Episódios de Psicomanas - Entre Surtos e Insights

T3#04 - E Essa "Culturinha" Red Pill, heim!? (Léo e Fernando Cauê)

10 de setembro de 20261h6min
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O que está por trás da cultura Red Pill e por que esse discurso está conquistando tantos jovens?Neste episódio do Psicomanas, recebemos Léo e Fernando Cauê, do podcast Tadinho, tá difícil ser macho!, para uma conversa provocadora e bem-humorada sobre machismo, masculinidade, relacionamentos e os perigos da radicalização de jovens na internet.Falamos sobre a influência desses discursos dentro de casa, os desafios dos pais e a dificuldade cada vez maior de construir relações maduras, respeitosas e saudáveis.Um papo sério — mas sem perder a ironia — sobre o que acontece quando ser “macho” vira desculpa para não amadurecer.Dê o play, compartilhe e venha discutir com a gente: afinal, está difícil ser macho ou está difícil crescer?#Psicomanas #RedPill #Masculinidade #Machismo #Relacionamentos #ViolenciaContraAMulher #Jovens #MasculinidadeToxica #CulturaRedPill #PodcastBrasil

Participantes neste episódio4
D

Danielle Gomes

Host
D

Dra Giovana Castro

Host
F

Fernando Cauê

Convidado
L

Léo

ConvidadoJornalista
Assuntos5
  • A influência da cultura Red Pill e a monetização da insegurança dos jovensRed Pill·adolescência·insegurança·machosfera·Betinha·Sigma
  • A origem do podcast 'Tadinho, tá difícil ser macho!' e a evolução pessoal dos hostsmachismo·masculinidade·relacionamentos·amadurecimento·Recuse a Pílula Vermelha
  • A caixa do homem e a limitação emocional imposta pela masculinidade tóxicamasculinidade tóxica·analfabetismo emocional·depressão·ansiedade·O Trabalho dos Homens
  • A importância da comunicação e do acolhimento para a educação masculinaeducação·paternidade·diálogo·confiança
  • A dificuldade dos homens em reconhecer o machismo e a importância da auto-reflexãomachismo·paternidade·responsabilidade·Tadinhômetro
Transcrição183 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
DGDanielle Gomes

Oi, gente!

DGDra Giovana Castro

Oi, gente, tudo bem?

DGDanielle Gomes

Eu tô muito animada hoje. Aliás, eu tô especialmente animada porque hoje o nome do episódio é em homenagem a um projeto tão fantástico que eu sou fã desde a primeira vez que eu vi. E eu tô muito feliz que eles toparam vir aqui.

DGDra Giovana Castro

Muito! E vieram de longe.

FCFernando Cauê

Vieram de longe.

DGDanielle Gomes

Olha, gente, estamos lisonjadas para falar de um assunto que acho que é o que mais tem voga hoje em dia, né? A gente fala muito sobre— a gente tá na temporada, né, de maternidade, tudo isso. Mas quando a gente fala de maternidade, gente, a gente tá falando de parentalidade, a gente tá falando família no geral, independente da constituição familiar, tá? É muito importante deixar isso claro. E quando a gente fala de famílias, a gente não tá falando só de colocar o nenenzinho no colo e amamentar.

A gente tá falando de pai, a gente tá falando de irmão, a gente tá falando de avô, tios, da estrutura familiar, do papel do homem na estrutura familiar também, a importância, né, do homem.

DGDra Giovana Castro

Até porque nós falamos também aqui, né, desde o começo, que a nossa preocupação também é trazer sempre muita leveza sobre muitos assuntos, muitas pautas, né, diversidade. E a gente não fala só para mulheres, falamos para pessoas, né. Então isso é muito importante a gente ressaltar, né, que somos duas mulheres e que no começo tivemos, né, ah, mas vocês fazem um podcast para mulheres.

DGDanielle Gomes

Aqui no estúdio falaram isso para gente, é um podcast para mulher. Eu falei assim, nossa, estamos em 1950. Obrigada. Exatamente. Então a gente fala para mulheres, para homens, para árvores às vezes também, dependendo. Mas a gente tá com privilégio aqui de receber essa dupla sensacional, extremamente inteligente, divertida, do Tadinho, tá difícil ser macho.

DGDra Giovana Castro

Meninos, sejam bem-vindos, meninos maravilhosos!

DGDanielle Gomes

A gente vai pedir para vocês se apresentarem para o pessoal. E gente, prestem atenção nesse episódio, fica aqui, fica aqui, não sai, fica aqui, não muda.

FCFernando Cauê

Quem começa?

DGDanielle Gomes

Quem começa? Fica à vontade.

FCFernando Cauê

Bom, meu nome é Fernando Cauê.

DGDra Giovana Castro

Fernando, gente, é Fernando.

FCFernando Cauê

É, mas lá no podcast e na minha vida, meu apelido é Reginaldo, né? Foi um apelido que eu peguei na faculdade e até hoje lá no podcast é mais fácil eu me falar as merda que eu fazia como Reginaldo, né? É botar em terceira pessoa, o alter ego Reginaldo. É mais fácil receber as críticas, é mais fácil me olhar e falar, olha o que o Reginaldo faz, rapaz, faz, né? Porque fazia parece que é distante. E eu conheço o Léo aí há 20 anos de idade, eu tenho 40 e já tô também no meu segundo casamento.

Então assim, a gente vai aprendendo aí alguma coisa, né, Fernando? Vai aprendendo alguma coisa da vida aí, né?

DGDanielle Gomes

Que legal! É isso.

LLéo

Eu sou Leonardo, né? Como o Reginaldo falou, a gente se conhece aí já tem 20 anos, 20 e poucos anos. Eu, esse é um assunto, né, que me interessa bastante assim, né? Sou CLT, né? A gente é trabalhador, CLT e podcaster, né, Reginaldo? E aí enfim, criadores de conteúdo. Vida corrida e tal. Mas inicialmente eu tive um canal no YouTube que chamava Recuse a Pílula Vermelha, que tinha essa intenção da gente falar, né, sobre masculinidades, né.

E aí esse canal ele foi derrubado. A galera, né, do outro lado se organizou e aí denunciaram massivamente o canal e o canal caiu. E não tinha conteúdo de ódio, mas ele foi derrubado por conteúdo de ódio. Aí desencanei, falei, ah, deixa para lá, não vai ser o assunto que vai dar para desenvolver. E aí é engraçado isso assim que o Reginaldo falou, que ele tá no segundo casamento. Eu também tô indo para o meu segundo casamento, caso agora em novembro.

DGDanielle Gomes

Eu tô no meu segundo casamento também, olha só, eu parei no primeiro, tá bom, tá ótimo, tá tudo bem.

LLéo

O Reginaldo falou uma coisa que é interessante, ele falou assim, as mulheres normalmente vêm mais prontas, né? A gente precisa ir aprendendo e a gente machuca muita gente no meio do caminho, assim, fica entre mortos e feridos. A gente chega em um lugar menos pior nessa fase da vida, né? Então eu tenho muito, muito carinho pela minha ex-esposa, né? Mas aí, depois que a gente ficou solteiro, mais ou menos no mesmo período, que foi lá 2022, 2021, época da pandemia, né, pouco depois da pandemia, e aí fomos para pegação, né?

Aí, pô, aplicativo de relacionamento, vai conhecer gente, não sei o quê e tal. A gente trocava muito, né? Puts, é engraçado isso, né? Fulano, 30 e poucos anos nas costas, querendo viver vida de rockstar, né? Ah, meu Deus, onde você quer? Vou para pegação e se achando e tal. E aí a gente vai vendo, cara, que para vocês verem como é recente, né? Eu tô com 42, então foi mega recente agora. E muito nessa troca assim, caraca, fiz besteira com fulano, hein?

Caraca, determinada situação, acho que eu poderia ter sido menos babaca. E aí a gente foi trocando e conversando, conversas muito profundas, né? Isso que é legal também, gente.

FCFernando Cauê

E ouvindo, só desculpa, interrompei, ouvindo as cobranças da mulherada, né? Porque é isso, a mulherada ela tá em cima, tá ativa, né? Tá certo. E só para complementar um pouquinho do que o Léo falou, do parece que vai aprendendo, a gente tem uma grande amiga da faculdade nossa que é do grupo, que ela fala, cara, ficar com homem É uma merda. Então se você ficou com o cara, se a primeira namorada se ferrou, você pegou no prezinho, você já te vê na segunda namorada, né?

Tipo, agora a minha companheira, agora se ela conversar com a minha ex-companheira, é outro ser humano que elas estão falando. Tipo, porque a minha companheira já me pegou com mestradinho ali, já tá no segundo casamento. Minimamente eu sou um adulto educacional.

DGDanielle Gomes

Olha, talvez querendo estudar, querendo estudar, evolução distância.

FCFernando Cauê

Então assim, pelo menos adulto funcional a gente agora consegue ser, né? Mas quando eu saí de casa eu não era adulto funcional não, não era mesmo.

LLéo

Desculpa. E por adulto funcional, não, maravilhoso de nada. E por adulto funcional é engraçado isso também, né? Porque foi agora de novo, né, 30 e lá vai cacetada anos, que aí a gente cada um foi morar sozinho. E aí que você pensa, ah, eu preciso lavar louça, senão ninguém vai lavar louça.

DGDanielle Gomes

Não aparece magicamente no armário de vocês?

