Episódios de Invoice Cast - Comércio Exterior com inteligência e bom humor

Currículo e entrevista de emprego, dicas para se sair bem.

21 de julho de 20261h15min
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Tanto o envio do currículo quanto a entrevista são momentos de se vender e a primeira impressão é a que fica por muito tempo, por isso, confira com nossos convidados as dicas do que fazer e o que evitar em cada um desses momentos..Participantes do Invoice Cast:.Gabriela Varellahttps://www.instagram.com/varellagabi/https://www.linkedin.com/in/gabrielasvarella/.Maria Eduarda Manerichhttps://www.linkedin.com/in/maria-eduarda-manerich-83035b1a8/https://www.instagram.com/duuda_manerich/.Heron Colzanihttps://www.instagram.com/heron.colzani/https://www.linkedin.com/in/heron-colzani/.Jonas Vieirahttps://www.linkedin.com/in/jonasvieira/https://www.instagram.com/o_jonasvieira/.

As empresas apoiadoras:.European Cargo — https://curt.link/europeancargoMultilog - https://curt.link/multilogGett - https://curt.link/gettBroker Comex — https://curt.link/brokercomexInterfreight — https://curtlink.com/interfreightNext Shipping — https://curt.link/nextshippingCheap2ship — https://curtlink.com/cheap2shipLínea Logistics — https://curt.link/linealogistics.📰 Assine o Follow-Up do Comex, mantenha-se informado e apoie o podcast:https://curt.link/fupdocomex.🧾 Conheça o Grupo Invoice:https://curt.link/grupoinvoice.🌎 Siga-nos nas redes sociais:Instagram — https://curt.link/invoicecast-instagramLinkedIn — http://curt.link/InvoiceCast-linkedin.📱 Entre no grupo dos Resenhistas do Comex:https://curt.link/resenhistas-do-comex.📢 Deseja apoiar o projeto, anunciar no Podcast ou fazer gravações exclusivas?.Nos mande uma mensagem!

Participantes neste episódio3
J

Jonas Vieira

HostCEO do Grupo Invoice, produtor de conteúdo e consultor em comércio exterior
G

Gabriela Varella

Convidado
M

Maria Eduarda Manerich

Convidado
Assuntos6
  • Preparação de CurrículoTamanho ideal do currículo · Experiências relevantes · Preenchimento de lacunas · Formato PDF · Informações pessoais
  • Técnicas de entrevista e coletiva de imprensaPesquisa sobre a empresa · Gerenciamento do nervosismo · Entrevistas online vs. presenciais · Perguntas comportamentais
  • Estudos de idiomas e preparação intelectualInglês e Espanhol · Níveis de proficiência · Inglês conversacional vs. escrito
  • Vaz: CMO da EnterImportância do estágio · O que colocar no currículo de estagiário · Projeção de carreira
  • Negociações laboraisTransparência salarial · Adaptação de salários a cargos · Freelancer vs. CLT
  • Estratégias eleitorais e perfil de candidatosContato direto via LinkedIn/WhatsApp · Carta de recomendação · Personalização da mensagem
Transcrição280 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Uma pergunta que eu gosto de fazer no estágio é uma projeção. Estagiário é um quadro em branco que a empresa vai moldar.

MEMaria Eduarda Manerich

Por exemplo, ah, quando você acha que consegue me dar um retorno?

MEMaria Eduarda Manerich

Eu já recebi mais de 100 currículos para uma vaga, então não tem como a gente entrar em contato com cada pessoa.

JVJonas Vieira

E aí, cara, tava todas as informações lá certinho, bonitinho. E aí um abençoado embaixo falou assim, pra onde que eu mando currículo? Mas saudações, movimentadores da balança comercial ao InvoiceCast! Hoje o episódio é praticamente um serviço de utilidade pública ao comércio exterior, porque talvez você esteja perdendo oportunidades porque não sabe preparar um bom currículo, não sabe achar as vagas certas, não sabe se comportar numa entrevista.

Então é sobre isso que nós vamos conversar hoje. E, cara, independente de você ter começado agora no COMEX ou já há muito tempo, sempre tem alguma coisinha para aprender, sempre tem alguma coisinha para melhorar que faz a diferença para você seguir carreiras. Então, antes da gente começar na pauta, os recadinhos de sempre. Primeira vez por aqui, lembra de seguir a gente no agregador de podcast que você tiver assistindo. Se tiver no Spotify ou no Apple Podcast, lembra de dar 5 estrelas para gente.

Isso faz muita diferença, ajuda o podcast a ser entregue mais longe. Deixa 5 estrelas lá, não quero 4. Eu não sei lidar com críticas, eu quero 5 estrelas. E deixa um elogio lá para gente, que faz toda a diferença, tá? Também pega o link, manda para os seus amiguinhos também para eles assistirem esse podcast. Manda aí para os coleguinhas de trabalho. Se a tua empresa quiser gravar podcasts aqui com a gente, participar dos episódios regulares, ajudar a financiar esse projeto, tem espaço ainda.

E já tem diversas empresas ajudando, mas sempre tem espaço para mais oportunidades, mais episódios e diversas outras pautas. Então já vou agradecer aqui a Broker Comex, a Línea Logísticas, Ship to Ship, European Cargo, Get, Next Shipping, Multilog, Interfreight, e claro o Grupo Invoice. E claro, vou agradecer também aqui a presença do meu amigo Raul Kozani, a Maria Eduarda Manerisci e a Gabriela Souza Varela da Next Shipping, empresa que apoia o podcast.

Então muito obrigado a vocês, obrigado às empresas. As redes sociais de todos eles estão aqui, caso vocês não gostarem do que eles falaram, discordarem, vocês podem ir lá e mandar mensagem no privado reclamando. Zoeira, não é para ficar fazendo isso, tá? Mas vamos lá, vamos começar falando então da parte mais básica do currículo, de preparar o LinkedIn. A gente pode falar o tamanho do currículo, acho uma boa, né? Tem gente que às vezes se empolga, quer fazer 5 páginas de currículo, quer colocar desde desse experiência que teve sendo, sei lá, menor aprendiz com 16 anos. Duas páginas tá bom, né?

MEMaria Eduarda Manerich

Tá mais do que bom, eu acho, né?

?Voz A

Tá ótimo, tá ótimo.

JVJonas Vieira

Mas a pessoa que fica agoniada que ela teve muitas experiências boas, como é que ela faz?

MEMaria Eduarda Manerich

Eu acho que pode selecionar as que faz mais sentido para a vaga que você tá aplicando. Então talvez você já estava em outro setor, né, tá fazendo alguma mudança ali de carreira. Então eu acho que colocar o que faz mais sentido e algo muito distante. Às vezes eu pego currículo e tem ali 1998, né? Então assim, não precisamos ir tão longe, podemos ficar ali mais atual. E aí eu acho que 2 páginas é mais do que o suficiente para isso.

?Voz A

Eu arrisco dizer que é um consenso em quem contrata, né, se 2 páginas já ser o suficiente. E tem a situação que as pessoas às vezes deixam um gap no currículo, mesmo com 2 páginas, ficou 2, 3 anos longe ou do mercado ou mudou de setor e ela não fala nada naquele espaço de tempo. Então uma dica é sempre colocar o que foi feito. Pode ter ano sabático, ausência por gravidez, talvez alguma coisa nesse sentido.

MEMaria Eduarda Manerich

Intercâmbio na nossa área é muito comum também.

JVJonas Vieira

É verdade. E é legal adicionar, porque como é acelerador é importante o inglês. Então saber que foi feito intercâmbio vale a pena.

MEMaria Eduarda Manerich

Com certeza acrescenta.

JVJonas Vieira

E na parte do currículo, o que eu fazia muito antigamente, eu mandava o currículo assim certinho para vaga e eu mandava um outro currículo que aí realmente tinha todas as informações de todas as minhas experiências. Vocês abriam?

MEMaria Eduarda Manerich

Não. Você enviava, eu mandava os dois, e mandava por email, digamos assim, enviava por email.

JVJonas Vieira

Aí eu mandava o currículo certinho, ó, tá aqui meu currículo para essa vaga, mas se quiser ver a informação completa da minha carreira profissional Tem esse outro aqui mais completo.

MEMaria Eduarda Manerich

Assim, eu acho válido em algumas situações, mas eu acho que o pra vaga ali já basta, não precisa ser os dois, sabe? Eu acho que o pra vaga é demais.

JVJonas Vieira

Pode discordar de mim, tá tudo bem, eu consigo lidar com isso.

MEMaria Eduarda Manerich

Não, você falou que não sabia lidar com críticas.

JVJonas Vieira

Com 5 estrelas eu não sei lidar, agora contigo aqui tudo bem, tá tudo bem.

MEMaria Eduarda Manerich

Mas de maneira geral, o que eu acho, Legal também, acontece bastante, é as pessoas se aplicarem na vaga, né, no nosso site ali, por exemplo, e me chamar no LinkedIn. Daí eu acho interessante, a pessoa tá mesmo disposta, foi ali na nossa página, procurou quem era a pessoa responsável e me mandou uma mensagem ali. E aí a própria pessoa já fala às vezes, ah, eu vi a vaga, gostei, já me apliquei no site, mas queria te dar um oizinho aqui também porque eu tô muito interessada em fazer parte do Bacana essa dica. Acho que ganha uns pontinhos ali, eu acho legal.

JVJonas Vieira

O que você acha dessa estratégia, Duda?

MEMaria Eduarda Manerich

Eu concordo, com certeza chama atenção, principalmente se já deixar o contato do WhatsApp para facilitar, para agilizar, porque no LinkedIn nem sempre todo mundo entra o tempo todo, né? Então se deixar já o número para contato, já agiliza a gente que coloca o tempo.

MEMaria Eduarda Manerich

Facilita a nossa vida, né?

?Voz A

Sim. Carta de recomendação agrega muito valor, é meio batido já, tem pessoas que falam, não, isso às vezes as empresas meio que inventa uma carta de recomendação, só que normalmente agrega muito valor, porque daí já tem o contato da pessoa que nós podemos entrar em contato com qualquer dúvida. Então vale a pena, vale a pena manter essa prática.

JVJonas Vieira

Até na, eu acho que até no currículo assim, tipo, deixa ali uma referência de quem entrar em contato, né? Legal. Eu acho que já ajuda, você não precisa uma carta de recomendação, né? Ah, essa aqui foi meu chefe, pode entrar em contato com ele, né?

?Voz A

Sim, ajuda mesmo, com certeza.

JVJonas Vieira

E qual o formato para enviar? Word, PDF, um PowerPoint?

MEMaria Eduarda Manerich

Eu sou do PDF.

JVJonas Vieira

O PDF tá bom?

MEMaria Eduarda Manerich

Sim. O Word ele é editável, né? Então corre risco de alguém pegar o teu currículo, editar e passar para frente com informações.

