Episódios de Psicomanas - Entre Surtos e Insights

T3#01 - O Silêncio da Reprodução Assistida (Andréa Uono)

30 de julho de 20261h4min
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No episódio de estreia da terceira temporada do Psicomanas, recebemos Andréa Uono para falar sobre uma das jornadas mais intensas e silenciosas da maternidade: a reprodução assistida.

Conversamos sobre fertilização in vitro (FIV), infertilidade, os desafios emocionais do tratamento e os lutos que muitas vezes permanecem invisíveis para quem está de fora.

Uma conversa sensível sobre esperança, acolhimento, resiliência e a força de quem segue acreditando, mesmo diante das incertezas.

Um episódio para informar, emocionar e lembrar que ninguém deveria enfrentar esse caminho sozinho.

Participantes neste episódio3
D

Dani

Host
G

Giovana

Host
A

Andréa Uono

ConvidadoAdministradora de empresas, psicanalista e extintante
Assuntos7
  • Reprodução assistida e infertilidadeFertilização In Vitro (FIV) · Infertilidade · Desafios emocionais do tratamento · Lutos invisíveis · Esperança e resiliência
  • Comentário sobre perda gestacionalAbortos recorrentes · Trauma da perda de um bebê de 25 semanas · Luto e a dor da substituição
  • Apoio a Mães e TentantesDescoberta da necessidade de reprodução assistida · Frustração e expectativas · Processo solitário · Apoio da clínica e outros pacientes
  • Relacionamentos e a troca de responsabilidadesO papel do parceiro · Apoio familiar (mãe, irmã, sogros) · Amizade com enfermeiras da clínica · Terapia como ferramenta de apoio
  • Idade para Ter FilhosMaternidade como doação e vivência · A amplitude da maternidade · Luto do desejo e do sonho · Identidades além da maternidade
  • Críticas e Julgamentos no Meio CristãoFrases difíceis de ouvir · Adoção como alternativa compensatória · Pressão social e expectativas · Julgamento sobre não querer adotar
  • Maternidade tardia· SociedadePriorização da carreira · Estatísticas de gravidez tardia · Estigma da gravidez geriátrica
Transcrição194 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Terceira temporada, terceira temporada.

?Voz B

A gente começa desse jeito.

?Voz A

A gente tá muito animado com essa terceira temporada porque foi a temporada que a gente queria começar todo podcast.

?Voz B

Foi, gente, há um ano atrás a gente falou, nossa, esse tema é interessante. Claro, porque... Vamos começar por ele, né?

?Voz A

Quer um tema melhor do que família? Gente, família... Família, maternidade, paternidade, tudo que envolve. É nossa vida, né, gente?

?Voz B

A vida, né, gente? A vida. Que tema, né? Complexo, extenso, maravilhoso, né?

?Voz A

E acho que não tinha forma melhor, né, amiga, da gente começar essa temporada de uma forma muito justa, sabe? Eu acho que como mães a gente percebe uma falta muito grande nesse tema específico do episódio de hoje. Que são as tentantes. Quando as pessoas falam de maternidade, né, Dani, as pessoas incluem coisas do dia a dia, escola de criança, gravidez, parto, mas a maternidade, a família inclui tantas outras coisas, né? E eu senti muita falta de falar sobre isso.

?Voz B

E é um assunto tão importante, né, Gi? Porque aquilo que a gente fala muitas vezes, e recentemente também agora tivemos assuntos muito em alta falando sobre a questão de maternidade, a impor a mulher, se ela não for mãe ela não é mulher, aquela construção de identidade se você não cumprir esse arquétipo preconceituoso, né, preconceituosíssimo. Porque, né, quem eu sou se eu não sou mãe, gente? O que é, né? Então a gente pensou justamente em começar por esse assunto hoje, que é muito importante, e eu tenho certeza que vai ajudar muita gente com essa pessoa incrível que veio hoje como convidada.

?Voz A

Exatamente. Primeiro, muito obrigada. Mas temos aqui, não é mais do que uma amiga, né? Ela é um exemplo. Nossa, muito obrigada por estar aqui com a gente, a nossa queridíssima Andréia.

?Voz B

Olha, ou segundo Lizó, que a tia Déia tá aqui, me levou à falência porque ela comeu onigiri no Churrasco Japa, e agora ela, ela tá assim, entende?

?Voz A

Thomas não quis que sair de casa hoje, ele queria vir junto porque era com a tia Déia.

?Voz B

Gente, como assim?

?Voz A

Obrigada, amiga, por ter vindo, por estar participando.

?Voz B

A gente tá muito feliz.

AUAndréa Uono

Imagina, gente, eu que agradeço a oportunidade. Meu nome é Andréia Uono Terasaki, sou administradora de empresas por profissão, psicanalista e extintante. Então assim, hoje eu tô aqui para falar sobre um pouco da minha experiência, né, e para a gente bater um papo.

?Voz A

Eu acho que é muito bacana a gente falar sobre isso, Déia, porque no meu caso, a minha família, né, somos duas mamães. Então nós buscamos a FIVI não por infertilidade ou qualquer outra questão, mas porque Eram duas mulheres, né? E dentro desse cenário nós vimos diversos grupos de mulheres, diversos grupos que foram de muito auxílio para nós, porque é muito solitário. Eu queria perguntar para você, né, em que momento, como é que foi para você o momento em que você descobriu que iria precisar de um processo de fertilização?

AUAndréa Uono

Olha, Para mim foi muito meio frustrante, né? Porque a gente sempre aprende de que— aprende não, mas faz parte da vida da mulher. Ah, eu vou, eu nasci, cresci, vou casar, vou engravidar, e aí depois eu vou criar os meus filhos, né? E aí eu vou morrer. Então assim, quando eu descobri que eu precisava de uma reprodução assistida para mim foi meio frustrante porque eu queria, né, que eu tivesse meus filhos de forma natural, né? E falei, ah, não vou precisar, tal.

Mas aí, depois de um ano que eu tava tentando, né, assim, não, agora eu acho que chegou a hora, né, da gente procurar uma ajuda. E a gente procurou E eu entrei nesse mundo de paraquedas, que eu não conhecia nada desse mundo. E eu acho até que foi melhor, porque eu fui passando as coisas e eu não tinha uma expectativa. A expectativa que a gente tem é de dar certo, né? É de receber o positivo e de ter os seus filhos nos braços. Agora, eu falei assim, bom, a gente vai ter que recorrer, né, tem muitos médicos de reprodução assistida, né?

Tem também até um projeto que é um projeto beta que fica em São Paulo, que eles fazem a fertilização in vitro de acordo com a renda do casal, né? E aí eu busquei também, mas busquei agora, eu vi que existe, existe a fertilização in vitro no SUS também.

?Voz A

Que legal, que legal isso! Aliás, viva o SUS, né?

AUAndréa Uono

Viva, sim, sim, sim. Então foi assim, é, para no começo, para mim foi muito difícil.

