001 - Attila Ambrus, O Ladrão do Whisky
Há histórias que parecem inventadas. Mas esta aconteceu mesmo.
Imagine um guarda-redes de hóquei no gelo que, entre treinos e jogos, saía para assaltar bancos. Durante anos, ninguém suspeitou que um atleta profissional levava uma vida dupla tão improvável.
O seu nome era Attila Ambrus. Mas o mundo viria a conhecê-lo como o Ladrão do Whisky.
Attila Ambrus
- Attila Ambrus, o Ladrão do WhiskyAttila Ambrus · Ladrão do Whisky · Hóquei no gelo · Assaltos a bancos
- Vida dupla de Attila AmbrusAttila Ambrus · Guarda-redes de hóquei · Assaltante de bancos · Evitar violência
- Fuga da TransilvâniaAttila Ambrus · Ditadura comunista · Fuga ilegal
- A fuga e captura do herdeiroAttila Ambrus · Captura policial · Fuga da prisão
- Popularidade do Ladrão do WhiskyLadrão do Whisky · Robin dos Bosques · Desafio às instituições
- O AbutreAttila Ambrus · Oleiro · Cerâmica artesanal
Bem-vindo ao Dossier Criminal. Aqui mergulhamos em crimes reais, investigações marcantes, desaparecimentos, julgamentos e casos que continuam a intrigar o público. Histórias de bolso, histórias curtas apresentadas com áudio original. Dossiê criminal. Diz o nome duas vezes. Há histórias que parecem inventadas, mas esta aconteceu mesmo. Imagina um guarda-redes de hóquei no gelo que, entre treinos e jogos, saía para assaltar bancos.
Durante anos, ninguém suspeitou que um atleta profissional levava uma vida dupla tão improvável. O seu nome era Attila Ambros, mas o mundo viria a conhecê-lo como o Ladrão do Whisky. Attila nasceu na Transilvânia, região que hoje pertence à Romênia. Ainda jovem, Vivia sob a ditadura comunista de Nicolae Ceaușescu, sonhava com uma vida melhor e por isso decidiu arriscar tudo. Fugiu ilegalmente para Hungria, escondido debaixo de um comboio de mercadorias, deixando para trás a família, os amigos e praticamente tudo que possuía.
Os primeiros anos foram extremamente difíceis. Trabalhou como coveiro, tratador de cães e vendedor ambulante para conseguir sobreviver, mas nunca desistiu do seu grande sonho: tornar-se jogador profissional de hóquei no gelo. Acabou por conseguir um lugar como guarda-redes no Újpesti T, um dos clubes mais tradicionais de Budapeste. O problema era que o salário mal chegava para pagar as despesas. A Hungria atravessava uma fase complicada.
O país tinha acabado de abandonar o regime comunista e enfrentava uma profunda crise econômica. A inflação aumentava, o desemprego crescia, e muitas pessoas sentiam que apenas os bancos e os grandes empresários beneficiavam da nova economia. Foi nesse ambiente que Attila tomou uma decisão que mudaria sua vida para sempre. Então armado num banco e realizou o primeiro assalto. Correu melhor do que alguma vez imaginara.
Voltou a repetir, depois outra vez e outra.
Durante cerca de 6 anos conseguiu manter uma vida dupla quase perfeita.
De dia treinava, defendia a baliza da sua equipa e era apenas mais um atleta. Poucos dias depois, surgia mascarado assaltar bancos, agências dos Correios e outras instituições financeiras, desaparecendo antes da chegada da polícia. Ao contrário da maioria dos criminosos, Attila evitava recorrer à violência. Falava calmamente com funcionários e clientes e fazia tudo para que ninguém saísse ferido. O apelido de Ladrão do Whisky também nasceu de um hábito muito peculiar.
Antes de cada assalto, entrava sempre num café próximo do local escolhido e bebia um copo de uísque para acalmar os nervos. Quando os jornalistas descobriram esse detalhe, a alcunha ficou para sempre. Ao longo daqueles anos, realizou 27 assaltos, roubando milhões de florins. Apesar do dinheiro, nunca levou uma vida verdadeiramente luxuosa. Gastava muito, viajava, comprava carros e continuava a jogar hóquei como se nada estivesse acontecendo.
Enquanto isso, a polícia acumulava fracassos. Cada novo assalto aumentava a humilhação das autoridades e fazia crescer a popularidade do misterioso ladrão. Para muitos húngaros, Attila tornou-se uma espécie de Robin dos Bosques moderno. Não distribuía dinheiro pelos pobres, mas desafiava precisamente as instituições que grande parte da população culpava pelas dificuldades econômicas do país. Os jornais acompanhavam cada roubo como se fosse um episódio de uma série de televisão.
O público discutia qual seria o próximo alvo, e a fama do Ladrão do Whisky crescia de assalto para assalto. Mas a sorte acabou. Um dos seus cúmplices foi detido e revelou a identidade do homem que toda a Hungria procurava. Attila tentou fugir para junto da fronteira, mas acabou capturado após uma grande operação policial. Parecia o fim da história, só que ainda havia um último capítulo. Enquanto aguardava julgamento, conseguiu fugir da prisão utilizando uma corda improvisada feita com lençóis, atacadores e cabos elétricos.
A fuga chocou o país inteiro e voltou a colocá-lo nas manchetes. Durante vários meses, escapou novamente às autoridades e, de forma quase inacreditável, ainda realizou mais dois assaltos antes de ser recapturado. Desta vez não houve nova fuga. Foi condenado a 17 anos de prisão, cumpriu cerca de 12 anos por bom comportamento e acabou por recuperar a liberdade. Hoje leva uma vida completamente diferente, trabalha como oleiro e fabrica peças de cerâmica artesanal vendidas em feiras e exposições por toda a Hungria.
A história de Attila Ambrosi inspirou livros, documentários e um filme de grande sucesso. Continua a ser uma das figuras mais controversas da história criminal europeia. Nunca foi um herói, cometeu crimes graves e aterrorizou dezenas de pessoas. Mas a combinação improvável entre atleta profissional, assaltante de bancos e fugitivo tornou Numa verdadeira lenda. Porque às vezes a realidade consegue ser muito mais extraordinária do que qualquer argumento de cinema.