Ana Rodrigues saiu de casa aos 15, virou campeã mundial de Jiu-Jitsu e criou uma academia SÓ PARA MULHERES | Pura Connection Podcast
Neste episódio do Pura Connection, André Bintang recebe Ana Rodrigues, campeã mundial de Jiu-Jitsu, empreendedora, professora e fundadora do Reganic House, a primeira academia dedicada a treinos e acolhimento para mães, mulheres vulneráveis e iniciantes.
Ana saiu de uma infância difícil no Rio, deixou a casa aos 15 anos com 100 reais no bolso para seguir o sonho de viver do Jiu-Jitsu, venceu mundiais e hoje transforma vidas em São Paulo ao combinar técnica, presença mental e uma metodologia pensada para mulheres que nunca se viram no tatame. Hoje, Ana está focada em oferecer um espaço seguro, terapêutico e marcial onde mulheres que nunca se imaginaram no tatame possam ganhar confiança, presença e voz.
Em uma semana marcada por mais um caso de assédio em academia, Ana fala com clareza sobre cultura, abuso, protocolos de segurança, responsabilidade dos professores e a urgência de as mulheres aprenderem a se retirar de ambientes tóxicos. Ela aborda também profissionalização docente, mentoria, saúde mental, crises de ansiedade no tatame e a potência do Jiu-Jitsu como ferramenta de cura.
Um episódio essencial para quem vive, ensina ou lidera no Jiu-Jitsu e para toda mulher que busca força com acolhimento, dentro e fora do tatame.
Gostou do episódio? Queremos saber como o Jiu-Jitsu mudou a sua vida? Deixe nos comentários.💬 Comente abaixo | 🔗 Compartilhe___________________________________✂️CORTES DO PURA CONNECTIONHOST:Andre Bintang Instagram: @andrebintangDIREÇÃO:Nado Zicker Instagram: @nado_zicker___________________________________INFO-PRODUTOS:💎 GUARDA DIAMANTE BY XANDE RIBEIROCurso 100% on-line! Aproveite o desconto por tempo limitado.💎RELSON GRACIE SELF DEFENSE PROGRAM (CURSO EM INGLÊS)The First & Only Online Program with Relson Gracie. Master self-defense techniques from the legendary Gracie Jiu-Jitsu master, tailored to transform your confidence and skills.💎DEFESA PESSOAL NA GUARDA DO JIU JITSU by Andre BintangDescubra como transformar a guarda do Jiu-Jitsu em sua maior arma de proteção real com André Bintang.___________________________________SIGA NAS REDES SOCIAIS:Instagram: @pura.connectionInstagram: @pura.temple.of.artsVISITE NOSSO SITE:www.puratempleofarts.com.br___________________________________📩 Contato comercial e Publicidade: contato@puratempleofarts.com.br#JiuJitsu #JiuJitsuLifestyle #PuraConnection #JiuJitsuForLife
- Jiu-Jitsu para MulheresAcademia Reganic House · Jiu-Jitsu como ferramenta de cura e autoconfiança · Ambiente seguro para mulheres no Jiu-Jitsu · Superação de traumas e crises de ansiedade
- Infância de AnittaInfância difícil em comunidade no Rio de Janeiro · Saída de casa aos 15 anos · Sonho de ser atleta profissional de Jiu-Jitsu · Relação com a família
- Profissionalização de Professores de Jiu-JitsuNecessidade de formação docente · Diferença entre atleta e professor · Código Marcial do Dantas
- Jiu-JitsuOrganização e profissionalização no Jiu-Jitsu · Jiu-Jitsu no UFC · Preservação da essência do Jiu-Jitsu
- Transicao de CarreiraConquista de títulos mundiais · Mudança de foco para a academia · Administração financeira e investimentos · Legado e impacto social
- Moda e Jiu-JitsuInteresse de Ana Rodrigues por moda
Eu acho que principalmente ganhar mundial é 80% cabeça e 20% jiu-jitsu. Eu posso ficar sem treinar e decidir lutar o mundial que eu sei que eu vou performar bem só pela confiança que eu tenho em mim. Então assim, treinar e ter um bom mindset te leva a um outro nível. Mas só o mindset eu acho que consegue transformar a sua vida. Quem sem consciência vai matar, se quebrar inteiro.
Pra no final, talvez você nem vencer. E se vencer, ainda não conseguir ter retorno financeiro. Porque tem muito campeão mundial que não tem retorno financeiro. Que talvez tenha que trabalhar com outra coisa. Ou que não tá vivendo, tá sobrevivendo. Então assim...
É pra poucos viver realmente de jiu-jitsu. E também ser campeão mundial, no final das contas, não te garante 100% de sucesso na vida. Você pode ter tido sucesso em vencer o campeonato, mas na vida não quer dizer que você vai ter sucesso. Então, assim, tem que ser louco pra querer fazer isso.
A gente tá no ar, hein? Já estamos no ar. Eu acho que até você pode falar melhor do que eu dessa fase, né? Dessa transição aí. Porque eu não vivi essa transição, mas eu sinto que ficou um pouco bagunça nessa época, né? Não que o treino em grupo tenha sido algo ruim, né? É algo muito bom. Mas eu acho que na época, né?
que aconteceu essa transição, ficou muita bagunça. Então, ficou desorganizado. Então, era uma coisa muito organizada, ficou muito desorganizado. E eu acho que a gente agora começou, já faz uns anos, né? Que tudo vem se alinhando de novo, conforme as equipes foram entendendo. É, a gente chegou num patamar, eu acho, de amadurecimento.
por parte, acho que, de quem veio nessa época. Eu peguei uma geração, sei lá, talvez uma quarta, quinta geração ali, tentando entender os anos, né? Começa em 1925 aqui no Rio. E assim, depois vem ali um grupo ali que enfrenta ali a galera da Luta Livre, né? Então tem...
E antes disso, o próprio Família Gracie ali em vários desafios, né? E depois uma geração que eu acho que eu fiz parte, foi uma geração ali das competições, o primeiro mundial, né? Uma abertura... O Alvo estava no primeiro mundial. Estava no primeiro mundial, então assim, uma abertura para o mundo do jiu-jitsu, né?
Talvez a gente vive isso um pouco agora com o Jiu-Jitsu indo pro UFC, né? São fases, né? É, exatamente. Agora a gente tá vivendo a fase que o Jiu-Jitsu está indo pro UFC, você viveu a fase que começou a surgir o primeiro mundial, e quanto tempo depois, né? E quando tava surgindo o primeiro mundial, só voltar rapidamente nessa sua fala, é que nesse momento eu acho que o Jiu-Jitsu se expandiu muito rápido, porque imagina uma ferramenta muito eficiente, com muito benefício, né? E você conhece muito bem eles.
caindo na mão de um monte de gente, cara. E sem, talvez, uma organização, sem uma liderança, né? Sem querer só ser crítico, mas assim, talvez ali naquele momento não teve um descontrole. Então, as academias foram surgindo e não tinha ali realmente uma... E até, pra te ser sincero mesmo, eu tava falando sobre isso hoje, assim, eu mesmo, que amava o jiu-jitsu, que praticava todo dia, eu não achava que nunca ia ser uma profissão pra mim, entendeu?
Então assim, isso estava longe de um pensamento profissional. Eu acho que ao longo do tempo a gente foi se profissionalizando. As academias hoje eu acho que elas têm uma organização, uma metodologia. Antigamente não tinha muito, são todas organizadas, tem uma recepção. E existem muitas que não têm.
Ainda existe, porque, enfim, a gente está também num país que é um continente, né? É um país gigante, muita gente. E, de novo, assim, é muito difícil conseguir, de alguma forma, fazer com que haja um padrão, assim, muito bem organizado e tudo mais. Então, mas é que faz parte do crescimento. As minhas preocupações é sempre como é que a gente...
cresce evoluindo, né? Cresce evoluindo, principalmente nas questões mais filosóficas e nessa entrega tão poderosa que o jiu-jitsu tem a oferecer. E não perde sua essência. Porque eu acho que outras artes marciais passaram por esse processo e perderam sua essência.
Essa própria coisa do entretenimento dentro da luta já aconteceu no passado de ser muito grande e depois virou uma palhaçada porque viraram lutas combinadas. Porque o dinheiro começa a entrar no jogo e a gente sabe que entra num sistema.
de descontrole no sentido porra, cara, eu quero que isso aqui aconteça porque se isso acontecer vai ser melhor então não vamos deixar a verdade acontecer então eu acho que a gente está agora nessa fase mas eu acho que é muito importante
A gente, de alguma forma, resgatar e preservar. Na verdade, eu acho que a palavra é preservar a nossa essência da luta. E vocês, guerreiros, guerreiros, né? Você ainda numa geração mais recente, proteger isso. Eu ainda tô aprendendo muito como preservar isso. Porque como eu sou de uma geração completamente diferente, e eu também não tive contato...
com muitas pessoas dessa época, eu aprendi e vi jiu-jitsu sempre de outra maneira, né? Mas eu tô, na verdade, tô aprendendo ainda a buscar um pouco mais essa essência. Eu entendo que o produto que eu tenho hoje na minha academia, ele é um produto extremamente gourmet.
A gente, né, eu quero mais pra frente falar um pouco mais com elas sobre a história do Jiu Jitsu. Mas elas não têm noção. A maioria delas não sabe muito bem quem são os Gracie. Não tem noção da história. Tem mulher que tá começando a entender ainda o que é Jiu Jitsu. Que nunca se viu nesse espaço. Mas eu quero voltar um pouco no passado pra conseguir trazer isso pra elas. Pra que elas consigam entender como surgiu, de onde veio.
pra que serve, e é tudo muito novo também trazer isso pra mulheres principalmente mulheres que não se veem nesse espaço, que é a maioria das mulheres que treinam comigo hoje, porque se eu pegasse um monte de mulheres que querem ser atletas, ou que gostam de luta, seria muito fácil, mas o trabalho que eu tenho hoje em São Paulo é totalmente diferente quando você vai na minha academia
elas até falam que as pessoas olham pra elas e falam como é que você faz jiu-jitsu se você é assim tipo, elas se sentem um pouco julgadas elas falam, não, eu achei que não era possível mas agora eu vejo que é, aí elas sempre mostram olha a minha professora, como a minha professora é ela é campeã mundial, ela luta bem porque muitas pessoas julgam, né pela aparência, e aí é uma coisa que eu quero trazer mais pra preservar e eu espero também que o jiu-jitsu, né o próximo passo do jiu-jitsu seja profissionalizar os professores porque eu sinto que a gente não tem isso exatamente
Então eu tenho ajudantes na minha academia onde eu tento profissionalizar elas. A Faixa Azul ainda, por exemplo, a Bruna. E eu compro todos os cursos, todos os sites de outras academias pra ela assistir, pra ela se profissionalizar. Sempre nas aulas eu...