?Voz B

Daí, pensando nessa cronologia, só para a gente entender um pouquinho do contexto, seu cenário nessa fase da sua vida, você era casada, você seguiu aquela receitinha, que é o que a gente fala, né, o inconsciente coletivo, vamos transmitir nossos genes, e que seguia, casou, agora vai ter filho. Enfim, você tinha, já trabalhava nessa época, priorizou a sua carreira naquele momento. Uma coisa que eu tava dando uma lida, a Andréia tem um artigo maravilhoso, né, que ela falou sobre, né, e eu tava dando uma lida sobre as questões de idade, né, que nos últimos, né, da década de atenta para casa.

Mulheres vêm priorizando, né, carreira, o trabalho, a própria família como um todo, num contexto, não, né, ser mãe. E aí essa coisa da idade também. Nos últimos 20 anos, então, a gente teve um crescimento muito grande aí dessa faixa etária, né, que tem uma entre 40 e 44. Eu vi que a pesquisa de 2015 de estatística também colocava que as mulheres ali estavam engravidando acima dos 36 36 anos. Eu fiz parte dessa estatística, né?

Eu engravidei, eu tinha 36, e isso também contribui muito para várias coisas. Então, nesse cenário, Dé, que você se encontrava, você teve alguma intercorrência anterior, algum problema, alguma coisa que anterior a esse processo te chamava atenção, ou tudo normal, tudo tranquilo? Até para a gente entender um pouquinho quem tá ouvindo Olha, eu me casei, né?

AUAndréa Uono

E aí a gente ficou 2 anos tentando engravidar naturalmente. Eu aí, com 34 anos, a gente foi procurar ajuda profissional, né? Mas assim, eu não trabalhava de forma— não era uma workaholic, porque o meu objetivo era ser mãe. Né, sempre foi. Então eu tinha um acordo com o meu marido, né, ele trabalhava e eu ia me dedicar à maternidade, né. Isso sempre foi um acordo nosso. E aí depois veio a procura pelo médico, e aí começou, né. Mas assim, eu tinha 34 anos tava quase nos 35, e quando a gente procura um médico de reprodução assistida, a gente, a gente se assusta muito, né?

Porque ele dá as estatísticas pra gente, e realmente, Dani, hoje em dia as mulheres têm engravidado mais tarde, né? Por quê? Por causa da mulher no mercado de trabalho, né?

?Voz B

Inúmeros fatores.

AUAndréa Uono

Exatamente. E hoje em dia, por exemplo, acho que a média de idade é 36, 40.

?Voz A

É gravidez geriátrica, né?

?Voz B

Aliás, é um estigma muito ofensivo isso, né? Exatamente, exatamente.

?Voz A

Gravidez geriátrica, a pessoa tá com 30 anos, gravidez geriátrica. Gente, pelo amor de Deus, né? É de uma percepção, por mais que nós entendemos como o corpo funciona, etc., o envelhecimento todo é preconceituoso e etarista, né? Muito, muito. Quando você foi, né, você passou 2 anos e o seu marido, queridíssimo, queridíssimo, tá, entre nós aqui, maravilhoso, vocês tinham esse acordo e ele assumiu a responsabilidade então de ele vai trabalhar e você se dedicar a isso.

Como foi esse processo para você, Déia? Você chegou na clínica e o médico deu as estatísticas para você Quantas tentativas vocês fizeram?

AUAndréa Uono

Olha, gente, nós fizemos tentativa, que eles chamam de tentativa quando eles colhem o óvulo da mulher, né? Então assim, não é quando eles fecundam e depois coloca, fazem a inseminação, não é isso, mas quando eles colhem o nosso óvulo. E aí, para isso tem as as temidas injeções de hormônios na barriga, né? Foram 8 anos de tentativas, né? Eu acredito que umas 10 tentativas, 10 coletas de óvulos, né? E aí a gente teve 4 abortos, né? 4 abortos.

Num primeiro momento, o primeiro foi o mais traumático, né, porque ele tinha semanas assim, 25 semanas, já tava quase no 6º mês, né. E aí a gente perdeu, e mas continuamos. Mas esse processo teve começo, meio e fim, né. A gente começou, eu entrei de paraquedas, mas eu fui indo, fui indo, fui indo. E aí chegou uma hora que eu falei não, Não dá mais, né? E super consciente também. O seu emocional falou, o emocional falou que assim, é um momento que a gente fica muito sozinha, né?

A única pessoa que sabe que você tá passando pelo processo é o seu marido, é a sua esposa, né? E assim, por que que a gente não quer contar? A gente não quer contar porque vai que não dá certo, né?

?Voz A

Isso gera uma expectativa, né? Exato. Além da pressão, né?

AUAndréa Uono

Exatamente, exatamente. Exatamente. Então assim, é um processo solitário, muito, muito solitário. E quem acaba ajudando a gente? Quem acaba ajudando a gente são as pessoas da própria clínica, né? O médico, as enfermeiras, outras mulheres também que estão passando pela mesma situação, né? São essas pessoas que acabam te ajudando. Aí, tipo, nossa, mas não seria bom essas mulheres que estão tentando fazer uma terapia? O tratamento de fertilização in vitro já é muito caro, né?

?Voz B

É, tem alto custo, é muito, muito caro.

AUAndréa Uono

E aí não sobra capital para você investir, né, em fazer uma terapia, o que seria ideal, né? E aí você acaba sendo seu terapeuta, sua amiga, sua amiga que tá fazendo. E a gente sente falta de pessoas que já passaram pelo processo, né? Porque uma coisa a gente procurar uma terapeuta que ela nunca passou por isso, e muitas vezes nem é mãe, né?

?Voz A

Não tem o contato nem com a própria maternidade.

AUAndréa Uono

Exatamente. A outra coisa é você conversar com alguém que já passou por isso né? E aí é bem mais confortável para a gente, gera uma conexão imediata.

?Voz A

Esses grupos, na verdade, que são bem comuns, né, amiga, eles são de um suporte sensacional, né? Porque existe ali uma troca muito grande, tanto de dores, frustrações, como de felicidades também. Então gera um conforto e também uma esperança. E pensando nisso, Como foi para você? Porque é muito comum acontecer de pessoas darem opiniões, né? Então qual foi a frase mais difícil de ser ouvida quando não é você?

?Voz B

Exatamente isso.

AUAndréa Uono

Eu acho que a frase mais difícil que eu ouvi, demorei para digerir, acho que nem digeri isso ainda, foi quando a gente perdeu Né, o nosso bebê de 25 semanas. E aí a gente fez, né, a gente fez uma missa e chegou uma pessoa que eu não lembro quem é agora, falou para mim, não fica assim, não fica triste, você vai conseguir ter outros filhos. Assim, gente, olha, é, é Como se, né, um filho fosse substituir o outro, né? Eu tava num momento muito, mas muito complicado da minha vida.

Eu fiquei 12 dias internada, deitada, né? E aí eu percebi o que é ser mãe, que uma mãe por um filho ela faz de tudo. Né? Se falassem para mim, olha, você vai ter que passar o resto da gestação deitada, eu passaria, eu passaria. E não ter os meus filhos nos meus braços hoje não me faz menos mãe, muito pelo contrário, né? Eu, eu tenho certeza que eu sou uma mãe e sou uma mãe que faço e fiz tudo por eles.

