LEGISTA CONTA OS BASTIDORES DE UM IML - Dr. Marcelo Rocha | LendaCast #291
Hoje no LendaCast eu converso com o médico legista Marcelo Rocha. Ele vai contar os bastidores de casos cr1mina1s e como é trabalhar com cadáveres.
- Laudo e parecer médicoDiferença entre IML e necrotério · Exames em vivos e mortos · Autópsia e necrópsia · Patologia clínica vs. medicina legal · A importância da cadeia de custódia · O processo de exumação · Casos de corpos em decomposição avançada · Corpos carbonizados · Diferença entre afogamento em água doce e salgada · Trabalho durante a pandemia de Covid-19 · O que é o sinal de Sommerlasher · Ereção pós-mortem · Casos de asfixia · Casos de Felicídio · Catalepsia e a possibilidade de acordar no necrotério · Espasmos e ruídos pós-mortem · Autópsia minimamente invasiva · O caso Henri Borel · O caso do Bolo de Torres · O caso do tenente coronel e a ex-esposa · O caso Pesseguini · O caso Cristiano Araújo · O caso Marília Mendonça · O caso do policial que beijou o namorado no metrô · O caso do homem que ateou fogo na moto e na mãe · O caso do homem que atacava dentistas · O caso do sequestrador de aplicativo · O caso do rapaz eletrocutado em casa · O caso do menino que levou tiro de chumbinho no olho · O caso do homem que levou tiro no peito · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem que levou tiro no olho · O caso do homem
Olá, trevosos e trevosas, seres das trevas! Aqui é Daniel Pires, em mais um episódio do LendaCast, o seu podcast de terror e horror para ouvir antes de dormir. Mas hoje não é terror e horror, quer dizer, até pode ser, né? Porque...
Essa profissão do meu convidado, que é médico legista e vem de lá de Uberlândia, mas trabalha em Goiás, olha pra você ver como que ele é, e agora está em Santa André, em San Andreas, é uma profissão que talvez possa assustar muita gente, né? Porque ele é médico legista, eu tava até perguntando pra ele aqui na...
nos bastidores. Então você está com a mão na massa realmente no sentido de tocar nos corpos, tocar nos cadáveres, porque ele trabalha, pelo que eu entendi, no IML. Mas eu preciso entender qual é a profissão dele, o que ele faz. E eu fiquei sabendo também que ele é docente, é professor. E eu falei para ele, vou chamar você de doutor. Ele falou, não preciso. Eu falei, não, mas eu faço questão.
De te chamar de doutor, porque esse podcast, esse episódio de hoje é muito esperado, porque, brincadeiras à parte, eu tô querendo gravar com ele há muito tempo, só que as nossas agendas não batem, pois é. Só que agora bateu, ele já viajou e já tá aqui em Santo André, já tá aqui nas terras andreenses do ABC, na terra de Paranapiacaba, aqui no LendaCast pela primeira vez, com vocês, o doutor Marcelo Rocha! Bem-vindo, Marcelo!
Obrigado por vir ao LendaCast, por aceitar. Dan, eu que agradeço o convite, fiquei muito feliz com o convite. É um prazer imenso estar aqui, eu acompanho o seu podcast, vejo todos os seus recortes, vou trabalhar, como você mesmo comentou, eu moro em Minas Gerais, trabalho em Goiás, eu vou trabalhar ouvindo o seu podcast. Olha, um ouvinte participante hoje.
Que honra, obrigado, Marcelo. Gosto muito do seu conteúdo também. Acompanho há um tempo já. Quando você anunciou que viria, Josiane Oliveira, tanato praxista, mandou uma mensagem. Josi, um beijo pra você. Um beijo, Josi. Falou assim, ah, eu adoro o Marcelo. Se eu estivesse aí em São Paulo, eu ia ir pra dar um abraço nele. Se eu estivesse aqui em São Paulo, querida, que a Josi também é outra, uma hora tá na Bahia, outra hora tá em São Paulo, outra hora tá no Rio.
Eu falei, se você estivesse aqui em São Paulo, você não ia vir dar um abraço nele. A gente ia gravar um episódio, nós três juntos. Já pensou que legal? Já vamos organizar isso. Vamos organizar isso, em breve. Fica aí o convite, então. Eu vejo que vocês trocam figurinha nas redes. Sim, sim. Sempre comentando no vídeo do outro e tal. Sim. Também acompanho o conteúdo dela. Tem um carinho imenso. Boa. Obrigado, viu, Marcelo, por vir ao LendaCast.
Fez boa viagem até aqui. Deu tudo certo, graças a Deus. De Uberlândia. Sim, deu tudo certo.
Boa. Você trabalha em... É Catalão, em Goiás? Isso, isso, isso. Eu trouxe antes de... Eu trouxe uma lembrancinha pra você. Cadê? Aqui, ó.
Eu trouxe uma lembrancinha pra você que simboliza Uberlândia. São coisas da nossa cidade. É, posso abrir? Pode, pode. É um café da nossa cidade. Café de Uberlândia. Café de Uberlândia. Não tinha o que fechar. Aí eu usei aí uma etiqueta de identificação de corpos.
Isso aqui é uma etiqueta de identificação de corpo real? É, brincadeiras à parte, mas é uma etiqueta que é utilizada no exterior pra identificar os corpos. Por isso tem esse aramezinho. Nos filmes, aquela que eles colocam ali no dedo da pessoa, que sempre tem ali aquela cena que mostra ali na mão, na extremidade, no pé, com essa etiquetazinha de arame, onde consta o nome, o número do cadáver e as informações do corpo.
Eu não escrevi nela pra você gravar. Agora, Sara, ó. Ganhei uma minha pra mim. Vou escrever meu nome aqui. Deixa eu até mostrar essa aqui antes de eu mostrar. Então, o arame também faz parte, né, Marcelo? Faz, porque você envolve o membro da pessoa e deixa ele grudado.
Dá pra mostrar, vamos ver aqui no detalhe. No detalhe aqui, dá pra ver. E é em inglês. Evidence. Aí tem os dados da pessoa ali. Description. Removed from. É o quê? Removido de?
De onde pegaram o corpo. Isso aí é... Uma coisa importante nas evidências e nos corpos é o respeito da cadeia de custódia. Então, aonde foi pego o corpo e responsabilidade de quem e aonde que ele está. Dá pra mostrar aqui, Sarah, de novo? Olha lá. Deixa eu tentar acertar. Tá. Aí.
Obrigado. Isso aqui já é um presente pra mim. Sim, eu imaginei que você ia gostar. Isso aqui já é um presente. Amei. Vamos ver aqui. Pode abrir? Vamos abrir. Pode. Aí tem um café. A balinha da nossa cidade. A balinha da cidade. Ela é muito gostosa. Muito. Da Toffee Bottom. Isso. É a balinha de caramelo. O que mais aqui que tem? Um cappuccino. Do café cajuba, que é da nossa cidade. Maravilhoso. Deixa eu ver aqui. Café. O cafezinho também. Café cajuba.
Fazendo propaganda das marcas. Pois é. Vamos anunciar a nós aí. O que é isso aqui? Ah, o Guaraná Mineiro é muito a cara de Uberlândia. Guaraná Mineiro. Olha que bonitinho. Como era o nome desse aqui? Era Pitulinha? Como é que era? Ah, tinha o Pitulinha também. É o Pitulinha, não era? Guaraná Mineiro. Olha que incrível. Dá para ver aqui. Amei. O que mais tem aqui? Deixa eu ver.
E o outro Caputino Brassaro também. E o outro Caputino também. Amei. Obrigado, Marcelo. Obrigado. Amo Minas Gerais. Já fui pra... Eu não fui pra Berlândia ainda. Preciso ir. O Berlândia. Tô puxando o R. Eu já fui pra Varginha. Já fui pra São Tomé. Já foi pra São Tomé, não.
Não conheço o São Tomé ainda. Vai conhecer, maravilhoso. E tem também aqui um livro, eu não tinha nada pra embrulhar, e eu coloquei aqui uma fita de cena de crime. Igual essa que tá aí atrás, ó. Isso. Esse livro é o quê? Esse é um livro de fotografias forenses de um colega que é médico legista. Ah, então eu não posso mostrar. E tem uma... Não, algumas fotos aí são bem fortes, mas mostram um pouco da nossa rotina.
Deixa eu ver. Ah, ficou bem bonitinho. Ficou legal, né? Ficou bem bonitinho. Isso aqui já vai ficar pra cenário, Sarah. Boa ideia, excelente. Vai ficar pra cenário, deixa eu ver aqui. E aí, é um livro, o que você falou? É um livro de fotografias forenses. Esse colega é médico legista.
E tem esse livro mostrando técnicas de fotografia, porque fotografar o corpo também faz parte do nosso trabalho. É uma técnica, né? Isso. Manual Prático de Fotografia Forense, com casos comentados, autor Murilo Sérgio Valente Aguiar. Aqui, dá para ver? Mostrando detalhinho aqui.
Obrigado, Marcelo. Amei. Amei, amei, amei. Vou colocar aqui junto com os meus livros para eu ler depois. E você é médico legista, então. Você é médico legista, né? Ah, sim. Deixa eu me apresentar. Eu sou médico legista, docente, professor de medicina legal em uma universidade federal e também sou patologista. Essas são as minhas duas especialidades, medicina legal e patologia.
E qual que é a diferença? O médico legista, primeiro, ele faz o que na profissão em si?
Cabe ao médico legista fazer perícia no corpo. Quando eu falo perícia no corpo, pode ser uma autópsia. Eu uso muito a expressão, o termo autópsia mesmo. Sempre que eu falo nos meus vídeos autópsia, alguém aparece lá e fala assim, ah, o certo não é autópsia, o certo é necrópsia. Mas autópsia e necrópsia são sinônimos. Geralmente as pessoas falam que autópsia significa auto é você mesmo, então autópsia seria examinar você mesmo.
Não, já vi algumas pessoas falando isso. De fato, auto significa você mesmo. Mas autopsiar não significa examinar a si próprio. Significa examinar o corpo e falar o que aconteceu por você mesmo. E autopsia é justamente isso. Abrir o corpo e descobrir, olhar e falar o que tirou a vida da pessoa.
Então, cabe ao médico legista fazer essa avaliação. Autópsias. O médico legista também faz exames em vivos. Inclusive, no meu trabalho, eu faço muito mais exames em vivos do que em mortos. Eu faço exames de lesão corporal em pessoas que vão fazer o famoso exame de corpo de delito. Também faço exames em pessoas que sofreram violência física e violência sexual também. Os exames que a gente chama de exame de sexologia forense. Vítimas de violência e abuso sexual.
Por isso que falam nas reportagens que fulano, por exemplo, teve uma briga na rua, apanhou, uma pessoa foi vítima de violência sexual, já passou pelo ML. Então é no ML que também faz na pessoa viva esses exames.
Sim. Quando um crime deixa vestígios, por exemplo, quando a violência física deixa uma marca, esse vestígio precisa ser periciado. E ele é periciado no Instituto de Medicina Legal. Justamente porque com o tempo a marca vai desaparecer. Mas aquilo que o médico legista viu e escreveu no papel dura pra sempre. Por isso que esses fatos precisam ser periciados. Precisam ser avaliados. Avaliados, examinados. É você que faz, é o médico legista. Isso, cabe ao médico legista fazer isso.
É, porque eu sempre via nos casos dos... Em reportagens e tudo, né? A pessoa fala... Eu sempre liguei o IML aos mortos, né? Então, ah, o corpo já está no IML. Sempre vai pro IML quando é morte... Uma morte suspeita, não? Ah, importante isso.
O IML é um órgão policial, é uma instituição policial. Então todos os corpos que eu recebo são de pessoas que perderam a vida de forma violenta ou suspeita, que precisa ser investigada pela polícia. Então pessoas que foram vítimas de homicídio, ou elas tiraram a própria vida, ou um acidente.
Toda forma que a pessoa perdeu a vida de forma a ser investigada pela polícia vai para o IML. Eu também sou patologista. O patologista também faz autópsias, mas autópsias clínicas de pessoas que perderam a vida de forma natural por doenças, investigando doenças. Então, as pessoas que perderam a vida de forma natural geralmente vão para outro instituto, outro órgão chamado SVO, que é o Serviço de Verificação de Óbitos. E pessoas que perderam a vida de forma violenta vão para o IML, Instituto Médico Legal.
Instituto Médico Legal. E o seu, que você trabalha, é em Catalão Goiás, né? Isso. Caramba, que barato. Eu não sabia que também avaliavam, assim, eu imaginava que também tinha essa questão com as pessoas vivas também. E aí, pessoas vivas, igual você disse, então, pessoa que sofreu, por exemplo, teve uma briga na rua, alguma coisa, a pessoa vai lá, ah, eu vou prestar, vou abrir um BO e tal, e aí essa pessoa é levada para o ML também para fazer uma perícia ali nela.
Isso. Justamente porque às vezes aquela lesão pode desaparecer. Em questão de dias, aquele machucado que a pessoa teve vai cicatrizar. E se o médico legista ver, escrever, fazer um laudo, ver no papel ou fotografar, aquilo lá dura pra eternidade. E aí também ela vai usar isso no processo. Exatamente. Ela vai mover contra a pessoa que é agredido. Isso, a investigação policial. Exatamente.
Boa. A gente tem diferença do necrotério e IML, não? O necrotério, na verdade, é onde estão os corpos. O Instituto de Medicina Legal, IML, ele é composto por várias coisas, inclusive pelo necrotério, onde fica o corpo e onde é feita a necrópsia. E como você começou nisso, nessa profissão? Você é policial, é isso? Isso, isso é muito importante, porque o médico legista também é policial. Eu sou médico, me formei lá em 2014.
E uma das primeiras coisas que eu fiz foi prestar o concurso da polícia científica para o cargo de médico legista. Na época da faculdade, eu tive um contato muito bom com a medicina legal. Tive bons professores que me incentivaram a conhecer e entender essa especialidade.
Eu, na época de faculdade, eu ficava estudando, às vezes até a tarde da noite, no hospital. E o melhor lugar pra você estudar em um hospital é a sala de aula mais perto da necrópsia, porque geralmente ninguém vai te incomodar lá. Então, às vezes eu ia pra lá, à tarde da noite, ficava lá o dia todo, a noite toda estudando.
na maior tranquilidade do mundo. Nessas minhas idas lá para a sala da necrópsia, onde eu ficava estudando, na sala de aula próxima da necrópsia, onde eu ficava estudando, eu tinha contato, via quem estava dando plantão, quem era o auxiliar, às vezes eu descia, conversava. Lá eu via a minha primeira necrópsia acontecendo na minha frente, achei isso muito interessante. O professor de medicina legal também dava plantão nesse horário, ele sempre conversava comigo.
me via lá estudando, então sempre me dava dicas de estudo, eu me saía muito bem na disciplina graças às dicas de estudo dele. Então, durante toda a faculdade, eu acho que eu tive um direcionamento para essa especialidade. Tanto que, assim que eu me formei, estava tendo concurso da Polícia Técnico-Científica, eu acho que teve de São Paulo.
de Minas, de Goiás, e eu fiz vários. Fiz vários concursos, e quando eu passei, eu falei, eu vou ficar aqui. Minha família é de Uberlândia, tinha me formado lá em Uberlândia.
E passei, fiz escola de polícia, justamente como eu disse, o cargo de médico legista é um cargo policial também, então eu fiz escola de polícia na capital, e depois comecei a trabalhar. Então, como eu cheguei na medicina legal, hoje eu olho para trás e vejo que teve todo um direcionamento e vários fatos da minha vida confluíram para isso, desde a época da faculdade. E hoje trabalho, sou médico legista há pelo menos uns 10 anos, e sou muito satisfeito, sou muito feliz com a profissão que eu escolhi.
Então a formação é medicina. Isso, eu sou médico. A medicina legal é uma das 55 especialidades da medicina. Porque, quanto tempo de faculdade de medicina? Seis anos? Seis anos. Seis anos de faculdade. Eu fiz quatro, já fiz chorando. Rádio e TV. Claro, não tem nem comparação, né? Antigamente a gente falava, né? Na minha família não tem isso. Sua família tem médicos? Não. Não tem? Você é o primeiro médico?
Então, isso é um grande desafio para o médico recém-formado quando ele não tem nenhum padrinho médico na família. É? Por quê? Porque acho que é mais difícil você conseguir bons plantões, bons trabalhos. Quando o médico se forma e ele já tem ali um parente na área... Atuando lá. Exatamente, ele abre os caminhos. Eu fui o primeiro médico da minha família. Você jura? Aham.
Porque eu sempre ouvia isso, né? Desde sempre eu ouvi, né? Quais são as profissões de prestígio? Claro que hoje em dia isso não tem mais. Mas é, medicina, acho que tá no top. Advocacia, né? Que é, tipo, você é advogado, vai ser um juiz, que é direito, né? Era medicina, direito e tinha mais uma. Que todo mundo falava assim, você tem que ser...
Ah, eu tenho um médico na família. Não, mas na família tem um advogado. Tem mais uma, Sara, que a hora que eu esqueci. Rádio e TV, brincadeira, não é não. É outra, eu lembro que era uma tríade, assim. Só que medicina eram as faculdades mais de prestígio no passado, né? Falava, ó, meu filho vai ser médico, é doutor. E tu teve isso na sua família?
Teve, olha, quando eu passei na faculdade, eu tinha feito cursinho. Então eu fiquei alguns anos no cursinho. Depois que eu terminei o ensino médio, eu fiquei três anos no cursinho pré-vestibular porque eu queria entrar na Federal de Berlândia. Foi onde eu passei e onde eu estudei. Disciplinado. Então, exatamente, eu realmente estudei bastante. E isso foi motivo de muito orgulho para a minha família. Eu lembro que os meus pais ficaram muito felizes quando eu passei. Então, de fato, teve isso.
Aqui, o pessoal falou engenheiro, era a terceira. É verdade. Então, era uma tria de profissões assim. Meu pai queria que eu fosse engenheiro mecatrônico. Eu falei, vou ser youtuber.
Aí ele falou, ficou triste. Então você fez seis anos de faculdade e depois tem a residência que conta também, como é que é? Eu fiz residência, mas eu fiz residência em patologia, que é a minha outra especialidade. Pra Medicina Legal, eu passei no concurso. O pré-requisito pro concurso pra ser médico legista, no estado onde eu atuo, era ser médico apenas. Médico
E na época eu estava recém-formado, passei, eu fiz o curso de formação e o curso preparatório para médico legista pela instituição. Ah, pela polícia. Isso, e muitos anos depois eu fiz a prova da Associação Brasileira de Medicina Legal e Perícias Médicas, que é uma prova que a gente faz extremamente difícil para entrar na Associação Brasileira de Medicina Legal e Perícias Médicas. Então eu sou especialista pela ABMLPM.
Por ter feito a prova alguns anos depois. Mas a residência mesmo eu fiz em patologia. O que é a patologia? A patologia é aquele médico que faz a análise da biópsia. Sabe quando você tira um pedacinho de pele e manda pra biópsia e o médico fica no microscópio olhando? Esse é o patologista. Ou então quando você faz endoscopia e tira um pólipo e manda pro laboratório, quem vai olhar ali é o patologista. É a minha outra especialidade.
Então você também pode atuar nessa área. Eu atuo, eu também atuo nessa área. Que barato, né? Pra mim, assim, Marcelo, é claro, a gente se aproxima porque nós dois produzimos conteúdo pra internet, né? Mas pra mim é uma área completamente fora da realidade, a medicina. Pra mim, eu acho que se eu tivesse um médico na família, eu ia ficar pedindo atestado toda brincadeira. Eu ia ficar, eu não tenho nenhum médico na minha família, nenhuma médica, né?
Tem dentista, mas assim, na área da medicina, que é a faculdade de fazer seis anos, depois tem que fazer residência e não sei o que, não tem na minha família. É muito distante. Para mim, o meu contato com o médico é no consultório do convênio, enfim. Ou do SUS, muito tempo eu passei pelo SUS. Então, é curioso ver essa área, né? Acho que eu nunca... Acho que eu não... Acho que não. É a primeira vez que eu estou entrevistando um médico.
aqui no LendaCast. E aí na polícia você faz um curso e como é que foi esse curso? Tenho curiosidade. Eu fiz escola de polícia. Teve que jogar na lama? Não, a escola de polícia não. Andar e fazer igual soldadinho assim. Eu não sei nada. Também outra coisa que eu não sei nada. Eu morria de medo de ir para o tiro, por exemplo.
Então assim, não sei se tem a ver tiro, polícia com exército, mas tudo que é, por exemplo, imagina eu de polícia, imagina. Quando eu falo que alguém é polícia, pra mim, é outra área completamente fora. Como é que era esse curso?
Eu fiz a escola de polícia naquela época lá em 2014. Hoje o treinamento está diferente, está até mais longo. Na minha época foi longo, mas você entende a instituição, aprende as regras da instituição.
Porque você está entrando em uma instituição policial. E até então você era uma pessoa, é um civil que não tem... E você passa a ter porte e posse de arma. Então você tem que ter muita responsabilidade, entender onde você está entrando e todas as regras da instituição. Mas é um curso... Desculpa te cortar. É curso teórico e prático também. É teórico e prático. Isso. Tem várias matérias, várias disciplinas, vários docentes que são policiais também.
E depois eu cheguei a ministrar escola de polícia para outras categorias. Teve um curso de formação dos delegados do estado que eu fiz. E eu dei aula de medicina legal. E foi muito interessante. Também já fiz escola de polícia da polícia militar. Que eu ministrei também conhecimento de medicina legal para eles. E foi muito bom. Geralmente as escolas de polícia tem muita coisa teórica. Esse pessoal estuda muito, muito, muito, muito. E é muito bom.
E é o que? É ignorância minha, tá? Não sei nada. É o que? É polícia militar? É polícia o que? Ah, são as instituições irmãs, né? Polícia civil, polícia militar. Eu faço parte da polícia técnico-científica. Tá. A perícia criminal e a medicina legal estão dentro da polícia técnico-científica em alguns estados e dentro da polícia civil em outros estados. Existe essa separação em alguns lugares. Então, os departamentos, a gente pode viver assim, né? Isso, isso. Eu fui visitar um nicrotério em Curitiba, que...
Foi o microtério mais antigo de Curitiba, que foi desativado em 2018. Acho que abriu em 73 e ficou até 2018 em funcionamento. E aí lá quem me apresentou foi a Fabiola, inclusive estou falando com ela de novo, para voltar para lá mostrar o microtério. Hoje ele está desativado e tal, mas mostrar como é que é um microtério de verdade. Eu já mostrei num vídeo curto, mas eu quero gravar um vídeo longo.
