O Poder da Varinha Mágica 🪄 com Eduardo Azara Varas
Neste episódio especial temos um bate papo com Eduardo Ribeiro da Azara Varas, que nos ajuda a explorar os conhecimentos a respeito de um dos instrumentos mais utilizados pelas bruxas! 🪄
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- A varinha mágica como instrumento de expressão da vontade do magoinstrumento musical·bruxaria·energia
- A escolha da madeira e a construção da varinha como uma missão pessoalGrimório·madeiras europeias·magia cerimonial
- Cuidados e consagração da varinha para uma conexão profunda com o praticantemeditação com a varinha·palavra mágica·dormir com a varinha
- A importância da fantasia na magia e a transição para a prática conscienteHarry Potter·preconceito religioso
- Mitos e verdades sobre a varinha mágica e seu uso na magiaGrimório de Bruxaria·elitismo
- O simbolismo da quebra da varinha e o ritual de enterro para o encerramento de ciclosritual de enterro·final de ciclo
A varinha mágica é sem dúvidas o instrumento das bruxas mais conhecido por todo mundo. Ela tá presente em filmes, contos e também na história de diferentes culturas e religiões. Mas apesar de ser muito comum, existem muitas questões acerca do que realmente significa esse instrumento e como ele funciona na prática da magia. Nesse episódio especial, nós vamos explorar os conhecimentos da varinha mágica e você vai entender como você pode fazer a sua e utilizá-la da melhor forma.
Oi, criaturas!
Hoje o nosso episódio do podcast é muito especial e por vários motivos. Primeiro, que esse tema é fascinante e eu acredito que não só eu como a maioria das pessoas que estudam bruxaria se encantam com a varinha mágica. Mas esse episódio é especial também porque ele é o primeiro que terá formato de vídeo e será disponibilizado para os membros do canal do Naturalmente Bruxa. Então, se você quiser ver essa conversa aqui além de ouvir, é só ir no canal e fazer parte do clube de membros.
Mas o maior motivo que faz esse episódio aqui ser especial é que eu não vou conversar sozinha aqui com vocês não. Pela primeira vez também nós temos um convidado aqui no podcast. Ele é um especialista em varinhas mágicas e muito gentilmente aceitou estar aqui para revelar os mistérios desse instrumento que a gente gosta tanto. O convidado de hoje aqui no Naturalmente Bruxo Podcast é o Eduardo Ribeiro das Aravaras, que já trabalha como artesão de varinhas há mais de 10 anos e é um grande estudioso sobre magia há mais de 20 anos.
O Eduardo é músico, mago, artista, mentor de um curso sobre varinhas e também escritor. Ele lançou o primeiro livro do Brasil que fala especificamente sobre varinhas mágicas e que também é o mais completo do mundo. Edu, seja bem-vindo, é um prazer te ter aqui.
Obrigado, obrigado pelo convite. Olá, criaturas!
Edu, hoje a nossa conversa vai ser assim acerca da varinha, só que eu sei que como a varinha faz parte da sua vida, né, da sua trajetória como mago. Você pode ficar muito à vontade para contar para gente, né, suas experiências na prática com esse instrumento, que eu acho que vai ajudar muito as criaturas a compreender melhor como que ele funciona, né. E eu já começo te perguntando o seguinte: a gente vê que tem muitos especialistas nesse mundo da magia, muitos especialistas em assuntos muito amplos, mas é muito raro a gente ver pessoas que são especialistas em um instrumento específico. Então eu já te pergunto, por que você escolheu as varinhas?
Eu acho que eu não escolhi, ela me escolheu. Eu acho que foi mais ou menos assim, porque eu fui tomado pela atenção desse instrumento pelo fato de eu fazer naturalmente um paralelo entre o instrumento musical que eu sempre toquei desde pequeno com o instrumento da varinha mágica. Então quando eu comecei a estudar, eu comecei com bruxaria, né, comecei a estudar bruxaria, e daí vi a importância de cada um dos 4 instrumentos ali, todos os outros também, mas os instrumentos que ficam no altar chamam a nossa atenção, né.
E daí eu vi a varinha mágica e a capacidade que ela tinha, muito, muito mais ampla do que os outros, né, por ser um instrumento ativo e de criação. E eu entendi ela como um instrumento musical. Então eu cresci numa família de músicos, toco e componho desde uns 6, 7 anos aproximadamente. Minha família sempre me ajudou muito com isso assim, sempre me apoiou muito por ser algo assim, né, da família mesmo. Eu vi uma relação entre o instrumento musical e o instrumento mágico da varinha.
Os dois são instrumentos de madeira confeccionados com o fim de criar, moldar e transmutar energia, né, com padrões musicais, com padrões geométricos e palavras mágicas, né, com essa intenção de direcionar essa energia com uma intenção. Então eu olhava assim a forma que eu tocava o meu instrumento em cima do palco e via a reação do público e a reação que aquela música fazia em mim, e daí consequentemente no público, é exatamente a mesma da varinha mágica dentro de um ritual, porque o show também é um ritual mágico onde você tem as ações, são muito parecidas assim, há um paralelo muito, muito óbvio entre o show e e um ritual.
Então eu fui, eu percebi isso, e daí eu comecei a tentar e fazer esse paralelo e estudar essa visão. Então quando eu estudava música, eu tava estudando varinha. Quando estudava varinha, eu também tava estudando a música. Então acho que foi uma coisa mais natural assim, não foi uma escolha, foi uma questão de percepção mesmo.
E a varinha, ela é um instrumento que é muito conhecido das pessoas, principalmente pelos filmes, pelos contos de fantasia. E você considera que tem alguma coisa que é válida nesse, nessa fantasia toda, ou você acredita que é melhor descartar essa imagem da fantasia antes de aprender a utilizar varinha mágica da vida real?
Eu acho que não é legal descartar, porque ela é uma porta de entrada para muita gente que não tem nem noção como funciona a magia. Então, se você tem uma referência, por mais fantasiosa que seja, é uma forma de você se conectar verdadeiramente àquilo, né? Senão se torna algo mais ou menos como é a religião, onde você tem que fazer porque, porque é assim e acabou. Isso não funciona, não funciona. Da mesma forma que o decoreba é a pior forma de aprender, né?
Se você conseguir assimilar com coisas que você gosta, faz muito mais sentido, né? Você tem aquela paixão por aprender. Então assim, é importante no primeiro passo, né, que você tenha essa conexão, mas depois também tem que ter a questão de consciência e maturidade para separar aquilo que é fantasia. Você deixa para lá e entende que aquilo é fantasia. E daí você começa a olhar para o instrumento de uma forma mais madura, mais consciente, mais com estudo, com preparo, com um método científico, né?
Você vai testar, você vai fazer, você vai seguir fórmulas e tal. Eu acho que é muito importante essa questão da fantasia na magia, principalmente aqui no Brasil, que é um país laico, mas ele é completamente tomado pela religião cristã e os preconceitos dessa religião. Então isso abriu portas para magia entrar dentro da casa das pessoas sem ferir elas, né, com o próprio preconceito delas. Então você vê uma família assim que de repente é aberta para conhecer Harry Potter, né, e daí, ah, tem a varinha assim, a varinha faz isso, a magia faz aquilo, tal, tal.