?Voz B

Eu tô, Andréia, eu tava me lembrando aqui, e isso é muito importante da gente falar, é uma das nossas primeiras conversas, eu acho que, né, foi no lançamento do livro da Gi, né. Eu lembro que a gente fomos juntas, enfim, e você me contou uma coisa que Eu não sabia da sua história naquele momento todo, contexto, né? A gente fica com receio às vezes de tocar no assunto, isso é muito natural, né? Para não acontecer que nem, ai, vai ter outro. Ah, relaxa, é só relaxar que engravida.

?Voz A

É muito comum isso, né?

?Voz B

As pessoas falam, na hora que você relaxar, você engravida. Relaxa, né? Ah, se não desse a outra coisa, Andréia, Se não der, você adota.

?Voz A

Exato.

?Voz B

Essa eu acho que é uma outra frase também muito comum, né? Depois, se puder falar um pouquinho. Mas esse, esse, o que eu tava lembrando, que foi aquele período, como isso que afeta o relacionamento como um todo, né, Andréia? Eu lembro que você me falou do seu marido na época, aquela frase: Dani, eu virei para ele e eu conversei com ele que eu, né, que ele poderia. E eu queria que você conversasse, falasse para mim exatamente aquilo que você me contou, que foi a frase dele para você.

AUAndréa Uono

É, eu, quando eu, a gente percebeu que eu precisava de um tratamento, antes disso, aliás, antes disso, que a gente tentava engravidar e a gente não tava conseguindo, né? E aí eu me culpei muito porque eu achei que a culpa fosse minha, né? Eu não conseguia.

?Voz A

É uma traição do próprio corpo, né?

AUAndréa Uono

Exato.

?Voz B

Sim, como assim eu não posso?

AUAndréa Uono

Todas as mulheres conseguem, como eu não vou conseguir, né? E aí eu, eu, chegou um determinado momento, eu virei para o meu marido e falei assim: eu não consigo te dar esse filho. É o nosso sonho, mas eu não consigo. Virei para ele e falei assim: eu te amo demais, demais, mas se para você ser feliz é ter esse filho, eu falo assim, eu me separo de você, você procura uma outra pessoa para você conseguir realizar esse sonho. Aí o meu marido virou para mim, ele falou assim, não, se não for com você, eu não quero ter filhos.

?Voz B

Nossa, eu fiquei—

AUAndréa Uono

é, foi lindo, foi, foi. E assim, eu não— eu sou suspeita, né, a falar do meu marido.

?Voz B

Vocês estão casados há quanto tempo?

AUAndréa Uono

Nós estamos casados há 16 anos juntos a 19, né?

?Voz B

Que coisa linda! Foi muito lindo. Eu lembro de você me contando, acho que essa parte foi muito incrível, esse apoio, né?

AUAndréa Uono

É esse apoio. Eu acho que a gente sempre foi muito parceiro, né? Muito parceiro. Eu acho que outros casais que passaram por bem menos coisas que a gente já teria separado. Foi isso mesmo que a minha médica disse, né? Mas foi isso que eu falei, G, foi isso que eu falei. Dani, falei para ele, falei assim, olha, se o seu sonho é ser pai e eu não estou conseguindo, eu abro mão do nosso amor. Foi isso que eu disse. E aí ele disse assim, não.

?Voz A

É isso, é isso, é lindo, né? Isso é a definição do amor, né? Aliás, são muitas definições que a gente tá falando ali, né? O amor materno nada mais é do que o sinônimo da doação absoluta, sem dúvida, né? Ser mãe é doar, é você oferecer tudo. Então você resumiu de uma forma muito bonita o fato de você se colocar de cama se fosse necessário. É isso, né? Assim como o amor marital dessa parceria. Essa coisa da adoção, né, que também nós ouvimos demais, como se fosse uma coisa compensatória.

Eu acho isso tão feio, porque adoção é um ato lindo, maravilhoso, e não deve ser visto como algo compensatório. Exato, né? É um prêmio de consolação, você adota. Não, isso é um grande erro. Todas as pessoas, elas têm o direito e o desejo delas de gerar ou adotar, enfim. E as pessoas colocarem adoção como algo, um prêmio de consolação, é muito cruel, né?

AUAndréa Uono

As pessoas se metem muito na nossa vida, né, gente? É esse, é todo mundo, todo mundo não sabe da essa metade, né? E aí fala assim, não, mas você tentou tantas vezes, por que você não adota? E não aceito que seja uma frase, porque eu não quero.

?Voz B

É um direito seu, é um direito meu.

AUAndréa Uono

E aí a gente acha que a gente precisa ficar se justificando. Falei, não, eu não quero, ponto, acabou. É, né?

?Voz A

Então assim, é, mas as pessoas realmente, elas, elas tendem a vilanizar quem não aceita adotar.

AUAndréa Uono

Sim.

?Voz B

É como assim? Você não tem, não terá, e não quer ter tantas crianças por aí? Não, então é isso.

?Voz A

As pessoas vilanizam, né? O maniqueísmo enorme da luta do bem e o mal.

?Voz B

E a liberdade de escolha de cada um, gente, não é um processo simples em todos os aspectos, né? Enfim, até mesmo porque independentemente de estar nessa situação ou ter filhos biológicos, isso é uma coisa que tá aí. A pessoa tem a liberdade de escolher. Mas eu acredito que seja uma coisa muito comum de se ouvir nessa situação.

AUAndréa Uono

Demais, do tipo, ah, mas tem tanta criança precisando de pai.

?Voz A

Uma redução do luto, né? Invalida o que você tá sentindo e o seu próprio desejo.

AUAndréa Uono

E são pessoas que assim nunca passaram pelo processo, sabe?

?Voz A

Então assim, ah, mas aí a gente entra naquele papo, né, que hoje em dia todo mundo sabe tudo, todo mundo sabe tudo, todo mundo sabe de geografia, de geopolítica, todo mundo sabe tudo. Tudo. E você tem opinião, e ai do olho que tá aqui, não, né? E essa coisa de maternidade é muito interessante, né? A gente falando sobre todo mundo dá pitaco. Acho que todas as pessoas, os pais perfeitos, né, existem. Sabe por que que existem? Sabe quem são os pais perfeitos?

Os que ainda não têm filho. Com certeza, os pais perfeitos são aqueles que ainda não têm filho. Então você vai viajar com seu filho Olha, tá dando tablet. Olha, se fosse meu filho, não estava ali se jogando no chão. Olha que absurdo!

AUAndréa Uono

Nossa, tá comendo muito doce. O meu filho não vai comer doce até os 5 anos.

?Voz A

A dica que eu dou, a dica que eu dou: não cuspa um para cima, não, meu bem, porque cai na testa, né?

AUAndréa Uono

Mas bonito, não é verdade?

?Voz A

Meu Deus, você se vê, né?

?Voz B

Meu Deus, é uma maratona que começa, gente.

?Voz A

Então as pessoas, elas têm uma opinião para tudo e ao mesmo tempo elas têm solução para tudo. Então eu vejo essas pessoas dando essas opiniões, né, principalmente em relação às tentantes ou ex-tentantes, como se elas tivessem dado assim, descoberto a pólvora. E com uma certeza tão absoluta, como se aquilo que elas estivessem fazendo fosse um acolhimento empático. E não é um acolhimento empático, né? É simplesmente uma busca. Eu tô ouvindo para te responder, eu não tô ouvindo para te ouvir ou para te acolher.

