#474 Walter Tuche
Assim como tantas outras crianças, meu convidado de hoje jogou bastante futebol. Na adolescência, passou a praticar também o vôlei, que ganhou espaço e se tornou sua principal modalidade esportiva.
Em 1980, ingressou na faculdade de Educação Física. Durante a graduação dava aulas de natação e vôlei. Depois de formado, ampliou sua atuação como professor de musculação, ginástica e avaliação física, além de lecionar na rede pública do Estado do Rio de Janeiro.
Nessa época, conheceu o triathlon e, em 1986, participou de sua primeira prova, em Niterói. Anos depois, viveu uma experiência diferente como comissário de bordo, sem abandonar a atuação como professor de natação. Três anos mais tarde, deixou a companhia aérea e passou a trabalhar ao lado do cunhado, médico nutrólogo, realizando avaliações físicas e prescrevendo atividade física. Foi também nesse período que aprofundou sua relação com o ciclismo e começou a orientar alguns alunos.
Em 2001, deu um passo decisivo e resolveu seguir um caminho próprio. Criou sua assessoria esportiva, passando a orientar corredores, ciclistas e nadadores.
Provando que acredita no que ensina, já completou quatro edições do Ironman Brasil, participou de nove edições consecutivas do L'Étape du Tour, na França, entre muitos outros desafios esportivos.
Conosco aqui, pela segunda vez, um treinador que é um misto de psicólogo, paizão, amigo e carrasco, tudo ao mesmo tempo. Educador físico, pós-graduado em Treinamento Esportivo, com MBA em Administração Esportiva, coautor do livro As Cinco Estações do Corpo, mestre em Educação Física e triatleta que, neste ano, voltou a participar do Ironman Brasil. Um profissional que segue ajudando a realizar os sonhos de milhares de atletas, o carioca Walter Silva Tuche.
Inspire-se!
Este episódio é oferecido pela @z2perfomance e pela @2peaksbikes
A Z2 lançou o Performance System, uma linha pensada em organizar a suplementação ao longo da rotina do atleta, com produtos que cumprem papéis específicos dentro da performance. A linha tem dois produtos: a Creatina e o Nitrato.
E um produto da Z2 que merece atenção: o Saltz Pastilha. Reposição de eletrólitos num formato inédito no Brasil. Dissolve na boca, repõe sódio, potássio e magnésio na hora, sem precisar de água. Compacto e ideal pra treinos e provas.
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A 2 Peaks Bikes é a importadora e distribuidora oficial no Brasil da Santa Cruz Bikes, da Yeti Cycles e de diversas outras marcas e conta com três lojas: Rio de Janeiro, São Paulo e Los Angeles. Lá, ninguém vende o que não conhece: todo produto é testado por quem realmente pedala.
A 2 Peaks Bikes foi pensada e criada para resolver os desafios de quem leva o pedal a sério — seja no asfalto, na terra ou na trilha. Mas também acolhe o ciclista urbano, o iniciante e até a criança que está começando a brincar de pedalar. Para a 2 Peaks, todo ciclista é bem-vindo.
Conheça a 2 Peaks Bikes, distribuidora oficial da Santa Cruz e da Yeti no Brasil.
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Cara, mas eu tava me sentindo bem, cara. Tinha um monte de gente amiga vendo, que foi para ver, foi participar. Eu lembro que faltando 15 dias, pessoal, é o tempo, clima, não sei o quê. Eu brinquei assim, olha só, vai estar o mar de Almirante, um céu de Brigadeiro e um vento que as aves planam. A condição vai ser perfeita, eu tenho certeza. E foi um dia especial. Alguns alunos correram comigo, a Márcia do meu lado o tempo todo dando força.
Alguns alunos acabaram a prova, foram no final fazer um pouco comigo. Felicidade, né, cara? Às vezes é simples e é barato, é pouco. É o que você falou, você tava ali com seus amigos, com seus alunos, fazendo uma coisa que você é apaixonado, porque é o que eu sou pela minha profissão. E no meio, no meio de pessoas legais. Olá pessoal, aqui quem fala é Renata Falzoni. Olá, e eu sou Tim Dodd. Eu sou a Jaque Mourão. Olá, eu sou João Paulo Diniz.
Eu sou Adriana Silva. Oi, eu sou Mauro Ribeiro. E esse é o Endorfina Podcast. Valeu, até mais!
Sou Michel Bogli e aqui no Endorfina Podcast você conhece as histórias e opiniões de triatletas, corredores, nadadores e ciclistas profissionais e amadores. Descubra quem são e o que pensam os seres humanos que vivem o esporte e são movidos à endorfina. Olá, seja muito bem-vindo a mais um episódio do Endorfina Podcast. Esse, todos os episódios, você já sabe, são editados pela produtora Pulsante E esse episódio foi gravado no Estúdio Estema.
Se você busca também um lugar para gravar o seu conteúdo de áudio e vídeo, seja ele qual for, considere gravar aqui no Estúdio Estema. Venha conhecer, marque uma visita através do Instagram. Anota aí: @estudioestema, também com S mudo e dois M's. @estudioestema. E foi aqui que eu recebi remotamente também. O Estúdio Estema serve para esse propósito, porque aqui tem equipamentos de primeira, qualidade e é uma acústica fantástica e mão de obra especializada.
Foi aqui que eu recebi remotamente o meu convidado de hoje, pela segunda vez aqui, o professor Walter Tucci, um dos caras aí com o maior histórico de treinamento de corredores, de triatletas, de ciclistas, o cara que já passou literalmente por todas as fases do mercado esportivo, todas as ondas do mercado esportivo, dos esportes de endurance aqui no Brasil. Ele que tá sediado no Rio de Janeiro. E no primeiro episódio, obviamente, ele contou sobre o início dele, a infância dele, a trajetória dele até chegar aonde ele chegou.
E o ano era 2020. E aí agora a gente atualizou a conversa. Nesses últimos 6 anos muita coisa aconteceu na vida do Walter, no mercado, enfim, né? O mundo mudou bastante nesse, nesse período de tempo. E ele veio aqui falar principalmente dessa participação dele, dessa decisão de ter voltado para o Ironman. Ele correu agora o Ironman em 2026 lá em Florianópolis, já tinha participado outras 4 vezes, tentou participar algumas outras, mas ele foi impedido por acidentes, por lesões, enfim.
E ele resolveu então voltar agora em 2026 depois de achar que a sua fase como triatleta de Ironman tinha acabado. E ele vai fazer aqui um relato muito bacana. O Walter é um cara emotivo, então ele se emociona algumas vezes durante a conversa. Ele vai falar aí sobre esse relato, um dia muito feliz e divertido para ele, tanto é que ele voltou Ele voltou, então é que ele vai voltar no ano que vem, 2027, já tá inscrito, me mandou o print da tela.
Ele vai falar sobre a felicidade e o Iron Man, ele vai falar sobre a tatuagem do Iron Man, ele vai falar sobre aprender a ler as pessoas. Ele é um especialista em ser humano aí, como eu falei também alguns episódios aí atrás do Inácio Oronovitch, fotógrafo que é um especialista em seres humanos. O Walter também é um especialista em seres humanos, cada um obviamente na sua perspectiva. Ele vai falar sobre o processo para atingir o seu objetivo, né, como é que foi enviei para ele também.
Ele vai falar sobre razão e emoção, ele vai falar sobre os treinos do ChatGPT, sobre o mercado pós-pandemia e vários outros assuntos muito interessantes. E antes de seguir aqui para o episódio, quero agradecer aos patrocinadores desse episódio: a Z2 Performance, que lançou agora a linha Performance System. Quero agradecer aqui também a Two Peaks Bikes, importadora da Santa Cruz, importadora da Yeti. Tem 3 lojas, uma no Rio, uma em São Paulo e uma em Los Angeles.
Então muito obrigado aí a Two Peaks Bikes. E a 220 Energy Drink, que é o energy drink que te leva além e que tem hidratado e abastecido e com bastante energia a mim e aos convidados que vêm aqui ao Estúdio Extrema presencialmente. Então, antes de também de seguir para o episódio, eu quero agradecer a todo mundo que tá ouvindo, a todo mundo que tá assistindo esse episódio. Aliás, se você quiser assistir esse episódio, o episódio da semana passada infelizmente não conseguimos salvar o áudio, gravei remotamente o vídeo, perdão, gravamos remotamente, mas foi um problema aqui na página que eu uso.
Esse aqui já tá de novo, já tá de volta, né? Estamos de volta ao YouTube. Então vai lá agora no meu canal no YouTube, ajude, contribua com Endorfina assinando, né, o canal no YouTube, dando like, comentando. É a melhor maneira de fazer o algoritmo entender que esse conteúdo é relevante para pessoas como você. E você obviamente vai estar ajudando Endorfina a continuar aí trabalhando aí nesses 9 anos e em alguns meses de vida, o Endorfina conta sempre com o apoio de pessoas como você.
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Vai lá no endorfinabr.com, que é o meu site, lá em cima, logo na primeira página, você vai ver um bannerzinho escrito Apoia-se. Clica lá e você vai ver como é que você faz para apoiar financeiramente esse projeto. Antes de seguir, também quero falar que o Endorfina apoia a iniciativa do Sérgio Zolino, convidado que teve agora esse ano aqui no Endorfina: Race Smart, Check Your Heart. Então faça check-ups regulares da sua saúde, do seu coração principalmente.
Consulte um cardiologista especializado em esporte, faça os exames, confira se se o teu coração permite você fazer o que você quer fazer, seja um Ironman como fez o Walter, seja uma prova de 5 km, seja uma ultramaratona, não importa, ou uma etapa do Tour, um Giro da Itália, não importa. O que você tem que saber é se o seu coração tá saudável para te proporcionar as experiências que você quer ter praticando essas modalidades, ou competindo, ou se desafiando.
Então, Race Smart, check your heart, faça check-ups regulares aí do seu coração. E é isso, Sem mais delongas, já me estendi muito, vamos lá para mais um episódio. A volta de Walter Tucci ao Endorfina. Afinal de contas, quem é que não gosta de uma boa história, não é verdade? Assim como tantas outras crianças, o meu convidado de hoje jogou bastante futebol. Na adolescência, passou a praticar também o vôlei, que ganhou espaço e se tornou sua principal modalidade esportiva.
Em 1980, ingressou na Faculdade de Educação Física. Durante a graduação, dava aulas de natação e vôlei. Depois de formado, ampliou sua atuação como professor de musculação, ginástica e avaliação física, além de lecionar na rede pública do estado do Rio de Janeiro. Nessa época, conheceu o triatlon. Em 1986, participou da sua primeira prova em Niterói. Anos depois, viveu uma experiência diferente como comissário de bordo, sem abandonar a atuação como professor de natação. 3 anos mais tarde, deixou a companhia aérea e passou a trabalhar ao lado do cunhado, médico nutrólogo, realizando avaliações físicas e prescrevendo atividade física.
Foi também nesse período que aprofundou sua relação com o ciclismo e começou a orientar alguns alunos. Em 2001, deu um passo decisivo e resolveu seguir um caminho próprio. Criou a sua assessoria esportiva, passando a orientar corredores, ciclistas e nadadores. Provando que acredita no que ensina, já completou 4 edições do Ironman Brasil, participou de 9 edições consecutivas do L'Étape du Tour na França, entre muitos outros desafios esportivos.
Conosco aqui hoje pela segunda vez um treinador que é um misto de psicólogo, paizão, amigo e carrasco, tudo ao mesmo tempo. Educador físico pós-graduado em treinamento esportivo com MBA em administração esportiva, é coautor do livro As 5 Estações do Corpo, mestre em educação física e triatleta, que neste ano voltou a participar do Ironman Brasil. Um profissional que segue ajudando a realizar o sonho de milhares de atletas, o carioca Walter Silva Tucci. Seja muito bem-vindo, professor.
Opa, Michel, tudo bem? Tudo sempre um prazer grande e uma emoção falar com você, contar um pouco da nossa história, do que transborda no nosso sangue, nas nossas veias. Nessa coisa tão legal. Já começa a ficar emocionado, né? Uma droga, uma coisa tão legal que é atividade, mano. Pega o Kleenex aí, que pega esse mundo da atividade física, né, do universo da saúde. E cada vez a gente se envolve mais. Como dizia o Cazuza, né, o tempo não para, mas a gente também não para, né?
A gente vai junto com ele. Vai remando junto, vai vencendo tudo. E como você falou, vai criando vínculos, vai vencendo dificuldade e vai realizando sonhos, né? Porque as pessoas que se metem nesses grandes desafios também tem isso como um sonho, né? Vêm os amigos, vem os familiares, vem a comunidade e querem participar. E dessa forma, a gente, de alguma forma, com uma equipe grande de professores conosco, tenta viabilizar isso tudo e tornar esses sonhos possíveis, né? E não impossível, o impossível ser possível, vamos falar assim, né?
E aí, já aproveitando, né, o assunto puxado aí, esse slogan do Iron Man, Anything Is Possible, é muito faz muito jus a isso que você acabou de falar, que é uma realidade para muitas pessoas, principalmente nesse universo do esporte de endurance, que é onde você acabou se especializando, né, Walter? Agora, você acabou, né, de— a gente tá gravando aqui poucas semanas depois do seu Ironman de 2026. E quando nós nos falamos, acho que foi ano passado, acho que foi ano passado que você falou, não, vamos esperar eu fazer o Ironman.
