de Lima. Porque, cara, vira uma igreja isso. E aí eu comecei a viver isso E assim, sensação de bem-estar, cara, eu me sentia de um jeito que eu acho que eu nunca me senti na vida. Porque quando você é criança, você não sabe que você tem a força que você tem, criança e adolescente. E eu com 30 e poucos anos falei assim, cara, eu posso tudo, eu consigo correr uma prova de 5 km.
Eu nunca, passou pela minha cabeça uma prova de 10 km. Aí um dia eu fiz uma meia maratona, que até hoje, a minha primeira meia maratona Foi a prova que mais me emocionou na vida. Não foi a minha maratona e não foi a Conrades, foi a minha primeira meia maratona, porque era a meia maratona da Corporate. Eu fiz a primeira meia maratona, era uma, era uma que terminava dentro da USP, quase aonde fica a MPR ali, né, cara? O pórtico de chegada era ali.
E eu me lembro que a hora que eu entrei na USP tava tocando a música do Senna. E eu, cara, eu comecei a chegar e eu, e na minha cabeça eu pensava assim: eu fiz uma meia maratona. E eu acho que a palavra meia maratona contém a palavra maratona no meio, né? Então eu falava assim: velho do céu, olha onde eu tô, olha o que eu fiz. E é muito você com você. Então toda aquela, aquela coisa que, por exemplo, você, Michel, curte, viveu como atleta profissional de triatlon, Olimpíadas, é, Kape Epic, toda essa loucura sua que é competitiva, né?
Puta, eu peguei primeiro lugar na dupla do RAN, né, cara? Eu nunca tive isso, nunca tive. Tem uma coisa engraçada, né? Eu convivo, esse é meu dia a dia, né? Eu convivo, eu convivo com você, com esse tipo de gente que é você, né? Eu convivo com isso o tempo todo. Eu vejo a galera, meu, pegando troféu na categoria, troféu não sei aonde, troféu não sei aonde, troféu não sei aonde. Eu não tenho uma porra no troféu, cara. E eu sei que você entra em umas provas que você fala assim, meu, se você não ganhar um troféu, você é muito loser, né, cara?
E eu não ganho troféu nem nessas provas. Fala assim, troféu na categoria 50. Não, cara, tem 5 pessoas, tem 6 pessoas, as 5 primeiras vão ganhar, eu sou o 6º, não tenha dúvida. Então é assim, É, a parte competitiva ela nunca me pegou. Ao contrário, ela sempre me repeliu assim, cara. Eu nunca curti. Acho que por causa de um trauma de infância, né? E tal.
Isso pode ser considerado um trauma.
Acho que sim. É, agora a corrida, e eu tive várias fases na corrida, cara, o prazer que eu tenho. E eu acho que já entrando num outro assunto, né, que você falou da minha experiência de correr todos os dias, cara, a minha experiência de correr todos os dias foi como se eu tivesse começado a correr de novo. Foi diferente, foi muito diferente, porque, cara, eu comecei a correr em 2005, outubro de 2005 eu comecei a correr. Aí eu fiz a maratona, primeira maratona que foi Porto Alegre, em 2008, junho ou maio, junho de 2008.
E depois da maratona, aquela coisa da depressão pós-maratona, eu tive essa porra toda, porque Depois da maratona eu falei assim, meu, o que que tem acima da maratona? Não vou fazer nunca mais nada, né? E, cara, meio que me desencandei com a corrida. Mas a Milk já trabalhava muito com isso, né? 2008, 2009 foi quando a gente ganhou a conta da Nike. Então eu não podia sair da corrida. Então eu ficava meio, não forçado, porque eu achava legal o ambiente da corrida, mas eu perdi a vontade de fazer grandes provas.
Então fazia de vez em quando. E é muito louco, né? Porque Você, depois que você faz uma maratona, existe uma tendência, isso aconteceu comigo, de você menosprezar as outras distâncias, né? Normal. Então eu às vezes ficava um tempão sem correr, tempão que eu tô querendo dizer assim, eu comecei a diminuir muito a minha quantidade de treino, engordei de novo nesse período, mesmo já com a Milk, já trabalhando com corrida, engordei de novo e tal.
E aí eu saía para fazer um trotinho, eu falava assim, ah, vou correr só 5K. Só que eu tava meio parado. Aí eu corri a 5K, era um sofrimento, porque 5K é longe para caraca, 5K, né, cara? Vai andar 5K aqui no Itaim na hora do rancho, você vai demorar 5 horas, velho. Então, e aí eu me desencantava. Então eu fiquei muitos anos não desencantado, é forte, mas eu fiquei, eu não me conectei tanto com a corrida. Até a pandemia, cara. Aí chegou na pandemia, eu comecei a me conectar.
E aí tem toda a história da Conrads, né, cara? Conrads fez a primeira prova virtual, lembra?
Lembro.
A primeira prova virtual tinha uma distância de 5K. Eu falei, nossa, que foda, eu vou correr a Conrads em volta do meu quarteirão, cara. E eu corri a Conrads ouvindo música africana no fone, dando volta no meu quarteirão, 5K, no meio da pandemia. E eu comecei a me conectar com a corrida de novo. Isso foi em 2020. E aí o Togumi, que é meu treinador desde 2017, ele também começou a entender como me fazer treinar. O Togumi é um mago, né, cara?
Ele deu um jeito, entendeu quais eram as minhas motivações principais e eu voltei a treinar. E aí quando pintou essa coisa que foi no final de 2023, 2023 foi um ano super emblemático para mim, Não sei exatamente por quê, né, foi o ano que eu fiz 50 anos, que foi quando eu fui fazer o triatlon, né, com a brómpeto, que foi engraçadíssimo também. E aí o Nando me chamou para fazer o Letape, e eu virei para o Nando e falei assim, eu só faço Letape se for de brómpeto, senão não vou fazer.
Não, mas você quer? Eu falei assim, eu só faço se eu fizer de brómpeto. E aí obviamente fiz a distância curta, porque a idiotice tem um limite, né.
Eu vi no teu Instagram você segurando assim, tipo aerodinâmica, Mônica, no que estamos vendo. Para quem não sabe, Brompton é uma bike dobrável, uma bike fantástica, incrível, inglesa, que você trouxe a representação, né, aqui para o Brasil uma época. E que é aro 20, né?
Aro 16.
Aro 16 é uma rodinha, é uma bike própria para você subir elevador, entrar no metrô e tal. E você fez o Let Up, um Let Up, e você fez, eu fiz com a Brompton, o Short Triathlon de Distância.
Então, e aí é assim, eu tava lá, o short com a Brompton no dia 18 de junho de 2023, o Letap, que é final de setembro, né, de 2023 ainda, com a Brompton também. Então sabe quando você tá numa fase? Eu acho que a Milk também deu uma engatada também, cara. Era um ano legal assim, eu tava me sentindo muito bem. E aí essa coisa de correr no Ibirapuera, né, bastante. Eu tenho muitos amigos, de novo, né, eu sou o cara que me relaciono facilmente, conheço muita gente.
E aí Eu comecei a correr com uma turma que é o Koji, a Dani Gabrielly, o Dalton e o Zé. Virava, mexia, encontrava eles 4, e os 4 correm todo dia, todo dia. Não sei se ainda corre, mas acho que o Zé, naquela época, todo mundo correndo todo dia. E eu achava aquele lifestyle muito irado, né, cara, de correr todo dia. Mas, puta, muito distante da minha realidade. Mas aí um dia, também não vou contar essa história porque já contei ela um monte dessas vezes, um dia eu me vi uma semana que eu tinha corrido todos os dias, virei para o Togumi e falei assim, cara, eu queria testar esse negócio aqui de correr todo dia, de boa assim, cara, correr 4K, 5K e tal.
E aí, Michel, eu comecei a correr todo dia, e esse volume de 4, 5K por dia, ele começou a aumentar naturalmente, sem forçar. E aí chegou num ponto que eu tava fazendo 90, entre 90 e 100K por semana. Foi como se eu tivesse começado de novo. É outra experiência, é outra coisa. Eu acho que eu tava nessa vibe, né? Vou fazer um triatlão pela primeira vez na vida, vou fazer um letap de bicicleta dobrável pela primeira vez na vida, e eu vou fazer uma outra coisa pela primeira vez na vida.
E eu comecei a sentir muito prazer em fazer coisas que eu nunca tinha feito na vida. Então existiu uma redescoberta da corrida para mim, de correr todo dia. E eu também me vi, é uma coisa competitiva, mas eu comecei a conquistar coisas que eram inimagináveis para mim, inimagináveis. Do tipo, tem o conceito do Local Legend do Strava, né? Nesse período que eu corria todo dia, eu entendi o Local Legend. Eu falei assim, eu vou brincar com a história do Local Legend.
Eu já venho todo dia mesmo, eu vou correr sempre no mesmo lugar, eu não vou mudar minha corrida, vou correr sempre no mesmo sentido, no mesmo lugar, eu não vou variar.
Sempre no Ibira, sempre no Ibira, volta anti-horária, volta de 3.
Não abria para portão porque eu falava assim, não, a brincadeira é o Local Legend, é isso que eu quero fazer, cara. Eu era Local Legend de 40 lugares do Ibirapuera, distante do segundo lugar de todo mundo. Um dia o Strava fez um Strava Global, fez um post falando de algumas curiosidades do Strava no mundo, e ele mostrou que o local com mais passagens no mundo era o trecho que chama, acho que é da Sucuri ao Porquinho, que é aquele trecho da Praça das Cobras até a Praça do Porquinho, né, que é um trecho de 1K.
Magia do Lago ali, né?
Isso, Magia do Lago é um trecho de 1 km. E aí, na hora que eu olhei esse post, eu falei assim: eu acho que eu sou o local legend desse lugar. E aí eu abri o Strava e eu era o local legend desse lugar. Aí logo depois a gente fez o lançamento do, acho que foi do Rebellion Pro, no, foi lá no Campo de Marte, foi bem legal esse lançamento. Eu encontrei a Rosana Fortes lá, daí eu falei assim, aí encontrei com ela, virei e falei assim: porra, Irado, né?
Aquele post do Strava Global e tal. Ela falou, é, você viu que o trecho do Brasil? Eu falei, eu vi. Você sabe quem é o local legend desse trecho? Ela olhou pra mim e falou assim, não é possível, não é possível que seja você, cara. E ela falava assim, e sabe o que eu acho muito louco, Michel? Eu não tenho o biotipo tradicional, eu sou um cara pesado, né, cara? Eu tenho barriga e tal, tenho mais de 50 anos. Então ela duvidou real.
Ela falava assim, não é possível, como é que você fez isso? Você roubou. E eu falo assim, não, eu só, eu só tipo, eu descobri o sistema, eu craqueei o sistema, eu entendi o negócio, como funciona. Então, Michel, essa, essas descobertas, essas coisas que eu consegui viver, que é isso que me motiva. E no final, ir no Ibirapuera todos os dias e encontrar a galera e cumprimentar a galera é muito mais importante para mim do que a corrida em si.