Exato, eu só tô te respondendo para te dar soluções. Porque a tendência das pessoas é essa, não é verdade? As pessoas ouvem para te dar solução.

?Voz B

E, gente, às vezes você precisa do colo.

?Voz A

Exatamente.

?Voz B

Não precisa falar nada. Pronto, você estar é presença, né? Mas não quer dar opinião, quer dar solução, quer falar alguma coisa.

?Voz A

Exatamente. Isso deve ter sido sufocante, né? Só que ao mesmo tempo você falou que não dividia com as pessoas.

AUAndréa Uono

Não.

?Voz A

Então, de certa forma, poucas pessoas sabiam que você tava passando. Então você se blindou bastante também dessas opiniões, certo?

AUAndréa Uono

Sim, sim, eu me blindei muito porque eu não queria essas opiniões, né? E na verdade eu achei que foi bom, eu e o meu marido daremos conta, né? Mas às vezes assim não basta o seu marido, não basta o ombro do seu marido, você precisa de alguém para desabafar. Sabe quando você abre aquele, aquele exame, aquele beta-HCG, tá escrito negativo, né? Eu, eu como mãe sofro, né? Ele como pai sofria demais. E assim, tudo que a gente precisava realmente, Dani, era de um colo. Sim, só isso.

?Voz A

É o ônus e o bônus do silêncio, né?

?Voz B

Exato. Quem foram as pessoas, né? Pensando, né, na rede de apoio, eu não sei como é que foi com a sua família também, porque também tem todo um, né, um cuidado. Quem foram as pessoas que te ajudaram muito nesse processo? E o que que de repente virou um hábito para você, ou alguma coisa que você fez que te ajudou muito também?

AUAndréa Uono

Olha, quem mais me ajudou, gente, foi a minha mãe, né? Mãe é mãe. Então assim, eu lembro que quando eu fiz a minha primeira FIV, O meu marido estava fora, ele estava trabalhando no exterior. Então quem me levou na clínica para fazer tudo foi a minha mãe, né? E aí quando eu recebi, quando eu fiz o exame, né, e aí eu recebi o positivo, ele não estava comigo, meu marido estava, né, fora. Mas a gente se falava sempre e tal. Mas a minha mãe foi a pessoa, minha mãe e a minha irmã, né, foram as duas pessoas assim que me ajudaram demais, demais. E eu acho que é, qual foi a sua pergunta, Dani?

?Voz B

O que que de repente você tornou um hábito ou fez parte da sua rotina durante esses anos que você acha que isso foi um fator também muito relevante para te proteger nesse momento, para cuidar? Você fez terapia? Como é que foi?

AUAndréa Uono

Eu fiz terapia, ela foi além. Eu fiz terapia depois da primeira perda, né? Aí eu fiz terapia, não parei, e seguia a recomendação dos terapeutas. E mas eu acho que o que que eu fazia era eu não pensava muito, eu colocava na primeira marcha e ia. Porque quando eu entrei neste mundo de tentante, eu como uma boa libriana sou muito coração, né? E o meu—

?Voz A

há controvérsias, há controvérsias em relação a essa libriana ser coração, há controvérsias, mas a gente pula.

AUAndréa Uono

Então tá bom, esquece o libriano, mas eu sempre vou pensar na sua personalidade. Você, Musa, eu sempre fui muito emotiva. Né? E assim, o meu marido sempre foi muito racional, normal, né? E aí eu falei assim, bom, eu entrei de paraquedas e comecei o tratamento, fiz tudo que era pedido, né? E aí depois veio a primeira perda, e aí você começa a ficar mais racional né? Eu só chegava na mesa do médico assim, doutor, e aí, que que eu tenho que fazer agora?

Quando ele falava, eu nem, nem, eu não tinha dúvida. Eu falei, bom, vamos, se é para fazer, se é para ser assim, vai ser assim, né? Então eu entrei de um jeito quando eu fui fazer as tentativas, fertilização in vitro, mas eu saí de uma outra maneira, né? Eu saí, é claro que você sai mais madura, mas eu saí também, eu acredito que mais racional.

?Voz A

E nisso, Débora, me vem uma pergunta que é realmente uma pergunta do fundo do meu coração: como é que foi para você sair da identidade de tentante para identidade de você de novo?

AUAndréa Uono

Então, eu acho que Eu não tinha, eu não tinha dimensão de até quando eu iria ficar neste mundo de tentante, né? Eu falei, bom, eu vou até, olha isso, gente, até onde o meu corpo aguentar. Mas aí eu comecei a ver, né, aí veio aos 40, 42, aí veio a pandemia também. Falei, gente, eu acho que eu não tô mais aguentando. E eu ouvi, né, eu me ouvi, eu falei, eu acho que para mim não dá mais. Aí eu falei, bom, eu vou tentar mais uma vez porque os meus, os meus embriões estão lá, mas depois dessa vez, se não der certo, eu vou começar a viver a minha vida do jeito que ela é proporcionada.

E eu conversei com meu marido sobre isso também, né? Aí ele virou para mim e falou assim: eu não aguento te ver sofrendo desse jeito. Eu falei: eu também não aguento te ver sofrendo desse jeito. Porque assim, a gente não teve vida de casal do tipo: ah, vamos viajar, vamos se curtir. Porque logo depois de 2 anos Né? A gente já entrou nessa, nesse processo. E aí, quando eu falei não dá mais, foi uma libertação, me libertar. Porque assim, este meu processo teve começo, meio e fim, né?

Então eu falo assim, nossa, mas você não atingiu o seu objetivo, porque o seu objetivo não era ter seus filhos no seu colo? Foi assim, quem disse? Quem disse que eu não atingi o meu objetivo?

?Voz B

Quem disse para você que eu não vivenciei a maternidade? Vivenci muito, com certeza, com certeza, né?

AUAndréa Uono

E aí agora eu tô aprendendo a viver, né? Eu tô vivendo eu, meu marido, né, a Kika. A gente tá vivendo coisas que a gente nunca viveu.

?Voz A

Aqui que a gente é a cachorrinha dela.

AUAndréa Uono

E para mim tá ótimo desse jeito, porque a gente tem se curtido demais, coisa que a gente não fez no começo do casamento.

?Voz B

Que é o ponto que a gente fala do quanto que esse processo ele afeta a relação, né? Por isso que muitos casais acabam tendo um desgaste muito grande nesse processo, não ficam juntos.

AUAndréa Uono

Então é isso, você tá vivendo desgaste de, é desgaste em um monte de Tudo, né? Tem tudo assim, é desgaste emocional, desgaste financeiro, né, físico. Mas eu falo o seguinte, nossa, já me perguntaram também, inclusive foi a minha terapeuta: se você pudesse voltar o tempo, você faria tudo de novo? Faria, com certeza eu faria. Eu não me arrependo de nada do que eu fiz. Nada, nada, nada. Se fosse para eu passar de novo, passaria, passaria sem sombra de dúvidas.

?Voz A

As pessoas confundem muito, né, o ter filhos com ser mãe. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, né? Então muitas vezes eu faço um exercício com os meus pacientes sobre sonhos, símbolos, etc., e eu faço a primeira pergunta que é assim: Eu vou fazer com você. Vamos lá, eu vou te falar uma palavra e você vai me falar 5 palavras que te lembram esta palavra. Vamos lá, vamos lá. Vaca.