Tem uma visão já um pouco mais branda do que uma pessoa que não tem acesso à fantasia.
E pode ser ainda dentro desse contexto, né, da fantasia, mas você acredita que existe alguma mentira que é muito grande sobre a varinha mágica?
Sim, várias, várias. Essa, o resquício da fantasia ainda permeia o instrumento mágico. Então tem muita gente que acha que a varinha ela vai amaldiçoar a pessoa literalmente. Se você vai apontar e vai nascer uma verruga, a pessoa vai ter dor de barriga, coisas assim, ou vai levitar objetos, né? E também a questão de aquele elitismo também, tipo, não, a varinha tem que ser de tal madeira porque aquela lá é a madeira que tá no Grimório de Bruxaria tal e só aquela árvore ela é sagrada.
Ou seja, de todas as árvores que existem, que crescem, que tem sua história, tem suas propriedades mágicas, apenas aquelas celtas é que são sagradas e boas para fazer varinha. Mentira, né? E também tem outra, que é outro ponto elitista, que é aquela assim: não preciso de varinha, eu sou muito bom, nunca precisei disso daí, né? Então isso vai contra todos os grimórios, independente do sistema mágico, e vai contra a natureza humana, que a gente vai ver ao decorrer dessa conversa por que que eu tô falando isso.
E assim, eu gosto de começar pelo começo, apesar de eu não ter feito essa pergunta, né, já de imediato, né, que eu acredito que as pessoas têm a maior visão delas acerca da varinha com esses, com esses filmes, com essas histórias mais fantasiosas. Então eu quis começar a partir daí. Mas começando do começo, dentro da magia já, o que é a varinha mágica?
Varinha mágica, ela é expressão da vontade, da verdadeira vontade do mago, né? A verdadeira vontade, aquela vontade que vem do âmago, é aquela fagulha divina que anima a sua matéria, né? Ela é a representação daquilo que você morreria fazendo. Então é como se fosse um gatilho, né? Ela decreta, ela movimenta, ela direciona, ela transmuta tudo aquilo que você mais almeja no fundo da sua alma. É aquilo que movimenta e imbui o seu ser.
Então assim, eu tenho uma varinha, ela vai decretar aquilo que eu quero para o resto da minha vida, que fique marcado na minha alma, ou uma mudança que eu quero causar em mim ou no mundo. Ela é um instrumento assim que ela tem uma amplitude muito grande porque ela cria, ela é um instrumento ativo, né? Então ela causa mudanças e ela cria essas mudanças a partir daquilo que você entende, estuda e tem consciência e disciplina para lidar com ela.
Então a varinha depende totalmente do mago, mas a varinha é o gatilho para aquilo.
E você sempre fala, Edu, que a varinha representa o bruxo, a bruxa nas mãos do universo. O que que isso representa?
Então, levando em conta essa questão do gatilho, né, é como se fosse assim: tudo aquilo que eu quero, eu decreto com a varinha nas minhas mãos, com uma palavra mágica e com uma ação, seja um sigilo, movimento, ou apenas apontando a varinha, né. Essa é uma representação de você. A varinha seria você e você seria o papel do universo. Então, o que você quer que o universo faça com você? Então você segura você nas mãos, decreta com símbolo e uma palavra mágica, né?
E daí você direciona essa intenção. Por isso que eu falo, a varinha é você na mão do universo. O que você quer que o universo faça com você?
E existem diversas vertentes que que não utilizam a varinha mágica. Além de, como você mesmo falou, tem pessoas que acreditam que não tem necessidade de utilizar a varinha mágica para fazer absolutamente nada. Então, qual a importância da varinha mágica?
Então, eu respeito e entendo também o fato deles não usarem, porque tem outro intuito, né? Eu vejo assim, a varinha mágica ela tem a questão de afunilar, de condensar, né, a sua intenção, a sua vontade. Ela tem o uso de também te proteger, né. Eu vejo assim, tipo, você quando você não usa varinha mágica e você faz um feitiço, faz uma cura ou faz uma intenção, você tá em contato direto com outra energia. Isso pode sujar aquela energia, ou aquela energia pode intoxicar você, né, dependendo do que você tá trabalhando.
Então tem coisas que não é legal você ir lá e botar a mão direto, né. Você usa um instrumento para você mexer, né, uma evocação ou algum feitiço ou alguma coisa, depende a intenção. Então eu vejo assim, questão de proteção, questão de pureza da intenção. Eu sempre dou o mesmo exemplo, Você pode escrever o seu nome com os dedos e tinta, né, num papel. Mas se você vai assinar um cheque, um documento ou qualquer outra coisa, você tem que usar uma caneta.
É melhor que você use uma caneta, né? E dependendo ainda, por exemplo, você vai fazer um desenho, você tem canetas diferentes de espessuras e cores e tintas diferentes para você se expressar melhor. Então assim, você pode ser entendido escrevendo o nome com tinta guache no teu dedão, Mas uma varinha mágica funciona muito melhor nesse ponto, né? Ela vai refinando o seu trabalho mágico, vai elevando ele, né, colocando um nível superior de expressão ali, né?
E o que significa esse negócio de que a varinha escolhe o bruxo?
Então, isso é, eu acho que é mais conhecido por quem faz a varinha mágica. A pessoa que constrói a varinha mágica, seja ela um artesão de varinhas ou uma pessoa que se dedicou a fazer aquele instrumento por si próprio, ela vai perceber que por mais que o grimório tem uma fórmula, você vai adaptar aquela fórmula para aquilo que você tá sentindo no momento. É como uma receita, né, de uma comida assim. Você segue exatamente à risca, mas de repente você gosta um pouquinho mais apimentado, um pouquinho mais salgado, um pouquinho mais leve.
Né? Então você mexe para ficar mais ao seu gosto. A varinha é assim, mas daí são duas pessoas, né? O seu guia ou guia do instrumento e você, né? Aliás, são mais, porque daí tem a questão da tríade, da árvore, né? Então tem um momento também. Então assim, muitas vezes a gente tem, idealiza aquele instrumento mágico, mas esquece que a construção dele é uma missão. Não é um produto, né? Esse é o maior problema da comunidade mágica hoje, é esse.
Eles querem um produto, eles querem algo que venda, que dê dinheiro para eles, e eles esquecem da missão. Então eles chegam, por exemplo, assim, dando um exemplo, né, chega para fazer um orçamento, daí fala: eu quero tal madeira porque no Grimório diz que é tal madeira. Beleza, essa madeira não é fácil de conseguir. Você tá pedindo de repente uma madeira que eu tenho que importar da Irlanda, do Canadá, da Austrália, do Sri Lanka, né?