É que a corrida é o meio para fazer isso. Eu não tô menosprezando a corrida, eu amo correr, né? Se eu não amasse correr, eu seria muito idiota, né, cara? Acabei de correr uma outra maratona. Mas é assim, não é a corrida em si, é todo o entorno da corrida, né? A gente vai falar sobre a Conrades, tem Eu tive, eu tive muitos aprendizados assim sobre a Conrads, que ela é muito maior do que ela mesma assim. E o que é mais legal não é a corrida.
Corrida é um inferno, um inferno. É o entorno, o todo da Conrads é muito legal. E eu acho que a minha vida no esporte ela busca isso e não a competitividade. Então quando se pergunta aquilo mexeu comigo lá atrás? Não, não. Tanto que quando a gente lida com a corrida na Milk, eu tenho quase que dificuldade. E eu vou tomar muito cuidado, você não pode fazer um corte disso, senão você vai me ferrar. Mas é assim, ó, eu tenho muita dificuldade de entender que a corrida é um esporte, porque eu não acho a minha corrida, eu não encaro ela como um esporte, eu encaro ela como um estilo de vida.
Que é muito diferente. Ah, mas ela é um esporte? Sim, ela é um esporte. Ah, mas ela traz saúde, bem-estar? Sim, graças a Deus que ela traz, né? Que bom, porque eu poderia ter um lifestyle de boteco, charuto e não sei o quê, que também é um lifestyle, né? Enfim, falei muito, desculpa aí.
Não, desculpa não, cara, foi excelente. Já, e já matou aqui algumas curiosidades que já tiquei aqui da minha, da minha, da minha pauta. Vamos lá fazer uma participação especial aqui. Queria que você ouvisse aqui esse, esse áudio, por favor.
Ele era o irmão criativo, irmão divertido, o irmão impulsivo, e essas parecem as características dele até hoje. Mas hoje, depois de 53 anos convivendo com ele, a característica que mais me marca dele não são essas, é a consistência dele. Analisando hoje a vida toda dele, né, ele sempre foi muito consistente nas coisas. Ele é empresário há 20 e poucos anos e aprendeu a ser empresário melhor. Ele corre há 20 e poucos anos, aprendeu aí correndo cada vez mais, né, cada vez mais longo.
Ele não é aquele cara que fala vou fazer uma maratona assim que começou a correr. Ele fez a maratona bastante tempo depois e foi fazer uma corrida 20 anos depois. Então eu acho isso muito admirável, né, a pessoa sempre construindo com tijolinhos a sua história. E fazendo uma história muito, muito bonita, muito legal, como empresário, como corredor, como pai, como irmão, como filho também. Então a característica dele que eu mais admiro hoje é essa, é a consistência dele.
Então acho muito legal ser irmão dele, é um grande orgulho para mim. E esse feito da Conrad também é um grande orgulho, tá bom?
Abração. Golpe baixo, né?
Mas como é que eu não vou pedir, cara, uma participação dele? Caramba, meu!
Cara, você jogou muito baixo, velho.
Eu te falei que a gente ia sair do como. Você quer ficar falando da minha? Quer contar o caso do Sky?
Não quero.
Quer? Você quase escolheu o hop jumping, mas escolheu o balonismo, pelo menos salto de paraquedas. Que legal, cara, que legal essa relação também, né, que vocês têm. Que ele acabou indo para bike e te deu esse apoio, e você inspira ele nessa tua constância, nessa tua nessa tua persistência com a corrida. E tudo isso que—
deixa eu fazer um parênteses aqui. Você sabe da história do triatlão com ele? O triatlão da Brompton a gente ia fazer junto, eu e ele.
Não sabe dessa história?
Não, não vou contar.
Talvez ele tenha me contado, mas eu não me recordo. Vamos lá, a história vai assim, que a gente tá aqui para você falar, Cadu. Vai embora.
Vamos lá. Dia 18 de junho de 2023, caiu num domingo, né? E aí eu olhei e falei assim, pô, eu vou fazer 50 anos, né, cara? Eu queria fazer uma coisa diferente, né, na minha, na minha aniversária de 50 anos. E vai ser domingo, domingo é dia de prova, né, cara? Eu vou achar uma prova e tal. Aí eu falei assim, ah, correr 50K no dia do meu aniversário, não aguento, né? Correr 50K num dia não vai rolar. Mas de repente eu corro 50K na sexta, no sábado e no domingo, né?
Então aí descobri que ia ter a meia maratona de da Track Field, uma meia acho que do Shopping Marketplace, sei lá, SP Market, não me lembro. Eu comentei com o pessoal da Milk e eu falei assim, galera, vamos fazer a meia maratona? Porque aí eu corro 21 no domingo e corro, sei lá, 21 no sábado e corro 8 na sexta, né, para dar os 50. Aí a galera animou, né, falou, ah, vamos, vamos, vamos, vamos! A Bruna Matoso que você conhece, triatleta também, virou e falou assim, pô, Cadê?
Eu não posso porque é o dia do Troféu Brasil, eu vou fazer o Troféu Brasil. Aí eu virei e falei, ah, Troféu Brasil, fale mais sobre isso. E a gente começou a olhar tal, eu falei assim, porra, meu, não, pedalar de boa, correr de boa, mas nadar, cara, eu não nado desde a infância, né? Sim, eu sei que a gente não esquece e tal, mas sei lá, 750 metros no mar, né, cara? Uma coisa que não é tão—
e uma natação de cabeça alta, né?
Então, Paulo Afati, assim, né, cara? E acho que traz os traumas, né, cara? Puta merda, né? Ah, mas tem revezamento. Eu falei, ah, Nando! O Nando nada e o Nando pedala, né, cara? Aí nada para caraca. Eu falei assim, não, vamos fazer. Eu não sabia as regras exatamente. Eu falei assim, ah, de repente a gente, você nada, a gente pedala junto. Não sei nem se dava, né? E aí eu corro. Ah, tá. Daí ele virou, ele virou para mim e falou assim: mas quanto é?
Daí eu falei assim: cara, são R$750 de água, R$20 de bike, R$5 de corrida, né, cara? Aí ele virou para mim e falou assim: ah, para de ser mimimi, cara, são R$750 de água, engole esse choro e nada os R$750. Eu falei: porra, Nando, eu não nado há 30 anos, cara, eu nem sei se eu sei. Não, você sabe nadar, é fácil, não sei o quê, você nadou a vida toda, tal, da tua infância, tal. Daí ele virou e falou assim, não, então vamos fazer junto.
Eu falei, você vai correr? Ele falou, ah, corro, cara, na pior das hipóteses eu ando, né, são 5K, né, cara, eu vou andar e tal. Não, então beleza, vamos lá. Entrei em contato com o pessoal da Norte porque eu falei assim, eu vou fazer de Brompton. Aí eu entrei em contato com os caras, eu falo assim, então eu quero saber se eu posso fazer com uma bike diferente. Aí os caras já responderam rindo, né? Fala assim, tá bom, cara, o que que você quer?
Não, eu quero fazer com uma bike dobrável. Não, pode fazer. Eu falei, não, não, não, eu quero formal isso, porque se eu chegar lá com a minha bike e algum staff, alguém vai me bloquear, não vai dar certo. Então estou te mandando uma foto da minha bike, você vai me falar se eu posso fazer. Os cara responderam rindo muito e falaram, não, tá bom, pode fazer. E aí, beleza. Aí eu e o Nando, né, eu falei assim, ó, Já fiz a minha inscrição.
Ele falou, não, vou fazer a minha e tal. Beleza, fomos, fomos, fomos, fomos, fomos. Chegou na semana, acho que ele me falou, cara, acho que tipo 2 dias antes, ele virou para mim e falou assim, então tem uma coisa para te falar. Eu falei, o quê? Ele falou, eu não fiz a minha inscrição. Eu falei, puta que pariu, que canalha, velho! Aí ele virou para mim e falou assim, não, mas eu vou com você. Você ter o chefe de equipe. E aí a gente foi, ele não fez nada, cara, ele ficou ali na área de transição vendo eu montar a bike, desmontar a bike.
Mas enfim, foi isso, meu, que legal. E você nunca mais voltou, né, para o triatlão?
Foi uma experiência legal, foi uma experiência divertida, mas, cara, tá muito assim, o triatlão em si ele é muito, ele é muito prazeroso, né, ele é muito divertido, mas treinar dá um trabalho da porra, cara. Porque eu não tenho, eu não tenho piscina fácil, né? Quando você não tem piscina fácil, cara, é um perrengue você achar uma piscina. Eu consegui a piscina, eu fui, eu nadei algumas vezes lá na Estrada Velha, na represa, que foi assustadora a primeira vez que eu fui.
Eu fui com o Lobo, né? O Lobo, contei o projeto para o Lobo, o Lobo falou assim, não, cara, fica frio, eu te ajudo. E aí eu fui, aí um treinador do Lobo me deu umas dicas e tal. E aí eu fui treinar na piscina do CPUSP, falei com o pessoal do CPUSP e tal. Aí eles falaram, não, a gente consegue uma, uma, um jeito aqui para você fazer algumas vezes e tal. E aí eu fui treinar lá. Mas assim, não é simples, né? Porque, ah, você precisa de uma academia, você precisa de um clube, você precisa de uma piscina no prédio.
Eu não tenho nada disso, é um trabalhão. E o ciclismo, você também, né, cara? O ciclismo, você vai fazer um treino suave de ciclismo, são 3 horas, né? Então eu acho o processo de treino do triatlon, acho ele muito, muito pesado. A corrida é muito fácil, né? A corrida, cara, corrida, eu saio de casa correndo.
Do lado de Ibirapuera, então eu moro 2 km e pouco de Ibirapuera.
É muito prático, é muito prático. Então eu, cara, eu saio correndo da porta de casa, literalmente assim, e vou correndo até Ibirapuera e corro por lá.
Uma coisa me chamou atenção no teu texto, acho que no primeiro texto da Contra Relógio, que você falou da Conrads, e agora você falou da história da palavra do Kipchoge, que a corrida para você não é um esporte, né? É legal você ter essas percepções porque ainda você trabalha com isso. Sim, é legal para a gente que tá ouvindo e reflete e tudo mais, mas assim, para você ainda tem o plus de que a corrida é, ela pode ser muito mais do que ir lá e ganhar uma medalha, um Legend, ou ser melhor na categoria do que o seu amiguinho.
Sim, você experimentou agora na Comrades, e isso foi o que te chamou atenção lá há 20 anos na feira, que você viu o sul-africano falando e tal lá da prova que Você consegue, né? Assim, quando eu tive na Cape Epic a primeira vez, faz muitos anos, cara, eu me surpreendi como tem sul-africano de tudo quanto é jeito competindo a prova. E que às vezes pelo shape você não dá nada, é um preconceito lascado.
Sim.
E, cara, as pessoas voam e são, né, fortes, valentes, qualquer que seja o predicado. É, a primeira Cape Epic que eu fiz foram 1000 km. É muito sinistro, exageraram na mão naquele ano. Aí você vê gente sem perna, você vê gente cega, né? O Mário Roma acho que já tava fazendo com o deficiente visual. Você vê, você tomou, né, um pau entre aspas de uma mulher, quando você chega tá ela abraçada com um monte de filho. Você fala, nossa, meu, caramba, né?