Eu falei, claro, opa, vamos esperar você fazer Ironman, voltar ao Ironman depois de algumas tentativas sem sucesso. Não que você tenha participado e não concluído, mas você não conseguiu nem largar, né, por conta de acidente, de lesão, de, enfim, de problemas físicos que fugiram aí ao teu controle. Mas, cara, os vídeos teus, tem um vídeo, acho que só, ou dois, do Ironman, são muito legais no teu Instagram, né, você super feliz e tal.
É, eu até diria, Walter, a gente se falou, a gente se fala com alguma frequência pelo WhatsApp, mas não com imagem, né? Você tá até com uma cara agora de Iron Man, cara. Olha lá, a Márcia também falou isso. Caramba, nas fotos você tá magrinho, vai ter que ajustar aquela roupa do jacaré, hein, meu?
A fantasia do jacaré vai ficar grande, vai ficar grande. Mas a roupa do jacaré vai ter que ser um outro ano, porque ano que vem eu tô lá de novo.
Nós vamos falar disso também, que que eu fiquei surpreso positivamente, né? Você mal terminou de assimilar as dores, o ácido lático na musculatura, você já tá de novo inscrito, que é muito bacana. E aí fala bastante da magia do esporte. Claro, o evento que é o Ironman é um evento sedutor e todo mundo fala, todo mundo é muita gente, muita gente fala que se você vai lá e presencia o evento, você fica de fato tentado a competir. Né? Você esteve lá, eu acredito que praticamente todos os anos desde 2001, né?
Você em Florianópolis desde 2004, né?
Ah, desde 2004, quando começou em Florianópolis, 2003. Ah, claro.
Mas em 2004 já comecei direto e nunca mais deixei.
E você competiu apenas, apenas competiu 4 vezes, né? Agora contando essa de 2026. Você estava com muita vontade de competir já? Essa vontade veio crescendo depois da última?
A última foi 2000 e a última foi 2011, Michel.
2011, faz muito tempo, né? Você fez 10 e 11 seguidos?
Você fez 5, 10 e 11? Exato.
Como é que surgiu essa vontade? Ela foi surgindo aos poucos? Queria que você falasse um pouco aí dessa, desse momento de decisão pessoal, né? Porque você não fez isso para mostrar para ninguém, você não vai postar no teu Instagram.
Né?
E nem para conquistar clientes, né?
Não, não. Eu durante 2005 eu fiz a primeira vez, achei super legal, me inscrevi os outros anos. Eu ficava sempre no dilema de fazer ou não fazer por causa dos alunos, que assim, o treinador de fora ele tem mais impacto, ele ajuda mais, né? Ele atua mais com seus alunos. E aí eu me inscrevi, acabava não fazendo. Em 2010, 2011 eu acabei fazendo com eles. Depois, umas 2 ou 3 vezes eu me inscrevi e não fiz, né? Walter, vai fazer, todo mundo se inscreve.
Aí eu não fazia, né? Isso virou meio mito, uma brincadeira dentro da assessoria. Walter, tu não vai fazer? Que isso, né? E aí eu tive, por 3 vezes eu tentei fazer de fato. Se eu ia fazer ou não, eu não sei, né? Mas eu me inscrevi para fazer. Numa delas eu caí 2 meses e poucos antes, 3 meses e poucos antes, tava treinando meia-boca também. Aí caí, masquei o ombro, não fiz. 2 anos depois eu caí, quebrei, fui atropelado, quebrei 12 costelas, perfurei pulmão, foi aquela zebra toda, né?
E acabei não fazendo também. E no penúltimo ano eu vinha treinando também já direitinho, e aí um belo dia, correndo na Praia da Barra, Uma segunda-feira de manhã, um dia lindo, olhando para praia, para o mar, tropecei num tachão daqueles de trânsito, né, sinalizador, caí, rompi o tendão do reto femoral. E aí, mais uma vez, não fui, né. Ano passado, ano retrasado, confesso que eu não tinha vontade nenhuma de fazer, né, não passava isso mais na minha cabeça, fazer o Ironman.
Joelho ferrado, mal consigo correr, dói para caramba, o pedal dói, eu sinto dores, né. Normais também. Gente mais idosa sente dores, né, normal. E aí, lá pelas tantas, quando acabou a prova do ano passado, que a gente tinha um contingente legal de alunos já de novo, 17, 18, 20 alunos quase, eu falei para eles, olha, eu vou fazer ano que vem. E aí virou aquela brincadeira, tu vai fazer nada, vai fazer nada, vai fazer nada. E aí abriu a inscrição, eu me inscrevi, né, peguei logo desconto de idoso.
Da Unlimited, né? Mandei o email, cara, eu sou idoso, tenho mais de 60 anos, não tenho desconto. Não, não tem sim, pode mandar. Tem um RG aqui, fiz o desconto de idoso, paguei o seguro de cancelamento, óbvio que eu não sou bobo, né? E vinha treinando meia-boca, né, até o final, meados de novembro, dezembro, pedalando bastante, né, sempre, né, pedalando todo dia praticamente. Nadando mais ou menos. Ano passado eu nadei muito com dois alunos que tinham dificuldade de natação, então eu comecei a nadar com eles para incentivá-los, para ajudá-los.
Inclusive fizeram até uma boa prova em função disso, a natação. E tava correndo mais ou menos em dezembro, né? Meu total de corrida de dezembro deu 20 km, 20 mil metros, para dar um uma quantidade assim, cara, 20 mil metros é metro para caramba. 20 mil, é que eu sempre falo, cara, 20 mil tampinhas de caneta, cara, tampinha de caneta para caramba. Então 20 mil metros é metro para caramba. Então eu corri exatos 20, 21 km em dezembro.
E aí eu falei, cara, eu tenho que começar a correr, não tem choro, né? Comecei a fazer um tratamento, perdi peso, fui perdendo peso, fui mantendo o meu pedal regular. Aumentando meu volume de fim de semana principalmente. E comecei a nadar de novo em fevereiro, né? A minha natação não é uma ótima natação, mas é uma natação bem legal, né? Os 3 Ironmans que eu tinha feito, tinha feito uma média de 1:05, 1:07 a fase da natação, que é uma boa natação para um Ironman, né?
E comecei de novo a nadar com esses alunos para incentivar, para ajudar, não sei o quê. E até então o Ironman era uma incógnita na minha cabeça, né? Um monte de gente, você vai fazer? Eu quero comprar passagem para ir lá ver. Cara, não sei, pô, mas se você for fazer, a gente quer ir lá ver. Cara, para só, não compra não, deixa quieto, né? Não bota essa pressão em mim não, deixa eu chegar aí, chegando mais perto, que eu vou resolvendo.
E aí, cara, o que que aconteceu? Eu, de fato, a gente tem um treino dos 3 atletas e dos ciclistas. E eu treinava sempre com os ciclistas e tinha uns professores com os triatletas. E aí eles sempre me falavam, Valter, você tá aqui, pô, você não vem com a gente nunca, você não vem com a gente nunca, você não vem com a gente nunca, pô, você podia pedalar com a gente um dia. E aí teve um dia, Michel, que eu fui lá pedalar com eles, era um treino de 160 km, eu ainda sem TT, né, eu de tarmac.
Fui com a minha tarmate no treino com eles e aquilo me deu um gás. Vê-los envolvidos como estavam, o grupo de amigos que se formou, a felicidade deles me acendeu uma luz. Opa, acho que eu quero fazer isso. E aí eu comecei em todos os treinos deles do fim de semana. Eu ia, mas eles iam mais cedo. Eu ia com eles, rodava 70, 80 km com eles, vinha em casa e vinha para o encontro dos ciclistas e saía com os ciclistas, pedalava mais 70, 80 km.
O meu volume foi crescendo. Mas eu ainda nada de TT. Com 50 dias antes da prova, um aluno nosso ótimo emprestou uma certa gente contra-relógio. Pô, eu vou fazer com outra, pega essa para você fazer. Aí comecei a andar no rolo com ela direto. Mas a minha dúvida era, quando eu fui atropelado, eu fui atropelado de TT. Quando a primeira vez que eu fui andar de TT, logo depois do atropelamento, 3, 4, 5 meses depois, que eu já tava no rolo com ela, Eu tive uma insegurança, um medo absurdo, né?
Porque é diferente. Apesar de eu ter 40 anos de pedal, é diferente, né? Eu vejo essas pessoas querendo comprar bicicleta de contrarrelógio de cara, os alunos comprando, querendo andar. Eu falei, cara, calma, bicho, você não sabe nem pegar água no quadro, cara. Na nossa época que a gente começou a pedalar, a gente passava a marcha no quadro. Então você beber água no quadro e passar a marcha no quadro era uma coisa automática, você desenvolvia uma habilidade motora para pedalar, porque você só passava marcha no quadro.
Hoje nem, hoje aperta um botão, né, é tudo eletrônico. E aí eu peguei essa TT desse meu aluno, o dia que eu peguei ela no rolo, já tava no rolo, assim, eu vou dar uma volta com ela, vou hoje com ela no treino. Aí eu saí de casa, dei 3 voltas ao quarteirão fazendo todos aqueles educativos iniciantes, né, abaixa um braço, sobe, abaixa outro braço, sobe, abaixa, sobe, abaixa mais rápido, fica um pouquinho, tudo que o iniciante tem que fazer.
E aí começou a chover. Falei, bom, não é para eu ir. Voltei em casa, peguei a outra bicicleta e fui com a outra bicicleta para Tadmarkets, para o treino normalmente. Aí eu falei, cara, tem que andar de TT, não tem mais choro agora, não tem mais choro. Aí peguei minhas rodas de uma Venge que eu tinha aqui em casa com roda de banho alto. Essa bicicleta não é freio a disco. Peguei as rodas e botei nessa bicicleta, as rodas não entravam.
Falei, putz, ferrou, tem que fazer com uma roda, não dá para não fazer sem a roda, né? Aí tinha um aluno nosso, tava vendendo uma Chivas Works, não sei o quê, com freio no aro ainda. Liguei para ele, fiz um negócio com ele, com Rafa, comprei a bicicleta. E aí, cara, comecei a andar de TT. Um medo absurdo. Eu ia andar na PCC de manhã. A PCC é uma área aqui do Rio que a gente pedala, que não tem carros, né? De madrugada eu ia para o treino com a bicicleta contrarrelógio.
Eu ficava sozinho andando, não andava com ninguém. Um medo absurdo, uma velocidade ridícula. Mas eu falei, cara, não tem como preocupar com isso, tem que me preocupar e me ambientar com a bicicleta. E comecei a andar com uma contrarrelógio. Ia com ele de manhã cedo, chegava em casa, trocava a bicicleta Pegava estrada e ia andar com o pessoal do ciclismo, né? E aí teve o penúltimo treino deles de 90 km. Eu falei, vou fazer o treino todo com eles.
Eu fiz o treino todo com eles contra-relógio, já me sentindo mais à vontade, né? E falei, bom, liguei para o Gérson, Gérson, vou mandar bicicleta e vai ser a Chivya contra-relógio. Paciência, vou com ela. Cara, cheguei em Florianópolis, tudo arrumado, peguei a bicicleta, dei uma volta, não sei o quê, não sei o quê. Na volta que eu dei, eu falei, cara, que besteira que eu fiz! Tinha que ter vindo com SL8, bicho, com a Tarmac. Não era para ter vindo com a X.
Vou passar um sufoco com essa bicicleta de ansiedade. Mas, cara, eu tava de tão, tão feliz com tudo, né? Muito feliz. Agora é ela, não tem choro, vamos embora, cara. Lembra que a gente sai ali de Jurerê, pedala um pouquinho ali na Búzios, pega um pouquinho, pedacinho para ter o acesso à estrada principal, né? E quando eu entrei na estrada, fiz os exercícios que eu fazia no meio do caminho, né? Baixa um, abaixa outro, sobe um, normal.
E aí, cara, quando eu cheguei na estrada Cara, eu abaixei no clipe e eu vou te falar que dos 4 aeromens que eu fiz, esse foi o aeromên que eu mais andei na posição de contrarrelógio. Eu só não ficava na posição de contrarrelógio nas subidas, nas descidas, e eventualmente quando juntavam 4, 5, tava ali no meio, cara, falei, pô, não vou ficar apontando contrarrelógio, botar a mão no freio e saía desse embrólio, né? E adorei a bicicleta, Camilo, me senti super feliz, né?
Eu tenho uma angústia na natação, normal, que eu sempre tenho, normal, água, né? Apesar de eu não nadar mal, eu tenho angústia. Fiquei angustiado, passei sufoco, né? Me concentrei, me equilibrei, me ajustei. A segunda volta da natação foi ótima, nadei super bem, né? E a corrida, cara, eu sabia que ia ser aquele problema sério do meu joelho, cara. Minha tática era: primeiros 20 km corre 4 e anda 1, e os segundos 20 km corre 1 e anda 4, né?