MEMaria Eduarda Manerich

Eu acho que o mais seguro, qualquer documento que você for mandar seu ou algo mais confidencial, sempre em PDF, né? Para não correr risco de editar. No nosso caso, ali na Next, a gente tem um site próprio para isso. Então a gente publica as vagas ali e aí os currículos já vão naquele formato do próprio site. Então o que a gente recebe às vezes é no próprio LinkedIn e no email ali, mas a gente sempre também indica a pessoa a se candidatar no nosso site.

JVJonas Vieira

Entendi. Ah, tem também, falando de segurança, eu acho que tem informações que não precisam ir para o currículo. Tipo, eu já vi currículo com CPF. Não, né?

?Voz A

Sim, não precisa.

JVJonas Vieira

O que mais?

?Voz A

Uma boa prática que eu gosto, talvez é algo muito pessoal, Eu gosto de que as referências e as experiências da pessoa estejam do mais recente para o mais antigo. E tem gente que coloca ao contrário. Então a gente tem que pensar como analisar aquele currículo. Algo simples que ajuda o recrutador.

MEMaria Eduarda Manerich

Eu concordo. E tem gente que não bota em nenhuma ordem, né? Tem gente que coloca a atual, aí vai lá para mais antiga, daí vai para o meio e aí volta. Então eu também gosto de quando a mais atual é no início.

MEMaria Eduarda Manerich

Na dúvida, até se tiver muito inseguro como criar um currículo, o próprio LinkedIn gera um modelinho de currículo. Nem todo mundo sabe, né, mas acessando ali o próprio perfil na aba pelo notebook, enfim, tem como baixar em PDF já e ele vem num formato bem certinho que aparece o período de cada empresa, descrição da vaga, dá para colocar um texto de apresentação, de resumo antes. Então eu sou bem fãzinha assim do modelinho do LinkedIn.

MEMaria Eduarda Manerich

Ele é bem legal também, né? Então acho que é legal tanto para o candidato quanto para nós recrutadores.

JVJonas Vieira

Vocês gostam que a pessoa, digamos assim, tem um espaço para escrever algo ou vai por email, que a pessoa escreva alguma coisa ali no texto, tipo, segue meu currículo, ou vocês acham importante falar mais alguma coisa além disso?

MEMaria Eduarda Manerich

Eu acho importante direcionar para vaga, assim, o assunto, né, por favor, ali, porque tem gente que, ah, eu tenho interesse em fazer parte da empresa e manda o currículo. Mas assim, qual é a vaga? Qual é o cargo que você tá querendo? Aí as pessoas falam, ah, qualquer um. Mas é para saber o que que a pessoa tá interessada realmente, né? Mas se apresentando ali brevemente, eu acho, e deixar. É que a gente recebe, recebe no email também, mas o maior número é pelo site. Então já vai para vaga certinho.

?Voz A

O que vocês acham? Quando tem um funil de contratação, tudo facilita, uma plataforma, né? E quando vem pelo email ou em Word, é legal a pessoa falar um pouco dela, a vaga de interesse com certeza, e evitar a linguagem genérica de inteligência artificial, porque é nítido quando a pessoa joga lá e vem o padrão de GPT.

MEMaria Eduarda Manerich

Sim, é verdade.

JVJonas Vieira

Qual que é o padrão de GPT hoje?

?Voz A

A questão de agregar com a sua valiosa empresa, coisas nesse sentido.

JVJonas Vieira

É que cada segmento a gente vê aquelas palavras desde sempre, né? Tipo, marketing, a gente vê que em um mundo cada vez mais conectado é crucial você fazer não sei o quê. Ninguém mais aguenta ver conteúdo sobre isso, né? Então, por isso que eu perguntei quais são as palavrinhas manjadas da inteligência artificial.

MEMaria Eduarda Manerich

Eu acho muito legal também quando a pessoa evidencia alguma coisa que ela achou legal, diferente na característica da empresa. Por exemplo, ah, eu olhei o Instagram de vocês e eu vi que vocês fazem toda semana vários eventos. Enfim, compartilhar ali algo que você percebeu da empresa, e isso mostra que você se interessou de fato pela empresa, pesquisou, olhou, conhece algo da empresa, né? E também que você se familiariza com aquele valor da empresa, com aquela característica. Então a gente já vai saber o que você também gosta, né?

MEMaria Eduarda Manerich

Eu acho muito frustrante o contrário também, quando a gente entrevista uma pessoa e pergunta: O que fez você aplicar para essa vaga? Enfim. Ah, não sei. Conhece a empresa? Não. A pessoa não esteve nem no trabalho de entrar no site da empresa antes e conhecer um pouquinho mais. Então isso para mim perde um ponto.

JVJonas Vieira

A gente sabe que dinheiro é importante, tem que pagar as contas, mas cara, tu está se vendendo na entrevista. Tu tem que convencer.

MEMaria Eduarda Manerich

Exatamente. Essa é a hora que você está Você tá se vendendo e a empresa tá se vendendo para você, né? Tem uma via de mão dupla ali.

JVJonas Vieira

Eu acho que é uma coisa muito comum, quem é da operação tem dificuldade de se vender e o comercial se vender bem ainda demais, né?

?Voz A

É verdade. Como é que você é muito característico, é bem característico, né?

JVJonas Vieira

Operacional ali é bem pé no chão no que fala e o comercial encanta, né? Porque é o trabalho dele, né? Convencer. Mais alguma coisa para falar de currículo? Vocês acham?

?Voz A

Não, currículo.

MEMaria Eduarda Manerich

Ah, eu tenho um.

JVJonas Vieira

Então, por favor.

MEMaria Eduarda Manerich

Eu acho muito importante, se puder adicionar nos cargos, qual foi o produto, modal que você atuou. Porque às vezes as pessoas colocam, por exemplo, ah, foi pricing em tal empresa, mas não coloca de qual produto ou quais produtos, se foi mais de um, foi multimodal. Isso ajuda muito quando a gente está fazendo recrutamento, principalmente fazendo hunter mesmo, caçando os currículos, porque muitas das vagas são especialistas, né?

Aí pricing específico de exportação marítima. E daí, se a gente vê no currículo que a pessoa já foi pricing exportação marítima, ou até mesmo foi operacional de exportação marítima, nossa, ajuda muito, facilita muito.

MEMaria Eduarda Manerich

Concordo e assino embaixo.

JVJonas Vieira

Verdade, especificar bem então o que faz. É que isso também é importante no currículo, é palavras-chave, né?

MEMaria Eduarda Manerich

Sim, até para quando a gente for olhar no LinkedIn, né, caçar ali os talentos, a gente, eles já vão aparecer para gente, né? Então Principalmente se você tá procurando vaga, isso é muito importante, né, colocar as palavrinhas-chave, porque é como o recrutador vai te achar.

JVJonas Vieira

Eu gravei, nossa, acho que uns 2 anos atrás, um podcast aqui sobre o LinkedIn. Então tem bastante dica lá, você colocar em voicecast LinkedIn, você acha fácil, porque tem gente que quer inventar nome também, né, na vaga, quer deixar pomposo. Não, cara, usa o mesmo nome que toda empresa usa para aquela vaga, para para aquela função, porque senão tu não vai ser achado, né?

MEMaria Eduarda Manerich

Exatamente.

JVJonas Vieira

Como é que o recrutador vai lá no LinkedIn? Vai escrever pricing aéreo, ou talvez marítimo, sei lá, ocean. Não dá para inventar muita coisa, né, cara? Tipo, fica simples, né?

MEMaria Eduarda Manerich

Mas o pessoal vai longe, né?

JVJonas Vieira

É mais chique, né? Ganha em dólar, né? Tudo em inglês, né?

MEMaria Eduarda Manerich

E ainda assim, mesmo sendo o mesmo nome de cargo, ainda tem empresas que atuam diferente. Por exemplo, tem Inside Sales que eles fazem também a parte de pricing, de cotação. Já tem Inside que não faz. Depende muito da estratégia, como a empresa atua. Então, aquela parte que vem de descrever mesmo as atividades é legal também usar. Não precisa colocar muita coisa, mas pelo menos as atividades principais, porque apesar do nome ser igual na maioria, nem sempre o escopo é o mesmo. Às vezes muda.

JVJonas Vieira

É interessante, a gente aqui que falou que até dando exemplo do pricing, a gente fazia um trabalhinho de trade lane também, muito comum. É comum, especialmente umas empresas que tá começando, não tem tanto colaborador ainda.

?Voz A

Quanto menor a empresa, mais multifunção é a pessoa no final das contas.

JVJonas Vieira

É tipo, comercial era o inside sales, aí a gente até zoava, né, que o cliente reclamava do valor, falava, vou falar com meu inside, era ele mesmo.

?Voz A

Ótimo.

JVJonas Vieira

Acontece, é comerciador, é isso aí, né, cara. Às vezes a gente tem que fazer mais de uma função, né, cara.

MEMaria Eduarda Manerich

E para pessoa é positivo ela ter esse conhecimento multimodal de vários setores, é algo muito positivo. Então quanto mais tu deixar claro ali no currículo, evidenciar, mais oportunidades tu acaba abrindo, né, um leque que vai se abrindo para pessoa.

JVJonas Vieira

E se a pessoa tá vindo de uma área que não é do COMEX e ela quer entrar no COMEX assim, que dicas a gente consegue dar de uma forma mais sucinta aqui, tipo, para conseguir valorizar a experiência dela Para chamar atenção de vocês?

?Voz A

Contratei muita gente fora do COMEX com a expansão da antiga empresa que eu trabalhei. E claro, era uma empresa que estava buscando profissionais a nível de assistente, então é mais fácil pegar pessoas sem experiência, com certeza. E o que mais valoriza a pessoa que não está no COMEX a entrar no COMEX naquela empresa era o inglês. Então se a pessoa falava bem inglês e tinha um nível adequado de atenção ao detalhe, cuidado com dados, e a gente via isso na entrevista, com alguns testes é possível fazer também, ela estava apta a ter a chance de entrar no COMEX. A curva de aprendizado dela é menor se ela tem o inglês fluente.

MEMaria Eduarda Manerich

É verdade, o inglês e o espanhol é fundamental. Acho que independente do cargo, é um requisito assim que na maioria das empresas tem. E para você fazer essa virada-chave, eu vou passar de uma área totalmente diferente para o agenciamento, quer começar por algum lugar, com certeza vai ser o inglês. O espanhol também é muito utilizado. Isso também tinha separado aqui para mim.

MEMaria Eduarda Manerich

Eu sempre falo que o inglês ele vai abrir muitas portas dentro do COMEX, mas ele pode fechar muitas portas também. Então é isso, às vezes você consegue entrar como assistente sem inglês, mas a gente deixa claro que, ok, você quer crescer na empresa, né, você quer se desenvolver, então o inglês ele é muito importante.

JVJonas Vieira

Então quer viajar pelo mundo no comércio exterior?