Eu até fiquei durante uma época achando que o sul-africano, ele era, brincando aqui, geneticamente mais evoluído do que nós brasileiros, né? Mesmo com a nossa influência europeia. Mas foi isso que também te chamou atenção. Bom, qualquer um faz. O cara falou, ah, você faz, você precisa se dedicar, claro. Mas enfim, voltando aqui a tua experiência, isso também talvez seja do teu lado profissional uma, uma charada, uma coisa que você tem que desvencilhar, desvencilhar não, desvendar, para que você consiga também se comunicar melhor com o seu público, com, né, para os seus clientes, né?
Assim, tipo, meu, se as pessoas, como as pessoas tatuam Iron Man ou tatuam Harley-Davidson na perna, se a pessoa tatuasse Mizuno ou tatuasse, sei lá, qualquer marca, esse seria o objetivo máximo, né? Até fiz a brincadeira aqui com o Vitor da Z2, né? Assim, tipo, será que alguém já tatuou Z2? Parece que já tem uma pessoa lá, não sei se é da Z2, é, não lembro, que acho que ele falou isso. Mas esse que deve ser um motivo de muito orgulho no sentido de que, cara, essa pessoa literalmente colocou na pele aquela comunicação, aquela marca, aquele, aquilo tudo que envolve uma marca de algum produto, né?
Quando você corre, quando você tá no Ibirapuera, foi você que falou que aí você corre duas vezes por dia e à tarde você correr no sentido contrário era um outro Ibirapuera?
Não tô lembrando se eu falei isso uma vez, mas não, assim, eu teve alguma vez que eu fui correr à tarde E a luz é diferente, né?
Isso. Então você falou da luz e foi o que falou o Junior Double, né? Quando ele corre ao contrário as maratonas, antes de correr as maratonas, é uma maratona completamente diferente. Você tá nas mesmas ruas, só que você tá indo para lá e não tá indo para cá. Você olha de outro ângulo, é meio natural, né?
Sim, acho que a Conrads é um fantástico exemplo disso.
Você corre num ano para lá, um ano para cá, um ano sobe, um ano desce, deixa a prova mais, menos tediosa ou mais interessante, né? Mas enfim, Isso é legal para— eu fico me colocando na tua posição— para você tentar entender um pouco mais do teu métier, do que você escolheu trabalhar e se especializou em trabalhar. Você corre também pensando nisso, ou depende? Ou, por exemplo, agora na Conreds, você se deixou levar por toda essa vibe da Conreds que o Nato já falou, a Zilma já falou aqui, várias pessoas que participaram da Conreds já relataram isso?
Ou quando você tá principalmente numa prova onde você se dedicou mais e tal, você é muito focado naquele seu momento, você tá meio isolado do mundo?
Não, não sou isolado não, cara. Eu, eu não, assim, eu não sou duas pessoas, cara. Eu sou uma pessoa o tempo todo, né? Então a minha cabeça ela funciona meio constante assim com relação a, acho que a tudo, né? Todo meu dia a dia assim. Eu sou muito focado dentro do que eu gosto, né? E então uma coisa interessante que aconteceu comigo na pandemia, né? Na pandemia, quando a gente tinha todos aqueles, aqueles, aquelas notícias, né, de mais mortes, mais isso, mais aquilo, né?
Chegou uma hora que eu falei assim, isso tá me fazendo muito mal saber essas coisas, tá me fazendo muito mal, eu não quero mais saber porque eu não posso interferir mais nisso, eu não posso interferir em nada com relação a isso. Então eu saber, eu não vejo nenhum benefício em saber sobre essas notícias. E aí eu parei de ver jornal, e aí eu comecei a entender que o jornal em si ele me fazia mal. Notícias, que são a maioria das notícias, né, na CBN, no Jornal Nacional e tal, me faziam mal.
E aí eu falei, eu não quero mais ver nada. E eu comecei a não ver nada desde a pandemia até hoje. Eu não, eu não assisto as coisas, eu não vejo jornal, eu não leio. Tem muita gente que fala assim, não, eu ouço o The News de manhã, eu deixo a Bloomberg ligada do meu lado na hora que não sei o quê. Eu sou o oposto disso. Isso faz com que eu tenha muito mais tempo para olhar para as minhas coisas, para as coisas que eu gosto, né?
E eu tenho o privilégio de trabalhar com o que eu gosto, né? E cada vez mais eu Até, até de forma inconsciente, eu tenho feito a mil que virar cada vez mais o que eu gosto, né, e cada vez menos o que eu não gosto, né. Então, respondendo a pergunta, eu penso, eu penso nessas coisas o tempo todo, né. Então, quando eu tô correndo uma prova, eu penso, ainda mais uma Conroy, né, cara, que eu fiquei lá 11 horas e pouco, você pensa em tudo, né, você tem tempo para pensar na vida inteira.
Mas é assim, tem uma, um termo que quem eu ouvi falar foi o Thiago Pinto, que era o diretor da Nike na época do Cris Coelho e tal, e do Adriano Cerf, que era essa turma quando a gente entrou na Nike. O Thiago Pinto falava que, falava do TBC. TBC é tira a bunda da cadeira. Que você tem que viver, você tem que estar no campo para você entender o que que é, cara. E eu consigo te afirmar hoje, depois de ter passado pela Conrades, eu consigo te afirmar o seguinte: eu sempre fui apaixonado pela Conrades, desde que eu conheci ela 20 anos atrás.
Sempre, toda vez que alguém me perguntava assim qual é a prova mais legal do mundo, eu falava que era a Conrades. Ah, qual a prova que você tem vontade de fazer? Nunca foi o Ironman, nunca foi o Cruze, nunca foi o Ironman de Kona, nunca foi isso. Para mim sempre foi a Conrads. Mas eu sempre falei assim, cara, mas ela é muito distante. Então assim, tudo bem eu não fazer nessa vida, tá tudo bem, faço na próxima, tá tudo bem.
É porque é tão distante, cara, é tão distante, exato, né?
Exato, né? Então, e só que eu sempre acompanhei, sempre admirei muito a Conrads. Então, cara, eu sou um cara que eu me aprofundei bastante, eu Todo mundo que me conhece sabe que eu, quando algum assunto me interessa, eu sou meio quase obsessivo com relação àquele assunto. Então eu considerava, Michel, que eu sabia muito da Conrads. Mas hoje eu te afirmo o seguinte: que até o avião pousar em Durban, comparado com o que eu sei hoje da Conrads, o que eu sabia da Conrads até o avião pousar era perto de 10%, e eu era obcecado, cara.
Então é viver a experiência, não viver a experiência da corrida em si. A corrida em si, claro que ela é muito. Viver a experiência da Expo, viver a experiência do povo sul-africano, viver a experiência do pós-prova, do pré-prova, da prova em si, das músicas, do cara, te coloca num outro lugar. É, e eu acho que isso é com relação a tudo. Então o fato de eu ter feito um triatlon, mesmo que tenha sido um triatlon brincando, né, com a história da Brompton, o fato de ter feito o let-up, o fato de ter feito algumas provas de trail do Indomiti, por exemplo, cara, me coloca num lugar muito diferente.
Então, e o mais legal disso tudo é que eu faço isso porque eu gosto. E não porque eu me sinto obrigado a fazer isso, né? Então eu acabo tendo essas buscas. Você vai falar assim, ah, é, puto, Ironman eu não conheço. Eu acho muito pouco provável que eu vá conhecer o Ironman. Não tô falando que eu não vou, tá? Porque quando eu, depois que eu fiz o short, eu comecei a fazer conta falando assim, cara, se eu treinar um pouquinho eu consigo fazer um 70.3.
Não agora, mas daqui um tempo eu consigo. Faço, faço um Olímpico depois, mas eu acho que eu consigo fazer um 70.3, cara. E depois que eu fizer o 70.3, você viu o O Paca no Ironman desse ano. Sabe quem é o Paca?
Não, cara.
O Paca é Antônio Paca, ele é um corredor triatleta da Hanfam, nadador, nadador pesado assim, cara. O Paca é um cara que deve estar na casa dos 60 anos mais ou menos, nadador de travessia. Ele é pai do Gabriel Paca, da Roberta e da Marcela, que são gêmeas. E todos eles treinam na Hanfam. O Paca tem um problema, acho que no joelho, se não me engano, e ele resolveu que ele queria fazer um Ironman. E ele se preparou para fazer um Ironman, só que ele não pode correr. E ele fez o Ironman esse ano andando na maratona.
Ele fez, teve aqui há pouco tempo com 65, e ele fez, fez caminhando, correu um pouco.
Não, Paca não correu nada. Ele correu, ele andou os 42. Então, cara, dentro desse rolê eu falo assim, ah, talvez, quem sabe um dia, num surto de loucura aqui, eu resolva fazer, né? O pedalar os 180 eu acho possível. Não é que eu não me assusta, me assusta, mas eu acho possível. Eu já pedalei 100, acho possível correr 42. Hoje eu tenho certeza que é bem possível. Agora, nadar os 3.800 ali, cara, Isso ali vai dar um pouco de trabalho.
Mas enfim, todas essas vivências de esporte, quando eu não tenho, a gente traz gente que tem, né? Uma coisa que a gente aprende na Milk é que tudo bem a gente não saber tudo, né? Nem seria impossível a gente saber tudo. Até porque a minha experiência com a Conrads é uma experiência de um cara de 50 e Quando eu fiz a corrida, ele já tinha 52. Um cara de 52 anos que pesa 100 kg. Essa é a minha experiência de Conrades, com sofrimento absurdo, absurdo, que não foi uma experiência gostosa durante a prova, que é muito diferente de uma experiência, por exemplo, da Júlia Sette, do Luiz, que é o casal que tava lá quando a gente correu junto, do JP Forlani da Forcel, ou do próprio Nato, que apesar— o Nato fez um tempo bem parecido com o meu, Mas o cara foi a 21ª honra que o cara fez, né?
Então, e quando a gente não sabe, a gente traz gente que sabe para explicar para gente.
E é super inteligente isso, né?
Eu espero que sim, né? Pelo menos a Miu que tá viva até hoje. A gente tem feito boas escolhas, mas também, mas muito boas escolhas. Mas não dá para separar não, Michel. Eu toda vez, todas as provas Puts, eu tô correndo na prova e eu vejo uma pessoa distribuindo gel na prova. Aí você olha e fala assim, puta, acho que eu faria diferente isso, acho que talvez se tivesse mexido nisso seria mais legal. E aí você traz isso para o dia a dia.
Então, escreveu um exemplo da Conrads sem me aprofundar muito, que acho que a gente vai entrar nesse assunto. A Expo da Conrads é muito legal. A Expo da Conrad. A Expo da Conrad é muito parecida com— eu conheço a Expo de uma major só, que é a de Tóquio. É muito parecida com uma Expo de uma major. Ela é uma feira gigante, né? É diferente de uma Expo da Especity, por exemplo. Não desmerecendo, tá? Eu acho que a Expo da Especity é muito boa, mas é diferente.
Então todos esses conceitos a gente, eu consigo pensar em trazer para o nosso dia a dia da Milk, né, dos clientes.
É porque você tá vendo e você tá absorvendo, você tá vivendo, né? Eu acho que você tem que conhecer uma expo do Ironman de Floripa.
Sim, a Ju conhece, conhece com profundidade, porque a gente já fez Ironman de Floripa.
