ep22 - E viveram felizes para sempre?
Felicidade é algo que se tem? Ela é alcançada? Obtida? Atingida? Nesse episódio Murilo Campos e Regina Oliveira constroem conhecimentos com a gente falando sobre experiência e maturidade emocional verdadeiro de estar feliz (e muitas outros sentimentos mais) convivendo com erros e acertos.
Escute, reflita e não esquece de seguir para os próximos :)
Host: Carolina Koury
Convidados: Murilo Campos e Regina Oliveira
- A busca pela felicidade e a ilusão do 'felizes para sempre'felicidade como ativação diária·felicidade é subjetiva e individual·felicidade não é ausência de problemas
- A importância do autoconhecimento e da terapia para lidar com as emoçõesidentificar outras emoções além de felicidade e tristeza·repertório emocional para lidar com desafios·terapia como ferramenta de autoconhecimento
- A cultura organizacional ideal não é aquela onde todos estão felizesevolução através do questionamento·não individualizar a culpa da infelicidade·diversidade de necessidades e backgrounds
- A influência do contexto social e cultural na percepção da felicidadeexigências sociais de produtividade·contexto político-econômico e felicidade·cultura organizacional e felicidade
- O dilema entre agradar os outros e manter a autenticidade no trabalhoanular-se para agradar os outros·riscos de ir contra os próprios valores·falar 'não' como ato de autenticidade
Oi pessoal, bem-vindos ao Design da Liderança. Hoje eu tô aqui com dois convidados incríveis que vocês já conhecem. Temos aí um episódio falando sobre cansaço e um episódio falando sobre comunicação, que eles são os nossos personagens principais. Tô aqui com Murilo Campos e com a Regina Oliveira, e o nosso tema de hoje é um tema muito especial que a gente vai falar sobre felicidade, que é um tema que abarca muito dos dois, porque Murilo falando muito sobre transformação cultural, digital, digital.
E Regina é a rainha do tema quando a gente fala sobre cultura e comunicação também. Sejam muito bem-vindos, pessoal!
Muito obrigado, Carol, pelo convite mais uma vez. Tô super feliz de estar aqui e super honrado de estar aqui também com a Regina. Sei que ela tá humilde aqui na nossa conversa por enquanto, mas eu tô super ansioso para aprender e falar um pouco sobre, sobre esse É um tema que envolve super, é um tema que a gente envolve muito para falar de cultura organizacional. E eu tô já há um tempo querendo aprofundar isso contigo, né? A gente tá participando faz tempo, então vai ser bacana.
Obrigada, KTO. Boa tarde, bom dia, boa noite, né? Porque eu não sei que horas que isso vai acontecer. É muito bom estar aqui com o Murilo também. E é interessante porque a gente que estuda um milhão de coisas na vida, quando faz uma mini bio, tem lá zilhões de credenciais, né? E no fim, a gente é só estudioso da coisa, né? Então vamos lá, vamos ver o que que vai sair dessa salada de felicidade hoje.
Bom, gente, vamos lá. A primeira pergunta que eu queria jogar aqui na roda pra gente conversar é: qual que é o Instinct, uma visão sobre Felizes Pra Sempre? Existe uma página final com e viveram felizes pra sempre? Isso é uma verdade? Vou começar aqui falando.
Nem nos filmes da Disney. E sabe o que acontece? Na minha opinião, é que a gente muda o tempo todo. Então quando chega, né, você chega num determinado momento da sua vida em que você descobriu várias coisas, o que que a gente faz? A gente não se dá por completamente satisfeito. Abre o céu e você enxerga um pouquinho mais e a busca continua. Então eu não acredito no felizes para sempre, eu acredito no feliz todo dia. Isso eu acredito, mas no felizes para sempre não faz sentido, porque cada dia a gente tem uma revelação diferente na vida, cada dia a gente é atravessado por uma situação diferente, e isso faz com que a gente crie esse modelo de ativar a felicidade, porque felicidade não se busca, né?
A gente ativa a felicidade da nossa vida. Então eu não acredito no felizes para sempre, Porque o para sempre também é muito subjetivo, né? Então nem nos filmes da Disney, porque a gente assiste até aquele momentinho e depois, e depois a Branca de Neve com o seu príncipe vai ter crise, gente. E depois, né, Ariel lá com aquele monte de situação vai ter crise. E aí como que a gente ativa a felicidade no dia a dia? Então Eu tô mais para o felizes todo dia e o para sempre é uma construção.
Eu amei o felizes todo dia em vez de felizes para sempre. Vou usar isso para minha vida, tá? Mas é o que eu ia comentar aqui, gente, é que assim, eu ainda tô, eu sou mais filosófico nisso assim. Eu venho para uma pergunta antes assim, né, que é o que é ser feliz, né? Porque a felicidade ela é tão subjetiva, né? E ser feliz é muito individual, né? Pode ser que eu tenha felicidade, né, ou tenha uma sensação de bem-estar em contexto e não tenha em outro contexto, ou num momento e não tenha em outro momento.
