Episódios de Pauta que o Pariu

Brazil, meu Brasil brazileiro

02 de agosto de 20266min
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O patriotismo é o último refúgio de um canalha... por trás dos simbolos nacionais existe muita história e, normalmente, não é aquela que aprendemos no ensino básico. O poder emana do povo, mas é mano dos poderosos.

Assuntos4
  • Linguagem e escândalos em BrasíliaIpiranga · Desigualdade social · Aquarela do Brasil
  • Questão de soberania brasileiraDom Pedro II · Dívida com o Reino Unido · Tratado de Methven · Independência da Bahia
  • Bandeira do Brasil na varandaDinastia de Avis · Família Bragança · Herança maldita
  • Nome Brasil ParaleloPau-brasil · Cor de brasa
Transcrição26 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Outra coisa interessante, 25 de março foi a data da primeira Constituição brasileira pelo Dom Pedro I, que na realidade ele tinha montado uma Assembleia Constituinte, depois ele mandou todo mundo para casa do cão e fez a dele. O primeiro golpe que o Brasil deu foi ele. Outra coisa que Dom Pedro I fez, além de levantar uma espada e gritar independência ou morte, Na realidade, o Brasil não ficou independente quando isso aconteceu.

O Brasil ficou independente de Portugal quando Dom Pedro I obrigou o Brasil a assumir uma dívida que Portugal tinha com o Reino Unido, por causa do Tratado de Pano e Vinho, Tratado de Methven. Então o Brasil, de um dia para o outro, você tá livre, mas você deve 2 milhões de libras esterlinas, que na época era uma coisa impagável. Tanto que o Reino Unido sugou a nossa alma durante quase 100 anos por causa dessa dívida. Então o Brasil nunca decolou, nunca, porque na hora que ele foi virar um país, o Dom Pedro I enfiou conversar com ela.

Eu lembro quando eu era criança, eu gosto muito de coisas de criança, quando a professora falou: não, o cara levantou a espada e disse independência ou morte e ficamos independentes. Eu era criança e falei: professora, peraí, mas é só isso? Não teve guerra? Não, só isso. Ela não falou da guerra que teve no Nordeste, a independência da Bahia, né, 2 de julho e tal e tal. Falou nada disso. Aí eu falei assim: mas professora, esse Dom Pedro, a senhora não disse que ele era português?

Era um português, fez a independência do Brasil. Você tá querendo que eu acredite nisso, sabe? É, mas isso não pode, não faz sentido. Eu era criança. E depois que eu cresci, fui ler alguns livros, né? Entre eles alguns livros do Laurentino Gomes, que é um que eu acho ele muito bom, explicando isso. Dom Pedro I obrigou o Brasil a assumir uma dívida que na realidade o Brasil nunca conseguiu pagar, que é uma dívida impagável, mas ficou com a alma vendida para os ingleses.

?Voz B

Tem aquela história do Cabral também que ele desviou da rota, acabou caindo aqui, que era tudo mentira, né? E na verdade eles já conheciam, já sabiam. Então eu não sei, mas eu lembro de ter lido alguma coisa no primário, a gente aprendia, ah não, ele estava a caminho das Índias e acabou escorregando, se perdeu. Pera aí, mas as Índias fica pro outro lado, né?

?Voz A

Exatamente.

?Voz B

E aí depois eu fui ler algumas coisas mais sérias que detonavam essa hipótese, né?

?Voz A

Que outra coisa que é muito absurda, que antes disso já pegava-se pau-brasil aqui. Pau-brasil é uma árvore que dá o nome do nosso país e quase nenhum brasileiro sabe o que que é um pau-brasil, porque ela quase foi à extinção.

?Voz B

Que vem da brasa, né?

?Voz A

É isso? É, que tinha cor de brasa. Você arranca a casca, ela é vermelha como brasa, por isso que ela é Brasil. E aí essa árvore do Brasil, o pau-brasil, quase chegou à extinção porque ele foi levado para Europa durante 3 séculos para fazer uma tinta vermelha para pintar os tecidos de vermelho. Então assim, os tecidos vermelhos durante 300 anos na Europa eram vermelhos por causa do pau-brasil, inclusive as bandeiras. Aí vem um Collor e fala, nossa, a bandeira nunca será vermelha.

