#06. volta ao mundo em 7 dias
escócia, país de gales e irlanda do norte assinaram em cardiff uma declaração conjunta exigindo o direito de fazer referendos de independência. é a primeira vez que partidos pró-independência lideram os três governos ao mesmo tempo. e o texto pede que escócia e gales entrem na união europeia como novos membros.
tem também a extrema direita alemã fazendo o melhor resultado da história do partido, um drone russo atingindo um trem a dois quilômetros da fronteira da polônia minutos depois de boris johnson passar, a cúpula do brics em nova délhi com o brasil na sala, os Houthis conquistando uma rota comercial mundial importante & os EUA, a Venezuela, a China, a Colômbia e Cuba.
episódios novos toda segunda e quinta.
📲 me acha em todas as redes: @gabiponcio
tiktok.com/@gabiponcio
instagram.com/gabiponcio
manda sua fofoca geopolítica no direct 💌
- Movimentos separatistas no Reino Unido e o desejo de retorno à União EuropeiaEscócia·País de Gales·Irlanda do Norte·Reino Unido·União Europeia·Brexit·referendo de independência
- Conquista de Mokka pelos Houthis no Iêmen e impacto no comércio marítimoIêmen·Houthis·Mokka·Mar Vermelho·Bab-el-Mandeb·Canal de Suez·comércio mundial
- Ascensão da extrema-direita alemã e suas propostas de imigraçãoAlemanha·Saxônia-Anhalt·Alternativa para Alemanha (AFD)·política de imigração·Björn Höcke·nazismo
- Ataque de drone russo a trem na Ucrânia com ex-primeiro-ministro britânicoUcrânia·Polônia·Boris Johnson·drone russo·OTAN·guerra na Ucrânia
- Disputa por petróleo venezuelano entre China e EUA e sanções a CubaVenezuela·China·Estados Unidos·petróleo·Cuba·sanções econômicas·Conselho de Direitos Humanos da ONU
- Cúpula do BRICS na Índia e a busca por consenso em declarações diplomáticasBRICS·Nova Delhi·Índia·Brasil·Irã·Oriente Médio·moedas locais
Imagina que você divide uma casa com 4 pessoas e 3 delas se reúnem para conversar sobre ir embora. Agora imagina que essa casa é o Reino Unido inteiro. Pois é, gente, na segunda-feira, ontem, 14 de setembro, dirigentes de partidos da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte se encontraram para defender que essas populações possam decidir se elas querem continuar ou não no Reino Unido. Ninguém saiu de lá com mudança marcada, tá?
A reunião foi entre partidos e cada um tem um projeto diferente, mas todos colocaram no mesmo papel que enxergam o futuro na União Europeia. O Reino Unido saiu da União Europeia e tem partido dentro dele querendo sair do Reino Unido para buscar um caminho de volta. Essa conversa basicamente pode ir bem longe, né? Hoje eu vou te contar essa reunião, eu vou te contar a história por trás do avanço da extrema-direita alemã, e tem um ataque a uma estação de trem por onde tinha acabado de passar um ex-primeiro-ministro britânico.
Na Índia, gente, governos com interesses diferentes conseguiram assinar uma declaração conjunta No Iêmen, os Houthis, que é um movimento apoiado pelo Irã, tomaram uma cidade portuária perto de uma passagem extremamente importante para o comércio mundial. E na América Latina, a China tá cobrando respeito aos seus interesses no petróleo venezuelano depois do acordo com participação americana. Senta aí, vem comigo, bebe sua água, bebe seu café, e vamos pro nosso Gabinete da Fofoca Geopolítica.
Bom, gente, você tá ouvindo o Gabinete da Fofoca Geopolítica. Eu sou a Gabi Pôncio e aqui eu conto história de gente e de países. Essa é a nossa 6ª fofoca, com notícias de 6 a 15 de setembro e algumas histórias anteriores que ajudam a gente a entender o que tá acontecendo agora. Vamos fazer um combinado, tá? Quando a informação vier de um governo ou de uma das partes de uma guerra, eu te conto de quem é a versão. Vamos começar pela casa que tá discutindo quem fica.
