Saúde Imunológica #3: Deficiências imunológicas aumentam risco de infecções e exigem diagnóstico precoce
Quando o sistema imunológico, o mesmo que nos protege contra vírus, bactérias e fungos, não funciona como deveria, o corpo fica mais vulnerável a infecções. Essas falhas, chamadas de deficiências imunológicas, podem ser hereditárias ou adquiridas ao longo da vida.
No novo episódio do Saúde Imunológica, o professor Pérsio Roxo Junior, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, explica que as formas hereditárias, conhecidas como imunodeficiências primárias ou erros inatos da imunidade, são causadas por alterações genéticas que comprometem o desenvolvimento ou o funcionamento das células de defesa. “Em outras palavras, a pessoa já nasce com uma predisposição genética para ter o sistema imunológico mais frágil ou desregulado”, explica.
Essas mutações podem ser herdadas dos pais, mesmo que eles não apresentem sintomas, ou surgir de forma espontânea, ainda durante a formação do embrião. “Por isso, nem sempre há outros casos na família, embora o fator genético esteja presente”, complementa o professor.
Atualmente, já são conhecidas mais de 500 formas diferentes de imunodeficiências primárias, que variam desde quadros leves, com infecções respiratórias recorrentes, até condições graves que aparecem nos primeiros meses de vida. Entre os exemplos estão a gamaglobulinemia, na qual o organismo praticamente não produz anticorpos; a imunodeficiência combinada grave, conhecida como doença do garoto da bolha, que afeta várias linhas de defesa do corpo; e a deficiência de IgA, uma das mais frequentes.
O diagnóstico dessas doenças envolve avaliação clínica, exames laboratoriais e, muitas vezes, testes genéticos. “Identificar a causa exata é essencial, porque permite definir o tratamento mais adequado e orientar o acompanhamento dos familiares”, destaca o professor. Ele lembra que nem todas as deficiências imunológicas, porém, são hereditárias. Algumas são adquiridas, causadas por outras doenças, pelo uso de certos medicamentos ou até por infecções como o HIV.
O professor diz que conscientizar sobre essas condições é fundamental, já que o diagnóstico precoce pode salvar vidas. “Graças aos avanços da medicina, hoje é possível tratar e até controlar muitas dessas doenças, garantindo qualidade de vida e longevidade aos pacientes. Se alguém apresenta infecções repetidas, graves ou de difícil tratamento, é importante procurar um médico imunologista. Pode ser o primeiro passo para descobrir uma condição genética que, com o cuidado correto, pode ser muito bem controlada”, conclui.
O Saúde Imunológica tem apresentação e produção do professor Pérsio Roxo Junior, com coprodução da jornalista Rose Talamone. A Rádio USP pode ser sintonizada em 93,7 FM, em São Paulo, e 107,9 FM, em Ribeirão Preto. A programação também está disponível no site www.radio.usp.br e no aplicativo para celulares com sistemas Android e iOS.