FCFernando Cauê

Achava que o papel higiênico, quando não aparecia lá, pendurava? Não pendura. Ah, rapaz, você fica e não vai.

LLéo

E aí fazer uma comida, né? Então, então olha só, né?

FCFernando Cauê

E aí, básico de um adulto, né? Funcionar, né?

LLéo

Como, como adulto assim. Então foi esse período que foi muito legal, porque a gente começou a ter essas conversas muito de se responsabilizar mesmo pelas próprias babaquices assim, né? E aí a gente começou nessa de Vamos gravar? Aí eu falei, não, pelo amor de Deus, não!

FCFernando Cauê

O quê? Deixar na internet pra eternidade? Na eternidade me afussa lá, ficar lá falando. Não, e porque assim, gente, se você pegasse o meu Orkut, porque eu sou velho, meu Orkut é um outro ser humano, eu seria canceladíssimo, escrotíssimo. Daqui a 10 anos, vai saber?

DGDra Giovana Castro

Eu não sei.

FCFernando Cauê

A gente tá vivendo uma distopia agora em 2026, 2036 a distopia pode estar diferente, a coisa tá escalonando. Pavor! E desde a época do Recusa a Pílula, ele fica, vamos, mano, nós se dá bem, nós é brother. Eu não, morro de vergonha. Até ele me insistir que eu tinha— eu vou interrompendo ele mesmo.

DGDanielle Gomes

A gente também se dá mal.

FCFernando Cauê

E ele disse, vamos gravar uma, um áudio a gente conversando e vamos ver.

LLéo

Aí foi isso.

FCFernando Cauê

Então eu fiz essa armadilha para o Reginaldo, me deu uma cervejinha, entendeu, para dar uma sortada.

LLéo

E foi um pouco como você falou, né, Dani, no bastidor, assim, né, no mínimo, no mínimo, uma vez por semana eu tô falando com um grande amigo que eu conheço há mais de 20 anos.

FCFernando Cauê

Divertidíssimo, divertidíssimo.

LLéo

Então vamos lá, cara. Reginaldo, uma cerveja eu vou pôr para gravar aqui, o que vai dar vai dar, tá bom?

FCFernando Cauê

Tá bom.

LLéo

Primeiro episódio vamos falar sobre vulnerabilidade, tá bom? E aí, gente, assim, ó, se a gente ouve hoje é uma vergonha.

FCFernando Cauê

Já falei, a gente entende, é normal, normal. Falei para ele, tira, mano, tira do ar, pessoa escutar aquele lá não pode, mano, para. Não vai querer voltar, não vai querer voltar.

LLéo

Mas é muito legal porque aí vai refletindo também a nossa própria evolução no meio do caminho, a maturidade acontecendo a cada episódio, né? Ao vivaço, ao vivaço assim. Então o segundo episódio foi: é difícil dar match, que a gente tava comentando muito sobre aplicativo, que a gente ficou indo pelo aplicativo, né?

FCFernando Cauê

Eu tinha acabado de começar a namorar.

DGDanielle Gomes

Vocês estão na mesma linha do tempo que a gente.

LLéo

E aí, e aí enfim, né? E aí então até que chegou uma hora que consolidou, né? Assim, cara, fomos conversando, conversando, conversando, e aí começamos a puxar algumas pessoas assim, né? E o Reginaldo é ótimo de relacionamento, né? Fala muito bem, ele fala bastante, tem muita energia. E aí ele foi atrás de pessoas para conversar e tal. E aí uma galera começou a aceitar falar com a gente, inicialmente uma galera de banda, né?

FCFernando Cauê

Na verdade a gente começou chamando amigos nossos.

LLéo

Isso, verdade, verdade.

FCFernando Cauê

Um amigo meu que foi pai para falar sobre tá difícil ser pai. Daí a nossa amiga que falou do tá difícil morar junto, né? Que ela tava falando que ela tava também separada do segundo casamento já com filho, já que Todos os homens fodidos, né? E aí também eu usei o podcast, eu uso ainda para falar com o pessoal de banda, porque eu era do rock and roll, pá. Então eu vou chamar os cara de banda que eu quero conversar. Foda-se o tema, foda-se.

Mas vamos tentar inserir o machismo, que eu sou tietão, tá ligado? E que para homem também, os cara fica com vergonha. Não vou tirar foto, não vou. Eu vou lá, tiro foto, peço autógrafo, não tô nem aí mesmo não. E fico inclusive nervoso se tô entrevistando alguém que eu gosto, homem ou mulher.

LLéo

Ele fica, ele teta, ele fica nervoso.

FCFernando Cauê

Eu fico nervoso, tô super nervoso aqui ainda, pô. Tomando água.

LLéo

E aí eu acho que tem uma coisa que também é legal falar, que assim, invariavelmente, quando a gente— até hoje isso acontece assim— a gente começa a falar: não, porque, putz, meu, eu dei gosto na menina, mas tem que ver também, pô, que eu tava sobrecarregado. E aí, putz, meu, aí, nossa, eu tinha que fazer um trabalho aí, não sei o que tava acontecendo. E aí, porra, coitado de mim, coitado, não sei o quê. E aí você encarna esse cara, o coitadinho, meu Deus, tadinho de mim, sabe assim.

E todos os caras é a mesma coisa. Assim, teve um episódio, gente, foi genial, recente, que foi uma convidada que o apelido dela na internet é Jaque Concerta. E ela tem um perfil que ela ensina mulheres a fazerem trabalhos manuais, assim. Então, uma serralheria, furar parede, não sei o quê. E é só pra mulheres, assim. E aí ela prestava esse serviço.

FCFernando Cauê

Ela dá workshop no Sesc, em faculdades.

LLéo

E aí ela começou a falar que, cara, não é só sobre pegar um martelo, é a distância social que separa a mulher do martelo, né, até mudar, quebrar isso na cabeça dela. Você consegue, não é tão difícil assim, né? Não é só porque um cara veio te falar que não dá para fazer que não dá para fazer. Pega o martelo, vai lá e faz. Mas ela não tava, ela não tinha muita paciência para machice assim, sabe? E a gente começava a falar, ela fazia assim, ó: nossa, deve ser muito difícil ser você, cara.

FCFernando Cauê

Pensei, o quê, que tem que ter o cabelinho também, cara? O que que você quer que a mamãe faça?

DGDanielle Gomes

Na boca, né? O mínimo.

LLéo

Aí quando a gente se ligou Caraca, de novo! Ele criou o Tadinhômetro, que é quando, né, Reginaldo, a gente percebe que a gente tá entrando nessa. Aí o Reginaldo fala assim: 1 a 0 no Tadinhômetro.

FCFernando Cauê

Só que coitado que ele é, tá difícil. Olha que dificuldade que ele tá em trabalho.

LLéo

A gente volta aí.

FCFernando Cauê

Putz, ele é um adulto que limpa a casa.

LLéo

Olha só, nossa senhora, tem que pagar boleto.

DGDanielle Gomes

Meu Deus do céu, que isso, gente! É uma coisa muito interessante, né, vocês trazerem na perspectiva de vocês, porque a gente sempre que traz, né? Ou não, não é função. O homem não ajuda a limpar a casa, a casa é dele também. Ele tá limpando um bem dele. Por que que ele pode limpar o carro e não pode limpar a casa também, né? Então ele não tá ajudando a mulher com filho, ele tá exercendo a paternidade. Então não são papéis pré-definidos.

Esses papéis pré-definidos colocam pesos e cargas absurdas tanto no homem quanto na mulher, né? Em ambos. Então o homem, ele tem muita dificuldade de concatenar que o machismo é ruim para eles. É muito difícil concatenar que é ruim não só para as mulheres, mas para eles também. Galera, é muito ruim realmente vocês viverem numa sociedade, quando eu falo de machismo, onde vocês têm que ser o melhor em tudo, vocês têm que ter o maior pinto.

E vou falar mesmo isso aí, sim, que te cobram desempenho o tempo todo, em tudo. Tem que ter o melhor salário, eu tenho que ter o carro mais potente, tem que ter isso, tem que ter a mulher mais gostosa e desejada pelo grupo todo. Porque se demonstrar afeto é fraco, né? Então eu tava vendo um vídeo seu que eu achei fantástico, que foi o da Maísa, que foi sobre a Maísa ter entrado na trend, né, e colocado lá o tipo de homem que ela gostaria.

E você, numa frase, você resumiu basicamente o que a gente luta tanto, né, que é, cara, isso é o mínimo. Você só buscar uma pessoa que tem caráter e seja respeitosa. É pedir muito, cara? Pedir muito é vocês pedirem 90 cm de peito, 90 cm de quadril, não pode ter estria, não pode ter isso, não pode ter passado também. Mas você precisa ser uma quenga na cama. Só que você não pode ter nenhum passado, você tem que descobrir isso do rabo do gato.

Nem pintar unha de vermelho, não pode pintar unha de vermelho, não pode ter tatuagem de borboleta, você não pode É assim, é um checklist, né? Porque é muito difícil gostar de mulher, né, gente? É um esforço pra gostar de mulher que é impressionante. Eu fico muito feliz, pois sou casada com uma. Então sobra mais. Ai, fucking don't care pra vocês. Ai, Giovanna! Não ligo, não ligo. Mas é um esforço muito grande. Eu tô no mapa da fome.

