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O Corpo Limpo: Construção Social e Saúde da Depilação Feminina

29 de junho de 202619min
0:00 / 19:43

Neste Podcast iremos falar sobre: A depilação feminina sob diversas perspectivas, desde a trajetória profissional de quem executa o serviço até as implicações socioculturais e de saúde. O estudo acadêmico investiga a transição da informalidade para o registro como microempreendedor, destacando a construção social do ideal de "corpo limpo" e a evolução histórica dessas técnicas. Paralelamente, os textos jornalísticos discutem como a remoção de pelos reflete o questionamento ao machismo e às pressões estéticas contemporâneas. Especialistas em saúde também ponderam que, embora a depilação seja uma escolha pessoal, ela não é um requisito para a higiene íntima e pode causar microlesões na pele. Em conjunto, o material oferece um panorama sobre como a estética corporal feminina é moldada por tradições históricas, demandas de mercado e preocupações com o bem-estar físico.

Participantes neste episódio3
S

Speaker A

Host
S

Speaker C

Co-host
S

Speaker B

AnuncioJornalista
Assuntos4
  • Empoderamento FemininoDepilação no Egito Antigo e Idade Média · Silotre · Controle social e moralidade · Patti Smith · Brazilian Wax · Antropologia da dor · Rito de purificação
  • Controle SocialLiminaridade e rito de passagem · Bullying e humilhação pública · Pressão estética digital · Recusa do envelhecimento · Autopoliciamento e panóptico · Sensação psicológica de limpeza
  • Impactos na SaudePelo pubiano e higiene · Função evolutiva do pelo · Microlesões na pele · Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) · Microbiota da pele · Recomendação médica: aparar vs. arrancar
  • Mercado de TrabalhoSegunda Guerra Mundial e fábricas · Pressão estética e emprego · Movimentos feministas dos anos 60 e 70 · Microempreendedor Individual (MEI) · Precarização do trabalho da depiladora · Exposição a produtos químicos
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?Voz A

Fuck stories que o som não conta, mas o corpo entende. She sabia. Próximo episódio começa agora.

?Voz B

Este podcast é um patrocínio da Silva Music Records, onde nascem música com alma, propósito e potência.

?Voz C

Sabe, geralmente quando a gente pensa num conceito básico como higiene, tem aquela expectativa de precisão matemática, né?

?Voz A

Aham, aquela coisa bem preto no branco.

?Voz C

Exato, tipo lavar as mãos com sabão quebra a membrana de gordura da bactéria e pronto, limpou. Escovar o dente com flúor ou prevenir cárie. É super binário, sabe? 1 1 2. Tá sujo ou tá limpo? E essa previsibilidade biológica costuma dar um conforto enorme pra gente.

?Voz A

Dá mesmo. Mas olha, basta esse assunto cruzar a fronteira pros padrões estéticos do corpo feminino que essa lógica matemática impecável simplesmente desmorona.

?Voz C

Nossa, vira uma bagunça, né?

?Voz A

Totalmente. A água fica completamente turva. O que deveria ser ciência pura ali acaba se misturando muito rápido com moralidade, com cultura, controle social.

?Voz C

E é exatamente esse território nebuloso que a gente vai destrinchar no Mergulho Profundo de hoje. A gente tem duas fontes riquíssimas aqui na mesa pra entender a história e os abalos médicos dessa cultura da depilação feminina.

?Voz A

Duas fontes bem pesadas, inclusive.

?Voz C

Muito. A primeira é uma monografia antropológica de 2019 da Universidade Federal de Santa Maria Ela detalha bem a construção social do corpo e a rotina daquelas trabalhadoras que são quase invisíveis: as depiladoras.

?Voz A

E a segunda fonte é pra dar aquele choque de realidade médico, né? É uma reportagem investigativa do portal G1, lá de dezembro de 2025, que foca puramente no impacto físico que remover esses pelos causa no organismo.

?Voz C

É, e antes da gente entrar de cabeça nisso, vale dar um aviso rápido pra quem tá ouvindo a gente: esses materiais esbarram muito em movimentos sociais e políticos, né? Tipo o feminismo dos anos 60 e 70.

