Haru Cage e o Metal queer no Ceará | Minha Fala é Pajubá
hoje é dia de rock, bebê! Neste episódio do Minha Fala é Pajubá, Érika Alves e Cassiano Abreu conversam com Haru Cage, vocalista da banda Haru e a corja! A metaleira falou sobre o conservadorismo dentro da cena, como é estar a frente de uma banda de metal em ascensão no nosso estado, bastidores de seus trabalhos, além de falar sobre os próximos passos na carreira e muito mais. E o que foi isso no final do episódio? Melhor nem dizer mais nada, só dá o play agora! 🎸🤘
Acesse aqui o Instagram da banda.
Acesse aqui o Instagram da Haru.
Apresentação/Roteiro: Cassiano Abreu e Érika Alves
Edição: Cassiano Abreu
Capa do episódio: Cauê Moreira
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ℹ️| O podcast Minha Fala é Pajubá é uma produção do Neomarsha, projeto de extensão do curso de jornalismo da Universidade federal do Ceará (UFC), com orientação da professora Cida de Sousa.
- O conservadorismo na cena do metal e na sociedade em geralConservadorismo·Cena do metal·LGBTQIA+·Antissistema
- Conquistas e objetivos da banda Haru e a Corja, incluindo participação em festivaisRock Funk Fest·Gastão Moreira·Suicidal Tendencies·Rock in Rio
- O retorno do rock às paradas musicais e a influência dos algoritmosEra digital·Algoritmo·Representatividade
- Experiências e aspirações da banda Haru e a Corja com outros artistasWalls of Jericó·Bebê Feio·Em Rasa·Human·Papangu
- O significado do nome artístico Haru e sua relação com a personalidade e arteCultura japonesa·Primavera·Transformação
- A rotina de ensaios da banda e os cuidados vocais de Haru CagePreparação vocal·Musculação·Viagens
Fala, pajubas! Tá começando mais um Minha Fala Pajubá, o podcast produzido pelo NeoMarcha, projeto de extensão do curso de jornalismo da Universidade Federal do Ceará. Aqui é a Érica Elza e aqui é o Cassiano Abreu.
Se você curte rock and roll, principalmente o metalcore, fica com a gente porque hoje nossa conversa é com Haru Cage, vocalista da banda Haru Formada no ano de 2017 em Fortaleza, a banda se chamava inicialmente Acorja e tem como integrantes Silvio Romero, Pedro Leal e Hélder Jackson, além, é claro, de Gabriela Andrade, a nossa entrevistada de hoje, Haru Keiji. Haru, que se viu atraída pelo mundo do rock desde os tempos de escola, já passou por outras bandas antes de integrar a Haru e a Corja.
Hoje, aos 36 anos, é uma força enquanto vocalista, com seus guturais poderosos, e também pela sua presença de palco crítica, que traz representatividade negra, feminina e lésbica para a cena do metal. Seja muito bem-vinda, Haru Keiji.
Olá, pessoas. Eu me chamo Haru. Sou vocalista da banda Haru e a Corja. Sou uma mulher cis, lésbica, de 1,63m, cabelos cacheados, pele negra não retinta, mais pro pardo. Tenho tatuagens pelo corpo, o braço direito completo, até as mãos e no pescoço também. Tô vestida de preto e sou do rock.
Então, Haru, o rock já fez muito sucesso, fruto do trabalho de bandas de diversas vertentes do gênero, e nos últimos anos ele voltou a estar em alta nacionalmente e internacionalmente. O que você percebe nesse retorno do rock às paradas? É algo orgânico?
Olha, hoje em dia eu não sei se muita coisa é orgânica, né? A gente tá na era digital, então tudo é algoritmo. É muito do mundo musical meio que fazer o caminho que vai heredar nova moda ou as novas vertentes de música e tudo. Talvez não tão orgânico, mas sim tem uma galera orgânica no meio e O bom é que hoje em dia a gente tem uma galera falando bem sobre os problemas sociais. Não que não tivesse antes, tinha, mas hoje em dia a gente fala sobre sexualidade, sobre gênero e sobre representatividade preta, latina.
E isso é, se não for feito de maneira verdadeira, orgânica, é perceptível. Então eu acredito que tem uma galera muito orgânica aí.