Ela tá no mapa da fome. Mas daí a gente entra naquela questão de heterossexualidade, homoafetividade. Homem, você pergunta para um cara, me fala 3 pessoas inspiradoras na sua vida, vai ser menino Neymar. Aí quando vocês mandam menino Neymar, gente, isso broxa num grau que é isso. Ai, fica a dica, gente, não é o melhor anticoncepcional que existe, total. Não dá, né? É Neymar, é não sei quem, é um lutador, fortão, não sei de onde.

Homem não lê, Não consome autoras mulheres, cantoras mulheres. Homem não consome nada que é feminino. E querendo ou não, crescer num ambiente onde homem não é ensinado a ser homem, mas é ensinado a não ser mulher, é muito difícil.

DGDra Giovana Castro

Aparecer ser homem, né? Você parece ser ensinado a parecer homem, não ser homem, né? E é muito complicado.

DGDanielle Gomes

Macho é você é mulherzinha.

DGDra Giovana Castro

E de novo, gente, a gente falando sempre, né, é É claro que a gente não tá generalizando, mas a gente tá falando de uma questão assim, não todos os homens, mas sempre um homem, mas a maior parte. Quando você vai falar desse assunto, justamente assim, o que que você foi ensinado? Quem que é a referência? Qual que é a sua identidade?

DGDanielle Gomes

Quem eu sou?

DGDra Giovana Castro

O que é ser homem, né? E isso é uma pergunta muito, muito interessante, né? O que que seria ser um homem, né, meninos? O que que seria ser um homem psicologicamente maduro?

FCFernando Cauê

Muito difícil, muito difícil. Ai, cara, hoje em dia, porque se você pensar, se fosse que eu fui criado pelo meu pai nos anos 90, é um homem totalmente diferente do que minha companheira cobra de mim. E aí já é o primeiro tadinômetro. Poxa, coitadinho de mim, né? Falaram para mim que eu não podia chorar, que eu tinha que ser contador com músculo. E aí a minha companheira quer que eu tenha empatia por, sei lá, alguma coisa que eu nem sei o que que é.

E na verdade, o que eu, no meu pensamento, o que começou a despertar isso realmente foi meu primeiro casamento. Eu não entendo como um cara consegue dividir uma vida com uma pessoa e não olhar para ela. Isso que é louco. Porque você pega minha primeira namorada, que eu sou o macho escuro da vida dela, ela me odeia. Eu fiquei com a menina 5 anos, eu não conheci um amigo dela, não sabia os gostos dela, não sabia os gostos dela.

LLéo

Era uma vida totalmente umbigo.

FCFernando Cauê

Ele conheceu ela, umbigo center. Ela tava em todos os meus rolês, uma vida umbigo center. Ela tava nos rolês de metal comigo, que às vezes ela nem gostava. Ela tava na praia comigo, conheço só amiga dela. Foi uma vez na casa de um amigo dela lá, que não curti também, arrumei briga. Era a minha ideia de amor, era uma coisa muito esquisita. E quando eu fui juntar com uma mulher, já depois, tipo, já tinha morado sozinho, já tinha saído, e ela começava a me contar as coisas, e eu via que, mano, é só eu.

Nossa Senhora, sou eu, cara, sou eu! Ela tá falando de mim quando eu tava solteiro ou quando eu não tava com ela. E aí começou a me virar umas brisas assim mesmo, tudo errado, eu sou o problema dessa merda. Uma vez essa minha primeira namorada tava andando na rua, eu parei para mexer com ela na rua, era minha namorada sem saber que era ela, porque eu vi a barriga dela. Tipo, cara, eu parei o carro para mexer com uma barriga. Quando eu olhei para aquela barriga, ela era minha namorada.

DGDanielle Gomes

Mas isso é o estímulo que os homens recebem desde sempre socialmente, é isso aí.

FCFernando Cauê

Brisado!

DGDra Giovana Castro

Você falando da sua, na questão da referência, educação, anos 90 e tal, e mesmo assim é uma coisa que eu falo, é É, são as referências, é o que foi mostrado, que foi ensinado. A gente viu recentemente aí o bebezinho sendo estimulado a falar da, né, eu esqueci o nome do cara, do filho do Leonardo. Isso, meu bebê não sabe nem o que que tá falando. Gente, pelo amor de Deus, é sobre isso, né? E você vê, é sobre não ter aprendido nada, não aprendeu nada, né?

Então é isso. Isso, né? Mas, ô Reginaldo, mas assim, que que acontece, querido? Você falando sobre essa questão, tá, eu tive essa referência, então meu pai também provavelmente foi criado dessa forma, até porque a gente tá falando de um contexto, né, geracional. Quando que te deu um clique que você falou assim, poxa, tá, eu me senti culpado, tô aqui nesse lugar de culpa. Mas quando que efetivamente você falou, não, eu vou me mobilizar para entender sobre isso?

DGDanielle Gomes

Essa é a minha dúvida também, porque você tá partindo de um princípio que depois de uma conversa você começou a tornar noção. Mas o que que acontece? É natural que as pessoas acabem se defendendo ao invés de pensar a respeito disso e se modificar.

DGDra Giovana Castro

Ela terceiriza a responsabilidade, ela paralisa, se culpa e não muda, né? Não causa um movimento de reflexão para uma mudança efetiva?

FCFernando Cauê

Tá, vou tentar resumir. Um conjunto de fatores. Eu fiz uma faculdade de relações internacionais lá em 2006, onde as próprias meninas da minha sala, que são minhas amigas, já eram mobilizadas do papo de machismo. Então lá na faculdade, puta, se o pessoal da minha faculdade ver a gente aparecer, falar, porque eu era o machista da sala, eu vi velhas virgens a vida inteira.

DGDanielle Gomes

Eu sempre gostei, a minha professora, eu fiz design gráfico no SENAC, a minha professora era do Velhas Virgens.

LLéo

A gente entrevistou o Paulão, vocalista.

FCFernando Cauê

O Paulão, a gente entrevistou o Paulão. Quem?

DGDanielle Gomes

A Juju, a de óculos, esqueci o nome dela.

FCFernando Cauê

Velhas Virgens, uma pá de vocal.

DGDanielle Gomes

Eu depois vou pegar o nome, depois a gente fala por fora. Velhas Virgens, gente, olha só, tá?

LLéo

Então, Velhas Virgens, Raimundo.

FCFernando Cauê

Raimundo. E na minha cabeça eu só queria me divertir. Eu comentei, mano, tá todo mundo no jogo. Na minha cabeça, quando eu chiframei ex-namorada, ela também dava os pulos dela. Para mim era chumbo trocado, era chumbo trocado na minha na cabeça, tá todo mundo aqui querendo se divertir, chifrando todo mundo, não dá esborna da faculdade. E aí, beleza, eu saí de casa, fui morar sozinho, comecei a ver que talvez o embate—

LLéo

o primeiro choque foi na faculdade com as amigas, com as amigas, até hoje, porque as meninas se posicionavam. Então o Reginaldo, ele vinha com essas brincadeiras no meio da sala, ah, que não sei o quê, enfim, e aloprava as meninas, aloprava, citar as brincadeiras, mas era isso assim, o primeiro choque era esse assim, passava vergonha, muito babaca, né? E aí elas se colocavam. Inicialmente era isso. Então Reginaldo cagava assim, né? Elas falavam e ele nem aí. Mas aí continua. Mas foi um choque ali, não foi?

FCFernando Cauê

Foi. Aí depois eu vi que talvez ser diplomacia, trocar ideia, muito melhor do que ir para o embate, ficar brigando com as pessoas, né? Quando eu comecei a morar sozinho, eu vim de uma criação um pouco, pouco violenta, né? Então não muita, muito diálogo. E aí depois eu fui estudar sociais, cara. Fiz uma pós em sociais que eu fui trabalhar em projetos sociais. Aí na minha pós em sociais eu comecei a ter contato com a luta dos como se construísse, e com toda a Seguridade Social brasileira, como se construiu a Seguridade Social brasileira.

E comecei a ver as leis sobre isso. Olha, rapaz, não é que é muito louco? E aí eu me casei junto com ele. Então eu fui trabalhar com projeto social em ONG, porque eu queria sair do mundo corporativo, que eu nunca gostei de mundo corporativo. E eu casei com uma terapeuta. Então tudo isso encaixou muito na minha cabeça de começar a ver um lado que eu nunca tinha visto, apesar de ter sentido. Eu trabalhava na Enel, eu trabalhava com importação, exportação.

Então aquele negócio de trabalho é uma não gosta. Eu já tava sentindo aquele incômodo, eu não dormia à noite, né? Eu tinha pesadelos, muitos pesadelos com briga, com discussões. Eu perdi muitas amizades femininas, todas as minhas ex me largaram. Tinha minha primeira, me largou. Minha segunda namorada me largou.

LLéo

Tem um padrão aí, né?

FCFernando Cauê

Tem um padrão aí, é um modus operandi, é um padrão.

LLéo

Foram todas que largaram, largaram uma coisa, essa coisa tá incomodando todo mundo.

FCFernando Cauê

E aí E quando eu realmente me juntei com uma mulher, comecei, e eu falava, brincava com ela, falava assim, mano, põe umas roupas curtas aí, caralho. Ela odeia ser bife para homem, mano, odeio. Falava, caralho, mano, a mina não quer botar o corpo para jogo, para jogo. A mina é mó bonita, tipo, né? Eu sempre fui a favor de mostra, né, amor? Quer mostrar, mostra. Até porque eu quero ver. Então é até nisso, até na liberdade rola o machismo.