Legal. Só que nem para isso tava dando, bichão, porque, cara, meu joelhinho assim, não é que eu cansasse, eu sentia fadiga muscular porque eu não fiz volume nenhum, cara. Minhas corridas durante esse processo todo, que não é aconselhável, aconselhável, óbvio, óbvio para ninguém, Foram muito baixos. O mês que eu mais corri foi o mês do Ironman, que eu corri 110 km no mês, considerando os 42 da maratona, né? Mas aí, cara, você é louco, você é louco!
Assim, eu falo assim, cara, eu nadei esse mês 30 mil. Eu até a largada do Ironman, Michel, eu pedalei nesse ano 7.500 km. Então eu tava com volume de pedal, cara, de 350, 400 por semana, cara. Eu tava em dia no cardio, uma série de coisas. Eu não tava em dia era com o gesto motor da corrida. E aí isso me custou o que ia custar e que eu sabia que ia custar. Só que eu tava tão feliz que isso não me importava. Eu passava, eu rio, brincava.
Acabou indo uma galera aqui do Rio, de alunos da turma do Rio, E eu fiz uma festa, eu me diverti. Foram 13 horas e alguns minutos, de fora os 5 minutos iniciais, 10 da natação de agosto, foram 13 horas de pura diversão, né? A Márcia, minha esposa, sempre me chamava atenção: poxa, você faz essas provas, às vezes você tá meio emburrado também, não sei o quê, não sei o que lá, você não se diverte, cara. E eu fui assim, cara, eu vou me divertir.
Eu me diverti, eu brinquei com todo mundo, eu cumprimentava as pessoas, né? E aí quando acaba uma prova dessa gigante, né, um meia-ironman, uma maratona, um Ironman, uma meia-maratona, a primeira reação do participante é: putz, nunca mais vou fazer esse troço porque é muito duro. Daí quando cheguei lá no final, passei ali, né, falei com os alunos, brinquei, tem uns vídeos com eles também. Falei, puta, eu vou fazer isso de novo, não dá para parar agora, entendeu?
Eu tenho 65 anos, não sou um garoto, né, de fato, mas, cara, eu me sinto como um garoto. Eu acho que o garoto tem que brincar, eu tô a fim de brincar de novo. Qual o tempo você quer fazer? Não é o foco, não é esse. O foco é eu ir lá e me divertir, cara, e brincar com as pessoas, né? E as pessoas veem um cabelo branco passando, se divertindo, rindo, dançando, pulando, brincando, né? Ajudando os outros. Eu lembro que na hora da largada a gente tava entrando no mar, eu completamente calmo, tinha uma menina do meu lado, ela assim parada olhando para o mar, panicada, mas panicada.
Eu esqueci no braço dela. Pô, vamos! Ela me olhou assim, abriu os olhos, arregalou os olhos assim. Vamos, vamos devagarzinho. Ela não conseguia nem falar, né? Escorreu umas lágrimas no rosto. E eu falei: vamos! Não sei o nome dela, não sei quem é, uma pena. E aí eu: vamos, vamos! Eu tô igualzinho a você, eu só não tô chorando, mas isso que você tá sentindo, eu tô sentindo também. Vamos junto. Aí eu fui entrando com ela, fazendo com ela, foi entrando, eu fui entrando também, fui.
Eu fiquei angustiado para cacete, depois fui. Então acho que você tá ali brincando com as pessoas, né, tá ali no envolto, é bem legal. E esse grupo de alunos, eles de fato quiseram que eu fizesse, tá? Então até a hora eu falei assim, ó, se vocês preferirem que eu não faça para estar do lado de fora ajudando vocês, Eu não tenho o menor problema com isso. Eu posso acordar amanhã e falar que eu não vou, como eu já fiz isso em etapa lá fora.
Cara, e aí? Não, não vou, porque eu não tô a fim, não tô com saco, né? E se vocês acharem legal que eu não faça para ajudar vocês de fora, não faço, não tenho o menor problema. Isso não muda a minha forma de ver a vida, de pensar, de forma nenhuma. Aquilo ali é uma coisa que eu vou para me divertir, vou me divertir de qualquer jeito, ou dentro ou fora. Eles falam, não, que você vai pegar a vaga para Kona pela sua idade. Eu falei, cara, olha só, eu acho legal vocês aspirarem isso, mas isso não é parte do meu contexto.
Meu contexto é eu estar aqui com vocês, a minha diversão tá aqui, não tá lá, né? Então, e aí todos eles fizeram o que eu fizesse, né? Eu perguntava para turma, como é que tá o fulano? Não, tá bem, tudo bem. Eles perguntavam de mim, é tudo, meu Walter, a gente não viu o Walter. Então tá bem, não teve essa coisa na prova, que foi muito legal, né? E aí eu acho que foi isso, né? A decisão de ter feito foi ótima. E assim tem umas coisas engraçadas nesse processo todo. 3 aeromens, treinei para caramba, um monte de gente.
Eu devo ter hoje, Michel, eu fiz até o levantamento aqui, eu devo ter hoje umas 500 chegadas de aeromên com alunos. Caramba, 500 pessoas que eu treinei fizeram Ironman, 480 e poucas. É um número assim gigante, eu acho que é gigante, né? Pô, o cara que treinou 500 pessoas fazer um Ironman, cara. Eu lembro deles todos, da história de cada um, né? Eu tenho uma lista, eu fiz uma lista com os nomes, eu fui lembrando. Às vezes eu não lembrava a quantidade de homens, mas eu lembrava os nomes de todo mundo.
E aí, cara, eu acho que a gente, a gente constrói isso, né? E viram mais 100, 200 para fazer ano que vem. Então é o que você falou, tem um monte de gente que foi lá ver que já tá escrito para o ano que vem. Ano que vem acho que nós já somos quase 30 de novo, cresceu de novo o bolo, né? Com o Walter dentro, eu volto aí fora, não tem problema nenhum, Walter vai estar lá, né? Mas Acho que é isso, cara. Foi legal. É legal.
Eu fiz aqui várias anotações. Eu queria voltar um pouco em alguns temas que me chamaram a atenção. Essa felicidade que você relatou aqui de maneira bastante emocionante, ela— você arrisca dizer da onde que ela vem, essa felicidade? De estar lá passando um dia que a maior parte das pessoas está tensa. Na teoria, é o que a gente deveria sentir quando a gente tá correndo 5 km, 10 km, uma maratona, um Ironman, um let-up. Porque, né, se você não é profissional, você tá nessa situação, você tem saúde, você tem tempo, você teve treino, você tá cheio de amigos, você tá fazendo esporte, que é uma coisa legal, ninguém te obrigou, né?
Mas a gente sabe que a realidade muitas vezes não é essa, né? A nossa cabeça nos distrai, a gente tem outras coisas, né? Se a gente fosse pensar, isolar, era mais fácil da gente viver o esporte dessa maneira. Mas nesse seu relato de felicidade, eu me lembrei de várias situações onde eu me senti muito feliz fazendo esporte, em diversas situações. E é uma sensação mesmo talvez inebriante que nos leva para outro lugar. E a gente que gostaria de ficar arriscar ali, né?
Como disse outro dia aqui a campeã do Ultraman desse ano, a Fabi Silva, ela tava em Nárnia, né, no segundo dia da bike ali no finalzinho. Ela foi para algum lugar e ela tava feliz da vida, embora fosse ainda um Ultraman, né? Ainda tinha mais 170 km de bike para terminar naquele dia e mais 84 no dia seguinte. Mas você arrisca dizer da onde que vem?
Bom, Michel, eu acho que No ano que eu caí, que eu quebrei as costelas, eu quase morri, literalmente. Foi grave. Se ambulância não chega, se ambulância demora mais meia hora, talvez eu não tivesse aqui. No outro ano eu machuquei o joelho e não pude fazer. Confesso que não era aquele desejo Começando também não era, mas cara, eu fui me envolvendo de tal forma com esses alunos. Eu acho que eu fechei um ciclo de acidentes com essa história.
É um motivo de comemoração vencer esse ciclo, cara. Mas eu tava me sentindo bem, cara. Tinha um monte de gente amiga vendo, que foi para ver, foi participar. Eu lembro que faltando 15 dias, pessoal, é o tempo, clima, não sei o quê. Eu brinquei assim, olha só, vai estar o mar de almirante, um céu de brigadeiro e um vento que as aves planam. A condição vai ser perfeita, eu tenho certeza. E foi um dia especial, né? Alguns alunos correram comigo, a Márcia do meu lado o tempo todo dando força, né?
Alguns alunos acabaram a prova, foram no final fazer um pouco comigo. Felicidade, né, cara? Às vezes é simples e é barato, é pouco. É o que você falou, você tava ali com seus amigos, com seus alunos, fazendo uma coisa que você é apaixonado, porque é o que eu sou pela minha profissão. E no meio no meio de pessoas legais, me divertindo. Felicidade simples.
O que que você aprendeu dessa experiência assim? O que que você tira além desses momentos de felicidade e tal que ficou, que estão aí muito latentes, dá para perceber? Mas assim, o que que você aprendeu, seja a respeito de você mesmo, enfim, quais foram as principais ou a principal lição que vem agora assim à sua cabeça?
Que a vida é um sopro, que a gente passa por ela, que a gente tem que aproveitar essa vida, tentar não se aborrecer tanto com coisas que não merecem às vezes uma carga de emoção nossa, e que a gente tem que estar perto dos nossos amigos, nossos entes queridos, as pessoas que gostam da gente, que a gente tem que aproveitar, cara. E na medida do possível deixar alguma mensagem, deixar algum, não digo nem legado, né, legado eu acho que é muita Sei lá, audácia, né?
Mas eu acho que a gente tem que deixar uma mensagem e ser feliz é a maior delas, fazendo o que você faz na medida que você pode, com aquilo que você quer, com quem você gosta. Acho que é isso. Eu sou um cara feliz. Posso dizer isso? Eu fui muito feliz, sinceramente, a ponto de eu fazer uma coisa que eu nunca fiz na minha vida: botar um adesivo do meu carro.
Boa! Eu achei que você fosse falar da tatuagem. Quem sabe ano que vem?
A tatuagem, eu brinco o seguinte, a tatuagem legal é na perna, né? Só que eu tenho uma perna de sabiá. A minha perna é o motor 1.0. Se eu tivesse uma perna 2.4, motor de Porsche, mas eu tenho uma perna de Corsa, bicho. Aí vai ser um bonequinho tão pequenininho, não dá nem graça. Eu tenho que fazer metade. Eu vou fazer metade de cada perna, entendeu? Que aí eu junto as duas panturrilhas, aí dá uma tatuagem do Iron Man legal, cara.
Senão, bicho, não tem graça. A tatuagem eu já pensei em fazer várias vezes. Dessa vez já serve. Deixa passar 2 semanas que eles têm o fogo abaixo. Mas tem umas coisas engraçadas, né, que você falou disso, cara. Eu tenho 4 camisas de finishers, né, 4. E tem umas 2 camisas de Ironman, 2, só 2. De triatlon nenhuma, dou tudo. A desse ano do Triatleta eu dei para uma aluna minha que tava lá torcendo, que era do atleta da prova. Né?
E eu tirei minhas camisas de fitness tudo do armário, né? Ontem eu fui sair para almoçar, tava com casaco Iron Man. Eu nunca usei isso, cara. Isso nunca foi, sabe? Eu acho legal. Não é que não dê valor, pelo amor de Deus. Acho legal as pessoas que dão também o mais valor. Cada um na sua praia.
Cada cabeça é uma sentença.
Mas esse ano, cara, foi diferente. Deu comprar o adesivo da Euromen, botei no meu carro, botei no outro carro, botei na moto, né? Usei o casaco da Euromen, né? Então foi diferente, foi bem diferente. Eu acho que, cara, a idade pesa, né? E você com— eu fico brincando assim, cara, eu fico pedalando com meus alunos, cara. Eu tenho um aluno que fez 70 anos ontem, o Nader. Tem outro aluno nosso, Montenor, que já bebeu 70. Tem mais uns 2 um pouco mais velhos que eu, e eu sou um dos caras mais velhos da assessoria, bicho.
E a gente tá ali com essa turma, né, cara, mostrando que a vida é assim, cara. Vitalidade, né, saúde, cuidado, né. Então acho que a gente tem que aproveitar o que a gente tem, cara. A idade tá na cabeça, literalmente. Claro que o corpo sofre, né, mas a gente tem que aproveitar, cara. E isso foi legal para mim, né. E eu até mandei uma mensagem para um aluno nosso, Feliciano, essa semana, que ele fez o ano meu, 65 anos, e ele botou adesivo na bicicleta, 65.
Capacete dele tinha o adesivo 65 anos. E eu achava que o cara tinha 50 e poucos, ele já tinha 65, no máximo. Aí eu mandei assim: muito obrigado, você me inspirou, fiz meu Ironman como você aos 65 anos. Ele me inspirou em algum momento. E aí eu tava ali, caso meio de todo mundo, né? Eu acho que é por aí, Michel. Acho que o recado é esse, né?