Haru, em entrevista ao canal do YouTube Sena, você falou sobre o crescimento do público jovem e LGBTQIA+ nos shows e que se veem representados por você e pela mensagem que a banda traz por meio da obra. Atualmente a gente vê uma onda de conservadorismo entre os jovens. Como que você observa esse comportamento tanto na cena do metal, na cena do rock, como também na sociedade como um todo?
Ah, é triste, né? O conservadorismo, tipo, eu sou mulher e não faz tanto tempo que a gente conseguiu o direito de votar, o direito de dar opinião, o direito de, poxa, de ser uma apresentadora, de uma mulher aparecer na rádio. Então quando eu vejo os jovens com esse conservadorismo, é entristecedor, na verdade. Isso vai pela música. O pessoal do metal é um pessoal mais caixinha, tem uma galera O que não faz sentido nenhum, né? Eles são fechados ali, negócio de conservadorismo, de essa coisa mesmo de recatado do lar, né?
Reacionarismo também.
Isso, pronto. Nossa, obrigada, eu tava aqui procurando a palavra. Porque assim, a gente passou por políticas que representavam isso, eles se sentem representados. E quando eu vejo jovem chegar com esse pensamento fechado e tudo, me dá uma tristeza muito grande, porque a gente luta há tempos para ter algum tipo de liberdade e algum tipo de espaço no metal, o metal com a mulher na frente, o metal com LGBT. Então quando eu vejo essa galera nova chegar com essa ideia fechada, aí você, nossa, velho, é triste, não tem outra palavra, né?
E também porque o rock ele é considerado um gênero antissistema, né?
Exato, exato. A gente enfrenta, a gente joga nossas ideias. Eu falo que ele é revolucionário, né? Na minha vida é todo dia, é todo dia. Então eu, o lance da representatividade, de poxa, se eu tô cantando agora metal extremo é porque eu vi outra mulher cantando metal extremo. Então ele é disruptivo, né? Então é quando você vê essa galera assim que tá indo pro conservador pra tirar nossos direitos, pra tirar nossa liberdade. É contraditório, é contraditório.
Haru, recentemente você teve no Festival Porão do Rock, certo, no Dragão do Mar, durante o show do Demonic, que é uma banda de rock de São Paulo. Você também já dividiu o palco com o Edu Falaschi, que é ex-vocalista do Angra. E enquanto banda, vocês também já tocaram com o Black Pantera, com a Krypta, entre outros. Então, quais outros artistas vocês gostariam ainda de ter a oportunidade de tocar um dia?
Olha, cara, como banda internacional, é porque eu sou muito fã de uma banda chamada Walls of Jericó, que tem a Kentz no vocal, que ela é uma mulher parrudona, e eu comecei a malhar por causa dela, saca? E o que me inspirou muito nela é a presença de palco, assim. Ela é um vocal de HC nova-iorquino, que chama, talvez, HC, e ela tem uma presença e um um manto ali sobre o público, sabe, de agarrar ali a galera e a galera ouvir e fazer o que ela fala, que eu acho que eu me tremeria todinha assim.
Teria baque do Chaves, se ligou? Se tocar, incrível. O Aljo Jericó, assim, para mim tem bandas, e eu falo assim do underground mesmo, sabe? Tem os cara do Bebê Feio. Ó, não, Bebê Feio, sério, procura, é muito bom. O Gato de vez em quando vem falar comigo, vocalista. Já conheci eles porque ele veio falar comigo e disse que quando a gente fosse para São Paulo desse o toque, que ele queria muito tocar com a gente. Aí eu fiquei, caraca, velho, que foda, e os caras são iradíssimos, né?
Tem eles, tem gente que eu já toquei, mas eu tenho mais vontade de novo, que é o Em Rasa de São Paulo, que tem a Fê no vocal. Tem o Crass também, também é mulher no vocal. Mas assim, do Sul, que eu tenho muita vontade de tocar junto, é a Human, que tem a Tati Clindian no vocal, e ela também é uma vocalista incrível de metal extremo assim. Então eu pago um pau assim danado pra galera dos nossos subterrâneos, mas que são incríveis assim.
O som do Haruhi Accordia é definido como metal crossover, que abrange várias vertentes do metal. E você já mencionou algumas vezes que não gosta de ficar presa em caixas. Então, além do metal, existe algum outro estilo que vocês gostariam de explorar em algum momento? Outra vertente do rock em si? Até outro tipo de gênero musical?
