Episódios de Gabinete da fofoca geopolitica

#08. uma semana de ONU

28 de setembro de 202624min
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nosso episódio da semana de 21 a 27de setembro é sobre a assembleia geral da ONU (aquela em que chefe de estado do mundo inteiro sobe no mesmo púlpito, um atrás do outro, e cada um aproveita pra mandar o seu recado).

teve o zelensky chamando o putin de "paciente zero" enquanto washington convidava o putin pro G20 em miami. teve o trump assinando o acordo da groenlândia, que muita gente vai contar errado por aí. teve o irã levando uma proposta de sete dias e o trump rejeitando na frente do helicóptero, pra no domingo dizer que espera novas conversas.

tem também os houthis avançando sobre a segunda porta do petróleo, sete grupos armados se unindo pra derrubar o governo da etiópia, a briga entre japão e coreia do sul sobre o que fazer com a coreia do norte, e um passeio pelas américas com presidente que nem apareceu, frase da semana na bolivia e o brasil abrindo os trabalhos, como faz desde mil novecentos e cinquenta e cinco.

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Gabi Poncio

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Assuntos11
  • A Assembleia Geral da ONU e os recados dos chefes de EstadoZelensky chama Putin de paciente zero·Trump convida Putin para o G20·IA na guerra e escolha de alvos
  • Aliança de grupos armados na Etiópia para derrubar o governoAbiy Ahmed e o Nobel da Paz·Antigos inimigos viram aliados·Ataques aéreos e confrontos intensificados
  • Acordo de segurança na Groenlândia e a presença militar dos EUATrump queria comprar a Groenlândia·Ampliação da presença militar dos EUA·Restrições a países de fora da OTAN
  • Irã e a proposta de sete dias para negociações com os EUALiberação de dinheiro iraniano congelado·Suspensão de sanções ao petróleo·Trump rejeita proposta e depois busca conversas
  • Américas na ONU: Venezuela, Colômbia, Bolívia e ParaguaiDelcy Rodríguez e o discurso na Assembleia·Presidente da Colômbia não comparece·Rodrigo Paz e a frase da semana na Bolívia
  • Brasil abre o debate geral da Assembleia da ONULula abre o debate pela décima vez·Crítica à falha da ONU em evitar guerras·Defesa do Pix contra pressões de multinacionais
  • Alemanha e o medo de vazamento de planos militares para a RússiaRestrições de acesso a informações sigilosas·Plano militar de reação a ataque russo·AfD e acusações de antidemocracia
  • Avanço dos Houthis no Estreito de Bab-el-Mandeb e risco ao petróleoLigação do Mar Vermelho ao Golfo de Adem·Houthis avançam sobre posições·Passagem de petroleiros perigosa
  • Japão e Coreia do Sul divergem sobre desnuclearização da Coreia do NorteJapão pede retirada de referências a 'estados inimigos'·Coreia do Sul defende aliviar sanções·Trump como mediador para Kim Jong-un
  • Visita de Xi Jinping a Washington e a trégua comercialPrimeira visita de Estado em 11 anos·Trégua comercial estendida por 2 meses·Desvio de peças de caça F-35 para a China
  • Ataques aéreos do Paquistão no Afeganistão e mortes de civisPaquistão mata militantes em ataques·Talibã denuncia mortes de civis·Cabul promete responder
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Essa foi a semana da Assembleia Geral da ONU, a semana em que os chefes de Estado do mundo inteiro sobem no mesmo púlpito um atrás do outro e cada um aproveita para mandar o seu recado. Teve ameaça, teve reunião de bastidor, teve presidente que prometeu na campanha que não ia viajar e cumpriu, mandou o vice ler o discurso dele e teve acordo assinado no corredor. Puro suco da fofoca geopolítica. E o debate nem acabou, tá, gente?

Ele volta hoje e amanhã tem sobre eliminação de armas nucleares. Inclusive, pode ter capítulo novo enquanto você tá me escutando aqui. Hoje a gente dá a volta no mundo de novo. Vamos começar na Europa, passar pela Groenlândia, descer para o Oriente Médio, atravessar o Mar Vermelho até a Etiópia, subir para Ásia, e a gente fecha nas Américas. Pega sua água, pega o seu café e vem comigo. Você tá ouvindo o Gabinete da Fofoca Geopolítica.

