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ESPECIAL: Levanta Gay, Bora Trabalhar! Histórias de empreendedores LGBTQ+ em Fortaleza | Minha Fala é Pajubá

30 de junho de 202620min
0:00 / 20:31

Hoje, o Neomarsha trás um episódio especial para vocês! Duas reportagens de empreendimentos de Fortal que nasceram de bichas da comunidade!
No primeiro bloco você descobre a história por trás da fundação do Tropicanos e do Murici na reportagem "Com quantos gays se montam dois bares?". Já no segundo, Cailana Fernandes e João Coelho entrelaçam as trajetórias de Rennata e Denise, ou melhor, da marca Feline e do Ateliê Naluri em "Moda preta, periférica, bi, sex e UAU".
Apresentação: Cailana Fernandes, João Coelho e Taís Lustosa
Roteiro: Iohanna Sousa e João Duarte
Edição: Taís Lustosa
Capa do episódio: Taís Lustosa
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ℹ️| O podcast Minha Fala é Pajubá é uma produção do Neomarsha, projeto de extensão do curso de jornalismo da Universidade federal do Ceará (UFC), com orientação da professora Cida de Sousa.

Participantes neste episódio6
T

Taís Lustosa

HostApresentadora
C

Cailana Fernandes

ConvidadoNarradora de reportagem
D

Denise Costa

ConvidadoEmpreendedora
I

Isabela Osterno

ConvidadoEmpreendedora
J

João Coelho

ConvidadoNarrador de reportagem
R

Renata Ferreira

ConvidadoEmpreendedora
Assuntos3
  • Empreendedorismo e expansão pessoalTropicanos e Muricy: bares LGBTQIA+ friendly · Fellini: moda com temática LGBT+ · Ateliê Naluri: moda preta, periférica e LGBTQ+ · Isabela Osterno · Paulo dos Santos (Paulinho) · Renata Ferreira · Denise Costa · Maggie Coelho
  • Tropicanos e Muricy: bares LGBTQIA+ friendlyHistória da fundação dos bares · Atração de público e marketing · Contratação de funcionários LGBTQIA+ · Isabela Osterno · Paulo dos Santos (Paulinho)
  • Inveja versus destruição na comunidade gayCriação da marca e inspirações · Transformação de experiências pessoais em produto · A importância das feiras para o negócio · Renata Ferreira
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TLTaís Lustosa

Oi, pajubers! Começa agora mais um episódio do Minha Fala é Pajubá, o podcast produzido pelo Neo Marcha, projeto de extensão do curso de jornalismo da Universidade Federal do Ceará. Eu sou a Thaís Ustosa e hoje a gente apresenta 3 histórias de empreendedores LGBT+ da capital cearense que trabalham suas marcas em cima da personalidade. E se começamos Criar um novo negócio já não é fácil, fica ainda mais difícil dependendo da sua bandeira.

Tem quem necessite botar a cara nas redes sociais pra chamar o público e ter receio se é que vão aceitar sua personalidade e sua sexualidade. Mas aí junta uns parafusos a menos, uma publicidade criativa e dá certo. Hoje os seus dois bares são sucesso. Às vezes a ideia inicial da loja nem era representar a comunidade LGBTQIA+., mas carregar o slogan "Use o que te representa" pareceu fazer sentido em dado momento da vida. Por outro lado, a outra marca já nasceu com essa intenção: valorizar as origens e tocar aquilo com tudo que vem de dentro.

No primeiro bloco você descobre a reportagem de título "Com quantos gays se montam 2 bares?" Já no segundo você ouve "Moda preta, periférica, pi, Sex e Uau. Quem narra as reportagens é a Cailana Fernandes e o João Coelho. Fique com a gente!

?Voz B

Você já virou pro seu amigo e falou: "E se a gente abrisse um bar junto?" Geralmente essa frase vem de alguma brincadeira. Ou quando perguntam qual seria uma possível segunda opção de carreira. Para outros, essa vontade é um sonho real. Ou por necessidade, para se manter financeiramente, ou por sonho mesmo, uma conquista pessoal.

?Voz C

O cenário desse tipo é carregado de incertezas, porque não é fácil começar um negócio do zero. Gastos com alimentação, logística, manutenção, funcionários, impostos, tudo pesa na balança. Acima disso, porém, se mantém um sonho e uma amizade que acredite no projeto. Entre conversas carregadas de petiscos e cerveja, uma personalidade característica e caminhadas com experiência nasceu o Tropicano's. Antes de começar essa reportagem, que tal esperar o seu pedido?

?Voz B

Tem um lugar que é o nome do lugar é espetinho.