Ah, mas qual que tem então que é mais, sabe? Tipo, não, cara, para e pensa assim: é uma missão de um instrumento mágico que vai definir tudo aquilo que você vai trabalhar no seu interior. Você quer qualquer coisa? Ou de repente você tá travado que quer naquela madeira Mas de repente você não quer esperar para ter aquela madeira. É uma missão. Isso envolve vontade, isso envolve paciência, isso envolve dedicação, disciplina. Tudo isso já faz parte da caminhada para construção desse instrumento.
Você já tá aprendendo ali, né? Então assim, é bem complicado essa, essa relação, mas eu acho essencial assim para separar mesmo o que que é um instrumento mágico né, realmente com uma intenção forte e poderosa, e que tá sendo construído com essa verdadeira vontade, de repente um instrumento que é bonito esteticamente, né, mas não é, não tem as intenções corretas. E a questão da varinha escolher o bruxo, então depois de tudo isso ainda, daí você constrói seu instrumento, né, e ela tem um tempo para responder você.
Ela tem uma forma diferente para responder você, né? Se você tem já uma outra varinha, então tem uma questão da relação entre elas e como você vai usar elas. Então é toda uma questão assim. E outra, se você— isso se você for construir, né, que daí tem todo um caminho cheio de detalhes. Se você não for construir, você for comprar ela ou pronta ou mandar fazer, aí tem também a relação com o artesão, que a pessoa que vai fazer com o instrumento.
Então você tem que ter uma boa conversa, tem que transmitir uma clareza para ele e também ajudar nessa questão energética, né? Poxa, eu vou comprar uma varinha, eu vou acender uma vela aqui pelo menos uma vez por semana até o meu instrumento chegar, para me conectar com esse instrumento que tá sendo feito lá, né? Não tratar novamente como um produto, né? Comprei, tô esperando a Shopee entregar aqui. Não, Não é assim, é um instrumento mágico, né?
Até eu falo muito sobre a importância de você ter instrumentos confeccionados à mão, de material de boa qualidade, não necessariamente caro, mas de boa qualidade, né? Você não comprar um negócio de MDF impresso numa máquina CNC assim, que o cara põe ali, ela sai pronta, é um instrumento de durepóxi cheio de verniz. Não, É um instrumento que exale a natureza daquela madeira, né, que tenha um cuidado, um manuseio artesanal, né, que tenha dedicação e amor envolvido.
E falando na construção desses instrumentos, né, muitos grimórios antigos tinham fórmulas de como essa varinha deveria ser feita, né, todo método, o dia específico, horário específico, a forma correta de de fazer. Você acha que isso deve ser seguido como uma regra ou nem tudo ali serve para todo mundo?
Olha, a gente tem que lembrar assim que, a começar, né, geralmente os dois grimórios mais conhecidos, não grimórios, mas dois sistemas mais conhecidos, que é a bruxaria e a magia cerimonial. A bruxaria, ela é sempre voltada para um outro lado do mundo, onde a gente não tem contato, onde a gente não tem contato real com aquela mitologia, com aquelas madeiras, com aquela cultura, aquele folclore. Então tem que lembrar disso. De repente você recebe lá uma lista de madeiras, seja alexandrina ou wicana, magia natural, qualquer uma que seja, né, são madeiras europeias, né.
Isso não quer dizer que as madeiras brasileiras não têm valor, De repente você acha uma relação com alguma madeira brasileira que tenha, que tenha o mesmo significado para você. Às vezes não é nem pela propriedade mágica, mas de repente assim, ah, eu quero uma madeira para trabalhar ancestralidade do meu sagrado feminino. E daí você tem uma árvore na casa da sua avó que você gosta muito, que você pode fazer uma varinha que vai trabalhar muito mais ancestralidade do seu sagrado feminino.
Do que você comprar uma varinha de freixo de tilha lá da Europa que nada tem a ver com a sua história, né? Tem esses pontos aí também. E tem o outro lado, que é a magia cerimonial, que são grimórios que são de magia judaico-cristã, que foram escritos e mantidos por um certo tempo, principalmente na era medieval, por padres. Então assim, você tem que lembrar que teve a mão do judaísmo e teve a mão do cristianismo naquela, na escolha daquele instrumento, né?
Tem que ver se isso bate com você também. Tem a escolha daquela madeira, né? Às vezes acontece da pessoa, ah, eu vou trabalhar com um sistema luciferiano, mas de repente escolhe uma madeira que foi escolhida naquele grimório porque era uma madeira bíblica. Então ela contrasta com as intenções daquele grimório. Então são vários pontos assim que eu acho interessante de se atentar antes de escolher o tipo de varinha que você vai querer e a forma como você vai querer fazer aquele instrumento, né, ou comprar ele no caso.
E daí também tem a questão da forma de fazer, né. Então assim, os grimórios dizem que tem que ser feito Tem que ser feito se você segue à risca daquele grimório. Se você é uma bruxa que segue estritamente aquele grimório, segue a roda do ano europeia e fala na língua europeia, vibra os nomes da língua europeia, você vive na Europa, perfeito, perfeito. Então segue estritamente aquele grimório. Ou você é um mago cerimonial que você, né, segue à risca a magia judaico-cristã né, monoteísta, e você não trabalha com outro tipo de magia, você quer levar ao pé da letra que aquele grimório tá dizendo, não tem problema.
Agora, você que olha para esses grimórios, entende que são fórmulas, mas você tem uma vontade diferente, você tá usufruindo daquele ensinamento a benefício próprio, seja para sua evolução ou o que for, aí é interessante que você ressignifique aquilo, né? Então assim, ah, tem que começar, tem que fazer uma varinha no primeiro dia, no primeiro horário do dia de Mercúrio, 6 horas da manhã na quarta-feira, para comunicação. Mercúrio trabalha comunicação.
Mas de repente você quer uma varinha para abanimento, então você vai fazer no horário, no último horário de Saturno, que o Saturno seria o banimento, corte, né, no último horário, a finalização daquele ciclo. Então tem toda essa leitura. Eduardo, mas isso não tá escrito no Grimório? Não está, mas ele tá intrínseco, né? Você sabendo que o começo de uma ideia simboliza o primeiro dia de Mercúrio, que rege as ideias, então você já sabe que todos os outros também têm relações.
Por exemplo, eu quero o ápice da prosperidade. Então você vai pegar no dia de Sol, que trabalha prosperidade, ou no dia de Júpiter, né, e vai trabalhar com o sol no ápice, porque aonde você vai ter o ápice daquela, daquela questão. Então são pontos assim que não estão escritos, mas tá oculto nas entrelinhas. O bom mago, ele vai ler nas entrelinhas.
Então quando dizem que a varinha tem que ter o tamanho do braço do praticante, se a pessoa está seguindo, né, o Grimório, isso é válido? Se ela tem o instrumento assim para outro tipo de uso, se ela tem outras tradições, aí não é necessário.
Isso veio do Renascentismo, não é uma tradição muito antiga assim. Veio porque era um côvado, né? Côvado é aqui, essa medida aqui que tem do antebraço, é a forma como eles mediam naquela época. Não tem assim um porquê. Daí eles colocam toda uma questão, né? Ah, extensão do braço do mago, então tem que ser do tamanho do antebraço. Não, isso foi, né, o renascentismo que colocou isso. Antigamente não era feito, tanto que as varinhas antigamente elas eram mais compridas, eram varas.
