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HISTÓRIAS SOBRENATURAIS DE UM COVEIRO com Páullo Okara | LendaCast #295

27 de maio de 20263h7min
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Hoje recebi no LendaCast o coveiro Páullo Lima Okara. Ele contou histórias de assombração e falou sobre tudo o que acontece no cemitério onde trabalha, em Barbacena, Minas Gerais

Assuntos7
  • Fenomenos ParanormaisO cachorro branco e a mulher do vestido amarelo · A aparição na Capela das Almas · O desmaio e o espírito ruim · A visita do amigo Zezé e a mulher ruiva · A presença de espíritos no cemitério
  • Morte e decomposição de cadáverA diferença entre coveiro e sepultador · O tempo de decomposição e a condição dos corpos · O manuseio de corpos em decomposição · A exumação e a remoção de ossos e roupas · O necrochorume e o lixo hospitalar · O peso dos caixões e a força necessária
  • Histórias de coveiroO coveiro e o cemitério · O preconceito com a profissão · O alcoolismo entre coveiros · A diferença entre morto e falecido · O corpo em decomposição · O "Gordinho" e a costela · A profissão de sepultador
  • Cemitérios e históriasHistória e características do cemitério · Túmulos antigos e importantes · O túmulo do cavalo e da escrava Leocáldia · A igreja Nossa Senhora da Assunção · A cidade dos mortos
  • Vida Morte EspiritualidadeA espiritualidade e a Umbanda · A importância de pedir licença ao entrar e sair · O uso de amuletos de proteção · A força da fé e a oração · O "Jardim da Igualdade"
  • Custos e análise econômicaO custo dos sepultamentos e urnas · Planos funerários e a maturidade · O lanche em velórios · A ostentação em funerais
  • Formação e Carreira de Marcelo RozentalA entrada no concurso público e a profissão · A mudança de hábitos e a sobriedade · O início da carreira como influenciador digital
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Olá, trevosos e trevosas, seres das terras! Aqui é Daniel Pires em mais um episódio do LendaCast, o seu podcast sobre terror, horror e profissões que lidam com a morte para ouvir antes de dormir. E esse episódio de hoje eu estou esperando há muito tempo.

Porque eu já acompanho esse convidado lá andando entre os túmulos, trabalhando entre as sepulturas, lá em Minas Gerais, lá em Barbacena, inclusive uma cidade que eu quero visitar por conta das ruínas dos hospitais psiquiátricos que tem por lá. Mas ele trabalha no cemitério. Eu perguntei para ele aqui antes de começar, você é coveiro? Ele falou, olha, eu sou coveiro, mas agora eu mudei o nome. É agente, eu adorei, é agente de prisão perpétua, se eu não me engano. Ele falou isso para mim.

E ele já trabalha há quase 10 anos no pós-morte, que é o quê? Sepultando pessoas e contando histórias também na internet, porque eu sei que ele tem muitas histórias sobrenaturais. E é a primeira vez que eu trago um coveiro, quer dizer, um agente de prisão perpétua aqui para o Lendacast. Na internet ele é conhecido como Senhor Simit. Então, pela primeira vez aqui com a gente.

Paulo Cara! Bem-vindo! Obrigado, meu amigo. Obrigado, obrigado, obrigado. Bem-vindo, Paulo. Obrigado por vir ao LendaCast. É uma honra estar aqui. E eu já acompanho o seu trabalho. Porque é um assunto que me fascina.

Como eu trabalho nessa área, a espiritualidade te puxa. Você, igual no meu caso, todo mundo sabe que eu sou espírita, né? Sou espírita cristão. Lógico, um espírita que acredita em Cristo, entendeu? Mas para eu poder estar trabalhando lá no cemite, que eu não falo cemitério, falo é cemite. É cemite? É cemite. Você que deu esse apelido, cemite. É cemite.

Inclusive, as pessoas me chamam de Paulo Lima, ou então Paulo Simit, ou então o senhor Simit. Ah, falando nisso, eu trouxe um alemão. Um mimo. Ai, ai, ai, o que será? É um mimo. Não é assim, é só um mimo. Boa, Paulo, obrigado. Posso abrir aqui? Pode. Vou abrir já aqui, então. Para você poder não esquecer do dia de hoje.

Paulo, ó, então eu amei que tem, primeiro que tem um nome que ele deu pro cemitério. É só puxar aqui, né? Peraí, vamos lá. Que é um nome que ele, ah, que ele deu pro cemitério que é cimite. Inclusive quando eu anunciei que você viria aqui, ô Paulo, muita gente falou assim, ah, o senhor cimite vai aí. Eu falei, mas quem que é o senhor cimite? Aí eu vi nos vídeos que você realmente fala do cemitério como cimite. Vamos ver o que o Paulo trouxe aqui?

Olha aí, ó, uma caneca. Obrigado, Paulo. Vou até estrear ela aqui no LendaCast hoje. Vou pedir para a Sara daqui a pouco colocar. Ou no próximo eu estreio, né? Aqui, ó. Paulo Lima, o Sr. Simite. Tem câmera de... Dá para ver aqui, ó? Aqui. Ah, espera aí, espera aí. A Sara põe a câmera lá atrás. Dá para ver, Sara?

Boa! Paulo Lima, Sr. Simit. Eu te chamei de Paulo Ocara, você usa mais o Paulo Lima, Paulo Lima Ocara, Paulo Lima Ocara, Sr. Simit, o pessoal me chama de Paulo Simit, entendeu? Então, ficou um negócio assim, entendeu? Que as pessoas, isso...

Pegou. O cemite pegou. Porque, você ia falar cemitério. Você trabalhou no cemitério. Eu, quando entrei nessa profissão, as pessoas meio que têm aquele preconceito. Tem.

Eu comecei esse canal para poder desmistificar isso, porque parecia que eu tinha uma lepra, um troço, uma doença grave, e as pessoas falavam assim, que isso? Vizinhos meus, que isso? Você fica entre tumbas e catatumbas? Eu falei assim, senhor, quer dizer que não é uma profissão digna. Igual uma vez lá uma mulher falou assim,

ó, você trabalha aqui, você tá até bem vestidinho por trabalhar aqui. Eu falei assim, uai, quer dizer que eu tenho que andar igual mendigo, eu não tenho que fazer minha unha, eu não tenho que andar com a barba feita, cabelinho na régua, bem vestido, que eu gosto de andar com um bom perfume. Quem falou isso seu, uma mulher? É, uma senhorinha que tava lá. Quando eu comprei esse último carro meu, só faltou infartar. Não pode.

Ué, gente, mas por quê? O pessoal rotulou o coveiro, não o agente de prisão perpétua, rotularam o coveiro a ser aquele cara que anda o tempo todo alcoolizado, manhã grande, barbudo, todo sujo, então eles rotularam, eles julgam o livro.

Pela capa. Mas por que, Paulo, que tem... Bom, eu não sou coveiro, não tem... Mas por que tem essa ideia, o povo tem essa ideia? O seguinte, a maioria, no início, a fuga é o álcool mesmo. Porque você vê umas imagens nas quais você não está acostumado e aquilo fica indo e voltando na sua mente. Você vê um corpo com muito material orgânico, você...

vai tomar um choque. A primeira vez você vê um gol, só o esqueleto, você vai dizer, nossa, o que eu vou virar? Você já pensa, o que eu vou virar? Porque, na realidade... Entendi. Você pode ter uma Ferrari e o outro uma bicicleta. Eu vou te enterrar do mesmo jeito e você vai feder. Você pode ser branquinho, dos louros, dos olhos, azul lindo de morrer, mas você pode ser pretinho, cheio igual eu, você vai ser enterrado no mesmo jeito e vai feder.

Todo mundo vai ferir. Exatamente. Então...

O bom é quando você dá alguma coisa para alguém, você não está dando, você está ganhando, porque é aí que você ganha. O que vai ficar é o quão importante você foi. Porque as pessoas te importam. E você sendo importado pelas pessoas, você não morre. Você apenas falece. A diferença de estar morto e falecido, morto é ser esquecido. Entendeu? E falecido, não falecido. Toda vez que a pessoa lembra de você,

que reza para você. Eu lembro de uma frase que você falava, uma comida que você comia, um perfume que você usava. Você está sendo lembrado. Então, você foi importante. Porque ela te importou. Não é importante para milhões. Morto pode estar em vida, a pessoa pode estar morta. Tem muito morto vivo. Tem muito morto vivo. E tem muito vivo morto.

Verdade, que aquela pessoa morreu para mim, está vivo, mas não quero nunca mais ver. Não, mas tem pessoas que estão mortas, vivas, são alguns idosos que os filhos esquecem dos pais e jogam no aziro, jogam num coiso, não vai visitar, a pessoa fica lá, se lasca todinha. Então, você tem que ver que foram esquecidas, são suportáveis. Aí o dinheiro vai lá e tom.

Não tem carinho, não tem amor, não tem nada. Então é complicado, senhor. E você falou que muitos coveiros vão para o alcoolismo porque eles olham aquilo, olham aquele esqueleto e falam nossa, eu vou virar isso. Passou isso na sua cabeça? Muitas vezes. É, primeira vez. E quando você pega um corpo em decomposição com bastante material orgânico, entendeu? E outra, não tem troço que fede mais que seja a carne humana, tá? Mas o que é material orgânico que você está falando? Então...

Carne podre. Ah, já em decomposição toda. Em decomposição. E outra, aquelas larvinhas andando. E detalhe. Os bigatinhos, né? Você vai tirar...

Por exemplo, um corpo está assim. Você vai tirar as roupas ali, que estão com aquelas larvinhas, alguns têm aquela larva, na hora que você faz aquela larva fora do corpo, a larva faz isso e morre. Só fica viva perto do corpo. Você jura? Sério. Ela não fica... Se você tirar ela da carne... De pé do corpo, ela morre. Ela dá aquela enroscada assim e morre.

Meu Deus, não é aquelas que eu estou imaginando, os bigatinhos branquinhos? É, os negócios branquinhos que ficam assim. Um negócio nojento. E deve ter muito, né, Paulo? Fed. Fed? Horrores, entendeu? Principalmente se a pessoa estiver no plástico. Principalmente é Covid, está no plástico, ou às vezes a pessoa morreu de acidente. Eu vou te contar do gordinho. Conte.

O Gordinho é ótimo. Eu cheguei no sábado lá, meu colega de trabalho falou comigo assim, o Paulo, nós temos um rebaixamento para fazer. Que resumação, para você entender, lá nós falamos de rebaixamento. Você tem um enterro às 11, urna especial, urna especial, aquela extra GG, né? Ah, tem isso, né? Aquela fora do padrão. Aí, o que acontece?

Eu assim, tranquilo. Então tem um lá para tirar, tá. Aí fui lá tirar, né? Aí eu, mais uns outros pessoas que me ajudam. Aí eu chegando no túmulo deles, vi que o túmulo deles já era fora do padrão, que o padrão é 2,10. O deles era um tanto assim a mais, uns 20 centímetros a mais. Beleza, já não tem que fazer um balanço lá para poder colocar o cara, né? Aí.

Tirei as lajes que eu cheguei no caixão, vi aquele caixão com aquele vidro desse tamanho, assim, pô, caixão de rico. É diferente. É, o vidro grandão. É, o vidro de cima. O vidro grandão, assim, é de rico. É de rico. É, de pobre nem tem. Às vezes tem só aquele quadradinho. Só na carinha, assim. Até em cibitério tem diferença. Aí...

No ano que eu cheguei no corpo do falecido, que eu subi aquele tampo de caixão, subi lá para os caras lá, que vai tirando aquele resto de coisa, vai tirando o resto de caixão e tal, que eu cheguei nele, o rosto dele já estava desfeito, isso aqui até caiu para o lado, as pernas dele já tinham aí, está dentro das calças, o peito do gordinho estava cheio, eu falei assim, ai gordinho, aconteceu com você. Aí eu vi que estava cheio, não tem jeito.

Eu peguei as pernas assim, dobrei para cima assim, coloca lá, na parte de trás. Eu fiz um buraco assim, eu vou colocar você no buraco para você poder descansar. Então, ali eu peguei a calça, botei lá dentro do buraco, para não perder a patela e tal. Peguei a cabeça e tal. Na hora que eu atirei o paletó assim, que eu vi que estava enrolado no plástico, que eu vi que ele tinha sofrido um acidente. Entendeu? E por isso ele estava no plástico. Puxei ele assim, aquele naco de crustela com aquela...

gordura em cima, assim, pensa num fedor, menino, aquela piscera desse tamanho, aquele naco de gordura branco. Eu falei assim, é, Gordinho, vou ter que botar o ceno na terra mesmo pra você poder acabar de decompor. Botei nada na terra, cobri, 11 horas, chegou o irmão dele, uma caatinga que sou a Deus, né? E pegou a caatinga tudo ali. Aí depois eu fui lá, tomei meu banho, fui pra casa, aquela coisa toda. Aí cheguei em casa, fui almoçar.

colocando meu almoço. A mãe falou assim, você não bota carne pra você não, menino? Eu falei assim, ô mãe, eu não tô vendo carne assim, você não vê aí, em cima da panela de pressão aí, em cima da pia, abre aí, que eu abri, adivinha o que que tinha? O que, meu Deus? Costelinha. Lembrei da costela do gordinho. Mas aí eu comi dois pedaços, porque quem morreu foi o gordinho, não foi ele. Mas foi você.

É lógico. Mas você lembrou na hora, Paulo? Lembrei, lembrei, mas se não, ainda vou comer com um peraço de anguque, porque quem morreu foi o gordinho. Se eu deixar de comer... Não, se eu deixar de comer... Claro. Se eu deixar de comer, eu vou ir para uma fase sem volta. Eu vou comer agora e tal, e dali foi. E aí, hoje em dia...

Mas isso foi um momento que ainda te deu... Você lembrou, né? Você viu a costela ali, que ainda não estava em decomposição, do morro que você chama de gordinho. Não estava em decomposição, com aquele narco de gordura e tudo assim, um fedor que só o senhor... E tinha bicho, tinha de bicho. Sim. E aí você chega em casa, tinha costela para comer. E aí, querendo ou não, a nossa cabeça socia. Eu ia falar, caramba, né? Associa as coisas. Estava mexendo ali.

No início, quando eu comecei a trabalhar nesse ramo, eu saía do cemitério, eu já tomava uma pinga. Você bebia? Bebia, e outra. Bebia, e outra. Ali me botava na mão, passava assim, fazia assim, para ver se o cheiro saía.

Caramba, Paulo. Mas é psicológico. Aquele trem fica na sua cabeça. Entendeu? Entendi. Então fica um trem bem complicado. Então para uma pessoa poder trabalhar numa coisa dessa, ele tem que ter um psicológico muito forte e um estômago...

De avestruz. Se você não tiver um psicológico muito forte e um estômago de avestruz, você não aguenta, meu querido. É complicado. Como você começou, Paulo, nessa área? Então, pasme. A espiritualidade te leva até, como os meus guias.

É da Calunga Pequena, que eu trabalho com o Sucre do Tranca Rua, trabalho com o Marimulambo, então é do cemitério. Você é da Calumblé? É da Umbanda. Aí o que acontece? Um dia eu cheguei em casa, minha mãe falou assim, você não vai fazer a prova da prefeitura, não? As mães querem que a gente faça concurso público. Você não vai fazer, não? Eu falei assim, eu não vou fazer, não. Dar dinheiro para esse prefeito aí, nunca me faria. Meu irmão falou assim, eu vou fazer de coveiro,

porque fulano fez não sei na onde aí, e é mais fácil fazer. O senhor já que você vai fazer, eu também vou fazer. Quem vai fazer? Seu irmão? Meu irmão falou assim, eu vou fazer de coveiro, porque o fulano de tal, um amigo dele, tinha feito numa cidade aí, e era mais fácil fazer.

vou fazer também. Aí nós fizemos, eu passei em primeiro lugar e passou em segundo. Oi, hein? Primeiro, Paulo? Primeiro. Passar, tá vendo? Eu passei em primeiro, meu irmão passou em segundo. Parabéns. Entendeu? E desde então estamos lá. Desde então estamos lá e pau na máquina. E foi um negócio assim que, só pra você ter uma ideia, meu irmão não vai em velório.

mas faz exumação, faz inteiro. Vai entender? Ué? Não vai porque não gosta. Não, não gosta, mas para fazer o negócio faz. Porque aquele negócio...

Deus não escolhe os capacitados. Ele capacita os escolhidos. Eu jamais, eu e meu irmão, jamais pensamos que iríamos trabalhar nesse curso. E outra, aonde que eu iria pensar que o cemitério me traria renome internacional? Para mim, poder estar aqui no seu podcast não é à toa. Para sentar aqui, só sento os bons.

Claro que não, é verdade. Aqui, olha só os montes, hein, Sara? Gostou? Mas é lógico. Eu escolho os melhores para estar aqui. É só os melhores. E quem me colocou nesse lugar? O cemitério. Lógico que...

muitos lá ficaram putos, que trabalham há mais tempo que eu, porque tem aquela coisa. O águia, ele olha o mesmo lugar que todo mundo, ele tem uma visão diferente. E eu vi uma coisa diferente, uma coisa que ninguém viu.

E eu comecei a falar de uma coisa que ninguém fala. Mas, para isso, a gente tem que estudar um bocadinho de psicologia, filosofia, teologia, para aprofundar mais no Espiritismo e dominar a profissão que você tem, porque senão você não consegue e ter um falar fácil.

Igual você tem. O popular, que a gente fala. O falar popularesco. Falar com todo mundo. Exatamente. Você fala com a articulação mais alta e a mais baixa, todo mundo entende. Um linguajar único. Então tem que ter um falar fácil. Agora, se você ficar de...

Falar totalmente errado, nós vai, nós foi, nós fica e ninguém vai te... E você já começou, então você passou no concurso, e aí você trabalhou sempre lá em Barbacena mesmo. Isso, eu comecei no cemitério do Santo Antônio.

até eu ir para o cemitério da Boa Morte, que Boa Morte lá em Barbacena é sobrenome. Não é que não existe uma Boa Morte, mas lá o sobrenome é Boa Morte, é um bairro. Boa Morte e o cemitério que eu trabalho lá agora é trabalho no cemitério da Boa Morte. É um cemitério...

Antigo. Antigo isso. Lá tem governador, tem barão, tem visconde, tem marquês. Tem gente importante lá. É, porque lá tem muita gente rica, né? Entendi. E aí Barbacena tem um livro...

que conta dos hospitais psiquiátricos de Barbacena, que chama Holocausto Brasileiro, que fala dos hospitais que lá no passado muitos eram levados para lá como loucos. Você sabe onde é isso? Eu sei. Um hospital em evidência, que era o Hospital Colônia, tem essa história triste, que muitas pessoas eram internadas lá e nem eram.

alienados, mentais, vamos falar assim, porque falar doida é uma palavra muito forte. Às vezes a mulher ficava grávida, não era bem aceita na família. As outras, às vezes, era só alcoolismo, outras só por vergonha, porque está fazendo a família passar vergonha. Então, isso lá no passado teve um monte disso. E Barbacena, por ser uma cidade de clima mais frio,

Então, lá chegou a ter 18 hospitais, entendeu? Contando com esse hospital Colônia. E o Jorge Vaz, que é um hospital para alienado mental, mas criminoso. Por exemplo, o cara que comete um crime para dizer Ah, eu sou doido. Ele é doido com o laudo médico. Mano, encontro judiciário. Que é o que cometeu algum crime, matou alguém. Exato. E por conta da doença mesmo. O hospital Jorge Vaz.

Boa. Eu lembro que eu tenho vontade de visitar a Barbacena por conta disso, pra visitar essas ruínas e tal. E quando você falou que era de lá, eu falei, acho que ele deve saber quais são esses hospitais. E aí você foi pro cemitério Boa Morte. Isso. E aí você começou lá há quanto tempo? Faz uns... Você falou que tá trabalhando lá. Lá na Boa Morte tem uns oito anos. Oito anos, né?

E aí você... Como é que foi esse começo? Chegar e olhar e falar, agora aqui é meu escritório. Não, mas... Você sai de um cemitério para o outro e cemitério é cemitério. Ah, porque você já tinha trabalhado no outro. É, eu comecei trabalhando no Santo Antônio. Mas você tem aquela mesma visão de cemitério. Depois...

que eu comecei com o negócio de canal, que eu comecei a ter um olhar diferente para o cemitério e ver outras coisas e falar de coisas e ver coisas que as pessoas não notam. Que a pessoa entra no cemitério, vê estátua, morreu, acabou. Não, morreu, não acabou. Morreu, começou.

Porque, como dizia Clodovil, nascer é morrer de lá para cá e morrer é nascer daqui para lá. Então, porque eu creio eu que 50, 70, 100 anos é muito pouco para nós vivermos. Tem que ter uma recompensa do outro lado. Eu quero que tenha. Eu quero que tenha. Porque se eu viver... Esses dias, morreu um menino aí...

na internet, um fisiculturista, eu falo menino porque é novinho, de 22 anos, não sei se você viu, o Gunley, né, morreu, e eu falei, cara, 22 anos, tanta criança que morre também, né, você fala, gente, é muito novo, o que que...

E aí tem que ter uma outra coisa da outra vida. Eu gostaria que tivesse mesmo no outro lado. Você acredita que tem? Sim, claro. Mas eu penso o seguinte. Todos nós temos uma cota de vida aqui. Então está escrito lá na Bíblia que Deus já te conhece desde antes de colocar na madre da sua mãe.

