Episódios de ExpertCast - Inovação em Saúde

89 - A Evolução do Diagnóstico na Saúde ( parte 1 )

26 de agosto de 202626min
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O diagnóstico na saúde está cada vez mais sofisticado e preciso, mas garantir que essa evolução chegue de fato à jornada dos pacientes ainda é um grande desafio. Para debater esse cenário, Gustavo Meirelles conduz uma conversa com dois especialistas do setor: Patrícia Munerato, diretora de Diagnósticos Especializados para a América Latina na Thermo Fisher Scientific, e Gustavo Stuani, diretor de Operações e Negócios B2B no Grupo Fleury.

Como reflexo dessa barreira de acesso, Patrícia traz um dado alarmante da publicação The Lancet, revelando que cerca de 47% da população mundial tem pouco ou nenhum acesso a diagnósticos essenciais, apontando a falta de interoperabilidade do sistema e as quebras na jornada de dados como os principais gargalos na prática clínica. Para mitigar o problema em um país de dimensões continentais como o Brasil, Gustavo Stuani expõe os bastidores da complexa estrutura operacional e logística do Grupo Fleury, que utiliza inteligência geográfica, chips de rastreamento de temperatura e modais que vão de barcos a drones para atender mais de duas mil cidades.

No campo da medicina personalizada, Patrícia enfatiza que a inovação só se traduz em evolução real quando diminui o sofrimento humano, trazendo avanços concretos como o diagnóstico de alergias no nível molecular e o monitoramento ultrassensível na oncologia. Por fim, Stuani impressiona ao revelar como o Grupo Fleury concilia  alta qualidade assistencial com eficiência em larga escala, processando cerca de 360 milhões de testes por ano, dos quais 85% são liberados de forma totalmente automática por algoritmos inteligentes que rodam em segundo plano.

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Participantes neste episódio3
G

Gustavo Meirelles

HostVice-presidente médico da Áfia
G

Gustavo Stuani

ConvidadoDiretor de operações e negócios B2B no Grupo Fleury
P

Patrícia Munerato

ConvidadoDiretora de diagnósticos especializados para América Latina na Thermo Fisher Scientific
Assuntos4
  • Acesso a diagnósticos essenciaisDiagnóstico molecular·The Lancet
  • Medicina de precisão e diagnóstico molecularAlergia molecular·Mieloma múltiplo·Xsente
  • Logística e capilaridade no diagnósticoGrupo Fleury·Brasil·Drones
  • Automação e inteligência artificial no diagnósticoAlgoritmos inteligentes·Grupo Fleury
Transcrição32 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
GMGustavo Meirelles

Olá, bem-vindo ao ExpertCast, o podcast focado em inovação na saúde. Eu sou Gustavo Meirelles, médico radiologista, vice-presidente médico da Áfia e fundador da Comunidade Inovação em Saúde, e é sempre um prazer ter você conosco para mais um episódio do nosso podcast. Nós abordamos aqui temas diferentes sobre a transformação digital da saúde, com as principais inovações e tecnologias que já estão mudando o setor. E hoje vou abordar um tema muito interessante, tem a ver inclusive com o meu histórico médico, que é a evolução do diagnóstico na saúde.

Nós vamos falar da importância de avaliações individualizadas, personalizadas na jornada do paciente, vamos falar do pré-exame, do momento do exame diagnóstico em si. E para isso eu tenho o prazer de receber aqui duas pessoas que são experts no tema. Primeiramente, a Patrícia Munerato, que é diretora de diagnósticos especializados para América Latina na Thermo Fisher Scientific. A Patrícia tem uma experiência muito grande em diagnóstico molecular e uma trajetória que integra indústria com academia. Seja muito bem-vinda, Patrícia.

PMPatrícia Munerato

Muito obrigada, Gustavo, prazer estar aqui. Contribuir para esse podcast.

