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Estavu: Como ser um creator responsável, humor, trabalho e mais | Minha Fala é Pajubá

20 de junho de 202638min
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para tudo! É ele mesmo no Minha Fala é Pajubá? Sim, amores! Neste episódio, recebemos o criador de conteúdo Gustavo Nobre, o divo Estavu! Na conversa, ele conta mais sobre sua trajetória nas redes sociais, histórias importantes de sua vida, como idealizou o Estavu Show, explica como ele entende sua responsabilidade como criador de conteúdo e... Ai, é tanta coisa! Aperta logo o play e escuta esse episódio babadeiro! 🎧💋
Clique aqui e acesse as redes sociais do Estavu!
Apresentação: Hanna Gabriely e Jonathan André
Roteiro: Érika Alves e Cassiano Abreu
Edição: Cassiano Abreu
Capa do episódio: Artemis Maia
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ℹ️| O podcast Minha Fala é Pajubá é uma produção do Neomarsha, projeto de extensão do curso de jornalismo da Universidade federal do Ceará (UFC), com orientação da professora Cida de Sousa.

Participantes neste episódio4
H

Hanna Gabriely

HostApresentadora
J

Jonathan André

HostApresentador
C

Camille Andrade

ConvidadoEstudante de jornalismo
G

Gustavo Nobre

ConvidadoCreator de conteúdo
Assuntos12
  • Produção de conteúdo com responsabilidadeDisseminação de ódio e golpes · Casas de apostas · Impacto a longo prazo · Educação sexual
  • Direitos LGBTQIA+Identidade cearense · Colégio católico no interior · Patrocinadores do Mês do Orgulho · Jovens conservadores · União da comunidade LGBTQIA+
  • Comunicação em redes sociaisVolatilidade da internet · Saúde mental · Cronograma de postagens
  • Humor e Mudança SocialHumor duvidoso · Bullying escolar · Comunidade LGBTQIA+ · Armadura contra opressão
  • Responsabilidade Social e EstadoAutenticidade vs. Persona · Exposição da vida pessoal · Relações parassociais
  • Vício em Redes SociaisBlindagem contra comentários · Saúde mental · Terapia · Reatividade contra o preconceito
  • Início da carreira digitalCriação de conteúdo na pandemia · TikTok · ENEM
  • Cura e Ressignificação da História PessoalFiltro de conteúdo · Sanidade mental · Vulnerabilidade
  • Show de lançamentoContar histórias pessoais · Limitações do TikTok · Podcast
  • Futuro trabalho autoralRedação publicitária · Edição de vídeo · Fanfic · Ghostwriter
  • Hobbies e criatividadePretty Little Liars · Agatha Christie · Kill Bill · Temporadas de premiações · Estudo de inglês
  • Trajetória profissional e acadêmicaHistória · Publicidade · Storytelling · Relações Internacionais
Transcrição45 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
HGHanna Gabriely

Fala, pajubers! Tá começando mais um Minha Fala é Pajubá, o podcast produzido pelo NeoMacha, projeto de extensão do curso de jornalismo da Universidade Federal do Ceará. Eu sou a Hannah Queiroz e eu sou o Jonathan Greia.

JAJonathan André

Hoje o nosso podcast recebe um convidado que nem acreditamos que está aqui com a gente. Nosso convidado de hoje está presente nas redes sociais desde 2019, usando da criatividade e do bom e ácido humor para compartilhar seus pensamentos e histórias próprias e de seus seguidores.

HGHanna Gabriely

Nascido em São Paulo, mas criado em solo cearense, ele tem milhares de seguidores em suas redes sociais e hoje nós estamos aqui para conversar com ele sobre sua trajetória, criação de conteúdo, humor e mais.

JAJonathan André

Queremos dar as boas-vindas para Gustavo Nobre, mas pode chamá-lo de Estavo.

HGHanna Gabriely

Oi, gente!

GNGustavo Nobre

Ninguém nunca falou tão bem de mim assim. Ai, meu Deus, obrigada!

HGHanna Gabriely

Bom, Gustavo, você iniciou sua trajetória na internet publicando dublagens e outros vídeos curtos no TikTok que viralizaram muito rápido. Em que momento você decidiu investir de fato na criação do conteúdo digital e como você percebe a repercussão do teu trabalho hoje?

GNGustavo Nobre

Eu não lembro se teve um ponto da minha vida em que eu pensei, nossa, eu vou fazer disso um trabalho, sabe? Eu comecei a criar conteúdo e começou a dar muito certo na pandemia. E eu tava fazendo 3º do ensino médio. E aí eu tinha duas opções, ou estudar pro ENEM ou fazer vídeos. Aí eu fui fazer vídeos. E quando chegou o ENEM, eu não tinha estudado basicamente nada. Eu acho que ninguém estudou nada esse ano, sabe? Foi um ano muito confuso, muito caótico.

E daí eu fui vendo que era divertido, ao mesmo tempo que poderia ser um trabalho. E quando eu fui ver, Eu tava trabalhando muito com isso e a faculdade tava ficando muito de lado. E daí hoje em dia é algo que eu faço, sei lá, 90% da minha vida e se tornou um trabalho sem perceber. Eu não tenho um dia, um momento em que eu pensei que isso ia virar um trabalho. Foi virando porque sabe aquelas pessoas que tiram um ano sabático e nossa, eu vou fazer tal curso, eu vou viajar, escolher o curso depois.

Eu escolhi o primeiro curso que eu achei que eu deveria fazer, eu não me encontrei nele. Daí eu fiz um segundo curso, eu também não me encontrei nele. Aí eu fiz um terceiro que é publicidade, que tá trancada. Então eu pretendo voltar, eu pretendo concluir essa, senão minha mãe me mata. Mas eu vou terminar publicidade, mas eu não tenho assim um momento em que eu percebi que virou um trabalho. Só foi virando um trabalho porque eu me vi sem opções, tipo, eu tenho a internet como opção de trabalho ou eu posso fazer uma faculdade que eu não estou conseguindo levar adiante. Então virou um trabalho assim.

JAJonathan André

Então era mais um hobby que se transformou num trabalho.