Então, ele sabe a hora que você vai chegar e a hora que ele vai te recolher. Então, na hora que Deus recolhe as flores dele, quem somos nós para poder falar que não? Apesar que ficamos revoltosos. Não podia ter morrido agora. Viveu tão pouco. Coitado. Quero ir junto.

Ah, mas muito desses Querem junto é falso, né? É falso Querem junto, não Que chega lá perto, ai, tira a mão de mim Não querem junto, não É verdade, tá vendo? É, muito Eu já vi, porque Não se miste, entendeu? Não se miste, tem assim N situações Imagino Que você ri, entendeu? Tem gente que chega lá Vic Vic

Florando, não sai uma lágrima do olho. E tem aqueles que chegam em prantos, que é puro arrependimento. Porque, preste atenção, se você tem cinco minutos sobrando na sua vida, abraça quem você ame, beije bastante, aperte bastante. Porque lá na frente, quando você perder essa pessoa, você vai ver que esses cinco minutos valeu a pena. E muitas das pessoas que... É...

Chegam lá, a única coisa que elas queriam é mais cinco minutos. Você pode ter certeza que é mais cinco minutos. Então, se você tem uma pessoa, beija hoje, abraça hoje, ame hoje, porque hoje está sendo, amanhã talvez, e ontem já foi. Então, o seu melhor dia...

É hoje. O dia mais importante da sua vida é o agora. Muita gente ele fica pensando no futuro então ele fica ansioso, sabe? Mas ele fica no passado. Ah não, que isso aconteceu. Dá aquela depressão. Então...

O cara tem que viver com agora. Você viu muita situação assim, de gente que está chorando e não sai uma lágrima. Já vi o pau quebrar por causa de... De briga. Menino, por causa de coisa que eu... Porque preste atenção, você não vale nada. Você vale o que você tem.

É bem isso. É, vamos falar o português, claro. Pesado, né? Você fala o que você tem. Não, né? Vamos falar o português, claro. Ó, eu já vi um certo dia, num sábado, tinha um estipamento às 16 horas. Tinha que tirar um lá.

Tinha que tirar um lá, aquele negócio. Tirar um lá é tirar. Fazer uma exumação. Nós falamos rebaixamento. Ah, exumação chama rebaixamento. Rebaixamento, porque preste atenção, exumação só é com ordem judicial.

Mas as pessoas entendem exumação. Porque quando falam, por exemplo, você tem um túmulo lá, a sua família tem um túmulo lá. Aí falecer alguém, vai ver o último que foi enterrado lá. Aí se tem mais de três anos, tira ele e os outros que estão lá.

Por exemplo, às vezes tem um, dois, entendeu? Tá cheio, né? Aí tira e o túmulo fica zerado de novo pra poder começar de novo. Mas os ossos não saem de lá. Os ossos continuam. Você tira o resto de caixão, roupa, esse negócio e tal. Você fala tirar, por exemplo, aquele túmulo... Depois eu até quero entrar nisso pra saber como são as sepulturas lá, mas quando tem as repartições dentro da sepultura, o que você fala tirar é tirar isso daí, o resto de caixão, roupa e juntar os ossos... Isso. Entendi.

Porque o túmulo é assim, quatro gavetas. Quatro gavetinhas. Uma em cima da outra. Aí, por exemplo, vamos colocar no primeiro? Aí você coloca o caixão lá, você coloca quatro caibros atravessados e quatro lajes por cima.

entendeu? E lacra aquilo. Aí coloca o outro por cima. Ali aquela gaveta fechada. Ali só pode mexer depois de três anos. Ah, três anos. É. Aí se não faleceu o outro lá, não deu jeito, coloca por cima. Aí não deu tempo, coloca por cima. Aí chegou no último, aí lacra. O senhor tá lacrado por cinco anos. Aí fica lacrado. Aí depois de cinco anos faleceu alguém, aí tira tudo, mas os ossos continuam. Se a família quiser,

faz um buraco lá no fundo e enterra os ossos. Entendeu? Entendi. Ah, mas fica ali mesmo. A família não separa nunca. Ah, não vai para o ossário? Não, não, não. Lá os tumos são particulares. A administração é pública, municipal, mas é como se fosse uma cidade. Tá. É uma cidade, né? É uma cidade, é a cidade dos mortos. Só que o seguinte... Um...

O túmulo é seu, na cidade a casa é sua, lá o túmulo é a casa. Entendeu? As ruas e vielas a prefeitura cuidam. O túmulo você cuida. Aí você precisa fazer uma bíblia e mexe o túmulo. Tem que fazer reforma. É igual a casa, tem que arrumar. Tem que arrumar, lavar, lavar. Exatamente. Aí se a pessoa quer que enterre os ossos lá no fundo, a gente interra. Se não quer, entendeu?

Eu peguei, nesse sábado fui lá fazer um rebaixamento, fiz o rebaixamento, 4 horas da tarde chegou falecido, com a família e tal. Aí...

Me deram o caixão lá, né? Peguei o caixão, disse, se eu fizer uma manobra errada lá dentro, eu posso morrer lá dentro. Entendeu? Ah, você dentro da sepultura, lá embaixo. É. E o caixão vindo aí cima. É, que é 80 centímetros de largura. Aí você pega ele aqui, entendeu? Aí desce ele. Em geral, eu coloco ele aqui no peito, seguro ele no peito para poder passar a mão para cá, para pegar na alça, fazer assim e passar ela debaixo da minha perna.

que é os pés, que você pega pelos pés, e a parte do pé é mais fina. Aí você passa no meio da sua perna, e eles vão descer na corrente lá, e nós colocamos ele no chão. Aí eu venho e coloco os caipos por cima dele.

Subo em cima dos caibros, ando em cima dos caibros, daqueles quatro caibros, pego aquelas placas de um metro e cinco cada uma, por um oito centímetros, e pega mais ou menos uns 45 quilos cada placa. Meu Deus, é pesado. Pesado, pesado. Aí coloca aquelas quatro placas ali e lacra o cimento.

Na hora que eles me deram a massa com cimento, que eu estou colocando lá, aí começou a desgraçada, filho da puta, não sei o quê. Eu falei assim, que babado é isso, né, menino? Aí eu cheguei no túmulo assim, que eu olhei assim, as irmãs do cara pegando na pancada lá. Mais de agressão? É, no palco mesmo, menino. As meninas com aquelas mega rebonitas, puxando os cabelos, né?

É engraçado agora, mas assim, não esperou nem enterrar o morto. Não.

Aí o meu colega de trabalho estava junto comigo e eu disse, Paulo, o que nós vamos fazer se morrer? Joga para cá. Mas mentira, né? Adivinha o cara de quem que eles estavam brigando? Porque é o seguinte, enquanto um morreu, o cara morreu, uns foram no cemitério, que tem que arrumar lá parte do escritório e tal, e os outros vão no cartório para poder oficializar o óbito, os outros passaram na casa e o cara pegou.

A Biscreta, o Canário Belga e o Armário Tatiaya. Isso. Forte, né? Foram pegar até o Canarinho do cara. Como é o nome do armário? Esse Armário Tatiaya, esse Armário de Cozinha. Foram buscar, o homem nem foi enterrado. Pegaram a Biscreta, o Canário Belga e o Armário Tatiaya, o pau comeu por causa daquilo lá.

Gente, que absurdo. Falta de respeito com o morto, né? Não, você vale o que você tem. É, porque ninguém tava ligando pra ele sendo enterrado ali. Tavam se batendo porque foram buscar coisa lá. É, ué. Meu Deus do céu. Ih, já... Cenas assim. Umas cenas inusitadas. E Diamante nunca foi nenhuma.

família da bufunfa. E a outra estava no enterro. E triste, chorando. A esposa do... Aí na hora que eu falei assim...

Vocês vão querer fazer a última oração e tal, parará, parará, ou nós podemos dar segmento. Não, nós gostaríamos de fazer a última oração. Então fui lá, abri o caixão, colocamos lá. Aí a esposa do lado do caixão, duas filhas e um filho, e rico chorar é assim mesmo. Só com aqui, né? Pega aquele paninho assim, faz aquele assim.

Aí, mas eu achei de uma nobreza danada da senhora, né? Ela olhou para a amante e fez assim, ó.

E afastou. Ela chegou perto. Amante. É. Amante chegou, olhou, o oi dela, talhou a água, porque ela também estava sofrendo. Estava. Eu achei bacana aquilo, achei muito nobre aquilo. Ela pegou, deu aquela olhada assim, a água talhou, ela deu aquela limpadinha assim. E foi embora? Foi. Ou então a esposa deu passagem para a amante? É, ela fez assim para ela. Pô, achei bonito demais aquilo. Olha. Está vendo? Está vendo?

Você falou um detalhe que você estava contando em outro relato, que você estava dentro do túmulo, que você falou assim, eu posso morrer. Qual situação é essa que você pode morrer? Você caiu o caixão? Sei lá. Não, se eu errar na manobra lá dentro ou...

Se alguns dos dois que estão do lado de fora, porque dois ficam do lado de fora, eles colocam a corrente na alça... Do caixão. Isso. Da urna, né? É, do lado da cabeça ali. Porque eu pego nos pés. O pessoal me entrega os pés, então a gente vem trazendo. Então, peraí, deixa eu falar para eu entender. Então fica dois em cima e aí você desce, geralmente. Eu desço. Sempre foram três pessoas para sepultar. É mais ou menos da altura.

Assim, um túmulo mais ou menos da altura, assim, dá três metros, assim. Da cortina para cá.

Aqui não tem 3 metros. Não dá 3, não. É mais ou menos isso aí. Mais ou menos isso aí. É fundo. Não, tem aqueles que é super pesado. E tem aqueles que o caixão é maior do que o túmulo. Porque o túmulo é padrão, 2,10. Mas tem caixão que chega com 2,20. Mas por quê?

Porque o cara é grande. De alto, você fala. É. E, às vezes, gordo. Às vezes, você tem que abrir... Porque o túmulo é 80 centímetros. Às vezes, vai chegar lá uma urna com 80. Mas a alça, ele dá 85. Você tem que arrebentar aquele lado todinho do túmulo. Mas da parte do chão, que é a parte de cima, não. Que é acima do solo, não. Que é um tijolo só. Mas a parte do solo para baixo, são três gavetas para baixo no chão.

É tijolo dobrado, então dá para você cortar metade do tijolo. Entendi. Entendeu? E, por exemplo, o túmulo termina aqui. O túmulo termina aqui. Aqui está a parede, acabou. Que deu dois e dez. Aí o que a gente faz? A gente fura um buraco aqui. Quando é na primeira gaveta, a gente fura um buraco aqui. O caixão desce, enfia os pés do cabrito lá e desce ele assim.

Entendi. Então fica dois em cima, descendo com a corda, uma corda na cabeça, outra no pé, é isso? Não. Duas na cabeça. E eu que pego lá no pé, lá dentro, eu fico lá dentro. Você que segura no pé, pra ele não fazer isso aqui, né? Aí eles me entregam aqui, eu vou descer dele e tal, e eu tenho que ir lá dentro. Porque eu tenho que pegar ele e colocar aí dentro do túmulo. Porque eu vou fazer isso aqui, ó. Eles vão me entregar aqui.

Eles me entregam aqui, certo? Eu pego ele aqui, eu desço e eles vão apoiando a corrente aqui. Vão descendo a corrente. Aí eu boto ele lá no chão, põe ele aqui, boto os caibras aqui em cima, meto as placas aqui em cima e lacro. E eu estou lá dentro do túmulo. Depois que eu vou sair dentro do túmulo. Depois que você fez o trabalho de lacrar lá embaixo. É, exato. Nossa, é você contando assim, Paulo?

É o contato direto com a morte. É o tempo todo. É o segurar o caixão. O morto está ali dentro. Onde te pressiona o psicológico. Ah, detalhe. Se você for médio de dente...

Você trabalhando nesse MT, você vê coisas. A não ser que tenha um colega meu de trabalho, já tem X de anos lá, quase 30, nunca viu nada. Nunca viu. Mas, ó, eu quando vi aquela mulher do vestido amarelo, eu já tinha visto o cachorro lá no Santo Antônio.

E um troço ruim tinha pegado o outro lá no cemitério da Paz. Espera aí, me conta toda essa história. Como que é a do cachorro? É que você contou, acho que você contou no seu Insta, mas eu quero que você conte de novo para nós. O cachorro foi o seguinte. Eu trabalhava no Santo Antônio primeiro. No primeiro, né? É, o primeiro cemitério que eu trabalhei.

E estava lá embaixo, o encarregado lá falou assim, o negócio é o seguinte, vocês vão fazer uma coisa, vocês vão capinar lá hoje, hoje não vai ter inteiro, hoje vai ser por empreitado. Quando vocês terminarem lá, vocês... Pode ir embora. Falei com meu irmão, vamos sentar pipoca nesse negócio, neném. Aí nós pegamos lá embaixo, lá para poder fazer o troço, lá perto dos gavetão, nos gavetos de aluguel.

Aí nós estamos limpando lá e quando foi por volta de nove horas, eu falei com o meu irmão, você sobe, você arruma um café lá que daqui a pouco eu subo. Faltava só um metro quadrado sem me acabar de limpar. Eu estava com um ancinho, com umas enxadinhas pequenininhas para poder ficar pinando no meio das pedras. Se eu vou terminar isso aqui, já estou subindo. Aí, rapaz, terminei ali, com depressa e tal, subi. E lá é assim, o caminho é igual a minhoca. Sinuoso, né? É, sinuoso.

Eu tô subindo, aí eu vi aquele rosa. Eu falei assim, o cachorro da mulher fugiu lá, rapaz. Eu vou, peguei o anzinho, assim, eu vou plantar pra orelha dele lá fora. Eu vou dar nele uma. A mulher tinha um, a vizinha tinha um cachorro que ele ficava num fio de aço, com a corrente marrada, e ele ficava naquele espaço ele correndo, assim. Mas você ia dar uma só pra afastar ele, pra ele não te morder, né? Eu falei assim, ele fugiu, eu vou dar nenhuma lenda na cabeça, porque o cachorro é brabo, sabe?

Na hora que eu virei para trás, um cachorro desse tamanho branco, com a cabeça desse tamanho, aquela boca enxaguetando, sabe o que é se arrepiar até a alma? Meu Deus! Vale a minha Nossa Senhora para isso. Eu virei um tango subindo aquele negócio, quanto mais eu corria...

Parecia que eu não estava correndo nada. E eu olho para trás e o cachorro está... Pega, pega, pega... O cachorro correndo. É, atrás de mim. E eu estou naquela correria e tal. Não é que eu estou para pirar. No caminho principal, assim, eu olho para trás. Ele está quase me pegando. Eu virei no caminho principal, eu olhei para trás e ele sumiu. E o coração... Parece que bate aqui. Aqui, olha. O chuchu gular. O coração vem para a boca. Mas como é que conta isso para os outros?

Mas, espera aí, você viu o cachorro branco, grande, rosnando com a boca cheia de sangue? É, exatamente. E ele sumiu, senhor. Aquilo não existe. E como é que você conta isso para os outros? Eu falei assim, o cara está doidão. Isso é as pinhas que está bebendo. Está beudo, minha avó que fala. Está beudo. É, isso é as pinhas que está tomando. Tá, passou. Aí...

Eu fui de lá do Santo Antônio, nós fui mandado lá para o cemitério da Paz, o cemitério estava desativado, mas nós tínhamos que fazer uma limpeza lá para poder entregar para o Estado, que a prefeitura estava tomando conta, aí ia fazer a limpeza para entregar para o Estado, devolver para o Estado. Aí nós estamos fazendo, eu e mais um lá fazendo a limpeza, um tal de Edgard. Edgard. É.

Aí eu estou lá, fazendo a limpeza. Ele falou assim, o que é aquilo lá? Do outro lado do cemitério, lá na Casa das Almas, onde acende a vela para as almas? O negócio sentado, acende. Eu falei assim, não sei não, eu vou lá ver estranho. Eu não posso ver um tatu de dois rapos, porque eu quero arrancar um. Mas você viu também, então? Vi. Os dois viram? É, eu falei assim, eu vou lá. E o matar meio alto, assim, só andei. Eu saí andando no meio daquele mato alto e tal, tal. No meio do caminho, eu, bum.

desmaei. Aí acordei uns sete anos depois com um cachorro que ia tomar conta lá, o cachorro me lamendo, sei que desgrama que é essa, aí saí caçando o carro, falei, cadê o cara? Cheguei no portão, tinha umas senhoras varrendo, só não viu o rapaz que trabalha comigo, desceu ele correndo, aí já tem uns quarenta minutos. Então você ficou bastante tempo desmaiado. Aí eu falei assim,

Aí deu a hora da gente ir embora. Falei assim, ó, o portão, ele estava com a chave. O cadeado está aqui, eu fecho. No outro dia, cheguei para trabalhar, cadê o cara? O cara não foi, eu vou segurar, não vou caguetar o cara, né? Aí no terceiro dia, você não tem jeito, agora tem que ir lá falar com o chefe. Aí fui lá falar com o chefe, aí cheguei. Falei, sr. Geraldo, que Deus o tenha, né? Falei, sr. Geraldo, ele falou, sr. Geraldo, algum problema?

O rapaz sumiu, né? Pois é, senhor Geraldo. O cara sumiu. Pois é, até é preso. Ixi. Sim, é. O cara... Eu saí daqui...

para ir cá no negócio, entendeu? No meio do caminho eu desmaiei, o troço saiu de lá, passou por cima de mim, isso foi meus guias que me desmaiou. Passou por cima de mim, foi lá em cima dele, ele foi em casa, ele bateu no fim, bateu na mulher, matou o cachorro, foi preso. Com 10 dias em cana. Então era um espírito de assessor. E depois o cara entrou no mundo das drogas, que não melhorou mais.

Então quer dizer, é algo ruim que estava lá e pegou ele. Muito ruim, muito ruim. Aí eu falei com o Chebre, e agora Paulo, vou arrumar outra chave para você, para você poder coisar lá. Falei lá sozinho, não fico não. Não vou sozinho. Falei com ele, não fico não. Aí ele pegou, falou assim, então começa aqui. Aí que eu fui para o Cibité da Boa Morte. Aí passado...

Uns três meses, eu vi a mulher do vestido amarelo, aquela lá, eu quase enfartei. Por quê? Nós estávamos fazendo uma limpeza lá na frente, cortando uns brincos de ouro e tal. Sabe aquela planta, brinco de ouro, aquela arrozinha? Estava podendo ali. Eu falei com os caras assim, não pode deixar que eu levo lá embaixo, que eu queria dar uma volta, que eu já estava cansado de ficar ali. Aí encheu o carrinho lá, você pode deixar que eu levo.

E fui dez e meia da manhã. Ah, era manhã, era de dia. É, não é de... A sombração não tem relógio, não. Não tem horário para aparecer. Parece qualquer horário. Aí, o que acontece? Eu fui lá embaixo levar o lixo. Na hora que eu volto, eu vejo uma mulher descendo, pé da capela, fazendo assim, de vestido amarelo, de bolinha preta, de alcinha, né? Aí, eu vi a mulher indo para lá, assim, meia coisa, assim.

Ou vem fazer alguma coisa, que muita gente vai lá fazer. Não é trabalho espiritual, vão fazer macumba, que é que o trabalho espiritual a pessoa faz direitinho, coloca no lugar e tal. Quando a pessoa está com medo, já sabe que esse católico ou evangélico que vai no centro de macumba, vai lá e o guia fala assim, você tem que fazer isso e isso e aquilo. Chega no cemitério e joga assim, correndo, com medo dos outros. Você fala gente de outra religião que não sabe o que é, mas vai fazer um trabalho.

e chega lá e faz de qualquer jeito, não é assim que é feita a coisa? Então, isso eu chamo de macumba. Isso não é trabalho espiritual. Entendi. O trabalho espiritual é bem feitinho, a pessoa não tem medo. É lógico, é bem cuidado e tal. Aí... Aí você achou que essa mulher ia lá fazer macumba. Eu achei.

Que sim, ou estava procurando algum túmulo que as pessoas, porque por lá fossem muito grandes, as pessoas precisavam de orientação. Eu peguei e fui atrás da mulher. Ela andando assim, eu disse, não. Mas eu não conheço, porque em geral a gente conhece. A pessoa vai de manhã, vai de tarde, vai mais a noitinha, vai uma vez por semana, duas vezes por semana. Então a gente conhece. Aí...

Eu apertei o passo e ela virou lá no outro lado. Ali tem dois túmulos, o verde e o azul. Ali o caminho fica mais largo. Eu corto e olho para o rosto. E pela semelhança a gente descobre qual família que é. Na hora que eu apertei o passo para chegar perto dela, ela virou para trás. O que você quer? Eu passei dentro da mulher. Tá? Olha. Meu Deus!

Ela virou? É, falou comigo, o que você quer? Eu não consegui ver o rosto dela, eu passei dentro dela. Você passou entre ela? Passei. Me arrepiou também. Lá, Sara. Me arrepiou também aqui, pelo amor. Ela virou e falou, o que você quer? Eu passei dentro dela. Eu fiquei sentado num túnel mais baixinho. Da época que eu fumava, eu fui pegar um cigarro. Como é que pegar um cigarro?

as pernas, as pernas uma tremedeira, eu não andava aquele negócio todo, e pra poder sair dali, ir lá pegar o carrinho, ir lá encontrar com os caras pra poder guardar as ferramentas pra poder preparar, tomar banho, pra ir embora aquelas coisas todas, aí eu levei uns 20, 30 minutos pra poder consertar não é que eu cheguei lá perto dos caras, os caras o que você tem?

