Episódios de ExpertCast - Inovação em Saúde

89- A Evolução do Diagnóstico na Saúde ( parte 2 )

02 de setembro de 202632min
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Na segunda parte da conversa, são apresentados os avanços do diagnóstico na saúde em casos concretos trazidos pelos convidados Patrícia Munerato, diretora de diagnósticos especializados para a América Latina na Thermo Fisher Scientific, e Gustavo Stuani, diretor de negócios B2B e de operações do Grupo Fleury.

Patrícia explica que o diagnóstico especializado consegue unir o histórico do paciente que costuma se perder entre as consultas com diferentes especialistas. Ela cita que pessoas com doenças raras passam, em média, por cinco anos de busca até o diagnóstico correto, e mostra que combinar inteligência artificial com os dados de genômica, proteômica e metabolômica pode reduzir esse tempo para semanas, além de cortar custos e ampliar o acesso aos exames fora dos grandes centros.

Gustavo Stuani mostra como o Grupo Fleury une eficiência e inovação, usando inteligência artificial na citogenética. Ele também apresenta o ROC (Retorno sobre a Cultura), um indicador criado para ouvir e aplicar ideias de melhoria que vêm dos próprios funcionários da operação. Para o futuro, Stuani aposta no cruzamento dos dados de décadas dos pacientes com informações de prontuários e de relógios ou sensores inteligentes. Ele prevê que essa integração vai abastecer sistemas para liberar autorizações automáticas com convênios e sugerir tratamentos personalizados.

Indicações dos convidados: 

*Patrícia indica o livro Sapiens, de Yuval Noah Harari

* Gustavo Stuani recomenda o livro Criaturas Extraordinariamente Brilhantes, de Shelby Van Pelt.

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IA na radiologia: o que já é realidade e o que ainda é promessa ( episódio gravado na JPR ) https://open.spotify.com/episode/0vn2vPPPhgDtkVfPbnfh5H?si=efc99d388b7c4a6c

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Participantes neste episódio2
G

Gustavo Stuani

HostDiretor de operações e negócios B2B no Grupo Fleury
P

Patrícia Munerato

ConvidadoDiretora de diagnósticos especializados para América Latina na Thermo Fisher Scientific
Assuntos5
  • O diagnóstico especializado como solução para a fragmentação do sistema de saúdeinteroperabilidade·doenças raras·biomarcadores·genética·proteômica
  • A busca por eficiência e inovação no Grupo Fleury para melhorar a saúdeinteligência artificial·citogenética·manufatura aditiva·Retorno Sobre a Cultura·Grupo Fleury
  • Tendências futuras na medicina de precisão e diagnóstico com ômicas e IAgenômica·proteômica·metabolômica·inteligência artificial·descentralização
  • A integração de dados e tecnologias para personalizar o atendimento ao pacientedados de pacientes·wearables·sensores inteligentes·personalização da terapêutica·integração de sistemas de saúde
  • Dicas culturais e de saúde dos convidados do ExpertCastSapiens·Yuval Noah Harari·Patagônia·Criaturas Extraordinariamente Brilhantes·Shelby Van Pelt·saúde mental·meditação
Transcrição45 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
GSGustavo Stuani

Olá, estamos de volta com o ExpertCast, o nosso podcast focado em inovação na saúde. Eu sou Gustavo Meirelles, vice-presidente médico da Aafia, fundador da Comunidade de Inovação em Saúde e apresentador aqui do ExpertCast. É um prazer ter você conosco para mais um episódio em que vamos falar novamente sobre as evoluções do diagnóstico na saúde. Para isso, eu tenho o prazer de contar novamente com a presença da Patrícia Munerato e do Gustavo Stuani.

A Patrícia é diretora de diagnósticos especializados para América Latina na Thermo Fisher Scientific. Ela tem uma experiência ampla em diagnóstico molecular. Já falamos aqui no primeiro episódio, aprendi bastante com ela e com o Gustavo, que é diretor de negócios B2B e de operações do Grupo Fleury. Ele atua na gestão de laboratórios e em vários projetos estratégicos do Grupo Fleury. Gustavo, Patrícia, muito obrigado novamente pela presença.

PMPatrícia Munerato

Prazer estar aqui mais uma vez aprendendo com os dois Gustavos aqui hoje.

GSGustavo Stuani

Eu que estou aprendendo com vocês aqui.