Eu definitivamente não acredito que dá pra ser feliz o tempo todo. E eu acredito que a beleza da vida tá um pouco nisso, né, da gente ter altos e baixos. E a felicidade, ela só existe porque a tristeza existe, né? Mas de certa forma, eu acho que eu tenho essa perspectiva muito contextual, sabe, muito coletiva, né, de que a felicidade, ela depende também do contexto onde a gente tá, do contexto social, político, econômico, enfim.
E isso muda o tempo todo, assim como nós mudamos o tempo todo, né? Eu acho que o contexto nos quais a gente se encontra também muda muito. Eu acho que até dando uma pincelada assim, o próprio contexto que a gente se encontra hoje, ele é um contexto que nos exige muito, né? Exige muito que a gente seja mais produtivo, que a gente tenha mais coisa, que a gente consuma mais, que a gente viaje mais, que a gente treine, que a gente male mais, tenha um corpo mais bonito.
É o meme da ansiedade de ter e da vontade de possuir, né? Que a gente sempre tá buscando novas coisas para ocupar esse espaço. Então acho que dificilmente a gente consegue manter esse nível, né, que nos é exigido, né, o tempo todo.
Aí eu acho que é todo o trabalho que se tem terapia, é meio que você saber identificar outras emoções, né. Felicidade e tristeza são emoções que a gente, são as primeiras talvez emoções que a gente tem enquanto ser humano, e é que a gente consegue identificar de uma maneira muito rápida. Mas eu acho que tem outras coisas, angústia, ansiedade, medo, que perpassam por isso também. E acho que até pela forma com que a indústria vende pra gente esse futuro desejável, né, da Branca de Neve, da página final, a gente acaba ficando sempre muito superficial nesse sentido.
Aí talvez a pergunta seja, tá, quando a gente fala de mercado de trabalho, liderança, troca com outras pessoas, onde que isso entra? Eu vejo muito, aí vou jogar aqui pra vocês, né, eu vejo muito que é Pelo fato da gente achar que ou a gente está triste ou a gente está feliz ou que a gente precisa ser feliz o tempo inteiro, a maneira de lidar com essas crises no dia a dia, ela às vezes entra num nível de imaturidade, né? E eu acho que são os maiores problemas que a gente tem no dia a dia. Como que vocês veem isso também?
Eu acho que o Muri trouxe um ponto muito interessante agora que você endossou, que tem muito a ver com as pessoas acharem que felicidade é essa coisa de você estar o tempo todo hahaha, hihihi. Nada me atinge. E não é isso o lugar, né? Felicidade, ela não é ausência dos problemas, ela é a capacidade da gente florescer apesar dos problemas. Então, por isso que tem muito a ver com manter o mental forte para que a gente lide melhor com as situações.
E apesar dos desafios que a gente tem que passar no dia a dia, a gente possa sair do outro lado melhor do que quando entrou. Então eu penso muito que no dia a dia a gente precisa pensar como a gente pode trabalhar essa coisa do bem-estar, porque o bem-estar é uma competência, não é um acidente, sabe? Tipo sabe, uma coisa frívola que simplesmente acontece como mágica. Ela é uma competência, e como competência a gente também aprende a desenvolver.
E é por isso que tem todos os modelos, o modelo do Martin Seligman, o modelo do Tal Ben-Shahar, que é justamente para dar uma guia para as pessoas. Se você quer ativar a felicidade na sua vida, ter momentos de bem-estar, porque é isso, ter momentos de bem-estar. Então você tem aqui alguma receitinha de bolo que vai ativar, porque aí a gente tá falando de coisas químicas, né, que vai ativar toda a dopamina, ocitocina, para que de fato você consiga reconhecer.
Quando você traz, né, sobre as emoções, eu até acho que eu comentei em outro podcast, que se a gente perguntar para as pessoas, me fala o que você tá sentindo, Acho que geral, quando eu pergunto nas palestras, né, as pessoas falam triste, feliz ou cansado, porque falta vocabulário para gente. E existe uma lista, até tá lá no link lá da Air Station no Instagram, a lista de sentimentos, a lista de necessidades humanas universais que tem base na comunicação não violenta, para a gente aumentar o nosso vocabulário sobre sentimentos para a gente de fato se conhecer e entender o que a gente está sentindo em determinadas situações.
E esses sentimentos não são antíteses da felicidade. A felicidade, ela pode acontecer mesmo diante de situações desafiadoras na vida. Não sei se eu fui assim até a China e voltei.
Não, eu vou até pegar o seu gancho, que eu gosto muito da sua fala quando você fala de repertório emocional, né? A gente se vê numa luta diária de ser feliz Apesar de todos os desafios, né? Porque a vida humana e adulta, principalmente, ela é extremamente difícil. Todo dia a gente tem desafios de diversas naturezas e a gente tem uma luta interna de se manter feliz ou de se manter vivendo momentos de bem-estar de forma predominante, né?
Mas para isso é fundamental que a gente trabalhe com o máximo de recursos que a gente pode. E que sejam saudáveis, né? Então existem, acho que a terapia é fundamental pra gente se entender, pra gente ter esse repertório, pra gente conseguir desviar um pouco dessa enxurrada de estímulos negativos e impactantes pra nossa saúde física e emocional que a gente tem. E eu vejo isso também como essencial pra nossa sobrevivência como espécie e como ser humano adulto, sabe?