DCDenise Costa

Obrigada, hein! De nada, agora vou te explicar.

?Voz B

Agora podemos começar! Independente da cidade que você mora, eu tenho certeza que tem um bar específico que é o seu favorito. Você indica pra um amigo, vai com uma boa frequência, aparece um dia aleatório da semana só pra dar uma passadinha, e seus amigos regularmente escutam: "Ei, bora lá naquele canto?" E não é fácil um local ser considerado o predileto.

?Voz C

O atendimento precisa ser bom, a bebida estar no ponto ideal, a comida ser diferente das demais e ter algo que conquiste o público mais variado possível: personalidade. Aí vai de você interpretar o que essa palavra significa.

?Voz 1

A gente queria falar da América Latina, dizer que o Brasil também faz parte da América Latina e tentar colocar é co-identidade, cultura, a nossa, entendeu? O que os países da América Latina têm em comum, que é o afeto, que é desde a decoração, as cores, o gingado, tudo isso que não Que não é só comida mexicana e pimenta.

?Voz B

O sonho desse empreendimento surgiu em 2018, quando Isabela Osterno e Paulo dos Santos, o Paulinho, se conheceram em uma hamburgueria, ambos como freelancer. Paulinho, formado em gastronomia pela Universidade Federal do Ceará, foi para a cozinha. Isabela...

?Voz 2

E eu fui para o salão, que não tinha área e não tinha forno nenhum.

?Voz B

Foi para o salão. E o motivo de criar algo novo pode até ser curioso.

?Voz 2

Meu sonho, depois que eu percebi que eu fazia direitinho, dei certo mais ou menos, sempre foi ter um bar. Eu achava muito legal. Eu achava pessoas de bares, de escoladas, e era isso.

?Voz C

Tempos depois, os ex-colegas voltaram a trabalhar no mesmo local, o Bulls, cada um em uma função diferente. Isabela assumiu como gerente e depois passou para sócia, enquanto Paulo chefiava a cozinha das duas franquias. Nos bairros Aldeota e Parquelândia. Secretamente, a Isa começava o projeto do novo bar e quem faria o cardápio era o Paulo. Tudo para dar certo.

?Voz 1

A gente encontrou o lugar, né, que hoje é a casa do Tropicano. Quando a gente levantou a porta, é como um anjo viesse anunciando. Aí, um lado, a gente se beijou e abraçou.

?Voz 2

Se beijou onde, né? Por favor, tu explica.

?Voz B

Quem conhecia o Tropicano não sabia o rosto a voz nem as expressões da dupla. É até uma situação comum, salvo as exceções quando o gerente é chamado para ouvir alguma reclamação. As vozes que você ouviu neste episódio podem ter parecido familiares, principalmente se a média do seu tempo de tela é alto.

?Voz 2

Ó gente, tem um negócio chamado ativação de marca. Aí eu fui fazer, né, ativação, fiz um boné, já dei os boné tudinho, não vendi nenhum. E aí me mostraram uns MDF que solta nos copo pra fazer e tudo. Mas eu comprei e nenhum dos MDFs soltou. Todos os copos que eu fiz ficou "mope", "boku". A gente vai fazer assim: como eu não tenho tempo de estar grudando e nem vou pedir pro menino grudar, a cada 5 copos que você grudar, tu ganha um.

E nem precisa roubar, que o pessoal também leva. Eu sou empresária, cara, eu não posso estar demorando esse tempo não. Ó o que fica, ó.

?Voz C

Essa promoção tanto quanto exótica faz parte de uma série de vídeos estratégicos para promover o segundo empreendimento da dupla. A ativação de marca chegou como uma necessidade para atrair público ao Boteco do Muricy, também localizado na Aldeota. A ideia inicial era que ninguém aparecesse para evitar exposição.

?Voz B

Porém, chegou um momento que era impossível continuar invisível, como eles descreveram. Desesperados, precisaram sentar com o marketing e ouvir a única coisa que não queriam: "O Muricy precisa ter uma persona." E havia uma preocupação relacionada à já citada personalidade dos dois. O Paulinho é gay e a Isa lésbica, ou sapatona, como ela se referenciou.

?Voz 2

E o nosso maior medo era que os dois públicos se misturassem e a gente não tivesse gente suficiente para as duas casas, ou as pessoas tivessem um preconceito muito grande e não viessem. Porque a gente sabe que o Tropicamos, ele, quando a gente botou nossa cara, apareceu as pessoas que se identificam também com a gente. E a gente sabe muito bem, já que a gente se da onde a gente veio, da nossa comunidade e tal.

