A grande rebelião e o resgate de Deus
- Cristianismo e ArrependimentoObra de Cristo·Livre-arbítrio·Jesus Cristo
- Lei Moral e Natureza HumanaLei natural·C.S. Lewis
- A Origem do MalAnjo caído·Pecado original·Hitler
- Natureza da RebeliãoGuerra civil espiritual·Diabo
Olá, muito bem-vindo a mais um episódio do podcast Devocional ID. Nós estamos no episódio 4. O Espírito Santo me orientou a compartilhar alguns raciocínios expostos na obra Cristianismo Puro e Simples de C.S. Lewis. Talvez você não conheça por esse nome, mas possa se lembrar das histórias de Nárnia, que são escritos dele também. C.S. Lewis diz que existe a lei da natureza humana, ou lei natural, que é aquela que faz todo ser humano sentir o que é certo e errado, e a existência dela pode ser provada por você mesmo.
Se você algum dia roubou alguma coisa, uma bala que seja, sentiu que não estava fazendo algo que fosse certo. Da mesma forma, eu posso apostar que você não considerou como certo o massacre contra os judeus orquestrado por Hitler. O grande problema é que, por mais que saibamos da existência da lei natural, não conseguimos fazer sempre o que é certo. Como se uma força nos puxasse para outra direção e assim transgredimos a lei natural.
A consequência disso é que não há como viver em um mundo de paz, seguro e feliz se as pessoas não forem honestas e gentis umas com as outras, não é verdade? Parece que teremos de começar a admitir que existe mais de um tipo de realidade. Que nesse caso particular há algo muito além dos fatos comuns do comportamento humano, e ainda assim, definitivamente bem real. Uma lei real que nenhum de nós construiu, mas que exerce uma pressão sobre nós, diz C.S.
Lewis. Então, temos uma lei que sentimos que temos que obedecer, mas que não foi criada por nós e que não conseguimos esquecer de nenhuma forma, ou seja, estamos debaixo de uma lei criada por algo ou alguém que deseja que a obedeçamos, e isso se mostra do lado de dentro da gente. E disso podemos concluir que esse algo ou alguém deseja que façamos as coisas certas. E se ele deseja isso, é porque ele é bom e justo. Isso quer dizer que um comportamento errado é um comportamento errado para ele, independente de quem o pratique.
Veja, por exemplo, mesmo que ele tivesse uma afeição maior por você, não deixaria de condenar a sua atitude, pois do contrário ele não seria bom. E sendo ele uma bondade absoluta, não deve gostar nada quando agimos de forma errada, e é bem provável que nos tenha até por inimigos. É por isso que o cristianismo prega o arrependimento para que as pessoas possam ser perdoadas. Arrepender é converter, mudar de direção, deixar de fazer o que se fazia.
E é por isso que ele diz que é para aqueles que sentem que não estão certos, para os doentes, e não para aqueles que acham que não precisam se de nada e são sãos. Somente depois que você percebe que existe uma lei moral real e um poder por trás dessa lei, e se dá conta de que violou tal lei e cometeu alguns erros contra esse poder, e só depois de tudo isso e nenhum instante antes disso que o cristianismo começa a falar a sua língua, diz o autor.
Veja que o mundo no início era bom, mas se corrompeu e aí chegamos onde estamos hoje. Homicídios, guerras, bombas, ódio, miséria, fome, etc. Entenda que o mal nasce do bem e que não é um poder independente, pois toda pessoa que anseia por fazer o mal o anseia por um bom motivo, um bom motivo para ela. Por exemplo, quem rouba o que faz, quem rouba o faz para ter mais conforto, mais dinheiro para satisfazer as suas vontades, seus desejos, para se sentir mais feliz.
Para ser mau é preciso desejar coisas boas e depois persegui-las da forma errada, é o que disse S. Lewis. Mas de onde será que vem esse desejo do homem de não fazer aquilo que ele sente que é certo? A Bíblia diz no Novo Testamento que nesse mundo existe o poder das trevas, um espírito mau que está por trás da morte, da doença e do pecado, que nada mais é do que a desobediência ao que é certo. Esse poder nasceu do bem e se corrompeu ao desejar se colocar em primeiro lugar, e por isso foi expulso do céu, o anjo caído.
Esse foi o pecado dele e que ele ensinou para a humanidade, o de que poderiam criar a si mesmos, por seus próprios mestres, inventar uma felicidade diferente do Deus verdadeiro, de onde nasceram a ambição, guerras, impérios, escravidão, e que pelo visto não deu certo e nunca dará, pois o nosso combustível de vida é o próprio Deus, o alimento que nutre o nosso espírito, e não há nenhum outro. Faz sentido para você agora? Então, o que nós temos hoje não é uma guerra entre dois poderes, o bem e o mal, mas sim uma rebelião, uma guerra civil, por assim dizer, e nós estamos no mesmo território que o inimigo.
Esse é o nosso mundo. É, meus amigos, o diabo realmente existe. Mas se Deus é bom, por que ele permite o mal? Pois ele nos deu o livre-arbítrio e nós podemos escolher entre o bem e o mal. Mas então, se ele sabia que podia dar errado, por que ele nos deu o livre-arbítrio? Porque é ele que torna possível o amor verdadeiro, a bondade, a alegria, o que não seria possível se fôssemos marionetes ou máquinas cumprindo comandos, não concorda?
