T3#05 - A Importância da Ancestralidade (Noemi Machado)
O que o raci***, a ancestralidade e a nossa história têm a ver com a forma como cuidamos da nossa saúde mental?Neste episódio, recebemos Noemi Machado, psicóloga e fundadora da Casa da Mulher Preta, para uma conversa profunda sobre saúde mental da população negra, rac*** estrutural, identidade, relações de gênero, ancestralidade e pertencimento.Falamos sobre os impactos do raci*** na subjetividade, a importância de uma escuta racializada e de espaços de cuidado onde pessoas negras possam existir para além da sobrevivência — além das conexões entre Psicologia Preta, cultura, espiritualidade e saberes ancestrais.Um papo necessário sobre quem somos, de onde viemos e como podemos cuidar de nós e dos outros.
- A Casa da Mulher Preta como projeto de cuidado e acolhimentohomenagem à mãe·tecnologia ancestral de cuidado·samba como tecnologia·aquilombamento·protagonismo feminino
- A importância da ancestralidade e do legado familiar na formação da identidadelegado da família·herança dos ancestrais·base da temporada·pertencimento ao mundo
- A criação de filhos em um mundo com preconceitos e a busca por liberdademedo de criar um menino preto·masculinidade tóxica·representatividade para o filho·formação de autoestima positiva
- O impacto do racismo e da meritocracia na sociedade brasileirapaís desigual·violência da meritocracia·privilégios sociais·diferença de transporte
- O apagamento da cultura preta em São Paulo e a importância do samba paulistanosamba paulista·apagamento de cultura preta·samba rock·promoção de saúde mental
- O lançamento da linha de produtos capilares 'Raízes Vivas' em homenagem à mãelinha para cabelo crespo·escolha de componentes·história da mãe·legado da cabeleireira
Ai, já começou!
Oi, tudo bem?
Obrigada! Vamos lá, vamos lá, vamos lá, gente!
Tudo bem, gente?
Vocês estão— esse dia tá muito especial porque a gente tá recebendo uma convidada aqui. Eu vou falar um pouquinho da convidada e do tema, só que depois eu vou falar por que é especial, tá, gente? A gente começou essa terceira temporada, né, minha amiga, falando sobre família, sobre maternidade, E é óbvio que a gente não pode esquecer uma das coisas mais importantes que tem, né, que é justamente todo esse legado da família, toda essa herança que é trazida dos nossos ancestrais.
E a ancestralidade, eu acho que talvez seja uma das bases principais dessa temporada.
Exatamente, né, mana?
E as pessoas acham que falar de família é só coisa doida, né?
E família é o primeiro lugar, né, mana, que nós soubemos de como que a gente pertence a esse mundo, é que como é a nossa história, é falar de raça, de gênero, de família, história familiar, né, de maternidade. Todas essas questões elas coexistem, elas não são separadas. E eu acho que é muito importante a gente trazer isso hoje.
A gente tá muito feliz porque essa convidada Eu sou uma privilegiada, né, com os nossos convidados. Mas ela é mãe de um amiguinho do meu filho, e eu conheci na escola do meu filho. Foi uma sorte que eu tive. E numa conversa, numa festinha, eu descobri um projeto que ela faz que eu fiquei absolutamente encantada.
A gente vai saber juntos.
E na hora eu falei assim, as pessoas precisam ouvir mais esse projeto, ele precisa ter mais acesso às pessoas. E eu fico muito orgulhosa do meu filho tá estudando na mesma escola que o filho dessa incrível mulher. Então, muito bem-vinda, Noemi!
Muito bem-vinda, Noemi!
Eu tava falando que era um dia especial porque eu errei na roupa. Devia ter vindo com meu manto de tri mundial, né, São Paulo, para, né, afinal.
Mas hoje é dia nosso, né, hoje é aniversário, né?
Eu te amo mesmo assim.
Tudo bem, gente, tá tudo certo.
Oi, minha querida! A gente sempre pede para as pessoas se apresentarem aqui um pouquinho, falar um pouquinho sobre vocês.
Meu Deus, amor, primeiramente muito obrigada pelo convite, agradeço muito, né? Porque é isso, né? É colocar um projeto na rua e ter local para a gente falar sobre ele. Então muito obrigado de uma conversa informal, né?
A gente conversando ali, mas é aí que acontece, é aí que acontecem os maiores encontros, não é?
Não, boa, boa, ótimo!
Gostei, gostei.
Bom, gente, meu nome é Noemi Machado, eu sou psicóloga há mais ou menos aí 13 anos da minha vida de formação. Mas além de ser psicóloga, sou mamãe do Caio Dê, que acho que isso é muito importante falar. Sou sambista, sou corintiana, sou vaivai também. Isso compõe a minha autoestima e também ancestralidade, o vaivai. Eu sou da Zona Sul de São Paulo, eu morava na Vila Nair. Ali perto dali da região do Ipiranga, Heliópolis ali. E aí depois que eu migrei para Santana de Parnaíba, quando eu casei.
Que a gente que eu sou, sou fundadora da Casa da Mulher Preta também, importante dizer. Eu amo o que eu faço, a psicologia é algo que entrou na minha vida assim, não tinha esse sonho de ser psicóloga desde pequena. Você queria fazer, claro que eu queria fazer, eu queria fazer outra coisa, eu jogava bola no bairro onde eu morava. Então eu falei, vou fazer educação física. Sempre foi fazer alguma coisa, mas eu percebi que sempre foi algo da saúde, né?
Eu sempre tava ali permeando algo da saúde. Então pensava fazer educação física, pensei em ser professora e tudo mais. Mas aí, cara, eu falei, ah não, não sei se eu vou ser isso não. Comecei a pesquisar um pouco sobre RH, sempre gostei de treinamento. E aí eu comecei a fazer RH, só que para mim foi muito pouco RH assim. E por favor, gente, isso é importante, mas para mim eu queria mais. E aí eu tive um professor muito importante na minha vida que justamente era um professor de treinamento, que ele era psicólogo, e as aulas dele era assim maravilhosa, sabe?
Ele fazia a gente entrar num mundo que eu nunca Nunca ninguém tinha me apresentado que era o mundo da psicologia. E aí, a partir daí, eu fui fazer psicologia. Eu terminei uma faculdade, já entrei em psicologia.
Que coisa maravilhosa! Porque quando a gente começa a falar de mente humana, né, é um mistério delicioso de navegar, é maravilhoso demais. E as pessoas que falam que, ai, tá fazendo psicologia para se entender, não é isso, tá, gente? Não tenta fazer isso para se entender, você se perde mais ainda.
Pois é, meu bem.
E é muito louco, eu encontrei várias pessoas no no caminho, né? Não, eu tô aqui para entender. E essas pessoas ficaram no caminho, na sua grande maioria. Realmente psicologia é algo mais profundo mesmo para a gente trabalhar com aquilo, ou também levar para vida como aprendizado também.
E a gente nunca deixa de aprender, estudar também, né? É uma delícia, né?
É uma área no meio do caminho, foram para regar.
É, tô brincando, gente, brincadeira, comédia, brincando, mais ou menos, tá?