Surgiram mais coisas aqui. A tua relação com o esporte hoje, com o seu esporte, né, não que você trabalha, o que você ensina, o que você educa, mas a sua relação hoje com o esporte, você diria que tá como em relação ao que você já viveu? Com certeza você já teve anos muito mais intensos, né, quando a gente tem menos idade, o corpo sofre menos, a gente às vezes abusa, a gente tem mais vontade. E a vida é assim, né? Que bom que também as coisas são cíclicas e passam.
E de novo, cada um tem uma relação diferente com o esporte e no momento diferente. Eu acho que não diz nem tanto só com relação a idade, acho não, na minha opinião não diz tanto só com relação à idade, porque pode ter pessoas com a mesma idade que a gente que tem uma relação completamente diferente com esporte. Acho que diz muito com a nossa própria experiência Com o tempo, o que que você já viu? O que que você já viveu, cara?
Que você estreou no teatro em 86. A gente acho que não poderia imaginar, se perguntassem para gente naquela época, que você ia ter um Iron Man dentro do Brasil, com sucesso que é, com a quantidade de praticantes, né? Naquela época a gente contava nos dedos. Aqui em São Paulo eram 10, 15 pessoas, né? E era onde tinha mais gente, Rio e São Paulo. Enfim, como é que você se— como é que você enxerga hoje a tua relação com o esporte?
Bom, Michel, tenho dois pontos, dois pontos focais: um como praticante, outro como professor. Como praticante, é o que você falou, né? A gente nunca iria imaginar que quando você fez um triatlon em Niterói, 86, com 200 pessoas, você teria um Ironman do Brasil com 20 e tantos anos. E hoje a inscrição novamente acabando em 4 minutos, com 2.000 participantes. Esse ano acabou em 4 minutos de novo. Concurso, né? Ai, meu Deus do céu, eu tirei esse telefone do negócio dessa forma, né?
E outro como profissional. Como profissional, Michel, eu sou o mesmo cara apaixonado que eu sempre fui. Eu lembro que Olimpíada de 88, Eu tenho quase certeza que foi 81. Aurélio Miguel ganhou medalha de ouro no judô, foi 88, e eu tava numa academia dando aula na cidade, na PCA, ali nas 13 de Maio. E aí eu levava, a gente levava televisãozinha para poder ver, né, cara? Quando Aurélio Miguel subiu no pódio, cara, subiu a bandeira, tocou aquele hino Eu me emocionei de uma forma que eu me emociono até hoje, cara.
Quando o atleta brasileiro vai para o pódio, cara, ele toca o hino nacional, ele sobe a bandeira, eu me emociono igual, cara. Eu acho que eu tenho uma paixão por essa porcaria que é o inferno da minha vida, modo de falar, claro, né? Mas complicadérrimo, cara. Eu adoro o que eu faço, cara. Eu faço com prazer, filho da mãe. E poder me manter ativo ainda como praticante, como eu tô, cara, é bônus, né? Bônus. No outro programa, eu lembro que você me perguntou assim: o que que você mudaria hoje na sua vida se fosse no modo dos treinos?
Eu falei, cara, o horário é um inferno, né? Mas eu acordo até hoje com 3:30 da manhã, cara, numa boa. Acordo, é isso, eu gosto. Tem dias que eu saio menos com vontade, com mais, mas, cara, mas eu vou e fico amarradão. Quando eu volto, é realizado. Você encontrar um contingente de 40, 50 alunos às 4:30 da manhã para pedalar junto contigo, cara, isso é bônus, isso é brinde, né? Isso é para ficar feliz. E é isso. Então eu me vejo hoje estudando, acompanhando, vendo o movimento, todo mundo mudando, me adaptando, me atualizando sempre.
Confesso que às vezes eu fico boquiaberto com que eu vejo nas redes sociais, para o bem e para o mal. Outro dia foi engraçado que eu tava vendo um post de alguém Não, que a gente tá agora em voga é treinar sobre— não é só o VO2 máximo que importa, o que importa são os limiares, que isso é o que tá em voga. Falei, meu Deus do céu, isso agora tá em voga? Isso para mim tá em voga há 40 anos atrás, cara, ou há 30 anos atrás, né? Você identificar limiares, treinar prescrição de forma individualizada.
Meu Deus do céu, cara, e vocês estão descobrindo isso agora? Caramba, eu acho que eu contei para você da outra vez. A gente fazia ergospirometria, não tinha no Brasil. A gente botava uns nóveis na boca da pessoa, botava um fio de seda, tampava o nariz da pessoa com pregador de nado sincronizado ou pregador de roupa e contava a ventilação, cara. Ali a gente identificava inúmeras pessoas. Então, caramba, as pessoas estão muito atrasadas do que tá acontecendo no mundo esportivo. Pelo amor de Deus, acho que é por aí.
E você também conseguiu se adaptar legal, né, com as novas gerações, porque eu tenho impressão, não sei se você tem, por exemplo, esses números, qual é a faixa etária hoje dos teus clientes, dos teus alunos, mas a gente que já tá aqui há muito tempo, e você há mais tempo ainda do que eu, Às vezes a gente olha algumas coisas e realmente, como você falou, assim, às vezes a gente se surpreende, desacredita, às vezes é para o lado bom, às vezes é para o lado ruim, né?
Mas a gente cria, né, uma, uma sobre determinadas coisas um preconceito, né? E muitas vezes a gente tem que se render, tem que se adaptar, a gente tem que estar aberto, porque isso é uma das coisas que eu acho que talvez seja um grande desafio de envelhecer mesmo é a gente tentar se manter aberto às novidades, né? Enfim, a gente tem, a gente tem que entender o que que tá acontecendo e se adaptar para que a gente não fique datado.
E claro, não fique com uma mentalidade de quem é velho de antigamente, que parou na época da sedinha e do pregador no nariz, né? Você conseguiu evoluir nesse sentido, eu acredito que com bastante enfim, com bastante facilidade.
Essa época, Michel, também era o que tinha, né?
Porque não tinha. Exato.
É, hoje em dia a gente, hoje em dia a gente tem as avaliações arquiteturamétricas.
É, eu tô dando aqui só um exemplo, mas eu digo até, até essa questão, por exemplo, que eu vou querer abordar aqui daqui a pouco, de que assim, muita gente hoje, né, o Ironman, eu não sabia que tinha esgotado a inscrição em poucos minutos, Mas assim, as pessoas estão às vezes se inscrevendo para o Ironman sem nunca ter participado de nenhum triátrono, ou sei lá, né? E aí sim chegam para vocês, treinadores: olha, professor, eu sou fulano e tal, eu quero fazer um Ironman.
Ah, mas qual que é a sua base? Ah, não tenho base. Não, mas eu tô inscrito no Ironman. Então você que, você professor, que resolva como é que você vai fazer essa pessoa concluir o Ironman dela, né? Mas enfim, a gente tem que se adaptar a isso, né? E o Endorfina, por exemplo, aqui para mim, os meus contatos pessoais com as pessoas mais novas, mas principalmente o Endorfina, ele tem servido de uma escola muito grande, porque eu gravo com pessoas mais velhas do que eu, pessoas muito mais novas, pessoas com mais idade no esporte do que eu, com menos idade.
E você tem que entender que, de novo, aquilo que eu falei agora há pouco, né? Cada um tem uma relação própria com esporte e não existe, eu acho, que uma relação certa e uma relação errada, porque a gente tem que levar em consideração individualidade. Você que tá na linha de frente recebendo aluno novo toda semana, todo mês, você não sabe o que que vai vir, né, naquele, naquela pessoa, naquele ser humano, né, qual é a caixinha de surpresas.
Então eu imagino que essa adaptação, claro que ela requer também um estudo, né, para você também se atualizar nas maneiras na evolução do treinamento, das metodologias e tal, mas eu digo assim, uma leitura melhor do ser humano, né? Porque no final das contas o seu trabalho é praticamente um trabalho de relações humanas, né? Entre a parte fisiológica, a parte biológica do treinamento e tudo mais, mas assim, você tem que se relacionar com essas pessoas, né?
E pelo que você disse das motivações que te levaram ao Ironman, desse grupo que te carregou, que te incentivou e tal. As relações humanas ainda são mais importantes do que necessariamente o desempenho, né?
É, Michel, eu acredito que você, o bom professor, minha forma de pensar, é o cara que sob o aspecto técnico, o cara que se atualiza. O cara que lê, estuda, presta atenção, ouve, se adapta, critica ou não, entende as críticas também. Mas ele tem que saber ler o aluno, cara. Ele é um cara que tem que entender a necessidade do aluno. Esse exemplo que você deu do cara que nunca fez prova nenhuma e resolve fazer um Ironman do nada, eu tenho uma posição muito sólida com relação a isso, né?
O cara nunca fez um triatlon, nunca fez esporte de enduro nenhum, pô, ele resolveu fazer um Ironman. O que que você acha, cara? Independente da prova que ele vai fazer, pequena, média, grande, É um processo. A grande pergunta é, ou as perguntas, né? O processo passa por essas fases, o processo demanda esse tempo, o processo demanda essas necessidades. Você é capaz disso? Sim ou não? Sou. Não faz. O cara que para fazer um aeromênage precisa fazer um short triathlon, primeiro short triathlon que você faz, que você vai lembrar, o primeiro short triathlon da sua vida, você vai falar assim: nunca mais vou fazer essa porcaria.
Isso é o terror e pânico. E um aeromênage não tem nada a ver com short triathlon, nada. O short triathlon é o tempo da natação. É verdade. A corrida do Olímpico, do 1,5 km, 40,10, é o tempo da natação do Ironman. O tempo do Olímpico é metade do tempo do ciclismo do Ironman. Os 70,3 é metade do tempo do Ironman. Você só tem essas correlações de tempo porque são provas totalmente distintas. Eu tive um aluno que fez 2 triatlons na vida, 2 Ironmans.
Eu tive um outro aluno que fez 4 triatlons na vida: um 70.3, 2 Ironmans e um Ultraman. Processo. Quero correr uma maratona. Eu falo assim para o aluno: você corre, corra uma gestação. Para você correr uma maratona, você precisa de um tempo de uma gestação, 9, 10 meses. É isso, cara. Para você fazer Ironman, você precisa de quê? Você precisa de um ano, um ano e pouco, né? Mas eu não sei, eu tive um aluno uma vez que eu ia fazer um Ironman, ele queria fazer E aí aqui no Rio tinha aquele Rei e Rainha do Mar em dezembro, ele nadava mal.
Cara, olha só, se você fizer o Rei e Rainha do Mar, 4000 em dezembro, podia se inscrever naquela época mais perto, né? Você pode se inscrever no Ironman. Ele foi, fez Rei e Rainha do Mar, nadou os 4000, se inscreveu no Ironman. Processo. Eu tive aluno que resolveu fazer o Ironman 2 meses antes. O que que você acha? Eu falava assim, cara, olha só, você tá treinando com as pessoas do Ironman, você tá com volume do Ironman, Você fazer o Ironman é continuar o processo que você tá fazendo com os outros.
Esse aluno foi lá, ganhou uma vaga para o Havaí, uma menina. Então, cara, isso é muito relativo, né? O cara pode nadar lá suas 4 vezes por semana, ele pode correr lá suas 3, 4 vezes por semana, ele pode ter um volume de pedal de 200, 300 km por semana, Mas ele nunca fez um triatlon, ele pode fazer Ironman? Claro que pode fazer Ironman. Só que durante esse processo ele terá diversas experiências, treinos de transição, treinos de natação no mar, porque não adianta você pegar um cara que só faz fast nata, levar para o Ironman, cara, é a mesma coisa, o processo é o mesmo.
Aí eu tenho 50 esporte triatlon, vou fazer o Ironman, tô preparado. Não, cara, você não tá. Você tem que ter o processo do Ironman, você tem que ter a periodização do Ironman. Que que você leva de vantagem? Que você sabe fazer uma transição melhor. Que no Ironman não quer dizer nada, praticamente, né? Contanto que você não faça em meia hora, faça em 10 minutos, não vai mudar nada, né? Então eu vejo essas coisas aí. Às vezes as pessoas falam que tem que fazer isso, Cara, processo, treina, é direito, faz a coisa direito, né?
O cara que corre 10 km não pode correr, fez 100 provas de 10 km no ano, não pode correr uma maratona, esquece, outra coisa. Até porque essas provas todas são únicas, né? E o que mais conta no Ironman e nessas provas longas, né? E agora teve a Maratona do Rio, eu falei para turma toda, pessoal, vocês vão brigar com a cabeça o tempo todo. E quando você entra num processo, treinar para uma maratona, para o Ironman, cara, você briga com a tua cabeça o tempo todo, né?
Não quero, quero, tá ruim, tá doendo, vou parar, não vou parar. É o tempo todo, cara, é um tobogã, é uma cenose de emoções, né? Daí euforia, tristeza profunda, a se achar que é o melhor, ao achar que se achar que é o o pó do indicau lá do fundo do baú, né? Você já fez prova grande, você sabe o que é isso. Você tá lá correndo, daqui a pouco dá uma falência na cabeça, não é só física, né? E o que me mexeu esse ano foi a minha cabeça, cara.