E o cristianismo é a história de como o rei legítimo aportou, você poderia dizer até que aportou disfarçado, e nos chama para participar da grande campanha de sabotagem. Quando você vai à igreja, na verdade, você está captando ondas secretas de rádio de nossos aliados. Eis porque o inimigo está tão ansioso para nos impedir de ir até lá. Ele faz isso jogando com o nosso preconceito, com a nossa preguiça e esnobismo intelectual, diz o autor.
Perceba que Jesus, quando aportou no mundo, dizia perdoar pecados como se ele fosse o grande ofendido das nossas ofensas e dos nossos erros. Se ele não fosse o próprio Deus, isso soaria como uma grande arrogância e até mesmo loucura. Mas não é o que os evangelhos retratam sobre ele, que dizia ser manso e humilde, o que por si difere todo ser humano. Se você é daqueles que acredita que Jesus foi apenas um humano na face da terra e um bom mestre de moral, mas não acredita que ele era o próprio Deus encarnado, deixa eu te dizer que se um homem qualquer dissesse o que ele disse, ele não seria um mestre de moral, mas sim um lunático ou o próprio diabo em pessoa.
Então faça a sua escolha. A maioria das pessoas que já passaram pelo mundo prefere acreditar que ele realmente é quem disse ser. O próprio Deus em forma humana. Mas por que ele cometeu tamanha loucura de se entregar a tantos sofrimentos e à morte se era o próprio Deus? Para que nós fôssemos colocados em ordem com ele e pudéssemos ter um novo começo. Eu sei que é difícil de compreender, mas nós não compreendemos mesmo todas as coisas e não conhecemos a mente do nosso Criador.
Só sabemos que funcionou. Como o C.S. Lewis disse, você não sabe como exatamente a comida nutre o seu corpo, mas você come mesmo assim. Da mesma forma deve ser com Cristo. Aceite-o e depois você terá condições de compreendê-lo. Caso contrário, isso nunca será possível. Ouvimos que Cristo morreu por nós e que sua morte lavou os nossos pecados, e que ao morrer ele anulou a própria morte. Essa é a fórmula. Eis aí o cristianismo, é nisso que se deve acreditar, disse S.
Lewis. Provavelmente você já deve ter ouvido falar que ele assumiu a culpa pelo meu, pelo seu, pelos pecados de cada um, e os colocou sobre si e por eles foi punido em nosso lugar. É como se ele tivesse pagado uma dívida que nós não tínhamos como pagar. Nós caímos em um buraco, um buraco de achar que poderíamos tudo sozinhos, com a força do nosso braço, sem combustível. Na verdade, somos um bando de rebeldes e precisamos reconhecer isso e baixar as armas contra Deus e retornar para o início.
E esse retornar é reconhecer que erramos, é se arrepender, engatar a marcha ré e começar tudo de novo, passar por um tipo de morte de tudo aquilo que nos faz querer fazer que é errado. Este é o caminho, o processo necessário, o qual só podemos passar com a ajuda de Deus, ajuda que nos dá do seu amor e da sua razão para conseguirmos ir adiante e termos vida novamente. Veja que precisamos da ajuda de Deus para fazer algo que ele mesmo nunca havia feito: entregar-se, sofrer, submeter-se e morrer.
Começa a fazer sentido para você agora o que Cristo fez? Deus se torna homem, se entrega, sofre, se submete e morre para nos ajudar. Então, quando você reconhece que é necessário se arrepender e você aceita a humildade e o sofrimento de Cristo, você também compartilha junto com ele do processo de morte e começa a viver uma nova vida onde é capacitado dia após dia a ser melhor pelo próprio Cristo que agora vive dentro de cada um de nós.
Somos uma multidão de pessoas espalhadas pelo mundo, cheias de Deus, e juntas formamos um grande corpo, o corpo de Cristo vivo. Jesus morreu e veio viver dentro de nós através do Espírito Santo. Cristo está realmente operando por meio deles. Que toda a massa de cristãos compõe o organismo físico por meio do qual Cristo atua, que nós somos os seus dedos e músculos, as células do seu corpo, disse S. Lewis. É por isso que ninguém pode ser salvo se não for por meio de Jesus, pois ele é o próprio Deus.
E quando essa mudança acontecer, não cometa a besteira de tratar o seu Deus como se ele fosse é o gênio da lâmpada para atender aos seus próprios anseios. É que seja a vontade dele, não a sua, lembra? Outro ponto importante de se lembrar é que ele, é que ele é o criador e o dono de todas as coisas que existem no mundo, inclusive de você, da sua casa, do seu carro e de tudo que você pensa que te pertence. Então nada que você fizer ou der a ele será realmente grandioso.
A fé é acreditar sem ver. É saber que existe, que está lá. No começo dessa caminhada pode não fazer sentido, mas conforme você for andando e se deparar com certas situações ou desafios, fará toda a diferença, pois você viverá suas próprias experiências com Cristo e já não será mais você, mas ele por você. Cristo tornará o homem um ser mais à sua semelhança e, em certo sentido, compensará suas deficiências. Finaliza então C.S. Lewis. Paz e bênçãos, querido. Boa reflexão.