Tento mostrar pra ela como que funciona a dinâmica de ensinar uma pessoa do zero até uma pessoa que é faixa preta. Mas eu sei que não existe isso nos outros lugares. E o pessoal pensa que porque você tem uma faixa preta na cintura, você pode dar aula e não é bem assim, entendeu? E também não é porque você é campeão mundial que você pode dar aula. São dois pontos muito importantes. E quando eu decidi dar aula, eu não queria que as pessoas acreditassem no meu potencial como professora por conta do meu título mundial.
então eu comecei também a estudar mais me profissionalizar nisso, hoje em dia eu tenho contato com outros professores principalmente com o meu atual professor, a gente conversa bastante sobre isso e eu tento sempre melhorar porque é muito fácil eu conseguir passar a credibilidade com o meu título mas isso não quer dizer realmente que eu sou capaz, né, o que eu mostro lá na hora de ensiná-las é o que realmente diz se eu sou capaz ou não, então eu tento sempre trazer isso e eu acredito que possa ser o próximo passo pra gente e agora eu estou avisando agora eu estou avisando agora eu estou avisando agora eu estou avisando agora eu estou avisando agora eu estou avisando agora eu estou avisando agora eu estou avisando agora eu estou avisando agora eu estou avisando agora eu estou avisando agora eu estou avisando agora eu estou avisando agora eu estou avisando
Com certeza, eu acredito muito. E é importante, eu acho que já existe alguns movimentos, eu até participei de um, que é o Código Marcial do Dantas, ele criou um curso mesmo. Para professor? Para professor, enfim, é um curso de faculdade mesmo. Então, assim, a Kira está envolvida, o Pedro Valente está envolvido, tem alguns professores muito capacitados, um vai falar de história, outro vai falar de metodologia, um vai falar de gerenciamento de academia, então, assim, é um curso bem completo.
E eu acho que é esse caminho de profissionalizar, porque quem está passando essa mensagem, essa ferramenta tão importante de vida, tem que ter esse embasamento. Porque como você falou, e até uma pergunta, porque você viveu uma vida de atleta até então. E o atleta tem um mindset diferente de um professor. O professor precisa olhar talvez menos para ele.
e mais para os seus alunos ou discípulos, enfim, como é, não sei de que forma você enxerga, mas você acaba tendo que servir muito mais aos outros, né? E pensar muito mais na sua capacidade de estudar, né? De entender ali alguns processos e até às vezes gerenciar uma academia, ou seja, você tem que ser empresário, você tem que... É um outro jogo, né? E de novo, às vezes as pessoas têm dificuldade.
E talvez muitas nem vão conseguir mesmo, né? Porque as habilidades são diferentes. E como você falou, a questão de você chegar na faixa preta ou ser campeã não quer dizer que não te garante que você vai ser um bom professor.
Sim, eu sempre fui atleta, né, desde o dia que eu comecei o jiu-jitsu, eu sabia que eu queria ser atleta. E aí, é muito engraçado olhar um pouco pro passado, porque eu era uma atleta extremamente egoísta, né, e a minha mãe falava muito isso pra mim. Eu abandonei minha família porque eu queria viver no jiu-jitsu, e se minha mãe me ligasse, eu desligava na cara dela, porque eu falava que ela ia me atrapalhar.
Eu não estava disposta a sentir falta dela A ponto de pensar em voltar no Rio de Janeiro Ou me sentir mal Então eu achava que ignorar era a melhor maneira De me proteger Então assim, eu sempre fui muito egoísta Eu não queria dar aula, tá? Então eu não queria ter academia
mas que bom que o ser humano muda de opinião eu sempre falo, eu posso ter opiniões hoje e daqui a um tempo eu posso mudar também porque a gente evolui, a gente vai vendo o que é melhor pra gente e eu não tinha vontade de ter academia e nem de dar aula, sendo que isso foi mudando principalmente quando eu comecei a ter contato com mais mulheres e aí eu entendi a necessidade realmente das mulheres aprender jiu-jitsu, porque a minha mãe sempre foi uma mulher muito brava muito forte
Um cara brigar com ela, meu amigo, ele tá ferrado, ela vai sair na mão com ele. Então assim, eu tive exemplos na minha família de mulheres que eram muito bravas. E na minha cabeça, a maioria das mulheres eram assim, né? Não eram tão vulneráveis. Mas depois eu tive contato com mais mulheres e eu percebi o quanto elas eram vulneráveis e o quanto elas precisavam de ajuda.
E aí foi quando eu senti essa necessidade de começar a dar mais aulas, né? Eu dava aulas, mas é muito fácil ensinar atleta. É muito fácil ensinar pessoas que querem isso pra vida, né? Agora, mostrar pra uma pessoa o quanto…
O jiu-jitsu pode ser uma ferramenta importante pra vida dela, mesmo que ela não queira ser atleta, né? Pra influenciar ela no dia a dia, no trabalho. Eu falo pra minhas alunas, pra te ajudar a cair na rua. Imagina, você cai. Cai toda errada e chega no trabalho com o queixo, o joelho ralado, ou então se quebra inteira na rua porque você não sabe cair. Então, tipo, do mais básico até o mais difícil. E aí eu fui desenvolvendo esse carinho.
pelas pessoas, como eu era muito egoísta eu não tinha muito carinho pelas pessoas então eu fui desenvolvendo esse carinho através delas e aí foi algo que foi me transformando também, eu fui mudando de opinião, e aí eu me senti na necessidade de abrir a minha academia só pra mulheres porque também era eu passei por muitos problemas no jiu-jitsu por ser mulher sendo que eu era mulher e sempre tive muita energia masculina, então pra mim era mais fácil me adaptar aos ambientes, entendeu? Sim Sim
sendo que eu ia escutando o relato ali, outra aqui, outra aqui. E aí eu fui juntando e falei, cara, as mulheres precisam de um ambiente seguro. Bom, eu sei que eu posso pelo menos criar um ambiente pra isso. E aí foi quando eu decidi criar o meu. E aí, mais uma vez, né? Eu sou professora, empresária.
Sou tudo na minha academia e ainda sou atleta. Então eu ainda tô também nesse processo de transição, de entender como eu posso dar conta disso tudo. Mas, por exemplo, hoje eu acordei e tinha um áudio de quatro minutos de uma aluna minha no meu telefone. Hoje eu não fui dar aula, né? Porque eu vim de São Paulo pra cá. Hoje eu não fui lá. Então o dia que eu não fui, já tem um monte de mensagem, áudio de quatro minutos.
Uma teve crise de não sei o quê, a outra tá precisando de ajuda pra tal coisa. E aí, eu comecei a entender com o tempo também que o meu trabalho é além do tatame. É uma mentora de vida, né? É, assim, eu tenho meus problemas, até falo pra elas. Cara, eu vou falar um negócio aqui pra você, mas eu também sou doida. Também tenho meus problemas.
Mas assim, vou falar o que eu acho. Aí eu sempre tento ajudar, mas eu descobri que o trabalho é além dos tatames. Principalmente com as mulheres, entendeu? Sim. E semana passada, por exemplo, uma teve uma crise de ansiedade. Eu tive que me trancar no banheiro com ela pra ajudar ela com isso.
Ela se sentiu... Na hora, ela sentiu muito medo de mim quando eu entrei no banheiro, né? Porque ela me viu como... Relembrou algo, despertou um gatilho nela. Então, ela me viu como uma agressora naquele momento. E aquilo dali partiu o meu coração, assim. Eu falei, mano, não é possível que isso tá acontecendo. E aí, eu fui conversando com ela, ela ficou muito melhor. E ela falou que sentiu que precisava ir ao jiu-jitsu pra melhorar. E encontrou minha academia, ela não sabe quem eu sou.
E até que a gente chegou nesse dia, ela tem 10 aulas comigo, até que a gente chegou nesse dia e ela tá lá com a gente, falou que não vai desistir, que agora entendeu, né? Porque realmente ela foi parar onde ela foi parar, que ela tá se sentindo bem. E nesse dia aí eu voltei pra casa e tive que dormir de luz ligada pelas coisas que eu escutei, assim.
Então, eu já tinha acabado meu trabalho no tatame. E aí, eu saí do tatame e tive que lidar com mais essa bomba. E ainda tô tendo que lidar com isso, porque essas coisas, elas me afetam diariamente. Eu fico sabendo de coisas onde... É, com certeza. É difícil, entendeu? É, porque você acaba absorvendo, né, cara? Você tá num trabalho, a gente tem isso aqui também, né? Eu, Marcelo também, a gente lida com muitas pessoas. A gente tá num trabalho de cura.
Porque acaba que essa ferramenta é uma ferramenta terapêutica também É muito E eu acho que por mais que você fale assim Eu também tenho meus problemas, que bom Porque eu acho que é justamente aí que ela se identifica com você Porque se você fosse uma deusa
provavelmente não teria conexão, né? Então é justamente, eu vejo até por isso aqui, porque quando a gente fala, quando a gente expõe algo nosso, é justamente aonde liga as pessoas e as pessoas veem que a gente de alguma forma também passa por problemas, né? Então você foi campeão mundial, mas você...
teve muitos desafios pra chegar lá, né? Não só de luta, mas de vida. Talvez na família, enfim. Várias coisas que você teve que passar, né? Aquele muro ali que cada vez vai ficando mais alto. E poucas pessoas veem isso, né? Então vem ela e fala assim, caramba, ela conseguiu porque ela teve aquele mindset e ela é muito fera, não sei o quê. Mas não é só assim. Ainda mais os bastidores, né? Que ninguém sabe. Vocês assistem agora? Vocês assistem agora? Vocês assistem agora?
Sou uma pessoa mais transparente. Eu já falei algumas vezes nas redes sociais. Em outros podcasts que eu fui. Mas acho que ninguém imagina. Às vezes as pessoas acham até que eu vim também de família rica. Então, que eu, sei lá, que eu tive tudo na mão. E eu tenho que explicar. Não, peraí. Que não foi assim, galera. Eu passei fome, saí de casa. Foi muito difícil. Fui expulsa de casa com 15 anos. Porque eu queria fazer jiu-jitsu, mulher. Na época que jiu-jitsu não dava um centavo.
Então assim, tem muita gente que nem imagina, né? Mas eu também gosto de compartilhar as experiências e o que aconteceu pra que mais pessoas sintam-se motivadas a fazerem as coisas. Eu tenho contato com muitos atletas também, diariamente. Quando alguém começa a colocar problema em alguma coisa, em fazer alguma coisa, eu falo, galera, vocês só pensam no problema, pensam na solução.
Fala, galera! Sou o Maio, 30 anos de Jiu-Jitsu, 25 anos competindo, com um alto nível. Hoje trago pra você, em português, pro Brasil, a Guarda Diamante. Tá na hora de evoluir, resistir à pressão e se transformar na melhor versão de você mesmo. Tô-s!
