Episódios de Design da liderança

ep20 - Carreira em portfólio

21 de agosto de 202632min
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E se hoje seu emprego acabasse, o que você faria? Quais são seus gostos e vontades além do trabalho?

Viver de paixão pode parecer romantico se pensamos em executar isso de de forma pouco estratégica, mas se tiver organização e vontade pode ser tornar uma nova fonte de renda e energia. A esse movimento chamamos de *Carreira em Portfólio*.

Gabriel Sarmento vem te contar como enxergar o mundo dessa forma diferente. Ele que atua com visão de interseção entre estratégia, produto e capital, apoiando empresas na estruturação, financiamento e escalada de produtos digitais e novos negócios em contextos de incerteza compartilha aqui seus conhecimentos.

Livros:

A arte de fazer acontecer: O método GTD - Getting Things Done: Estratégias para aumentar a produtividade e reduzir o estresse

Age of Unreason

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🔗 Host: Carolina Koury

🔗 Convidado: Gabriel Sarmento

Participantes neste episódio2
C

Carolina Koury

Host
G

Gabriel Sarmento

Convidado
Assuntos5
  • Carreira em Portfólio· NegociosCarreira em Portfólio·Charles Handy·Diversificação de carreira·Fontes de renda
  • Autenticidade e Objetivos de Carreira· NegociosAutenticidade·Objetivos de carreira·Valores pessoais·Autoconhecimento
  • Gestão de Tempo e Energia· NegociosGestão de energia·Gestão de tempo·Produtividade·GTD (Getting Things Done)
  • Subversão do Pensamento de Dono· NegociosPensamento de dono·Participação societária·Carreira como propriedade
  • Home Office e Flexibilidade· SociedadeHome office·Trabalho híbrido·Produtividade remota·Logística de deslocamento
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CKCarolina Koury

Oi pessoal, esse é o Design da Liderança. Bem-vindo a mais um episódio. Hoje a gente vai falar sobre muitos temas diferenciados e temos aqui Gabriel Sarmento para poder trocar ideia com a gente. Ele que vai falar um pouquinho sobre finanças de mercado, liderança, possibilidade de você diversificar seu portfólio de carreira. Gabi, seja muito, muito bem-vindo aqui no podcast. Fica super à vontade para se apresentar.

GSGabriel Sarmento

Maravilha, obrigado, viu, Carol? Super feliz e animado de estar aqui com você hoje trocando essa ideia sobre carreira como um todo. Saiu do Atu basicamente há quase 10 anos com inovação, com tecnologia, com produto, com venture capital, de uma maneira muito multidisciplinar, de fato. Então, animado aqui pra gente bater esse papo sobre diferentes potenciais de carreira e como é que a gente consegue também explorar isso. Vamos embora!

CKCarolina Koury

Bom, Gaby, estamos num momento muito diferenciado da nossa realidade, principalmente acho que dentro do universo tecnologia. Está falando da IA, que tá tornando tudo mais rápido, sendo uma super alavanca de aumentar produtividade, processos, operações no dia a dia. A gente tá falando de uma realidade que aqui no Brasil a gente tem uma taxa histórica de pessoas sobrecualificadas que estão ou trabalhando como PJ ou fora do mercado de trabalho buscando emprego.

E dentro disso tudo, é um tema que a gente gostaria de falar hoje, era sobre diversificar portfólio. Como que você consegue navegar dentro de toda essa complexidade que a gente tá passando agora nesse momento? Aí queria ouvir um pouquinho do seu ponto de vista.

GSGabriel Sarmento

Animal, vamos lá então. Para começar aqui o papo e compartilhar aqui um pouquinho do meu pensamento, eu acho que esse momento ele é muito interessante, muito valioso, por ele permitir profissionais conhecimento a diversificarem suas carreiras como nunca antes. Por mais que existam conceitos, inclusive a gente vai falar especialmente sobre um deles, ajudam bastante nessa estruturação de possibilidades diferentes a serem trabalhadas numa carreira.

Eu acho que esse momento de agora, especialmente com esse benefício de produtividade que a IA nos traz, é algo muito relevante e interessante. Antes de aprofundar sobre isso, é importante colocar um ponto. Pelo menos ao meu ver, na minha perspectiva, e aqui colocando todos os parênteses de privilégios absurdos conseguir trabalhar com o que eu trabalho, com o que eu gosto de trabalhar, da forma como eu gosto de trabalhar. Eu acho que tem um primeiro componente aqui dessa discussão, que é a questão de Seguridade Social, né?

