Episódios de Pauta que o Pariu

A morte dá spoiler?

23 de julho de 202610min
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A morte é um clichê. Como o imposto, ela é inevitável e não dá spoiler. Vem quando ninguém espera ou espera pra chegar de surpresa um dia. Mas ninguém morre na véspera.

Assuntos4
  • Experiências espirituais e visõesSíndrome de Tourette · Abraço de amigo falecido · Túlio Maravilha
  • Morte e viver plenamenteFantasmas · Espiritismo · Reencarnação
  • Precognição e intuição femininaSonho com cobra · Intuição materna · Cobra
  • Ceticismo e desconfiançaCérebro humano · Déjà vu · Extraterrestres · Donald Trump e a NASA
Transcrição74 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Por falar em morte, o que você acha que vem depois?

?Voz B

Nossa, no outro dia eu tava pensando nisso porque eu fui a Jericoacoara para um casamento e um rapaz tava me contando dos fantasmas que tinha na pousada que ele trabalhou. Você acredita? Não acredito, nem deixo de acreditar.

?Voz A

Sim, sim, sim, sim, entendeu?

?Voz B

Assim, eu acho que isso é um bom sinal, porque se existe fantasma significa que alguma coisa—

?Voz A

Você é um agnóstico então? É uma sensação que eu tive também muito muito, muito forte.

?Voz B

Eu fiz uma viagem com os amigos e um deles morreu num acidente afogado, e quem encontrou ele morto fui eu. Eu que tirei ele do fundo d'água e tentei fazer ele voltar, não consegui. Isso me deixou enlouquecido e eu me sentia culpado. Eu não sabia que ele não sabia nadar. Sim, e foi a primeira vez que ele viajou comigo, foram várias pessoas, e eu não sabia que ele não sabia nadar. Não deixaria ele sozinho nunca. Aí falaram, ele foi procurar um lugar para pescar E não apareceu, não apareceu.

Aí quando eu soube que ele não sabia nadar, eu saí procurando, enfim, encontrei ele morto. E isso me deixou muito abalado. Eu lembro que eu te falei que eu tenho síndrome de Tourette, nessa época eu tinha tanto cacoete que eu perdia fôlego e tal. E aí, coincidentemente, no dia da missa de sétimo dia, eu tava dormindo entre 8 da manhã, aí eu tava dormindo, minha mãe entrou no quarto e eu tava no, vamos dizer, o lusco-fusco, meio dormindo, meio acordado.

Eu não sei se você já sonhou com alguma coisa física que aconteceu, entrou no sonho. Por exemplo, vou te dar um exemplo. Um dia eu tava dormindo, meu irmão pingou água em mim.

?Voz A

Sim, isso é normal.

?Voz B

Eu sonhei que eu tava dentro do suvarinho.

?Voz A

Normal, normal, normal.

?Voz B

Então eu sonhei que—

?Voz A

o pessoal coloca a mão na água da pessoa, né?

?Voz B

É, aí aquilo entra no sonho.

?Voz A

Às vezes até urina.

?Voz B

É, é. Mas aí eu sonhei que eu encontrei um cara perto do antigo Cine Amazonas em Belo Horizonte.

?Voz A

Sim.

?Voz B

E falei com ele assim, você parece muito com um amigo meu que morreu, me dá um abraço. Foi uma coisa muito rápida e dei um abraço. Foi um abraço muito forte, muito real, muito vivo, muito fraterno, um abraço profundo. Eu nunca ganhei um abraço desse de pai, de mãe, de filho, nunca ninguém me deu esse abraço. E aí minha mãe acabou de entrar no quarto, eu acordei e falei, cadê o Túlio? Eu sabia que ele tinha morrido, eu sabia que ele tinha morrido, hora nenhuma eu esqueci que ele tinha morrido, mas a presença dele foi tão real que eu perguntei pra ela, cadê o Túlio?

Aí minha mãe falou assim, Túlio? Túlio morreu, você tá ficando louco? Falei, não, ele tá aqui. Eu lembro que eu era baterista.

?Voz A

Isso foi um sonho?

?Voz B

Não, isso já é real.

?Voz A

Não, não, atualmente acordando e tal, mas o abraço foi sonho. No Cine Amazonas foi sonho?

?Voz B

É, no sonho.

?Voz A

Ok.

?Voz B

Foi uma coisa que eu acho que eu senti o abraço e sonhei, e não sonhei e senti o abraço.

?Voz A

Mas o teu cérebro pode ter fabricado isso, não é?

?Voz B

Pode ter também. Mas a presença dele foi muito real. Eu peguei, levantei e fui para o quarto onde ficava a minha bateria. Eu lembro quando eu tava ensaiando, ele pegava a baqueta e ficava mexendo o saco, eu brigava com ele, para de mexer no saco!