É uma liberdade por interesse, tá ligado? Oxe, claro que Tipo, na época da escola, as mina que pegava os cara, eu não xingava. Eu queria ficar também. Eu falava, poxa, se eu quero ficar e vocês xinga, eu não vou ficar. Então deixa as menina fazer o que quiser. Mas sempre com um estímulo sexual por trás, sempre com uma vontadinha de, poxa, eu também quero, eu também quero participar. E eu acho que quando eu casei, junto com isso, vindo com a batalha, vendo, trabalhando em projeto social com minorias e vendo que uma mulher comentando a vida de vocês todo dia no metrô, no busão, na rua, Falei, caralho, eu sou esse maluco, mano!

Realmente o que as mina me falava lá, todas as mina, mano, todas, mano! Eu achava que era só o Raimundos falando tora-tora, tá ligado?

LLéo

É, eu acho que talvez só para te complementar, né, Reginaldo, acho que tem algumas coisas que também são legais de falar assim, né? Recentemente a gente entrevistou um convidado, nome dele é Felipe Requião, ele traduziu um livro que chama O Trabalho dos Homens. Nesse livro, nesse livro eles falam da caixa do homem, né, que é esse kit que a gente cresce dentro. Então quando você olha dentro da caixa, você tem lá suas ferramentas, né, que é a frieza, é a raiva, né.

Então é esse kit de ferramentas que você não pode sair dela. Dentro desse kit você é muito limitado sentimentalmente falando, né. E aí esses sentimentos eles não te permitem lidar com todas as situações da vida. Né?

FCFernando Cauê

Por quê?

LLéo

Porque às vezes, cara, você tá se sentindo muito triste, e se você tá triste, o seu corpo pede que você chore, seu corpo pede que você se recolha. Você não sabe nem nomear. E aí você se transforma num analfabeto emocional. Sendo analfabeto emocional e não conseguindo lidar com uma série de situações, chega uma hora que você entra em parafuso, né? Que aí vem uma depressão, aí vem uma ansiedade, aí vem uma série de situações Que aí assim, puta que pariu, né?

Se eu não me senhorizar aqui emocionalmente, vai continuar muito ruim, né? E assim, né, eu acho que paralisia do sono, Leonardo.

FCFernando Cauê

Eu tinha paralisia do sono, gente, mensalmente eu não dormia bem. Desculpa te interromper. E 6 anos de análise também, tá? Os 6 anos de análise, né? É, gente, eu não posso tirar. 6 anos de terapia, óbvio que foi algo algo muito libertador e muito bom me reconhecer, me reconhecer e falar, eu posso dar um beijo no Leonardo, não vão achar qualquer coisa. Que até que se acharem também, eu quero que se foda. Mas é, e exercer o que é o ser homem.

Aí o podcast me trouxe, com um dos meus melhores amigos da vida, umas referências bem mais, não mais legais, porque deixa eu entrar nessa, que é o seguinte assim, é Então você entra nessa.

LLéo

Eu acho que outra coisa que é muito legal a gente falar, que é um conceito que a gente usa bastante no podcast, é ninguém é vilão da própria história, né? Quando você fala de você mesmo, né, você conta uma historinha sobre você na sua cabeça. E aí assim, cara, você nunca vai ser o vilão dessa historinha, né? Você sempre vai ter uma justificativa, sempre vai ter acontecido alguma coisa para poder falar o porquê que você fez determinada situação.

DGDanielle Gomes

A história do lobo mau é o lobo mau porque quem conta é chapéuzinho, né?

LLéo

Totalmente.

FCFernando Cauê

A gente come porco todo dia e ninguém ia taxar de lobo mau.

DGDanielle Gomes

Isso, isso.

LLéo

Então o cara que ele faz essas coisas, na cabeça dele, né, ele é o tadinho, ele tem justificativas ali. E aí, então, nessa, né, putz, meu Deus, tadinho de você, tadinho de mim, meu Deus, somos muito tadinhos. E aí, conversando com outros caras, né, também no podcast, foi muito legal, porque essa pergunta que vocês fizeram, ela é muito boa, né, o que que é ser homem. É, cada homem é um homem e responde de um jeito, cada masculinidade é uma completamente diferente da outra.

FCFernando Cauê

Outra.

LLéo

Quando o cara vem e fala para você, você tem que ser um homem que faz isso, que faz aquilo, que é assim, que é assado, coloca dinheiro em casa, não sei o quê. Às vezes não, cara, depende da sua experiência, da sua vida, né? Então existem várias possibilidades de ser homem, tantas quantas existem homens no mundo. Existe um, também teve um episódio que a gente entrevistou um rapaz que o nome dele é Abel, ele é um homem gay, e ele falou, cara, a minha experiência sobre como ser um homem gay Antes disso, né, antes de eu entrar em contato com essa possibilidade, para mim gay não era homem.

DGDanielle Gomes

É, isso é muito comum, né? É homem ou ele é gay?

FCFernando Cauê

É isso, bi, homem que é bi não é homem.

DGDanielle Gomes

É uma descaracterização de gênero que você fala: não, gente, a sexualidade não tem nada a ver com gênero da pessoa.

FCFernando Cauê

É um homem. Isso no Médicos Sem Fronteiras, eu trabalhei no Médicos Sem Fronteiras 2 anos como pedindo dinheiro na rua, e eles davam esse reciclagem para gente. E aí a gente teve umas aulas sobre gênero, o que é sexualidade, é uma maravilhosidade, muito bom.

LLéo

Então, então no final é trazer para dentro do seu radar possibilidades de existências diferentes para você começar a enxergar a sua própria possibilidade de existência. Por que que eu tô falando isso? Porque quando você tá lá dentro da caixa, vocês também falaram sobre isso, né? Eu preciso performar minha masculinidade. Às vezes eu não tô sentindo, mas eu preciso performar. Que que é performar a masculinidade? Eu sou o cara que vai comer mais carne no churrasco, eu vou beber mais que todo mundo, eu vou pegar o carro mais legal, vou acelerar quando eu tiver dirigindo, Eu quero pegar todo mundo, a mina mais gata.

Às vezes eu nem acho ela, eu nem sinto essa super atração por ela, mas eu vou pegar a mina mais gata que é que todo mundo acha que é gata. Então eu saio performando, performando, fazendo e tal, e muitas vezes eu próprio não acredito naquilo que eu tô fazendo. É isso, é isso. Principalmente porque também existe essa coisa da patrulha emocional, né? Além de eu não saber nomear o que eu tô sentindo e ter ferramentas muito limitadas emocionalmente para lidar com as situações, eu ainda eu fico muito puto quando eu vejo o cara do lado conseguindo lidar.

Então o quê? Esse maluco tá— você é muito gayzinho, cara, você tá chorando. O cara tá lidando com as situações dele, então existe uma patrulha para segurar o outro também. Então assim, além de eu me limitar, eu limito outro.

FCFernando Cauê

Lembra do Creminho no Cotovelo? Um dos primeiros que fez sucesso nosso assim foi o Creminho no Cotovelo. Como é que era o nome do episódio?

LLéo

Ai, não lembro, cara, mas tinha alguma coisa de Creminho no Cotovelo.

FCFernando Cauê

A gente teve um brother, que é um super amigo nosso, que deu a nossa— a minha primeira câmera, inclusive podcast, que mora nos Estados Unidos. E ele, mano, em 2006 levava creme pro cotovelo, e ele era hétero.

LLéo

E ele é uma coisa, não tem nada a ver com outra.

FCFernando Cauê

Ele combinava o boné com a bermuda. É que, como é que é o nome que a gente chamava? Ele era metrosexual em 2006, tipo junto com os homens, tipo eu e o Fuminho. É isso, é por isso, por isso que A sociologia acontecendo, e o Herreira, cara, tipo, eu e o Fuminho, a gente disputava quem ficava mais dias sem tomar banho, tá ligado? E o Herreira colava com creme no cotovelo. A gente falou, mano, como assim, Herreira? Creme no cotovelo?

E aí, mano, sou menos homem que vocês? Tipo, então rolava, mas era de uma maneira bem leve, né? Assim, nossos amigos, acho que eu não vou zoar uma pessoa que eu não conheço, mas o bagulho do creme no cotovelo é, rolava até uma ofensa, não pode, porque você para de performar.

LLéo

Se você, se você passa creminho no cotovelo, você sai da minha caixa de masculinidade, então você não é homem.

DGDanielle Gomes

Não, isso inclusive se amplia até para a área da saúde, né? Os homens buscarem médicos, os homens irem se cuidar. Exame de próstata, imagina, para evitar um câncer, não vai, não vai fazer nada. Então a mulher acaba assumindo o papel quando acaba sendo uma mulher mais passiva, maternal. Se ela não achar, o homem não vai no médico e fala assim, gente, essa é para você não Mas isso daí é muito interessante, essa coisa da caixa, né, por dois lados.

Em relação aos sentimentos, né, que você tá trazendo de uma forma cartesiana, que você trouxe essa limitação de sentimento, é muito interessante porque a gente pode ilustrar essa, os sentimentos, de uma forma linda com filme Divertidamente da Disney, que é feito por psicólogos e psiquiatras.

