Brazil, meu Brasil brazileiro
O patriotismo é o último refúgio de um canalha... por trás dos simbolos nacionais existe muita história e, normalmente, não é aquela que aprendemos no ensino básico. O poder emana do povo, mas é mano dos poderosos.
- Linguagem e escândalos em BrasíliaIpiranga · Desigualdade social · Aquarela do Brasil
- Questão de soberania brasileiraDom Pedro II · Dívida com o Reino Unido · Tratado de Methven · Independência da Bahia
- Bandeira do Brasil na varandaDinastia de Avis · Família Bragança · Herança maldita
- Nome Brasil ParaleloPau-brasil · Cor de brasa
Outra coisa interessante, 25 de março foi a data da primeira Constituição brasileira pelo Dom Pedro I, que na realidade ele tinha montado uma Assembleia Constituinte, depois ele mandou todo mundo para casa do cão e fez a dele. O primeiro golpe que o Brasil deu foi ele. Outra coisa que Dom Pedro I fez, além de levantar uma espada e gritar independência ou morte, Na realidade, o Brasil não ficou independente quando isso aconteceu.
O Brasil ficou independente de Portugal quando Dom Pedro I obrigou o Brasil a assumir uma dívida que Portugal tinha com o Reino Unido, por causa do Tratado de Pano e Vinho, Tratado de Methven. Então o Brasil, de um dia para o outro, você tá livre, mas você deve 2 milhões de libras esterlinas, que na época era uma coisa impagável. Tanto que o Reino Unido sugou a nossa alma durante quase 100 anos por causa dessa dívida. Então o Brasil nunca decolou, nunca, porque na hora que ele foi virar um país, o Dom Pedro I enfiou conversar com ela.
Eu lembro quando eu era criança, eu gosto muito de coisas de criança, quando a professora falou: não, o cara levantou a espada e disse independência ou morte e ficamos independentes. Eu era criança e falei: professora, peraí, mas é só isso? Não teve guerra? Não, só isso. Ela não falou da guerra que teve no Nordeste, a independência da Bahia, né, 2 de julho e tal e tal. Falou nada disso. Aí eu falei assim: mas professora, esse Dom Pedro, a senhora não disse que ele era português?
Era um português, fez a independência do Brasil. Você tá querendo que eu acredite nisso, sabe? É, mas isso não pode, não faz sentido. Eu era criança. E depois que eu cresci, fui ler alguns livros, né? Entre eles alguns livros do Laurentino Gomes, que é um que eu acho ele muito bom, explicando isso. Dom Pedro I obrigou o Brasil a assumir uma dívida que na realidade o Brasil nunca conseguiu pagar, que é uma dívida impagável, mas ficou com a alma vendida para os ingleses.
Tem aquela história do Cabral também que ele desviou da rota, acabou caindo aqui, que era tudo mentira, né? E na verdade eles já conheciam, já sabiam. Então eu não sei, mas eu lembro de ter lido alguma coisa no primário, a gente aprendia, ah não, ele estava a caminho das Índias e acabou escorregando, se perdeu. Pera aí, mas as Índias fica pro outro lado, né?
Exatamente.
E aí depois eu fui ler algumas coisas mais sérias que detonavam essa hipótese, né?
Que outra coisa que é muito absurda, que antes disso já pegava-se pau-brasil aqui. Pau-brasil é uma árvore que dá o nome do nosso país e quase nenhum brasileiro sabe o que que é um pau-brasil, porque ela quase foi à extinção.
Que vem da brasa, né?
É isso? É, que tinha cor de brasa. Você arranca a casca, ela é vermelha como brasa, por isso que ela é Brasil. E aí essa árvore do Brasil, o pau-brasil, quase chegou à extinção porque ele foi levado para Europa durante 3 séculos para fazer uma tinta vermelha para pintar os tecidos de vermelho. Então assim, os tecidos vermelhos durante 300 anos na Europa eram vermelhos por causa do pau-brasil, inclusive as bandeiras. Aí vem um Collor e fala, nossa, a bandeira nunca será vermelha.