GMGustavo Meirelles

Prazer é nosso em ter você com a gente, junto com o meu xará, o Gustavo Stuani. Trabalhamos juntos durante muitos anos no Fleury. O Gustavo é diretor de operações e negócios B2B no Grupo Fleury, que não para de crescer. Quando a gente fala de Fleury, eu pude conhecer de perto ali ao longo de quase 20 anos uma empresa super inovadora, à frente do tempo. O Gustavo atua na gestão dos laboratórios do Fleury, uma estrutura super complexa, ele vai contar um pouco mais aqui, e participa de vários projetos estratégicos, incluindo o desenvolvimento e implantação de novos serviços e tecnologias na saúde. Gustavo, é um prazer te rever e te receber aqui no ExpertCast.

GSGustavo Stuani

Obrigado, prazer estar com você aqui, um prazer revê-lo, prazer estar com a Patrícia, que eu conheço há bastante tempo também, desde a nossa época de academia, e enfim, uma longa jornada, é uma longa jornada, espero que a gente possa vai ter um papo legal aqui.

GMGustavo Meirelles

Que bom que eu pude reconectar os dois aqui numa conversa onde os dois têm muito a contribuir. Eu vou começar com a Patrícia, vou deixar você, Gustavo, e Patrícia também sempre se complementando aqui nessa conversa, porque sei que são experiências complementares e que vão agregar aqui para quem tá nos assistindo ou ouvindo. Patrícia, eu começo com você falando de diagnóstico especializado. E muitas vezes a gente percebe que a tecnologia avançou muito mais rápido do que a capacidade do sistema de saúde, que muitas vezes é fragmentado, muitas vezes opera sob dificuldades de gestão, dificuldades financeiras, de financiamento.

Então, que a tecnologia avançou mais rápido do que a capacidade do sistema de saúde de incorporar todas essas inovações na prática clínica. Na sua visão e com todo o seu tempo de experiência, onde que estão os principais gargalos entre o que a gente já consegue diagnosticar e o que chega aos pacientes?

PMPatrícia Munerato

É um excelente ponto, né? E esse é um tema recorrente, a gente sempre se pergunta isso, né? Onde estão os gargalos do acesso, né? Eu entendo que a sua pergunta tá muito direcionada a acesso na saúde. Então, de fato, é Reforçando o que você comentou, eu acho que hoje o diagnóstico ele tá muito sofisticado, né? A gente hoje tem disponibilidade de tecnologias extremamente sofisticadas, mas na realidade elas não chegam, né, de forma real à jornada do paciente.

Então é exatamente esse o desafio, né, o gargalo que a gente enfrenta. O que que contribui para isso? Eu vejo alguns fatores, né? E Gustavo, fica à vontade para contribuir também. Um dos fatores eu acho que é essa interoperabilidade do sistema todo de saúde, né? Então a gente tem nem sempre o diagnóstico no lugar certo, na hora certa, disponível para o paciente. Então esse é um gargalo. Eu acho que o outro vem quando isso existe É essa conexão do dado do paciente, ela não é levada, né, ao longo de toda a jornada.

Então isso se quebra e se perde, né. Então aquilo que foi até um acesso possível no início da jornada, às vezes ela quebra, se perde ao longo da jornada e não gera aquele impacto que se espera de uma inovação tecnológica. Então eu diria que são esses dois fatores primordiais. Eu até trago aqui um dado para ilustrar, né? O The Lancet fez uma publicação, ela não é tão nova, deve ter uns 3 anos, mas onde ele justamente analisava o acesso ao diagnóstico global, e 47% da população mundial tinha pouco ou nenhum acesso a diagnósticos essenciais.

Então imagina isso, né, quando a gente vai para o diagnóstico especializado, claro, a gente vai ter ainda um cenário ainda mais desafiador, né? Então eu vejo que esse é o acesso em si, ele permeia toda essa questão da jornada do paciente, de como o dado se conecta, o paciente leva esse dado ao longo da jornada. A resposta é não, né? Então isso se quebra e eu acho que deixa de trazer esse acesso de uma forma integrada e robusta.

GMGustavo Meirelles

Impressionante, metade da população não tem acesso ou pouco acesso a exames que já deveriam estar extremamente na rotina.

PMPatrícia Munerato

Diagnósticos essenciais nesse caso.