MEMaria Eduarda Manerich

A ilusão, muita gente começa assim, né, fiquei sobre COMEX, Porque meu sonho era viajar o mundo.

JVJonas Vieira

E aí não fala inglês, aí não vai.

MEMaria Eduarda Manerich

É que nem sempre vai ter o Google Tradutor. Às vezes o cliente está ligando ali e na hora para resolver tu tem que atender por telefone.

JVJonas Vieira

Pega aquele indiano com sotaque carregado lá.

MEMaria Eduarda Manerich

Aí não vale mentir também, porque daí se a pessoa fala que tem o inglês ali, aí na hora do vamos ver...

JVJonas Vieira

Acontece na entrevista a galera mentindo em inglês?

?Voz A

Sim, eles têm ilusão da... Comigo já aconteceu o contrário, inclusive foram gratas surpresas. A pessoa falava que tinha inglês intermediário, só que no falar a pessoa desenrolava. Ela era autodidata muitas vezes, ela não tinha parâmetro para saber se o inglês dela era bom o suficiente. E no falar, super bem. Então é bom. Era uma pessoa miodona. É isso. Só que é minoria. A gente vê, a pessoa normalmente supervaloriza do que ela acha que ela é menos do que ela é.

MEMaria Eduarda Manerich

No currículo mesmo, as pessoas geralmente colocam inglês intermediário, avançado, e até você perguntando a pessoa fala, ah, básico.

?Voz A

É verdade.

MEMaria Eduarda Manerich

Mas no currículo estava ali intermediário, avançado.

JVJonas Vieira

O que seria um básico, intermediário e avançado assim, para a gente definir em poucas palavras?

?Voz A

Sim, vamos lá. No sentido acadêmico, C1, C2, A1, A2. No meu caso... Tem isso? Eu nem sabia. Como eu vim do COMEX antes da área da gestão, então eu falo os termos do COMEX com a pessoa. Começo a fazer umas aulas de problema operacional, eu pergunto como é que a pessoa responderia esse email, tudo em inglês, e ela tem que me dizer o que ela escreveria naquele email. Então é uma forma de validar o conhecimento prático dela também, além do inglês.

JVJonas Vieira

Tipo, é importante deixar claro que o inglês conversacional e o inglês por escrito são diferentes?

?Voz A

Sim, o escrito no COMEX normalmente ele é mais importante para carga operacional.

MEMaria Eduarda Manerich

É o que mais utiliza ali no dia a dia.

?Voz A

É, em trade lane talvez precisa, precisa não, com certeza precisa dos dois, tem que ser mais afiado ali. Só que a parte gramatical ela acaba sendo mais importante. Ao mesmo tempo, hoje em dia com a IA, tá fácil escrever email hoje em dia em inglês, mesmo não sabendo muito.

JVJonas Vieira

Mas a produtividade cai, né? Se tu ficar dependendo da IA, do Google Tradutor o dia inteiro...

?Voz A

Certamente.

JVJonas Vieira

Aí cai, né?

MEMaria Eduarda Manerich

E às vezes pode acontecer, né? O que a Duda falou, ligou ali uma situação, um cliente ligou, você precisa atender e precisa falar com ele em inglês. Então vai colocar o inglês em jogo ali.

JVJonas Vieira

Aí tá lá naquela empresa que não tem nem parede e todo mundo te ouvindo falar, né? Tô muito sentindo viajador pra caramba.

MEMaria Eduarda Manerich

E vai ser para resolver um problema na maioria das vezes.

JVJonas Vieira

É, ninguém liga para a faculdade.

MEMaria Eduarda Manerich

Raciocinar o problema e ainda raciocinar o inglês ao mesmo tempo.

JVJonas Vieira

Sim. Hoje minha colaboradora subiu ali para falar comigo, então a gente tá com problema. Eu falei, tu nunca subiu aqui para me falar que tá tudo bem. Eu sei que tu tá vindo trazer um problema. Talvez nem elogio tu traz. Então é isso aí mesmo. Como é que a pessoa se prepara para entrevista? Ela foi chamada, o que que vocês acham? Bom, tá, já foi mencionado, né? Vai pesquisar a empresa que tu vai trabalhar, no mínimo. Eu acho que você conhece um pouquinho a empresa, vai lá conferir o Instagram, o site, o LinkedIn, vai dar uma olhada o que que eles estão fazendo, né? Que mais?

?Voz A

É a preparação, além de conhecer a empresa, responde o que o entrevistador te pergunta.

JVJonas Vieira

Por quê? O que acontece normalmente aí? Agora eu quero saber.

?Voz A

A gente tem que entender que é um momento de tensão, principalmente se a pessoa está fora do mercado, ela está sendo testada. Então, toda a questão do nervosismo e tudo mais, a pessoa se torna prolixa, ela começa a dar várias voltas e fala e fala e fala e já passou do que o entrevistador quer saber. Ou às vezes nem falou ainda. Então, é um pouco talvez desconfortável para o entrevistador falar: Fulano, vamos só voltar aqui ao tema porque temos um tempo para conversar.

MEMaria Eduarda Manerich

Eu já tive que fazer isso.

?Voz A

A lembrança que me veio na mente agora é que eu acabei contratando a pessoa, então tudo bem quando aconteceu.

JVJonas Vieira

Às vezes a pessoa é boa, mas ela está nervosa.

?Voz A

É normal. E ela está sendo provada, ela está sendo testada. Então a gente tem que ter esse jogo de cintura também. A preparação envolve o lado da empresa. Eu já recebi elogios, pequenos elogios de candidatos porque ofereci uma água para a pessoa.

JVJonas Vieira

Meu Deus!

?Voz A

Imagina, ou um café, o mínimo. Então isso ajuda a baixar um pouco do nervosismo do candidato também.

MEMaria Eduarda Manerich

Concordo com o que você falou e o nervosismo ele faz parte, né? Então a gente sabe disso como recrutador, a gente tenta quebrar o gelo ali para deixar a pessoa mais confortável possível, mas é importante a pessoa ter em mente que aquele é o momento que ela tá se vendendo. Então às vezes não vai ter uma segunda chance, né? Às vezes é aquela, é a única chance ali. Então é importante que você se venda, mas seja honesto também, né?

Então é o que a gente falou de não inventar coisas que você realmente não é capaz de segurar, sabe?

JVJonas Vieira

Eu acho que o importante é ensaiar também, né? Eu acho que ensaiar é igual se preparar para dar uma palestra, tem que ensaiar. Pede para alguém próximo fazer teste com pergunta básica para tu soltar um pouco.

MEMaria Eduarda Manerich

Você pode até colocar na IA, né? Me faça perguntas.

JVJonas Vieira

É verdade, aí tem a função até da fala, né? Fica uma coisa mais natural. É uma boa ideia também. Que mais assim para pessoa se preparar?

MEMaria Eduarda Manerich

Eu acho que quando a entrevista é online, também conferir assim se a internet tá boa, se não tá, se tu vai apoiar o celular em algum lugar, se vai ser com notebook, avisar se tem outras pessoas em casa, né? Agora eu vou fazer uma entrevista, vou deixar aqui fechado. Se preparar uns minutos antes para que tu consiga ali realizar com calma, que esses fatores externos não te atrapalhem. Que você já tá nervoso. Aí se tiver um cachorro latindo, uma criança chorando, não sei o quê, batendo porta, aí tu vai se perder com certeza no que tu tá falando.

JVJonas Vieira

Eu acho mais tenso entrevista online do que pessoalmente, cara.

MEMaria Eduarda Manerich

Sim.

JVJonas Vieira

Porque tem tudo isso de agravante acontecer, cara. Tem. E acaba a luz no prédio bem na hora, sempre essas desgraças, cara, que acontece.

MEMaria Eduarda Manerich

Já aconteceu de ter que remarcar porque o sinal não tava indo, então não dava para fazer assim, a gente tava perdendo muito tempo tanto eu quanto candidato e não tava indo. Então, opa, vamos remarcar, né? Mas imprevistos acontecem também, né? Então às vezes, mesmo a pessoa checando tudo ali, chega na hora e pode acontecer um imprevisto.

JVJonas Vieira

E se você pede assim, ah, me fala um pouco sobre você, quanto tempo esse me fala um pouco sobre você tem que durar?

MEMaria Eduarda Manerich

É só um pouco, né? Não precisa contar lá onde eu nasci, mas eu acho que é Ou melhor, o que vocês querem saber com essa pergunta?

?Voz A

Eu faço uma pergunta diferente. Eu falo: Me conta as tuas decisões profissionais que fez você estar aqui na minha frente hoje. Foca na parte profissional. Só que quando fala mesmo na parte profissional, a pessoa vai me contar que saiu do estado por melhores oportunidades, aconteceu alguma coisa na família, então vem mais coisas ali. Só que pela minha experiência, não posso falar pelos demais, claro, isso deixa um pouco mais direto ao ponto. A resposta?

MEMaria Eduarda Manerich

Eu gosto de saber um pouquinho da pessoa para conhecer o que que ela gosta, o que que ela não gosta, porque daí a gente consegue perceber também um pouco dos valores, da personalidade da pessoa. Porque quando a gente olha uma vaga, a gente não olha somente às vezes competências técnicas, o currículo, a gente também tem que ver se o perfil daquela pessoa vai bater com o time, vai bater com a cultura da empresa. Então é nesses momentos, às vezes, que ela tá falando de um assunto nada a ver, contando algo da vida dela, que a gente consegue pegar as informações que a gente precisa para fazer essa questão de análise da cultura, da personalidade da pessoa mesmo.

MEMaria Eduarda Manerich

O que eu vejo que acontece muito na prática é quando começa perguntando, né, me fala um pouco sobre você, a pessoa geralmente tende a ir mais para o lado profissional. Geralmente a pessoa vai contextualizando, mas para chegar no profissional mesmo. E eu gosto de perguntar, talvez mais para o final assim da entrevista, poder aí, tá, ela começou a falar mais do profissional, a gente foca no profissional. E aí mais para o final eu pergunto, tá, e agora me conta de você por detrás do currículo, né?

Então a pessoa, daí a pessoa se abre mais um pouco, porque eu também acho que é importante a gente conhecer o lado pessoal da pessoa e a gente tem muito isso também de fit cultural, de valores, então a gente puxa umas perguntas também se a pessoa não fala ali para a gente saber se bate com o fit cultural da empresa.

JVJonas Vieira

Entendi.

MEMaria Eduarda Manerich

Em falar em puxar perguntas, acho que também tentar não ser tão objetivo, que às vezes tem umas entrevistas que a gente fica tipo assim tendo que se esforçar para a pessoa falar com a gente Porque não flui, sabe? Então acho que não precisa ter tanto medo assim de, ah, vou falar o mínimo possível para não falar nenhuma besteira.

JVJonas Vieira

Então você gosta do conversa exterior sim?