Eu tava tão afim, bicho. E o mais engraçado, no dia seguinte eu tava normal, não sentia nada. Acho que minha felicidade era tão grande que transbordou. Então eu acho que esse processo todo de treinamento é processo, né? A gente não entra num trabalho, médico não entra no hospital no primeiro dia sabendo tudo. A experiência que ele teve na faculdade é uma experiência, ele vai aprender no campo de batalha, né? E o campo de batalha do atleta é treinar, treinar, se submeter, entender, entender o corpo.
Não, ele tem que fazer um meio Ironman para fazer um Ironman. O cara não tem nada disso, não tem uma coisa assim. São provas de endurance de longa duração, mas são provas distintas, cara. Lá no, quando você faz a inscrição do Ironman, assim, você já fez, você só pode fazer Ironman se você fez 70.3? Não tem essa causa, você pode fazer. O que você não pode fazer é maluquice, né? Fazer da sua cabeça, fazer sem uma orientação. Fazer sem uma preparação adequada.
Foi o que eu falei, eu quase não corri, mas eu pedalei 7.500 km, cara. Você sabe disso, isso não é pouco por mês. Para em maio, 5 meses, pô, tá 1.500 km por semana para um atleta amador velho, não é pouco, né? Por mês, né? Eu fazia todos os dias esse ano, todos os dias, né? Então é isso, tá? Então eu vejo essas coisas assim, dessas provas grandes, você tem que se preparar sempre, sempre, sempre.
Depois de tantas décadas convivendo com atletas e nos últimos anos ouvindo e aprendendo com os convidados aqui no Endorfina, está claro que evoluir no esporte não depende apenas de dedicação e consistência. Passa também por fazer boas escolhas, especialmente quando o assunto é equipamento. Saber o que faz sentido para o seu momento, para o seu objetivo e para o terreno onde você pedala faz toda a diferença. Esse entendimento você encontra na Tupix Bikes, patrocinadora do Endorfina.
A Tupix Bikes é importadora e distribuidora oficial no Brasil de marcas como a Factor Bikes, a Santa Cruz Bikes e a Yeti, além de outras referências do mercado. Mais do que vender bicicletas, vestuário e acessórios, a proposta deles é orientar você. A Tupix foi criada para atender quem busca dar o próximo passo no esporte, Seja no ciclismo de estrada, no mountain bike, no gravel ou no triatlon. A lógica é simples: cada ciclista tem uma necessidade diferente, e o papel da equipe da 2Pix Bikes é ajudar você a fazer escolhas melhores, mais conscientes e mais eficientes.
Essa filosofia se reflete também nos espaços físicos. Na loja do Rio de Janeiro, o ciclista encontra manutenção de alto nível, bike fit, café e espaço para encontros e eventos. Em São Paulo, na Avenida Faria Lima. Além de uma oficina especializada, a unidade recebe clientes e amigos para treinos aos finais de semana. Já a loja de Los Angeles segue exatamente o mesmo padrão, a mesma curadoria e a mesma essência. Por tudo isso, é um prazer ter a Two Peaks Bikes ao lado do Endorfina.
E fica o convite: se você está buscando orientação para melhorar seu equipamento, entender melhor suas escolhas ou simplesmente pedalar com mais qualidade, vale conhecer a Two Peaks Bikes. Distribuidor oficial da Santa Cruz Bikes e da Yeti no Brasil. Siga @2peaksbikes. Eu vou soletrar: @2peaksbikes. Siga @2peaksbikes no Instagram. Esse episódio oferecido pela Z2 Performance. A Z2 agora está com nova embalagem dos géis, abre fácil, com melhor fluxo de sucção e bordas arredondadas para não te machucar durante o treino ou prova.
E tem mais novidade: os géis com sabores originais da Maratona do Rio voltaram, água de coco e mate com limão em edição limitada. Outra novidade é o gel de 75 gramas de carboidratos, ideal para estratégias de alto consumo. Siga @z2performance e fique por dentro do universo da Z2. Walter, você tem, tem essa fama, né? Eu brinquei um pouco aqui no começo, na hora que fiz a apresentação, né, de ser ao mesmo tempo um cara super querido, amoroso, mas ao mesmo tempo duro, um carrasco, né?
E você tem essa, enfim, você agrega todas essas características que às vezes parecem que são incompatíveis. Mas fazendo uma autoavaliação, você tá ficando mais tolerante, mais mole? Eu não ia falar mole, mas você tá assim, tipo, Sabe, um pouco porque você tá mais sábio, um pouco talvez porque você também mudou, né? Você tá, não é mais o mesmo Walter de 6 anos quando a gente gravou, muito menos o Walter de 10 e de 20. Mas também um pouco tipo assim, também não adianta bater de frente o tempo inteiro, porque muitas vezes isso não leva a nada.
É, Michel, eu acho que eu mudei sobre alguns aspectos, né? Eu acho que o Walter hoje ele é menos impetuoso, né? Ele é menos só coração, ele tem muita razão no meio desse processo. A gente também tem que entender como em tudo, cara, o mundo mudou, né? Então a gente tem que ter mais cuidado com alguns aspectos. Outro dia eu fui dar uma aula numa pós-graduação online, eu fiquei uma hora e meia me policiando para não falar um palavrão, porque palavrão é coisa da minha rotina, né, do dia a dia.
E tem horas que você pode empregar de forma bem interessante, inclusive, né. É, hoje o Walter que dava aula na faculdade há 10 anos atrás não seria o mesmo Walter de hoje, que o Walter também não é burro, né? Tem certas coisas que você não pode falar mais, mas hoje eu sou um cara mais racional nesse aspecto. Eu acho que tem uma coisa do Walter que os alunos gostam, que é o personagem, que é isso que você falou, tá bronca, não sei o quê, não sei o quê.
Mas, cara, o cara aqui passa a mão na cabeça de todo mundo, né? Mas hoje, com relação a treino, cara, principalmente, eu, a minha resposta hoje é assim: seu treino não é esse, faz o que você quiser. Se der zebra, eu vou falar, eu te avisei. É isso, eu não bato mais de frente. Ah, eu quero fazer não sei o quê. Cara, olha só, seu treino não é esse. Seu treino é esse. Se você quiser, você faz, sob a sua responsabilidade. Quando der zebra, eu vou te falar.
Igual mãe fala, né? Eu avisei, não fala isso, não faz isso. É isso, cara. Eu não bato mais de frente, mas não bato mesmo, não bato mesmo. A galera do ano passado do Aeroman, cara, eu teve um dia que eu falei, bicho, eu não vou mais, vocês estão me aborrecendo demais. Esse ano, há 6 meses atrás, eu falei assim, olha só, eu não vou passar o que eu passei ano passado de angústia, de ter que ficar angustiado com o treino de vocês.
Vocês querem mudar, vocês façam o que você quiser. O treino de vocês tá aí individualizado para cada um, para vocês fazer no pace, tudo de vocês. Agora eu também vou fazer a prova, então não vou me apunhar com isso, cara, que eu não me apunho mais. Eu só falo, eu te avisei, ia dar zebra. Não que eu li aquilo, cara, olha só a leitura. E aí hoje ainda tem um problema grande, né, que é o ChatGPT, né, esses reais aí, né. E isso virou um problema porque a gente é submetido, eu acredito que os outros treinadores todos, não sei se alguém já abordou isso, né, a gente faz prova todo dia.
E o cara pega o teu treino, joga lá no ChatGPT, ele analisa o teu treino. Ele pega o teu gráfico lá do TrainingPeaks e joga no treino, ele analisa o teu treino.
É mesmo?
Não sei se você já ouviu falar isso.
Não, isso não. Toda hora aí, pessoal pegando treino e perguntando, né, para o chat, mas pegando o treino que já foi prescrito e colocando lá.
É isso direto. E aí você hoje, até hoje eu tô passando com louvor. Pô, legal, o tempo tá certinho, você tá na tua curva certa. Isso tem também, cara. Então, cara, ainda tem esse problema, porque aí você discute agora com o cara que leu o chat. Só que o chat, cara, você tem na época do mestrado, seria lá, né, informação primária, secundária, terciária e informação lixo, né. O chat faz um poporri de informações que sabe-se lá de qual qualidade.
Ou qual o chat que você usa, né? Tem um chat médico, esses são os melhores, mas tem um chat que são chat lixos, né? E você concorre com isso e passa na prova deles, né? É engraçado isso, é engraçado isso. Mas eu amoleci assim.
E você acha isso uma coisa boa, um sinal bom? Talvez de maturidade.
Eu me, eu acho que eu sofro menos, né? Eu sofria mais com isso porque eu batia na ponta de faca. Cara, não preciso. O cara quer fazer, ele vai fazer, cara. Não adianta me emburrecer, me chatear com isso. Porque ele vai fazer. Então eu vou falar depois, eu te avisei, não deu certo. Era isso. Então acho que o grande é assim, eu não me sinto mal com isso. Eu acho que o personagem do Walter é legal, né? Esse personagem aí às vezes assusta as pessoas, né?
No início, às vezes entra um novo, dou uma bronca lá no grupo, ó, é assim, não é sempre assim, às vezes que eu não tenho que dar uma puxada, eu explico, né? Nunca faria isso, eu explico, né? Mas eu acho que isso faz parte do personagem, da característica, né? E eu vejo também o seguinte, Michel, se a gente colocar à parte as questões ideológicas, né, as pessoas gostam de serem chamadas atenção. E eu falo para aluno muitas vezes assim, cara, enquanto eu tiver te dando bronca e te chamando atenção, é que eu tô olhando para você.
No dia que eu tiver uma sequência de dar broncas e não saber perguntar mais, não me ligar mais, é sinal que eu não me importo mais. Então, cara, se você tá recebendo uma bronca, uma puxada de orelha, não sei o quê, cara, assina com o Túlio, eu olho, né? Eu olho direto. Fez, não fez? Tá fazendo certo? Agora tem gente que é muito ruim você desistir das pessoas, né? Isso é uma coisa difícil para mim, pô. Desistir de um aluno, cara, isso é muito ruim.
Eu fiz isso acho que raras vezes na minha Mas, cara, às vezes você tá dando tanto que o cara não quer o que se dá, cara. Ele quer menos, ou ele nem quer, né? Você manda mensagem: como é que foi o treino? Como é que foi o treino? Uma semana seguida: e aí, como é que tá o treino? Pô, me explica, por favor, me manda. O cara não te responde, bicho, cara. Aí você vai fazer o quê? Você vai insistir? Não, bicho, não vai insistir. Eu tenho uma coisa curiosa, cara.
Eu sei o nome de todo mundo, eu conheço todo mundo, eu falo com todo mundo. Não tem aluno desconhecido para mim. Hoje tem uma série de alunos que fazem treino com outra professora e eu conheço eles todos, cara. Falo com eles todos. Se machucou, falo direto, cara. Não tem essa.
Em linhas gerais, você acha que hoje, a despeito do que não é tão bom É mais, é melhor, mais fácil no sentido de que o trabalho flui melhor do que na época da planilha no papel, no Excel, no fax. Não tinha essa facilidade de comunicação, né? Não existia WhatsApp, né? Então você tinha que ligar do telefone fixo para as pessoas, né? Não sei se na tua assessoria foi assim, mas tinha um dia que era o dia de ficar ligando para os alunos, né?
Você tinha que ligar. E se a pessoa não atendesse, Aí não atendeu, aí você liga para o outro, meu, e ter que discar, né? Você acha que hoje é mais agradável, mais prazeroso, mais simples de fazer o trabalho?
Bom, sobre o aspecto da planilha, sim, porque existem esses programas, né, que você bota o celular, ele já sincroniza com relógio, você vê o troço tudo. Nesse aspecto operacional, sim. Eu ligo para os alunos ainda, Michel. Tem um monte de aluno que eu ligo. Troquei 3 mensagens, eu pego o telefone e ligo. Aí, bicho, não vou ficar trocando mensagem, pelo amor de Deus, eu sou velho.
É porque também acaba sendo chato e é contraproducente.
Você liga logo e fala e resolve, não flui. É verdade. E eu ligo. Tem muita gente que eu ligo durante o dia, né? Às vezes uma mensagem basta. Isso facilitou. O problema da mensagem só é que, e aí é uma questão, acho que de geração, pode ser um erro meu pensar assim, né, cara? Ah, vou mandar mensagem, ele lê amanhã. Cara, eu lembro quando era criança, não telefone para ninguém depois das 8, antes das 8 da manhã, não ligue para ninguém depois das 8 da noite.
Eu não consigo fazer isso, cara, só se for uma emergência. Ligar para alguém depois de 8 da noite, cara, eu recebo mensagem meia-noite, meia-noite e meia, 1 hora da manhã, não sei o quê, cara, isso não existe. Não, você lê depois. Não, não leio depois. Contenha sua ansiedade, faz parte do treino. Me manda mensagem na hora que você pode mandar mensagem. Outro dia eu mandei um vídeo para eles aqui, semana passada. Eu fiz uma filmagem do meu WhatsApp, da quantidade de mensagem que entrava num dia, né?