GSGustavo Stuani

Prazer enorme, Gustavo. Prazer em vê-lo novamente.

GSGustavo Stuani

A gente vai começar de novo com você, Patrícia. A gente na primeira metade, que ficou muito bacana, Você falou sobre medicina de precisão, falou sobre a questão do acesso ao diagnóstico. Eu quero voltar um pouco nesse tema que você até citou na primeira metade, que é interoperabilidade, interoperabilidade, e os problemas que a gente tem num sistema de saúde, não só no Brasil, mas no mundo todo, que muitas vezes é fragmentado e episódico.

A gente até vai abordar esse tema num episódio futuro aqui do ExpertCast. Eu vou receber o João Paulo Nogueira, o Alexandre Tarifa, a gente vai falar sobre saúde contínua, o que não é hoje a regra, né? Muitas vezes é um paciente que vai, faz um exame laboratorial, aí passa num outro médico, faz um exame de imagem, e aquilo fica todo picotado. Como que o diagnóstico especializado pode ajudar a reduzir essa fragmentação e que enfim a gente tenha Um sistema interoperável e uma visão completa do paciente.

PMPatrícia Munerato

É um excelente ponto, né? Eu acho que esse é o grande desafio que a gente tem para tornar a jornada do paciente mais eficiente, consequentemente mais assertiva, né? A gente falou um pouco disso no primeiro episódio e eu queria retomar alguns pontos que são Eu acho que hoje a forma com que o paciente, quando ele entra, né, dentro dessa jornada, ele passa por especialidades muitas vezes em doenças complexas, onde cada especialidade olha para tentar resolver um problema e não o todo, né?

E por que isso? Justamente pela fragmentação. Às vezes ele não tem todo o dado do paciente, naquele momento, esse histórico se perdeu, ele passa, né, de um ponto a outro e isso se perde, né, a jornada literalmente fica fragmentada. Aonde entra o diagnóstico especializado? Eu acho que é justamente conectando esses pontos através de um teste ou vários testes, né. Hoje a gente tem biomarcadores, toda a parte de genética, a gente daqui a pouco quero falar de proteômica também, mas à medida que você lança mão desses diagnósticos muito mais precisos e assertivos, você conecta, né, os pontos que ficaram perdidos.

Então ele traz ali uma luz para uma decisão clínica direcionada. Eu acho que essa é a grande beleza do diagnóstico especializado, lançando mão, né, dessa inovação que se trouxe desde a genômica até proteômica. Mas outros testes biomarcadores, né, que nem lança não é um tanto de tecnologias futuristas, mas é saber usar esses testes dentro dessa conduta médica para responder perguntas muito específicas e personalizadas dentro daquele quadro clínico.

GSGustavo Stuani

Muito bom. E com isso a gente começa a melhorar um outro problema, que é sustentabilidade financeira do sistema de saúde, que além de ser fragmentado, picotado, tem ficado cada vez menos sustentável? Eu trouxe essa pergunta para o Gustavo na primeira metade do episódio, uma parte dela. Eu quero voltar um pouco nessa pergunta porque me lembro até de alguns avanços do próprio Fleury, como relatório integrado, que já tem muitos anos, né, ligando medicina diagnóstica laboratorial com imagem, ou diferentes exames dentro da área de imagem ou dentro da área laboratorial, o fato do paciente ir numa unidade Fleury, puxa, preciso de um outro exame, ele já faz ali também, começa a agregar as coisas e reduz essa fragmentação.

E eu queria ver aí na sua visão os últimos avanços, né, o que que vocês têm feito, Grupo Fleury, para reduzir essa fragmentação, para melhorar a eficiência e ainda conseguir aumentar a qualidade dentro do sistema de saúde?

GSGustavo Stuani

Maravilha de pergunta, Gustavo. E isso tá muito relacionado à cultura do grupo, né? O sistema de saúde, ele é pressionado, sabemos, né? A busca por eficiência, ela é constante, ela precisa estar conosco 100% do tempo, né? Eu diria que como diretor de operações, 95% do meu tempo com eficiência, mas nós também precisamos ser inteligentes para desdobrar isso. A busca por eficiência de maneira pura e simples, ela vai te colocar na vala comum, ela vai te levar para falta de qualidade.