A gente vai falar aqui na perspectiva obviamente muito privilegiada, mas obviamente que o ideal é que as pessoas tivessem sempre a oportunidade de estar em trabalhos que elas estejam seguras socialmente neles. E aqui eu tô falando especialmente da CLT. Quando se tem esse privilégio, essa oportunidade de escolha, eu acho que essa oportunidade que se abre agora Especialmente a partir da IA como ferramenta para explorar diferentes potencialidades, eu vejo de maneira muito positiva.

Então, dado esse contexto, essa premissa, o que eu começo a enxergar, Cacau, para a gente começar aqui a nossa conversa? O Charles Handy, que é um filósofo super conceituado, ele ainda na década de 80, ele tinha criado de fato esse conceito de portfolio career, de carreira em portfólio. Então isso nada mais é do que existir um núcleo profissional formado por freelancers, por profissionais liberais e trabalhadores temporários como um todo, que ao invés de se ter apenas trabalho, o famoso 9 a 5 ali de maneira mais tradicional, poderia se de fato ter uma atuação profissional de maneira mais diversificada, mais diversa como um todo.

Então ele escreve um livro ali nos anos 80, The Age of Irreason, que ele começa de fato a trabalhar esse conceito e depois ele evolui isso ao longo do tempo. Mas nada mais, ele fala de que por que não profissional que consegue de fato ter núcleo ali virtuoso de habilidades, de competências a serem desenvolvidas para mais de uma fonte de renda, né, para mais de um empregador. Então, do cenário de hoje, que daqui a pouco a gente explora um pouquinho mais, mas eu vejo que talvez seja um momento muito interessante para pessoas tal qual nós dois aqui, Carol, somos curiosos e temos interesses diferentes, interesses diversos e tal, e a gente conseguir explorar isso. Não sei se você acha que faz sentido, qual a tua opinião aqui sobre isso?

CKCarolina Koury

Eu ia comentar até uma coisa que a gente fala muito sobre liderança aqui, e eu acho que esse tema pode parecer muito distante desse lugar, mas na realidade eu vejo que ser líder e encabeçar projetos, ter essa frente, Não tá só relacionado a você estar dentro de uma empresa, que é uma coisa que a gente já falei aqui no podcast com vários outros líderes. Você ser liderança da sua carreira e olhar para ela de uma maneira intencional, acho que também passa muito por isso de: eu sei que eu tenho potencialidades, eu sei que essas potencialidades podem servir para vários fins diferentes, como que eu consigo explorar cada coisa, né?

E aí, trazendo um pouco do background do Gabs, o Gabs adora música, ama trabalhar com isso. E é uma das áreas que ele atua, assim como inovação, assim como produto. Eu acho que para designer isso sempre foi algo mais normal, que a gente trabalhou sempre muito nessa visão projetual. Então era natural você ser freelancer por fora, acho que para desenvolvedor também, né? Você ser freelancer por fora, fazer um projeto para uma empresa e continuar trabalhando num emprego ali CLT, né?

Mas eu vejo que essa potencialidade de você ter diversas frentes Talvez cause até uma tranquilidade um pouco no fim do dia, sabe? De tipo, eu não tô apostando todas as minhas fichas numa coisa só e eu tô podendo explorar meus hobbies e outras faces da minha vida de uma maneira que também tá me dando retorno financeiro. Então acho interessante assim esse ponto de vista de ampliar um pouco essa visão, né? E acho que traz muito desse quesito de liderança, de você trazer um pouco dessa visão ativa sobre o que que eu vou explorar, né?

GSGabriel Sarmento

Total. E daí, até pegando o gancho no que você traz agora, eu vejo já de cara assim, não sei se a gente vai concordar junto, tá? Mas uma lista de benefícios e de desafios dessa forma de ver a carreira como um todo. Então, acho que vários dos benefícios você já trouxe agora. Então, eu acho que essa diversificação de receita, por exemplo, então, em tempos, especialmente para quem trabalha com tecnologia, que sabe que os layoffs, as demissões em massa, né, são infelizmente termos cada vez mais usados acaba se trazendo ali um conforto financeiro muito maior, você não depender só de uma fonte de renda.