Eu sempre sou assim, acontece um problema, eu só penso na solução, só penso na solução, desde criança. Então...
Isso que tá acontecendo lá na academia agora com as mulheres é uma coisa que eu já penso em colocar uma solução. Até falei pra minhas amigas hoje, tô quase fazendo um pacote de aula que é assim, professora de jiu-jitsu mais a psicóloga. Enquanto ela vai fazendo a posição, ela vai desabafando com a psicóloga, a psicóloga lá no trem de jiu-jitsu. E é muito importante, porque elas precisam muito. A Kira tem uma lá, né, com ela o tempo inteiro. Enfim, ela...
Tem que ter, entendeu? Tem que ter, tem que ter. Às vezes elas chegam lá e falam, cara, eu vim fazer aula de jiu-jitsu hoje, mas será que a gente pode tirar uns 30 minutos pra conversar? Aí eu, tá bom, vai lá, manda. Aí começa, aí é o dia todo. Tem dia que eu dou 11 aulas particulares num dia, né? Então são 11 histórias, 11 problemas. Coisas boas também que acontecem com elas, elas me contam. Mas eu chego em casa de noite, caraca.
O dia foi tenso, foi só bomba, só bomba. Às vezes eu ligo pro meu namorado quando ele não tá lá, aí eu conto tudo pra ele. Cara, aconteceu isso, isso, isso, isso, isso. Aí ele fica, meu Deus do céu, vai tomar um banho, comeu alguma coisa, fica em paz. É, mas voltando um pouco aí pra tua história.
Essa coisa de você ter nascido e ter sido criado num ambiente mais brabo, assim como você falou, talvez tenha sido importante também pra essa formação de mindset, né? E...
E eu faço até uma ligação, eu tenho tido muito contato agora, mais com essa parte dos povos originários, com os índios, né? E aí a gente fala muito dessa verdade, assim, que existe do que o ser humano tá fazendo na Terra, né? Essa coisa mais filosófica de vida mesmo. Mas a gente vê como o país, o Brasil, inclusive, ele...
Ele é um país ali de guerreiros, né? A gente até fez um estudo de uma quebra de um código brasileiro, enfim, muito estudo de marketing. E a mulher brasileira, ela é o símbolo da guerreira, né? Mulher guerreira. Enfim, então assim, na origem do nosso povo tem esse espírito de guerreiro, tanto no homem quanto na mulher, né? Eu sempre falo que eu acho que é muito importante pro Jiu-Jitsu ter esse olhar feminino.
Porque o feminino, ele traz o que a arte traz, né? Que é, quando a gente fala de arte marcial, tem toda uma rigidez, né? Tem toda uma disciplina, mas tem todo um outro lado, que é da sensibilidade, né? De você sentir, de você, de alguma forma, se inspirar, né? Tudo isso tá ligado à arte marcial. Então, esse outro lado, esse lado... E eu acho que quando você chega...
numa cidade ou numa outra num outro tipo de sociedade onde a galera vive de uma outra forma, toda essa tua vivência, por mais que você seja uma mulher ainda muito nova
Ela te traz uma bagagem de vida, né? Uma coisa de casca grossa, assim, né? Da vida, né? Da tua vivência, de tudo que você passou, de onde você veio, das suas raízes. Eu acho que você acaba passando essa força, né? Porque você também sempre foi visto como um atleta...
Não só forte fisicamente, mas com essa força interna, né? Assim, muito confiante, até meio braba, né? Sempre meio braba, assim, meio pra frente. Então, você acaba passando esse espírito. E eu acho que dentro dessa, de novo, dentro dessa nossa sociedade, falta, né? Às vezes. As pessoas precisam disso, porque elas foram muito domesticadas de outra forma. Então, quando a gente fala, inclusive, o juízo pras mulheres, ou pra homem também, a atitude é muito importante. A postura é muito importante. A postura é muito importante.
então mais do que essa coisa de defesa pessoal acho que o que antecede tudo isso é presença percepção de ambiente percepção, qual é a atitude que você vai tomar tem muitos aspectos ali que ele vem muito antes do físico e a mulher ela tem essas intuições muito mais aguçadas do que o homem
Que você aprende a nem se colocar em certas situações. Quando você aprende Jiu-Jitsu, sabe? Eu falo pra elas, não tô ensinando isso aqui pra vocês. Porque vocês, sei lá, vão usar isso na rua a qualquer momento. Não, você não vai precisar se colocar nessa situação. Você nem vai precisar passar por isso. Porque você vai ter a percepção.
antes disso acontecer então eu falo muito isso pra elas também e sobre isso que você falou de ser atleta mais brava e tal muita gente me conhece pelo que viu na competição mas a verdade é que dentro da minha academia eu sou totalmente diferente do que eu sou nas competições até porque eu acho que
cada atleta passa por uma coisa diferente nas competições e eu aprendi a canalizar todas as minhas frustrações na competição. Então, o dia da competição eu tô canalizando qualquer tipo de frustração ou coisa que tenha me magoado, ela tá, tipo, literalmente muito presente naquele dia. Então, às vezes, parece arrogância, parece que eu sou isso, que eu sou aquilo, mas, na verdade, é que eu só tô lidando com as coisas que estão acontecendo dentro de mim, até por conta da minha infância e por tudo que aconteceu, sendo que as pessoas não entendem isso, entendeu? E aí acabam...
pensando várias coisas, mas é só uma forma de eu colocar pra fora tudo que aconteceu, que não foram coisas fáceis. Mas dentro da minha academia eu tô aprendendo cada vez mais ter esse outro lado sensível, porque eu também sou uma pessoa mais direta, uma pessoa mais brava no dia a dia, sendo que esse contato com as mulheres, principalmente com essas situações de crise de ansiedade, ataques de pânico, situações de abuso que elas...
Relatam pra mim, eu tô cada vez mais tendo esse outro lado mais sensível e acolhedor, assim. Então lá dentro eu sou totalmente diferente, mas é o que eu falo. Que eu sou aquilo pra elas, entendeu? Eu sou uma pessoa mais fechada, mas com as minhas alunas eu tento ser...
o mais acolhedora possível, tento ajudar da melhor forma possível até porque como eu vim de um lugar muito hostil, eu já vi muitas coisas e eu me sinto na necessidade também de ajudar, principalmente quando o assunto é, né, abuso ou qualquer outra coisa, eu me sinto sempre na obrigação de fazer alguma coisa e aí eu, volta no que você falou também, né, de descobrir o que, pra quê, né, qual a sua função o que você tem que fazer o teu propósito e aí
Eu achava que era só ser campeã mundial. Mas depois que eu fui campeã mundial, eu percebi que o título mundial não significa mais nada pra mim. Então, todo mundo pergunta, você não tem saudade de lutar mais, de competir mundial? Porque eu não lutei ano passado, porque eu tinha feito cirurgia. E aí, não vou lutar esse ano de novo, porque eu simplesmente escolhi não lutar. Você não sente saudade? Eu falo, cara…
indiferente pra mim. Eu tenho tantas outras coisas pra fazer esse ano que são difíceis e que eu preciso aprender e estudar que lutar mais o mundial, ele não é tão relevante pra mim. Porque se eu ganhar mais um, legal pra caramba. Se eu perder também, tanto faz. Então, assim, a academia e todo o propósito envolvido em torno dela e de tudo que eu venho fazendo, ele é muito mais importante nesse momento.
você falou, a gente estava aqui antes de começar eu te perguntei do Rio de Janeiro, você falou, eu não gosto do Rio e aí agora você está falando dessas experiências hostis que você teve na infância enfim, na adolescência quais foram assim, por que isso?
Eu cresci numa comunidade e a minha família sempre foi muito pobre. Então, eu passei por situações muito ruins, onde eu vivi em lugares que não eram tão legais. Comi coisas que não eram tão legais. Também vivi a cultura do baile funk, das drogas. Então, são coisas que eu...
Não me orgulho de lembrar, nem de voltar nesse passado. Então, eu conheci o lado do Rio, um lado mais pesado, né? Um lado da criminalidade, do abuso infantil, das meninas novas engravidando. Eu sou uma exceção de não ter engravidado com 10, 13 anos, entendeu? Então, assim...
Eu vi tudo isso acontecer e muitas coisas eram normais pra mim na época que eu morava lá. Porque eram normais. Acontecia e todo mundo normalizava. Então, quando eu saí de casa aos 15 anos, né? Que também foi por uma situação muito ruim. Eu queria ser profissional de jiu-jitsu e o meu pai não me apoiava. E eu falei que eu ia ser. E aí, ele decidiu me expulsar de casa porque eu queria ser atleta. E como é que foi esse primeiro contato? Por que você entrou na academia de jiu-jitsu?
Quando eu tinha oito anos, eu decidi que eu ia ser atleta profissional. Eu só não sabia do quê. Eu assistia muito esporte espetacular. E passava os atletas e eu achava muito bonito. E meu pai também sempre foi fã de esportes, assim. Ele sempre me incentivou a praticar esportes. E aí, eu comecei a fazer vários esportes. Eu fiz muitas coisas, até que aos 13 anos...
Eu fui numa academia de jiu-jitsu. Uma amiga minha que treinava jiu-jitsu me chamou pra ir lá assistir um treino. E aí foi amor à primeira vista. Eu entrei na academia de jiu-jitsu. Hoje, inclusive, quando eu entrei aqui, eu senti um cheiro muito parecido com o cheiro que eu senti na minha primeira academia. Foi bom ou ruim?
E... É dos caras aí que tão fazendo Os vídeos aí, pô Não, é um cheiro de kimono em específico, sabia? Mas eu nunca tinha sentido em outro lugar Eu senti aqui hoje quando eu entrei Eu só senti nessa minha academia de jiu-jitsu E hoje quando eu entrei aqui É o disco, o disco
Não sei explicar. E aí eu me apaixonei pelo uniforme também. Eu gosto muito de moda. Sempre gostei, desde criança. E aí eu me apaixonei pelo kimono. Você já fez alguma coisa com moda? Sim, sim. Algum trabalho? Sim, sim. Eu estudei moda também. Também passei numa faculdade em Milão. Eu ia me aposentar do Jiu-Jitsu pra estudar moda. E foi uma longa história também. E aí eu entrei na academia e fiquei apaixonada. E decidi começar.
E aí eu fiz uma aula de Jiu-Jitsu. Nessa primeira aula de Jiu-Jitsu, o meu professor pediu pra falar com a minha mãe. E aí ele falou pra minha mãe pra ela não me tirar do Jiu-Jitsu porque eu tinha futuro. Na minha primeira aula de Jiu-Jitsu ele falou isso. Aí minha mãe falou que tá bom, sendo que minha família era muito pobre. Então minha mãe dava um jeito de pagar a academia, era bem complicado. Mas ela conseguiu por muito tempo, né?