Você precisa associar eficiência com inovação, e a inovação está relacionada à proposta de valor, ela está relacionada ao uso das ferramentas que nós temos disponíveis no mercado, ou muitas vezes ao não uso delas. E eu gosto muito de refletir sobre isso porque nós falamos muito de inteligência artificial, né? Inteligência artificial vai resolver tudo, vai gerar eficiência. Nós usamos inteligência artificial, quando eu faço uma reflexão, faz 15 anos pelo menos, né?

Existem ali equipamentos que reconhecem células de hematologia, fazem classificação, por inteligência artificial. Isso melhora a produtividade de analistas, de médicos, e os coloca para fazer aquilo que realmente importa, que é o diagnóstico, né? A gente usa inteligência artificial para separar cromossomos na citogenética. Mas quando eu olho para os ganhos que eu teria em colocar inteligência artificial para fazer a liberação automática que eu citei no outro, seriam muito pequenos.

A gente investiria um tempo gigantesco, um dinheiro e e não funcionaria, né? A gente tem colaboração com startups que hoje olham para um simples hemograma e correlacionam ele, correlacionam esse hemograma com algumas enfermidades, com algumas doenças. Então, veja, o ser eficiente está diretamente relacionado com ser inovador, né, no nosso caso. E se você é eficiente, você tem espaço para conectar melhor as coisas. Você não precisa estar tão preocupado com aquele arroz e feijão, você pode começar a incrementar o seu produto, você pode trazer proposta de valor, você pode conectar e olhar para o paciente de maneira única e não de forma fragmentada.

Eu não tô lá para liberar um resultado, eu tô lá para dar uma solução, né, levar valor para para o sistema de saúde. A gente hoje tem programas para coletar qualquer inovação dentro da empresa. Então aquele colaborador da área técnica que tá lá todo dia produzindo, analisando, fazendo o melhor possível para os pacientes, ele tem uma ideia, ela vai ser avaliada e vai ser colocada em prática e vai ser demonstrada para que outras áreas possam assumi-la da mesma maneira.

E eu tô falando de coisas absolutamente fora da área dele, né? Então o analista, ele pensa numa impressão 3D, numa manufatura aditiva que pode resolver o problema de um equipamento de espectrometria de massas que gotejava solvente. E eu tô falando de coisas absolutamente fora da área dele, né? Então o analista, ele pensa numa impressão 3D, numa manufatura aditiva que pode resolver o problema de um equipamento de espectrometria de massas que gotejava solvente. E o fornecedor nunca pensou nisso.

PMPatrícia Munerato

É a prática, né?

GSGustavo Stuani

No dia a dia.

GSGustavo Stuani

Aquela pessoa que tava ali na frente pensou. A gente tem programas, Gustavo, para coletar o orgulho das pessoas. Então tem um indicador dentro de casa chamado ROC, Retorno Sobre a Cultura. Então tem publicação sobre isso, tudo, a gente pode compartilhar depois, mas foi um conceito criado lá dentro para área de saúde. E por que que as pessoas fazem o que fazem? Por que elas estão lá todos os dias? Por que elas estão inovando? E a gente tenta capturar a relação delas daquela ação.

Ela tá relacionada ao paciente, ela tá relacionada à diminuição do prazo de resultado, ela tá direcionando isso para uma redução de custos. Então veja, a gente hoje trabalha com uma rede de conhecimento muito fragmentada. Para que você possa aproveitar as mínimas possibilidades e no conjunto você criar um grande projeto que possa torná-lo mais eficiente, que possa torná-lo mais acessível, que possa permitir que você busque imputar todos esses ganhos em qualidade para o paciente.

GSGustavo Stuani

Excelente, poxa, tem vários pontos aqui que a gente está falando já no dia a dia, que já estão sendo realizados pelas duas empresas. E agora eu queria um olhar para frente, vou começar com a Patrícia e depois com você também, mas um olhar de futuro. A Patrícia já falou, a gente vai falar de proteômica, e eu fiquei aqui com antenas ligadas porque eu vou querer saber mais, não só sobre proteômica, mas da sua visão das principais tendências e inovações que vão transformar a medicina de precisão e o diagnóstico nos próximos anos?

O que que vem por aí na sua visão que tem grande potencial de incrementar ainda mais a prática clínica?

PMPatrícia Munerato

Ótimo. Antes de entrar nessa resposta, eu queria só complementar um pouco a fala do Gustavo e um pouco do tema, né, de diminuir o peso, né, o custo no sistema de saúde. Quando a gente falava de diagnóstico especializado impactando nessa jornada do paciente, me lembrei aqui que é encurtar esse caminho, né? E me lembrei aqui, a gente poderia trazer o exemplo de doenças raras hoje, que a jornada média de um paciente, né, para ter um diagnóstico assertivo de doença rara, em média 5 anos.