Mas eu queria também destacar aqui um ponto que eu acho que é que conversa com um pouco do início da minha fala, que é um pouco contextual, né? Então existe uma estrutura também na qual a gente vive que pode gerar mais ou menos estímulos. E essas estruturas, eu acredito muito que elas precisam ser questionadas e a gente precisa ter um senso crítico e coletivo também pra lutar contra elementos que fazem parte do nosso dia a dia que não necessariamente deveriam estar, né?
Então, enfim, a gente pode entrar assim num aspecto mais social da coisa, mas assim, A gente é muito mais fácil uma pessoa que trabalha numa escala 4 por 3, se tem mais tempo livre, é ser feliz do que uma pessoa que trabalha numa 6 por 1. E aí, como que a gente muda esse contexto? Como que a gente muda? E aí, para mim, tem a ver com a luta coletiva. Eu acho que é um balanço dessas duas coisas, né? Porque é mais curto prazista, né?
Como que a gente tem repertório e consegue desviar desses estímulos, ao mesmo tempo que, poxa, se a gente não coletivamente se organizar para mudar algumas coisas estruturais e fundamentais, talvez a gente tenha que sobreviver com o individual para sempre, né? E o individual é um pouco perigoso também, porque ele coloca toda a culpa na gente. Não significa que não tem valor da terapia e os momentos de felicidade que a gente busca, mas eu acho que é um equilíbrio entre as duas coisas. E enviesar o papo para qualquer um desses dois lados é perigoso, sabe?
Total. Eu queria trazer um ponto aqui que eu tava refletindo enquanto você tava falando, que me despertou, é que muita muita coisa, muitos dos sentimentos que a gente percebe, sente, vive às vezes, né, de forma até visceral, foram sentimentos que foram contados para gente. Situações de bom e ruim, sabe? A caixinha do isso é legal e a caixinha do isso não serve. E você falou, né, de pontos filosóficos. Quando a gente lê Sêneca, por exemplo, ele trata as as emoções como— porque elas não são positivas ou negativas, né?
Elas são veículos, a gente que dá o tom. Então já entro num lugar aonde, será que a gente tá vivendo o que é ruim porque a gente não entendeu exatamente? Porque no fim do dia, aquela história, ruim para mim pode não ser para você, bom para mim pode não ser para você. Então será que o que falta não seria uma atenção conectada com uma das 10 emoções da felicidade, que é a gratidão? Para a gente entender, caramba, eu tô sentindo isso, mas espera, isso é ruim?
Porque várias das situações que a gente vive, que a gente acha que, nossa, era o pior túnel da vida, a gente sai do outro lado forte. A gente olha para trás e fala, caramba, como eu arrasei nesse negócio! Ou você fala, meu, apesar de tudo que aconteceu, olha como eu tô! Então, será que não falta um pouco disso, sabe? Da gente olhar e falar, espera um pouquinho, deixa eu fazer as minhas caixinhas de bom e ruim, deixa eu trabalhar esses conceitos.
E aí eu acho que terapia é vida, sempre, porque é onde você consegue de fato abrir o coração, né, sem julgamentos, e concatenar ideias. Voz alta e ter alguém ali para dar live. Mas será que não faria sentido, quando a gente pensa em felicidade, desde a gente trabalhar os conceitos que estão aí, a gente entender o que que é felicidade para a gente, dentro do nosso contexto, da nossa vida, do nosso repertório emocional? Porque eu imagino que nós três aqui, todo mundo que tá escutando a gente, Quando a gente tava lá atrás, moleque, né, de tudo, que a gente tava aí, né, querendo coisas da vida, a gente não imaginou que a gente ia chegar tão longe, porque a gente não sabia qual era a chegada lá na frente.
E a gente ainda não sabe, né? Então isso vai continuar e a gente vai muito mais longe. Então será que não é esse o lugar da gente, quando pensar felicidade, pensar, peraí, mas qual é o conceito de felicidade para mim? Qual é o drive de felicidade para mim? Qual é o veículo de felicidade para mim? Porque felicidade pode ser, sei lá, viajar para Europa, e felicidade pode ser assistir um Netflix aqui, né, com uma pipoca. E então, entende?
Eu sinto que o contexto social é importante e os demais também, espiritual, físico, porque A felicidade, ela é construída ao longo da nossa vida.
E cultural, né, Regina? Vou pegar um gancho do que a Regina falou, porque ela falou, ela tava falando sobre o que nos é ensinado, né? E a gente tava falando que depende também de contexto social, econômico e tal. E olhando de uma perspectiva organizacional aqui, a parte de cultura também é muito importante, né? Tem uma coisa que eu adoro fazer quando alguém fala assim, nossa, isso é ótimo, isso é, ou isso é ruim. É tipo, é ruim para quem?