?Voz A

Você toca bateria?

?Voz B

Tocava. E aí fui lá, obviamente ele não tava e tudo, e minha mãe achando que eu tava louca. E eu não esqueci que ele morreu hora nenhuma, eu sei que ele morreu, mas ele tava aqui, era muito vivo isso. E foi só depois disso que eu consegui respirar aquele luto.

?Voz A

Efetivamente assim, você acredita em alguma coisa? Porque eu, quando vou assistir um filme, eu nunca vejo nada, procuro não ler nada sobre o filme, né?

?Voz B

Sim. Não gosto de spoiler. É assim.

?Voz A

Então não sei o que eu vou encontrar do outro lado. Mas você tem alguma expectativa? Porque tem um cara que é um ateu assumido que ele fala numa entrevista, acho que é, eu não lembro, é um desses apresentadores da HBO, ele vai entrevistar um cara, mas se é tão bom depois da morte, por que você não se mata? E aí a religião tem aquela coisa do falar não, Suicídio é uma coisa, você vai para um outro lugar e não pode.

?Voz B

Tem igreja que discrimina o suicídio.

?Voz A

E não, tem várias, né? O Espiritismo também, um monte.

?Voz B

Eu tenho certeza que existe muito mais coisa entre o céu e a terra do que a gente possa imaginar, muito mais, tá? Vou te dar só mais um exemplo. Eu era criança e eu e meu pai, minha mãe acordou cedo na fazenda e falou com meu pai: fique esperto que eu sonhei que uma cobra voou em você. Ele falou, ah, Deus não deu asa à cobra, tirou sarro dela. E nesse dia a gente tava procurando o teiu que tava comendo os ovos, um lagarto. Sim, ele entrou no buraco, a gente tava cutucando, eu tinha uns 8 anos.

Aí eu vi uma cobra chegando, e cobra para quem mora em fazenda é normal. Aí eu falei assim, papai, vamos sair a cobra, deixa a cobra ir embora. Ele falou, não, deixa comigo. Aí ele pegou um revólver, deu. Eu falei, papai, você vai errar e vai dar merda. Eu tinha 8 anos, ele errou e deu merda, cara. A cobra dava cada bote nele. Ela realmente voava nele e ele pulava para trás, a cobra, aqueles botes assim, ela voava.

?Voz A

E tua mãe previu isso?

?Voz B

De manhã cedo falou para ele, eu sonhei que a cobra voou em você. Uma hora ele conseguiu acertar a cobra. Então eu falo assim, onde que ele tá a cabeça? Eu tenho um respeito pelas mulheres que eu acho que as mulheres vão para um lugar que os homens não entendem. Então onde que minha mãe tirou isso, entendeu? Então existe realmente muito mais coisas, eu acho que existe muito mais coisas. É engraçado, fantasma, não sei. Eu só sei assim, se alguém fala que viu, eu acho legal porque, pô, Tem uma coisa além, é que eu já sou...

?Voz A

Eu adoraria, adoraria ver ET, adoraria ver fantasma, duende então, né? Que deve ser muito engraçado e tal. O cérebro ainda é o órgão menos conhecido, né?

?Voz B

É, isso aí.

?Voz A

O cérebro e o intestino são duas coisas que ainda a ciência não domina. Então eu acho que tem algum componente psíquico que você acha que aconteceu alguma coisa, mas esse lance de, por exemplo, o déjà vu. Tem explicações científicas sobre isso. O teu cérebro acumula as memórias de um jeito que você acha que já viu aquilo, mas aquilo tá acontecendo num outro nível, entendeu? Então é doido isso, né? Eu acho assim, como nós não somos médicos, nós não somos psicólogos, a gente só tá batendo papo furado aqui.

?Voz B

Não vá falar que vai entrar algum cara aí falando, esses merda que não tem ideia.

?Voz A

Você entende nada disso?

?Voz B

Eu acho um alento a possibilidade de existir alguma coisa além das 3 dimensões. Eu acho que se isso existe é um alento, porque a ideia que você vai morrer e vai ser enterrado ou cremado e acabou é chato. Agora, eu não vejo isso como uma coisa religiosa, de jeito nenhum. Eu vejo isso como uma coisa natural.

?Voz A

Eu sou um questionador. Imagina que a gente tinha— a civilização começou com 10 pessoas, 100, sei lá quantos. Hoje a gente tá em 8 bilhões, né, mais ou menos isso. Porra, então tem uma superlotação no inferno, né, cara? Pra onde que vão essas almas? Aí tem um negócio da reencarnação. Como é que você vai reencarnar numa pessoa e depois você vai—

?Voz B

Um colega meu morreu, ele ficou 12 minutos morto.

?Voz A

E aí eu vou embora, tchau.

