Episódios de Conversa Intrusiva

não se perca no processo apenas almejando o sucesso

12 de agosto de 202640min
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Como ser jovem e não viver pela ambição de ter tudo, ainda mais quando podemos experienciar a vida do outro pela internet?

Que nós passamos pelos vinte anos competindo em uma corrida com nós mesmos, todo mundo já sabe, mas como fica esse comportamento quando é catalisado por uma integração da nossa vida? Nos últimos dias percebi que algumas realizações das nossas vidas estão passando despercebidas por nós mesmos, isso porque a ansiedade de viver conquistas futuras, que já são características de qualquer jovem, começaram a colidar com o mundo infinito de possibilidades que a globalização digital vêm inserindo na nossa rotina de forma sorrateira.

Toda a nossa vida hoje em dia gira em torno da internet, desde os nossos trabalhos até a manutenção de relações extremamente complexas, como as parentais. Mas isso não começou assim e os reflexos ficaram na nossa sociedade: nosso entretenimento codepende da existência virtual.

É a foto no show que você sempre quis ir, o texto sobre o relacionamento perfeito que você está vivendo ou aquele TikTok/Reels portando a bola do jogo da semifinal da Copa do Mundo que você passou anos trabalhando para chegar ali. Mas a pergunta que fica é: e quem está do outro lado da tela, como se sente?

Nossas vivências estão começando a coexistir com as das pessoas que nós acompanhamos nas redes sociais, e o resultado disso fica explícito quando percebemos que nossas conquistas estão sendo maquiadas com a falsa sensação de já termos vivido o que é novo para a gente através do que já foi para quem vimos na internet.

Em complemento a isso, nunca nossas vitórias estiveram tão atreladas à exposição delas para uma rede de pessoas quanto agora. Eu sinto que sentimos a necessidade de compartilhar tudo o que vivemos não para a contribuir com a hiperexposição das coisas ou para alimentar um ego "esfregando" conquistas na cara dos outros, mas sim para que possamos nos sentir bem com nós mesmos por ter conquistado aquilo, como se fosse a forma de agradecer o que conquistamos e mostrar para quem a gente gosta.

Mas a parassocialidade não existe mais só com aquele artista favorito que você gosta de acompanhar os passos e sente que é um amigo próximo, mas sim com qualquer um que exerça um papel de influência sobre você que muitas vezes está atrelado à simples existência da fama. Por isso a sensação de normalidade quando conquistamos algo que já vimos outra pessoa conquistar nos inunda com sua presença e só depois, quando aquele momento já passou, nós sentimos que deveríamos ter vivido aquilo com mais intensidade. Mas aí já não tem mais volta, o tempo passou e a oportunidade foi aproveitada apenas nos limites que você impôs enquanto ela estava no seu controle.

No episódio dessa semana do 'Conversa Intrusiva', quis trazer um pouco dessa vivência que eu não estou alheio, honestamente estou tão imerso quanto qualquer um, mas acredito que é analisando, pensando e entendendo o que estamos vivendo que voltamos a tomar as rédeas de nossas próprias vidas.

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