MEMaria Eduarda Manerich

É, e aí eu acho que é muito nítido, né? O comercial, que às vezes a gente tem que segurar um pouco, né, a pessoa, e lembrar ali, mas a gente não precisa puxar, a pessoa já em uma pergunta ela já fala tudo que a gente quer saber. E o perfil operacional assim já é mais contido, né? Então eu acho que daí como entrevistador também a gente se preparar para esse tipo de situação, porque uma vaga comercial provavelmente a pessoa é mais da comunicação, e aí uma vaga talvez mais operacional a gente precisa puxar um pouco mais, deixar a pessoa mais à vontade porque daí ela já vai estar num nervosismo talvez um pouco maior ali, porque não é confortável para ela, né? Então a gente também acho que se preparar para entender esse perfil.

JVJonas Vieira

Ah, se preparar também para chegar no horário, né, para entrevista.

?Voz A

Eu ia complementar, é verdade, chegar no horário mínimo e não fazer o ghost, né, sumir sem avisar.

JVJonas Vieira

Cara, como isso acontece bastante, né? Desde que eu virei empresária aqui, cara, como acontece pessoa Manhã tudo certo? Daqui uma hora tudo certo? Sim. Aí some.

?Voz A

E some. Pode acontecer.

JVJonas Vieira

O que acontece, cara?

?Voz A

E é engraçado porque isso era comum acontecer em empresa, indústrias, pessoas com menos grau de instrução, só que não acontece na nossa área também.

MEMaria Eduarda Manerich

Acontece.

MEMaria Eduarda Manerich

E aí acaba que às vezes está fechando uma porta e aí, ok, naquele momento talvez você não tenha mais interesse, mas avisa, né? Não custa nada.

JVJonas Vieira

E aí às vezes, ah, naquele momento você perdeu o interesse, mas depois você Opa, eu preferia que me falasse, cara, dormi, perdi o horário, do que não falar nada. Quem nunca dormiu, perdeu o horário? Tipo, acontece, cara, fala a verdade.

MEMaria Eduarda Manerich

E isso do horário que você falou, a gente sabe que imprevistos acontecem, né? Então não tem problema, tá no trânsito, pegou um trânsito a mais, enfim, mas manda uma mensagem para a gente saber que tá chegando, né? Para saber qual é a posição ali, porque senão a gente fica esperando aquela pessoa e não aparece.

MEMaria Eduarda Manerich

Então sempre se comunicar ali, principalmente se for depois do horário, né, que a gente faz bastante hora extra para atender aos horários que as pessoas podem. Às vezes deixa de almoçar no horário para poder fazer entrevista. Então a pessoa também tá ali se esforçando para te receber.

JVJonas Vieira

Tem que pensar no outro também, né, que vocês estão trabalhando, né. Tipo, outra que eu ia falar, tipo, banho, né, tomar um bom banho é importante, né, tá com o cabelo arrumadinho, né, lavar o rosto, uma roupa bonitinha. Não precisa ir de paletó, terno e gravata, né, acho que a nossa área, acho que é um pouco demais.

MEMaria Eduarda Manerich

Eu acho que é até entender o perfil da empresa para saber como você vai se vestir. Então se você dá uma olhada no site, no Instagram, nas redes sociais, você consegue ver como as pessoas se vestem, né, para não chegar uma coisa muito diferente também, assim, porque pode acontecer o contrário também, vai que é uma empresa mais formal e a pessoa chega totalmente mais casual assim, né?

JVJonas Vieira

É só dar uma olhada no Instagram ali, ver as fotos da galera, um vídeo, tu já vai ter uma boa noção, né? Não tem muito segredo, né?

?Voz A

Sim, aí tem a questão de geração também, entender que geração Z já gosta de se comunicar mais digitalmente, então é mais fácil às vezes ter uma conversa online e tudo mais são mais informais. Então até usar o rapport, se conectar com eles e não ter uma linguagem tão formal já gera— nossa geração, pelo menos eu e o Jonas, geração Y, uma linguagem um pouco mais profissional. Se for geração X, um pouquinho mais formal, um pouco mais papel, assinatura no papel.

Se é a geração Z, assinatura digital. Tudo isso a gente consegue fazer para se adequar ao perfil da pessoa também.

JVJonas Vieira

Duda, eu queria falar de estágio, que é importante também a gente falar com os jovens.

MEMaria Eduarda Manerich

O estágio é uma das melhores portas de entrada para quem quer começar no COMEX, né? E eu acho legal também que geralmente são vagas que a gente não pede absolutamente nada de experiência. Então tu tem grandes chances de conseguir ali entrar através de um estágio. E é importante também lembrar de fazer o estágio talvez no início, na metade do curso, não deixar para o final, porque as pessoas às vezes esquecem que o termo de estágio você precisa estar cursando enquanto você faz o estágio.

Então, por exemplo, se eu comecei a fazer um estágio faltando um semestre para acabar a faculdade, eu só vou ter um semestre no máximo de estágio. A gente não consegue gerar um contrato por mais tempo do que a pessoa tá cursando. Então tá no primeiro semestre, no segundo, no terceiro, já vai se inscrevendo, vai buscando estágios, porque é o tempo ideal, que tem bastante tempo ali de contrato para a gente aproveitar.

JVJonas Vieira

Entendi. Tá, digamos aí que a gente pega um jovem desse que nem conseguiu trabalhar ainda, o que que ele coloca no currículo dele, coitado? Eu acho cursos que ele pode ter ido atrás fazer. É bom ir atrás de curso, né?

MEMaria Eduarda Manerich

Exatamente, eu acho que foi o que a Duda falou, estágio não pede experiência, né? A gente espera que não, pelo menos, porque a gente entende que o estágio é para a pessoa aprender a entrar.

JVJonas Vieira

Acontece, né, no mercado aí, mas vamos deixar de lado.

MEMaria Eduarda Manerich

Isso que eu falei, a gente espera, né? Porque a gente, eu já vi algumas vagas aí que, mas...

JVJonas Vieira

Estágio, 3 anos de experiência, né, Kels?

MEMaria Eduarda Manerich

Mas então... Acaba sendo o soft skill ali, né? Então a pessoa, quando tem oportunidade de ir para uma entrevista, o que a gente vai analisar é muito o perfil da pessoa, é muito o quanto ela se mostra interessada, o quanto ela quer. Então isso de estudar a empresa, de realmente saber se vender ali, o porquê que tá buscando aquilo, o que que faz sentido, aí eu acho que fica mais em evidência ainda, né? Porque ela não vai ter trajetória profissional para contar para gente. Então vai ser essa parte do comportamental mesmo.

JVJonas Vieira

É, vai ter uma coisa às vezes básica, tipo trabalhou com a família ou trabalhou alguma coisa mais que não tem a ver com a relação do comércio exterior, né?

MEMaria Eduarda Manerich

E agrega também, né? Eu acho que é importante também as pessoas falarem realmente da sua experiência, porque às vezes, ah, tem atendimento com cliente, então, ah, é uma vaga que vai ter um relacionamento comercial ali, quem tá iniciando, enfim. Então E sempre tentar linkar a sua experiência com o que você vai, com a vaga que você está aplicando.

JVJonas Vieira

E é importante essa experiência até para ter uma postura corporativa, né? Se a pessoa já estagiou 6 meses numa empresa, ela sabe como se comportar numa empresa, assim esperamos.

MEMaria Eduarda Manerich

Exatamente.

JVJonas Vieira

Provavelmente vai ser menos difícil isso, né?

?Voz A

Uma pergunta que eu gosto de fazer no estágio é uma projeção. O estagiário é um quadro em branco que a empresa que vai moldar. Se não vem com uma experiência prévia. Então é como eu me lembro, faz tempo que eu não entrevisto um estagiário na verdade, mas uma pergunta que eu fazia era: o que é ser um bom profissional para você? Então a gente já tem uma noção do que que a pessoa, como que a pessoa se imagina no futuro, né? E uma outra pergunta que eu faço, e nesse caso já é para profissional de qualquer nível, é: qual que é o profissional de referência para você?

Pode ser quem foi o teu melhor líder, o teu melhor colega de trabalho, o que que essa pessoa fazia que fez você admirar ela? E aí que isso também é o espelho para ela. Todo mundo tem os seus espelhos e pode ser até inconscientemente mais rápido ou mais devagar, dependendo da pessoa, ela tá indo para lá, né? E o estagiário talvez não tenha referências profissionais, mas então a gente pergunta de amigos, de professores, talvez um familiar. Então é buscar por referências, acho que dá um parâmetro melhor.

MEMaria Eduarda Manerich

Teve uma pergunta que me fizeram uma vez numa entrevista que eu fui entrevistada e que ela ficou guardada e volta e meia eu uso ela. Que é o que os seus colegas de trabalho ou de aula falariam de você se eu perguntasse. Por exemplo, ah, como é trabalhar com o Jonas? Como foi estudar com ele? Aí a pessoa vai falar, ah, falariam que eu sou engraçada, falariam que eu sou brava, falariam... Daí tu consegue ver como a pessoa também se percebe, como ela se descreve desse jeito, sabe?

MEMaria Eduarda Manerich

E às vezes a gente até pega a pessoa se contradizendo, né? Porque às vezes na visão dela, ela é engraçada, e aí quando a gente faz essa pergunta, é brava. Então acontece também de, opa, o que que tá acontecendo?

MEMaria Eduarda Manerich

Ou vão falar que eu sou muito quieta, que eu falo pouco, a gente já entende, poxa, a pessoa deve ser mais introspectiva, né? Então a gente já consegue conhecer mais a pessoa. E também dá para separar alguns cases, né? Por exemplo, situações que você viveu, projetos que você fez em específico que você gostaria de apresentar. Por exemplo, ah, eu participei da implementação de certificados na empresa.

JVJonas Vieira

Citar isso na entrevista para o recrutador também conseguir provar com números, né, o que já conseguiu, né.

MEMaria Eduarda Manerich

Eu acho isso muito interessante para no geral, para todas as vagas assim, né, porque às vezes a pessoa fala Sou muito inovador, por exemplo. Ok, mas e na prática? Me conta um caso real, né, de que você inovou, que você deu uma sugestão de melhoria. E aí, às vezes acontece de pessoa realmente saber, e às vezes o nervoso, a pessoa esquece. Ou então é algo que foi que eu falei lá no início, né, de ser honesto. Então não adianta falar algo que depois você não vai conseguir provar ali, né?

Então, mas trazer cases reais, situações que você já viveu ali de problemas que você conseguiu solucionar, isso também ajuda a pessoa ali para se vender, né?

?Voz A

E como isso acontece agora saindo de estagiário, pegando cargos mais complexos? Como eu vejo isso em candidatos de pricing? Porque o pricing é uma pessoa que ela tem que ser super atenta ao detalhe, tem que falar um bom inglês, só que ela tem que ser uma negociadora também, ela tem que saber negociar. Então é meio que É a Mulher Maravilha e o Super-Homem ali, ele tem que atacar os dois lados. E tem muito pricing que vem pedindo um salário fora da realidade, só que eles são cotadores, eles cotam frete, não fizeram nada minimamente estratégico de pricing, uma estratégia de redução de custo, que não é o básico de só entregar um volume e pedir para baixar preço, eles não conseguem desenvolver.