GNGustavo Nobre

É, eu gravava vídeos inicialmente na pandemia só pra passar o tempo, sabe? Tava todo mundo em casa, não tinha o que fazer, todo mundo assistiu muito filme, fez muita comida, e o TikTok deu uma ritada, né, na pandemia. Então eu não tinha muitas opções do que fazer, então eu gravava vídeos.

JAJonathan André

E como tu teve a iniciativa de criar o Estavo Show? Teve alguma inspiração?

GNGustavo Nobre

É, o Estavo Show, que é o meu podcast, foi algo Eu contava algumas histórias da minha vida no TikTok, só que de forma muito resumida e sem poder falar algumas palavras, porque no TikTok qualquer coisa é banida, qualquer coisa o vídeo cai. Então eu queria contar algumas histórias minhas, da minha vida assim, que eu não poderia contar no TikTok, tipo minha primeira vez ou alguns relatos ou histórias da minha vida que eu queria aprofundar mais.

O TikTok eu tinha minutos, segundos assim, e eu queria contar de forma mais detalhada. Então O podcast surgiu assim, tipo, eu queria contar outras coisas e levar outros temas sem ter que ficar picotando tanto e deixar num vídeo curto de 1 minuto. Aí surgiu assim, eu fui participar de um podcast e aí uma amiga produzia esse podcast, ela falou, por que que você não faz podcast? Aí eu fiquei, ai amiga, preguiça, sabe? Tipo, eu já tenho tanta preguiça de fazer já o que eu já faço.

E aí a gente foi conversando e chegou. Então é isso, hoje em dia eu coloco um episódio por semana de algum assunto assim que eu sei lá. Tipo, eu tô conversando com vocês, aí surge um tema na minha cabeça, eu anoto no meu celular. E daí eu tenho vários temas lá anotados. E aí quando chega o planejamento, que eu faço um dia do mês, eu decido todos os temas do mês. Aí eu decido todos esses temas, eu gravo esses temas. E são coisas que eu tô conversando com vocês ou que eu acho que podem virar um tema.

Tipo, inclusive hoje o episódio não foi planejado, é o maior mix de namoro. Não sei por quê. E caiu hoje no Dia dos Namorados. Porque eu tinha visto o perfil do meu amigo, ele tinha colocado o na bio. Com namorada. Eu fiquei, gente, que raiva disso aqui! Eu tenho vergonha disso aqui, de @na.bio. E aí eu juntei tudo e fiz um tema de episódio.

HGHanna Gabriely

Bom, trabalhar com a internet, ela pede constantemente a criação de mais e mais conteúdo, além da cobrança do público, né? Com tantas plataformas para postar, seja o Insta, TikTok, o @estavoshow, como que tu lida com essa necessidade de produzir? Como é que fica a gestão das tuas redes sociais?

GNGustavo Nobre

A internet é muito volátil, então se você faz um vídeo hoje, amanhã já tá antigo, porque todos os dias milhões de vídeos são postados. Todos os dias muita gente posta muitos vídeos. Então não tem como você postar um vídeo e se assegurar nisso e ficar tranquilo a semana inteira. Não, você posta um vídeo para aquele dia e você fica tranquilo por aquele dia. Só que passa os outros dias. Uma coisa que acontece comigo é: eu gravo um vídeo e aí ele vai super bem, eu fico, nossa, que bom!

Só que eu fico feliz por 5 minutos. As outras 23 horas eu tô, meu Deus, como é que eu vou fazer pra continuar acontecendo? Sabe? As coisas na minha cabeça são assim. E quem trabalha com internet tem muito disso, de você tá produzindo o tempo inteiro, porque a internet tem espaço pra todo mundo, só que a internet não vai te esperar. Tipo, as pessoas não vão ficar, o algoritmo não vai, meu Deus, ele sumiu por um mês, tranquilo. Não, tanto o algoritmo da rede social como as pessoas, eu acho que a gente tem que dar a devida insignificância.

Você não é tão importante assim, então não tem Esse lance de você tirar férias ou não produzir pra descansar sua mente é algo que exige muito e você tem que ter uma boa saúde mental e fazer outras coisas que não envolvam internet pra não surtar. Mas como eu trabalho por conta própria, eu faço um cronograma na semana do que eu vou postar tudo naquela semana. Então no domingo eu decido tudo que vai sair na semana pra não ficar pensando, tipo, ah, segunda-feira eu vou postar o quê?

Aí eu coloco 4 vídeos no TikTok por semana, segunda, quarta, sexta e domingo. Quinta eu gravo podcast e edito. E demora muito. E terça e sábado eu faço cortes. E quinta eu ainda gravo vídeos curtos. Então, todo dia eu faço alguma coisa. E daí, se eu não seguir esse cronograma, ou não pegar na minha própria mão e falar, ai, vamos fazer, ninguém vai fazer. Então, tem que ter esse lance de ficar ali no seu próprio pé e alarmes e post-its no seu quarto e fazer uma lousa lá e dividir por dias. É bagunçado, mas funciona na minha cabeça.

JAJonathan André

Sobre estudos, como tu falou inicialmente, tu já tentou algumas graduações como história, publicidade. Tu incorpora hoje algumas dessas graduações no teu trabalho?

GNGustavo Nobre

Sim, a primeira faculdade que eu fiz foi Relações Internacionais. Gente, não tem nem emprego assim. Eu fiz por uns 2 meses porque eu achava que minha nota do ENEM não ia dar em nada. Aí eu usei minha nota do ENEM e entrei em História. E aí eu fiz 2 semestres de História e depois eu fiz 3 de Publicidade. Aí tranquei. Mas eu uso sim. História inclusive era uma das poucas matérias que eu me dava bem na escola porque eu amava História, eu amava estudar História.

E daí, até hoje assim, eu tenho livros e eu leio, eu vejo vídeos, TikToks e eu acho muito interessante tudo assim, tipo, ah, sei lá, passa alguém explicando uma fofoca, ah, não sei o quê, e Dom Pedro I, nananã, e eu acho muito interessante, e aí eu fico lá olhando por horas. Então, às vezes eu coloco isso nos meus conteúdos, por exemplo, com história, é uma coisa que eu amava, que eu amo até hoje, é ouvir podcasts de história.

