Episódios de Psicomanas - Entre Surtos e Insights

T3#02 - O Sono na Maternidade (Dra Carolina Vicaria)

13 de agosto de 20261h18min
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Dormir mal faz parte da maternidade… ou isso é um mito que aprendemos a aceitar?No segundo episódio da terceira temporada do Psicomanas: Entre Surtos e Insights, recebemos a Dra. Carolina Vicaria, fisioterapeuta, especialista em Medicina do Sono, mestre, doutora e pós-doutora em Ciências da Saúde, para uma conversa essencial sobre como o sono influencia a saúde física, mental e emocional de toda a família.Além de pesquisadora e professora, Carolina também é mãe de gêmeos e compartilha sua experiência conciliando ciência e maternidade, mostrando que cuidar do sono é muito mais do que descansar: é cuidar da qualidade de vida.Neste episódio, falamos sobre:- Privação de sono na maternidade;- Sono do bebê e desenvolvimento infantil;- Saúde mental materna;- Exaustão, culpa e autocuidado;- Hábitos que podem melhorar o sono de pais e filhos.Se você é mãe, pai, está esperando um bebê ou quer entender como o sono impacta o desenvolvimento infantil e o bem-estar da família, este episódio é para você.#Psicomanas #Sono #MedicinaDoSono #Maternidade #SonoDoBebê #SaúdeMaterna #QualidadeDeVida #DesenvolvimentoInfantil #SaúdeMental #Parentalidade #PodcastBrasil

Participantes neste episódio3
D

Dani

Host
G

Gia

Host
D

Dra Carolina Vicaria

ConvidadoFisioterapeuta, especialista em Medicina do Sono
Assuntos6
  • Sono na Maternidade· SociedadePrivação de sono materna·Sono do bebê·Saúde mental materna·Exaustão e culpa·Autocuidado
  • Melhora do sono· SaudeRegularidade do sono·Necessidade de sono por idade·Impacto da privação de sono·Sono em férias escolares
  • Maternidade e Identidade· SociedadeMaternidade de gêmeos·Ser mãe vs. ser Carol·Tempo para si·Culpa materna·Relação entre irmãos
  • Rotina e Sono do Bebê· SociedadeImportância da rotina para bebês·Diferença entre dia e noite·Sono durante o dia (luz)·Sono durante a noite (escuridão)·Métodos de adormecer bebês
  • Uso de Telas e Saúde· SaudeImpacto da luz azul na melatonina·Conteúdo das telas e dopamina·Risco de suicídio em adolescentes·Melatonina como hormônio·Overdose de melatonina em crianças
  • Sono em Adolescentes· SaudeAdolescentes vespertinos·Necessidade de sono em adolescentes·Atraso de fase do sono·Impacto do horário escolar·Pandemia e sono de adolescentes
Transcrição166 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
GGia

Oi, gente!

DCDra Carolina Vicaria

Oi, gente!

GGia

Olha essa voz, não melhora. Esse inverno tá fazendo a gente ficar rinite, sinusite, dengue, tuberculose, tudo mais, tá? Desculpem a voz hoje, não é um programa de telessexo, mas é um programa muito especial aqui. Sabe por quê, gente?

DDani

Eu tô animadíssima hoje. Olha, só faltou o bolinho aqui porque o café com as minhas comadres Café com comadre, café com a sua comadre.

GGia

Porque isso, né, gente?

DDani

Vocês sabem, eu tenho uma filha, mas eu tenho 3 afilhados. 3, né?

GGia

Porque confiança.

DDani

Pois é, pois é, pois é. Tô aqui hoje, a gente tá— eu tô muito feliz particularmente falando aqui porque realmente é uma pessoa que a gente já queria trazer. É uma pessoa que sempre fez muito sentido e faz sentido na minha vida. Eu acho que eu tô com as duas bestes aqui, pessoas que deram match na minha vida sempre, que eu falo que é na alegria, na tristeza, na saúde, na doença mesmo.

GGia

E a vantagem é que a gente não disputa, olha só.

DDani

Exatamente, exatamente. A gente tá aqui hoje para falar do quê, Gi?

GGia

Soninho e a falta de sono. A gente vai falar de muita coisa interessante aqui, mas eu acho que, ao meu ver, né, além da expertise profissional dela, que é maravilhosa, ela tem um detalhe que eu falei pra Dani, eu falei assim, olha, a gente tinha que fazer uma temporada de super-heróis e ela com certeza seria a Supergirl. Sabe por quê? Porque ela é mãe de gêmeos. São dois pequenos detalhes iguais. E ao mesmo tempo a gente vai falar de sono.

É uma dualidade incrível, mas que ela vai saber explicar muito bem tudo isso, né?

DDani

Estamos aqui com a maravilhosa— depois a gente vai explicar por que de gêmea, tá? Carolina Vicária. Tudo bem, meu amor?

GGia

Prazer recebê-la.

DCDra Carolina Vicaria

Muito obrigada, o prazer é meu. Muito contente de estar aqui com vocês, com a minha gêmea, que um dia a gente vai explicar.

DDani

A gente vai explicar daqui a pouquinho.

DCDra Carolina Vicaria

E com uma outra parceirona aqui também.

GGia

São muitos gêmeos hoje, tá, gente? Elas se chamam de gêmeas e Carol tem gêmeas. Então são muitos gêmeos hoje, pra não confundir.

DDani

E meu amor, se apresenta pra gente um pouquinho. Eu acho que é melhor você falar, né?

DCDra Carolina Vicaria

Poxa, achei que eu ia ter a honra de ter a sua apresentação.

GGia

Vocês perceberam que a Danielle praticamente está paquerando ela aqui, né? Ela veio com charme de Jorge Caminhoneiro, né?

DDani

Jorge Caminhoneiro, gente, pelo amor de Deus, né? É admiração. Eu vou ficar ainda, vocês duas aqui.

GGia

É isso aí.

DCDra Carolina Vicaria

Eu me apresento, você complementa.

DDani

Eu acho que sim, né? Já falei que você é a The Best, então vamos lá.

DCDra Carolina Vicaria

Então é sua gêmea, da Daniela.

DDani

Sim, no caso, tá? A gente vai explicar o porquê depois, mas enfim.

DCDra Carolina Vicaria

Então eu sou mãe de, acho que é uma boa definição, né? Sou mãe de gêmeos lindos, né? Vocês vão ver em algum momento. Sou fisioterapeuta especialista em de sono, uma vida bem tranquila, uma mulher multitarefas, né, casada, palestrante, docente, clínica. Que mais?

GGia

Você dorme?

DCDra Carolina Vicaria

Durmo, durmo em algum momento do dia. Isso também tem que caber, apesar de toda essa multitarefa. Eu sono, se a gente não dormir, não dá para ser multitarefa. Aliás, uma brincadeira, né, antes que algumas pessoas corrijam, A gente não pode ser multitarefa, né? A gente já sabe disso. Mas para que a gente consiga dar conta, né, de muitas coisas, o sono tem que fazer parte da nossa agenda, né? Acho que é uma coisa que eu sempre falo para os meus pacientes, é: o sono precisa ser prioridade na nossa vida, ele tem que estar na agenda.

Assim como a gente coloca várias coisas, né, na agenda, tem que estar lá horário de dormir, horário de acordar, tem que fazer parte da nossa agenda.

GGia

É interessante porque tem uma brincadeira que eu faço às vezes com os meus pacientes, Carol, que é assim: Se um dia o Zuckerberg ele comprar o Ortobon, ele domina a nossa vida. Porque pensa, o dia tem 24 horas, divide em 3: 8 horas de sono, 8 horas trabalhando e 8 horas de vida. As pessoas trabalhando com inteligência artificial, trabalhando hoje em dia com tudo ligado à rede social, com o mundo de tecnologia, Zuckerberg. No tempo livre, as pessoas não saem mais de casa, elas ficam no Instagram, ficam na rede social, ficam em tudo isso, Zuckerberg. Se ele comprar o Ortobon, acabou, pronto, já era, dominou o mundo, o dia dele.

DCDra Carolina Vicaria

Não é o dia, as 24 horas.

GGia

Exatamente.

DDani

E Carol, sabe uma curiosidade que eu tenho, que eu acho que muita gente tem também? Você é fisioterapeuta, tá? Como que essa questão do sono entrou na sua vida como pesquisa, estudo? Por quê? Como que seria isso dentro dessa área, Carol?

DCDra Carolina Vicaria

Você quer a verdade?

DDani

A verdade.

DCDra Carolina Vicaria

A verdade foi assim: eu cheguei nessa área, até hoje eu não sei exatamente como, Porque não foi uma vontade, não foi assim, ai, sou fisioterapeuta, vou estudar sono. Não, eu era, eu sou fisioterapeuta, tenho especializações na área de ortopedia. E como eu sempre gostei de falar, dar aula, né? Você acha que eu gosto de falar? Imagina, como eu sempre quis essa área. Quando eu fui fazer um mestrado, eu fui fazer um mestrado na área de ortopedia.

Essa era essa minha ideia. Só que, ai, tem uma parte importante da minha vida que eu não apresentei. Eu sou santista, né? Santista de time, santista de cidade.

GGia

Nascida em Santos.

DCDra Carolina Vicaria

E aí eu tinha vindo pra São Paulo, né, me formei lá, vim pra São Paulo. E aí eu vim buscar um mestrado na área de ortopedia, que já era minha especialização. E aí me apresentaram um cara sensacional na área de sono. E ele chegou pra mim e falou assim, por que você não estuda sono? Eu falei... Porque isso foi 2007, 2008. Eu pensei assim, por que alguém na vida estuda uma coisa que não serve pra nada, né? Veja bem, a gente dorme pra quê, né?

Na minha cabeça, em 2006, 2007, era mais ou menos isso, fazia menor sentido. E aí essa pessoa falou assim, bom, faz um estágio probatório, então fica aqui um mês, conhece a área, vê o que você acha, e aí se você gostar você fica. Então assim, nitidamente não foi amor à primeira vista, mas foi amor à segunda vista, porque na verdade toda a minha formação depois veio, né, nessa área. Então eu fiz mestrado, fiz doutorado. Como a vida tava muito tranquila, os gêmeos já tinham nascido, eu fiz um pós-doutorado, né, tô super tranquila.

GGia

Você fez um pós-doc com os seus gêmeos nascidos?

DCDra Carolina Vicaria

É, eu terminei o pós-doc ano passado.

GGia

Eu fiz meu doutorado solteira e quase enlouqueci.

