Roubo de Celular já faz parte da história de São Paulo
Pois é, poderiamos falar da Praça da Sé, da origem dos bairros da cidade ou até no papel da revolução constitucionalista na história de São Paulo mas, fato é que, de uns tempos para cá nossa cidade está tão famosa quanto Londres no fornecimento de matéria-prima para o crime. Somos o créme de la crime!
- Roubo e Furto de CelularesRoubos diários no Brasil · Rastreamento de celular roubado · Santa Ifigênia · Retematização de atrações na Ásia (Xangai, Hong Kong) · Bloqueio de IMEI · Segurança pública e uso de celular
- Historia do FrevoRevolução Constitucionalista de 1932 · Edifício Martinelli · Lenda do Chaguinhas e o Bairro da Liberdade · Chaguinha · Rua 23 de Maio
Você tava me falando do seu interesse em fazer coisas sobre São Paulo. Isso, isso. E aí você tava traumatizado porque aconteceu um episódio que você ficou puto e falou, não quero mais fazer.
Eu tenho um amigo, um excelente produtor de televisão chamado Alando Santos.
Não é aquele, né?
Não, não, não, não, é homônimo, pelo amor de Deus. E aí ele falou comigo e assim, Bruno, a gente, você conhece tantas histórias interessantes sobre a cidade de São Paulo, vamos fazer uma série para colocar na rede social, sabe, o Viaduto do Chá, 24 de Março. Não, não quero. Aí eu falei, eu, vamos, vamos fazer, mas eu não vou pôr nada, eu não vou mexer com rede social. Ele falou, não, deixa que eu resolvo, eu faço. Então eu tava com um celular velho, falei, então já que vai fazer essa série, eu preciso trocar de celular, vou comprar um celular novo e vou fazer essa série.
Episódios de 1 minuto, 2 minutos, escrevi 10 roteiros prontos só para chegar e fazer.
Ah, vamos fazer então, mas vamos, vamos, vamos. Tô com saco cheio de vir aqui no Morro da Boa Vista carregando equipamento, sabe?
Pois é, tem que tirar o sapato. Mas aconteceu uma coisa seguinte, que eu fui fazer um episódio sobre 23 de Maio.
Tá. Na 23 de Maio? Não. Não. Ali perto.
O dia 23 de Maio, porque existe esse dia 23 de Maio de 32, que tem o nome de uma avenida e tal?
Morreu aqueles 4 lá que a gente teve que decorar, Martins, Amélia, Grauza e Camargo.
Eram os estudantes fazendo uma manifestação contra o Getúlio Vargas, eles saíram da Escola de São Francisco, foram pela Barão de Itapetininga, atravessaram Viaduto do Chá, foram à Barão de Itapetininga até a Praça da República. E ali a guarda de Getúlio Vargas acabou atirando nos estudantes. Eu tava contando isso, passou um cara de bicicleta e levou o meu projeto embora.
Caramba!
Acabou o projeto.
E você desanimou?
Eu desanimei e fiquei muito triste porque assim, são muitas histórias legais de São Paulo. Que a gente podia ter contado e que perdeu. Tem umas histórias muito legais, tem história, por exemplo, do Edifício Martinelli, que o Giuseppe Martinelli, tá lá no centro, as pessoas podem ir lá visitar, acho que pode adiantar.
Sim, sim, eu passo sempre por ali.
Ele era um fascista naquela época, todo rico era fascista.
Martinelli!
Ele ficou rico na Primeira Guerra porque tava com problema de levar alimentos, transportes para Europa, ele conseguiu uma frota de navios, ele fazia esse intercâmbio. E a família dele original, ele era açougueiro e pedreiro. Então ele falou, não, vou fazer o maior arranha-céu de São Paulo. Ele fez um prédio de 14 andares e ficou muito polêmico. Dizem que ele no fim de semana ia lá virar laje, ele próprio. E depois, quando chegou aos 14 andares, ele falou, não, esse troço tá pequeno.
Ele pegou e aumentou para 25 andares. Tanto que o Mottinelli tem uma arquitetura até uma parte, depois ele tem outra. É um prédio lindo.
Sim, é lindo.
E as pessoas falaram que o prédio ia cair. Imagina um prédio dessa altura e tudo. Então, para provar que não ia cair, ele construiu uma casa em cima do prédio. Você entendeu?
Eu cheguei a gravar lá, gravei um vídeo para o Bradesco lá.
É fantástico. Então assim, é uma casa, é uma casa, não é um apartamento. Tem uma casa em cima do Martinelli. Se você tá de outros prédios olhando assim, e é uma casa linda. E é muito engraçado, tem várias histórias, são umas histórias muito longas da Liberdade ali, onde que é o bairro da Liberdade. Era o cemitério, ali era o cu da cobra. Cemitério de pobre, né, de preto, de gente pobre, porque os ricos eram enterrados nas igrejas.
E ali também era o Largo da Pólvora, onde é que ficava a guarda, né. Largo da Pólvora existe até hoje, era o paiol de pólvora da cidade. Também ali onde tá a Igreja dos Enforcados ficava a forca, e todo mundo que fazia coisa errada, forca, forca, forca. E aí em 1821, um moleque da Marinha chamado Francisco José das Chagas, uma coisa assim. Ele participou de uma rebelião, numa greve lá no litoral, então ele foi condenado à morte.