E daí o jeito como eles contam eu acho tão interessante, e eles usam muito storytelling pra fazer as coisas. E eu coloco isso nos roteiros, tipo, sei lá, vou contar a história da minha vida. E aí eu penso num jeito de pegar as pessoas logo no início e aí contar a história. Na publicidade, tem muito do que eu faço hoje, tipo, falar com clientes e você ler um briefing e no briefing tá lá, tem coisas que você pode fazer, o que você não pode, marcas e tananã.

E tudo isso na faculdade de publicidade você também vê. Então, se você trabalha com internet, a faculdade de publicidade ela é muito uma mão na roda, porque eles explicam muitas coisas que você vai acabar trabalhando. Você vai acabar vendo. Então, tanto na parte técnica como o que você faz por trás antes de fazer o vídeo, como fazer o vídeo, o que você tá falando, a faculdade ajuda muito, sim. A de publicidade principalmente. Tem muitas coisas que eu faço hoje que eu percebo, nossa, eu vi isso numa aula, sabe?

HGHanna Gabriely

Gustavo, o que você acredita que o público vê na sua pessoa e no seu conteúdo para formar essa grande comunidade que te acompanha?

GNGustavo Nobre

Desde que eu comecei na internet, eu não criei uma persona ou, ai, como eu vou ser. Não é o meu nome que tá ali, Gustavo, isso não é o meu nome. As pessoas Até me perguntam se é o meu nome, tipo, não, minha mãe não colocaria o nome Tom Jones. Mas não é que é uma persona, mas tipo, eu me sinto um pouco mais confiante quando eu tô com o estado. Não sei explicar pra vocês, não é que é diferente, mas tipo, eu não sou assim o tempo inteiro como eu sou na internet, isso é óbvio.

As roupas que eu uso, o jeito que eu falo, como eu falo, não é 100% eu o tempo inteiro, tipo, isso é uma parte de mim. Mas eu acho que gera identificação, porque quanto mais coisas você expõe da sua vida depende do que você vai expor, as pessoas se sentem mais próximas. Então, se você é um criador de conteúdo que só faz react, ou que você só pega conteúdos e comenta, tipo, ah, vou falar de cultura pop, não é a sua vida ali, você tá falando de outras pessoas, de outras coisas.

Quando você fala da sua vida, suas histórias, o que você faz, se você tem um namorado e você coloca isso na rede social, se você tem um problema e você expõe, ai, gente, tô passando por uma doença e tananã, as pessoas se sentem muito próximas. Então, acho que se aproxima porque elas se sentem como íntimas, amigas, e às vezes, tipo, isso é para o bem e para o mal, porque eles se sentem muito próximos ao ponto de acharem que são tão íntimos ao ponto de— já teve de eu morar num apartamento uns 2 anos atrás e uma pessoa ir lá falar com o porteiro: não, porque eu conheço ele.

Tipo assim, o cara ficar: tá, mas quem é que você tá falando? Quem que é esse Tavo? Não tem um Tavo aqui. E querer entrar no meu apartamento ou me mandar DMs, tipo, como se fosse pessoas super próximas assim. Nossa, você tava tão ridículo esse dia. Não, não, pessoas que se acham muito íntimas por o meu conteúdo ser tão exposto, ser tão sobre a minha vida. Então quanto mais você expõe, mais pessoas você alcança, mais vulnerável você vai se tornar, mais exposto você vai ficar. Então tem lados bons e ruins.

JAJonathan André

Nas tuas redes tu descreve o teu perfil como humor duvidoso, mas duvidoso ou não, como você acredita que a comunidade LGBTQIA+ poderia utilizar o humor ao seu favor quando historicamente ele foi utilizado como ferramenta de opressão? Como o humor poderia ser mais diverso e inspirador pra nós da comunidade.

GNGustavo Nobre

Uma coisa que eu sempre tive desde quando era criança na escola, eu sofria muito bullying, dá pra imaginar o porquê. Eu sempre tinha umas tiradas e era uma pessoa que tinha resposta na ponta da língua, então às vezes eu até apanhei assim na escola porque era uma pessoa que dava resposta assim na ponta da língua, sabe? Já teve de eu estar na escola e sei lá, um menino falar, ah, foda-se com teu pai, que ele fala da puta. Sempre sai um negócio assim.

Então tipo assim, eu acho que o humor, esse deboche, é meio que uma armadura pra você se proteger de muita coisa. Então eu acho que quando você é oprimido no ambiente, por exemplo, eu era O único mais assumido assim, mais afeminado da minha sala contra, era tipo eu contra 15 meninos super héteros maiores do que eu, mais fortes do que eu. Então era aquele lance de eu vou dar umas respostas, mas ao mesmo tempo eu não poderia fazer nada muito físico porque, meu Deus, eu ia desmaiar de tanto apanhar.

Então eu acho que o humor é uma coisa que tanto alivia a sua vida porque você não tem que, sei lá, ficar chorando o tempo inteiro, lutando o tempo inteiro, porque é cansativo você Ser uma pessoa que participa de um grupo minoritário e tá o tempo inteiro lutando, tá o tempo inteiro levantando pauta. Gente, às vezes você só quer se divertir, você não quer ter que ficar explicando o tempo inteiro: Ó, isso aqui é homofobia, ó, isso aqui é errado, isso aqui é preconceito.

Você não quer ter que ficar sendo um professor o tempo inteiro e militando o tempo inteiro, você quer ter uma vivência de um jovem adolescente normal e fazer coisas e ser imaturo e enfim. Então eu acho que o humor, pra mim pelo menos, ele sempre me deu uma armadura de Eu posso debochar e não parecer que eu tô tão afetado com isso e tirar de letra e me esquivar dessas situações. Eu acho que foi uma coisa que me ajudou muito na minha adolescência e na internet também.

HGHanna Gabriely

Em um episódio recente do teu podcast, tu listou 50 fatos da tua vida e contou algumas histórias mais sensíveis, mas explicou que hoje conta algumas dessas histórias visando ressignificar elas. Como tu se prepara pra falar sobre essas questões com o público? E como você nota a recepção do pessoal?

GNGustavo Nobre

Algumas coisas eu não conto e isso é óbvio, mas ao mesmo tempo tem uma divisão na minha cabeça do que eu posso contar e do que eu não posso e o quanto eu vou expor, porque às vezes eu percebo que eu não tenho nada muito assim guardado pra mim e às vezes isso é agoniante, porque acho que todo mundo aqui tem segredos, todo mundo aqui tem suas coisas que não conta pra ninguém, inseguranças e coisas que acontecem na sua família, no seu dia a dia, você não vai contar pra todo mundo.