As varinhas foram encurtando conforme o espaço onde eles moravam, onde faziam, ia encolhendo, né? Tanto que hoje a gente vê na magia do caos, que foi a última grande mudança de varinhas, uma varinha desse tamanho para ser usada no apartamento de 2 por 2, né? Então você vê assim, antigamente a galera fazia no quintal aberto, então é uma vara que tocava o chão. Depois eles foram fazendo dentro de laboratórios de alquimia, então a varinha tinha que ser um pouco mais curta.
E daí eles criam todo um simbolismo de cova e tal, que é para justificar essas mudanças. Mas quando você olha para a história, você entende o porquê essas mudanças.
E falando sobre as suas varinhas, qual foi a primeira varinha que você teve na vida?
Uma varinha de oliveira. Eu lembro bem dela porque isso aqui eu nunca contei para ninguém, né? Acho que esse, eu acho que até vou mandar para esse vizinho depois desse vídeo. No final da minha rua, lá em cima, tem uma casa que tem uma oliveira, mas aquele vizinho, sempre que ele fazia poda e eu pedia para ele, ele não deixava. Eu pegar um galho daquela árvore. E eu sempre fiquei com vontade, porque eu queria muito, porque era difícil você conseguir a veleira aqui no Brasil, é muito difícil.
Amendoeira também é muito difícil, aquela que você precisa para magia cerimonial, né? Que eu ainda tinha aquela cabeça que tinha que ser aquela veleira e amendoeira lá da Europa, porque eu achava que só aquela. Eu caí no conto também. Então eu vi que a única que tinha mais próxima do Brasil assim, e tinha na rua da minha casa, numa oliveira. E não conseguiu, vizinho não deixou. Aí eu falei, não, tudo bem, não quero um instrumento de uma madeira que não é bem-vinda na minha mão, né?
Aí eu consegui uma colher de pau feita de oliveira e pedi para o cara lá, né, que fazia colher de pau, falei, você pode, por favor, colher ela 6 horas da manhã, numa quarta-feira, é para algo religioso, tal, tal, tal. Eu levei a sorte que era um cara muito bacana e ele fez isso para mim. Ele falou, ó, tá aqui, eu tô te mandando até umas folhas, umas coisas aqui e tal que você precisar. E só que como era um produto, ele tinha que entregar como uma colher de pau para mim.
Então chegou como uma colher de pau e daí eu tive que cortar ela e transformar numa varinha. E daí eu fiz ela e eu trabalhei com ela. Eu tinha ela até acho que ano passado assim. Daí apareceu uma pessoa que tava destinada até ela. Então eu entreguei ela assim, mas sem dor no coração, assim. Eu acho que ela me serviu bem aí durante 19 anos.
E você tem uma história de alguma varinha que te marcou muito assim toda essa trajetória de varinheiro que você tem?
Tem. Para mim é uma das histórias, para mim ela é muito emocionante assim. Porque o meu perfil ainda é bem pequeno, não que não seja ainda bem pequeno, mas tipo comparado com que agora assim era muito no começo. E daí apareceu uma moça que queria comprar uma varinha e ela é deficiente visual. E daí ela falava, eu escuto seu perfil, escuto você falar, gosto muito, quero ter uma varinha, trabalho com isso, mas eu queria saber como posso escolher E por sorte ou não, né, de repente já era destino, ela era daqui de Curitiba.
Eu falei, então vou fazer o seguinte, eu levo todas as varinhas que eu tenho e você toca nelas, né, põe a mão em cada uma delas assim, e de acordo com a energia você escolhe. Porque assim que as bruxas lá na Europa escolhem a varinha, né. Falei, então eu vou fazer isso para você. E até o marido dela ajudou assim a colocar todas em cima da mesa e tal, foi bem legal assim. E daí eu levei lá e ela testou, e ela levou um bom tempo.
Isso foi muito legal, assim, ela levou um bom tempo assim testando uma por uma assim. Aí ela colocou a última em cima da mesa e falou assim, olha, Eduardo, eu gostei de todas, mas nenhuma delas é a minha. Você não tem mais nenhuma? Aí eu bati assim na minha cintura e pensei, puxa, eu tenho só a minha, né, cara? Falei, eu tenho a minha. Daí eu entreguei na mão dela assim, ela só tocou na varinha, falou, essa é minha. Eu falei, olha, então pode ficar com ela, pode ficar com ela assim, não vou, não vou meter.
Porque depois de tudo isso, de toda essa história de você testar todas assim, só de você tocar, você saber que é essa daí é para você, então, então essa vai ficar com você assim. Então foi para mim Não tinha dúvidas de que era para ser dela. Inclusive, se eu preciso avisar ela que eu tenho um livro, é que eu lancei esse livro, e se ela quiser adquirir o livro, eu faço questão de narrar as 700 páginas para ela, porque para mim assim foi uma das coisas mais legais desse trabalho, foi ter esse contato com ela assim e ver a coisa acontecer na minha frente.
E Edu, falando sobre a estrutura da varinha, o que que difere uma varinha feita de galho, uma varinha feita de tronco ou de qualquer parte da árvore?
É só você pensar na construção da árvore, né? Então uma varinha, tem uma varinha ali feita de raiz da árvore, então ela vai trabalhar tudo que é interior, tudo que é o submundo. Né? Ela vai trabalhar essa raiz do assunto. Daí a varinha do tronco é a varinha do cerne, né, da árvore. É onde você trabalha robustez de tudo aquilo que você quer trabalhar, né? Então vou trabalhar o centro do assunto, o assunto principal, aquilo que eu quero expandir, aquilo que é com mais força.
Então é a parte mais concisa assim, né, mais bem estruturada do assunto. E os galhos são inícios, os inícios de projeto, aqueles quando você tá buscando uma ideia. Então eles estão mais próximos do elemento ar, né, e eles são mais frágeis. Então você tem que tomar cuidado para aquele início de projeto, você tem que tomar cuidado com tudo, tudo um pouco mais frágil. Então tem todas essas relações, né. E daí, lembrando assim, né, geralmente na bruxaria a gente vê sobre isso, né, a nova, a madura e a anciã, né? Então é a mesma coisa, é o galho, cerne e a raiz.
E já que a estrutura da árvore influencia na varinha, provavelmente a madeira também. E qual a dica que você dá para que a pessoa escolha a melhor madeira para varinha que ela quer?
Primeiro de tudo, galera, estudar. E estudar, estuda mesmo a respeito das árvores. Claro, tem outras coisas que são muito mais importantes. Por exemplo, se você tem uma relação já com uma árvore, né, mesmo que você não saiba qual madeira, qual árvore que é, mas se você já tem uma relação. Por exemplo, meus pais têm, estão construindo um local para eles, e naquele local minha mãe passou e viu uma árvore que não tá na área do terreno deles.