GMGustavo Meirelles

E aí um ponto que eu me lembro, até aprendi com Gustavo lá também na nossa convivência conjunta no Fleury, a gente esquece muitas vezes do pré-analítico.

GSGustavo Stuani

Exato.

GMGustavo Meirelles

Ficou tão bom, né, o diagnóstico, e tão fácil que as pessoas vão lá: eu tirei sangue aqui, não sei, foi rápido, foi isso, como é que foi a agulha, etc., etc. E de repente, pouco tempo depois, e cada vez mais rápido, né, às vezes eu faço uma coleta e em pouquíssimo tempo, poucas horas, já tá o exame disponível. E a gente esquece que tem uma estrutura operacional Desde o momento da coleta, os cuidados com a coleta, os cuidados com o transporte, toda essa fase pré-analítica que a gente não percebe, a gente vê só o resultado.

Talvez na área diagnóstica por imagem, né, que vem, que é a minha área aqui, o paciente perceba um pouco mais porque ele entra numa máquina de ressonância, ouve o barulho. Mas quando a gente tá falando do diagnóstico in vitro especificamente, tem todo um pré-analítico que integra logística, automação, tecnologia, que eu queria que você contasse um pouquinho mais para a gente também dos avanços.

GSGustavo Stuani

É uma estrutura bastante complexa, é uma pergunta excelente que se conecta um pouco com o que a Patrícia nos colocou a respeito do acesso. A ciência avança, a ciência disponibiliza uma série de novos testes, mas esse teste está realmente disponível para a população? Ou seja, ele tem alcance? A população, quando nós olhamos para o Brasil, por exemplo, é um país de dimensões continentais. Qual percentual da população, com dados locais, tem realmente acesso aos principais testes que são lançados, seja por fornecedores ou desenvolvidos pelo próprio Fleury?

A gente tenta corrigir isso de alguma forma usando tecnologia, usando nossos recursos. Capilarizando a nossa operação. Então imaginem, são 600 unidades de atendimento ou algo aproximadamente desse tipo pelo Brasil todo. A gente tenta atender a mais de 2.000 cidades com nossas rotas logísticas, captando testes em laboratórios que são clientes, são mais de 8.000 laboratórios clientes. A gente usa modais logísticos quase que inexplicáveis para a área diagnóstico.

A gente usa barco, a gente usa moto, a gente usa carro, a gente usa avião, a gente usa drone, né? E tem desenvolvido cada vez mais esse tipo de logística. A gente tem que ter redundância logística para que, caso um modal falhe, a gente passe para o outro. E para tudo isso a gente precisa imputar tecnologia, porque a gente precisa de roteirizadores que façam isso da maneira mais inteligente, a gente precisa controlar e rastrear essas amostras, porque uma vez que o paciente entrega uma amostra pra gente, aquilo é um dado muito precioso.

É um material que a gente jamais pode perder, ou ele não pode ter um extravio, ele tem que chegar em condições adequadas para ser analisado. Então imagina um número infindável de caixas com chips internos para que a gente se conecte e consiga rastrear essa caixa, saber onde ela tá, saber qual a temperatura, daquela caixa para que em eventuais demoras, né, de trajetos a gente possa manter aquela amostra estável. Tem um staff gigantesco de colaboradores que precisam ser especializados de maneira multidisciplinar, ora em logística, ora em processos pré-analíticos.

Essas amostras, elas precisam ser ora centrifugadas, ora alicotadas, ora colocadas em temperatura ambiente, ora congeladas. Então existem sistemas e um conjunto deles, não um apenas, que mostram para as pessoas quais são as instruções básicas e as guiam para que elas coloquem essas amostras em condições. Então, antes do diagnóstico acontecer, nós temos uma estrutura para manter tudo isso funcionando e acessar essa população que muitas vezes não vai ter acesso direto ao diagnóstico, essa amostra ela precisa andar em condições, ela precisa ter o melhor desempenho possível, a melhor conservação e integridade possível.