Só que quando você trabalha com internet, essas coisas acabam atravessando a sua vida. Tipo, você vai falar de um conteúdo, aí você acaba colocando uma história sua no meio, e aí quando você vê, você expôs uma coisa da sua vida pra muitas pessoas. E depois você fica meio, hm, não deveria ter falado isso. Mas eu faço um filtro na minha cabeça do tipo, será que eu deveria contar isso? Ou eu me sentiria confortável depois de ver esse vídeo postado daqui 1 ano, daqui 2?

Então eu tento fazer um filtro do que eu me sinto confortável e guardar um pouco pra mim também, porque é meio invasivo você o tempo inteiro contar toda a sua vida, expor toda a sua vida, e a sua vida inteira ser exposta na internet e pessoas saberem dela. Porque é uma relação um pouco parassocial, as pessoas sabem muito de mim, mas eu não sei muito delas. Então, sei lá, às vezes me encontram na rua e contam uma história da minha vida que eu fico, meu Deus, já falei isso, sabe?

E aí eu tento me conter um pouco pra ter um pouco de sanidade mental, mas ao mesmo tempo o que eu acho que vai ser relevante, que vai ser uma pauta, tipo, tá, isso é uma história da minha vida que eu acho importante contar, um date que eu fui e que eu tirei uma lição disso, ou uma viagem que eu fiz e que eu aprendi alguma coisa. Eu vejo, eu faço um filtro do que eu acho que vai ser relevante, aí eu vou lá e conto. Mas algumas coisas eu guardo pra mim porque não me sinto confortável. Justo.

JAJonathan André

Hoje em dia, inúmeros perfis usam seu alcance pra disseminar ódio, injúrias, aplicar golpes e muitas outras coisas prejudiciais. E você criou uma comunidade que te acompanha. Então, como você percebe a sua responsabilidade social com o seu público? E como você acha que outros criadores poderiam compreender seus papéis?

GNGustavo Nobre

Hoje em dia na internet você vê muito o caráter das pessoas com base no que elas falam, no que elas postam, no que elas aceitam divulgar. Tanto casas de apostas, que você vê que compensa mais para algumas pessoas ter o dinheiro do que você ter um respaldo de ser um influenciador que Que é o melhor dos seus seguidores e que não indicaria qualquer coisa. Eu, se eu disser que eu nunca recebi uma proposta dessa e fiquei, meu Deus, eu vou estar mentindo, porque todo mundo sabe que é um dinheiro, sabe?

Tipo, é uma grana que você ficaria, meu Deus, meses tranquilo. Só que ao mesmo tempo tem aquela questão do senso e o que você quer com o seu trabalho, porque a partir do momento que você faz uma coisa dessas, você joga no lixo tudo que você já conquistou e todo o respaldo de ser um influenciador que nunca se envolveu em polêmica, nunca fez nada de errado, no lixo. Porque a partir daquilo ali, as pessoas vão ficar com o pé atrás, as marcas vão ficar com o pé atrás.

Então eu acho que você tem que ver o que você quer. Tipo, você quer dinheiro a curto prazo e um dinheiro às custas dessas pessoas que vão entrar no seu link, que vão jogar, que vão perder. Então você tá bem em ganhar esse dinheiro? Ou você prefere batalhar e construir uma comunidade que vai te apoiar e que vai estar ali, que você vai conseguir fechar publicidade com outras marcas a longo prazo? Não é nenhuma garantia, mas que você vai ter um público que vai confiar em você sem ter esse dinheiro tão alto.

Então é uma coisa assim, sabe? Eu faço algumas ressalvas, por exemplo, sabe a Agatha Nunes?

JAJonathan André

Sei.

GNGustavo Nobre

Pois é, eu vi que ela divulgou uma vez, e tipo, esse caso eu não julgo, porque assim, é uma influenciadora trans que já fez desabafos sobre não querer voltar pra vida da prostituição e tananã, então você se pega pensando, tem algumas pessoas que precisam disso, sabe, que precisam fazer esse trabalho e que precisam ganhar esse dinheiro, só que você pega exemplos de influenciadores grandes, enormes, que tipo assim, não existe níveis de rico, existe rico.

Tipo, rico que não tem pra onde você crescer. Tipo, você já mora na sua vida e você já tem um carro, o último carro, você já faz viagens internacionais, não tem como você crescer pra um nível de estar em outro planeta ou pegar a cura da vida eterna. Tipo, não existem mais níveis de rico, existe esse nível de rico. Aí você se pega pensando: pra que é? Onde você vai gastar esse dinheiro? Tipo, é um dinheiro que a pessoa já ganhou, que não tem mais o que gastar.

Nem se você gastar 1 milhão até o último dia da sua vida, você vai gastar todo esse dinheiro. Então Pra que é que você quer mais dinheiro? Tipo, casos como, sei lá, o Neymar, quando ele foi contratado pela Copa, primeira coisa que ele fez foi postar numa casa de aposta. Aí tem a Virgínia, aí tem, sei lá, alguns influenciadores que têm muito dinheiro, dinheiro que as próximas 3 gerações da Virgínia não vão precisar trabalhar. E você se pega pensando, tipo, pra que é que você quer esse dinheiro?

Então, quando você é influenciador pequeno, porque se me comparar à Virgínia, meu Deus, eu sou uma poeira na internet. Você se pega fazendo tudo muito certo e um influenciador que, não sei, sempre se envolve nessas situações e faz coisas muito duvidosas. E vocês pegam pensando, será que eu não deveria fazer também? Mas ao mesmo tempo tem pessoas que confiam em mim, que gostam de mim, que, nossa, me apoiam há anos. Tipo, não acho justo fazer isso com elas, sabe?

Então ao mesmo tempo a questão de o respeito que eu tenho por essas pessoas que me acompanham há anos e a consciência de que eu vou fazer muito e eu vou chegar muito longe sem precisar disso. Então quando você confia no que você faz que você acha bom, que você faz, você prefere esse caminho mais longo do que pulando escadas e sei lá, tentar conseguir de um meio mais fácil esse patamar de influenciador. Eu contei uma história e o primeiro comentário foi: gente, ele levou a camisinha pra quê?