?Voz A

Inevitável quando se fala Aula de História do Corpo.

?Voz C

Com certeza! Mas a nossa regra aqui é clara: a gente não tá aqui pra tomar partido ou levantar bandeira de ninguém. A nossa missão é relatar de forma imparcial o que tá nos textos.

?Voz A

Exatamente! O foco é entender como uma coisa que começou como um segredo perigoso lá na Idade Média virou essa indústria bilionária de hoje.

?Voz C

E que, paradoxalmente, virou um risco silencioso pra saúde. Então, vamos lá! A monografia antropológica já começa jogando a gente lá pro passado, né?

?Voz A

Sim, porque a manipulação do corpo nunca acontece do nada. Ela sempre foi uma ferramenta para controlar quem ocupa qual espaço. E claro, já existia depilação no Egito antigo, a Cleópatra já usava cera, os povos indígenas também.

?Voz C

Mas o texto aponta um momento de ruptura bem tenso na Europa medieval, certo?

?Voz A

Exato. Lá pelo século XIII, em Salerno, na Itália. As mulheres daquela época passavam umas pras outras, no maior sigilo do mundo, receitas de um negócio chamado "silotre".

?Voz C

Silhuître. O que era isso?

?Voz A

Era tipo uma cera bem primitiva e super abrasiva que elas tinham que ferver em panelas. Só que pensa na mentalidade da época. Era uma sociedade teocêntrica, dominada pela igreja. O corpo feminino era sempre associado a Eva, ao pecado.

?Voz C

Caramba! Então ferver ingrediente escondida pra mudar a pele...

?Voz A

Não era skincare, né?

?Voz C

Imagina! Devia ser visto como vaidade extrema ou luxúria.

?Voz A

Ou bruxaria. A punição podia ser terrível, era uma transgressão muito séria.

?Voz C

Nossa, e o mais irônico é que isso só foi se popularizar não porque a sociedade ficou boazinha ou compreensiva, mas por causa de fábrica, né? A Segunda Guerra Mundial.

?Voz A

A grande virada: os homens vão pro front e as mulheres são chamadas pra operar as máquinas pesadas nas fábricas. E aí o cenário muda de figura.

?Voz C

Porque pensa bem, chão de fábrica quente, motor rodando, sem ventilação, e elas usavam vestidos fechados com mangas longas.

?Voz A

Sim, um risco gigante de acidente, além de ser sufocante. A solução da indústria foi arrancar as mangas dos vestidos. Só que aí esbarrou em outro problema.

?Voz C

O pelo na axila?

?Voz A

Exatamente. Nos anos 1940, o pelo na axila feminina era visto como algo altamente erótico. Era quase um tabu mostrar.

?Voz B

Aham.

?Voz A

Então, pra mulher não ser acusada de distrair os chefes ou os colegas, A depilação virou regra. Era a única forma de continuar sendo vista como uma moça de família e manter o emprego.

?Voz C

Sabe o que isso me lembra? É muito louco. Lembra a forma como a gente inventa regras corporativas hoje em dia pra controlar a estética. Sabe aquela desculpa "higiênica" ou de "decência"?

?Voz A

Aham, sei bem.

?Voz C

Parece que exigir a depilação nas fábricas não tinha nada a ver com decência real. Foi o primeiro grande pedágio estético moderno. Tipo: "Vocês podem entrar no espaço masculino, mas a gente vai higienizar e controlar o corpo de vocês primeiro." O que é fascinante aqui é que essa leitura bate perfeitamente com a fonte antropológica.

?Voz A

O controle físico sempre vem antes do controle social. E isso gerou uma revolta depois.

?Voz C

Nos anos 60 e 70, né?

?Voz A

Isso. O movimento hippie e as feministas bateram de frente com essa regra. O texto até cita a capa daquele álbum da Patti Smith, o Easter, de 78.

?Voz C

Ah, clássica! Ela aparece com os braços levantados mostrando as axilas sem depilar.

?Voz A

Foi um manifesto claro dizendo: "Olha, o pelo no lugar biológico dele não é sujo".

?Voz C

Mas, ironicamente, por mais forte que tenha sido esse manifesto, a indústria engoliu isso rápido. Nos anos 80, a coisa mudou de andar.