Porque com certeza um evento é ruim para alguém e bom para alguém, né? Carol e eu trabalhamos com design de produto, inovação dentro de uma organização, e a gente é de comum acordo que a gente tem que errar. É impossível a gente evoluir sem o erro, né? Sem a falha, sem se arriscar, né? Só que isso é ensinado para as pessoas que é ruim. Mas é ruim para quem? A minha esposa é artesã, ela sempre fala assim, Murilo, para ser bom a gente tem que ser ruim antes.
E o ser ruim dói, mas é bom, né? Porque a gente tá evoluindo, a gente tá crescendo. A falha traz a novidade, traz inovação, traz o aprendizado. Então a falha, ela pode ser vista por essas duas perspectivas, só que socialmente, culturalmente, é ensinado pra gente que é ruim, né? Por isso que é tão difícil falar sobre felicidade, que é muito subjetivo. E por isso que terapia é importante. A gente volta pra aquela questão do repertório, né?
Vocês falaram coisas muito legais. Acho que ia trazer alguns highlights aqui que Regina trouxe sobre que felicidade não é você fugir dos desafios, mas na realidade você bater de frente com eles e você sair do outro lado. Acho que isso é muito importante. Eu acho que tem muita gente que percorre uma vida e acha que ficar na zona de conforto pelo resto dela significa que é um grande sucesso, quando na realidade não. Passar pelos desafios molda massa encefálica mesmo, sabe?
Muda o nosso cérebro e faz com que a gente amadureça em vários sentidos assim. Então achei esse comentário perfeito. E acho que eu queria trazer um ponto que aí vou trazer pauta da minha terapia para a gente falar aqui também, que acho que encaixa tudo que a gente comentou, que a gente tem duas possibilidades na vida. A gente pode viver sobre o que as outras pessoas esperam da gente E aí você vai passar a vida inteira agradando todo mundo ao seu redor, mas você vai estar se anulando enquanto indivíduo.
E você pode passar a vida inteira sendo o que você é, e isso talvez vá contra o que as pessoas esperam de você, e você vai ter que saber peitar isso e botar essa identidade para fora, que é muito complicado porque você vai sofrer crítica, de repente não vai ser tão acolhido quanto você espera. Só que tem coisas boas e ruins. Acho que a gente vive em sociedade, então a gente acaba vivendo um pouquinho de cada perfil desse, né, para se adaptar e conseguir trocar com outros.
Mas eu acho que é muito importante ter em mente que se a gente se anula muito, a gente acaba perdendo um pouco da nossa autoconfiança, se conhecendo, entendendo o que que é felicidade, né. Daí a importância de ter um hobby, como a Regina falou, De você ter um tempo para você se dedicar a uma coisa que você ama, se desenvolver com coisas que você gosta. Estar só no trabalho e esperar que o trabalho vá te dar toda a felicidade do mundo é colocar e apostar todas as fichas em um caminho só, né, da vida.
E nenhum trabalho tem essa prerrogativa de te dar tudo, né? E não deveria também ser esse lugar, né?
Não, perfeito, Carol. E eu gostei que você trouxe esse tema de terapia, porque no nosso último papo também trouxe esse tema da minha terapia, né? E inclusive esse também é um tema que eu trato muito em terapia. Porque quando a gente se vê numa situação na qual a gente não tá feliz, mas a gente depende dela pro nosso sustento, né, principalmente quando a gente fala de uma posição de trabalho, a gente se vê muito nesse dilema, né, de assim, ou eu me encaixo e finjo ser quem eu não sou, e isso vai me fazer muito infeliz, mas vai me fazer feliz por outro lado, porque eu vou ter saúde financeira, vou conseguir, né, minha estabilidade.
Ou você se mantém quem você é e coloca em risco o seu outro lado da sua vida, né, da sua estabilidade. E é um papo de terapia bem recente assim, que meu terapeuta falou assim, cara, é importante, não vai ser mais, não vai aliviar a sua dor, mas se você manter, se você ater os seus valores e conseguir jogar esse jogo, né, para você não deteriorar a sua identidade, né, o seu caráter, isso vai aliviar muito, né, a sua infelicidade de estar num lugar que você não se vê pertencendo, né.
Então eu acho que é esse jogo e a terapia super incrível para isso, né? Porque a gente consegue ir entendendo os contextos e balanceando as coisas, porque não existe felicidade plena, não existe contexto perfeito. Mas a gente, com esse repertório e com essa leitura de cenário mais apurada, a gente consegue ir equilibrando essas coisas para amenizar, né? Para não ter tantos picos, mas também não ter tantos vales, e a gente se mantém em algum nível saudável, né?
Tem um ponto que eu já tive nesse lugar Aliás, eu estive em todos esses lugares que vocês falaram aí. Eu já estive nesse lugar de estar em trabalho que não me fazia feliz e que quase levou a minha identidade para um subsolo que eu quase perdi. E aí o que acontece? A gente pode tentar se encaixar por causa de grana, de benefício, de construção de carreira. A única coisa que a gente não pode esquecer é que isso não é sustentável.