AUAndréa Uono

Animal. Ex-amiga.

?Voz A

Ex-amiga, perfeito.

AUAndréa Uono

Que mais? Sagrada. Acho daí, Dani, tô Colega, enfim.

?Voz A

Muito bem. Você, vaca, colega, maravilhosa.

AUAndréa Uono

Não é amiga, colega.

?Voz A

Colega. Nós somos contemporâneas, a gente mora inclusive no mesmo lugar, a gente cresceu juntos. As minhas 5 palavras são completamente diferentes. Eu já pensei churrascaria, Todd, Milka, leite, Toddinho, taurina, né? Então é quando eu digo para eles, é impossível uma pessoa que sonha com alguma coisa, todo mundo simboliza tal coisa. Não, não simboliza. Para cada um é um símbolo, né? Aí, a partir desse momento, falou assim, tudo bem, eu vou pegar uma palavra que é universal.

Então me fala uma palavra, só uma palavra que te lembra mãe. Fala aí uma palavra, rápido, sem pensar. Gravidez. Gravidez. E você, mãe? Amor. Perfeito. Parece universal, não é universal. Se eu pegar vocês e levar na Fundação Casa, vai ser abandono, vai ser violência. Depende. Então, ser mãe não é parir. A maternidade, ela é uma amplitude. Nós aprendemos a ser mãe, a gente não aperta um botão, não é verdade? Então, a maternidade, você viveu mais do que muita gente que teve filhos por aí.

AUAndréa Uono

Eu acredito nisso.

?Voz A

E talvez, eu creio que a sua vivência tenha sido justamente para isso, porque você tem uma tendência maternal com todas as pessoas que você ama, né? Você tá cheio de sobrinhos por aí, você tem muitos amigos por aí que buscam seu colo. Então o maternal é muito mais amplo, né, e muito mais bonito do que realmente ter filho. Mas dentro desse maternal todo as perdas que você teve, né? Esse, esses lutos são muitos lutos, não é só o luto da perda, né, gestacional, mas o luto do desejo, luto do sonho, das expectativas.

?Voz B

Você, o seu primeiro, ele já tinha 27 semanas, já tinha quase 6 meses, né?

AUAndréa Uono

Era um menininho, Daniel. Daniel, é o Dani. Sim, é bom. É, quando eu fiquei internada durante os 12 dias, né, eu colocava a mão na minha barriga e falava assim: filho, eu tô aqui, eu vou te respeitar, você faça do jeito que você quiser, né? Não vou— porque a gente sabia que se eu tivesse um parto prematuro, ele não sobreviver, né? Sabíamos disso. Então eu colocava a mão na minha barriga e falava assim: filho, tamo junto, o que for melhor para você, você faça, tá bom?

Se você achar, se você achar por bem que eu tenha que, tenho que ficar mais 4 meses aqui, bora ficar, né? Então assim, essa conexão para mim com o Daniel foi muito importante. Muito, né? E aí, num quarto de hospital, tava eu, meu marido e o meu filho. Então aquilo eu lembro como se fosse hoje. É assim, sabe, tava a nossa família lá, né? A nossa família. E o meu marido se preocupou, se preocupava demais comigo, né? Depois que o Daniel falou, mãe, não dá mais para eu ficar aqui.

Ele se preocupava demais comigo, né? E aí a gente, a gente foi, ele virou para mim, ele falou assim, olha, chora tudo que você tem que chorar, eu sei que não está sendo fácil, tá? Mas a partir de amanhã a gente virou essa página e a gente continua nessa luta, né? Mas eu acho que tudo foi lindo, sabe? Tudo aconteceu do jeito que tinha que acontecer, né? Hoje assim, eu tenho certeza que ele tá olhando por mim, né? Pelo, tá lá com os irmãos dele.

?Voz B

Eu sempre falo, eu acredito muito nisso, Nanda. Ele veio pelo tempo que ele precisava.

AUAndréa Uono

Teve, tem um momento, ele veio para me fazer mãe.

?Voz A

Se a gente olhar por esse lado da espiritualidade, né, é que privilégio de vocês ter sido esse espaço que tantas almas precisaram para finalizar os seus processos, né?

AUAndréa Uono

Dizem que eles, né, eles escolhem a gente. E aí, mesmo sabendo que ele não ia ficar muito tempo, ele me escolheu. E eu sou super privilegiada por isso, porque ele me escolheu e ele ficou comigo até as 25 semanas. Né, assim, nossa, mas você não fica triste? Não, não fico triste, gente. Eu acho que assim, isso para mim é hoje, né, depois que eu passei pelo luto. Não foi fácil, não foi fácil, mas hoje eu falo numa boa porque o meu objetivo mesmo é ajudar outras mulheres que estão passando por esse processo, né.

Ah, mas você vai ajudar como se você teve insucesso? Eu não sei, eu acho que isso não é insucesso. Eu acho que isso é um super sucesso, né? Se eu tô falando é por conhecimento de causa, né? E aí fala assim, nossa, mas é o julgamento, né, gente? Nossa, mas você não tem seu filho. Tenho, mas eu sou mãe. Tanto é que no Dia das Mães eu sempre ganho um presente, o meu marido sempre me dá um presente, e no Dia dos Pais eu sempre dou um presente para o meu marido.

?Voz A

Fato. E aí a gente volta naquilo: ser mãe é doar. Você doou o seu corpo, você doou para essas almas finalizarem o que elas precisavam. Você fez com muito sucesso o que as mães devem fazer, que é doação, né? É uma história muito bonita, muito bonita. E sem dúvidas tem muitas mulheres, muitas famílias nesse processo e que vivem uma solidão muito grande, justamente por isso que você falou, né, da ideia de não criar expectativa dos outros, não gerar uma pressão para si.

Às vezes muitas pessoas ficam envergonhadas porque não consegue. E essa pressão social, ela é muito dolorida para todo mundo, né?

AUAndréa Uono

Eu acho, eu acho que assim, essa pressão social do tipo, ai, você não vai casar? Ai, você não vai ter filho?

?Voz A

Começa, você terminou a faculdade, você vai prestar para quê? Vai ser para essa faculdade? Mas quando você se formar, você vai trabalhar em quê? Ah, mas você vai casar? Quando que tem o primeiro filho? Você acabou de ter um filho, e quando vem o segundo?

AUAndréa Uono

Porque ele tá muito sozinho. Aí você tem dois meninos ou duas meninas, você, nossa, você podia ter uma menininha, um menino, aí vem outro assim, é uma cartilha, né, que todo mundo aí, meu bem, você separa e você fica, fala assim, não, mas tem que arrumar, não é agora, você tem que arrumar um cachorro, cada hora uma coisa, porque todo mundo sabe sobre a sua vida, não é?

?Voz A

Exatamente. E que determina o que que é certo e que é errado dentro de uma caixinha, né? Então essas crenças limitantes sociais que, né, que Fala, olha, você vai ser feliz se você fizer isso, isso e aquilo. A gente acha isso um saco.

AUAndréa Uono

Mas é, é.

?Voz A

Você vai relaxar se você meditar. Eu não consigo meditar.