E minha mãe tá apaixonada por aquela árvore. Eu quero essa árvore, eu quero essa árvore. E daí ela foi lá e tipo, tá uma questão assim de tipo, sei lá, 30 centímetros para o terreno deles assim. Ela foi até o dono do terreno e perguntou: posso ficar com essa árvore? Eu quero essa árvore no meu terreno. E daí explicou para ele: eu gosto muito, eu quero. Não, pode ficar, pode ficar, tá aqui dentro do seu limite, então não tem problema assim.
Então tem a questão da relação com a árvore, né? Então eu morava perto da minha avó e sempre brincava numa árvore que tinha, uma pitangueira que tinha lá. Então para mim é ter uma relação com aquela árvore, eu cresci embaixo daquela árvore, né? E às vezes você tá indo para o trabalho ou você mora no local onde você passa por ali, sempre tem aquela árvore. Ou de repente não é justamente aquela árvore, mas aí eu gosto muito, muito, muito, eu tenho paixão por pêssego.
Sabe, romã. Então você tem uma relação com aquilo, é mais importante do que você estudar as propriedades da árvore, escolher através das propriedades. Caso você não tenha isso, aí, meu amigo, é muito estudo. Você vai estudar todas para você escolher uma. Não é assim, tipo, ah, eu vou, você não precisa estudar todas do mundo, óbvio, mas assim, todas aquelas que te interessam, né? Então você faz uma boa pesquisa, não pesquisa no ChatGPT, pesquisa em livros, porque o ChatGPT erra demais e traz um monte de coisa que não tem nada a ver, absolutamente nada a ver.
Tem pessoas que já sofreram queimaduras assim e vem me falar: poxa, fui fazer uma varinha de tal coisa aqui, daí, poxa, tô cheio de bolha na mão. Eu falei: pois é, essa madeira você não pode cortar assim sem EPI, tem que tomar cuidado. Ah, mas no ChatGPT dizia que não tinha problema. Eu falei: pois é, meu irmão, mas é ChatGPT. Tem que ter, cara, né? Tem que perguntar ou um livro que passe por vários processos, ou uma pessoa que trabalha com isso.
Não necessariamente o varinheiro, mas de repente uma pessoa que tem conhecimento sobre árvores, então, né? Ou sobre a cultura daquela árvore, né? Então você vai lá, o pessoal da Umbanda tem conhecimento de ervas, o pessoal da bruxaria tem conhecimento de ervas e madeiras e árvores, povos originários. Então Você sabe onde buscar, né? Nem sempre o mais fácil é o correto. A gente tem, né, essas inteligências artificiais que podem ajudar em outros aspectos, a organizar, a fazer outras coisas, mas para buscar esse tipo de trabalho é importante que seja com uma pessoa real, viva.
E uma madeira que você recomenda para qualquer pessoa E outra que você não recomenda ou não costuma recomendar de jeito nenhum?
Para qualquer pessoa, sem sombra de dúvidas, a embuia. Embuia é uma madeira que, quando bem tratada e bem confeccionada, ela é mais fácil conexão, ela é muito generosa com aquilo que ela entrega assim. E a propriedade dela, as propriedades dela serve para qualquer um. Então eu acho que, né, contanto que você não meta um verniz na embuia assim, tá ótimo, né. Agora, que eu não aconselho para qualquer um são as varinhas e as madeiras de maldição, porque elas realmente são de maldição.
Tem muita tradição a respeito do uso de varinhas para maldição. Não só magia cerimonial, não, existem muitas coisas assim que eu não vou nem trazer aqui porque para não dar ideia para maluco, mas é coisa muito séria assim de tipo, por exemplo, tiveram casos de, como é que se diz, tipo casos judiciais, não sei como é que se diz isso, mas é tipo como se fosse casos judiciais da época da era medieval lá, como eles decidiam aquelas coisas assim, né.
E que a pessoa foi condenada porque ela apontou uma varinha de uma madeira específica para o pé de uma pessoa e aquele pé inflamou. Então ela foi condenada por causa disso, né, por causa de uma azaração com uma varinha. Isso tá até no livro ali, em uma pequena nota assim, para quem pegar, pegou. Mas é, então são coisas assim que não é para todo mundo, ou madeiras brasileiras, por exemplo, que queimam, que machucam, né? Não só propriedade física dela, que vai queimar você mesmo assim, vai causar erupção cutânea, bolha, inflamação, como respiratório também, né, conforme você for manuseando ela, mas energeticamente.
Então, de você ter aquele instrumento ali ativo, ele tá emanando aquela energia, vibrando aquela energia, daí de repente você não percebe, ou Não só assim, madeiras, por exemplo, que tem um tipo específico de ébano, que se você tiver em casa e você não cobrir ela, né, não guardar, não reter aquela energia, ela serve como se fosse um azogue assim. Ela forma um buraco negro na casa, e daí tudo aquilo que você tenta emanar de energia, ela cai naquele buraco negro.
Então você fala, meu, minhas coisas não estão indo para frente, minhas coisas estão estragando, nada tá funcionando. Aquela varinha puxando tudo para baixo, porque você não soube como guardar aquele instrumento. Então tem essas questões assim, eu não vou dizer o nome delas aqui porque se você quiser vai estar no livro, vocês quiserem vai estar no livro, mas são madeiras assim que tem que se tomar cuidado. Mas como não é de fácil acesso, então não é uma coisa assim muito preocupante.
O que tem de fácil acesso que eu não recomendo mesmo para galera Angelim, a varinha de Angelim, que ela realmente assim, ela queima a mão, ela dá vômito, ela dá um monte de problema assim, problema respiratório. E IP amarelo também, IP amarelo ele dá um problema no pulmão irreversível, então não é legal. Então IP amarelo e Angelim, tome cuidado que eu não recomendo.
E agora eu gostaria de saber o que uma pessoa jamais deve fazer, de jeito nenhum, na feitura da varinha dela?
Ah, isso é muito fácil. Primeiro de tudo, seguir os conselhos do Chico Cícero, da Golden Dawn, que são varinhas horríveis. Outro é colocar verniz na varinha, né, que é outro crime que geralmente as lojas que querem vender assim, né, e daí quer estocar para vender e ganhar dinheiro, elas não pensam no fluxo energético. Então elas metem um verniz e deixam encostado lá até a pessoa aparecer para comprar. É horrível, isso destrói o instrumento.
Para construção, assim, construir com madeira podre ou madeira de algum lugar que não foi legal, você achou no chão e vai lá e constrói, também não é legal. Nossa, tem tantas coisas assim que destroem com instrumento, cara, porque é tão simples. É você imaginar assim, você tem um instrumento, né, que ele vem de uma árvore, ela representa você. Você quer, você quer a relação e o simbolismo da árvore que dá frutos, da natureza que respira, e daí você vai meter tinta, vai meter massa, vai meter Durepoxi em cima, vai meter verniz em cima e tal, e não tenha cuidado, né?
