"O Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde: autenticidade ou narcisismo?
“O objetivo da vida é o desenvolvimento do próprio eu.” Com esse manifesto, Lord Henry Wotton seduz o jovem Dorian Gray, e Oscar Wilde nos deixa uma pergunta que não envelheceu: seguir a moral da sociedade seria, afinal, uma forma de imoralidade? Neste episódio, José Garcez Ghirardi lê "O Retrato de Dorian Gray" a partir da tensão que o romance nunca resolve entre indivíduo e sociedade. Entre o Adônis que todos aplaudem e o Narciso que descarta quem já não lhe serve, Dorian quer ser os dois. E como impedir que o desejo legítimo de autenticidade se torne, nas palavras do professor, “um narcisismo pernicioso e perverso”?"O Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde, é um romance que funciona como espelho: a cada leitura, ele muda porque nós mudamos, como o próprio retrato. O fio condutor é a tensão entre a nossa bússola moral individual e a moralidade social dominante, entre o julgamento que fazemos da sociedade e o julgamento que ela faz de nós.