Episódios de Tilibou: histórias para dormir para crianças · histórias infantis para acalmar

Léo · O dragão que queria ser cavaleiro · história sobre realizar um sonho · noite tranquila · história para dormir

15 de agosto de 202613min
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E se um dragao tambem sonhasse em virar cavaleiro? Diante do quadro de inscricoes de Tournebois, o Pistache sonha bem alto: ele quer ter a sua propria armadura e a sua propria espada, igualzinho aos cavaleiros de verdade, e nao desiste dessa ideia de jeito nenhum.

Com o Leo do lado dele o tempo todo, o Pistache vai entendendo, aos poucos, que da para seguir os proprios sonhos continuando exatamente quem a gente e. Nao precisa trocar de pele, nao precisa deixar de ser dragao para virar um heroi de verdade. Da para sonhar grande sendo a gente mesmo.

E uma historia calorosa sobre amizade e sobre a liberdade de ser quem a gente e, que fecha com chave de ouro as aventuras do Leo e do Pistache, com toda a ternura que essa dupla merece.

O recado e gostoso e fica: os sonhos da gente cabem em qualquer um, basta acreditar e ter um bom amigo por perto. O seu filho termina a historia sabendo que pode querer o que quiser sem precisar deixar de ser ele mesmo.

Uma historia infantil de aventura que diz para a crianca, com muito carinho, que ela pode sonhar grande sendo exatamente quem ja e.

O sonho do Pistache de virar cavaleiro fala direto com toda crianca que ja quis ser outra coisa quando crescer. A historia mostra, com ternura, que da para perseguir qualquer sonho continuando inteirinho quem a gente e, e isso e um belo recado para levar para a cama.

Esta e uma aventura em audio sem telas, otima a partir dos 5 anos, para ouvir na cama, no carro ou na hora da soneca. Uma historia para imaginar tudo de olhos fechados, sem nenhuma tela pela frente. E, como sempre na Tilibou, o final se assenta com doçura, sem musica, para terminar o dia em paz. 🐉

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Participantes neste episódio3
L

Léo

HostJornalista
M

Mathias Garand

HostProdutor audiovisual e fundador do Tilibou
P

Pistache

Host
Assuntos4
  • Cavaleiro Pistache de Tournebois· EntretenimentoTimoté·Fogo do castelo·Canção de ninar
  • Dragão quer ser cavaleiro· EntretenimentoPistache·Tournebois·Festa dos Cavaleiros
  • Tempestade no Castelo· SociedadeEscuridão·Medo·Vagalumes
  • Provas de Cavaleiro· SociedadeDiscrição·Impassibilidade·Lema
Transcrição52 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
PPistache

Um recadinho para os pais: se vocês gostam do Tilibu, sigam a gente e deixem 5 estrelas. Cada estrela ajuda o nosso pequeno vagalume a crescer e a chegar a mais famílias. Bem-vindo ao Tilibu, aconchega-se bem. Fecha os olhos se quiser. A história começa. Em Tournebois havia uma festa que todos os aprendizes esperavam: a Festa dos Cavaleiros, onde os pajens recebem a primeira estrela. E naquele ano, alguém inesperado sonhava alto na frente do quadro de inscrições. Alguém muito grande, muito verde e muito encabulado de ser apanhado lá.

PPistache

Só tava olhando. A gente tem direito de olhar um quadro, Léo. Preciso te contar uma coisa. Os dragões geralmente guardam tesouros sozinhos em grotas. Eu, o que eu quero é procurar tesouros com você, oficialmente, com título e tudo. Quero ser cavaleiro.

?Voz C

Então vamos falar com o Hansin. Agora mesmo. E sabe de uma coisa? Nem vai precisar de bigode.

PPistache

Ainda bem, o meu não cresce. Tentei com espuma de barbear, coça e cai.

MGMathias Garand

Um dragão cavaleiro? Você está falando sério? Bom, o código é o código. Quem quer que peça o Armar Cavaleiro tem direito às 3 provas. Não diz exceto os dragões. 3 provas esta noite, antes da tempestade que se anuncia: a discrição, a impassibilidade, o lema. Passa e te armo cavaleiro na festa amanhã. Não passa e nunca mais falamos nisso.

PPistache

3 provas, fácil. O que é impassibilidade? É grave? Pega?

?Voz C

Ficar calmo aconteça o que acontecer.

PPistache

E a gente tá mal, Léo, a gente tá muito mal.

PPistache

A prova 1: a discrição. Atravessar a sala de armas sem fazer um único barulho. Um dragão de 3 toneladas na ponta das patas, no meio das armaduras empilhadas. Imagina o resto.

PPistache

Estava discreto até o armário. Todo mundo viu. Teve um momento de discrição de verdade. Curto, mas verdadeiro.