?Voz A

E como mudou! A moda praia encolheu, os biquínis ficaram super cavados, E aquela mesma paranoia da axila desceu direto pra região íntima.

?Voz C

Aqui é que a coisa fica realmente interessante, porque a estética roubou o vocabulário da medicina. Não ter pelo deixou de ser moda e virou sinônimo de limpeza. E aí nasceu a famosa Brazilian Wax.

?Voz A

A remoção total dos pelos. E a monografia traz uma cena ótima sobre o choque cultural disso no mundo usando a série Sex in the City.

?Voz C

Nossa, aquele episódio do início dos anos 2000. A Samanta faz a depilação e fica chocada. Ela fala que as brasileiras fazem as mulheres cometerem loucuras.

?Voz A

É, porque o que pra gente já tava normalizado, lá fora parecia tortura voluntária. E o pesquisador do texto usa um antropólogo francês, o David Lebreton, pra explicar isso.

?Voz C

A antropologia da dor, certo?

?Voz A

Exato. O Lebreton diz que a dor é um idioma cultural. Porque, vamos ser sinceros, jogar cera quente, quase fervendo, numa área super fina e cheia de nervo e depois arrancar a pele junto?

?Voz C

É de revirar o estômago. Biologicamente, é bizarro.

?Voz A

As próprias entrevistadas da pesquisa chamam isso de tortura paralisante.

?Voz C

E aí vem a minha dúvida existencial: como que o cérebro humano aceita pagar pra sofrer todo mês? Porque biologicamente a gente foge da dor.

?Voz A

É um cálculo mental bem cruel. A mulher aprende a pesar as coisas. De um lado, tem o trauma da cera e o constrangimento de ficar nua na frente de uma estranha. Do outro lado, o prêmio social.

?Voz C

O tal do corpo limpo.

?Voz A

O alívio de se encaixar. A dor da cera virou literalmente um rito de purificação.

?Voz C

Mas olha que loucura, a gente associou o corpo adulto natural a um estado de sujeira constante. E elas pagam pra sofrer e voltar a ter uma pele que lembra muito o estado infantil, sem pelos.

?Voz A

É a normalização de uma lavagem cerebral cultural muito forte.

?Voz C

Com certeza. E esse ritual de sofrimento precisa de um guia, né? O foco do texto muda aí. Vai pra pessoa que puxa a cera.

?Voz A

A depiladora. A trabalhadora invisível ali na maca.

?Voz C

Ela é muito mais que uma esteticista. Lendo o texto da UFSM, fica claro que a sala dela é tipo um confessionário moderno.

?Voz A

Sim, porque ela precisa distrair a cliente. Se a cliente ficar tensa com a dor, o músculo trava e a cera machuca muito mais. Então a depiladora conversa, ouve choro, dá conselho de amor, de trabalho.

?Voz C

E a vulnerabilidade física da pessoa deitada sem roupa acaba quebrando os escudos emocionais. Só que o texto revela a realidade dessa profissional. E é pesado.

?Voz A

Se conectarmos isso ao quadro geral da economia do Brasil, a gente vê a criação do MEI em 2009.

?Voz C

O microempreendedor individual.

?Voz A

Que, em teoria, ia dar CNPJ e segurança pra elas. Mas a monografia "Iscan Kara: A Precarização Oculta". A gente tá falando de jornadas de 10, 12 horas em pé, curvadas na maca.

?Voz C

Uma ergonomia que destrói a coluna.

?Voz A

Destrói. E não é só isso. Tem o ambiente. A maioria divide espaço no fundo de salões de beleza apertados.

?Voz C

Ah, peraí, junto com as cabeleireiras?

?Voz A

Exatamente, no mesmo ambiente. E as cabeleireiras usam formol nas escovas progressivas, por exemplo.

?Voz C

Nossa, então as depiladoras inalam aquela fumaça tóxica o dia inteiro.

?Voz A

O dia inteiro. O estudo relata problemas respiratórios gravíssimos, alergias de pele, enxaqueca constante. E sem rede de apoio. Se ela ficar doente, não tem salário.