A gente deve ter elogiado, né? Sim, super curtido, super.
A gente já fez como Milk, a gente já fez acho que umas 5, 6 expos, coisas na Expo do Aero de Floripa.
Legal. Mas já que você falou do gel, eu vou distribuir um gel aqui para você, depois você me diz se eu distribuí da maneira correta, que é o gel da Z2, né, que é patrocinadora do Endorfina. Eles acabaram de lançar o Performance System, que é a creatina e o nitrato, uma linha pensada em organizar a suplementação ao longo da rotina do atleta, com produtos que cumprem papéis específicos dentro da performance. A creatina e o nitrato, como eu falei.
E um produto que é muito bacana, não sei se você chegou a usar isso aí lá na Conrad's, que é o Salt Pastilha. São pequenas balinhas, tipo aquelas balinhas da Pan de antigamente, né, que era tipo um giz cortado. A gente fazia essa pegadinha na escola. Reposição de eletrólitos num formato inédito no Brasil, dissolve na boca. Você jura que você fez isso? Fiz, né, porque aquelas balinhas da Peso eram muito da da Pez, não, da Garoto.
Era muito parecido com giz cortado, a pontinha do giz, né? Numa época de quem tinha lousa com giz na escola, né? Nós somos dessa geração. Hoje em dia é marca texto, não é aquelas canetas Pilot, né? Mas enfim, o Saltz não tem giz aqui dentro. O Saltz é um produto que merece atenção, reposição de eletrólitos no formato inédito no Brasil, dissolve na boca, repõe sódio, potássio, magnésio na hora sem precisar de água. Isso é legal, parece uma balinha, é compacto, ideal para provas, treinos e provas.
Siga a Z2 Performance e fique por dentro das novidades da Z2. Tá aqui, ó, o seu gel. Depois você me diz se a distribuição foi coerente.
Exato, perfeita. Vou te contar uma coisa também.
E aí já leva aqui os teus salts. Aí tem salts em pó, tem aqui as novidades, né? Porque isso aí é novidade da Z2.
Eu vou te falar que o meu, a minha suplementação na Conrades, ela foi Géis da Z2.
Ah, eu acho que eu vi no seu Instagram, né, aquele post, você fez aquele post tradicional, né, com tudo que você tava consumindo, ia consumir na prova, né? Não fez com número? Acho que você fez, acho que você fez.
Mas eu consumi durante a Conrades 24 Géis da Z2.
Você podia ter levado um, dois desse, ó.
Eu pensei nisso, cara, mas eu fiquei meio falando assim, eu não sei se eu vou saber dosar isso na boca.
É porque você tem que pôr aí na garrafinha. Na verdade, isso não é para você colocar, né, na pochete, na shoulder bag, no boné.
Cara, 24 géis é um peso, viu?
Então, bom, deve ter estratégias, né? Eu não sei como é que são as estratégias de nutrição, de suplementação na Porque no Ironman você tem como pegar isso, né? E você tem a bike, carrega na garrafinha e tal, né?
Lá tem também, tem os drop bags.
Isso aqui pesa, ó, 300 gramas. Isso aqui pesa 300 gramas de gel. Isso aqui pesa 300 gramas para mais, né? Desculpa, 480 gramas aqui, ó.
Meio quilo.
3 desse, ó que beleza, você leva isso aqui nos 80 km.
Cara, eu fui com colete de hidratação, né? E aí o que eu fiz foi eu coloquei 12 separados nos bolsos. Eu tava com um flask só para espalhar o peso, né, para não concentrar. Só para espalhar, mas para eu saber onde eles estavam, claro. Porque eu tinha a minha estratégia, era a cada hora cheia era o gel de 40 gramas, certo? E a cada meia hora era o gel de 25. Então eu, de meia em meia hora, eu tomava gel, um de 40, meia hora 25, meia hora 40 e tal.
E como eu imaginava que eu ia fazer em 11 horas e 30, no final foram 24 géis porque eu tomei um na largada.
Claro.
E aí o que eu fiz, não tinha gel para tomar na prova, tinha, mas de uma marca chamada 32GI, que eu falei, eu não conheço, não usei.
Para o sul-africano tudo bem, porque deve ser o gel que vende lá, né?
A Zilma, por exemplo, cara, eu acho que, se não me engano, a Zilma acho que não leva nada na prova, ela tá habituada também, consome as coisas que tem na prova que ela falou que são boas e tal. Mas o que eu fiz foi eu espalhei 12 nos bolsos do colete e no bolso da bermuda, e os outros 12 eu coloquei num saco plástico no colete, nas costas. E aí, quando eles acabaram, eu tirei o saco, fez a reposição correndo, né? Tirei, distribuí nos bolsos de novo, joguei o saquinho fora. E legal, é, fiz isso.
Eu não tinha parado para pensar nisso, como é que é a reposição numa prova dessa. Imaginei que obrigatoriamente, você iria aproveitar da estrutura da prova, mas é delicado, né? Se você não tá acostumado com a marca do gel, se você pode até tomar alguns antes da prova ali nos dias que antecedem, mas não é a mesma coisa. E você não quer colocar em risco, né? Porque você tá lá para o seu grande dia, né?
Eu tomei saltos também, o sachê. Eu tava no flask, né? Eu misturei saltos com líquido IV. E aí eu ia repondo a água. Então os primeiros goles eles eram mais concentrados, mas daí eu ia repondo.
Por isso que é legal a pastilha, cara, porque assim, ó, você leva aqui as balinhas, ó.
É, eu tenho essa pastilha, mas eu não treinei com ela e eu falei, ah, não vou levar. Mas devia ter levado, viu, cara?
É mais prático, né? E você não precisa dar água, né? Você pode tomar água depois para tirar o resíduo. Exato. Mas vamos lá, já que a gente hoje, né, você acabou falando aqui de Conrad, eu perguntei da história da religião e tudo mais. Você voltou transformado como? Em que medida, né? O processo eu sei que já te transformou, né? Você vem, se a gente vai mudando, graças a Deus, né? Eu acho que é bom a gente ir mudando, né? Mas como é que você voltou hoje, né?
Eu sei que faz pouco tempo, né? Mas como é que você hoje acessa assim tipo um Cado que não sabia nada da prova, você achou que soubesse, você voltou sabendo bastante, né? E se você voltar lá 20 vezes, vai sempre aprender alguma coisa. Só falar com o Nato. Mas em que medida que você acha que essa corrida te impactou psicologicamente? Não fisicamente, não do pace, não do tênis, mas assim, não desse esforço. Mas o esforço leva às vezes a gente para lugares, né, que a gente não acessa. Você nunca tinha corrido 86.
Sim, foi 86 esse ano, 85, 777.
Em que medida, cara, assim, como é que você acha que você tá agora assim, que as pessoas que estão convivendo com você, a Pri, os teus filhos, como é que eles vão perceber daqui a pouco sutilmente um Cado?
É difícil responder isso, cara, eu não sei, não sei. Assim, o que eu acho que eu conversei com muita gente, né, para mim teve algumas falas de algumas pessoas, né, o Branca numa das vezes que eu encontrei com ele lá no Ibirapuera, ele falou para mim, a Conroy vai te transformar.
Isso é, muita gente fala isso, né?
Você vai voltar outra pessoa, você vai relativizar os problemas, você vai, você vai, o mundo vai estar caindo e você vai estar calmo, né? Eu não acho que eu peguei isso aí que o Branca falou, não acho. Pode ser que daqui um tempo isso aconteça.
É porque eu acho que a sua perspectiva da Conrad vai mudar com o passar do tempo, das semanas, dos meses. Eu também acho.
Tanto vai mudar que eu, quando eu cruzei a linha de chegada, eu olhei para Pri e falei assim, logo depois que eu encontrei com ela, porque não é na hora, né? Você cruza a linha de chegada, dá um rolê, né? Imagina, 20 mil pessoas, né? Então você dá uma volta assim. Eu acho que eu encontrei a Pri uns 20 minutos depois, assim. Olhei para ela e falei assim, eu nunca mais Vou fazer uma coisa parecida com essa. Eu nunca sofri tanto na minha vida.
Eu não quero fazer, estou te avisando agora. Se eu falar que eu quero voltar, você não deixa eu voltar. Foi muito, muito, muito, muito ruim. E hoje eu já tô absolutamente reconsiderando tudo isso aí. Eu acho, Michel, que para mim tem uma coisa muito marcante assim da Conrads. É, eu fiz um esforço que eu nunca fiz na vida, né, um esforço físico que eu nunca fiz na vida. E junto com um esforço físico brutal, você obviamente tem que fazer um esforço físico mental, um esforço grande mental, né.
É, eu nunca imaginei que eu tivesse a força que eu tive durante a prova, nunca imaginei que eu pudesse fazer o que eu fiz. É, não a distância em si. A distância em si eu imaginava que eu poderia fazer. O que eu não imaginava era seguir com o nível de dor e sofrimento que eu tava. Eu lembro que o, acho que em algumas entrevistas o Nato fala, né, que quando o Kaplan fez a, criou a Conrades, ele falou que se você sentir dor e sofrimento durante a prova Você atingiu o objetivo dela, que é você homenagear os mortos da Primeira Guerra Mundial.
Eu homenageei para caraca os mortos da Primeira Guerra Mundial, cara, que eu sofri de verdade assim, mesmo sem saber o nome de nenhum deles. Cara, então o que para mim foi muito transformador foi saber que eu sou muito, muito, muito mais forte do que eu achei que eu era, mas muito mais. Física e mentalmente. Então eu acho que essa consciência sobre isso, talvez ela me traga mais insights, sensações, conhecimento sobre mim mesmo que eu não tinha, que eu ainda, ainda tô construindo isso.
Mas, cara, assim, Eu tive, eu tive a minha primeira sensação de cãibra com 30 km mais ou menos. Eu comprei um sachê lá, devia ter trazido para te mostrar. Eu comprei um sachê que é para resolver a cãibra e eu li bastante sobre cãibra, sei lá por quê, né? Acho que por causa da prova e tal, eu li bastante falando que o conhecimento que se tem sobre cãibra é um conhecimento difícil, né? Não é tão conclusivo e tal. E aí existe uma onda agora falando que a cãibra ela é neuromuscular, então é uma ação no cérebro que você tem que fazer para você resolver a cãibra e não uma ação local.
E que determinados líquidos, determinados sabores ou gostos fazem com que o teu cérebro perceba uma determinada coisa e aí a cãibra é eliminada na hora. E esses líquidos que na matéria falava era mostarda, vinagre e suco de picles.
Suco de picles, cara.
O suco de picles, eu vi no The Running Event quando eu fui em 2023, uma empresa de suco de picles, e que eu acho gostoso, né, cara. Tem gente que acha meio nojento, eu acho, eu não, acho legal, né, o suco de picles. E aí tinha um sachê com esse treco, cara. Eu olhei aquilo na Expo, eu falei assim, ah, vou comprar. Aí eu comprei, comprei 6, mas eu comprei muito mais como falando assim, ah, talvez eu precise na prova, mas eu quero levar para o Brasil para mostrar, porque é um negócio diferente e tal.