?Voz C

E aí a nossa maior discussão foi: "E aí, quem é que vai performar?" No Unidunitê, Paulinho decidiu que quem iria aparecer era Isabela e ele estaria nos bastidores. Depois do desespero no início, conseguiram respirar.

?Voz 1

Quando a Isa começou a aparecer, já vimos uma mudança, tanto no número de clientes, das pessoas procurando, os vídeos que viralizavam. Tinha um engajamento muito alto, né? E isso a gente foi trabalhando. No início investimos muito em influencer, né, pra cá. Mas mesmo assim ainda não dava esse retorno que a gente esperava. E aí a gente foi o nosso maior salto praticamente, né?

?Voz 2

Foi um alívio. Pra mim foi um alívio você aparecer e ser aceito.

?Voz B

Hoje o público do Trap Canos e do Muricy é bem variado. De acordo com a Isabela, são pessoas mais velhas. Independente da sexualidade: hétero, gay, lésbica. O Paulo destacou que essa diversidade foi conquistada graças aos vídeos em que ela aparece.

?Voz C

E não é só o público que é assim, também há uma preocupação com os funcionários, que também são da comunidade LGBTQIA+.

?Voz 1

Eu tenho essa dívida assim, desde quando a gente abriu o nosso negócio, o Apcanos, a gente falou que a gente queria entre os nossos funcionários, meninos que trabalham com a gente, trans e outros LGBTs, entendeu? São pessoas que Que às vezes, por ser muito, digamos, afeminados, não consegue tanta oportunidade, entendeu? Então aqui a gente, eu até prefiro.

?Voz 2

Quebrou também um pouco, assim, Tropicana, pra mim o Tropicana e o Muricy não é um naipe agora, eu contrato quem eu quiser, entendeu?

?Voz 1

E os meninos usam brincão, usam maquiagem, eu antes eu tinha muito receio, né? Porque a gente tava tentando formar o nosso público, né? E hoje a gente entende que o nosso público E hoje também não. E o nosso público não se importa.

?Voz 2

Se eles se importarem, eles também, agora, né, a gente pode dizer isso, não precisam vir hoje, tá? Só hoje a gente pode dizer isso.

?Voz B

Não é à toa que hoje o Tropicano faz parte de uma lista que conta com 63 bares de Fortaleza considerados seguros para a comunidade. O mapa foi desenvolvido pelo coletivo Voz LGBT por meio do Projeto Bonde LGBT.

?Voz C

Com quantos gays se monta 2 bares? Depois de conhecer a história do Tropicano e do Muricy, a gente vê que a resposta não está em um número, está na coragem de tirar um sonho do papel, de transformar a própria identidade em parte do negócio, de fazer o acolhimento um diferencial. Isabela e Paulinho mostram que um bar também pode ser um espaço de pertencimento, onde quem entra não encontra apenas comida e bebida, mas a liberdade de ser quem é.

E no final das contas, talvez seja isso que faça um lugar se tornar o bar favorito de tanta gente.

TLTaís Lustosa

Essa foi a história do Tropicano's e do Boteco do Muricy. Ou melhor, a história do companheirismo da Isabela e do Paulinho. Nesse segundo bloco você acompanha a história de dois outros empreendimentos: a Fellini, guiado pela Renata Ferreira, e o Atelier Naluri, da Denise e da sócia Maggie Coelho. Duas histórias distintas, mas que se encontram no mesmo ponto. Não sai daí!

?Voz C

Quando você compra uma roupa, um brinco, um acessório de pequena marca, você já parou para pensar na história de quem produziu aquilo?

?Voz B

Por trás de cada peça pode existir uma gay tentando pagar as contas. Existe uma identidade sendo construída e muitas vezes uma forma de resistir ao mercado de trabalho que nem sempre abre as mesmas portas para todo mundo.

RFRenata Ferreira

Eu comecei a pesquisar referências, comecei a pesquisar tipo de estampas, comecei a pesquisar como que fazia, os processos que tinham que seguir pra ter o produto final, né, que é uma blusa estampada. Comecei fazendo uma temática LGBT, com algumas frases LGBT. E aí ela foi se modificando de acordo também com o momento de vida e de criatividade que eu fui vivendo e que eu vivo até hoje.

?Voz B

E a Fellini nasceu em 2018. Primeiro com frases, depois com ilustrações. Mas a marca também nasceu de uma tentativa de transformar experiências pessoais em algo que pudesse ser compartilhado.

?Voz C

O nome da loja vem dos gatos de Renata. E durante a nossa conversa, eles fizeram questão de lembrar que estavam ali.