Ele não é engravido. E eu vi aquele comentário com tipo 30 likes e fiquei: gente, não é possível. Tipo, não é possível que isso aqui é verdade. E daí esse espaço que é o Gustavo Show, que é meu podcast, é um espaço que eu tenho pra falar com as palavras que eu quero falar Tratar assuntos que eu quero tratar sem ser no TikTok, que com certeza não ia ficar por muito tempo esse vídeo lá. Então, como o meu público ele tá muito numa faixa etária de 13 até uns 25 anos assim, tipo adolescente, pré-adolescente, adolescente, jovem, adulto, eu sinto que se eu tenho esse canal de comunicação, tipo, por que não usar?

Por que não fazer isso? Então esse episódio foi muito do choque desse comentário e de, gente, Na minha adolescência, acho que vocês devem ter a minha idade, mais ou menos. Eu tenho 23 anos. Quando eu assistia YouTubers, eles tinham tipo assim uns... eles tinham a idade que a gente deve ter hoje. E não era um assunto que você via, sei lá, um YouTuber que você gostava muito, gente, vamos falar de educação sexual. Era tipo, no máximo um vídeo de tag, um meme, uma coisa ou outra.

Não tinha assuntos do tipo, ó, você é gay, tem que usar camisinha também porque tem DSTs e tananã. Então, se eu tenho essa plataforma, eu vejo que é uma utilidade pública. Falar desse tipo de coisa, desses assuntos.

JAJonathan André

Suas redes sociais são como uma mistura de local e ferramenta de trabalho, e você já relatou ter recebido comentários preconceituosos em alguns posts. Como você acha que esse tipo de atividade impactam no seu trabalho e principalmente para quem está iniciando? Pra ti, como as redes sociais poderiam se tornar mais seguras?

GNGustavo Nobre

Então, não impactam porque eu já trabalho com internet já vai fazer uns 6 anos. É... Eu não leio comentários. Eu posto um vídeo, eu respondo ali os primeiros, na primeira hora, e depois eu nunca mais vejo comentários. Então, eu me blindo de muita coisa, eu não fico lendo, eu não fico indo atrás, eu me poupo, sabe? Acho que as pessoas têm que, às vezes, fazer o que é melhor pela saúde mental delas. E no meu caso, eu não vou ficar indo num vídeo meu que já foi entregue pra pessoas que não me acompanham, que não me seguem, que não são da minha bolha, ficarem comentando o que elas bem quiserem e eu ficar lendo essa merda, sabe?

Tipo, eu não vou fazer isso comigo mesmo. Então, eu não... Não deixa isso afetar, porque eu nem vou ler, sabe? Eu nem dou trabalho de abrir certas DMs, de ler certos comentários. Eu acho que... Eu não sei se vocês viram, mas teve um menino, um moleque de 14 anos, ele comentou num vídeo meu aleatório assim, tipo, postei, aí depois de uma hora eu fui ler o comentário. Ele comentou: viado. Viado, vai queimar no inferno, alguma coisa assim. 14 anos.

Aí ele deu o azar de ser uma notificação que chegou no meu celular, porque não chega notificação, eu nem tenho notificação no meu celular. De nada, WhatsApp, Instagram, não tem notificação no meu celular. E aí eu cliquei nesse comentário, ele tinha um arroba de uma escola de futebol, sabe? Daí eu fui lá no arroba da escola e mandei uma mensagem, tipo, ah, o aluno de vocês fez o seguinte comentário, se medidas não forem tomadas eu vou levar a público o arroba da escola, tananã.

Aí acho que com uns 10 minutos eles me responderam. Então tipo assim, essas pessoas só aprendem quando levam um susto, sabe? E tipo, um moleque desse de 14 anos, eu me vi muito o meu eu de 13 anos na escola, que provavelmente seria alvo de uma piada desse moleque, sabe? Tipo, gente, se fosse eu na escola, com certeza esse menino teria feito da minha vida na escola um inferno. Aí ver que esse menino tinha me bloqueado, apagado o comentário e tirado o arroba da escola, meu Deus do céu, fez o meu dia.

Você não tem noção do prazer que eu senti. E assim, eu me blindo de muita coisa, então essas pequenas coisas que eu posso fazer por mim eu faço. Tipo não ler comentários, não ir atrás de coisas que eu sei que vão me magoar, não ficar pesquisando meu próprio nome na internet, indo atrás de saber coisas. E a internet tem espaço pra todo mundo, a internet é gigante, tem nicho pra tudo, sei lá, desde vídeo de ASMR a gente que faz conteúdo com pet, vídeo de maquiagem, tem público pra tudo.

Eu acho que o primeiro ponto é vir com a mente muito aberta de que você não tem nada a perder. Você não tem nada a perder. Você vai fazer vídeos e aí? O pior que pode acontecer é dar tudo certo e você começar a trabalhar com isso. Mas se não der certo, você já não tava com muita expectativa, então você não tem nada a perder. E se poupar. Isso que eu faço. Eu não vou lá atrás de ler comentário, eu faço terapia. E se tem uma coisa que eu sei que vai me magoar, nossa, eu sei que vai me magoar eu ir lá num vídeo que furou a bolha, que tá um monte de pessoas que não me acompanham, que não são do meu nicho comentando.

Pra que é que eu vou me dar o trabalho de ler isso? Então se poupar um pouco, fazer terapia e ter isso em mente de que você não tem nada a perder trabalhando com internet. Eu acho que hoje em dia uma coisa que é muito de bolha, quando você só convive com pessoas da sua própria bolha, tipo pessoas que são LGBTs e que são militantes e que não fariam comentários preconceituosos, transfóbicos, e você sai disso, você vê que o mundo não avançou muito.

Eu acho que uma coisa que abriu os meus olhos ultimamente foi essa treta da Malévola, que as pessoas jovens atacavam ela por ser uma mulher trans, não pelo barraco, não pela forma dela de falar, mas por ser uma mulher trans. Iam nessa ferida. Então você vê que não mudou muita coisa, que os jovens estão mais conservadores do que antes, porque quando eu tinha 13 anos era uma coisa tipo quebrando tabu e nossa, fora tema, era tipo uma militância.