Mas muito legal. Na conversa que nós tivemos, Noemi, que eu fiquei apaixonada pelo projeto, que era— você me trouxe A Casa da Mulher Preta. Sim, eu gostaria muito de entrar nesse projeto, porque a primeira pergunta que eu queria falar com você é: como era a sua relação com a sua mãe?
Sim, caraca, minha mãe é algo muito louco. Esse ano fazem 10 anos que minha mãe faleceu. E aí eu tava falando da Vila Nair e tudo mais, né? A minha mãe era que arrumava as festas juninas da rua, minha casa sempre foi muito cheia, né? Minha mãe era cabeleireira, acho que é importante ressaltar, e o meu pai era feirante. Então a minha relação com a minha mãe era maravilhosa. Lógico, gente, maravilhosa, a gente ama, mas às vezes é, ah, é mãe, mas foi rodeada de muito ensinamento.
E é muito louco que eu vejo o quanto minha mãe marcou não só a minha vida, mas a vida de toda uma sociedade que a gente tá em torno, né? Enquanto pessoas às vezes aí por um vai e vai falando, cara, sua mãe era maravilhosa. Assim, eu tenho histórias boas com a minha mãe. Minha mãe era aquela pessoa da família que reunia todo mundo, que falava com todo mundo, fazer amizade onde for, aonde ia. Mas uma coisa assim era a questão nossa relação com estudo, né?
A minha mãe não chegou a fazer graduação, só que quando eu falei para minha mãe que eu queria fazer uma graduação, ela falava, cara, mas como a gente vai fazer? Que a gente não tem dinheiro para pagar. Como é que Vai dar. Eu falei, não, a gente vai dar um jeito. A gente vai dar um jeito. Tem políticas públicas agora chegando também. A gente vai dar um jeito. E aí, quando eu ingressei na faculdade, pra minha mãe foi um baque, assim.
Porque ela falou que nunca imaginou que eu ia estar dentro de uma faculdade. Foi um baque, porque como que a gente vai fazer? Mas também foi uma alegria. E aí, a partir daí, ela sempre me sustentou. Acho que é a palavra que eu consigo, sabe? Ela sempre foi o meu sustento, literalmente. E é esse legado do samba também, é da minha mãe, também do meu pai. Mas essa relação de olhar o vaivai, um exemplo, na escola de samba, como além do samba, veio da minha mãe, sabe?
Porque eu lembro que eu falei pra ela, mãe, a primeira vez que eu vi uma mulher preta sendo coroada como rainha foi dentro do vaivai, eu nunca tinha visto isso. E minha mãe falou, caramba, olha como a gente pode aprender com samba, Noemi. Olha a potência que isso tem. Então eram diálogos muito abertos, eu tinha muita abertura. Para falar o que eu quisesse com a minha mãe, para fofocar também, se fosse para fofocar. Então acho que essa mais ou menos é minha mãe, muito alegre, o som sempre muito alto na minha casa.
E normalmente era ela, muita, tinha vida, pulsava, ela pulsava a vida. Isso era muito importante.
E a partir disso surgiu a Casa da Mãe.
Porque foi assim, quando minha mãe faleceu, foi uma dor. Acho que eu sinto ainda às vezes, mas Logo no início foi dor física. E aí veio o Caio D depois, né, de praticamente um bom tempo que a minha mãe faleceu. E nessa, nesse período de recém-nascido, que é delicado, gente, né, quem tem filho sabe, né, um pouco delicado, super tranquilo, umas noites mal dormidas aí. Eu tava assim com muito sono, me veio na cabeça literalmente a ideia de fazer uma clínica para homenagear minha mãe, trazer tudo que eu aprendi na prática, traduzir através da psicologia e também de outros saberes também.
E eu fiquei com aquilo na cabeça. E aí eu fui trocar ideia com a Marcelle. A Mar é minha sócia em social media. E a Mar ficou uma semana na minha casa e falou, e segurando assim o caio D, e eu assim morta praticamente. Ela falou, não, a ideia é maravilhosa, mas eu não sei se agora é o momento. Acho que é o momento aqui, vamos esperar. A ideia é maravilhosa, mas eu não sei se agora é o momento. E ela falou, eu tô com você. Ela falou isso para mim, eu tô com você.
Aí beleza, voltei, né, voltando para vida, passando. Aí falei com ela, ela falou, não, bora, vamos fazer, vamos fazer a Casa da Mulher Preta, vai ser uma homenagem para minha mãe, a gente vai trabalhar com tecnologia ancestral de cuidado. Então Trazer o samba como uma tecnologia ancestral de cuidado, trazer a questão do aquilombamento também, trazer mais saberes de pessoas pretas e da comunidade LGBTQIA+, que eram pessoas que frequentavam a minha casa, trazer mais protagonismo feminino também.
Bora, vamos trabalhar a partir dessa forma? Ela falou, vamos. E aí, cara, a gente começou a construir a casa. A casa é online. Neste momento, mas o pé de sustentação é ancestralidade. E trabalhando a partir desses saberes. Então, além do atendimento psicológico, a minha mãe tinha uma questão com a comida. Comida pra minha mãe era afeto. Todo mundo que chegava em casa tinha... Ia ter uma comida. Todo mundo. E minha mãe cozinhava muito bem.
E aí, muito louco que eu troquei isso com a Mar. Passou uns dias, uma menina chamada Bianca Fagundes, que é nutricionista, entrou em contato comigo. E apresentou um projeto para casa. E foi assim, aí a gente acabou ficando várias profissões, uma coisa multidisciplinar, né, de cuidado, de cuidado. E era algo que isso tinha em casa que eu achei, meu Deus, caraca, como assim? E aí passou um tempo também, um professor de educação física entrou em contato com a gente para, quero dar aula de yoga e ter um projeto para casa.
Então agora a casa também tem aula de yoga. E aí a gente também tem supervisão clínica, tem outros lugares que eu também quero ir, mas essa é a casa, é casa mesmo, né? A gente fala, a gente se sinta em casa, literalmente. Então, além do atendimento psicológico, a gente também tem outros atendimentos como esse, tanto a nutricionista como professor de yoga, como a supervisão clínica, voltados para esse público, e um preço acessível também, que eu acho que isso é importante. Então a gente dá essa esse acesso, essa acessibilidade para essa população.
Nossa, que incrível!
Eu não falei para você que era uma loucura, que eu ia me apaixonar por você. Nossa, que apaixonante mesmo!
A gente tá querendo— você falou sobre as políticas públicas, né? Eu acho interessante, nós estamos no ano de eleição. A importância das políticas públicas direcionadas à educação, à saúde, tudo isso, tem muitas pessoas que falam Ah, para quê, né? Assistencialismo, que bobagem! Assistencialismo, quer ficar dando esmola. Eu ouço com muita frequência isso, o que me pega pessoalmente. Eu fico irritada pessoalmente quando eu ouço esse tipo de coisa.
Você trouxe a realidade que você vivia, onde vocês não tinham condição de, né, bancar. Como é para você ouvir meritocracia? Quando as pessoas trazem esse discurso estúpido de meritocracia?
Cara, é uma dor, porque como a gente pode falar de meritocracia no Brasil, que é um país desigual, né? Eu acho que não cabe, né, meritocracia e Brasil, acho que nem na mesma frase. Mas bem que você falou, né, eu escutar isso, eu olho um pouco para minha realidade, né? Porque é isso, eu não venho de uma realidade de escassez, mas eu venho de alguns apertos financeiros, de não ter a possibilidade de pagar uma faculdade. Né? Eu morava num quintal com mais outras famílias também.