E ele passa por, em média também, 8 consultas, né, até se chegar àquilo que vai determinar um diagnóstico correto da doença rara que o paciente tem. Então veja aqui, se a gente consegue usar toda essa tecnologia, agora já puxando para a área, né, do futuro, onde é que a gente está encaminhando, com inteligência artificial acoplada e todo esse histórico do paciente em termos de dado e com o diagnóstico correto no meio do caminho, a gente encurtaria isso para meses.

Que são semanas. Então olha o custo que isso, né, em 5 anos gerou para o sistema de saúde, além obviamente de prejudicar o desfecho, né, dessa doença rara que não foi tratada durante esse período, trazendo de anos para semanas, né. Então eu acho que isso é, é esse a visão futurista que eu tenho E aí, trazendo mais dados aí para sua pergunta, o que que eu vejo de tendências, né, para esse, para chegar nesse futuro da melhor forma?

Eu entendo que genômica já é uma realidade em termos de aplicação em doenças raras, em oncologia. A gente vê hoje genômica sendo aplicado de diferentes formas. Ainda temos o tema de acesso, sem dúvida nenhuma, Mas é uma realidade. Só que genômica ainda é um dado estático, né? Então a gente tá falando de uma impressão do DNA. A proteômica é que vai trazer a realidade do momento, né? Então eu vejo a proteômica entrando na área clínica muito mais forte para trazer desfechos mais acelerados na saúde.

Então se hoje a genômica nos ajudou e ainda vai continuar ajudando, né, a trazer essa leitura da impressão digital. É o nosso DNA essa leitura. E a gente faz isso não só do genoma do paciente, do genoma humano, mas a gente faz também de células oncológicas, né, melhorando terapias-alvo, né. Mas a proteômica vai nos possibilitar juntar genômica, proteômica e metabolômica, ou seja, é a consolidação das ômicas, né, com dados históricos do paciente e inteligência artificial.

Então é assim que eu enxergo esse futuro, né, onde tudo isso vai estar conectado de uma maneira automatizada, trazendo essa leitura completa, né, daquele do status da doença naquele momento para que se tome decisões muito mais rápidas e assertivas. E um último ponto assim em termos de futuro, que tudo isso não pode acontecer sem o pensamento da descentralização, que foi o ponto que o Gustavo explicou em detalhes, né? Como é que a gente leva esse acesso aonde a tecnologia não está?

Isso é descentralização, né? Levar a parte do pré-diagnóstico, né, do pré-analítico, coletar essa amostra para a realização do exame nos grandes centros. Então a descentralização tem que fazer parte desse futuro.

GSGustavo Stuani

Fantástico, Patrícia. E você ia falando, eu me lembrei de dois episódios do ExpertCast, um recente que nós gravamos ao vivo na Jornada Paulista de Radiologia, com a Cláudia Leite, que inclusive é médica do Fleury, da radiologia, e o Giovanni Guido Thierry, professor titular de radiologia da USP. E o Giovanni falou bastante da quarta ômica, da radiômica, também integrada com isso aqui. Então, episódio interessante em que os dois abordam o que já é fato de inteligência artificial, especificamente na radiologia.

E o outro sobre doenças raras, eu recebi o Dimas Timers, junto com Alexandre Kawasaki e a Érica Azellini. Então, o Dimas é ele mesmo um portador de uma doença rara, e ele passou não por 8 médicos, como você colocou aqui na média, mas por 50. E ele citou aqui, ele, por conta dessa história, junto com Alexandre, que é médico, eles fundaram uma startup chamada Raras, que é um grande banco de dados de doenças raras que agora tem o apoio da Wikipédia e a Érica que tava aqui é CEO Brasil da Wikipédia.

Então esse banco de dados, a ideia deles é que os pacientes tenham um cartão de doenças raras, de portador de doenças raras, e que tem ali em um repositório todas as informações que você precisa, como qual que é o melhor método diagnóstico, qual que é o melhor tratamento, ensaios clínicos que estão acontecendo para aquela doença. Então A gente vai deixar na sinopse também para quem tá nos ouvindo, assistindo, conseguir avaliar.