?Voz C

Ainda temos dois, Pistache. Duas chances. Não acabou.

PPistache

Prova 2: a impassibilidade. Ficar ereto, imóvel, aconteça o que acontecer. Senhor Ranzinza, para testar. Abriu uma caixinha e soltou um rato. Só um, bem pequenininho, bem macio, bem cinzinha. Rato!

PPistache

Estou impassível! Estou impassível lá em cima do lustre!

?Voz C

Pistache, a impassibilidade é mais lá embaixo, no chão, não no teto.

PPistache

O regulamento não especifica a altitude. Estou muito calmo, muito lá em cima, mas muito calmo.

PPistache

Prova 3: o lema. Anunciar o nome e o título com voz de bronze que não treme. Pistache desceu do lustre, plantou-se bem ereto, estufou o peito, e toda a sala de armas prendeu a respiração, pois essa palavra dava para sentir chegar como uma armadilha.

PPistache

Sou Pistache de Tournebois, futuro cavalo— cavaleiro. É essa palavra, ela sobe sozinha, é grande demais pra minha voz.

MGMathias Garand

Zero em três? Não é contra você, dragão, mas o código descreve um cavaleiro discreto, impassível, voz de bronze, e você é você. No meu tempo não se chorava na sala de armas. Bom, eu também não estou chorando, é meu bigode que transpira. Rompam!

PPistache

Zero em três, Léo. Dragões guardam grotas. É o que sou, uma boa grota com escamas. Foi uma ideia boba querer ser cavaleiro.

?Voz C

Não, não sei ainda como, mas uma ideia que faz seus olhos brilharem assim. Nunca é boba. Vamos dormir, amanhã a gente acha um plano.

PPistache

E naquela noite, a tempestade do século caiu sobre Tournebois. Uma rajada de vento gigante varreu o castelo e apagou tudo de uma vez: as velas, as tochas e até o grande fogo da lareira, aquele que nunca se deixa apagar. O castelo ficou Tudo escuro, todo frio e cheio de trovão. No dormitório, os pajens pequenininhos choravam e os grandes cavaleiros de bigode, aqueles com voz de bronze, foram encontrados escondidos debaixo da grande mesa.

MGMathias Garand

Não enxergo nada! Quem apagou o reino? Precisamos reacender o fogo, acalmar o dormitório, contar aos pajens. Mas não dá a ver nem a ponta do próprio bigode. E o regulamento não diz nada sobre o que fazer quando não se vê nada. No meu tempo, sempre havia luz no regulamento.

PPistache

E então, no escuro completo, uma voz se levantou. Uma voz grave e tranquila. A voz de alguém que conhecia aquele escuro de cor, porque tinha medo dele há 200 anos. E de tanto de ter medo tinha aprendido tudo sobre ele.

PPistache

Ninguém se mexe. Eu, o escuro, conheço como minha palha. Quando se tem medo do escuro há 200 anos, a gente tem um mapa do escuro na cabeça. E tenho meu equipamento anti-medo, minha lanterna de vagalumes. 23 vagalumes, um por volta de dormir. Todo mundo atrás de mim, uma mão na escama da frente.

?Voz C

Vamos, Pistache! Você errou 3 provas essa tarde. E aí, no escuro, é o único que sabe o que fazer.

PPistache

O único. Porque essa prova, Léo, ninguém a escreveu no código, mas eu treino nela toda noite.

PPistache

E o grande dragão medroso guiou o castelo inteiro pelo escuro. O corredor que vira, ele conhecia. O degrau traiçoeiro da escada que muda de ideia, ele conhecia. Levou todo mundo ao dormitório sem um único dedinho de pé batido. E foi então que seus grandes ouvidos de medroso, treinados há 200 anos a farejar o menor barulho, ouviram o que mais ninguém ouvia.

PPistache

Shhhhh! Alguém tá chorando, bem baixinho, muito longe. No armário da sala de armas. Esquecemos alguém.

MGMathias Garand

Impossível, eu contei 20 páginas. Todos estão— 19, 19! Pelo meu bigode, falta um.

PPistache

O menor. É sempre o menor que esquecem. Sei o quê, fiquem aqui, vou com o Léo.

MGMathias Garand

No escuro sozinho? Dragão, o armário da sala de armas fica bem no fundo, depois da escada que muda de ideia. É longe e escuro.

PPistache

Você tem certeza, senhor? O escuro é a única coisa no mundo que conheço melhor do que o senhor. Fique com os páginas no quentinho, conta eles de novo e canta se tiver medo. Eu faço o tempo todo. Ajuda muito.