E aí ela falou também que é da Polícia Técnico-Científica, né? Que é a Polícia Científica, né? Eu acho que é a maneira que se fala, né? E aí foi a primeira vez que eu tive contato com essa área, assim. Então, quer dizer, é policial, mas é um departamento diferente. Então, por exemplo, você não vai pra rua, você vai trabalhar dentro ali da...
Exatamente. Embora tenha porte de arma. Isso. Cada instituição tem as suas atribuições. A polícia científica, ela está na parte técnica e pericial. Tanto que dentro ali da polícia técnico-científica a gente tem um perito criminal que vai no local do crime, que avalia a cena do crime, que fotografa a cena do crime, também olha o corpo, faz o que a gente chama de perinecroscopia, ele está olhando ali em volta do corpo.
A gente tem um médico legista, que fica no necrotério e recebe o corpo para fazer autópsia. Tem também o auxiliar de necropsia. Tem vários cargos dentro da polícia científica. Porque a Fimi falou, agora eu lembrei da Thelma Rocha, que eu acho que ela é fotógrafa forense. Ela vai para o local de crime. Então o corpo está lá. O crime acabou de acontecer, aconteceu algumas horas, ela vai. Você não vai até o local do crime. Você fica no...
Eu fico no necrotério. No necrotério. Algumas vezes, raras vezes, eu tive que ir até o local do crime. Ah, mas você já foi? Já, já. Ah, é? Já. Em algumas situações, geralmente é quando solicitam, quando surge a necessidade de você ir. Tá. Lembro de uma situação em que eu acompanhei o perito criminal, porque seria ali um local com relato de óbito.
De morte de um nenenzinho. E eles queriam ver se tinha alguma coisa, algum equipamento, alguma medicação que pudesse ter induzido a isso. Existia suspeita às vezes de aborto. Então pediram para eu ir para poder dar uma olhada nisso.
Mas geralmente eu não vou. E me lembro de uma outra situação também, de um corpo que estava em uma casa, e surgiu a dúvida se aquele corpo seria do IML mesmo, ou do Serviço de Verificação de Óbitos. Por que essa dúvida? A dúvida era, será que foi uma morte violenta, ou será que foi uma morte natural?
E antes da delegacia encaminhar para o IML, eu fui lá com o auxiliar e o perito criminal, a gente conversou e viu ali que não tinha como aquela morte ter sido por causa externa, provavelmente era morte natural, então a delegacia nem solicitou que o corpo fosse para o IML, sim para o SVO.
Então nesse caso, você teve que ir lá exatamente para dar o seu aval, falar que a gente tem uma morte natural. Isso aqui não é... Exatamente. A gente viu que aquilo lá não era caso de IML, não era caso de investigação policial. Não tinha necessidade da polícia investigar. Era um caso de morte natural. Então geralmente você fica no necrotério, mas já foi também para... Isso, ocasionalmente. Eu conto ali na mão as vezes que eu tive que sair do necrotério para poder esclarecer alguma coisa ou avaliar alguma coisa.
Você falou que você estudava do lado de uma sala de necrópsia na faculdade, né? Isso, isso. E você falou que foi ali que você viu a sua primeira necrópsia, na época que estava estudando. Como é que foi quando você viu? Porque geralmente eu vejo relatos de gente que...
que vomita, que chora, que sai da sala. Como é que foi? Tem isso? Tem, sim. Eu lembro que eu senti um estranhamento.
Eu nunca tinha visto um corpo naquela situação, naquele cenário. Eu me lembro que um dia eu estava indo para a sala, eu ia subir, já estava ali no final da tarde, na verdade, e eu vi que estava acontecendo uma necrópsia. Quando eu cheguei, então, a necrópsia já tinha começado. E eu lembro de ver ali aquela cena com muita nitidez, o médico legista, junto com alguns alunos, atrás dele.
E eles já tinham começado a necrópsia pela abertura da cavidade, da caixa craniana. Então eles tinham feito ali uma incisão na cabeça do corpo, retirado a parte de cima do crânio e estavam todos eles olhando por dentro da caixa craniana para ver o que era. E eu me lembro que, por curiosidade, acadêmico também, me aproximei para ver o que...
o que tinha tirado a vida daquela pessoa. Eu acho que eles estavam vendo uma fratura de ossos da base do crânio. Eu acho que, de fato, a melhor forma de você avaliar isso é você tirando a calota craniana, tirando o cérebro e olhando diretamente o crânio por dentro. E falando de maneiras técnicas, eu aqui remoendo, porque é uma coisa que me pega.
ver corpo, ver essas coisas assim. Mas pode falar, por favor. Eu preciso me policiar para não usar algum termo que talvez as pessoas não entendam. É, não, mas eu estou entendendo tudo. A caixa craniana já ia perguntar. É a cabeça. Não estou entendendo. Isso, eu preciso me policiar. Justamente por causa da criação de conteúdo, eu faço o possível para poder usar sempre uma linguagem acessível para o pessoal entender.
E pode ficar despreocupado, porque eu sou leiguíssimo nessa área. Então eu vou te perguntar também, porque eu tenho muitas curiosidades. Então eles tiraram a caixa craniana, abriram a cabeça do cadáver para olhar porque tinha morrido e você chegou nesse momento. Isso. E eu vi que eles estavam ali olhando. E lembro que eu senti um estranhamento de ver um corpo nessa forma. Até então, como um estudante de medicina, eu estava acostumado a ver as pessoas.
na vitalidade, não naquelas circunstâncias. Foi a primeira vez que eu vi um corpo naquela mesa de aço, de inox de um necrotério. Essa imagem tanto me impressionou que eu lembro até hoje com nitidez daquele dia. Subi para estudar e continuei estudando. Lembro também do cheiro da necropsia, que é um cheiro...
muito característico. O necrotério tem um cheiro específico e o momento da necrópsia também tem um cheiro muito específico. Aquele cheiro depois, quando eu senti novamente já trabalhando, me remete àquele dia. Qualquer lugar que eu entro que seja um necrotério, eu percebo esse cheiro muito específico. E as necrópsias também tem um cheiro muito específico.
Dá pra sentir daqui. Chocolate ao leite, recheio cremoso e aquela combinação de textura que dá vontade de repetir. Garotos Recheados é a novidade que junta tudo isso em um tablet. Mais recheio, mais experiência, mais hum. Faz de Garotos Recheados e deixe seu São João ainda mais gostoso.
E era homem ou mulher? Era um homem. Era um homem. E esses corpos, eles vão para a faculdade, são corpos de quem? De pessoas que doam? Ah, não. Nesse local, o IML funciona dentro ali da faculdade. Em Uberlândia... O IML mesmo funciona dentro do necrotério da Universidade Federal de Uberlândia. São os casos reais que os alunos veem.
São, são. Os alunos têm acesso a casos reais, mas sempre respeitando a cadeia de custódia da Polícia Civil de Minas Gerais. Tem essa preocupação de respeitar a cadeia de custódia, ou seja, aqueles corpos ali estão sobre responsabilidade da Polícia Civil. Então, naquela época, por coincidência, o médico legista que era policial também era meu professor.
Então sim, nesse local em específico, os alunos têm acesso ao IML. E os corpos que vão para lá são corpos que, como eu disse, estão sendo investigados pela Polícia Civil. Aí você comentou outra coisa, corpos que vão para a faculdade são corpos doados?
Na verdade, é outra situação. Antigamente tinha essa história de que o corpo de indigente vai ser doado para estudo. Eu ouvi muito isso. Já ouvi muito isso também. Tinha até a história, além do Urbana, de que um aluno de medicina reconheceu um parente lá na sala de anatomia. Essa eu não ouvi. Falavam isso lá onde eu estudei. Onde eu estudei tinha a história de que uma aluna, durante a aula de anatomia, ela olhou para aquele cadáver e falou assim, esse cadáver é do meu pai que estava desaparecido.
É lenda urbana. É lenda urbana, porque eu já ouvi isso em vários lugares. Várias pessoas falando isso, que a pessoa reconheceu porque as faculdades recebiam corpos de indigentes. Não sei como que era no passado, se talvez até pudesse acontecer, mas hoje, para o corpo ser doado, ir para uma universidade, existe todo um trâmite legal e burocrático. Inclusive, a pessoa teria que aceitar em vida e fazer a doação do próprio corpo. Eu já pensei em doar o meu corpo para estudo.
Não sei se vão querer, né, Sarah? Mas eu já pensei. E dá pra fazer isso? Você falar, ó, quando eu morrer, meu corpo pode ir pra estudo. Tem um caso muito interessante. Aqui em São Paulo, quando eu fui conhecer o necrotério da USP, eles me contaram que tem ali um corpo preservado que é de um médico legista que doou o corpo dele pra estudo pros alunos. Olha!
Aí me mostraram o local onde estava, o corpo fica preservado no formol, fica formalizado. O formol, ele muda um pouco o aspecto da pele, do tecido, mas ele deixa preservado, ele evita a decomposição. Então dizem que o corpo dele estava lá direitinho e fica lá preservado para isso tudo. Mas você não viu.
Não, não cheguei a ver. Eu vi o local fechado, trancado. Aí apontaram e me mostraram. Olha, o corpo do doutor Flan de tal está aqui. Ele era legista. Era legista. E docente e professor da USP. Está vendo? Foi a história que me contaram. Para a ciência, né? Entrega para... Porque... E fica a te perguntar, né? No que eles são preparados? Preparados assim, no que eles são mantidos? É informal, então.
Não só o corpo, mas as vísceras também na patologia que a gente recebe para a biópsia. Aquele pedacinho da pele, o pedacinho do pólipo que a gente vai ver na patologia, tem que estar no formol, porque o formol impede a decomposição. O formol é um fixador, ele preserva, é um preservador.
Mas ele não altera? Por exemplo, se você vai receber um pedacinho de uma biópsia pra saber, sei lá, se uma pessoa tá com uma doença, e aí vai colocar no formol, não altera? Não, tem que estar, o ideal é que esteja mesmo no formol, até pra diminuir risco biológico. O formol, ele inativa bactérias. Ah, olha aí.
Então ele evita a decomposição. Se não tem bactéria agindo, a bactéria não vai decompor aquela víscara, aquele pedacinho. E eles fazem isso com o corpo nas faculdades de medicina, na disciplina de anatomia. Deixa tudo no formal pra não entrar em decomposição. E é uma preparação longa, né? Porque eu imagino que não é...
Você tem que preparar no formal todos os órgãos internos, não é? Não, de forma alguma. Para preservar para as faculdades, onde a gente vê, é só mergulhar lá no formal, ele vai penetrando no tecido um centímetro por não sei quantas horas. Gente, eu ia falar agora, não é só mergulhar no formal. Então é. É literalmente mergulhar o corpo no formal. Sim.
geralmente essas faculdades tem ali uma banheira de formal que mergulha lá o cadáver, aí depois na hora de tirar, por isso tem que ficar fechado, porque o formal ele ele é volátil, o cheiro é muito forte imagino, então fica lá tampado, fechado aí eles mergulham lá o corpo e tira
Mas e fica quanto tempo lá, mais ou menos? Olha, o corpo que já está fixado permanece no formal. Ele tem que ficar lá, continuar no formal. Ah, ele fica lá dentro mergulhado? Isso, ele fica lá mergulhado. Tô passado. Eu não sabia disso na faculdade. Então, quer dizer, mergulhou, deixa ele mergulhado pra ele ficar... Sim, vai ficar lá ad eterno, pra sempre. Vai ficar lá mergulhado no formal, preservado.
Por isso que tem aquele ditado que fala esse daí está preservado no formol, porque a pessoa não... Aquele ditado que fala de quem não envelhece, de quem está sempre bonito. Isso nos corpos, então, é real. Eles ficam dentro... São o quê? Galões? É o quê? É uma caixa? Nas disciplinas de anatomia, pelo menos onde eu estudei, ficava ali uma banheira imensa de formol. A gente tinha três ou quatro corpos.
Ficavam lá todos os corpos mergulhados. Aí os técnicos, na hora da disciplina, eles tiravam, levantavam o corpo e levavam pra sala de aula. Ah, então, é um negócio, cara. Você tá contando aqui, eu tô imaginando a cena, eles mergulhados. E como que é essa retirada? Você pega o corpo, tem que ter luva, como é que é?
Tem que ter todo o equipamento de proteção, porque o formol, como eu disse, ele é muito volátil, ele é muito irritante. E já tem aí estudo mostrando que o formol também é carcinogênico. Então, pessoas que trabalham com isso têm que tomar muito cuidado com o formol, porque ele pode induzir ao câncer. Esse termo carcinogênico significa isso, induzir ao câncer. Então, tem que ter máscara, você não pode ficar mexendo sem máscara, tem que ter luva, tem que ter todo o cuidado possível.
Eu imagino. Fora também, né? Tá pegando no corpo ali, que tá repleto no formal. Gente, eu jurava que tinha que fazer todo um trabalho de abrir o corpo, passar formal em tudo. Então, mergulhou ele já fica, já penetra. Talvez você esteja com esse pensamento, justamente porque é muito...
análogo ali é parecido, com o que você já conversou com o preparo do corpo pra ser velado na tanatopraxia. Que eles fazem, de fato, o preparo do corpo, eles injetam fluido, eles pegam ali um acesso, injetam fluido. Então, realmente, é diferente. Ali também é pra preparar o corpo pra poder preservar ou pelo menos diminuir, não preservar, mas pelo menos diminuir a decomposição ou atrasar a decomposição daquele corpo e conseguir velar.
Então esses corpos lá de onde você estudou, eles eram todos de casos reais. Então não tinha gente que doou o corpo, é tudo de casos criminais que aconteceram. São casos criminais ou a pessoa pode ter morrido de uma maneira... Na disciplina de anatomia, os corpos que estão lá na disciplina de anatomia são corpos que seguem todo um trâmite legal para poder chegar lá para os alunos. Então são corpos que têm ali toda a explicação de por que estar ali.
variado da maneira que morreu. Isso, o corpo que passa ali pra ser investigado pelo IML, depois a família vai receber o corpo, velar e enterrar. Entendi. Então, por exemplo, esse que você viu lá, o primeiro, que era um homem que tava com a caixa crânia aberta, os estudantes estavam ali junto com o professor, eles estavam analisando, depois ele ia ser preparado, velado e foi enterrado. Exatamente. Naquele momento que tem alguma coisa sendo investigada, quando uma pessoa é vítima de um crime, esse crime precisa ser investigado.
E o vestígio ali daquele crime pode estar no corpo, então o corpo vai passar pelo ML, onde o médico legista vai avaliar, pegar ali alguma coisa. Quando, por exemplo, é tiro, o médico legista vai pegar o fragmento da bala, separar.
E depois libera o corpo para a família. Não tem porquê ficar ali retendo, segurando o corpo. Caso precise, surja nova hipótese, nova investigação, aí poderia ser feito daqui a algum tempo uma exumação. Mas realmente não é o que a gente vê. Fez a necrópsia, já fez ali o laudo, fecha o corpo direitinho, entrega para a família, para a família vê lá e enterrar. E não tem corpos que ficam lá bastante tempo, igual desse professor?
Nesse caso, foi um corpo que foi doado. E aí fica lá? Ele ficou lá. Gente, passado. Eu falei que na minha família tem dentista. Meu primo que foi... Que se formou. Ele falou que... Ele teve contato também com cadáver, com peças. É verdade que tem lugares que eles estão cortados? Que você analisa só uma peça? Como é que é?
Tem isso. Na disciplina de anatomia, tem anatomia, por exemplo, do trato gastrointestinal. Então, nesse dia de estudar a anatomia dos órgãos das vísceras gastrointestinal, vai ter estômago, vai ter intestino, vai ter pedacinho de esôfago.
Quando o pessoal está estudando anatomia geniturinário, aí tem lá os órgãos desse sistema. Então, geralmente, os cursos de anatomia, eles separam ali por órgãos, sim. Realmente existe isso. Que são separados, né? É tudo separado. Não é um corpo inteiro. Isso. O meu professor, quando eu... Nossa, isso há muitos anos. Eu lembro de ficar até tarde da noite estudando numa sala.
que tinha uma bacia informal de corações que o professor mostrava na sala de aula. Passar, né? Então, eram muitos corações com muitas alterações. Tinha lá coração com hipertrofia, que é o aumento do ventrículo esquerdo. Tinha coração com outra malformação. Tinha coração com malformação congênita.
Então eu ficava lá às vezes mexendo, vendo as coisas, e quando ele ia mostrar na sala de aula, eu já sabia várias coisas, já tinha visto várias coisas. Já gabaritava os corações. E já falava o que poderia ser. Então, sim, geralmente nessas instituições, nesses institutos, nesse ambiente acadêmico, tem muito disso, sim. Uma boa universidade oferece, sim, muitas peças anatômicas para os alunos.
É, igual te falei, pra mim é tudo muito novo. Você se formou em que ano? Em 2014. 2014. É, não é tão, assim, longe. Eu me formei em 2009. Esses dias eu tava fazendo as contas, vai fazer 20 anos, daqui a pouco eu me formei. Tô ficando velho. Você se formou em 2014. E aí, quando que você entra pra, efetivamente, pra trabalhar nessa área que você tá hoje?
Eu me formei em 2014. O edital, eu lembro que o edital saiu mais ou menos nessa época. Fiz a prova, passei.
Mas até me chamarem, eu comecei a trabalhar na prefeitura da Juberlândia. Eu era médico da família e comunidade. Aquele médico que vai na casa das pessoas, eu trabalhava num postinho de saúde. Então eu devo ter ficado ali mais ou menos um ano, talvez até dois anos, trabalhando no SUS, na atenção básica. Aí quando me chamaram para o concurso, eu pedi demissão da prefeitura e fui trabalhar na polícia. Fiz o curso de formação e fui trabalhar na polícia.
Então, deve ser realmente... Devo ter entrado em 2016. Fazem 10 anos, isso mesmo. 10 anos, né? Isso. E aí, como que foi a sua... Digamos assim, a sua primeira noite? Bom, na verdade, não sei se você trabalhava à noite. Como é que era? Trabalhava. À noite, né? Como é que foi a... Na verdade, assim, a primeira talvez não tenha tido tantas coisas, mas... Como é que foi essa experiência dos primeiros momentos ali nessa área de receber um corpo? Como é que...
É uma responsabilidade muito grande, porque você está ali agora, não como estudante, vendo outra pessoa tomar decisões. Você está ali como profissional e tem uma responsabilidade muito grande. O pessoal vai te perguntar, né? E aí, Marcelo, doutor Marcelo, o que a gente faz nesse caso? O que você acha? Exatamente. Como você chama meu professor? Não tem professor agora.
Eu sou muito grato porque eu fui trabalhar em um local e eu tive uma chefe que era muito acessível, uma pessoa com muita experiência. Praticamente, ele me pegou pelo braço e falou, Marcelo, exatamente, você está começando agora. Ela me ensinou muita coisa, inclusive, de postura no ambiente de trabalho. Eu me lembro de que quando eu cheguei nessa cidade, fui trabalhar, peguei o meu carro, fui para essa cidade trabalhar.
Ela me levou para conhecer as instituições irmãs e parceiras da polícia. Ela me levou na delegacia, ela me apresentou aos outros profissionais, falou, olha, esse aqui é o Marcelo Rocha, ele é o novo médico legista da cidade, está chegando hoje. Então foi me apresentando todo mundo.
me apresentou a polícia penal, a gente foi no presídio da cidade, ela me mostrou lá, me apresentou, eu lembro de uma situação, uma cena, que quando nós chegamos lá nesse presídio, ela comentou assim, que tinha acontecido um caso muito pesado naquela época, de uma menininha que tinha sido abusada, e o abusador estava ali naquele presídio.
no seguro do presídio. No seguro? No seguro, aquele local que o preso... A área segura é aquele local que o preso fica pra ele não ser morto pelos outros presos. E quando ela tava me falando isso, ela tava me mostrando justamente o presídio, ela tava me mostrando justamente o seguro. E ele apareceu lá, esse homem. E eu acho que o olhar dele, talvez o olhar pra ela, talvez fosse um olhar de tentar intimidar uma mulher.
E eu vi a postura dela de se impor, de não aceitar ser intimidada por aquele cidadão. E eu lembro que eu admirei muito ela, a postura dela. Ela me mostrou tudo, me apresentou tudo. E fomos pro Necrotério. E logo naquele primeiro dia já começou a acontecer as coisas na cidade. E ela entrou comigo na sala de necrópsia pra conversar comigo, pra ver como que eu tava.
E me ajudou muito. Então eu saí de lá com essa carga de experiência imensa. O que eu vi ali naqueles dias de plantão, logo no início, eu trago até hoje. Eu me lembro direitinho de todos os casos que apareceram no necrotério, naquela sequência de plantões que eu fiz.
Foi caso de acidente, foi caso de homicídio, foram vários casos. Em todos, ela estava do meu lado, me dando segurança para eu poder ver e fazer ali o laudo da melhor forma possível. Um dos primeiros casos foi um acidente. E eu lembro que eu falei, nossa, um acidente deve ser simples. Já vi tantas necrópsias. Eu imagino que seja algo fácil de...
de ver. E eu lembro que nessa necrópsia do acidente, um acidente de carro, um acidente de trânsito, eu não encontrei ali o que tinha causado a pancada que tirou a vida da pessoa, mas uma coisa muito interessante, eu percebi que a pessoa que estava dirigindo, ela infartou enquanto estava dirigindo. Então, a causa ali do acidente, na verdade, foi um acidente de pouco impacto, é porque ele estava passando mal.
Ele não morreu por causa do acidente. Ele morreu enquanto estava dirigindo e acabou acontecendo um acidente. Estava sozinho? Estava com a família.
E esclarecer isso é muito importante. Você entender as circunstâncias de um óbito. Isso traz para a família, para as famílias, eu acho que o luto é muito pesado, o luto é muito difícil, mas eu acho que traz um pouco de conforto familiar entender como aconteceu as circunstâncias daquele óbito.
Eu acho que deve ser muito doloroso para o familiar ter um ponto de interrogação. Não saber como que foi, o que realmente aconteceu, como foram aqueles últimos momentos da pessoa. É, porque você me contando aqui, por exemplo, eu imagino que alguém da minha família morreu num acidente.
E aí a gente fala, nossa, que tristeza, bateu o carro, bateram nele, ou capotou e a pessoa morreu. E a gente fala, nossa, será? A gente fica com essa coisa na cabeça, né? Eu tô falando como lei, como pessoa comum, né? Ai, meu Deus, será que sofreu? Qual foi o momento da pancada que matou? E aí vem o médico legista, por exemplo, e fala, olha...
infartou e morreu de infarto. Foi o infarto que o matou. Me dá um negócio, me dá um alívio. Falar, puta... Como que eu vou explicar isso? Não é o menos mal. Mas o que matou a pessoa foi a doença, não aquele acidente trágico, entendeu? Não foi uma morte violenta. A pessoa morreu e só ele faleceu nesse caso. Foi. E a família não.