E eu comprei 6, eu levei 3 para prova porque eu sou um imbecil, porque não pesava nada. Eu tinha que ter levado 6, né, mas eu levei só 3.
É tipo um sachezinho daqueles que vende azeite, de gel, igualzinho quando você vai no restaurante, igual, igual o sachê de gel.
Do mesmo tamanho, do mesmo formato de um sachê.
Então é uma quantidade razoável, né?
Quase igual a esse aqui da Z2, quase igual. Ele até um pouquinho maior assim. Ele é mais fino porque o líquido é líquido mesmo, né? Não é grosso, não é viscoso, cara. Então aí no quilômetro 30 eu senti uma pré-cãibra assim, cara. A hora que eu senti aquilo eu falei, nossa, Tá cedo demais, cara, tá cedo demais para uma câimbra. Comecei a ficar super aflito. Aí eu falei, vai pegar, panturrilha direita. Eu falei, vai pegar, vai pegar, vai pegar.
E aí você começa a entrar na nóia, né? Aí, cara, aí pegou. E eu já tava com o sachê na mão, né? E o sachê, a instrução é essa, não é pré, é na hora que der. Cara, deu, eu tomei. E passa. Não é que passa de vez. Mas alivia na hora assim, muito, muito. Não sei se mental, não sei se autossugestão, não sei, mas pouco importa.
Funcionou e passou.
E aí, cara, eu continuei, continuei, continuei, cara. Aí ainda entra especificamente no mundo da Conrades assim, na prova. Você já ouviu falar dos bus drivers? Bus driver é o pacer. Eles chamam os pacers de bus drivers. Então eles se chamam de ônibus. A galera que junta em volta do bus driver é o ônibus, é o bus, né? A Conrades esse ano ela teve 3 largadas, né? A largada às 17h, 17h15 e 17h30. Então eles conseguiram fazer isso, era uma coisa que não— eu não sei se ano passado já teve isso, mas esse ano teve.
E aí eles conseguiram separar, porque antes era do tiro de canhão até a chegada. Se você tá largando lá atrás, azar o seu, né? Então eu saí na segunda onda, na segunda onda que era laranja, eu vi o bus driver colar em mim no quilômetro 1, 2, o bus driver de 11:30 de prova. Eu falei assim, ah, vou ficar aqui no bus driver. Eu tava sozinho, né, cara? Eu achei que eu ia correr com a turma da Z-Trek, né, do Zeca, mas a turma da Z-Trek largou na terceira onda, 15 minutos depois de mim.
Eu falei assim, ó, 15 minutos, eu sei que 15 minutos para mim vai fazer uma diferença bizarra, né, cara? Então se eles terminarem a prova depois de 11:45 eu me ferrei, né? Então, cara, vou colar aqui no bus driver. Era um homem, uma mulher, microfoninho: nós somos o bus driver das 11:30, nós nunca deixamos ninguém na mão, confiem na gente. Assim, cara, é bem legal. E eles são voluntários, né? Eles não são contratados da prova.
E eu já tinha ouvido gente falar assim, cara, o o bus é a melhor solução. E gente falando assim, não confia no bus porque o bus pode quebrar. Cara, eu tava ali com puta medo, né, cara, da prova. Bom, colei no bus das 11:30 e fui indo no bus das 11:30. Aí lá no quilômetro 30, 30 mais ou menos, eu vi a turma do Zeca da Z-Trek. Aí eu falei, nossa, eles estão aqui na frente! Então eles tinham me passado e eu não tinha visto. Muita gente, muita gente.
E aí eu ele estava ali na frente. Eu olhei para o bus. Quando eu entrei no bus, tinha tipo umas 10, 15 pessoas. No quilômetro 30 já tinha umas 40, 50 pessoas coladas ali no bus. Aí eu fui para o Zeca, tava o Zeca e mais 4 da Z-Trek, o Zeca, o Gabriel, Adriano, a Fê e o Pardim, né, que é uma turma ali da Z-Trek. Aí colei neles, a gente começou a bater papo. E aí eu fiquei com o Zeca do 30 e pouco até os 50, mais ou menos. E a gente ali trocando ideia, batendo papo, tal, cansado obviamente, né?
Eu lembro, tive várias conversas com o Zeca, né? E aí chegou uma hora que ele virava, ele virava e falava assim: ah, galera, tá chegando na maratona. O que é uma coisa completamente maluca, né? Você fala assim: tá chegando na maratona? Ainda vai demorar mais do que a maratona, né, para você terminar. Aí chegamos na maratona, chegamos na metade. Aí a partir do quilômetro 50, mais ou menos, o bus de 11:30 colou na gente de novo.
Aí eu olhei e falei, eu não vou ficar com o Zeca, porque o Zeca tem margem, eu não tenho. Então eu vou com o bus. Aí eu fui com o bus, passou um tempo, Zeca colou de novo. Zeca é a turma. E a gente ficou junto. Depois o bus foi embora, eles ficaram para trás. É, aí lá para o quilômetro 60 e poucos, é o esquema do bus de 11:30. Na hora que chega na subida, um deles faz assim, começa a falar algumas coisas, né? Tinha algumas coisas que eu entendia, eles tinham um sotaquezinho e tal, algumas coisas eu entendi, algumas não.
Mas chegava uma hora que eles falavam Let's walk! E aí todo mundo anda. E aí chegava na subida, a gente andava. E aí, cara, isso era um alívio, né? Um alívio, porque você tá ali no trote constante, um trote num pace de uns 7, 7 e pouco mais ou menos. E a hora que andava, só que não andava facinho, andava a 9:30. 9:30, cara, é uma andada, é uma andada rápida, uma andada rápida. E aí a gente andava Só que a partir do quilômetro 60, mais ou menos 50, 60, nessa andada, na hora que chegava no plano 3, 2, 1, let's run, nessa hora minha perna travava de câimbra em tudo, nas duas panturrilhas, nas duas, nos dois quadríceps, na parte de trás também, no posterior aqui, cara, travava muito.
E aí eu começava num trote meio torto assim, cara, ia encaixando. E aí, para só para finalizar esse contexto, quilômetro 70 mais ou menos, o homem do bus, o bus driver, saiu, não aguentou, e só ficou uma mulher.
Uau!
O cara quebrou, aí o cara saiu. Nessa hora o bus já tava com umas quase 100 pessoas. E aí a gente continuou, passou um tempo Numa dessas que terminou a subida andando e a gente encaixou, minha perna travou muito, muito, e o bus foi embora. E foi muito triste, foi muito assustador, cara, foi muito desesperador, porque era um misto de ódio, raiva, com tristeza, frustração. E eu falando assim, eu acho que não vai dar, eu acho que eu não vou concluir a prova.
E a Pri criou um grupo no WhatsApp que nesse grupo tava eu, a Pri, o Nando, a Elo, minha cunhada, e o Felipe e a Malu, que são os meus filhos, estavam nesse grupo. E foi a última vez que eu mandei uma mensagem. Eu falei assim, ó, estou com muita dor, eu acho que não vai dar. Porque eu tava fazendo conta, né, de pace no relógio e tal, falando assim, acho que não vai dar. E aí, Michel, eu olhava no relógio, eu falava assim, puta, mas Eu não vou voltar para isso aqui.
Isso é muito ruim, é um sofrimento muito exagerado. Eu não vou voltar para isso. Então eu preciso acabar, eu preciso terminar, porque é a única chance que eu tenho de fazer isso, porque eu não vou voltar para essa merda nunca mais na vida. E eu falo assim, e aí eu pensava assim, você fica negociando, eu ficava negociando com a minha cabeça, porque às vezes a gente fica negociando Como que a gente pode desistir e não ser tão ruim? Não era isso que eu negociava.
Você tentava arrumar um atalho, mas não tinha.
Eu negociava pra saber por que que eu tenho que terminar, por que que eu tenho que fazer força. Era uma negociação contrária. Eu falava assim, eu preciso ter... E aí eu ficava pirando, falando assim, caceta... Juro, tá?
Juro.
Eu falava assim, eu vou na endorfina. Vai ser uma merda eu contar essa história. Por eu não ter conseguido a minha metade, né, cara?
A gente tinha marcado, né?
A gente tinha marcado.
Eu vou no endorfina, eu não vou ganhar uma porra de medalha, vai ser horrível. Ai, caramba, meu. Aí eu pensava assim, eu comprei um monte de roupa da Conrades, cara. Eu comprei camisa, eu comprei bermuda, eu comprei meia. Eu tenho boné, o boné de— só os inscritos têm o boné da Toyota, aquele vermelho. Eu tenho a camiseta da prova. Eu não vou poder usar nada, cara. Porque eu me conheço, eu não vou usar. Por viadagem, desculpa o termo, gente.
Sem preconceito. Por frescura minha, por idiotice minha, eu não queria usar. E aí eu ficava pirando nisso, né, falando: eu preciso terminar, eu preciso terminar, tal. E aí, mesmo com cãibra, eu começava a correr. E eu nunca na vida imaginei que era possível correr com cãibra, porque eu não sou um atleta de alto rendimento, cara.
Então assim, Você nunca precisou, cara.
Quando eu tive cãibra em prova, eu parei, eu parei, alonguei e tal, e dane-se, né? E tudo bem, vou terminar. Já fiz meia maratona em 3 horas e meia porque eu fiquei cansado e, cara, andei a prova. Então que se dane. Mas, cara, é essa força de falar eu vou continuar correndo com muita dor. Eu nunca imaginei que eu tivesse, eu nunca imaginei que, Michel, assim, o meu pé direito ele entortou assim, ó, ele entortou para dentro e para fora ao mesmo tempo.
Então ele ficou meio na diagonal assim, o meu pé, por causa do músculo puxando da cãibra. Eu olhava, eu falava assim, cara, eu preciso, eu preciso, eu preciso arrumar isso, eu preciso correr. Então eu preciso fazer com que minha perna funcione como se eu não tivesse a cãibra. E aí eu enfiava a unha do meu dedão na lateral do meu dedo indicador com muita força, porque eu pensava assim, se eu tirar o foco da minha dor da perna— a puta loucura, né? É loucura atrás de loucura, cara.
E eu pensava assim, o terceiro saco de picles já tinha ido embora faz tempo, muito tempo.
E aí eu falava assim, se eu enfiar a unha aqui, cara, eu vou, eu vou, eu vou mostrar para o meu cérebro que a dor tá aqui e ele vai parar de olhar, prestar atenção em outra dor.
Do tipo, eu tava, mas parece que isso funciona. Não sei nesse caso aí, mas eu tava com essa pulseira aqui, né?
Eu pegava as bolinhas da pulseira e eu apertava aqui assim, doía os dois dedos, o dedão e a lateral do outro, e ficava apertando, apertando. Apertando, enfiando a unha, enfiando a unha a ponto de quase furar a pele assim, cara. E para mim, o momento de mais dor assim, mais sofrimento mesmo, a última subida, ela chama Polichortes, que é que todo mundo fala: nossa, subida, isso é difícil, não sei o quê, não sei o quê. E ela tem, quando você termina a Polichortes, falta tipo 6 km para acabar para acabar a prova.