Quem quer sair e quem decide? Primeiro, pra gente se localizar: Inglaterra e Reino Unido não são a mesma coisa, gente. Eu sei que às vezes a gente acaba confundindo. A Inglaterra é um dos 4 países que formam o Reino Unido. Os outros são Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Eles têm identidades próprias e os 3 últimos têm governos locais que cuidam de parte dos seus assuntos. Ao mesmo tempo, né, eles fazem parte de um estado cujo governo central fica em Londres.
É dentro desse arranjo que aconteceu a reunião. Os dirigentes se encontraram em Cardiff, que é a capital do País de Gales. Estavam lá, né, os chefes dos governos escocês, galês e norte-irlandês, além da presidente do partido da líder norte-irlandesa. Eles assinaram, né, esse acordo como representantes dos seus partidos. Pra gente acompanhar a história, guarda o projeto de cada um que eu vou trazer aqui pra vocês, tá? Os partidos escocês e galês, eles querem transformar os seus países em estados independentes.
O partido norte-irlandês quer reunir a Irlanda do Norte com a República da Irlanda, porque a Ilha da Irlanda, ela está dividida. Uma parte é a República da Irlanda, um país independente, e a outra a Irlanda do Norte. Que faz parte do Reino Unido. Então o projeto desse partido é basicamente juntar as duas. A novidade política, né, gente, é que pela primeira vez os 3 cargos de chefe desses governos locais, eles estão ocupados por pessoas que defendem essas mudanças.
Mas até dentro dos governos a história tem complicação. Na Irlanda do Norte, por exemplo, a chefe do governo divide o poder com uma representante de quem quer continuar no Reino Unido, e os dois cargos têm a mesma autoridade. Então assim, lá na Irlanda do Norte, a primeira-ministra divide o cargo com outra pessoa que tem a mesma autoridade que ela. Então é basicamente ter que combinar a administração da casa, da empresa, enfim, com alguém que discorda de você sobre em qual país a casa ou a empresa deveria ficar.
Ou seja, é um pouco complicado, né? E esse poder compartilhado faz parte do arranjo político norte-irlandês. Então, a presença da primeira-ministra na reunião não significa que todo o governo concorda com ela. O documento que foi assinado em Córdoba reivindica a autodeterminação. Em português brasileiro, isso quer dizer que as populações possam decidir o próprio futuro político. Um dos caminhos defendidos para isso é o referendo, ou seja, uma votação em que a pessoa responde diretamente à pergunta sobre ficar ou sair, né?
Então a população vai lá e fala, olha, eu quero continuar parte do Reino Unido ou não. Na Escócia, a gente inclusive, isso já aconteceu em 2014. Depois de uma negociação com o governo britânico. Agora, o que que os líderes querem, né? Eles querem manter aberta a possibilidade de novas decisões. E a briga também é sobre quem pode autorizar essa pergunta. Vocês entenderam? Porque é o seguinte, tá? Na Escócia e em Gales, os parlamentos locais, eles não podem simplesmente marcar por conta própria um referendo de independência.
Eles precisam de uma solução jurídica política envolvendo o poder central britânico. Já na Irlanda do Norte existe uma regra específica ligada ao acordo de paz de 1998, ano que eu nasci inclusive, que ficou conhecido como Acordo da Sexta-Feira Santa. Pela lei, gente, o ministro britânico responsável pela região tem que convocar a consulta se ele considerar provável que a maioria dos votantes apoiaria a reunificação. Vocês perceberam por que que a conversa acaba em Londres?
Os partidos defendem sim uma decisão popular, mas eles também disputam as condições para que essa votação possa acontecer. E óbvio, né, gente, tem a União Europeia nessa história, aquele bloco de países que compartilham regras e um grande mercado, e do qual o Reino Unido saiu no processo chamado Brexit. Os partidos que foram reunidos em Cardiff, eles defendem um futuro nesse bloco. A República da Irlanda, não a Irlanda do Norte, tá, já faz parte dele.