O país chama Brasil e a bandeira não é vermelha. Tem alguma coisa a ver de Brasil nessa bandeira do Brasil. E a outra coisa, a bandeira do Brasil, ela é amarela, veio da da bandeira do Império, verde e amarela, né, com losango amarelo. O amarelo por causa da família da Leopoldina, a dinastia de Habsburgo, e o verde a família Bragança, a família que mais mal fez para o Brasil. Então essa bandeira do Brasil verde, o verde, aquele verde da bandeira do Brasil é da família Bragança.

É uma herança maldita que a gente tem. Eu desde criança te falo também, desde criança eu falo, professor, essa bandeira não é do meu país. Desde criança eu não admito que essa bandeira seja do país, porque ninguém fez mais maldade para a gente do que os Bragança. E esse verde é o verde da família Bragança.

?Voz B

Numa das pautas você falou de querer falar sobre o hino nacional.

?Voz A

É, o hino nacional também é uma coisa que desde criança eu não concordo. Assim, a música sim, agora a letra fala de que país? Tem uma parte que fala—

?Voz B

Uai, Ipiranga, pô!

?Voz A

Sim.

?Voz B

O Ipiranga, mano!

?Voz A

Ouviram do Ipiranga? Primeira coisa, você chega para uma pessoa e fala isso, a pessoa não sabe o que significa. Inclusive eu saí com o chefe de redação do Estadão Na época da coisa pra mostrar pras pessoas o que elas entendiam do hino nacional. Aí o cara falou assim: Nossa, você passa uma menina na rua, você fala: Nossa, que menina agarrida! Aí a menina: Agarrida é sua mãe! Não, que agarrida é uma menina bonita, você entendeu?

Usando palavras, essa coisa. O que mais me irrita é o seguinte: ouviram Dois Pirangas Margens Plácidas? Fala de uma suposta independência do Brasil que um português teria feito, que não fez. A gente acabou— acabei de falar, ele obrigou a gente a assumir uma dívida com o Reino Unido. O resto do hino fala de um país que não existe. Quando ele fala, se o penhor dessa igualdade conseguimos conquistar com braços fortes, pelo amor de Deus, tá me gozando?

Quando que esse país foi igual? Esse é o país mais desigual do mundo. Aí fala, se o penhor dessa igualdade conseguimos conquistar com braços fortes, verás que o filho teu não foge à luta. Vai pro inferno, cara! Que mentira, que mentira, sabe? Ele fala de um país que não existe. O hino brasileiro, se você ler do começo ao fim, você fala, bom, e o Brasil? Onde é que ele tá nisso?

?Voz B

Sempre que eu ouço o hino, Eu falo assim, pô, um dia vão trocar por Aquarela do Brasil. Sim. Não seria mais legal?

?Voz A

Mais legal!

?Voz B

Que tem mais a cara do país, né?

?Voz A

Sim, e outra coisa, quantos compositores fantásticos tem o Brasil? Troca essa letra, põe uma letra que fala da nossa realidade.

?Voz B

Eu lembro que quando o Terry Gilliam, né, que era do Monty Python, ele fez o Brasil, aquele filme, você lembra desse filme?

?Voz A

Não, não assisti não.

?Voz B

Você não lembra? Não. Assista, cara, assista que é muito legal. E toca Aquarela do Brasil, né?

?Voz A

Sim.

?Voz B

E ele, acho que numa entrevista, falou, mas por que você chamou de Brasil? Não sei, que era um paraíso distante e tal. E é um filme todo centrado numa coisa meio distópica, sabe aquela coisa assim burocrática, onde os erros vão se sucedendo e o cara acaba caindo numa coisa meio cáfica, né?

?Voz A

Pô, eu ouvi falar, mas não vi.

?Voz B

Agora eu fiquei espantado. Eu ouvi falar, mas não vi.

?Voz A

Tem muitos clássicos que eu não vi.

?Voz B

Não, esse, esse é obrigatório, tá? Eu não sei onde tá, qual streaming aí tá, mas...

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