Então é muito mais fácil cuidar do que não cuidar, né? É pensar assim, é igual minha comida, eu quero minha comida mais limpa possível, não quero me intoxicar. Então é mais ou menos essa relação que tem que fazer. Mas geralmente a galera enche de coisa assim, ou quando é uma loja faz isso porque é um produto que ela vai vender para ganhar dinheiro, não é uma missão mágica. Ou quando a pessoa quer assim, eu quero instrumento mais forte, mais forte, mais forte, mais forte, daí enche de coisa na varinha, fica um ruído energético só, não serve para nada.
A varinha ela é objetiva. Todo símbolo, todo formato, toda escolha que você faz nela tem que ter um significado muito forte e óbvio na sua mente, porque é um gatilho, né? Você clicou, aconteceu. Se tiver bagunça, ela dispersa, né? Então acho que se atentando com esses pontos assim, você consegue construir um instrumento bem mais efetivo.
De forma geral, é só não inventar moda, né?
Só não inventar moda.
É só não fugir do natural.
Exatamente. E se for fugir, né, que seja por uma boa causa. Por exemplo, não há em nenhum lugar dito que pode ou não pode colocar dente na varinha, né? Mas de acordo com meus estudos e relações que eu fiz, eu fui lá e coloquei o primeiro dentinho que caiu da minha filha, eu coloquei na minha varinha. Então eu tenho aqui, mas por quê? Porque o dente tem uma relação com uma letra do alfabeto árabe, do qual eu estudo, e também tem relação, essa letra do alfabeto tem relação com alguma coisa, né, minha e da minha filha.
Então eu vou colocar aqui nesse instrumento mágico. Então você vê, tem um significado muito forte para mim, né, e tem um porquê, tem uma razão de estar ali. Não é simplesmente assim, ah, vou colocar porque eu gosto, vou colocar porque eu quero, que vai ficar mais bonita, vai ficar mais poderosa. Não necessariamente.
E algumas pessoas colocam cristais ou na base ou principalmente na ponta da varinha. Isso é bom ou ruim?
Geralmente muito ruim, geralmente assim, porque a forma de você segurar esse cristal ali naquela ponta vai precisar de uma massa, uma resina sintética que vai impedir o fluxo energético verdadeiro, né, o contato da madeira com aquele cristal. Ou ela vai fazer aquela enrolação com cobre na ponta do cristal e daí por fora da varinha. O que que acontece é como uma resistência elétrica, né? Você coloca enrolado por fora, ela dispersa energia, ela não une energia.
Ela não vai fazer igual nos filmes, né, que vai enrolar a energia aqui bonitinha, bem juntinho ao corpo da varinha assim. Não, isso não vai acontecer, ela vai dispersar. Daquela energia, né? Então você pensa assim, você vai soltar um feitiço, você vai declarar alguma coisa, aquilo espalha para todo lado e nem chega no cristal. E se chega no cristal, o cristal vai espalhar também. Olha só, a gente vê como funciona, né, lâmpada, ou quando você coloca uma luz na água assim que ela espalha, né?
Acontece isso. Então tem um porquê de colocar, nem sempre é ruim de colocar, mas tem a forma correta e o motivo correto dá para expor.
Mas aí fica contraditório, né? Porque a varinha ela é feita para direcionar energia e você coloca um item que vai espalhar essa energia novamente. Então não faz sentido.
É uma forma legal de trabalhar com o cristal é quando você quer iluminar algo, né? Que nem se a gente vê nos filmes assim, né? Harry Potter servindo muito bem agora. Você levanta a varinha com cristal E daí ela ilumina o local porque você tá direcionando aquilo. Claro, não literalmente, né, mas simbolicamente ela tá espalhando aquela luz. Ou quando você vai fazer uma bênção, uma cura, um local aberto assim, né, ou para um grupo de pessoas ali ao seu redor, daí você levanta a varinha e daí, né, direciona aquilo.
Não vai sair da ponta, né, uma energia reta assim, ela vai espalhar para todo local. Aí sim funciona muito bem.
Mas ao mesmo tempo você limita a varinha só para essa finalidade, né? Você não consegue utilizar ela para outras coisas.
Exatamente, daí vai limitar. Daí é sempre legal ter várias varinhas, cada uma para um tipo de trabalho. É como se fosse talher, né? Então tem o talher que serve para cortar, o outro para perfurar, o outro para né, colher as coisas. Então, e pensa assim, você vai fazer um trabalho, por exemplo, de maldição, e depois você vai usar a mesma varinha para fazer um trabalho de cura. É tipo você usar uma colher para cavocar a terra lá e depois usar ela para tomar uma sopa.
Não faz sentido, né? Você tem uma colher para sopa e uma colher para mexer na terra. Então, mais ou menos por aí.
Então, uma pessoa não Precisa ter somente uma varinha que nem, né, voltando na história do Harry Potter, que os personagens ali eles têm uma única varinha que eles utilizam para tudo. No nosso caso, a gente tem que ter uma varinha para cada finalidade.
Você pode ter uma varinha para tudo, não tem problema, só que você tem que ter a consciência de que se você for fazer uma maldição, você não vai mais poder usar aquela varinha para fazer uma cura. Né? Então tem todas essas questões. Por exemplo, eu tenho uma varinha que ela tá consagrada a meu nome, consagrada às minhas intenções e tudo mais. Aí você usa aquela varinha que tá com o seu nome, suas propriedades, para maldizer alguém.
É como você cometer um crime e assinar seu nome, seu CPF ali. Não é, não é muito esperto. Então é legal você ter uma varinha para cada coisa mesmo.
E depois que uma pessoa faz a varinha, né, teve todo esse processo aí de encontrar a árvore certa, de pegar a parte da árvore específica, como que ela faz para se conectar com essa varinha, com esse instrumento, para que ele realmente se torne algo sagrado e único para ela?
Consagração. Consagração é a parte mais importante. Eu lembro que teve uma época a galera perguntando assim: a varinha já vem consagrada? Já, ela já vem consagrada para o uso dela, né? Eu consagro, faço uma pré-consagração antes de construir instrumento, enquanto tô construindo instrumento, depois que eu construo instrumento eu faço toda uma consagração. Tem vários passo a passo que eu faço. Por isso que leva tanto tempo essa confecção.
Só que eu fiz para que ela funcione, para que aquela madeira, aquela parte daquela árvore, se transforme num instrumento mágico, né, que vai ser usado por outra pessoa. A partir do momento que você recebe sua varinha, você tem que se conectar com ela, falar: olha, essa energia é minha, esse sou eu, esse é meu toque, essa minha temperatura, essa minha intenção, esse é meu nome, esse meu nome nome mágico, esse meu sistema, essa minha voz, né?
É como celular, você compra ele, você começa a configurar ele à sua maneira, né? Então é muito importante para você se conectar, tem que fazer a consagração. Ah, mas qual que é a consagração certa? Qual que é a consagração mais forte? Aquela que mais conecta com você. Esqueça, os livros trazem fórmulas, mas o mais importante é que você se conecte com essa fórmula. Senão você tá no sistema errado, né? Foi mais ou menos o que aconteceu comigo.