Para Escócia e Gales, é, uma eventual independência abriria outra negociação, que no caso seria pedir adesão como novos países. Mas óbvio que essa reunião não garante que eles seriam aceitos, né, gente. É basicamente assim, dando um exemplo prático, né, é querer sair de uma sociedade e entrar em outra. A decisão de sair e aceitação pelos novos sócios são conversas diferentes, simplificando bem aqui, né, a situação. E por enquanto, gente, não existe uma data comum de separação.
O partido que governa Gales inclusive declarou que não pretende realizar um referendo no mandato atual, que vai até 2030. E o fato, né, desses partidos terem votos suficientes para liderar governos, né, não transforma a independência em vontade de todo mundo. Alguém pode votar num partido pela proposta para os hospitais, por exemplo, e discordar sobre a separação, né? Uma coisa não necessariamente está ligada à outra. Cardiff colocou, né, esses dirigentes juntos numa cobrança pública.
A população ainda teria que responder a essa pergunta. A foto entre eles foi tirada e o assunto continua em aberto. Agora vamos para Alemanha. Na Alemanha, gente, um partido de extrema-direita teve seu melhor resultado numa eleição estadual. Isso não sou eu que estou denominando ele assim, tá? Vou já, já explico isso para vocês. Foi na Saxônia-Anhalt, tá, que é um estado no leste do país. Em 6 de setembro, a alternativa para Alemanha, né, que no caso é a AFD, recebeu 43,8% dos votos segundo a apuração preliminar.
Foram quase 44 de cada 100 votos válidos. A gente entender o peso disso, né, porque que eu tô trazendo isso para cá, a gente tem que conhecer o que que esse partido diz que quer fazer com o poder. Uma das grandes bandeiras da AFD é endurecer a política de imigração. No programa nacional que eles apresentaram para a eleição de 2025, o partido também defende ampliar as deportações e restringir a entrada e a permanência de estrangeiros.
Um exemplo disso é a proposta de acabar com a reunião familiar. Ou seja, a possibilidade de uma pessoa autorizada a viver no país trazer determinados familiares dentro das regras existentes. Vou trazer um exemplo prático, né? Pense em alguém que conseguiu proteção na Alemanha e tenta levar a família para morar junto. Uma mudança dessas pode decidir se essa família consegue se reunir ali ou não. Então, por isso, a discussão sobre imigração envolve mais do que o controle da fronteira.
Envolve também quem pode construir uma vida no país e em quais condições, né? A AFD usa a palavra remigração no documento em que explica o termo e diz defender o retorno de estrangeiros obrigados a deixar o país dentro da lei e rejeita a expulsão de cidadãos alemães por sua origem. Já os planos ali mais amplos do partido incluem mudar regras que hoje permitem a permanência de determinadas pessoas. Então a gente precisa olhar tanto para a promessa de cumprir a lei quanto para a lei que o partido quer mudar, né?
E, gente, a parte tensa disso tudo é que existe a relação de dirigentes da AFD com o passado nazista. Eu vou te contar um caso concreto aqui, tá? Um dos nomes mais conhecidos da AFD é um ex-professor de história, o Björn Höcke. Não devo ter pronunciado isso certo, tá? Mas ele é líder do partido na Turíngia, que é outro estado alemão. Em 2021, ele usou num discurso uma expressão que, traduzida, significa Tudo pela Alemanha. O problema, gente, é que essa combinação de palavras era um lema de uma organização paramilitar nazista.
O uso público dessa expressão é proibido. O Rock foi condenado em 2024. O tribunal concluiu que ele sabia sim da origem desse lema. E teve também outro episódio, tá? Enquanto ele já respondia a esse primeiro processo, ele começou a expressão num evento, a usar essa expressão, né, e incentivou a plateia a completar. O tribunal também condenou ele por isso. Os recursos, né, contra as duas condenações foram rejeitados em 2025, ano passado, né.
E de acordo com essa decisão judicial, a intenção era tornar aquele lema novamente utilizável na política. E é isso que ajuda a entender a preocupação, tá? Um dirigente influente tentando devolver para o discurso público uma expressão que é associada, identificada com o nazismo. Agora explicando porque eu chamei ela de extrema-direita, né? Na Saxônia-Anhalt, né, que é o estado da eleição desse mês, a seção local da AFD é classificada desde 2023 como extremista de direita, confirmada pelo órgão estadual que acompanha essas ameaças à ordem democrática.