DCDra Carolina Vicaria

É, não, mas coube assim, né?

DDani

Na cronologia, você tava no mestrado quando você engravidou, tá?

DCDra Carolina Vicaria

Não, eu casei no mestrado, engravidei no doutorado, e aí vai para vida continuar tranquila. Mas assim, por que que aí eu segui essa área, né? Porque quando eu comecei a estudar essa área de sono, eu falei, cara, Isso é uma coisa que todo mundo precisa saber, conhecer, entender. Porque, de novo, sem isso a gente não faz nada. A gente não consegue casar, a gente não consegue ter filho, a gente não consegue fazer nada se a gente não tiver uma boa noite de sono.

Então, que nem eu brinco, não foi amor à primeira vista, mas foi, assim, uma descoberta incrível do papel do fisioterapeuta, né, na área do sono. E realmente do que o sono pode fazer na vida da mãe, né, da mulher, ou de qualquer pessoa da família, das crianças, enfim. Então...

GGia

É, Carol, eu quero aproveitar esse gancho aqui. Somos mães, né? Eu acho que temos muitas dúvidas e muitas perguntas, nós sempre, e de outras pessoas também. Nós trabalhamos com a psicologia, né, com a psicanálise. Então são demandas diferentes das que você tem. Então só para você entender o porquê da minha pergunta, né, é muito comum nós vermos hoje em dia as pessoas fazendo cursos para fazer bebê dormir. Tem um nome específico que eu esqueci agora, né?

Mas colocando que tudo bem deixar a criança chorar até cansar, enroladinha no berço, é a melhor forma de ajudar na rotina da criança. Eu queria saber o seu ponto de vista em relação a isso. Eu acho que a minha cara já mostrou, né?

DCDra Carolina Vicaria

Gia, sua pergunta é sensacional. Na verdade, é muito complicado porque realmente hoje as pessoas vendem, né, curso para fazer o seu bebê dormir, curso. Não existe, não existe protocolo, né? Assim como a Carol é Carol, Dani são pessoas diferentes, bebês também. Agora, você usou a melhor palavra no meio da sua pergunta, que é rotina. Então, o que que um bebê precisa? Rotina, né? Então, aquelas mães, e de novo, né, Respeito todas as decisões, mas aquelas mães que colocam as crianças em livre curso, para um bebê principalmente, não é a melhor opção.

Porque a gente tem estudos hoje mostrando que bebês com 2 meses, eles já conseguem entender, né, horários, rotina, né. Então, para o bebê faz toda a diferença ele entender sim que tem um horário horário para acordar, que ele tem horário para dormir, que ele vai ter horário para brincar, que ele vai ter horário para de repente não fazer nada. E o bebê entende isso. Então a gente fala assim, não, bebê não sabe o que que é dia, o que que é noite.

Não, ele sabe, né? E pior de tudo, os pais ou os cuidadores sabem. Então o erro maior às vezes está nisso, né? Você fala, não, mas bebê dorme a hora que ele quer. Não é bem assim. Ele tem rotina e ele precisa entender essa rotina. Isso faz total diferença para ele. Então de repente você explicar para o bebê, olha, É, de novo, né, que nem eu brinco, não, ele não entende assim, agora é dia, é noite, mas ele entende o que que é luz, ele entende o que que é ausência de luz.

Então você colocar, por exemplo, o bebê para dormir durante o dia, ele tem que dormir na luz. O que que nós pais fazemos geralmente? A gente apaga tudo. Não pode falar, não pode fazer barulho para o bebê dormir. Não, ele vai dormir, ele vai dormir no claro, ele vai dormir no barulho, ele vai dormir na luz, e ele entende que esse sono dele é diferente do sono que não tem barulho, que não tem luz, né, é que não tem movimento. Então até uma dica que eu sempre dou para os pais é: quando o seu bebê for dormir durante a noite, você vai trocá-lo, você não vai ficar: ai, que bonitinho, que gracinha, vem com o papai.

Não, eu brinco, quieto. Você vai trocar o bebê quietinho, você não vai interagir com o bebê, né?

GGia

Por quê?

DCDra Carolina Vicaria

Porque ele tá entendendo: olha, tá escuro, não, agora ninguém tá interagindo comigo. E a gente acha que o bebê não entende isso, mas ele entende. E durante o dia é o contrário. Aí você vai lá, você vai trocar o bebê, você vai você vai brincar com ele, você vai interagir, você vai dar o momento dele realmente, dele brincar, dele gastar energia, de dar diversos estímulos para o bebê, que isso é super importante também. Mas a hora que você for colocar o bebê para dormir durante o dia, janela aberta, né, a luminosidade natural de preferência entrando.

Pode ter, você pode estar na sua casa fazendo a sua rotina, porque de novo, a rotina do dia ela vai continuar existindo, e o bebê ele consegue entender essa diferença. Isso é super importante para ele. Entendeu?

GGia

Eu vejo muito das pessoas que fazem aquele rolinho no bebê, que o bebê fica parecendo rolinho primavera, né? Eu digo bebezinho, né? Isso, porque existe uma necessidade de acolhimento também da criança. E muitas pessoas que dão esses cursos têm uma separação quase afetiva, né? Determina como se fosse uma checklist de supermercado que você, os pais devem fazer. E qualquer tipo de interação no meio, enfim, foge do protocolo que elas vendem, né?

De uma certa forma, na grande maioria das vezes eu vejo vendendo esses cursos não são pessoas preparadas, não é um fisioterapeuta, não é um pedagogo, não é um psicólogo, não é nada assim. Fez um curso e começa com determinismo muito grande. E a partir do momento que você é um pai, é mãe, enfim, existem, é o que você falou, rotinas personalizadas praticamente. O que você falou é fantástico, claro que sim, por diversos fatores, né?

A própria questão modular do cérebro, neurológica, claro que faz todo sentido. A minha preocupação realmente são as pessoas que vendem muitos cursos obrigando os pais, falando o que deve ser feito para o seu filho é isso, se ele chorar deixa ele chorar até cansar porque ele entra na exaustão e dorme na exaustão. Isso é um sacrilégio, tá, gente, na psicologia. Isso daí pode gerar uma questão de abandono e rejeição muito grave com as crianças, impactos muito profundos.

Por isso que é sempre importante, quando a gente fala de crianças e de saúde, fazer uma coisa com diversos profissionais qualificados e não pegar só a ideia de alguém que fez um curso. E tem alguma dúvida, tem profissionais qualificados Tem psicólogos qualificados, pergunte, porque quanto mais informação, melhor vai ser o cuidado com seu filho e com você mesmo, né? Eu acho que é um trabalho que precisa ser feito também muito em conjunto, né, Carol?

DCDra Carolina Vicaria

E é muito legal isso, porque hoje a gente tem na área do sono, você tem médicos especialistas em sono, fisioterapeutas especialistas em sono, psicólogos especialistas em sono, ou seja, você tem uma gama de profissionais especializados em sono, né? Então às vezes as pessoas falam assim, Carol, mas qual profissional que eu devo consultar? Eu falo algum profissional especialista em sono. Então você vai ter o pediatra, que é o pediatra, e você vai ter o pediatra especialista em sono.

Você vai ter o fisioterapeuta especialista em ortopedia, mas você vai ter o fisioterapeuta especialista em sono. Então a gente tem profissionais de diversas áreas hoje com especialização na área do sono. Então não é um curso, isso é muito importante que as pessoas entendam, não é um curso, né? Então independentemente, que nem eu brinquei, do meu currículo, eu não fiz um cursinho lá, né, de meia hora. Ai, dei uma lidinha no Doutor Google.

Não, existe toda uma formação por trás disso, né? São estudos, estudos, até porque isso não para nem hoje.

DDani

Não, e hoje em dia todo mundo quer fazer, montar um protocolo e entender como funciona.

GGia

Eu acho que esses profissionais que vendem esses cursos, enfim, estão para vocês como os coaches estão para gente.

DDani

Exato, é excelente.

GGia

Então gera um retrabalho muito grande.

DCDra Carolina Vicaria

E hoje, com a questão da internet, da divulgação, é muito complicado porque sai uma notícia e isso é facilmente repassado. Então você vai repassando uma informação que você em nenhum momento sabe se é verdade ou não. Só, não imagina, até hoje a gente tem diversas, diversos meios divulgando que você precisa dormir 8 horas de sono por noite. Para, pelo amor de Deus, a gente tá em 2026, não dá para todo mundo acreditar que você precisa dormir 8 horas de sono por noite.

Você é você, eu sou eu, eu tenho uma necessidade, você tem outra. Olha, é exatamente, mas você já Você já, você, a gente vê muito isso, né? Informações como, por exemplo, é muito genérico assim, trabalhe enquanto ele dorme. Ai, nossa, sabe? Assim, é muito interessante, tem umas coisas assim que eu acho sensacionais, que tipo as 5 dicas de sucesso. A primeira é trabalhe enquanto eles dormem, acorde cedo para trabalhar antes deles acordarem.

GGia

Para, gente, pelo amor de Deus! Meio anos 80, 90, na época das revistas revistas, 5 dicas para conquistar ele. Revista Capricho, não era Capricho, era Noturna. Então essa tendência chamativa do marketing, né, foi para todas as áreas. Então é muito mais ganhar o like e você conseguir as pessoas passando o seu carrossel com as grandes 5 dicas do que de fato uma informação relevante.

DCDra Carolina Vicaria

Exato, exato, com base, né, no conhecimento, né. Às vezes até as pessoas falam assim, Carol, mas Quando eu coloco, sei lá, algum artigo que eu publiquei, as pessoas falam, ah, mas o que que é? Eu falo que as pessoas não têm noção do que que é ciência, do que que é você publicar um artigo. Então eu falo, gente, não é, tô vindo aqui conversar com vocês, eu não vou passar uma informação que eu peguei na revista X, não vou falar nome para a gente não ser cancelado, mas na revista X, li lá e vou jogar informação.

Não, tem estudos, né, de anos e anos para que você realmente tenha uma base, para que você sustente aquela informação que você tá passando. E de novo, acho que o mais importante é entender que existe uma variação, né, de indivíduo para indivíduo. Então aquela informação que serve super para uma pessoa provavelmente não vai servir para outra, né? A gente tem que entender isso na hora de avaliar, na hora de recomendar um tratamento, por exemplo, né?