Eu sou a Gabi Pôncio e aqui eu conto história de gente e de países. O nosso combinado é o de sempre: quando a informação vier de um governo, de uma das partes de uma guerra ou de uma fonte falando com jornalista, eu te conto de quem que é a versão. Vamos lá? Começando pela Ucrânia. O Zelensky discursou na quarta e chamou Putin de paciente zero. A ideia é que ele seria a origem da doença, quem espalha guerra e instabilidade. Enquanto ele falava em Nova York, na ONU, a Rússia atingiu a sede do partido dele em Kiev.

Isso de acordo com autoridades ucranianas. Mas o trecho que mais me pegou foi outro. O Zelensky disse que a paz precisa sair antes que a inteligência artificial tome conta da guerra. Porque já no ano que vem, gente, existe a possibilidade real de IA, e não só pessoas, decidirem o que que vai acontecer no campo de batalha. Pensa nisso por um segundo: máquina escolhendo alvo. E agora olha o contraste. No mesmo dia, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, contou que o Trump convidou o Putin para o G20 em Miami.

Ele for vai ser a primeira vez que ele aparece pessoalmente nesse encontro desde 2019. Então nós temos o Zelensky na ONU pedindo pressão sobre a Rússia e o anfitrião do G20 abrindo a porta para o Putin ao mesmo tempo. Agora nós vamos para Alemanha, e aqui eu vou devagar porque é o tipo de notícia que pode virar uma fofoca descontrolada fácil, tá? De acordo com o New York Times, o governo alemão tava preparando restrições de acesso a informações sigilosas para um possível governo do AfD na Saxônia-Anhalt, que é um dos estados alemães.

Já contei para vocês, AfD é um partido que é considerado de extrema-direita pela inteligência alemã. E entre essas informações, gente, tá um plano militar de mais de 1000 páginas sobre como reagir a um novo ataque russo no leste europeu. O medo, segundo as fontes, é que o partido repasse esse material para a Rússia. A AFD respondeu que restringir informação com base em acusações que ninguém consegue provar seria antidemocrático e indicou que pode ir para a justiça.

E eu quero deixar muito claro, tá, gente, não existe prova de que esse plano foi entregue de fato a Moscou, a Rússia. O que existe é um governo tentando se proteger de uma possibilidade, né, uma prevenção ali, não é um vazamento. Para a gente fechar a Europa, vou falar de uma troca que pareceu coincidência. A União Europeia decidiu tirar as sanções de dois bilionários ligados à Rússia, o Alisher Usmanov e o Mikhail Fridman, para conseguir manter as sanções contra quase 3 mil outras pessoas e empresas.

A Ucrânia chamou isso de humilhação da União Europeia. No mesmo dia, gente, o presidente do Azerbaijão perdoou um francês que tava preso por espionagem. E os diplomatas europeus falaram para Reuters que a França já tinha indicado no privado que o Azerbaijão usava sanções do Usmanov para poder pressionar Paris por causa dos franceses presos lá. Isso é coincidência, gente? Vocês vão decidir. Agora a notícia que talvez muita gente vai contar errado por aí.

Vocês lembram que o Trump passou meses dizendo que queria comprar a Groenlândia e que não descartava tomar a ilha nem à força? Pois bem, gente, contexto rápido. A Groenlândia é um território autônomo que pertence ao Reino da Dinamarca, que aliás é aliada dos Estados Unidos na OTAN. Pois bem, na terça, depois do discurso na ONU, o Trump sentou com a primeira-ministra da Dinamarca, a Mette Frederiksen, e com o primeiro-ministro da Groenlândia, o Jens Frederik Nielsen, e ele assinou um acordo de segurança.

Primeiro ponto importante: a Groenlândia continua sendo da Dinamarca. Ninguém comprou nada, ninguém anexou nada. Se você falar alguém dizendo o Trump agora é dono da Groenlândia, você pode corrigir. Mas os Estados Unidos conseguiram uma coisa, tá? Eles conseguiram ampliar a presença militar na ilha, que também era um desejo muito grande do Donald Trump. Hoje eles já têm lá a base de Pitufik, lá no norte. Com o acordo, eles vão ter duas bases novas, uma no sul que reativa uma base inclusive da época da Guerra Fria e outra na costa leste.

