Episódios de Pauta que o Pariu

Caiu na rede é isca?

21 de julho de 20266min
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Como veículos e IA, as redes sociais podem se tornar uma arma nas mãos erradas, pois o anonimato sempre protege os irresponsáveis que escondem suas frustrações por trás de um perfil.

Assuntos3
  • Ideologia NaziSegunda Guerra Mundial · Holocausto · Brasil acima de tudo · O trabalho liberta
  • Cultura de redes sociais e hatersEleições de 2018 · Comportamento online · Anonimato e irresponsabilidade
  • O papel das redes sociais e discursos onlineJornalismo e precisão terminológica · Revolução Islâmica · Vítimas fatais · Normalização de termos fascistas
Transcrição23 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Eu tive rede social, achei uma coisa legal que você—

?Voz B

O que aconteceu? Qual foi o gatilho?

?Voz A

Aquele amigo que eu não via há 20 anos, há 30 anos, pô, que legal, manda foto.

?Voz B

Que virou bolsonarista. É.

?Voz A

O que me fez sair foi o tanto de ódio que eu recebi nas eleições de 2018 por causa dos bolsonaristas.

?Voz B

Ah, sim, sim. Eu fechei minha conta.

?Voz A

Eu não consigo mais voltar porque assim, É tão absurdo. Eu lembro que, quer ver uma coisa tão absurda? Eu tava vendo um vídeo, alguém falando sobre o Irã há mais tempo, e aí ele falou da Revolução Islâmica. Um vídeo no YouTube. Aí ele falou da Revolução Islâmica, como eu já tinha feito trabalhos no Irã, eu peguei e fiz uma observação: achei ótimo o seu vídeo, mas a revolução não foi propriamente islâmica, foi uma revolução que envolveu todo o povo do Irã, comunistas, liberais, islâmicos, todo mundo.

Os islâmicos pegaram o governo pra si depois da revolução, mas a revolução não foram os islâmicos que pensaram. Só pra contribuir. Começou a chover tanto, você tá pensando o quê, seu idiota? Teve revolução assim, cara, começaram a me metralhar. Eu falei, gente, eu não posso fazer parte disso. Uma vez também alguém falou assim, ah, Caio, teve um acidente com duas vítimas fatais. Aí eu peguei e falei assim, desculpa, eu sou um jornalista idoso, já fiz isso, não existe vítima fatal.

Fatal é alguma coisa capaz de matar. Não dá para um cara que está morto matar alguém, não. Um cara que está morto e mata—

?Voz B

Qual o termo certo?

?Voz A

Teve duas vítimas com mortes, houve duas vítimas com morte, duas pessoas morreram. Agora, os jornalistas normalmente falam vítima fatal para dar um ar de—

?Voz B

É que nem o fatos reais, né?

?Voz A

É fato real. Se é fato, é real. Então assim, e a gente usa automaticamente, eu quando eu estou trabalhando, Às vezes eu vou usar, opa, isso aqui tá errado, é um fato, né, ou uma história real, né. E houve um acidente com duas vítimas que acabaram morrendo, sim. Agora, vítima fatal não é certo. Eu peguei e falei, aí, cara, me destruíram. Eu falei, gente, pelo amor de Deus, eu só tô querendo dar um toque, porque quando eu comecei eu errava demais.

Hoje eu erro, mas quando eu comecei eu errava muito. Aí vinham os velhinhos e me ensinavam, eu aprendi, eu tô fazendo o que fizeram comigo, eu tô dando uma sugestão. Não usa esse termo. Mas pronto, aí eu não dou mais palpite.

?Voz B

Mas posso te falar uma coisa? É o seguinte: quando você tem um texto que você, que a pessoa se manifesta, dependendo de como ela se manifesta, você não entende como é que é o tom que ela tá usando. Isso, não é? É isso que mata, entendeu? Porque você se sente ofendido por uma coisa que o teu cérebro tá processando que aquilo seja certo. E não é sempre verdade, você sabe disso. Eu tive também, quando eu participei do CQC, foi em 2008, tava inaugurando o Twitter e tal, eu percebi que começa a ter muito seguidor por causa do programa.