Eu vou terminar agora com Gustavo, terminar antes da gente passar para o papo rápido, mas terminar com as suas visões de tendências, de inovações que vão transformar inclusive essa interação entre hospitais, laboratórios, profissionais de saúde.

GSGustavo Stuani

Gustavo, eu não podia estar mais alinhado com o que a Patrícia colocou. Isso no sentido de que Quando eu pego um dado interno, nós temos 30 anos de dados dos pacientes. O laboratório hoje, falando da minha área em específico, ele é um enorme repositório de dados. Imagina um paciente que nós acompanhamos por 30 anos de história, a evolução de toda a fisiologia dele. Pode estar ali no nosso banco de dados. E como a gente aproveita isso?

Eu vejo a utilização desses dados, né, mais do que o meu core propriamente dito, que é fazer exames, eu vejo a utilização desses dados como algo fundamental para o futuro. E a conexão desses dados com variáveis demográficas do paciente, metadados desse paciente, os dados clínicos, os dados de desfecho, né, para que você possa criar a extrema personalização. A Patrícia falou no começo de interoperabilidade. Parece fácil ter tudo num banco de dados só e utilizar isso de forma simples dentro de um consultório, por exemplo.

Mas veja, o TSH do fornecedor A tem um valor de referência. O TSH do fornecedor B tem outro valor de referência. Não é tão fácil você ter tudo na tela e criar correlações. Você precisa de tecnologia. E a tecnologia pode ajudar a transformar esse banco de dados em algo útil. Você citou o nosso relatório integrado, eu tinha deixado de propósito para cá. Nós fazemos isso hoje individualmente ali, um a um, um tumor board que fica avaliando os casos mais complexos e dando ali sugestões diagnósticas, terapêuticas, etc., entregando aquilo pronto para o médico.

Em termos humanos, a gente não tem escala para fazer isso, para aumentar essas possibilidades. Nós precisamos de motores que avaliem esses dados todos e mastiguem isso e entreguem o dado pronto. As fontes pagadoras. Hoje toda a burocracia que um paciente tem, que ele enfrenta quando tem, seja uma doença rara, seja um câncer, seja lá o que for, esses dados eles podem vir de uma solicitação médica que não pede mais exames, mas pede uma investigação para determinado doente, que vai disparar uma série de algoritmos, que vai fazer autorizações de fontes pagadoras automaticamente, e vai levar para aquele paciente ou para aquele médico solicitante uma proposta de valor muito mais completa que o direcione.

E veja, a gente não tá falando aqui de substituição de profissionais de saúde, a gente tá falando do sistema auxiliando no uso racional dessa mão de obra super qualificada que tem ficado escassa, né? Então esse é o sistema que eu vejo no futuro. A gente utilizando dados wearables, monitoramento, você tem o dado em que você vai a um laboratório, que você vai a um local para capturar essas informações, mas os relógios, os sensores, os biosensores, eles captam cada vez mais informações em tempo real e a gente usa uma fração disso no nosso dia a dia.

Quando a gente tiver capacidade de colocar tudo isso em conjunto, e criar a personalização. E não só a personalização da terapêutica, né, da ômica, da genômica, mas a personalização até do atendimento e do cuidado com aquele paciente, né. Você, assim que esse paciente chegar próximo de você, você saber o que ele tá passando, o que aconteceu com ele, qual o histórico dele, poder dar um tratamento adequado para aquele caso. Então eu vejo essa integração como o futuro, eu vejo a geração de valor, a integração do hospital, a integração do laboratório, integração da fonte pagadora, integração da clínica, integração do médico de família, integração dos dados demográficos, dos metadados, nos levando aí ao futuro e entregando uma proposta de valor e uma eficiência muito maior para o sistema de saúde.

GSGustavo Stuani

Muito bom, várias coisas positivas. Já acontecendo e por vir. Obrigado novamente aqui pelo papo. A gente não acabou porque tem a tradição do papo rápido aqui no ExpertCast. Eu vou começar com a Patrícia, depois vou passando para você. Uma dica cultural ou de viagem, leitura, filme, você pode escolher.

PMPatrícia Munerato

Aí eu vou trazer aqui uma, um livro que me marcou. É, acho que muitos já leram, mas eu gosto da essência da transformação Homo sapiens, né, que foi um livro que acho que tem tudo a ver com tudo isso que a gente tá falando aqui, né, que é olhou para o passado, né, posicionou onde estamos e fez uma projeção para o futuro, né, para onde vai a humanidade. Essa é a minha dica cultural aí, é reler sempre esse livro de tempos em tempos.

