Episódios de Conversa Intrusiva

o silêncio depois de aceitar algo que você nunca quis

07 de agosto de 202633min
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Inevitavelmente vivemos os anos mais dolorosos de nossas vidas durante os vinte anos de idade. Não por experiências negativas de fato, mas sim pelo processo de aprender que é impraticável sem a dor.

Amores não correspondidos, lidar com a rotina de um primeiro emprego, aprender a declarar o próprio imposto de renda e até amizades que acompanharam a gente a vida toda e, reciprocamente, não fazem mais parte do nosso cotidiano. 

Tudo isso é aprendizado, mesmo marcado por uma dor, seja ela do incômodo ou da indiferença, é necessário passar pela experiência para amadurecer e crescer.

Estar nos 20 anos é como entrar com um corte exposto em um tanque de tubarões: a todo momento você vai estar lidando com algo tirando um pedaço de você, da sua atenção, energia ou crença. Você é colocado em dúvida por si mesmo, não entende o que é evolução ou retrocesso, o que quer ou deixa de querer e, do nada, quando menos espera, você dá de cara com a necessidade de se ausentar da sua própria vida.

Se ausentar da sua própria vida não é deixar as coisas acontecerem sem sua interferência, é sobre deixar que aquele momento perpasse por você sem que você necessariamente deposite energia naquilo, porque tem mais coisa pra cuidar, você tem a si mesmo para tomar de conta.

Muitas vezes é difícil, no auge da juventude, você ser praticamente obrigado a parar o cotidiano com a energia do “fazer acontecer” e adotar um ritmo do “olhe para você”. É geral, acontece na faculdade, no trabalho e, por mais que não seja o que eu foquei em expressar nesse episódio, dentro dos nossos relacionamentos amorosos. 

Amar é difícil, é complexo e além de lidar com a gente, passamos a lidar com o outro. Por mais que haja paixão e sentimento, que trazem uma base sólida para se firmar na hora de arriscar, a “pista está salgada”, então é muito difícil confiar em alguém, reduzir expectativas e ações a um like no story do Instagram e mesmo assim passar pelo processo de um término que você não escolheu viver.

Nesse episódio trago um caso pessoal com uma narrativa detalhada afim de generalizar a situação e tirar um aprendizado disso, afinal, a vida é sobre esse movimento: nós seguimos no meio da dor, num breu caótico e só depois que enxergamos a luz no fim do túnel, entendemos as nossas ações e começamos a nos perdoar por ter sentido toda aquela dor. É como um término que você não quer sair, que você fica remoendo e depois entende que não te cabia ali.

A conversa intrusiva de hoje é justamente sobre essas coisas que não escolhemos, mas elas escolhem a gente, assim como o nome do nosso podcast que chegou do nada e ficou. 

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