Na minha rua acontecia tiroteio também, então tinha a questão do tráfico, várias situações. Aí eu fico pensando, a gente não tem como sair do mesmo lugar, porque eu passava por todas essas situações. Qual a calma e paz eu teria? No caso, eu era uma menor de idade, mas para sair daquele local e ir trabalhar também. Então quando a gente fala de meritocracia no país tão desigual, a gente acaba cometendo uma violência, né? E colocando também aquilo que você tem, né, aqueles privilégios que você tem também, como, ah, o outro também tem, o outro dá, como se a gente tivesse as mesmas 24 horas. A gente não tem as mesmas 24 horas.
A diferença de uma pessoa com um carro do ano e uma pessoa que pega um transporte coletivo é uma estupidez.
Fora que, ó, hoje tá chovendo aqui, né, em São Paulo, cara. Imagina uma pessoa que sai do extremo para trabalhar no centro. Imagine o cansaço físico e psíquico que a pessoa tem, muito diferente da pessoa que vai de carro, que tem seu cansaço, tem, porque às vezes vai pegar o trânsito. Mas você imagina, você vai fazer embaldeação, você vai fazer isso, você acaba pegando o trânsito ouvindo rádio. Então assim, e aí eu fico também pensando, né, as pessoas que trazem esse discurso de meritocracia, não sei se eles olham a realidade Ou eles querem encarar a realidade que eles querem também.
Ou acredita que a própria bolha é a realidade.
Também, também. Mas aí, né, a dificuldade de sair da bolha, né, de não encarar seus próprios privilégios, né.
Exatamente. E não aceitar que tem privilégios, né.
Sim, sim, perfeito.
Você coloca que você não tem privilégios, né.
Sim.
E você trouxe também o que eu acho fantástico, o samba, né. É. As raízes do samba. Quando a gente olha, né, as raízes de samba, Religiões afro, a cultura inserida em tudo isso é uma coisa tão rica, maravilhosa, que você trazendo para esse novo projeto uma coisa de raiz, né, que inclua isso, né? Sim, você tá trazendo um projeto muito além de uma clínica.
Sim, eu concordo. Eu não tinha esse pensamento, sabia?
Por isso que talvez o termo, né, do nome Casa, ele seja mais assertivo para esse projeto, porque não é uma clínica, né?
É uma casa.
Não, perfeito.
E Engraçado que eu não tinha notado isso que vocês falaram, faz pouco tempo que eu notei isso, né, que tá além. Meu marido, o João Mário, ele é—
João, um beijo para você, tá? Você ainda precisa me levar na vai-vai.
Meu marido trabalha, né, além de participar do samba de bumbo, ele trabalha com isso, né, de onde tem toda essa raiz, principalmente das escolas tradicionais aqui de São Paulo. E ele também me atenta sobre isso, sabia? Ele falou assim, nossa, olha o seu trabalho, essa articulação que você faz sobre samba, aquilombamento, bem-estar, promoção de saúde mental. Cara, ninguém tá falando muito sobre isso. E principalmente que uma coisa que eu gosto de trazer na Casa da Mulher Preta, que vem do ensinamento tanto da minha mãe e do meu pai, é o samba paulista.
Porque às vezes, né, a pessoa ainda tá olhando muito Rio de Janeiro. E também entendo, visualmente é legal, eu também gosto. No Rio de Janeiro eu amo a Mangueira também, tudo mais. Mas é isso, parece que São Paulo tem um apagamento de cultura preta mesmo, né? Porque, ó, o samba rock é nosso também. Então por que não falar de samba rock? Por que a gente não dialogar isso como é promoção de saúde mental e foi por muito tempo de uma população preta?
O meu pai dava baile de samba rock também, meu pai ia nesses bailes pretos. Zimbábue e outros bailes também. Então, Casa de Portugal, eu escutava meu pai falar que era o momento que ele vestia a melhor roupa, né, e ele usava um lencinho para pegar na mão da outra, da mulher. Eu escutava minha mãe se produzir junto com as primas dela para ir. Eu falei, gente, talvez era o único momento dessa população naquela época que eles tinham paz e que eles poderiam sorrir.
E aí, cara, como não trazer isso para falar, para a gente falar de saúde mental?
E como a arte é importante, né, para o ser humano, né, Noemi?
Você falou uma coisa agora, nossa, me pegou no fundo agora, né? Isso, aquele era o momento em que eles podiam sorrir. É verdade, né? Porque você trouxe um dado muito interessante em relação a essa comparação de São Paulo e Rio. Eu concordo com você. Enxergar o samba das comunidades do Rio de Janeiro é uma coisa mais tradicional, né? A gente enxerga de uma forma mais tradicional porque midiaticamente, perfeito, foi colocado, né?
Então quando a gente coloca São Paulo nisso, o Carnaval em São Paulo é muito mais vendido nos bloquinhos da Faria Lima do que no samba em si, né?
Perfeito.
Então essa diferença, você sendo da vaivai, né, vaivai muito tradicional aqui em São Paulo, Você sente um preconceito em relação ao samba paulistano? Você sente um preconceito ainda, não necessariamente midiático, mas das pessoas de esperar mais das escolas de samba de São Paulo, menos do que do Rio de Janeiro, por algum motivo?
Eu não sinto preconceito. Eu acredito que o apagamento da cultura preta de São Paulo foi muito mais eficaz. Eu acho que aqui o apagamento é muito mais eficaz. Porque, um exemplo, a gente ainda tem a Liberdade e ainda é considerada como um bairro japonês. A gente ainda tem Bixiga, que ainda é considerado um bairro italiano, sendo que a história é outra. É liberdade por conta nossa, da população preta. E aí, a história, eu acho que a gente tá conseguindo contar a verdadeira história, mas eu não sei o quanto, se tá chegando para todo mundo.
Também. Qual a história que tá sendo contada nas escolas sobre São Paulo? E eu acho que também tem um pouco dessa intolerância religiosa que a gente vem desse olhar conservador também, que aí tanto São Paulo e tanto Rio, acho que como Carnaval como um todo acaba sendo prejudicado com isso. E a gente tá falando Carnaval cultura, porque Carnaval não é o que é olhado na TV. Quando eu falo para vocês, olha o quanto reverberou isso em mim, Noemi, de olhar dentro de um terreiro de escola de samba e ver uma mulher preta sendo coroada como rainha, coisa que eu nunca tinha visto na minha vida.
Isso mudou também, claro, o olhar para mim. Então as pessoas ainda, a questão desse olhar conservador, da intolerância religiosa, ainda acaba demonizando o Carnaval. Mas voltando para sua pergunta, eu não sinto preconceito. Eu percebo que São Paulo foi muito eficaz no apagamento da cultura preta, ele foi muito eficaz.
São Paulo focou muito no branqueamento da população, né? Foi um projeto bom, projeto de branqueamento da população desde a época dos Barões de Café, tudo isso, né? Então essa ideia de São Paulo megalópole, etc., né? Deixando a população preta mais periférica cada vez mais, como se não existisse.