E aí você percebe que tem aquele cara de cueca atrás do teclado lá, que não faz nada o dia inteiro e que não se relaciona com ninguém e tal. E ele quer, ele tem ódio, né? Então ele vai lá e baixa o guatambu, né, como eles falavam, entendeu? A gente vai aprendendo a parar de conviver com isso e cancela o comentário. Eu no LinkedIn, você sabe, você foi a única rede que sobrou para você, né? Eu lembro que você começa a me seguir lá e tal, e você curte, não sei mais o quê. No LinkedIn eu bloqueio um monte de gente, eu não tenho a menor dúvida.

?Voz A

Olha, eu tenho uma admiração, por exemplo, eu gosto de assistir alguns YouTubers que são de esquerda, por exemplo, o Portal do José, o próprio Thiago dos Reis, E tem vários outros que eles, eu assisto eles porque eles têm a capacidade de entrar em chats bolsonaristas e assistir programas bolsonaristas.

?Voz B

E brigando.

?Voz A

Não, e depois eles contam o que que eles estão pensando. Eu não teria essa capacidade, eu não consigo, eu não consigo. O filho do Bolsonaro, por exemplo, vai falar, eu não assisto, eu não escuto porque aquilo dói na minha alma. Então eu tô cada vez, eu não consigo exatamente.

?Voz B

Virou uma coisa Uma piada aquilo, quer dizer.

?Voz A

É porque é o seguinte, eu nasci logo depois da Segunda Guerra, né, 12 anos depois. Então essa aura do nazismo e do fascismo ainda tava muito viva. E eu cresci pensando, nossa, ainda bem que isso passou, nunca mais vai acontecer. Aí quando você vê alguém dizendo Deus, pátria e família em 2020, 2021, é muito assustador. Gente, eu vou escutar isso de novo, sabe? Quando Alemanha acima de tudo era o lema do Hitler, aí chega o Bolsonaro, Brasil acima de tudo. De novo eu tô escutando isso.

?Voz B

O trabalho liberta.

?Voz A

É, o trabalho liberta que tava lá em Auschwitz, sabe? Então assim, quando eu começo a escutar uma normalização de termos fascistas e nazistas que foram responsáveis pela morte de milhões e milhões, dezenas de milhões de pessoas, entendeu? Isso me dói muito, porque o nazismo executou 6 milhões de judeus no campo de concentração, sim. Mas só que ele matou mais 5 milhões de pessoas que não eram judias e ninguém fala sobre isso. O Holocausto matou em campos de extermínio 11 milhões de pessoas.

Se a pessoa tinha um defeito físico, morte. Se a pessoa era gay, morte. Se a pessoa era preta, morte. Se era eslava, morte. E pronto. Sem falar as consequências das mortes que houve na guerra. Soldados inocentes, bombardeios, por exemplo, que foi feito em Dresden, né, em 44, 45, né. Os aliados destruíram Dresden, sabe assim, morreram 25 mil pessoas e a maior parte delas não tinha nada a ver com isso. A indústria bélica que tinha no entorno da cidade não foi atingida.

Eles mataram gente, pessoa. Você vê assim Berlim, o que foi feito com Berlim, o que foi feito com Londres, e vice-versa. Aquilo virou um absoluto holocausto.

?Voz B

Ok, Bruno, então, mas assim, nós estamos fazendo um trabalho para internet. Que que eu preciso fazer para te convencer a pelo menos assistir o que a gente tá colocando?

?Voz A

O que a gente faz, eu coloco. Sabe o que eu faço? Eu tenho um amigo pra fazer isso por mim. Ó, tô contando contigo.

?Voz B

Bom, gente, então assim, se vocês quiserem passar algum recado para o Bruno, vocês entrem na nossa conta lá do Pauta Que Pariu e manda alguma coisa pra convencê-lo a voltar pras redes sociais, tá? Mas assim, se for ódio, eu vou cancelar, vou cortar, e você que se foda, certo?

?Voz A

Coraçãozinho. Ei, volta aqui, o pariu! Volta aqui, o pariu!

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