AUAndréa Uono

Eu também não.

?Voz A

Passa uma mosca, olha para mosca. Eu não consigo meditar. Respeito quem medita.

AUAndréa Uono

Acho, me coloca numa aula de boxe, uma aula de maratona.

?Voz A

Exatamente, entendeu?

?Voz B

Coloca a gente para dançar também. Uma Nicki French.

AUAndréa Uono

Exatamente.

?Voz A

Então é muito chato isso, né, dessas expectativas o tempo inteiro. Pelo que você falou, a sua família ela foi muito acolhedora com você. E amigos ao seu redor, Déia, como é que foi? Você tinha liberdade? Você falou com alguém? Você tinha ou você evitava até isso, até os amigos mais próximos?

AUAndréa Uono

Eu não conversava com os meus amigos mais próximos. E quem virou— porque foram 8 anos na mesma clínica, né— quem virou as minhas amigas foram as enfermeiras.

?Voz A

Que legal!

AUAndréa Uono

Da clínica. Então assim, hoje nós somos super amigas, né? Assim, delas frequentarem a minha casa, porque elas sabiam realmente que eu tava passando, né? Então assim, elas realmente foram o meu apoio, meu apoio, porque elas estão vendo isso todos os dias, né?

?Voz B

Mas para as minhas amigas eu não abri muito não, Tá, você sentiu desconfortável, Dé?

AUAndréa Uono

É por aquele motivo, Dé, me senti desconfortável assim, meu, tá? A pessoa pode ficar, nossa, que pena que ela perdeu. Então assim, eu não, a expectativa, eu não queria criar expectativas.

?Voz A

E assim, pensando na sua experiência, né, vou falar que eu falo, não tô nem aí, pensa o que você quiser. Como que é para você ver histórias como, por exemplo, a da Cláudia Raia, que fez aquele, olha, aquela vergonha de ter falado que foi realmente parto, que ela teve uma gravidez natural e que todo mundo sabe que não. Isso daí é uma desgraça, não é não? Como que é para vocês que passaram isso?

AUAndréa Uono

Para você, não, você, você chega e fala assim, como assim?

?Voz B

É um desserviço, né?

AUAndréa Uono

Como assim uma mulher de 50 e poucos anos, fala que é natural, chega até ser meio revoltante. Por que que não abre ela, uma pessoa pública? Por que que não abre? Fala assim: não, eu realmente fiz uma fertilização in vitro. Por quê?

?Voz A

Por que não?

AUAndréa Uono

Eu acho que hoje, para quebrar os tabus, exatamente. Hoje eu acho que o tratamento de reprodução assistida, ele tá mais comum do que há 10 anos. E por que uma pessoa pública não fala?

?Voz A

Faz esse desserviço, é de manter o preconceito, né?

AUAndréa Uono

Exatamente, exatamente.

?Voz B

Como se ela fosse melhor por ter engravidado de maneira natural.

AUAndréa Uono

Você acha uma pessoa de 50 e poucos anos, ah, então ela biologicamente falando ela é igual uma de 30? Ah, gente, pelo amor de Deus, né?

?Voz A

A gente sabe que ela faz balé, ela já casou com Alexandre Costa. Claro, é bem confuso, né? Porque ela namorava o Alexandre Frota, depois o Jô.

?Voz B

É bem eclética, né?

AUAndréa Uono

Não, ela é super eclética. Aí depois veio o celular, né?

?Voz A

Refinou o gene. Giovanna, pois é, o celular ali é um gato, né, gente?

?Voz B

Foi ali, começaram a surgir os Enzos, né?

?Voz A

O Enzo primordial é o celular. Porque assim, você vê em grupo de pessoas, quantas mulheres vendo essa notícia não se perguntaram para si mesma, né? Poxa, por que comigo não? Começa a se sentir pior ainda, né? Você fala assim, ela é mais velha que eu, até eu não consigo, eu me sinto um lixo. Então esse rastro de destruição irresponsável que ela deixou, que parece invisível, né, para as pessoas do cotidiano, porque não é o que elas passam, para quem é tentante, para quem passa esse processo, é uma coisa muito grave, né, e muito dolorida.

AUAndréa Uono

Muito.

?Voz A

Então eu vejo esse tipo de comentário, principalmente de pessoas públicas, de uma forma muito desrespeitosa, né, às mulheres no geral, que já passam tantos preconceitos o tempo inteiro. A gente o tempo inteiro a gente tem que quebrar tabus, e justamente uma situação delicada, né, o tempo todo justificando tudo, né. Exatamente. A gente tá a de contos de Aya, né? Assim, mas a gente ainda tem que justificar. Daqui a pouco a gente perde até direito do voto, né?

Você viu? Mas essas personas, né, esses artistas e pessoas públicas poderiam realmente vir mais a público para falar as verdades, né? Que simplesmente, sim, fiz esse processo, quebrar esses preconceitos ao redor Porque é um preconceito ainda, né? Olhar— eu lembro que quando nós fomos, é que era uma outra circunstância, né? Como eu falei, duas mulheres, não era uma questão de dificuldade em engravidar, eram duas mulheres. Mas nós conhecemos outras pessoas e todas as mulheres, pelo menos as que eu tive acesso, falavam a mesma coisa sobre essa— não é nenhuma vergonha, mas é o querer esconder Porque assumir isso parecia que você tinha uma falha, era um fracasso, um fracasso, né?

Assumir um fracasso. Olha que dor! Já existe a dor da dificuldade no engravidar e ainda se preocupar com uma dor do apontamento social.

AUAndréa Uono

Isso é horroroso. Eu não sei se vocês viram, mas vocês, a Gi falou da Cláudia tem o outro ponto, o outro extremo também. Vocês acompanharam a Mariana Hills? Mariana Hills passou por fertilização in vitro e ela postava o que ela, o que ela sentia, a solidão. Ela postou tudo.

?Voz B

Que legal, que legal!

AUAndréa Uono

Sim.

?Voz A

E Mariana Hills é aquela menina que canta?

AUAndréa Uono

Isso, ela fez Malhação.

?Voz B

Ai, que bom saber!

AUAndréa Uono

Olha, ela, então assim, não que ela tornou aquilo, ai, a vida dela pública, não. A vida dela já é pública, né? Mas Mas ela tornou este momento para, na verdade, para mostrar, para as outras, compartilhou vulnerabilidades para aproximar essas pessoas. Ela falou desde quando ela teve uma perda, daí quando ela tomava hormônio, quando ela engravidou, a felicidade que ela sentiu, pré-natal. Então assim, ela mostrou tudo. Sabe, a verdade nua e crua ela mostrou.

?Voz A

Isso é fantástico, isso é fantástico, muito legal. E é interessante, né, que uma coisa tão bacana não foi tão divulgada quanto polêmica, né? É sempre polêmica, divulgado. Uma coisa legal não é tão divulgada.

AUAndréa Uono

Vocês sabem que assim, quando eu tava neste processo de tentante, algumas coisas me que eu escutava, sabe? Meu, o casal engravidou, mas ele nem queria. Ele engravidou. Eu lembro que quando eu tava tentando, quem engravidou foi a Sandy. Falei, cara, até a Sandy consegue?