Essa classificação, gente, é uma avaliação institucional. As condenações que eu contei são decisões contra um dirigente. Cada uma dessas informações tem o seu próprio alcance e o seu próprio peso. Agora, né, em 2026, ela bateu o próprio recorde de votação estadual na Saxônia-Anhalt. Concluindo, né, gente, esse avanço ele tem uma história. Já passou pela primeira vitória estadual e agora tá chegando num resultado ainda maior. E agora tem uma problemática, né, uma fofoca aqui.
A AfD dela venceu, mas ela não tem deputados suficientes para formar uma maioria sozinha. Ela precisa de apoio de fora do partido partido para conseguir essa maioria e governar. É por isso que essas eleições são tão importantes, porque propostas que afetam a vida de imigrantes, né, e a atuação das instituições ganham mais força política quando partido conquista mais poder. Então, para avaliar esse avanço, vale prestar atenção, né, nas regras que ele quer mudar e nos atos dos seus dirigentes.
Porque o tamanho da bancada mostra quanto apoio eleitoral esse projeto tá conseguindo reunir. Tem outra questão também, gente, que são os partidos que são mais clássicos ali na Alemanha. Eles se recusam a apoiar a AFD, né, a fazer uma espécie de coalizão. Então, basicamente, mesmo com a AFD ganhando, vai ser praticamente impossível dela governar. E isso é um problema também, porque a população acha essa regra, e isso é uma espécie de regra mesmo, bem ultrapassada.
Então assim, a gente tá em um momento de bastante mudança e eu vou atualizando vocês. Esse final de semana tem mais eleição, com os resultados eu trago outro episódio falando disso. Ok, agora vamos para a Ucrânia. Bom, gente, agora a gente vai para uma estação de trem no oeste da Ucrânia, perto da fronteira com Polônia. Essa é a estação de Jarodin, fica a cerca de basicamente 2 km da Polônia, então realmente é muito perto. No domingo, né, 13 de setembro, agora passou por essa estação um trem com Boris Johnson.
Quem lembra dele? Aquela peça rara, né, cheia de meme, que foi o primeiro-ministro do Reino Unido, e outros representantes europeus. Gente, quando eu falo peça rara, né, não é apoiando nada que ele fez, é só uma referência aos memes dele. Enfim, esse grupo voltava de uma conferência de segurança na capital ucraniana, Kiev, né. Segundo a Companhia Ferroviária da Ucrânia, esse trem saiu antes do horário previsto num dos ajustes de segurança feitos por causa da ameaça de ataques.
Presta atenção nisso. Um outro trem ainda tava na estação. Nele tava viajando o ex-diretor da CIA, o serviço de inteligência americano, né? A ferroviária, gente, informou que os passageiros receberam uma ordem de evacuação. 15 minutos desse aviso, um drone russo atingiu uma locomotiva, segundo o relato da empresa. Não teve relato, né, de mortos, feridos nos trens, mas guarda essa sequência, né? O trem com o ex-primeiro-ministro britânico já tinha saído, tinha outro trem na estação, teve um aviso de evacuação e depois veio o impacto.
A ferroviária ucraniana considera provável que o alvo fosse o trem com os representantes estrangeiros. E isso seria altamente grave, né? Mas não tem confirmação independente dessa hipótese, então vamos ter em mente que eu estou falando de um achismo ali da Ucrânia. O ministro da Defesa russo, gente, falou que ele atacou estruturas ferroviárias usadas no transporte de carga militar, mas essa declaração não esclarece por si só, né, por que que aquela locomotiva foi atingida.
A proximidade com a Polônia, gente, é uma coisa que preocupa muito porque o país faz parte da OTAN, a aliança militar, né, que reúne os Estados Unidos e vários países europeus e que tem a defesa coletiva entre os seus membros. As autoridades polonesas falaram que não teve violação do espaço aéreo do país nesse episódio. O ataque relatado aconteceu mesmo do lado ucraniano da fronteira. E o nome, né, do Boris Johnson ajuda a levar essa notícia para as manchetes.