PPistache

E partiu no escuro, sozinho com o Léo, até o armário da sala de armas. O trovão rolava lá fora, a chuva martelava. Dentro do armário, encolhido entre dois escudos, estava o Timoté, o menor dos menores pajens. Quis me esconder do trovão, e depois a porta, e depois tudo ficou escuro. Não tô com medo, viu? Estou, muito medo, e a porta não quer mais abrir.

PPistache

Eu também, sabia? O trovão, o escuro, os ratos. Tenho medo de tudo, e há muito mais tempo que você. Mas a gente sabe um segredo, eu e o Léo. Quer que eu te conte? Temos medo juntos, então vamos juntos. Então você me dá a a gente fica com medo os dois, muito, tudo bem? E caminha mesmo assim.

PPistache

Vamos juntos. E seus vagalumes, como eles se chamam? E no caminho de volta para o dormitório, Pistache apresentou os 23 vagalumes, um por um, com os nomes deles. No dormitório, o trovão roncava ainda mais forte do que nunca. E os pajens pequenininhos tremiam debaixo das cobertas. Então, com sua voz que sobe nos agudos, a mesma que tinha errado o lema, Pistache fez uma canção de ninar. A sua canção de ninar. A que tinha inventado sozinho pra adormecer nas noites de tempestade.

PPistache

Grande trovão, grande reclamão, você faz bum, eu faço ron. Passe seu caminho sem aflição. Os monstros não entram na minha canção. Todo mundo junto, até debaixo da mesa ali, os bigodes. Ouço vocês tremendo. Não tem problema, cantem.

PPistache

Restava o frio, o grande fogo morto na grande lareira. Pistache se debruçou sobre as toras frias, tomou uma grande inspiração para cuspir uma chama e nada, nada mesmo, nem a menor faísca.

PPistache

Léo, não funciona. Minha chama, ela nunca vem quando eu quero, ela vem só quando eu espirro, e agora não estou com vontade de espirrar nada.

?Voz C

Então a gente precisa te fazer espirrar. A lareira, Pistache, a fuligem. Deita bem perto das toras velhas, cheia bem forte a fuligem.

PPistache

Pistache se abaixou bem no fundo da lareira e a fuligem travessa veio dançar sobre o seu focinho.

PPistache

Ou a fuligem faz cócegas. Vou, vou. Ah, ah, ah, ah, tinha espirro estratégico. O cavaleiro guarda o fogo do castelo, está no código. Eu li 3 vezes esta tarde. Bom, duas vezes. Na terceira, estava olhando para as figuras.

PPistache

De manhã, a tempestade tinha ido embora e na frente de todo o castelo reunido, Senhor Ranzinza abriu o código dos cavaleiros na primeiríssima página, a que nunca se relê porque a gente acha que já sabe.

MGMathias Garand

Um cavaleiro protege os pequeninos, guia os que estão perdidos, reconforta os que tremem, e guarda o fogo do castelo. Protegido: Timoté. Guiados: o castelo inteiro. Reconfortados: o dormitório inteiro e 6 cavaleiros debaixo de uma mesa que vão se reconhecer. O fogo reacendido. 4 de 4. Não como no código, Dragão. Melhor que o código. Aliás, essas 3 provas de ontem foram um teste. Um teste para ver se você duvidaria de si. Você duvidou bem na medida certa.

Era exatamente o que eu ia explicar. De joelhos? Bom, abaixa a cabeça, não temos uma grua. Léo, sua espada.

PPistache

E foi assim que Pistache foi armado cavaleiro. Não com uma espada de ferro, mas com a espadinha de madeira do Léo, a que serve para tudo menos para lutar. Alavanca, poleiro, baqueta de tambor, calço de tribuna e, naquela manhã, espada do armamento.

MGMathias Garand

Eu te nomeio Cavaleiro Pistache de Tournebois, guardião dos pequeninhos medos e do fogo do castelo. Anuncia seu lema, cavaleiro.

PPistache

Sou Pistache de Tournebois, cavaleirei! Foi nos agudos, tanto faz. É a minha voz de cavaleiro. É assim. E agora sei para que ela serve: para cantar canções de ninar no escuro.

PPistache

É a mais linda, é a que canta as canções de ninar. Canta de novo, canta de novo a canção dos monstros.

?Voz C

Tá vendo? Você tava certo desde o início. As histórias sempre funcionam assim. O menor, o mais medroso É ele o herói no final.

PPistache

Havia esquecido um detalhe na minha profissão de especialista em histórias: que às vezes o herói sou eu.

?Voz C

Vai lá, Cavaleiro Pistache, fala comigo pela primeira vez em serviço oficial.

PPistache

Portuneboá!

PPistache

E pronto, a história acabou. Tilibu te dá um abraço bem grande. Até logo, dorme bem.

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