Então acontece o que você falou, no pricing é onde eu mais tenho exemplos desse tipo.

JVJonas Vieira

Ele foi só um executor de pedir cotação, entregar para o vendedor e não agregou em resultado.

?Voz A

É isso aí. E estão pedindo 18 mil PJ.

MEMaria Eduarda Manerich

Olô, é o nosso mercado.

JVJonas Vieira

E aí faz tempo, né? Operacional também, de forma geral, né? Eu que vim mais da importação também, ó, cara. Ou tu é um batedor de DI, como a gente falava, ou tu prova onde é que tu fez a empresa economizar dinheiro com importação, né, cara? Exportação Tem que provar esses resultados, né? Você não, tu, beleza, tu tem 1.300 anos de experiência aí, mas o que mais? Cadê os resultados, né? Para tu conseguir chamar atenção, que tem mais gente disputando a vaga. É isso aí.

MEMaria Eduarda Manerich

E no comercial também, como tu conseguiu vender aquele frete se tu não tava com o melhor preço? O que que tu usou de estratégia ali com o cliente?

MEMaria Eduarda Manerich

Qual foi seu diferencial, né?

JVJonas Vieira

Vocês conseguem detectar quando a pessoa tá querendo se encaixar na cultura da empresa e Ela não tá, mas ela tá se vendendo artificialmente. Vocês conseguem notar isso?

MEMaria Eduarda Manerich

Eu acho que sim. Eu não sei explicar como, porque não tem, né? Não sei, eu não sei isso que ela faz que demonstra, mas de maneira geral é bom nem contar, né?

JVJonas Vieira

É bom nem contar, né?

MEMaria Eduarda Manerich

Não, mas de maneira geral dá para saber quando a pessoa Sabe quando a pessoa fala o que ela acha que você quer ouvir? Eu acho que tem muito disso. A pessoa acha que você quer ouvir que ela é muito inovadora, por exemplo, então ela vai falar que ela é muito inovadora sem ser. Então acho que a gente consegue perceber, mas aí é ao longo da conversa assim, talvez não seja uma frase específica, mas sim o conjunto.

JVJonas Vieira

Vocês conseguem detectar?

MEMaria Eduarda Manerich

É isso que a Gabi disse mesmo.

JVJonas Vieira

A gente fica ali no sexto sentido, assim, vai desenvolvendo uma intuição para isso, né?

MEMaria Eduarda Manerich

Às vezes também a gente, por exemplo, se é uma entrevista em dupla junto com outro gestor, eu confirmar: tu também sentiu tal coisa? Também percebeu tal coisa? Aí se geralmente os dois perceberam, a gente já vê que não era só uma percepção assim vaga.

MEMaria Eduarda Manerich

E a gente Geralmente a gente faz ali em duas etapas, né? Primeiro com gente gestão, depois com gestor. E às vezes se eu fico com uma pulga atrás da orelha, eu comento com o gestor: olha, fiquei com uma pulga atrás da orelha sobre isso. Se você puder, se você quiser conhecer a pessoa e puder sondar, né? Daí a pessoa, daí o gestor, ele já vai preparado ali para sondar naquele assunto e tirar a prova real, digamos assim.

JVJonas Vieira

E como é que vocês fazem para a pessoa falar assim, parecer ser resposta decorada. Acho que isso acontece também, né?

?Voz A

É que depende a pergunta. Depende. Eu, ao longo do tempo, fazendo as perguntas baseadas em competências, a gente desafia um pouco melhor a pessoa, coloca um cenário para ela resolver na tua frente. E uma ex-professora minha falou uma coisa, não sei se isso é cientificamente validado, mas quando a gente se comunica no idioma que não é o nosso, a nossa língua materna, a gente é mais racional. Então se a pessoa consegue se comunicar em inglês, fazer pergunta mais complexa em inglês, ela tem a tendência de ser mais objetiva, de não inventar uma história porque ela não vai conseguir. Então se é verdade, não sei, eu acredito nisso, tá?

MEMaria Eduarda Manerich

Faz sentido para mim, faz sentido.

JVJonas Vieira

Essa pessoa não morou fora do país muito tempo, dificilmente ela vai ser um inglês acima do fluente, né? Então ela vai querer economizar a palavra, né?

MEMaria Eduarda Manerich

É porque geralmente no inglês a gente tem que pensar antes de falar. Daí você pensar e aí você criar uma situação que você não viveu ou que você não é para falar, eu acho que daí a pessoa vai—

JVJonas Vieira

é bem difícil. Tipo, eu tive o privilégio de trabalhar em 3 multinacionais, né? Então teve um momento da minha vida que esse clique passou, aí eu comecei a falar em inglês sem precisar parar para pensar o que que eu ia falar. Mas é difícil tu chegar nesse patamar. Nem precisa para o comércio exterior, tipo, não, tu tem um inglês avançado que tu fala decentemente, se comunica, mesmo que tu tem que parar um segundo para pensar o que vai falar, já funciona bem, né? Então realmente não é fácil chegar nesse patamar.

MEMaria Eduarda Manerich

Outra coisa que a gente pode fazer também, caso a gente desconfie que a pessoa tá vendendo algo pré-pronto, né, que não é exatamente o que é, é fazer perguntas bem diferentes, porque daí vai vai sair do roteiro da pessoa, que ela vai ter treinado uma certa parte, mas se você desvia o caminho, ela vai ir para o natural dela, vai chegar na zona não ensaiada, digamos assim.

JVJonas Vieira

Ah, entendi. E é bom a pessoa entrevistada fazer perguntas também? Tem perguntas boas que é—

?Voz A

Sim, eu talvez depende do recrutador. Eu gosto porque quem pergunta tá interessado naquilo. E a pessoa, quando ela já vem com algumas perguntas prontas e perguntas abertas, né, no sentido de perspectiva, pode ser até perspectiva de crescimento, qual é o volume da empresa, quantos clientes A, quantos clientes B, quantos clientes C, quantas pessoas tem no time que ela tá aplicando para vaga, são perguntas simples que agrega valor para ela.

MEMaria Eduarda Manerich

Sim, eu gosto também, isso mostra interesse. E eu acho que daí você pode usar IA também para jogar umas perguntinhas-chave ali, né, para você ter na manga do que perguntar, já ir preparado assim. E eu acho que conta alguns pontinhos e de deixar a pessoa também à vontade para fazer essas perguntas, né. Então no final eu sempre abro esse espaço e muitas pessoas não perguntam nada, algumas perguntam, mas muitas não perguntam nada.

Mas o que eu tenho escutado bastante também é vindo deles, de qual a expectativa da empresa com ele. Eu acho isso bem, isso bem interessante, eu acho que é uma boa pergunta.

MEMaria Eduarda Manerich

Uma coisa fugindo um pouco dessa parte que eu acho importante ser vista no momento da entrevista é questão de logística. Por exemplo, ah, eu ando só de carro, na empresa tem um lugar para estacionar? Ah, eu precisaria pagar um estacionamento particular? Ver esses detalhes assim, porque às vezes pode algo fugir ali do que faz sentido para você, né? Principalmente quando a gente vai fazer vaga para São Paulo, para outros lugares.

Ah, qual que é a estação mais próxima? Qual que é o ponto de referência? É longe? É perto? E pensar assim também, é via a localização da empresa. Vai fazer sentido para mim? Porque às vezes as pessoas no auge da emoção aceitam, né, porque gostaram da empresa, tudo, mas fica a 1 hora de casa. Aí a rotina vai batendo, 1, 2 horas, né, no caso de São Paulo, meu Deus, a rotina vai batendo, vai dando aquele cansaço, a pessoa vai se arrependendo e depois acaba pedindo desligamento porque se arrependeu.

Então pensar, ver a localização da empresa, ver como você chegaria lá, questão de logística, vai estacionar o carro aonde, a moto, enfim. Faz sentido para você? Você vai ser feliz com essa rotina? Daí para você também não perder o tempo.

JVJonas Vieira

Tu me lembrou uma coisa, porque assim, isso que você tá falando é logística. A gente trabalha com logística, você não foi capaz de preparar sua própria logística, tá errado, tá errado, tem que fazer isso. E eu tenho um amigo, o Carlos Araújo, o do Comex Blog. Ele tem outras que aí ele falou uma vez, ele aplicou, aplicou não, ele divulgou uma vaga no LinkedIn, uma postagem mesmo. E aí, cara, tava todas as informações lá certinho, bonitinho.

E aí um abençoado embaixo falou assim: para onde que eu mando o currículo? Aí ele só me mandou um print daquele, como é que eu vou contratar um cara para cuidar da minha importação se ele não foi capaz de ler na vaga que tava lá escrito, inclusive com link para clicar, tipo, mande currículo aqui.

MEMaria Eduarda Manerich

É raro, mas acontece bastante.

JVJonas Vieira

Meu Deus, cara, como é que tu vai confiar no COMEX pessoa para conferir draft de DBL, conferir draft do invoice, cara? Uma coisa importante dessas, tipo, cara, calma, não é urgente a ponto de você ter que perguntar ali, tipo. Ai, cara, isso me estressa.

?Voz A

É o básico, né?

JVJonas Vieira

E eu tive esse caso, cara, uma vez eu, na época que eu trabalhava em estaleiro, fomos contratar uma pessoa, aí ela desistiu uma semana depois. Ah, não tô aguentando pegar o ônibus. Tipo, cara, não era nem São Paulo, entendeu? Tipo, pô, cara, sério, por que tu não viu isso antes, cara? Aí todo esse desgaste de entrevista, cara, isso é custo para empresa, cara, é custo para pessoa. Aí tipo, vocês têm meta de contratação, né? Vocês têm meta de contratação, aí vocês estão atrapalhando, né, cara?

MEMaria Eduarda Manerich

No meio da entrevista a pessoa fala, ah, mas é, vai dar X tempo da minha casa, acho que para mim não faz sentido.

JVJonas Vieira

Teve que vir até aqui para se dar conta disso.

MEMaria Eduarda Manerich

Você não pensou nisso antes?

JVJonas Vieira

Esquema, né?

MEMaria Eduarda Manerich

Aí agora eu comecei a ser mais objetiva ainda, principalmente quando é vaga para São Paulo, eu coloco bem aonde exatamente é para a pessoa analisar bem.

JVJonas Vieira

Vocês têm algum exemplo de coisa inconveniente às vezes que as pessoas fazem na entrevista que não pega bem?