Então acho que acaba isso sendo uma definição muito interessante, ao passo que, como você falou, Carol, existem diferentes interesses em fato numa carreira. Então até abrindo parênteses aqui, hoje não só eu estou falando aqui sobre isso, mas estou vivendo literalmente esse ponto na minha carreira como um todo. Então eu sou sênior PM numa empresa de entretenimento, que é exatamente o que a Carol falou agora sobre a minha paixão por música.

Então eu consegui integrar ali a minha vivência com o produto junto com uma indústria que eu sou apaixonadíssimo. Em paralelo, eu tenho um trabalho freelancer para fazer scout de startups, que foi algo que eu já fiz lá atrás, especialmente para startups de impacto social, que é outro tema que eu tenho total interesse e curiosidade sobre isso. E tô abrindo ali uma agenciazinha de automação com AI com alguns amigos/sócios. Essas conexões de temas, eu acho que também são outros benefícios que são levados aqui nessa visão de Portfolio Career, a partir do momento que você não quer só ficar focado em uma caixinha somente e quer expandir os seus conhecimentos, suas atuações ali como um todo.

Acho que além disso também tem um benefício até mesmo sobre essas mudanças de chave em relação à rotina, né? Acho que a rotina fica muito mais dinâmica, fica muito mais interessante, fica muito mais, enfim, acho que até saudável de alguma forma. Mas aí conectando essa questão do saudável, tem um benefício aqui ou um desafio, que é controle de agenda. Então acho que não vale a pena glamourizar isso, porque acho que existe uma disciplina e uma organização muito relevante para que as coisas aconteçam e ninguém adoeça, que o objetivo é ser mais saudável, não ser insalubre essa diversificação como um todo.

Ao mesmo tempo, eu acho que tem esse desafio de mudança de contexto, que pode ser benéfico por um aspecto, por outro é desafiador. Você tá em uma reunião falando sobre um tema X, você sai dela e fala sobre algo Y. Então acho que tem uma demanda cognitiva ali forte em relação a isso. E essa questão de comunicação, né, de ter vários pontos de comunicação diferentes pra conseguir integrar tudo. Então tem muita coisa legal, ao mesmo tempo tem muito desafio.

E aí eu acho que conseguir contrabalancear esses pontos ali é que de fato pode ser essa chave do benefício, né, como um todo pra esse ponto.

CKCarolina Koury

E como que tem sido para você assim fazer esse pareto, esse 80/20 de olhar para os desafios que você tá explorando atualmente e conseguir definir tempo para cada um para não dar uma surtada?

GSGabriel Sarmento

Converso muito inclusive com minha senhora sobre esse tema, que ela é muito mais voltada, ela é muito mais disciplinada que eu, de fato, muito mais metódica. E aí eu acho que existem várias abordagens de gestão do tempo, né? O get things done, Vários e vários autores que falam ali, os hábitos atômicos, enfim, vários autores que falam sobre a produtividade no dia a dia, mas que eu uso algumas das práticas que são colocadas ali e das referências como um todo, do tipo ter uma lista de tarefas que eu consigo, enfim, tê-la como meu norte e eu me amparo muito nela.

Eu uso tudo isso para isso, por exemplo, como ferramenta de tecnologia. Eu sou do aplicativo e não tanto do caderno pra gerenciar tudo, ter uma fonte de conhecimento ali recorrente, que no meu caso é o Notion, é que daí de fato eu faço minhas notas de reunião ali com AI, tenho ali realmente como minha fonte de verdade como um todo. Mas eu acho que o que tá mudando muito a minha visão, cara, o que tá me ajudando de fato é não fazer uma gestão de tempo e fazer uma gestão de energia.

Como é que isso funciona na prática? Então eu tenho do lado diário e semanal. Eu sei o que eu tenho que fazer, eu sei o que eu tenho que entregar e as minhas prioridades, mas às vezes eu tô com muito mais energia para fazer uma coisa do que a outra, por vários motivos. Porque eu acho que às vezes eu tô no momento mais criativo ou tô no momento mais analítico, às vezes eu tô trabalhando depois de um exercício físico ou antes. Então tem várias questões ali, várias variáveis do nosso dia.