Eu já até dei minha opinião aqui. Eu acredito que para mim essa guerra entre Ucrânia e Rússia ela tá se intensificando bastante. É isso, para mim é um exemplo claro. Então vamos acompanhando. Agora indo para a Índia, tá? Porque enquanto isso, vários governos tentavam chegar a um texto que todos aceitassem assinar. Foi na reunião do BRICS, gente, em Nova Delhi, a capital indiana, nos dias 12 e 13 de setembro. Vamos lembrar que o BRICS é um grupo de países que se reúne para basicamente coordenar posições e projetos de cooperação.
O Brasil tá desde o começo nesse grupo, junto de países, né, como a China, Índia, Rússia. E o grupo cresceu e hoje também inclui, entre outros, né, o Irã e os Emirados Árabes Unidos. Esses governos não viram aliados em tudo só porque participam do mesmo grupo, obviamente. Então assim, imagina escrever uma mensagem que precisa sair em nome de várias pessoas que estão discutindo. Uma quer acusar alguém, outra não quer aceitar aquela acusação, uma terceira tem negócio com os dois lados.
Basicamente, né, você vai passar horas negociando uma única frase. Numa declaração diplomática, o texto final mostra até onde os governos conseguiram concordar. Então, o que que aconteceu? O BRICS chegou a uma declaração por consenso. Que declaração é essa, Gabriela? Que mistério é esse? Gente, no trecho que trata da escalada de violência no Oriente Médio, o documento pede contenção sem nomear os responsáveis pela escalada regional.
Então, em outras partes, ele trata explicitamente, tá, de Israel e da Palestina. O cuidado com os nomes está naquele trecho específico e não no documento inteiro. Essa formulação basicamente permite uma posição conjunta sem resolver todas as diferenças entre os participantes. Obviamente, a parte econômica também interessa o Brasil, né? O texto fala em ampliar o uso de moedas locais e melhorar os pagamentos entre os países. Então, pensa numa empresa que vende um produto para outro país.
O pagamento pode passar pelo dólar mesmo quando nenhum dos dois países é os Estados Unidos. Ampliar outras opções de moeda é uma das ideias em discussão e que vem sendo realmente discutida há bastante tempo. Mas isso exige acordo, banco e sistema que faça o dinheiro chegar. Isso não vai se resolver só com uma declaração. E o documento não marca uma data assim, e nem reafirma com todas as palavras uma data para abandonar o dólar.
E, gente, o presidente do Irã participou dessa reunião na Índia, tá? No começo do mês também contei para vocês que ele tinha estado, né, numa cúpula na Ásia Central, lá no Kirguistão, junto de outros governos, inclusive a Rússia e a China. Então, em menos de 2 semanas, ele participou das 2 reuniões internacionais. O Irã continua encontrando com interlocutores, e isso politicamente falando é muito importante, né, porque mesmo com a pressão americana em cima do comércio, em cima da economia e da guerra, ele continua tratando e travando relações comerciais ali, né?
Falando em Irã, a gente vai falar agora do Iêmen, mas calma que tem tudo a ver com o Irã. No Iêmen, um avanço militar colocou uma cidade portuária no centro da preocupação internacional. Em 10 de setembro, os Houthis tomaram Mokka, que sim, dá o nome ao café moka, mas fica lá na costa do Mar Vermelho. A conquista foi falada também, né, por fontes das forças governistas para Reuters. Os Houthis, gente, são um movimento político e armado do Iêmen apoiado pelo Irã que disputa o poder no país.
Do outro lado estavam as forças ligadas ao governo reconhecido internacionalmente. E o endereço de Moca é o que faz essa notícia ir muito além da guerra dentro do Iêmen, que eu posso até trazer para vocês depois. Mas a questão aqui é que a cidade fica perto da entrada sul do Mar Vermelho. Lá tem uma passagem estreita entre a Península Arábica e a África chamada— pera aí, vou ter que ler— Bab-el-Mandeb. Um navio que vem do Oceano Índico e quer seguir, por exemplo, pelo Mar Vermelho até o Canal de Suez precisa passar por essa entrada.