O país chama Brasil e a bandeira não é vermelha. Tem alguma coisa a ver de Brasil nessa bandeira do Brasil. E a outra coisa, a bandeira do Brasil, ela é amarela, veio da da bandeira do Império, verde e amarela, né, com losango amarelo. O amarelo por causa da família da Leopoldina, a dinastia de Habsburgo, e o verde a família Bragança, a família que mais mal fez para o Brasil. Então essa bandeira do Brasil verde, o verde, aquele verde da bandeira do Brasil é da família Bragança.
É uma herança maldita que a gente tem. Eu desde criança te falo também, desde criança eu falo, professor, essa bandeira não é do meu país. Desde criança eu não admito que essa bandeira seja do país, porque ninguém fez mais maldade para a gente do que os Bragança. E esse verde é o verde da família Bragança.
Numa das pautas você falou de querer falar sobre o hino nacional.
É, o hino nacional também é uma coisa que desde criança eu não concordo. Assim, a música sim, agora a letra fala de que país? Tem uma parte que fala—
Uai, Ipiranga, pô!
Sim.
O Ipiranga, mano!
Ouviram do Ipiranga? Primeira coisa, você chega para uma pessoa e fala isso, a pessoa não sabe o que significa. Inclusive eu saí com o chefe de redação do Estadão Na época da coisa pra mostrar pras pessoas o que elas entendiam do hino nacional. Aí o cara falou assim: Nossa, você passa uma menina na rua, você fala: Nossa, que menina agarrida! Aí a menina: Agarrida é sua mãe! Não, que agarrida é uma menina bonita, você entendeu?
Usando palavras, essa coisa. O que mais me irrita é o seguinte: ouviram Dois Pirangas Margens Plácidas? Fala de uma suposta independência do Brasil que um português teria feito, que não fez. A gente acabou— acabei de falar, ele obrigou a gente a assumir uma dívida com o Reino Unido. O resto do hino fala de um país que não existe. Quando ele fala, se o penhor dessa igualdade conseguimos conquistar com braços fortes, pelo amor de Deus, tá me gozando?
Quando que esse país foi igual? Esse é o país mais desigual do mundo. Aí fala, se o penhor dessa igualdade conseguimos conquistar com braços fortes, verás que o filho teu não foge à luta. Vai pro inferno, cara! Que mentira, que mentira, sabe? Ele fala de um país que não existe. O hino brasileiro, se você ler do começo ao fim, você fala, bom, e o Brasil? Onde é que ele tá nisso?
Sempre que eu ouço o hino, Eu falo assim, pô, um dia vão trocar por Aquarela do Brasil. Sim. Não seria mais legal?
Mais legal!
Que tem mais a cara do país, né?
Sim, e outra coisa, quantos compositores fantásticos tem o Brasil? Troca essa letra, põe uma letra que fala da nossa realidade.
Eu lembro que quando o Terry Gilliam, né, que era do Monty Python, ele fez o Brasil, aquele filme, você lembra desse filme?
Não, não assisti não.
Você não lembra? Não. Assista, cara, assista que é muito legal. E toca Aquarela do Brasil, né?
Sim.
E ele, acho que numa entrevista, falou, mas por que você chamou de Brasil? Não sei, que era um paraíso distante e tal. E é um filme todo centrado numa coisa meio distópica, sabe aquela coisa assim burocrática, onde os erros vão se sucedendo e o cara acaba caindo numa coisa meio cáfica, né?
Pô, eu ouvi falar, mas não vi.
Agora eu fiquei espantado. Eu ouvi falar, mas não vi.
Tem muitos clássicos que eu não vi.
Não, esse, esse é obrigatório, tá? Eu não sei onde tá, qual streaming aí tá, mas...