Então o que é que eu priorizo bastante? É que eu consigo entregar naquela hora mais do que uma ação rígida sobre o que eu tenho que fazer, assim, sabe? Obviamente com responsabilidades e prioridades ali sendo colocadas, mas fato é que para mim, pelo menos pessoalmente, faz muito mais sentido conseguir estabelecer a minha rotina a partir do que eu tenho energia para fazer do que qualquer outra coisa, assim, sabe? Isso tá me ajudando muito porque eu consigo ser mais produtivo ao invés de eu ficar preso ali numa inércia ou até mesmo numa procrastinação, porque eu tenho que fazer alguma coisa, eu já antecipo alguma coisa que eu faria antes, só depois, mas as coisas estão fluindo, porque daí eu já vou fazendo, já vai saindo do meu to-do.

E aí quando tem que pegar um desafio maior, ou às vezes até menor, mas que eu não tava muito a fim de fazer anteriormente, já fica mais fácil porque eu já tinha feito ali coisas anteriormente. Então fica aqui uma dica que talvez não seja muito trivial, mas que me ajuda muito, é mudar um pouquinho do paradoxo e do paradigma. E talvez não só gerir tempo e atividade, mas gerir muita energia do que tá, enfim, a fim de fazer ali naquele momento, sabe?

CKCarolina Koury

Eu acho que uma das coisas que eu tenho, que eu falava muito para alguns trabalhos que vivi e tinha liderado, é que as pessoas às vezes ficavam muito obsessivas em cima de um problema E até fazendo muito além daquilo que era necessário ser feito para aquele momento, porque essa gestão de energia nesse momento muito analítico, ela era desaguada toda na empresa. Se eu tô num momento muito analítico e eu tenho só esse projeto, eu vou fazer muito além do que precisa para ser feito naquele momento e eu não vou medir muito o meu esforço para chegar até o final.

E às vezes não precisava fazer um quadro tão grande de benchmark, mas a pessoa ia muito fundo. E eu fico pensando que esse ponto que você tá trazendo, a gente tá falando o seguinte, que se eu tenho outros pontos de foco para poder colocar minha energia, talvez isso ajude a diversificar e a deixar menos pesado trabalhar várias coisas, porque eu tô com um perfil muito analítico naquele momento. Eu vou investir 200% na empresa, fazer muito além do que me foi pedido, eu vou tentar cada vez mais entender o que é necessário para poder investir numa outra coisa que é uma outra fonte de renda, ou que eu gosto mais de fazer do que aquele outro ponto.

Então acho que também cria um conceito legal de conseguir definir prioridades pessoais e não só prioridades sobre as outras coisas, porque você não deixa que aquilo te absorva tanto. Eu sinto muito isso com o podcast hoje, assim, não é uma coisa que hoje me gera uma renda e tal, é algo que eu faço como um hobby, mas eu sinto que hoje quando eu paro para olhar todas as coisas que eu tenho para fazer, se eu tenho que dividir energia, eu vou dividir pensando que o podcast tem esse peso com essa função na minha vida. Então fica mais fácil de direcionar, sabe?

GSGabriel Sarmento

Inclusive, cara, você falando isso me faz lembrar de uma conversa que eu tive com um amigo Inclusive você conhece, Carol, esse meu amigo, que ele me trouxe uma vez algo que nunca mais esqueci, que essa falácia nossa, especialmente da nossa geração, de tentar buscar no trabalho a fonte de tudo, né? Fonte do desenvolvimento intelectual, a fonte de renda, de receita financeira, a fonte de encontro social e amizade, a fonte de diversão, todas as fontes possíveis.

Quando na verdade a vida é muito mais ampla e muito mais fácil do que o trabalho por si só, né? O trabalho é um componente da vida, obviamente, Que cada um coloca ele no nível de prioridade, mas um conselho barra recomendação que eu dou é que ele não seja a única figura central na vida de uma pessoa. A existência de uma pessoa seja pautada em muito mais outras coisas. Então eu acho que quando se tem esse alinhamento de expectativa sobre o que é que eu tô procurando com meu trabalho e que esse trabalho vai de fato ao encontro dessa procura, aí eu acho que é o laço no fim das contas, sabe?

E o maior desafio aí ao meu ver, sempre essa, esse andar ali na corda bamba de não cair no conto da sereia da vaidade e do ego e do, da arquitetura de como as coisas funcionam e pra onde os estímulos vão assim, sabe? Então ter essa autenticidade e essa personalidade de ver seu amiguinho sendo promovido pra X cargo em X empresa, trabalhando de X forma pra X lugar, E você ter a segurança de que a sua escolha é a melhor para você, não é a melhor para X, para Y, para Z, para sua família, para seus amigos, para ninguém, mas para você.

