O Olhar do CFO #50: A conta do clima já chegou, ela só não veio com esse nome
Pergunte hoje ao seu controller quanto a sua empresa gastou com clima no ano passado. Ele vai abrir a planilha, rolar até o fim e dizer a verdade: não existe essa linha.
E ele estará certo. Não há rubrica chamada clima em plano de contas nenhum. O que existe é energia elétrica, prêmio de seguro, frete, manutenção, perda de estoque, parada não programada, despesa financeira. O clima não emite nota fiscal, e por isso nunca aparece na contabilidade com o próprio nome.
Neste episódio, parto de dois fatos deste ano para mostrar o tamanho desse ponto cego. A pesquisa da CNI que revela a energia como principal insumo de 79% das indústrias brasileiras, e a decisão da CVM que revogou a obrigatoriedade do relatório de sustentabilidade e clima para companhias abertas, deslocando o tema do dever de relatar para o dever de explicar.
Proponho uma auditoria reversa: em vez de perguntar qual é a nossa pegada de carbono, perguntar em que linhas do nosso resultado o clima já aparece, e sob que nome. Porque uma empresa que não sabe onde paga pelo clima não controla a própria margem. Isso não é performance, é sorte com aparência de gestão. E sorte não é projeto.
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