Eu pisei naquele buraco lá embaixo, que tem um coisa que passa água. Eles tiraram a tampa lá e eu tolei o pé naquele negócio. Mas com o pé seco? Não pegaram. Pegaram você na mentira. Passou, né? Eu só passei a contar esse tipo de coisa para os outros passado ali uns três, quatro meses.

ia subir num colega de trabalho, aí as meninas do estadual, um colégio que tem lá perto, ô moço, é verdade você ver fantasma aqui? Ele falou, você vai ver? Eu nunca vi não, mas me chamar é toda hora, você acontece comigo? Jura? Eu não sou doido. Aí o meu irmão contou também do cara da camisa branca que ele viu lá no Santo Antônio, e o cara sumiu.

Como é que é essa história? Ele viu um homem de camisa branca? É, ele viu, ele estava fazendo lá um trabalho, ele viu o cara de camisa branca, olhou para o cara tal, tal, naquele hora para baixo, que olhou de novo e o cara sumiu. Esse foi um dele. O outro foi lá na Boa Morte, mesmo, ele tinha ido levar um lixo lá embaixo também, na hora que ele volta, ele ouve uma discussão na Capela das Almas.

Fé da puta, não sei o quê. Aqueles nomes, né? Ele falou assim, vou falar com os caras pra não ficar xingando o que que as doninhas passam aqui. No cemitério, né, gente? E as donas de idade, né? Que é de família e tal, né? Ele chegou dentro da Capela das Almas, só tinha as vozes, né? O negão...

Ele chegou lá no cômodo Nós temos um cômodo lá Que nos dá respaldo Onde tem armário, banheiro É tipo um alojamento Sem brincadeira Ele chegou aqui, dá coisa que Beige Beige Calma, calma Aí que eu fui levando ele em banho-maria Pra ele poder acalmar E tal E isso ele

Meu amigo Zezé, deve estar vendo a gente aí. O Zezé deve estar vendo a gente aí. Ah, Zezé. Ah, Zezé. Então ele entrou e aí as vozes continuaram. Ele ouviu o pessoal gritando, xingando. E não tinha ninguém. Tinha ninguém, só as vozes. Ele foi do outro mundo e voltou. Essa daí ocorreria também. O seu irmão é mais novo ou mais velho que você? Mais novo. Mais novo que você.

E é legal que vocês trabalharam junto, né? Um tempo, então, né? Trabalhamos junto até hoje. Ele também saiu do Santo Antônio, ele foi lá para o cemitério da Boa Morte. Ele também trabalha, inclusive, nós trabalhamos na mesma turma, no mesmo horário. Ah, legal. Você falou desse alojamento assim, né? Que é um espaço, é um cômodo onde tem ali banheiro. Banheiro, fogão, geladeira. Uma casinha para o vivo dentro do cemitério. É, é.

Exatamente, é ter os nossos armários, né? Porque eu entro dentro de um túmulo, então eu faço exumação mesmo com coisa putrefada e tal. Eu tenho que tomar um banho, eu tenho que tirar aquela roupa, aquela roupa tem que ficar num local especial, entendeu? Eu tenho que tomar banho, tenho que fazer uma sepsia, como é que eu vou sair de lá?

Não tem base, então você tem que ter um conto para suporte, você tem que ter um local para suporte. Eu estava no cemitério de Belém agora, no Santa Isabel, e aí uma pessoa que trabalhava lá no administrativo levou a gente nessa casinha, que lá estava chovendo, ele falou, fica aqui.

que a gente ia gravar lá. E aí realmente tem um espaço ali que tinha os computadores e tudo. Só que é engraçado, porque é cercado de túmulo. Então você está no meio do cemitério. Qualquer janela que eu olhava tinha a sepultura em volta. Não, lá é assim. Lá é na faixa do quê? De quatro a cinco mil túmulos. É muita coisa. Eu creio que dentro do cemitério da Boa Morte...

Tem mais pessoas sepultadas do que pessoas vivas na cidade de Barbacena. Na cidade. Imagina. Presta uma atenção. Barbacena foi elevada à vila em 1793. A vila. Lá tem coisa de 1792. No cemitério.

Então antes de ser uma vila. Exatamente. Então, você imagina um cemitério com uns 250 anos. E lá é túmulo alto, Paulo? Quatro túmulos, quatro gavetas por túmulo. Tem uns que tem cinco. Mas não é aquele cemitério jardim, né? Não, aquele jardim é só grama e são duas gavetas no chão. Esse, o de lá, são três gavetas no chão e uma para cima.

E tem aquelas obras... E tem as obras cemeteriais, os tumulares. Tem aquelas obras tumulares. Então é algo bem bacana. É uma parte que fica... Chega lá e parece que é um museu. É o tipo de cemitério que eu gosto, Paulo. Que é o túmulo que dá para você ver, que tem escultura, que ele não é no chão.

O cemitério-parque não acho muita graça. Eu acho que ele parece um parque que você vai caminhar. Eu acho mais bonito esse cemitério que tem o túmulo, que ele é mais alto, que tem as gavetas, que tem mausoléu. E ali cada um deles tem uma história. Lá, vou te dar uma história aqui para você. Lá tem de tudo. Lá tem barão, tem baronesa, tem visconde, tem duquesa.

Tem deputado, tem governador, certo? Tem cavalo, tem escravo. Cavalo. Aí, viu? Cavalo, enterrado. É, olha só. O cemitério pertencia à igreja. E estava ficando pequeno. Esse é o peixe que me venderam. Eu vou vender para você agora. Então,

O camarada falou assim, vou doar esse terreno todo aqui, daqui até lá embaixo, onde é o cemitério hoje, a outra parte todinha, para o município com uma condição. Deu fazer um túmulo para mim aqui. E quando eu... Quando o meu cavalo morrer, meu cavalo ser enterrado aqui...

E eu morrer, depois vocês me colocaram. Aí ele fez um túmulo meio arredondado, na parte de cima dizem que colocaram o cavalo dele, e quando ele cresceu, na parte da gaveta, embaixo, colocaram ele. Enterraram ele.

Então ele queria ser enterrado junto com o cavalo de estimação. Exatamente. E tem lá um túmulo de uma escrava, que não pode ser mexido porque ela não tem herdeiro, dona Leocáldia, escrava alforreada de dona Gabriela Frederica de Andrada, dos Andradas, porque os Bias e os Andradas são famílias tradicionais de Barbacena. Só para você ter uma ideia, estão na política desde a época do Império.

A família é quatrocentão, assim que eles falam. É uma brincadeira à parte. Mas a dona Gabriela, o tom dela está assim e o da escrava dela está do lado. Olha! Era essa a dona.

Vamos lá, era para mim, era uma mulher boa, que além de euforriar a mulher ainda botou ela do lado dela. Botou junto. É, eu acho essa história bem bacana. E essa sepultura dessa escravizada está lá até hoje? Está lá. Como é o nome dela? Dona... Da escravizada? Leocáldia. Leocáldia. Leocáldia, Dona Leocáldia, que é a escrava. Olha, do lado da... Da Dona Gabriela Frederica.

E é um dos túmulos mais antigos lá. Está numa parte mais antiga, Paulo? Porque falam que cemitério tem isso. Tem uma parte que é um dos túmulos mais antigos. Eu aprendi com a professora da faculdade, que ela dava aula de... Esqueci a matéria. Ela ia lá para poder dar aula para os alunos dela. E ela me explicou que ali...

Ali tem a parte de cima, logo na entrada do cemitério da Boa Morte, é a parte do zico. Do zico, da nobreza e tal. Isso desde a época do ouro. Entendeu? Então ali é a parte do zico. A parte dos... Mais ou menos seria a parte de baixo, onde hoje tem aqueles tumos mais contemporâneos.

que é aquele turma normal com a cruz e tal, feito bonito aquele turma bacana, mas não tem aquelas obras simulárias em mármore Carrara, com aquelas estátuas e tal que eu acho lindíssimo eu acho lindo e os negros eram lá no Rosário, atrás do Rosário que hoje não tem mais cemitério lá segundo ela eram lá entendeu? igual

Tem a igreja lá, que é datada de 1815, mas ela levou 40 anos para ser concluída. E dizem que os negros que morriam na igreja eram jogados num buraco onde tem a capelinha que fica no centro.

do cemitério. Entendeu? Então, a família, naquela época, famílias todas brancas, que eram os senhores, que eram pessoas escravizadas, eram colocadas numa outra área, que já não tem mais, segundo essa professora. E quando morriam na igreja, eram jogadas no bar. Eram dispensados. Assim me falaram. Porque jogavam ali. A igreja levou 40 anos para ser feita.

40 anos. Essa igreja que você está falando é que está dentro do cemitério ou não? Não, essa fica antes do cemitério. O cemitério fica atrás dela. É chamada de igreja Nossa Senhora do Boa Morte. Igreja Nossa Senhora da Assunção. Nossa Senhora da Assunção. Entendeu? Você vai ver lá, tudo que você vê douradinho assim dentro dela é ouro. Porque antigamente não tinha aquela cor dourada. Então o que eles faziam? Ouro.

Ouro em pó e tal. Lá dentro é um escândalo. É igual Congonhas, Ouro Preto. Eu quero ir lá. Quero conhecer lá. Lá tem duas. Tem ali e tem a da Matriz também. Que é... Você vê o teto da igreja, você apaixona. Coisa que eu amo. Igreja, cemitério, adoro. São dois... Parece que são dois contrapontos, né, Paulo? Porque a igreja é coisa de Jesus, de céu, de tal. Não, mas lugares que você deve...

Por causa da espiritualidade, dentro da igreja você vê coisa, dentro do cemitério você vê coisa, dentro da cadeia você vê coisa, dentro do nicrotério você também vê coisa. Então, três lugares que você deve visitar. Um, o hospital para você dar valor à sua saúde, certo? A cadeia para você dar valor à sua liberdade.

E o cemitério precisa dar valor à sua vida. Agora, se você vê coisa, aí você vê coisa, você vê assombração, não fala comigo que não existe, não que existe, que eu já vi o Zezé, um amigo meu. O Zezé, eu sou você, viu? O Zezé está bem vivo, né? É, tá. Mas o Zezé, eu falei com ele, eu falei assim, o Zezé... Parece que o pai dele faleceu. Aí, porque é o seguinte, a pessoa, quando perde alguém, ele começa a ir no cemitério direto, velveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveveve

Pra parar, pra parar de vir, o cemitério é bom, é pra mim. Se alguém perde alguém, eu perdi alguém na minha família, eu vou começar a ir sempre lá. É, a pessoa começa, a pessoa quando ela é ligada à outra, ela começa a ir no cemitério direto. Periodicamente pra visitar o túmulo, eu entendi. Aí eu falei com ele, o Zezé, não é bom, né? O Zezé, ele tem uma oficina de carro e tal, ele saia pra ir pra oficina, mas tava no cemitério, saia pra ir na oficina,

Eu disse, Zezé... E perdeu alguém na família? O pai. O pai, o pai. Porque ele era muito ligado ao pai dele. Eu falei assim, ó, pode parar com isso. Aí, belo dia, o Zezé começa a ver uma mulher do cabelo vermelho lá, uma ruiva, né? Um belo dia, ele viu a ruiva. E virou assim da igreja, a ruiva começou a andar no meio dos túmulos. Ele desceu lá o camisinho lá pra chegar no túmulo do pai dele. A ruiva aí para no meio do...

dos túmbulos. Ele para no túmbulo pai dele, bota o pé assim no túmbulo pai dele e comprometa a mulher. E eu estava fazendo uma resumação do lado direito. E ele estava do lado esquerdo, assim, pé da Alá Nova A.

Aí ele cumprimenta a mulher, a mulher cumprimenta ele. Um colega meu, de turma, nós fazemos um preparado lá com vinagre, sal e detergente, que a gente joga naquelas plantinhas e dá entre os turmas para morrer, bota na bomba isso, né?

Um colega meu de trabalho, estava a mulher parada aqui, ele jogando aqui. E o Zezé lá viram. O cara veio coisando assim, passou dentro da mulher. Pensando um gordinho correndo. Mas o homem não estava...

Adorei. Você se diverte com a história. E eu aqui assustado. Mas eu vou te falar uma coisa. É ótimo, porque não é só eu. Alguém tem que levar ferro nessa história. Claro, não é só você que tem que ver se arrepiar. Mas peraí, a pessoa que estava... Seu amigo que estava ali colocando o negócio na pontinha não viu.

Não, ele estava normal. O Zezé vindo na mulher e ele passa dentro da mulher. Aí o Zezé viu o cara passando no meio da mulher aí ele percebe. Ótimo. É um espírito. Não, vamos encontrar outra do Zezé. Alô, Zezé. Será que o Zezé está assistindo a gente? Se manifesta aí no comentário, Zezé. Fala que você está assistindo a gente. O Zezé...

Me liga, ô Paulo, que eu fazia café, que chegava um pouco mais cedo, fazia café, para a gente poder tomar café às 9 horas da manhã. Aí, ô Paulo, está de manhã cedo? Você sentou. Tem café? Sim, tem. Eu sento, então eu vou levar o pão de queijo. Eu sento, beleza. Aí, levou o pão de queijo e empadinha. Lá no cemitério? É. Aí a gente tomava o café, né? A gente tomou o café e...

Lá vai nós. Indo, ele ia pro túmulo do pai dele e eu ia virar pra cá, pro lado direito, que eu ia fazer umas resumações do lado de cá. Tá. Eu com o meu balde de ferramentas e tal, eu andando, eu aqui e ele aqui.

no caminho que vai em direção do túnel do pai dele. Nisso, ele me puxa. Eu disse, o que foi, Zezé? Eu disse, a mulher aí. Que mulher? A mulher aí. Eu disse, que mulher? Você não estava vendo. Você aqui, que mulher? Meu Deus. O pé dele batia aqui na orelha.

Mas então o Zezé via também, né? Ele tava vendo, é médio. Querendo ou não, ele é médio, entendeu? E a pessoa que tem a glândula pineal, que não é totalmente calcificada, ela veio e houve coisa. É o José de Souza Ferreira, tá aqui, ó. Falou, tô aqui, ó. Aí, Zezé, sua história. Um abraço pra você. Você viu mesmo, Zezé? Ele falou aqui, pensa no gordinho correndo. Aí, correu. Muito.

Mas o que que... O Zezé é seu amigo, ele não é coveiro. Não, não, ele tem oficina lá no Zé Brasózio, uma excelente mecânica, por sinal. Ele que cuida do meu carro, o carro da dona Coisinha, entendeu? Quem que é a dona Coisinha? Dona Coisinha, a minha mulher. Porque todo homem tem... Dona Coisinha. É, não, porque preste minha atenção, todo homem tem uma dona Maria. Eu, como sou o Paulo Lima, o cara, eu sou especial, então eu não sou coveiro, eu sou agente de prisão perpétua.

Eu não trabalho no cemitério, eu trabalho no cemite. Eu não tenho a Dona Maria, eu tenho a Dona Coisinha, porque eu sou o único, entendeu? Entendi. O cemite, eu amo o cemite. Esse agente de prisão perpétua também me pegou demais. Então o Zezé foi lá e ele viu uma mulher, e aí você não viu, passou a mão, ele saiu correndo. Então quer dizer, essas manifestações que vocês veem, são frequentes.

Isso, toda manifestação espiritual, isso existe. Não adianta as pessoas falar assim. O cara, né, nos comentários, eu não acredito nisso. O pessoal fala pra você isso. Fala, fala assim, faz o seguinte, eu te convido, você passa umas horas agradáveis no cemite.

Depois você... Vem aqui comigo passar umas horas pra ver se você não vê, né? Você fala. Não é? Você fala pra eles. Eu falo. Eu não tenho que provar nada pra ninguém. Eu sei o que eu passei, entendeu? Hoje em dia, eu tenho assim mais aquela... Como é que eu vou dizer? Uma parte mais blindada, porque...

Hoje eu me cerco de orações, aos poucos você vai aprendendo, você vai tomando tamancada, tijolada, você vai aprendendo. Então eu faço certas orações, igual esse, você acha que isso aqui é ostentação? Não, isso aqui é proteção. É um crucifixo, né? É uma cruz, tem um Cristo.

Ah, tem essa diferença, Paulo? Tem, tem. Então isso aqui é uma cruz, não é um crucifixo. Não, aí é uma cruz. Isso simboliza, é o símbolo que Cristo foi crucificado ali e tal, sofreu por ti, aquela coisa toda. E o crucifixo é um Cristo crucificado. É quando tem a imagem dele. Exatamente. E na realidade, Cristo não está mais ali. Sim, não está. Né? Então, isso aqui, ele é bento.

Ele é bento. E isso ajuda a travar as coisas. E ajuda também naquele olho daquelas pessoas. Tem pessoas que têm o olho do satanás. Não é olho ruim, é o olho do capeta. O olho do cão. O olho do cão. Te rebenta. Ainda mais a gente que está nessa fase de...

de ser observado de perto, você sabe que a inveja nasce na sua intimidade. Então, há pessoas que sabem a hora que você acorda, a hora que você deita, a hora que você dorme, que você levanta, quanto mais ou menos você ganha, o que você mexe, o que você não mexe, entendeu? Então, elas... Que vai botar aquele...

Outra coisa aqui O anel de São Bento Mostra ali para a câmera Acho que dá para ver o anel É o anel de São Bento Dá para ver daí Vem mais para trás Aí, baixa mais Aí, boa É a medalha de São Bento Eu tenho Também Aquele adesivozinho No meu carro, na parte traseira Do meu carro, que tem lá Saiba assim

Aqui. É bonito esse anel. Eu gosto e rezo a oração de São Bento todo dia. É, por conta de inveja também. Também, inveja. A inveja também, ela proporciona também aquela manifestação espiritual. E outra, quando você entra no cemitério, você entra igual um cavalo e sai igual um jumento, você vai sair igual um jumento carregado.

de algum espírito ruim, então, você chega no cemitério, você pede licença para poder entrar, ou você pede a agô, ou você faz o nome do pai, você faz uma saudação, se você é evangélico, Deus Pai Todo-Poderoso, eu preciso entrar aqui no cemitério, e na hora de sair, Senhor Deus, se você for evangélico, se você não for evangélico, me dê a agô para ir embora, então me dê licença para ir embora, nada me acompanhe, fique tudo aí.

para aquelas energias que não são suas, não te pegar. Por que pregemeneção? Ali, tem gente que não quer ir, filho. Ah, tem gente que morre, mas não quer, não queria ter morrido. Ó, não tem 15 dias, eu acho que eu peguei a pessoa mais pesada na minha vida. Para se putar.

Na que eu peguei o cachorro e falei assim, ajuda aqui que tá caindo, que eu tinha que passar num cosquillo, só eu e mais um, minha luz tá escorregando, e outra, pensa num cidadão pesado, e outra, desse tamanzinho assim, você não pode. Mas a pessoa era pequena? Era um homem pequeno. E muito pesado. Muito pesado. Igual uma senhora que eu fui fazer um sepultamento dela, aquela mulher é um peso que só Jesus.

Aí eu falei que o pessoal deseja fazer a última oração e tal. Familiares ali. Aí a mulher deitada assim, ó. A mulher que é assim, velhinha da cara ruim, né? A cara fechada. Que velhinha que é essa, né? Aquelas velhinhas chostinhas, que desgrama dessa velha, né? Pensei comigo, que é com o pensamento da gente. Você só pensando, né? O seu pensamento é livre. É, você não pode falar, né, pro povo. Ah, que velha com a cara fechada.

Você só olhando ali. Rapaz, na hora que entrei... Aí nós fechamos, pode dar prosseguimento? Pode. Entrei para dentro do túmulo, o pessoal rastro me entregou lá o pé dela. Na hora que eu peguei o pé dela aqui, a mulher foi me afundando. Me disse, ô, fia! Falei com ela, se me acontecer alguma coisa comigo aqui, mais um que você vai pagar. Você falou, fia, para ela? Eu falei, eu vou rezar um Pai Nosso com a Maria aqui, você vai para onde Deus te mandou, porque esse mundo te pertence mais não.

Larga desse negócio. Você dentro do túmulo. É aí que eu fui baixando. O que eu botei era aqui no peito. O que deu para eu poder fazer a virada aqui. E colocaram. Senão ela ia me quebrar no meio. Entendeu? E ela não era gorda. Não. Ela vai ser igual esse homem. Agora de outro dia para trás. Que não tem 15 dias. Esse com sinceridade.

Pelos três filhos que eu tenho, pelos meus netos, eu nunca vi um homem tão pesado. Nunca vi uma pessoa... Tem quase dez anos de serviço e eu nunca peguei uma pessoa tão pesada e outra. O cara pega aqui em mim, senhor. Eu conheci o cara. Conheço a pessoa. Não tem base. Conhecei ele vivo. Ele eu pego lá dentro assim, tranquilo. Entendeu? Mas daquele jeito que eu fui assim, nossa. Aí o que eu fiz lá dentro? Eu falei assim, ó.