E aí tudo que acontecia na comunidade onde eu morava, com a minha família, minha relação com o meu pai, foram criando experiências ruins pra mim no Rio de Janeiro. A minha outra parte de família morava em São Gonçalo e também não era uma coisa legal. Toda vez que a gente ia lá, correia risco de ser morto ou assaltado.
Porque lá era muito perigoso. E na minha família tinha bandido. Muita gente ruim também. Então eu acho que eu só juntei todas as coisas ruins que tinham aqui. E pensei, cara, preciso ir embora desse lugar quanto antes. Isso aqui não é legal pra mim. E aí aos 15 anos, quando eu tive essa briga com meu pai. Ele falou que se eu quisesse fazer jiu-jitsu eu não podia morar na casa dele.
Eu falei, tá bom, fui embora no outro dia. Com 100 reais no bolso, eu fui pra São Paulo. E dei um jeito de treinar lá, de morar lá. E fui trabalhando, fazendo minhas coisas. E antes disso, você treinou aqui no Márcio Rodrigues, né? Foi o Márcio Rodrigues, foi o meu primeiro contato com o Jiu-Jitsu. Foi lá. Ele falou pra minha mãe na minha primeira aula.
É porque o Igor treina, quer dizer, é professor aqui nosso. Eu e o Igor, a gente se conheceu de, assim, porque a gente morava na mesma comunidade. Então a gente se conheceu lá, até mesmo antes de eu fazer jiu-jitsu, a gente já tinha se conhecido. Eu sabia que ele fazia jiu-jitsu. E aí depois foi...
Tudo muito de forma natural, assim, acontecendo. Aí decidi ir embora, fui embora. A gente sempre manteve contato. Às vezes, quando eu venho aqui, eu tento ir lá. Mas é muito difícil pra mim voltar lá, entendeu? Então, não é sempre. Mas eu já fui algumas vezes lá. A gente tem uma ótima relação. E também, o sucesso que eu tenho hoje cabe muito a ele, né? Ele ia muito nos baile funk e me tirava de lá. É mesmo? É, porque minha mãe falava Ó, Márcio, a Ana tá no baile funk essa hora. Aí ele, ah, é?
chegava lá e me arrebentava tirava de lá e me botava pra casa, então assim, ele também teve um papel muito importante de impor disciplina e respeito assim, comigo, sabe e aí eu fui embora e depois disso eu fui campeã mundial em todas as faixas, até chegar na faixa preta e aí eu nunca tive vontade de voltar assim, eu voltava pra ver minha família, mas era muito difícil, não me sentia bem a Avenida Brasil ali, sabe central, me causa a...
Eu passei ontem lá e falei pro meu namorado Nossa, tava aí na central aqui Cara, putz, você não sabe Ficava aqui nesse sol quente quando eu era criança Era horrível É, porque você sente, né Você experienciou aquela vivência ali E isso gera um sentimento É, gera É muito
psicólogo, terapia aí. O que fica, né? O que a gente sente, né? Mais do que algo que a gente escutou, tudo que a gente sente fica muito marcado, né? Principalmente quando é ruim, cara. Quando é ruim, fica muito marcado. O ruim marca mais que o bom, né? Isso é muito louco, porque deveria ser totalmente ao contrário.
Mas aí eu ainda sinto, e quando eu tinha que voltar pra lutar aqui, eu sempre lutava mal. Nossa, era difícil lutar. Muito difícil. Às vezes eu ficava na área de concentração e falava, não quero lutar, não quero lutar. E era sempre os sentimentos que o Rio causava em mim, assim.
Hoje em dia que eu tenho um outro padrão de vida, eu posso vir aqui, posso aproveitar a parte boa do Rio de Janeiro. Eu ainda assim não consigo, eu venho e tal. Talvez seja um trabalho que eu tenha que fazer por anos assim. Eu sou bem disposta a evoluir nas coisas. Se tiver que fazer pra me sentir melhor, eu faço. E hoje em dia eu já me sinto bem melhor que antigamente, antes era um desafio muito grande.
Mas eu sinto que hoje já começa a ser mais leve. E aí, por isso que eu não gosto muito. E depois que eu tive um certo padrão de vida em São Paulo e você volta pro Rio, você sente muito, né? Então a gente tava falando, talvez, um pouco da educação das pessoas o atendimento nos estabelecimentos.
Porque eu moro numa bolha em São Paulo, né? É, mas calma aí. Você correu agora pra história da bolha. Você vai pra São Paulo com 100 reais no bolso. Como é? E a vida em São Paulo também. Porque você tá agora longe da família. Você foi pro Guigo lá, né? E o Guigo fazia muito esse trabalho também, né? Esse trabalho de receber os atletas, enfim. E fez um trabalho muito legal também.
22 anos, campeão nacional, undefeated, 2-8 divisão. Minha divisão foi abençada por 22 anos. Nunca perdemos a match, nunca tive que passar a minha guarda em competição e em strength. Aproveito, Helio Gracie tem a melhor técnica do planeta. Por nada como 22 anos, undefeated, 2-8. Essa é a primeira vez que eu faço esse curso online.
Eu nunca construí antes, porque estou muito restrito em tecnicamente. Nunca se vai novamente. Não perde essa oportunidade. Come train with me.
Eu tinha conhecido o Guigo, acho que uns dois meses antes de eu ir pra lá. E eu apareci na academia dele, ele nem sabia. Tipo, ele não sabia de nada. E aí, eu pedi pra recepcionista marcar uma reunião com ele. E aí, ela falou, não, mas ele não tá aqui. Eu falei, tá bom, eu espero. Aí, quando ele chegou, eu subi pro escritório com ele. E pedi pra ele acreditar em mim que eu ia ser a melhor do mundo. E aí, ele...
Ele falou, mas você tem, vai fazer o quê? 16 anos? Aí eu falei, é, mas se eu te der um problema, você pode me mandar embora no primeiro problema que eu te der, que eu não vou te dar problema. Aí ele falou que nenhum homem na vida falou com ele, como eu falei com ele naquela sala, e por isso ele decidiu acreditar em mim. Então eu fiquei morando na academia.
Por um tempo, treinando lá. E aí eu fazia outras coisas em paralelos. Minha mãe tentava me ajudar de alguma forma. E eu fui lutando, lutando, lutando. Aí tive a oportunidade de morar um tempo nos Estados Unidos. Morei, voltei. E aí eu fui crescendo. Fui crescendo. Imagina se morar lá na academia. Horrível. Horrível. Pesadelo. Não consigo nem lembrar.
Foi muito difícil, porque… Porque pra uma galera, né, cara? Inclusive tiveram alguns acontecimentos ali, enfim, coisas que… Sim, eu morei com pessoas que estão presas hoje, inclusive. Pois é. Então foi muito difícil, assim, essa fase lá.
Foi muito difícil. Mas assim, eu tinha um objetivo claro e eu só, cara, qualquer pessoa que se aproximava de mim, eu até tratava mal. Pra não me atrapalhar, entendeu? Mas tinham outras mulheres morando lá também? Não. Era só você e um monte de homem? Um monte de homem. Depois chegou uma menina e ela ficou morando um tempo lá.
Mas eu ficava totalmente isolada na minha. Eu era… Ixi, era impossível você falar comigo. Eu era muito grosseira, ignorante. Eu não queria papo, eu tratava todo mundo mal. A única pessoa que eu tratava bem era o Guido, porque era meu professor. E ponto, só queria ficar na minha, assim. Porque eu não queria problema, eu sabia que o primeiro erro que eu tivesse eu ia ter que voltar pro Rio de Janeiro, entendeu?
Então assim, foram muitos anos assim, aí eu fui tendo outras oportunidades de viajar, de ganhar campeonato. Eu tava sempre muito preocupada com o meu jiu-jitsu e também sempre pensei como que eu vou ganhar dinheiro com isso, né? Na época eu pensava muito nisso. E aí foram, depois de muitos anos, foram surgindo os campeonatos de Grandes Lã da JP.
E aí, eu comecei a lutar de marrom. Então, eu comecei a lutar e ganhar tudo. E aí, eu fui juntando dinheiro, dinheiro, dinheiro, dinheiro. Em dólares, fui juntando, juntando, juntando. Aí, tinha um patrocínio aqui, outro ali que me ajudava. E eu ia juntando dinheiro, juntando dinheiro. Essa disciplina de juntar dinheiro é bem difícil. Juntei muito dinheiro e depois troquei tudo. Aí, converteu em seis na época.
E aí foi muito bom pra mim. Depois surgiu as equipes que começaram a ajudar mais os atletas, que não tinha, quando eu era faixa azul só tinha o Guigo, o Márcio tinha um bom trabalho aqui também em ajudar os atletas, mas ainda não era algo muito comum. Mas aí foram surgindo as equipes que queriam ajudar um pouco mais os atletas, e aí eu ajudei até a fundar uma equipe que foi o Dream Art.
E aí, a gente tinha um investidor, onde esse investidor investia em atletas, né? E todo mundo pôde crescer muito com isso, sabe? E foi nessa fase que eu fiz bastante dinheiro e fui criando um caixa, né? Fui administrando ali, até que eu comecei a dar aulas. E aí, assim, foi. Eu sempre fui muito disciplinada com dinheiro, assim.
Eu aprendi sobre investimentos, eu estudei sobre investimentos e fui investindo meu dinheiro. Hoje em dia eu tenho dinheiro investido, tirei para investir na minha academia, comprar uma coisa ou outra. Eu tive que comprar um carro, né? Porque agora eu pego uma hora às vezes para ir para Jundia e treinar, onde eu estou treinando agora. Eu estou sempre buscando o que eu puder estudar e aprender, ainda mais nessa fase, né? Eu tenho 27 anos.
E eu tenho que trabalhar muito até os 35, porque depois disso eu quero ter uma vida mais tranquila. Tranquila que eu digo, administrar um pouco mais as coisas sem ter que me matar tanto. Porque eu, antes da gente começar, eu tava falando, eu quebrei muito meu corpo, principalmente nessa fase de fazer dinheiro pra poder juntar. Eu lutei tudo que eu podia, o máximo que eu podia. Aceitava a luta no peso de cima, aceitava a luta no peso de baixo. E aí eu...
Putz, me quebrei inteira pra conseguir ter o que eu tenho hoje, assim. Esse lance da sua cabeça, de novo, assim, com esse mindset mais de braba, assim, você acha que isso te fortaleceu muito, principalmente nas lutas, né? Inclusive, em suas adversárias ficarem um pouco assim, elas não chegavam nesse nível, assim, que você chegava ali de brabeza mesmo, né, cara? Eu acho que isso na luta conta muito, né? Quando você tem uma confiança e você passa um receio lá pro adversário.