Fui filmando, rolando a página. Isso eram 2 da tarde. Eu falei assim, galera, por esse motivo eu não ouço áudio. Se metade dessas pessoas mandarem um áudio de 1 minuto, eu vou ouvir áudio de 3 horas de coisas que é— então me liga, bicho, para fazer uma besteira, escreve em 3 linhas. Na época da faculdade eu falava, eu falei no teu programa antigo, O outro programa, o aluno tem uma questão dissertativa, ele pode escrever 10 linhas, cada linha a mais é um ponto a menos.
Se o cara encher mais de 10 linhas, que ele tá enchendo linguiça, eu tô corrigindo um monte de coisa a mais que eu não preciso. Então, cara, eu acho que as pessoas falam isso assim, o WhatsApp facilitou muito, os programas facilitaram muito, essa comunicação é muito melhor, muito mais rápida, óbvio, mas as pessoas têm que ter cuidado, cara. Domingo ficar te mandando mensagem de treino, pelo amor de Deus. Manda na segunda-feira, cara.
Até porque, Michel, eu não leio, eu não leio, não respondo. Mandou mensagem 8 horas da noite, depois das 8 da noite, 10 da noite, achando que eu vou responder no dia seguinte, já foi para o final da fila, acabou. Às 8 horas da manhã já entraram 20, cara. Eu vou responder as do dia. Acho que notícia passada já é notícia passada, cara. Acabou as contas. Ah, troca, o cara me manda mensagem meia-noite, troca meu treino de amanhã das 7 da manhã?
Não troco, já cheguei em casa 8:30. Então acho que as pessoas, isso falta nas pessoas. Aí eu acho que não é uma crítica, mas eu acho que é uma coisa do mundo atual, né? Nem só de geração, né? As pessoas, ó, cara, tem que me responder domingo, esquece, né?
Eu acho que eu entendo direitinho você. Eu acho que o importante, ou o que faz a diferença, é você estabelecer as suas regras, você estabelecer o que para você funciona, né? Porque aí é assim aquilo que a gente falou, né? É individualidade, né? Tem gente que às 9 horas da noite tá ligado no Jiraya e tá, né? E tem gente que não, né? Então você precisa, como você, o delicado desse trabalho, né, que você exerce é que mistura um pouco de amizade com o lado profissional, né?
Então as pessoas acham que podem entre aspas, invadir o seu horário, a sua privacidade em qualquer hora do dia ou da noite, como se fosse um médico, né? Aliás, você é procurado praticamente como um médico, né, nesse WhatsApp aí que você mandou. Então as pessoas têm que entender isso, né, que enfim, cada um funciona de uma maneira e estabelecer as premissas. Agora, a gente gravou em novembro de 2020, A gente achava que ia abrir tudo, não ia abrir e tal.
Meu mundo era diferente naquela época. Aí depois voltou, né, a partir de 2021, gradativamente e tal. E teve essa demanda reprimida, né? O Ironman voltou com tudo, os triatlons, as provas, as maratonas. Veio a Maratona do Rio, que cresceu. É óbvio que não é só com relação à pandemia, mas houve um boom, né? Uma demanda enorme do ciclismo e tudo mais. Na sua leitura aí, na sua realidade dentro da Walter Tuch Assessoria, o que que mudou?
Teve também um boom de alunos? Mudou o perfil dos alunos no sentido de que, né, você tava com aquela quantidade de alunos?
No seu caso especificamente, é, Michel, o que eu vejo assim é, depois da pandemia, a concorrência aumentou, né? Vieram novas assessorias, mas acho que cada assessoria guarda a sua característica. Tem as mais instagramáveis, tem as menos, tem as mais blogueiras, as menos. Então acho que o aluno ele acaba indo para onde ele se identifica melhor, né? Você teve um boom de alunos? Não, se manteve como era, o fluxo normal de entrada e saída, porque a gente tem uma característica de atendimento, uma característica de assessoria, uma característica de envolvimento.
Então acredito que o aluno vá procurando esse caminho que ele quer. Ah, eu quero fazer mídia, eu quero aparecer, eu quero isso. Ah, eu quero treinar mais sério. Não é crítica a ninguém, mas é o mercado, né? Surgem outras assessorias, outros objetivos. E aí, cara, é a questão de onde o mercado tá. O mercado quer mais festa, o mercado quer mais coisa séria. Não que não sejam sérias, pelo amor de Deus, não entenda isso, mas focado como é que o mercado quer, né?
Aí tem a faixa etária tal, assessoria mais a faixa etária tal, a outra é mais a faixa taxa etária tal. Outro dia um virou para mim, mas você podia fazer isso, isso, isso, o que que você acha? Eu falei, cara, olha só, eu não quero ser uma rede de supermercado, eu quero ser o mercado do bairro onde o dono sabe o nome do seu cliente, sabe a história do seu cliente, que quando o cliente entra no teu mercado Ele vai dar o corte de carne que você quer, vai dar o arroz que você quer, vai dar o feijão que você quer.
Ele não vai ter um balcão. Acho que assessoria da gente é uma assessoria— hoje eu não sou preocupado se eu sou maior, menor. Acho que nem sou mais aqui no Rio maior. Acho que já fui uma vez, alguma vez. Não sei se eu sou maior ou menor também. Isso também é uma coisa que não me preocupa mais. Eu acho que a gente tem uma característica de atendimento e a gente segue mantendo a seriedade nessa característica de atendimento. E as pessoas que se enquadram nessa característica vem para gente, sabem que vão ser tratadas pelo nome, sabe que vão ter uma planilha delas, sabe que vão ter os treinos presenciais, sabem que os professores estão envolvidos no processo.
Sabe que a gente participa da coisa e sabe que a gente é sério. E aí as pessoas vêm, né? Não que os outros não sejam, pelo amor de Deus, mas eu acho que o fluxo do aluno vai de encontro à necessidade do aluno, a necessidade daquela pessoa. Que isso varia. Um dia ele quer a festa, outro dia ele quer o violino. Né? E ele quer o funk, outro dia ele quer o violino. Ele vai variando também conforme ele vai amadurecendo, criando as necessidades dele e tudo mais, né?
Ainda tem uma demanda muito maior do que a oferta.
E tem espaço para todo mundo, Michel. Eu acho que tem espaço para todo mundo, entendeu? Porque tem muito grande, muito grande, né? Eu só fico preocupado nesse processo todo desse mundo esportivo, que isso acaba virando uma moda. E como toda moda, se não crescer direito, ela pode virar um problema. Vi de as bicicletas elétricas autopropelidas que vieram preencher um espaço de transporte público super eficiente e hoje gerou uma praga, né?
É aquele cara que contrata o gafanhoto para matar a formiga e um dia ele perde o controle do gafanhoto, que o gafanhoto estraçalha tudo e não tem mais formiga nem plantação, né? Então eu acho que o grande problema todo é esse, né? Você começa a ver um movimento de pessoas na atividade física que não tem uma qualificação, que isso é normal também, e vira um problema, um problema de, de, de, de, de que em breve pode virar um problema de saúde pública, né?
Um monte de pessoa volta: eu quero fazer Ironman mês que vem. Bicho, não dá. Ah, mas assessoria lá me treina. Bicho, vai para ele. Eu não faço, que eu te falei, eu não tenho problema nenhum pegar um cara que nunca fez Ironman e fazer Ironman, mas eu quero humano, cara.
Agora, as pessoas não estão, né, voltar um pouco no que você falou, né, você tava com o seu, a sua angústia ali na largada do Ironman, e a natação ela proporciona isso muitas vezes, né, natação em mar aberto e tal. Mas tinha essa garota, essa mulher, não sei, que você auxiliou e tal, muito bacana, Mas será que, tô dando esse exemplo, né, a gente não conhece ela e tal, não sei se é o primeiro Iron Man dela, se é o penúltimo, ou enfim.
Mas as pessoas hoje também não estão com mais pressa, né? Essa história que você falou da comunicação, do WhatsApp, as pessoas mandam mensagem às 9 da noite, quer que você responda às 9:31, né? Ah, o Walter tá chateado comigo porque não respondeu, né? As pessoas têm essa ansiedade que a rede social exacerbou de uma maneira, né, acho que nunca vista na humanidade. Ao mesmo tempo, a gente tem gente sendo motivada por isso no esporte, e aí a pessoa quer logo fazer uma maratona, ou quer fazer um Ultraman, ou quer fazer um Ironman, enfim, sem nenhum histórico, sem nenhum preparo.
E aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e aí, e ainda, né?
Ela tá saltando, né? E ainda tem aquele outro público que é o amador acima de 40, 45, às vezes 50 anos, que já tá numa situação financeira estável, que quer um status de um Ironman, de uma maratona, né? E de repente o cara acha que ele compra, né, entre aspas, aqui o kit do Ironman, o kit do maratonista, né? Investe uma grana normalmente Quase que sempre o cara investe uma grana muito alta, compra todos os melhores equipamentos, e aí chega e fala, cara, eu quero fazer um Ironman, mas eu quero ir para Kona, eu quero fazer o sub tal para ir para Boston.
Isso pode ser uma coisa, ou você sente que é uma coisa que assim pode levar a prejuízos, né? Isso que você falou, o negócio pode virar um negócio de saúde pública. Não tô exagerando nesse sentido, mas assim Porque, cara, aí a gente soma esse, esses, essas pessoas que são jovens e querem porque querem e tem ansiedade, tem pressa, e ao mesmo tempo as pessoas mais maduras que acham que porque conseguem um pouco mais de tempo e tem condições financeiras e, né, são donos, CEOs, médicos autônomos, né, que querem e querem fazer num tempo XPTO que talvez não seja compatível com a realidade deles naquele momento.
Como é que, como é que você sente isso, né? E essa dificuldade de equilibrar isso.
Bom, Michel, esse ano eu tive uma menina que veio treinar comigo para fazer a maratona, jovem, 20 e poucos anos. Ah, meu pai também quer fazer. Falei, legal, qual a idade do seu pai? A sua idade? Não, ela falou, ah, 60 e poucos anos. Eu tenho 65. Legal. Dá para fazer. Poxa, você fazendo 65, tem meu telefone do seu pai? Era meu telefone, eu liguei para ele. E aí, falando, tudo bem? Sou o Walter, me apresentei. Ela falou que você quer correr a maratona no ano que vem.
Nesse ano será em janeiro, maratona em junho. Cara, corria nada, zero histórico esportivo de corrida, fazer musculação 3 vezes por semana. Pô, que eu queria fazer com ela maratona, com a minha filha, não sei o quê. Eu falei, cara, olha só, vamos combinar o seguinte, vamos tentar correr a meia maratona, vamos tentar correr a meia maratona, e você corre os últimos 15 km para ela, com ela. Não, mas não sei o quê. Eu falei que tá bom, cara.
Quanto tempo você tem para treinar por semana? Ah, Walter, eu posso correr 2 dias por semana, 1 hora. Cara, não dá. Não, que eu já conversei com meu personal, não sei o quê. O cara me dá o telefone dele que eu vou conversar com ele. Não dá, cara. Não dá para você fazer uma maratona em 6 meses correndo 2 vezes por semana, 1 hora, sem histórico esportivo nenhum. Com histórico esportivo gigante já não daria. E sem histórico esportivo nenhum em base a zero.
Até vou falar com ele, te ligo de novo. Não me ligou. Mas aí a gente tem que orientar, Michel, porque começa essa maluquice. Ah, que eu comprei a melhor bicicleta, cara, isso não quer dizer nada, bicho. Não é esporte motor, é esporte humano, é motricidade humana. Você tem que nadar, pedalar e correr. Você tem que correr, você tem que nadar, você tem que, cara, é motricidade humana. Não tem categoria assistida no Ironman. No Letap, lá atrás eu falei na época com o pessoal do Letap, cara, faz uma categoria assistida, é inclusivo, é legal.
Hoje tem o Circuito Mundial de Mountain Bike, né, e-bike e MTB, que é legal para caramba. Mas o Ironman não tem essa categoria assistida, cara, e nem para na categoria assistida para fazer o Ironman, não quer dizer que você não tem que treinar para cacete. E aí começa essa coisa do treino, Michel, das pessoas, né? Eu tava conversando com o pessoal ontem no treino de corrida, tava ali na hora do treino, né? Eu tava olhando a pessoal, não sei o quê, eu tava vendo assim, tinha uns 40, 50 pessoas.
Cada das 40, aí eu falei, ó, vamos fazer uma foto das medalhas, não sei o quê, não sei o quê, na maratona. Das 40 pessoas, 50 pessoas que tinham no treino ontem Cara, 80% tinham feito meia maratona, maratona, e eram MEI. Meia maratona, cara, virou coisa, meia maratona, cara, meia maratona é coisa para cacete. Eu não falei que eu nadei lá no início do nosso processo 30 mil metros? Cara, você vai correr 21 mil metros, cara. Bota isso em linha reta, é coisa para caramba.
Só que vira uma coisa tão, tão usual. Fazer a meia maratoninha, meia maratoninha, cara, isso exige um esforço, uma programação, uma preparação. E as pessoas acham que é uma meia maratona. Né, então o problema da saúde pública é que você vê pessoas despreparadas orientando, pessoas despreparadas fazendo o que não devem, né? Porque assim, e aí, Michel, não é só uma maratona, uma meia maratona que a pessoa tá despreparada. Às vezes ela tá despreparada para correr 5 km, né?