GGia

Mas sabe o que eu lembrei agora? A gente falou de anos 90, eu lembrei que da revista Veja tinha Veja São Paulo. Vocês vão lembrar disso, né? No final da revista Veja São Paulo tinha uns uns anúncios, uns classificados, e sempre tinha o mesmo lá, que era aprenda inglês dormindo. Nossa, isso 1990, essa época de 90. E eu achava aquilo, fazia, gente, que coisa mágica, né? Que que você acha disso, Carol?

DCDra Carolina Vicaria

Não, é assim, é super interessante porque isso existe até hoje. Você ainda acha, ainda acha assim em pleno 26, a gente ainda acha esse tipo de informação. E assim, é importante a gente separar, né, algumas questões. Até hoje as pessoas falam assim, ah, eu vou, por exemplo, trabalhar, estudar durante a madrugada, né, por exemplo, para que eu tenha, para que eu aprenda mais, para que eu— e as pessoas faziam muito isso pré-prova, né, tá, vou passar a noite inteira estudando.

Falo, gente, a consolidação de informação ela acontece ao longo do assonou enquanto a gente dorme. Então se você não dorme, principalmente pré-prova, aquilo que em algum momento você adquiriu de conhecimento, de informação, você vai perder porque você não vai consolidar, né? Aquela história de, ai, vou colocar o livro embaixo do travesseiro. Pelo amor de Deus, a gente ainda vê isso, né? As pessoas ainda divulgam isso, né? Então é mais ou menos tanta coisa, Carol, hoje em dia, que assusta.

Mas eu falo, eu fico assim, eu fico assustada porque de novo estamos em 2026. Né? E as pessoas ainda divulgam esse tipo de informação e tem gente que acredita, né? Então, que você colocar de repente o livro de inglês embaixo do travesseiro vai te fazer acordar maduro, tá? É, entendeu? Assim, não faz o menor sentido. Então a gente fala assim, gente, a informação ela é consolidada, isso para qualquer faixa etária, tá, ao longo do nosso sono.

Então assim, o sono ele tem diversas funções, é, mas uma delas é a consolidação de memória, né? Então assim, é ao longo do sono que aquele monte de informações que a gente foi recebendo ao longo do dia, elas consolidam enquanto a gente tá dormindo. Então assim, esquece, né? Vou colocar o travesseiro embaixo do livro, embaixo do travesseiro, ou eu vou passar a noite inteira acordado para— não faz o menor sentido, né? Pelo contrário.

DDani

É muito, é muito engraçado, né? Porque quando a gente fala dessa coisa de sono, né, até falando da aprendizagem, né, uma das coisas que a gente vê muito hoje em patologia que eu, que as pessoas acabam pecando um pouco na hora de receber uma família e ter uma anamnese assertiva, pensando em crianças, né? Então, nessa questão de aprendizagem, crianças que não dormem direito, elas vão ter muitos sintomas, né? E agitação, desatenção, né, são dois sintomas muito, né, evidentes dessa privação de sono, dessa falta de sono, enfim.

E pode ser confundido com inúmeras patologias de vantagem de neurodesenvolvimento. Então assim, é muito importante falar que a criança que não dorme direito, ela também vai ser uma criança mais agitada. Exatamente, confunde. Exatamente. Aí confunde, chega lá, não, porque tem déficit de atenção, né? Isso é super comum. E aí, tanto que é muito importante a gente perguntar, esse, a criança tá dormindo? Como é que é essa rotina de sono?

Como é que é a rotina da família, né, Carol? Porque a gente fala, né, a gente tá falando também de famílias, né? Então assim, pais exaustos as crianças sem rotina e o quanto que isso é importante, né, pensando na dinâmica de cada um, né, não falando em protocolo e quantidade, mas que essa qualidade de sono ali interfere em todos os comportamentos, né, na nossa vida como um todo. E cá, como é que você veria isso com relação à qualidade de sono? O que que seria realmente um sono de qualidade?

DCDra Carolina Vicaria

Ótima pergunta, Dani. Mas é assim, na verdade, hoje a gente tem 3 aspectos que são super É qualidade, é sim a quantidade e é a regularidade. Então a gente tem 3 pontos que, de novo, né, precisam caber ao longo das 24 horas. Então não é só o quanto eu vou dormir, mas é que horas eu acordo, que horas eu durmo, né, e como foi a qualidade desse sono. E quando a gente fala de criança, Gêmea, isso é mais importante ainda, porque férias é um excelente exemplo.

GGia

Férias é um inferno.

DCDra Carolina Vicaria

Férias é um excelente exemplo.

GGia

Sai todo mundo da rotina. Isso.

DCDra Carolina Vicaria

Ah, mas os meus meus filhos estão de férias. Calma lá, tem que ter uma liberdade, né? Férias é para ser gostoso, claro, mas não dá. Eu falo assim, não dá para chutar o balde. Então, se durante o período de não férias a criança, um exemplo, ela acorda, sei lá, 7 horas da manhã e vai dormir, sei lá, um exemplo, às 9 da noite, não dá para nas férias essa criança dormir às 2 horas da manhã, acordar às 11. Não dá, porque primeiro férias é um período limitado.

Então vai ter um negócio chamado volta às aulas. Então se eu não cuido desse sono durante as férias, vai ser literalmente um inferno esse período de volta às aulas para criança se readaptar ao horário que é meio que o costumeiro dela, né, que é o normal dela. Então essa questão, por exemplo, da qualidade na criança, é um sono de boa qualidade para essa criança, é aquele sono que ela realmente consiga dormir bem, deitar através de uma rotina mais calma, mais tranquila.

É aquela criança que ela vai se movimentar à noite, claro que ela vai, mas eu brinco assim, se é uma criança que você colocou de um jeito, ela acorda virada ao contrário no pé da cama, talvez seja uma criança realmente que tem um sono mais agitado, né? Mas a melhor forma da gente avaliar como que foi, por exemplo, a qualidade do sono dessa criança é você justamente observar o dia seguinte.

GGia

Né?

DCDra Carolina Vicaria

Então, como é que essa criança tá no dia seguinte? Nossa, meu filho está extremamente agitado, está extremamente desatento, ele tá mais nervoso, ele tá mais irritado. Isso talvez seja um sinal de que aquele sono não teve ali uma qualidade tão boa, né? E uma coisa importante para criança, além dessa qualidade, é a quantidade, né? Então assim, a criança precisa dormir quanto? Depende da faixa etária, né? Então ali na idade, por exemplo, dos meus, que estão com 8 ou quase 9 anos de idade, eles ainda têm uma necessidade grande de horas de sono, que vai ser ali em torno de 9, 10 horas de sono por noite.

E aí o que que a gente vê? Que as crianças hoje elas estão dormindo cada vez menos, né? A criança vai dormir às vezes meia-noite para acordar 6 horas da manhã porque a perua escolar, a van escolar, sei lá, passa para buscar. De novo, respeito todas as rotinas, sei que é difícil, mas uma criança que dorme 6 horas horas por noite, é claro que vai ser uma criança mais desatenta, mais agitada, mais nervosa talvez. E aí entra aquela história dos diagnósticos.

Diagnósticos vão haver, é fato, né? Existirão, a gente não tem dúvidas disso. Mas o problema é a gente não pode confundir, porque a gente precisa chegar para aqueles pais e falar: como que está o sono do seu filho? Quantas horas a sua criança tá dormindo por noite, né? Às vezes a criança fica, ai, não, mas agora nas férias eu vou deixar a criança jogar um pouco mais videogame.

GGia

Aí chegou num ponto que eu queria muito, muito contar, porque é assim, nós sabemos, né, que a tela tá aí, né? Não tem como fugir dela. Mas me parece que é muito difícil para as pessoas perceberem o malefício que é tela, principalmente à noite, né, tela azul, tudo isso, a questão da melatonina, produção de melatonina. Essas pessoas não estão muito acostumadas, melhor dizendo, a fazer uma higiene do sono quando necessário. Elas preferem pedir medicação.

DCDra Carolina Vicaria

Exato, né?

GGia

É muito mais simples eu pedir um indutor de sono do que fazer toda uma higiene de sono, etc. Isso daí talvez fosse muito interessante você colocar, Carol, que a gente tá falando de médias, né, esse excesso de telas, para as pessoas entenderem que o que que acontece na cabeça das pessoas e o quanto isso pode alterar nessa agitação que dá nas crianças, a dificuldade que elas têm para pegar no sono, que faz com que elas durmam mais tarde, né.

DCDra Carolina Vicaria

Dia, acho que é um talvez o tema mais difícil, né, hoje que eu enfrento com crianças, mas também com adultos. É o uso das telas, tá? Porque assim, realmente você falou uma frase perfeita. As pessoas não têm ideia de como as telas são perigosas, de como elas são agressivas, como elas são nocivas para a saúde como um todo e para o sono principalmente, né? Assim, a grosso modo, a gente pode dizer que a luminosidade que vem das telas é um dos piores fatores para impedir você pegar no sono, seja você criança, seja você um adulto, tá?

Porque você falou da melatonina, né? A melatonina, ela é um hormônio. E hoje é assim, infelizmente eu vejo que a melatonina ela foi liberada como um suplemento alimentar, mas eu sempre deixo isso claro para todo mundo: a melatonina não é um suplemento alimentar, ela é um hormônio. E ela é um hormônio que a gente chama de cronobiótico, ou seja, ela tem uma função ao longo das 24 horas do dia. Então a gente acha que, por exemplo, que uma melatonina, ela só te ajuda a induzir o sono, porque hoje ela é considerada o hormônio do sono, hormônio da noite.

Não, ela tem um papel de induzir o sono, sim, mas a liberação dela vai interferir na liberação de diversos outros hormônios ao longo das 24 horas do dia. E acho que a pior coisa é assim: como que se dá a liberação de melatonina? Na ausência de luz. Nós liberamos, produzimos e liberamos melatonina melatonina diariamente, diariamente. Algumas pessoas, então assim, mulheres até na menopausa talvez tenha uma dificuldade um pouquinho maior.

Algumas crianças com diagnósticos específicos talvez tenha uma alteração nessa liberação de melatonina, mas a gente libera melatonina diariamente. Só que como que ocorre a liberação dessa melatonina? Na ausência de luz. Aí você vai deitar, vai para cama com grudado no seu celular, ou você é aquela criança que ficou 3, 4 horas antes do seu horário de dormir jogando grudado numa tela, você acha que você vai dormir? Não, porque essa informação de luz, o seu cérebro entende que sol, sol, e essa frase, ela é perfeita, é sol.