?Voz C

E aquela romantização pesada. A gente chama de microempreendedora pra fingir que é empoderamento, mas na real é falta de opção pra sustentar a família. Elas absorvem dor nas costas, formol e instabilidade financeira só pra entregar o mito do corpo limpo.

?Voz A

E aí a gente entra na parte mais chocante de todas.

?Voz C

O balde de água fria da reportagem médica de 2025.

?Voz A

Isso. A gente viu mulher sofrendo na maca, depiladora adoecendo, tudo em nome da higiene. Aí vem o G1 e mostra o que os médicos dizem. E o consenso é absoluto.

?Voz C

Pelo pubiano, não é sujeira.

?Voz A

Nenhuma sujeira. Ele tá lá por um motivo evolutivo fortíssimo. Primeiro, Primeiro, para reduzir o atrito mecânico. Pensa na calça jeans apertada, no tecido sintético. O pelo funciona como um amortecedor.

?Voz C

Faz todo sentido. A gente gasta energia biológica para criar o pelo, não faria sentido ele ser inútil.

?Voz A

Nenhuma! E segundo, ele é uma barreira parcial contra a entrada de microrganismos direto na mucosa. É uma grade de proteção.

?Voz C

Olha, é como se a gente arrancasse a cerca de segurança da nossa casa por achar que o design da grade é feio e depois a gente ficasse chocado que tem cachorro de rua invadindo o quintal e espalhando lixo.

?Voz A

Essa metáfora da cerca de segurança é perfeita. Isso levanta uma questão importante, porque quando você depila com cera ou lâmina rente, você causa microlesões.

?Voz C

Machuca a pele, né?

?Voz A

Colite, abscesso. Mas o G1 trouxe um estudo ainda mais assustador com 7.500 pessoas adultas.

?Voz C

Ah, o estudo das ISTs, das infecções sexualmente transmissíveis. Sim. O estudo provou que tirar todo o pelo abre caminho direto pro HPV, pra herpes, durante o contato pele a pele no sexo.

?Voz A

Peraí, só pra deixar claro, não é o pelo que tem o vírus, certo?

?Voz C

Não, de jeito nenhum. A questão é que as microlesões da lâmina ou da cera deixam a porta escancarada pro vírus que tá na pele da outra pessoa entrar. A recomendação médica é muito clara: é melhor aparar com máquina ou tesoura do que arrancar tudo.

?Voz A

Infinitamente mais seguro. E sobre o mito do cheiro ruim?

?Voz C

Muita gente diz que depila porque senão fica com odor, né? Acha que a flora vaginal é afetada.

?Voz A

A depilação externa não altera em nada a flora vaginal, que fica lá dentro. Ela se limpa sozinha. O que muda temporariamente é a microbiota da pele de fora, da vulva. Você tira o pelo, machuca a pele, as bactérias boas morrem E isso pode gerar uma flutuação de odor por uns dias.

?Voz C

Então o próprio ato de tentar se limpar desequilibra a pele e dá a falsa sensação de sujeira.

?Voz A

O corpo só tá tentando se reequilibrar pelo trauma que sofreu.

?Voz C

É insano. Se a depilação dói, destrói a coluna de quem trabalha, custa caro e a medicina diz que machuca a pele e facilita infecção por IST, por que a agenda das depiladoras continua lotada?

?Voz A

É a grande pergunta, né? A resposta tá na pressão enraizada. O G1 fala do impacto da pornografia e das redes sociais.

?Voz C

Criando aquele padrão "livre", impossível, né? Mas então, o que tudo isso significa na prática, no dia a dia da mulher comum?

?Voz A

Significa que a coisa começa cedo. E o texto antropológico puxa um conceito do autor Roberto da Mata, que é a liminaridade.

?Voz C

Que seria aquela passagem de uma fase da vida pra outra. Certo?

?Voz A

Exato, o rito de passagem. Essa transição acontece lá pelos 10 a 15 anos de idade das meninas. E o gatilho quase sempre é dor psicológica.

?Voz C

Bullying.

?Voz A

Bullying pesado. Na escola, nos esportes, a menina descobre que se deixar o corpo natural, ela vira alvo de humilhação pública. E as mães levam elas pra primeira sessão de cera quase como num resgate social.