?Voz A

A Sandy na propaganda da Devassa acabou de vir na minha cabeça. A Sandy fazendo propaganda da Devassa. Droga, agora é sua culpa, né? Agora eu tô com essa imagem na cabeça.

AUAndréa Uono

E aí eu falei assim, todo mundo consegue engravidar menos eu, né? E aí eu também, agora algumas coisas eu evitava, do tipo chá de bebê eu evitava de ir, aniversário de criança eu evitava de ir, né?

?Voz B

É mesmo?

AUAndréa Uono

Evitava, porque aí as pessoas vão perguntar, ai, você já tá casada tanto tempo e não vai ver? Evitava esse mal-estar. Pensar, né, para mim. Então assim, algumas coisas eu evitava sim, né, e hoje não, hoje super normal, super tranquilo. Aliás, eu tenho uma turma de amigos, acho que nós somos em 5 casais, né, eu e o meu marido somos os mais novos, nenhum tem filho, nenhum. Então assim, é, mas por quê? Não sei. Eles, na verdade, os meninos sempre foram amigos, né?

Eles trabalharam juntos, tal. E aí as esposas viraram amigas também e ninguém tem filho. E assim, a gente não é feliz? Nossa, a gente é feliz para caramba, né? A gente, porque o negócio, o negócio é o seguinte: a gente acha que a felicidade tá no outro ou tá numa coisa que você quer perfeito. Não, a felicidade tem que estar dentro de você, né? Se você, ah, mas eu sou tão infeliz, acho que eu só vou ser feliz se eu casar. Ai, acho que eu só vou ser feliz se eu for mãe.

Não, não, gente. Aí eu aprendi, né? Eu vi depois que eu saí deste processo de tentante, eu falei assim, gente, tem um leque enorme Como que eu só ia ser feliz se eu tivesse meu filho no braço, meus filhos nos braços? Não, gente, eu tô viva, eu sou feliz, eu posso fazer outras coisas.

?Voz A

Você tem diversas outras identidades.

AUAndréa Uono

Exatamente.

?Voz B

Isso, aquela mania de projetar felicidade no outro, quando acontecer.

AUAndréa Uono

Esquece tudo, se não acontecer, você não vai ser feliz.

?Voz B

Né?

AUAndréa Uono

E assim, o que a sociedade impõe, então nem aí. Sociedade, mas você tem que casar. É, você vai pagar as contas de casa? Não vai. Então quem é você para impor alguma coisa da minha vida? Cuido eu, e eu sei da minha vida, né? Quer se meter àquele negócio? Quer se meter na minha vida? Paga uns boletinhos aí para mim.

?Voz A

Nossa, eu ia adorar isso. A gente tá falando desse processo, né, de você evitar festas e tal. Vocês já assistiu Bluey? Bluey, Bluey, Bluey! Assistam Bluey! Vou fazer propaganda assim, Bluey, assistam Bluey! É demais, muito, é fantástico esse desenho. Nossa, que pena que não tinha na época dos nossos pais, mas ele é absolutamente fantástico. Tem um episódio específico que tem a Bluey e a irmãzinha dela, né, a Bingo, ali E aquela família maravilhosa dela.

E a tia vai visitar, a irmã da mãe vai visitar. Só que a irmã da mãe, ela não visita a família há muitos anos, desde que a segunda nasceu. Por quê? Porque ela evitava ir na casa da irmã, porque a irmã da tia da Blue é tentante.

?Voz B

Jura?

AUAndréa Uono

Não assisti esse episódio.

?Voz A

Ela é tentante. Você não lembrava disso também, não, né? Ela é uma tentante. Então ela é assim, a explicação que dá, porque a Bluey pergunta para mãe: por que que a titia nunca veio aqui, né? A gente só viu a tia uma vez. A explicação que a mãe dá para filha sobre a irmã não ter se ausentado é uma doçura, é de uma beleza, de um amor tão lindo assim e tão fácil difícil de explicar. E depois que ela vai, ela consegue quebrar essas— a dor de não ter o que a irmã tem, ela começa realmente frequentar.

E é muito legal porque o Bluey é um desenho que tem a história principal, tem a central, e acontecem coisas ao redor se você olhar o que tá acontecendo com as outras personagens, né? E num dos últimos episódios tem um casamento lá que é na casa da família da Bluey E por trás assim tá chegando os convidados. E se você não tiver prestando muita atenção ao redor, a gente presta muita atenção ao redor porque a gente já viu 259 mil vezes na minha casa, na minha casa, por causa do meu filho.

Então tá acontecendo a cena principal e chegando os convidados lá atrás, no outro plano, chega ela grávida.

?Voz B

Ai, gente, um dos últimos episódios que acontece das temporadas, ela conseguiu Né?

?Voz A

Então são pequenos detalhes assim, mas a explicação do porquê ela não conseguia, o porquê que ela se ausentou, a importância de respeitar as pessoas que precisam se ausentar, é tão lindo. E trazer isso para o contexto do desenho, gente, que coisa mais linda!

AUAndréa Uono

E você sabe de que essa força, esse ombro vem de onde você acha que nunca ia vir. Porque no meu caso veio também dos meus sobrinhos, né? Meus sobrinhos eram pequenos também. Perguntou para minha irmã, mamãe, a Dinda não vai ter nenê? Aí a minha irmã falou assim, olha, a Dinda e o Dindo, eles tentaram, né? Mas o Papai do Céu não quis. Então eles não têm, né, filhos aqui, mas eles têm lá em cima. Papai tá com Papai do Céu. E aí a minha sobrinha hoje tá com 11 e o meu sobrinho tá com 9.

É porque isso aconteceu quando eles eram bem pequenos, né? E aí uma minha sobrinha, minha sobrinha chegou para mim assim: Dinda, você não tem os seus filhos aqui, né? Eu falei, não, filho, estão lá em cima, mas a gente vai cuidar de você e do Dinho. Eu achei aquilo de um, né, de um amor, crianças, né?

?Voz B

É muito, eu digo que temos que aprender muito com essa pureza, né?

AUAndréa Uono

Muito, gente. E assim, eu sou mãe, né? Mas se tem uma coisa que eu amo ser É tia, a melhor coisa.

?Voz A

É muito bom.

AUAndréa Uono

Assim, é tia, sou tia dos meus sobrinhos, sou tia dos filhos das minhas amigas, e assim, eu mimo mesmo.

?Voz A

Sabemos, sabemos, a gente sabe, tá, amiga? E se fosse para você falar alguma coisa para essas pessoas que estão ouvindo, que estão assistindo a gente, que estão nesse processo, ou no início do processo, ou no meio do processo, ou até no fim do processo, O que que você diria para essas pessoas?

AUAndréa Uono

Bom, para as tentantes de início, eu falaria que não é fácil, mas eu acho que a gente não tem que pesquisar muito. A gente não tem que, ai, porque fulana conseguiu, não. Só vai, né? Você já tá nesse processo, então vai. Para quem ainda não, não teve o positivo e ainda acha que aguenta, vai, continua. E para quem tá tentando, fala assim, olha, tudo tem um começo, meio e fim. Mas para essas 3 mulheres, 3, eu falaria o seguinte: procure um terapeuta, procure alguém para você desabafar, porque às vezes, às vezes é sufocante esse silêncio.