Perfeito, perfeito.
E o Rio de Janeiro tá no meio, né?
É que o Rio de Janeiro acho que tem esse contraste também. Um exemplo, em Copacabana você tá ali, né, ou em outros lugares, o morro tá aqui, né, tá aqui. A pessoa desce, que também às vezes pode ter a sua problemática. E como essas pessoas estão, né, essas pessoas pretas que moram em comunidade estão também transitando, que aqui condições estão transitando. Só que São Paulo tem uma higienização, eu acho que essa palavra, sabe, da população preta, cara.
A história que não é contada, cadê a história? Cadê a história verdadeira? História do Bexiga, cadê a verdadeira história Liberdade que está sendo contada? A gente vê esse movimento acontecendo, mas para onde tá chegando, né? O que que as pessoas estão fazendo? Então acho que tem esse apagamento, que ele é muito eficaz.
Você falou sobre o que tá sendo ensinado, né? O que também eu acho o máximo você ter trazido isso. É muito importante a gente lembrar, eu sou dos anos 80, né? Assim, somos contemporâneas, pelo menos, pelo menos na minha época e anterior. Quem descobriu o Brasil?
Perfeito.
Quem descobriu o Brasil, gente? Os índios já estavam aqui. Quem invadiu o Brasil? Né? Então, a partir do momento que você naturaliza certas expressões, entra nisso mesmo que você tá falando, né? O que tá sendo automatizado na mente das pessoas e o que tá sendo de fato passado.
Apagamento geral mesmo, né? E o que esse apagamento vai, vai levando e a gente vai absorvendo disso em todos os aspectos, tanto na própria cultura. E aí a gente tá falando de São Paulo, e aí isso na sociedade como um todo, é isso, a questão do pertencimento mesmo, né, Noemi? Porque É isso, a questão de estar não é estar dentro, é eu estou e eu posso estar aqui, né? E o quanto que isso depois para outros nichos e outras vertentes ele acaba sendo muito complicado, que inclusive a parte da educação que a gente vai entrar depois também, né?
O que é ensinado dentro das escolas, todos os planejamentos, o que vai ser colocado, até o material didático que eu vou adquirir para ensinar, para falar sobre também cultura sobre ancestralidade, o quanto é interessante.
Exato, eu adoro soltar uma madeira de piroca do nada.
Ela vai fazer um corte disso.
Ai, Jovo, ampliando um pouquinho, é assim mesmo, tá, Nani?
É assim mesmo, é assim mesmo.
Falando sobre essas mudanças, né, da informação, para falar mais bonito, mudando a informação, o desserviço que acontece indo para religião também, né? Essa demonização das religiões afro, essa disputa, essa guerra santa que acaba acontecendo, que não é nenhuma guerra santa, é uma guerra que só um lado luta sozinho, né? Essa violência religiosa que tá acontecendo cada vez mais, né? Pelo menos nos últimos anos eu tô vendo com muito mais frequência e uma polarização muito grande.
E de novo, apontando, não é polarização porque todos os lados querem isso, é porque um lado somente se fecha e tudo ao redor tá errado. E enfim, essa— e querendo ou não, eu posso estar falando uma grande besteira, me corrija, por favor. Eu vejo que as religiões afro têm muito a ver com o samba, né? Eles estão muito ali perto em todas as raízes. E você tem um filhote, tem um neneco, que é a coisa mais delícia do mundo. Como é para você pensar que você tá colocando Joãozinho nesse mundo?
Gente, cara, primeiro eu acho que minha mãe ia estar muito feliz. Acho que a primeira coisa assim, porque é isso, eu não venho de religiões de matriz africana, eu tive uma voltada mesmo para o catolicismo. Eu era uma pessoa católica, acho que tranquilo falar. Eu saio do catolicismo por questões pessoais mesmo e tal. Comecei a entender que eu não fazia parte daquilo e ponto, sabe? Eu não fazia parte daquilo. E a minha mãe tem uma interferência muito grande nisso, porque na minha casa sempre teve muito livro.
A minha mãe é uma pessoa que lia muito. Então, tipo, eu lembro muito da estante de livro perto do meu quarto, assim, é uma memória que eu tenho muito fresca. E ela contava histórias do meu avô. Meu avô era da Bahia, de Feira de Santana. A minha avó era do Paraná e meu avô também era da leitura. Então ela gostava muito de política, tanto partidária e tanto não. Então a gente sempre trocou muito. Então religiões de matriz africana era algo que a gente trocava dentro de casa, e até com meu pai era algo que a gente falava.
Então eu já sabia, já tinha um entendimento. Um exemplo, se a gente fala de uma leitura iorubá, quem era Ogum, Oxóssi, eu já sabia. Não era algo assim distante, a gente conversava sobre isso. Já frequentava terreiro, ia em algumas festas. Tinha um terreiro muito próximo à minha casa que eu ia, e assim, festa de São Cosme e Damião, vixe, eu rodava o bairro inteiro atrás de doce. Então era algo que não era distante, fazia parte da minha casa, era normalizado, era normal.
Fulano é do terreiro, é isso, fulano é de terreiro, sabe? Não tem nossa, fulano vai no culto, fulano vai no terreiro, obviamente isso. E aí é o que eu tento passar para o meu filho, né? Eu quero que ele seja livre. Então quando você me traz a questão do samba e incluir ele nesse mundo, meu marido é de candomblé, E faço questão que o Caiode vá, que o Caiode também entenda. Aonde está seu pai? Tá no candomblé. E ele vai responder o que é.
A gente leva ele também. E é isso, sabe? Não é, acho que não tem grandes tabus. É a gente trocar. Igual na minha casa tem livro apresentando os orixás. Eu, a gente canta, meu marido canta com ele também. A gente fala do samba, igual do samba de bumbo. Ele toca no samba, ele canta. Então é, eu acho que eu tô reproduzindo também aquilo que eu ensinei dentro da minha casa, que ele seja livre e que a gente pode apresentar para ele como mais uma coisa que pode fazer parte da vida dele também.
Não, maravilhoso. Acho que, eu acho que eu não fui muito clara, mas era, por exemplo, vou te dar um exemplo, tá? Meu filho tem duas mamães, eu não tenho como negar que eu antes de ter o Thomas, até hoje em dia, existem questionamentos de certos medos vendo a sociedade, né, vendo essas agressividades que tem por aí, né, preconceitos e tudo isso. Então eu fico muito receosa com ele em diversos aspectos também. Escola, a gente sabe que crianças são cruéis, etc., né.
E pensando em como o mundo tá querer que os nossos filhos sejam livres é nosso sonho sendo vivido, né?
Maravilhoso.
Mas temos medos, né? Você também tem medos?
Morro, nossa, morro de medo. Eu acho que quando eu descobri que era um menino, eu tive até uma crise de ansiedade na hora lá do ultrassom, que falou, olha, é um menino. Eu tive uma crise de ansiedade assim tremenda vindo do carro, não conseguia respirar. Faltava.
O que aquilo significou para você, cara?