Eu falei com o pessoal que estava me ajudando. Eu falei assim, ó, presta atenção aí. Aí eles pegaram, colocaram a alça, enfiaram aquela gancho da corrente na alça e deram volta na corrente, assim, na mão, para poder travar. Se entrava aí. Aí na hora que eles me entregaram aqui, o que é que eu fiz? Eu fiz assim, deixei ele passar.

porque ele estava muito pesado e não ia dar conta, e segurei ele aqui para ele não bater lá na ponta do túmulo. Aí segurei ele e disse, agora desce. Aí foram descendo que eu coloquei no chão. Aí que eu consegui. Aos pouquinhos fui puxando ele para poder colocar ele em lugar pesadíssimo. Mas com ele você fez alguma oração? Na hora que eu estava colocando lá, eu recebo, senhor filho, vai em paz. Preste bem atenção, esse mundo não te pertence mais. Vai para onde Deus determinou você.

que prestem atenção. Esse tipo de pessoas, quando fazem essa passagem que não tem oração, eles ficam prebulando para o cemitério e eles alimentam de ectoplasma. Ectoplasma sai da sua boca, sai do seu umbigo. Por isso que as pessoas... Tampo o umbigo. E mulher menstruada é um prato cheio. Você sabe disso? Por quê? Porque é sangue, querido.

Então não é bom ir menstruada para o cemitério. Não, não, não é bom. Entendeu? Agora, esse negócio da pessoa chegar em casa, lavar tênis, não sei o quê, porque foi no cemitério, o cemitério lá é todo cimentado. Não vejo por quê. Agora, quando é cemitério de terra, que você vai pisar na terra, vai amassar aquela terra aí...

Tudo bem. Também por causa de higiene, né? É, é. Limpeza também. Agora, igual lá no cemite da Boa Morte, não. Lá é tudo cimentado. Tudo cimentado. A pessoa não tem acesso à terra. Tem acesso à terra onde era... No jardim tinha umas partes lá que tinha terra. Igual a mulher foi lá uma vez... Me parou, BMW, bonito, né? Entrou de carro lá?

É, porque chega na porta do cemitério. Ah, tá. Lá não dá pra entrar de carro. Não. Porque tem uns aqui em São Paulo que você entra de carro. É, eu sei. A mulher para com aquela BMW, com aquelas calças Sazon, sabe? Sabe aquelas calças que qualquer mulher fica... Qual calça Sazon? Calça Sazon, qualquer mulher fica gostosa. Aquela... Qual que é o nome? Tem um nome, não é laicra, é outra, eu sei qual é. Então. É aquela que gruda no corpo. Uhum.

Ela fala comigo assim, moço, você trabalha aqui? Lógico que o uniforme da prefeitura, escrito prefeitura, municipal de Barbacena, não vou trabalhar. Você trabalha. E sim, então, eu preciso de um pouquinho de terra de cemitério, porque eu tenho que pegar terra de cemitério, de três cemitérios, para poder fazer simpatia para a tuberculose no meu fim. Eu falo assim, é mesmo? Você vem cá, vamos ali.

Meu bode estava assim, passei a mão numa colher assim Fui lá e falei assim, vamos ali comigo Aí levei ela, no jardim tinha uma parte lá No jardim tinha uma parte de coisa lá que eu podia tirar assim Ela já veio com a sacolinha, né? Eu peguei e coloquei pra ela Aqui tá bom, senão leva mais um Chegando terra do seu vizinho pra ele mudar logo

que é pra macumba? Você falando. Falei na lata. E ela brigada. Gente, o povo vai buscar terra de cemitério mesmo. Parou com um carrão lá. O pessoal tá falando aqui que é calça leg. É isso aí. Aquele leg, né?

E aí você entregou a terra para ela. Entregou, ela quer levar, é igual muita gente, vai lá, faz aquele monte de trabalho. Eu não ligo da... Como se diz, é lei, a pessoa pode fazer os trabalhos espirituais, porque é religião. Religião, ela é livre. Eu queria te perguntar, a lei fala alguma coisa?

da cidade. Você pode entrar e fazer um trabalho espiritual. Está garantido no artigo quinto da Constituição Brasileira, liberdade, religiosa, raça, credo, então a pessoa pode, igual um certo camarada, eu estava saindo, fui fazer o nome do pai, me bezer, fazer a saudação.

O cara, está com medo, senhor rapaz, com medo? Eu trabalho aqui. Ah, você trabalha aqui? Bom que você trabalha aqui. Eu vou fazer uma matança de bicho, porque você não vai, não. Ele falou assim, mas religião é livre. A religião é livre. Agora, você fazer por que? Para me limpar? Nunca. Você faz a matança de bicho lá onde você quiser, espalha o sangue que você quiser, pena de galinha para onde você quiser. Agora, eu limpar para você?

Não, depois você coloca aí e depois eu levanto para você. Você não precisa nem levantar o trabalho.

Ele queria matar o bicho lá dentro. É, eu queria. Degolar cabrito, matar galinha, não sei o que. Para aquele monte de sangue lá, aquele monte de pena, não é? Para com isso. Não, eu vou limpar para ele. Nunca nessa vida, né? É verdade. Eu nunca tinha pensado como que é isso. Porque a pessoa pode ir, né, Paulo? Fazer o trabalho no cemitério.

Já recebi um monte, vários pais de santo e mães de santo aqui, que eles falavam, a gente vai no cemitério. Alguns já contaram que sofreram intolerância do povo britânico. Ah, não pode, não sei o quê, não sei o quê. Mas a lei, ela garante que você pode ir lá fazer um trabalho espiritual. Exato.

Mas qual que é o limite, então? Porque, por exemplo, se a pessoa pode, na cabeça dele, ele pode fazer tudo. Não. Eu posso trazer um boi e matar aqui. Não. Tem limite? Como é que é? Tem bom senso. Tem bom senso, né? É diferente do que a lei diz. É um bom senso. Não vai matar lá. Porque o cara tem que pensar o seguinte. Eu vou fazer aqui, mas tem alguém e vai limpar. Ele não é meu empregado.

Igual no meu caso, eu não sou empregadeiro, eu trabalho pro município. Então, lógico que a minha função é, além de fazer sepultamento de membros e corpos, nós fazemos o que? Manutenção do cemite. Ou seja, manutenção do cemitério. Então, pra manter aquilo limpo, organizado. Porque como é que você vai chegar lá?

para poder visitar um túmulo de um parede seu, o troço está tudo escangalhado. As árvores não estão podadas, o troço não estão varredos, está aquela sujeira danada, um monte de trabalho espiritual de qualquer jeito. Não!

Então, o cara vai dizer, onde eu posso fazer? Eu vou fazer um arriamento, eu vou fazer um assentamento, eu vou fazer um despacho, onde que eu posso fazer? Ou então ela mesmo procura um lugar discreto. Vamos ali, levo-se lá, tranquilo. Depois eu venho levantar. Você não precisa, eu levanto para você. Não tem problema. O que é levantar? Levantar é retirar.

Ah, o levantar é retirar depois. A pessoa vai, faz o trabalho, deixa a energia ali, depois ela vem e levanta, que é tirar. Levantar o trabalho. Eu levanto, não tem nada. Levanto para a pessoa, não tem problema nenhum. Não me custa. Nunca tinha ouvido esse termo, levantar. Isso que eu sempre me perguntava, quando eu via trabalhos...

no cemitério, eu falo, quem que tira isso aqui depois? Então, a pessoa ela pode ir lá e tirar, se ela tiver um bom senso. Mas aí, se você encontrar um coveiro bonzinho igual o Paulo, você mesmo tira. Eu tiro. E... Eu... O Gual já falaram pra mim que já era pra mim ter passado dessa primeira hora há muito tempo. Quem falou isso? Uma numeróloga amiga minha...

Ela fez até o meu mapa numerológico. Inclusive, depois eu passo até o telefone para você. Quero, quero. Fiz a minha numerologia para esse ano. Então. Vou fazer com ela a próxima. Aí, o que acontece? Ela me falou... Aqui, a minha chama Isa, numerológica. Está aqui. Aí, ela...

me falou que era para me ter... Eu tinha um karma... Porque, preste atenção, eu nasci... Eu nasci aos 50 anos. Aos 51, eu comecei a engatinhar. Aos 52, eu fiquei de pé. Tá? E aos 54, eu me ergui. Então...

esse trabalho de manutenção de cemite, esse trabalho de manutenção de cemite, que tirou esse karma, porque ter aquele negócio de humildade, você ficar no meio do céu, raspando aquelas coisas lá, tirando aqueles matos, aquela coisa de humildade, então que tirou esse karma que eu tinha. Você tinha um karma, é isso? É, que era para poder, já era para eu ter ido dessa para melhorar. A minha sorte foi que eu entrei no cemitério.

E comecei a fazer esse trabalho. E é um trabalho que, mesmo você estando ali, fazendo aquele negócio, tem hora que te dá uma leveza. Eu não sei explicar, entendeu? E, às vezes, eu fazendo esse tipo de trabalho que eu faço, tem hora que é de brilhar o estômago, é isso e aquilo. Mas, na hora que você termina o seu plantão, você vê o que você fez e fala assim, Senhor, caramba!

Entendeu? Te dá essa leveza, né? Tipo, é uma dimissão cumprida, né? É, exatamente. É um trem, assim, bem coisa. E o que aconteceu comigo, eu entrei no cemitério, eu já bebia e aumentei a bebida. Um belo dia eu falei assim, eu vou parar de beber. Aí parei de beber.

Com dois anos que eu tinha parado de beber, eu falei assim, eu vou parar de fumar também. Porque a bebida você leva três meses para você limpar seu corpo, e o cigarro você leva três dias. Aí quando eu parei de fumar do quarto para o quinto dia...

eu dormindo, caderno uma coisinha. Nós estamos na casa do São José, que eu moro em duas casas. Moro no São José e moro em frente ao Sars, que é a casa dela. Que a gente fica nas duas casas, para lá e para cá. Aí, nós dormindo lá, fez assim, acorda que agora eu vou te levantar.

Eu dei um pulo, o que é isso? Aí a dona coisinha, o que foi? Sim, Deus falou comigo, assim, como é que é? Sim, Deus falou que vai me levantar. Sim, levantou mesmo, você acordou, não é? Acordou de madrugada, todo mundo no susto. Aí, no dia 5 de janeiro, eu fiz o primeiro vídeo, Humildade é o Cacete, e bateu 850 mil views, e daí eu ia para lá. Só subiu. Explodiu. Só mais visualizações. É, é, eu comecei no...

No Tique Mais Toque. Na Rede Vizinha. Tique Teco. É. Eu comecei lá. Aí depois foi indo as outras tudo. Plum, plum, plum. Aí o Insta mais grande foi de três anos para cá. Então tudo foi assim.

e agora eu estou em todas, graças a Deus, mas falando tudo, esse tipo de coisa que as pessoas precisam de ver, que o profissional que trabalha no cemite, ele não tem uma doença, entendeu? É um cara que presta um serviço no qual muitas pessoas não conseguem.

E vê coisa. Você falou que nasceu aos 50 anos de idade. Não sei, claro, se você não quiser falar porquê, mas fiquei curioso. Teve uma vida difícil antes disso, Paulo? Porque, entendeu? Depois dos 50 que eu formei, eu entrei, inclusive, no cemitério.

para poder custir a minha faculdade de direito, que eu trabalhava no mototáxi, mas não estava dando para poder custir a minha faculdade de direito. Então, eu entrei no cemitério para ter um fixo, mas o mototáxi para poder pagar a faculdade de direito. Pois é por isso, gente.

Trabalhei aqui no Montatá, que só vai sobrar um cadinho assim. Aí comecei a enrolar e tal. Depois eu falei assim, que burro que eu sou, vou fazer gestão pública. Aí eu formei também gestão pública. Hoje em dia eu sou tecnólogo em gestão pública. Mas antes eu começava num trabalho, ficava um certo tempo do trabalho, saia daqui, mudava para outro. A minha vida foi um eterno...

Vai e vem, né? É, altos e baixos. Hoje em dia, não. A minha vida está rodando igual um reloginho. As coisas só melhorando. Progredindo, né? É, só fluindo. Mas devido a outra.

É, tem parado de beber, não fumar, não isso, não aquilo, porque a partir do momento que você está em evidência, você é mais policiado, você sabe disso? Sim, com certeza. Você é mais policiado, então, aonde você vai, você é uma reverência.

Então, você tem que ser o que você é. E o bom disso aqui, de internet, que se a pessoa souber, ele vai longe. Mas tem um detalhe, não pode mentir.

Se você mentir aqui, ali na frente do capsaque, seu vídeo. É verdade, é verdade. Então, o bom... Eu já gosto de falar o trem escrachado mesmo, então já... Não, e às vezes é até melhor, viu, Paulo? Falar mesmo assim, porque... É igual você falou, estando aqui fazendo um podcast, é sempre muita gente assistindo. E o povo fica sempre com o olhão, né? É, é. São poucas pessoas. A maioria quer ver o bem, gosta do podcast.

gosta das nossas histórias, gosta das suas histórias, mas sempre tem alguém ali que está esperando você tropeçar, né? É lógico. Principalmente aquela pessoa, aquela pessoa que vê tudo que é seu, é incapaz de dar uma curtida, mas ela está ali. Essa pessoa eu chamo ela de urubu.

Porque o urubu, pra você ter uma ideia, ele não é igual a águia. Ele não caça. Ele não coisa nada. Ele fica... Só esperando. Só esperando. Aí, na hora que morre, ele vai lá e... E essa pessoa, urubu, na hora que você dá um tropeço...

Ela vai querer... Ótima analogia. Vai querer te sugar. E tem aquelas pessoas que... O amigo que hoje te abraça, amanhã a sua desgraça. Só espera a sua desgraça. O urubu só espera a sua carniça. Só espera você virar carniça para ele ir lá e se alimentar mais ainda. É, exatamente. Bem pertinho. Tem uns que ficam bem perto. E aqueles do...

Nossa senhora, tem demais Então A gente tem que saber separar O joio do trigo Principalmente Porque tem aquelas pessoas que São seu amigo, são verdadeiros E outra, fala as coisas na sua cara E você fica no veneno Ou aquelas outras Não, só fala o que você quer ouvir Essa é perigosa Agora aquele que fala as coisas na sua cara e briga contigo Esse que é seu bem

Então a gente tem que saber analisar bem esse tipo de coisa. Paulo, você falou que você bebia, parou de beber, fumava e parou de fumar, mas quando você entrou no cemitério você ainda bebia? Você bebeu triplo. Ah, passou a beber mais? É, porque eu não sabia me defender. Eu não sabia me defender, então eu ia entrar no cemitério de peito aberto. Se defender do quê?

Eu não rezava, porque, preste atenção, para você entrar no cemitério, você tem que pedir licença. Eu, como espírita, estava afastado e não estava rasgando para a coisa. Você está entendendo? Então, eu carregava aquele monte de echu comigo, aquele monte de egun, eu saía do cemitério e já...

Lapo, lapo, lapo, lapo. Então, tinha um bar lá perto de casa, lá, que a minha conta de golo lá, olha só, eu recebia, na época, mil e quatrocentos e poucos. Conta do quê? De gole? O que você falou? Conta de gole. Gole, gole. Chinapis, mecaiaba, entendeu? Eu recebi mil e quatrocentos e pouco, entendeu? Eu deixava mil no botelo.

Meu Deus do céu, Paulo. Deixava mil no buteiro. Aí...

Tem, mas a saída de final de semana, tem as baladinhas. Você está entendendo? Então, cada final de semana, a gente mordia uns 300. Então, eu tinha que trabalhar no mototáxi para poder completar isso tudo. Então, a minha despesa era uns três cruzeiros, naquela época. Entendeu? E recebia 1.400 e pouco, recebia pernigalo, um e meio. Entendeu? Então...

Bebia, bebia, bebia. Acordava antes de trabalhar. Vopo, vopo. Ah, você bebia antes de trabalhar também? Ué, é. Passava no... Saía de casa mais cedo pra passar no boteco. Tinha um boteco lá pé da pé que abria seis horas da manhã. Passava lá. Não, vou passar, chega lá seis e quinze. Dá uma desculpa qualquer na dona Coisinha. Que é a quebrada de asa, né? Tadinha. Ô, fia.

É passado, Dona Coisinha. É passado. Dona Coisinha é sua esposa, né? Como é o nome dela? Adriana. Ô, Dona Adriana. Você chama ela de Dona Coisinha. É, e tem a Dona Nenê, que é minha mãe. É Dona Coisinha e Dona Nenê, que é minha mãe também. Alô, Dona Nenê e Dona Coisinha. Adriana, beijo pra vocês.

e aí você bebia de manhã eu saia de casa mais cedo aí eu tomava duas, três de manhã cedo o corpo estava aí tomava duas, três, dava aquela equilibrada no corpo começava a trabalhar aí trabalhava, saia de lá sabe? então era um negócio que era recorrente sabe? até o dia que eu falei assim gente, o eu

para de beber e continua enterrando os outros, ou eu continuo bebendo e meu irmão me enterra. Pelo menos eu tenho a vantagem dos outros, porque eu tenho um irmão que é coveiro também. A gente prisão perpétua. Você conta de uma maneira tão engraçada. Mas é verdade, claro. É igual a mãe lá em casa. A gente brinca. E lá nós falamos muito sobre a morte. Minha mãe vai fazer 93 anos. Ai, que legal. Sai, mãe, eu estava fazendo hora isso na terra, mas em cima da terra só não fica. Plano funerário está pago, dois fios coveiro, buraco para colocar tem quatro.

Você fala isso pra ela? Não, porque a mãe é uma pessoa com uma cabeça muito boa. A minha também, a minha também. A mãe tem uma cabeça maravilhosa. Então, nesse tipo de assunto, a gente pode entrar e conversar. É, a mãe não tem aquele negócio de falar, eu tô com isso, tô com aquilo. Eu falo pra minha mãe às vezes assim, quando você morrer, eu vou junto.

Ela fala, ah, pra lá. Eu morri e me enterrou. Acabou. Minha mãe é assim, morreu e enterra. Meu pai também é desse. Morreu e enterra. Não tem essa coisa. O pai já era mais cheio de coisinha, mas a mãe... É, a mãe é mais bruta. A mãe é mais... Sabe? Acho que esse lado que eu tenho, eu peguei dela. Quantos anos vai fazer? 92? 3. Vai fazer 93. Agora em agosto. Dona Nenê?

Dona Nenê. Um beijo para a senhora, viu? Parabéns pelo filho. E aí você... E como foi o processo para parar de beber? Porque eu penso que é difícil. Eu falo isso, pergunto isso, Paulo, não querendo intrometer na sua vida, mas é porque na minha família tem vários casos de alcoolismo. Meu pai foi alcoólatra. Ele fala que ele nunca vai deixar de ser alcoólatra. Alcoólatra é você alcoólatra. É o dia, todo dia, né? Você precisa manter ali a...

sobriedade que se fala. E eu imagino que não foi fácil para parar de beber. É, mas o que acontece? Eu falei com a dona Coisinha, falei assim, a partir do dia 31 de dezembro, eu não bebo mais. Ela veio para mim assim, é mesmo? Sim, é. Aí na semana do Natal, eu não bebi, eu comi. Nem se tivesse varinha.

Tudo quanto é lado. Que era a última semana. Rapaz, eu tinha uma dívida para terminar em dezembro. Eu fui terminar só em março, porque eu bebi o dinheiro todo. Entendeu? Aí, quando foi no dia primeiro, aí eu tomei quatro.

Duas de manhã, duas de tarde. Dia 1º de janeiro. Isso. No dia 2, eu tomei três. Duas de manhã, uma de tarde. No dia 3, eu tomei uma de manhã, uma de tarde. No dia 4, eu tomei uma de manhã... E acabou. É, para não dar aquele... Para ir aos poucos, é. Não, para não dar abstinência alcoólica.

Ah, aquela abstinência física mesmo, do cara tremer. Daquele coisa e tal, você começa a rolar a língua, você pode engolir a língua e você morrer ali. Meu Deus do céu. Entendeu? Sim. Então, ali eu parei. Outra, por mais que a boca fervilhasse a vontade de beber e tal, e outra, não é porque eu parei de beber que eu deixei de florentar o bisquinho, não. Ah, continuou? Claro. Esse negócio de...

de internet nasceu dentro do boteco. Entendeu? Nós estávamos no bar de um conhecido nosso fazendo um happy hour, que a gente fazia ali um happy hour de cinco até sete horas da noite. Eu não bebo, mas eu bebo isso aqui. Water? Só água. É, água. Ou um refri. Eu conversando lá, e um dos caras lá pegou e falou assim, Paulo, você fala bem, você poderia fazer um vídeo?

pra mim, pra me colocar no Jeep Club, numa cidade vizinha que tinha lá, Cipotânia. O que você quer que fale? Eu quero que fale isso, isso, isso. Peraí que eu vou fazer no meu celular ali fora. Fui lá fora. Então, gente. Mandei pra ele. Ele, ó, ficou bom. Botou lá. Aí, sete horas, nós fomos embora. Quando foi por volta, nove horas da noite, ele, faz um outro vídeo pra mim, o pessoal gostou e tal. Desses vídeos, rendeu seis vídeos.

Aí no terceiro dia que eu estou chegando lá, no quarto dia que eu estou chegando lá no bar, você está estourado em Cipotânia, porque eu estourei primeiro em Cipotânia. Nesse Jeep Clube, um vai passando para o outro, aquilo estourou dentro da cidade. Aí você está estourado em Cipotânia, o pessoal está pensando em colocar você naquele aplicativo da rede vizinha, no Tico Mais Toque. Eu falo assim, vai merda nenhuma. Eu mesmo coloco.

E eu brigando com a dona Coisinha, que ela tinha o Tico Mais Toque e o Ká com o A.

Entendeu? Eu amo que você fala em código, porque sabe que não pode falar nas outras redes, né? É, não. O Tic mais Toc, o K com Ai, e o Insta mais Gran. O Insta mais Gran. Aí, o que acontece? Eu falava com ela assim, você fica com o que ela tinha para poder pegar, o carro pega moedinha, vendo o vídeo, você é trouxa, você fica com esse negócio aí, isso é aplicativo chinês para saber dessas coisas. Olha só o tamanho da ignorância.