E a família não entendia como que isso tinha acontecido, porque o acidente não teve grande impacto. Ele estava dirigindo, de repente ele saiu da rodovia e acabou batendo numa árvore. O impacto não foi assim tão grande e eles não entendiam o que tinha acontecido. E a família, então, no primeiro momento, estava pensando que ele faleceu pelo acidente. Pelo acidente. O que pode ter acontecido? Será que na hora do acidente bateu a cabeça?
Será que bateu alguma coisa? É o que eu fiquei pensando. Mas não. Foi um infarto. Foi um infarto. Era um homem. Era um homem.
Olha aí, tá vendo a importância disso. E nesse caso, ele tava lá, e aí como é que é o processo, assim? Ele chega, a pessoa geralmente às vezes pode vir com machucado aqui, machucado ali, ou muito machucada. Como é que é esse tratamento com o corpo? Ele vem onde? Ele vem num caixão? Ele vem numa caixa?
Ele vem, como que vem pra vocês? Quando uma pessoa perde a vida em um lugar público, numa via pública, acionam a polícia. A polícia vai acionar o Instituto Médico Legal. Justamente porque a polícia precisa saber o que aconteceu com esse corpo. Então a gente manda o perito criminal pra poder avaliar aquele local. Com o corpo lá. Com o corpo lá. Ele começa então a avaliação da cena de um possível crime.
E ele vai ver se foi por tiro, ele vai encontrar ali os fragmentos do projétil, ele vai ver onde é que tem disparo, se tem algum disparo acertou a parede, acertou outro lugar. Então ele vai fotografar. Então começa ali na perícia criminal do local. Eles mandam, a gente manda também o Rabecão, que é aquele carro.
do IML, que tem ali as gavetas onde fica o corpo no baú. Então o corpo vai lá pro Rabecão e o Rabecão leva o corpo lá pro Necrotério. Ele vai como pro Rabecão? Vai dentro de um... É o que? Um caixão? O Rabecão parece um caminhãozinho que tem as duas portas e aquelas gavetas assim, que você puxa, parece uma bacia grande.
Mas ele vai na gaveta mesmo, ele não é colocado dentro de uma caixa e a caixa lá dentro. Coloca às vezes no saco mortuário, porque é mais fácil de carregar, de manusear. Coloca ele dentro do saco mortuário, o saco mortuário vai naquela gavetona, coloca dentro do rabecão e consegue transportar. Boa, aí vai para você. Aí chega lá no necrotério, pega do saco mortuário, coloca em cima da mesa de necrópsia, a gente abre e começa a necrópsia.
Tá. E qual que é o processo da necrópsia? Você vai olhar, vai... Como que é o seu... Agora eu quero saber o dia a dia mesmo, né? Então chegou lá uma pessoa que morreu de... Sei lá, você lembra de algum caso? Você teve esse caso agora do acidente? Lembra de algum outro caso assim que... Vou pensar aqui em algo que envolve uma necrópsia completa. Porque cabe ao médico legista ter discernimento de como que ele vai proceder.
Vamos supor que é um acidente de alta energia, um acidente muito violento, um acidente de moto, que a pessoa teve um traumatismo imenso na cabeça. Então se tem lá um machucado muito grande na cabeça, que já aconteceu, às vezes a cabeça está até saindo, massa encefálica, o cérebro já está saindo. Então eu não vou precisar abrir o tórax, abrir o abdômen para poder ver se eu já encontrei a causa da morte. Boa, porque às vezes ele chega ali...
entre muitas aspas, limpinho, sem um machucado, sem um ferimento visível, aí é um quebra-cabeça. Exatamente. Agora, vamos supor que a pessoa morreu em casa, ninguém sabe o que aconteceu, é um caso suspeito, podem ter envenenado, podem ter feito alguma coisa.
Aí, nesse caso, a gente vai abrir tudo. Nos livros falam, a autópsia começa abrindo cabeça, depois tórax, depois abdômen. Ah, tem essa... Nessa ordem. Tem essa ordem. Isso. Então vai lá, faz a abertura, o auxiliar que faz ali a abertura, ele vai serrar o crânio com uma maquitazinha.
um instrumento específico para poder acerrar essa calota craniana e retirar. Então a primeira coisa que fez, abriu a cabeça, retirou a calota craniana, olha ali o cérebro, vê se tem alguma hemorragia, algum sangue ali no cérebro que pode ter, esteja relacionado a uma pancada.
Às vezes, na hora que a gente olha isso, a gente encontra causas normais, às vezes um AVC. Então, tira ali o cérebro, faz parte também do procedimento de autópsia certinho, pesa o cérebro e fatia o cérebro. E vai abrindo.
Depois, não encontrou nada? Continua. Próxima cavidade, tórax. Abertura. Como que é feita a abertura? Nas séries, nos filmes, eles sempre colocam ali o Y. Mas existem outras técnicas de abertura. O Y que é aquela... Eu vou te interrompendo, porque depois eu perco a pergunta. Que é aquele... Eu já vi esse filme de terror, quando os mortos-vivos levantam com o Y aqui. Que é aquele monte de corte aqui e aqui.
Isso, é feito um corte daqui, aqui, e até esse corte chama biacrômio externo chifopubiana. Esse é o termo, o termo médico. É o termo científico. É o termo científico. Difícil de falar. Abertura biacrômio externo chifopubiana, porque passa aqui pelos dois acrômios, pelo externo...
o apêndice chifoide do externo e chega aqui no osso pubis. Então é um Y passando pra essa região. Mas existem outras técnicas. Às vezes também, dependendo do que você quer ver, você pode fazer mento dessa região aqui do queixo. Mento pubiana. Então um único corte com o bisturi, você faz até de forma rápida, abre tudo ali.
Do mento até a região pubiana que você já consegue abrir e acessar tanto o tórax quanto o abdômen. Então fez o corte, você vai escolher qual que é a melhor técnica. E a pessoa que estiver trabalhando tem maior facilidade para fazer.
aí é feita depois a abertura do gradil costal, aqui ó os arcos costais as costelas, que é aquela coisa aqui assim isso, tem um instrumento específico que vai cortando ali, chama costótomo, o Marcelo vai contando, eu tô me segurando aqui, mas não fica me contorcendo porque, não, é é o que você falou a sua profissão você já acostumou, mas a gente não
Ah, é verdade. Não, mas pode ir falando. Atenção, vou colocar até mais 18 no episódio. Não, mas isso não é uma coisa, eu acho, que é sensível. Bom, talvez seja sensível, mas não é chocante. O que vocês estão achando aí em casa? O povo tá gostando, Sara?
Eu acho que é importante deixar esse aviso, né? Que é um tema sensível. É, não, porque você está contando, eu estou imaginando aqui a abertura. Então, porque, por exemplo, e vai surgindo várias dúvidas. E não sangra? Não faz aquela sangueiro? Como é que é tudo isso aí?
Você vai abrindo. Sim, a autópsia é um procedimento que deixa ali o ambiente sujo, porque às vezes espirra sangue, a gente tem que estar sempre com todos os equipamentos de proteção, porque às vezes eu estou lá em cima, estou do lado do auxiliar, ele vai mexer alguma coisa, ele espirra, às vezes joga um pouco de sangue em uma pessoa, joga um pouco de outra, então tem que tomar esse cuidado. Então a gente que trabalha com isso tem que tomar cuidado com esses banhos de sujeira que pode acontecer. É o chamado fluídos, né? Os fluídos corporais. Exatamente. Exatamente.
Tá, e aí então tem essa do Y e tem essa outra que você falou que é um... Como é o nome dessa grandona? Mentopubiana. Daqui dessa região, daqui do queixo até a região pubiana. E o que é pub... Eu acho que essa é uma abertura melhor quando eu quero acessar o pescoço.
essa região do Y poupa o pescoço. Então, às vezes, eu quero ver melhor as vias aéreas, então eu opto por essa abertura. Investigação, às vezes, de pessoas que perderam a vida de alguma coisa apertando o pescoço, eu acho melhor fazer uma abertura adequada nessa região.
Efa, efa grandona. Isso, exatamente. Aí abre tudo. Isso, exatamente. Então, fez essa abertura, usa o costótamo para abrir os arcos costais e você vai acessar. Coração, pulmão, as vísceras torácicas. Às vezes, pancada de acidente, atropelamento, tiro, você encontra ali o sangramento e você sabe o que aconteceu. Foi o pulmão que foi perfurado, o coração foi perfurado.
O baque ali. Dá pra ver tudo ali, né? Exatamente. O corpo vai contar tudo isso. Exatamente. Eu acho incrível, porque quando eu vejo as pessoas, às vezes, reportagens, né? Ah, o corpo já foi pro ML e a pessoa morreu de tal coisa. Eu falo, caramba, o corpo realmente fala, né? Ele mostra pro legista o que que tá acontecendo ali, né? O que tá acontecendo, o que aconteceu e o que... como ele morreu, né?
Eu acho essa ideia muito interessante porque o corpo fala e ele conta direitinho como foram os últimos minutos, as últimas horas de vida dele. Qual era a posição que ele estava, se alguém mudou essa posição, se aquela pessoa perdeu a vida de forma sofrida, agonizante, ou se foi de forma rápida. Ele conta como ele perdeu a vida. São muitas informações sendo ditas pelo corpo que você consegue perceber só se você falar essa linguagem, se você entender e saber o que você está procurando.
É porque você falou agora que na questão do cérebro, né? Você consegue ver se teve um AVC, alguma coisa. Você falou que fatia o cérebro. Esse olhar clínico é só de quem realmente estudou. Porque eu vou ver um monte de... Eu vou ver ali um cérebro, vou ver a massa encefálica, eu vou ficar impressionado e eu não vou saber nada do que aconteceu ali. E você... Essa é a importância do médico legítimo, porque ele vai olhar e falar... Ah, aqui, ó.
Foi um AVC. Foi uma pancada que... Porque às vezes pode ter pancada também que não abriu a cabeça, mas a pessoa está inteira, só interna. Isso. Pode acontecer. Às vezes deixa ali o mínimo de marcas e quando você vai ver, você percebe. Já pega, né? Eu lembro de um rapaz que levou um tiro de chumbinho no olho.
E esse corpo chegou pra gente com outra história. Ah, ele caiu. Porque ele foi encontrado com o olho fechado. Então quem encontrou não viu que tinha ali um tiro de chumbim. Foi um tiro muito pequeno. E o corpo tinha poucos sinais. Exatamente. Poucos sinais externos. E eu lembro que esse corpo chegou na necrópsia com essa história. Eu achei uma história estranha. Falaram, ah, ele deve ter caído. Tá, vamos olhar.
Coisa simples. Só de abrir, a gente viu que realmente tinha ali a perfuração de onde entrou o tiro de chumbinho. Meu Deus, mas como assim um tiro de chumbinho no olho? O que é um chumbinho, um tiro de chumbinho? É uma arma? Isso, é porque a zona rural tem muito aquelas armas de chumbinho, sabe? Gente, não. Nunca viu aquelas armas de chumbinho? Armas de chumbinho pra mim não é de brincadeira?
Mas tem umas que são muito fortes. Pelo amor de Deus, matou o cara. Sim, mas o projétil da arma de chumbinho é uma bolinha, uma esfera muito pesada. Aquilo lá realmente pega. Igual mãe e vó faló se pega no olho. E realmente, porque tem esse perigo mesmo. Nossa, você tá falando de olho, tá me dando uma agonia. E aí entrou...
pelo amor de Deus, entrou no olho do cara e matou o cara com uma arma de chumbo. Mas que situação foi? Você lembra? Era uma briga? Foi... Deixa eu lembrar. Eu acho que foi... Era uma situação de assalto. A pessoa estava ameaçando o assalto e acabou atirando.
Meu Deus do céu. E aí catou no olho dele. E entrou no olho. E aí ele fecha o olho e todo mundo... E acham ali que foi só uma queda. Que a pessoa que assaltou fugiu, depois a polícia conseguiu esclarecer. E como ele tava lá caído de olho fechado, acharam que ele tinha só caído no chão e batido a cabeça e morrido por causa disso. Mas a gente esclareceu, viu que no Necrotério que a história era muito mais complexa do que uma simples queda da própria altura. Na hora que você abriu o olho você já viu. Sim.
Uma curiosidade meio mórbida, mas como que fica o olho? Ele fica para baixo, ele sobe, ele fica para o globo ocular. Ele fica para cima, ele sobe. Sabe que você perguntou uma coisa muito interessante de como que é o olho do corpo, o olho do cadáver?
É um olhar diferente, porque ele passa por um ressecamento. O olho passa por um processo de ressecamento e o escurecimento dessa esclera, essa parte mais clara, mais branca, fica um pouquinho mais escurecida. E às vezes ele forma umas manchinhas. Eu sempre avalio o olho, porque o olho também fala muitas coisas sobre como a pessoa morreu. Tem algumas marcas, tem até isso, quem prestar concurso.
Costuma cair em prova. Chama sinal de Sommerlasher. É um sinal que é visto no corpo do cadáver, que é um escurecimento da esclera. E geralmente tem espeguinha. O que significa o sinal de Sommerlasher? É o escurecimento do olho do cadáver por causa da desidratação.
A pessoa morreu, às vezes, com a pálpebra aberta. A desidratação acaba deixando esse aspecto escurecido. Mas o olho do cadáver é diferente. Esse olhar do corpo sem vida, ele é um olhar opacificado, com um escurecimento. Você perguntou se a pessoa olha pra cima. Não. Onde a pessoa estava olhando vai continuar. Ah, entendi. Parou ali.
Parou, porque o movimento do olho envolve movimento muscular. Então você não tem mais energia ali no músculo pra poder puxar pra um lado ou puxar pro outro. Então onde a pessoa tava olhando, ela vai perder a vida e vai continuar olhando. E nesse caso desse moço que recebeu um chumbinho no olho, o chumbinho entrou, foi pro cérebro? Sim, atravessa ali.
E aí você teve que abrir para achar o chumbinho? Isso. Aí na hora da abertura, em todo caso de disparo, de projétil, a gente tem que resgatar os fragmentos do projétil, porque eles passam lá para o período criminal, vai fazer confronto balístico, para poder identificar a arma que atirou.
Ah, tem que pegar o projétil, que popularmente abala, né? Isso, isso. Ou nesse caso o projétil era o chumbinho. Então você tem que abrir o corpo, pegar e retirar. E tem que procurar onde está. Às vezes, esses casos que a pessoa leva tiro no peito, no abdômen, a gente tem durante a necrópsia procurar esses fragmentos desse projétil e separar.
E aí é colocado igual nos filmes, no saquinho... A gente tem o saquinho de evidência. É. Isso dos filmes é muito interessante porque eu falo com muito orgulho. As nossas instituições policiais, elas não deixam a desejar quando a gente compara com esses filmes, não. A gente tem ali as mesmas coisas.
Eu sempre falei isso, quando a Thelma veio, agora você vindo, o Salada veio também. Eu falei assim, gente, Brasil não deixa desejar nada no CSI. Não, não deixa não. O CSI fica lá atrás, não deixa, porque é um trabalho muito bem feito, muito executado, é um primor ali realmente para descobrir a morte dessas pessoas. Você estava falando agora desse caso desse moço, eu lembrei de um caso, é um caso midiático.
Eu já convidei o pai dele pra vir aqui, mas é uma morte de uma criança, daquele Henri Borel. Você já viu esse caso, né? Do menino que até agora o processo, o julgamento vai e não acontece, tem algumas coisas acontecendo. Mas o caso Henri Borel é muito enigmático, ou não sei o que tá acontecendo lá, mas parece que, igual você me falou, o corpo fala.
O menino chega no... Não sei se você chegou a ver alguma coisa do laudo desse caso, né? Mais a fundo. Eu vi o caso por cima. Mas pelo que eu lembro, o menino chega com uma laceração em alguma... Uma hepática. Alguma parte aqui. Como se ele tivesse recebido muitas pancadas ali. A família... Tanto parece que o deputado lá, o Jairinho e a mãe que estavam no ambiente falam possivelmente que ele teria caído. Que chega no... Não fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem fazem
sempre também quando chega no hospital os médicos já começam a desconfiar de alguma coisa, não nesse caso como em outros, mas quando chegam lá falam que ele teria caído da cama ou de uma beliche enfim aí eu pergunto, mas Marcelo, como que pode um caso assim desse que tem algumas tem ou não tem evidência porque se um médico legista olha e fala, não, isso daqui não foi uma queda de uma cama super
Dá pra ver, o corpo mostra isso, né? O que acontece às vezes que demora tanto pra sair um... Não no caso do Henrique Borel, eu usei o caso dele, porque o caso dele, meu, já faz cinco anos, acho, desse crime, o julgamento não aconteceu, ainda é inconclusivo do que ele teria morrido, mas se o corpo fala, já deveriam saber rapidamente, ó, tá aqui, ó, isso aqui é uma pancada, isso aqui é um murro, isso aqui é um soco, isso aqui é um tiro, isso aqui é uma queda, né?
E por que muitos casos ficam inconclusivos? Eu sei que é difícil responder, mas pela sua experiência, porque se o cara olha e já identifica, nesse caso ele deveria falar, ó, aconteceu isso. Dan, eu acompanhei esse caso junto com a população, vendo as notícias, vendo as reportagens. Na época, o que foi dito é que na versão do padrasto e da mãe é que ele teria caído da beliche. Isso.
E quando chegou no hospital, a médica que atendeu achou estranha aquelas lesões. A gravidade para uma simples queda de beliche. E eram as lesões, né? Eram as lesões. É uma coisa, você cair e ter uma lesão, né? E na necrópsia...
Porque é uma criança que perde a vida. Dessa forma, por causa externa, por uma queda ou por um espancamento, iria de qualquer forma para o IML. Na necrópsia, o médico legista viu que tinha muitas lesões internas. Era fígado, essa laceração hepática é fígado. É fígado. Com sangramento ali. Tinha outros sangramentos, outros focos internos, de hemorragia interna.
Eu acho que na defesa deles, nos peritos do pai, do padrasto, ele disse que aquelas lesões teriam sido causadas pela ressuscitação, que acho que a pessoa que fez ali a manobra de ressuscitação teria lesionado, mas realmente isso não explica a gravidade dessa lesão. Aí você falou, mas tem muita demora, até hoje ainda não surgiu a...
o julgamento, a polícia, com a necrópsia, o laudo da necrópsia, faz a denúncia para o Ministério Público.
Então, viu ali que era uma morte por causa externa, por espancamento, pela pancada, já denunciou para o Ministério Público. A questão do julgamento, aí já é outra esfera. Porque não é porque teve demora ali da polícia, teve demora para poder fazer o laudo de necropsia, não. É outra esfera. Não é na investigação em si, é no julgamento mesmo. Porque o corpo dele, então, foi repassado tudo como estava.
Foi nada ocultado. Ele estava assim, assado. Agora vai para essa outra esfera e aí... Exatamente. No primeiro dia ali, o corpo já estava no IML, onde foi feito um laudo de autópsia pelo médico legista. Esse papel já foi entregue para o delegado. O delegado olhou e falou assim, opa, vou encaminhar essa denúncia para o Ministério Público para poder fazer o... Explicando de forma simplificada, para poder fazer o julgamento para ele ser responsabilizado por isso.
Então a responsabilidade da polícia civil, da polícia científica é essa e foi feita. Agora cabe ao judiciário julgar isso.
Olhar todos esses resultados. Todo conjunto. E falar assim, gente, não tem como falar que caiu da cama, ou tem como falar que caiu da cama, pode ter acontecido isso. Aí é o que vai acontecer ainda no julgamento. Acho que foi agora em... Foi em março, acho que era março. Eu convidei o pai do Henrique Borel, o Leniel, para vir. Ele tinha aceitado no primeiro momento, mas ele preferiu vir depois do...
Do julgamento. Do julgamento, que foi adiado. Não sei, acho que agora vai pra maio, vai pra esse mês, eu não sei ainda, mas vai acontecer ainda. E aí... Então, quer dizer, não tem como um legista não descobrir a causa da morte. Teve algum que chegou pra você que você falou, cara, isso aqui eu não...
Não estou conseguindo, não tem. Olha, hoje a gente tem muitas ferramentas, a gente tem acesso a exames, a coisas que antigamente talvez não tinham. Tem casos, sim, que a gente não consegue às vezes esclarecer porque o corpo já está em estado muito avançado de decomposição, ou então porque o corpo está carbonizado e a gente não consegue às vezes esclarecer muitas coisas.
Já tive, sim, casos que ficou ali, causa indeterminada. Eu, infelizmente, tenho que escrever isso no laudo, porque eu não consegui descobrir o que aconteceu por causa das circunstâncias. Mas hoje a gente tem muitas ferramentas para descobrir o que houve. Eu posso pedir exame de sangue, posso pedir exame das vísceras, mandar para o laboratório da polícia. Posso fazer exame toxicológico para poder investigar um monte de substância.
às vezes deram um veneno pra ele. Não tem nenhum veneno que a gente não consiga encontrar no laboratório. Tem gente que fala assim, ah, existe o veneno da mamona que a pessoa não descobre. Não é verdade. A gente consegue fazer os exames laboratoriais de tudo que é possível. Todos os venenos possíveis. Consegue descobrir. Consegue.
Porque eu lembro daquele caso do Bolo, era Bolo, né? Ah, sim, sim. Que a moça até morreu na prisão, né? Que foi acusada, a suspeita, né? Do caso do Bolo de Torres. É, isso, isso. Que era uma família que fez um chá da tarde, umas senhoras.
e foram internadas, aí umas morreram, e aí depois teve o caso também que tiveram que exumar, parece que um do, não sei se era tio dela, era um outro parente da família que tinha morrido, acho que em setembro do ano passado, e aí exumaram ele e tal. Essa coisa de exumar, vocês também fazem? Fazemos quando surgem novas evidências de um caso que já tinha sido enterrado.
Que é como aconteceu nesse caso. Esse caso do Bolo de Torres, eu me recordo. Essa mulher era uma psicopata. Ela tinha colocado o veneno na farinha da sogra dela. Isso. Então ela deixou na casa da sogra pra sogra usar...
ia acabar envenenando todo mundo. E acho que o sogro dela já tinha consumido antes, tinha morrido. E na época, acho que ela falou que era por causa do... Ela tentou alegar que talvez é porque ele consumiu banana contaminada das enchentes, das enxurradas do Rio Grande do Sul, ele teria passado mal por causa disso. Acabou passando essa história, ele foi enterrado.
inumado, enterrado. E quando surgiram os novos casos, surgiu esse estralo. Mas e aquele senhor lá que morreu, será que também não foi envenenado? Aí quando olharam no corpo dele, ou seja, isso é possível, a gente fazer exumação. Então exumaram ele. Exumaram e fizeram os exames que antes não tinham feito. Fizeram ali a pesquisa do veneno e encontraram o veneno.
que é... Outra curiosidade mórbida. Como que é isso? Então eles vão tirar do túmulo mesmo da pessoa que já está numa fase de decomposição avançada e vão trazer lá pro ML de novo. E vocês vão ver, vão mexer nisso. Exatamente.