E eu vejo que hoje em dia não mudou muita coisa e eu achava que tinha mudado. Então é um balde de água fria. Eu acho que o que pode ser feito no mais assim Gente, eu não vejo outra escolha a não ser rebater. E por muito eu já ouvido, tipo, ah, porque tem que devolver com flow, aquela música da Pabllo, se recebo dor devolvo amor. Gente, não tem que ser assim, me desculpa. Eu não vejo mais dessa forma, porque eu não consigo acreditar que, por exemplo, um moleque de 14 anos que veio depois de mim, eu tenho 23 anos, não é possível que esse menino não tenha instrução, que ele não saiba que usar essa certa palavra com gay seja homofobia, que errar um pronome seja transfobia.

Tipo, essas pessoas sabem, elas só têm o prazer de serem preconceituosas. Então o que pode ser feito? Devolver. Você vai, devolve. Então se é uma pessoa que tem uma ferida, que alguma coisa, você vai lá e cutuca, você vai lá e devolve na mesma moeda, você faz um escândalo, porque silêncio nenhum vai te proteger de absolutamente nada. As pessoas não vão parar de serem preconceituosas, as coisas só estão piorando cada vez mais. Você vê como, sei lá, o Nicolas Ferreira sendo uma potência da direita, sendo super jovem, e a esquerda não tem isso atualmente.

Talvez tem a Erika Hilton, mas por ser uma mulher trans isso vai pegar no pé dela. Então você vê que as coisas não estão mudando muito, as coisas não estão evoluindo muito. Então serem mais reativos, não tem mais essa de sentar, explicar e fazer roda de conversa e olha, isso aqui é homofobia. As pessoas sabem que é homofobia, sabem que são preconceituosas e querem ser preconceituosas. Então pra mim não tem outra saída a não ser ir de encontro e bater de frente.

Não tem como continuar nessas conversas e, sabe, serem muito pacíficos, porque isso não adiantou até agora, porque vai continuar adiantando.

HGHanna Gabriely

É, me chamo Camille Andrade, sou também estudante de jornalismo aqui da UFC. Eu tenho na verdade duas perguntas, só que elas se entrelaçam muito sobre o tema que tá tendo aqui, né? E são mediante a você morar aqui no Nordeste, no Ceará, e produzir conteúdo e também ter uma grande rede de apoio, que a gente já falou muito sobre, uma grande rede de fãs aqui locais como também de outros lugares, né, de outros estados, e ter essa relação, querendo ou não, geográfica distante de São Paulo, né?

E eu sei que isso tem uma relação também no seu profissional, e eu sei que tem coisas muito boas, tem desafios. Eu queria que você falasse um pouco sobre isso. E também falando sobre desafios, a gente tava muito falando sobre essa questão do ódio, e a gente tá no mês do orgulho, e é um assunto muito atual, né, que os patrocinadores do mês do orgulho diminuíram absurdamente esse ano. E eu sei que é um assunto que a gente fala muito da maior parada LGBT do mundo, que é a de São Paulo, mas aqui em Fortaleza, aqui no Nordeste, também existem paradas LGBTs.

Então eu queria fazer essa relação sobre como você vê essa questão da representatividade, essa questão do seu conteúdo aqui no Nordeste também, em relação a essa perca, que eu sei que é uma questão que o Brasil inteiro, o mundo inteiro tá enfrentando, não é só São Paulo. E eu vejo que aqui no Nordeste acontece muito também.

GNGustavo Nobre

É, sobre a primeira pergunta, em relação às pessoas que me acompanham no Nordeste, sobre eu ser um criador de conteúdo do Nordeste, que mora no Nordeste. Bom, isso sempre esteve no meu conteúdo, no jeito de falar. As pessoas, algumas pessoas dizem que eu tenho sotaque, eu não percebo. Mas eu nem me considero paulista, tipo, isso é uma coisa que vocês devem ter achado porque a minha agência colocou como um dado técnico, eu nasci em São Paulo, mas eu nunca digo que eu nasci em São Paulo porque Sabe, eu era um bebê, tipo, eu fiquei lá até 5 anos de idade, então não lembro nada de São Paulo.

É, para mim eu sou cearense, eu moro em Fortaleza e é isso. O meu conteúdo, muitas das coisas que aconteceram e das minhas vivências são muito entrelaçadas pelo fato de eu ter estudado no colégio católico do interior do Ceará. Então todo esse combo é formado pela localização geográfica que eu estava, que eu nasci, que eu cresci. Então você já ser um gay afeminado é uma coisa, num colégio católico no interior do Ceará, gente, é como, sei lá, se você tivesse indo para uma guerra assim de armas com uma faca, sabe?

Então assim, era muito preconceito, era muito bullying, e o dia todo. Mas eu também não sou santo, tipo, eu não botaria a mão no fogo por mim. Eu respondia, eu ia para coordenação, eu, sabe, eu não medi esforços. Então foi, foi babado assim. Isso tá, enfim, entrelaçado com meu conteúdo sobre os patrocinadores da parada e sobre essa relação das marcas não quererem mais se atrelar à comunidade LGBTQIA+, é, a gente tá vivendo um momento político bem delicado assim.

A gente tem eleições esse ano, né, em outubro. Isso é uma coisa que eu até tratei no podcast, tem um episódio sobre jovens conservadores. E enfim, surgiu por causa dessa treta, né, recente da Malévola e Joel Jota e Tadinho, né, que a gente vê, por exemplo, que Essas pessoas que estão sendo transfóbicas e preconceituosas, elas vão votar um dia, sabe? Quem tem 16 anos já vota facultativo. Então assim, as pessoas tão lendo comentários falando, meu Deus, essas pessoas são ridículas, no Twitter, e printam e falam, ó, o que essas pessoas tão falando.

Mas se esquece que essas pessoas vão votar. Em quem que elas vão votar, sabe? Tipo, é uma linha de raciocínio muito curta, porque são pessoas que têm pensamentos altamente preconceituosos. E quem que você vê na internet destilando ódio e querendo se eleger a todo custo? Nicolas Ferreira. Então é muito fácil você fazer uma conexão de que Esses jovens que estão falando isso hoje em dia, eles vão atrás desses políticos que têm esses pensamentos quadrados e preconceituosos.