Aí eu baixei o Tic Mais Toque. Quando foi no dia 5, 4 para 5, que eu acordei lá em casa com a dona Coicinha, que eu falei assim, agora eu vou te levantar, que eu falei que Deus falou que ia me levantar. Foi o tapão que você levou. Eu saindo do serviço, eu falei assim, e eu que vou gravar um vídeo? Que é, humildade é o cacete.

E toda vez que eu repostei ele dá milhão empancado. O que era esse vídeo de humildade é o cacete? Humildade é o cacete. Eu falo, humildade é o cacete, tá? Se você tem o dinheiro para comprar uma televisão de truta, duas polegadas, você dá ele de entrada e compra uma de 64. Se você tem 20 contos para comprar um carro, você dá ele de entrada.

E compra um carro de 40. E se você tiver 50 contos para comprar uma casa, você dá de entrada e compra uma de 100. E quando vier te perguntar quanto é a televisão, você fala que foi 50, o carro foi 50 e a casa foi 120. Porque é aí que o pessoal vai querer suas coisas. É aí que você põe no...

Todo mundo vai querer Eu que sou Não tem essa de ser humildade não E tem que ser bruto, grosso, soberbo Eu sou bom, eu sou foda, eu sou tal E pronto, o vídeo explodiu Foi embora Até a Mitsubishi fez propaganda com o áudio Com o áudio?

Eu fiz nesse Nesse Nesse canal aí No Tico Mais Toca O cara pegou o áudio e colocou no Insta Mais Gran E ele ficou sendo dono do áudio No Insta Mais Gran Isso acontece muito na internet É, eu custei Recuperar o áudio Quando eu recuperei o áudio Já tinha mais ou menos uns mil vídeos Com E assim

com esse áudio. Olha, isso tinha muito no começo, principalmente quando o Tig mais toque começou, que eles pegavam esses áudios e dublavam, colocavam outra imagem, mas era o áudio seu, né? Era o áudio da gente, entendeu? Aí explodiu. Aí um colega meu falou assim, o Paul, que ele me chama de Paul, falou assim, o Paul. O Paul? É Paulo em inglês. É. Aí falou assim, o Paul.

Você trabalha no cemitério, o senhor fala sobre cemitério. Rapaz, o que eu vou parar de cemite? Morreu, acabou.

Depois eu falei assim, gente, mas eu estou ficando doido. Peguei fonte. Aqui tem história, aqui tem arte, aqui tem vida, aqui tem cultura, aqui tem não sei o quê. Aí a cabeça foi montando aquele quebra-cabeça. Aí eu fui estudar um pouco de filosofia, um pouco de teologia, um pouco de artes e tal, para poder falar e explicar às pessoas. Mesmo hoje...

As pessoas me falam algum determinado assunto que eu não entendo, eu vou estudar aquilo para depois conversar com elas. Porque não tem como você conversar com as pessoas e você sendo ignorante no assunto. Então eu pego, vou lá e estudo sobre aquilo. Para falar melhor sobre aquilo.

Eu gosto muito de Maricel de Cortella, Napoleão Rio, Suassuna. Olha! Suassuna tem um poema, é atribuído a ele, mas não é dele, é de uma outra pessoa. Ele fala assim, se eu puder falar com Deus, eu iria perguntar que mal que um homem fez que tem que morrer para pagar.

E perguntaria ele também de que ele é feito se não come e não bebe e mesmo assim vive satisfeito. E por que não fez a gente do mesmo jeito? Que uns são tão felizes e outros sofrem tanto. Nascer do mesmo jeito, criado do mesmo tanto. E quem foi que temperou o choro que conseguiu salgar o pranto?

Que bonito. E a gente, quem é esse daí? Suassuna. Ariano Suassuna? Ariano Suassuna. Olha, adoro as obras dele também. Que legal. E aí você foi... Porque o primeiro, então, o vídeo não foi de cemitério, né? Não. Foi a coisa mais de... É, de poder. É quase filosófico, né? É, porque as pessoas... Aí o Neguinho fala assim, ah, vai fazer dívida? Vai se tolar de dívida ser um animal?

o inteligimento, você poderia... Não, mas põe má água ali pra você. Você poderia... Você faz... Você dá o passo conforme as suas pernas. Você não vai dar o passo, Mário, com a sua perna, porque você tem dinheiro pra comprar um Fox igual o meu. Você vai lá e compra uma BMW, você quer perder ela.

Tem umas pessoas que não tem base, senhor. Então, a pessoa... Parece que camarão tem aquela coisa na cabeça. Bosta. Vou falar para o que é bem claro. O que é? Bosta na cabeça. É verdade. Camarão tem o que na cabeça? Merda. É, merda. Então, as pessoas...

Ah, se eu fizer isso, morre pagando o banco. Não, cara. Vai lá e consegue fazer um financiamento.

conversa, fala. É, sem precisar ir em banco. Eu fiz assim, né? É, mas assim, você tem uma oratória muito boa e a sua voz também, né? Você tem noção disso, né? Tem. Porque a sua voz é forte, é voz de radialista. Sabe disso? Eu fiz alguns bicos lá na minha cidade, nessa parte aí, mas você fez? Fiz, mas há muito tempo atrás, depois eu desisti disso. Aí tem aquela coisa que as pessoas falam que assim assim assim assim assim assim

Quantos mais cigarros você fuma? Por cada voz? É, me incomoda com a minha voz, incomoda com a minha voz, incomoda com o meu jeito de andar, é um monte de coisa. Mas o povo é assim mesmo, não adianta. Mas se a gente for ver também, Paulo, é uma minoria. A maioria gosta da gente. Não, mas é aquele negócio que tem 100 pessoas, 99, te aplaude, uma faz, eu vou dar o que eu quero que ele se lasque.

Você já viu que eu sou mais, né? Eu sou mais escrachado. É isso mesmo. Ô, Paulo, pra você que tá chegando agora, inclusive, eu tô aqui com o senhor... é senhor Simit, eu amo. Senhor Simit.

Numa entrevista, a primeira vez que vem um coveiro aqui, a palavra coveiro, ela é pejorativa? Ela é correta? O que é correto? É sepultador? É coveiro? Peraí que eu vou te explicar. Porque eu já ouvi falar gente falando assim, ah, Daniel, não é mais coveiro que fala. Porque eu sempre falei a minha vida inteira coveiro. Ah, ele é coveiro, ele é coveiro. Então.

Eu acho que eu entrevistei só um coveiro, que é o Júnior Covas, que é, quando eu fui para Paris, lá, que eu fui no cemitério de lá, eu conheci o Júnior Covas e ele é coveiro lá. Eu perguntei para ele, ele falou, é coveiro de quem abre, que é realmente quem abre a cova, né? Exatamente. Quem cava a cova. Então vamos lá.

Eu vou... Só abaixa um pouquinho, senão a voz vai ficar vazando aí, que está perto do microfone, que está assistindo a gente, né? Mas pode deixar para você ver os comentários aí. Mas qual é a diferença de Coveiro e Sepertador? O que acontece? Hoje em dia não tem mais Coveiro, pelo menos na minha cidade, porque lá é...

Não pode colocar mais no chão. Coveiro é quem faz cova. Faz, fura o buraco e coloca lá. E a pessoa é enterrada. Tá. Seputador é o cara que vai colocar você entre quatro paredes. Você vai ser emparedado. Porque, na realidade, você está sendo emparedado. A pessoa vai ser... A terra vai comer. Não. Os bichinhos estão no ser.

Sabe aquele docinho que você come depois do almoço? Bem. Uma delícia. Para manter os bichinhos dormindo. Entendeu? Porque na hora que você parar de alimentar eles, você parou de respirar, você não manda mais oxigênio. Seu coração não parou de bater, você não manda mais sangue. Não manda comidinha para eles, eles acordam assim, agora eu vou comer o Daniel. Os bichos estão em nós. É.

Nenê. Meu Deus do céu. Isso me buga tanto, Sarah. Por isso que eu falei aquela hora que na hora que tira a roupa assim, que tá cheia daquelas larminhas, faz assim do lado, sai de perto do corpo e o bichinho faz assim, ó. E morre. Ele morre porque ele vive enquanto tá te devorando, enquanto tá te comendo.

Meu Deus do céu. Bom, e aí então, a diferença é essa. O sepultador empareda. O coveiro faz a cova. E não tem mais coveiro, então, hoje. Não, agora, na cidade perto da minha, tem um pessoal de lá que está nos acompanhando, juiz de fora.

lá tem o septamento na terra. Que são os coveiros mesmo que fazem. Exato, exato. E você falou uma coisa, Paulo, que são três anos pra você abrir ali a cova de novo. O túmulo. É o túmulo. Esse tempo de três anos é um tempo considerável que pra um corpo se decompor, é isso ou não? Ó,

É porque é o seguinte, não estava tendo vaga, né? O negócio era cinco, mano. Aí diminuiu para três. Então a maioria dos corpos que a gente chega lá... Os camaradas estão inteiros. Jura? Porque dependendo do lugar... Porque tudo depende da morte. Depende da morte da pessoa. Da causa da morte, você fala. De como a pessoa morreu. E exatomã. Exatamente. Eu amo sotaque em inglês. Exatomã.

Aí o que acontece? Ele, às vezes a pessoa, se a pessoa morreu no hospital, aquele semestre vai ficar... Antibióticos, mas esse negócio que cabelo cresce, unha cresce, dente permanece, isso é lento. Isso não acontece? Não, eu já estou de malandro. Porque as pessoas, o cabelo cresce, a barba cresce, mentira. A unha cresce.

A tatuagem é para sempre. Como, rapaz? A tatuagem é a primeira a ser comida. É? É, ué. Vai devorando junto com a carne. Está por cima. Entende. Vai devorando junto. Então tudo isso é mito, né? Tudo isso é mito. Mas, por exemplo, eu dei um piripaque aqui agora. Tá. Certo? Dei um piripaque, fui dessa para melhor. O plano funerário nosso lá cobre translado, viu?

Caso aconteça. Não, buraco para colocar lá. Tem bastante buraco para colocar lá. Não dá para ficar em cima da terra. Não dá para ficar em cima. Aí, o que acontece? Essa causa da morte. Se eu dou o Prilipac aqui, como...

eu não estou em hospital e nada, vai depender do túmulo que vai me colocar lá. Se me colocar num túmulo que pega bastante sol e tal, ficar nas gavetas mais por cima, a decomposição... Mais rápida. Exato. Agora, se eu ficar na parte de baixo, que é mais úmido, não pega sol, parará, papapá, vai demorar.

Você jura? Eu jurava que embaixo era mais rápido, porque o bicho ia comer. O bicho que está dentro de nós. O bicho que está dentro de você. Vai ficar dentro de quatro paredes? Porque, ó, parede de cá, parede de cá. E em cima? É, que, né? Tá, tá, tá, né? Só o último que vai ter. O caixão vai estar encostado no chão. Mas o segundo, tem as lajes aqui, onde ele vai ficar. Tem as lajes que vão ficar em cima dele. As paredes do lado.

Só que dentro do túmulo é um calor insuportável. Outro dia eu estava fazendo três exumações. Vamos falar assim, para você entender. Um frio da gota serena. E eu lá dentro suando. Dentro do túmulo. Ah, e lá dentro eu ia estar uns 45. Meu Deus, tudo isso. É. Aí eu fiz o primeiro, aí você vai descendo. Fiz o segundo e fiz o terceiro, o primeiro lá embaixo.

Um calor... Outra, o túmulo era de buraco. Por que acontece? Você vai fazer um buraco do tamanho daquele espelho ali. Assim, a porta é para entrar lá dentro, é do tamanho daquilo ali. Entendeu? E o caixão entra por ali. O túmulo não abre por cima. As lajes dele é fixa. O caixão entra por ali, você vai fazer o rebaixamento, sai tudo por ali, o resto do caixão, munha e tal. Entendeu? Tem que ver, sai um monte de garrafa pet. Garrafa pet?

É, porque às vezes a pessoa não tem perna, eles botam a garrafa com água pra completar o peso. Ah, é? Tem isso? É, pra não ficar muito leve em cima e pesado. Leve nos pés e pesado em cima. Aí o caixão faz isso, né? Aí põe garrafa pet pra, tipo, dentro da calça. Não, às vezes a pessoa não tem calça, a pessoa morreu, tá com aquele camisolão, mas bota umas garrafas pet ali só pra poder equilibrar o peso. Olha, não sabia. Senão a pessoa, eles vão pegar aqui, o sol lá de cá tá pesado, o caixão... assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim assim

Só equilibrar o peso. Então, se a pessoa estiver mais protegida embaixo, num lugar mais úmido, você falou, a decomposição demora um pouco mais. É, isso depende muito. Às vezes com dois anos já foi tudo, às vezes com três, quatro não foi. Já aconteceu de você abrir algum e estar meio que inteiro? Direto. Jura? É, abre o bicho. Por isso que é o que eu falo. Semana passada...

Mexido, né? Quatro que eu mexi... O quê? Horrível, inteiro. Inteiro. É assim, né? Com muito material orgânico. Não fala assim inteiro, inteiro. A pessoa vai caracterizar com cara direitinho. A pessoa está bonitinha, né? É, entendeu? Mas com aquele monte de material orgânico. Aí como é que você pega? Eu tenho uma louca que vem até aqui.

Luva? É, com aquela lona grossa, o plástico grosso e tal. Entendeu? Lógico que o município não fornece esse tipo de material. Entendeu? Eu vou lá e compro, porque o interessante é a minha saúde e a saúde para a minha mãe. Abre aqui e fala, ah, o município não dá, eu não vou comprar sem apertar. Eu sei, eu estou comprando. Mas eles não oferecem?

Não, mas agora há poucos esse nosso chefe atual correu atrás disso. Prateus. É, conseguiu umas lá. Mas eu já compro isso. Eu não quero saber. O EPI, por exemplo, porque alguém do governo falou que a nossa contaminação é médio. Não é? A gente recebe tanto é que a gente recebe 20% de insalubre.

Coisa que está errada, que os políticos deveriam ver isso, que é 40%, viu, Vili? Porque médio, para poder pagar, para poder fazer, morrou. Então, tem aquela parte. Porque eles não foram lá. Vê se alguém vai lá ver.

Não vai. E uma coisa que eu aconselho, igual muita gente, você, vou exumar minha mãe, vou exumar minha tia, eu vou lá ver, eu não aconselho a ver. Não? Não, aquela imagem que eu rodando na cabeça da pessoa. Pelo amor de Deus, eu também acho que não... É pesado demais, é forte demais. Mas geralmente, se a pessoa quiser, ela pode? Pode, a família pode acompanhar, tranquilo, que não...

Porque imagina, a pessoa vê os ossos, a roupa, porque às vezes a roupa fica lá, pedaços, não fica? Não, ali, na hora que você vai fazer o rebaixamento...

É para realmente tirar isso aí. Tirar roupa. O que é da terra, fica na terra. Então, às vezes, o terno do camarada está inteiro. Porque atrás é cortado, né? Só veste aqui à frente, entendeu? Atrás é cortado. Aí você puxa assim e sai tudo. A gravata, como tudo. Como o cabrito já... Aqui não tem mais nada aqui no pescoço. Você puxa a gravata e ela vai passar por dentro dos ossos, né? Você vai tirar aquela roupa ali.

Aquela roupa você vai tirar. A gente dá graças a Deus quando está de meia, porque você não perde os ossos do pé. Entendeu? Olha, quando está de meia, os ossinhos ficam tudo dentro da meia. É, porque às vezes... É só pegar a meia completa, né? É, porque você não perde um osso. Agora, quando está sem meia, você tem que procurar no meio daquela serrada, aí você perde um bom tempo ali procurando, porque não pode deixar passar um osso.

E aí esses ossos vão para onde? Esses ossos você coloca no saco. Você coloca no saco. Um, dois ou três rebaixamentos você fez ali. Exumação para as pessoas poderem entender. O que você fez ali, na hora de você fazer o ciputamento, você coloca do lado do falecido.

Se isso, se a família não pedir para poder enterrar lá no fundo, porque no fundo do estúmulo não é cimentado. É terra. E aí vai ser uma cova. Aí você faz o buraco e coloca lá. À medida que vai ficando muito osso ali, a gente mesmo fala a coisa, pode enterrar?

Aí você pode, mas você vai lá, faz um buraco, coloca ali, aos poucos aqueles ossos vão sumindo, que aí a terra comeu. E aí come osso também. É, some tudo. Some? Some. Com o tempo some. Mas às vezes a gente tá mexendo lá, às vezes você vai dar uma furada lá, tem lá osso aí, você não pode mexer ali, você acha um outro lugar pra poder furar lá e tal. E as roupas, Paulo, vão pra onde? Essas roupas é colocada no lixo lá embaixo. Agora.

O lixo lá embaixo, tem umas casas assim, em frente, o pessoal fala assim, isso é um absurdo. As casas aí perto do cemitério. Detalhe, as casas que foram para perto do cemitério, não o cemitério para perto das casas. O cemitério já estava lá, né? Já estava lá. As casas que chegaram depois. É, aí o que acontece? Mas aquelas roupas ali embaixo no lixo não fede, não. Fede é quando está perto do corpo. Nós é que somos o podre.

entendeu? E esse lixo é um lixo especial

Porque tem uma empresa especializada nisso que vai pegar... Não é nem lá de Barbacilha, esse lixo nem lá fica. Toda sexta-feira tem um caminhão e esse lixo é incinerado. Ah, queimado. Porque não é um lixo comum, isso é um lixo atípico. É, porque imagina, o terno ficou anos com o cadáver lá, a roupa da mulher anos, viu não, né? Se decompôs junto, aí ele ficou... Ele já fica com um churume ali, né?

Fica. É, porque, preste bem atenção, tem uma parte lá que é...

Aquela serragem, que aquela serragem tem dentro do caixão, porque na hora que você está decompondo, é água. Sai aquela água, aquele caldo preto. Eu tenho o pessoal de uma loja lá em Barbacena e falo assim, você sabe o que é o churume que eu falei no vídeo? Você sabe o que é o churume? Aquele caldo preto que sai do céu, que é aquela água que sai do céu, aí eu fiz aquele caldo preto... Pensa num...

Isso fede demais. Sabe aquele caminhão de osso quando passa na rua que fede o horror? Sei, sei, sei. É três vezes pior que aquilo. Nossa, nunca senti. Eu já senti, já passei do lado desses caminhões com restos de animal, né? E aí um fedozão assim. Não, é pouco. Isso que é o necrochorume, que eles chamam. É, porque sai aquela água de você, aquele caldo preto. Entendeu? E essa água vai pra onde?

Essa água vai para onde? É absorvida pela terra. Aquela serragem que está ali dentro do caixão. Entendeu? Aquilo é absorvido, você leva aquilo para lá, para baixo. Aquilo é tudo queimado. Entendeu? Estou imaginando aqui. E os restos do caixão também, né? É. Aquela alça bonita, dourada, né? Fica aqui, tem tudo fuleiro. A gente não vale nada, não, só.

A pessoa quando morre, um negócio lucrativo hoje é a tal da morte. É. Porque um sepultamento hoje é 6, 7, 8 conto. Aí a pessoa está com aquele sentimento, né? Daquele sentimento triste. Aqui, essa urna mais cara, essa aqui é a média, essa aqui é a mais barata. Não, não, vamos na média. Quanto que é? 8. Imagina, a média é 8 mil. Imagina mais cara.

Eu já fiz o sepultamento que eles falaram que a urna era sem cruzeiro. Sem cruzeiro? 100 mil reais. Pelo amor de Deus. A mulher ligou, falou assim, nós estamos aqui, nós vamos passar os dados e a urna custa 100 mil. Urna super luxo. Só tem uma no mostruário.

100 mil quanto. Mas o que tem nessa urna super luxo? É o que? Ar-condicionado? Direção hidráulica? Direção hidráulica, ar-condicionado, televisão, Netflix. Aquelas alças dela nem abrem direito. Tudo dourado, o trem todo...

Mas tem gente que põe, que usa. É pesado, tá? É pesado? Que tipo de madeira é essa? Não sei. Eu tive pouco acesso. Era de gente muito importante. E aí depois vai do mesmo jeito. Depois de um tempo você vai tirar e vai para o lixo ser incinerado. Vai ficar lá no buraco do mesmo jeito. Dá a mesma conforme. É o que eu te falei.

Você tem uma Ferrari, uma casa de seis milhões, você vai para o buraco e vai vender. Você tem uma bicicleta ou anda a pé, mora num barraco, dois cômodos, alugado, você vai para o buraco e vai vender. Então, eu chamo o cemitério, o cemite de Jardim da Igualdade.

Jardim da Igualdade. Boa. Jardim da Igualdade. Ali, o preto e o branco é a mesma coisa, o rico e o pobre, o culto e o não culto. Eu sou o doutor furadital. Nós vai pra lá. Vai do mesmo jeito. Você vai num caixão de cem quantos? De cem mil. Você vai naquele caixãozinho ganhado da prefeitura. Vai decompor do mesmo jeito.

Jardim da Igualdade? Jardim da Igualdade. Acho que essa vai ser a palavra do dia. Gostei. Você falou de uma coisa agora, não sei se eu entendi errado. Você falou que estava perto de aluguel, das covas de aluguel. Das gavetas de aluguel. O que é gaveta de aluguel? Porque é o seguinte. Tem algumas pessoas que não têm túmulos.