Você entra na cidade de Pietersmaritzburg e faltam uns 5, 6 km, você termina a prova. E a subida, essa Palischoorts, ela me lembrou muito, muito a subida do Tirassaya em Romeiros. Uau! Ela me lembra muito, até assim o cenário é parecido com o Tirassaya. Então o Tirassaya, ele não chega a ter 2, né? Acho que ele tem 1.900, mais ou menos, né?
2, mas é quase 2, cara.
Lá é tipo perto de 2, talvez seja mais, talvez seja uns 2 e pouco, alguma coisa assim. Mas, cara, é o mesmo nível de inclinação, é aquela coisa da curva que você não vê o final da porra da subida. É muito parecido, muito parecido. Só que o seguinte, existe a Poly Shorts, que é a última subida, e existe uma chamada Little Poly, que diz que a galera acha que quando entra na Little Poly, as pessoas acham que aquela é a Poly Shorts.
Porém, eu tinha feito 2 dias antes o bus tour, que é legal, que o bus tour ele te mostra o roteiro da prova. Inclusive, a gente parou no bus tour, a gente parou num restaurante, num lugar chamado One Thousand Hills, as mil montanhas, as mil não sei o quê. E inclusive eu comprei isso aqui para você.
Ah, não acredito! Sério?
Sim, sim, sério.
Não é o que eu tô achando que é.
Eu não sei o que você tá achando que é. Ah, meu Deus do céu!
Olha lá, para quem tiver assistindo, um chaveiro. Ah, cara, eu não acredito! De rinoceronte, One Thousand Hills, com Azul do Natal. Ah, cara, eu não tenho chaveiro de rinoceronte. Ah, então agora eu tenho mais de 100. Eu tenho energético, eu tenho moeda, eu tenho tampinha de água. Cara, eu não tenho, meu. Legal, cara, eu tô arrepiado aqui agora. Olha lá, meu, muito obrigado, cara. Você não sabe, caramba, cara. Uau, a gente tava na empresa, cara. Muito obrigado, meu.
Bastur, né, ele para nesse restaurante, aí a gente faz uma, a gente come ali no restaurante. E aí, cara, eu vi que tinha um cantinho ali que vendia umas coisas. Daí, a hora que eu olhei, eu falei assim, ah, eu vai fazer onde, cara? Vou levar para o Michel e tal. Aí peguei.
Mas enfim, esse eu vou deixar aqui na prateleira.
E aí o Bastur, ele mostrou o que que era a Liropoli e a Polichorts. Então eu sabia onde eu tava, né? Então, cara, tá assim, sobe a Liropoli, que a Liropoli também é um perrengue. Sobe a Liropoli e aí quando termina a subida da Liropoli, ele dá, ele alinha, né, fica reto. E aí tem piramba para baixo, piramba tipo a Química da USP, só que mais comprida e um pouco mais inclinada para baixo, mas é meio parecida ali com a Química, cara.
E eu tava com a perna destruída, destruída, cara. E eu falava assim, eu olhando no relógio, falava assim: se eu não correr, eu não chego. Eu preciso correr, eu preciso correr. Cara, e eu engatei um trotinho ali completamente torto, com uma dor absurda, absurda assim, cara, com cara de poucos amigos assim, com ódio, cara. Eu tava com ódio no coração, no olhar assim, cara. Acho que é por isso que eu tava meio sozinho, não tinha ninguém perto de mim.
As pessoas deviam estar com medo da minha cara ali, cara. E eu desci aquilo, cara, num trote, eu chutaria um 6 para 1, 6,30 assim. O que era rápido, né, naquela altura do campeonato ali devia ser quilômetro 70 alto assim, cara, devia faltar uns 10 km para acabar a prova. E aí você engata na polichortes, e aí você engata na polichortes, você anda. Eu quando chegava na subida, que a outra relação maluca, chegava na subida eu ficava aliviado porque eu falava assim, a dor da câimbra ela passa, o que agora pega é É um cansaço, mas esse cansaço tá tudo bem, cara, porque não dói, ele só é cansativo.
Aí sobe a Polly Shorts inteira, chega lá em cima. E aí, na hora que eu vi uma placa de 5, faltando 5 km, foi a hora que eu olhei no relógio, falei assim: acho que vai dar. Foi a hora que voltou o ânimo do acho que vai dar, ainda não tinha certeza. Eu falava assim, porque o meu medo não era o pace, o meu medo era eu colapsar. Eu tinha medo de colapsar, eu tinha medo de minha perna travar, não ter condição mesmo, né, de chegar assim, da minha perna virar ao contrário assim, do meu joelho dobrar.
Eu tinha medo dessas coisas, tinha medo de falar assim, talvez eu caia e não consiga mais andar por causa da intensidade da dor. E aí eu olhei e falei assim, meu, falta uma hora e pouco. 5K, uma hora e pouco, cara, dá para eu ir andando, mas eu não posso bobear. Mas dá para fazer andando. A hora que eu vi a placa de 3 km, eu olhei e falei: agora tenho certeza que vai dar, eu vou andando devagar, eu vou com calma. E aí fui andando e tal.
A hora que um cara colou em mim, era um cara que tava no bus. Uau! Não sei quem é, não sei o nome, não sei nada, mas é um cara que tava no bus que eu reconheci o cara, e o cara me reconheceu, porque Eu tava com a camiseta da Milk, né, eu tava com a camiseta malhada. Então o cara me reconheceu, aí a gente começou a bater papo. Puta prova dura, aquela coisa, os dois se lamentando, mano, mas que legal que tá acabando, tal. E aí o cara, faltava 1 km, o cara fez um trotinho, eu falei assim, ah, vou tentar chegar num trotinho, né, cara.
E aí, Michel, foi bem, bem legal essa hora, porque você vem num retão na cidade e aí você tem uma curva faltando, sei lá, uns 600 metros assim. Tem uma curva. Nessa curva tinha umas mulheres no canto cantando Xoxolosa em coro, de arrepiar assim, e um pôr do sol bizarro, cara, bizarro. E essa era uma outra coisa que me pegava, né, era chegar à noite. Eu não queria chegar à noite porque eu sabia que à noite eu teria muito pouco tempo, porque a hora que escurecia já tava tava quase dando 12 horas.
E aí eu vi o pôr do sol lindo, lindo. Já te mostro foto bizarra, porque eu cheguei a filmar as mulheres cantando e o pôr do sol. E aí eu virei na chegada, faltando, sei lá, 100 metros, né, 100 e poucos metros, que é aquela ruazinha de grama, porque é o único lugar que tem grama, é a chegada. Eu tinha visto no grupo que a Pri me falou que ela estaria do lado ali, pertinho do pórtico de chegada. E aí, a hora que eu virei, eu a vi.
Aí eu parei na frente dela, dei um abraço, dei um beijo, falei, pô, que irado, deu, né? Que legal, que legal, tal. E aí eu cruzei a linha. Então eu acho que o grande aprendizado pessoal da Conrad foi: eu sou muito mais forte do que eu achei que eu era. Agora, se eu carrego isso para outras coisas, se eu vou sentir isso isso com relação a um perrengue maior de saúde da família, da Milk. Eu não sei, eu não sei te falar. Eu sei que naquela hora eu descobri uma versão minha que eu não conhecia, e foi legal.
Foi sofrido, foi horroroso por um lado, mas olhando agora, falando assim, pô, irado, eu não sabia que eu conseguia fazer isso. Descobri uma coisa que você não sabe, né, sobre a gente. Então acho que isso foi um puta aprendizado.
Você sabe que Coincidentemente, foi o Pedro Cerise quem falou isso aqui no começo desse ano, acho. Pedro Cerise correu a Conrades com a esposa dele, foi, acho que ele correu antes de uma maratona, ele resolveu correr. É um mogul aí do mercado financeiro, um cara fantástico e tal, e ele resolveu correr, acho que a Conrades. Eu tô meio confuso aqui agora, meu HD lotou faz tempo, mas enfim, ele foi correr com a esposa dele. E eles correram.
A ideia era que a esposa corresse a segunda metade e ele correria com eles inteira. Só que chegou lá e viu que não dá para correr a segunda metade, né? Tem que correr a prova inteira. Não tem logística, não tem Uber, não tem nada.
E eu acho que nem é, com certeza é proibido, né?
Mas assim, ela logo viu que não ia dar, então ela teve que correr inteira. E eles dois correram. Coincidentemente, foi ele que falou isso. Você citou várias vezes aqui sofrimento. E aí, na nossa conversa, na, acho que na primeira conversa, eu tive já duas com ele, ele falou que existe uma diferença entre sofrer e sacrifício, que o sacrifício, etimologia da palavra, tem a ver com o sacro, tem a ver com você passar eventualmente por uma sensação de sofrimento, mas é um sacrifício que você tá fazendo em prol de alguma coisa, né?
Se você sofre um acidente e perde um membro, se você perde uma pessoa, isso é um sofrimento, porque isso não é nada que você se propôs a fazer para atingir um estado, né? Então talvez aqui, só tô te dando aqui um momento de reflexão, porque me veio muito à cabeça isso. Coincidentemente, vocês dois correram uma Conrad. Talvez tudo isso que você falou de sofrimento, se você transformar isso na sua cabeça em sacrifício, talvez ele, a ressignificação, né, que muita gente fala, né? Porque você se propôs a correr correr.
Sim, te obriguei, me obrigou.
Não fui eu que inventei, nem a mim. O que, né, você quis. Sim. E você relatou nos textos da, da, dos textos da Contrarrelógio que você tinha medo de tudo, né, da subida, nananã. Sim. Mas qual foi o medo mais real mesmo assim? Qual foi o medo que mais te apavorou? Se é que dá para a gente quantificar medo, né? Porque você tinha medo da subida, da descida, tinha medo de não aguentar. Agora você disse que teve medo de talvez colapsar e não conseguir, né?
Tipo, você querendo, mas, cara, o corpo não vai, o corpo pifa. Isso acontece no ultra-endurance muito, né? Às vezes até em provas menores. Teve algum dos medos que foi mais preponderante e que te assustou mais? Você já tinha vencido outros ao longo da prova?
Eu acho que foi o medo de não concluir. Foi a coisa mais emblemática, assim, mais tenso, mais— foi o momento mais duro da prova. Devia ser 1,60 km mais ou menos. Eu lembro bem do lugar assim, a cena foi, foi a hora que o Buzz foi embora, né? Na hora que o Buzz foi embora, eu falei assim, eu não consigo acompanhar, não consigo. Foi uma sensação muito ruim assim, porque das outras vezes, eu teve uma vez que o Buzz ele se afastou, mas eu consegui alcançar.
Tiveram umas duas vezes que o Buzz se afastou, eu consegui alcançar. Nessa vez eu falei assim, eu não tenho condição. E aí Nessa vez que o bus foi embora, eu encostei, eu encostei na rua. Então fisicamente eu tive um movimento ali, eu saí do meio da rua e fui para o cantinho, porque eu falei assim, eu vou, eu vou quebrar. Então eu fui para o canto para deixar as pessoas passarem, né, para não atrapalhar as pessoas. Nessa hora, cara, foi muito— ah, nessa hora eu senti muito medo.
Mas é um medo, olhando hoje, né, um medo bobo, né, cara? Porque, ah, tudo bem se eu não concluísse, né? Eu também tava trabalhando a minha cabeça para não concluir a prova. Até porque hoje eu tenho total consciência, total consciência de que eu treinei muito menos do que eu deveria. Total consciência. Inclusive conversado, conversado isso com o Tagumi, né? Eu treinei muito menos do que eu deveria. E eu não tô tirando meu mérito, não.