Então, cada vez mais a comunidade, nos últimos tempos principalmente, tá sofrendo ataques de todos os lados e as marcas não querem se atrelar a isso. Por exemplo, acho que teve a publicidade da Renner esses dias, que altos comentários do tipo, nossa, não compro mais nessa loja, não quero mais estar aí e nunca mais frequento esse espaço, nananã. Você vê que as coisas não estão evoluindo tanto que você acha que estão evoluindo. Porque eu acho que isso é consequência da bolha em que eu vivo, porque eu tenho— eu não tenho amigos héteros.

Eu parando pra pensar aqui agora, eu devo ter 2 assim, mas não amigos de conversar, de bater papo assim, no máximo. E quando você vê essas coisas acontecendo, você fica: gente, meu Deus, o que é que tá acontecendo? Não é o mundo que eu tô vivendo. Tipo, não é possível que, sei lá, você saia na rua ou que você Veja esses comentários. Gente, isso é o mundo real, tipo, sabe? Você fica chocado com alguns comentários, porque quando você tá numa bolha de só ter amigos que são LGBTs, que são às vezes de esquerda e militantes, e você sai desse nicho, você vê que as coisas não estão tão evoluídas assim.

Em relação às marcas, é isso. O Brasil tá num momento muito delicado politicamente e as coisas vão piorar bastante. A gente tira, por exemplo, que a gente não tem muitos representantes de esquerda que são altamente populares. Tem o Lula, tem a Erika Hilton, e E na direita a gente vê uma força gritante, enorme, seja o André Fernandes, seja o Nicolas Ferreira, sejam outros políticos. E são pessoas que são muito unidas e muito organizadas, e que daqui alguns anos as pessoas que estão sendo preconceituosas hoje, esses jovens que são altamente conservadores, eles vão votar.

Então as coisas tendem a piorar. Mas o que eu penso é que a comunidade nunca precisou estar tão unida como a gente viu quando o Bolsonaro se elegeu em 2018, e a ele não, e ninguém solta a mão de ninguém. Eu acho que esse momento precisa voltar porque a gente deixou as coisas relaxarem demais. Eu acho que muito disso, desse movimento, dessas coisas que vieram, viraram piadas, sempre é preconceituoso virar uma piada. Tipo, você usar um xingamento como piada, você enfim tratar certas coisas como meme o tempo inteiro.

As coisas precisam ser um pouco mais sérias do que já foram um dia. Então eu sinto que precisa de uma certa união para as coisas voltarem a caminhar e ser um pouco mais seguros, porque ultimamente tá sendo bem perigoso ser LGBT no Brasil. Eu acho que ser influenciador, você influencia até nas pequenas coisas, mesmo sem perceber. Esses dias eu me peguei comprando uma camisa que uma pessoa tava usando, sem ela ter indicado, sem ela ter falado.

Não era publicidade, era só porque a pessoa estava usando aquela camisa. Então, quando você faz conteúdos como esse, do tipo, gente, olha como os jovens estão conservadores e como isso aqui é errado, como isso é importante, essas pautas acabam sendo levantadas e as pessoas acabam dando uma certa atenção. Então, como influenciador, principalmente nesse ano político, Eu acho que fazer nem que seja um pequeno apontamento ou um conteúdo de fato já é de grande ajuda e vai ser necessário.

Eu acho muito necessário posicionamentos em relação a esse tipo de coisa, sejam comentários preconceituosos, posicionamentos políticos, situações que você seja diretamente afetado por algum tipo de preconceito. Não ficar calado e sim fazer alguma coisa de fato, porque aquilo que já foi falado aqui, né, esse silêncio não te protege de nada. Então o que eu posso fazer e o que está ao meu alcance para ser feito, eu faço. E não é uma grande coisa, tipo, é o mínimo que eu posso fazer.

Não é como se fosse, meu Deus, nada muito uau. É algo que se você é influenciador, você não vai ficar o dia inteiro só abrindo pacote de maquiagem e fazendo receita da internet. Você tem uma responsabilidade e uma plataforma para poder falar de assuntos sérios e não o dia inteiro ficar falando, gente, olha esse café que eu fiz hoje.

HGHanna Gabriely

Bora descontrair um pouco. Qual filme, livro ou série você escolheria para viver e que ninguém imagina?

GNGustavo Nobre

Para estar na história?

HGHanna Gabriely

Sim.

GNGustavo Nobre

Série. Ai, minha série favorita da vida é Desperate Housewives, mas para estar na história seria Pretty Little Liars. Eu adoro, gente, eu amo essa palhaçada, eu amo essa palhaçada. O meu sonho de vida, sem brincadeira, era ser perseguido, receber mensagens, ter que esconder um corpo. Gente, sério, era ter que esconder um corpo, era ter que estar no meio da floresta e andando de tênis e a polícia me perseguindo e receber uma mensagem e ficar— gente, inclusive, fun fact, meu Deus, pega aqui meu celular, por favor.

Tem uma amiga minha que eu mando mensagem como se fosse— ah, e tipo assim, eu acho muito— obrigado. Eu acho muito engraçado às vezes, tipo, quando eu tô sem ter o que fazer. Só que eu não coloco no modo desconhecido, que tem como fazer, né? Eu coloco como se fosse eu mesmo, porque é mais engraçado. Que ela manda: Gustavo, esse aqui é você. Deixa eu ver, esse dia ela tava no hospital, ela postou um story, aí eu inverti a foto e coloquei assim: Fiz uma visitinha enquanto você dormia.

Melhores. E lembre-se, eu sei de tudo. Beijos. Enfim, um livro Um livro, eu estaria Noite das Bruxas, da Agatha Christie. E um filme, eu seria a Beatrix Cheadle em Kill Bill.

JAJonathan André

Agora sobre teus hobbies favoritos do dia a dia pra descansar do teu trabalho constante na internet, o que é que tu faz?

GNGustavo Nobre

É, eu adoro acompanhar temporadas de premiações, então quando chega tipo EMS eu assisto tudo. E aí eu tento ver tudo, inclusive eu comecei a ver Hex. Acho que é 2 semanas atrás, que é uma série que tá tipo todo ano levando o Emmy de melhor atriz. E daí eu peguei uma semana pra ver tudo, pra poder ver o último episódio no dia que ia sair. Gente, foi tipo uma maratona, eu comecei domingo, eu via 5 episódios por dia. E aí ia até chegar o dia.