Já fiz algum? Já participei de exumações. É desse jeito mesmo. Às vezes, em alguns casos, a exumação fica inconclusiva porque passa muito tempo depois. Às vezes, ainda é mais recente. Alguns casos, você consegue encontrar...
No humor vítreo do olho. Às vezes o olho fica um pouquinho mais preservado, você retira o olho e consegue fazer a pesquisa do veneno ali. Porque o restante já está muito decomposto. Como essa região demora um pouquinho mais para decompor, às vezes a gente consegue tirar o olho e manda o olho para o laboratório e eles fazem a pesquisa lá. E aí descobre. E consegue encontrar ali um monte de substância.
No humor vítreo do olho. Como é o nome? Humor vítreo. Que é um líquidozinho que fica dentro do olho e alguns venenos podem ficar ali. Eu tenho agonia de olho. Eu uso lente. E aí eu... Tudo que encosta no olho, que fala de olho, eu tenho. Gente, eu tô passado com essa de zoomar a pessoa, trazer pro ML de novo.
E também deve ter todo um trabalho, né? Porque tem que tirar o caixão, aí tirar a pessoa de dentro do caixão. E o odor, hein? Como é que é essa coisa? Você comentou uma coisa muito interessante, que o cheiro do corpo em decomposição é um cheiro único. É um cheiro muito específico.
E é um cheiro que quando você sente, você nunca mais esquece. A memória olfativa é muito forte. O nosso corpo tem uma combinação única de bactérias que produzem substâncias voláteis também muito específicas. Então o cheiro da decomposição do nosso corpo é diferente do cheiro da decomposição dos corpos de outros animais. Em algumas fases, esse cheiro fica mais forte.
Naquela fase gasosa que o corpo está produzindo muitos gases, é o momento em que esse cheiro está mais forte. Então realmente é um cheiro único e muito específico. E quando volta da exumação é porque ainda tem...
Ainda tem corpo, ainda tem pedaços do corpo. Então isso daí deve ter um cheiro específico. Sim, sim. Um odor específico. Sim, sim. Às vezes por causa do uso de algumas coisas para poder preservar o corpo, para poder diminuir a decomposição, às vezes não é tanto assim.
E o que vocês usam de equipamento de figurança? Tem a máscara específica, tem uma máscara com filtro, que é a ideal, que tem que usar, que todo mundo tem que usar. Aquela máscara que está na minha foto do WhatsApp, depois você olha lá a minha foto, eu estou usando essa máscara.
No WhatsApp? É. Deixa eu ver aqui. Você tá usando essa máscara. Ah, verdade. Essa mesmo. Posso mostrar? Pode, pode. Aqui, ó. Dá pra ver, Sara? Vamos ver no detalhe aqui. Essa mesmo. Essa mesmo.
Parece aquelas de risco biológico, mas é, né? É, mas é. É justamente por causa disso. Então tem a máscara específica com filtro específico. Essa máscara dá para trocar os filtros. Você pode colocar... Às vezes eu coloco filtro específico para formol também. Tem filtro de coisa biológica, de coisa química. Tem vários filtros diferentes.
GPI também tem o face shield, aquele capacetinho. Tem aquele macacão impermeável. Tem as botas. Então, se você está bem equipado, não tem risco nenhum. Vai, pode fazer. Pode fazer, tranquilo. Mesmo assim... É bom, é que é isso. Você já está acostumado com a área em si e tal. Então, chegou, já coloca o...
Equipamento, qual é o nome? É EPI também não. É equipamento de proteção individual. É EPI, né? Eu lembro que quando eu trabalhava na metalúrgica, falavam muito em EPI, né? Então tinha que usar... O ouvido também. O ouvido, óculos, né? Os fonezinhos aqueles... Eram os fonezinhos laranja que tinha uma cordinha que odiava aquilo.
E aí usava óculos e capacete em alguns momentos. Então também tem o EPI na área da necrópsia e tudo mais. Marcelo, você lembra de algum caso que te chocou muito? Ou te deixou muito triste? Porque imagino que trabalhar nessa área emocional tem que estar em dia.
cabeça, não sei se você tem algum acompanhamento psicológico, ou tinha no começo, ou ainda tem, por conta da profissão, ou não tem, como é que é? Eu estou terapeutizado, eu faço terapia já há muitos anos. Antes de começar a trabalhar, eu já fazia. Então eu faço assim, terapia recomendo, acho que todo mundo deveria fazer. Ah, também acho, também faço. É muito importante você fazer isso.
Isso me ajuda muito em reflexão como crescimento pessoal. Sobre ser um trabalho pesado, de fato a gente lida com, às vezes, o pior do ser humano, do que o ser humano é capaz, que são atos criminais, violência e morte. Já tiveram, sim, muitos casos.
Eu arrisco dizer que eu me recordo de todos os casos nesses últimos 10 anos de trabalho. Todos? Há um tempo atrás, uma antiga chefe de um lugar que eu trabalhei, ela me pediu informação sobre uma necrópsia que devia ter uns 8 anos. E quando ela falou o caso, como foi, quando ela...
contextualizou, eu lembrei. Falei assim, lembrei de como foi, lembrei da necrópsia e falei pra ela o que estava faltando. Então, como na hora da necrópsia eu faço laudo, fotografo, quando eu pego um laudo antigo meu pra rever, pra ler, pra ver novamente, eu me lembro direitinho de tudo. O meu trabalho sempre vai me acompanhar, porque faz parte da minha vida.
não significa que isso me afete negativamente, de forma alguma. Acho que é importante saber separar a vida pessoal do trabalho. E o pessoal sempre pergunta, tem algum caso muito diferente? Eu também pergunto isso para os meus colegas. Eu fiz até um vídeo comentando disso, que eu estava conversando com um amigo que é médico legista, e a gente estava conversando justamente sobre isso, sobre casos diferentes. E ele me contou um caso dele, superhumamente.
No sentido de... Olha isso, Marcelo. O que você pensaria desse caso? Ele disse que era um caso de uma senhora que foi encontrada dentro da casa sem vida porque entraram na casa dela para assaltar. E amordaçaram, né? Tamparam a boca dela, amarraram ela para roubar as coisas e foram embora. E essa senhora perdeu a vida, sim.
E ele estava me falando, ele perguntou, Marcelo, o que você pensaria? Eu falei, imagino que na hora do estresse ela pode ter tido um pico de pressão, um pico hipertensivo, às vezes ela teve um AVC hemorrágico por causa do pico hipertensivo, às vezes ela infartou. Eu iria nesse sentido. Eu acho, amigo, que eu iria fazer a necrópsia pensando nisso.
Ele falou, Marcelo, ela tinha sinais de asfixia. Imaginei que ficou. Você imaginou isso? Ela tinha sinais de asfixia. Porque quando eles tamparam a boca dela, ela tinha uma obstrução crônica no nariz. Então ela não conseguiu respirar.
E ele disse que percebeu isso já externamente, olhando o corpo dela. Ele viu que aquele corpo tinha sinais de asfixia, que era um corpo de uma pessoa que perdeu a vida sem respirar. Então ele já começou a necrópsia, guiado com esse olhar. Que sinais, mais ou menos? Lembra que eu falei do olho? O olho tem muitos sinais.
Quando a pessoa perde a vida sem respirar, por asfixia, às vezes eu encontro uns pontinhos vermelhos que eu chamo de hemorragia petequial. A gente encontra petequias. A petequia é pontinho vermelho no olho. Basicamente isso. Às vezes essa parte branca do olho está cheia de pontinho vermelho. Isso é um sinal indireto da asfixia. Um sinal de que a pessoa perdeu a vida sem respirar.
Então, na hora da necrópsia, eu abro o olho, antes de começar eu já abro o olho, olho e vejo se tem esses sinais. Ele fez isso e ele já tinha percebido. Então ele falou, hum, eu acho que isso aqui vai ter asfixia, vou continuar. E continuou e de fato foi isso.
Meu Deus, gente. Teve alguém que veio aqui e contou um caso de um cara que ele atacava dentistas. Ele marcava... Quem que foi que contou? Foi a Thelma, não? Acho que foi a Thelma Rocha. Acho que foi a Thelma Rocha. Ele agendava com a dentista e atacava ela. Isso. Então foi ela que até agendava no último horário. Isso. E aí atacava ela e violava... Só que ele não matava. Ele violentava sexualmente.
E não matava, geralmente, no modo desoperante dele. Só que uma delas ele matou porque ele colocou um pano nas vias aéreas da menina e amarrou muito forte. Acho que ele enfiou a coisa dentro, não foi? Não, pelo que eu lembro, parece que ele colocava um pano só na boca e violentava as vítimas assim. Nesse pegou o nariz também. E aí ela ficou sem respirar e faleceu.
Pelo que eu lembro era isso. Faleceu de asfixia também. Gente, morrer sem ar deve ser uma... Na verdade, sim, né? Morrer de qualquer forma, mas assim... Geralmente os casos lá são... Sei lá, deve ter de tudo, né? Gente que morreu desse jeito, sem ar, afogado, queimado. Você viu aquele caso, um parênteses, do cara que foi botar fogo na moto?
Tadinha, e a mãe dele acabou pegando fogo. E a mãe faleceu? Você viu esse caso? Foi esses dias. Foi, foi. Ele começou, acho que ele tava revoltado com alguma coisa da moto. Acho que a moto ia ser apreendida, isso. Aí ele começou a jogar ali combustível, gasolina. E a mãe dele tentou impedir, ele riscou o fósforo. E coitada, ela teve queimadura no corpo todo.
E eu acho que deve realmente ser uma morte muito dolorosa. Mas, por outro lado, eu penso o seguinte, às vezes isso me confortaria de alguma forma, que essa queimadura, a dor a gente sente nos receptores de pele que são superficiais.
Então aquela queimadura que tira a vida da pessoa é uma queimadura de terceiro grau que já destrói o receptor. Então eu acho que é muito comum a pessoa que está lá se queimando, talvez ela não tenha sensibilidade nesses receptores mais, porque os receptores de calor... Só estão na primeira camada. Só estão na primeira camada e já foram destruídos. Teve um caso de uma mulher num terminal, eu não lembro onde foi, que um homem joga fogo nela. Meu Deus. E na época vazou o vídeo...
Ela parecia calma. Ela não tava desesperada. E eu tive essa impressão. Eu falei assim, eu acho que... Ela já não devia estar mais sentindo. Eu acho que ela deve ter sentido primeiro. Depois já não tava mais sentindo. Imaginei isso. Porque, cara, é uma coisa absurda. Ela tá perto da moto, assim. Ele joga e sobe aquele fogaréu. E aí ela... E pega tudo nela. Então, assim, o cara não tava vendo que ela tava ali perto. Primeiro, vai botar fogo na moto. Mas a mãe... E aí a cara...
matando a mãe. A mãe morreu, né? A mãe faleceu. Acho que ela ficou uma semana no hospital. Já chegou corpos queimados pra você? Já. A carbonização, a famosa carbonização. Nesses casos é muito importante a gente descobrir o seguinte. A pessoa perdeu a vida queimada.
Ou ela já tinha perdido a vida e depois foi queimada? Será que aquele fogo foi em um corpo sem vida? Ou era uma pessoa viva se queimando? Então essa é a pergunta chave, a pergunta principal. E tem como você avaliar isso. Tem. Lá na necrópsia, sim. Uma coisa muito simples.
A pessoa que está viva, está se queimando, o que ela faz? Ela inala a fumaça. Então você tem ali queimadura nas vias aéreas e fuligem nas vias aéreas. Então ali na hora da necrópsia a gente olha as vias aéreas e vê se tem fumaça, se tem fuligem. Ah, porque ela está respirando ainda enquanto está pegando fogo, digamos assim. Ela está...
E aí o negócio vai lá pra dentro, aí você abre aqui e vê lá dentro a fuligem, né? Isso, exatamente. A pessoa que não, que foi queimada, já morta... Você não vai encontrar esse sinal. Então você encontra ali as vias aéreas sem fuligem. Passado. São detalhes assim, né? Eu te perguntei se teve um caso que te chamou a atenção. Você contou do seu amigo, mas teve algum ou não? Ou você não...
Muitos casos me chamam a atenção, às vezes não só pelo caso em si, mas sim pela história por trás daquele caso. Sim, muitos casos. Eu me recordo. Às vezes a gente tem muita identificação quando é uma história ali que lembra a sua. Sim, é.
Eu acho que Quem, às vezes o profissional Que tem filhos, às vezes deve Doer muito fazer uma Necrópsia de uma criança, de um nenenzinho Porque Ele remete às vezes ao Filho, a filha
me causa muita tristeza também ver fazer necrópsia de idoso, porque tem uma relação, tinha uma relação com os meus falecidos avós muito próxima, então é uma coisa que me dói muito e às vezes também quando tem uma relação de identificação, que é uma pessoa muito parecida comigo, muito parecida comigo, muito nova
Ou às vezes a idade próxima. Idade próxima, sim. Então esses casos às vezes me sensibilizam. Lembro de um rapaz que tinha muitas características ali que eu me identificava e tinha perdido a vida com um acidente doméstico bobo. Foi eletrocutado mexendo na tomada. E ele estava vivendo ali um momento de vida muito parecido com o meu.
Estava reformando ali a casa dele, inclusive ele estava lá mexendo nas coisas, reformando a casa dele. Justo mais ou menos na mesma época que eu também estava passando por isso. Então isso me sensibilizou muito. Ver que poderia ser eu, poderia ser qualquer pessoa. Acho que é importante a gente ter esse pensamento. Eu vejo isso, quando eu vejo pessoas que falecem...
sei lá, da minha idade, ou jovens, ou tiram a vida, eu fico bem sensibilizado também, eu vejo, nossa, olha, é mais novo que eu, às vezes, a pessoa vai. Acho que criança é a pior, né? Criança... Você também já teve casos de crianças, corpos de crianças que chegaram lá pra você?
Sim, acontece muito porque é muito triste porque a gente está vendo uma... pelo menos em ML, o necrotério recebe corpos de mortes violentas. Então, nesses casos, quando envolve a história interrompida de uma criança...
Tem uma causa violenta, uma causa externa. Foi acidente ou alguém fez alguma maldade? E quando envolve alguém ter feito alguma maldade, fazer uma maldade com uma pessoa tão indefesa, isso é difícil você não ficar indignado, você não ficar sentido, você não ficar tocado. Então sim, acontece também. De chegar lá e você... É, imagina, deve ser...
Deve ser horrível, assim. Horrível não, né? Que é só profissão, mas... Cara, eu vejo, às vezes, os seus vídeos, eu vejo aqueles que você fala, prepare comigo para um plantão e tal. Qual é o seu horário de trabalho, normalmente? Os plantões são de 12, 24 ou 48 horas. Esse é o 48 horas ao máximo.
Como assim? Você fica 48 horas lá? Sim. Estava esse final de semana, inclusive. Como assim? Eu trabalho três horas gravando podcast e já estou cansado, Sara. Imagina 48 horas. Mas como é que funcionam os plantões? Então, é porque as pessoas acham que o plantonista não dorme e não descansa. Mas sim, a gente dorme, a gente descansa.
Tem um alojamento. Durante esse período, né? Isso, durante esse período. Tem alojamento, tem tudo arrumadinho, tudo direitinho. Então, depois de uma necrópsia, toma o banho. Tem o vestiário, você consegue tomar banho, consegue se arrumar. À noite, não tem movimento, não está acontecendo nada, você consegue descansar, você consegue dormir. E nem todo plantão é de 12 horas. É 12 horas exatamente trabalhando, fazendo uma coisa atrás da outra. É, também acho que não... E você fica sozinho lá?
Não, de forma alguma. É toda a equipe. Ah, tem uma equipe inteira. A equipe plantonista lá do dia. É o médico legista, o perito criminal e o auxiliar de autópsia. A equipe mínima. Além disso, tem também auxiliar administrativo, tem motorista. Depende ali do tamanho e da complexidade do núcleo. Então, quer dizer, é um plantão de, sei lá, 24 horas. Ou de 48 horas, que eu acho que é o mais hard ali. Você tá lá, fez alguma... Fez arm, né, ah...
autópsia, né? Terminou, tomou seu banho e falou, gente, vou descansar um pouco, tal. Aconteceu alguma coisa, Marcelo, o pessoal te acorda. Exatamente. É isso, é assim. Exatamente, exatamente. Entendeu? Tá dormindo, mas tá de plantão. Isso, isso. Tô lá de prontidão. Qualquer coisa que se acontecer, é só bater lá, me avisar que a gente resolve.
Marcelo, levanta aí que chegou a acontecer alguma coisa. Boa, muito bom saber. Eu te perguntei do fato de ficar sozinho, porque você falou que não fica. Mas, nesse caso, a gente trabalha com a mente também, pensando em várias coisas. Então, por exemplo, você falou que já trabalhou com uma pessoa que você viu que era da sua idade. Aí tem a história da vida, né? De, ah, a pessoa estava reformando a casa e tal. Você se viu ali e tal.
existe alguma... Eu não sei como perguntar isso sem ficar rodeando, mas existe alguma coisa sobrenatural que aconteceu, chegamos nesse momento. Mas alguma coisa que, sei lá, que você julga estranha ou... Eu sei que é ruim porque você é um policial, você é um médico legista, não vai ficar falando que, ai, tem fantasma lá onde eu trabalho. Claro que não.
Mas a nossa mente produz muita coisa, né? Imagino que... Bom, se fosse a minha, produz coisa toda hora. Se eu trabalhasse nessa área, não sei. Mas como que é essa coisa assim da... Como que você administra a sua mente com o teu trabalho? Com alguma coisa que você viu? Uma porta que bateu falando... Calma, gente, tá ventando, não tem nada.
Tem alguma coisa que aconteceu ali nesse momento? Exatamente. Eu sou uma pessoa que racionaliza muitas coisas. Então, quando acontece alguma coisa, a primeira explicação que eu vou procurar é a explicação mais racional. Eu não vou pensar, ah, isso aqui foi uma assombração que veio me assustar. Teve um fato, falei assim, vou contar para o Dan, porque eu tenho certeza que ele vai ter uma interpretação, às vezes, levando para o sobrenatural, e eu tenho uma interpretação levando para o racional.
Em um dia de trabalho no necrotério, nós recebemos, teve uma situação lá na região de um criminoso que tinha sequestrado um motorista de aplicativo e ele trocou tiro com esse criminoso, eram dois. Essa dupla trocou tiro com a polícia.
E morreram lá no confronto. O corpo dos dois foi levado pro necrotério. Quem que morreu? Os dois trocaram tiro com a polícia. A dupla que trocou tiro com a polícia foi levada pro necrotério. Qualquer caso, ele sequestrou um... Sequestrou um motorista de aplicativo.
Trocou tiro com a polícia, os dois que trocaram tiro faleceram, foram para o necrotério. O motorista não. O motorista não, ficou bem, ok. E para o corpo ser liberado no necrotério, eu preciso fazer uma declaração de óbito. E para fazer a declaração de óbito, eu preciso identificar com o documento certinho da pessoa. Só que o bandido não tinha lá documento certinho.
Quando a família foi lá liberar o corpo do bandido, eu falei assim, olha, sem documento dele a gente não consegue liberar. Isso já estava de noite, final ali do plantão. Falei, sem documento a gente não consegue liberar. Precisa ali de um documento dele certinho para poder liberar o corpo. A família, ok. A gente vai buscar em outro lugar, só que agora à noite não vai dar. A família não gostou, mas entendeu. Eles falaram assim, amanhã de manhã a gente traz e resolve isso.
Beleza. Eu falei para o auxiliar, falei, olha, vamos guardar o corpo e vamos dormir. Amanhã de manhã a gente resolve isso. A gente levou o corpo para a câmara fria, deixou lá o corpo para amanhã seguinte a gente resolver. Era só um corpo que estava lá? Era o outro, a gente conseguiu liberar. Isso. E fui dormir. Fui para o alojamento dormir, o auxiliar foi para outro alojamento, o perito criminal foi para outro alojamento.
De madrugada, eu já estava cansado, era um dia de plantão. Eu acordei com alguma coisa forçando a porta. Eu percebi uma batida na porta que o meu instinto ali foi levantar correndo e segurar a porta. Meu Deus do céu. Porque eu pensei que alguém estava ali forçando muito para tentar abrir. Eu segurando a porta, olhei assim embaixo, falei, fulano, é você? Pensei que fosse o auxiliar, que ele estava me chamando para alguma outra ocorrência, é possível? Olhei embaixo, aquela escuridão por baixo da porta.
Aí fiquei mais uns minutos em silêncio. Vi que realmente estava trancada. Peguei o celular para ver se alguém me ligou e eu não estava ouvindo. E nada? E nada. E ninguém. Tranquei a porta. Falei assim, vou voltar a dormir, porque não deve ter sido nada. Muita coragem de voltar a dormir. Eu já ia levantar. Apaguei a luz.
Deitei de novo, dormi. Quando foi sete horas da manhã, a família do cidadão chegou para liberar o corpo. E eu comentei isso com o perito criminal, que é uma pessoa muito espiritualizada. Comentei com ele. Falei assim, amigo, essa noite eu tive uma experiência muito estranha. Eu estava dormindo, estava muito cansado, estava dormindo. E à noite tentaram abrir a porta.
E esse colega de trabalho falou assim, Marcelo, eu tive uma experiência muito parecida. E na minha crença, gente ruim dá trabalho até depois que morre. Aí ele falou, quando acontecer isso, Marcelo, reza, faz uma oração. Eu agradeci, mas como eu disse, eu tento sempre racionalizar. Será que não foi a minha cabeça cansada depois de tantas horas de plantão, criando ali, pregando uma peça em mim? Não sei, não tem como saber.
É, mas... O que ele falou faz muito sentido. Gente ruim da trabalho até depois de morto. Você não vai me liberar não? Eu já estou imaginando essa coisa mais lúdica. Mas você não viu nada. Como que foi? A porta foi empurrada? Você sentiu que ela estava empurrada? Sendo empurrada? Eu acordei com a pancada na porta, alguém tentando quase que arrombar aquela porta.