Eu acho que, principalmente, ganhar mundial é 80% cabeça e 20% jiu-jitsu. Eu posso ficar sem treinar e decidir lutar o mundial, que eu sei que eu vou performar bem só pela confiança que eu tenho em mim. Então, assim, treinar e ter um bom mindset.
te leva a um outro nível mas só o mindset eu acho que consegue transformar assim a sua vida e isso tudo eu sempre fui uma criança assim minha mãe falava que ia fazer as coisas e fazia, e o meu pai duvidava muito de mim e esse negócio da dúvida me deixava muito irritada então você quer me forçar a fazer alguma coisa duvida de mim, entendeu? eu vou fazer provavelmente e eu não acredito
E aí, eu cresci com isso. E quando meu pai me expulsou de casa, ele falou que eu não ia ser campeã mundial, que eu não ia ser faixa preta. Ele falou várias coisas pra mim. E aí, eu falei, ah, é? Então tá bom. E aí, foi. Mas eu sempre fui assim, muito confiante. Não vou te dizer que tem coisas que eu acho que eu… que vai dar errado, que eu não vou fazer bem. Eu até acho.
Mas eu não tenho medo de fazer, entendeu? Porque se eu não fizer, eu não vou nem saber se realmente eu não tinha capacidade. E se eu fizer e der errado, eu vou tentar melhorar, provavelmente. E voltar de novo, e fazer de novo. Eu não me importo de tentar, nem de fracassar nas coisas que eu quero fazer. E eu acho que por isso eu tive tanto sucesso, assim. Em conseguir vencer lutas até que eu...
Olhando assim hoje, talvez eu não tivesse nível técnico pra vencer naquele momento. Ou a menina era melhor mesmo. Eu sou muito honesta, assim, em relação aos níveis. Às vezes eu falo, nossa, a menina é melhor que eu. Mas isso também não é um problema, entendeu? Porque o dia, no dia não ganha quem tem melhor jiu-jitsu. São muitas coisas.
Que envolvem pra você ganhar no dia. Sim. Também já perdi. Porque num dia não tava me sentindo tão bem assim. Eu sabia que eu não tava me sentindo tão bem. Mas eu penso que as pessoas talvez elas... Elas têm tanto medo de fracassar que elas...
Elas preferem aceitar que elas não têm a capacidade pra esse caso fracassar. Elas pensaram, ah, eu não tava no meu momento, não foi no meu tempo. E eu sempre gostei de me puxar. Às vezes eu falava até assim, eu causei muita discórdia na internet. Eu falava assim, eu vou fazer tal coisa, eu vou vencer. Eu falava bastante, por quê? Porque gerava haters e geravam pessoas duvidando da minha capacidade. Era tudo que eu precisava, entendeu? Eu gostava muito.
Aquilo te alimentava muito. Era muito legal. E aí quando eu vencia, eu falava, agora eu calei a boca de um monte de gente. Então isso era muito legal, essa parte da minha vida. Hoje em dia, quando eu vou lutar, ainda tem um pouco isso. Porque foi algo que eu construí com o tempo.
Mas hoje em dia, como eu te disse também antes, eu tô um pouco mais de fora, assim, das redes. Eu não tô mais tão presente porque realmente a minha energia, ela tá 100% em outra coisa. Então eu alimento um pouco ali das minhas redes sociais, da Organic, porque eu tenho minha academia, porque eu ainda sou uma atleta patrocinada, mas eu não tô mais tão envolvida quanto antes. Antes... Sim.
Nossa, eu tava muito envolvida com rede social e até os super lutas, né, os eventos que me contratavam, eles gostavam disso e eles me queriam muito por conta disso, da rede social, que eu era um atleta muito presente e que respondia as pessoas e que falava e fazia, né, então isso foi uma fase bem legal, assim. Pode ser que daqui a pouco me desperte um negócio de novo, ah, voltar esse evento aí e vou falar um monte. Pode ser.
Mas eu nunca falei assim Eu nunca quis desrespeitar quem ia lutar comigo Eu gostava de falar coisas pra gerar dúvidas E eu consegui me sobressair nisso Sim A relação com a sua família hoje Como é que é? Você sai de casa com essa coisa com seu pai Hoje vocês estão na boa Vocês falam bem
Eu não sou uma pessoa muito família, assim. Eu talvez esteja aprendendo isso um pouco mais agora também. Então, minha família pra mim sempre foi a minha mãe, assim. Que é o maior amor da minha vida. E também quando eu pensei em fazer...
dinheiro, mudar de vida, foi porque minha mãe foi diagnosticada com câncer. E aí eu falei, caraca, eu preciso fazer alguma coisa. E aí eu comecei a fazer muito dinheiro para se caso ela precisasse de mim, eu pudesse ajudá-la. Então isso também foi uma motivação muito grande. Então ela sempre foi o pilar de tudo. Eu queria construir.
um império em volta dela pra, né, o dia que ela precisasse eu poder dar todo o suporte pra ela. E aí aconteceu isso com meu pai, a gente demorou, meu pai hoje é faixa preta.
Mas eu não tenho muito presente na minha vida. Porque eu também sou uma pessoa mais distante. E eu também tô aprendendo a perdoar. A aprender a melhorar esse outro lado. E eu acabo me fechando um pouco. Mas esse final de semana que eu tô aqui. Provavelmente a gente vai sair pra comer. Mas eu não...
Não tenho mais nada contra ele, né, dessa época. Eu acho que o que eu tinha pra jogar na cara dele e machucar ele, eu já fiz, né, depois do acontecimento. E a minha mãe sempre quis levar ela pra São Paulo. Então, hoje em dia, ela mora em São Paulo, trabalha pra mim na academia. É a minha faixa marrom, vai ser faixa pretensiano, provavelmente. E as coisas estão caminhando, assim, tá feliz.
Tem um namorado, tá tudo encaminhando. Ela tinha uma vida muito difícil aqui também, era muito sofrida. Isso me machucava bastante, porque além dela ter câncer, né? Essa vida acabava tirando um pouco mais da vida dela. Então, hoje eu posso proporcionar uma vida boa pra ela. E eu fico pensando que a gente não tem muito tempo e eu só queria aproveitar...
todo o tempo que ela tem ainda e talvez se eu tiver que fazer mais alguma coisa botar minha energia em outra coisa talvez no futuro, né? Mas a minha energia também tá 100% focada nela o maior sonho dela é ser vó ela me cobra muito e a gente tá entrando num acordo
quase aconteceu esse ano talvez aconteça ano que vem e nem era algo que eu planejava pra agora, mas é uma vontade dela e eu quero muito que ela aproveite o neto dela ou os netos dela e
Porque o tempo passa muito rápido Muito rápido Às vezes a gente quer fazer coisas pros outros Provar coisas pros outros Mostrar coisas pros outros E a gente não dá valor pras pessoas que realmente estão do nosso lado Então eu já gastei muita energia Com muitas outras coisas E aí depois que
Eu abri minha academia, ela foi pra São Paulo. Meu foco agora é gastar toda a minha energia com ela, aproveitar o máximo e também construir esse outro império aí, fora a carreira de atleta, que eu acho que a carreira de atleta foi muito mais pra alimentar o meu próprio ego do que qualquer outra coisa. Foi pra suprir necessidades minhas, entendeu?
É, mas valeu pena. E aquilo que você falou de egoísmo, eu acho que o atleta tem que ser egoísta, pra ele chegar onde ele chegar, ele tem que pensar nele. E louco. É, e louco. Eu acho que louco tem que ser sempre mesmo, porque se você for normal, você vai ter tudo normal, né? Tudo mediante. Não, eu já percebi que todo atleta e campeão, ele...
louco, é meio louco assim se você conversar com qualquer um ele tem um negócio assim, diferente você fala, cara, esse cara é muito louco mas precisou disso pra chegar até lá porque em sã consciência, olha só pensa comigo, em sã consciência você tem que investir muito tempo da sua vida, tá num esporte onde não tem retorno financeiro, tá teoricamente, tá
Cara, agora tá tendo, mas pensa só. Não, ia pra muito poucos, né? Pra muito poucos, mas pensa um tempo atrás. O funil é muito pequeno. Era pior ainda. Sim. Então, assim, muito tempo em um esporte que não tem retorno financeiro, teoricamente. Você fica longe da sua família, treinando pra caramba, quebrando o seu corpo. Você não tem dinheiro pra se cuidar. São poucos atletas que têm fisioterapia, que têm um médico, que têm um nutricionista, um preparador.
Cara, isso tudo é muito difícil, entendeu? Então, assim... Quem, sem consciência, vai matar, se quebrar inteiro. Tá no final, talvez você nem vencer. E se vencer, ainda não conseguir ter retorno financeiro. Porque tem muito campeão mundial que não tem retorno financeiro.
que talvez tenha que trabalhar com outra coisa, ou que não tá vivendo, tá sobrevivendo. Então, assim, é pra poucos viver realmente de jiu-jitsu. E também ser campeão mundial, no final das contas, não te garante 100% de sucesso na vida. Você pode ter tido sucesso em vencer o campeonato, mas na vida não quer dizer que você vai ter sucesso. Então, assim, tem que ser louco.
pra querer fazer isso, sair de casa cedo treinar pra caramba, se quebrar passar fome, o que for e ainda lá na frente não ter retorno é muito, muito, muito complicado
Falando até um pouco agora do ambiente feminino, dentro de um ambiente que sempre foi muito masculino, e ainda é, e a gente tem, a gente até recentemente tem conversado até porque tiveram, a gente já teve vários casos, casos às vezes mais ocultos, casos de agora hoje que vazam mais rápido até pela...
por causa das redes e tudo mais mas sempre a gente vai ter esse essa discussão né da presença da mulher nesse ambiente masculino e de novo eu passei por algumas gerações cara, eu tava no primeiro mundial feminino aqui, inclusive quem ganhou o primeiro mundial só tinha uma categoria e não tinha divisão de faixa, não tinha divisão de peso e agora
E por acaso foi uma menina que treinava lá com a gente na minha academia. Ela era a faixa roxa, ganhou da mulher do Jiu-Jitsu na final. E foi a primeira campeã mundial de Jiu-Jitsu. Então assim, eu vi esse crescimento também das mulheres começando a chegar, abrindo categoria feminina e tudo mais. Então foi um movimento que veio forte, mas que teve...
Muitas barreiras ali pela frente E ainda tem, né? Tem muitos desafios, né? Um deles, talvez, essa coisa de Como é que eu lido dentro desse ambiente masculino Que, enfim, cara Pode acontecer muita coisa Eu, por conta desse ambiente Também já fui uma mulher machista, tá? Então, assim Como é que eu posso te dizer? É...
Eu tinha muito contato com homens, né? Que é normal, porque o maior público é homem no jiu-jitsu. E aí, talvez quando uma mulher, né? Uma atleta entrava na academia e ela tava lá pra treinar e ela não supria a necessidade, as minhas expectativas sobre ela, eu...