Então, nesse contexto, dar acesso para a população exige uma estrutura gigante, exige a capilaridade, exige a tecnologia para que nós possamos conectar tudo isso. O diagnóstico, ele fica complexo, como a Patrícia colocou. Os testes cada vez mais estão indo para uma linha de mais dados, mais especificidade, mais precisão. Mas isso também exige mais condições e detalhes pré-analíticos que fazem com que as equipes precisem se especializar ainda mais.

Então Algumas coisas, essa automação, a engenharia já resolveu. Você tem Core Labs espalhados pelo país que reduzem essas rotas logísticas. Mas você tem poucos laboratórios de espectrometria de massa, você tem poucos laboratórios de genômica. E são essas amostras que precisam muitas vezes percorrer distâncias longínquas.

PMPatrícia Munerato

Para aumentar acesso.

GSGustavo Stuani

Para aumentar o acesso e chegar em condições de ser analisado.

GMGustavo Meirelles

Desses 8 mil, vamos pegar esse número todo que você falou, impressionante, né? Mais de 2 mil cidades, 8 mil laboratórios clientes. Vamos pegar aí dessas 2.000 cidades, se fosse falar qual que é a porcentagem que consegue resolver a maior parte dos exames ali in loco sem ter que enviar para um laboratório central, você tem esse número mais ou menos?

GSGustavo Stuani

Eu não consigo precisar esse número, mas enfim, as pressões por custo, a escala operacional, ela tem feito com que laboratórios pequenos escolham mandar para laboratórios maiores. Falando de Grupo Fleury, nós temos escala suficiente para conduzir nossa própria operação em 100% dos casos e ainda assim utilizamos alguns parceiros de renome do exterior para exames muito especializados, de volumes muito pequenos que não vale a pena financeira e metodologicamente desenvolver aqui no país.

Mas existe um contingente grande de laboratórios migrando para essa modalidade para conduzir as amostras, especialmente em testes especializados.

GMGustavo Meirelles

Ótimo. Eu vou voltar com a Patrícia agora porque a gente vai falar, Gustavo citou aqui a parte de diagnósticos especializados, medicina de precisão. Patrícia, você tem toda uma trajetória em diagnóstico molecular e acompanhou essa evolução dos testes diagnósticos, da capacidade de compreender as doenças de uma forma individualizada e precisa. Como que esses avanços já estão impactando a jornada do paciente quando a gente olha hoje aqui em 2026, especialmente naqueles casos em que o diagnóstico é longo, é desafiador? O que que a gente já tem de grandes novidades em medicina de precisão?

PMPatrícia Munerato

Ótimo. Bom, essa é a minha paixão de fato, né, falar sobre isso. E o grande impacto, né, quando eu penso em tecnologia e penso em evolução tecnológica, Eu acho que ela não faz sentido se a gente não pensar que ela não tá diminuindo o sofrimento humano, né? Então, pensando num paciente, se ele tem uma enfermidade e tem um teste diagnóstico que possa diminuir o tempo desse diagnóstico ou melhorar o desfecho clínico, isso é evolução diagnóstica, né?

Esse é o meu ponto de vista, que muitas vezes a gente fala de Inovação tecnológica é uma coisa, agora evolução eu já entendo que é essa que traz o impacto, né? A inovação aplicada gerando esse impacto, diminuindo o sofrimento do paciente. A gente tem muitos exemplos, que bom, né? Porque até alguns anos atrás eu acho que a medicina ela tava muito voltada para tentativa e erro, né? Um direcionamento clínico por exclusão. E o diagnóstico, quanto mais especializado, ele elimina, né, essa parte empírica, né?

Ele vai muito mais para um caminho assertivo, um caminho mais determinante ali. Então, começando aqui, eu queria trazer dois exemplos. Um exemplo, acho que mais do cotidiano, acho que todo mundo, todas as famílias aqui têm exemplos de alergia, né? É uma condição que afeta quase 80% da população. Então assim, você vai ter as alergias leves, né, que a gente tem muito prática de se automedicar e tá resolvido, né? Mas a gente tem alergias graves, né, inclusive alergias que se não tão grave, ela impacta a qualidade de vida do paciente.