?Voz B

Ele conseguiu, eles não quero ser seu colega, eles fizeram ele voltar.

?Voz A

12 minutos?

?Voz B

Eu falei, o que que aconteceu? Você lembra? Ele falou, eu lembro. Eu lembro que eu estive num lugar, entrei numa fila e fui entrando como se fosse um túnel, como se fosse entrar num escorregador. E a pessoa falou assim, você vai voltar chamando fulano, fulano, fulano, você pode entrar aqui. Tipo assim, uma coisa meio burocrática. Ele falou que quando ele tava começando a descer, ele sentiu uma mão pegando nele.

?Voz A

Pau!

?Voz B

Pau! O desfibrilador fez ele voltar. Eu não sei, isso é que ele tá registrado na memória dele, não sei se isso de fato ocorreu.

?Voz A

Não, pode ter ocorrido, mas é da cabeça dele. Você teve sonhos, você sabe disso, né?

?Voz B

Pode ser que sim, pode ser que não, não sei. Tudo indica que sim, mas pode ser que não, entendeu? Igual esse sonho que eu tive desse abraço. Eu nunca senti esse abraço na minha vida com pessoas vivas, nunca senti, nunca. E foi um abraço muito fraterno. Eu senti assim porque eu tentei muito fazer ele—

?Voz A

Então, mas você tava predisposto a isso, né?

?Voz B

Eu tentei muito fazer ele voltar e não consegui, morreu.

?Voz A

Então tinha uma carga emocional muito forte.

?Voz B

E quando eu tava fazendo isso, desculpa, quando eu tava fazendo isso, eu sentia ele vendo isso. Eu sentia ele, eu sentia como se ele tivesse vendo aquilo, entendeu? Como se ele em alguma outra dimensão tivesse vendo eu tentando fazer ele voltar. Pode ter sido meu cérebro criando, pode ter sido ele me agradecendo pela tentativa que eu fiz de fazer ele voltar à vida.

?Voz A

Então, mas no seu âmago, né, você quer que isso aconteça, né?

?Voz B

Sim.

?Voz A

Que ele te agradeça. É isso que eu falo da dissonância cognitiva que a gente tava falando.

?Voz B

Isso que você tá falando seria o científico, o médico.

?Voz A

É, não, eu tô tentando.

?Voz B

É o que seria, mas A gente não tem certeza nem de que é o científico e o lógico, que eu criei aquilo, ou se de fato alguma coisa em outra dimensão veio me agradecer.

?Voz A

É que a partir do momento que eu comecei a ser mais cético, eu parei de ter algum contato com qualquer coisa metafísica, entendeu? É doido isso. A fé é uma coisa que alimenta a tua imaginação de uma maneira maluca. Isso é minha opinião, claro.

?Voz B

Não, sim, mas não é questão de fé.

?Voz A

Não, não, não. Eu digo fé no sentido de acreditarem em alguma coisa, né?

?Voz B

É assim, eu, como eu falo assim, eu não acredito que, eu admito a possibilidade que exista, admito que possa ser verdade, não tô falando que é.

?Voz A

Não, eu também não nego.

?Voz B

Foi o espírito que me abraçou?

?Voz A

Eu não nego.

?Voz B

Ou fui eu? Eu não sei dizer isso.

?Voz A

Eu gostaria, gostaria de falar com fantasma. Eu tive isso assim, meu pai morreu, minha mãe morreu, eu tive sonhos recorrentes com eles achando que eu não tinha, que eu tinha feito menos do que deveria ter feito, aquelas coisas todas. Culpa, né? Então isso é uma coisa que às vezes Freud, Jung, Reich, todo mundo explica, né?

?Voz B

Às vezes você esteve com ele. A gente não sabe, por isso que a gente não sabe, porque só no sonho. Porque você entrar de horror na vida real, você entrar de horror, você tá aqui, seu pai aparece, ia ser muito mais legal, mas assustador, entendeu? Assim, eu admito a possibilidade que exista, sei lá, fantasma, vamos dizer a palavra aí, mas eu não quero encontrar um fantasma, eu acho que eu não tenho preparo para isso. Do mesmo jeito que eu admito Claro que eu admito que exista extraterrenos, mas encontrar com extraterreno e falar com ele, eu acho que deve ser muito assustador, embora seja até uma certa esperança.

Outro dia alguém disse que viu um disco voador no Paraná, aí minha esposa falou assim, nossa, que bom, será que existe mesmo? A gente podia pedir ele para matar o Trump.

?Voz A

Ou aquela parte mais radical, né, da população.

?Voz B

É, faça o bem para a humanidade, tira o Trump daqui.

?Voz A

Mas o Trump é um alien, né?

?Voz B

Nossa, sacanagem com alien, meu. Ei, volta aqui, o pariu! Volta aqui, o pariu!

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