Porque o corpo, cérebro, ele entende luz como luz, tanto faz se é luz natural, se é luz artificial, ele entende. Se há luz, não tá na hora de liberar melatonina, não tá na hora de me preparar para dormir, sabe? Então esse talvez seja o pior aspecto assim, né, da tela, é a luminosidade que ela gera. Mas além disso, meninas, tem a questão dos conteúdos. Então o cérebro que vai recebendo conteúdos curtos, rápidos e extremamente superficiais entra num outro aspecto que prejudica o sono.

GGia

Então, que daí entra na dopamina fragmentada, né?

DCDra Carolina Vicaria

Aí entra numa questão de, exatamente, além do vício, entra na questão de eu quero mais informação, eu quero mais informação, eu quero, eu quero mais resposta, mais recompensa, né? Compensa, Gêmeos. Exatamente, porque o prazer ali é rápido, né? Eu tô vendo, eu tô rolando a tela, é recompensa.

GGia

É o brigadeiro do cérebro, né?

DCDra Carolina Vicaria

Exatamente. Então assim, e assim Aí entra numa outra questão, por exemplo, a gente tem inúmeros estudos hoje mostrando que tanto crianças como adultos, né, que estão privados de sono, ou seja, eles dormem menos do que aquilo que eles precisariam, isso aumenta o risco no desenvolvimento de diversas doenças e o risco de mortalidade também. E quando você leva isso, por exemplo, para o adolescente, né, então o adolescente que é privado de sono, ou seja, dorme menos do que ele precisaria, e ele faz uso de telas, o risco de suicídio dispara.

É assim, é muito triste, sabe? É muito, muito, muito grave. Então assim, é um ponto que merece atenção. Eu falo assim, os pais não têm ideia ainda de como isso é agressivo para a saúde da criança, do adolescente. Mas é um ponto, é um ponto importante. E só para não perder a linha, você falou do do remédio, né, que às vezes os tantos pais, né, preferem, por exemplo, um remédio porque a resposta é mais rápida. Hoje eu falo assim, infelizmente, o tratamento de primeira escolha para a maioria dos problemas de sono que a gente tem é o medicamentoso, porque é rápido.

Ninguém quer mudar hábito, ninguém quer mudar comportamento, ninguém tá muito preocupado em fazer uma boa higiene. A higiene do sono, a gente tem um leque, a gente pode falar disso, né, com calma. A gente tem um leque né, de opções do que você pode fazer para melhorar o teu sono, ou seja, de uma forma não farmacológica, que é sensacional. Eu falo assim, eu mesma, eu só trabalho com a parte comportamental para melhorar a qualidade de sono, mas a resposta do medicamento é muito mais rápida.

Só que aí tem dois pontos: a maioria das medicações, elas aumentam o risco de tolerância e de dependência. E a própria melatonina, que de novo é um hormônio, mas ela é vista como, ai, mas ela é natural, Vende na farmácia, vende no Walmart nos Estados Unidos. Que aí é um outro grande problema. No Brasil ela não é liberada, mas fora do Brasil ela é. Então eu recebo pessoas falando assim: ai, porque eu pedi para trazerem melatonina de 10mg.

Gente, vocês não têm ideia do que que são 10mg de melatonina. E as pessoas tomam achando que é uma balinha, balinha para sono. Só que aí a pessoa pega a balinha para sono, que é a melatonina, e fica com o rosto grudado no celular. Olha que beleza! E fora, aqui no Brasil, sinceramente, eu não conheço esses dados, mas fora do Brasil a gente tem dados de crianças que morreram por overdose de melatonina. Porque o pai: a criança tá muito agitada, vou dar uma balinha para criança dormir, não vou fazer ela entrar numa rotina pré-sono que dá trabalho, vou dar melatonina.

Então a gente tem dados de overdose de crianças que morreram pelo uso excessivo, excessivo, sem orientação de melatonina. Então, de novo, a gente não tá falando de uma balinha, de um remédio natural, a gente tá falando de um hormônio que, se você precisar, tem que ter uma correta orientação e um correto acompanhamento, uma indicação.

DDani

Até porque sabemos, como você, né, mesma falou, tá muito aqui anteriormente sobre a questão de que sim, temos alguns contextos em que isso é necessário, mas de novo, tem que ter muita responsabilidade quando você vai colocar isso quimicamente, né, no seu corpo. Então não, a gente não tá falando de um chazinho de camomila, né, é um hormônio, né.

DCDra Carolina Vicaria

Exatamente.

DDani

E, Kai, falando sobre essa questão de higiene do sono, pegando esse gancho, o que que você poderia falar sobre isso como dicas? O que que as pessoas de repente poderiam fazer para que isso realmente fosse importante?

GGia

Eu acho que eu vou mais a fundo nessa pergunta. Para a gente também afunilar um pouquinho, porque, bicha, você tem muito conhecimento, dá para passar o dia aqui com você. Mas afunilando a pergunta da Dani, o que que você poderia falar para as mães que muitas vezes ficam amamentando de noite e ficam na tela porque precisam ficar acordadas e tem essa, esse, essa nada rotina, né, por causa de bebê, amamentação, o bebê filhos muito pequenos.

Você tem algum tipo de dica para as pessoas, para as mulheres que estão passando esse tipo de coisa? Porque é muito solitário para elas, então acaba desregulando tudo mesmo, né?

DCDra Carolina Vicaria

E assim, e é muito complicado porque é uma fase em que eu até brinco assim, vai passar, né? Em algum momento vai passar. Mas quando você é mãe de uma criança pequenininha, não adianta. Criança pequena, ela dorme e acorda o tempo inteiro. Então é natural que isso fragmente o sono da pessoa que tá cuidando daquela criança, né? E geralmente as mães. Então assim, a mãe ela vai passar a ter um sono fragmentado, ela vai passar a ter um sono de má qualidade por conta ali do bebê.

Mas eu sempre falo assim, tem atitudes que podem piorar, e você falou claramente uma. Então o bebê está amamentando, eu estou aonde? Na tela. Não, já tá errado. Você tá, e fora aquela história que a gente fala, poxa, tem uma questão também de presença, né, de momento ali de qualidade de conexão. Assim, você com o bebê amamentando, você tem que estar focando naquilo que você tá fazendo. E parece uma coisa boba, mas esse foco também te ajuda na qualidade do seu sono, né?

Então assim, de novo, tô fazendo várias, tô amamentando, tô respondendo. Não, foca naquilo que você tá fazendo. Isso já é importante, porque pelo menos te tira da tela. Isso já é um ponto importante. Outra coisa que eu falo para mãe é tentar, na medida do possível, acompanhar o sono do bebê. E por isso que a rotina para o bebê, ela é tão importante, porque se o bebê consegue entrar numa rotina de ter pelo menos ali um soninho de 3 3 horas pode parecer pouco, mas se a mãe conseguir dormir 3 horas, para ela já vai ser muita coisa.

Exatamente, né? Então assim, fácil não é. Eu passei na prática duplamente por isso, né? Fácil não é, mas é possível, é super possível. Então assim, você tentar na medida do possível acompanhar a rotina de sono do seu bebê, evitar sim o uso de telas, e de novo, principalmente durante a noite. E uma coisa que eu acho que é muito importante, assim, a partir do momento que o teu médico te libere para voltar a uma atividade física, volte.

Porque o exercício físico, ele é um dos principais sincronizadores do nosso relógio biológico. Então isso vai ajudar muito a fazer uma pressão, a regularizar o teu ciclo, para que de repente você consiga, mesmo que seja por uma curta duração, ter um sono melhor no período da noite, né? Então assim, a higiene do sono é uma coisa fantástica. É muito ampla, realmente a gente não conseguiria ficar falando de todas, né, as dicas. Mas até pensando agora nas mães, nas crianças nas férias, eu tenho 3 pontos que eu acho que são sensacionais para a gente destacar aqui, né.

Então o primeiro, exposição à luz natural, né. Então seja para mãe, seja para criança, principalmente para o bebê, exposição à luz natural. A gente está perdendo isso cada vez mais. Demais, né? A gente tá o tempo inteiro em locais mais fechados, né, menos expostos à luminosidade natural. E de novo, a luz é um dos principais, é o principal sincronizador que a gente tem do nosso— eu falo que o nosso relógio biológico, nosso ritmo circadiano, eu falo assim, é aquela história do ponteiros internos.

A gente tem um ponteiro social, a gente tem um relógio, mas nós temos ponteiros internos que entendem pistas né? Então, por exemplo, a luminosidade é a principal pista que a gente tem de, olha, é dia. Se é dia, eu tenho que gastar energia, eu tenho que estar em atividade, porque vai chegar um momento em que essa luz não estará, e aí é um bom momento para eu dormir. Então, a exposição à luz natural é sensacional. Sempre falo para as mães, bebês, abre a janela, né?

Coloca ali o bebezinho no chão para que ele fique interagindo ali com ele mesmo, que seja, mas exposto à luminosidade natural. Então isso serve para o bebê, serve para adolescente, serve para as mães, servem para quaisquer adultos, né? Então essa exposição à luz natural é super importante para melhorar o sono da noite. O segundo item é a questão das telas. Então evitar, né, dá uma segurada na exposição às telas. De novo, tela, a gente pode pensar em TV, a gente pode pensar em celular, a gente pode pensar em computador, né?

O videogame entra aí. Principalmente perto do horário de dormir. Então a recomendação que a gente tem é pelo menos ali de 1 a 2 horas antes do horário que você pretende dormir não ter essa exposição, né, à luz artificial. E o terceiro ponto, que nem eu tinha falado antes, é o exercício físico, né. O exercício físico talvez seja ali, ah, eu falo que é o meu queridinho, né, a minha dica principal é o gasto de energia. Porque seja você gastar energia subindo e descendo escadas, jogando alguma coisa, né, jogando uma queimada, jogando futebol, ou fazendo, né, para de repente uma academia, um exercício físico mesmo, é a melhor forma que a gente tem de melhorar a nossa qualidade de sono, é gastar energia.

O nosso corpo entende assim: bom, se ela tá gastando energia, vai ter um momento que ela precisa repor isso, porque vai ter um negócio chamado dia seguinte. Então ela precisa ter energia para usar no dia seguinte. Onde que ela vai conservar? Onde que ela vai guardar essa energia? É ao longo da noite. Então você faz atividade física, você gasta energia para aumentar a sua pressão de sono. Para que você tenha um sono de repente com uma duração melhor, mas acima de tudo com uma qualidade melhor.

DDani

E Carol, e o cafezinho, pode?

