011 – O Estripador de Lisboa, 4/5
O Estripador de Lisboa |
Lisboa. Década de 1990.
Uma sequência de assassinatos brutais mergulhou Portugal em um dos casos criminais mais perturbadores de sua história. Mulheres foram perseguidas, assassinadas e mutiladas por um criminoso que jamais foi identificado oficialmente, dando origem à lenda do Estripador de Lisboa.
Neste primeiro episódio de Arquivo Escarlate, você vai conhecer o início dessa investigação, entender quem foi a primeira vítima e descobrir como a Polícia Judiciária percebeu que poderia estar diante de um assassino em série.
Uma história real, baseada em fatos documentados, contada em formato cinematográfico para que você se sinta dentro da investigação.
🎙️ Feche os olhos. O filme começa… agora.
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- Estripador de LisboaTerceira vítima · Maria Valeria Resende · Mutilações · Investigação Policial · Investigação do FBI
- Perfil do AgressorHomem solitário · Metódico e paciente · Ausência de vestígios
Bem-vindo ao Arquivo Escarlate.
Aqui mergulhamos em crimes reais, investigações marcantes, desaparecimentos, julgamentos e casos que continuam a intrigar o público. Histórias de bolso, Histórias curtas apresentadas com áudio original.
Arquivo Escarlate. Feche os olhos, o filme começa agora.
A terceira vítima. A maior caça ao assassino da história da polícia judiciária. Fecha os olhos, o filme continua. A polícia judiciária sabia. Depois do homicídio de Maria Fernanda, todos os investigadores repetiam a mesma frase: ele vai voltar. Não era um pressentimento, era a conclusão a que chegavam os especialistas em homicídios. Os assassinos em série raramente param. Matam, esperam e voltam a matar. Durante semanas, equipas inteiras patrulharam discretamente as zonas de prostituição de Lisboa.
Inspectores misturavam-se entre carros estacionados, observavam clientes, anotavam matrículas e procuravam um homem que ninguém conhecia, mas que podia surgir a qualquer momento. Mesmo assim, chegaram tarde. Na manhã de 15 de março de 1993, um novo corpo foi encontrado. A vítima chamava-se Maria João, tinha 27 anos, vivia sozinha em Santo Antônio dos Cavaleiros, na companhia dos seus dois gatos, tal como as duas vítimas anteriores.
Era tóxico-dependente e fazia prostituição de rua. Conhecia Maria Valentina, Tina, e frequentava os mesmos locais à procura de clientes. O corpo foi encontrado a cerca de 100 metros do local onde, 8 meses antes, tinha sido descoberto o cadáver de Tina. Para os inspetores, aquele pormenor não podia ser uma coincidência. Era quase como se o assassino estivesse a deixar uma mensagem.
Continua aqui.
Quando os peritos iniciaram o exame ao corpo, encontraram o mesmo padrão de violência. Maria João tinha sido estrangulada.
O abdômen apresentava profundas mutilações. Mas havia algo que fez até os investigadores mais experientes perderem as palavras.
Desta vez, o assassino tinha levado a mutilação ainda mais longe. Quase todos os órgãos internos tinham sido removidos, incluindo um pulmão inteiro. A violência revelava uma escalada em relação aos dois crimes anteriores. O médico legista José Pereira Sombreireiro voltou a acompanhar o caso.
A conclusão era inquietante: quem quer que fosse o autor daqueles crimes agia com enorme sangue frio, demorava-se junto às vítimas e Apesar do tempo necessário para cometer mutilações tão complexas, continuava sem deixar praticamente vestígios. Nem impressões digitais, nem cabelos, nem pegadas, nem luvas abandonadas. Nada. Era como se desaparecesse sem existir. A partir daquele dia, a investigação entrou numa nova dimensão. A Polícia Judiciária mobilizou uma das maiores operações alguma vez realizadas para encontrar um homicida em Portugal. 6 inspectores passaram a trabalhar praticamente em exclusivo neste processo, apoiados por elementos de outras brigadas sempre que necessário.
Centenas de pessoas ligadas ao meio da prostituição, ao tráfico de droga e ao círculo social das vítimas foram identificadas e ouvidas. As diligências estenderam-se por Lisboa, flores e cascais. Ao mesmo tempo, os especialistas começaram a traçar um perfil psicológico. Na opinião dos investigadores e do médico legista, o autor seria provavelmente um homem solitário, alguém que não mantinha qualquer relação emocional com as vítimas, capaz de controlar totalmente as suas emoções durante os crimes, metódico, paciente e suficientemente organizado para não provas que ligassem aos locais dos homicídios.
Mas havia uma pergunta que ninguém conseguia responder: por que retirava órgãos às vítimas? Tratava-se de um ritual, de uma fantasia, ou existia outra explicação? Nem hoje existe uma resposta definitiva. Com 3 homicídios praticamente idênticos em menos de um ano, o caso ultrapassou as fronteiras de Portugal. Alguns dias depois do terceiro crime, dois agentes do Federal Bureau of Investigation, o FBI, viajaram até Lisboa. Traziam fotografias, relatórios e perfis de um conjunto de homicídios ocorridos em New Bedford, no estado norte-americano de Massachusetts, onde existia uma numerosa comunidade portuguesa.
Os investigadores norte-americanos admitiam uma hipótese extraordinária: e se o assassino tivesse cometido crimes nos Estados Unidos e depois regressado a Portugal. A teoria nunca foi provada, mas mostrou até que ponto o caso preocupava as autoridades. Durante meses, todas as pistas foram investigadas. Surgiram suspeitos, chegaram denúncias, foram feitas vigilâncias, mas nenhuma prova permitia identificar o homem que aterrorizava Lisboa.
Então, da mesma forma como tinha aparecido. O assassino desapareceu. Nunca mais voltou a matar, ou pelo menos nunca mais foi possível relacionar qualquer outro homicídio com o mesmo padrão. Teria morrido? Mudado de país? Sido preso por outro crime? Ou continuaria a viver anonimamente, cruzando-se todos os dias com pessoas que jamais imaginariam quem ele era? São perguntas que continuam sem resposta. No próximo episódio, Vamos acompanhar os anos seguintes de investigação, a colaboração entre a polícia judiciária e o FBI, o aparecimento de novos suspeitos.
Fecha os olhos, o filme continua. Página, deixá-los apagar. Aqui buscar lá, a verdade vai falar.