Com força, com raiva. E você não chegou a abrir? Não, de jeito nenhum. Eu a segurei e falei, uai, o que que tá acontecendo? Será que é alguém tentando abrir? Não tava armado? Não, não tava. Não tava. Tá vendo, podia ter gritado pro espírito. Tu armado! Se bem que nem adiantar nada. Mas não poderia ser uma pessoa, Marcelo? Poderia, poderia ser uma pessoa, tanto que eu chamei, vi que tava tudo escuro, peguei meu celular, falei, uai, mas, sabe que alguém tá tentando Mas na hora que você segurou, parou? Parou. Parou.
Então, sabe o que já aconteceu comigo? Talvez pode ser mais ou menos. O sonho é muito real. E aí, às vezes, eu já sonhei que tinha uma mulher gritando no meu ouvido. Na hora que eu acordei, eu falei, gente, quem que tá gritando? Só que não era, era no sonho.
E aquele grito é muito real. E aquele grito é real. Então talvez... Estamos tentando racionalizar, tá? Exatamente. Então talvez alguém... Você ficou com isso na cabeça. Você ouviu um barulho de alguém empurrando. A tua cabeça falou... Alguém está empurrando a porta. Na hora que você acorda e vai lá, não tem ninguém. Isso. Exatamente. Não tem nada com você. Exatamente. Só que a sua cabeça falou... Não tem sim. E aí você fala... Não tem sim.
Porque a gente tá... Minha mãe que fala. A gente acorda até... Qual a palavra que ela usa quando a gente acorda? Até tonto de sono. Tonto de sono. O que foi? Sem entender, né? Onde você tá. Até você... Sabe? Já viu aqueles vídeos de susto que a pessoa tá dormindo, vem alguém cantando parabéns. Parabéns. Parabéns. É porque a pessoa às vezes tá sonhando alguma coisa, né? Então talvez pode ser isso, né? Ou pode ser o espírito. Pode ser. Vai de interpretação. Você tem religião, Marcelo?
Eu acho que, pelo que eu acompanho do seu podcast, eu acho que a gente tem uma visão muito parecida. Porque eu acredito em algo, mas eu não sigo nenhuma religião. Como uma pessoa ali dos anos 80, um homem LGBT dos anos 80, acho que eu não fui acolhido por nenhuma religião, então não encontrei ali uma religião, uma casa. Pra seguir a má fé, né? Você nunca teve alguma religião?
Não. Como a minha família era católica, por muito tempo eu fui católico de IBGE. Quando alguém perguntava, eu falava. Mas eu não seguia, não professava isso. É igual eu também. Mas eu fui pra católica, fiquei, gostei muito da católica, participei de grupos de jovens. Mas é igual você falou, também sou um homem LGBT dos anos 80, de 85.
Você nasceu 86, né? Isso. Olha a entrega da idade do Marcelo ao vivo aqui, pra duas mil pessoas que estão assistindo a gente. Mas você não liga, né, de falar a idade. Tem gente que não gosta e fala idade. Eu falo a minha, porque eu tenho 26 anos, Sarah. E eu 27. E você 27? Não, você tem 25. Você nasceu um ano depois. Não, é também, sou um homem LGBT que tive religião, mas hoje em dia é que é aquela coisa, né? Tem uma lenda urbana sobre médicos, que médicos são todos ateus, né?
Falam isso. Não, é médico? Imagina, médico não acredita em nada. Eu já conheci muitos médicos que têm uma fé, acreditam e tudo mais. Eu me coloco hoje como agnóstico, que é o eu não sei, mas quero que tenha algo. Porque esses dias eu estava pensando, ô Marcelo, sobre...
sobre assim, porque é muito fácil pensar, né? Morremos, acabamos, né? Acabou mesmo, não tem mais nada, não tem Deus, não tem diabo, não tem mais nada. Só que não é loucura, esses dias eu tava, esses dias, que dia é hoje? Terça, anteontem, domingo, enchi minha banheira, porque eu mereço, enchi minha banheira, coloquei um saiz ali de banho, aí fiquei debaixo do...
No chuveiro, na banheira, água quente, assim. Aí teve uma hora que eu fiquei bem em posição fetal dentro da banheira, relaxando as minhas costas, que tá toda ferrada.
E aí eu falei, nossa, eu já fiquei nessa posição, dentro da barriga da minha mãe, respirando. Não é uma coisa maluca, você para pra pensar, a nossa vida, a nossa concepção, a nossa formação. Quem que é o Daniel? Quem que é o Marcelo? Olha eu brisando e indo longe, né? Mas quem que é o Daniel? Quem que é o Marcelo que...
Veio de dentro de uma barriga, dentro de uma placenta. A gente já ficou lá assim... Cara, que loucura! E aí, por isso que eu acredito que haja algo, né? Depois da morte. Que o Daniel, o Marcelo, a Sara, todo mundo que está assistindo, tem uma alma que um dia vai, que vai, né? Essa coisa do cara ter batido... Talvez um espírito ter batido na porta ou não.
Então, quer dizer, eu prefiro ser o agnóstico que tá ali no eu não sei, porque a gente não tem explicação, né? Você lida com pessoas mortas todos os dias, mas essas pessoas tiveram uma vida, você lida com o corpo delas ali, né? Então, eu também vou nessa área do eu não sei. Você também tá nessa, do eu não sei.
Também. Isso que você falou sobre ter algo depois me pega muito também. Eu penso muito nisso. Esse ano, Dan, eu perdi um grande amigo. Ele faleceu em um acidente de trânsito, um acidente de trânsito na rodovia. Um acidente de ônibus na rodovia. Nossa, ônibus? Sim. Ele estava nesse ônibus? Ele estava nesse ônibus. Cinco pessoas perderam a vida, inclusive ele. E esse meu amigo é um amigo muito querido. Ele teve uma vida, Dan, muito sofrida. A vida dele foi muito difícil.
Ele foi adotado. Quando ele se assumiu LGBT, ele foi expulso de casa pela família adotiva. E, na verdade, essa expulsão ainda foi um abandono horrível, porque deixaram ele numa cidade que ele não conhecia ninguém, que era Uberlândia, onde eu o conheci. E nós fomos grandes amigos por muitos anos. E mesmo com uma vida tão difícil, tão sofrida, ele tinha sempre um sorriso no rosto. Ele era uma pessoa muito agradável.
Alguém que eu ligava quando queria contar alguma coisa. E antes dele falecer, ele tinha ido lá em casa, a gente conversou, a gente tomou um vinho. E ele me contou que ele teve muito problema financeiro, ele estava numa situação um pouquinho melhor. E ele ia realizar o sonho dele de ir para Salvador, conhecer a praia em Salvador. No retorno...
Quando ele estava retornando, eu tinha até pensado, vou mandar uma mensagem para o meu amigo para saber como foi de viagem. Quando eu pensei nisso, me ligaram do local do acidente para poder informar e falar o que tinha acontecido. Eu fiz a orientação, entrei em contato com o ML mais próximo e eu fiquei pensando nisso. A vida dele foi tão difícil, tão pesada, ele sofreu tanto. E quando as coisas estavam melhorando...
Naquele momento ali, ele não pôde usufruir isso, ele perdeu a vida dessa forma tão trágica. E ele tinha uma rede de apoio muito grande. E eu fiquei pensando, será que isso não é tão injusto? Conversei com uma amiga, minha amiga falou, Marcelo, talvez a missão deles tenha sido justamente essa, mostrar isso, ensinar isso pra gente. Mas eu fiquei pensando nisso, sim.
E o que aconteceu? Caiu a foto Sabe que engraçado Não, mas isso daí tá com uma cola meio ruim Sempre eu coloco numa colinha Podia falar que é fantasma, mas não é Do nada caiu Como é que é o Quem caiu ali é o
Não, é o porta-retrato. Foi o abajur. Meu Deus. Quando ele faleceu, ele brincava comigo, ele falava assim, Marcelo, quando eu morrer eu vou voltar pra puxar seu pé. Só pra te implicar. Se você tivesse falado isso antes, o negócio caído. Aí eu ia encerrar esse podcast agora. Então, ele falava isso. E quando eu tava em casa, tava com meu esposo, com o Paulo, tava conversando.
E eu estava falando, ah, amigo, segue seu caminho. E relembrei, falei assim, ah, você falava isso, que você ia voltar para me implicar, para me assustar. E quando eu falei isso, o nosso filtro deu uma pane, começou a vazar água pela cozinha. Aí o Paulo falou, Marcelo, para de atentar. É, para de atentar. Seu marido tem religião ou não?
Ele veio de um berço evangélico, mas também passou pela mesma coisa. Não foi acolhido por causa da sexualidade dele e hoje ele não segue a religião. Eu não entendo, mas a gente vem dos anos 80, né? Mas eu não entendo o que é não ser acolhido. Na verdade eu entendo, os familiares não conseguem compreender quando somos gays e LGBTs e tal. Mas eu não entendo essa coisa de não ser acolhido. O que as pessoas querem? Que a gente vire hétero? É, Farah?
Que a gente... Deus, para Deus, eu sou livre. Eu não entendo isso. Seu marido passou por isso também, então. Com a família que não acolheu. Na verdade, todo o ambiente religioso e o ciclo de amigos estava dentro ali de uma igreja evangélica que não via com bons olhos a pessoa ter uma vida que não seja heterossexual. O que eu acho incrível eu fico revoltado. O que eu acho incrível é assim, ah, eu não concordo com a sua vida, mas te preocupa com a tua vida não com a minha.
tua. Tem um cara que fez esses dias um desenho numa lousa, ele desenhou uma bolinha e desenhou outra bolinha. Aí ele falou, essa é a minha vida. Essa é a sua. Só que eu estou aqui e você também está aqui. Você tem que estar aqui na tua vida. É a tua vida que você tem que preocupar. Eu fico passado com o povo querendo mandar na gente. Eu vou começar a mandar em gente também. Vou começar a ver gente hétero e falar... E aí
Quero que você seja gay. Eu não quero você casando com... Porque a gente é absurdo. Mas isso a gente fala brincando. Mas a gente sabe como que é essa relação familiar dos anos 80, 90. Que melhorou um pouco. A gente sente isso. Mas assim, tem muito ainda pra melhorar. E dentro da profissão? Da polícia? Como é que é isso? Você fala. Você já sofreu alguma homofobia lá dentro? Como é que é?
Nunca, graças a Deus, sempre fui muito bem respeitado em todo o meu ambiente profissional. Não só como médico legista, como patologista no hospital, em toda a minha vida. Sempre fui muito bem respeitado. Você falou do caso da sua chefe, da sua chefa, que ela...
Teve ali um momento que ela... O cara, o abusador, olhou pra ela, meio que lançou um. E ela... Ela não abaixou a cabeça, exatamente. Ela não desviou o olhar. Com mulher é uma coisa, né? Com homem... Mesmo um homem guia é diferente também, mas também tem, né? Mas você nunca sofreu nada dentro da polícia. Eu sempre fui muito respeitado em todos os ambientes policiais que eu fui. Eu ouço muito falar... E claro, gente, assim... É ou é...
Não participo, não sou policial, não é o meu lugar de fala. Mas eu ouço muito falar que tem muitas organizações da polícia que são muito homofóbicas. E parece que também está mudando esse olhar sobre os LGBTs dentro da polícia. Porque sempre me vi... Eu, pelo menos, quando fui prestar o tiro de guerra, eu sei que tem nada a ver com a polícia.
Mas pra mim tava tudo ali. Exército, tiro de guerra, polícia, tudo que é... Eu tinha medo também. Eu morri de medo. Eu fui cinco vezes. Meu Deus do céu. Eu cheguei a tirar. Eu fiz aquele... Falaram que tinha aquele exame que você tinha que fazer pelado perto dos outros. Eu fiz esse exame. Eu fiquei morrendo de medo, de vergonha de ficar pelado. Tem que assoprar. E o cara, vamos lá, assopra aqui, não sei o quê. E aí depois tirei até a medida pra farda. Aí teve um dia que eu cheguei e falei assim, gente, vai ser.
Vai ser, eu vou servir ao exército, pelo amor de Deus. Eu não quero, eu não quero. Aí no último, eu lembro que a gente chegou lá, era sete da manhã, tava passando um desenho, aquele Getting Long, eu lembro desse desenho? Getting Long, Getting Long, não lembra? Não lembro, não lembro. Aí tava passando no SBT, eu lembro que eles colocaram uma TV, todo mundo sentado num pátio, assim, eles falaram, bom, o nome que eu chamar aqui vai servir.
Os outros estão dispensados por excesso de um contingente, alguma coisa assim. E aí chamaram o Daniel, mas era o Daniel Pinheiro, eu lembro até hoje o nome. Daniel Pinheiro, eu falei... Daniel Pires! Aí eu, nossa, eu fiquei tão feliz aquele dia, aquele dia. Eu falei, meu Deus, eu morria de medo, morria de medo pro exército. E aí teve um primo meu que serviu e tal. E eu tinha medo pela homofobia. Eu não tinha medo por ter que acordar cedo, por ter que... Não, é pela homofobia.
E aí, então eu não sei como é, mas falam que é. Então, pelo menos lá no seu trabalho você nunca sofreu nada. Não, e desde a época da faculdade, é porque nessa época também, Dan, a gente não olhava às vezes com o olhar de ver essa instituição como uma profissão.
Que traz muitos benefícios também. Quando eu escolhi ser médico legista, eu avaliei muitas coisas. Possibilidade de salário, de crescimento profissional, de plano de carreira. E nessa época também eu tinha medo, porque eu não olhava para esse lado. Depois, quando eu já estava na faculdade, eu comecei a olhar para essas outras instituições e falei, nossa, isso aqui é uma oportunidade interessante de crescimento. No último ano da faculdade de medicina, a gente tem a possibilidade de se alistar na aeronáutica, na marinha ou no exército.
E eu tenho muitos colegas que foram E colegas LGBTs que foram também e fizeram carreira E hoje eles estão muito bem financeiramente
Naquela época, eu cheguei a cogitar a possibilidade de ir para uma dessas instituições. Cheguei a ver como que era o plano de carreira, eu achei muito interessante. Não sei como teria sido minha vida, não sei se lá seria diferente, não sei se lá eu teria passado por alguma situação dessas. Não sei, não sei, porque realmente a gente vê muitos relatos, pessoas que talvez passaram por isso, mas acho que realmente as coisas estão mudando.
Acho que estão vendo que nós estamos aqui, nós existimos e nós exigimos respeito.
Teve um caso de um cara, de um policial que estava fardado com o namorado dele dentro do metrô aqui em São Paulo. E ele estava de farda, acho que era PM, policial militar. E aí ele deu um beijo no namorado dele e gravaram isso, colocaram na internet. Você lembra disso, nesse caso? Lembro disso.
Gravaram ele dentro... Gatíssimo, inclusive. Gravaram ele dentro do metrô. Ele estava conversando e tal, mas eles estavam abraçados, assim, como namorados, trocando uns beijinhos. E uma pessoa amargurada gravou, assim, com o celular escondido e postou na internet. O que dá...
O que eu não entendo, a gente estava até falando isso nos bastidores, o que eu não entendo como que não dá problema para essas pessoas o direito de imagem. Ah, mas dá. Isso aí dá um processo. Dá processo, né? Porque hoje em dia o que eu mais vejo é a gente, por exemplo, chegando assim, ah, você vai votar em quem? Aí a pessoa fala o voto dela. E aí a pessoa que está perguntando já dá uma patada e bota aquele meme. Corte rápido!
Ou bota aquele meme do cavalo. Eu falo, gente, você vem me entrevistar e ainda você tá me tirando de chacota. Pessoal, vocês que acontecem isso com vocês, vocês sabem que vocês podem processar se vocês não autorizarem a imagem de vocês. Eu lembro na faculdade que eu não sei como que serve isso para a internet. Mas no vídeo, pra televisão, até a voz no rádio, você tem que pedir autorização pra pessoa. Aí tem gente que fala assim, ah, mas se a pessoa deu a entrevista é porque ela tá autorizando. Não, não, não, não, não, não.
Não, não, não, não. Então esse negócio de direito de imagem é muito sério. O pessoal do direito às vezes vai saber falar melhor, mas a exposição já presume que teve ali algum prejuízo para a vida dela. Então se você foi exposto de alguma forma, você não precisa nem comprovar que houve prejuízo. Só de você ter sido exposto já significa que você pode... Eu vejo umas pessoas que estão andando na rua fazendo...
feira, sei lá, andando ali na Angabaú. Ah, com uma bolsinha aqui, as mulheres. Aí vem alguém, oi, fulano. Por exemplo, tem um que eu vejo que sempre fica assim, ó, você acredita em Jesus Cristo? Meu amor, você não pode mostrar às pessoas que ela fala, não quero. Porque quando for abordado, tem que realmente falar, não atorizo minha imagem, entendeu? Nem borrada, não quero a minha imagem.
Eu não entendo, por isso que eu acho que... Eu começo a ficar nervoso na frente do convidado, começo a gritar aqui, né, Sara? Mas não é, Marcelo, eu não entendo essas coisas. Porque, por exemplo, pra vocês que trabalham com...
com pessoas com corpos, com cadáveres. Isso é muito sério também, por exemplo. Vocês não podem tirar uma foto, olha gente, e postar na internet, olha esse corpo que chegou aqui. E já aconteceu, né? Jamais isso pode ser exposto. E a gente tem aqui dois casos de repercussão que o pessoal vai se lembrar. Um caso, Cristiano Araújo.
Esse daí pra mim é o mais absurdo de todos, lembra? Aquela exposição que aconteceu não foi em IML. O corpo dele foi pro IML pra ser autopsiado, porque tratava-se de um acidente. Mas depois do IML ele foi pra uma funerária onde o corpo ia ser preparado antes de ser entregue pra família. E nessa funerária o pessoal que tava lá em contato com o corpo...
achou que seria de bom tom tirar foto, tirar selfie com o corpo do Cristiano Araújo. Isso é crime, isso é vilipêndio ao cadáver. Aquele corpo foi vilipendiado, foi desrespeitado. A família foi exposta, a família foi desrespeitada. Outro caso que teve também de repercussão foi o caso da Marília Mendonça.
Das fotos. Aquelas fotos que vazaram são fotos da necrópsia, mas são fotos do laudo de autópsia dela. Quem tem acesso àquele laudo? Profissionais, a própria família tem acesso. Não sei como que fotografaram aquilo e vazaram.
Meu pai do céu. Outro caso, isso é vilipendi. O corpo dela tá sendo vilipendiado, a família tá sendo desrespeitado. E quem faz isso tem que responder judicialmente por isso. O do Cristiano Araújo, eu me lembro que era vídeo. Tinha vídeo também. Foi vídeo. E eu me lembro que o vídeo ficou na internet rodando livremente em grandes sites, plataforma de vídeo.
Eu lembro que na hora que você falou dessa parte das... Como é o nome? Das costelas. Eu lembro que isso aqui estava aberto nele, assim. Eu falei, gente, mas o que é isso? Eu lembro que eu trabalhava em jornal, a gente recebeu os links e os vídeos pra...
pra falar, ó Daniel, aí ó, estão sendo expostos. Porque eu lembro quando ele faleceu, a gente fez várias matérias e tudo, falando da morte, foi um acidente de carro, né, que parece que tinha vídeo também dele ainda vivo na rodovia, dele chegando ao hospital, porque quando um famoso morre...
É aquela coisa, né? A galera vai que nem... Não todos, obviamente, mas tem gente que vai que nem urubu em cima pra fotografar. Ó, aqui, ó, aqui, ó. Isso é crime também, né? É. Essa exposição já é crime. Então isso... O crime é de vilipendiar o cadáver. Vilipendiar significa desrespeitar. Desrespeitar aquele corpo. Aquele corpo tá sendo desrespeitado, tá sendo vilipendiado. Se um profissional...
como um médico legista, que é a sua profissão, não é o seu caso, obviamente, mas um médico legista ou alguém faz isso, ele é afastado do cargo? Como é que é? Com certeza ele vai ser processado em todas as esferas possíveis. Esfera administrativa dentro da empresa, esfera criminal pelo vilipêndio e esfera cível pela família, com certeza. Vai ser processado, ele vai ser responsabilizado por isso em todas as esferas. Pelo amor de Deus.
E aí deve ser uma pena grande, né? Ah, com certeza. Será que vai preso? Você chega aí preso?
Acho que no Código do Processo Penal, o vilipende ao cadáver, dá prisão, multa, multa penal, eu acho que dá sim.
Mas, uma pergunta bem sincera, assim, mas dá mesmo, Marcelo? Porque eu já vi casos, assim, de... Casos extremos, né? De gente que mostra e tal, e parece que não dá nada. Essas pessoas... Por exemplo, você sabe se do Cristiano Araújo foram condenados? Eu não sei dizer sobre esse caso em específico. Da Marília Mendonça também. Eu acho que o dela parece que foi. Eu me lembro que...
Parece que a pessoa que vazou... Chegaram no cara que vazou. Parece, não me lembro. Mas eu acho que do Cristiano também conseguiram localizar a pessoa. Virou a funerária que é... Mas eu acho que da Marília, ele foi penalizado. Chegou a ser preso. Acho que está preso. Agora, do Cristiano Araújo, eu não sei. Ah, foi mesmo. No caso da Marília Mendonça, eu acho que a pessoa que estava divulgando... Era um hacker, alguma coisa assim.
Acho que ele teve acesso a isso, a esses vídeos. Estava hospedando e divulgando. Eu acho que o caso da Marília Mendonça foi esse. É, eu acho também.
E aí, esse dia eu vi um advogado falando, eu sei que não é a sua área, mas eu vi um advogado falando na internet, enfim, toma cuidado com os grupos que você está no WhatsApp. Porque às vezes esses grupos estão compartilhando coisas criminosas e você está lá de bobão, não está nem sabendo. E você está lá, você vai preso, é chamado na delegacia, é detido, é processado. Mas, gente, eu só estou nesse grupo, eu não vejo, está silenciado aqui.
Até você provar isso? É, até você provar. Mas lá está sendo compartilhada foto de gente morta, tal, tal, tal. Chega vocês denúncias desse tipo de coisa que acontece? Sim, caso isso aconteça, a investigação cabe ao perito criminal.
Perito criminal que vai avaliar isso. Tem perito criminal da área de cibersegurança, tem perito criminal da área de eletrônica, ele que vai avaliar isso. Realmente, não é a minha área. Boa. Topa responder umas perguntinhas? Claro. Do público? Muito que bem. Então, você que está em casa, se quiser mandar perguntas aqui para o doutor Marcelo Rocha, que é médico legista lá em Goiás, lá em Catalão Goiás, mas mora em Uberlândia. É preciso conhecer a Uberlândia.