Eu acho que é isso, né? Um homem, né, nesse meio que a gente tá falando, né, dessa masculinidade tóxica, é um homem preto também. Eu sabia da possibilidade de ser um homem preto também. E, cara, muito medo de morrer mesmo, sabe? Eu tô falando medo eminente de como que vai ser e como que eu vou apresentar esse mundo para esse homem, e que mundo também vai ser apresentado para ele. Porque é isso, a gente tem que trole ali, mas eu não crio um filho para mim, é realmente a gente cria filho para o mundo.
E Noemi, falando disso, né, pensando aqui, né, nessa Noemi que é mãe hoje, né, e falando sobre o seu filho, é para você na sua infância, qual foi o seu desafio pensando nessa sociedade que é excludente? Como é que foi para você isso? E o que que você trouxe como um medo e você superou e você elaborou e que hoje você tenta passar para ele.
Sim, acho que vai muito disso mesmo, nessa linha de raciocínio que a gente tava falando. Eu acho que primeira questão é racismo, né? A escola para mim foi o pior lugar da minha vida, assim. Eu sempre tenho esse marcador, a escola. Fiz grandes amigos, tive grandes proteção. Igual hoje, amanhã, né, eu perdi uma grande amiga que me protegia muito, e eu lembro muito dela, né? Como fala assim, nossa, quem me protegia, cara? Priscila me protegia muito disso.
Então a escola para mim foi o pior lugar assim, é. E aí eu tô falando de racismo recreativo, com cabelo, com os meus traços. Então, cara, o impacto da falta de autoestima, esse veio, me acompanha até hoje assim. Trabalho isso em terapia muito, já tá bem melhor, isso é um fato. Só que às vezes eu tenho que, sabe, levar para o resto da vida.
Aí se impacta ainda da autoestima, porque às vezes eu olho e Sabe, tem um, esqueci, porque é aquele impacto que é, mas é um impacto de autoestima que a gente fala, é que não é do ser, é uma coisa mais social, né, Noemi? Então quanto que isso enraíza, né, nessa constituição primária aí da infância e depois adolescência, enfim, para o resto da vida, né?
Por isso que eu falei, e por isso que a escola marca demais. Não, perfeito, por isso que para mim é escola. E aí com o Caio D, eu tento trabalhar diferente que a minha mãe também fazia, que é falar: olha, seus saraus são lindos, seu cabelo é lindo, como que é o seu cabelo? Eu falo: coroa. Trazer representatividade, colocar ali no meio do candomblé, ou também de religiões de matriz africana, do samba, é trazer representatividade para ele, ele entender que ele não tá sozinho, que ele tem um lugar que ele pode se aquilombar também.
Então essa é a importância. Então eu tento fazer o que a minha mãe fazia, minha mãe me levava para o vai-vai outras escolas de samba e me apresentava esse mundo. Olha, tem aqui, tem fulano, a minha família também sanguínea. Olha, fulano conseguiu. Minha mãe sempre contava as histórias da família. E também, olha, fulano conseguiu. Eu tenho uma prima, Josi. Isso que eu lembro assim da minha família. Minha prima Josi, meu padrinho Wilson, foi uma das primeiras pessoas que eu tive contato que fizeram uma graduação também.
Sílvio também são pessoas. Então minha mãe contava isso. Então eu lembro, eu falei, nossa, olha, fulano pode, eu também posso. Isso é muito importante. Então é o que eu tento trazer para o meu filho. Então ele estar inserido nesses lugares é realmente fazer formação de autoestima positiva, de identidade positiva. E uma coisa também dele saber quem ele é, né? Porque por muito tempo, por esse impacto da autoestima, a gente eu acabei perdendo quem era eu, que eu gostava, se eu gostava disso ou não.
Sempre você queria tentar fazer parte, né? Isso mesmo, de cava de cera.
E aí isso começou a ser frequente, né? Porque é isso, eu preciso pertencer. E o que que é mais bonito, o que que é mais valorizado na sociedade são mulheres brancas, é a brancura. Então tentava. E aí com a terapia, a vida, minha mãe também, eu fui voltando. Não, mas eu não gosto disso. Eu gosto disso. Então comecei a resgatar um eu, mas eu percebo que isso é diário, gente, não é algo fácil.
Como você falou, esse impacto dessa infância, e a grande diferença, né, no IG, assim, quando a gente fala, é uma coisa que acho que as pessoas elas confundem muito, e é muito pensando na palavra, né? É quando você trabalha a diferença mesmo. Inclusão e pertencimento são coisas distintas. E aí você fica naquela, eu preciso estar inclusa né? E você esquece um pouco daquela questão do que é o pertencimento, da onde mora essa raiz, o que que eu preciso entender sobre isso, que é fazer parte, é estar inserido sem ficar se explicando toda hora.
Não, perfeito. Então, para mim, esse é o maior desafio. E assim, e aí eu lembro quando você falou sobre a questão do meu filho e ter essa crise de ansiedade, passou tudo isso na minha cabeça que eu falei aqui para vocês. Caraca, e agora?
Veio aquela Noemi, veio, passou tudo.
E assim, numa velocidade, por isso Eu não tive espaço para respirar. Por isso eu falo, acho que eu tive uma crise naquele momento que passou tudo isso. Mas bom, eu tenho um companheiro que faz o papel dele também muito bem, que é letrado racialmente. Isso também faz uma diferença, porque é isso, a gente tem a questão de carregar tudo sozinha, né? Preciso fazer, vou fazer. Não, eu também tenho uma pessoa que tá do meu lado. Então olhar para o lado também foi muito importante, olhar para o outro lado e ver também a comunidade, o Cururuquara, que é essa comunidade também de samba de bumbo que me abraçou, abraçou meu filho também.
Ele olhar, ele conviver com essas pessoas também é muito importante. Então aí parece que foi, sabe, foi baixando, foi baixando.
Isso do seu marido, né, eu conheço ele, querido, gentileza de pessoa. Como mãe, né, agora mãe, quero saber, ele foi participativo? Ele teve a paternidade ali, ele foi desde o início, ou você acabou assumindo mais coisas? Você tende a assumir mais coisas para si?
Como foi, cara? Muito assim. O João Mário para mim é uma das pessoas mais incríveis que eu já cruzou o meu caminho e que tá até hoje, né? Foi combinado, tá, gente? Caiu dele não foi por acaso, né? Foi planejadinho, foi combinadinho. E desde o primeiro momento eu tive alguém que segurou minha mão e que segura até hoje e que faz o papel dele muito bem, né? O Gilmar traz uma coisa que eu admiro muito, que eu não tive dentro da minha casa, é demonstrar sentimento.
Ver um homem demonstrando sentimento, que coisa maravilhosa! E aí que eu acho que é o ponto, sabe? Ver um homem que chora, humanizar, né?
Ensinar para o seu filho que ele pode ser sensível, gente.
É isso. E aí, cara, olhar para isso, por isso que eu falei que eu fui me acalmando. Falei, calma, tem outras pessoas aqui também. Isso para mim é importante para o meu filho, porque é isso, é outras formas da gente exercer essa masculinidade. Ela não precisa ser tóxica, ela pode ser humanizada, como você bem colocou. Então o João Mário, ele tem um papel incrível assim, e ele abraça, ele fala eu te amo, ele chora perto do Caio D., que eu acho isso muito importante.
Ele abraça, beija cabelo, ele arruma o cabelo do Caio D. também, ele lava, ele é interessado por curvatura, o que tá acontecendo. Então isso é importante, isso para mim é importante.