?Voz A

Sim, eu tenho um exemplo muito claro que a menina aplicou para o financeiro, financeiro internacional, a vaga falava financeiro internacional, inglês avançado para lidar diariamente com os Estados Unidos e ela colocou inglês avançado no currículo e tudo mais e ao falar, inicialmente ela já falou, na verdade, inglês, não é avançado. Ela foi sincera e até aí tudo bem. Se fosse intermediário e conseguisse desenrolar também, a gente poderia contratar na época.

Só que em determinado momento ela falou, é porque na verdade essas vagas que pedem inglês, normalmente a empresa não precisa de inglês, né? Normalmente é só fachada no comércio exterior.

JVJonas Vieira

É verdade.

?Voz A

Então, e ela realmente não tinha trabalhado no COMEX antes, então não pegou nada bem. Não contratei ela, claro, né? Nem passei para o gestor falar com ela porque não Não passou nem no primeiro filtro. E outras questões que eu creio que acontece com vocês também, depende do perfil da empresa. A questão de a pessoa, muita gente pergunta: a empresa trabalha remoto? Faz home office? Posso trabalhar 100% remoto? Então isso é muito comum, pelo menos, sei lá, nas últimas 10 entrevistas, 3 pessoas devem ter me perguntado isso e na vaga estava 100% presencial. Então a pessoa talvez quer o benefício antes de entregar para a empresa.

JVJonas Vieira

É que não é toda empresa que— já falei isso em outros podcasts— não é toda empresa que tá preparada para tipo assim, ah, aqui é, se tu quiser home office, é home office e pronto. Não, não é toda empresa. Tem empresas em que você primeiro precisa começar no presencial para depois ir para um home office. E a regra da empresa, cara, e é normal para muita empresa, até porque não é todo mundo que consegue performar bem no home office, né?

Tem gente inclusive que fala, não, eu não quero trabalhar em casa, eu quero trabalhar presencial porque eu não consigo me concentrar, tem muito barulho e tal. E às vezes quer também, e aí quer esse benefício antes, né? Sim, quer encurtar o caminho, né?

MEMaria Eduarda Manerich

Isso, eu acho que no nosso meio ali do COMEX as pessoas são muito imediatistas, eu acho. Então às vezes a gente, como ele falou, né, tá escrito na vaga que é presencial, a gente até tem a possibilidade de fazer híbrido ali na empresa, mas já depois dos 6 meses E é justamente para a pessoa entender da nossa cultura. Então assim, ela estar ali no escritório, isso é importante. Não é à toa que a gente pede isso, né? A gente tem vagas remotas também, mas hoje a maioria das pessoas são aqui no escritório.

E tem um motivo para isso, né? Para a gente ter esses 6 meses 100% presencial. Então eu acho que as pessoas não pensam muito a longo prazo, né? Aquela coisa muito do imediato.

JVJonas Vieira

Tem outra coisa que eu já passei que eu acho inconveniente, é quando a pessoa começa a falar mal demais das experiências anteriores.

?Voz A

Boa, boa, bem lembrada.

JVJonas Vieira

É tipo assim, cara, tu teve alguma dificuldade na empresa? Beleza, tu conta, tu fala, tu tá falando do estruturamento profissionalmente. Mas tem gente que se empolga, começa a contar coisa pessoal, cita nome, cara, aí não é legal. Não dá para— como é que tu vai confiar numa pessoa dessa, cara? Fofoqueira para caramba, nem te conhece, te conheceu naquela hora, já tá fofocando.

MEMaria Eduarda Manerich

E aí eu acho que a pessoa precisa pensar assim, para o recrutador, né, o que que interessa, né, assim, o que que vai agregar? Porque é só fofoca. Mas nós como recrutadores, a gente sempre imagina essa situação acontecendo com a gente também, né? Assim, depois a pessoa vai acontecer alguma coisa, talvez a pessoa vá para o mercado, ela pode falar a mesma coisa da gente. Será que vai ser assim? E outra, o mercado é muito pequeno.

JVJonas Vieira

Ah, é um ovo, né? Então nível nacional é um ovo, cara, impressionante.

MEMaria Eduarda Manerich

Então muito cuidado também no que você for falar, porque aqui em Itajaí mesmo é muito comum as pessoas se conhecerem. Então é Pode pegar mal.

?Voz A

E as experiências muito curtas, muito breves nas empresas. Em um ano a pessoa passou por 3 empresas. E aí vem aquilo que o Jonas falou, no sentido, a pessoa na entrevista fala mal dos últimos empregos, é porque não achou a empresa certa ainda. Só que será que a visão dela de mundo é empresa ou é ela não olhou um pouco para ela, né? Que ela nunca acha a empresa correta para ela. Não existe empresa perfeita, a pessoa vai ter que trabalhar com o que tem.

MEMaria Eduarda Manerich

E essa questão também do imediatismo, né? Às vezes as pessoas mudam muito de empresa rápido assim por questão salarial, diferença de pouco assim, e no fim isso vai acabar prejudicando porque a pessoa não se aprofunda, tá o tempo todo mudando sempre por questão de salário, sendo que se ela, enfim, se focasse em uma que ela gostou, ela provavelmente vai ter sim reajustes, vai crescer naquela empresa, mas no seu tempo. Né? Tenha o processo das coisas.

Você amadurece numa empresa, você passa pelos níveis, enfim. Não, isso não falo nem no papel, no cargo, aí júnior, plano sênior, não. Você realmente amadurece, você passa por um processo. E às vezes você vai mudar também de setor. Às vezes o teu perfil não era o melhor para aquele departamento, você vai brilhar muito mais em outro. Então tenha paciência. Experimente. Tem oportunidade de trocar de setor, de trocar de modal? Vai, experimenta, sabe?

Vai buscando ali onde você melhor se encaixa. Às vezes as pessoas querem ser comercial externo, né? Eu quero ser Sales Executive para andar na rua, tomar café com os clientes. Mas às vezes você não tem perfil para aquilo ou não vai aguentar a pressão das vendas. Talvez o seu perfil seja de um ótimo negociador, de um pricing bem feito, que é bem analítico, sabe? Então acho que a pessoa tem que sim aproveitar as oportunidades que ela tem para aprender, para se conhecer, o que que ela gosta, que ela não gosta, e tentar se manter o máximo possível nos lugares para que não tenha essa questão, né, de ter muito, muito pulos curtos no currículo, porque chega uma hora que o teu currículo vai acumular lá vários logozinhos e vai ficar um pouco estranho.

MEMaria Eduarda Manerich

A gente sabe que hoje, né, o colaborador escolhe muito também aonde ele quer estar, né? Então aquela ideia de ficar anos na mesma empresa, né, isso a gente já não tem mais, mas a gente começa a se perguntar qual é o problema, é da empresa ou é da pessoa, né? O que você comentou, porque, e a gente sabe que o mercado é aquecido, então a maioria das vezes é o salário que vai fazer a pessoa pular, né, de empresa em empresa. Mas aí, se for o salário, o que que vai fazer a pessoa ficar na minha empresa também?

Se eu oferecerem um pouquinho a mais, a pessoa vai sair também? Então também não acho que pega bem assim. Eu acho que tem que pensar mais a médio, longo prazo, em tudo que você pode construir dentro daquela empresa, se é um ambiente bom para se trabalhar, né? Porque também eu acho que tem coisas que dinheiro nenhum compra, né? A nossa qualidade de vida, nossa saúde mental. Então eu acho muito importante pesar realmente, né? Colocar na balança ali o que que é mais importante para você.

E eu acho que chega um ponto que as pessoas estão num salário muito alto porque foi leiloando, né? E não tem o conhecimento para aquilo. Então na hora do vamos ver não consegue entregar porque não se aprofundou.

JVJonas Vieira

Não é só ganhar mais dinheiro, vai ter mais trabalhos.

MEMaria Eduarda Manerich

Exatamente.

JVJonas Vieira

Vai ter uma pressão diferente, né?

MEMaria Eduarda Manerich

Exatamente. Vai ser cobrado por aquele dinheiro a mais.

JVJonas Vieira

Pelo menos na minha experiência de CLT, que eu ainda tenho mais anos de CLT do que empresário, eu vejo assim: tu vai trocar de emprego, não importa quanta indicação, não importa se você tem teu amigo lá dentro que tá te falando todos os detalhes, toda vez que você troca de emprego você tá trocando uma coisa que você conhece pelo duvidoso. É sempre duvidoso. Ah, não é porque eu já trabalhei lá, né, cara? Você passou 2 anos, é outra empresa.

É outra empresa. Tu pode pegar referência lá, a hora tu chegar vai ser diferente do que você tinha antes. Então se você tá disposto a mudar é porque tu tá muito insatisfeito com teu trabalho atual, muito insatisfeito. Tu nunca vai estar 100% satisfeito. Eu não tô nem 100% satisfeito com a minha empresa, imagina quem trabalha aqui. Normal, cara, é normal. Tu vai ter que achar lugar que os problemas só aguenta— deixa eu tentar de novo.

Os problemas que tem ali você consegue tolerar e os benefícios te agradam bastante. Tu tem que mensurar isso, que a hora que tu trocar de emprego, cara, vai mudar. Tu acha que tu vai saber tudo? Não, tem alguma coisa que lá vai te desagradar. Claro que algumas coisas básicas a gente até consegue, tipo assim, distância de casa, beleza, faz diferença. Ah, tem um híbrido já de cara, pô, legal. Tem algumas coisas que já ajuda, mas vai ser diferente.

Mas o santo não bate com teu chefe, cara. Seu chefe é maravilhoso e não bate, não dá certo. Então tem que tomar esse cuidado também, né?

MEMaria Eduarda Manerich

Sim, mas algo que até os nossos diretores falam bastante ali é que nós não somos perfeitos como pessoa. Então às vezes a gente espera que a empresa seja perfeita, a gente não vai alcançar isso porque nós não somos, né? Não existe ninguém 100%. Então eu acho que é colocar na balança realmente, ok, né, se tá ferindo seus valores, se tem algo pegando que seja, que você vê que você não se encaixou com a cultura ali, talvez não concorda, enfim, é a distância que seja, mas é colocar realmente na balança tudo isso para ver o que pensar, né, de novo, a médio e longo prazo.

JVJonas Vieira

Sim, outra coisa que também já falei nesse episódio negócio, cara, se tu é jovem, aproveita, fica para aprender o que tem naquela vaga, presta atenção, aí depois tu vê para trocar de setor, porque a gente tem muito tempo para aprender, a gente não vai se aposentar, a gente não vai se aposentar, então tem muito tempo para trabalhar, aprende com calma, porque isso tem valor, cara. E outra, se tu fica mais tempo no lugar, tu começa a conhecer pessoas, é o networking, isso aí vai fazer diferença para você lá na frente, né? Tem isso também.

