Episódios de Pauta que o Pariu

Inteligencia Artificial ou Burrice Natural?

27 de julho de 202612min
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E não é que a bolha da IA já começa a estourar? Enquanto parecia divertido produzir memes com atores mortos interagindo com a sua versão mais jovem, tudo parecia um paraíso. Mas bastou alguns especialistas de fato se dedicarem ao assunto pra casa cair. Já não se trata mais de uma “ferramenta" para facilitar a vida das pessoas, mas de um instrumento de tortura moral para controlar a vontade popular. 

E são sempre os mesmos especialistas que proporcionam um pouco de bom senso às situações de vacas indo par o brejo. Caiu um avião? Os responsáveis nunca são responsabilizados. E ai cabe à midia tradicional buscar a opinião de algum pesquisador, que está há anos estudando o assunto, que nunca foi chamado para participar de algum projeto em que seria muito mais útil do que um indicado por motivos políticos. 

Sim, porque esse tipo de pessoa jamais cederia aos interesses materialistas de quem visa apenas o lucro. Enfim, as pessoas começam a se dar conta de que a IA nada mais é do que um produto criado por seres humanos que simplesmente encontraram um atalho para manipular opiniões. Pessoas muito mais interessadas em resultados do que na verdade. 

Assuntos8
  • Desafios e Oportunidades da IADetecção de autoria em trabalhos · Curso no Reino Unido · Tempo e dinheiro perdidos
  • Producao MusicalMúsica para podcast 'Alta que o pariu' · Arranjo e voz humana · Comparação com gravadoras dos anos 70/80
  • IA e Arte: Ferramenta ou Ameaça?Autenticação inválida em prédios · Expectativas sobre IA · Nicolelis
  • O Papel da Arte e da CriaçãoTransformação de fotos em personagens · Evolução da produção musical · Técnica de sampling em música · Desemprego iminente na área criativa
  • Criatividade e desenvolvimentoIA como ferramenta criativa · Mau gosto e IA · PowerPoint do Deltan · Identidade artística
  • Virada Cultural SPNetflix e Nárnia · Pesquisa de mercado · Sugestões do Google Gemini
  • Ética e responsabilidade da IARespostas de e-mail · Composição musical e escrita · Dramaturgia
  • IA e a evolução das planilhasVisiCalc · Facilidade de cálculo
Transcrição26 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Ok, então o nosso tema agora é inteligência artificial, que é uma coisa que vai mudar o mundo, que tá cada vez mais burro naturalmente. O que que você acha, Bruno? O que que tá acontecendo? Eu me inspirei a falar sobre esse tema porque eu tava outro dia passando ali, descendo uma ladeira, e eu vi uma menina perdida tentando entrar num prédio. E a resposta do sistema é que a autenticação tava inválida, etc. Ela não conseguia falar com ninguém.

Esses prédios são todos controlados fora do ambiente, não tem um zelador para quebrar o galho, não tem ninguém para ajudar. E aí, qual o futuro da IA, né? Tem dois lados aí, é uma faca de dois legumes, né? Como é que vai funcionar isso?

?Voz B

Esse negócio da inteligência artificial é uma coisa que tá mudando muito o mundo, mas também existe muita expectativa diante disso. Eu acho que ainda é muito cedo. Eu sei que alguns cientistas, como Nicolelis, ele ironiza esse negócio. Aliás, isso é uma bobagem. Ao mesmo tempo, é muito surpreendente, porque você pede para um chat desses: faça uma imagem do Trump beijando não sei quem na boca.

?Voz A

Ele faz.

?Voz B

Você pediu uma música para o nosso, para o nosso—

?Voz A

Exato. Então, deixa eu te falar, porque é o seguinte: aquela primeira versão da música que eu pedi, eu tinha escrito uma letrinha falando de bobagem, coisas que a gente ia comentar, etc.

?Voz B

e tal.