Eu acho que também é outro ponto de virada, assim, sabe? E para mim, no fim das contas, essa visão de ter uma carreira em portfólio, ela acaba contribuindo muito para essa geração de autenticidade, assim, sabe? Sobre qual a posição do trabalho na sua vida, assim, no geral.

CKCarolina Koury

Eu ia falar bem sobre isso também, que eu acho que depende muito de qual que é o teu objetivo de carreira, porque Se você é uma pessoa que quer crescer a cada 6 meses e ter uma carreira assim meteórica de ocupar uma cadeira alta rapidamente, se você for diversificar teu portfólio, muito provavelmente você vai ter um burnout, porque não vai dar para olhar para isso com tanta veemência como você olha para todas as outras coisas.

Agora, se você tá buscando um crescimento mais saudável, que é um pouco do que eu vejo de tendência do mercado desde a época da pandemia, que acho que a nossa geração tá revisando muito a maneira de lidar com o trabalho, trabalho e olhando para outras frentes também, aí eu acho que já fica mais sustentável. E esse ponto que você trouxe sobre que a vida é múltipla e tem muitas outras frentes, acho que nesse sentido ter outros focos ajuda você a ser uma pessoa mais resiliente, a tomar cuidado se você tá tendo uma relação tóxica com qualquer coisa que você se entregue.

Não precisa, a gente tá falando aqui sobre diversificação, né, de portfólio, Mas se eu for pensar que eu preciso me entregar a uma religião, a uma carreira, a uma família, a um namorado, marido, namorada, esposa, preciso ter bichinhos de estimação, eu preciso ter hobbies. Cara, isso já é uma diversificação de atenção também, né? Em tudo que você entra, você meio que tem um burnout, é porque a sua relação com aquilo dali tá sempre sendo central demais, a ponto de você não conseguir lidar com isso de forma saudável, né?

Eu acho que é importante ponderar nesse sentido também. Sobre perfil, sobre objetivos, é segurança psicológica, porque eu acho que tudo isso entra como fator também, né?

GSGabriel Sarmento

Para caramba! E daí tá sendo massa porque de fato acho que a gente já tá colocando dicas muito práticas, né, sobre esse tema. Então teve essa dica sobre objetivo, né, que você traz, de tipo colocar de maneira muito clara, tipo, qual é o meu objetivo de carreira como um todo, se é verticalizar e, poxa, tipo, quero ter um cargo X na empresa Y, de maneira que eu vá crescendo na hierarquia, perfeito, pau na máquina, faça isso, por favor.

Mas ao mesmo tempo, se você vê essa diversificação como alternativa, então que de fato se coloque ali quais são esses valores que você tá procurando no trabalho. Então acho que essa é uma dica muito prática que a gente já foi conversando aqui. Uma outra é a questão de não só da gestão da energia, mas também da gestão do tempo. Então essa duplinha ali que vai sendo formada como um todo, que a gente já resenhou sobre isso. Uma terceira agora, cara, o que eu vou lembrando, vale muito a pena reforçar sempre: transparência, óbvio, obviamente.

Pra ter hoje essa estrutura que eu tô começando a ter em termos profissionais, tá todo mundo alinhado. O meu trabalho, entre aspas, principal, meu líder, minha gerente de negócios tem total ciência do que eu faço. Nesse meu freela também todo mundo tem ciência do que eu faço. Tem uma, os meus dois sócios nessa agência assim que a gente tá começando a montar agora, que sabe também o que eu faço. Então, é, eu acho que isso é fundamental para mitigar qualquer risco, para que as coisas fundem de maneira saudável, positiva, e que ninguém se frustre.

E até também para não passar nenhuma barreira ética, moral e tudo mais. Até porque são relações profissionais sérias e formais. Então acho que é também outra dica que vale a pena mencionar aqui, sabe?