Então é sempre válido você tentar, porque eu acho que também existe muito aprendizado nesse lugar onde as coisas não acontecem só do jeito que a gente quer. Isso é um saco, mas sim acontece. Então tem muito aprendizado nesse lugar, mas também precisa ter um tempo e você estipular um tempo para você entender se esse contexto ele pode ser mudado e que não precisa ser totalmente do jeito que eu quero. Mas vamos ali no meio de caminho que me atenda, atenda as minhas necessidades de crescimento.
É de valores, porque de fato quando começa a afetar os nossos valores, muita gente não sabe quais são os próprios valores, né? Então se perguntar quais são os seus valores, as pessoas não conhecem as palavras que determinam valor. Então quando você conhece os seus valores, quando você não conhece os seus valores, mas você tá numa situação de trabalho que a coisa começa a descer muito quadrado, provavelmente você tá indo contra os seus valores.
Então você pode não saber nomear meu valor. Eu, por exemplo, tenho um valor de contribuição muito forte, né? Então se vai tolher totalmente a minha forma de trabalho, ou se eu não puder contribuir, se eu não tiver um lugar de voz, isso provavelmente com o tempo vai me desestimular, porque não me nutre. E aí cabe a mim dar um prazo para que eu consiga mudar esse jogo, porque é possível a gente tentar. Mudar esse jogo. Mas se isso não for possível, a nossa saúde mental, física, espiritual tem que falar mais alto.
A gente precisa encontrar, e existem lugares que servem a todos, né, a todos os perfis. A gente precisa encontrar qual é esse lugar. E de repente não é esse lugar aonde tá fazendo você deixar de ser quem você é. E se algum lugar está pedindo para que você não seja você, então eu tô no lugar errado. Eu tô no lugar errado porque as pessoas querem outra pessoa que não sou eu, né? Eu já tive nesse lugar que você falou, tá, que é quando você começa a atender às expectativas das pessoas e chega uma hora que você já está agindo como essa personagem que foi criada.
E aí, só que chega um lugar tão distante que você não consegue mais voltar E a única forma de voltar é romper. E como é que você rompe com uma personalidade criada e que chega uma hora você fala, nossa, mas tá errado, essa não sou eu, eu não sou assim, eu não quero ser assim? Então tem que ter esse botãozinho do exit aonde você fala, chega, vamos explodir tudo e vamos voltar a ser, né, e construir aquela personalidade autêntica que eu tava buscando.
Não é uma tarefa fácil. Fazer isso exige muita, muita coragem e às vezes o que fala mais alto nem é coragem, é de fato o seu eu, sabe? A vida te chamando para você trazer quem você é para superfície. Então esse é um lugar onde a gente não pode se desconectar. Então o menor sinal que a sua autenticidade está sendo questionada ali levanta uma bandeirinha amarela de opa, Isso é momentâneo? Será que essas pessoas desse contexto estão vivendo esse momento passageiro, ou será que é isso que vai ser daqui para frente?
A gente precisa analisar, porque a gente precisa entender o que que é bom para gente. Muitas vezes a gente tá fazendo o que é bom para o outro, só que quando a gente faz o que é bom para o outro, a gente trabalha dentro daquelas premissas, e aí a gente simplesmente se desconecta de quem a gente é.
Abafar isso leva ao burnout, inclusive, né? Tipo, se você abafa isso por muito tempo, o seu corpo dá sinais. É uma coisa assim que não é, ah não, eu vou manejar. Não tem como, chega um momento que você quebra, né?
Exato. A sobrecarga, ela, ela vem desses processos onde a gente não consegue se enxergar naquilo que a gente tá fazendo. Então você tem que, ou aquilo tá exigindo muito mais do que você que você deveria entregar ou poderia entregar, ou você tá flexibilizando demais os seus valores para aquilo acontecer. Só que o que acontece, não é uma coisa que a gente faz todo dia, né? Então aquela história de agradece 3 coisas antes de dormir, que na hora que a gente vai dormir a gente tá o pó da rabiola.
Então assim, você não consegue, não tem a menor condição de você pensar em 3 coisas, né? Eu brinco muito aqui com o meu marido e a gente fala assim, nossa, eu tô tão cansada, eu tenho que fazer oração. Aí outro dia ele trouxe um meme que o pessoal falava assim, ai meu Deus, tô muito cansada, vale a de ontem, boa noite. Então assim, a gente não tira um tempo para fazer esse exame, tipo assim, marcar uma reunião com você mesmo para analisar o cenário, entender como que estão as coisas.
E às vezes é difícil fazer isso sozinho, por isso que é importante você ter uma empatia de emergência, você ter um momento de terapia para que você faça esse essa anamnese do que tá acontecendo para você entender. Tô no lugar certo, fazendo a coisa certa, com as pessoas certas, né? Lembrando que o certo também é relativo, né? Eu brinco com os meus clientes que assim, não tem certo ou errado. Aí, antes que alguém fale alguma coisa, como assim, sua louca? Existe aquilo que a gente pode carregar, né?
E eu tô com uma reflexão aqui sobre um ponto muito fundamental que vocês estavam falando, que é o ponto da gente tentar agradar os outros, né? E como a gente tem dificuldade, como é difícil a gente romper com esse ciclo, né, de agradar os demais. E aí me veio à cabeça uma fala de um ex-líder meu de muitos anos atrás, que ele falava que uma empresa ela é uma abstração, né? Acho que eu já falei isso muitas vezes, não sei nem se eu falei no nosso último papo, Carol, mas que a empresa é uma abstração.