Justamente puxa pelo exemplo, né, Noemi?
Não adianta ensinar, né?
Então vivencia isso, demonstrando fragilidades, etc. Isso é maravilhoso.
Foi o que eu falei lá no comecinho, né, do quanto que a família é a primeira referência dentro desse processo, né, de amadurecimento.
Com certeza. E Noemi, a gente tem pessoas que assistem, né, que não necessariamente vão entender alguns termos. Eu gostaria que você explicasse a questão do quilombola para as pessoas, que nem todo mundo entende exatamente o que é.
Quando a gente falar quilombamento, a gente fala é isso, sabe, sabe, às vezes a gente vai precisar estar entre pessoas pretas para a gente falar, para a gente sentir livre. Então quando a gente fala, ó, vamos se aquilombar, é uma reunião de pessoas pretas para a gente falar o que a gente quiser falar. Ou se aquilombar também é, cara, eu vou numa festa, igual a gente ama Beyoncé, tá? Eu vou numa festa, vai ter mulheres pretas e é uma festa sobre Beyoncé, você.
Isso também é ser quilombá. Então essa reunião de pessoas pretas, e às vezes não vai ter propósito nenhum, mas estar junto é sentir o que você trouxe, a palavra que eu achei ótima, é a questão do pertencimento, sabe? Sem a necessidade de se encaixar, de performar, sem nada, estar ali também, ser você. E às vezes isso é necessário, igual às vezes no trabalho. Eu venho de multinacional também, eu venho de RH, trabalhando. E às vezes eu olhava para o lado e não me via, mas às vezes tinha uma menina preta ali, só tinha uma ali.
Pô, eu vou tentar ficar ali um pouco, que às vezes eu preciso respirar ali também. Era um espaço de respiro. Então, se aquilombar é isso, por isso que a gente trata muito aquilombamento com saúde mental, de outras formas.
Mas eu entendo uma coisa que a gente conversa muito lá em casa, por exemplo, que eu falo para minha esposa, eu falo assim: nossa, o Thomas precisa ter mais contato com meninos que também têm duas mamães. É importante, né? Então, independente de raça, etc., concordo. Eu consigo entender o que você quer dizer, claro, de outra forma, mas eu preciso que meu filho veja outras crianças com a mesma criação. Gente, a bolha sempre parece que você é um peixe fora d'água.
Sim, e a bolha às vezes é necessário. Lógico que eu não posso ficar só na minha bolha, porque tem um mundo aí fora, mas eu respiro o que a gente tem, né? É o respiro que a gente tem. E eu concordo com você, eu acho isso ótimo, é uma decisão que é importante.
E eu fiquei muito feliz porque na mesma escola, olha que maravilhoso, maravilhoso, tem também um menininho que tem duas mamães que são maravilhosas, inclusive vocês sabem.
E é isso, isso é diversidade, é o que a gente tá falando desde o começo, é isso, conviver. E é a diversidade, não só incluir, é pertencer.
É isso mesmo, perfeito.
Então isso faz toda a diferença, né? Porque a gente começa a ver os nossos traumas e os nossos medos lá de trás sendo ressignificados de outra forma e vendo o nosso filho não ter o mesmo discurso que nós tínhamos. Então dá um alívio muito grande, né? Nossa, essa escola é ótima, tá, gente?
Fica a dica, muito boa.
Mas vamos falar então desse projeto da Casa da Mulher Preta. Trouxe também um presente aí para você, né, que essa linha nova.
Sim, gente, conta que eu quero até mostrar.
Aí a gente, outra gente tá se achando muito blogueira.
Muito bem.
Eu ainda, é a primeira vez que eu vou falar sobre isso, porque agora a gente pode falar, porque antes não. Então tava morrendo, não vou mentir, sou geminiana, né?
Aí, ó, exclusividade, exclusividade.
Mas assim, essa chegou como um presente. Na verdade, contando um pouco a história, o Renan, o Renan é head de marketing dessa marca. O Renan foi meu liderado num grupo de jovens jovens, né? Eu era líder do grupo de jovens da minha região. E não é por nada não, a gente fazia revolução, a gente colocava mais de 100 jovens para, para em um domingo à tarde, a gente fazia revolução real. E eu era líder dele. E aí a gente, eu saí do Ipiranga, né, saí da Vila Naíra e tudo mais, ele também.
Acabamos seguindo o caminho diferente, então a gente perdeu um pouco contato, mas sempre mantendo. A gente tinha uma lei muito engraçada que é assim, ó, no aniversário a gente tem que se Você liga para mim, eu ligo para você, nada de mensagem. E mesmo assim distante, a gente manteve isso. Aí teve um dia que eu recebi uma ligação dele e ele falou, não, eu tô com um projeto em tal marca na Thierry. E aí, cara, e eu queria incluir a Casa da Mulher Preta porque eu tô acompanhando e eu acho assim incrível.
E assim, é homenagem à sua mãe, a sua mãe é aquela pessoa que a gente sabe, né, mulher incrível e tudo mais. Eu falei, meu Deus, Renan, bora! Então o projeto primeiro foi sobre o Setembro Amarelo. Então a gente fez um projeto com eles sobre o Setembro Amarelo, foi muito legal. E aí depois recebeu outra ligação dele falando, ó, a gente quer homenagear a Casa da Mulher Preta, que que você acha? Eu falei, Renan, não faz isso comigo, eu vou, eu morro desse jeito, né?
E aí ele falou assim, eu falei para ele, olha, a casa, né, por ser clínica, acho melhor não. Mas ele falou assim, mas você é CPF, Então eu quero te propor uma linha chamada Raízes Vivas. É uma linha para cabelo crespo e cacheado, e que a Thierry vai estar encabeçando essa linha. E aí ela falou, o que que você acha? Aí eu falei, meu Deus, eu tenho que achar! Eu só tenho— agradeço muito. E minha mãe era cabeleireira, então as coisas nada se cruzar.
E esse ano fazem 10 anos que minha mãe faleceu também, que está fazendo, que é dia 8 de outubro. E aí a gente foi na fábrica, fui eu e a Mar, a gente escolheu toda, todos os componentes da linha Raízes Vivas, foi a gente que escolheu tudo. Então vai sair essa linha para cabelo crespo cacheado. Então fui eu que a gente fez, a gente escolheu cada cheiro, cada componente, o rótulo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo foi a gente que escolheu.
E aí o lançamento já está por vir, mas já estão, já pode entrar nas redes sociais aí da marca que já tá acontecendo algumas coisas. E assim, cara, eu não sei como eu tô lidando com isso ainda, essa é a real, você pode ver que ainda tá meio confuso na minha cabeça. Mas uma coisa assim que eu tô muito muito feliz assim, porque é isso, vai estar meu nome, né, no rótulo da Raízes Vivas, vai estar o meu nome, vai ter um nome, vai ter um QR code, vai estar contando a minha história, a história da minha mãe.
Então para mim, que legado, né, que essa mulher deixou, que eu tô conseguindo manter ele vivo, sabe? Então para mim, eu ainda tô entendendo, né, nesse lugar assim, meu Deus, quando tiver esse produto na minha mão, que que eu faço? E aí uma amiga minha falou, você não tem que fazer nada, filha, só tem que ser, vai viver, vai viver, né? E eu falei, não é isso. Mas assim, eu tô muito feliz com isso porque eu também entendo de onde eu vim, pessoas parecidas comigo também, cara.