De acordo com a Reuters, gente, o acordo também abre a possibilidade de instalar algumas partes do Golden Dome, que é aquele escudo antimísseis que o Trump quer construir, e também cria restrições para instalações militares de países de fora da OTAN e para certos investimentos estrangeiros na ilha. Adivinha em quem todo mundo pensou quando leu isso? E provavelmente você pensou nisso também quando me escutou falando. Isso mesmo, gente, China e Rússia, que andam assim de olho no Ártico.

Só que ainda falta uma etapa, tá? O acordo mexe num tratado de defesa de 1951, e essa mudança ainda precisa passar pelos parlamentos da Dinamarca e da Groenlândia. Então a gente tá dessa forma, tá? O Trump queria a ilha, ele levou mais soldados, mais base e mais controle sobre quem entra, mas a bandeira continua dinamarquesa. Vocês acham que ele se contentou, né, com isso, ou que isso é só o primeiro passo? Agora vamos para o Irã.

O que aconteceu essa semana virou novela. Na sexta-feira, gente, o Irã apresentou na ONU uma proposta com prazo de 7 dias. Os Estados Unidos liberariam o dinheiro iraniano que tá congelado, suspenderiam as sanções ao petróleo e acabariam com o bloqueio naval aos portos do Irã. Segundo o chanceler iraniano Abbas Araghchi, isso levaria 4 ou 5 dias, e aí o Estreito de Hormuz, né, reabriria, e no sétimo dia começariam as negociações do acordo final.

Ou seja, ele queria adiantar as coisas, né, ele queria resolver, vamos rápido com isso. No sábado, gente, o Trump respondeu antes de entrar no helicóptero na frente dos jornalistas. Ele rejeitou, disse que o Irã quer reabrir o estreito rápido porque ele tá perdendo feio e que eles estão morrendo sem o dinheiro que vem de Ormuz, que, abre aspas, eles se passaram de espertos quando fecharam o estreito para causar problema no mundo, e que ele respondeu com o maior bloqueio da história militar.

Um bastidor pesado disso. O Wall Street Journal, citando autoridades americanas, falou que o Trump contou a assessores que ele espera retomar os bombardeios contra o Irã depois das eleições americanas de novembro. Isso é reportagem com fontes anônimas, não é um anúncio oficial e nenhuma das duas partes confirmou nada. Vamos ter isso em mente. A resposta do Araghchi, gente, o chanceler iraniano, foi praticamente irônica. Ele disse que nenhuma rejeição chegou pelos canais oficiais, só pela boca do presidente, e alfinetou que o Trump faz muitas declarações boas e muitas contraditórias.

Falou também que o Irã tá totalmente preparado pra guerra recomeçar, mas pronto também pra diplomacia, e que agora a escolha é do Trump. E o pote de tweets veio no domingo. O mesmo Trump que rejeitou a proposta disse para Axios que espera novas conversas com o Irã ainda essa semana. Falou que o Irã exagerou na mão e que aquela proposta era o que ele talvez aceitasse há um ano atrás. Então me conta, gente, ele rejeitou ou ele tá negociando?

Na minha opinião, aparentemente as duas coisas. Mas Ormuz não é a única porta de saída do petróleo que tá em risco. Tem uma segunda lá embaixo, na ponta da Península Arábica, o Estreito de Bab-el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Adem. Por ele passa o trânsito entre o Oceano Índico e o Canal de Suez. Contei para vocês que os Houthis, o grupo armado apoiado pelo Irã, invadiu, né, esse pedaço. Na segunda, inclusive, a Reuters noticiou que eles estavam avançando sobre posições no alto das montanhas.

O objetivo deles, né, é cortar a ligação entre a costa do Mar Vermelho e as áreas que ainda estão com as forças apoiadas pela Arábia Saudita. Gente, isso ainda não é um bloqueio concluído, é uma ofensa em andamento, mas segundo a AP, os avanços perto de Bab el-Mandeb já tornaram a passagem de petroleiros muito perigosa. O presidente do governo iemenita, reconhecido internacionalmente, o Rashad al-Ali, ele conversou com o Trump e pediu apoio.