Eu posso falar por mim como Haru. Nossa, eu queria muito fazer uns índios, mas eu canto muito ruim. Juro!
Eu não creio nesta afirmação.
Eu também não acredito nessa afirmação não, viu?
Não, sério. A minha voz em si limpa, né? Nossa Senhora, é tipo assim, ó. Não sei se vai dar pra ouvir. Pois foram unhas na mesa. Tipo, o índio, eu acho O Índio. Tem um outro, um pop que é um pop nosso, pronto, vou dizer umas coisas parecidas. Warpaint, que é uma banda aí de meninas que é incrível assim, dream pop. Mas eu também teria muita vontade de fazer uma banda assim meio punk, sabe? Ó o nome, é só ótimas referências. Tem uma banda do Japão que o nome é Red Bactéria Vacum.
São 3 mulheres. Nossa, vocês precisam ver. E agora elas estão mais uma coisa ska pop, mas antes elas eram mais pesadinha. E nossa, era incrível assim. A cor em si, eu acho que a gente quer experimentar muito as outras coisas assim. A gente achou muito legal maracatu de Fortaleza, que é o maracatu de cortejo, que é o parantes, que é mais lentão. Parantes. Então a gente tem muita vontade de colocar certos elementos que seja da nossa cultura, sabe?
Inclusive vocês tiveram com o Papangu, né, no Rock Cordel esses dias, que o Papangu ele tem essa pegada mais de colocar mais elementos regionais no rock.
É, e eles, nossa, eles são músicos incríveis assim, e é uma viagem que a gente ficou assim, cara, que falta. Tem uma música que tem até um patinho, um patinho não, aquele galo, um galo, aquele galo de borracha que grita quando a gente aperta.
Ah, eu sei qual é.
Então tem uma música que eles param e faz É sério, juro. Funciona na música, funciona.
Haru, as performances de bandas de metal, elas costumam ser bem enérgicas, pedindo uma boa preparação. Então, como é a rotina de ensaios da banda? E também, não menos importante, de cuidados com a sua voz?
Então, a Korgia, a gente tá, a gente voltou agora a ensaiar uma vez por semana, mas quando a gente se compromete a fazer um show que é muito importante, ou então se a gente vai para tour, a gente adota ensaios 3 ensaios na semana, sabe? A gente dá uma puxada assim. Quanto à preparação assim da minha voz, eu já fui mais responsável. Revelações, assim, já fui muito bitolada de, ah, eu vou correr, eu não vou beber. Eu não bebo e tal, não vou fumar, não sei o quê, mas já tô mais tranquila quanto a isso.
Claro que eu respeito muito o meu corpo, principalmente em viagens, porque eu sei que eu tô viajando ali para cantar, né, para levar o nome da banda. Então não vou poder ficar falando demais. Tem lugares que tem a mudança de clima, é muito perigoso. Já sinto arranhar, coisa que eu não sinto aqui, tudo. Eu dei até esse ano, até eu tomei um irresponsável quanto isso quando não tava falando, mas eu tenho uma rotina de exercício, de fazer musculação.
Aí às vezes eu entro com uma preparação de ficar correndo, né, quando tem É como eu falei, quando eu tô em julho, vai ter tour em outubro. Eu já começo todo dia a dar uma corridinha e tal. Então, eu tenho essa preparação, né. Eu não bebo, eu faço um aquecimentozinho ali antes de cantar. Mas eu respeito muito o meu corpo, sempre, desde sempre. Né, preciso só mexer a voz.
Haru, mais ou menos quanto tempo dura uma diária de gravação de clipe de vocês? E também, como é esse processo de gravação do clipe, né? Como isso se diferencia do show?
Cara, uma vez a gente, o Segunda Pele, a gente foi gravar no Museu da Fotografia. Um amigo nosso trabalha lá, conseguiu a pauta, a gente conseguiu gravar. A gente chegou 9 da manhã, a gente saiu 1 da manhã. 1 da manhã assim. E para tu ter ideia, meia-noite eu tava correndo dentro de uma das salas. Juro que o rapaz corria com a câmera assim, eu tinha que correr para cima dele. Tem um clipe depois, você vê só eu correndo assim, ó, meia-noite.
Meu Deus!