Era machista com essa mulher, então tipo, pô, não aguenta, não sei o quê, né. Eu e a Kira, a gente até teve essa conversa, que ela falou que também pensava assim, né. A Kira foi bem nessa geração também. Sim, e talvez eu deveria ter acolhido essa menina, mas por conta do ambiente e os homens também sempre dando um jeito de criar uma rivalidade feminina, as mulheres durante muito tempo não se ajudaram e elas foram rivais, até mesmo na própria academia.
Então eu demorei um tempo pra entender isso. Eu sempre gostei de treinar com mulher, mas eu gostava de treinar com aquela mulher que também era no mesmo estilo que eu, entendeu? Se não fosse, eu já tinha um certo bloqueio. Mas eu demorei um tempo pra entender e quando eu entendi, eu fui melhorando. Mas eu também já fui esse tipo de mulher. Eu e a Kira conversando sobre isso, foi muito engraçado.
E as mulheres sempre enfrentaram muitas dificuldades no jiu-jitsu. Sendo que ao invés delas se juntarem, né? Elas mesmo acabavam umas com as outras. E ainda tem, eu consigo ver que ainda tem um pouco disso. Mas já melhorou muito. Então assim, demorou pra entender que tem espaço pra todo mundo. Porque tem espaço pra todo mundo.
E que a gente precisa de uma da outra pra fazer isso. Então quando eu vou lutar hoje em dia, né? Eu tava assistindo Pan-Americano. E aí eu vi algumas lutas bem legais, assim, acontecendo femininas. E o quanto uma precisava da outra. Porque pra gerar entretenimento e as pessoas estarem falando daquela luta. Tinham que ser duas atletas muito boas, entendeu? E eu acho que antigamente parece que só tinha que ter uma abelha rainha, entendeu? No jiu-jitsu.
Não podiam ter muitas mulheres. Sempre uma querendo ser mais do que a outra. E eu acho que a gente entendeu isso. E hoje a gente tem um leque muito maior. De mulheres muito boas. E as mulheres estão cada vez mais valorizando mais isso. E sobre os casos que vêm sendo expostos no jiu-jitsu.
Por conta das redes sociais, isso vai ser cada vez mais comum, mas a Kira também deu um depoimento falando que isso é comum. Há muito tempo vem acontecendo no jiu-jitsu, então desde que eu comecei eu já sabia de muitos relatos, de muitas academias que tinham esse problema de assédio, de várias coisas acontecendo, mas agora as coisas estão vindo mais à tona.
Eu acho que também uma mulher, quando tá num ambiente desse, ela sente que isso tá acontecendo, ela tem que ir embora. E o que eu vejo, às vezes, é que a mulher não vai embora, ela permanece. Então, assim, pra toda mulher que tá tendo um problema de ser na academia, ela precisa sair, vai embora, denuncia, faz o que quiser, mas vai embora, não permanece no mesmo ambiente. Quando eu faço aulões, mulheres vêm até mim pra falar coisas que estão acontecendo nas academias delas. E eu falo, por que senão vai embora?
Ah, não, vai embora, se retira Mas já é difícil, né? Quando você está num ambiente e não tem algo Que você não compactua Ou que tá te incomodando acontecendo Se retira, você tem que ir embora Pum, vai embora Eu, qualquer coisinha que acontece no ambiente que eu tô Eu vou embora na hora Então, vou embora, não me importa Vou embora
Então, tá faltando um pouco mais essa cultura de ir embora, de denunciar, de falar, né? E talvez um treinamento melhor pros professores. Primeira aula de mulher tem que ser com mulher. Precisa ter uma turma feminina comandada por uma mulher. Então, as academias precisam aprender a profissionalizar mais mulheres pra lidar com isso. Aula particular, quero ter uma aula particular com você.
Tem que ter uma mulher, entendeu? O meu namorado hoje foi dar aula pra uma mulher, por exemplo. Ele não dá aula pra uma mulher sozinho nunca. Tem que ter sempre gente junto. Isso é importante, entendeu? Pra preservar tanto o professor quanto a mulher. Porque do jeito que tem mau caráter, né? Homens mau caráter, também tem mulher mau caráter. Então, assim, se você tá sozinho com uma mulher, ela sai falando alguma coisa? Se uma mulher me conta que você fez alguma coisa com ela, eu vou sempre acreditar na palavra da mulher.
Então assim, até que me prove o contrário, né? E isso pode acabar com a sua vida. Sim. A gente tem visto casos desses acontecendo. Exatamente. Então eu acho que os dois lados precisam se preservar um pouco mais. As academias terem mais estruturas femininas, os homens fazerem talvez um curso de conduta com a mulher, isso é importante.
Eu tento ajudar os meninos que estão do meu lado, assim, né? Que dão aula. Recentemente, até tava no treino. E o professor chamou a menina de pesada, né? Eu tava montando as trias, ele falou. Ah, ela não, que ela é pesada. Eu falei, olha aqui, você não fala assim com a mulher que ela é pesada, tá? Então, são coisas bobas que talvez você nem imagine. Mas que muda quando uma mulher tá na aula. Então, você não fala assim com ela.
Você fala, ah, essa mulher é de uma categoria acima. Ela é uma mulher grande, talvez não tenha que ficar nesse grupo. Então…
Existem coisas e formas de serem ditas e principalmente pra dar aula pra mulher. Sendo que a gente nunca nem estudou como ser professor de jiu-jitsu, né? Imagina dar aula pra uma mulher. Exatamente. Então, isso é muito importante. Eu cheguei hoje e já fiquei sabendo de outro caso que teve aqui no Rio de Janeiro. Em uma academia. Então, assim, onde eu vou, eu fico sabendo de alguma coisa. São vários. Quando aconteceu, inclusive, nesse último, né? Eu recebi aqui alguns relatos. Relatos aqui sérios.
Não, quando as coisas começaram a acontecer, eu comecei a receber ligação. Porque o que as pessoas esperam? Que eu fale alguma coisa sobre, né? Então começam a me ligar pra falar. Sim. E eu absorvo aquilo e fico… É muito difícil, assim, sabe? Mas tem que ter alguma coisa, alguma conduta, algum curso, sabe? É porque, de novo, volta pra cultura, né? Assim, a cultura de formação. A gente talvez tenha que mudar um pouco da cultura ou implementar na cultura. É…
pra ser um código de conduta mesmo ético, pra quando começar alguma coisa, é aquilo não tem como passar pra uma outra fase e ali, as vezes você tem que ser mais rígido, como você falou, não pode ter uma aula particular só com homem e mulher, assim, você começa a criar umas regras, porque aquilo ali naturalmente
Depois vira algo que você já entende. Tem que ser monitorado, tem que ter câmera, entendeu? Eu tenho alunos particulares, tá? Eu nunca dou aula pra eles sozinha de jeito nenhum. Tem sempre alguém. Tipo, ou tem meu ajudante, que é um homem. Ou tem alguém no tatame de olho na aula.
Quando eu vou conversar também com algum aluno meu Que eu preciso conversar com ele a só Ou com alguma aluna também Sempre alguém na sala Isso é importante Então nunca converso com alguém sozinho Nunca Tem sempre alguma testemunha Pra não correr risco Ou as vezes quando eu preciso falar alguma coisa séria Eu peço até pra gravar a conversa
É muito importante. Eu também já passei por algumas situações no jiu-jitsu, né? Muita fofoca aqui no jiu-jitsu. Disse, não me disse. Agora, tudo gravado, tudo monitorado, testemunha, pra não ter problema. Você já passou por algum assédio?
Assédio não, mas já passei por desconfortos no jiu-jitsu, no tatame, entendeu? Talvez o professor falar do meu corpo, ou agir de tal forma comigo, soltar uma piada. Mas assédio, assédio não. Eu até falei uma vez, cara, eu...
passei assim, né despercebida por isso, acho que também o meu jeito muito agressiva, entendeu afastando as pessoas de mim então acho que eu isso foi bom também pra manter certas pessoas longe, mas já passei por o professor dar em cima de mim assim, indiretamente, né, que é um tipo de assédio mas não é sério que nem a gente viu nos últimos relatos aí dar em cima ou soltar uma piada ou outra, mas é isso, me retiro e agora
Me retiro, na hora. Não quero saber, me retiro. E até porque, cara, a gente tá começando a ter mais voz agora. Mas 10 anos atrás, se eu pensasse em falar qualquer coisa, ninguém ia acreditar em mim. Se hoje em dia é difícil acreditar na mulher, imagina 10 anos atrás. É verdade. Então, sempre se retira, me retiro.
E assim, hoje em dia, tá? Pra um cara agir de má fé comigo no tatame ou até mesmo me desrespeitar, ele tem que ter muita coragem. Pessoal, senão você cobre ele de porrada. Cara, tem que ter muita coragem, assim. Eu fico pensando, nunca vai acontecer comigo. O cara tem que ser muito, ele tem que ser audacioso, muito audacioso. Assim, porque eu não vou deixar barato. Nem que eu, meu Deus do céu, acho que eu quebro a academia toda. O surto, o surto, ele me mata, entendeu?
Mas, Jana, então, assim, de novo, dando continuidade nessa sua jornada, né, assim, como é que você teve essa visão, né, do que você tá realmente agora colocando em prática, né, que eu acho que é um, que você falou assim, até você usou a palavra gourmet, mas é entregar essa ferramenta, eu acho que essa ferramenta é quase uma mentoria, né, cara, assim, pras pessoas, né, você tá usando a ferramenta do jiu-jitsu.
Mas pra fortalecer, pra disciplinar, pra passar confiança, pra pessoa ter autoconfiança, né? Não só no aspecto marcial mesmo da luta, mas emocional e espiritual no final, né? Porque você mexe com energia, você mexe com autoestima, então você tá entrando mais fundo, né? Entregando de uma maneira o que realmente, na verdade, foi pra você, né? Essa vivência toda.
Muito nova ainda, 27 anos, mas assim, muito vivida, né? Você passou por muitas experiências de intensidade muito alta.
Eu acho que eu juntei todas as coisas que eu vivi no jiu-jitsu. Desvalorização, falta de credibilidade, né? Vi muitas situações, assim. E quando eu decidi fazer isso, eu pensei em algo que ainda não existisse. Então, quando eu falei que eu ia abrir uma academia pra mulher, eu fui muito criticada. Por quê? Falaram que não ia dar dinheiro, que não ia dar certo. Que isso, que não. Que mulher. Cara, recentemente eu escutei de uma mulher, faixa preta, campeã mundial. É muito boa.