?Voz A

E aí a inteligência artificial criou em cima daquilo. Ontem eu não tava com saco, eu falei assim: eu quero uma música para um podcast chamado alta que o pariu. E ficou isso aqui.

?Voz B

Tem um arranjo ótimo, não é? Bem cantado. Quer ver?

?Voz C

Chega mais, puxa a cadeira, tem assunto para esquentar. Na xícara uma ideia inteira e um jeito novo de olhar. Pelo meio da conversa vai pintando a direção. Se a pauta virar promessa, a gente entra no Vai deixar rolar que hoje a fala vem. Se a dúvida chamar, a gente chama também. Ei, falta que o pariu, falta que o pariu!

?Voz B

É fantástico, não é? Ó, olha o arranjo, a voz, a voz da pessoa, a voz extremamente humana.

?Voz A

Sim, e eu lembro que parece coisa da trama, lembra da gravadora do filho da Elis? Que todas, tem uma época que ele soltou tanto grupo que era tudo meio parecido, né? Os arranjos eram parecidos, me lembrou isso aí, cara.

?Voz B

É impressionante.

?Voz A

E eu fiquei assim, eu fiz outra vez também, outro dia, uma brincadeira com, eu pedi para pegar aquela foto que tinha nós dois e falar, eu quero que vire os velhinhos dos Muppets, aqueles velhinhos ficavam reclamando no balcão do teatro, que eram engraçados, e que era o que me inspirou a fazer isso aqui, o que é essa coisa do sarcasmo, né, do bom humor e tudo mais. E ele fez isso aqui, ó, que vocês estão vendo. Então assim, que eu pensei o seguinte: imagina que na década de 60, 70, você tinha que levar uma turma para um estúdio, né, com instrumentos, cada um tocava um instrumento diferente, etc.

Naquela época ainda era gravado todo mundo junto, tal. Depois que foi evoluindo, já era possível gravar vários canais, vários instrumentos separados, tal, tal. Aí na década de 70, 80 começou já o sampler, né? Então músico, tchau, eu vou aqui fazer no meu negócio, tal. Aí começa assim, década de 90, entrada do milênio, tal, pessoal já começava a mixar em casa, já começava a usar bancos de sons, né? Eu mesmo tive essa oportunidade, já trabalhei com trilhas, etc. Então ficou, o desemprego é iminente.

?Voz B

Eu conversei com o filho do Jairzinho, o Jairzinho, ele tinha, não foi com ele, foi com o cara da produtora dele, e ele fez uma trilha para um produto, é um plano de saúde, não sei, uma trilha linda com 130 instrumentos. Aí quando eu entrevistando ele, eu falei, pô, mas você não tirou emprego de um tanto de gente? Porque ele fez tudo sampleado. Ele falou assim, tá bom, mas aí o cliente pediu para mudar uma frase. Como é que eu vou reunir cento e tantos músicos para fazer?

Então tem que pensar na vida prática. Agora tem outras coisas, por exemplo, assim, que eu acho difícil. Eu vou dar um exemplo. O meu filho trabalha na universidade no Reino Unido. E aí ele trabalha no setor de RH, ele quis melhorar a posição dele, então ele fez um curso caro, pago em libras e tal. E esse curso ele tinha que passar por 7 provas. Até a 4ª foi ótima, da 5ª em diante ele entregava e recebia: isso não foi você que escreveu.

Ele falou: claro que fui. Então ele pegava o texto e estragava o texto que ele escreveu, e a inteligência artificial lia o texto dele e falava que não era ele. Ele falou: gente, fui eu que escrevi, pelo amor de Deus. Aí um dia ele falou: agora chega no meu saco, Aí você falou com a orientadora, você não vai ficar fazendo isso, sabe? Perdi meu tempo, perdi meu dinheiro, porque eles pedem a inteligência artificial avaliar se eu escrevi, foi escrito por mim ou por inteligência artificial.