Aquelas cores, aquele logo, né, aquele lugar assim, ele é só uma abstração, mas a empresa de fato não existe. O que tá acontecendo ali são relações sociais mesmo, né? A gente tá socializando com as pessoas ali. E a partir do momento que a gente entende que a forma de prosperar é a gente ser benfício naquele espaço, né, automaticamente a gente cai no lugar de tentar agradar o outro. E essa foi uma crença que cresceu muito junto comigo, assim, me fez muito mal durante a minha vida, que foi sempre fazer as coisas pra agradar os outros.
A gente quebrar isso realmente é muito difícil. A gente falar o não quando a gente construiu uma identidade de ser uma pessoa provedora, de ser uma pessoa servidora, é muito difícil. Mas teve um site que eu tive um tempo desses que foi muito legal, que eu queria compartilhar aqui, que é: nem todo mundo gosta da pessoa que é 100% servidora o tempo todo. Porque quando a gente parte do pressuposto de que se eu servir aquela pessoa o tempo todo, ela vai me achar uma pessoa melhor, uma pessoa legal, né?
Lógico que tem pessoas que gostam de ter pessoas que se diferem uma do lado da outra, mas tem pessoas que gostam de pessoas autênticas, tem pessoas que gostam de pessoas francas. Então, se alguém chegar pra mim e falar assim, Murilo, você pode abrir mão de ir na consulta do seu filho pra fazer uma reunião comigo? E eu falar, sim, claro. Pode ser que aquela pessoa fale, meu, como assim ele tá abrindo mão da consulta dele? E isso não seja positivo.
Então, eu coloquei dentro da minha cabeça que às vezes falar não demonstra que a minha identidade é tão autêntica e franca, mesmo que respeitosa, eu consigo falar um não, que aquilo também pode gerar um efeito positivo em como eu sou percebido, sabe? Eu acho que isso é uma libertação, gente, a gente ter essa consciência de que nem sempre você falar sim Vai agradar outro. Se agradar outro que você quer, nem sempre o que você pensa que agrada outro vai agradar, sabe?
Então seja autêntico mesmo e siga os seus valores, porque você não sabe quem vai gostar ou não de uma atitude sua, né?
O Muri trouxe uma coisa e eu acabei construindo aqui na minha mente que a franqueza também é um ato de serviço, né? Então quando a gente entende que de fato aquele momento existem prioridades inflexíveis, vamos dizer assim, A gente precisa entrar num campo de negociação. E essa franqueza é um ato de servir. E servir— e aí eu tô trazendo isso porque, na verdade, eu trabalho muito com liderança servidora, né? Então eu trabalho muito com esse conceito, aonde o líder serve o liderado.
Mas não é fazer tudo que o liderado quer, é fazer o que ele precisa, é trazer o desenvolvimento que ele precisa. Então muitas vezes Acredito aqui que a franqueza, sim, é um ato de serviço também.
Ótimas reflexões, gente. Eu vou fazer uma pergunta de saideira agora para a gente poder falar mais um pouquinho. Uma boa cultura é aquela que tá todo mundo feliz? Acho que a gente tá falando um pouco sobre esse tema, mas eu queria jogar aqui para vocês que são especialistas no assunto. Me falarem um pouquinho do que vocês acham sobre isso.
Eu vou começar aqui dessa vez porque eu passei a bola para Regina nas últimas, então eu vou assumir essa aqui. A minha resposta assim de bate-pronto é definitivamente não, por dois motivos principais. Primeiro, porque é impossível, então não existe esse lugar utópico. E segundo, porque resgatando até um ponto que a gente já falou, sem o incômodo, sem o questionamento, sem a pulga atrás da orelha, não existe evolução em nenhum contexto.
E de novo, assim, nós somos pessoas coletivas, né? Eu acho que a gente tem que ter essa abertura do coletivo para entender, mesmo que eu esteja feliz, se alguém não estiver, isso significa que a gente tem espaço para melhoria em algum lugar no coletivo, né? Então eu acho que uma organização que evolui, que cresce, é uma organização questionadora, uma organização que não atinge o platô, né? Que não se contenta com o status quo, assim.
Então eu acho que a boa cultura é aquela questionadora, e a boa cultura Até para pegar um gancho do que eu falei no início, é aquela que não individualiza também a culpa da infelicidade dos outros, sabe? Então, se existe alguém que está infeliz e está questionador, existem dois tipos de resposta de uma organização para isso, que é assim: ah, essa pessoa não é resiliente o suficiente, não é flexível o suficiente, então vamos trabalhar para que as nossas pessoas sejam mais resilientes ao contexto.
E existe organização que fala assim: tá, como que a gente melhora o ambiente para que essas pessoas não precisem ser resilientes, para que essas pessoas não precisem ir tão a fundo assim, se afundar tanto para depois tentar se reerguer, sabe? E eu acho que a organização que olha por essas, assim, as duas perspectivas são importantes, mas de novo, assim, eu acho que existe uma tendência na individualização da culpa da não felicidade, sabe?
