139 -FAMÍLIA NUCLEAR X FAMÍLIA AMPLIADA - COMO VOCÊ CRESCEU?
A família nuclear é um recorte recente. Durante a maior parte da história, criar uma criança envolvia mais gente do que pai, mãe e irmãos.
Você lembra da sua infância? Tinha a casa da vó, das tias ou dos primos no mesmo bairro, cidade ou quintal? Finais de semana dormindo na casa de alguém, churrasco, festa, dia de assistir o Domingão ou Sai de Baixo. Lugares onde a circulação era livre e o amparo era certo.
Isso é coisa rara para muitas crianças e adolescentes no Japão. A maioria só tem pai e mãe, às vezes, irmãos.
O círculo é menor, é restrito e isso pode causar uma insegurança e fragilidade emocional.Por isso, é importante que mesmo à distância, que o contato com a família no Brasil, nunca seja perdido.
Winnicott descrevia círculos: o colo da mãe, a família, o mundo. Cada um prepara o seguinte. Avós, tias, tios, primos ocupavam o segundo desses círculos, nem tão perto quanto o colo, nem tão distante quanto o mundo lá fora.
Um espaço intermediário, onde a criança encontrava outros modos de ser vista.
Quando esse círculo falta, o peso que antes se dividia entre várias gerações passa a caber inteiro em dois adultos. Não é ausência de amor, o que resulta disso.
É ausência de variedade : poucos espelhos, poucos ângulos diferentes pra uma criança se constituir, se perceber e se identificar. A migração corta esse sistema de forma abrupta. Manter esse laço, mesmo à distância, mantém aberto um círculo que de outro modo se fecharia de vez.
As chamadas de vídeos, ligações, cartas e mensagens, precisam continuar existindo, o afeto pode (e deveria) existir mesmo depois de cruzar as fronteiras e atravessar o mundo.
Letícia Shin, Psicóloga, psicanalista eカウンセラー#terapianojapao