Por quê? Por causa de condição financeira? Porque a pessoa não comprou túmulo. O que é túmulo? Um túmulo lá, por exemplo, lá na Boa Morte, na parte onde tem aquelas obras e tal, para não valer nada, 40, 50 mil. Bem o dinheirinho para morrer, para ter um lugar para ser sepultado. Para não valer nada. Agora, lá no outro cemitério, o Parque Repouso, que são duas gavetas, é 15 conto.

15 mil. Que também não é um dinheiro baixo. É uma grana. 15 mil reais é um dinheiro. Tem pessoas que não tem. Aí o que acontece, lá no Santo Antônio tem um... Santo Antônio I do Cimitério, né? Que você trabalhou. É, onde eu trabalhei.

Tem uma área lá chamada... Os gavetão, que são as gavetas de aluguel. E essas gavetas de aluguel, a pessoa agora é três anos. Então, você faleceu alguém da sua família. Você não tem túmulo, você não. Você está lá na gaveta de aluguel.

Tá, vou pagar por três anos. Nesses três anos eu posso comprar um túmulo. Ou então você não compra um túmulo. Aí você, né, venceu os três anos, pode tirar dali e colocar no assado. Ou então você pode renovar por mais três anos, deixar ali por mais três anos até acabar de decompor direito, pra depois ir pro assado, o assado geral.

Entendeu? Mas esse de aluguel, então, você não paga por mês. Você paga um valor... É, por três anos. Por três anos. É, acho que quinhentos e poucos, seiscentos e poucos. Mas quinhentos reais o quê? Por mês, não? Não. Por três anos, quinhentos reais. É. É uma cota única. Então, mesmo assim, tem que pagar. Não tem ninguém que não pague no cemitério.

Para ser sepultado. A não ser indigente. Fica a te perguntar, tem os indigentes também? Tem, tem. Porque a presta de abendação, todo cemitério que é privado...

que é particular, ele tem que destinar 10% da sua totalidade para indigente. A palavra é essa mesmo, que usa indigente? Isso, a pessoa sem recursos. Então, igual no caso lá, no Parque Repouso, esses 10%, porque onde eu trabalho e no Santo Antônio são cemitérios municipais. Então, não tem esses 10%. Certo.

Aí, como o parque repouso é particular, ele tem esses 10%. Então, quando a pessoa é indigente, ela falece, aí aquela mulher lá do... Como é que chama? Escrivã? Não.

Quem é uma autoridade? Assistente social. Assistente social. Isso. Ela vai uma assistente social, vê a condição da pessoa, aí vai lá nesse cemitério onde eu trabalho, pega o autógrafo lá do chefe, entendeu? A assinatura. É, para poder autorizar.

o sepultamento da pessoa lá no parque de repouso, que era para nós fazermos, mas o cara acha mais viável os próprios funcionários dele fazerem. Então, é feito assim. Entendeu? Ninguém fica sem... Sem ser sepultado. É, Deus dá um jeitinho. Porque Deus é muito bom. Então, você colocando Deus na frente, tudo funciona. Dá certo. Entendeu? Então, tem essa parte. Nós não fazemos a parte de sepultamento de indigente, mas...

É feito nesse outro semite. E o caixão é doado também da prefeitura? Também a prefeitura doa, a prefeitura dá o caixão, dá o serviço, dá tudo. Mas tem que ter um acompanhamento de um assistente social. E na questão, Paulo, você falou agora há pouco, que vai ter lá um túmulo da sua família, da minha família, a gente vai ter que ir lá cuidar e tudo mais. Plaquinha, foto, isso é tudo a família que tem que pôr.

É seu. Sua casa. A minha outra casa. A sua casa. Você troca a porta, bota uma faixa nela. Você é seu. Posso botar uma imagem de um anjinho. Você é seu. Colocar uma foto bonitinha lá. Eu quero... Lá em Avaré, no interior, onde minha avó mora, tem um cara lá perto da casa dela que ele faz essa fotinho de túmulo. Eu falei que vou fazer uma minha quando estiver vivo.

Eu quero escolher minha foto. Não, mas tem pessoas, por exemplo, tem pessoas lá que tem túmulo e tal, parará, papapá, entendeu? Tem as coisas. Não precisa ir longe, não. No túmulo da família dos meus meninos, meus filhos, com a minha ex-mulher, no túmulo lá está o pai dela,

As esposas, o espaço para... Para... A minha sogra. Ah, para a sogra. É, porque ela está viva ainda. Ela mandou, deixou o espaço dela. Ela tem o espaço dela já. Já tem o espaço lá na placa, porque quando ela morrer, colocar o nome dela ali. Isso é normal.

Porque é igual a pessoa Fiz um plano funerário e coloquei você Que isso? Você está me engorando? Não, isso é um gesto de amor Porque pensar na morte é cuidar Porque na hora que a pessoa morre A gente fica louco Então um plano funerário Não é o que está te engorando

Minha professora de psicologia falava que era maturidade. Exatamente. Se ter um plano de funerário, porque na hora, pra ninguém te passar a perna também, né? É, porque... Aí leva esse caixão de 100 mil, a mãe merece. Aí o agente funerário, você tá lá triste, vai uma coroa de flor, sim, sim, sim, mas uma só é pouco, né? Duas, três, três, três, mil e quinhentos contos, cada uma já tomou uma ferrada de mil e quinhentos contos.

Meu Deus. O turistinho 300 conto. Aquela cruz que coloca lá, né? Coloca uma cruz lá, uma velhinha de um lado do outro. Aquilo lá. É dinheiro. Retirava 300 conto.

Tudo é dinheirinho. Tudo é, filha. Velhinha lá, não sei o que. Você tá doido, não dá pra nós não. Aí você vai ter um plano funerário que é bronze, prato ou ouro. Bronze, enterrou, bota no caixão, tá bom. Pra que ouro? Ouro pra quê? Dentro da lanche, pessoal, os outros querem comer alguma coisa? Da lanche? Lanche no velório? É. Tem até isso, Paulo. É cobrado, é caro.

É um serviço de buffet, é quase um serviço de buffet no velório. No velório do meu bisavô teve lanchinho. Tinha lanchinho pra gente, não sei o quê. Tinha até gelinho. As pessoas ficam com fome. Tá certo. As pessoas estão vivas, né? Que estão lá, ficam com fome, é verdade. Quem morreu foi o outro. Mas, é...

Se você não tiver um plano funerário, você vai fazer o particular, porque a funerária gosta do particular. Porque ali vai enfiar um caixão intermediário que eles compram lá por mil contas, vai enfiar, não sei, por três, quatro. Você vai dizer sim, sim, sim. Coroa de flor três. E ali enfiar a faca e dar tosse para não sangrar.

Ela merecia, né? A sua mãe merecia. Tadinha dela. Nossa senhora. Olha, tem uma aqui, um caixão premium, que combina com a coroa de flores, combina com a cruz, tudo lindo. Pode pôr, pode pôr, ela gostava. Vamos colocar as rosas aqui, com a grátis, não sei o quê. Para, senhor.

Mas também tem um outro lado, né, Paulo? Porque tem esse lado de não precisar fazer essa ostentação no velório, mas também precisa ter um respeito pela pessoa e dar um enterro digno pra ela, né? Exato. Porque tem outro lado também, porque eu já vi muita gente falar assim, ai, minha mãe era uma que falava isso, quando eu morrer me joga em qualquer buraco.

Não é assim. Não é assim. Muitas pessoas... Ah, me põe lá de qualquer jeito. Eu falo, eu não estou nem aí. Porque morreu, acabou. Eles me perguntam, Paulo, você quer ser...

enterrado, sepultado ou cremado. Você pode fazer o que quiser. Eu não vou estar lá mesmo. Você não vai estar mais aqui. Eu não vou estar mais aqui. Mas quem gosta de mim não vai deixar. É isso. Então, eles acham que fazendo isso é um gesto de amor. É. Entendeu? Acham que isso vai prolongar mais um pouco. Não vai prolongar. Vai continuar doendo e tal. E o tempo não vai sarar. Vai amenizar a dor.

As pessoas não entendem, porque aquela pessoa que você importou ela, aquela pessoa que você importou ela, jamais você vai tirar ela da sua lembrança. Porque a sua lembrança é só sua, momentos seus, ninguém tira. Não tem como apagar aquilo. É, fazer um reset, né? Esqueci, não dá. Não tem como. Então, aí muitas pessoas...

Cemitério é um trem engraçado. Dia 2 de novembro, lá no cemite, para passar pouco, para passar pouco, passam 20 mil pessoas, para passar pouco, 20, 30 mil. Dia 2. 2 de novembro. 2 de novembro. Dia de finados. Dia 3, vai lá, não tem ninguém. Vazio. Mas...

Uns 10 dias antes, começa aquele monte de gente fazendo aquela profissão indo para o cemitério, para lavar atum, para esfregar, para limpar o atum, para deixar bonitinho, para o dia de finaço, porque o ciclano vai passar e vai ver. É para os vivos ver, né? É, exatamente, rapaz. É para inglês ver. É, é. É ditado. Entendeu? É, não, fulano vai vir cá, vai ver. Mauria é porque o outro vai ver.

Você está entendendo? É verdade. E aí no dia 3 de novembro tem ninguém. Tem ninguém. Eu já fiz vídeo, entendeu? No dia 2, aqui está um tumulto, aquele movimento. Aí no dia 3, aí... Ninguém. Tem ninguém. O ser humano é hipócrita.

Ele vai muito, porque o fulano vai fazer. O fulano vai falar. Eu não estou nem aí... Preste atenção. Eu não estou nem aí para quem pintou o céu de azul. Eu quero o resto da tinta. Foda-se dos outros. Entendeu? Porque a pessoa vai pensar de mim. Depois que você faz 50 a mais, 60, porque está indo para os 60 a mais, você não está nem aí para a opinião dos outros. Você está entendendo?

Verdade. Eu já estou dos 40 a mais e já não estou muito mais aí, não. Eu não estou nem aí o que eles vão falar de mim, o que eles vão pensar de mim. Sabe aquele negócio? Estou nem aí. Estou nem aí. Sabe o que eu acho que a opinião sua é aquele negócio que eu falei outro dia no vídeo. Se eu não ligo para o que você pensa, eu vou ligar para o que você fala, eu estou...

Caguei. O Piquet no podcast. A mulher falou assim, você tem quatro minutos para dar a sua resposta, Piquet. Ele falou assim, caguei. O Paulo, eu preciso fazer um pipi. Quer o banheiro? Alguma coisa? Quer ir? Então vai lá. Vai lá, fica à vontade. E daqui a pouco, na hora que você voltar, eu que vou. Pode ir, pode ficar à vontade. Está incrível a live, né, gente? Para você que está em casa. O Sara, batemos mais de 3 mil pessoas hoje, hein?

Você viu? Mais de 3 mil pessoas. Obrigado você que está assistindo. Está incrível a live. Com o Paulo, que é coveiro, na verdade ele é sepultador, ele não é coveiro. Com o Paulo Ocara, que é sepultador lá no Cemitério da Boa Morte em Barbacena, Minas Gerais. Está gostando? Então já deixa o seu like. Temos bastante likes hoje. E chegamos a 3 mil pessoas numa live com convidados. Você viu como é incrível? Tudo. Imaginarei.

Eu imaginaria que ia ser isso mesmo. Vocês perceberam que eu coloquei os tumulinhos aqui, né? Tem túmulo, tem coroa de flor. Tem um caixão lá embaixo. Devia ter colocado um caixão aqui. Mas acho que um caixão não daria tanto. Ó, gente, seguinte. Pra você... Vamos falar da viagem rapidinho. Pra você que quer viajar comigo em...

novembro desse ano, se prepara, porque em novembro desse ano, agora de 2026, a gente vai pra Europa juntos. Vamos pra Itália pra gente ver algumas partes místicas, alguns santuários lá na Itália e cemitério também, que tem a ver com o nosso podcast de hoje. Pra quem não sabe o que tá acontecendo, eu fechei uma parceria com a agência Inclusive Travel.

que é uma agência de viagens que já é especialista em levar influenciadores com os seus seguidores para grandes destinos pelo mundo. E a gente vai começar pela Itália, porque eu já fui para a Itália três vezes, já visitei vários lugares lá. Então, se você tiver dúvida sobre essa viagem, eles facilitam bastante na hora do pagamento. Está aqui o QR Code. Depois desse QR Code saindo, vai entrar um outro QR Code. É só direcionar a câmera e fotografar, que vai aparecer um link para você aí.

Vem cá, Paulo, vamos continuar o nosso bate-papo. A gente bateu mais 3 mil pessoas hoje, hein? Não é normal isso não, hein? A gente bateu 2 mil, 2 mil e meia. Hoje 3 mil pessoas aqui ao vivo. Ô, Glória. Ô, Glória. Deus é bom, Senhor. Ô, Glória. Deus é bom. Eu vou também precisar do banheiro fazer um pipi. Aí entrou aí o QR Code pra você.

Isso aqui é na minha câmera aqui. Para você que tem essa vontade de viajar, vamos para a Itália em novembro de 2026. Inclusive, conversa com o pessoal lá da agência. Tem gente me perguntando o seguinte, Daniel, eu já estou na Europa, eu estou em Portugal, ou eu estou na Itália, eu estou perto. Dá para eu ir para fazer um pacote menor? Tira todas essas dúvidas com o pessoal da Inclusive Travel, que é a agência, nesse link aqui. Se prepara, porque antes do Natal a gente vai...

Pra Itália. Muito que bem. Pra você que tá chegando agora, eu tô recebendo aqui hoje o sepultador, né? O Paulo Ocara, que é o senhor Simit, né? E como ele mesmo diz, como é que você fala? O agente de prisão perpétua mais amado do Brasil. Agente de prisão perpétua. Você que criou isso. Amei. Senhor Simit também, eu.

Senhor cemite. É, eu não falo que eu trabalho no cemitério, porque é um troço, assim, pesado, tá entendendo? Então, eu falo que eu trabalho no cemite. Ah, você é corveira, você não quer corveira, rapaz? Só a gente precisa de uma perpétua, você é doido?

Porque a prisão é perpétua, é para sempre a pessoa ficar presa lá. Eu estava vindo para cá, no Nube, eu estava vindo para cá e tal. Ah, você vai para você e eu vou para o podcast do Daniel Pires e tal. Nós vamos fazer um podcast porque eu tenho uma profissão atípica. Você faz o que mesmo? Eu sou agente de prisão perpétua, sou funcionário público, agente de prisão perpétua. Ele disse assim... Espera aí, mas...

Aí ele tava pensando... Será que trabalha na penitenciária? Aí depois eu falei assim, vamos lá, se eu te prender, você não sabe mais não. Aí ele, não, eu tô pensando em outra coisa. Eu também tava pensando, eu pensaria em outra coisa se eu não soubesse. Falei, será que ele é... Hoje não é carcereiro que chama mais, né? Mas será que trabalha na penitenciária? Não, é agente de prisão perpétua.

É um nome aí que você achou pra definir o som. Mas se eu prender, vai sair. Não sai. Não sai mais. Nunca mais. Nunca mais. A não ser numa exumaçãozinha assim, peraí que eu vou tirar o C. Porque nem o seu lugar lá você vai ficar lá esticadinho. Nem pra sempre, é. Venceu o tempo, você vai ficar no saquinho que você entra carregado por 6 e depois sai carregado por um só. Um saquinho numa mão. Como é que é? Entra... Carregado por 6. Por 6, tá. Depois... ...

Numa mão, num saco. O que somos nós, né? Nada. Estaremos no Jardim da Igualdade. O Paulo, tem lá no cemitério que você trabalha, tem aquilo que a gente chama de santo popular, o milagreiro de cemitério, que são sepulturas que as pessoas visitam para fazer pedido? Eu tenho uma sepultura lá do Monsenhor.

dizem que fazem milagre, mas não vejo assim aquela romaria, aquele coisa não, entendeu? Vejo assim algumas pessoas para lá para poder rezar. É logo na entrada, assim, porque fica do lado esquerdo. Um tom bem simplesinho. Monsenhor, é como se fosse um monge, né? É, não, é monsenhor, ele é acima de padre. É.

Monsenhor, também nos seus cargos. É católico? É católico. Tem padre, monsenhor, cônungo, bispo, acerbispo, cardeal, primaz e papa. Meu Deus. Nem eu sei dos cargos. Que legal. E aí ele é um monsenhor e as pessoas vão lá pedir coisa. É, porque tem fé, né?

Então, as pessoas vão lá, sabe? Diz que ele é bem milagreiro, as pessoas pegam com fé, porque, na realidade, quem faz um milagre é o Todo-Poderoso, Jesus Cristo, né? São só os intercessores, né? Isso. Igual Nossa Senhora, Nossa Senhora é intercessora, porque quem manda no céu é Nossa Senhora. Não adianta parar comigo que não é Nossa Senhora, porque... Como é que é? Quem manda no céu é Nossa Senhora. Ponto.

Por quê? Nossa Senhora não faz milagre. Quem faz milagre é Jesus. Entendeu? Vamos lá, vou te dar um exemplo. Nas botas de Canaã, Maria chegou perto de Jesus e falou assim, Jesus acabou vindo. Eu conheço mulher assim, Jesus.

faz tudo o que ele mandar, essa coisa de água aqui para mim, quem manda no céu? Então, eu estou pedindo, Senhor, faz tal coisa para mim, não vai, né? Senhor, Nossa Senhora, dá uma forcinha aí, quebra o gai, Jesus, quebra o gai daquele negão lá, mas mãe, Senhor, meu filho, não faz por ele, não faz por mim que sou sua mãe, tá bom, mãe?

Aí eu feliz aqui embaixo. Amém, amém. Melhor explicação. Exatamente isso. Quem manda no céu é a Nossa Senhora. Quem manda no céu é a Nossa Senhora, senhor. Não tem história. Faz por causa dele. Faz pela sua mãe aqui. É, faz sua mãe aqui. É, negão, você vai ser feliz.

Você até é boa. Amei, é verdade, é verdade. Muito boa a explicação. Não é? É, muito boa a explicação. E lá no cemitério, fora esse Monsenhor, eu queria fazer uma outra pergunta, que acho que a gente pesa um pouco o clima, mas a história foi muito boa. Mas também é uma parte do seu trabalho. Quando vai... Falam que sepultador ou coveiro não sepulta pessoas da família, isso é verdade?

Eu não tenho essa, não. Eu fiz uma ação de um primo e coloquei outro. Entendeu? Eu seputei uma prima minha de horas de nascido. Seputei um primo com 60 e tantos anos, tirei um, coloquei outro. Então, às vezes, o cara não faz porque...

Está doendo muito, mas eu acredito que se acontecer comigo, pode ser bem próximo, colado em mim. Eu vou fazer, eu não aceito outro fazer. Ah, é? É. Eu acredito que eu vá fazer. Por mais que... Eu sei que depois vai doer pra cacete.

Mas aí é eu e Deus e sozinho. Naquela hora que você recolhe, que ninguém vê, que é só você, essa parte é só você e Deus, essa parte aí vai ser só eu e Deus. Mas vou fazer, pode ter certeza que vou fazer. Tão certo quanto dois, dois é quatro.

Então não tem problema com isso, de fazer sepultamento de familiares. Não, não. Apesar que dói. Claro. Entendeu? Amigos também dói. Uma ex-cunhada minha e comadre, eu fiz o sepultamento dela.

Entendeu? E não acabou, eu falei com o filho dela, inclusive um que é meu afilhado. Acabou a festa, pode triar. Mais tia, sim.

O que é? O potreá vai embora? É, fora, acabou. Porque se deixar a pessoa fica ali. Entendeu? Eu sempre faço isso, eu não tomo mais arrogante para poder dar aquela pressão para poder sair. Igual aconteceu agora com um amigo meu, da mãe dele ter falecido.

Aí eu fiz o sepultamento da mãe dele no domingo, e eu acabei de fazer o sepultamento, ele está sentado lá. Eu falei assim, agora o senhor vai embora.

Eu disse, vamos embora. A mulher dele gostou, sabe? A esposa dele. Se não se deixasse, ele iria ficar lá. Ficaria. Eu já ouvi muita história, Paulo, de gente que... Tem uma história, inclusive, que eu ouvia em Avaré, de uma mãe que perdeu um filho. Um menino... Uma criança. O menino estava brincando.

teve um acidente, machucou a cabeça, ficou tratando um tempo, mas ele acabou falecendo. E a mãe começou a ir todos os dias no cemitério, até que perceberam que ela tava querendo dormir lá. É, tava levando coisa, arrumava, limpava, aí tava tudo bonitinho, podia ir embora, né? Aí ela tava levando cobertor.

Estava levando travesseiro. É uma história que contavam por lá. Tem pessoas que às vezes chegam lá e dormem em cima do túmulo. O Jú? É, por isso que quando a gente vai fechar, você tem que fazer uma ronda. Pelo cemitério? É. Mas pessoa que dorme em cima do túmulo porque é parente que está ali ou pessoas que às vezes estão em situação de rua e dormem no cemitério? Não, não, não. Situação de rua é outra situação. É outra coisa. Entendeu?

