Episódios de Arquivo Escarlate

012 – O Estripador de Lisboa, 5/5

23 de julho de 20268min
0:00 / 8:26

O Estripador de Lisboa |

Lisboa. Década de 1990.

Uma sequência de assassinatos brutais mergulhou Portugal em um dos casos criminais mais perturbadores de sua história. Mulheres foram perseguidas, assassinadas e mutiladas por um criminoso que jamais foi identificado oficialmente, dando origem à lenda do Estripador de Lisboa.

Neste primeiro episódio de Arquivo Escarlate, você vai conhecer o início dessa investigação, entender quem foi a primeira vítima e descobrir como a Polícia Judiciária percebeu que poderia estar diante de um assassino em série.

Uma história real, baseada em fatos documentados, contada em formato cinematográfico para que você se sinta dentro da investigação.

🎙️ Feche os olhos. O filme começa… agora.

Se você gosta de casos reais, mistérios e investigações criminais, inscreva-se no canal, deixe seu like e ative o sino para acompanhar os próximos episódios desta série exclusiva sobre o Estripador de Lisboa.

#ArquivoEscarlate #TrueCrime #EstripadorDeLisboa #CasosReais #MistériosCriminais

Assuntos2
  • O Estripador de LisboaInvestigação policial · Perfil psicológico do assassino · Mutilações das vítimas · Colaboração com o FBI · Casos não resolvidos
  • Culpa e vitimizaçãoJovens · Prostitutas · Toxicodependentes · Conhecedoras das ruas
Transcrição9 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Bem-vindo ao Arquivo Escarlate.

?Voz B

Aqui mergulhamos em crimes reais, investigações marcantes, desaparecimentos, julgamentos e casos que continuam a intrigar o público. Histórias de bolso, Histórias curtas apresentadas com áudio original.

?Voz A

Arquivo Escarlate.

?Voz B

Feche os olhos, o filme começa agora. A caçada que nunca terminou. Fecha os olhos, o filme continua. 3 mulheres, 3 vidas destruídas, 3 cenários de crime que pareciam ligados pela mesma mão, e um assassino que desaparecera sem deixar um único erro capaz de o denunciar. Para a Polícia Judiciária, o caso estava longe de terminar. Na verdade, estava apenas a começar. Depois da descoberta do corpo de Maria João, a investigação transformou-se numa prioridade nacional.

Os inspetores passaram meses a reconstruir os passos das 3 vítimas, compararam horários, percursos, clientes, contatos. Automóveis vistos nas zonas de prostituição. Foram analisados milhares de páginas de depoimentos. Centenas de pessoas foram identificadas. Muitas acabaram por ser interrogadas mais do que uma vez. A pergunta era sempre a mesma: quem era o homem que conseguia aproximar-se daquelas mulheres sem despertar suspeitas?

Os investigadores acreditavam que o assassino não escolhia as vítimas ao acaso. Todas eram jovens, todas viviam da prostituição, todas eram toxicodependentes, todas conheciam bem as ruas da zona das Avenidas Novas. Era um padrão demasiado evidente para ser ignorado. Ao mesmo tempo, os médicos legistas e os investigadores começaram a traçar um perfil psicológico.

?Voz A

Na sua opinião, o homicida era provavelmente homem.

?Voz B

Conhecia suficientemente bem Lisboa para transportar os corpos para locais discretos. Demonstrava um controle invulgar durante os crimes, agia com calma, sem pressa, e possuía uma capacidade rara para eliminar praticamente todos os vestígios. Mas havia outro detalhe que intrigava os especialistas: as mutilações. Nunca foi possível determinar com absoluta certeza por que razão o assassino removia órgãos das vítimas.

?Voz A

Ao longo dos anos surgiram várias hipóteses.

?Voz B

Alguns especialistas admitiram uma motivação de natureza sexual. Outros defenderam que poderia tratar-se de um ritual pessoal. Também houve quem sugerisse que o homicida pretendia dificultar o trabalho da medicina legal.

?Voz A

Nenhuma destas teorias foi alguma vez comprovada. Entretanto, o caso atravessou o Atlântico Os homicídios chamaram atenção do Federal Bureau of Investigation, o FBI. Investigadores norte-americanos deslocaram-se a Portugal para trocar informações com a polícia judiciária. A razão era surpreendente: na cidade de New Bedford, no estado norte-americano de Massachusetts, tinham ocorrido vários homicídios de prostitutas durante a década de 1980.

Muitas das vítimas pertenciam à comunidade portuguesa. Os investigadores procuravam perceber se existia alguma ligação entre os dois casos. Compararam fotografias, relatórios de autópsia, perfis criminais, modos de atuação. A hipótese chegou a ser considerada seriamente, mas apesar das semelhanças, nunca surgiu qualquer prova que permitisse afirmar que o autor fosse o mesmo. A colaboração terminou sem uma resposta definitiva. Enquanto isso, em Portugal, investigação continuava.

Ao longo dos anos apareceram novos suspeitos, foram recebidas cartas anônimas, chegaram denúncias de cidadãos convencidos de conhecer a identidade do assassino. Algumas pessoas chegaram mesmo a confessar os crimes. Todas as confissões foram verificadas. Nenhuma resistiu à investigação. Nenhuma continha informações que apenas o verdadeiro homicida pudesse conhecer. Com o passar do tempo, as testemunhas começaram a desaparecer. Algumas morreram, outras mudaram de vida.

As recordações tornaram-se menos precisas, as provas biológicas degradaram-se, e a investigação foi perdendo o impulso dos primeiros anos oficialmente. O processo nunca encontrou uma conclusão definitiva. Até hoje, o chamado Estripador de Lisboa continua por identificar. Nunca houve uma acusação, nunca existiu um julgamento relacionado com estes 3 homicídios. Nunca foi possível apresentar perante um tribunal provas suficientes para apontar um responsável.

E talvez seja precisamente isso que torna este caso tão perturbador, porque não existe um rosto, não existe uma fotografia policial, não existe uma sentença. Existe apenas um vazio, um vazio deixado por 3 mulheres que perderam uma vida de forma total. Maria Valentina, Maria Fernanda, Maria João. E uma pergunta que continua sem resposta mais de 3 décadas depois: quem foi o homem que aterrorizou Lisboa? Talvez nunca o saibamos. Talvez o assassino tenha morrido sem nunca confessar.

Talvez tenha deixado Portugal, ou talvez tenha vivido o resto da vida como um cidadão aparentemente normal. É essa incerteza que mantém este processo aberto na memória coletiva, porque alguns crimes resolvem-se, outros transformam-se em mistério. Enquanto existirem mistérios, haverá sempre um novo dossiê para abrir. Eu sou o narrador do Arquivo Escarlate. Até ao próximo caso. Fecha os olhos, o filme continua. Arquivo Escarlate, onde o filme é real. Vira essa página, deixa a luz apagar. Arquivo Escarlate, a verdade vai falar.

012 – O Estripador de Lisboa, 5/5 | Castnews Index — Castnews Index