Eu vejo séries, eu acompanho temporada de premiações, eu faço cerâmica fria quando eu tenho tempo. Eu gosto de organizar pastas no Pinterest e resolver isso pelo tablet assim, acho mais legal. Eu assisto a mesma série que eu já vi várias vezes, só que legendado em inglês pra poder estudar. Uma que eu faço isso é Modern Family. Eu já vi essa série pelo menos 5 vezes, todas as temporadas. Eu sei os episódios decorados, tipo o aniversário do Luke, primeira temporada, episódio 9.

Quando a Haley deu o primeiro shot dela no aniversário de 21 anos, 6ª temporada, episódio 10. Quando o Mitchell Kent se casou, 5ª temporada, episódio 23 e 24. Então assim, eu sei tudo. É... Que mais? Eu... Pinto meu cabelo, se tiver tinta em casa. E aí olho pro espelho e fico, quer saber, eu vou pintar. Ando de bicicleta ouvindo músicas no fone. Então, inclusive, dicas, músicas que eu mais gosto de ouvir no fone: Alanis Morissette, o primeiro álbum dela, o Jagged Little Pill.

Amo esse álbum. Wonderpow da Fiona Apple. E eu escuto Red da Taylor e o 4 do One Direction.

HGHanna Gabriely

Bom, Gustavo, você comentou que a parte favorita do seu processo criativo é a produção do roteiro, já que sempre teve gosto pela escrita e que no futuro gostaria de trabalhar com isso. Olhando pra além dos seus projetos atuais, quais projetos futuros você tem em mente? Tu pensa em explorar novas áreas além da criação de conteúdo digital?

GNGustavo Nobre

Pois é, em relação aos roteiros, eu percebi isso na faculdade de publicidade, porque eu tinha uma cadeira que era redação publicitária. E eu acho muito legal essa parte de você criar todo um storytelling, todo um negócio, até chegar no assunto de fato e finalizar. Eu acho isso muito interessante. Eu não sei exatamente como que eu trabalharei com isso, não é algo que eu fico quebrando a minha cabeça pensando, nossa, como que eu vou fazer isso acontecer?

Uma coisa que às vezes eu paro pra realmente dar uma estudada é sobre edição de vídeos no computador e coisas mais pesadas e sérias, porque eu também gosto dessa parte de você pegar um material bruto e você transformar em alguma coisa. Tipo, tá só aquele vídeo, você falando sem música de fundo, sem nada, e realmente trabalhar aquilo. É uma coisa que eu acho muito interessante. Então, se eu fosse desmembrar o meu trabalho e fazer outras coisas, eu iria pra redação, eu acho muito legal.

A edição de vídeos. E às vezes, sei lá, quando eu tinha 12 anos, escrevia fanfic. Eu adorava escrever, escrever, escrever, escrever. Então às vezes, quando eu tenho tempo, eu abro o Notepad até hoje e eu escrevo. É algo que eu acho muito interessante. Tipo, eu trabalharia com isso um dia, sei lá, eu seria ghostwriter e pegaria coisas e escreveria sem receber os créditos mesmo, mas só por escrever. É algo que eu acho muito interessante ajuda a passar o tempo e é muito bom.

Não tem medo do teu Wattpad vazar de novo, Gustavos? Não, porque hoje em dia, hoje em dia eu leio no tablet em outra conta, mas a conta antiga tá lá até hoje. Às vezes, sei lá, eu entro lá para ver o que que as pessoas ainda estão falando, tipo, até hoje alguém vai lá naquela conta e ler as fanfics antigas que eu escrevia. Inclusive, gente, vocês estiverem tristes, uma coisa que eu faço até hoje quando eu tô triste, eu vou nessa fanfic que eu escrevia 13 anos e eu dou muita risada, tipo, muita assim.

Gente, é muito engraçado, você não tem noção assim. Tipo, sei lá, 2 caras donos de uma máfia que um deles começou a namorar comigo e esse cara queria se vingar do meu pai. Tipo, é meio que o plot da minha colute com o Miguel, né? E a gente começa uma coisa e tá tipo os homens reais. Eu não troquei nomes, é o meu nome com o nome do menino, com minhas amigas. E tipo, se eu for processado, eu posso, eu acho, porque tipo tá tudo lá, os nomes.

Eu só mudei o nome da escola, tipo, eu no interior do Ceará, o nome da escola Oxford.

JAJonathan André

Bem, Gustavo, a gente já está chegando ao fim da nossa entrevista, mas nós gostaríamos de te agradecer demais pelo seu tempo aqui com a gente. E eu gostaria de deixar esse espaço final aqui para tuas considerações. O que é que você achou da entrevista?

GNGustavo Nobre

Gente, eu achei muito legal entrar em áreas para além das pautas importantes, né? Não que não sejam importantes, mas tipo, poder falar de outros assuntos, eu Gostei muito da forma como fui conduzido e poder falar um pouco mais das coisas que me interessam no trabalho e como são feitos. E porque às vezes, sei lá, eu fico pensando se as pessoas têm curiosidade sobre isso. Tipo, eu faço um vídeo que dura 1 minuto e tipo, tá, você vê em 1 minuto, mas até chegar nesse 1 minuto, tipo, tem um roteiro, tem uma edição, aí tem que pensar, aí tem que fazer o vídeo existir.

Então pegar tudo isso e transformar em um vídeo é todo um trabalho, sabe? Poder falar disso foi muito legal. Então muito obrigado pelo convite. Foi muito bom poder falar essas coisas mais técnicas e outras coisas também. No TikTok é @estavu, e nas outras é @gustavnobre, só que sem o O no final. Então @gustavnobre no Instagram, no Twitter.

HGHanna Gabriely

Bem, pajubes, nosso episódio tá acabando, mas antes não esquece de curtir, seguir o nosso feed na sua plataforma favorita e compartilhar esse episódio com todo mundo.

JAJonathan André

Por fim, acesse linktr.ee/neomasha para encontrar a gente na rede. Um beijo e até a próxima!

GNGustavo Nobre

Um beijo, se desvindo do caminho do mal. E para você que não gosta, dou meu cu como resposta.

JAJonathan André

Tchau, gente!

GNGustavo Nobre

E tipo, isso é um gibi para Pepita, tá? Porque isso não é meu. Isso é tipo, muitas pessoas pensam, mas não é meu.