Eu fiz a prova, né? Eu concluí a prova. Eu me sinto feliz e realizado de ter concluído a prova. Mas eu não treinei o quanto eu deveria ter treinado. Tiveram diversas coisas ali na CONRDES, né? Por exemplo, eu não treinei caminhada em subida. E hoje eu entendo que seria muito importante eu ter treinado caminhada em subida. Eu deveria ter treinado muito mais subida. E não é que o Togumi não me passou os treinos, ele me passou. Mas eu não conseguia concluir, até por causa de um momento de vida.
E enfim, a vida deu uma bagunçada no último ano. Mas o medo mesmo, que hoje eu entendo que é um medo bobo, porque se eu não concluísse tá tudo bem, né? Mas foi esse, foi falar assim, porra, eu vim até aqui e não vai dar, que merda! Era isso que eu pensava.
É um medo bobo? Talvez só até a primeira página, porque é o seguinte, quando a gente— o legal do esporte e principalmente do endurance, que é a minha especialidade aqui no Endorfina, é assim: ninguém te obrigou. Sim, você gastou tempo, você investiu tempo, muito tempo profissional, pessoal, você gastou dinheiro, você deixou de fazer algumas coisas que talvez você faria se você não tivesse nesse. Você se comprometeu, foi um comprometimento voluntário, totalmente voluntário.
Então assim, é meio que tudo bem se você parar, mas assim, é você te desapontando assim, tipo assim, cara, tudo que eu fiz, né, para eu chegar aonde eu cheguei, no quilômetro 60, no 30, não importa, no 80, cara, é tipo uma coisa assim, cara, eu tenho que terminar para justificar, né, para justificar todo esse sacrifício. Por conta dessa pequena medalhinha, sim, que não significa nada, uma moeda, né? Mas tudo isso que você tá relatando aqui, eu acho que é isso que também o Endurance traz muito.
Não é uma competição contra os outros, é contra— e não é nenhuma competição, é um desafio que você se impôs, fazer uma coisa que você nunca fez para que você pudesse viver isso. E você pode falar, cara, foi legal, mas talvez eu não tenha aprendido nada. Aí talvez a pessoa correndo 10 aprenda muita coisa. E aí tudo bem, não tem um que é melhor, um que é pior, não tem o que é certo, que é errado. Mas eu fico observando aqui, né, hoje eu tô muito mais na posição de observador do que de realizador.
Mas é isso, cara, você escolheu passar por isso, sim, e você teve sucesso, independente do tempo. Você conseguiu realizar o que você se propôs. Isso diz muito, isso talvez construa mais na nossa personalidade, no nosso ego, na nossa essência, do que a jornada em si. A jornada faz parte, né, mas do que a medalha, ou do que você, né, poder dizer, usar sua camiseta, que foi a primeira coisa que eu notei, né, óbvio. Então acho que isso diz muito, cara, do ultra-endurance e da nossa resiliência pessoal hoje.
Eu tenho certeza, e que acho que você vai concordar, você é um cara mais resiliente.
Por quê?
Você é mais resiliente porque você passou por uma Conrad. Pode ser que amanhã você tropece numa pedrinha também de um grão de arroz e você se lamente, você chore, mas assim, você sabe que você consegue. Sim, é que o ser humano é tão complexo que não é uma coisa linear, né? Enfim, mas eu acho que o barato de quem faz coisas como você fez É isso, é você, foi um tijolo bem importante, grande, que você conseguiu usar aí para construir uma parte do Cado hoje com 53 anos que você não tinha até agora, né, e que você nunca passou por isso, né.
Eu aproveito, cara, para falar o seguinte: você fez uma prova de 11 horas e 36, né, é muito parecido com uma prova de Ironman em termos de tempo. Sim, né? O limite do Iron Man são 17 horas. Mas, cara, nem vendo a Malu tocando Iron Man no palco do School of Rock não te anima, cara, de experimentar os Iron Man, meu? Porque, cara, a hora que eu vi o vídeo dela lá, né, e vi vocês tocando saxofone, ela cavaquinha e tal, e de repente ela numa apresentação no School of Rock, sim, eu falei, cara, deixa eu ver que música que é, né?
A hora que eu ativo o som, meu, é Black Sabbath, depois teve Judas Priest. Falei, meu, que legal, cara. Aí na hora eu falei, porra, a filha dele já tocou Iron Man, meu, vamos lá, meu, vamos fazer um Iron Man lá em Floripa, meu. Cara, eu pela curiosidade, não pelo feito, ah, eu vou ser um Iron Man, para você experimentar esse tipo de sensação.
Então eu acho muito atraente assim o Iron, né? É, eu acho, acho também uma prova muito encantadora, né? Acho todo astral, todo em volta do que significa o Iron Man, eu acho muito bacana. É, acho que talvez esse seja um aprendizado da Conrad, né? Eu acho que eu consigo fazer um Iron Man, né? Eu acho que eu consigo.
Se não acontecer de você colapsar Sim, sim, eu não tenho dúvida.
Eu acho até que é que eu nunca me coloquei numa situação de começar a correr depois de ter pedalado tanto assim, né? Já fiz isso pouco, né? Mas eu acho, cara, a única coisa que me pega, falando em termos bem pragmáticos aqui, bem práticos, a única coisa que me pega do Iron é treinar, cara.
E já é uma parte grande, né?
Acho que é a parte maior de todas, né? O treinar para o Iron, a história da piscina, a história do tempo de pedal. Bicicleta nem me assusta tal, porque o Nando tem duas, né, cara? Ele, eu tenho certeza, não, não é nenhuma das duas é TT, né? São duas roads. Mas eu nem sei se eu nunca, acho que eu só experimentei uma TT, mas nunca sentiu uma TT para saber o quanto que é diferente? É muito, muito diferente.
Eu nunca pedalei numa TT. Ah, todos os tempos eu sou da época que não tinha TT, né?
Ah, então você fez tudo de road, né?
Aliás, tinha TT, mas era de pista. Sim, e tinha algumas pessoas que competiam com essa bicicleta, mas assim, era dificílimo de você ter. E aí era de pista, mas com marcha. Sim, né? Assim, eu não sou da época da— eu até tive uma TT, a primeira que lançaram comercialmente, mas ela não se encaixa, eu não me encaixei nela, era era pequena para mim, tá? Então eu logo vendi.
Ou seja, tem uma bike que eu tenho certeza que o Nando me emprestaria. Quem sabe, cara?
Eu não vou falar nunca, mas eu acho que assim, eu ia te dizer isso, não diga nunca, porque do jeito que você curtiu essa experiência com todos os sofrimentos ou sacrifícios, o Ironman também. Mas assim, eu ouvindo, e claro, cada um é cada um, mas assim, eu ouvindo o relato do Tuche, cara. Assim, você vê que, meu, esse slogan do Iron Man aí, agora para falar de mercado, né, anything is possible, é, né, é muito legal. Então assim, e não à toa que o Iron Man cresceu o que cresceu. E a história do Iron Man 70.3 é mais legal do que a meia maratona, né?
Exato, exato.
Eu já venci um meio Iron Man, então eu sou um meio Iron Man, né? Eu não sou um Iron Man. Agora, se eu tivesse vencido um Iron Iron Man, 70.3, Iron Man vírgula 70.3, né? Te dá muito mais sacada dos caras. Americano é bom para isso, né, cara? E como pai, né, de dois adolescentes, já deixando adolescência, o Felipe, a Malu, que lição assim que você gosta, que a corrida te deu, que você gostaria de passar para ele, sabe? Implantar no chip.
A gente sabe que muitas vezes a gente não consegue, né, passar o que a gente quer. Os filhos, ainda mais nessa idade, muitas vezes são muito mais fechados e tal. Mas assim, se você pudesse, né, implantar no chipzinho deles ali, né, uma lição que você aprendeu nessa tua relação com a corrida, seja cada corredor, seja cada carro da Milk, tem alguma coisa assim que te vem à mente que você fala, cara, isso aqui eu gostaria que eles aprendessem, porque talvez a vida deles vai ser mais fácil, a vida deles vai ser, a ótica dele, a perspectiva deles para vida vai ser mais legal?
Eu não sei se eu aprendi alguma coisa com a corrida. Eu aprendi sobre a corrida, né? Eu acho, eu acho que eu gostaria muito que eles corressem.
Vi que o Felipe correu, né, uma prova de 10 km, né? Como você, um pouquinho de vergonha.
Não, foi, ele correu uma prova de 10 com os amigos.
Não, foi que os amigos não iam levar. Esse escreveu isso lá para o Pro Cacabó.
É assim, eu acho que o Fê, ele correu uma prova de 5, eu acho, com os amigos. Não me lembro se foi 5 ou 10, mas eu acho que foi 5, que foi uma prova do Clube Pinheiros.
Cara, que legal!
Ali na Marginal Pinheiros ele correu essa e ele correu uma comigo de 6. Ah, tá, que foi a do, aquela Troféu Cidade de São Paulo, sabe, da JJS, que acontece no Universidade de São Paulo. No ano passado. Eu acho, eu acho que a corrida ela traz tantos benefícios, né, benefícios físicos, mentais, sociais, tão, tão bons para tudo, que eu acho que a experiência da corrida em si ela é muito legal. Então eu gostaria muito que eles corressem.
O Fê, ele já tem alguns amigos que correm, né, a Malu menos, né. O grande barato da Malu é futebol, né, ela gosta, joga bem e tal. Mas eu gostaria muito que eles corressem, os dois, porque— e não é por mim não, é por eles, né, cara? Porque eu acho que a corrida ela traz o benefício da, cara, da saúde, né? Na época que eu tava correndo todo dia, eu, eu só perdi a nóia de não falhar, né? Eu fiquei quase 2 anos sem falhar nenhuma vez, religiosamente.
Mas eu continuo correndo praticamente todos os dias, né? Eu às vezes falho uma vez a cada 15 dias, tal, mas eu continuo correndo. Então eu voltei a correr da conta.
Mas você não fica intenso com isso mais?
A tua relação com a corrida hoje, vamos dizer, tá mais saudável, mais tranquila, né? Então assim, acordei um dia falando assim, puta, tá chovendo muito, tô cansado. Então hoje eu fui, fui na chuva e foi irado.
Você não corre em esteira?
Não.
Eu fui correr na esteira hoje.
Não, mas nem tem esteira também, né? Eu precisaria estar numa academia para ir numa esteira, tal. E assim, já que eu vou sair de casa, já vou correr, né? Então, e fomos juntos, eu e a Pri, a gente foi, a gente correu junto.
É legal, né, quando você tem uma companhia assim prática, fácil.
Não, e foi, foi muito legal, né? Porque assim, você sai de casa, aquela chuva gelada, né, cara? E a gente já começou a correr de casa. Às vezes a gente sai andando, hoje a gente saiu correndo. Então acho que para o Felipe, para a Malu, eu acho que o benefício da saúde, o benefício social, o benefício mental, né, que isso gera é muito bacana. E eu não conheço, eu não tô falando que não existe, longe de mim, mas eu não conheço outro esporte que traz tanto benefício como esse, outra atividade que traga tanto benefício quanto essa.