Suez, que fica lá no Egito, né, permite continuar até o Mediterrâneo, ou seja, é um caminho importante entre a Ásia e a Europa. Os Houthis, né, já tinham demonstrado que eles conseguem ameaçar navios nessa região. A conquista de mais território na costa fortalece a posição deles perto dessa passagem. Tomar Moca, gente, não significa que todos os navios pararam ou que o grupo passou a controlar sozinho sozinho esse estreito inteiro, mas aumenta a preocupação com a capacidade de interferir no tráfego.
E a ameaça já pode mudar uma viagem. A empresa responsável pelo navio precisa avaliar se ela vai querer passar ali, quanto que ela vai pagar de seguro, se vale a pena fazer o seguro, né, porque provavelmente vai ser caríssimo, e se vale a pena fazer um desvio. Isso, né, gente, encarece absolutamente tudo para gente também, né, o consumidor final. Mas uma alternativa que eles têm é contornar o sul da África, ou seja, o caminho vai ficar maior, vai demorar mais e vai custar mais.
Isso para todos nós. Então, gente, basicamente a conquista de uma cidade no Iêmen pode entrar na conta de uma carga que tá indo para outro continente. É por isso que Mokka é tão importante, porque o avanço em terra fortalece um grupo armado perto de uma passagem que muita gente precisa usar no mar. E além disso, né, intensifica ali a hegemonia do Irã, né. E já tá tendo bastante conflito ali entre Estados Unidos, Arábia Saudita, Irã, Iêmen, né, barra Houthis.
Vamos acompanhando. Agora a gente indo para Venezuela. Vocês lembram daquele acordo de petróleo com participação americana que eu contei para vocês. Agora eu quero olhar para as reações de quem já tinha interesse nesses campos de petróleo: a China. Porque, gente, Washington anunciou o negócio, mas tinha empresa chinesa envolvida ali. De acordo com a Reuters, que ouviu dois funcionários americanos, 5 dos campos incluídos, né, nesse acordo tinham projetos com a participação de empresas chinesas. 5, tá?
Então, basicamente, imagina acompanhar um anúncio de um acordo que pode mudar a operação de um projeto em que sua empresa já participa e, né, não poder fazer meio que nada sobre isso. Pois é, a reação da China veio agora no dia 1º de setembro. Eu tô retomando, né, essa resposta porque ela mostra a disputa que ficou por trás do anúncio. Então, o porta-voz da diplomacia chinesa afirmou que a cooperação com a Venezuela é protegida pelo direito internacional e pela lei, né, dos dois países, e cobrou que os direitos e interesses chineses fossem preservados.
Em português de fofoca, né, que é o que a gente gosta, a cobrança foi: olha, vocês estão anunciando esse trem aí, mas tem interesse nosso também. Essa é a posição do governo chinês. O que vai acontecer com cada participação depende dos termos e da execução do acordo. Mas, gente, já dá para entender o motivo do protesto. A disputa entre Washington e Pequim aparece aqui num lugar bem concreto, nos projetos de petróleo de um terceiro país, a Venezuela.
E é a Venezuela que vai ter que lidar com esses interesses países concorrentes dentro do próprio território. Enquanto isso, né, o principal responsável pela diplomacia americana tava viajando pela região. O Marco Rubio, que é o secretário de Estado, basicamente equivalente ali ao nosso ministro das Relações Exteriores, né, ele passou pela Colômbia, Equador e Peru numa viagem que começou no dia 8 de setembro. Na Colômbia, ele assinou com o ministro das Relações Exteriores colombiano, é, acordos de cooperação em minerais críticos e energia nuclear civil.
Minerais críticos, né, gente, um adendo rápido, são materiais importantes para economia e a segurança, e se faltar pode causar problemas graves de abastecimento. Vários inclusive são usados em equipamentos de tecnologia e de energia. Então assim, quando os governos negociam essa cooperação, eles estão pensando também em como garantir acesso a materiais de que as suas indústrias precisam. E a parte nuclear, né, gente, é para usos pacíficos.