MEMaria Eduarda Manerich

A Duda falou uma coisa ali do sales, né, do vendedor externo, E eu acho que muita gente também entra no COMEX e já pensa na hora que vai virar o vendedor, né? E eu acho que as pessoas precisam aproveitar onde elas estão, porque tudo vai ser uma base boa, né? Então assim, talvez a pessoa vá ter a oportunidade no futuro de ser vendedor, mas se ela passou pelo operacional, passou pelo price, enfim, isso vai contar muito ponto, isso vai ser muito bom para ela na hora de vender.

JVJonas Vieira

Sim, dá credibilidade, a pessoa entende da operação, entende como funciona os bastidores, é muito melhor assim.

?Voz A

Exatamente. E essa questão também da, a gente estava falando antes, querendo ou não, até de motivação, motivação da pessoa ficar na empresa. Eu já tive também um grande professor que eu tive, falava que a gente só vai conseguir se motivar, e por mais que a empresa não seja perfeita, mas eu vou querer ficar naquela empresa se a gente entende que nós primeiro trabalhamos para nossa carreira através da empresa. E não o contrário.

Então eu tô crescendo na minha carreira naquele ambiente, naquela empresa, eu consigo ser um intraempreendedor, que é o empreender na minha carreira naquele ambiente? Se sim, provavelmente eu vou ficar motivado. Se não, nem o dinheiro vai me segurar.

JVJonas Vieira

Tá, agora uma que eu realmente não sei qual que é a resposta certa. Beleza, fiz a entrevista. Quanto tempo é de bom tom eu perguntar se tem novidades sobre a vaga?

MEMaria Eduarda Manerich

Polêmica, né? Toda pergunta que não quer calar.

JVJonas Vieira

Por onde eu pergunto isso?

MEMaria Eduarda Manerich

É que eu acho que não tem uma resposta certa, na verdade, né? Mas eu não acho ruim perguntar, isso também mostra o interesse da pessoa, né? Mas claro, pelo menos na semana seguinte, né? Não também no dia seguinte ali.

JVJonas Vieira

Uma semana de bom É, eu acho que a partir de uma semana, ok.

MEMaria Eduarda Manerich

Mas às vezes o processo demora mais do que a gente gostaria, né, mais que nós recrutadores gostaríamos, mas porque ou tem muitas entrevistas ou porque— e a gente realmente preza muito por achar a pessoa certa para o lugar certo. Então às vezes não é o— não é rápido esse processo, né? E também como a gente faz em mais de uma etapa, também precisa conciliar as agendas. Então às vezes também é fora do horário de trabalho e precisa conciliar as agendas, fica mais difícil tanto do recrutador quanto com do gestor ali.

Então às vezes demora um pouquinho mais, mas não tem problema perguntar. Mas depois de uma semana ali, acho que é, acho que é ok.

MEMaria Eduarda Manerich

Ou até combinar prazos, né? Por exemplo, ah, quando você acha que que consegue me dar um retorno, eu já costumo avisar nas entrevistas. Eu já, ó, até tal dia eu consigo te dar um retorno, lá pela semana que vem que eu vou conseguir te responder, ou essa é a minha primeira entrevista para essa vaga, talvez o processo demore um pouquinho mais, já para alinhar expectativas ali, né? Mas caso o recrutador não comunique nenhum tipo de prazo, pode perguntar também.

?Voz A

Também sou de uma semana ser um tempo bom e Sendo bem sincero, as empresas falham muito nisso, deixam o candidato muito tempo sem nenhum ponto de contato com a empresa. Então acaba sendo, acho que mais responsabilidade da empresa do que até da pessoa nesse sentido.

JVJonas Vieira

Sim, é o que eu acho bem desagradável, foi vaga que eu consegui no LinkedIn, a pessoa me respondeu no LinkedIn para me candidatar e tal, e depois fiz entrevista, aí vi a LinkedIn e eu mandei mensagem. Esperei uma semana e perguntei, tá, tem novidades? Aí silêncio, nunca mais.

MEMaria Eduarda Manerich

Aí daí eu acho que é falta de respeito até com a pessoa, né?

JVJonas Vieira

Tipo, e aí, eu falo, não falo de novo, ligo lá, o que que eu faço, né? Tipo, fica bem chato isso, né?

?Voz A

É isso mesmo. Até porque se a gente pensar em termos de integração, onboarding e tudo mais, ele começa no momento que você tem o primeiro ponto de contato com a marca empregadora. Então ali já começa o teu processo na empresa. E aí se tem esse espaço, esse distanciamento desde o início, já começa, a pessoa já começa com baixa percepção da empresa.

MEMaria Eduarda Manerich

Eu acho legal alinhar expectativas, como a Duda falou, e às vezes se eu vejo que eu vou demorar um pouco mais, às vezes acontece de um gestor ter uma viagem, alguma coisa assim, então já aviso, né? Ou então se não era o que tava esperado, mas eu entro em contato ali avisando para pessoa, porque também a pessoa fica nessa, né? Manda mensagem, não manda mensagem. Fui desclassificada e não sei, eu tô ainda participando do processo seletivo. Então acho que comunicação é importante.

JVJonas Vieira

E o feedback? Costuma vir um feedback, alguma coisa?

MEMaria Eduarda Manerich

Como a gente usa o site ali, né, então isso facilita muito para gente, porque hoje a gente recebe às vezes mais de 100 currículos para uma vaga. Então não tem como a gente entrar em contato com cada pessoa e dar o feedback ali personalizado. Mas a gente sempre dá o feedback, né, assim, dá o retorno. Feedback não, mas o retorno sim. Se acabou o processo seletivo, né, se a gente fechou com outro candidato. E se a pessoa pergunta também, eu falo ali.

E às vezes acontece até da própria, na própria entrevista ali, eu vejo que não vai por algum motivo, eu já falo isso com a pessoa também, né, para pessoa não sair de lá na expectativa de, ah, acho Acho que eu consegui. Então, e às vezes acontece, muitas vezes acontece, naquele momento para aquela vaga não deu certo e depois eu entro em contato para uma outra vaga e dá certo. A gente tem vários casos assim. Então às vezes só não é o momento por questão de perfil, né, às vezes questão de conhecimento que a gente precisa naquela área, mas Depois de já da experiência, mas também não perder esperança, né?

JVJonas Vieira

Tipo, que não deu certo numa vaga, vocês estão de olho no currículo, né? Às vezes vocês vê que tem potencial para alguma outra oportunidade.

MEMaria Eduarda Manerich

A gente sempre fica ligado assim naqueles que chamam a nossa atenção, que tem um bom perfil realmente, a gente deixa bem guardadinho.

JVJonas Vieira

Entendi.

?Voz A

Eu agora, como headhunter menos, Na empresa eu era mais sincero com as pessoas, no sentido, eu era um pouco mais específico, não mais sincero, mais específico. Agora eu falo que a empresa siga com outro candidato, com outro perfil e fica por isso. Quando a pessoa não tinha o inglês suficiente, falava, o teu nível de inglês não atendeu o que a vaga precisa. Se era do financeiro, precisava ter uma habilidade de Power BI ou Excel, falava, as tuas habilidades não atenderam o que a empresa precisa.

Então eu costumava muito falar isso. Claro, nunca falava que o gestor não gostou do seu perfil, não era assim também.

MEMaria Eduarda Manerich

Não é nem ético.

?Voz A

No sentido de quais habilidades que ela não demonstrou que não atenderam aquela vaga. Isso eu costumava falar.

MEMaria Eduarda Manerich

Ou até questão de pretensão salarial, né? Às vezes, tipo, às vezes também tem a questão da pretensão salarial, que dá certo uma boa parte, mas às vezes chega nessa parte, a empresa não consegue atender a expectativa da pessoa. Então nem sempre são coisas que a gente pode controlar também.

JVJonas Vieira

Verdade. Mais longe possível de zero, era o que eu falava, nunca funcionou. Dava uma risada, aí a pessoa assim, tá, e aí, qual que é a tua pretensão? Não adiantava mesmo. É porque a nossa área não tem, não tem um piso, né? Não tem, tipo, então cada empresa tá praticando uma coisa, tem benefícios diferentes, né? O agenciamento é um, Trading é outro, indústria é outro, então varia bastante na nossa área. Mas até dependendo do desespero da empresa, às vezes estão dispostos a pagar mais e tudo.

?Voz A

É isso mesmo, corre até às vezes um risco jurídico nessa disparidade salarial. Se pegar a diferença do despacho para o agenciamento, tem uma diferença gritante no peso dos salários. E são igualmente importantes, não tem o que é mais importante ali. Para a cadeia logística funcionar, os dois têm que fazer o trabalho bem feito. Só um caso que me veio na mente que eu nunca mais vou esquecer, é uma pergunta só que eu fiz para um Gen Z, um geração Z, que é uma pessoa, já tinha trabalhado antes, era talvez 19 anos, tinha um rapaz na época, e ele veio procurando a empresa porque ele viu na faculdade que a gente tinha plano de carreira na época.

E eu perguntei para ele, primeiro ele começou a falar do plano de carreira, e eu falei, antes de eu te responder, deixa eu perguntar qual que é o plano para tua carreira? Qual que é o teu, o que que você quer? E ele falou, o meu plano é achar uma empresa que tem plano de carreira.

MEMaria Eduarda Manerich

Ok.

?Voz A

Então aquilo me marcou, uma pessoa sem experiência foi até ousado em dar essa resposta. Aí nós dois demos uma risada lá e não contratei ele, tá tudo certo.

JVJonas Vieira

Ele queria terceirizar a carreira dele com a empresa por um tempo então.

MEMaria Eduarda Manerich

Sim.

JVJonas Vieira

Eu tinha uma situação engraçada também nas épocas de estaleiro, Tipo, que aí a pessoa ficou tão nervosa que ela começou a ter soluço. E para eu manter, para eu manter a seriedade, foi muito difícil, cara. Eu era soluço, cara, no meio da entrevista, cara. Nossa, cara, ela ficou muito, muito nervosa, cara, mão suando. Dá para ver, começou, sabe, quando dá as manchas vermelhas assim de nervosismo. E eu ainda falando, cara, relaxa, tá tudo bem, eu tô olhando teu currículo, sei que eu tenho experiência, fica de boa aí.

MEMaria Eduarda Manerich

Gente, coitada da pessoa.

?Voz A

Que dó, que dó.

JVJonas Vieira

Tava muito nervosa, cara. Impressionante assim. Engraçado, né? Tem gente que é muito confiante trabalhando e aí vai para uma entrevista.

?Voz A

E eu já, já, isso não no COMEX, isso antes no Estaleiro também que eu tava, no mesmo que você trabalhou. Olha só, uma pessoa que tinha um nível pequeno de gagueira, na entrevista apareceu demais, demais, demais. Só que a empresa precisava de uma pessoa com muita atenção ao detalhe, revisão de documentos e tudo mais, e a gente apostou na pessoa e deu muito certo. Porque talvez ela compensava a falta de comunicação com outra competência, que era análise de dados, atenção ao detalhe. Então serviu muito bem para aquele cargo.