Mas segundo algumas fontes ouvidas pela Reuters, o Trump não assumiu nenhum compromisso direto. Mas os europeus se mexeram. O Reino Unido aceitou reabastecer no ar os aviões sauditas por algumas semanas e sujeito à revisão. E a França anunciou que vai mandar militares para ajudar a proteger uma instalação de petróleo saudita atingida por um ataque Houthi. Enquanto os Estados Unidos ficam em silêncio, Londres e Paris já estão entrando na história.

Agora atravessa comigo o Mar Vermelho, porque do outro lado de Bab-el-Mandeb tá o chifre da África. Essa, pra mim, gente, é a história mais importante da semana que quase ninguém tá contando. Vamos nos situar aqui, tá? Primeiro, um personagem. O primeiro-ministro da Etiópia é o Abiy Ahmed. Em 2019, ele ganhou o Nobel da Paz por ter encerrado o conflito com a vizinha Eritreia. Um ano depois, estourou uma guerra civil dentro do próprio país, na região de Tigré, no norte.

Nessa guerra, que foi de 2020 a 2022, o governo do Abiy lutou contra a Frente de Libertação do Povo Tigré, que a gente vai chamar de TPLF, tá? E do lado do governo lutaram também milícias da região vizinha, Amhara, conhecidas como Fano. Essa guerra pode ter matado cerca de 600 mil pessoas, segundo estimativa do mediador da União Africana, mas é uma estimativa, não é uma contagem oficial de vítimas. A guerra terminou com um acordo de paz assinado em Pretória, na África do Sul, em novembro de 2022.

Ok, gente, agora avança comigo para o domingo, dia 20 de setembro. 7 grupos armados de várias regiões da Etiópia anunciaram uma aliança com o objetivo declarado: tirar o Abiy do poder. O nome é Aliança de Forças Populares Etiopes pela Sobrevivência, e nela estão o TPLF, o Exército de Reabilitação Oromo e o Movimento Nacional Amhara Fano. Gente, vocês perceberam? A Fano, que lutou do lado do governo contra o TPLF, agora tá do mesmo lado que o TPLF contra o governo.

Ou seja, os antigos inimigos agora viraram aliados. Um detalhe importante é que a Fano não é uma organização só, são várias forças diferentes. E quem entrou na aliança foi esse movimento específico. Não dá pra gente falar que todos os combatentes Fano mudaram de lado. E também, né, a aliança não apaga as brigas antigas. A maior delas, inclusive, é o oeste de Tigré, porque durante a guerra as forças de Amhara tomaram essa região e centenas de milhares de tigrinhos foram expulsos de casa.

O TPLF quer essa terra de volta. Muita gente em Amhara diz que ela nunca deveria ter sido de Tigré. Essa disputa continua aberta, mesmo com os dois no mesmo time. E o vice-presidente do TPLF falou para imprensa sobre isso, abre aspas, tá, gente? Ele falou o seguinte: a gente senta na mesa depois para resolver os nossos problemas pacificamente. Só que aí veio a escalada. Na terça-feira, 2 dias depois do anúncio da aliança, o governo etíope lançou drones e mais de 20 ataques aéreos. 2 desses ataques atingiram escolas na cidade de Alamata, matando pelo menos 14 civis e ferindo outros 22.

Depois dos ataques, o TPLF acusou o governo de lançar uma invasão aberta e declarou o começo de uma guerra defensiva. Na quarta, gente, as forças tigrinhas tomaram aeroportos de Axum, de Shiri e de Mekele, que é a capital de Tigré. A Ethiopian Airlines inclusive cancelou todos os voos para a região e os confrontos se intensificaram nos dias seguintes. E sobre o acordo de paz, vamos com cuidado. Um porta-voz do TPLF disse que o acordo de 2022 não vale mais E na prática, os combatentes romperam a trégua, mas até agora não teve um anúncio formal encerrando o acordo.