Ah, vai ser muito bem-vindo. O que tem de bom lá em Uberlândia? Tem muita coisa. Antes de falar de Uberlândia... É muita coisa boa, mas o que você se indica? Além da cidade de Uberlândia, ali do lado, Uberaba, é a terra do Chico Xavier, onde tem o memorial do Chico Xavier. Eu sempre confundo com Uberlândia, é Uberaba, é verdade. A gente brinca que as duas cidades do Triângulo Mineiro com a letra B, Uberaba e Uberlândia. Ah!
É verdade. E Belo Horizonte. Tem o Belo Horizonte também. Mas o Uberlândia tem muita coisa boa pra fazer, sim. Tem a parte ecoturismo, de cachoeira. Tem um clube muito bom. Tem um hospital excelente, que é o hospital onde eu leciono, onde eu sou docente. Ah, você é docente também, né? Sou docente, sou professor da Universidade Federal de Uberlândia, que é uma universidade muito grande, modéstia a parte falando, com bons professores.
professores. Aí, ó. Muito que bem. Então, se você quiser mandar perguntas pro Marcelo Rocha, que é médico legista, tá aqui no LendaCast pela primeira vez, manda agora aqui pelos comentários. Quer ir ao banheiro? Quer tomar uma água? Vai ao banheiro. Então, daqui a pouco eu vou. Daqui a pouco é minha vez. Eu ofereço pro convidado primeiro, porque eu quero ir, entendeu? Ó, vou aproveitar que o Marcelo foi ao... Deu uma...
pausa aqui, pra falar o quê? Pra fazer um convite pra você, né? Você já deve saber desse convite. E tem gente me perguntando sobre a viagem, tem gente perguntando, né, Sarah? Falando que não estavam conseguindo falar com a agência. Ó!
Você quer viajar comigo em novembro? Sim! Juntos vamos viajar em novembro para onde? Para a Europa, com um roteiro pensado para explorar lugares que eu já visitei e de histórias que eu sempre conto aqui no LendaCast. Qual é o destino? Itália. A bela Itália. Já começamos aí um projeto internacional. Como que isso vai acontecer?
O LendaCast está com uma parceria com a agência de viagens, inclusive Travel, que já leva grupos de influenciadores com seus seguidores para destinos incríveis ao redor do mundo. É uma experiência completa com tudo organizado, muito bem organizado, diga-se de passagem, para você se preocupar apenas com uma coisa, curtir cada momento comigo.
A viagem vai acontecer em novembro desse ano, de 2026, e tem duração de duas semanas. Ou seja, eu e você vamos passar duas semanas grudadinhos no mesmo avião, no mesmo ônibus, nos mesmos hotéis, quatro estrelas, tomando café da manhã juntos e visitando lugares incríveis lá pela Itália. Então dá tempo de se programar e também é super possível fazer essa viagem, já que as condições de pagamento são facilitadas. Além disso, o pacote inclui café da manhã e jantar.
Essa viagem é uma imersão em cultura e lugares cheios de significado pela Itália, incluindo histórias como as de Carlo Acutis e Padre Pio, além de conhecer os principais pontos turísticos de Roma. Mais informações está aqui no QR Code, aqui do lado, o QR Code que aparece aqui na tela ou no link disponível na descrição desse vídeo. Pode vir, Marcelo, vem cá. Marcelo, vamos para a Itália em novembro? Tira duas semanas aí.
Adorei a ideia. Já vou pedir as minhas férias pra novembro pra gente viajar. Vamos pra Itália. Duas semanas. Morro de vontade de ver esses corpos incorruptos. Vamos, vamos. Tem muita curiosidade. Vou te mandar o link pra você, de repente, se você quiser ir com seu marido, vai ser um prazer. A ideia é ir com os seguidores, né? Eu tô com um projeto com essa agência, que a ideia é ir pra Itália e visitar Carla Coutts, Padre Pio, Santa Rita de Cássia.
E é verdade, o corpo de corpo não tinha mitocária total, sua área. Sim. Quando nós perdemos a vida, o nosso corpo passa por transformações. Ele passa pela chamada marcha da decomposição. Primeiro ele vai passar por uma fase de coloração, ele vai mudando a cor dele. O corpo todo. O corpo todo. O corpo todo. Começa especificamente na região do abdômen, chama mancha verde abdominal. Aquela mudança da cor do corpo começa justamente pelo abdômen. Então, vamos lá.
Depois da mancha verde abdominal, começa o período de produção de gases, a fase gasosa. Dois dias até sete dias, ele começa a inchar, a produzir muitos gases. E é um período que o corpo tem um cheiro muito forte. Que ele produz ali, algumas bactérias produzem o cheiro da putrefação.
que é a cadaverina, algumas aminas voláteis, a potrecina e a cadaverina. E depois ele entra no período de liquefação, que vai se liquefazendo, e depois esqueletização. Então essa é a marcha da decomposição que os corpos passam normalmente. Entretanto, algumas condições ambientais do próprio corpo...
causam uma preservação natural daqueles corpos. Eu acredito, sem desrespeitar, obviamente, a fé de ninguém, que aqueles corpos incorruptos da Igreja Católica sejam corpos naturalmente preservados. É uma possibilidade. Lembra que eu disse que eu gosto de racionalizar as coisas? Sim, sim, sim. Talvez essa preservação tenha sido interpretada pelas pessoas como uma incorrupção. O corpo passou por um processo natural.
De preservação. A preservação natural, existe a mumificação natural. Que o corpo, ele não entra na marcha da decomposição. Ele se preserva. Ele fica com aspecto de mumificação. Ele se desidrata, fica lá ressecado. Mas ele não se decompõe.
É, o de Santa Rita tá assim. É interessante, tenho muita vontade de ver. Quase 600 anos. E é legal porque é tudo, né? A gente vai lá pra Cássia, tá no roteiro também, passar por Cássia. E aí lá tem o quarto dela, então tem objetos da época do Padre Pio também. O Padre Pio ficou 40 anos enterrado. Quase a minha idade, o que eu tenho de idade, de 40 anos.
Ele tem sepultado, ele ficou sepultado 40 anos. E quando foi desenterrado, ele estava com o corpo incorrupto, né? Mas, na verdade, quando a gente fala incorrupto, tem uma coisa. As pessoas falam assim, ah, ele não estava incorrupto, parece que ele estava perfeito. Não. Algumas coisas tinham decomposto. Acho que o nariz, a cartilagem tinha decomposto. Acho que ele não tinha mais olhos. Mas o corpo estava inteiro. Agora, 40 anos, ficar enterrado e você ter um corpo ali inteiro com os órgãos e tudo, a barba estava lá certinha no rosto dele. A barba...
que a gente vê lá no corpo do Padre Pio, é a barba real dele. Então, é assim, para a igreja isso é um milagre, a morte não os tocou, né? Mas você falou isso da mumificação, a de Santa Rita está um corpo seco, mas não entra em decomposição. E tanto que o dela, pelo que eles falam, pelo que a igreja atesta, não tem nenhum fluido, não tem formal, não tem nada. Está do jeito que sempre foi.
Do jeito que morreu, está lá. É curioso, né? É o mínimo curioso. Muito curioso. Na medicina legal, a gente tem essas preservações do corpo de forma natural. Duas em específico, muito curiosas. Uma é a mumificação natural. Acontece geralmente em corpos que estão em lugares secos e quentes.
Então aquele corpo se desidrata muito rápido e as bactérias não conseguem se decompor. Então dependendo das condições ambientais daquele cadáver, ele entra num processo de mumificação natural. Outro processo também muito curioso é o que a pessoa passa por uma saponificação, a palavra saponificação mesmo, sabão, que é uma transformação do corpo que acontece em corpos que estão em lugares úmidos e alagados, às vezes em quente e úmido.
e ele fica com aspecto de sabão, ele não se decompõe. Ele fica bem endurecido com aspecto de sabão. São duas preservações do corpo. É muito curioso você encontrar um corpo assim. Como é o termo? Saponificação. Saponificação. Isso. Que barato. E mumificação natural.
mumificação natural. E qual que é aquela que, inclusive nessa viagem, a gente também vai passar pelo... pelas catacumbas dos capuchinhos de Palermo. Palermo é uma cidade da Itália, é uma das cidades mais antigas da Itália. Eu fui no barbeiro, né, Palermo?
Barbeiro gatíssimo, me deixou lindo. Mas eu fui no barbeiro, não sabia pedir nada pra ele. Ficava só... Ficava só, tentei usar o Google Tradutor, não consegui. Mas eu fui lá, e aí lá tem essa catacumba, o Marcelo. E tem a Rosália Lombardo, que é uma menininha que morreu em 19... 19...
se eu não me engano, ou 1902. Não, acho que ela nasceu em 1900, é isso. Nasceu em 1900 e morreu em 1902. Com dois aninhos, morreu de pneumonia. E aí o pai dela ficou tão abalado que ele conhecia um médico, o sobrenome do médico era Salafia, que ele tinha acabado de voltar do Egito e estudado mumificação. E aí ele mumifica essa menina. Ele torna ela uma múmia. Ele trata com muitos muitas...
elementos ali, o corpo dela e ela tá lá hoje até hoje como se estivesse dormindo só que aí, pelas fotos que eu via na internet, eu já fui uma vez lá pelas fotos que eu via na internet da Rosália Lombardo ela tava com a pele clara bonitinha, parecia que tava viva
Só que pessoalmente é diferente. Ela já tá com a pele escura, ela já tá bem... Você vê que tá... Você vê uma criança ali, né? Num caixãozinho assim. Mas você já vê que a pele é escura. Então mesmo com os processos, a pele ainda tem uma mudança de coloração, né? Tem uma... Não fica... Por exemplo, o Carla Kutz, ele tá bonito, mas ele tá com uma máscara de silicone. Aquilo é um silicone. Ah, sim. Aquilo não é pele. É. A mão também. Você olha na mão, parece... É uma... Parece um...
de boneco mesmo, né? Porque é um silicone, né? Que é realmente usado em bonecos o silicone. Não no caso do Carla Cudes. O caso dele foi feito em 3D, tudo direitinho, bem especial pra ele. Mas é um rosto de silicone, não é uma pele mumificada ou trabalhada, né?
Esse aspecto da mumificação é um aspecto de ressecamento. A pele está ressecada, desidratada, mas não está decomposta. Não tem bactérias ali decompondo. Ela está só ressecada e desidratada. Então muda a cor mesmo. Você falando isso, eu lembro de Santa Rita, que é do jeito que eu vi lá.
Bom, vamos lá. Então, já falei da viagem. Terminou, então, a... Terminou. Terminei de falar da viagem. Está aqui o QR Code para você abrir a sua câmera, coloca o QR Code aqui e aí vai aparecer um link. Aí você vai tirar todas as informações. Vou dar um toque para o pessoal da agência lá, para quem não está conseguindo falar com eles, para tirar as dúvidas. Mas, gente, tira todas as dúvidas com o pessoal da agência, tá? Sobre preço, sobre condições de pagamento, por onde a gente vai passar, todas essas coisas aí. Beleza?
E aí você... Vamos viajar em novembro. Vou te passar também o link, se te interessar. Vamos juntos. Como é o nome do seu marido? Paulo. Paulo. Um beijo pro Gatino. Eu falei que eu ia estar aqui, que eu ia mandar um beijo pra ele. Pra quem? Pro Gatino. É como eu chamo ele. Gatino? Você viu, né, Sara? Bem italiano. Quero um boy pra me chamar de Gatino.
Quem vai comigo pra Itália? Um beijo, Paulo. Perguntei porque, Paulo, convence aí o Marcelo pra gente viajar junto. Vai ser incrível. Aí Itália foi pra Itália? Não. É belíssimo. Vai pra Veneza. Veneza anda de gôndola.
Se a gente for pra Veneza, vai andar de gongola você, o gatino e eu no meio. Assim, aquele... Tem marido, enfia no casal ali. Fica lá. Oi, eu quero ser... Antigamente a gente chamava de vela. Lembra da vela? Vai ficar de vela? Eu sempre fui vela na minha vida. Você já foi vela na vida, Sara?
Todo mundo já foi vela na vida? Já, faz parte. Hoje em dia o pessoal tira sarro, fala que eu vou ficar de vela para sempre. Bom, vamos lá então. Sara, vamos fazer umas perguntas. Eu também preciso fazer um pipi. E aí você faz as perguntas para o Marcelo, beleza? Você gosta que te chama de Marcelo? Sim, com certeza. Pode me chamar de Marcelo. Não, Marcelo é louco. De doutor.
de forma alguma. Não? Não, não faço questão, não precisa me chamar de doutor.
Porque tem gente que é médico e fala assim, eu quero que chamem de doutor. Então, ó, a Kelly falou que eu tô com inveja, ó. Não tô com inveja, Kelly. Brincadeiras à parte. Vamos então fazer as perguntas. Vou ao banheiro, vou deixar uma pergunta aqui pra ele. E, ó, tem uma pergunta boa aqui, mas pergunta polêmica. Trevosa Lux perguntou o seguinte. Dan, por favor, pergunte ao Marcelo por que a necrofilia não é creme. Necrofilia não é creme?
Acho que eu sei o que ela quis dizer. A necrofilia, sim, ela está relacionada a um crime. Ao crime de vilipende ao cadáver. Do mesmo jeito que a zoofilia está relacionada ao crime de maus tratos aos animais. Ah, não tem um crime específico para zoofilia. No código do processo penal, não fala, não tem esse termo. Não tem um termo, pode falar? Pode, pode. Mas são termos técnicos, né?
No Código do Processo Penal não consta o termo zoofilia, não consta o termo pedo e não consta o termo necro. Não tem esses termos? Não, mas tem os crimes respectivos a ele. Na zoofilia tem o crime de maus tratos aos animais. Na pedo tem o crime de abuso de vulnerável. E na necrofilia tem o crime de vilipendia ao cadáver. Por quê? Porque quando a gente fala de necrofilia, a gente está falando de um diagnóstico, uma parafilia.
As parafilias são transtornos sexuais desviantes do habitual, do normal. E algumas estão relacionadas a casos criminais, outras a fetiches. Eu tinha comentado no Instagram, falando sobre as parafilias. A zoofilia, a pé do anecro, é uma parafilia relacionada a uma conduta criminal.
Parafilia é da pessoa que está praticando. Parafilia é o nome que a gente dá a todas essas condutas sexuais desviantes, paralelas ao normal ou fora do convencional. Mas que é crime? Nem todas as parafilias são crimes. Algumas como necro, pedo e isofilia estão relacionadas a condutas criminais.
Porque, por exemplo, a gente tem um fetiche meio doido aí. Por exemplo, de pé. Isso não é crime. É uma parafilia que a pessoa tem às vezes um fetiche. Eu estaria preso. Eu acho bonito. Não, mas, por exemplo, o de pé eu acho, já levei até pra terapia. Falei, por que eu acho bonito o pé de homem? Ele falou, é.
Porque você pode achar a orelha do homem bonita. Não tem problema. Mas eu vou num bem nojento. Tem gente que tem fetiche com urina, com fezes e tal. Isso é uma parafilia? Isso, são parafilias. O conceito de parafilia é esse mesmo. É comportamento sexual fora do convencional. E dentro desses comportamentos sexuais fora do convencional, a gente tem vários e números.
alguns ali que são citados no DSM, que é o manual da psiquiatria. A gente tem muitos. Tem o voyeurismo, que é a pessoa que tem atração em ver situações que ele considera excitante. Tem o froteirismo.
que está relacionado à importunação sexual. No froteirismo, a pessoa tem a excitação em se esfregar em outros lugares cheios. É o famoso inconveniente lá do metrô, que está cometendo o crime de ficar importunando a pessoa. Isso é um froteirismo, esse é o termo mesmo. Está lá encoxando, se esfregando nas pessoas dentro do metrô. O cara do ônibus que fica se esfregando nas mulheres ou em outros homens.
O nome dessa parafilia é froteirismo. Tem o sadismo, o masoquismo, isso tudo são parafilias. E tem aquelas parafilias também que são mais conhecidas, relacionadas a crimes muito graves, como esse que ela citou. É, porque, vamos concordar, a pessoa que tem prazer numa pessoa morta, num animal, numa criança, é doença? A gente pode falar que é uma doença?
Elas são catalogadas como transtornos, sim, no DSM, que é aquele manual da psiquiatria. E tem tratamento? Se uma pessoa chegar num consultório psiquiátrico e conversar com um psiquiatra sobre isso, provavelmente ele vai fornecer ali alguma medicação que vai diminuir o impulso sexual. Provavelmente vai iniciar ali algum plano de tratamento junto com terapia. Imagino que sim, teria que conversar com um psiquiatra que tenha algum histórico nessa área.
Quando a doutora Rosângela Monteiro veio aqui, ela falou de um caso que ela atendeu, que era um homem, que foi mantido em sigilo, obviamente, durante muito tempo, que ele sentia prazer por crianças, que ela chamava de... Tem um termo que se chama impúberis, né? Que não tem pelos no corpo. E ele estava em tratamento. E ele falava, eu nunca pratiquei, mas eu tenho esse desejo. E ele contou pra...
para os médicos, para as pessoas que estavam acompanhando ele. E ele falou, eu sei que uma hora eu vou fazer esse crime, então eu preciso de ajuda. E aí eu paro para pensar, então quer dizer, será que essas pessoas precisam falar, por exemplo, psicopata, psicopata, porque eu tenho vontade de matar alguém. Será que eles têm essa... Ele não vai procurar ajuda.
Então, isso que eu ia perguntar, será que vai... Vira essa chave da pessoa, um pedo, uma pessoa que tem prazer em zoofilia, ou uma pessoa que faz relação com um cadáver, ele...
Será que ele procura ajuda? Será que ele vai virar essa chave e falar pô caramba, eu sou doente? Ou será que não? Ele vai simplesmente reagir aos impulsos dele? Eu sei que são perguntas difíceis que eu estou te fazendo, mas assim, seria mais um estudo mais pra mente humana, né? Isso, eu acho que seria interessante conversar com alguém da área da psiquiatria, da psicologia. Mas são casos que podem acontecer sim, de chegar num consultório de psiquiatria, num consultório médico e a pessoa relatar isso e na medicina tem o tratamento que vai ser encaminhado.
A prática disso configura crime. Se isso está ali ainda na cabeça dele, isso não é crime. Aí vem a pergunta que ela falou, por que isso não é crime? Mas passa a ser crime quando sai da cabeça dele e vira ato. Ou quando também ele mantém material. Envolvendo menores, envolvendo cadáveres ou animais. Isso, exatamente.
Você sabe uma coisa que eu sempre me perguntei, assim, porque antigamente, cara, isso é muito horrível falar, mas antigamente eu já ouvia histórias de homens que falavam, ah, eu lá na fazenda, até piadinha com a ovelha aqui, não sei o quê, e todo mundo assim, oh, haha. Cara, quanto eu não ouvi isso quando eu trabalhava na época da metalúrgica. Eles voltavam na van falando assim, não, lá na minha terra é muito comum, não sei o quê. Eu falava.
Pelo amor de Deus, eles estão falando de animais. Você já ouviu isso? Essas histórias, gente? Acho que não precisa ir muito longe. Na nossa época, existia ali... Filmes. Exatamente. Pornografia envolvendo animais. Filme na locadora. Isso que eu ia falar. Exatamente. Exatamente. Olha aqui, que absurdo. E não, a gente está falando de 20 anos atrás. É, anos 90. Final de anos 90. Você vê como é que...
São coisas tão absurdas que foi ontem que as pessoas estavam normalizando isso. É. Eu acho que teve uma mudança de chave que eles falaram, opa, isso aqui é muito grave. Isso aqui não pode. Isso aqui envolve maus tratos aos animais. Isso aqui envolve algo doentio. Não dá. Tem um delegado...
Não sei se é o delegado Bruno, que eu já conversei com ele, inclusive, para ele vir o Lenda Cash. Bruno Lima, se eu não me engano. Ele estava muito à frente na questão do caso Orelha lá. Não sei se é ele, mas tem um delegado que posta na internet que ele é desses casos de... Não preciso saber quem é. Inclusive, vou convidar um dia para ele vir o Lenda Cash. Mas que ele realmente cuida de casos de maus-tratos a animais.
E tem muitos de idosos homens que abusam de cadelas, de...
De animais, dos seus animais. E aí ele posta os vídeos falando, ó, esse vídeo aqui o senhor está abusando da cadela. E não sei o quê. Ele fala, não, mas isso não. Eu não sei o quê. Não, mas eu tenho um vídeo aqui. Então quer dizer, tem gente que faz e grava, né? E tem os grupos também escondidos na internet, né? Nos discórdios da vida. Exatamente. Dos adolescentes. E não só falando de animais e menores, mas...
De cadáver também, né? De corpos também, né? Eu lembro que teve uma época, quando a Josi vinha, ela falava disso, que tinha páginas que compartilhavam esse tipo de material, né? Isso já chegou até você em algum momento? Eu lembro esse caso que você comentou. De gente que chegou pra você? De denunflar, o que tá acontecendo aqui, Marcelo? Chegou?
Eu lembro desse caso que você comentou da página. Em 2020, viralizou essa denúncia de um grupo no Facebook chamado Festa no IML. E eram denúncias graves, denúncias sérias, de homens falando sobre violação de corpos de mulheres. Essas denúncias chegam no Ministério Público e, na época, chegam também no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Essas denúncias, de fato, existem, elas são graves.
Eles compartilhavam fotos de mulheres em situação de vulnerabilidade, os corpos delas. Eu lembro que esse caso viraliza, chega na imprensa, várias pessoas comentando. Hoje, seis anos depois, a minha interpretação disso é que eram homens que nunca pisaram em um IML, que não eram funcionários da área.
Ao mesmo tempo que faziam um ataque misógino que ameaçavam as mulheres, um claro recado de que as mulheres não teriam paz nem depois de mortas, ao mesmo tempo que eles fazem isso, eles também mancham.
o nome de uma instituição, porque a IML carrega o nome do grupo. Então, nesse caso em específico, eu vejo dessa forma um ataque misógino ao mesmo tempo que ataca também uma instituição séria que presta um serviço tão importante para a população. Eu acho que nessa época talvez tenha faltado as instituições abrirem as portas e dialogarem com a população. Falaram que nós somos um ambiente sério e nós somos um ambiente seguro.
Nós prestamos um serviço muito importante para a população. A autópsia e os profissionais de autópsia merecem ser respeitados. Acho que existe também um estigma muito grande de quem trabalha com pós-morte. Quem é tanatopraxista, quem é médico legista. É visto como uma pessoa que não deve ser normal para estar trabalhando com o corpo. Então acho que existe muito esse...