Então assim, foi um problema muito grave. E aí ele ficou triste, levou uns 6 meses para finalmente eles se convencerem que foi um ser humano que escreveu, e aprovaram, e ele recebeu o diploma que ele tanto queria. Mas ele levou 6 meses e uma inteligência ou uma burrice artificial barrava o que ele fazia, entendeu? Acho isso muito grave.

?Voz A

Então, Bruno, mas é o seguinte, o que eu percebo é que tá havendo uma pasteurização da cultura da informação, né? Eu percebo, por exemplo, que a Netflix produz muita coisa com base na audiência, né? E assim, eu que trabalhei com pesquisa durante muito tempo, eu sei que as pessoas não sabem o que elas querem. Você faz a pesquisa achando que você vai tirar dela aquilo que ela deseja, mas você não tem essa ideia. Então assim, as pessoas não estão preocupadas.

Então assim, o perigo da inteligência artificial vai ser pasteurizar cada vez mais essa informação. Dá uma olhada no que eu te mandei dos nomes que o Google, o Gemini, sugeriu para gente, para o nosso programa.

?Voz B

Ó, dupla dinâmica da notícia. Clássico, ágil e focado na parceria dos dois. Resumo sem filtro. É, passa a ideia de um compilado das principais notícias do dia sem amarras. Giro cômico, uma alusão ao tradicional giro de notícias com muito bom humor. É isso, ele tá trabalhando dessa maneira.

?Voz A

Ele trabalha com o que é abastecido para ele, né? Então assim, ele vai, ele faz uma, é óbvio que isso vai melhorar, né? Depois eu fiquei em casa pensando assim e deu o que os publicitários chamam de insight, sei lá o quê. Eu tava com cafeína na cabeça, não sei o que aconteceu. Eu soltei todos esses nomes aqui e depois mandei pro Bruno, mas isso veio na minha cabeça como se fosse um, como se tivesse baixado um santo, né? Então, Mesa pra Dois, Podcast, Terapia Ocupacional, Culpacional, Neurônios em Férias, literalmente Papo com Buraco, Pauta que Pariu, Que é o que virou.

Conversa, papo inviável, conexão mandaqui, cafeína sem café, sociopatas, jornaleiros, feijoada mídia. Então, Bruno, pra onde a gente vai, cara, com a inteligência artificial? Nós, eu assim, eu confesso que já aconteceu de um cliente mandar, eu sou locutor, roteirista, ou seja, estou duplamente desempregado, né? Eu recebi um vídeo de um cliente e ele tinha lá um X que era, e ele falou assim, ó, eu gastei isso pra fazer o vídeo.

Inteiro. Aí eu falei, você quer que eu faça mais barato do que isso, Alucão? Ele nem respondeu, entendeu? Então assim, a coisa tá, já tá aí, tá batendo na porta.

?Voz B

É porque tá afetando a arte. A gente viu até uma série e que a Salma Hayek, ela tá, ela, ela não existe, aquela mulher que tá lá não é ela, mas usaram ela.

?Voz A

Black Mirror, é uma série da Black Mirror, eu acho.

?Voz B

Então assim, e voz de locutor, né? Inclusive assim, quando você, muitos golpistas ligam para você, você fala alô, Eles já pegam o tom da sua voz e são capazes de mandar uma mensagem sua para alguém do seu ciclo pedindo dinheiro, entendeu? Usando a sua voz, só você falar alô. Então é realmente muito sério, é questão de locutores. Esse cara cantando Pauta Que Pariu, a voz dele é linda, não é? É extremamente humana, sabe? E ele não existe.

É muito assustador. Agora, como o Nicolelis e outros cientistas falam assim, é bom, mas não é isso tudo. Isso não vai dar em tanta coisa assim como se espera. E eu espero que não dê tanta coisa assim. Realmente está emburrecendo as pessoas, porque as pessoas estão ficando especialistas em pedir a IA, não em pensar. Eu vi um estudo muito impressionante, acho que foi de uma professora que mandou as crianças fazer trabalho. As pessoas fizeram o trabalho, todos tiraram nota boa.