Tem mais um ingrediente nesse conflito, né, que ainda é acusação. A porta-voz do Abiy Ahmed, o primeiro-ministro, né, disse à Reuters que os grupos da aliança vêm colaborando há algum tempo com o financiamento da Eritreia. A Eritreia nega isso de forma reiterada. Mas repara na ironia: a Eritreia é justamente o país da paz que rendeu o Nobel ao Abiy Ahmed. A Human Rights Watch já pediu proteção aos civis, lembrando das atrocidades da guerra anterior.

Eu posso trazer pra vocês depois um vídeo sobre essa, essa guerra, porque ela foi realmente muito marcante e muito sangrenta. Quero saber se vocês acham que a comunidade internacional vai olhar pra Etiópia agora ou se essa guerra vai ficar de novo em segundo plano. Agora, subindo para Ásia, vamos começar pelo Japão com uma curiosidade que talvez pouca gente conheça. A Carta da ONU, gente, que é tipo a Constituição das Nações Unidas, foi escrita em 1945, no final da Segunda Guerra, e até hoje ela tem trechos que falam em estados inimigos.

Esses estados inimigos são os países derrotados Segunda Guerra, como por exemplo o Japão e a Alemanha. 80 anos depois, o Japão é um dos maiores financiadores da ONU e continua tecnicamente com esse rótulo no texto. E isso não é só simbólico, gente. Segundo o Wall Street Journal, a China e a Rússia passaram a usar esse termo para poder pressionar o Japão por causa do plano de aumentar os gastos com defesa. Que ele anunciou nesse ano.

Na terça-feira, a primeira-ministra japonesa, Sanai Takahashi, pediu que essas referências sejam retiradas. Ela lembrou que os líderes mundiais já tinham prometido isso em 2005 e nunca fizeram. Ela também pediu a reforma do Conselho de Segurança com mais assentos permanentes e não permanentes. E a carta não mudou, foi uma cobrança não foi uma decisão. A Takáshi também falou em dois assuntos que a gente já viu hoje. Ela cobrou navegação livre em Ormuz e em Bab-el-Mandeb, lembrando que isso afeta combustível, fertilizante e abastecimento.

E falou da Coreia do Norte, gente, defendeu que as resoluções do Conselho de Segurança sejam cumpridas integralmente e que o objetivo seja a desnuclearização completa. Embora tenha falado que tá disposta a dialogar. E aqui entra o vizinho. O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, foi por outro caminho. Em entrevista ao New York Times, ele defendeu aliviar as sanções contra a Coreia do Norte em troca de um congelamento. Ou seja, tá, o regime pararia de desenvolver novas armas nucleares e mísseis capazes de atravessar os continentes.

À ONU, ele explicou essa lógica em 3 etapas. Primeiro congelar, depois reduzir e só no fim chegar à desnuclearização. Ele admitiu que a ideia é difícil de engolir, mas disse que o mundo não tem alternativa realista e que o Trump seria o único líder capaz de levar o Kim Jong-un para uma mesa de negociação. Isso é uma proposta sul-coreana. A Coreia do Norte não aceitou nada, não respondeu, não falou nada sobre. Então os dois vizinhos, né, ali da Coreia do Norte querem a mesma coisa no fim: uma península sem armas nucleares.

Mas eles discordam completamente do caminho. O Japão fala: cumpra as regras primeiro. E a Coreia do Sul diz: vamos parar o crescimento agora e negociar o resto depois. Vocês acham que dar alguma coisa em troca funciona com a Coreia do Norte? Agora rapidinho, gente, Paquistão e Afeganistão. Na segunda, o governo paquistanês disse disse ter matado pelo menos 28 militantes em ataques aéreos dentro do Afeganistão depois de dois ataques contra forças de segurança paquistanesas perto da fronteira.

Uma autoridade apontou alvos nas províncias de Pakhtika e Kunar. Esse número é do Paquistão e não tem verificação independente. O governo do Talibã denunciou mortes de civis A missão da ONU no Afeganistão confirmou 3 civis mortos, tá, um homem, uma mulher e uma menina. E Cabul convocou o representante paquistanês e prometeu responder. Fechando a Ásia, gente, vamos falar de Trump e Xi Jinping? O presidente chinês fez a primeira visita de Estado a Washington em 11 anos e o Trump foi receber ele na pista com um tapete vermelho de 30 metros.