Que onde tem mulher tem problema. As frases dela. Onde tem mulher tem problema. E o que dá dinheiro no jiu-jitsu não é mulher. É homem. Que mulher não quer fazer jiu-jitsu. Isso de uma mulher. Entendeu? E aí eu fui ouvir muitas coisas ruins. Mas em nenhum momento eu pensei em não fazer. Porque eu tava ouvindo isso.
E justamente aquilo que eu te falei no início, tem muita concorrência, mas o que você tá fazendo de diferente da sua concorrência? Então eu pensei em criar um modelo que ainda não existisse, que era realmente esse, uma academia pra mulheres. E aí quando eu fiz a academia, o pessoal pensou que eu ia querer mulheres que já praticam jiu-jitsu. A verdade é que quem já pratica jiu-jitsu, eu já tô muito feliz, independente de onde ela faça, tá?
Se ela sofre algum tipo de coisa ruim na sua academia, eu não vou gostar, mas só o fato dela.
Fazer jiu-jitsu, eu já tô muito feliz. A minha academia é realmente pra atingir pessoas que não fazem. Pessoas que jamais pensariam em fazer. E que acham que não tem nada a ver com isso. Então, é um espaço, literalmente, pra essas pessoas. E aí, eu comecei a montar uma metodologia. Um jeito de ensinar pras mulheres. Pra essas mulheres que não tinham esse perfil. Porque quem é braba, é não sei o quê. Você pode mandar dar pirueta que a mulher vai fazer.
Agora, quem é um pouco mais frágil, mais vulnerável, quando eu vou dar uma aula em grupo de defesa pessoal para as pessoas que nunca participaram, eu pergunto quem é a mais vulnerável do grupo? A mais vulnerável e a menos vulnerável? E junto elas lá. E aí, passo tipo um exercício para mostrar que por mais que uma se sinta mais e a outra se sinta menos,
Se elas não souberem jiu-jitsu, as duas estão no mesmo patamar, entendeu? Entendi. Eu sempre faço esse exercício com elas. E aí, a academia foi criada pra isso. Eu tive essa visão de entender que não existia um produto e que eu precisava apresentar esse produto pro mundo. E que, possivelmente, eu ia tomar muita pedrada por isso. Porque todo mundo que é pioneiro de alguma coisa, né? Se ferra muito no início.
É, porque quando você fala assim, eu vou fazer uma coisa diferente do que todo mundo tá fazendo, legal. Mas isso não garante que vai dar certo. Não garante. Muito pelo contrário. O propósito é muito lindo. É, muito pelo contrário. Porque se é uma ideia, provavelmente alguém já pensou, né? Ou não. Ou se é uma coisa muito maluca.
Assim, não tá fazendo porque ninguém acredita naquele negócio. Provavelmente não vai dar certo. Já pensou estar no chão, por baixo, com alguém mais forte do que você e não saber o que fazer? É exatamente isso que eu ensino no meu curso de defesa pessoal na guarda. Eu vou te ensinar a sair dessa situação e outras no meu curso de guarda pra defesa pessoal. Clique aqui no link e venha fazer parte. Pô, sô!
é, então eu entendi que o retorno disso, pensando no lado financeiro ele não ia ser algo rápido, não é um investimento que volta rápido, mas ele constrói legado ele constrói algo diferente ele cria algo novo então quando, daqui a 10 anos vão ter outras academias de mulheres e aí, cara, quem começou com essa ideia maluca aí e aí
Entendeu? Então vai estar na história E pra existirem mais Pra pessoas acreditarem nisso Terem coragem de fazer Alguém precisa fazer primeiro Então assim, eu entendi que esse retorno Ele não ia ser rápido Mas que eu ia conseguir fazer E aí foi quando eu investi Muito nisso O meu espaço hoje lá
Se chama o Reganique House, porque é uma casa, tem dois tatames lá, até grandes. E na frente tem fisioterapia, medicina esportiva, tem sala de work. Então as meninas vão pra lá, ficam... Mas é só pra mulher? Só pra mulher. Eu tenho um dia da semana que eu dou aula pra homens lá, mas são meus alunos particulares. E é exatamente num horário que não tem nenhuma mulher na academia. É um horário que eles imploraram pra eu fazer pra eles. E é uma vez na semana.
Mas é só pra aluno meu particular. Normalmente são maridos, namorados, pai. Das meninas. Das meninas. E só tem contato comigo e com o meu ajudante, né? Entendi. Ou o professor que vai dar aula. Tipo, ontem eu não tava lá. O meu professor deu a aula. Mas não tem nenhuma mulher na academia. A menos as namoradas esperando eles na sala de co-working. Porque se tem homem no tatame, não tem mulher no tatame. E se tem mulher no tatame, os homens nunca podem estar no tatame.
Então eles estão na sala de co-working esperando elas. Que alguns ficam esperando, né?
E isso aí que você falou, por quê? O quê? Por que você faz dessa forma? Eu acho que quando a gente tá lá no tatame entre mulheres e tem a presença de um homem, a gente não tem atitudes que a gente teria se a gente estivesse sozinha. É igual os homens, quando estão entre você e homem. Você sabe, quando você tá entre os seus amigos, vocês falam coisas e agem. Eu acho que o homem age como se ele fosse um adolescente, quando ele tá entre homens, certo? Certo.
E as mulheres, elas agem como meninas, entendeu? E eu não vou agir como uma menina na frente do meu namorado, do meu marido, entendeu? Então, é um ambiente seguro que eu posso talvez ser boba naquele momento. Ser um pouco mais infantil, não preciso ser mãe, não preciso ser esposa. Não preciso ser namorada, eu só preciso ser eu e me divertir com as minhas amigas. Falar de jiu-jitsu, a gente fica brincando, que sabe quebra-braço.
Então, sabe, são coisas que talvez na frente de um homem a gente não faria. E a aula deles é a mesma coisa. Quando eles estão lá na aula, eu não deixo namorada, ninguém ficar lá assistindo. Porque o homem também tem muito isso, que a mulher tá vendo, né? Então, eu separo bastante as coisas.
E aí, eu nunca deixo eles ficarem presentes na aula delas pra criar um ambiente onde elas possam ser quem elas quiserem. Ser meninas, falar coisa de mulher, que homem não gosta, entendeu? E isso tem funcionado bastante. Eu recebo muitas mensagens pós-aula de mulheres que estavam se sentindo mal e depois da aula ficaram se sentindo melhor.
É muito gratificante, tem todo um trabalho envolvido Mas é muito gratificante também Então da situação, da crise de ansiedade Que a menina teve, eu recebi um texto dela Gigante, então são muitas coisas Muitas recompensas diárias Pelo trabalho, assim E coisa que eu não imaginaria que eu me sentiria Bem, eu faria, tá? Porque eu era uma atleta Egoísta
Então, é uma transição. Eu não sei te explicar, assim, porque eu também tô entendendo ainda o porquê que eu me sinto assim, o porquê eu gosto disso. Quando eu vejo uma mulher que não tinha perfil nenhum pra fazer jiu-jitsu e ela tá, tipo, muito boa no jiu-jitsu, que é o que acontece lá, a minha própria é advogada, tá?
Eu falo, caraca, que legal, eu vi essa pessoa do zero. Eu me sinto muito bem de ter acompanhado e ver toda essa evolução. E eu não imaginaria que eu sentiria isso antes. E aí, é muito legal. A gente vai abrir agora turma de criança, né. Não sou eu que vou dar aula, minha professora. Mas a gente vai abrir turma de criança.
Eu quero ver academia com criança agora. Então são várias coisinhas que eu tô mudando. E também pras mães levarem os filhos, assim. Eu quero um horário onde elas levem, os filhos fiquem embaixo e elas treinem em cima. E aí não tem desculpa, né? Porque se você... A mãe sempre fala, ah, porque eu tenho que ficar com o filho. Tá, mas agora você leva o filho pro jiu-jitsu, ele treina e você treina em cima, sabe? E melhora tudo.
Deve ser um desafio também, assim, até porque como sua imagem está muito vinculada a uma atleta, né? Como é que você atrai esse tipo de mulher? Eu atrai pela minha aparência, sabia? A maioria das mulheres que vão à minha academia hoje e elas não sabem quem eu sou no jiu-jitsu, uma aluna minha me mostrou pra ela, ela vai pela minha aparência, porque...
ela tinha um pensamento um pouco fechado em relação ao Jiu Jitsu. Onde mulher que faz Jiu Jitsu é masculina, né, tem cabelo bonito. Sei lá, são vários tabus que elas quebram quando elas veem a minha imagem. Isso elas falam pra mim. Não, quando eu vi a sua foto, eu falei, não, vou fazer Jiu Jitsu também.
E eu acho até que quando você começa a fazer jiu-jitsu, você precisa tomar mais cuidado, né, com a sua aparência. Porque o tatame quebra o cabelo, ferra o cabelo inteiro. O dedo fica horrível, a unha quebra. Então são mais pontos de atenção que você precisa ter com a sua feminilidade. Então eu acho até que faz com que você fique mais feminina, se você souber usar isso a seu favor. Sim, é, mas é difícil, né? É difícil as pessoas perceberem isso e você fazer esse trabalho, porque você também…
fez parte por muito tempo de uma intensidade muito grande no masculino. Então, essa é a tendência. Eu acho que isso que é o mais difícil. Eu também tive essa dificuldade como professor. Porque eu vivi num ambiente muito competitivo. E como professor, do jeito que eu quero passar o jiu-jitsu, o treinamento é completamente diferente.
mas o que foi pra gente é a nossa experiência vivida no começo você quer passar um pouco aquilo que foi ensinado o treino também, eu aprendi a melhorar o treino, porque meu treino ainda é forte mas ele era muito forte e aí pessoas que vinham de outra equipe falavam cara, isso aqui é um treino de competição, falava pra mim sendo que as minhas alunas, como elas estão acostumadas elas conseguem fazer, independente de quem seja, elas conseguem porque desde o início eu eduquei elas assim então pessoas que vinham de fora falavam cara
Minha academia não é assim, isso aqui é um treino de competição. Então eu ainda tô aprendendo muito sobre isso, mas a minha essência ainda é a competição. Então nove alunas minhas vão lutar o brasileiro agora de juiz. Num campeonato que acabou de acontecer, acho que lutaram oito. Então independente, a minha academia é super gourmet e aquilo, mas tem…
Alunas que competem, tipo, que começaram do zero comigo e estão competindo e têm vontade de competir. E a gente até monta pacotes de competição pra essas alunas. Porque quando você é mãe, quando você tem seu trabalho, né, e você ainda treina jiu-jitsu…
esposa, você precisa ter um acompanhamento a mais então elas passam com médica elas passam com a fisioterapeuta toda semana passam comigo em aulas separadas pra eu saber como elas estão peso, a gente monitora tudo pra que elas consigam competir e não seja uma coisa tão pesada porque competir já é muito difícil e aí eu sempre implemento essa cultura da competição porque eu falo pra elas que a vida coloca vários problemas na nossa vida
Que a gente não escolhe ter. Mas escolher participar de uma competição. É um problema que você escolhe pra sua vida. É verdade. É um problema que você escolhe. Você escolhe. É um problemaço. Mas você decide. No dia que você escolhe, virou um problema só disso. Vira um problema. E aí eu vejo o desespero delas a passar dos dias. E vários questionamentos. Eu falo, cara, não esquece, tá? Esse foi um problema que você se colocou. Então a vida não tá te dando esse problema. E você tem que se virar pra resolver. Muito pelo contrário. Você escolheu.