Esse estigma e lendas urbanas. Nesse caso em específico, eu acho que foi um grande ataque misógino e uma mancha de reputação de uma instituição. E quem que vazava foto pra esses caras, se eles não eram de lá? Gente de dentro. Eu acho que são aquelas situações de ver um acidente, uma mulher acidentada, e a pessoa vai lá e tira foto, e filma, e começa a compartilhar, a circular em grupo. Mas que desgrama, né? Como tem gente ruim, né? Como tem gente, é.
E também, enfim, não é passando a mão, claro, na cabeça dessas pessoas. Mas não só gente ruim, mas como tem gente doente, né, cara? Doente mesmo, tem gente doente. Tem gente da cabeça que pra fazer essas coisas, pra mim, não tá nas suas boas fases mentais. O papo tá tão bom que eu falei que ia no banheiro meia hora atrás e não fui ainda. Vamos pras perguntas. Sara, eu vou deixar uma pergunta aqui pro Marcelo. E aí, se tiver outras, você...
você faz, tá bom? Enquanto eu vou ao banheirito. Aline Álvares perguntou o seguinte, Dan, pergunta pro doutor qual a diferença entre afogamento em água doce e salgada. Eu sou Aline, de Catalão, em Goiás, fã do doutor Marcelo, adorei você, Dan. Obrigado, Aline. Então, doutor, você já conhecia, eu, você não conhecia. Tem diferença entre afogamento em água doce e salgada? Tem. Mandar um abraço pra Aline também, da minha cidade. É uma seguidora, desde quando eu tava começando a criar conteúdo.
É uma seguidora muito, uma seguiviva, muito super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super
uma seguiviva a criação de conteúdo, então um abraço pra ela tem diferença sim tem diferença sim a água salgada é uma água mais concentrada é lógico que afogamento no caso, afogamento é afogamento dependente de onde acontecer a pessoa está se afogando porque ela está entrando em contato com a água
E ela vai ter asfixia porque a água impede a troca de gases no pulmão. Só que a água salgada é uma água mais concentrada e a água doce não. Então essa água mais concentrada, quando ela chega no pulmão, ela provoca também um distúrbio hidroeletrolítico. A água salgada tem mais íons, mais sódio. Então é comum a pessoa ter, às vezes, uma arritmia junto com o afogamento por causa desse distúrbio hidroeletrolítico.
E na água doce, não. Espero ter respondido. A Bia Costa, ela mandou, só que já subiu a pergunta dela, mas ela perguntou como que foi na fase da Covid, na época da Covid, como que foi, se teve corpo... Se fez algum trabalho na Covid.
Entendi. Na época do Covid existia o risco biológico, todo mundo estava com muito medo, todo mundo estava muito assustado, com medo de contaminação. Entretanto, as autópsias precisavam continuar, a gente tomava alguns cuidados. Por exemplo, abertura do crânio, da cabeça, a gente evitava usar aquela máquina, porque aquela máquina faz poeira óssea, então tinha um risco de contaminação maior. Geralmente a gente fazia abertura com a serra manual.
Aquela máquina óssea aumenta o risco de contaminação de vários patógenos, várias doenças. Então tinha alguma diferença sim. Mas a gente continuou trabalhando, a gente continuou autopsiando, continuou abrindo os corpos porque isso era necessário. Se não fizesse, poderia prejudicar uma investigação, poderia prejudicar um crime e um criminoso poderia não ser responsabilizado por causa disso.
Essa pergunta foi sobre Covid, né? Sobre a época do Covid. Não sei se é a mesma pergunta aqui, mas essa pergunta é boa. Cinema Ferox perguntou como é que foi o trabalho dos legistas durante a epidemia da Covid? Então, algumas coisas a gente teve que tomar cuidado. Foi essa a pergunta que você respondeu? Foi essa a pergunta. Na hora da abertura, tinha que tomar mais cuidado porque às vezes usar a serra faz poeira óssea. Então o médico pode inalar e pode se contaminar. Meu Deus. Então você tinha que abrir na mão.
O auxiliar às vezes abria com o serrote e não com aquela máquina que faz muita poeira. Ah, entendi. Então essa era uma técnica de diminuir o risco biológico durante uma autópsia. Boa. Uma das técnicas. Júlio Salles perguntou o seguinte, eu queria saber sobre exumação. Ela é realizada quando o primeiro laudo teve alguma dúvida na causa da morte? Quando que é feita uma exumação? Quando tem o primeiro laudo, a pessoa foi sepultada e falou, hum, tá estranho isso aqui. É assim?
São várias situações, inúmeras. Por exemplo, que já vi acontecer muito lá, na hora do disparo, a pessoa levou um tiro, o médico não conseguiu encontrar o projétil da arma de fogo. O corpo foi enterrado junto com o projétil. A polícia precisa desse fragmento de projétil pra fazer confronto palístico e responsabilizar o criminoso. Então vai desenterrar. Vai virar exumação. E já aconteceu isso? De ser enterrado com o projétil? Com o projétil. Teve que desenterrar pra poder resgatar o projétil.
Pelo amor de Deus. Agora, tem outras causas também. Às vezes, depois que já foi enterrado, pensaram em outra coisa, como aquele caso que a gente comentou, do envenenamento, que só foram pensar nisso depois. Teve que exumar pra fazer o exame. Mas não pega na primeira? Nesse caso do bolo de Torres, acho que eles não fizeram, eles nem cogitaram que era envenenamento. Então, ele foi enterrado sem fazer o exame toxicológico.
Caramba, cara, então não... Pelo amor de Deus. Quando falam pra mim em exumação, eu fico bem... Eu fico bem chocado, assim, com o fato da pessoa já ter sido sepultada. É que pra vocês, claro, é trabalho, né? Mas já foi sepultada, teve velório, teve sepultamento, depois vamos lá, vamos retirar, quebra túmulo, tira. É todo um trabalho, né? Pra chegar nessa perícia novamente. Israel Pinheiro, qual foi o pior caso que o doutor já pegou? Você tem algum pior, assim, não?
Não tem, eu acho que para um médico legista uma das piores coisas que pode acontecer são corpos em decomposição avançada, porque é um corpo muito mais difícil de trabalhar. O corpo carbonizado, aquele corpo queimado, realmente é difícil, mas o corpo em decomposição já avançada, que já está naquela fase de liquefação ou fase gasosa, é muito difícil de trabalhar.
É muito difícil de encontrar alguma coisa. Tem muitas larvas, muitos insetos em cima. É difícil você tirar, ter que limpar. E aqueles bichinhos lá subindo em você, é difícil. Ah, e os bichinhos, né? Minha avó chamava de bigato. Bigatinho, isso. Meu Deus. Nossa, Marcelo, você vai contando assim. Só estando lá mesmo, né?
Bia Costa, Dan, pergunta ao doutor se ele sabe alguma coisa sobre o caso do PC Siqueira, onde a família pediu uma perícia particular um ano após a morte dele. Você está sabendo alguma coisa dessa... É, entre alguns termos que às vezes é um pouco difícil de falar por causa da plataforma, mas o PC Siqueira, ele tira a vida dele, ele usa uma forma de tirar a vida dele, e um tempo depois a família acredita que outra pessoa fez isso.
que ele não fez isso sozinho, que outra pessoa fez isso, e eles falam que usou outra corda. Mas eu vi na reportagem, a espessura da corda ali é diferente. Eu acho que é um caso polêmico que ainda vai dar muita... Ainda vai surgir muita discussão. E no caso dele ele vai ser exumado, será?
Eu acho que mesmo que exumem, eles não vão encontrar as respostas que eles procuram. As avaliações que eles estão fazendo são avaliações por fotografias da lesão que tem no pescoço dele. Que o médico contratado pela família acha que foi uma outra corda. E o médico legista que fez a autópsia afirma que foi uma corda maior com uma espessura maior. Só que a corda, quando vai nessa região, ela deixa uma marca. E a marca é muito característica.
Eu acho que é algo que vai ser esclarecido. É, acho que tem. Tem um limite de exumação? Por exemplo, fala assim, vamos exumar, mas não dá mais tempo. Já está cinco anos sepultado, ou não tem? Não dá, porque isso é muito variável. Tem corpo que às vezes ele entra em decomposição mais rápido, outro demora mais. Depende, só desenterrando para ver.
Boa. Cinema, Ferox de novo, outra pergunta. Teve o caso da mulher do tenente coronel que alegou que ela cometeu auto-extermínio e depois da exumação descobriram que ela foi estrangulada. Também teve esse caso? Vi. Que também teve exumação dela.
Teve, não teve. Acho que teve, eles reavaliaram o corpo. E também o que falaram nessa época é que ela continuou segurando a arma. Não é esse o caso? Que a mulher, parece que o coronel teria segurado o pescoço dela e forçado ela a atirar. E ele teria organizado, arrumado a cena e colocado a arma na mão dela. Para poder construir.
toda uma cena de crime. Não é que ele liga pra polícia, e depois quando vai lá ele vai tomar banho, não é esse caso? Exatamente, esse caso mesmo. Esse caso mesmo. O que eu acompanhei nas reportagens na época é que depois a autópsia esclareceu isso tudo. Não sei por que naquela primeira autópsia eles não viram as marcas no pescoço. Não sei dizer o porquê. Mas depois na autópsia realmente foi esclarecido e essa é a versão da polícia hoje.
A Paula Dayana fez uma pergunta aqui. Qual descoberta tecnológica mais mudou a medicina legal nos últimos anos? Assim, na sua opinião. O que você olha e fala, caramba, temos aqui um avanço muito bom.
Ah, que legal. É o que eu faço. Eu faço autópsia minimamente invasiva também. Principalmente em casos de morte natural. Minimamente invasiva. Você faz uma autópsia sem precisar abrir o corpo. Você usa o ultrassom. Eu fiz o treinamento aqui em São Paulo, ano passado. Eles ensinam você. Eu fiz o treinamento de autópsia minimamente invasiva. Ame que você usa um ultrassom. E coleta a amostra de cada órgão usando uma agulha grande.
Então você vai usando o ultrassom para poder guiar e olhar por imagem e vai coletando a amostra dos órgãos. E depois você coloca tudo no microscópio, junta os achados externos, os achados do ultrassom e dá o diagnóstico sem precisar abrir o corpo. Isso é muito bom para a família, porque às vezes a família não quer que passe para a autópsia porque ela acha que o procedimento de autópsia vai ser muito invasivo, vai ter que abrir o corpo doente querido dela.
Então isso é muito usado nos casos de morte natural que precisam ser investigados.
Tem disso também, da família não querer, mesmo depois do falecimento? Tem muito. Ai, não machuca ele, não... Não, mas a pessoa tá morta, não vai sentir mais nada, mas na cabeça da família é melhor... A família às vezes acha que isso é um desrespeito, ter que abrir o corpo, ter que mexer no corpo, então às vezes a família não quer isso. Quando é um caso criminal que precisa ser investigado, mesmo que a família não aceite, a delegacia quer que abra.
Então nesse caso, mesmo que vá contra a vontade da família, o corpo tem que ser autopsiado.
Mas quando é caso natural, depende ali da vontade da família, autorização da família. Você comentou nas suas redes de um caso, que é uma pergunta minha, não é da audiência. Você comentou nas suas redes de um caso que eu... Talvez você não lembre o termo, mas acho que lembra. Aquele caso de Itumbiara, né? Do pai que mata os dois filhos e que depois tira a própria vida.
porque estavam falando numa possível traição, mas depois falaram que eles já estavam separados. Foi um caso que, confesso, me chocou muito e tal. E eu lembro que você fez uma análise desse caso, que você fala como que isso chama quando alguém mata...
pessoas que aquela outra pessoa ama, para atingi-la e depois se mata também. Você lembra do termo que você usou? Ele tirou a vida dos filhos da mulher para poder fazer mal para ela. Então ele queria atingir ela tirando a vida dos filhos. Ele fez um felicídio. Ele tirou a vida dos filhos como forma de retaliação dela. Era um felicídio retaliatório.
Ele fez isso pra poder causar sofrimento pra ela. E de fato ele deixou ali uma lesão machucada que essa mãe coitada nunca mais vai esquecer desse dia. É uma violência imensa contra a mulher. Nessa época eu fiz um vídeo justamente explicando isso.
Além de tudo, essa mãe ainda estava sendo julgada e sendo culpabilizada por isso pelo tribunal da internet. O pessoal estava falando que foi por causa de que ela teria feito alguma coisa, teria traído alguma coisa nesse sentido. Mas, na verdade, ele fez isso porque ele é um homem que causou uma violência contra a mulher. Isso é violência contra a mulher.
E ele nem ficou vivo pra ser julgado e nada. Também tirou a própria vida. Também tirou a própria vida. Tem outros casos, assim. Eu lembro de um, também, de um homem que, além de ter tirado a vida do filho, ele manda uma mensagem pra mulher e fala, ah, eu fiz uma besteirinha, matei a criança. Não, eu lembro desse caso. Ele joga o menino da ponte.
isso é o felicídio de retaliação pra retaliar a mulher ele faz isso pra atingir a mulher e ainda tortura a mulher mandando mensagem pra ela falando que ele tirou a vida do filho da pessoa que a mulher mais ama o vínculo ali de mãe com filho é um vínculo muito forte e esse homem conseguiu e esse homem conseguiu destruir a vida dela, ele não matou ela em vida mas deixou aí essa marca que ela vai ter pro resto da vida
Marcelo, pessoas que estão detentos, pessoas que estão presas, quando morrem também vão para o ML? Quando acontece alguma coisa lá dentro, por exemplo? Isso é algo que às vezes dá alguma dúvida, porque às vezes a pessoa pode morrer de causas naturais, pode adoecer e morrer. Mas enquanto aquele corpo está sob custódia do Estado...
Ele precisa ser periciado, sim. Porque vivo ele também estava sob custódia do Estado já. Então é responsabilidade do Estado. Qualquer coisa que acontecer com essa pessoa, a família quer explicações. Então todo corpo que morre ali sobre responsabilidade do Estado tem que ser autopsiado, tem que descobrir o que aconteceu, tem que esclarecer, porque provavelmente vai envolver um processo criminal ali por trás.
Boa. Fizeram uma pergunta aqui, inclusive eu queria fazer essa pergunta. A Carla Vick falou assim, ela fez a pergunta, só que eu perdi a pergunta, mas ela usou o termo aqui, que é a catalepsia. Antigamente, também pode ser muito de lenda urbana,
falava-se muito assim, ah, teve o caso do fulano que morreu e acordou no ML, acordou no nicrotério. Existe essa possibilidade hoje de alguém acordar no ML, acordar no nicrotério? Eu acho que é muito difícil isso acontecer. Eu diria que isso é impossível. Porque hoje para o corpo ser declarado óbito, ele passa por exames.
foi declarado óbito na Unidade de Saúde, eles rodam ali eletrocardiograma pra poder comprovar que não tem mais atividade elétrica. Aí a pessoa fala, ah, mas e na catalepsia? Porque na catalepsia você não consegue escutar ou ouvir o batimento cardíaco. O que é a catalepsia? A catalepsia é um estado em que a pessoa diminui os batimentos cardíacos dela, ela entra num sono profundo.
ela fica em um estado de inconsciência que diminui muito os batimentos cardíacos. Eu falei diminui, não que desaparece. Então isso dá pra perceber num exame físico mais aprimorado. Então às vezes se fizer também um exame, um eletrocardiograma, a pessoa vai perceber que tem batimento cardíaco, ele só tá mais baixo, só tá mais passado. E tem gente que fala assim, nossa, morro de medo de ser enterrado vivo. Também acho que é uma coisa que causa angústia quando você se imagina.
no lugar fechado. Mas a chance disso acontecer hoje com a... passou ali por uma funerária, passou por um IML, isso não vai acontecer, não tem como. Não tem como, né? Quem tem essa preocupação, não tenha, pode ficar tranquilo, isso não vai acontecer. Você vai estar morto mesmo. Já vai estar. Na hora que chega lá e tal, né? Porque a gente tem essas histórias do passado, né? Acordou lá. Tem uma pergunta também que eu lembrei vindo dessa. Espasmos, essas coisas.
É verdade que eles dão espasmos, soltam ruídos pela boca, soltam pum, que é a flatulência. Tem isso? Muita coisa na internet é exagerada. Aquela movimentação de mão, de pé da pessoa levantar, isso não acontece. Isso eu não imagino.
O espasmo cadavérico não é assim. De forma alguma. Já cansei de ver vídeo que na verdade é IA que mostra lá um corpo e o corpo levanta a mão. Ou então alguém brincando, alguém simulando isso. Mas o espasmo não acontece dessa forma. Geralmente o espasmo pode acontecer com pequenos movimentos em pequenos grupos musculares. Pode acontecer também sons. É absolutamente possível emitir os sons pós-mortem.
Sobre também perder, às vezes, urina. É absolutamente normal, faz parte da nossa fisiologia. Quando a gente morre, pode ter um relaxamento de esfíncter. Então, se estava com urina ali, a urina vai vazar. Se estava ali na parte do reto, tinha um pouquinho de fezes, essas fezes vão vazar também.
acontece também do que a gente chama de ejaculação pós-mortem, porque às vezes se tinha também secreção ali, pode sair na roupa íntima. Então pode acontecer isso por causa dos esfíncteres que se relaxam. Mas o que a gente vê na internet são casos exagerados de movimento, e o espasmo não é dessa forma não.
É, eu já vi um que... Inclusive, um monte de gente de seguidor meu me manda. Daniel, olha esse vídeo. Aí é uma pessoa que levanta assim, a pessoa sai correndo. E é inteligência artificial. Você falou da ejaculação. Me lembrou do negócio chamado priaprismo. Que é a ereção pós-morte. Existe isso?
Tá, só que você misturou dois termos. Priapismo é outra coisa. Priapismo é outra coisa. Não é ereção posmante? Não. O priapismo é uma ereção dolorosa. É um quadro de emergência urológica. Às vezes a pessoa usou alguma medicação, alguma coisa, tem alguma situação que o homem tem uma ereção...
E não desce. E causa muita dor, isso. E tem risco até de lesionar, da necrose no membro por causa disso. Então isso é um quadro de urgência que pode acontecer, de emergência que pode acontecer no hospital. Para vivos. Para vivos, isso. Já a ereção pós-mortem, ela pode acontecer sim.
justamente porque às vezes depois que a pessoa perde a vida, dependendo da posição, dependendo da forma como perdeu a vida, ela pode ter uma ereção pós-mortem em que os corpos cavernosos do órgão genital masculino, que é uma estrutura dentro do órgão masculino, se enchem de sangue e dão aquele aspecto tumefeito de ereção. Então isso pode acontecer no pós-mortem sim. Mas aí vai ser sepultado assim?
Na verdade, não é bem aquela ereção. Ah, não é tão aquela ereção. É uma coisa mais... Eu perguntei porque lá em Paris teve... Vito Noir. Eu fui no Vito Noir. E aí usaram esse termo. Falaram que é priaprismo. Então, priaprismo não se... Não é sinônimo de ereção pós-mortem. É, ele não se... Não é se adequa.
ele não é relacionado com a ereção pós-morte. Priaprismo é para quem está vivo. Isso. Que essa, às vezes, a pessoa tomou um comprimido lá errado, ou que isso tem uma manifestação, um desempenho maior na cama, ah, vou tomar dois. E aí o negócio estala e aí é um problema. Isso, exatamente. Dizem que é um quadro muito doloroso e se não for resolvido a tempo, pode até necrosar.
necrosar? Não vamos ver esse lado também. Mais agonia do que falar de olho. Estão várias pessoas me perguntando aqui. O M. Douglas Real. Dani, pergunta para o Marcelo o que ele acha do caso Pesseguini.
Você lembra desse caso? É do garoto de policiais. Daquele menino de 13 anos. Eu lembro muito pouco desse caso. Mas o que eu vi depois é que a mídia ajudou a construir ali uma teoria conspiratória de que o menino não teria feito nada. E, na verdade, o menino já era muito maiorzinho do que mostravam nas fotos. Os pais eram policiais. Os pais eram policiais. Se eu não me engano, na história, esse garoto teria pego a arma do pai e tirado a vida da família.
Isso, de todo mundo. Foi pra escola, voltou. Foi pra escola, exatamente. Mas isso já foi bem definido pela polícia na época. A perícia criminal já definiu que ele realmente fez isso. Que não foram outras pessoas que fizeram e atribuíram a culpa a ele. Ele realmente, ele já estava mais velho, ele tinha 3 anos, mas ele tinha compreensão física que seria capaz, sim, de manusear a arma. Ele tinha um porte físico, seria, sim, capaz de manusear a arma e os corpos da família.
Não, e também, enfim, gente, as perguntas que vocês estão fazendo, acho que não competem tanto à sua área, porque a sua área é com ali no nicrotério, né? Não é a área mais criminal que é o pessoal ir lá e... Então, vamos lá. Você já preparou algum caso de repercussão, Marcelo?
Da mídia, não. Não, quando... Eu tinha comentado com você, quando você postou lá, falou, ah, o Marcelo vai vir aqui. E teve gente que mandou mensagem, ah, que legal, você vai lá, conta casos de repercussão, necrópsia de famosa. Eu falei assim, gente, eu tô até preocupado, porque eu vou num podcast e eu não sou uma pessoa assim que atuou em casos de grande repercussão. Não sei se eu tenho histórias interessantes pra render em um podcast. Você que é com fé. Render em um podcast.
Imagina, mas você produz conteúdo super informativo sobre o assunto. Eu perguntei isso porque às vezes tem, mas não é porque você não preparou nenhum famoso que a sua profissão... E você explica de maneira muito didática para a gente entender também. Você é professor, né? Mas imagina, não tem esse problema não. Você nunca preparou ninguém famoso. Não, não tem uma atuação em algum caso de repercussão nacional, não.
Você vê que tem até disso, né? Ele preparou os corpos de famosos, ou ela preparou os corpos de famosos. O que não muda, o tratamento vai ser o mesmo, né? Tanto pra quem é famoso, pra quem não é, né? Exatamente. É uma coisa que nós, no final, todos nós somos idênticos, é nisso. É no fim da vida. No fim da vida. É, porque ali é o fim da linha. Você assistiu O Morto Não Fala? Não, é brasileiro, não é? Já me indicaram, ainda não assisti. Vai, mas no caso dele, é... Não, não é?
Lá eu acho que ele não é... Lá é um necrotério mesmo. Ele não é... Eu não sei se ele faz as autópsias. Acho que ele faz também autópsia. Eu acho que ele é médico legista. Acho que ele é médico legista, pelo que eu lembro. Não lembro se ele é médico, mas eu lembro que ele fazia as autópsias. É o Daniel de Oliveira que faz o personagem dele. Mas os mortos falam lá. É um filme de terror mesmo. Natália Silva. Você já sonhou com algum corpo que você preparou?