Porque a gente, nós somos pessoas no contexto político-econômico que a gente vive, nós somos pessoas individualizadas, né, atomizadas. Nós somos pessoas que acreditam na meritocracia, no esforço individual. Então a gente já é muito individualizado, e você jogar a culpa da pessoa não estar feliz, já ela já está sendo punida por não estar feliz, você joga mais essa carga para ela assim: mesmo triste, você tem que se esforçar mais.
Isso é muito perigoso na minha visão. E existem vários motivos mercadológicos para isso, né. Existem muitas soluções, desde medicação até cursos de coach e tal, para fazer uma pessoa seja feliz. E por isso eu acho que existe uma tendência nessa individualização. Não tô falando que individualização não é importante, mas só voltando ao ponto aqui para não perder o fio da meada, eu acho que a cultura é que a mais saudável possível é aquela que nem todo mundo tá feliz, mas que quando os infelizes aparecem a gente ouve ele, a gente entende como coletivamente a gente precisa resolver para fazer com que a organização prospere, sabe?
Boa, Muri! Tô buscando complemento para não ficar aqui falando a mesma coisa que você. Mas tava aqui pensando quando você trouxe que é assim, né? As empresas na verdade são um número de registro, né? Então quando a gente fala de empresa, a gente tá falando de pessoas. Quando a gente fala de cultura, a gente tá falando de um comportamento coletivo. E aí eu acredito muito na cultura da diversidade, porque todas as empresas servem pessoas.
Mas é uma empresa de SaaS que serve o quê? Mas é uma indústria que serve quem, né? Então tudo é para pessoas. E se a gente não tiver ali uma diversidade de necessidades, de backgrounds, desejos, a gente também não vai encontrar esse próximo degrau que a gente tanto busca nas empresas, né? A gente não vai conseguir solucionar as necessidades dos clientes. Então Quando eu penso cultura feliz, eu penso muito em condições para as pessoas trabalharem e para elas trazerem o que elas aprenderam na vida inteira, porque a gente estuda para caramba para chegar numa empresa e a empresa falar, faz desse jeito aqui.
Poxa, mas eu tenho uma ideia diferente. Não, não, não, não, não vai adiantar, faz desse jeito aqui. Não faz sentido. Então, quando a gente pensa, quando eu penso assim em cultura e eu penso diversidade, eu penso muito, faço para que as pessoas de fato tragam a sua experiência para colocar na mesa, seja do que for, seja de alegria, seja de tristeza, seja de luto, seja de parentalidade, para que a gente possa crescer como ser humano, né?
Eu não tenho filho, eu tenho uma série de clientes que têm filhos, eu estudo sobre isso porque como que eu vou ajudar essas pessoas, né? Como que eu vou escutar essas pessoas com empatia? Então, quando eu penso em cultura feliz, eu penso muito na oportunidade que as empresas, que esse conjunto de pessoas dá para que as outras possam trazer a sua expertise de vida, não só técnica, né, para colocar na mesa. Então, eu acho que as empresas E eu tenho ouvido muito a Renata Rivetti falar sobre isso, que a empresa ela não é responsável por fazer a gente feliz, mas ela não pode ser ofensora à nossa felicidade.
Então quando eu penso em cultura de felicidade, eu penso o que as pessoas precisam para que elas possam encontrar aqui, nesse lugar, nessa empresa, sentido das suas vidas e das suas carreiras. E aí, quando a gente trabalha sentido, propósito, a gente tem uma cultura feliz. Então, por mais que você tenha os seus desafios da vida, você sabe que você vai chegar naquele lugar e você tem espaço, você tem, é colaborativo, você pode trabalhar sua vulnerabilidade, você pode entregar uma empatia para alguém, você pode mentorear outras pessoas, tem espaço para todo mundo crescer.
E isso é bem possível, né? Só que o que acontece? As empresas são formadas por pessoas, as pessoas têm necessidades diversas, a gente foi se calando ao longo do tempo nessa comunicação de necessidades, e aí tá cada um no seu planetinha sofrendo e sem compartilhar. Então as empresas, eu tenho acompanhado muitas empresas aqui dos meus clientes que estão num processo de busca de atingimento de meta tão absurdo e ninguém tá falando nada, ninguém tá falando sobre isso, sabe?
Para as empresas, não dentro das empresas, para as empresas. E as pessoas estão ali naquele, naquela rodinha de hamster e elas não conseguem transformar isso em palavras. Então o que que vai acontecer aí em pouco tempo e já tem acontecido. As pessoas estão exauridas, e essa exaustão que vem da sobrecarga leva para o burnout, para ansiedade, para todas essas situações que a gente tem vivido, aonde coloca esta pessoa que inicialmente tava lá felizona porque ia trabalhar com uma coisa super legal, é que aonde a gente fala: será que eu sou boa?
Será que eu sirvo? Será que eu me encaixo, né? Ninguém gosta de mim, mas se eu for eu mesma, então eu não posso, então eu tenho que fazer diferente. Até quando a gente vai continuar nesse esquema? Então eu acho que já que a gente tem tanto poder para coletividade de tantas coisas, por que que a gente não começa a trabalhar uma coletividade para a gente ser feliz? No trabalho.