Isso é real, é um em um milhão, né? E a gente ter essa abertura da marca total, falar dos símbolos adinkras que também vão vir, que é muito importante, que são símbolos do continente, de alguns países do continente africano, que tem um significado muito importante, sabe? Vai ter eco bag, vai ter— meu Deus do céu! Então tô muito feliz. E aí a gente quis trazer, ainda não é Raízes Vivas, mas a gente quis trazer algo da marca para presentear vocês também, porque a gente já tá nesse aquecimento aí.
Eu tô morrendo de orgulho aqui. Se tiver lançamento, chama a gente para festa, com certeza. Queremos, obrigada mesmo, porque isso é muito legal, não não é nem só o legado da sua mãe, né? Não, não falo só não como algo pouco, mas sim fruto não só do seu trabalho, mas da confiança, né? Colocar o nome de uma pessoa numa marca precisa ter uma confiança muito grande. E o fato de você tá trazendo esse legado e com tanta ética em relação, cuidando tanto das pessoas, oferecendo um serviço tão bonito Mais que merecido, parabéns, né?
E não deixa de ser cuidado, é cuidado também. Olha, eu já tô achando massa, já tô assim sensacional.
Mãe de uma criança de 3 anos, ai, a gente, desculpa, a gente ganhou.
Obrigada, a gente ganhou primeira mão, sabemos que é um luxo, né?
Agora eu vou fazer uma hidratação, eu vou fazer vídeo depois para vocês.
Noemi, faz 10 anos que a sua mamãe faleceu. Qual o nome da sua mãe?
Nome da minha mãe é Aldaísa Alves do Carmo.
A Dona Aldaísa, quantas homenagens, né, você falando, né, quantas pessoas envolvidas e querendo homenageá-la, né. É sempre, mesmo após a partida, né, sempre foi assim, sempre foi. E Noemi, o que que pensando você falando com tanto carinho, com tanto amor da sua família, né, da sua mãe, e a gente falando exatamente desse processo de maternidade e tudo mais. O que que você acha que a sua mamãe deixou para você enquanto ensinamento, que você faz questão de falar para todo mundo e ensinar para o seu filho hoje?
A liberdade. Eu acho que isso é o grande ensinamento dela, sabe? Tem uma questão que eu falei, olha, quero trabalhar com essa população, mulheres, comunidade LGBTQIA+, homens e pessoas pretas. Porque eu tenho um amigo meu chamado Felipe, que ele é um homem gay. E um dia ele foi na minha casa, foi a primeira vez que ele foi na minha casa, ele falou assim: Noemi, queria tanto que a sua mãe fosse minha mãe. Aí eu falei: por que, Felipe?
Cara, eu não precisei performar aqui, eu só precisei ser eu mesmo. E minha mãe me acolheu, e sua mãe me acolheu do jeito que eu sou. Cara, isso nunca saiu da minha cabeça. Isso também tem na casa, sabe? A sustentação da casa também vem da fala dele, porque isso nunca mais sai da minha cabeça. Então você poderia ser quem você for, você era acolhido dentro da minha casa. Minha mãe brigava até por conta disso. Então acho que o maior legado que eu quero levar, por isso que eu falei sobre liberdade, é isso, sabe?
E também uma questão política que que era importante. Na minha casa isso era muito falado. Eu venho com essa base também política. Eu não tô falando de política partidária não, tá? De reconhecer realmente as ações públicas, sabe? De dar nome, ó, foi fulano.
As pessoas acham que política é partidária.
Política é todos os dias, é isso mesmo, de reconhecer o outro, de falar, ó, vamos apontar aqui. Então essa liberdade, essa autonomia— minha mãe era uma mulher muito autônoma. Minha mãe faleceu com 64 anos. Juntos, muito. E ela tinha um sonho de fazer direito ainda. Eu falava, mãe, se você fazer direito, nossa, você vai ser a sensação da faculdade. E eu tenho os meus amigos, então a minha mãe ia no samba com a gente. Minha mãe era uma figura central dentre os meus amigos.
Eu tenho uma amiga minha, Carol, que também é psicóloga, que tipo ela adorava ir no samba com a minha mãe. Show, show do Crioulo, a gente levou minha mãe no show do Crioulo também. E ela, vamos junto! Ela ria com a gente. Então a minha mãe era essa figura central, né? Quando a gente, você fala nessas homenagens, é porque eu acho que minha mãe era essa pessoa, sabe? Livre, que trazia liberdade, que dá a comida, que para ela comida era afeto.
Ela falava, ai, comida é amor. Às vezes eu não gosto de cozinhar, mas ai, eu quero dar, fazer uma coisinha para fulano, para ciclano. Então minha mãe era essa pessoa que às vezes as pessoas me encontram, elas falam assim, pô, eu tenho até dificuldade de entender que sua mãe não tá mais aqui. Tem, porque a presença dela preenchia tanto e tá tanto na gente que eu tenho dificuldade de entender.
Mas olha lá, aí ela permaneceu. Olha aí quantas coisas.
E aí eu acho que é isso, sabe? É a liberdade que eu tenho que trazer para o Caio Dê, sabe? Se posicionar. Minha mãe era uma mulher que se posicionava muito. Minha mãe era cabeleireira, mas é uma mulher que tinha limite. Ela colocava o limite dela, você gostando ou não, e ela mantinha o posicionamento dela. Dela. Então, cara, era mulher que enfrentava muitas coisas também. Então eu tento trazer isso. Então às vezes quando eu tô muito perdida, sabe, eu tento me conectar com essa força, com essa energia dela, porque é para eu voltar. É isso.
E é muito interessante, né, porque todas as vezes que eu encontro Noemi, ela tá com cabelo diferente. Sim, é sempre fantástico, porque você faz arte no seu cabelo. Você tem mão também para fazer tudo que você também fazia?
Não, e aí não, Aí não, eu acho que eu, a herança dela, acho que vem muito mais a palavra. Minha mãe expressava muito bem, mas a minha mãe escrevia muito bem. Então gosto de escrever também. Agora, meu cabelo é pela Vera.
As habilidades manuais aí, né?
Seu trabalho é muito bom.
A Vera é maravilhosa, ela é da Zona Leste. Então a gente, além de minha transista, também uma amiga muito pessoal. Então é dela assim. Esse eu não, não conseguia herdar. Ainda eu consigo, porque é isso, né? É meu cabelo, é um crespo, tem a curvatura 4C, e eu— é necessário que a gente também saiba manusear, entender qual o melhor creme, qual não é. Então isso para mim é tranquilo. Agora fazer a trança e tudo mais, não. Até o João Mário fala, cara, quem vai trançar o cabelo do Caio Deu? Eu falei, não, a gente vai ter que pagar alguém, cara.
Ou você aprende, que eu não sou dessa ainda, não tenho isso aqui ainda, não Lindíssimo!
Mas agora você tá sabendo mais de cabelo, né?
Agora tem uma linha.