DCDra Carolina Vicaria

Depende do horário, gêmea. O café, olha, o café é muito interessante, né? Porque quando eu falo dessa pressão de sono, que por exemplo exercício aumenta a pressão de sono, né? Essa pressão de sono, eu não vou entrar muito em nomes específicos, mas a gente aumenta a liberação de adenosina, né, que é uma substância específica que dá essa pressão de sono.

GGia

A cafeína ela com a adenosina.

DCDra Carolina Vicaria

Então a cafeína faz com que você acumule menos essa adenosina ao longo do dia, né? Então por isso que a gente fala que você pode tomar o seu cafezinho, os seus cafezinhos, né? Mas cuidado com o último horário, porque mesmo aquelas pessoas que falam assim, ah, mas o café não faz nada comigo, eu durmo super bem, tem vários estudos mostrando que isso afeta a qualidade do seu sono. Então talvez o pegar no sono não vai você vai deitar e vai dormir rápido do mesmo jeito, mas a qualidade do seu sono ela vai ser diferente.

Porque ao invés de você entrar em estágios mais profundos de sono, ou por exemplo no sono REM, você vai passar sua noite mais em sono superficial. Ou seja, você não vai ter uma boa restauração, mas isso nem, nem, nem física nem cognitiva, né? Então tomar cuidado com o último horário. Lembrando que a cafeína ela pode ter ali uma duração de até 6, 8 horas, dependendo da pessoa. Então, o que é de repente assim considerado mais seguro é que não passe das 4 horas da tarde.

Eu recomendo para os meus pacientes não passar das 14, não passar das 2, né, pensando que pode ter uma duração aí de 8 horas. Então, pelo menos até às 10 pode ali ter algum efeito. Mas, né, para não ser— eu brinco assim—

GGia

para não ser nem tão lá nem tão cá, 16 horas.

DCDra Carolina Vicaria

Às 4 horas da tarde é bom parar para que isso não interfira.

DDani

Cuidado, depende também, né.

GGia

Interessante porque eu fiz um exame, uma nutricionista fez um exame genético e saiu no meu exame que a metabolização da cafeína para mim é muito lentificada. Então se eu tomo café às 4 da tarde, eu vou dormir, você vai sair de graça. Eu não durmo, eu não durmo, não consigo dormir. É muito curioso porque a partir do momento que eu uso, não sou muito do café, né? Sabemos, café para mim é diferente, né?

DDani

Eu sou do todinho, ela é do todinho.

GGia

Mas às vezes eu preciso, porque eu atendo o dia inteiro. Então às vezes a gente precisa, né?

DDani

Estimulante, né?

GGia

O máximo que eu chego realmente é 2 da tarde. Mas eu não sabia desse episódio. Na verdade, em relação à adenosina, eu achei que eu nunca mais na vida eu ouvia esse nome depois do colégio. Adenosina trifosfato. Assim, eu fico ali, uau! Mas é muito curioso isso. E é importante as pessoas saberem que não é uma lenda urbana. Ah, café à noite não dá. Não, existe um motivo químico pra isso, né? E eu, por exemplo, não metabolizo, então não posso, não posso tomar. Nossa, gente, eu tomo duas da tarde, já tenho dificuldade para dormir.

DDani

É engraçado que a gente vai percebendo, né? Eu gosto muito de café, mas eu reduzi muito a quantidade de café nesses últimos anos e eu percebi o quanto que isso realmente interfere.

DCDra Carolina Vicaria

Porque é um estimulante, não é?

DDani

É impressionante, é impressionante. E outra, né, até no café, o café coado tem toda uma questão aí, mas gente, é essa coisa do cafezinho, acho que entra muito nessa coisa de curiosidade e mito também, né? Sim, sim.

GGia

E mito, não acho que é mito, né? Mas, Carol, a gente tá falando de sono, né? E enfim, muitos lugares, pelo menos antigamente, não sei se vocês vão lembrar, que vendiam aquelas lava-lamp. Vocês lembram aquelas luminárias lava que tinha? Daí no imaginário as pessoas compravam muito azul para descansar, para relaxar. Vamos lá, há controvérsias em relação à luz azul, né? Você concorda que a luz vermelha é mais adequado? Qual o seu ponto de vista?

DCDra Carolina Vicaria

Então vamos lá, meu ponto de vista é assim: luz é luz, tá? Primeiro lugar, hoje o que a gente tem, os principais estudos, eles mostram justamente a interferência da luz azul na produção de melatonina. Então a gente sabe hoje claramente, luz azul interfere, interrompe, atrapalha, o nome que fazer a produção de melatonina, a luz azul da tela, né? Exatamente. Tanto que a gente falou hoje, né, os dispositivos eles têm bloqueios, o óculos, né, acaba tendo bloqueio para luz azul.

Mas eu sempre falo assim, luz é luz, né? Então mesmo que você mude ali o espectro da luz, vai continuar sendo luz. E aquilo que vai chegar na verdade para os teus olhos pode interromper sim a produção de melatonina. Então o que a gente sempre assim, se houver a necessidade de uma luz, faça opção por uma luz mais quentinha mesmo, né? Então uma luz mais vermelha, mais alaranjada. Mas lembrando, se possível, evite luz. E para dormir, assim, e até uma coisa interessante, que tem mães que falam assim: ai, Carol, porque quando eu vou colocar meu filhinho para dormir, eu deixo uma luzinha ali.

Eu brinco assim: quem tem medo de escuro é a mãe, é a criança. A criança não sabe o que que, né? Ela não tem medo de escuro, né? Então ela não vai chegar para você, um bebezinho chegar: mamãe, acende a luz porque eu tô com medo.

GGia

Não vai.

DCDra Carolina Vicaria

Eu falei, então assim, o problema é a mãe, é a gente que quer botar a luzinha, o bajuzinho, sei lá o quezinho dentro do quarto da criança. Mas para criança, ausência de luz que é o melhor caminho.

GGia

E como é que foi para você, Carol? Eu tô muito curiosa. Gêmeos, gêmeos, a gente tá falando de sono. Como é que foi a sua rotina com gêmeos?

DCDra Carolina Vicaria

Olha, fácil não foi, né? Eu sempre brinco assim, fácil realmente não, não quer, mas é possível. Só para você ter uma ideia, até hoje, né, eles estão com 8 anos de idade, eles não usam telas, tá? Então os meus filhos têm 8 anos, eles não têm celulares, não tem tablet. Ai, caramba! Ponto. É isso que eu escolhi para os meus filhos, porque eu sei que no fundo eles vão colher esse benefício em algum momento, sabe? Então é a primeira coisa, eles não tiveram nunca contato com telas.

Então desse mal eu brinco que eu já não sofri Nem TV, nem TV, nem TV. Hoje eles assistem TV, mas eu falo assim, é um desenho, é um, sabe, um momento inclusive de— porque até a própria Organização Mundial de Saúde ela fala que tela para criança tem que ter um limite, né? Antes dos 2 anos de idade nem é permitido, nem deveria ser permitido. Então assim, eu deixo eles assistirem TV ver somente no final de semana, né, e longe do horário de dormir, é fato, e por um curto período de tempo.

Então assim, ah, eu quero assistir meia hora, 40 minutos de desenho, meia hora, 40 minutos de, sei lá, um filminho. Ou, ah, se for um filme, demora ali uma hora e meia, tal, tudo bem. Mas na rotina deles, tela não faz parte. Essa é a primeira coisa, com certeza.

GGia

Ir ao cinema, então.

DCDra Carolina Vicaria

Exatamente, exatamente. E é aquele momento. Ah, mamãe, posso um segundo momento?

GGia

Não, não pode.

DCDra Carolina Vicaria

Ah, mas você, Carol, você é rígida. Sou mesmo, sou mesmo, porque eu sei o que que eu quero oferecer para eles. E de novo aquilo que a gente falou, as telas elas são extremamente agressivas para a saúde mental da criança.

DDani

E é muito importante, e aí uma curiosidade de Carol que eu acho que é importante falar. A gente ouvindo assim, é claro, a gente tá falando de, obviamente temos rotinas, famílias, situações, né, é importante a gente falar isso. Mas assim, a Carol também, ela até um tempo atrás ela também não tinha essa coisa do uso excessivo do celular, até com relação à rede social. A Carol, ela não tinha Instagram, né? Era uma coisa que a gente falava, né?

GGia

O que facilita também, né?

DDani

Facilita muito. Porque para entenderem um pouquinho, até porque ela tá falando dessa rigidez, mas porque para ela também isso sempre foi um hábito também, né?

DCDra Carolina Vicaria

Exato. É, eu brinco que quando todo mundo já tinha Instagram, eu não tinha, as pessoas falam, Carol, você precisa divulgar o seu trabalho. Aí eu brincava, não dou conta na minha rotina, não dou conta.

GGia

Eu consigo fazer um pós- Eu tô aqui com gêmeos recém-nascidos, mas eu não tenho isso, sem rede social.

DCDra Carolina Vicaria

Exatamente. E é muito engraçado porque às vezes os meninos, por exemplo, eles nunca me cobraram do tempo que eu passo no celular porque eles não têm essa vivência. Então, e isso eu acho que é importante também, porque assim, de novo, é difícil, mas eles não têm a vivência de olhar para mim e falar, mamãe, você não sai do celular. Não. Às vezes eu chego para eles, nunca levo o celular para mesa, essas coisas. Às vezes eu chego para eles, eu falo assim: meninos, desculpa, mamãe vai precisar mexer no celular por conta do trabalho.

Então vou gravar alguma coisa para o meu Insta e tal. Mas assim, é, é um período ali, né? Eu não sou aquela pessoa também que o tempo inteiro você tá me vendo no celular. Então isso para eles também é tranquilo, porque às vezes eles até falam: mamãe, o meu amiguinho joga no celular. Aí eu falo: é, filho, exatamente, tem crianças que vão jogar. E de novo, tudo bem, né? Tudo bem, porque cada família é uma família. Mas para os meus eu optei que eles não tivessem esse contato.

Então assim, desde pequeno eles não tinham contato com telas. A rotina que a gente conversou antes, para mim era uma coisa muito, é, que precisava fazer parte. Então desde que eles chegaram, eles ficaram, eles nasceram com 34 semanas, ficaram quase 20 dias na UTI, né? E eles já chegaram em casa com uma certa rotina, né, que foi imposta ali na UTI. Ali e optei por manter essa rotina, né? Então a cada 3 horas, né, acordava. Eu lembro que a primeira vez que a pediatra falou assim, olha, tenta tirar a mamada, por exemplo, das 2 horas da manhã para ver se eles, né, seguem ali.