Então, cara, o que eu gostaria muito é que eles vivessem parte do que eu vivo. E aí o que eu ia falar de correr todos os dias, né, eu tava no volume tão grande, tão grande, né, correndo e fazendo musculação, né, eu fui fazer vários testes, ali na InSport com o Gerson e com a Ju, o Gerson Leite, a Ju Pérez e tal. Cara, eles fizeram vários testes comigo, ficaram super impressionados. Eu tava numa forma física muito legal, né? Isso foi acho que no começo do ano passado, mais ou menos, né?
Eu tava muito bem, né, com porcentagem de massa magra e massa gorda, tava muito, muito bem. O que é muito legal nesse rolê É que você pode comer muito, cara. É muito legal, é muito legal. Você fala assim, eu vou comer a pizza que eu quiser, cara, porque eu vou gastar esse negócio, então tá tudo bem. Claro, no final você não faz isso porque você não vai comer a quantidade de pizza grande porque vai estragar o teu treino, e o teu drive é o treino. Mas é muito legal.
Para terminar aqui, duas coisas. Você não pensa em se especializar, por exemplo, em triatlon também? Né, porque você disse em todos os outros podcasts, eu falei aqui, que você agora se especializaram em corrida, assumiram isso e tudo mais.
Para abrir um pouquinho o leque, eu acho, eu assim, eu não acho que a gente não é especialista em triatlon, acho que a gente também é especialista em triatlon. É que o tamanho de mercado de triatlon e da corrida, ele é muito distante, né? A corrida é muito, muito maior do que o triatlon. A gente continua atuando em triatlon, né? E quando você pega o mundo do ciclismo ou do triatlon ou do trail, né, eu sei que são bichos bem diferentes, mas eles fazem parte de um universo parecido.
O trail tá mais próximo da sua, mais ou menos, mais ou menos, porque assim, na hora que você pega uma comunidade, né, é uma comunidade diferente e cada um tem a sua comunidade, né? O triatlon tem uma comunidade, a corrida tem outra, o trail tem outra, o ciclismo tem outra, e como outros tem outra também. O tamanho do mercado da corrida, ele é muito, muito, muito superior a esses, a esses 3 que eu falei, né, o ciclismo, triatlon e o trail.
Eu acho que o que a gente se, o caminho que a gente foi, né, para onde a gente se predispôs aí, que é a especialidade na corrida, ela tem muito mais a ver com o quanto o mercado busca de serviços, tem muito a ver com a demanda. Mas a gente sempre ativou, né? A gente atendeu a Oakley durante bastante tempo, né? E a Oakley, a gente montou vários Team Oakleys, né? A gente criou o conceito de Team Oakley e é uma relação muito próxima com o triatlon.
Sempre que pintam algumas demandas de triatlon, nós temos triatletas na Milk, né? Eu, apesar de eu ter feito triatlon, eu eu me considero um aspirante, né, cara? Não me acho um triatleta não, mas tem uma galera que é especialista em triatlão. E se a gente precisar de um nível de profundidade muito maior, a gente sabe onde buscar, né? Que é isso que eu falei, que não tem como a gente saber de tudo, então a gente vai buscar essas especialidades.
Mas eu vejo que o mercado que se conecta com o tri ele é um mercado que, do ponto de vista de negócio, ele é bem menor para a Milk. Se eu fizer uma comparação, por exemplo, de corrida com ciclismo, cara, eu fui ciclista urbano durante muito tempo, eu sempre gostei muito de bike, já fiz let-up, né? E assim, eu gosto muito. E durante um período eu me envolvi no cicloativismo, me envolvi com os principais fabricantes e importadores de bike do Brasil.
Conheço a maioria dos executivos desse negócio e tal, cara. E a gente nunca conseguiu fazer negócio com marca de bike, nunca conseguiu. As verbas são muito diferentes, né? A verba é muito menor, né? O modus operandi dessa galera é muito mais interno do que externo, né? Então você pegava— eu tinha uma ótima relação com a Trek, uma ótima relação com a Specialized, uma ótima relação com o grupo Dorel, né, Canondê, o Caloi e tal, uma ótima relação com todos eles.
Mas na hora que a gente ia fazer negócio, a Milk não se encaixa. E não é nem que a Milk é cara, cara, de verdade, a Milk não é uma empresa cara, real, não é mesmo. As pessoas acham que a gente é muito mais caro do que a gente é, mas a verba não encaixava.
Entendi.
Porque eles fazem tudo internamente, né? O departamento de marketing pilota todas as ativações e faz muito bem feito, né? Quem sou eu para julgar, cara? Os caras fazem um trabalho bem feito.
É uma questão de demanda, então é uma questão de demanda. Para terminar, se você pudesse encontrar esse cara, né, de 20 anos lá na feira da Conrades, hoje aqui ele vai estar aqui fora, que que você diria para ele, cara?
Nossa, acho que eu provocaria ele falando assim, velho, Você pode achar que você nunca vai fazer, mas você vai fazer. E você não vai acreditar o dia que você cruzar a linha de chegada. Você vai falar: não é possível que eu fiz esse treco, cara. Mas você vai fazer. E eu iria— e aquele eu iria olhar para esse meu eu e ia falar assim: cala a boca, não tem nenhuma chance. Eu não ia conseguir convencer, cara, porque eu tava tão certo que era impossível aquilo, cara. Então eu ia só me divertir.
Quem sabe você agora vai virar um propagador da palavra, da palavra.
Vou ser um discípulo de Nato Amaral. Exato.
E você vai viver uma situação dessa, né, cara? Daqui a X anos o cara vai te procurar e falar: meu, você acredita, Nato? Aquela hora que você me falou e tal, cara, não acreditei, mas o que que eu fiz? Vai ser legal, né? Nato, saúde, cara. Muito obrigado.
Você me chamou de Nato?
Cado. Pô, tô vendo 21 aqui na minha frente.
Pelo amor de Deus.
Saúde, cara. Adorei a conversa.
Eu também. Obrigado, obrigado pelo convite, foi muito legal.
E eu falei que ia ser diferente.
Sim, foi muito diferente. Me fez chorar aqui, botou áudio do meu irmão. Você foi muito sujo, cara, foi muito sujo.
Obrigado, meu, adorei. Saúde para você.
Valeu.
Bom, como eu falei no começo, essa conversa ela não seria sobre o que você talvez já tenha ouvido e conheça do Cado. Então espero que você tenha curtido, eu adorei. Espero que o Cado tenha curtido. Cado, espero que você tenha curtido. Várias pessoas que foram mencionadas aqui, algumas que não foram mencionadas, eu quero aqui lembrar que já passaram pelo Endorfina. Mário Sérgio passou por aqui faz muito tempo, tô precisando chamá-lo de volta.
Rodrigo Lobo, a Rosana Fortes também preciso chamar de volta aí, ela tinha acabado de ser, de ter tinha assumido o Strava quando eu chamei ela. A Zilma Rodrigues, embaixadora da Conrades no Brasil. O Nato Amaral, Adriano Bastos, que correu a Conrades. O casal Pedro e Juliana Cerise, como eu falei aqui agora no final. Júnior Double correu esse ano a maratona, gravei com ele antes dele a Conrades, correu a Conrades antes de eu, depois de eu ter gravado com ele.
E a Denise Amaral, que também correu a Conrades, não sei, 200 e não sei quantas maratonas nessa altura já deve estar com 300. Todos foram pessoas que já passaram pelo Endorfina. E você sabe, você consegue ouvir esse e todos os episódios do Endorfina aqui mesmo onde você tá ouvindo ou assistindo esse episódio. Muito obrigado, até a semana que vem. Não se esqueça, você pode apoiar financeiramente o Endorfina, basta ir no meu Instagram, Endorfina BR, clica na bio, vai lá naquele linkzinho, vai ter uma abinha escrito apoie-se.
Se você acha que esse projeto contribui, engrandece você de alguma alguma maneira te ensina, te faz refletir, considere apoiar financeiramente o Endorfina Toda, e qualquer ajuda é muito bem-vinda. Valeu e até o próximo episódio com mais um convidado, com mais uma convidada, com uma história fantástica. Esse episódio foi um oferecimento da Z2 Performance. A Z2 agora está com nova embalagem dos géis, abre fácil, com melhor fluxo de sucção e bordas arredondadas para não te machucar durante o treino ou prova.
E tem mais novidade, os géis sabores originais da Maratona do Rio voltaram: água de coco e mate com limão, em edição limitada. Outra novidade é o gel de 75 gramas de carboidratos, ideal para estratégias de alto consumo. Siga @z2performance e fique por dentro do universo da Z2. Depois de tantas décadas convivendo com atletas e nos últimos anos ouvindo e aprendendo com os convidados aqui no Endorfina, Está claro que evoluir no esporte não depende apenas de dedicação e consistência.
Passa também por fazer boas escolhas, especialmente quando o assunto é equipamento. Saber o que faz sentido para o seu momento, para o seu objetivo e para o terreno onde você pedala faz toda a diferença. Esse entendimento você encontra na Tupix Bikes, patrocinadora do Endorfina. A Tupix Bikes é importadora e distribuidora oficial no Brasil de marcas como a Factor, Insider Bikes, a Santa Cruz Bikes e a Yeti, além de outras referências do mercado.
Mais do que vender bicicletas, vestuário e acessórios, a proposta deles é orientar você. A Tupix foi criada para atender quem busca dar o próximo passo no esporte, seja no ciclismo de estrada, no mountain bike, no gravel ou no triatlão. A lógica é simples: cada ciclista tem uma necessidade diferente e o papel da equipe da Tupix Bikes é ajudar ajudar você a fazer escolhas melhores, mais conscientes e mais eficientes. Essa filosofia se reflete também nos espaços físicos.
Na loja do Rio de Janeiro, o ciclista encontra manutenção de alto nível, bike fit, café e espaço para encontros e eventos. Em São Paulo, na Avenida Faria Lima, além de uma oficina especializada, a unidade recebe clientes e amigos para treinos aos finais de semana. Já a loja de Los Angeles segue exatamente o mesmo padrão, curadoria e a mesma essência. Por tudo isso, é um prazer ter a Two Peaks Bikes ao lado do Endorfina. E fica o convite: se você está buscando orientação para melhorar seu equipamento, entender melhor suas escolhas, ou simplesmente pedalar com mais qualidade, vale conhecer a Two Peaks Bikes, distribuidora oficial da Santa Cruz Bikes e da Yeti no Brasil.
Siga @twopiquesbikes. Eu vou soletrar: @two 2, P-E-A-K-S, Pikes. Siga @2pikesbikes no Instagram. Obrigado por ouvir esse episódio do Endorfina. Acesse o endorfinabr.com, vá no post do episódio de hoje para conhecer um pouco mais sobre o meu convidado e alguns assuntos abordados em nossa conversa. Lá você ainda encontra todos os episódios do Endorfina. Siga o Endorfina BR no Instagram e confira imagens inéditas e dos meus convidados.
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2 Peaks Bikes
Bicicletas (Factor Bikes, Santa Cruz Bikes, Yeti)Z2 Performance
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