Pessoas que parentem e tal. Lá no cemite, acontecem umas coisas inusitadas. Tem pessoas que vão lá para rezar o texto. Tem pessoas que vão lá...

para poder tomar uma com falecido. Fazer o quê? Tomar uma com falecido. Aí leva uma cerveja, leva uma bebida quente. Fulano, bota no coito. E fica conversando. Tem outros que vão fazer novena. Tem outros que sentam lá só, ficam conversando. Tem outros que ficam rezando o texto. Então,

Tem pessoas que vão ali para um monte de coisa. E tem pessoas que ficam lá, só choram. Tem pessoas que ficam lá perto do túmulo, às vezes, deitam ali, cochilam. Cochilam. É, cochilam. Tem pessoas que ficam, às vezes, tem pessoas, igual uma vez, ela deitou em cima do túmulo, eu falei assim, o Fia, vamos embora. É, não vai, eu vou ficar com a minha mãe. Eu vou chamar a guarda municipal para tirar ela.

chato, né? Mas tem que chamar. Mas tem, é. Não vai poder pegar ela e tirar, né? Não podia tirar ela. E outra, como é que eu ia trancar ela lá dentro? Eu fio aqui dentro e não tem luz, porque lá não tem luz. Dentro do cemitério, é. É. Você vai ficar aqui e tal? Entendeu? Aí, o parabéns ao pessoal da Guarda Municipal. Um 71 violento e os...

levou ela na conversa e retirou ela lá. Sabe? Então, foi um trabalho bem complicado. Mas tem gente que vai ali, cada um vai para um tipo de coisa. E outra, tem vários tipos de enterro. O pessoal pergunta, você já enterrou o anão? Sim, anão é pouco, viu, gente? Então, pouco anão para a gente poder enterrar. É porque tem poucas pessoas com nanismo. Mas já enterrou?

Não era bem anão, era quase que anão, mas a estatura é bem baixa. Mas...

A pergunta é, enterro de maçã é diferente? Não, é tudo a mesma coisa. Enterro é enterro. Agora, lógico que cada, por exemplo, o Evangelho que eles vão ler a parte da Bíblia, o Católico que eles vão encomendar o coisa, o Espírito, às vezes, vai jogar pipoca.

Igual um amigo meu faleceu e gostava de pagode na hora. Eu até bati um pagode no caixão dele, o pessoal cantando, e eu Tum Tum batendo no caixão dele, depois eu botei lá. Você batendo no caixão assim? Tum Tum Tum, é ótimo. Porque ele gostava de pagode. Ele gostava de pagode. Foi um dos entejos, mas... Não vou falar que entejo é bonito, mas assim...

Ah, emocionante. É diferente. É, que dá aquela, sabe? Igual o do menino da capoeira lá, um menino novo e tal, então foi aqueles capoeiristas, tudo tocando aquele negócio, aquele mar de gente. Então tem uns sepultamentos.

que é dotado de uma comoção muito grande. Então, se você não tiver um psicológico violento, que algumas vezes o sepultamento é dotado de uma comoção tão grande que quando você assusta, você se pega chorando. Você pensa, opa, os outros vão...

Vai falar... Por que o sepultador está chorando? É, mas é porque nós somos feitos de carne e osso, nós temos sentimento, entendeu? Então...

Por isso que eu falo que o cara tem que ter um psicológico muito grande. Nesse tipo de trabalho, você trabalha em várias fontes. Então, você vê inúmeras situações, umas situações cômicas, outras situações que mexem com o seu interior, mexem com o seu sentimento, mexem com o seu psicológico. Eu vi um casal lindo...

Entendeu? Aquela mulher loura, linda, com aquele cabelo esgadado, aquele corpão lindo, aquele cara saradão, mas os dois estavam desse tamanzinho carregando o caixãozinho do filho. Nossa! Eu acho que o pior sepultamento de se fazer não é de criança, mas é por ter criança, é o estado que os pais ficam. Entendeu? Igual semana passada...

Semana passada, segunda-feira, eu sempre tenho gêmeas. As duas. Duas gêmeas. Gêmeas. Aquilo acaba comigo.

Não pelo fato do ceifamento da vida das crianças, mas o estado que os pais ficam. Porque, querendo ou não, há uma preparação para a chegada deles, uma alegria para a família.

Aí chega aquela alegria... Ainda mais gêmeas. Tudo, mas quando vem gêmeas parece que é uma magia junto. Olha, são duas menininhas e tal. Então, é complicado. Eu sempre falo que o pior sepultamento que eu fiz foi lá no 1115, onde...

A mulher, na hora que eu fui fazer o sepultamento do bebezinho, recém-nascido, aí que eu entrei dentro do túmulo e tal, aí pedi ao meu outro companheiro, eu falei, faça, eu pego o neném Cadona aí, ele foi pegar no caixão, ela segurando, eu falei, senhora, ele pegando, ela travando o caixão, eu falei, senhora.

Aí ela olhou para mim e soltou o caixão. Aí ele foi me entregar o caixão, que ele me entregou o caixão. Ela, moço, moço, moço. Eu disse, pois não, senhora. Terra, meu filho, não. Rapaz, aquilo... Essa coisa dela, essa fala dela, é recorrente na minha cabeça. Reverbera para sempre, né? Fica aí, a vez volta, né? É, fica recorrente.

Então, não é para ser que o sepultamento de criança é mais difícil. Não. O difícil é você ver os pais. Sendo eu pai também, então, eu imagino o lugar de... Entendeu? Você está no lugar de um pai, ou desse pai, ou dessa mãe. Eu tenho...

Três lá em casa, não é? Três filhos. Acho que se eu perder um deles, eu infarto. Entendeu? Não importa em qual questão que estejam os três. Um deles eu...

Entendeu? Eu creio que eu não seria forte igual a minha mãe. Porque minha mãe, ela não tem tamanho, mas força... A dona Neném tem 1,50 e alguma coisa. 1,5. Mas é gigante, porque ela conseguiu perder três filhos e está de pé. Perdeu três filhas. Tudo que tinha a Amy lá em casa foi. Márcio, Marcelo e Marquinhos. Amy?

O Márcio foi com 3 dias, o Marcelo com 35 dias e o Marquinhos com 28 anos. E adivinha qual foi o filho dela, para poder dar notícia para ela, que o filho dela com 28 anos estava morto? Você. E eu. Terrível. Ele faleceu com 28? É. E doença, não? Doença? Não, foi assassinado. Assassinado. Pior, né?

Bom, todo tipo de morte é triste, né? Mas essa quando... Não está esperando? Mas é aquela coisa, né?

Mas ele ainda conseguiu deixar uma semente, que a mulher dele, quando ele se foi dessa para melhor, não sei se é melhor, porque eu não fui lá ainda, entendeu? Diz que é melhor, né? É, o outro lado, né? É, mas eu creio que o outro lado deve ser muito bom, que ninguém vem aqui e fala assim, ó, morre rapidinho que o lado de lá é bom. Não, você vai se lascar aí primeiro, para depois você vir cá para o bom, né? Mas ele deixou, a mulher dele estava grátis três meses.

Entendeu? Então ele tem uma filha que já deu um bisneto pra mãe. Olha lá. Já cresceu, já teve filho também. Entendi. Ela é da idade do meu filho caçula.

Que também já tem filhos. Meus filhos já têm filhos. Já tem netos. Tenho. Tem uma corda de netos lá. Eles estão fazendo, eles estão fabricando lá. Então a fábrica está continuando, está produzindo. Os meninos estão rindo, estão rindo. Eu sempre pergunto, você falou da sua família, porque acho que estando numa relação com a morte como você está todos os dias, você falando de pegar o caixão, colocar no peito e colocar para cá,

A pessoa está ali dentro. A família está olhando todo aquele... Tem aquele negócio. A pressão ali. Tem aquela coisa. Preste bem atenção. Trata um morto como se estivesse vivo. Porque se você tratar morto como morto, você se lasca.

Então, você vai... Aquela coisa que Mário Sérgio Cortella fala, que faça... Você está falando igual ele, já fala. Faça o seu melhor nas condições que você tem agora, enquanto você não tem condições melhores para poder fazer melhor ainda. Você entendeu? Então, nas condições que você tem ali, você tem que cuidar do falecido como se estivesse vivo.

Se você pegar o caixão e deixar ele coisar assim, o falecido encolheu lá dentro. Ah, você desceu ele muito em pé, você muito isso e muito aquilo. Ah, você colocou ele com muita força no chão, com coisa que ele vai sentir dor.

Então, você tem que tratar ele como se estivesse vivo. Isso é como se fosse a família falando, né? É, você... Ó, você tá muito rápido aí, vai machucar ele. É, exatamente, falam isso. Falam isso? Falam. Ô, devagarinho, vai ficar encuridinho, tadinho. Vai machucar ele. Exato. Porque pra pessoa, a morte ainda tá... É muito novo, né? E quando você tá fazendo isso, uma ação que tem família?

Isso é outra situação também. Você tem que tratar o coisa como se estivesse vivo. Mas eu não sei se é meu jeito de ser, sei lá, é a aptomania. Eu tenho um zelo, um cuidado. Tem muita gente que na frente da pessoa é uma coisa, nas costas... Ah, tipo, está morto. Não, porque preste minha atenção.

O cara que está ali é igual as pessoas que pedem. Afirma para nós uma exumação. Jamais, por dinheiro algum. Pedem para filmar? Pede. Mas quem que pede? Seguidores. Afirma para nós uma exumação. Jamais. Não faço. Não pode. Não. É delipêndio. Mas eu, eu aqui, Paulo Lima, o Sr. Simite, jamais farei isso porque é o seguinte.

Eu penso que aquela pessoa ali já foi pai, mãe, tio, irmão, sobrinho, avô, amado, odiado, patrão, empregado. Então, ela foi muitas pessoas numa pessoa só. E eu não vou ganhar like em cima da pessoa que não possa se defender de mim.

porque ali eu sou o Todo-Poderoso, eu sou Deus para ele ali. Eu posso fazer com ele o que eu quiser. Verdade. Mas o Senhor, meu Deus, lá em cima, fala comigo, Paulo Lima, cuida desse que aí também é meu. Então, eu tenho que cuidar dele como se eu estivesse vivo.

Mesmo numa exumação. Na hora da exumação, você... Ô, amiguinho, amiguinha, eu estou aqui e eu falo. Eu estou aqui, eu tenho que fazer. Esse é o meu trabalho. Eu vou tirar você daqui, eu vou colocar você aqui e eu falo. Você tem essa conversa ali. Eu tenho. E dá reza um Pai Nosso com a Maria. Vou rezar um Pai Nosso com a Maria para a sua alma, para você descansar em paz e tal. Tem... Estudo recente agora. Não tem 30 dias.

Fiz três exumações, primeiro, segundo e terceiro. Na hora que eu cheguei na última, o cara ainda estava com aquele necrochurume, o esqueleto estava com plástico, então ele estava meio que com material orgânico, vamos dizer assim, uma caatinga de só o Senhor.

Rapaz, eu tenho isso tudo de tempo que eu trabalho no Cimite e vejo esse tanto de coisa que eu faço. Essa foi a primeira vez que uma exumação me fez mal. Eu acabei de fazer aquilo ali, eu estava todo esquisito e tal. Aí depois deu o término do trabalho, eu tomei meu banho, fui para casa. E...

Por volta de seis horas, mais ou menos, eu fiz a chamada de vídeo com a dona Coisinha. A dona Coisinha estava lá na outra casa e eu estava na outra. Cada um na outra. Daqui a pouco eu vou para aí, porque eu não sei saber se eu ia para lá ou se ela vinha para cá, que a gente fica nessa. Aí eu pensei, nossa senhora, ela olhou para mim, senhor Paulo. Você não viu, né? Sibenze.

Quem falou? Sua esposa. É, a dona Coisinha falou comigo, eu disse, Benze, olha, eu vou te falar uma coisa, eu falei assim, eu tenho essa parte da espiritualidade que muitas pessoas me procuram, para me poder vencer, elas ajudarem na parte espiritual, com banho de descarrego, falar isso, aquilo, aquelas coisas todas. Então,

O que acontece? Eu disse, por que não? Aí eu fui acender vela para o meu anjo de guarda, acender vela para o meu anjo de guarda, eu fui rezar para o meu anjo de guarda, eu fui me benzei e fui tomar banho, descarregou.

entendeu? Aí, parece que fez assim, ó, saiu. É, mas porque aquela pessoa ali, aquela pessoa que tava ali... A última lá do barro. A última, tinha um espírito ruim e aquelas coisas ruins dela, veio aquela carga negativa em cima de mim. Aquela troca obsessora me drenando e eu tava... Mas ruim, ruim, ruim, ruim. Ficou ruim mesmo. É, se não fosse... Só que é o seguinte, quando acontece com você, sometimes, às vezes, às vezes você fica cego.

Às vezes você fica cego, você não vê. Aí precisa de uma pessoa de fora para poder falar assim, ó. Porque muitas das vezes a gente coloca aquela máscara, a gente bota uma venda para você não ver, entendeu? A gente sugando, mas você não está percebendo. E me arrebentando. Nossa, eu estou muito cansado. Não é cansaço, não. Sabe? Mas foi assim...

Ela fala, eu fazer. Era outro Paulo. Mas tinha um espírito lá com ele? Estava lá no túmulo? Eu creio que aquele cidadão deve ter sido uma pessoa muito ruim, entendeu? Em vida. Porque tem pessoas, você sabe que quando a pessoa é muito má, vamos lá, né? A pessoa é muito má.

que ela morria, que ela fazia muita maldade. Assassino. Não sei se pode falar essa palavra aqui. Daí até pode. Assassino. E tal, esse tipo de coisa. Batindo os outros. Aquela pessoa ruim. Quando ela vai e desce para o melhor, o cara que é macumbeiro dos bons pode ir lá e pegar ele e botar ele para trabalhar para ele? Escravizar ele? Espírito.

Já ouviu falar. Já ouviu falar, não já? Já.

Já ouviu falar disso, que vai lá e pega o espírito dessa pessoa ruim para fazer trabalho contra outra pessoa. Exatamente. Mandar o espírito daquele assassino. Ele vira um escravo espiritual, mas é um escravo da pessoa viva. Quando o cara é um espírito... Isso aí não é minha praia, mas eu sei que existe. Então, esse cara, como eu creio que ele era muito ruim...

Entendeu? E aquela carga negativa dele veio para cima de mim. Mas...

Eu não tive aquela coisa na hora de rezar, que é tão coisa que ele conseguiu me bloquear nisso. Então quer dizer que pode ser, pela sua crença, pela sua fé, também espíritos ruins ficam lá no cemitério. Ficam, ficam, ficam. Tem isso. Por isso é que a gente fala que você tem que pedir permissão para entrar no cemitério, para entrar e sair, e outra, para você não carregar nada, porque existe.

Existe espírito de luz, existe um monte de coisa ali. Então, se você chega no cemitério, não vou dizer alegre, mas vão no meu caso e eu posso dizer alegre, que eu estou indo para trabalhar aqui, para mim é mais um dia de serviço. Eu também vou alegre para o cemitério, eu gosto de cemitério, vou visitar, meus familiares estão todos vivos, então eu vou alegre.

Então, você chega alegre, aquelas energias boas vão aproximar de você. Agora, se você chega xingando e esbrabejando, energia ruim vai aproximar de você. Isso é um fato. Igual aquela história que você contou do ser que estava sentado.

E que você foi até ele e desmaiou, né? Uhum. Era um ser... Onde que estava sentado esse ser? Na Capela das Almas, lá no Cemitério da Paz. Isso foi no Cemitério da Paz. Você conseguiu identificar se parecia um homem ou uma mulher? Ah, aparecia uma pessoa. Assim, eu estava de branco, sentado assim. Ah, de branco. É, de longe eu vi... Se eu vou lá ver isso agora, eu saio andando pelos meios do mar. E foi.

E no meio do caminho, o bufo. A dona coisinha, a dona coisinha que tá aí, ela coitadinha. Ô, filho, ela que... Ué, eu fiquei um... Ó, esse aí, o da mulher do vestido amarelo, eu fiquei uns quatro dias assim, ó.

Dormia não, filho. Do vestido amarelo. Você falando, eu imaginei ela virando. O que você quer? Está amarrado. Está amarrado. Está amarrado. Eu vou te mandar uma coisa. Eu fiquei uns quatro dias, todos os dois.

Eu fiquei uns quatro dias. Eu ficava em casa igual o Curiango, assim, eu não fechava o inimigo, você é doida. E ela, tadinha, eu tinha que trabalhar no time, dando mó moral, né? Tá vendo? Viu as coisas do cemitério. Paulo, você topa responder umas perguntinhas? Claro. Tem muita coisa ainda pra falar, mas quanto tempo de live já, Sara?

Ó, estamos indo para quase três horas de live. Duas horas e cinquenta. Eu preciso ir ao banheiro porque eu estou me segurando aqui, mas a live está tão boa. Mas para você que está em casa e quer mandar a pergunta para o Sr. Simit, que é o Paulo Lima que está aqui com a gente. Esse seu sobrenome, o terceiro sobrenome que é o Ocara, ele é sobrenome... Não. Não é sobrenome. É Ocara. Só que eu escrevi com o carro.

Ah, eu pensei que era sobrenome mesmo. Parece um sobrenome japonês. É, todo mundo pergunta se Okara, quando olha junto, Okara... É, parece um sobrenome. Parece um sobrenome japonês, mas não, é Okara. Mas ficou Okara, deixa Okara. E Okara tá fluindo. Paulo Lima Okara. É. Entendi. Então é Paulo Lima Okara. Okara. Agora entendi.

Então, para você que está chegando agora, porque tem muita gente chegando e vindo e voltando, mas deixou o seu like aí, já manda sua pergunta aqui para o Paulo Lima, o cara, que é o Sr. Simit. Se você tem alguma pergunta sobre esse universo do sepultador, do cemitério e tudo, já manda aqui e já está chegando pergunta. Vou fazer a pergunta para você, Paulo, e aí vou fazer o meu pipi agora também. E aí você pode responder para aquela câmera ali, que é a sua câmera, mas responde normal aí.

E aí, Sara, eu volto em dois minutos, mas se eu não voltar, você faz outra pergunta para o Paulo. Pode ser? Pode ser. Boa. O M. Douglas Real falou aqui. Dan, pergunta para o Paulo se é verdade que um dos lugares mais carregados do cemitério é o velário ou o cruzeiro. Não sei se isso na sua religião fala sobre isso. Essa câmera é essa, volta em dois minutos. Vai lá. Pode responder. Então.

O lugar mais carregado do cemitério, realmente você está com a razão, é a Capela das Almas, ou como se diz aí, velário ou cruzeiro. Por quê?

As pessoas ali, elas vão levar... Igual lá onde eu trabalho, no cemitério da Boa Morte, mas lembrando que Boa Morte lá é sobrenome e é um bairro que chama Boa Morte, o cemitério é nesse bairro.

Na Capela das Almas lá, as pessoas, além de sender vela para as almas, que coloca lá as velas para as almas, principalmente na segunda-feira, coloca a vela para as almas, também tem aquele negócio das 13 almas benditas, que as pessoas colocam 13 pães, com 13 copos com água, com 13 velas, que tem aqui no edifício Joelma, aqui em São Paulo.

Então, o desgaste faz milagre e tal. Mas lá também é uma área que as pessoas fazem assentamento, faz arreamento de trabalho, faz assentamento, faz oferendas. Então, sim, realmente é uma parte que é mais carregada, que é mais complicadinha, entendeu? E aquela coisa que você tem que ter aquele...

Cuidado, tem que ter aquele tato para você poder chegar e entrar lá. Você já chega, não sei como você vai fazer a oração, já chega com respeito e sai com respeito. Simples. Tem uma pergunta boa aqui. Eu vi você falando das 13 almas, mas tem uma outra pergunta aqui só para não deixar passar. Ou o Bono Fê ou a Bono Fê pergunta o seguinte. Tem mulher coveira, sepultadora? Não.

Para nós lá não, porque... É o seguinte. Para poder fazer um rebaixamento, uma exumação, em primeiro lugar tem que pegar uma picareta para poder tirar a massa que está em volta das lajas.

Cada light pesa 45 quilos. Como é que ela vai levantar no espaçozinho de 80 centímetros? Não dá, não aguenta. Três metros de altura levantando. Não aguenta não. Não dá conta não. Entrar lá dentro e pegar um corpo inteiro sozinho. Os caras só apoiam na coelha. Você pega ali e desce. Não vai, não vai aguentar. Andar em cima de caipa, não dá não. Não aguenta.

Não é desfazendo das mulheres, é porque a mulher é um ser mais frágil, mais dócil. Então tem vaga para a mulher lá sim no escritório, igual nós temos uma que trabalha lá com a gente. Ela trabalha no escritório, ela escriturada. A não ser que seja uma mulher que realmente... Porque tem uma mulherada que segura, força bastante assim. Por exemplo, eu, sendo homem, sou fraquíssimo.

Eu sendo homem, meu filho, não aguento negócio aí na academia, o máximo que eu levanto é 15 quilos chorando ainda. Mas eu entendi o que você falou, que de repente, pelo fato das mulheres serem mais... Mais frágeis. Não ter tanta força como um homem. A mulher é mais delicada.

Entendeu? Boa. Vitor Fontenelle. Paulo, recentemente, durante um sepultamento de um jovem ligado a uma facção, o sepultamento foi interrompido por membros de uma facção rival e o caixão foi alvejado a tiros. Você já viu isso acontecer lá no CIMIT? Você viu esse vídeo antes de ver essa notícia? Eu vi. A facção foi lá.

E criou o caixão de valente, a pessoa sai correndo, querendo desespero todo e tal. Eu vi isso e achei um absurdo. Pra quem matar? Quem já tá morto? Mas eu acho que... Bom, é uma opinião minha, mas eu queria saber da sua. Mas talvez é um recado à família, né? Porque é a família que fica desesperada, né? É uma coisa do tipo, a gente odeia realmente ele. Ele tá morto, mas a gente vai. Tá, tá, tá, tá. É, pode ser um recado pra família.