Vamos falar de alergias alimentares. Então hoje já é possível a gente fazer um diagnóstico no nível molecular do alérgeno, né? E qual é o impacto disso? Eu diminuo de forma enorme as restrições desse paciente, né? Então Ao invés de eliminar, né, da alimentação dele grupos alimentares, não, eu vou eliminar um ponto específico que é aquilo que tá gerando alergia, porque eu detectei ali no nível molecular qual é o alérgeno. Então assim, em termos de qualidade de vida, a mudança enorme, uma mudança enorme.

Não tem restrição, né, inclusive até impacto em condição física. Às vezes quanto mais restrição Você vai gerar outras consequências, né, no ser humano. Bom, tem esse exemplo que eu acho que é bem característico, eu acho que toca todo mundo porque ele faz parte, né, da família, e todo mundo vai ter alguém com alergia. Mas indo mais para o campo de oncologia, aí eu acho que a ciência de fato trouxe, né, essa inovação e a evolução no diagnóstico de uma forma extremamente impactante.

Talvez um exemplo que eu gostaria de compartilhar é mieloma múltiplo, né? Hoje a gente inclusive tá trazendo essa tecnologia, trouxe para o Brasil esse ano, é a tecnologia, se chama Xsente, que é capaz de detectar quantificar e monitorar as imunoglobulinas, né, a proteína M, de uma forma extremamente sensível. E qual a implicação disso? A gente consegue ter um diagnóstico precoce e, claro, ter um desfecho clínico muito mais promissor, né, para os pacientes de mieloma.

E não só isso, né, acompanhar esse paciente ao longo do tempo com uma uma tecnologia muito mais sensível permite detectar risco de recidiva, né, um risco de você detectar doença residual mínima muito mais rápido. Então assim, isso por si só a gente cumpre a premissa, né, de diagnóstico, a evolução do diagnóstico diminuindo sofrimento, diminuindo tempo e melhorando prognóstico.

GMGustavo Meirelles

É maravilhoso, né? São alguns avanços e acho que o caso de alergia é muito interessante porque quanta gente ficou ou fica até hoje quando não tem o acesso que a gente falou na primeira pergunta, ficou ali com uma restrição enorme, né? Ah, não posso comer isso, não posso beber aquilo, não posso estar perto disso. E como o diagnóstico vai avançando. E outra, uma doença potencialmente muito grave como mieloma, em que um diagnóstico mais precoce ou mesmo avaliação de potencial recidiva ou permanência da doença consiga ser agora melhor avaliado.

Eu vou voltar aqui para o Gustavo com uma outra pergunta que tem uma certa conexão com essa, porque vou começar talvez consulta epidemiológica. Me lembro até na época da COVID eu assistindo uma aula do Celso Granato e o Celso falando de um novo—

GSGustavo Stuani

inesquecível esse momento—

GMGustavo Meirelles

um novo vírus que tava vindo da China, aqueles primeiros casos, e aquilo. E puxa, de repente algo completamente inesperado para todo mundo. E mesmo o Fleury hoje com centenas de operações em milhares de cidades, com automação, com inteligência artificial, com drones, você é pego completamente de surpresa, né? Então a questão aqui é como é que essas inovações que a gente tem hoje começam a ajudar também o sistema de saúde como um todo.

A ganhar eficiência e ao mesmo tempo sem perder qualidade assistencial e a capacidade de cuidado, né? Porque se a gente foca só na eficiência, ah, eu não vou ter determinados testes aqui, como você disse, poxa, talvez deve ter teste que vocês mandam uma vez por ano para o exterior, mas precisa ter um contato fora, tem toda uma logística envolvida. Então, como fazer os dois, né? Manter capacidade de atendimento com muita qualidade e ao mesmo tempo com eficiência?

GSGustavo Stuani

Perfeita pergunta. E é um grande desafio para todos nós manter alta disponibilidade. A Patrícia estava falando aqui e eu participei de uma época de biologia molecular, de genômica, né, muito precoce, e os métodos se desenvolveram muito. Ela trouxe algumas características de testes aqui que exigem uma precisão altíssima do início ao fim do processo. Se você quer fazer medição de precisão, todo o processo precisa ser muito preciso, né?