FCFernando Cauê

Eu chorei horror no Divertidamente e cheguei para Audrey, minha terapeuta. Audrey, maravilhosa! Audrey, sua maravilhosa Audrey! Cheguei, eu senti Divertidamente, eu preciso ser triste.

DGDanielle Gomes

Exato. E é muito interessante porque você pega, né, aqueles sentimentos base, todos nós temos. A questão de sentimentos complexos nada mais é do que os sentimentos base elaborados. Então é quando a gente pega a tristeza, quando a tristeza elaborada e a criança é acolhida, a tristeza se transforma em empatia. Uma pessoa que nunca viveu tristeza nunca vai ser empática. E é curioso porque no primeiro filme aparece os divertidamentos da dos pais, né, dos pais da menina.

E a Riley, a principal da mesa dela é alegria, só que a principal da mesa da mãe é a tristeza, e a principal da mesa do pai é a raiva. Então você fala, poxa, pera aí, mas a mãe não é triste? Não, a mãe é empática, porque é a tristeza elaborada. A raiva, mas o pai dela é super simples, super tranquilo, mas ele trabalha para caramba, tanto que ele se muda no segundo filme, tudo isso. Porque a raiva elaborada se torna pulsão, que faz você ter essa vontade de trabalhar ao invés de sair querendo dar soco em todo mundo.

Então, pegando isso, esse que vocês mesmos trouxeram sobre essa polícia que acontece, né, de vigilância em cima das emoções, é uma coisa que eu queria trazer para esse episódio, que é hoje em dia os nossos adolescentes Eles estão vivendo uma realidade muito diferente da nossa. A nossa realidade, eu creio que vocês sejam da geração também que pegou o mundo analógico como nós, né? Nós vivemos a transformação digital e nós, graças a Deus, aí a gente teve como aprender a lidar com ócio, porque a gente tinha que assistir o comercial, né?

Não tinha tudo ali na Netflix, não dava para apertar o xizinho. Existiu bullying, existia tudo isso, machismo existe, mas hoje em dia, como vocês entendem como homens, com a mentalidade fantástica que vocês têm, como vocês estão enxergando a realidade hoje dessa molecada? Que pensando em adolescente, é uma necessidade de fazer parte, né, a necessidade tribal do adolescente querer fazer parte. Com tanto red pill, com essa machosfera dominando, E hoje em dia você vê nas próprias brincadeiras dele falando Betinha, nas próprias gírias, né? As gírias de criança são gírias Red Pill, né?

DGDra Giovana Castro

Formar aura, ser Betinha, ser alfa.

DGDanielle Gomes

Exato, Sigma, né? E eu vejo muitas mães que não entendem essa nomenclatura Red Pill achando o máximo o filho falando, porque não entende o que que é, e estimulando. Ah, mas você é Sigma ou você é Betinha? Você entendeu o que Galera, Betinha vem de beta. Isso tá dizendo que aquele, aquela criança ali que nem tem uma estrutura psíquica definida é inferior. Então tá dizendo que seu filho é inferior a um grupo. O alfa é do macho alfa, como se a gente tivesse vivendo num Animal Planet.

E a gente precisa lembrar que além do polegar opositor, a gente tem outras diferenças dos mais, apesar de termos instinto, né? Então estimular os filhos de vocês a chamar outros de Betinha, Alfa, buscar ser Sigma, isso não é saudável. Então por favor estudem mais sobre isso. Eu queria muito a opinião de vocês.

LLéo

Você quer seguir?

FCFernando Cauê

Pode começar, pode começar, que eu comecei.

LLéo

Aqui tem muita coisa, muita coisa, né, gente?

FCFernando Cauê

Achei meu caderninho, podia ter trazido meu caderninho.

LLéo

Eu tenho aqui se você quiser. Primeira coisa é: os adolescentes de hoje são tão adolescentes quanto éramos adolescentes na nossa época. Então, na nossa época, então, o pai que tá ouvindo, mãe que tá ouvindo, as inseguranças que você tinha, o seu filho tem também, né? Então tem essa coisa do: ai, meu Deus, eu sou mais feio, eu sou mais não sei o quê, eu não consigo chegar nas meninas, e putz, tem o cara que é super bonitão, e aí não sei o quê.

E aí o que acontece assim, a diferença é que existe alguém disposto a monetizar a insegurança do seu filho. Seu filho. Acho que essa é a primeira coisa. Esses caras, ele, e não só isso, as plataformas que distribuem o conteúdo não são neutras, elas priorizam conteúdo, determinados conteúdos, seja por assunto, seja por conflito, né? As pessoas engajam ali em determinados conteúdos. Beleza, plataformas não são neutras, distribuem mais determinado tipo de conteúdo, e tem gente disposta a monetizar a insegurança do seu filho cresce inseguro.

E aí vem esses caras falando como que é um homem perfeito. Eu sou o homem perfeito. Eles falam isso, eles falam: se você comprar o meu curso, eu vou te ensinar a pegar mulher, pegar mulher, a ser mais confiante, como se colocar, como aprender cursos diferentes, como financeiro também, como é que é fé, finanças, e mais uma coisa lá que é o principal, montanha, né?

FCFernando Cauê

Só subir a montanha.

LLéo

E aí Isso é muito maluco, porque eu falo, porque quando eu era um adolescente eu era muito, muito, muito inseguro, né? Eu era um nerd clássico, nerd do RPG, aquele que só andava com os nerds e tudo mais, e que tinha uma espécie de um ressentimento das meninas. Por que elas não me dão? Eu sou um cara tão legal, eu sou tão inteligente, eu sou tão virtuoso, eu sou tão bonzinho, como que elas só querem ficar com esses caras que são os mais populares da droguinha, né?

Então eu ficava ressentido disso, né? Os adolescentes continuam sendo os mesmos, eles têm os mesmos ressentimentos. E aí a plataforma distribui esse conteúdo para eles, e aí E esses caras que estão lá, desculpa, gente, lá em cima, eles ganham mais relevância, ganham mais relevância, ganham mais dinheiro, reinvestem e cresce mais. E aí vai se consolidando essa sociedade, porque sim, tem os filhos, mas aí adultos inseguros também entram em contato com esse lugar, né, onde o manual do homem perfeito existe.

E se o manual do homem perfeito tá lá, né, e é só eu seguir ele, meu Deus do céu, aí eu posso, eu posso me enxergar ali naquele cara. Eu, por enquanto, eu sou beta, né, como vocês falaram. Inclusive É até interessante vocês falarem isso, né? Porque esses caras extraíram isso da matilha, né, dos lobos. E o próprio criador dessa teoria falou que isso é besteira na natureza. Os lobos são, a alcateia é muito social ali, né, para poder sobreviver.

Mas enfim, mas eu acho que é importante que a gente tenha isso em mente, é porque, porque do lado de cá a gente tá falando assim, cara, você vai ter que elaborar, você vai ter que sentir, você vai ter que ser empático, você vai ter vai ter que vasculhar o que tá acontecendo.

FCFernando Cauê

Você vai ter que estar em contato com o seu medo, com o seu subconsciente, isso, com os valores que tua família— gente, a minha, rapidinho, a minha primeira, meu primeiro luto foi na faculdade. Foi um luto muito difícil que a gente fez na faculdade de geopolítica, quando eu vi que tudo que eu acreditava fazia o mundo ser uma merda, cara. Puta que pariu! E aí é fácil entrar na puta, essa faculdade aí tá me catequizando. Não quero, entendeu?

Porque, gente, eu sei que vocês não falam de política aqui, mas eu antecipei meu voto com 16 anos para votar no Maluf, com 16 anos, entendeu? A rota na rua, rota na rua, Lula, estuprar mais não mata. O cara falou estuprar mais não mata, ele falou, falou. E na época o paulistano se revirava para falar que tiraram de contexto. Então assim, quando eu entrei na faculdade e a gente fez, a gente começou a ler livros de direita e de esquerda, é um pouco de sociologia, geopolítica, história, como é nossa história recente se construiu, eu falei: eita porra, não é que tacar uma bomba lá na favela não vai adiantar de nada?

Não vai, cara. E eu achava que o Tropa de Elite falava disso e não falava, cara. Olha que que eu sou.

DGDanielle Gomes

Então foi um primeiro luto que veio, é um luto de si mesmo também, né?

FCFernando Cauê

Mas você entende que dói? Claro que sim. Como é que eu vou falar que o valor que meu pai me passou tá errado? E aí, o que é errado, que não é, a gente vai entrar em um lugar muito mais simples, né?

DGDra Giovana Castro

Você entrar nesses discursos simplificados do que você entrar na sua frustração complexa.

FCFernando Cauê

Frustração, isso é isso.

LLéo

E tem um outro estágio que eu acho que também é tão ruim quanto, ou talvez pior, pior, que é: eles dão qual que é o guideline, né, que que você tem que fazer para ser esse cara incrível, maravilhoso, completo. Você faz isso e você não consegue, mas a culpa não é sua, a culpa são das mulheres que não entendem o quão maravilhoso, incrível, sensacional você é.

FCFernando Cauê

Você, em vez de ficar com ele, tá ficando com a sua esposa, tá trocando ele por mulher.