Teve jantar de Estado cheio de CEO de tecnologia e de finanças. E o Xi Jinping contou até que o George Washington comprava porcelana chinesa. O resultado concreto: a trégua comercial foi estendida por 2 meses. O Xi Jinping pressionou pelo fim da venda de armas americanas a Taiwan, mas nenhum acordo nesse sentido apareceu publicamente até agora. E no mesmo dia de chegada dele, o Pentágono abriu investigação para descobrir como peças do caça F-35 que iam da Austrália para os Estados Unidos foram desviadas para Hong Kong e acabaram nas mãos da China.

Para fechar agora os personagens das Américas na ONU, a Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, fez o primeiro discurso dela na Assembleia. Para situar, ela era a número 2 do Maduro Em janeiro, forças americanas capturaram Maduro em Caracas e ele tá preso num centro de detenção no Brooklyn, a poucos quilômetros inclusive da sede da ONU. No discurso, a Delcia agradeceu o Trump pela disposição de retomar as relações, prometeu eleições e elogiou o acordo de petróleo com os Estados Unidos.

Na terça, ela já tinha se encontrado pessoalmente com o Trump. Só que em casa, gente, a recepção foi outra. Uma pesquisa do instituto venezuelano Megaanálisis, divulgada pelo Miami Herald, diz que quase 80% dos venezuelanos rejeitam o acordo de petróleo e mais de 9 em cada 10 desaprovam o encontro com Trump. É uma pesquisa só, vale como um termômetro, não como uma sentença. Da Colômbia, a gente vê o momento mais inusitado. O presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu no mês passado, simplesmente não foi.

Na campanha, ele prometeu que não faria viagens internacionais para poder se concentrar nos problemas do país, principalmente a violência. E ele cumpriu, mandou o vice dele ler o discurso com as palavras dele. Promessa de campanha cumprida, isso é novidade. Da Bolívia também veio a frase da semana. O presidente Rodrigo Paz passou meses sob pressão, a gasolina contaminada estragou mais de 10 mil veículos e a sede do governo ficou sitiada por manifestantes por quase 8 semanas.

Mesmo assim, ele subiu no púlpito confiante, disse que o socialismo não põe comida na mesa e fechou gritando algo como, viva a pátria, caramba! Viva a Bolívia! A AP disse que talvez tenha sido a frase da assembleia. E o Paraguai conversou com a Ásia. O presidente Santiago Peña declarou bem alto que o Paraguai está com Taiwan. O detalhe é que ele disse isso na semana em que o Xi Jinping estava em Washington. E o Paraguai é o único país da América do Sul que reconhece Taiwan e um dos 12 no mundo inteiro, gente.

O argumento dele é que Taiwan fabrica os chips que movem a indústria, a defesa e a inteligência artificial. Então o que acontece lá afeta todo mundo. E para fechar, o Brasil, que foi o primeiro de todos a falar, inclusive. Na terça, dia 22, o presidente Lula abriu o debate geral da Assembleia. Isso não é escolha nem privilégio de governo. Desde 1955, é o Brasil que fala primeiro na ONU. Virou basicamente uma tradição. Essa foi a décima vez que o Lula ocupou essa tribuna de abertura.

Logo depois dele, discursou Trump. No discurso, o presidente disse que esse é o momento mais crítico das Nações Unidas desde que ele subiu naquela tribuna pela primeira vez em 2003, e que o sentimento que o movia ali era o de indignação. Falou que a ONU tá falhando na missão de livrar a humanidade do flagelo da guerra, que a credibilidade dela nunca esteve tão baixa, e que a guerra é a falência total da política. Cobrou a reforma do Conselho de Segurança e lembrou que o Brasil já tinha alertado contra o poder de veto lá em 1946, na primeira sessão da Assembleia.

E defendeu o Pix, falando que não vai ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o sistema. E essa foi a semana. Me conta nos comentários qual dessas histórias você não tinha ouvido em lugar nenhum. E se tiver um tema que você quer um episódio só para ele, pede aqui ou me manda no meu Instagram, @gabypontcio, que eu leio tudo. Se você curtiu, gente, avalia o programa na sua plataforma, ajuda muito mais do que parece.

Se inscreve, me segue para vocês me acompanharem. Um beijo para todo mundo e uma excelente semana.