O documento abre uma frente de cooperação sozinho, não autoriza instalar uma usina nem transferir qualquer equipamento ali. Vamos imaginar uma parceria em que os governos falam: olha, vamos trabalhar junto nessa área, Mas depois a gente ainda precisa definir os projetos, cumprir as regras e ter as autorizações necessárias ali. É basicamente isso nesse momento, né? Esses são os instrumentos assinados com a Colômbia. A passagem do Rubio pelo Equador e pelo Peru não significa que os 3 países tenham assinado o mesmo pacote, tá, gente?
Agora eu vou falar de Cuba, porque a discussão da semana foi sobre uma relação muito mais antiga com os Estados Unidos. Que são as sanções econômicas, né? Sanções são restrições a negócios, pagamentos e outras relações com o país. No caso cubano, existe um conjunto de restrições americanas que atravessa décadas, que é conhecido como embargo, né? Elas podem dificultar compras e operações financeiras, mesmo sem um navio militar impedindo fisicamente a entrada num porto, por exemplo.
Em 9 de setembro agora, gente, o Conselho de Direitos Humanos da ONU examinou um relatório ali sobre os efeitos dessas medidas na vida dos cubanos, então dos civis. E o trabalho veio de uma especialista independente que visitou o país em novembro do ano passado. Na avaliação dela, né, as sanções agravam as dificuldades e prejudicam direitos básicos, né, como alimentação e saúde. A recomendação é que os Estados Unidos tirem essas medidas.
Agora, a gente pensa no que significa uma dificuldade de compra quando o que tá faltando é equipamento para um hospital ou uma peça necessária para manter um serviço funcionando. É esse tipo de consequência para a população, né, que o relatório procura avaliar. Essa avaliação obviamente não significa que todos os problemas econômicos de Cuba tenham só uma causa. E o Conselho de Direitos Humanos não acabou com os embargos. A especialista investiga, né, produz um relatório e ela recomenda mudanças, mas ela não tem poder para revogar uma lei americana ou uma sanção ou embargo, né.
E examinar o documento também não retira automaticamente as restrições. Isso é basicamente uma recomendação, e a recomendação pode aumentar a pressão política, né. A decisão de mudar as medidas vai continuar dependendo das autoridades que têm competência para fazer isso, né, as autoridades americanas. Então, gente, nessas 3 histórias que eu contei aqui para vocês, a influência americana aparece de formas diferentes, né? Na Venezuela, num acordo de petróleo que provocou uma reação chinesa, e não só isso, né?
Na Colômbia, em novas parcerias. Em Cuba, nas consequências de restrições que atravessam décadas. E acompanhar essa influência exige olhar também para o que acontece depois da assinatura e do discurso. Quem consegue manter a sua participação no negócio? Qual projeto sai do papel? E o que muda na vida de quem mora nesses países de fato? Porque sempre falo com vocês, no final das contas, quem é afetado é a população, é o civil. Hoje, né, a gente começou com uma reunião sobre a possibilidade de sair do Reino Unido e terminou na América Latina, onde a China tá cobrando respeito aos seus interesses no petróleo venezuelano, onde Cuba tá em evidência no Conselho da ONU.
No caminho, né, a Alemanha mostrou por que conhecer as propostas e a história de um partido importa tanto quanto saber quantos votos ele recebeu. E isso vale aqui para o Brasil. Na Ucrânia, né, um ataque perto de um trem com representantes estrangeiros chamou atenção para o risco que outros passageiros enfrentam sem aparecer nas manchetes. E no Iêmen, né, gente, a tomada de Moka fortalecer os foodies perto de uma passagem muito importante para o comércio mundial.
É por isso que eu gosto de contar essas histórias com um pouco mais de tempo, porque quando a gente conhece os personagens, né, e entende o que tá em disputa, a gente consegue acompanhar os próximos capítulos e a gente consegue fazer essa relação. Eu quero saber aqui qual dessas fofocas você quer que eu continue acompanhando. Eu fiquei especialmente curiosa, né, com o que vai vir depois daquela reunião em Cardiff, né, sobre o Reino Unido.
E se você curtiu esse episódio, que ficou longo, que eu trouxe em vídeo, já avalia o programa na sua plataforma. Isso ajuda outras pessoas a encontrarem o nosso gabinete da fofoca geopolítica. A gente se encontra na próxima fofoca e um beijo para todo mundo.