DGDanielle Gomes

Pela graça de Deus, a culpa é sua, entendeu? Aí existe uma somatória também que eu gosto de dar nome aos bois, obviamente. Pietra, Beto, né, que eu não quero, Pietra, eu nunca vou querer saber sua opinião. Então, mesmo porque você não deveria ter, né, porque nem casada, segundo você mesmo, eu sugiro que você siga o que você fale e vá lavar uma louça. E quando você se casar, porque nem casada você é, eu pergunto a sua opinião para o seu marido, né.

Então a gente tá vivendo uma realidade que existem mulheres handmade tail, né, que elas elas querem tanto também chamar atenção entrando de carona num discurso tão absolutista, tão absurdo, que assusta, porque parece que corrobora com a ideia da violência masculina. As mulheres gostam disso.

LLéo

Então teve isso, é engraçado a gente pensar também, né? A gente fala tudo isso que a gente tava falando sobre a forma como a gente foi criado, a referência do meu pai, quem são as minhas figuras masculinas, é a forma como a gente é socializado, é a socialização masculina masculina. E as mulheres, né, da nossa geração, antes disso também, também eram, são socializadas dentro de uma sociedade colocada com regras masculinas. Tem um podcast muito bom que chama Platitudes agora, que é do Leandro Karnal com a Gabriela Prioli, tá?

E a Prioli, ela falou uma coisa que me pegou muito nesse sentido, que ela falou assim, cara, eu entendia que agressividade era cuidado. Então assim, é, aquilo me fazia mal, eu sofria aquela agressão, seja psicológica, seja física, e eu entendia que aquilo era cuidado. Então, que o homem ideal, o homem que é homem, ele tem que ter ciúmes, ele vai me segurar na balada, ele não vai deixar eu fazer aquilo. Só que aí chega um momento que ela própria começou a perceber que ela tava sendo limitada em uma série de aspectos na vida e que ela sempre seria menos do que aquele cara que tava cuidando dela.

Dela. Então é isso que você falou, né? De novo, gente, ninguém é vilão da própria história. As pessoas, quando elas divulgam esses conteúdos, na cabeça delas, elas têm o que elas entendem como o ideal para sua vida. Tava funcionando até agora, porra, meu vô ficou quantos anos? 50 anos com a minha avó.

FCFernando Cauê

Ninguém fala se ela tava feliz ou não, né?

DGDanielle Gomes

E isso da agressividade é interessante porque assim, as pessoas esquecem que existe uma raiz ali. Então a partir do momento que dentro de uma família você é criado Eu estou te dando tapa na bunda, eu tô te batendo porque eu te amo, porque se eu não te amasse eu não tava nem aí. Você entende que demonstração de amor é agressividade, a violência? Aí você cresce, leva umas pancadas. Não é ele me ama, ele vai mudar, é diferente, é cuidado, né?

Então pensando numa sociedade que tá sendo estruturada de uma forma arcaica, e cada vez mais a gente tá enxergando grupos masculinos se juntando tá vindo, dá uma impressão, eu tô falando impressão porque eu não tô afirmando, dá uma impressão de que os homens eles estão tendo noção das capacidades das mulheres e tá apavorando eles, porque antes eles só precisavam disputar entre eles, as mulheres ficavam quietinhas. Aí vem as mulheres e trazendo, olha, olha a minha competência, olha meu papel, olha meu lugar de fala.

Eles além de disputar entre eles têm que disputar com mulher. Não, não, não, voltem a ser magras parecendo, aparecendo osso, vamos fragilizar o corpo das mulheres, né? Tá faltando isso agora.

FCFernando Cauê

É, não pode lutar contra.

DGDanielle Gomes

As mulheres estão, parecem doentes. Aí, Ariana Grande, a gente tá assustador. Então a gente começa a fragilizar, a moda começa a ditar o que é certo, o que é errado. As mulheres, elas entram nessa fragilidade estética, etc. E esses grupos se reunindo cada vez mais e virando exércitos.

LLéo

Mas tem uma coisa que eu acho que é legal também a gente falar, que assim, eles também foram muito inteligentes em ocupar o espaço que a gente não tava. Quando eles ocuparam esse espaço, o que que eles começaram a falar? Eles assim, se colocando nesse lugar dos caras incríveis que sabem qual que é o caminho, tudo que não concorda com que eu tô falando é mimimi. E aí eles se colocam nesse lugar da revolta, do rebelde. Puts, que adolescente que não quer ser rebelde?

É legal ser rebelde, né? E eu acho que é legal até essa linguagem imagem, né? O alfa, o Betinha. Ah, esse fulano é Betinha, tal. Por quê? Porque choca, e chocar é divertido, né? E aí, o que que eu acho, né, que é legal para você, mãe, para você, pai, para você que é um amigo um pouco mais empático que tá ouvindo: reverte o ônus da prova, sabe assim, cara? No momento em que eles percebem que o mimimi é deles, sabe assim? Ah, porque a mulher tá saindo para o mercado de trabalho, deixa de ser mimimi, cara. Você é competente, vai lá e faz o seu, Joel.

FCFernando Cauê

É, mas é tipo, e assim, atropelando o Leonardo aqui, a gente tenta no Tadinho, porque quando o Tadinho surgiu, a gente pensou também em criar um espaço de acolhimento para homens falar sobre vulnerabilidades, tá? Então a ideia, minha ideia, acho, na minha cabeça, não é, não sei, é tipo, eu vou me abrir para ver se convida outros homens e se abrir. Então vou contar meus podres, vou contar umas merda que eu morro de vergonha, não quero nem olhar para aquele lugar ali que tá me filmando, porque— mas se eu falando, talvez eu possa refletir, trazer alguém para refletir, né?

Mas porém, contudo, todavia, entretanto, a gente vai fazer 2 anos de podcast agora, o cenário tá muito diferente, porque nesses 2 anos parece que o movimento Red Pill cresceu e muito, e tá— e os dados, né, de feminicídio só crescem. E aí eu falo para o Léo que a gente tem também pensar e não ir no nós contra eles, porque quem faz é homem. Eu sou homem, a chance de eu virar um red pill é muito maior do que eu virar o Buda, do que eu virar o Gandhi, entendeu?

Eu sou um ser humano criado nos anos 90. Então assim, é muito fácil a gente criar, cair no, ah, eu tenho um podcast, faço a minha parte, e esquecer do fundamental, que é minha casa, minha companheira, tá ligado? Então a gente, e é muito, é difícil você não se misturar porque vai acabando, né? A gente vai entrando em contato com um monte de homem legal que, porra, na nossa, na nossa rede eu tenho pouquíssimo contato com raio de pi hoje.

Parece até uma bolha, né? Quando você pergunta da violência, eu não sei, eu sou muito distante de adolescente hoje. A minha companheira é psicóloga, ela atende adolescente, eu vendo com ela ali, a gente acaba conversando, mas eu penso que que infelizmente, talvez, talvez a internet possa ser uma grande besteira aqui. Ela só impulsiona tudo que já existe. Então a gente pega uma geração de anos 90, que homens como a gente, que eu sobrevivi, eu tomava porrada, né?

Meu pai falava: se chegar em casa chorando, vai apanhar de mim também. Resolve na rua e para de chorar na rua, né? É uma geração inteira que é Luiz Ambiel com o rabo no Tiririco, Schwarzenegger lá duro, né? Tava lá o Van Damme, 3 horas da tarde, o Banheira do Gugu, Banheira do Gugu, Boquinha da Garrafa. Gente, a gente fazia concurso no Gugu da criança que ralava o melhor boquinha da garrafa. Tá lá na TV.

DGDanielle Gomes

Isso é muito legal você trazer isso porque assim Mas é curioso também, essa frase que você falou, ela é curiosa porque eu tava falando sobre isso ontem. Antigamente a gente tinha, como que é, carrinho de mão, é o tchambo, que é o carrinho de mão. Só que para as crianças da época, a gente não— quando falava carrinho de mão, para nós era carrinho de mão.

FCFernando Cauê

Eu achava que era carrinho de mão.

DGDanielle Gomes

Era carrinho de mão.

FCFernando Cauê

Eu achava que era carrinho de mão.

DGDanielle Gomes

Quando a gente pega as músicas de hoje, as coisas são explícitas, são assustadoras. Quando a gente pega a molecada realmente, o que elas estão ouvindo Gente, na boa, é assim, não tem, não tem.

FCFernando Cauê

Eu vou trazer uma contrapartida chata. Black norte-americano sempre foi assim, é porque a gente não entende. Rock, rock anos 80, Mötley Crüe, KISS, gente, é só putaria também. É tipo, rola, não tô falando que você tá falando, mas rola. O homem, cara, ele sexualiza as coisas, cara. É lick it up, lick it up.

DGDanielle Gomes

A gente passava Don't Wanna Short Dick Man na Xuxa. Só que se a gente começar a pensar em sociedade, a gente tem uma diferença um pouco gritante Brasil e Estados Unidos. Porque, gente, qual que é a cultura americana de verdade?

LLéo

Sei lá, cara. Big Mac é um negócio de se achar melhor do que todo mundo. Destino Manifesto.

DGDanielle Gomes

Meu Deus, eu sou o centro do universo. Eles, qual é a cultura mesmo? Se a gente pensar o que que é cultural americano, que que é, qual que é a comida deles, que que eles têm ali? Tem, é muito vazio, é um vazio. Eles são fast food do mundo. McDonald's é o fast food, é o Mac, né? Um Wendy's assim é um pouco pior, assim é o grande lixão. Não dá para a gente, que com a cultura que nós tínhamos comparar a cultura deles acaba sendo um mundo distópico, né?