Assim, eu olhava e pensava, poxa, eu não quero fazer em nome de Yod-Heh-Vav-Heh Adonai, eu não concordo com o que o Estado legítimo de Israel faz e fez durante a história. Não gosto de magia judaica, respeito, mas não serve para mim. Então vou ressignificar isso, vou procurar uma consagração que tenha relação comigo. Daí eu achei consagração alquímica, consagração elemental, consagração de vários outros pontos. Daí me conectei com elas, né?
E daí aquilo para mim serviu muito melhor. Então não existe uma consagração mais forte, né? Claro, existem forças de egrégora e tal, mas mesmo assim, se você não tem conexão forte com aquela egrégora, Não adianta a egrégora ser forte se você não consegue carregar ela, né? Então vai muito da sua conexão mesmo.
E você pode dar um exemplo de como que a gente pode usar a varinha na prática?
Sim, a varinha. Eu acho que a forma mais legal de você usar a varinha no começo, principalmente no começo assim, que os livros não trazem, é a meditação com a varinha. A vibração com a varinha, né, energia e tudo. Então você vai fazer uma meditação, você vai se aterrar, você coloca a ponta da varinha entre os seus olhos ali na testa e você sente a energia do seu instrumento. O instrumento vai sentir você vibrando, você vai sentir que a sua energia vai vibrar naquele instrumento, vai formigar.
Só de você tocar a ponta da varinha na sua testa, você vai sentir aquela energia adentrando na tua cabeça, né, de forma literal. Você vai sentir. Você pode fazer agora, você que tá ouvindo agora. Você tem uma varinha, pega essa varinha e toca, né, entre os seus olhos ali, um pouquinho acima da sobrancelha, assim, fazendo um triângulo, né, a linha dos olhos assim, e daí faz um triângulo na parte de cima. Você vai sentir a energia da varinha.
Então você se conectar com ela, o primeiro passo, e a forma mais prática que que tem é fazer essa meditação com a varinha. Depois você pode fazer o quê? Você pode definir uma palavra mágica para ela, né? E daí começar a traçar sigilos ou símbolos com ela, né? Seja um pentagrama, você traça com ela e define uma palavra mágica. E daí você dispara, né, lançando aquilo com a varinha. Então eu acho que esses exercícios que são simples, mas que nunca são ditos nos grimórios assim, ajuda muito na prática mágica.
E essa palavra mágica que deve ser dita, a pessoa que define, ou existe uma palavra específica?
Existem palavras que têm egrégoras e sempre foram usadas, né? A mais conhecida delas é abracadabra, né? Eu crio enquanto falo. Mas tem outras, né? Tem outras palavras assim Drok, Moroki. Tem outra que é Abagote, Batableu. Tem Ofano, Oblano, Aspergo. Tem várias outras assim que estão nos grimórios de magia, né? Mas eu acho mais interessante que você crie a sua, ou crie uma palavra ou defina uma palavra, seja qual língua for. Pode ser em português também, né?
Aquela coisa assim, tem gente que quando leva um susto né, credo em cruz, ou ai meu Deus, né, são palavras de expressão que são reações àquele susto que você tomou e você afasta. E tem outros que fala sai, caralho, e funciona também, porque a expressão, a expressão que importa é você lançar com energia, né. Se você é uma pessoa que xinga quando você se assusta, quando você quer mandar algo embora, xinga mesmo, usa como palavra mágica, defina aquilo como uma palavra mágica.
Mas lembre, quando você tá com a varinha, né, aquilo tem uma intenção além do físico, ela tem uma intenção mental, ela tem uma intenção espiritual, astral. Então é bom você tomar cuidado com a escolha de palavras, mas você define, você define.
E eu já vi em alguns lugares você recomendando, além da meditação, dormir com a varinha. Por que que você recomenda dormir com a varinha?
A varinha como instrumento ativo, e não só ativo nesse ponto ali também, mas ativo, ela vai ficar emanando aquela energia, né? Então você carregou aquela varinha de intenção, você fez a consagração, né? Ela já é um instrumento e é também uma arma mágica. Então você coloca ali embaixo do travesseiro e ela vai ficar emanando aquela energia. E também recolhendo. Ela é uma antena, né? Então ela vai recolher aquela energia do teu sono.
De repente você teve um sonho e daí você vai, quer trabalhar aquilo que você sonhou. Primeira coisa, você pega a varinha, abre um ritual, e daí só despeja aquela memória ali naquele ritual para você trabalhar aquele sonho, né? Então acho assim, ela funciona como essa antena para captar aquilo que você passou enquanto tava fora do seu corpo, mas também ela é uma arma de defesa e de manifestação enquanto você tá desprotegido durante o sono.
E quais são os cuidados que você recomenda ter com a varinha, tanto energeticamente quanto fisicamente?
Acima de tudo, respeito, porque é um instrumento mágico que simboliza você, que é a via de conexão entre você e a sua vontade, você e sua divindade. Você e seus desejos. Então tem que ter um respeito absurdo, não é pegar o instrumento, ficar brincando, ficar conversando, pegar qualquer coisa, né? E também a questão de você não deixar largado em qualquer lugar. Tem um local para ela, né? Quando você compra a varinha Zaravaras, por exemplo, ela vai numa caixinha com um travesseiro para ela assim.
Então você pode tirar aquela caixinha e deixar aquele travesseiro como um espaço no seu altar ali para você guardar sua varinha. Daí, como ela é de espuma, né, e tecido, você pode pingar um óleo ali, pode passar um perfume, uma essência, alguma coisa assim, para que fique um espaço sagrado para o seu instrumento sagrado, né. E o cuidado físico é você passar o óleo mágico, né, muito pouco, muito pouquinho assim, só umedecer, né, um pano mais liso assim, geralmente algodão, passa nela, né?
Ou você passa um pingo no pincel daquele óleo mágico e daí passa na varinha. Depois você passa um tecido de algodão assim para tirar aquele excesso, só para lubrificar ela, né? Para deixar ela sempre muito bem cuidada. Não deixar exposta no sol também é bom para não rachar madeira ou entortar. E não expor diretamente na água. Ah, Eduardo, mas eu vou fazer uma consagração que precisa. Você respinga a água nela, né, ou você toca a ponta dela na água, já tá, já tá consagrado.
Você não precisa enfiar ela embaixo da água, porque isso daí vai estragar teu instrumento, ele vai arrepiar inteiro, ele vai embolorar, né. Se você tomou todo esse cuidado e mesmo assim a sua varinha partiu rachou, arrepiou ou embolorou, aí é a manifestação do que você anda fazendo. Isso já aconteceu uma vez em 20 anos que eu trabalho com isso. Apenas uma vez eu vi isso acontecer, e foi macabro, foi macabro assim. Eu depois eu fiquei sabendo qual que foi a intenção da pessoa, né?
Ela mentiu na confecção Ela falou que ela precisava de uma varinha para um ponto específico, e daí na verdade era para outro. E daí a varinha começou a embolorar inteira assim, embolorar. Ela mandou para mim, eu, né, fiz todo um trabalho assim, lixei de novo, tal, passei, né, um monte de coisa, voltou para ela, e daí fez tudo de novo até quebrar essa varinha. Daí ela me entregou a varinha quebrada assim, não tem o que fazer. E daí depois, né, me contaram, né, pessoas próximas assim da família falou: não, ela tava usando para outra coisa, só que ela tava com vergonha de te dizer que era para algo maligno.