RFRenata Ferreira

Opa, pera aí, João, pera aí, só um minutinho, só um minutinho. Desculpa, né, porque meus gatos resolveram brigar agora. Ei, deixa de putaria aí vocês, por gentileza.

?Voz B

Bem, a entrevista continuou e a história da Fellini também passa por um momento mais delicado da vida da criadora.

RFRenata Ferreira

E a Fellini se tornou uma válvula de escape para que eu colocasse o que eu estava sentindo e o que me motivava a continuar, sabe? Assim, não só com a loja, mas continuar a vida.

?Voz C

O que começou como um projeto criativo também se tornou um espaço de acolhimento.: para Renata e para quem comprava as peças.

?Voz B

As feiras funcionaram como uma espécie de termômetro. Foi nelas que Renata descobriu quem eram as pessoas que se identificavam com o trabalho dela.

?Voz C

E também onde percebeu que a Fellini estava criando uma comunidade.

RFRenata Ferreira

E ter esse contato pessoalmente é muito mais intenso do que de forma online, sabe? E foi também justamente nas feiras que eu pude perceber que o meu público é majoritariamente LGBTs e mulheres. Me deixa muito empolgada, sabe, assim, ver que as outras pessoas curtem o meu trabalho. Elas também espalham de forma assim, no boca a boca, né.

?Voz B

"Use o que te representa." Essa é a frase destacada na bio da Feline.

?Voz C

A moda aqui aparece como uma linguagem, uma forma de dizer quem você é, ou quem você quer ser.

RFRenata Ferreira

Antes a frase não era "Use o que te representa". Eu nem tinha uma frase assim, sabe, que fosse como entre aspas um slogan. Eu fui muito recebendo esse feedback: "Nossa, essa frase me representa", "Nossa, eu me identifiquei com essa frase", sabe, coisas assim sinônimos. E aí foi quando eu coloquei a frase na bio, porque foi algo que o meu público começou a me trazer.

?Voz C

Mas existe uma distância entre o que aparece no Instagram e a rotina de quem empreende.

?Voz B

No meio das fotos, das feiras e da produção, existe uma jornada que muitas vezes ultrapassa uma carga horária CLT.

RFRenata Ferreira

Se manter nas feiras, eu não vou te dizer que é fácil, porque não é. É muito cansativo, ainda mais quando você trabalha 6 por 1, e aí aos finais de semana você trabalha mais um pouco e acaba se tornando 7 por 0, né? Mas é muito legal ver como que as pessoas recebem o que eu faço, sabe?

?Voz B

Grandes argolas cobertas de miçangas, peças de arame dourado que sobem pelos braços. Cores, texturas e referências que conversam com a periferia.

?Voz C

Se para Renata a moda surgiu como uma forma de expressar o que sentia, para Denise Costa e Maggie Coelho ela também se tornou uma maneira de reconhecer e reverenciar as próprias origens.

DCDenise Costa

Então, o ateliê Naluri, ele vem com uma proposta De reverenciar a identidade periférica a partir de adornos e tudo que tem a cara da periferia.

?Voz B

Denise é educadora social, mulher preta, periférica, bissexual e não monogâmica. E nenhuma dessas experiências fica do lado de fora quando ela pensa o ateliê.

?Voz C

Ao lado da fotógrafa, arte-educadora e sócia Maggie Coelho, o trabalho é atravessado pela identidade das duas. A periferia, a negritude e também as vivências LGBTQ+.

DCDenise Costa

E desde muito nova eu sempre gostei muito de me enfeitar, de estar com muitos penduricalhos, minhas joias têm que estar fazendo barulho, se não estiver fazendo barulho é porque eu estou com poucas joias, eu não gosto de estar com poucas joias. E eu comecei, com o tempo eu fui crescendo, eu fui percebendo que esse é um movimento muito frequente dentro da periferia, das pessoas quererem estarem muito arrumadas, se for mulheres de cabelo crespo, "Tem que estar bem armado, as argolas imensas." E eu poder ter esse reconhecimento de identidade racial foi muito importante.

?Voz B

O gosto pelos adornos veio antes do ateliê, mas com o tempo passou a caminhar junto com o processo de reconhecimento racial.

?Voz C

Perceber como a estética preta estava presente no cotidiano da periferia e como esses elementos podiam ser valorizados através da moda.

?Voz B

E esse processo de reconhecimento não passa apenas pela raça ou pelo território. Ele também envolve a sexualidade.

?Voz C

Denise conta que a descoberta da bissexualidade aconteceu de forma natural, sem grandes rupturas, amparada por uma rede de amigos LGBT que já faziam parte da sua vida.