E você sabe todas as soluções. E você vai fazer. Aí depois que elas participam de um campeonato de jiu-jitsu, né? Elas falam, nossa, quero ir de novo. E aí eu falo, quando a vida te colocar um problema agora, você lembra, putz, eu lutei um campeonato de jiu-jitsu. E nada é comparado a isso. Nada é comparado a isso.
Cara, é muito difícil, é muito difícil. Eu tiro pra mim que sou atleta, e esse é meu trabalho. É difícil. Imagina pra uma pessoa que não é o trabalho dela, e ela tá se colocando nessa situação. Então eu dou muito valor, assim, a essas mulheres que conseguem, essas pessoas, né, que conseguem fazer isso. E que acima de tudo, principalmente elas, conseguem ser mãe, esposa, aí trabalha, cuida da casa, cuida da família.
E ainda vai lá e faz isso. Se expõe, né, muito, né. Porque muitas delas já são muito cascagrossas. Já são faixas pretas em suas profissões. Sim. E colocam uma faixa branca. Naquele momento. Não, tem uma lá que fala assim. Ai, vim aqui pra mim é um exercício pro meu ego. Eu falo, por quê? Ai, você tem 27 anos. Eu tenho que ficar te obedecendo, te respeitando.
Sendo que eu sou, tipo assim, foda no meu trabalho Eu falo, ué, mas chega aqui Não dá pra fazer um armilogue aí Mas é isso, né, cara E esse é o trabalho, na verdade O jujitsu mostra isso, que assim Independente dessa tua profissão, da sua classe social Naquele momento ali, cara
Você vai passar por um processo diferente E vai te fazer bem E tem uma coisa muito legal do jiu-jitsu Quando você é faixa preta Você é faixa preta de jiu-jitsu em qualquer lugar do mundo Você pode exercer sua profissão Mas as outras profissões não É verdade
é, e eu acho assim, eu fico impressionado de novo eu tenho repetido isso durante a nossa conversa como que você conseguiu mudar a sua cabeça e sair dessa cabeça de ser uma atleta pra ser uma empresária e não só isso, porque de novo, você poderia ser mais de uma
professora, campeã mundial de uma academia, né? Você tá pensando em fazer realmente um produto ali que se preocupa com o desenvolvimento humano, com o desenvolvimento das mulheres, né? Tá passando um jiu-jitsu terapêutico, um jiu-jitsu né? Você tá sendo uma mentora ali pra muitas pessoas.
E eu acho que você tem a capacidade, de novo, não só por toda a sua experiência de vida, mas pela sua energia, pela sua verdade, pela sua entrega, pela sua paixão, pelo que você faz. E isso, pra mim, é um código marcial, né, cara? A gente trabalha com...
com honra pelo que nós fazemos, né, com ética, e esse eu acho que é o caminho, esse é o caminho que eu acredito, é o caminho que a gente acredita aqui no Pura também. Quando eu comecei o juízo, eu não comecei pelo dinheiro, porque se fosse pelo dinheiro, eu nem teria começado, né, aí depois eu falei, cara, eu preciso fazer dinheiro, mas o dinheiro, ele veio de forma natural, assim, eu não precisei...
Como é que eu digo? Ficar sempre pensando e mentalizar. Eu fui só fazendo o meu trabalho e o dinheiro veio. O que eu sinto com a minha academia hoje é que é isso, entendeu? A gente, por exemplo, desde que começou, esse é o nosso melhor mês. Então, eu falei muito pra minha sócia que a gente só tinha que começar que ia dar certo, ia dar certo.
Aí agora a gente abriu um estúdiozinho menorzinho em São Bernardo, né? Porque eu tenho uma aluna que tem um lugar lá. E muitas mulheres chegam pra ela. Uma pessoa super comunicativa que ajuda muitas pessoas também. Ela tem uma vibe ótima. Então, por exemplo, existe eu no Tatame, a professora. E existe ela que é muito boa, assim, com todas as mulheres, sabe? Que também a professora precisa disso. Ela não tem como ela dar conta de tudo sozinha. Então, ela precisa de braço esquerdo, braço direita. É, eu ia até te falar.
É isso, né? Assim, o quanto você tá falando que eu fico ligado, fico ligado, sei que eu, mas você tem também, eu acho que é um desafio pra frente de crescimento, é como que você consegue deixar a sua alma presente lá, né? Ou sua metodologia, ou sua... Mas, ao mesmo tempo, não ter uma dependência sua, principalmente fisicamente.
Sim, eu sei que no momento, pelo menos nos próximos 5 anos, vai ser um pouco difícil, tá? Mas esse estúdio, por exemplo, eu não sou professora nesse estúdio em São Bernardo. Mas essa mulher é, e ela é muito boa com as mulheres, e ela tá sendo treinada por mim. Então...
Mesmo não sendo eu, ainda assim vai ser uma pessoa capacitada pra ensinar jiu-jitsu e acolher e ajudar uma mulher. Então, ela mora em São Bernardo e ela recebe muitos relatos de mulheres, mulheres procurando ela pra fazer jiu-jitsu. E aí, como a gente não tinha um espaço lá, essas mulheres acabavam indo pra outras academias e tendo problemas em outras academias, e essas mulheres saíam do jiu-jitsu.
E ela falou, cara, a gente tá perdendo muita mulher. Eu tenho um espaço, que ela é fisioterapeuta, né? Eu tenho um espaço lá e eu acho que dá pra pôr um tatame, assim. É um pouco maior que o de vocês aqui. O que a gente faz? A gente vai perder um monte de mulher. Aí ela me contou o relato de uma mulher. Aí eu falei, caraca.
eu falei, cara, a gente vai abrir vamos abrir um estúdio agora você coloca aula lá terça e quinta porque segunda, quarta e sexta ela tá comigo em São Paulo eu falei, abre o horário terça e quinta e você dá aula pra elas nesses dois dias, não deixa essas mulheres irem pra mais lugar nenhum a gente vai inaugurar agora final de semana já tá tudo pronto lá então era uma coisa que eu nem imaginava e já expandiu pra esse estúdio, eu tenho vontade de ter um no Rio de Janeiro tenho vontade de ter um em cada estado assim, sabe é
Para essas mulheres que não têm nada a ver com o Jiu-Jitsu, que pensam que esse esporte não é para elas, mas que precisam de autoconfiança, que precisam de ajuda, precisam de um lugar seguro, principalmente para se sentirem mais seguras.
Pra elas entrarem, né? E ter uma pessoa lá que possa acolher elas, mesmo que não seja eu. Então, essa é a minha vontade. A gente tá trabalhando pra isso, né? Eu quero ter uma plataforma onde eu gravo as aulas e minhas professoras olham. Porque também, às vezes, eu tenho que viajar. Eu vou viajar pro Mundial, que eu vou acompanhar o time. Tem a minha professora que tá olhando lá a aula, né? Vídeos também pras minhas alunas.
Então eu quero que tenha em cada estado um lugar acolhedor desse para as mulheres. E eu sei que durante muito tempo a minha lá vai precisar muito de mim. Sendo que eu já venho conversando com elas. Que qualquer pessoa que estiver ali à frente não importa. O que importa é o ambiente. Então é um ambiente seguro, é para elas, é tudo para elas. É a casa das mulheres, entendeu? Muito legal. Então eu tenho essa meta.
E as coisas aconteceram. Eu não tinha pensado em abrir um estúdio, outro em São Paulo. A minha é grande, né? Esse é um estúdio menor, mas não tinha pensado nisso. Isso aconteceu. E é aquilo, oferta e demanda, oferta e demanda. Se tiver demanda aqui e eu tiver oportunidade de abrir uma aqui, eu vou dar um jeito também. Se tiver que vir todo mês, eu venho todo mês e assim vai.
Eu só aproveito as oportunidades que a vida vai me dando e eu sinto que o dinheiro, ele vem vindo com o trabalho. Então, você tá falando do seu podcast e você faz por amor. Vai acontecer. Tipo, parece um pouco clichê, mas vai acontecer. E essa minha aluna, ela tem o mesmo pensamento que eu. Às vezes alguma coisa tá dando certo, aí ela sempre fala pra mim assim, Ah... Tchau.
Calma que tudo se encaixa, tudo no final se encaixa e tem um porquê. Eu acredito muito nisso, tudo no final vai se encaixar, vai se encaixar e as coisas estão acontecendo. De forma natural, sem forçar nada. Eu não pensei em montar a academia e falar, nossa, vou ganhar riso de dinheiro com isso. Muito pelo contrário, me deu prejuízo de mais de uma milha.
muitos trabalhos, e abandonando um pouco do lado de atleta mas ao mesmo tempo, as mensagens o sentimento, o que acontece dentro daquela academia é surreal todo dia, assim, eu não sei nem explicar, nem explicar como é ontem eu tava vindo pra cá, recebi uma mensagem Ana, tive ataque de pânico hoje, eu falei meu Deus, eu tô no Rio de Janeiro mas o que eu vou fazer agora? mas já dei um jeito de dar conta disso também e eu não sei
Então, saber que ela está procurando isso através de Jiu Jitsu e está conseguindo lidar com isso é muito bom. E que não está precisando se entupir de remédio. Porque é o que acontece na maioria das vezes, se entupindo de remédio para se sentir melhor.
Bom, parabéns pelo trabalho Eu quero até visitar lá quando estiver em São Paulo A gente documentar também, levar o Gabriel lá A gente fazer uns vídeos lá, enfim, contar um pouco Essa sua história, que é uma história linda, eu acho, de vida E lindo o que você está fazendo Pelo jiu-jitsu, então a gente Eu acho que todo mundo aí, comunidade, agradece Acho que quanto mais a gente eleva o nível A maré vai e os barcos vão junto
enfim, então parabéns pelo seu trabalho e que amanhã também a gente vai ter o privilégio de ter você aqui com a gente, né, num seminário especial para as mulheres, eu não vou estar presente porque eu não sou mulher, mas que bom aí que a Marcele também está fazendo isso acontecer. Obrigado, guerreira. Obrigada a você, viu? Boa!
Andre Bintang
DEFESA PESSOAL NA GUARDA DO JIU JITSUXANDE RIBEIRO
GUARDA DIAMANTE BY XANDE RIBEIRO