É um menino preto que ele era aqui de São Paulo, cresceu naquela região, era o Chaguinha, o famoso Chaguinha e tal. E agora ele era um homem, foi condenado à morte. Todo mundo foi assistir, puseram ele na corda, puff, ele não morreu. Aí, peraí, cara, ele não morreu, não pode mandar, cala a boca, cala a boca. Puseram ele de novo, puff, ele não morreu. Aí o pessoal, que é isso, não pode, solta o cara, liberdade, liberdade, liberdade pro Chaguinha, liberdade!
E aí virou o nome do bairro.
Seria o nome do bairro ter virado por isso. Depois eles acabaram matando o Chaguinha. E é muito doido que, acho que não foi na terceira ou na quarta vez, eles pegaram um cinto e mataram o Chaguinha. E tem a capela onde era o cemitério, existe até hoje. Você na Liberdade, você desce ali na praça onde tem o metrô, Tem a Alvão Bueno, você desce no sentido da Glória, primeira rua à direita é uma rua sem saída, ali tem uma capela que tava até em restauração.
E nessa capela tem uma imagem do Chaguinha, porque depois que isso aconteceu as pessoas começaram a venerar o Chaguinha e dizem que as pessoas acendiam velas no altar e podia chover e ventar que elas não apagavam. Aí começou a aparecer essa coisa mística em torno do Chaguinha. E o mais louco que, pelo que eu lembro, eu vi a imagem do Chaguinha nessa capela e o Chaguinha da capela era branco. Ele não é. O Chaguinha era branco.
É que nem o Cristo.
Clarearam o cara.
O Cristo da Universal, né?
É, é mais ou menos bom de tudo, né? É, eles deixaram aí caucasiano, né, o Jesus Cristo original. E bom, o Chaguinha. Então é uma coisa muito interessante, várias histórias. A 25 de Março, a 25 de Março chamava Rua das 7 Voltas, que o Rio Tamanduateí passava por ali e fazia 7 voltas.
Pô, Bruno, vamos fazer isso aí, cara, vamos gravar. Sim, a gente pega um celular assim que amarrado, amarrado com cabo de aço, que esse assunto do celular celular também é outra coisa que é outro, é um trauma da cidade. E aí eu descobri também que Londres, por exemplo, não escapa disso também, virou, virou uma coisa internacional.
Eu tenho uma amiga que foi roubada esperando ônibus em Londres. No Brasil, eu li outro dia que são 2.500 roubos de celular por dia no Brasil.
Não, minha esposa teve um celular roubado e aí eu monitoro, né? Assim, eu consegui acompanhar durante umas 2 ou 3 semanas o itinerário do celular até que ele foi O último lugar aqui em São Paulo foi numa delegacia do DENARC, na frente do DENARC. Eu não posso dizer porque não tava dentro da delegacia, mas estava próximo. Ele viajou pela Rua Vitória, pela região da Santa Ifigênia, os lugares que são clássicos.
É, Rua Goiânaz ali.
É, eu cheguei a falar com policiais, ele falou, ah, isso daí tem muito lá, é difícil de encontrar, a gente já deu várias batidas. É uma ilha. E aí o último lugar que foi encontrado foi em Hong Kong. Aparece lá, você vê o mapinha lá. Quando eu pesquisei na internet, tem um monte de casos parecidos. E o caso de Londres é típico, porque todo celular que é roubado lá é mandado pra Hong Kong, cara. Sim. Porque lá eles têm um esquema, por exemplo, iPhone você consegue bloquear de um monte de jeito, você não consegue mais, se você não tirar a tua senha, tirar a tua conta.
Dificilmente o cara vai conseguir reabilitar aquele celular. Mas aí lá em Hong Kong eles conseguem fazer de um jeito, como eles não estão vinculados aos Estados Unidos, às regras, etc., eles conseguem recuperar e vender esse celular lá.
Aliás, eu entendi, mas de qualquer forma é uma coisa muito importante as pessoas saberem, quer ver? Você precisa, quando você for roubado, você precisa ligar para a companhia telefônica para cancelar IMEI, né? IMEI não, IMEI do seu celular. Então, para você saber o IMEI do seu celular, você clica asterisco jogo da velha 06 jogo da velha.
Pronto, você conseguiu!
Aí você tem o número do seu IMEI, aí você printa, manda ele, guarda ele, ou manda para o seu próprio email. Email do meu celular tal. Aí você, se você for roubado, você liga para a companhia telefônica e dá esse número. Quando você der esse número, a pessoa vai lá e cancela o seu telefone para sempre.
Aí tem o serviço também. Ele vira um tijolo. Tem o serviço do gov também que funciona.
Ah, tem o celular seguro, né?
É, celular seguro.
Eu tenho esse aplicativo.
Quando eu acionei, eles já bloquearam a conta que ela tinha num banco, etc.
Ela disse que tinha celular seguro.
Isso aí. Isso funciona, gente.
Celular seguro, isso é muito bom.
Agora, o grande problema às vezes é que o cara faz você botar a senha, entendeu? Eu tive, por exemplo, os caras tentavam entrar em contato comigo com o celular da minha esposa pedindo a senha. Aqui é da Apple, não sei o quê, eles fazem um jeito para você. Tem muito cara, eu não dei, né, eu fiquei fuçando ali, fiquei acompanhando, mas tem gente que dá a senha errada porque na terceira vez que o cara clica a senha errada ele já bloqueia tudo.
Melhor coisa, você muda todas as senhas, muda a tua conta, etc. Mas é um saco ter que fazer isso, né, cara?
Nossa Senhora, e custa caro, né?
Não, e é um estresse do cacete, né?
Ei, volta aqui, o pariu! Volta aqui, o pariu!