Ah, mas aí eu peguei um pouco das coisas da minha mãe, né? Que minha mãe já trabalhava com cabelo afro naquela época. Então há 10 anos atrás, ou mais de 10 anos, minha mãe sempre foi especialista em cabelo afro. Então minha mãe falava, ó, macadâmia é gostoso, é bom cabelo crespo, nutrir. Então fui pegando essas dicas aí, entendi.
Não tem muita mamãe na sua história, né? Se ela foi falando, fui muito lembrando da minha história, né, gente? A gente é muito mais parecida do que você imagina, muito mais. Minha mãe também era do afeto pela comida. Então eu entendo essa falta que faz de uma pessoa que preenchia tanto, né?
Às vezes a falta é— a gente sente dor, né, com essa falta. Não tem jeito.
Até hoje o seu luto dá uma engasgada.
Dá, nossa. E eu tento, às vezes é difícil, acho que não dá para negar. Me acolher também, né? Porque psicóloga, né? Então às vezes a gente quer dar uma racionalizada em alguns momentos, entender o que tá acontecendo. Mas aí eu sempre, é um trabalho junto com a minha psicóloga, que é deixar para lá a importância de sentir. Bora sentir, bora se acolher. Mas eu me tô me permitindo a sentir, ficar ruim mesmo.
Você é o quê, da comportamental, né?
Não, eu sou junguiana. Mas aí eu vou dizer uma coisa, porque eu falo racionalizar, porque aí já anoi né? A Noemi fora, é a Noemi. Por isso que a gente faz esse trabalho de separar ali. A Noemi fora do set terapêutico é uma Noemi muito racional, é uma mulher muito pé no chão, é uma mulher que enxerga a realidade da maneira que é. E às vezes não quero interpretar a realidade.
Curioso você ter ido para Jung, então.
Curioso muito. Mas, ó, Professor Zacarias, ele te encantou? Ele me encantou. Porque esse simbólico, é, o Professor Zacarias me encantou num negócio. Ele tem ele tem um livro chamado Ori Axé. E aí a gente tava na supervisão e, cara, ele era o único professor também que me dava espaço para falar. Isso era muito maluco. E quando ele falou desse livro Ori Axé, eu falei, caraca, que legal, um professor falando, né, trazendo a psicologia junguiana junto com mitologia do orixá.
Eu nunca tinha ouvido falar sobre isso, nunca. E aí eu comecei a pesquisar E eu fui atender também na faculdade a partir da psicologia junguiana, e eu amei o simbólico, eu amei o signo, eu amei.
Nossa, eu amei, eu fiquei louca, eu falei, gente, eu amei o espaço.
Olha, já defendendo, né? Eu, né? Eu amei o espaço que a terapia, principalmente na abordagem junguiana, dá para a gente ali, sabe, para olhar o sonho junto com sonhador, para a gente trazer as mandalas, para a gente trazer a música e vamos interpretar. Isso para mim, porque eu sou muito ligada à arte, conecta com a sua história, por isso, entende? Então por isso a escolha pela abordagem junguiana, mas sempre trazendo a perspectiva da psicologia preta também, que trabalha tudo isso.
Mas é isso, e eu tenho que separar muito bem, a Noemi lá no set vai mergulhar junto Bora com o paciente, a partir dessa troca vamos entender esse inconsciente também. Mas a Noemi fora, eu sou bem racional.
Curioso isso, né? Porque acaba sendo uma disputa aí de selfies quase.
Nem tanto, viu? Tá bem tranquilo. Mas eu acho que se tornou mais racional muito por conta do luto, não vou mentir para você, tá?
Porque é transformador, né?
É isso mesmo.
E só quem vive isso entende.
É isso mesmo. E até para encarar a vida eu tive que é isso, eu tive que racionalizar para viver, senão, pô, como eu ia viver sem minha mãe, sabe? Viver sem minha mãe, eu tinha acabado de mudar, eu tava, né, eu casei em junho e a minha mãe faleceu em outubro do mesmo ano.
Foi isso, eu tive que mudar antes dela.
Não, não, mudei, eu mudei no dia que eu casei, eu já fiquei em Santana de Parnaíba já. Então foi isso só. Então Eu falo assim, eu acho que eu não tive outra escolha. Se eu não racionalizasse, imagina, eu tava em um lugar totalmente diferente.
E é completamente diferente, né? Sair de São Paulo e ir para Santana de Paraíba é um outro mundo.
É isso mesmo. Então eu vivia numa rua que eu saía, eu conhecia todo mundo, conhecia não só a pessoa da minha rua, mas na rua de cemitério. Aí eu vou para um lugar que eu não abri a porta, não conhecia ninguém, que às vezes eu tava chorando, as pessoas O que que essa menina tá chorando? Então eu não tinha ninguém, eu só tinha o João Mário, só. Então acho que uma maneira para eu sobreviver em Santana de Parnaíba, principalmente nesse início, foi racionalizando.
Muitos lutos, né, ao mesmo tempo, muitas mudanças.
Isso mesmo, aí eu tive que trazer a razão.
O calo formou, né?
Formou. E aí hoje na terapia a gente trabalha para, opa, diminuir aqui. Mas eu acho que uma forma de compensar é estar na terapia junguiana, sabe? É trazendo, é trabalhando. E eu eu amo. E é muito louco, lá é uma outra pessoa assim, real assim. E tá tudo bem, mas eu entendo que essa persona aqui da racionalização me trouxe até aqui, não dá para negar, não dá. Isso eu não consigo negar.
E Jung era um gato, né? Nossa, querida, que prazer receber você! Que quantas aulas, meu!
Muito obrigada por compartilhar não só as suas suas experiências, os seus projetos, como a sua história, que é muito linda também. Foi muito lindo de ouvir. A gente tá muito agradecida mesmo e muito inspiradora, muito, muito.
E a gente vai deixar, gente, o contato da Casa da Mulher Preta, da Noemi. É bom saber que tem também uma psicóloga junguiana para eu poder encaminhar. Mas é um projeto muito incrível. Entrem lá, Siga, é muito legal, é muito inspirador você ver um cuidado tão grande com tantas pessoas.
É um projeto muito amplo, né?
Se tivessem mais projetos assim, nossa, acho que o mundo seria outro. Então eu fico muito feliz e muito orgulhosa de conhecer alguém que tomou essa frente. Você foi muito corajosa, meus parabéns.
Ai, meninas, meus parabéns e muito obrigada, muito obrigada mesmo.
Muito obrigada pela acolhida, pelo convite. Gente, me senti muito abraçada aqui. Obrigada também por dar importância e voz também para esse projeto, que eu entendo que tem eu, tem Marcelle, tem Bianca, tem Jackson, tem Elaine chegando agora, tem Paulo, tem Kate. É feito de muitas mãos, sabe, que acreditaram no meu sonho. Então esse também vai um agradecimento para vocês, equipe Casa da Mulher Preta. E muito obrigada por esse espaço, vocês são incríveis também.
Imagina, querida. Gente, se inscrevam, curtam, sigam a Noemi, escreve, deixa recadinho. Um beijo, fala com mulher, hein?
Pode seguir a gente, viu, gente? Segue lá a Casa da Mulher Preta, que isso também é importante.
É isso aí, é isso aí. Um beijo, gente, obrigada enorme. Até a próxima!