Despreparada é não estar apto a Que pode ser uma condição pontual naquela hora, né, momentânea. Mas, cara, para uma pessoa que nunca correu, correr 5 km é coisa para burro, bicho. Não é pouca coisa. É isso, cara. É isso, cara. É muita coisa, né? Às vezes eu vejo, mas não, vou fazer a prova lá, tô nadando um pouquinho. Não, mas a natação são só 4 mil Falei, cara, só 4.000? Porra, cara, vocês não têm a menor noção de nada, né? Um triatleta olímpico são 1.500 metros, cara.
Um sótão são 750 metros. O cara na piscina, ah, vou lá nadar, nado 2.000. Ficou assim, cara, não nada 2.000. O cara não nadou uns 2 anos, vai nadar 2.000? Não vai, vai nadar 1.000 e olhe lá, parando na borda. Eu tenho um aluno que ia fazer Ultraman ano retrasado, sofreu um acidente, não fez. Ia fazer uma provação. Um dia ele falou assim, pô, Valter, fui nadar 1000, parei de 100 em 100. Eu falei assim, bem-vindo ao meu mundo. E o cara fazia, ia fazer, tem 2 Ironmans abaixo de 10 horas, tem vários Ironmans, ia fazer o Ultraman, não fez porque caiu 2 semanas antes, quebrou uma clavícula.
Mas foi, falou, nadei 1000 parando de 100 em 100. Eu falei assim, é assim mesmo, cara. Então as pessoas acham que É qualquer coisa, entendeu, Michel? O grande problema é esse. E menosprezam qualquer distância. São 5.000 metros, cara. A Praia de Copacabana, que assim, ó, ficou coisa fácil das pessoas perceberem, né? Porque é isso, é a Praia de Copacabana, como mundial. Praia de Copacabana tem 4.000 metros, cara, 4 km. Atravessar a Praia de Copacabana nadando É um pouco menos que a distância do Ironman, 3.600 metros.
O Ironman tem 3.800 quando você navega bem, né? Se você navegar mais mal, ainda vai nadar mais uma carroça. Ainda tem isso. Então acho que o grande problema é esse, que as pessoas querem um desafio não compatível com a sua história, com o seu tempo de treino, né? Eu acho que se resume isso. E vai virar um problema de saúde pública porque começa a ter um monte de gente com lesão de tornozelo, de joelho, de coluna, de não sei o quê.
Um monte de gente com sobrepeso, né? Tipo, um lado afasta as doenças coronarianas porque diminui um pouco peso, né? Melhora colesterol, pressão, tudo mais. Por outro lado, vem as doenças do sistema osteoarticular, né? Quando não tem um piripaque no coração, porque as pessoas já estão tão sedentárias há tanto tempo que podem arranjar uma encrenca na vírgula, na esquina. Que não precisariam ter, né? Então acho que o grande problema é esse.
Você sentiu esse Ironman que você participou de uma maneira diferente das outras vezes? Teve alguma diferença na prova, no entorno, nos outros competidores? Não do percurso, não do vento, do sol. Aliás, foi um ano privilegiado, né? Que bom que você participou. Ano que vem vai fazer sol também, né, Walter? Claro, vem comigo. Mas Houve alguma coisa assim que te chamou atenção, que você achou diferente?
A natação. A natação tava muito mais vigiada. Não que o Galvão não faça, né? Eu acho que ele tem um cuidado muito grande com várias coisas. E ele é um cara assim, sempre que eu faço uma prova dessas, ou treinando alguém ou fazendo a prova, eu faço questão de de coletar algumas opiniões e mandar para ele, para eles, né? Ó, foi isso, isso, isso, isso, isso, isso. Às vezes o aluno te fala, aconteceu isso, isso, isso, isso, e você relata também.
E eu assim, eu achei a prova, acho que eles podem melhorar a sinalização de buraco, uma coisa ou outra, mas aí também é normal, ciclismo, não tem como. Mas eu achei a natação muito mais vigiada, muito mais. Tinha muito caiaque, tinha o suporte na água, era muito bom. Eu que passo sufoco percebi isso, né?
Que bom, né?
Eles colocaram uns colchões gigantes no meio do percurso. Para as pessoas poderem ali descansar, até subir, entendeu? Então esse suporte, dado que tem acontecido nas provas de triatlon, né, atualmente, principalmente na natação, que é uma parte mais complicada, eles tiveram muito cuidado, cara. Se eu olhava assim, nossa, aquela coisa que você vê assim, porra, tem gente. Você não nadava 50 metros sem ter um caiaque perto de você.
Uma coisa impressionante. E eles, e assim, e como eu passei o sufoco na ansiedade, eu parava, levantava a cabeça, olhava, cara, toda hora tinha alguém olhando. E aí, tudo bem aí, né? Então isso eu achei muito legal, muito legal mesmo, muito legal mesmo. A sugestão só que eu dei para ele no final da prova é que naquela parte da hidratação, nas partes, nos pontos de hidratação da bike principalmente, que tivesse alguns gols com uma rede para o pessoal pegar as garrafas e jogar no gol, para não ficar rodando garrafa no meio da rua que derruba a gente, né?
E até uma nossa caiu, tudo mais. Mas eu acho que seria uma coisa só importante botar uns gols. No Letap na França eles faziam isso, botava umas redes bem grandes e a gente jogava a garrafa que você troca nessas redes, e aí fica ali. Até para limpeza é mais fácil também. Mas a observação assim, os postos de água, assim, a parte de organização é absurda, cara. Eu acho que poucas provas têm esse nível de organização com tanta gente num percurso tão complicado.
E esse ano eles ainda padeceram mais porque a largada atrasou muito, que tinha uma névoa. Então eles tiveram que atrasar a largada por causa da névoa, que não dava para ver boia, uma série de coisas, né. Aí eles, inclusive, teve contato com a prefeitura lá, com com a secretaria lá de transporte de Florianópolis, porque tem um problema do trânsito, né? Porque a prova tá restringida ao horário. Pô, se atrasa uma hora, mais uma hora da galera reclamando.
Normal, né? Apesar de absurdo, aquela prova dá um levante em Florianópolis em maio absurdo, né, cara? São 2 mil participantes, são 10 mil pessoas consumindo, né, cara? E gastando pesado, né? É hotel, é comida, é tudo, aluguel de carro, tudo, tudo. Ô Walter, mexe muito, movimenta muito.
Agora vamos sair um pouco do Iron Man. Eu queria terminar fazendo uma pergunta para você. Eu tava aqui hoje de manhã, tava pensando, bom, deixa eu tirar essa dúvida com o Walter, né? Para ter conversado com algumas pessoas, inclusive aqui no Endorfina, Fugindo aí do assunto do Iron Man, mas a gente tem visto em provas de triatlon, visto no ciclismo, na maratona agora com esse recorde e tal, pessoas cada vez mais jovens performando num nível jamais imaginado, né?
E a gente tem os nossos próprios exemplos aqui, né? A Tota novinha, que é uma cria sua, que tá lá super bem lá na Europa, né? Tem o Bravinho que também agora tá despontando, né? Uma grata.
Inclusive tá correndo hoje uma prova no Gran Fondo, é o Giro de Itália Nova Geração, deve estar acabando a prova inclusive.
É, então aquilo que a gente tinha, né, por certo alguns anos, uma década, um pouco mais atrás, ah, precisa ter experiência, não, você precisa ainda maturar, não, você precisa ter bagagem não só fisiológica, mas também mental, psicológica, de leitura, expertise. Hoje em dia a gente, hoje em dia, né, pós-pandemia, isso mudou, né. No ciclismo começou com Egan Bernal e de repente ele não vingou, mas, cara, de repente surge um Pogačar, surge essas pessoas cada vez mais novas, Remco, performando.
Ou Ceesch agora, 19 anos. Você acha que isso já dá para dizer, né, porque são uma coisa mais ou menos recente, já dá para dizer que é um, vai ser uma normalidade a partir de agora, ou ainda não dá para dizer? Talvez sejam pontos isolados, mas que são muitos pontos isolados que coincidiram nessa, nesses anos, e que a gente ainda não, a experiência ainda vai contar muito. Esse jovem já estão vindo com uma, né, com o cérebro de uma maneira diferente, que ele já tem experiência mesmo com 19 anos, mesmo com 20 anos?
É, Michel, é que a gente, que a gente tem que separar isso em alguns itens, né? Então, se a gente for pela parte de crescimento e desenvolvimento, né, o corpo cresce, ele atinge uma maturação adulta, final da adolescência, puberdade, perdão, adolescência não, adolescência é estado mental, tá? Ele acaba quando a gente acaba a nossa puberdade, que a nossa curva de crescimento, isso vai variar no menino 17, 18 anos, na menina 16, 15 anos, depende de quando você entrou no teu estirão do crescimento.
Quando a gente acaba a nossa puberdade, que a gente entre aspas vira adulto, a gente começa o nosso período de decadência, né? Cresce e decresce. O que atividade física, que o treinamento físico faz, que os cuidados que você toma fazem, ele vai diminuir a inclinação dessa curva de crescimento. E muitas vezes você cresce, começa a crescer sobre outros aspectos. O que a gente observa dessa garotada hoje em dia, né, é que eles começam todo o processo de treinamento físico numa idade mais jovem.
Então eles passam a ter contato com a ciência, com a expertise da ciência, mais cedo. Logo ele se desenvolve mais cedo. A Tota jogava bola, futebol, 9, 10, 11, 12, 13, 14 anos ela começou a pedalar. Ela pedalou 6 anos até chegar ao alto rendimento, ao alto rendimento internacional. Aqui no Brasil ela com 18 anos já era alto rendimento. E então, coisa diferente. Então ela já tinha um processo de treinamento muito mais baseado em ciência do que em astrologia.
E hoje os programas de detecção de talento, eles funcionam com 8, 9, 10, 11 anos. Então com 8, 9, 10, 11 anos você tem processo de detecção de talento, biópsia muscular, prospecção do que aquele cara vai ser em termos de aeróbico, anaeróbico, que seja. Então você tem ferramentas hoje que você identifica já um potencial olímpico, um potencial de alto rendimento muito cedo. E esse cara, cara, ele se submete a esse processo muito cedo.
De treinamento. E aí, quando ele chega com 19, 20 anos, cara, ele já tá no alto rendimento, no alto nível do rendimento, né? Mas não é só físico, tem a cabeça também nessa hora, né? Qual o nível de de complexidade psicológica esse cara tem para aturar isso, o quanto ele aguenta de pressão, o quanto ele matura, né? Então isso tudo acaba contando na coisa toda. Não é só físico, é mental também, né? A gente pega, vou pegar um exemplo para você do tênis, né?
Nadal ganhou o primeiro— Nadal não, desculpa, o Alcaraz. Alcaraz ganhou o primeiro Grand Slam dele aos 19, 20 anos, se eu não me engano. E a gente pega o João, João tem 18, 19 anos, João Fonseca tem 19 anos, né? O Alcaraz, desde os 12, 13 anos, Provavelmente ele já vive o alto rendimento, jogou tênis com todos esses garotos que estão jogando aí lá na academia do Nadal, no alto rendimento. O João começou a jogar o alto rendimento um pouco mais velho, então o João vai demorar um pouco mais para maturar, para chegar no nível.
Não é que ele não vai chegar, ele pode chegar, ele tem potencial para isso. Tá aí mostrando, né? Mas ele vai levar um tempo mais para maturar esta questão, não só fisiológica como psicológica, porque ele foi exposto a essa pressão tardiamente em relação ao Nadal, ao Carazza. Esse é o meu ponto de vista, esse é o meu ponto de vista, né? Então quando a gente pega Pogacar, Vanderpoel, Esses garotos todos, cara, você tem foto deles todos disputando Campeonato Nacional com 12 anos de idade, 13 anos de idade.
Então o garoto já começa a ter uma transformação morfológica muito grande, ele começa a aprender os processos de treinamento esportivo, ele se submete a bons processos de treinamento esportivo. O que vai faltar para ele é maturação da psique. E aí, cara, se ele for bem orientado, ele vai ter. Você vê o menino que foi agora maratona de— qual foi a maratona que o cara bateu recorde mundial?
Chicago, né?
Foi, não foi Londres. Ele bateu recorde mundial, né? O segundo colocado foi a primeira maratona. Primeira maratona dele. Quer dizer, o garoto teve um desenvolvimento e já foi sub-2, né?
Ele só não, ele só não ganhou porque teve um cara mais rápido do que ele também conseguindo.
Ele com 19 anos, cara, ele já tinha toda a parte fisiológica dele maturada, bem treinada, e deve ter um acompanhamento psicológico grande. Para ele aguentar, porque aquela não, as próximas, a pressão vai ser agora, né? Então veio assim, cara, eu vou pegar o exemplo da Tota mais uma vez, cara. A Tota, a gente cresceu com a Tota, eu treinei a Tota acho que 6 ou 7 anos, né? É suporte da família, psicologia, aquela coisa, treinamento, ela entendia o sentimento dela.