CKCarolina Koury

Sim, é, eu acho que se existe um plano de carreira, esse plano de carreira também precisa estar alinhado com todo mundo que você tá se responsabilizando e participar de alguma coisa, né? Porque também acho que essa falta de visibilidade pode causar uma sensação de que você não soube negociar da maneira correta. E aí aqui é fazer muitas coisas ao mesmo tempo e ter vários focos. Acho que é muito sobre o que você já falou, né? De organização, de ser uma pessoa que tá muito dando visibilidade para todo mundo do que tá acontecendo e ser um bom negociador, que eu acho que É uma ferramenta que é muito importante para você também conseguir equilibrar várias pratinhas diferentes, que vem junto com a visibilidade, é você conseguir mostrar para as outras pessoas por que você está priorizando A, B ou C, qual que é o seu objetivo.

Eu acho que isso se encaixa muito também quando você, por exemplo, quer sair de uma empresa, quer deixar claro que o objetivo seu não está fazendo sentido, então você vai redirecionar para um outro. E acho que quando você está falando priorizar muitas frentes ao mesmo tempo, também é isso. Eu vou entregar só o necessário porque o meu foco vai estar nisso daqui. Ou eu não quero ser promovida a cada 6 meses, eu não vou me doar tanto, mas eu vou entregar o que você precisa que eu entregue.

Então acho que essa negociação também é super importante para conseguir alinhar também essas perspectivas, né?

GSGabriel Sarmento

Eu acho que vai muito a esse encontro da transparência e dos objetivos, especialmente, né? Porque quando você tem, precisa ter certeza, né? Mas quando você tem ali algum cheiro, alguma hipótese sobre o que é que você quer com o trabalho, quais são esses valores que você tá buscando. Eu acho que fica muito mais simples ali de negociar e comunicar isso com todo mundo que tá envolvido nesse ecossistema. E daí, cara, eu acho que tipo até vale a pena comentar sobre isso, especialmente essa questão dos valores.

Eu acho que ter esse modelo que eu tô buscando agora de trabalhar de uma maneira um pouco mais diversificada, que faz muito mais sentido pra mim do que ter só um trabalho verticalizado, Acho que é fruto de muita terapia, tá? Sobretudo é muito autoconhecimento, vivência de burnout, já vivida bastante, muita frustração profissional, mas bastante frustração de lugares completamente malucos que já infelizmente trabalhei, ao mesmo tempo de pessoas incríveis que já encontrei no trabalho e que me orientaram muito, e de muita história para contar no fim das contas.

Mas que depois de 10 anos tô começando a vislumbrar formato que talvez faça um pouco mais sentido pra mim hoje. Pode ser que amanhã mude, mas que até então faz muito mais sentido. É, obviamente que o componente técnico é super importante, que quando você abre esse leque de atuação você tem que ter esse respaldo de repertório, de habilidades e competência pra conseguir dar conta dos desafios que vão chegar ali. Mas obviamente que tem um componente de autoconhecimento ali muito relevante assim, sabe, de entender ali Por que você tá fazendo aquilo?

Como é que faz mais sentido para você? E eu acho que isso ajuda para caramba na negociação, isso ajuda para caramba ali nos objetivos que estão sendo colocados e na carreira como um todo, né?

CKCarolina Koury

Acho que essa coisa do autoconhecimento é essencial, primeiro para você definir os objetivos, como você falou anteriormente. Uma coisa que eu fiquei pensando que eu estava falando é para você também não levar os problemas que não são seus para dentro de casa. Assim, eu acho que a gente compartilha de uma visão muito forte de empreendedorismo, assim, a gente gosta muito de saber como é que as empresas funcionam, por que que as decisões foram tomadas e tudo.

E aí, dado momento, quem é dono da empresa vai tomar decisões porque a gente não tem visibilidade, porque tem uma visão diferente da nossa. E eu vejo que isso também causa um pouco de burnout nas empresas, de você começar a discordar do movimento que a empresa tem feito. E você tá numa posição muito estratégica ali, você não tem como mudar aquilo. E eu por muito tempo ficava me questionando, cara, como é que as pessoas conseguem lidar com essa decisão que não tem nada a ver e ninguém fala nada?

Ou as pessoas discordam, mas continuam fazendo. E é um pouco isso assim, quando a gente começa a ter o nosso próprio negócio, a gente começa a empreender a nossa visão, acho que a gente dá vazão a essa energia de quando alguma coisa não é do nosso acordo, mas a gente precisa abaixar a cabeça de seguir, a gente tá de boa, porque não é o foco do nosso mundo, sabe? A gente também tem outras coisas para olhar, outras coisas para tocar.