Gente, eu queria morar dentro desse episódio para sempre. Eu queria que a gente pudesse ficar aqui conversando, principalmente com uma cervejinha, talvez um drink, um suquinho, não sei o que vocês iam querer, mas assim, uns petiscos. Ia ser maravilhoso. Mas infelizmente a gente precisa finalizar. Queria agradecer mais uma vez pela participação de vocês. Vou abrir para vocês se despedirem também, mas dizer que esse episódio mora no meu coração, assim, eu amei, gostei muito. Muito obrigada por vocês terem vindo.
Eu que agradeço. E novamente, a gente fez um episódio delicioso, né, assim, que foge um pouco do técnico, mas que entra numa camada humana assim que é muito gostosa mesmo. E realmente dá para a gente ficar aqui o dia inteiro conversando. Mas obrigado de novo pelo convite, eu amei, assim. Se você puder deixar um recado final de tudo que a gente falou é: faça terapia, não vai resolver tudo, mas vai te dar repertório. Converse com as pessoas, não existe nenhum demérito em estar triste, tem muita beleza na tristeza.
Inclusive, eu acho que a tristeza tem uma estética, uma estética mais bonita que a felicidade, né? É mais gostoso você ler um livro triste, você ouvir uma música triste, porque tem uma beleza na felicidade que é ela que te joga para cima, né? Se não tem tristeza, não tem felicidade. Curtam a tristeza também, porque faz parte da vida, assim, a beleza da vida tá um pouco nisso. Mas também conversem, no coletivo se expressem, né?
A Regina falou agora de cada um ficar no seu mundinho, na rodinha do hamster. As pessoas pararam de falar sobre sentimentos. É muito importante falar sobre sentimentos com seus colegas, com seus filhos, com seus pais, porque é isso que vai fazer com que a gente aguente firme nesse mundão, que é muito difícil, né, de sobreviver sem esse repertório todo.
Ai, gente, eu não sei, mas eu acho que foi muito curto. A gente tem que fazer uma série. Fica aí, hein, Cássia? Fica a ideia. Eu tenho para mim que se a gente puder buscar um pouquinho de quem a gente era, sei lá, 10, 15 anos atrás, em termos de sonhos, resgatar o sonho da menina, o sonho do menino, sabe assim, a gente entra num lugar mais poético, porque eu acho que isso que você tava trazendo, Muri, tem a ver com poesia. É, a tristeza traz uma poesia, a felicidade traz uma poesia, o cansaço.
Não tem alguma coisa que não. O desespero, né? Pega aí essas novelas, os filmes. O moço lá, o Joseph Campbell, não criou A Jornada do Herói? Foi tudo baseado em poesia. Então, a gente que tá muito na loucura do dia a dia, e é muito sensível a gente falar sobre traga poesia para sua vida, Se você acorda às 5 da manhã, você enfrenta uma greve de metroviários, ferroviários aí que tá rolando em São Paulo e deixa filho na escola e trabalha e depois busca filho na escola e faz comida e, né, tipo, você mal tem tempo para terminar o dia fazendo um skincare, que é mega coisa de super luxo, né?
Então não é nesse lugar que eu quero dizer, mas é no lugar aonde Busca um pouquinho de quem você é, marca uma reunião com você, um diazinho da semana, pode ser 10 minutos, pode ser quando você tá no transporte público, no trânsito, quando o farol fechou, depois do almoço, 10 minutos de sincericídio, sabe? Não para falar, ai, caramba, você não serve, mas para falar, aonde eu cheguei? Aonde mais eu quero ir? O que que me falta? O que que eu quero angariar para minha vida daqui para frente?
E isso traz a poesia, que é onde a gente fala: é possível dentro do meu mundo aqui megalomaníaco, é possível, eu faço muitas coisas dentro da minha mente, isso é maravilhoso. Mas assim, se a gente colocar limite no nosso sonho, que a gente quer para nossa vida, a felicidade que a gente tá querendo ativar na nossa vida, a realidade também vai ter limite. Então trabalhar um pouco esse lugar aonde a gente pode sim sonhar e a gente pode buscar felicidade, traz para gente minimamente os primeiros passos, porque não é um tratamento extenso, são os primeiros passos para a gente fazer diferente.
Eu deixaria essa provocação, que no fim é o que eu faço, né? Eu não dou dica que eu não faço, é o que eu faço e é o que me ajuda a balancear pouquinho a realidade com o que eu venho buscando. Obrigada, Carol, por essa oportunidade incrível.
É isso, gente. Eu não tenho dúvida que vocês gostaram, eu não tenho dúvida que vocês querem mais. Então, se vocês quiserem saber se vai ter série ou não, ativa o sininho aí, liga as notificações, segue o Murilo, segue a Regina nas redes sociais, que em breve, quem sabe, vamos deixar no ar isso aí, vira uma série fixa aqui no nosso podcast. É isso, galera, a gente se vê na próxima. Tchau, tchau!