JVJonas Vieira

Bacana, né? Senão não dá para a gente ficar preso também num defeito, num problema na entrevista, né? Senão às vezes a gente tá deixando passar uma pessoa importante.

MEMaria Eduarda Manerich

É, e tem gente que acha que só os extrovertidos, né, vão conseguir ali uma vaga, mas não, tem espaço para todo mundo, a empresa precisa de diferentes perfis, né? Então é o que a gente comentou ali antes, é ter o jogo de cintura ali para conseguir desenvolver a conversa, porque às vezes é mais difícil quando a pessoa introvertida, mas isso não é um problema, né? E aí tem perfis, tem funções, mas atenta ao detalhe ali que geralmente esses perfis são ideais.

JVJonas Vieira

É bom às vezes ser introvertido, né? Dependendo da função, é bom ficar quieto no canto olhando o computador e conferindo documento, né?

MEMaria Eduarda Manerich

Com certeza. Imagina colocar um comercial, né, um perfil super comunicativo, extrovertido, para fazer uma função assim. Então é também entender o perfil da pessoa e o perfil da função.

JVJonas Vieira

Como é que vocês lidam com essa parte da expectativa salarial para vaga? Tipo, vocês já pedem ali no início? Você já deixa uma noção? Tipo, é que tem gente que não gosta de falar nem a expectativa salarial, porque acho que já vai ser eliminado. Isso é um assunto que vocês acham melhor deixar para entrevista ou é melhor receber já antes da entrevista? É uma questão de opinião, eu acho que de estratégia de cada empresa.

?Voz A

Se a empresa tem uma plataforma, às vezes na plataforma já tem a visibilidade, é mais fácil, aí você já filtra bem. Senão, você está fazendo o hunting ativo da pessoa, vai ter que perguntar. Eu gosto de perguntar não exatamente no começo, só que nos primeiros 15, 20 minutos, porque se a pessoa está com a pretensão muito fora, eu também não vou tirar o tempo dela, não vou tirar o meu tempo para continuar aquela conversa.

MEMaria Eduarda Manerich

Exato. É como a gente tem a nossa plataforma também, então a gente já tem essa pergunta, a pessoa já coloca. Se é algo que tá muito distante, a gente já desclassifica, porque não, a gente vê que não tem como a gente chegar lá, não vai ser atrativo para pessoa. Se está perto, passou um pouquinho, talvez eu chamo a pessoa, entendo com ela antes, aí eu abro para ela aproximadamente, né, para ver se ela tem interesse. Interesse, porque senão é perda de tempo, né?

A gente acaba às vezes passando uma hora ali com a pessoa e chega no final e é algo muito, muito distante. Claro, às vezes a gente, para aquela vaga não dá, mas aí tem outra vaga ali em mente que, ok, talvez aquele salário para aquela outra vaga faça mais sentido, né? Mas de maneira geral, a gente tem esse funil já no início também.

JVJonas Vieira

O que eu acho que é meio comunicação é tipo assim, a pessoa tá ganhando X, e aí tipo é uma coisa que vocês facilmente conseguem descobrir depois contratar a pessoa. Aí ela falou X vezes 3, tá? Pera aí, Alecrim Dourado, tu é isso tudo mesmo que tu quer? X vezes 3?

MEMaria Eduarda Manerich

É, a transparência é extremamente importante. Sim, a gente pode pegar essas mentiras depois, fica chato, né? E quanto mais transparente, melhor. Olha, a minha pretensão é tal, hoje eu ganho X, não pode ser menos que isso. Ou eu tô disposta a negociar porque onde eu tô, eu tô com um bom salário, mas não tô tão feliz, tô disposta a negociar, posso ir entre tanto e tanto. Acho que é transparência, você ser o mais transparente possível com o recrutador é melhor, porque daí a gente realmente consegue ser assertivo para não chegar a caminhar todas as etapas do processo Aí na hora de mandar a carta proposta, ah, mas esse não dá para mim, esse salário eu não aceito. E foi todo tempo de todo mundo em vão, né?

JVJonas Vieira

Sim, tipo, tem muita gente que reclama no LinkedIn, fala, pô, o pessoal não fala qual que é o valor da vaga. Mas é que assim, vai depender da tua experiência, vai depender do teu tempo naquele cargo, da tua postura. Então tipo, a empresa tem aquele valor dela, mas eu tenho o valor a trabalhar cruzando a tua experiência também. E assim como você, a tua proteção salarial também varia, né?

MEMaria Eduarda Manerich

Às vezes o cargo era júnior inicialmente, mas a pessoa é sênior e a gente viu, poxa, né, é difícil de encontrar. Encontrou, às vezes o cargo vai mudar para sênior, a pessoa vai entrar como sênior. Então é difícil a gente passar exatamente um valor também por conta disso, que é bem adaptável. Ou a gente buscava alguém sênior, mas a gente viu que pode ser pleno, pode ser júnior. No meio do caminho do processo, a gente vai adaptando também. Então não dá para trabalhar assim com valores exatos, exatos, é muito—

JVJonas Vieira

Eu acho legal falar isso. Qual que é a tua situação atual? Como a Duda disse, tipo, não, eu tô feliz onde eu tô. Então, tipo assim, para eu sair daqui teria que ser uma proposta financeira bem atraente. Ah não, aí a pessoa não vai falar eu odeio onde eu tô, eu vou para qualquer coisa, eu vou por qualquer valor para ir. Tipo, não, também não. Né, mas deixa claro, né, cara. Não, eu acabei de me mudar de emprego, não acho nem legal sair agora.

Tipo, até emendando, né, como tu dizer educadamente que você não tá interessado na vaga, né? Tipo, tu meteu um vezes 3 a troco de nada, pô, isso só arrogante, né? Então fala real, né? Tipo, às vezes falar real, tu nem precisa falar teu salário, né?

?Voz A

É isso aí, exato. E Tem gente que chuta e dá certo. Lembrei de uma situação que aconteceu lá na última empresa, que um agente de carga americano abordou um rapaz, ele trabalhava no financeiro internacional também. E já é difícil agente de gente para o financeiro que fala inglês. Então quando sai alguém dessa equipe, a gente fica: Minha nossa, quanto tempo vou demorar para fechar essa vaga? Mais ou menos assim. E o guri era muito bom, talentoso realmente.

Guri novinho, muito bom com automação, com inteligência artificial. Para ter noção, ele automatizou o que ele fazia e uma parte da descrição de cargo dele teve que ser modificada porque não tinha mais função na empresa. Então ele era muito diferenciado e ele ganhava talvez uns R$4.000 na época CLT. E um agente de carga americano entrou em contato com ele de Miami oferecendo contrato PJ e tudo mais. Ele jogou lá para cima mais de 3 vezes o que ele ganhava e aceitaram.

JVJonas Vieira

E aí ele chegou, caramba, devia ter falado 6 vezes.

?Voz A

E ele gostava da empresa que ele trabalhava. Daí ele chegou para mim e falou, aconteceu isso, eu joguei o valor, eles aceitaram. Eu falei, cara, sinceramente eu fico feliz por ti, fico triste que você tá saindo agora. Olha o tamanho dessa proposta que você recebeu nessa idade, cara, vai, nem pensa duas vezes. Então tem gente que merece também, né?

JVJonas Vieira

Sim, tem gente que merece, cara. Vai fazer o quê? Às vezes é competente e às vezes a gente dá sorte na vida também, né?

?Voz A

Isso, exato. Tá no lugar certo, veio a proposta certa e é isso aí.

MEMaria Eduarda Manerich

Ou também para cargos de gestão, né? A pessoa tem um super potencial ali para gestão, mas no momento eu não vou ter uma vaga tão cedo por questão de estrutura, enfim, né? Mas a pessoa participou de algum outro processo e passou. Poxa, eu vou ficar feliz em ver ela sendo promovida, trilhando o caminho de gestão, né? E talvez não seja na nossa empresa, então faz parte. E quando a pessoa realmente é boa, merece, a gente fica, a gente torce junto, a gente fica feliz.

JVJonas Vieira

Uma coisa que não é tão comum no comércio exterior, que é freelancer. Freelancer, né? Na minha área de marketing de comunicação tem mais freelancer. E aí às vezes isso é um problema para nós, porque tipo assim, ah, vou contratar um videomaker freelancer. E já entrevistei gente não nessa área que fala assim, meu, eu quero, eu não aguento mais ter que lidar com cliente, eu quero voltar a ser CLT. E aí porque, ah, tem que lidar com cliente, dá muito trabalho, tá?

Eu quero, não quero só fazer o meu trabalho aqui, aí o atendimento que lida com cliente, beleza. Aí eu falo assim, tá, mas qual que é a tua proteção salarial? Ah, eu quero continuar ganhando o mesmo que eu ganho sendo freelancer. Aí eu quero, tipo, sei lá, era vezes 3 da minha vaga. Eu falei, então, amigo, se tu quer se incomodar menos, tu vai vir para o CLT, a expectativa salarial é menor, né? Se tu quer continuar ganhando isso aqui tudo, tu vai continuar se ferrando, lidando com cliente ruim e tudo mais, que é isso que eu faço aqui na empresa.

Tu tem que ter essa noção também. Ah, tu quer deixar de ser freelancer? Freelancer tem o quê? Tem risco, Tem encheção de saco, tem que, vai ter que cuidar do próprio computador, tem muitos outros problemas que você trabalhando aqui CLT, quem vai cuidar do teu computador sou eu, quem vai pagar o aluguel aqui sou eu, quem vai lidar com o cliente é o atendimento e eu, não você, né? Então tipo esse bom senso também não é tão comum no comercial que ter freela no comercial não tem, né?

Acho que é inexistente. Acho que não. Faça uma consultoria, mas normalmente o cara já tem uma empresa formada, né?

?Voz A

Exato, um contrato temporário de consultoria pode ser, agora freelancer eu não vi até agora, Pelo menos.

JVJonas Vieira

Até contrato temporário já é mais raro, né? Pelo menos eu não lembro ter visto tanto assim, tipo, contratar temporário, a não ser que—

?Voz A

Eu já vi para alta gestão, quando é um trabalho, por exemplo, um agente de carga que ele não é especialista em projetos e contrata uma pessoa que ganha muito dinheiro, mas que já desenvolveu agentes de carga, já cresceu agente de carga na parte de projetos, montou aquele setor e saiu. Era isso que ele tinha que fazer na empresa.

JVJonas Vieira

Foi quase uma consultoria mesmo. Então é isso aí, encerramos. Gostou do episódio? Lembra de comentar aqui, manda para alguém, faz a diferença isso para nós, ajuda o episódio mais longe. Se tu quiser comentar, mandar alguma pergunta, deixa aqui também. Quem sabe a gente responda depois, ou a gente entra em contato no privado para te ajudar também, trocar uma ideia. Então é isso, trabalhos encerrados. Muito obrigado a cada um de vocês e até a próxima. Tchau, tchau!

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