Episódios de Pauta que o Pariu

Pra bom entendedor...

31 de julho de 20264min
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Pra bom entendedor meia palavra basta, mas quem sofre com a dissonância cognitiva qualquer palavra é bosta. Quanto maior a ignorância, menor a chance de você ser compreendido e as chances de ser mal interpretado serão ainda maiores. Enfim, não há inteligência que resista àquilo que se perde no meio da tradução.

Assuntos3
  • Carisma Lula Bolsonaro Filhos· PoliticaLula · Renato Tapajós · Lulinha Paz e Amor
  • Dissonância Cognitiva e Falsa HarmoniaDissonância Cognitiva · Lula · Bolsonaro
  • Lula e TrumpDonald Trump e a NASA · Lula
Transcrição31 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Eu sou muito chato de ficar citando esse negócio toda hora que chama-se dissonância cognitiva, que é um troço que eu aprendi na faculdade de publicidade, que é você tentar convencer o cara que consome o ACD a comprar o concorrente, porque o cara tem aquela imagem formada e não vai mudar nunca. Como é que você convence uma pessoa que tem problemas de dissonância cognitiva? Que ela não vai mudar de ideia, não vai entrar na rede nunca mais, porque tá traumatizado.

?Voz B

Porque o mundo da rede é o mundo virtual, né?

?Voz A

Eu prefiro viver o mundo real. Não, tudo bem, era só um gancho. Mas como é que a gente trata condicionância cognitiva?

?Voz B

É muito difícil, porque é o seguinte, eu acho que para as pessoas é cômodo, as pessoas acreditam no que querem acreditar. Vamos supor que a pessoa não goste do Lula. Não gosta porque não gosta. Alguém fala: o Lula cometeu tal crime. É mesmo, ele não presta. Ele quer acreditar naquilo, não interessa a verdade.

?Voz A

Mas então, em 2002 houve uma inversão disso, né? Quer dizer, ele tinha essa imagem do sapo barbudo, do Brizola, né? Que é aquele sindicalista, aquela coisa bem radical, PCO, né? E ele conseguiu mudar essa imagem, conseguiu...

?Voz B

Lulinha paz e amor.

?Voz A

Lulinha paz e amor, conseguiu fazer a população se apaixonar. Eu lembro de ter feito um vídeo em 2002, 2003, para uma rede de supermercados de fora, usando o Lula como tema motivacional para os funcionários. Olha, você pode chegar lá, você pode ser presidente.

?Voz B

Eu acho assim que o Lula apanhou muito, né? E ele evoluiu. Hoje ele é um cara que tem muita cultura por causa da experiência de vida dele. E depois, quando ele virou do sindicato, começou a negociar, eu acho que ele foi aprendendo.

?Voz A

Ele tem uma cultura bem acima do que a gente tá acostumado a ver ele falando errado, etc. Não sei se é verdade, mas eu conheci um cineasta chamado Renato Tapajós.

?Voz B

Ele fez alguns, ele fez uns filmes na época das grandes greves, 79, 80, 81. E ele me falou uma coisa, ele falou assim, Lula é uma coisa impressionante.

?Voz A

Carisma?

?Voz B

Não, a inteligência que ele tem.

?Voz A

Sim, sim.

?Voz B

Ele falou assim, o Lula ia entrar num, ia fazer um comício. Antes de entrar no comício, ele queria saber sobre um assunto. Aí ele conversava com ele, isso é isso, isso é isso. E ele ouvia, ouvia. Aí ele falou, isso aqui. Pronto. Aí eu, tá bom. Ele subia no palanque e falava com tanta inteligência, com tanta propriedade, sabe?

?Voz C

Onde que ele tirou isso?

?Voz B

Uma vez, eu tenho um amigo que não tem simpatia pelo Lula, tem críticas ao Lula, vota no Lula quando precisa, né?

?Voz A

Entre Lula e Bolsonaro, não tem outro, mas ele tem antipatia.

?Voz B

E aí um dia eu trabalhava na TVT e na inauguração do sinal para São Paulo, o Lula foi lá fazer um— ele fez um pronunciamento sobre TV pública. Cara, eu sou da área, eu estudei comunicação social, eu nunca vi nenhum professor universitário falar com tanta clareza, tanta lógica e tanta inteligência sobre TV pública na minha vida. Eu liguei pra esse amigo meu e falei assim, cara, você não gosta do Lula?

?Voz C

Você tem que ouvir o que ele tá falando aqui, esse cara é muito foda.

?Voz B

Ele tem a capacidade cognitiva que ele tem, ele é gênio sob esse aspecto, é um dom que ele tem. Que ele é assim porque estudou, não, é um dom que ele tem.

?Voz A

Não, mas eu vou usar como exemplo meu pai, pô. Meu pai tinha, ele veio pra cá pro Brasil com 5 anos, de Portugal, e ele conseguiu completar o primário, escrevia ali, ele tinha uma informação, ele foi marceneiro, foi serralheiro, teve uma empresa de brinquedos de parque infantil, antes de se aposentar ele chegou a trabalhar na FEI, ele conversava assim com engenheiro, de cara pau a pau com os cara, era um louco, né, e falava errado.

Meu pai era o Lula, cara, só que hoje talvez ele votasse no Bolsonaro, mas ele era o Lula, na época ele era pró-ditadura, deu a Aliança para o Bem do Brasil, do Brasil, aquelas coisas todas. Mas é o mesmo exemplo, cara. Então assim, a gente deve ter um monte de joias da coroa aí, né?

?Voz B

É porque cultura e inteligência são duas coisas diferentes, né?

?Voz A

Não, e erudição e inteligência são coisas diferentes, né?

?Voz B

Às vezes o cara é muito erudito, não tem discernimento, não tem capacidade crítica, nada, né? O Lula, eu acho ele um cara impressionante, cara. E ele, quanto mais velho fica, mais doce, mais negociador. Mais maduro, sabe? Ele sabe quando ser duro, ele sabe. O próprio Trump, ele conquistou o Trump e o Trump foi jogador, ele jogou duro também.

?Voz A

Engraçado, né? Porque o Trump é ao contrário, né? Quanto mais velho, mais estúpido, mais turrão ele fica.

?Voz B

O Trump é mafioso, né? É criminoso. Ele governa um país pra ele ficar rico.

?Voz A

E pra quê, né? Quer dizer, o cara vai morrer daqui a pouco.

?Voz B

É, já tá no bico do corvo querendo ficar rico.

?Voz A

Não entendo isso, cara.

?Voz B

Não dá pra entender.

?Voz C

Ei, volta aqui, ô pariu! Volta aqui, ô pariu!