?Voz C

Nossa, então o ciclo já nasce do trauma. Começa com o medo do ridículo na infância, aí na fase adulta vira aquela pressão pra performar na cama, pra agradar parceiro de acordo com a estética digital. Mas a coisa não para aí, né? As fontes mostram que vai até o fim da vida.

?Voz A

A esteira nunca desliga. Tem mulheres na menopausa sofrendo com dor absurda pra arrancar pelo íntimo só porque eles ficaram brancos.

?Voz C

É uma recusa do envelhecimento, né? Esconder a própria idade a qualquer custo.

?Voz A

E tem um caso na monografia que é muito emblemático. Uma mulher de meia-idade que se declara assexuada. Ela não tem parceiro, não quer ter, não está tentando impressionar ninguém romanticamente.

?Voz C

E mesmo assim ela se depila.

?Voz A

Religiosamente. Ela conta que paga pra fazer a Brazilian wax todo mês só pela sensação psicológica de limpeza. Isso prova como o sistema entra na cabeça da pessoa. Não é mais só pra agradar Aprenda a dar homem.

?Voz C

Sabe, o panóptico é tão perfeito que os vigias não são mais os gerentes da fábrica ou a sociedade impondo regras na cara dura. As próprias mulheres estão policiando os próprios reflexos no espelho. A sensação de limpeza que a moça assexuada sente não é biológica, é social.

?Voz A

É o ápice do controle. A punição se tornou interna.

?Voz C

Bom, a jornada de hoje foi um daqueles sacodes, né? Pra quem tá ouvindo a gente, olha só de onde saímos. Fomos lá das receitas medievais sendo fervidas escondido em Salerno, passamos pelas operárias da Segunda Guerra que foram obrigadas a tirar as mangas do vestido e chegamos na maca da depiladora brasileira de hoje, exausta, inalando química em salão de beleza.

?Voz A

E culminamos no consultório médico, onde tudo isso é desmentido.

?Voz C

Sim, vimos o quanto aquele conceito de higiene que eu falei lá no começo, que parecia tão cristalino e matemático foi totalmente distorcido. A gente normalizou dores cruciantes e ignorou riscos de STs reais e microlesões para alcançar um padrão estético que é, no fundo, uma invenção.

?Voz A

Se a gente parar pra pensar nisso, e essa é uma reflexão que eu acho muito válida pra todo mundo levar dessa conversa.

?Voz B

Manda!

?Voz A

Se no passado o pelo feminino foi considerado algo tão intensamente erótico e perigoso que a sociedade achou por bem esconder ou arrancar nas fábricas. E hoje a pressão estética da pornografia exige um corpo liso, que é quase infantil. Fica a pergunta: em que momento da história a sociedade vai finalmente respirar fundo e permitir que o corpo biológico natural seja apenas isso, um corpo?

?Voz C

Nossa!

?Voz A

É, um corpo livre de pesos morais, higiênicos ou sexuais em cima de funções biológicas de defesa tão básicas.

?Voz C

É uma provocação e tanto. Fica esse questionamento para quem nos acompanhou até aqui. É um assunto denso que mexe com a nossa percepção diária de nós mesmos, mas que precisava ser dissecado.

?Voz A

Com certeza, tem muita coisa para digerir.

?Voz C

E é isso, gente. Muito obrigado pela companhia em mais uma investigação profunda das nossas fontes de hoje. Um abraço e até o nosso próximo mergulho.

?Voz B

Silva Music Records é uma produtora musical independente dedicada a transformar ideias em obras sonoras marcantes. Nascida com a missão de revelar talentos, impulsionar artistas e entregar produções com identidade própria, a Silva Music Records combina criatividade, sensibilidade e tecnologia de ponta para criar música músicas que emocionam, conectam e deixam marca. Com catálogo em constante expansão que inclui pop, EDM, house, bossa nova, rock, R&B e fusões modernas, a produtora se destaca pela versatilidade e pela busca incansável por qualidade.

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?Voz A

You see, you've heard oxta shi, sabia? Até o próximo episódio, se o coração deixar.

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Silva Music Records

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