?Voz B

E essa experiência também acabou atravessando o trabalho desenvolvido na marca Naluri.

DCDenise Costa

E tudo isso, tudo isso é impossível não levar para o ateliê. Eu gosto de fazer, tanto eu quanto a Meg, a gente gosta de fazer joias que as pessoas que vão usar vão se sentir confortáveis, vão se sentir bonitas e vão se sentir abraçadas dentro da sua identidade, dentro do que ela se reconhece, dentro do que ela enxerga o que é ela. A gente sempre fala que o ateliê é voltado para uma moda preta periférica, porém ela não se limita somente a isso.

?Voz B

Por incrível que pareça, a habilidade para produzir as peças não estava ali desde sempre. A arte entrou na vida de Denise depois de uma oficina realizada pelo coletivo Cria Delos.

?Voz C

Um coletivo de protagonismo feminino e periférico do qual ela faz parte. Foi nesse espaço que descobriu uma habilidade que nem imaginava ter.

DCDenise Costa

Até então, antes do ateliê na Luri, eu sempre falei que eu era uma pessoa péssima com habilidades manuais. Eu ficava: "Gente, eu não sei fazer nada com as mãos, nada com as mãos." E eu peguei e fiquei: "Nossa!" Tipo assim, eu criei um hiperfoco nisso, eu peguei: "Gente, eu quero fazer agora as minhas joias." Na mesma semana eu fui no centro e comprei um monte de material, um monte. Eles ficaram quase 8 meses parados ali. Eu comprei, mas nunca peguei.

E depois que eu fiquei desempregada, que aí eu lembrei que tinha o material, eu falei: "Por que não? Por que eu não usar agora?" Aí eu vi que dava para fazer, foi quando eu joguei a ideia para a Maggie.

?Voz C

O ateliê nasceu em maio de 2025. O que era hobby passou a ser uma alternativa de renda.

?Voz B

Mas também uma forma de manter certa flexibilidade. Continuar atuando como educadora social e ao mesmo tempo construir um projeto próprio.

DCDenise Costa

Mas é muito disso, por conta da flexibilidade que o empreendedorismo traz. Eu não vou usar a palavra "acolhedor" porque é difícil você não ter um dinheiro certo no mês. Começo de ano normalmente é bem complicado pra questão do comércio e a gente que trabalha com venda sofre bastante com isso. Eu digo muito que ele acaba se tornando Melhor por conta da flexibilidade, mas não é acolhedor.

?Voz B

Entre o felino que aparece na marca de uma, o bissex e o uau que estampa bolsas e camisetas da outra, as falas de Denise e Renata se encontram em um mesmo ponto.

?Voz C

Duas histórias diferentes, mas atravessadas pela mesma necessidade de criar o próprio caminho.

?Voz B

Para muitas pessoas LGBTs, pretas e periféricas, o empreendedorismo aparece como possibilidade de autonomia, o que não significa que o processo seja fácil.

?Voz C

Assim como a Fellini, a marca Naluri não fala apenas de roupas e acessórios.

?Voz B

As duas marcas transformam a moda em uma ferramenta de representação, uma forma de dizer que existem muitas maneiras de ser e que todas elas merecem ser vistas.

DCDenise Costa

É uma moda que tá ali pra reverenciar todas as pessoas que vivem na periferia e todas as pessoas que estão buscando um meio de se reconhecer, de poder se olhar no espelho e entender o que é, o que a pessoa é, o que a pessoa sente e validar aquilo.

?Voz B

Antes de terminar, pedimos para Denise deixar uma mensagem para outras pessoas LGBTs que sonham em criar o próprio negócio.

DCDenise Costa

Então estude, busque referências, busque entender para que público você quer atender e se joga, se joga muito. Precisa ter muita coragem, muita coragem mesmo, porque não é um ramo fácil, mas se você tiver determinação, se você estudar, você buscar sempre se profissionalizar naquilo e você buscar identidades que de fato conversem com o que você quer, o caminho se torna menos árido.

?Voz C

As histórias de Renata e Denise mostram que empreender sendo uma pessoa LGBT também é uma forma de existir.

?Voz B

De transformar identidade em trabalho, pertencimento em renda e criação em resistência.

TLTaís Lustosa

Obrigado por ouvir mais um Minha Fala Pra Jubá. Esse episódio contou com roteiro de João Duarte e Johanna Souza, além de narração e produção de Cailana Fernandes, João Coelho e eu, Thaís Ussouza. Vamos ficando por aqui. Pra ficar atento a outras produções do Neo Marcha, segue a gente no Instagram @neumarchaufc. Obrigada, beijão e até o próximo episódio. Tchauzinho!

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