Com quantidades ínfimas de amostra, com quantidades ínfimas de material. E você pode fazer poucos testes ou muitos testes da mesma família. E veja, você deu o exemplo da COVID, a gente tem doenças raras, a gente tem testes que têm pouco volume, mas existem testes sazonais. Nós precisamos estar absolutamente preparados para algumas variações, para essa alta disponibilidade. E os métodos de automação, eles nos ajudam muito nisso.

Sejam pipetadores, sejam esteiras ou sejam algoritmos que nos ajudam com essas oscilações de rotina. Quando a gente pensa em automação, você sempre coloca um robô na cabeça. Tem um robô aqui fazendo. Não, muitas vezes a gente não vê automação. As esteiras são visíveis, os pipetadores, os liquid handlers, né? São visíveis, mas os algoritmos, eles estão escondidos e trabalhando por você. Para as metodologias mais simples, para um sódio, para um potássio, para um TSH, isso para as metodologias mais pesadas, uma genômica, uma proteômica, em que você precisa analisar uma quantidade enorme de dados.

Você imagina que no nosso caso, Gustavo, é 85% dos testes processados no Fiori são liberados automaticamente.

GMGustavo Meirelles

Teste.

GSGustavo Stuani

Tem um algoritmo rodando a todo momento que compara características, compara controles de qualidade, compara uma série de informações que nós temos disponíveis e decide se aquele teste vai ser liberado ou não. Eu tô falando de 40 milhões de testes por mês, praticamente. Imagina se eu tivesse que analisar um por um, né?

GMGustavo Meirelles

Meio bi por ano, é isso mesmo?

GSGustavo Stuani

A gente tá indo 40 milhões, foi o pico Mas a gente tá falando aí de uns 360, quase lá também, exato, impressionante, 360 milhões de testes no ano, sendo conservador. Imagina se nós tivéssemos que avaliar um a um, é uma tarefa impossível nos dias de hoje. Você precisa de mão de obra especializada, muita, você precisa de lugares para as pessoas sentarem, espaço físico, computadores. Então a gente tem hoje uma série de algoritmos que estão rodando, comparando e perguntando por que não liberar aquele teste.

Por que que eu não posso liberar esse teste? Vai fazendo perguntas, perguntas, a hora que ele acaba com as perguntas, ele fala: tá bom, eu libero.

GMGustavo Meirelles

Ou eu não libero e vai.

GSGustavo Stuani

Se ele não liberar, um analista ou um médico ou algum técnico sênior vai fazer a avaliação daquele caso, vai conversar com o médico do cliente, vai trazer ali uma personalização do atendimento para que a gente tenha a maior qualidade possível daquele resultado liberado e que ele seja útil para o médico, seja útil para o paciente. Então existe ali uma camada de conhecimento, uma camada de codificação de conhecimento, seja em processos, seja em conhecimento técnico, seja em conhecimento médico, que fica o tempo inteiro auxiliando para que esse processo todo aconteça, desde os testes mais simples até os testes mais complexos que nós temos ali no mercado.

GMGustavo Meirelles

É impressionante, né? Tem, bem, várias inovações para a gente discutir aqui. A gente está chegando ao final da primeira metade do nosso episódio, mas nós vamos continuar essa ótima conversa em breve com a Patrícia Munerato, Gustavo Stuani, Muito obrigado novamente por estarem aqui no ExpertCast. Falamos de medicina de precisão, do pré-analítico, do momento ali analítico e da decisão com vários algoritmos. Falamos da questão do acesso, fiquei impressionado com alguns números aqui, praticamente metade da população tem pouco ou nenhum acesso a exames que deveriam ser rotineiros.

Outros números também enormes, 400 milhões de testes por ano, 85% com liberação automática depois de vários cruzamentos e algoritmos. Então, muito obrigado, Gustavo e Patrícia, pela presença. A gente vai voltar em breve com vocês.

GSGustavo Stuani

Obrigado, Gustavo.

PMPatrícia Munerato

Muito obrigada.

GMGustavo Meirelles

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