Eles seguiram, né? Então assim, eu fui respeitando muito essa rotina, que nem eu falei, de gastar energia. Então ao longo do dia, ah, você não deixava seus filhos dormirem? Não, pelo contrário. Porque também tem uma coisa interessante, tem gente Ah, então não vou deixar a criança dormir durante o dia para ela dormir à noite.

DDani

Não, isso é um mito, é um mito gigantesco, é manga com leite.

DCDra Carolina Vicaria

Exato, é um mito gigantesco, porque a criança justamente, se ela não dormir ao longo do dia, ela vai ficar mais irritada.

GGia

Sim. E aí ela vai ter mais necessidade da soneca durante o dia para dormir bem à noite.

DDani

Então assim, o sono diurno, inclusive para as crianças ali até os 5, 6 anos de idade, tem uma necessidade de soneca que a gente fala pensando nas crianças.

DCDra Carolina Vicaria

O adulto, ele tem ser monofásico, ele tem que dormir em um único momento do dia. A criança até os 5, 6 anos ela ainda vai ser polifásica. Então mesmo que ela tem um soninho maior ao longo da noite, ela vai ter necessidade de cochilos diurnos, período da manhã, período da tarde. Isso é super importante. Então essa, esse cochilo, né, esse dormir ao longo do dia era super permitido, mas no momento que eles estavam acordados eles estavam gastando energia.

GGia

Aí eles estavam na controvérsia com os espanhóis, né, Carol, com a siesta. Como profissional, como é que você vê esse hábito? Você acha que é só uma questão cultural? Cultural, ou eles têm um outro ritmo, tem alguma diferença? Você acha que seria bom para as pessoas?

DCDra Carolina Vicaria

Então, é, no caso dos espanhóis, é que nem você falou, é cultural. Então assim, já faz parte da rotina deles e eles crescem com essa rotina, e tudo bem. Eu brinco assim, para nós brasileiros, a grande diferença é como que a gente encara o cochilo. Então até brinco que o cochilo ele precisa ser estratégico. Então o que que é um cochilo estratégico. Ele tem que ter início, ele tem que ter fim e ele tem que ter tempo definido. Então assim, ah, eu vou, sabe aquela história assim, domingo eu vou fazer meu cochilinho da tarde, eu durmo umas 2 horas da tarde, acorda às 7 da noite.

Isso não é cochilo, pelo amor de Deus, isso não é cochilo. Ninguém cochila 5 horas seguidas, não é assim. Ah, mas não interfere no meu sono da noite? Interfere, vai interferir. Aí entra na mesma história da cafeína. Então não é que se eu dormir 5 horas à tarde, né, comidas não vai interferir no meu sono da noite, vai interferir na qualidade do seu sono da noite. Então assim, eu sempre brinco assim, se você dorme bem, e quem dorme bem dorme durante a noite, né?

Se você tem um sono bom, né, de boa qualidade durante a noite, você não vai ter sono noturno, você não vai ter necessidade de dormir durante o dia. Esse é o primeiro ponto, tá? Agora, se você perceber, caramba, eu realmente me sinto um pouquinho mais cansada ao longo do dia, preciso fazer um cochilo, que seja um cochilo curto, curto, de 20, no máximo a 30 minutos, no máximo ali até 30 minutos, e preferencialmente logo após o almoço, ou seja, longe do horário da noite, do sono da noite, né?

E por que que eu falo pós-almoço? Porque pós-almoço a gente tem uma outra questão aí fisiológica, não vou entrar nesse mérito, que facilita, que às vezes faz até com que a gente fica um pouquinho mais cansado. Exatamente. Então um cochilo curto e logo após o almoço, aí funciona. Mas cochilo, né, gente?

DDani

Cochilo, né? Cochilar.

DCDra Carolina Vicaria

Isso é um cochilar, vou cochilar 3 horas.

GGia

É o que a jiboia faz depois que comeu um boi.

DCDra Carolina Vicaria

Isso, é um cochilo para digestão, é um cochilinho tranquilo.

GGia

E também é muito interessante isso que muitas pessoas dizem, né? Ai, não preciso dormir tanto assim. Independente da idade, né, Carol, as pessoas precisam entender que talvez isso seja uma questão de ansiedade exacerbada, de não conseguir realmente descansar, relaxar. Pessoas que têm o hábito, por exemplo, de fumar Elas têm o cigarro e o café, cigarro e café, e dorme muito pouco, vai dormir muito tarde. Então é muito importante que as pessoas não coloquem um rótulo que, ah, eu não preciso do sono, eu sou um extraterrestre diferente de todo mundo, eu sou especial, Lírio do Vale, completamente diferente.

Não, isso daí possivelmente pode ser uma outra questão que esteja sendo deixada de lado por causa dessas pequenas ferramentas aí que as pessoas usam, como cigarro, por exemplo, né? Então são detalhes que talvez por isso, por esse estigma todo de sono que todo mundo tem sob controle, lá atrás no início da sua jornada você não teve esse amor à primeira vista.

DCDra Carolina Vicaria

Exato.

GGia

Porque meio que todo mundo, ah, eu tô dormindo.

DDani

Exato.

DCDra Carolina Vicaria

E tem uma coisa importante que assim, por que que eu achava, né, que não precisava dormir muito e tal? Eu sou uma curta-dormidora, então um pequeno dormidor, né?

GGia

Né?

DCDra Carolina Vicaria

O que que é uma pessoa, um pequeno, um curto-dormidor? É uma pessoa que tem uma necessidade de sono de 6 a 6 horas e meia por noite. Então eu sempre precisei de poucas horas para me sentir bem no dia seguinte. O que acontece hoje foi super interessante, a forma que você trouxe, que a pessoa falou assim: ai não, mas eu não preciso dormir, tá? Ela precisa dormir, no dia seguinte já tá com moleira desse tamanho, ela não lembra de nada, ou seja, tá se queixando de memória, tá se sentindo cansada, fadigada, perdeu o tempo de reação, perde a tomada de decisão, mas ela acha que tá super bem, que ela não é só— exatamente.

Ah, nossa, ah, que que eu ia falar mesmo? Eu também perdi. Acha que isso não tem a ver com sono? Exatamente, com a desatenção. Então o que que eu percebo hoje? As pessoas falam assim: ah, eu não preciso dormir muito. Não, como é que você sabe? E até uma coisa interessante, fala assim: como é que a gente sabe quantas horas de sono a gente precisa dormir? Imagina assim, eu posso escolher a hora que eu vou dormir, e eu posso escolher a hora que eu vou acordar.

Quantas horas de sono você precisa nesse período para se sentir bem no dia seguinte? Então, quando alguém fala assim, Carol, qual é o melhor exame que eu faço para saber se eu dormi bem? Eu falo, o exame é muito simples: você para, olha para o dia seguinte, fala assim, como eu estou? Esse é o melhor exame, é muito simples. Então, se você fala assim, ah, Carol, eu preciso dormir, sei lá, em torno de 10 horas da noite, e eu preciso acordar ali umas 7 horas da manhã, a gente tá falando de 9 horas de sono por noite.

Ou seja, você é o que a gente classifica como grande dormidor, é uma pessoa que precisa de no mínimo 9 horas de sono por noite. Por isso que a gente tem o pequeno dormidor, que é uma necessidade ali de 6 a 6 horas e meia, o indivíduo indiferente, que vai ter uma necessidade de 7 a 8, 8 horas e meia mais ou menos, e o grande dormidor, que vai precisar de no mínimo 9 9. Isso é uma variação individual. Então sim, vão ter pessoas que vão precisar de pelo menos 9 horas de sono para se sentirem bem no dia seguinte.

O que a gente vê hoje é que as pessoas falam: ah, mas eu durmo 5 horas de sono por noite. Porque você quer? Não, porque a sociedade te impõe isso. Você pode dormir às 10 horas da noite e acordar às 10 horas da manhã se você for um grande dormidor? Não, porque a sociedade começa muito cedo. Então é claro que às vezes você vai dormir meia-noite, acordar às 5 horas da manhã, não é porque você acha lindo dormir 5 horas, porque aquilo que cabe na sua rotina.

GGia

E porque a influencer que eu sigo acorda às 5 horas da manhã, ela faz yoga, bate papo, ela faz a oração do café com não sei quem, perfeito, ela leva o filho para escola numa lancheira perfeita que ela faz um desenho de coelho, ela volta e ela tá com cabelo sempre lindo e maravilhoso. Exato.

DCDra Carolina Vicaria

E isso é muito importante porque, de novo, é aquilo que você vê, é o recorte que chegou em alguma determinada rede social. Não quer dizer que ela faz isso porque era o que ela queria. Então assim, a gente deu todos esses exemplos. De novo, não importa se você vai acordar 5, 6 horas da manhã porque o seu filho precisa ir para escola, porque é o horário que você entra no seu trabalho, mas é importante a gente entender que a sociedade hoje ela vive em privação de de sono.

Então, de novo, as pessoas não dormem, a maioria, né, não dorme 5, 6 horas de sono por noite porque é o que ela quer, é porque é o que cabe na rotina dela. Mas é muito importante que as pessoas entendam que se elas continuarem dormindo 5, 6 horas de sono por noite, mas no fundo elas precisam de 8, 9, elas vão sofrer as consequências, se é que elas já não estão sofrendo, né?

GGia

Porque é compensável, né?

DCDra Carolina Vicaria

Não é compensável. Perfeita essa frase. Eu sempre brinco assim, é, as nossas avós já falavam: sono não se recupera, sono não se compensa. Não compensa. Sono perdido é sono perdido. E sono perdido em longo prazo, que a gente fala assim, né, que é a privação de sono, vai te trazer consequências metabólicas, cardiovasculares, neurodegenerativas. Então a gente pode falar de maior risco no desenvolvimento de diabetes, maior risco de você se tornar uma pessoa hipertensa, maior risco de infarto, maior risco no desenvolvimento de Alzheimer, por exemplo.

Maior risco de suicídio. Então assim, a gente precisa entender que se a gente dorme menos do que aquilo que a gente precisa, a gente vai sofrer as consequências, se é que a gente já não está sofrendo. Isso é muito importante que a gente tenha claro isso. A opção é sua às vezes, né? Às vezes você dorme 5 horas porque, de novo, é o que cabe na sua rotina, né? O dia só tem 24 horas, que nem a gente falou. Às vezes é o que cabe, mas às vezes você poderia dormir um pouquinho mais, mas você fala: não, não, eu vou dormir um pouquinho menos porque fulano dorme só isso e tá bem. Fulano é fulano, você é você, né?