A gente consumia, consome, mas antigamente a gente tinha que fazer aula de inglês no CCAA, no CNA, Wizard, tinha que fazer isso daqui para ter acesso. A gente não tinha nem letra da música, a gente pegava a música na rádio, a gente escrevia do jeito A gente ouvia fita, fita, a gente ficava esperando a música tocar para gravar. Aí a gente escrevia a letra, escrevia do jeito que a gente entendia para tentar cantar, né? Ou comprava CD, era outro acesso.

Então dentro dessa dificuldade de acesso, que depois que abriu a internet, acabou. Mas sem o acesso, se a gente fizer uma comparação estrutural mesmo, o Brasil é uma riqueza cultural surreal.

FCFernando Cauê

Assim, o Spotify postou que o Brasil é o país que mais autoconsome sua própria música no mundo. O Brasil é o país no mundo que mais consome isso. Música própria.

DGDanielle Gomes

É um orgulho, é orgulho, né?

LLéo

Tem uma coisa que eu acho que é legal a gente pensar sobre isso também, que é os nossos pais, né? O Reginaldo falou que o pai dele era um pouco mais agressivo, meu pai era um pouco mais frio, né? E ele, se não se ausentava fisicamente, se ausentava emocionalmente. Fica lá brincando lá no seu canto, faz suas coisas aqui, não mente meu saco. Então ele não precisava lidar com as minhas frustrações, não precisava lidar com meu aprendizado, não precisava lidar com praticamente nada, né?

E aí a gente em algum momento encontra nossa turma, legal, para o bem ou para o mal a gente se encontra. Hoje, quando o pai faz isso, tem uma frase que é legal também que a gente ouve esses dias, é: se você não tá cuidando do seu filho, alguém tá. Se você não tá cuidando do seu filho, alguém tá. Então o conteúdo que chega até ele, se você não tem acesso a esse conteúdo, cara, pode ter atrocidades, porque quem quer, encontra na internet.

E o pior, também é encontrado essas comunidades, né, de red pill, de machismo, de machosfera, não sei o quê. Elas se organizam porque eles sabem em quem ir, né. E de novo, eu era moleque que era puta inseguro, que tinha dificuldade de falar com menino, não sei o quê. Esse cara é o perfil desenhado para vir alguém falar assim: cola aqui comigo, vem aqui, vamos sair, faz parte desse grupo. Quando a galera começa a fazer parte de um grupo, cara, e principalmente o ódio arregimenta, né?

Aí, ó, vamos escolher aquele grupo ali para odiar as meninas, né? Clube do Bolinha, Clube da Luzinha, é o caldo perfeito. Por que que eu tô falando isso? Que é, se você se dá o luxo de não se aproximar do seu filho, vai ser muito difícil você reclamar depois porque tá acontecendo com ele, sabe? É, o Reginaldo falou, né, que tá muito longe dos adolescentes. Assim, eu tenho sobrinho, amor da minha vida, né?

FCFernando Cauê

Participou com a gente, gravou com a gente.

LLéo

Tem outro, esse sobrinho que gravou, que gravou com a gente, ele tem 20 e pouquinhos anos agora. Mas eu tenho um sobrinho mais novo que tem 14, que é um adolescente autista, né? Ele tem um autismo de grau leve ali e tal. Ele inteligente, inteligente para cacete assim. E ele, e ele usa essas gírias, mas ele usa essas gírias de maneira irônica, porque ele quer me irritar. Ele sabe que vai me chocar, né? Ele sabe que eu tenho um podcast que fala sobre isso e tudo mais e tal.

Então é essa provocação situaçãozinha assim, mas na hora de consumir ele vem me perguntar, saca? Putz, aqui, tio, sabe assim? Por quê? Porque foi criado esse laço, foi criado esse canal de confiança em que ele sabe que ele não vai ser julgado, não vai ser chamado de coisas pejorativas que ele não gosta quando ele se sentir inseguro, que ele vai ter em mim um porto seguro para poder conversar. Então, de novo, pais, né, se vocês não têm um canal de comunicação criado com seu filho e depois você quer cobrar respeito através da violência, você tá reforçando. Porque não é o o que você fala, é o que você faz que efetivamente educa.

DGDanielle Gomes

Perfeito, perfeito.

DGDra Giovana Castro

Terceirizar a educação para qualquer coisa, né? Para escola, é para quem cuida, é para o terapeuta, é para não sei quem. Ai, mas eu não sei. É bem isso, né?

DGDanielle Gomes

E esse movimento, né, do Clube do Bolinha, Luluzinha, ou como os grupos eles reagem nesse grande efeito dominó também. Hoje mesmo eu tava fazendo muito, né? E eu tava conversando com uma paciente e ela entrou no assunto de política, né? E eu perguntei para ela, né? Claro, eu como psicóloga, eu sou um estado laico, eu, né, todo mundo, eu ouço todos os lados. Como pessoa também, eu gosto de ver os outros lados também. Tem o meu ponto de vista, mas eu ouvi o dela.

E ela me falou uma frase que eu ouço muito nesses Reels da internet, que é: em quem que você vota? Daí ela respondeu: eu não voto no fulano. Eu falo: por quê? Ela não soube me responder. E eu tô falando de uma pessoa extremamente inteligente. Aí eu citei para ela, falei: é curioso você ter me dado essa resposta, porque se a gente pensar de uma forma estrutural na civilização, vamos pegar a sua referência. Olha, você é de uma família religiosa, vou usar sua referência bíblica.

A gente meteu Jesus do lado de Barrabás. Um começou a gritar na plateia: Barrabás! Barrabás! A população foi, foi o efeito manada assim, porque as pessoas têm um prazer em fazer parte de um grupo de ataque, tal qual antigamente eles faziam, se reuniam em praça pública para ver mulheres serem enforcadas, pegar fogo, pessoas enforcadas relacionamentos num tesão assim, nem sabe o que aconteceu, mas já tem esse desejo do ataque. Eu nem sei o porquê eu não gosto de você, eu não sei se você tem projeto, você tem projeto, mas eu não voto nele, então eu vou votar em você.

Isso é muito comum. Então a gente tá vendo a sociedade, infelizmente, desculpa o português, mas ficando cada vez mais burra. Então essas limitações de não querer nem pensar Nem pensar. Então, quando a gente perguntou qual foi o momento e você trouxe essa resposta tão elaborada do que fez tantos momentos na sua vida para você ter uma mudança de chave, isso não acontece. Isso não acontece. As pessoas, elas não querem olhar o espelho.

O espelho, dentro da psicologia, é o maior desafio que nós temos. As pessoas não estão dispostas, elas preferem pegar assim uma ideia pronta e seguir.

DGDra Giovana Castro

É mais fácil ficar com a caixa.

DGDanielle Gomes

Exato, funciona a caixa. Para que que colaborar com a caixa? Por que que eu vou entender que só tem isso na caixa? É muito mais simples, independente. E eu vou lutar a favor daquilo para o resto da vida. Então você trazer essa quantidade de eventos da sua vida que somaram a ponto de você parar e refletir, eu acho que isso daí é meu primeiro pedido para o gente do Aladim, não é?

LLéo

Mas é que esse negócio, né, Reginaldo, é que o Então acho que dá até para resumir assim: clique não acontece, gente.

FCFernando Cauê

É todo dia eu tenho que pensar nisso, é todo dia lidar com a frustração diferente. E às vezes eu quero quebrar, eu não quero mais, tá? Hoje eu não quero mais quebrar as coisas. Então dá para não querer mais quebrar as coisas, entendeu? Dá. E até quem tava falando, o Léo tá falando para pais, né? Eu tive uma relação muito esquisita com meu pai até uns 25 anos. Anos. Aí eu comecei a fazer análise, e aí eu trouxe a minha análise para mesa do almoço. Cheguei um domingão lá na minha família.

DGDanielle Gomes

A gente ama quando vocês fazem isso, maravilhoso.

FCFernando Cauê

Cheguei um domingão lá na família, falei: tal dia, tal dia, tal dia, tal dia, meu pai, minha melhor amiga, vocês não lembram? Ah, mas eu lembrei.

DGDanielle Gomes

E aí bate, esquece.

FCFernando Cauê

Exatamente. Um dia eu tava fazendo, eu tava já na, eu fiz comportamental um ano, eu não gostei. E depois eu fui para psicanálise, 6, e na psicanálise explodiu a mente. Mas durante essa comportamental eu queria fazer uma regressão, queria porque queria fazer regressão, porque eu quero ver o que que é regressão. A minha psicóloga não queria, conversou comigo, vou fazer uma sessão de regressão para você. Fez lá a sessão de regressão, eu voltei, eu devia ter uns 2 anos de idade, eu lembrei de uma surra, de primeira memória que eu tenho, meu pai é uma surra, cara, tipo, é a primeira memória que eu tenho do meu pai, que ele construiu comigo uma surra.

E aí eu trouxe isso verbalmente para o meu pai, falei: tal dia você me bateu de tal maneira. Quando eu estava em contato com isso na regressão, eu chorava muito. A minha psicóloga veio falando comigo, né? Eu voltei, tá, voltei, respirei e trouxe na mesa, falei na cara dele, falei: mano, é a primeira lembrança que eu tenho de você Joguei no almoço de domingo, acabou. Ele chorou horrores, me abraçou, me pediu perdão, né? E aí, olha que concreto o cara olhar para mim com olho cheio de água, me pedir perdão e me abraçar.