Sempre você vai ter um olhar diferente para interpretar. Né, o que é, o que vai ser o nosso futuro.

GSGustavo Stuani

Muito bom, né? O que se fala é que os livros são os mesmos, mas a gente muda. Então cada vez que você lê é uma leitura diferente, porque nós mudamos, né? E Sapiens é realmente uma ótima dica. Eu já li, tinha lido no Kindle e resolvi comprar até a versão física para tê-lo ali. De vez em quando olhar e falar, pera aí, deixa eu ler de novo. É uma ótima dica. Gustavo, e você?

GSGustavo Stuani

Sapiens é um livro espetacular, talvez Está na minha estante como um dos meus preferidos, mas eu queria dar duas dicas, uma de viagem. Eu adoro viajar, adoro conhecer novas culturas, mas eu quero compartilhar a Patagônia. É um lugar que me cativou. Primeira vez que eu fui para lá, eu falei, como perto de nós!

GSGustavo Stuani

Porque não tinha ido ainda.

GSGustavo Stuani

Exatamente, que lugar maravilhoso, né? E eu sou um andarilho, eu gosto de fazer, de caminhar, de conhecer, de ter contato. Então, a Patagônia foi um lugar fenomenal que eu conheci. Já fui pelo menos duas vezes pra lá e iria uma terceira com toda certeza. Mas falando de um livro também, um livro indicado por Bill Gates, atípico, porque Bill Gates indica literatura técnica e ele fez a indicação de Criaturas Extraordinariamente Brilhantes, que trata a história de um polvo que de dentro do aquário analisa relações humanas.

E traz insights sobre elas. E baseado no livro, é Shelby Van Pelt autora, há o filme, né, com Sally Field, tá no Netflix. É um filme super bom, super leve de assistir. Então eu faço essa indicação.

PMPatrícia Munerato

Muito bom, muito bom.

GSGustavo Stuani

Esse não li ainda, vou deixar aqui na minha lista. Bacana. E Boa Viagem também, Patagônia, também tá na minha lista. Os dois eu vou Vou deixar armazenados aqui. Vou voltar com a Patrícia agora, porque a gente tá falando de saúde. Eu vou querer saber o que que vocês dois fazem para cuidar da própria saúde.

PMPatrícia Munerato

Olha, eu vou responder essa pergunta, eu encaro como duas formas, né? A gente fala muito saúde física, então está, o que que eu faço? Eu confesso que não tudo que eu deveria, né? Mas cuido da alimentação e musculação, que eu acho que é, eu tô realmente na fase, preciso cuidar disso. Mas o que mais me preocupa nessa fase, saúde mental, né? Eu ainda não tenho um protocolo para cuidar da minha saúde mental. Então o que eu tenho tentado é sempre fazer meditação, né?

Algo muito recente que eu comecei. Mas me ajuda demais a ter equilíbrio, né? Eu acho que essa palavra, eu acho que resume tudo em saúde mental, assim, como a gente consegue equilibrar, né, esse nível de informação que chega até nós o tempo todo. Mas pra gente que tá na área de saúde, inovação, é complexo, né, a gente lidar com essa quantidade de informação. Fazer as escolhas, né, do que eu vou me dedicar, o que eu não vou me dedicar.

E é uma cobrança constante, e isso mexe com a saúde mental, né. Eu imagino que não só a minha, mas muita gente. E esse tem sido o meu foco ultimamente, cuidar disso.

GSGustavo Stuani

Muito bom, Patrícia. E você, Gustavo?

GSGustavo Stuani

Eu tento fazer esportes hoje em dia, musculação, Corro um pouco, tento me alimentar de forma equilibrada, né? Mas gostaria de fazer mais esporte, algo que eu gosto bastante, mas os joelhos já não são mais os mesmos. Então eu tento tomar cuidado para não exagerar, inclusive. Então fazer esporte, mas de forma equilibrada para que eu também não me machuque.

GSGustavo Stuani

Boa! Bem, agora se vocês invertessem os papéis e tivessem o papel de entrevistador de um podcast, quem que você gostaria de entrevistar, Patrícia?