Não precisa ter vergonha, eu não vou julgar, eu só construo instrumento, né, não tô ensinando ela nada. Só que ela perdeu o instrumento por conta disso. Então tem que se atentar assim com instrumento. Ele começou a entortar, começou a rachar, arrepiar ou embolorar, Se você cuidou bem dele fisicamente, é manifestação espiritual.
E o fato da varinha quebrar geralmente é falta de cuidado, ou tem outros simbolismos da varinha se quebrar?
Tem outros. Ela pode ter, por exemplo, assim: você tem a conexão com o teu instrumento mágico, você tem a tua intenção, e você já alcançou aquilo que você queria, ou você já chegou naquele nível que a tua varinha serviu para trabalhar para você. Se você não desapegar dela naturalmente, ela vai fazer isso por você, então ela vai se quebrar. Isso acontece normalmente. Você já viu isso acontecer ao vivo, né? Tava no seu podcast e eu fui dar um exemplo assim E só eu nem fiz força, eu só segurei assim, e daí ela já se partiu no meio.
Eu fui mostrar e ela partiu no meio. Por quê? Porque ela já tinha chego naquele ponto. Um pouco tempo depois eu comecei a estudar outra coisa de magia assim, que eu precisei de uma varinha, e daí eu fiz essa que eu tô na mão. Então é o final de um ciclo, ela age assim dessa forma, e E daí, claro, tem outras questões assim, tipo quando uma pessoa, por exemplo, já aconteceu comigo, de uma pessoa me azarar, e daí a varinha, por ser uma antena, ela recebe primeiro, e daí quebra a varinha, né?
Ou alguma coisa que você tá fazendo, como no caso daquela bruxa assim, não vou fazer uma maldição, e daí a varinha não era para aquilo, e a varinha quebra, racha, é normal.
E o que que deve ser feito quando a varinha se quebra?
Olha, eu indico que se faça um ritual de enterro para aquela varinha, porque não é o fato de ser algo físico só, né, mas é simbólico, é uma intenção sua, é um final de ciclo. Então trate aquilo de forma ritualística, né. Então você faz todo um ritual, abre um ritual respeitoso Você pode queimar ela, não precisa queimar até virar cinzas, mas você inutiliza para que ela possa ser remendada, né? E depois você enterra no pé de uma árvore, né?
Volta para alimentar uma outra árvore, né? Volta as raízes dela para alimentar outra árvore. É uma coisa que é importante dizer: você enterra no pé de uma árvore longe da sua casa. Para não ficar aquela energia de um ciclo terminado, né, próximo a você. É tipo você terminar um casamento e tá morando junto com a pessoa, né? Não faz sentido. Você tem que se desligar e ir para outro lugar, e a pessoa para outro, para cada um seguir seu caminho.
É basicamente isso com a sua verdadeira vontade e a varinha, que é instrumento disso.
E falando, Edu, sobre o seu livro de varinhas, Tudo isso que a gente conversou aqui, né, todas essas questões que você abordou, elas estão no livro também?
Sim, tudo isso e muito mais. É um livro de 700 páginas praticamente, né, parece uma Bíblia o negócio, é muito grande. Daí eu coloquei tipo bastante coisa aqui assim, e mas ele é um livro bem, apesar de ser bem filosófico, ele é de muito fácil entendimento. Então tá, tentei colocar assim tudo que você precisa saber para começar a trabalhar com esse instrumento, e dúvidas, história e exercícios e palavras mágicas e quiromancia e diferença de varinha, relações com toda a história humana, lugares do mundo onde o usuário vai estar, tudo aqui, tá tudo nesse livro aqui.
E qual foi a parte que você mais gostou de escrever desse livro?
Olha, eu acho que a parte de história, porque a gente vê que a varinha é uma expressão da espécie humana. Ela não é uma coisa aprendida, ela é uma relação do ser humano com o mundo ao seu redor. A primeira varinha, a última varinha que foi descoberta, é a varinha mais antiga do mundo, né, que se tem noção e certeza de que era usada como forma mágica tinha 26 mil anos, é antes da era paleolítica. Então é muito antiga assim, é uma relação mesmo do ser humano com a natureza, né?
Mas também a parte de, a parte de alquimia e as leis herméticas também é muito legal, porque ela faz relação, cada lei hermética com cada passo da construção daquele instrumento. E daí tem várias coisas muito importantes colocadas ali de uma maneira, de forma a ser bem mais entendível, sabe? Eu acho, eu achei bem legal assim, porque eu lembro o momento que eu tava escrevendo aquilo, porque que eu escrevi aquilo e a forma que impactar.
E daí, como faz muito tempo que eu tô escrevendo isso, agora depois de pronto, lançado, eu pego para ler assim, parece que eu tô vendo uma pessoa, uma outra pessoa que escreveu aquela parte ali, sabe? E vejo o quanto que isso serve até para mim, que me tornei uma pessoa diferente daquela que eu escrevi no começo do livro. Então eu acho que é muito legal, não só pela forma saudosista, mas como aquilo me impacta verdadeiramente, né? Uma forma diferente de entender as leis herméticas.
Muito bonito isso. E Se o pessoal quiser entrar em contato com você, tanto para fazer varinhas, né, encomendar uma varinha, quanto para comprar o seu livro, entrar no seu curso sobre varinhas, como faz?
Você pode visitar o site www.azaravaras.com, daí tem ali, né, tudo que você precisa saber, ou no Instagram, né, pelo @azaravaras. Deixar bem especificado para galera aqui que é Azara Varas, né, de azarar varas. Então Azara Varas, que às vezes a galera lê correndo tudo, daí fala Azar Varas. Não, é de azarar varas. Então Azara Varas.
Perfeito, Edu, muito, muito obrigada. Fiquei super feliz de você ter participado aqui, né, ser a nossa primeira conversa, ser o nosso primeiro bate-papo aqui do podcast. E eu espero ter uma outra oportunidade para trazer você aqui de novo, falar mais sobre varinha, sobre outros assuntos que você entende tanto também.
Eu que agradeço pelo convite. Todas as criaturas que estão ouvindo aí acompanham também meu trabalho, e espero que essa conversa desperte nas pessoas essa consciência e vontade de trabalhar em si mesmo, né? Independente da varinha ou não.
Você tem algum conselho final para deixar para o pessoal? Um conselho de varinheiro ou de magista experiente?
Não acredite no TikTok nem no ChatGPT, estudem por si mesmos. Não acreditem em mestres que estão ali só para tomar o seu dinheiro. Não acreditem em influências que têm bilhões de seguidores, eles querem seus dinheiros, eles querem números. Eles não querem você evoluindo, querem vocês dependentes deles. Então, se você quer mudança interior em você, comece por você mesmo e siga o Naturalmente Bruxo.
Edu, muito obrigada e até a próxima, pessoal!
Azara Varas
Varinhas mágicas