GGia

Então essa diferença é porque você tá 2 horas no TikTok, no Reels, e não se deu conta porque você tá preso na dopamina fragmentada. E olha no relógio, não percebeu que você ficou 2 horas ali, né?

DCDra Carolina Vicaria

Isso, exatamente, que acontece, né, tranquilamente. Ah, então que horas você costuma deitar para dormir? Aí eu durmo, eu deito às 10.

DDani

Mas vai dormir.

DCDra Carolina Vicaria

Exatamente. Mas aí pega o celular, fica lá das 10 da meia-noite, ela tá lá rolando tela.

GGia

Isso é dormir? Não.

DCDra Carolina Vicaria

Então ela deitou às 10, super comum. A hora que ela foi dormir é outra história, né? Eu falo assim, tempo de cama é uma coisa, tempo de sono é outra história.

GGia

E adolescente, Carol? Que daí já vai para um outro oposto, né? Porque o adolescente liberna que nem um urso, não é? Para tirar o adolescente da de pijama, você praticamente tem que chicotear.

DCDra Carolina Vicaria

Exato.

GGia

Como é que é isso, esse funcionamento? É uma questão hormonal? Qual o tipo de necessidade desses pequenos urtos?

DCDra Carolina Vicaria

Eu brinco com os meus pacientes adolescentes, principalmente com as mães, que adolescência é um capítulo à parte para tudo que você imaginar na vida, e sono não seria diferente, né? O adolescente, ele tem duas questões muito interessantes. Primeiro, ele naturalmente é uma pessoa vespertina Então, o que que é o vespertino? É aquela pessoa que prefere acordar mais tarde, tem um rendimento muito bom no começo, no período da tarde, no comecinho da noite, e naturalmente prefere acordar muito mais tarde.

Diferente do matutino, aquela pessoa que acorda feliz da vida 5, 6 horas da manhã, né, tem um rendimento muito bom no começo da manhã, aliás, no período da manhã, no comecinho da tarde, e naturalmente prefere dormir muito mais mais cedo, né? Então essa é a grande diferença do matutino e do vespertino. O adolescente, ele é naturalmente vespertino, e o adolescente, ele tem uma necessidade de horas de sono que vai variar ali de 9 a 12 horas de sono por noite.

Então fisiologicamente falando, o adolescente precisa de muitas horas e ele começa a funcionar mais tarde. Só que uma coisa bem simples: a nossa sociedade funciona tarde. Não, a nossa sociedade começa cedo, as escolas começam cedo, as faculdades começam cedo. Então imagina um adolescente que fisiologicamente ele gostaria de acordar 9, 10, 11 horas da manhã, ele acorda às 6 talvez da manhã para pegar a van escolar, pegar o transporte escolar, sei lá o quê, Então ele gostaria de acordar às 10, ele tá acordando às 6.

Quantas horas de sono você acha que esse adolescente já perdeu, né? E aí tem uma outra coisa que é muito interessante, que as mães falam assim: Carol, mas eu coloco ele para dormir mais cedo, eu falo para ele: vai deitar às 10 horas, né? Eu falo assim: vai deitar às 10 horas. E eu explico para elas, isso de novo é fisiológico, o normal dele, né? Então de novo, a curva de temperatura central, a liberação hormonal dele não tá acontecendo ali para dormir às 10 horas da noite, ela tá acontecendo à meia-noite, a 1 hora da manhã.

Então não adianta eu chegar para adolescente e falar: lindo, vai deitar às 10. Ele não tem sono porque a liberação de melatonina dele não vai acontecer às 10 horas da noite, ela vai acontecer depois. Então o adolescente naturalmente ele tem um atraso de fase que a gente chama, né? Então tudo para ele não vai acontecer entre aspas ali perto das 10 horas da noite, vai acontecer muito mais para frente. Então não adianta a gente colocar, sabe, um dado muito interessante que teve na época da pandemia?

O que que aconteceu? Tudo virou, né, online, enfim, não tinha aula presencial. Então aquele adolescente que de repente precisava acordar às 6 horas da manhã, né, para chegar na faculdade às 7:30, que horas que aquele adolescente acordava? Às 7:30, porque ele acordava, não, na verdade ele acordava às 7:30 porque ele ligava o computador e já tava lá.

GGia

Isso, sendo muito fofa, né, Carol? Fofíssima ela.

DCDra Carolina Vicaria

É que eu não quero ser cancelada.

GGia

Eles acordavam, ligavam o computador, não apareciam, ficava off, né, sem a câmera, e continuavam dormindo até às 11 da manhã. Foi assim que vocês se formaram e vocês querem que a gente confie em vocês do futuro.

DCDra Carolina Vicaria

Além disso, teve isso, mas assim, teve algumas exceções, né? Obrigatoriedade de mostrar o seu rostinho naquelas escolas que era obrigatório, né, abrir a câmera e tal. O que que os estudos mostravam? Que só essa diferença, então, por exemplo, do adolescente que acordava às 6 horas da manhã, quando ele passou a acordar 7:30, a gente tá falando de 1 hora e meia de diferença, muita coisa, né? O nível de aprendizado melhorou, as notas melhoraram, o processo de atenção melhorou, as queixas de melhoraram.

Então, de novo, a gente tá falando de 1 hora e meia. Parece pouco, mas para aquele adolescente que precisaria, sei lá, de 10 horas, fazia toda a diferença. Então, o que que os estudos mostram? Eles não mudaram o horário que eles iam dormir. Ah, eles foram dormir mais tarde? Não, eles continuaram dormindo no mesmo horário que eles, né, costumavam dormir, mas eles acordavam 1 hora e meia, 2 horas, dependendo da pessoa, depois. Então, isso era o tempo que eles dormiam a mais.

Isso fez toda a diferença de novo para processo de aprendizado, para notas, muita diferença. Isso acontece com a gente também. Então às vezes a gente fala assim, ah, é, e por que que o nosso sono hoje ele é tão negligenciado, né, meninas? Porque eu falo assim, se você precisa colocar mais alguma coisa ao longo das 24 horas do seu dia, alguma coisa você tem que tirar. E o que que você vai tirar? Seu sono. Ah, mas assim, se eu dormir uma horinha a menos, isso não vai fazer nenhuma diferença.

Diferença, vai fazer muita diferença, vai fazer diferença tanto no teu dia seguinte, mas de novo, na tua vida daí para frente também, nos riscos que você tem desenvolver alguma doença. Então assim, isso é muito sério. Às vezes a gente faz isso, ah, meia horinha a menos não vai fazer diferença. Faz muita, e para o adolescente mais ainda.

GGia

Sabe que eu podia passar o dia inteiro aqui, né?

DDani

Podia, né? Podia, né? Falei, é um assunto, Carol, é isso aí.

GGia

E assim, é interessante que você, dentro de todas outras ocupações, né, Carol? Eu não tenho dúvidas que até pelo que você falou das telas, o ser mãe é uma, uma das identidades mais importantes que você tem. Não só por ser mãe, mas pela dedicação que você tem, porque não é fácil você ter dois filhos gêmeos de 8 anos e não simplesmente pegar e dar uma tela para eles. Então essa energia que você coloca, se você realmente não tranquila, se você não tiver descansada, você não consegue fazer isso.

As pessoas podem achar, não tô, não tô querendo parecer fazer diferença de gênero aqui, mas os homens muitas vezes não conseguem entender. E até mesmo as mulheres que não têm filhos, tá, gente? Tô falando uma coisa de mães. É muito difícil as pessoas entenderem estar nesse desgaste, né? O desgaste físico, mental, emocional emocional, psicológico de criar uma criança, realmente muito exaustivo. E você escolher esse caminho, que é o caminho mais difícil que a gente chama, né, com dois, é admirável, Carol, de verdade, de verdade.

Parabéns! Obrigada, Alice, porque eu não, eu não tenho esse perfil, né. No caso, minha esposa fica mais tempo com meu filho. Ele tem, ele tem um momentinho dele de ver a patrulha canina em casa, enfim. Mas, por exemplo, quando a gente sai, é muito difícil sair. Eu trabalho muito, muito, muito todos os dias, até muito tarde. É uma rotina bem desgastante em tela, porque eu trabalho online. Meu sono é horrível, a qualidade do sono é péssima, péssima, por diversos fatores.

E isso naturalmente gera um cansaço muito grande, né? Mas quando sai no final de semana, você fala assim, poxa, é só um final de semana, eu só quero almoçar. Pelo amor de Deus, filho, tá, assiste o seu desenho. Eu só quero almoçar hoje, depois a gente brinca o dia inteiro, mas agora eu só preciso almoçar. No início eu me senti um pouco culpada, que, né, a gente se sente culpada. Nasce mãe, nasce a culpa, nasce a mãe, nasce a culpa, nasce tudo.

Mas com o tempo eu comecei a me perdoar mais, porque eu compenso, eu busco compensar a presença e a off-telas de outra forma. Mas é muito importante a gente lembrar também que, independente se é tela ou se é um joguinho ou se é um caça-palavras, qualquer outra coisa, as mães elas precisam ter um tempo ali para não ter a função de tá executando uma tarefa, nem que sejam 15 minutos.

DCDra Carolina Vicaria

Exato.

GGia

A gente tem essa necessidade porque senão a gente começa a ter curto-circuito. Sim. E se começa a fazer mal para nós, nós naturalmente nós somos mães inadequadas. Então cada, não sei se vocês concordam comigo, mas cada um dentro da sua intimidade precisa encontrar um momento realmente para ter essa paz de espírito. O que fazer com o filho, para seja o jogo, seja o que for, por uma horinha que seja no dia, 40 minutos, meia hora que seja, para conseguir entender o próprio mecanismo de descanso além de sono também.

Principalmente as mães que não conseguem ter a noite de qualidade Na verdade seria um sonho as pessoas terem isso, mas tentar encontrar dentro de si para não ficar buscando medicação. Exato, exato, para não ir para remédio.

DCDra Carolina Vicaria

A gente tem muitas opções para isso, Gia. Assim, eu acho que tem uma coisa muito legal que você falou, é assim, tem coisas que não são fáceis. Então todas as vezes que eu saía para, sei lá, jantar, que os meninos estavam presentes, A gente falava isso, a gente tem a opção de dar o celular, a gente optou por não dar. Então em algum momento eu tava ali brincando de jogo da velha, né, de caça-palavras que nem você falou, fazendo um desenho.