O meu trabalho não me assombra. Não te assombra? Não me assombra. Eu não levo coisas para casa. Se me perguntar se o meu trabalho me faz refletir, sim. Me faz refletir em muitas coisas. Eu penso que a morte dá sentido à vida.
dentro de mim eu tenho duas reflexões. Uma que eu quero viver, eu quero existir. Eu quero continuar existindo. A outra reflexão é a consciência da finitude. Tudo muda, tudo acaba, todo mundo morre. E eu vou morrer um dia também.
Eu vou morrer, ninguém vai morrer no meu lugar. Um dia vai ser eu naquela mesa de autópsia também, pode ser. Isso não me causa dor. A consciência da finitude não me causa pesadelo, não me causa dor. O que me dói, Dan, é começar a fazer uma autópsia e o celular daquela pessoa tocar.
Isso sim me causa calafrios. Se aquela pessoa tivesse ligado algumas horas antes, ela conseguiria falar com ela. Mas naquele momento, não. Então a reflexão que eu tenho, em anos trabalhando em necrotério, é essa. O tempo que nós temos é curto. Meu tempo é curto. Mas ele também é precioso. E quando você tem consciência disso, momentos são únicos, pessoas são especiais, memórias viram patrimônio.
Então eu tenho pressa Eu tenho pressa pra viver Eu não tenho tempo pra perder Com aquilo que não me agrega Concorda? É essa que é a minha reflexão Mas pesadelo? Não Meu trabalho não me dá pesadelo De forma alguma
Gostei disso que você falou, meu trabalho não me assombra. Não. Muito bom. Maria Kaki, Marisa Kaki. Dan, o rosto dos cadáveres, pergunta para o Marcelo, se o rosto dos cadáveres chegam de alguma maneira relaxados ou mantém a expressão de sofrimento da hora da morte. Como é que é o rosto deles? Sempre tem um padrão ou eles mantêm?
Existem algumas situações em que o corpo pode manter...
Não só a expressão, mas o gesto, o movimento muscular dele, sim. Existe esse tipo de contração muscular, sim. Mas não é a regra, é a exceção. Existem alguns casos que existe esse espasmo. Esse espasmo pós-mortem, imediatamente pós-mortem. Que a pessoa perde a vida de forma muito rápida.
E ela mantém aquela expressão, aquele gesto. Eu lembro de um caso de um senhorzinho que ele teve uma morte súbita por um infarto. E ele estava pescando e ele continuou segurando a varinha de pescar. E aquela varinha, ele segurando com muita força, a ponto até de ser difícil tirar aquela varinha dele. E aquela expressão de plenitude que ele estava lá naquele momento.
Isso pode acontecer. Isso é um verdadeiro espasmo imediato pós-mortem. Agora, não é regra. Isso é exceção. Gente, morreu segurando, morreu pescando.
Que barato, né? Barato assim, né? Que curioso, né? A pessoa ter uma morte súbita tão rápida que não larga nem a vara. Acho que talvez a palavra melhor seja que confortante pra família saber que ele não sofreu, porque às vezes a família pergunta isso. O meu ente querido sofreu? O que ele sentiu? Algumas vezes eu consigo responder. Eu consigo dizer que foi algo rápido, que ele não teve percepção do que estava acontecendo.
geralmente a família tem essa curiosidade e isso pode confortá-los. Acho que essa é a melhor expressão. Isso pode confortar a família. Falando em família, Marcelo, vocês têm alguma regra, por exemplo, de preparação de familiares e amigos? Vocês preparam ou não preparam ou não tem essa regra?
A legislação não fala nada sobre isso. Se eu poderia, às vezes, atuar em um caso que eu conheci. Mas existe a suspeição. Como os casos do IML envolvem casos criminais que estão sendo investigados pela polícia, se você tem relação com aquela pessoa e isso pode interferir no seu julgamento, na realização da sua autópsia, você não pode atuar. Porque você é suspeito. Então você tem que declarar a suspeição ou alguém tem que declarar a sua suspeição. Ah é? Então não pode. Isso.
Quando existe essa relação que possa interferir no seu trabalho, aí realmente não pode. Agora, tem outros casos de que às vezes não teve relação e a pessoa que está ali, até eu já vi um caso de uma médica legista que o marido dela sofreu um acidente e faleceu num dia do plantão nela.
E ela assinou a declaração de óbito. Ela sentiu apta para liberar o corpo do próprio marido e assinar a declaração de óbito. É uma médica legista que produz conteúdo para o TikTok. Ela não é brasileira. Ela é estrangeira, eu vi ela contando esse caso. Ela não era suspeita. Ela não estava sendo investigada. E ela tinha, naquele momento, condições emocionais de assinar a declaração de óbito do próprio marido. Ver o corpo e determinar o que aconteceu com ele.
Gente, mas tem que... Olha, a Josi quando veio aqui contou de um amigo dela que preparou a mãe. Na tanatopraxia.
Não sei se... Porque tem uma coisa de sepultadores, né? Os chamados coveiros. Inclusive tem um coveiro que vai vir aqui, que tem várias histórias. Ele vem, acho que semana que vem, dia 26, acho que não, semana que vem. Na outra ele vem, é do Rio, o Paulo. E falam que parece que o coveiro tem uma coisa de não enterrar familiares e tal. Então não tem nada na legislação. Mas se tiver alguma questão suspeita, aí você... Isso. Aí é questão de legislação. Você realmente não pode, de jeito nenhum.
Boa. Alguém perguntou aqui sobre tatuagem. Deixa eu ver aqui. O Douglas perguntou o seguinte. M. Douglas Real. Dan, pergunta pra ele se existe alguma diferença em fazer uma autópsia em um corpo com ou sem tatuagem. Se por dentro existe alguma diferença que a tatuagem faz. Não, a tatuagem está na camada superficial da pele. Não vai interferir em absolutamente nada. Nada, né? Por dentro e por fora. Muito que bem, muito que bem. Tem alguma pergunta, Sara?
Sobre essa profissão? Não, acho que o que eu tinha, já fizeram. As que eu tinha. E o Marcelo explica muito bem, né? Você podia ser professor, podia trabalhar com isso. Já pensou? Mas eu já trabalho. É uma piada. Ah, você é bom nisso. Podia trabalhar com essa coisa. Muito bem, senhoras e senhores. Doutor Marcelo Rocha, que é médico legista aqui no LendaCast.
Marcelo, querido, obrigado, viu? Prazer exato te encontrar aqui. Muito bom conversar com você. Finalmente saiu o nosso episódio. Que bom que saiu. Tô muito feliz também. Muito satisfeito de estar aqui. Já tinha comentado. Eu acompanho o seu trabalho também. Eu vou trabalhar ouvindo o seu podcast. Então você já faz parte da minha rotina de trabalho. Achei incrível vir aqui conhecer o cenário que eu já vi às vezes pelas redes sociais. Conversar com você, me sentir... Eu tava com medo.
de vir aqui e às vezes falar alguma coisa errada, falar alguma coisa e depois não pegar bem. E você me deixou muito à vontade. Você é um anfitrião excelente. Então, estou muito satisfeito de estar aqui e saio também muito... saio leve. Obrigado, Marcelo. Que sejam, às vezes, até a gente combina em outros encontros. Estou à disposição. Você tem que voltar com a Josi aqui, voltaria.
já me coloco à disposição. Porque são outros, não é a mesma profissão, é a mesma área, mas são áreas diferentes ali, né? A gente vai trocar muita figurinha. A tanatopraxia, ela é depois do que você, do DML, né?
Sim, exatamente. Primeiro a gente faz autópsia, primeiro a gente vai ver o corpo, vai determinar o que aconteceu, quais foram as circunstâncias da morte, depois o corpo é liberado para a família. Aí a família leva para a funerária de preferência dela. E naquela funerária eles vão decidir o que vai ser feito, se vai ser feito o procedimento de sanatopraxia para velar e para enterrar.
Boa, muito que bem. Então, Marcelo, o pessoal te encontra onde nas redes sociais? Quais são suas redes? Aquela câmera é sua. Fica à vontade para falar suas redes, fazer sua divulgação. Se você tiver curso, se você tiver site, é o seu momento. Eu crio conteúdo para as redes sociais. O meu arroba é Wimarcelo. Eu crio conteúdo para o Instagram, crio conteúdo para o TikTok. Comecei, inclusive, criando conteúdo para o TikTok.
para mostrar a minha profissão e às vezes incentivar estudantes de medicina, pessoas que se interessam pela área, a conhecerem a minha área e quem sabe virarem também profissionais dessa área, assim como eu virei lá atrás um profissional, porque eu tive bons exemplos de medicina legal na minha vida. Então o meu intuito é justamente criar conteúdo. Faço sempre a piada de que eu estou criando conteúdo para os meus futuros pacientes. Na verdade... Ai, ai, ai, ai, ai.
Na verdade, eu estou criando conteúdo para todo mundo, para mostrar o que é medicina legal, para mostrar o que é um IML, o que é a perícia criminal, para falar sobre medicina legal, casos criminais e vida real. Então, os meus arrobas são esses, W.I. Marcelo. No Instagram eu posto stories, posto reels, faço um encontro quinzenal com os meus seguivivos, a gente discute casos de medicina legal, a gente discute casos com os meus seguivivos.
envolvendo a casa de repercussão e eu sempre trago o ponto de vista médico legal. Faço ocasionalmente também os encontros online com os seguidores para falar sobre isso.
Muito que bem. Então é W.I. Marcelo nas redes. W.I. Marcelo. TikTok você tem também, não? Sim, eu comecei lá no TikTok. TikTok não, desculpa. YouTube. Eu tenho tá Legista Marcelo. Legista Marcelo aqui no YouTube. Eu comecei a levar o que eu já postava no TikTok, eu comecei a levar pros vídeos rápidos do YouTube também. Vou colocar aqui como collab também o canal do Marcelo. Por que que é W?
Não tem motivo. O W eu já carrego isso há muito tempo. Eu fico na minha cabeça... Será o William Marcelo? Ou alguma coisa assim? Ui, Marcelo. Ui, Marcelo. Eu ficava procurando. Como é que é o Instagram dele? É ui, Marcelo. Então é W. Marcelo. E você vai ver cortes também nas minhas redes sociais com o médico legista Marcelo Rocha em collab, nos cortes. Vou postar uma foto agora com ele lá. Quanto tempo de live, Sarinha?
Falta três minutos para três horas? Três minutos. Então vamos ficar até três horas aqui. Mais três minutos. Mas eu acho que porque a gente também soltou a... A gente soltou a vinheta, ficou rodando aí, né? E talvez não dê três horas, dê um pouquinho menos. Mas então já siga lá o Marcelo Rocha nas redes sociais. Olha o que eu coloquei aqui, ó. No meu dedo. Essa fichinha é colocada geralmente onde no corpo?
A gente usa hoje outras formas de identificação. Essa aí é estrangeira, a evidência que eles colocam em extremidades do corpo. Às vezes no pé, na mão. A gente, em alguns lugares maiores, usa até fitinha no braço com o nome da pessoa. Existem várias formas de identificar. Essa é só uma delas. Mas ela é usada ainda hoje?
É, mas não é bem assim, não. Não é no dedinho. Não é no dedinho. Coloquei aqui só pra me identificar. Depois você coloca seu nome, escreve seu nome. É, vou escrever, vou deixar ela aqui no cenário. E ela é real, né? É, é real. Ela é real. Coloca no dedão do pé e ainda tira uma foto. Não foi usada, não, né? Não, não foi usada.
Ela tirou, ele... Pelo amor, não, brincadeiras à parte. É verdade, vou colocar no dedão do pé, aí vou colocar meu nome. O que é isso aqui? É release to... Entregue para... Entregue para como data, horário...
Isso daí é uma coisa muito importante, que é a cadeia de custódia. Então todo mundo que está sobre responsabilidade, todo mundo que é responsável pelo corpo vai constar aí o nome. Isso aí, essa etiqueta, ela é muito boa porque ela mostra a cadeia de custódia. Então foi entregue para quem que é a pessoa que recebeu o corpo.
O corpo, ele é um vestígio de um crime. Então ele tem que ser tratado com muita responsabilidade, muita atenção e muita segurança. Então todo mundo que é responsável por aquele corpo consta o nome aí. Nunca aconteceu de sumir nenhum, né? Graças a Deus, nunca nem vi algo assim de um corpo desaparecer do João IML. Nunca vi isso. Quem que recebeu? Cadê a fichinha? Nunca aconteceu.
Não, nunca vi isso. O corpo, quando ele chega no IML, tem que ser tratado com muito cuidado, justamente porque envolve a identificação. Então ele é corretamente identificado e entregue para a família. Já aconteceu de familiares irem lá e querem entrar? Quero ver, não vai mexer nele ou não? Sim, isso é muito importante, porque as pessoas confundem reconhecimento do corpo com identificação do corpo.
identificação é um procedimento médico legal oficial. Eu identifico um corpo através de um papiloscopista que vai olhar a impressão digital. Quando uma pessoa, um parente, chega lá e fala, olha, esse é o fulano de tal, ele está reconhecendo, ele não está identificando. Então, identificação é diferente de reconhecimento. E o corpo só pode ser liberado de um IML quando ele foi adequadamente identificado. Então, como que você identifica o corpo? Por impressão digital.
Por exame de arcada dentária, quando é ossada. Por exame de DNA. Nunca só pelo reconhecimento do corpo. Então, às vezes, a família chega lá e fala assim, olha, eu quero ver se é o fulano de tal. Eu quero ver se é a pessoa mesmo. A gente fala, olha, nós já identificamos o corpo. Você não vai entrar lá no IML porque o necrotério não é o lugar adequado para receber parente. É o local onde a gente acabou de fazer uma necrópsia. Onde a gente está fazendo uma necrópsia.
E talvez a pessoa chega lá e ele está aberto. Exatamente. E aí choca demais. Então, geralmente, a gente não faz reconhecimento e sim identificação.
Boa. Então, agora já bateu três horas? Agora sim. Bateu três horas de live. E aí, no final da live, Marcelo, a gente sempre escolhe uma palavra... É...
Pra definir a nossa live, assim, do que foi legal, do que foi importante na live de hoje. O pessoal tá dando uma ideia aqui. Ó, o Júlio Salles falou, frase da live, meu trabalho não me assombra, eu gostei muito. Ah, boa. Mas eu acho que ficou muito grande. Se a gente colocar só assim, ó, não me assombra. Não me assombra. É, porque aí é legal também que causa um mistério em quem não assistiu a live.
o pessoal tá comentando, não me assombra. Aí depois eles têm que assistir a live pra entender. Você gosta? Perfeito, adorei, adorei. Então você comenta aí, ó, não me assombra. Comenta na hora que terminar a live, você vai na área de comentários e comenta. Não me assombra, porque realmente, eu achei muito interessante isso você falar. A minha profissão não me assombra, porque você podia sentar aqui e contar vários casos, de tipo, ah, eu vi isso, eu vi aquilo, a porta bateu e eu vi o pé embaixo. Não.
Você falou que não, é uma coisa muito séria. E também, claro, você leva muito a sério a sua profissão. E o que aconteceu, você contou, que foi o máximo, que foi o da porta, que você não sabe o que é o mais misterioso. Exatamente. Eu acho importante tratar o meu trabalho com essa seriedade. E deixo no final esse aviso, caso algum recorte chegue até você e você não concorde com alguma coisa que eu falei,
Assista tudo, ouve tudo, porque com certeza isso foi dito dentro de um contexto. Então não tire uma conclusão precipitada baseada em um recorte. Então não me julgue por um recorte curto. Assista toda a nossa conversa. Eu acho que é importante tratar esse trabalho sem sensacionalismo e de forma séria para poder mostrar e incentivar outras pessoas a conhecerem. Eu acho importante porque quem não é visto não é lembrado.
E quem é lembrado é valorizado. Então eu acho importante, sim, falar do meu trabalho. Sempre com respeito, sempre com seriedade. Perguntinha aqui de fofoca a casa de família. E o boy, o que você acha disso? Eu sei que é assim, né? Quando eles começaram a namorar, vocês são casados no papel? A gente tem uma união estável. A gente mora junto. Está, mora junto. E como que ele viu, assim, sua profissão? Você trabalha com o que, amor?
Ah, eu sou médico legista. Ele acompanha desde o início, porque a gente está junto... Olha, eu sou médico legista há 10 anos e a gente está junto há 8 anos. Então, desde o início, ele acompanha isso e ele já vê isso com muita normalidade.
Eu já vi gente em rede social falar assim, nossa, credo, você trabalha com morto, eu jamais me relacionaria com alguém assim. Já vi muita gente falar isso. E gente que fala isso pra mim. Fala assim, nossa, deve feder, porque você trabalha com... Já vi uma falta de noção imensa.
Deve feder. Quem falou que você? A pessoa falando que você deve feder. Olha o povo. E lá em casa eu chego, eu converso com o Paulo, falo como foi um dia de trabalho, como está sendo meu dia de trabalho. A gente conversa muito. Isso nunca foi, de forma alguma, alguma questão. De forma alguma. E ele é o quê? Ele é a profissão dele? Ele é técnico de laboratório. Ele é formado em biotecnologia, técnico de laboratório.
Não é que eu sou pescoço, não, né? Que fica perguntando todas as coisas. Mas eu pergunto porque às vezes a profissão é parecida. E não tem esse assombro, né? Tipo, ai, meu marido faz isso. Então é técnico de laboratório. Isso, o trabalho dele encaixa muito com o meu dentro da patologia. Que também a patologia trabalha com laboratório. Ele é médico também? Não, ele fez biotecnologia. Biotecnologia. Que é outro curso superior. Várias áreas.
Muito que bem. Você namoraria a Sarah uma perita? Acho que você seria a perita, né? Porque você falou que teve curiosidade nessa área.
Sara, por que você esquece do microfone nas lives? Em toda live, a Sara, eu converso com ela, o microfone está lá longe. Aí eu falo, ela não quer participar. Você não quer participar? Só lembro na solo. O quê? Só lembro na solo, só. Ah, é verdade. Só na solo, né? Nas outras eu esqueço. Aí ela vai falar assim pra mim, no meu contrato só está pra falar na solo. Só recebo por isso. Só recebo pra falar na segunda-feira. Nas outras tem convidado.
Você namoraria a Sara? De boa, né? É, tranquilo. De boa, né? De boa, né? De boa.
Muito que bem, então. Então, comenta aí. Não me assombra, porque o trabalho do Marcelo não o assombra. Talvez assombre a gente porque a gente não conhece, mas a partir do momento que esse episódio foi importante para isso, para desmistificar. Já vamos marcar para você e a Josi virem juntos um dia. Combinado. Já me considero convidado e já conheço o caminho de casa.
Boa, e vou pra Uberlândia conhecer. Ah, perfeito, vai ser ótimo. Preciso conhecer Uberlândia. Vamos juntos pra Araxá também, quando você for conhecer o hotel. É verdade, falei de Araxá, a gente falou de Araxá ontem, né, Sara? Você foi lá, né? Fui, adorei, achei o lugar assim, uma energia surreal, um lugar lindo, aquelas ruínas são muito bonitas. Tem um outro local que eu quero conhecer, que são os escombros da Fazenda Zagaia. Eu quando fui pra Capitólio, não, quando eu tava voltando ali da...
de uma cidade, eu passei para um local que eu queria ver umas ruínas de uma fazenda que também tem uma história muito interessante. As ruínas da fazenda Zagaia. Ele fica dentro de um parque de preservação ambiental, mas é um local que o pessoal faz trilha. E lá tem uma história muito interessante que antigamente os trilheiros passavam por aquela fazenda onde eles buscavam uma moradia naquela estalagem, um dormitório naquela estalagem. E reza a lenda que o morador, que o dono daquela fazenda,
matava quem passava por ali pra poder roubar os pertences e descartava o corpo ali na região. E essa fazenda ficou abandonada e hoje tem as ruínas dessa fazenda e dizem que é um lugar muito bonito. Tenho muita vontade de fazer uma trilha por ali. A vez que eu tava... Fica depois de Uberaba, depois de Sacramento, fica ali a entrada do...
A Fazenda Zagaia. A Fazenda Zagaia, isso. Quando eu tava indo com o Paulo, a gente tava voltando de viagem, começou a chover e ele falou assim, Marcelo, tá meio perigoso, é melhor a gente não ir pra lá nessa chuva, vamos voltar. E eu falei assim, ah, depois eu volto. Depois a gente volta, então, que eu queria conhecer. E acabei não voltando mais.
Fica convinte, quem sabe a gente não faz essa trilha junto. O de... Hotel Rádio, né? Que tem as ruínas, né? Que ele é grandão e tá todo abandonado lá. Esse é o que eu quero ir muito, mas o Zagai eu nunca ouvi falar. Eu lembro quando você foi lá. Você foi num casamento em Araxá, né? Eu fui num casamento de uma amiga, exatamente. Uma amiga fez um casamento lá em Araxá, num lugar muito bonito. Eu falei assim, vou aproveitar que eu tô aqui e quero conhecer também esse local.
E gravei lá e foi muito legal. Foi, eu lembro que você falou assim, eu vim num casamento e tô aqui. Eu falei, gente, a mulher vai casar...
Num hotel abandonado. Eu faria muito isso. Eu casaria com o meu boy num hotel abandonado. Mas não, ela casou em outro local. Ela casou em outro local. Então eu quero visitar o Hotel Rádio lá em Araxá. Muito que bem. Vamos embora. Agora acho que já deu três horas, né?
Mas a gente não tá enrolando não, viu gente? A gente tá conversando aqui, porque se for tem muito assunto ainda. Então, ó, você que tá em casa, não se esqueça de clicar aqui pra conhecer a nossa viagem em novembro para a Itália. Vamos juntos. Vai ter muita coisa boa acontecendo esse ano. Então, em setembro eu tô lançando meu livro. Em outubro é Halloween. Em novembro nós vamos para a Itália pra ver os corpos incorruptos. Vou mandar pra você. De repente, vamos todos juntos. Quem sabe.
Pra lá. Beleza? Vamos lá pra câmera geral. Até o próximo LendaCast, o seu podcast de terror e horror e perito criminal. Não, perito criminal não. Médico, legista e medicina legal. Terror e horror e medicina legal para o vir antes de dormir. Esse episódio também vai pro Spotify. Dá pra assistir por lá. Me segue lá também. LendaCast. Segue o Marcelo, o I Marcelo. I! W I Marcelo nas redes sociais. Vou postar uma foto com ele agora lá. Você comenta.
não me assombra, porque o trabalho dele não assombra e é um trabalho muito importante, né Marcelo? Muito importante, muito sério e muito necessário. E muito necessário. Volto quinta-feira com o Sheik pra gente falar sobre islamismo. O Sheik Rodrigo Jalou na quinta-feira ao vivo, 18 horas, depois de amanhã. Tchau, trevosos.