Então acho que isso tira um pouco esse peso que leva nesse lugar de uma frustração muito grande assim, de você tá trabalhando na empresa de alguém, né?

GSGabriel Sarmento

Concordo 100%, e que para mim isso pode ser também muito sintetizado com a subversão do pensamento de dono, que é uma coisa que eu tenho Avô e o—

CKCarolina Koury

agora vai ser polêmico.

GSGabriel Sarmento

Exatamente. Meu senhor, minha senhora que está escutando isso aqui, se você em algum momento ouvir o famoso pensamento de dono, se questione mil vezes sobre como ele tá sendo endereçado com você. Primeiro e mais importante, você tem participação societária na empresa que você trabalha? Você tem equity relevante?

CKCarolina Koury

É relevante? 0,0001 não é relevante?

GSGabriel Sarmento

Que eu falei. Se sim, por favor, tenha um pensamento de dono, que é um negócio assim mesmo. Senão, não caia nessa ladainha, porque eu acho que tenta se glamourizar coisas que não deveriam ser glamourizadas, e na verdade nem deveriam ser colocadas em pauta. E aí eu vejo muito o que você trouxe agora, Carol, como essa subversão dessa mentalidade, que para mim é uma falácia absurda, porque de fato o nosso pensamento de dono é sobre a nossa carreira, a visão de portfólio assim, e não sobre a cadeira que a gente tá sentado numa empresa que a gente pode ser demitido a qualquer momento no fim das contas.

Então para mim é uma mudança de paradigma muito interessante, e que de fato esse é um clichêzão totalmente pegas, mas que esse eu concordo, que é de fato ser dono da carreira assim, sabe? E não ser dono de uma posição totalmente volátil, um lugar que realmente não lhe valoriza como profissional, tal qual a pessoa, qualquer pessoa mereceria assim, sabe?

CKCarolina Koury

A gente tem uma tendência muito grande a abrir mão das nossas coisas pelo trabalho, por conta do dinheiro. Então é muito fácil você não ir a um psicólogo porque você precisa trabalhar até tarde, ou você não sair com a família para jantar porque você precisa fazer alguma coisa, entregar alguma coisa para o dia seguinte. Então acho que eu vejo nessa possibilidade de diversificação É uma forma também de você ter coisas na sua vida que você vai conseguir ser, vai ser menos negociável nesse sentido, sabe?

No mundo ideal, essas coisas não deveriam ser negociáveis também. A gente deveria fechar completamente, mas a gente sabe que a gente vive numa lógica capitalista, que a grana vai falar mais alto, porque no fim do dia, para pagar o jantar que você vai sair com a sua família, você precisa ter dinheiro. Mas eu vejo que é um início de exercício mesmo para você começar a pensar dessa forma de, pô, eu tô fazendo para mim, é com foco no meu dinheiro, no meu ganho, no que eu gosto de fazer, no que tá me suprindo nesse momento.

E você começar a diminuir esses espaços que o trabalho ocupa no dia a dia, né? Total.

GSGabriel Sarmento

E eu vejo isso de fato uma grande porta de entrada ali para essa mudança de modelo mental ali, né, no fim das contas. Começar pelo limite, começar pelo não. Então acho que a partir do momento que começa a se criar uma disciplina maior sobre como delimitar o tanto que eu devo contribuir com a posição que eu tô, será se eu tenho tempo e energia necessária para conseguir explorar alguma outra coisa dentro da própria empresa, dentro de uma outra oportunidade.

Acho que é um ponto aqui também a ser colocado. Inclusive, Carol, até um ponto que eu vim lembrando agora enquanto a gente tava falando, que eu também não coloquei como premissa Vale a pena muito destacar essa estrutura que eu tenho hoje. Ela é 100% beneficiada pelo fato de que eu trabalho majoritariamente de home office. Moro em São Paulo, apesar de ser alagoano, graças a Deus, e vou pontualmente ao escritório. Tô indo, sei lá, uma vez na semana nessas posições que eu tô exercendo hoje.