Não é fácil, dá trabalho, mas é importante que as pessoas entendam que é possível. Foi uma escolha, de novo, é uma ação difícil, mas é extremamente possível. Acho que essa é uma coisa. E a outra coisa é que nem você falou, eu amo o meu papel de mãe. Mãe. Eu amo ser mãe, né? As pessoas que me conhecem, né, Gêmea conhece minha história. Eu acho que eu fui muito abençoada por Deus por ter tido dois, né? Muitas pessoas sabem que não era a minha, digamos assim, primeira escolha, né?

Eu sempre falava que eu pretendia ter um filho, então minha opção na verdade não era ter dois, mas Deus achou que esse era o caminho. Eu acho ótimo, acho que eu fui muito abençoada por isso. Mas é muito difícil criar uma criança, criar duas criancinhas. Dá muito trabalho, tá? Mas eu amo meu papel sem ser mãe. Eu falo isso: antes de ser mãe, eu era a Carol, eu continuei sendo a Carol. Eu assumi mais um papel, mas eu amo ser a Carol.

Eu amo dar as minhas palestras, eu amo dar as minhas aulas, eu amo ser amiga, eu amo ser esposa, eu amo, eu amo ser eu. Independentemente da maternidade. E isso é importante. E tem muita mulher que se culpa disso, tem muita mãe que fala: não, o meu principal papel é ser mãe porque eu nasci para ser mãe. Eu falo: cara, eu não nasci só para ser mãe, eu nasci também para ser mãe, mas eu adorei assumir mais este papel. Mas esse papel não exclui os outros papéis que me fazem muito, mas me dão muitas e muitas e muitas alegrias.

Então sim, em algum, ai, todos os dias da sua vida você tem o seu momento só seu? Claro que não, né? Vamos ser realistas, né? Eu adoro fazer atividade física, eu treino todo dia. Claro que não, vamos ser realistas. Mas quando eu consigo, hoje antes de vir para cá eu acordei cedinho, no horário que deu, fui lá, fiz meu exercício. Em algum momento do dia eu gosto, quando eu brinco com a gêmea, que a gente nem sempre consegue se encontrar, mas de vez em quando a gente marca o nosso cafezinho, é um momento nosso.

A gente deixou de amar os nossos filhos? Claro que não, mas a gente ama o momento nosso. Eu sou, momento que a Dani é a Dani, que a Carol é Carol, independentemente de ser mãe, né? Então isso que você fala é muito legal, Gi, porque eu procuro sim ao longo do meu dia, ou pelo menos da minha semana, ter momentos meus. Não é o momento de ser mãe, é o momento de continuar sendo a Carol, que era um papel que já existia antes da maternidade.

E esse papel, Gi, quando ele é bem feito, ele faz com que eu volte melhor para o papel de maternidade.

GGia

E isso te responde a sua pergunta, que você não entende o porquê Deus achou que você tinha essa força para ter dois filhos ao mesmo tempo. Exatamente por isso, porque você consegue se identificar em todas as suas outras identidades. Então o fato de você não ser somente nascida para ser mãe, etc., assumir essa responsabilidade e ter orgulho disso, o que mais uma vez eu respondo, falo para você, admirável. Isso só mostra que você tá preparada, simples. É muito fácil.

DDani

Você fez essa pergunta antes da gente entrar Vou te contar uma coisa, você sabia que a Carol é filha única? Carol é filha única e eu tenho uma pergunta para te fazer com relação a isso, né? Conheço você, bom, ela, a gente se chama, né, nos chamamos de gêmea porque nós descobrimos que nascemos no mesmo dia do mesmo ano, né? Então por isso, tá, gente, só para explicar. E Carol, ela é filha única, né? E eu lembro que conversamos muitas vezes sobre isso, até com relação antes de sermos mães, enfim, né, temos uma história, né, nos conhecemos há mais de 20 anos, né.

E, e, Carol, a minha pergunta é assim, pensando nesse contexto, né, de você ter sido filha única, né, e a maternidade entrar na sua vida, então, ah, vou ter um filho, tal, como foi para você e como é para você ter essa referência que você teve, né, enfim, de infância, de pessoas que não eram tão próximas, de pessoas que supriram algum papel XYZ, até as suas amizades, né, de você ser mãe de gêmeos, né. O que que, o que que isso te ensinou hoje?

Como é que você vê isso hoje como aprendizado de você ter filhos que são os irmãos e dessa referência de como você vê a maternidade, né, e a sua maturidade também ao longo desse processo o tempo todo.

DCDra Carolina Vicaria

Então, Gêmea, é, isso é muito doido, né? Porque justamente porque eu não tenho, não tive, né, essa referência de ter irmãos de sangue, né? Graças a Deus, Deus me deu as melhores irmãs, né, que eu tenho na vida, que não são de sangue, mas são as melhores. Mas eu não tive essa referência de ter irmãos. Então, na minha cabeça, eu falava assim, nossa, eu quero ter um só, porque eu sou uma pessoa muito bem resolvida, graças a Deus.

Sendo filha única, eu acho, né, gente, acho que eu nunca tive falta de ter o irmão porque eu sempre tive amigos muito próximos que eu acho que, como você falou, supriram isso. Quando eu engravidei de gêmeos foi uma surpresa, mas acho que o melhor presente que eu tive realmente é olhar a relação deles, que eu falo assim, que é uma relação incrível de amor e ódio, inclusive, né? Porque da mesma forma que eles se amam intensamente, eles se odeiam intensamente, porque da mesma forma que eles se beijam intensamente, querem tentar matar intensamente.

Mas é uma relação tão incrível que é isso. Eu falo assim, eu não vivi isso. Então eu olho os dois, às vezes eu brigo com um outro, falo, mamãe, por que que você tá brigando com ele? Porque o que que você tá defendendo ele? A pai menor cientista tá defendendo essa criatura. É uma coisa muito linda. E essa relação é muito incrível. Então isso, eu olho para essa cena, eu falo, gente, essa cena é muito, é um sentimento muito lindo que, de novo, eu não vivi na minha Dili.

E hoje eu vivo com eles, que eu falo, gente, eles se defendem. Eles parece realmente quando fala, ai, mas será que não sente? Gente, eu acho que às vezes sentem realmente, né, o que o outro tá sentindo. Eles têm uma questão de, que nem eu falei, né, volta e meia estão se matando, estão se batendo, então enfim, estão tentando enlouquecer a mãe e tal. Mas por vezes você fala, gente, que coisa mais linda, porque um tá tentando proteger o outro outro, né?

É um, ah, sei lá, um tá doente, outro vai para escola, o outro chega da escola com desenhinho que fez para o irmão porque sentiu saudades do irmão, né? Um vai, sei lá, num local que outro não foi. Ai, mas não, ai, mamãe, vamos levar isso para o outro. Aí eu falo, gente, é incrível, porque não tem aquela questão de, sabe, do egoísmo, do tipo, não, eu fui, eu vivi, eu fiz, foi legal, vou chegar e vou falar para você que eu fiz. Não, Não, ele quer levar para o irmão aquilo que ele fez, ele quer levar um pouquinho da experiência que ele teve para dividir com o irmão.

Isso é muito lindo, isso é muito sensacional. E realmente é uma coisa que eu falo, eu não vivi isso, então eu vejo a relação dos dois e falo, cara, é uma coisa inexplicável, inexplicável essa relação deles. É muito, muito lindo mesmo.

DDani

Ah, então, gente, o que não é uma regra, tá, gente? Eu tenho irmão, sim, irmão Irmão, sei. Olha, a relação de amor e ódio, vamos lá, né? Briga e beija. E é isso aí, né?

GGia

Beijo para o meu irmão. Ou não, simplesmente você desencana deles. Mas é isso, gente. Já que ela é sua irmã de sangue, você é minha meia-irmã, né? É isso aí, ó. Olha só, você é uma irmandade aqui. Carol, muito obrigada, de verdade. Que delícia ter você. De papo, né, gente? Obrigada mesmo.

DDani

Ficaríamos aqui mais, né, enfim, muito tempo.

GGia

E é gostoso, é aquela inteligência que eu falo. Tem alguns convidados que chegam aqui que dá vontade de dar uma lambida no cérebro. Eu falo, Carol, você é uma delas.

DCDra Carolina Vicaria

Te falei. Eu que agradeço, meninas. Foi assim um prazer. Eu também ficaria a tarde inteira aqui, a tarde inteira tomando cafezinho. Não pode, né? A gente tem que tomar água, tomar vinho, até às 4 horas. Chocolate também estimula, a gente tem que tomar cuidado, né? Mas de repente um um cafezinho que não fosse estimulante, a gente pode, né? Mas ficaria a tarde inteira também conversando com vocês. Você, minha irmã, minha gêmea, que eu amo do fundo do meu coração, e de um assunto que eu amo falar, que é a maternidade, que é o sono, que é, como eu falei, não brilhou à primeira vista, mas hoje faz brilhar intensamente os meus olhos.

DDani

Demais, né? Falar de você é difícil. Eu não vou nem entrar nesse, mas você sabe o quanto eu te admiro, em todos os sentidos, em todos os seus papéis. Eu tô muito feliz que você tá hoje. Muito feliz que eu tô com vocês duas aqui hoje.

DCDra Carolina Vicaria

Eu não queria chorar, você não podia fazer isso comigo. Mas você sabe que para mim é um prazer imenso também. Você sabe o quanto eu te amo. E essa história de maternidade é interessante porque assim, eu não tive, como eu falei, irmãos de sangue, mas eu tenho algumas pessoas na minha vida, mas duas pessoas específicas na minha vida, que inclusive foram as pessoas que eu escolhi para serem madrinhas, né, dos meus filhos, que Vocês são as irmãs mais especiais que a vida me deu.

E eu acho que é por isso que eu não senti nunca falta de um irmão de sangue, porque vocês são mais do que irmãs de sangue para mim. Você, eu não vou ficar falando que a gente precisa encerrar, né? Mas assim, o quanto eu te amo, assim, essa vida não explica.

DDani

Essa vida não explica o quanto eu te amo. A gente sente sempre, meu amor. Muito obrigada, viu? Obrigada, gente. Olha, eu amei, gente.

GGia

Se inscrevam no canal, Canal. Curtam, compartilhem, assistam, gente. É uma importância muito grande assistir tudo que a Carol falou. São informações maravilhosíssimas e que vocês estão tendo aqui de graça, né, gente? Ó, mas muito obrigada, gente.

DDani

Obrigada.

T3#02 - O Sono na Maternidade (Dra Carolina Vicaria) | Castnews Index — Castnews Index