Ela entende um pouco o que acontece com ela, né? E ela foi, ela foi educada assim, né? Então acho que esses garotos hoje em dia, eles são educados e expostos a esse mundo, e eles são bem orientados muito mais cedo. E aí, cara, assim, a experiência, a experiência é legal para cacete, mas chega uma hora, cara, que a idade é tudo. Brigar com garoto de 18 anos, 19 anos, não tem graça, cara, né? Você vai até ganhar um pouco em algumas coisas de experiência.
No xadrez vai fazer uma diferença absurda, né? Mas numa prova de 100 metros, bicho, é o de 19 anos bem treinado que vai ganhar, não tem choro. Ele que é o forte, né? Ele vai conseguir assim. A gente vê hoje que no esporte, né, os processos de treinamento, de alimentação, de recuperação, principalmente de recuperação, né, Tornam o atleta mais longevo, óbvio, né? Ele é mais longevo. Mas a gente tem aí o Yamal voando, esse outro menino do Vasco, o Rayan, 19 anos, cara.
Ontem jogou um time com um garoto contra o Brasil de 18 anos no meio de campo, cara. Ah, não tem experiência? Garoto foi da seleção sub-14, sub-15, sub-16, sub-17, sub-18, sub-19, sub-20. Seleção Nacional, pô, tá pronto, né? O técnico tem que ter peito porque ele tem peito, passou por tudo. Então acho que eu só acho, eu só vejo assim, a gente tem que só observar essa questão da criança, é que eu acho que a gente até falou da outra vez assim, a criança dos 6 aos 10, 11, 12 anos dela o mais importante para ela é o desenvolvimento da psicomotricidade.
E aí ela tem que ter oportunidade motora. Uma criança com riqueza de oportunidade motora, de 6 a 10 anos, 11 anos, onde está se desenvolvendo o corpo, a psicomotricidade, a quantidade de neurônios está aflorando, se ela tiver oportunidade motora e se ela tiver uma genética boa, ela vai aparecer mais cedo, não tem como não aparecer, e não tem por que limitar, né? Esse menino agora, concorrente do Pogačar no Tour de França, Esperança, tem 19 anos, tal de Paul Seixas, 19 anos, tá brigando com o cara.
A outra tem mais experiência, a outra é mais forte, cara, desculpa. Outra tem mais experiência, tem, mas outra é mais forte, né? Mas ele pode, mas nada invalida que ele não chegue lá.
Ele promete, né? Dá a impressão que ele tem um enorme potencial.
Esse menino agora mexicano, esse touro, né, Del Toro, o cara é um monstro, 19, 20 anos também, né. O Remco, quando surgiu, se você pegar a prova que o Remco foi campeão mundial aos 16, 17 anos na categoria dele, é uma coisa assim, parece que ele tava de moto, né, era uma coisa absurda.
Tem um vídeo legal no YouTube, né, não sei se você já viu, que é tipo um resuminho, né, da trajetória dele, né.
É bem legal, cara. Então assim, esses caras são assim, eles são diferentes fisiologicamente, eles são bem orientados. Porque assim, não adianta só treinar também não, tá, Michel? Tem um pesquisador, chama Bar-Or, né? Se eu não me engano, ele é de Israel, que ele fala assim: se você quiser ser um bom atleta olímpico, escolha bem os seus pais.
Claro, é mais ou menos assim, nesse nível, né? Exato.
É nesse nível, cara. Se o cara tem pais atletas olímpicos, cara, provavelmente a genética, esses caras são diferentes. Ah não, é só treinamento. Não, não é só treinamento, né? São 10 mil pessoas que são as melhores do mundo, são aqueles 10 mil ali. Não é só ser, não é só treinar, tem que ter um diferencial genético também. Mas eu acho que a tendência é que mesmo no esporte, nos esportes de endurance, Aquele maratonista de 28 anos que era o cara, o ápice da idade, ele tem a chance dele, mas é uma guerra inglória hoje, cara, porque essa garotada vem com tudo, vem com tudo.
Gostei, cara. É, então a gente vai ver cada vez mais, se der tudo certo, se continuar nessa onda aí, os jovens começando cedo e com todo esse barato, né? A gente vai ver cada vez talentos mais jovens, e que para a gente como torcedor também é gostoso, né? A gente vê essas novas gerações performando desse jeito e renovando, né? Seja lá o tênis, a corrida, o Ironman. A gente não falou do Ironman, né? Mas uma coisa, e o ciclismo.
É, mas uma coisa que eu vejo legal nisso também, desse processo, Michel, é que, por exemplo, outro dia tava o Teve a final do Roland Garros, é o Zverev e um menino italiano, Cláudio, né? E o cara que foi entregar o troféu era um italiano que havia ganho o Roland Garros não sei quantos anos atrás, já era um senhor, deve ter a idade da minha idade, né? E ele olhando, fica assim com uma admiração do cara. Sim, legal isso, né? Se de repente jogar com teu ídolo, cara, imagina o João jogando com Djokovic, bicho.
Então o cara não sabe se joga, se pede uma selfie, se pede o autógrafo, né, ou se ganha ou se perde, porque é um problema. O cara cuida dele, bicho, né. Então assim, eu acho que o maior problema dessa garotada hoje é que eles vão chegar uma hora que eles vão alinhar ou jogar com o cara que tá na parede dele. Tem foto do João com o Guga, o Guga com 10 anos de idade, ele com 10 anos de idade com o Guga, bicho. Então isso é uma coisa, acho que o maior problema deles vai ser esse, né?
Pô, será que eu ganho desse cara, bicho? Pô, vou tirar ele do torneio que ele pode ser o melhor do mundo.
E aí trabalho para os psicólogos, né, meu?
Acho que esse é o problema. E aí eles têm que ter, eles vão ter muito esse suporte, né, que eles são designados a ganhar e vão ganhar, né. Vai demorar um pouquinho mais ou menos, mas vai chegar lá, claro que vai, cara. Pô, menina fala, esse menino é fantástico. É bom, né? Só que é uma pressão nele, cara, absurda. Coitado, não queria estar na pele dele.
É bom. Agora, para terminar de fato, Valter, o que que você gostaria esportivamente, pessoalmente, você de realizar que você não realizou ainda? Tem alguma, alguma provinha, alguma coisa? Não precisa ser gigante, né, mas alguma coisa? Ah, eu queria experimentar essa corrida aqui, uma prova de ciclismo amadora.
Cara, ano, ano, no final do ano passado, eu tenho um aluno, Gusttavão, que mora nos Estados Unidos. Ele fez aquele Race Across West, né? Essa semana ele tá apoiando uma equipe no Race Across East, se eu não me engano.
Exato.
E ele era brasileiro, foi estudar nos Estados Unidos marketing esportivo, tá envolvido agora na Olimpíada de Los Angeles. Uau, que legal! E ele havia combinado com mais 3 alunos nossos, deles fazerem o Race Across America.
Ah, legal.
E aí, quem seria o quarto elemento?
Olha lá, Walter.
É, cara, então assim, aí o Gusttavão vai ter que adiar por causa da Olimpíada, não sei o quê. Ele mandou uma mensagem essa semana, ó, você quer seguir, ó? Tá de pé, hein?
Uau, que legal!
Eu, é mais um, a gente carrega você um bom pedaço.
Não, não precisa carregar não, meu, você pedala bem. Ó, o meu troféuzinho aqui, ó, 2001. Eu era um garoto, Walter. Agora você pode, né?
É isso.
O Márcio Mila tá lá esse ano, a gente tá gravando, ele tá lá, né, com 70 e pouquinhos anos, tá tentando fazer solo e E você já sabe disso, mas a hora que você chega lá, você vê pessoas da sua idade, mais velhos, mais novos, cara, você vê que, meu, é uma prova fantástica, cara. E o quarteto, tenho certeza de que você vai, além de desempenhar bem, você vai se divertir bastante, porque aquilo lá é aquela loucura que a gente já imagina.
Quem sabe essa pulga tá aqui, né?
Que legal, cara. Pô, que legal, meu. Aí você volta aqui para contar, obviamente, E se precisar de qualquer, se precisar de qualquer opinião, adoro dar opinião sobre o Race Across America. Muito obrigado, Valter, adorei, meu. Parabéns aí pelo teu Ironman. Agora você é um Ironman novamente, atualizou aí o seu currículo. Dei o cheque. E agora um bom descanso e uma boa, uma boa temporada aí para o bom ciclo para o próximo Ironman do ano que vem, cara.
Sem tombos, sem tombos.
Saúde, obrigado para você, foi um privilégio. Muito obrigado então pela sua audiência. Espero que você também tenha curtido essa segunda passagem do Walter por aqui. Dê um alô para ele, tenho certeza de que ele vai ficar muito contente se você entrar em contato com ele mandando aí a mensagem que você quiser mandar, principalmente sobre essa experiência, esse relato muito emocionante do Walter aí no retorno dele à prova de Ultraman com 65 anos agora em 2026.
A gente falou aqui da Fabiana Silva, que venceu o Ultraman agora faz poucas semanas, teve aqui também no Endorfina Podcast. O Walter teve aqui em novembro, como eu falei. A Tota Magalhães já passou por aqui duas vezes, aliás. Basta procurar aí no meu canal no YouTube ou no seu agregador de podcast de preferência que vai aparecer ali Tota Magalhães Endorfina Podcast. São duas aparições, uma bem novinha e agora uma mais recente, antes de ir para Movistar, para equipe que ela corre na Espanha.
Bernardinho Rezende também, que é amigão e treina com o Walter, o Bernardinho do vôlei. Sim, ele sim. Então já passou aqui por aqui já faz alguns anos também. Você encontra esse e todos os episódios do Endorfina aqui mesmo, onde você tá ouvindo esse episódio, onde você está assistindo esse episódio. E lembre-se, esse episódio conta com o apoio de empresas que que acreditam no meu trabalho, acreditam no Endorfina, e de pessoas como vários ouvintes que apoiam financeiramente o Endorfina.
Então, se esse episódio te tocou de alguma maneira, se você acha que vale a pena contribuir mais intensamente, meu Instagram que é o Endorfina BR, você já sabe, clica na bio, tem um linkzinho, vai na bio, clica lá, vai ter uma abinha escrito apoia-se, e lá você se informa como é que você faz para contribuir mensalmente ou uma vez pontual da maneira como você quiser, da maneira como você puder, para esse projeto que está há mais de 9 anos no ar.
Muito obrigado e até o próximo episódio com mais um convidado, com mais uma convidada, com uma história fantástica.
Valeu!
Esse episódio foi um oferecimento da Z2 Performance. A Z2 agora está com nova embalagem dos géis, abre fácil, com melhor fluxo de sucção e bordas arredondadas para não te machucar durante o treino ou prova. E tem mais novidade: os géis com sabores originais da Maratona do Rio voltaram: água de coco e mate com limão em edição limitada. Outra novidade é o gel de 75 gramas de carboidratos, ideal para estratégias de alto consumo. Siga @Z2Performance e fique por dentro do universo da Z2.
Depois de tantas décadas convivendo com atletas e nos últimos anos ouvindo e aprendendo com os convidados aqui no Endorfina, está Claro que evoluir no esporte não depende apenas de dedicação e consistência. Passa também por fazer boas escolhas, especialmente quando o assunto é equipamento. Saber o que faz sentido para o seu momento, para o seu objetivo e para o terreno onde você pedala faz toda a diferença. Esse entendimento você encontra na Tupix Bikes, patrocinadora do Endorfina.
A Tupix Bikes é importadora e distribuidora oficial no Brasil de marcas como a Factor Bikes, a Santa Cruz Bikes e a Yeti, além de outras referências do mercado. Mais do que vender bicicletas, vestuário e acessórios, a proposta deles é orientar você. A Tupix foi criada para atender quem busca dar o próximo passo no esporte, seja no ciclismo de estrada, no mountain bike, no gravel ou no triatlão. A lógica é simples: cada ciclista tem uma necessidade diferente, e o papel da equipe da Tupix Bikes é ajudar você a fazer tomar escolhas melhores, mais conscientes e mais eficientes.
Essa filosofia se reflete também nos espaços físicos. Na loja do Rio de Janeiro, o ciclista encontra manutenção de alto nível, bike fit, café e espaço para encontros e eventos. Em São Paulo, na Avenida Faria Lima, além de uma oficina especializada, a unidade recebe clientes e amigos para treinos aos finais de semana. Já a loja de Los Angeles segue exatamente o mesmo padrão, a mesma mesma alegria e a mesma essência. Por tudo isso, é um prazer ter a Tupix Bikes ao lado do Endorfina.
E fica o convite: se você está buscando orientação para melhorar seu equipamento, entender melhor suas escolhas, ou simplesmente pedalar com mais qualidade, vale conhecer a Tupix Bikes, distribuidora oficial da Santa Cruz Bikes e da Yeti no Brasil. Siga @tupixbikes. Eu vou soletrar: @2P E-A-K-S, Bikes. Siga @2pixbikes no Instagram. Obrigado por ouvir esse episódio do Endorfina. Acesse o endorfinabr.com, vá no post do episódio de hoje para conhecer um pouco mais sobre o meu convidado e alguns assuntos abordados em nossa conversa.
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