Difícil, é muito sufocante. Falou assim, e aí, mulher, né, gente, não, eu dou conta, eu dou conta, eu vou dar conta tudo sozinha, porque assim, eu já tô, eu já tô gastando muito dinheiro com tratamento e eu não vou procurar, procurar uma terapia, uma terapia não. Eu acho que assim é primordial uma terapia neste momento. E não digo que só para mulher que está passando pela FIV, Para o seu marido, para sua esposa que está do seu lado também.

Acho que terapia é tudo, né, gente? Tô meio suspeita a falar, mas eu acho que procurem ajuda. A gente não é vergonhoso, né? E às vezes também muitas mulheres não querem conversar com outras tentantes porque sabe o que acontece, Gi? Começa a competição, do tipo: ai, mas ela Ah, tem 35, ela é mais nova, ela conseguiu. Aquela de 50, acho que não vai conseguir. Então, né, começa essa competição. E aí, ao invés de ser uma coisa bacana, a competição tá na cabeça de quem tá passando por isso.

Às vezes assim, é claro que quem consegue quer colocar para fora, mas aí dá aquela pontinha de inferno.

?Voz A

Porque assim, não é só nesse caso, competição é competição quando você tem um filho, aí ele tá na escolinha, aí eu no maternal, aí o amiguinho começou a engatinhar antes. Aí você quer que seu filho comece a engatinhar, daí sabe o que acontece? Ele engatinha para trás. Aí tudo bem, tá engatinhando para trás, tá ok, funciona. Daí o outro, quando ele aprende a engatinhar para trás, o outro levanta. Assim, as pessoas precisam entender que o tempo de cada um é sagrado.

O tempo de cada criança, o tempo de cada mulher, o tempo de cada família. Tudo isso daí precisa ser respeitado como uma forma única, né? Você tem toda razão. Essa coisa da tentante se comparar faz todo sentido mesmo, mas é o ônus e bônus de tudo, né?

?Voz B

As necessidades de cada uma são muito particulares também. Às vezes o que a uma acaba se sentindo um pouco mais confortável, outra— mas é importante justamente compartilhar, justamente porque muita gente pode estar passando por esse processo nessa solidão, sim, né?

AUAndréa Uono

E é uma solidão dolorosa.

?Voz B

Ideia Eu tava te ouvindo e eu me veio uma coisa com relação a— a gente fala muito das coisas que a gente ouve, né, e que machucaram, magoaram. Você se recorda da frase ou de alguma coisa que você ouviu durante essa sua jornada toda que tenha feito parte dessa sua evolução e tenha te feito muito bem, que você te fez muito bem ouvir aquilo? Você lembra o que foi, de quem foi?

AUAndréa Uono

Foram dois momentos, e assim, foi, foram dos meus pais e dos meus sogros, né? A minha sogra, ela também, eu não contava para minha sogra, né? Ela falou assim, olha, eu torço muito por vocês, né? E qualquer que for a decisão de vocês, nós sempre estaremos juntos ao lado de vocês. Isso eu lembro muito bem. Você olha, se você quiser parar esse processo, se você quiser adotar, se vocês não quiserem mais também, assim, estamos juntos.

Essa foi da minha sogra, né? E a da minha mãe, do meu pai, foi um dia que, sabe, você tá naquele churrasco de família assim, e aí eu, eu desabei, né? Eu falei assim, eu tô triste. E tudo bem tá triste também, né, gente?

?Voz B

Claro, claro, gente, viver as emoções faz parte.

AUAndréa Uono

O meu pai falou assim, mas o que que você tem? Eu falei, ai, pai, às vezes eu tava no meio do processo, às vezes eu acho que eu não vou aguentar. Ele falou assim, filha, você é uma vencedora, você e o seu marido é um casal guerreiro, um casal que assim tem muito para mostrar para o mundo o que vocês passaram. Eu e a sua mãe, a gente não ia aguentar nem metade do que vocês passaram. Então assim, foram coisas que, sabe, brotou do chão e que assim deixou a gente muito forte.

?Voz A

Literalmente brotou do chão porque foram suas raízes que falaram isso.

AUAndréa Uono

E aí também eu não posso, né, não posso deixar de agradecer o meu marido. Que o meu marido é, ai, mas é uma pessoa fantástica, né? Vocês conhecem, e ele sempre esteve do meu lado em todos os momentos, todos os 12 dias que eu fiquei no hospital, ele estava lá comigo os 12 dias. Então, gente, eu falo o seguinte, para quem quer procurar, né, uma, uma uma reprodução assistida, primeiro, seu casamento é sólido? Porque a gente vê muita coisa do tipo, a mulher, né, engravida e depois o homem não dou conta e ele vai embora.

Então assim, eu acho que no fundo, no fundo, você, a gente sabe, né? Então faça essa pergunta para vocês, se o seu casamento é sólido. E se você tiver um filho, o que você acha que vai acontecer? Porque por mais que a gente não tenha ainda os filhos nos nossos braços, a gente tem amigas, e as nossas amigas falam que, nossa, minha vida mudou muito porque meu casamento mudou bastante, né? E tem também aquelas pessoas que não querem, aqueles casais que não querem ter filhos e que também são julgados, né?

Então eu falaria isso, falei, olha, dê uma olhada no casamento de vocês e façam Utopia.

?Voz B

É isso, Andréia. Assim, minha profunda admiração e respeito por você, pela sua história, por todas as pessoas que de alguma forma estejam ouvindo, estão passando ou passaram por esse processo, porque é algo muito assim que eu também, eu fico me imaginando nessa situação. Eu acho que a gente realmente não imagina o quão difícil, né, essa jornada. E realmente, meu profundo respeito e admiração. Eu já, eu já te falei isso algumas vezes, mas vou falar aqui para todo mundo mesmo.

Você é incrível, Andréia, mesmo. Eu sou muito feliz de ter você na minha vida e da Giovana ter me apresentado você.

?Voz A

Eu só apresento coisa boa.

?Voz B

É verdade, gente, é verdade.

?Voz A

Eu só apresento coisa boa. O teu ex, por exemplo, eu Eu não apresentei. Foi verdade, ó, tá vendo? O ex dela, aquele rechaço, não fui eu que apresentei.

?Voz B

Tá vendo, gente?

?Voz A

Vocês estão vendo todo episódio, todo episódio, todo episódio eu acabo com teu ex.

AUAndréa Uono

Não, tem que ressaltar, né? Tem que ressaltar, amiga. Muito obrigada, muito, gente. Eu é que agradeço essa big oportunidade, né? Eu acho que foi um bate-papo super legal e eu não poderia falar num lugar melhor do que aqui.

?Voz A

Obrigada, amor mesmo. Gente, não se esqueçam, se inscrevam, curtam, curtam, compartilhe, bate palma, comenta no nosso canal, dê ideias, né? Escrevam, tragam ideias. E essa temporada promete, promete. A gente vai falar de muita coisa Muitas coisas acolhedoras, muitas coisas engraçadas, muitas coisas que a gente vai querer jogar na privada. Porque a gente tá falando de família, né? Que coisa, né? Quando a gente fala de família, a gente amplia.

Família é que nem árvore, às vezes a gente precisa podar, né? Obrigada por acompanhar, viu? Tchau, tchau!