Ó, eu lá no cemílio nunca teve um negócio desse, não. Mas, numa cidade próxima, né? Que é Belo Horizonte, que fica só 180 quilômetros. O camarada morreu, né? E... Prepararam o caixão, que é o negócio todo. Os caras foram lá.

E botaram fogo no caixão para não ter velório. Isso eu vi também. Acho que saiu isso na mídia, né? Tem até vídeo do caixão pegando fogo, não é? Foi lá em Belo Horizonte. Tem um caso em Belo Horizonte, em Contagem, entendeu? Em Contagem, no bairro Morada Nova. Eles falaram assim, o pai iria falar assim, não, eu vim cá, vou pagar para vocês. Ela falou assim, não, nós quer ele. E outra.

Não vai ter velório, não. Não vai ter velório. Queimaram o caixão. E o cara, e o pai do moleque, o moleque deu a volta nos malandros, entendeu? E o pai dele era polícia. O pai dele foi lá conversar com os caras, e o cara falou assim, não, agora não quer ele. E assim fizeram. Botaram fogo.

Pelo amor, eu vi um caso assim, mas não sei se é o mesmo. A Priscila Aparecida perguntou o seguinte. Eu ouvi falar que tem muita barata em túmulo. É verdade? Alguma barata já entrou na sua roupa? Que horror! Sim, inclusive tem um vídeo aí que eu soltei. Aquele acho que foi um dos túmulos que mais tinha barata. Um monte, um monte, mas nem muita mesmo. Aí...

Meu irmão tá assim, nossa senhora. Aí as donas que vinha passando assim, ah, como é que eu vou passar aí? Elas começaram a voar. Voadora ainda? Meu Deus do céu. Eu falei assim, como é que eu vou entrar aqui? O Renato, me presta aí a vassoura. Eu fui fazendo assim, nas baratas, saindo. E você dentro do túmulo, né? Meu Deus. Também não tem muita coisa, não tem muito medo de barata. Meu negócio é aranha.

Lá dá muita barata E aranha Mas escorpião não tem Porque é uma cidade muito gelada Então não dá escorpião Tem um monte Tem Leva mal não, mas vai virar comida de

Inseto. Agora, te pergunto, como é que entra lá dentro? Não sei, porque é lacrado. Olha, é verdade. Será que não é cavando? E tatu? Não, tatu peba tem aonde?

É chão. Onde é? No chão, né? A cova mesmo, né? É, que ele vai furar o buraco e vai lá. Lá não tem? Não. Ele vai entrar na parede e vai se... Imagina o tatu... E é tijolo dobrado. Porque do chão para baixo, a parede é inteira dobrada. Não é o tijolo assim. O tijolo é colocado assim, ó.

Entendeu? Não assim. Ele é colocado assim. Entendi. Então não tem como. Estão perguntando aqui, Paulo, como é que foi na época da pandemia? Muitos sepultamentos. Espaço esotérico. Dan, pergunta. Não, não é do espaço esotérico, desculpa. Programa João Paulo. Paulo, como foi pra você trabalhar na época da pandemia?

Como você lidou com o psicológico e com a alta demanda de enterros? Então, na pandemia, o que mudou foi o óbito. Como assim? O óbito. Morreu de quê? Tomou um tiro na cabeça. Com mais 20. Foi atropelado. Com mais 20. Entendeu? Aí, a...

Nunca era o coisa. Tudo era... A pessoa morreu de outra coisa e era... Tudo era aquilo. Não era outra coisa. E outra. O número de mortos continuava o mesmo. A demanda continuou a mesma.

Não teve aumento? Não teve aumento. Teve aumento de encheção de saco. De encheção de saco, você tinha que vestir aquele diacho daquela roupa. Aí você acabava de fazer um sepultamento. Você tinha que tirar aquela roupa coisa toda, aquela roupa branca, aquelas máscaras, aquele monte de luva, a roupa de baixo, lavar tudo. Teve dia que eu lavei seis roupas. Tudo que vocês tinham que vestir?

Essas roupas brancas aí. As roupas brancas e as roupas de baixo, que eu lavava tudo, até a peça íntima, a cueca arrancada tudo, meia com tudo, tudo, tudo, tudo. Tudo. Botar aqui os produtos químicos, lavar e tal, estender aquilo lá. Aí a sorte que estava muito quente nesse dia. Entendeu? Quando eu estava lavando a quinta, a primeira já estava seca.

Você está entendendo? E as roupas tudo, porque lá de trás desse cômodo que nós temos lá, tem varal e tal, então a gente tem tanque, entendeu? Colocando lá, esticando, colocando lá. Pelo amor de Deus, é horrível. Agora, lógico que, em caso de dúvida, eu iria trabalhar totalmente... Paramentado, né? É lógico, porque eu não sou doido, sei lá.

E agora, caixão de Covid abriu uns oito comigo. Eu vou te explicar como. Dentro do túnel, estou pegando, peguei o caixão. Os caras botaram a corrente lá nas alças, assim, né? Que a corrente pega aqui na alça aqui e aqui na outra alça. Do caixão, né? Isso. Aí... E...

A alça do caixão rebentava, o caixão descia de lado, eu ia segurando ali, abria a tapa, aquele vinha segurando o coisinho, aí, em termos de me espremer lá atrás, me matar lá atrás. E aí?

E o caixão abrindo. Isso na época, no sepultamento, né? Isso, de Covid. Porque as funerárias começaram a comprar uns caixões bem ruins, bem sem vergonha. Eu falei com eles, vocês estão ameliorando nisso aí. Aí mandaram o caixão com um buraco no fundo. Eu falei, senhor Fico, que desgrama que é essa? Eu falei com eles. Um buraco no fundo. É, um buraco no fundo. Eu ia fazer o velório. O pessoal não viu, né? Tinha um buraco desde a manhã assim no fundo.

Mas por que estavam fazendo esse caixão tudo velho e feio? Não, é, usando porcaria. E o caixão rebentou lá oito vezes comigo. Sai coisa na cabeça. Eu disse assim, vai dar ruim. E eu mandei recado lá pra uma certa funerária. Eu mandei recado pelo motorista.

E outros funcionários também reclamaram. Nunca aconteceu nenhum acidente na hora de enterrar alguém? De realmente o caixão cair, abrir, o corpo sair? Não, não. Aconteceu de o caixão, ele bota a coisa na alça dele, a alça dele rebentar e você pega lá dentro, ele raspa do lado, que o túnel é assim, né? Então o caixão bate ali, raspa do lado, é abrir, aí você tem que segurar para...

Ele abre a tampa, ele raspa, abre a tampa e você segura assim. Entendeu? Vem trazendo ele e vem descendo. Aí vai descendo uma corrente só de um lado. Ele entortando e você segurando na mão. Você segurou no muque. Dói, viu, menino? Imagina, pelo amor de Deus. Peso do caixão, peso da pessoa. É, deixa eu mostrar. Eu estou de camisa manga longa. Aqui, daqui está tudo raspado.

Raspei na lateral do trunca, o caixão passou e me arrebentou semana passada. Desse abençoado pesadérrimo. Você falou que era baixinho, né? Acho que nesse tempo todo que eu trabalho com agente de prisão perpétua, nunca peguei um cara tão pesado na minha vida. Nunca. Nossa, não tem nem como falar. Nunca peguei um cara tão...

Pesado. Pesado. Que foi baixinho, né? Bia Costa. O Dan, pergunta para ele qual o túmulo mais antigo que o senhor Smith conhece. Tem um túmulo muito antigo que você conhece lá? Então, ali não tem como precisar, sim, o mais antigo. Tem os...

mais antigos. Tem um lá que está escrito lá de 1792. Lembra que eu falei? Sim, sim. Que Barbacena foi levada à vila de 1793. Então, tem uns túmulos assim, tem túmulos de 1800, tem túmulos do Barão, do Marquês, do Visconde, do pessoal dos Bias, o pessoal dos Andrada, do Sortine, o túmulo do Cavalo, que a gente não sabe precisar.

uma data. Então, o túmulo do Miguel, que lá tem Miguel Arcanjo. Eu sou íntimo. Adoro, né? Como túmulo do Miguel. Sou Miguel Arcanjo. Sei. Então, lá tem obras de arte em mármore.

E em ferro, esse São Miguel Arcanjo, ele é feito em ferro, sabe? Uma coisa mais linda. E como ele foi feito em ferro e chove, aquele negócio todo, então deu aquela coisa de ferrugem nele.

Ele fica em cima de um túmulo que é de mármore Carrara. Um bonito, hein? É um túmulo de ovenaria do lado, simples, com aquela tampa de mármore Carrara, com um vaso simples do lado, com aquele arcanjo. Pensa num túmulo lindo. Eu sou apaixonado por aquele túmulo. Lindo.

Bonito ou bonito? Falar assim, você achar tão bonito, como é que pode isso? Pode. Não, pode, eu acho vários. O M. Douglas Real perguntou assim, Dan, pergunta para ele qual foi o objeto mais inusitado que ele já achou em uma exumação. Então, eu...

Tem algumas exumações que ficaram marcadas, mas objetos, sim, não, eu vou dizer uma prótese mais inusitada que eu achei foi de uma mulher, até era minha vizinha. Sua vizinha? Entre aspas.

uma prótese daqui que pega do pescoço até aqui embaixo, um tipo de um negócio de silicone com vários caninhos assim para os lados. Nossa, mas isso interno, né? É, interno. E a coluna dela, a coluna cervical dessa, a espinha dorsal, né? E as costelas do lado...

Esquerdo? Você olhando para cima. Não, não, porque eu estou localizando o túmulo. Eu estou vendo como é que ela está deitada. Ah, você está vendo o túmulo aí na sua cabeça. Meu Deus. Eu estou vendo o túmulo e me moveram como é que ela está deitada. Ela está deitada para cá, do lado esquerdo. Então, cinco costelas dela aqui, estava enfiado um arame, passado o arame no osso, assim, né? Meu Deus. E barrando na costela, assim. Barrando no meio da... O que será isso, hein, que ela usava?

É, fizeram a cirurgia nela, fizeram um buraco no osso, atravessaram o arame, coisou e emarrou assim, ó, na coluna com o osso da costela. E aí, Fih, achou isso na exumação? Achei. Amarrado? É, amarrado assim com arame, arame igual torce com alicate quando torce assim. Então, fizeram isso com ela. Você falando disso, eu sei que não tem nada a ver, mas me lembrou muito de trabalhos que fazem em cemitério com cadáver, que são os vilipêndios, né? Tem uns aí que...

Tem gente que vai em cemitério e tenta desenterrar cadáver. Já teve caso lá assim, não? De alguém que vilha impendiou alguma coisa? Porque, preste atenção, igual eu te falei, em cima de cada falecido vai quatro placas e cada uma placa pesa 45 quilos. Então, 45, 45 dá 90, 9, 9, são 18, são 180 quilos, mas...

a massa de cimento para poder lacrar. Não tem como a pessoa entrar. Até a pessoa chegar no cadáver... Não consegue. Ela tem que ter uma britadeira. É. Entendeu? Ela vai ter que ter uma chibanca boa, aquela picareta que tem uma machadinha na lateral que você bate aquilo lá. Às vezes sai até faísca, ela bate e sai faísca. Ou então você pega um ponteiro bom com uma reta e talha dele.

aí tirando devagarzinho até você levantar a primeira placa. Essa é a sua primeira. Tem quantas? Quatro? Meu Deus do céu, não dá. Por isso que não dá pra ter mulher corveira. Porque é muita força.

A Grace Alves perguntou aqui. Dan, pergunta para o Paulo se é verdade que alguns túmulos explodem. E se for verdade, por que isso acontece? Não. Eu já ouvi corpo. Falam que corpo explode. Corpo explode. Às vezes até no...

No velório, às vezes, está fazendo velório à noite, chama, assim, casos especiais, para a gente fazer o sepultamento à noite. É raro de acontecer, mas já aconteceu. Hoje em dia não, porque hoje em dia fica na... Ah, já teve sepultamento à noite? Já. Hoje em dia não, porque fica na geladeira, né? Então, a pessoa para o velório 10 horas, 11 horas, aí bota na geladeira, aí no outro dia recomeça para poder coisar. Então, não corre mais aquele risco de explodir.

Entendeu? Mas antigamente tinha esse negócio. E o corpo explode por causa de quê? Decomposição. Aí você para de mandar oxigênio e vai fazer o quê?

Aí nós que saímos, abrem assim, nós vamos te comer. Nós vamos te comer. Mas, para as pertenções, se você não levar a vida na flauta, a flauta te leva. A flauta te leva. Muito que bem, senhoras e senhores. Aqui o sepultador Paulo Lima, o cara no LendaCast.

Paulo, querido, prazer em receber você aqui. Obrigado, viu? Muito obrigado por aceitar. Quando eu te convidei, você aceitou na hora o convite. Vamos embora, Daniel. É o que você mandou, porque é assim, é aquele negócio de energia. Bateu, tom.

top, top não teve uma hora que eu falei assim talvez, não sei o que porque eu já sabia que ia ser esse sucesso que bom, e foi um sucesso não só por quantidade das pessoas mas todo mundo aqui amando a live, já deu 3 horas nessa hora de live já deu 3 horas e quanto?

3 horas e 12 de live. Não vou ficar tanto... Porque o papo, se fosse por nós, meu filho, se fosse por nós, a gente ir embora. Eu acho que 3 horas é um tempo bom, tanto para não alcançar o convidado. Está convidado para você voltar novamente aqui, porque acho que tem mais história para contar, muita coisa. E obrigado por vir ao LendaCast, Paulo. Prazer em receber você aqui. Obrigado eu. Obrigado, obrigado, obrigado. E, pessoal...

Como vocês sabem, é um prazer estar aqui com vocês. E agora o Merchan para eu. Não, isso que eu ia falar. Fica à vontade, sua câmera é essa. Suas redes sociais, se você tem canal no YouTube, é agora. Fica à vontade. Então, o nome é o mesmo de todos. Paulo, com acento no A.

2L, Lima, em todos os canais. Aqui no Tic My Stock, no Kawaii, no Insta, no Face, tudo é a mesma coisa. Quem puder falar, junte-se a nós e vamos. E se quiser fazer pergunta no direct também, gente, pode fazer que eu possa até demorar um pouquinho para responder. O Dan sabe que é muita mensagem que a gente recebe. Mas eu sempre respondo.

Então é Paulo Lima, o cara com K, o pessoal te acha lá. É, Paulo com acento no U, 2L. No acento no A, 2L. Então é P, A, acento no A, U, L, L, O.

Aqui, ó. Eu vou colocar também na descrição, mas tá aqui na minha caneca, Paulo Lima, senhor Cimite. Eu vou colocar na descrição. O seu canal aqui é Paulo Lima também? É. Todos é o mesmo, pra poder ficar mais fácil.

Boa, então também vou colocar como colab aqui, tá? Vai ficar os dois canais pra você achar. Às vezes fala assim, nossa, mas não tá. A gente vai, terminando a live, a gente atualiza tudo, tá? Então vai entrar daqui a pouco, volte já, mas já pode seguir o Paulo Lima, o cara, lá no Instagram, que a gente vai postar uma foto juntos agora.

para que você possa seguir e conhecer o trabalho incrível dele, que é um trabalho muito importante para a sociedade. Eu creio que sim, viu? Até antes de entrar ali, não, mas depois que eu entrei lá, eu vejo o quão é importante e o quão você ser maduro o suficiente para poder tratar isso com leveza, porque eu trouxe um novo olhar.

para o cemitério. Entendeu? Não é cemite. Entendeu? Eu trouxe um troço mais leve. Porque é um troço que tem muito tabu. Então, eu quebrei muito disso. Com meus canais, com a minha forma de agir, a minha forma de falar. Não deixando a seriedade de lado, que é um assunto muito sério. Mas tratar com mais leveza. Só uma pergunta, Paulo, mais técnica. Tem...

Curso para ser coveiro? Não tem. É engraçado isso, não tem um curso para ser coveiro. Não, você aprende na prática. Mas aí cada um adapta ao seu jeito. Então, eu como aprendi e fui adaptando a minha forma e fiz um negócio ficar um troço bem bacana.

Fiz pra poder ficar bem bacana. E outra, hoje, quando eu saio do meu trabalho, porque eu faço meu serviço, eu nem olho pra trás. E eu sei que ia estar perfeito, porque fui eu que fiz. Boa! E você falou que é sempre bom pedir permissão pra entrar e pra sair. Você pede todo dia? Todo santo dia!

E se eu sair do... A não ser que eu estou trabalhando ali, não. Lá no combo de material e voltar. Não, não está saindo, mas saindo para começar e terminar tudo. Se eu tiver que sair do cemitério, tem que buscar um negócio na prefeitura. Eu saio, peço licença, vou lá e... Entro de novo, peço licença. Se eu tiver, vou ter que ir lá no mercado. Saio, peço licença, volto de novo, peço licença. Se eu entrar ali umas 50 vezes, eu vou fazer isso. Boa. Falam que o cemitério tem um guardião, né?

Sim, sou Exu Caveira. Ah, Exu Caveira. É o guardião do cemitério. Então, você quer pedir alguma coisa, ele peça, chegou lá, pede a ele, sou Exu Caveira, sou Caveira, sou Caveira, me ajuda. Dona Maria Mulan pede sua tranca, entendeu? Então, tem os guias que trabalham na Calunga.

São os guias de luz, né? É, você pode pedir, entendeu? Se você não quiser falar nome, prepara o povo de cemitério e me ajuda.

Porque estão ali para ajudar, porque os espíritos estão para poder te assessorar. E quanto mais coisas boas eles fizerem, mais luzes vão ganhar e mais melhor posicionados lá em que se visificam. Muito que bem. Então saiba que você pode acompanhar o trabalho do Paulo Lima O Cara, que é o Sr. Simit.

O agente de prisão perpétua. Acertei, né? Mais amado do Brasil. Mais agente de prisão perpétua, mais amado do Brasil. Paulo Lima, o cara. Segue ele nas redes sociais, acompanha. Vamos postar uma foto junto agora. A gente já coloca colab. E aí o pessoal já passa a te seguir lá, beleza? Beleza. E tá convidado pra voltar. Ótimo. Vamos marcar uma aula. Só você marcar. Paulo, vem pra cá. Boa. E eu quero conhecer Barbacena também. Porque tem essa parte do... Fora... Saiba assim.

Quando eu for lá, claro, vou conhecer o cemitério onde você trabalha, mas quero conhecer essa parte dos hospitais Colônia que estão lá. O Hospital Colônia é um. É um só, né? É um só. E tinha uma estação de trem que já passava lá dentro, lá dentro já descarregava. É isso daí. Tem um documentário, inclusive, na Netflix que fala disso. Inclusive, a gente sempre escolhe uma palavra para finalizar a live, para provar que as pessoas chegaram até as três horas no final dessa live.

Mas eu gostei muito do termo que você deu, jardim da igualdade. Você gosta? Para o pessoal comentar, você gosta dessa palavra? Jardim da igualdade, sim. É o jardim da igualdade. Ali não tem história. Não tem ostentação. Não tem, não tem. Pode ser, ah, eu tenho uma Ferrari. Você vai morrer. Eu não tenho. Entendeu? Então, ah, eu sou escritor.

Aí eu sou analfaburro. Analfaburro. Alguém falou aqui, a Thayane Piovesan, faltou falar das 13 almas. Você falou um pouco das 13 almas, né? Que o pessoal vai lá pedir coisas pra elas também. Vão, vão sim, vão. Principalmente na segunda-feira.

as pessoas levam 13 pães, 13 copos com água e 13 velas. Às vezes escreve o nome de uma pessoa 13 vezes e bota lá. Então, tem várias formas que elas interagem. Essas 13 almas são do edifício de Joelma, aqui em São Paulo, que morreram carbonizadas dentro do elevador e tal, aquela coisa. Aqui perto é o cemitério que tem as 13 almas.

Muito que bem, então, Paulo. Obrigado, é um prazer te conhecer de verdade. Bom retorno para a Barbacena. Obrigado, obrigado, obrigado. Quando eu for lá, eu te dou um toque. Ótimo, e quando você quiser que nós voltamos, só você vai dizer Paulo, come on here, please. Come on here, please. Muito que bem, então você comenta aí, Jardim da Igualdade, vai ver cortes nas minhas redes sociais, Dampires Lenda, junto com, do Paulo Lima, o cara.

Vai lá já seguir ele na hora que terminar aqui e comenta aí Jardim da Igualdade. Vamos lá para a câmera geral. Até o próximo LendaCast, o seu podcast de terror e horror. E o Sr. Simit para ouvir antes de dormir. E lembre-se, todo mundo vai morrer, né, Paulo? É, eu, você, ele. Ó, é o seguinte.

Essa é uma coisa que não tem escape. Ah, mas eu sou o doutor Florental, eu não posso morrer. Mas você vai. Você vai. É. Você vai. Essa você não tem escape. Entendeu? Muito que bem. Então comenta aí Jardim da Igualdade, porque você vai pro Jardim da Igualdade. Essa você não tem escape. Ah, mas eu tenho uma Ferrari. Eu tenho não sei quantos funcionários.

Mas você vai morrer. Você vai. Você vai pro Jardim da Igualdade. Você vai. Comenta aí, Jardim da Igualdade. Comenta aí, Jardim da Igualdade. Bom, e volto na quinta-feira com o Felipe Raideris, que é ex-pastor, teólogo e LGBT. Vai contar a história da vida dele aqui com a gente. Vejo vocês depois de amanhã. Tchau, Trevosos. Você vai.