E falou, eu criei você, eu te tive, eu tinha 23 anos, era mais novo que você, Fernando, eu não tinha internet, eu não tive pai, né? Começou a trabalhar com 7 anos de idade, não teve nenhuma referência de amor masculino E hoje eu tenho um vínculo com meu pai de falar, eu amo meu pai. E a gente, e aí também só completando, a gente é meio imaturo, gente. A gente acha que as pessoas são ou não são. Seu pai, a sua mãe, a sua família pode ser para você uma pessoa muito boa e votar errado.

A pessoa que sustenta sua família pode ser um abusador. O seu tio que é mó legal e te levava no parque, ele pode ser um molestador. É, as pessoas não estão lá fungir. Então a gente tem que ter também a capacidade de separar. E eu vejo que as pessoas não têm a capacidade de separar aqui. Putz, às vezes as pessoas fazem merda, às vezes as pessoas se arrependem, às vezes as pessoas mudam, às vezes não, né? Mas é sobre ações também, né?

É lógico que o que a gente faz, a gente vai carregando um histórico. Eu sou diferente do Leonardo pelo histórico, porque a gente é. Mas também, se a gente for atrás, se a gente cavucar, a gente consegue criar um novo, uma relação diferente para frente. Nem todo mundo vai esquecer, nem todo mundo vai perdoar, mas a gente faz um movimento nosso, que pinga no nosso pai, pinga na nossa mãe, pinga no meu vizinho e pinga no meu amigo. E hoje pinga para várias pessoas que eu nunca imaginei que ia chegar.

LLéo

Acho que é legal, muito bom, muito bom quebrar o ciclo. Nossa, é muito legal você falar isso assim, né, Reginaldo? Acho que tem algumas coisas que são importantes a gente também falar sobre isso, que o Reginaldo ele falou, né? A nossa intenção é abrir um espaço seguro para que homens possam falar sobre É, ocasionalmente a gente vai para um lugar um pouco mais de julgamento. Queremos exercitar o não julgamento, né?

FCFernando Cauê

Mas o podcast é meu também, eu posso julgar se eu quiser também, né? Por isso que eu tenho podcast.

LLéo

Mas a gente quer conseguir ter essa conversa controlada. Acho que, né, você falou, né, o molestador ele normalmente ele tá muito mais próximo do que a gente gostaria, né? Infelizmente o que a gente tem, né, de imaginação coletiva é que vai sair um cara do arbusto lá. E cara, 70% dos casos esquece que pode ser o ator da Globo, gatinho. Exatamente, 70% dos casos acontecem dentro de casa, né? Assim, então, cara, é muito, muito maior, né?

E normalmente quem divulga, quer, tem um, quem divulga, né, essa galera que tem esse espírito punitivista tal, fala muito mais no sentido do cara que sai do arbusto. Então vamos endurecer as leis, vamos colocar. Eu acho que, cara, fez besteira, você tem que se ferrar mesmo, você tem que cumprir pena, você tem que ser julgado pela lei, né? Mas por outro lado, lado, enquanto tá nesse caminho, vamos tentar abrir os canais de comunicação para poder receber, para poder conversar, né?

Porque, de novo, ninguém é vilão da própria história. O cara que tá lá do outro lado, ele acha que o que ele tá fazendo é certo, tá lá na cabeça dele. Se a gente não criar esse canal— e eu acho que, cara, a gente perdeu tanto na pandemia a capacidade de conversar com o diferente, né? De sentar e ouvir o que a galera tem para falar. Porque é isso, né? A gente fica tão na nossa internet e cada vez mais dentro da nossa bolha, e o algoritmo vai afundando a gente já no que a gente acredita, que aí quando a gente vai conversar com o cara e o cara fala meia coisa diferente do que eu acredito, eu já acho, já coloco nele o pacote do cara do mal.

Meu Deus do céu, essa pessoa é um vilão horrível, não quero ouvir o que ele tem para falar. Cara, infelizmente a maior parte dos caras vão ser machistão mesmo, vão dar risadinha de coisa que não Nestlé Vital. Mas a gente precisa conseguir meios, né, de estabelecer esse canal de comunicação. Porque aí, cara, assim, a verdade da verdade da verdade é que ninguém é como se apresenta na internet. Quando você tá no bar com o cara tomando uma cerveja, cara, é muito menos difícil da gente, mano, vamos trocar uma ideia aqui, né?

E aí você coloca ali uma discordância, que a gente fazia isso antes da pandemia, gente, a gente discordava.

FCFernando Cauê

A gente tá no momento mais difícil também, Léo.

LLéo

Tá para caralho.

FCFernando Cauê

Antigamente não, é concordando com você, mas eu acho que tem um recorte também. Tipo, vou fazer uma coisa bem idiota, tá? Mas antigamente— vou falar uma coisa para vocês aqui. Se eu viro para vocês e falo: eu sou a favor da soberania nacional, vocês sabem que eu voto. Isso é ridículo. Isto é ridículo. Você entende? É tipo, é como assim eu falar isso faz vocês saberem quem eu vou votar? Soberania nacional de qualquer estado, de qualquer lugar do mundo, é o basal do basal do basal.

LLéo

Precisa chegar tão longe, cara.

FCFernando Cauê

Eu sou a favor que as pessoas tenham igualdade, que mulher não apanhe, que mulher vote. Eu sou a favor do voto feminino, já sabe que eu voto. Então, tipo assim, eu brinco, gente, eu sou uma pessoa de esquerda. Meu inimigo nos anos 90 era o FHC. Porra, tá suave, brother, o FHC de direita. Tem uma foto do Serra dando vacina no braço do Lula em 2008. Um era governador, outro era presidente. É assim como o Estado funciona. Você tem a— você não— você pode não concordar, mas o federativo tem que conversar, as instâncias têm que trocar.

O Legislativo, Judiciário, Executivo, o Municipal tem que conversar com Federal. Não existe birra. Quem tá sério, não existe birra em política, em Estado, em sociedade. Não tem que ter beicinho, tem que ter—

DGDanielle Gomes

não tem que ter mimimi. É bem por aí, né? Hoje em dia a gente tá tendo que lutar e se esforçar muito para a gente dar vacina de sarampo, sabe? Então é muito, é muito cansativo, né? É tudo muito cansativo. Mas essa coisa de papéis pré-determinados, acho que o que você falou também foi muito bom, Léo, sobre o que é ser homem, né? Tem tantas, tantos o que é ser homem, tem tantos homens tal qual tantas mulheres Sim, sair desse lugar de paralisia e entrar nessas reflexões. Paga R$50 mil para a gente subir a montanha para você aprender a ser homem.

DGDra Giovana Castro

Não, mas o ego é tão inflado que vai sozinho, né?

DGDanielle Gomes

Quando que a gente já tá numa sociedade que tem que pegar o final de semana para brincar de escoteiro mirim, do tio Patinhas, para aprender a ser homem, né?

FCFernando Cauê

Falavam que antigamente meu padrinho tinha lá o guia do escoteiro do tio Patinhas.

DGDanielle Gomes

Eu tinha, eu tinha. Manuel dos Roteirinhos, né? Acho que a gente vai revender isso, colocar um nome assim. E isso aqui é assustador, né? A gente começa a ver seriado. Eu gosto muito de seriados, eu trabalho muito, faço análise de seriados e tal. Vê um Handmaid's Tale, por exemplo, que eu citei, e é um pouco assustador ver pessoas aprovando isso, né? Homens, mulheres, etc. Então, pensando nessa sociedade, eu não sei você, mas eu queria muito agradecer eles.

DGDra Giovana Castro

Muito, muito. Gente, outra coisa, quando a gente fala de masculino, para com esse negócio de achar que tem que ser perfeito e encontrar o selo do Rodrigo Hilbert. Obrigada, a gente, obrigada.

FCFernando Cauê

É o básico.

DGDanielle Gomes

Não, não, não, não espancar a mulher, respeitar, ouvir, conversar, se cuidar, né?

DGDra Giovana Castro

Cuide, né?

DGDanielle Gomes

Pronto, simples. Ser um adulto funcional, né? Só isso. Filho a gente pode fazer junto, mas você não precisa ser o filho da mulher. Mas eu tô muito feliz de estar com eles aqui. Por mim, de verdade, gente, por mim, a gente fazer uma sequência mesmo aqui, verdade, muito bom, vários episódios de Porque tem muito assunto e é tão importante falar disso, né? E a linha de raciocínio de vocês, o pensamento de vocês é fantástico. A gente tá muito feliz mesmo que vocês vieram para cá.

Vocês têm um trabalho necessário, gente, por favor, de verdade, sigam eles porque é muito legal mesmo. E além do conteúdo ser muito interessante, maravilhoso, né, amiga? E vocês são dois queridos. Muito obrigada, gente, obrigada de verdade. Gente, ai, aqui, ó, se inscreve, compartilha, faz tudo aqui, tá bom?

DGDra Giovana Castro

É isso aí. Beijo, gente, até a próxima!

T3#04 - E Essa "Culturinha" Red Pill, heim!? (Léo e Fernando Cauê) | Castnews Index — Castnews Index