Vou porque quero, porque a galera é muito gente boa e é um clima muito legal de estar lá, inclusive. Caso precisasse segunda a sexta, 9 às 17, isso seria completamente inviabilizado. É uma outra questão também, é uma outra pauta que eu acho que tá muito conectado nesse campo do profissional com o aspecto pessoal e a questão socioeconômica também. Então a possibilidade de ter trabalhos em home office, obviamente que infelizmente hoje da pandemia ela veio diminuindo, a um passo muito surpreendente, diria eu inclusive, mas que ela é sobretudo sobre tanto a capacidade da pessoa que trabalha de ser mais produtiva, porque assim, não tenho dado empírico para comprovar, mas pelo menos pelo meu data gathering aqui dos amigos, dos amigos que trabalham em home office, todo mundo comenta o quanto consegue ser muito mais produtivo trabalhando de casa.

No fim das contas, do que ele ter que pegar trânsito, um ônibus de 1 hora, 1 hora e meia, 2 horas ali para se locomover diariamente, do que tá ali nessa correria como um todo. Mais uma vez, desse lugar totalmente privilegiado, se fizer sentido para você, tente batalhar que não seja 100% home office, mas que de uma maneira um pouco mais híbrida, sabe? Porque eu acho que acaba liberando muito tempo de não só de agenda de logística, mas também de energia mental, né?

A locomoção em grandes cidades, meu amigo, todo mundo sabe aqui que é um caos e o quanto a gente se desgasta com isso também.

CKCarolina Koury

Sim. Aí eu acho que entra um pouco do que a gente falou durante o episódio, né? Organização, você saber até onde você pode ir dado o seu contexto. Aí foi o que o Gabi falou, ele tem outros 5 negócios por fora, mas talvez alguém que trabalhe presencial não consiga paralelizar tanta coisa ao mesmo tempo. E acho que tem um pouco também de paciência, porque às vezes você começa uma coisa que não vai te dar um retorno inicial, mas vai te dar um prazer.

De dar essa desafogada dessa semana corrida. E com o passar do tempo você vai chegando até um lugar que realmente te dê retorno financeiro, um retorno de reconhecimento. E aí entra também outro ponto que a gente falou, que é um pouco objetivo, né? Você ter essa experiência e deixando isso crescer e não ter ansiedade ajuda muito a você se manter nesse lugar mais amadurecido para lidar com essa visão do que você sair pelas tabelas e acabar se machucando emocionalmente durante esse processo de esperar que tudo vai ter um retorno muito rápido.

Porque não é isso que a gente tá falando, a gente tá falando sobre construção, sobre passo a passo, realmente curar aquilo dali para poder chegar no status ideal, né? Aí vou deixar aberto aqui para você dar suas considerações finais. É para a gente poder fechar o episódio.

GSGabriel Sarmento

Massa! Minha consideração final aqui vai exatamente por uma palavra que você trouxe agora ao fim da tua fala, que é prazer. Porque eu acho que infelizmente, por vários motivos diferentes, a gente foi acostumado às vezes evitar essa palavra, mas que é uma coisa que eu acho que a gente tem que cada vez mais batalhar mais por ela. Então, sei lá, para essa agenciazinha de automações e AI que eu tô montando com esses sócios. A gente fez, acabou de faturar o primeiro cliente, já estamos desenvolvendo ali dois projetos para outros dois.

O prazer que a gente teve de comemorar essa primeira nota emitida e esse primeiro cliente, eu acho que foi muito legal. E ao mesmo tempo, tipo, de saber que eu não precisaria hoje me dedicar 100% a ela, que eu consigo ter outra fonte de receita para conseguir de fato tocar o barco no dia a dia normal. Então acho que no fim das contas existe essa possibilidade de tornar o trabalho cada vez mais divertido ali, no fim das contas.

E que pelo menos para mim hoje, essa possibilidade de diversificar e ter essa visão mais diversa de atuações acaba sendo uma ferramenta que contribui muito para isso, sabe? Então acho que dá para tornar uma carreira mais legal assim, mais divertida. E vejo essa diversificação como um caminho interessante para quem acha que faz sentido para si também.

CKCarolina Koury

Gente, então é com esse tom inspiracional de olhar a vida de forma mais colorida, não olhar para uma linha só diretamente. Uma vez um amigo me falou que quando a gente anda muito na linha do trem, o trem passa por cima da gente, né? Então se permita dar uma volta nas estações, passear por outros lugares, outras paisagens. A gente fecha o episódio de hoje. Obrigada demais por quem escutou vídeo até o final. Não esqueça de ativar as notificações, acompanhar a gente nas redes sociais. E é isso, vejo vocês na próxima. Tchau, tchau!

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