PMPatrícia Munerato

Eu pensei muito nessa pergunta e me veio assim prontamente uma pessoa de quem eu sou fã, né, mas uma pessoa real, que foi o meu orientador de mestrado e doutorado, Dr. Ricardo Dias, que é um médico infectologista, presidente da Sociedade de Virologia hoje, Mas por quê, né, eu indicaria? Eu acho que ele é um exemplo de cientista e médico, né, que conecta essas duas coisas. Assim, sempre foi um pesquisador árduo, mas ele levava prontamente essa inovação, a ciência, para o consultório, para o hospital, né, no cuidado com paciente de HIV. Acho que é uma excelente pessoa para bater um papo.

GSGustavo Stuani

Boa dica também.

GSGustavo Stuani

Conheci pessoalmente, é um Uma pessoa fantástica, realmente.

PMPatrícia Munerato

Sim.

GSGustavo Stuani

E você entrevistaria quem?

GSGustavo Stuani

Eu entrevistaria o autor do livro Sapiens, Yuval Noah Harari.

GSGustavo Stuani

Yuval.

GSGustavo Stuani

Boa, boa. E o meu interesse sobre ele é— ele fala muito sobre coisas que nós discutimos aqui hoje: inteligência artificial, futuro, tecnologia. Por que tanto pessimismo em relação ao futuro? O ser humano sempre se adaptou às novas tendências e o mundo foi melhorando, a disponibilidade foi aumentando, mas por que um futuro tão catastrófico? Eu gostaria de explorar esses temas com eles.

GSGustavo Stuani

Excelente. Pergunta final aqui para os dois, começando com você, Patrícia. Não precisa ficar restrita à saúde. Qual que é a sua inovação predileta?

PMPatrícia Munerato

A inovação predileta é Eu acho que é usar a tecnologia a meu favor, mas não no sentido egoísta, né? A meu favor em trazer esses benefícios, né, para o meu dia a dia, dentro da minha casa e no trabalho também. E o que que eu digo, o que que eu chamo de tecnologia? A gente tá falando aqui muito de inteligência artificial. Mas não só isso, né? A gente tem essa conectividade absurda em que a gente tá inserido hoje e eu tento usar de uma forma positiva e vejo de uma forma positiva, né?

Você falou muito de pessimismo e a gente tem mesmo essa tendência, mas eu acho que essa é uma inovação que eu vejo como transformadora para mim.

GSGustavo Stuani

Verdade. E você, Gustavo?

GSGustavo Stuani

Eu, Gustavo, eu vou colocar aqui uma inovação histórica e algo que me fascinou quando eu comecei na academia, né, quando eu decidi ser biólogo. Eu gostaria de colocar a descoberta da estrutura do DNA. Muito do que nós falamos aqui hoje remete a 1953, quando a estrutura foi descoberta. Muitas das associações fenótipo-genótipo foram feitas a partir disso. E de lá pra cá, né, talvez a primeira ômica que foi criada foi a genômica, né?

A vontade de entender todo o código, termos subestimado aquilo de cara, não entendendo a complexidade que existia ali dentro. E tudo que ainda há por vir, mesmo com aí quase 70 anos, mais de 70 anos de pesquisas. Então foi onde eu trabalhei na primeira fase da minha vida como biólogo, e eu tenho contato com isso até hoje e me fascina bastante.

GSGustavo Stuani

Aí dentro aqui da evolução da humanidade é muito pouco tempo. 70 e poucos anos. Olha, foi um grande prazer conversar com vocês dois, Patrícia Munerato, Gustavo Stuani. Fiquei muito contente de poder falar com vocês sobre a evolução do diagnóstico. Aprendi bastante aqui. Muito obrigado mais uma vez por estarem no ExpertCast.

GSGustavo Stuani

Foi enorme prazer, Gustavo. Prazer em vê-lo e espero que possamos continuar em contato.

GSGustavo Stuani

Obrigado.

PMPatrícia Munerato

Muito obrigada e já sou uma seguidora ativa aí.

GSGustavo Stuani

Ah, muito legal, com toda certeza, com toda certeza.

GSGustavo Stuani

Então, super convidados para seguir o ExpertCast, acompanhar a comunidade de inovação em saúde. Para você que está nos assistindo também, o ExpertCast, www.expertcast.com.br, você encontra lá o link para todos os episódios no YouTube, Spotify, Apple Podcasts e também o link para assinar a nossa newsletter mensal. A gente começou há pouco tempo e enviamos todo começo de mês os principais pontos dos episódios do mês anterior. A Comunidade Inovação em Saúde também é aberta, gratuita.

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