E depois, quando ela foi conversar sobre outros assuntos, ninguém sabia aprofundar em nada. E um aluno que não usou era, talvez não tenha tirado a melhor nota, mas é o que mais sabia do assunto. Porque a inteligência artificial está tornando as pessoas humanas menos inteligentes ou menos cultas.

?Voz A

Então, eu acho o seguinte, eu acho que o criativo ele vai ganhar uma bela ferramenta, cara. Assim, se você tiver ideia, é óbvio, eu vi uma palestra de um chinês que é ligado à tecnologia, etc., falando sobre isso, né? Se você tiver mau gosto, com ou sem inteligência artificial, você vai fazer uma porcaria. E eu percebo isso já da época que o pessoal tentava montar um PowerPoint. Você lembra, né? Aquele PowerPoint do Deltan. O que que era aquilo?

Horroroso do ponto de vista estético, né? Fora o conteúdo. Então eu acho que tem uma esperança aí. Quer dizer, você vai ter pessoas que têm alguma bagagem que vão conseguir fazer coisas legais. Mas é o que eu falo, você vai ter muita porcaria, muita coisa sendo feita que vai ultrapassar o mau gosto. Uma coisa você ter um Andy Warhol, por exemplo, que ele fazia umas coisas que eram simples, né? Eram colagens, eram alterações de coisas, mas tinha uma identidade ali. Aí se você vai tentar imitar aquilo, já não é a mesma coisa, né?

?Voz B

Eu particularmente, eu não acho graça, eu não uso. Eu escrevo muito, né, por causa da minha profissão, escrevo. Jamais pensei cansei de perguntar alguma coisa para o ChatGPT, a não ser a ortografia de uma palavra ou outra, assim, tal, escolher como é que escreve tal palavra. Às vezes você dá um branco, né?

?Voz A

Sim, sim, eu acho que o corretor ortográfico é ótimo.

?Voz B

É só isso que eu uso. Eu acho absurdo usar alguma coisa. Não, agora profissionalmente, assim, eu conheço pessoas que têm que responder 50 emails por dia. Então ele passa a ordem para o ChatGPT, ele responde com toda formalidade necessária, ele relê, conserta uma coisa ou outra. Sim, aí sim é uma praticidade, que são coisas formais, não são obras de arte. Agora, o cara compor uma música, escrever um livro, escrever uma história, escrever um romance, fazer uma dramaturgia de um espetáculo pela IA, eu acho isso deplorável.

?Voz A

É, eu acho que a gente chegou num ponto que, eu não sei quem falou essa frase, mas que tudo já foi feito, né? Então não tem nada novo para fazer. Então se você reúne tudo isso numa num grande, uma grande panela, você vai fazer uma sopa cultural ali e que pode ter um gosto palatável para todas as pessoas, né? Eu, por exemplo, sou de uma geração que eu lembro de ter manipulado a primeira planilha eletrônica, que era um VisiCalc, que era da Apple, né, ainda isso na década de 80.

Aquilo, meu, facilitou muito minha vida, porque você ficar perdendo tempo fazendo conta é ridículo. Então tem esse lado bom, mas aí eu queria chegar numa coisa, que a gente tá fazendo um produto aqui que teria que ser palatável para pessoas que estão nas redes sociais, e o Bruno odeia redes sociais, ele não faz mais parte de rede social, ele tá afastado das redes sociais, ele não quer voltar para as redes sociais, e eu não sei o que eu faço para convencê-lo de que ele tem que ter pelo menos uma conta fechada no Instagram pra ver o que a gente tá fazendo.

?Voz C

Ei, volta aqui, o pariu! Volta aqui, o pariu!

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