Nesses anos de estrada da banda, quais momentos você destacaria como os melhores momentos ou a maior conquista, tanto da sua carreira quanto da banda como um todo?
Eita, é porque são tantas coisas. Cada coisa, por minúscula que seja, a gente considera muito grande, né? Eu realizei vários sonhos através da música. Eu viajei para vários estados através da música, coisa que eu nunca faria se não fosse a música, né? E no caso, a banda, a Corja, agora Haru e a Corja. Mas, cara, eu posso citar assim, até injusto, mas assim, vou falar algumas coisas que aconteceram. Eu acho que uma vez que a gente tocou em 2022 Era o Belfegor, Crisium, Krypta.
Aí quando a gente tocou foi assim, iradíssimo, ficou corrido e tudo. E a gente abriu e a galera chegando. E mesmo sendo banda, a gente era banda de entrada, de abertura e tal, local, mas mesmo assim chegou mó galera com blusa da banda, sabe, da corja. E a gente tocou e tudo ok. Aí depois o nosso roadie chegou dizendo que o Alex do Crisium queria falar com a gente, sabe. E aí eu fiquei, caraca, velho, como assim? Aí eu fui falar lá com ele, ele deu um feedback muito irado assim, porque o cara desse é o Crisium, sabe?
Ele não precisa falar nada pra gente, né? E ele chamou dizendo que a banda era irada e persistiu muito em repetir assim, não desista, difícil, mas não desista. Eu também tive a oportunidade que marcou assim, foi eu cantar com o Suicidal Tendencies, que foi 2024. Né? E também teve um concurso de bandas que era o Rock Funk Fest. Pronto, eu posso dizer que isso foi uma coisa muito grande que a gente conseguiu como banda, porque a gente dependia do voto do público, né?
E como é que foi? A gente se inscreveu no festival, a gente não conseguiu a folha de regras, a gente não conseguiu abrir o link de regra de jeito nenhum. E a gente tava num show lá no Piauí, eu nunca vou esquecer. Aí o que acontece, veio o meu amigo que ele apresenta as bandas, não sei qual, Chuva. Aí o Chuva chegou: ei, Haru, esse Corja quer vocês. Aí quando eu fui olhar, tinha lá as bandas que passaram. Foi assim, foram mais de 280 bandas inscritas.
Quem ia escolher eram ex-VJs da MTV. E isso é, cada VJ escolhia 4 bandas. A gente foi a única banda do Nordeste e a gente tava sendo escolhido pelo Gastão Moreira, que ele tem um programa, Casé Gastão, no YouTube, mas ele era o cara que apresentava as bandas de metal na MTV, sabe? Então a gente ficou assim, caramba, foi uma coisa muito louca porque Gastão escolheu, a gente foi a única banda do Nordeste e a gente tinha que fazer a seletiva lá.
Se a gente soubesse que a gente ia ter que viajar, gastar dinheiro, dá uma fraqueza maior porque a gente não tem essa grana, né, para ficar indo para lá e tal. A gente foi, os votos eram no chat ao vivo, então não tinha como roubar nem nada, aquela coisa toda, né? Máximo que a pessoa podia fazer é fazer algumas contas do Google para fazer votos e tal, e normal. Acho que as bandas todas fizeram isso. Então teve banda do Rio de Janeiro, banda, nossa, banda ali do nicho, mas não é aquele eixo ali São Paulo e Rio de Janeiro.
Então veio a gente do Nordeste, a gente ganhou a primeira seletiva, a gente voltou para Fortaleza, eles deixaram a gente competir a seletiva final aqui ao vivo, online, e a gente ganhou. Aí a gente foi tocar nesse Rock Fun Fest, que é o maior festival de graça de São Paulo, e tinha como banda principal Suicide Hotel. Teve Cozus, teve várias bandas assim, mas o principal era realmente o Suicide Hotel. E a gente ganhou a oportunidade assim graças ao voto da galera do Brasil todo, né?
E foi isso. E era uma música, viu, que tocava. Uma música. Mas aí, através disso também eu conheci várias meninas de banda, sabe? Foi muito legal assim. Tenho com elas, tem umas que eu tô amizade até hoje, outras que a gente se vê ali, se fala de vez em quando. Mas foi bem incrível assim você participar de um festival, o Gastão escolheu a única banda do Nordeste, a gente ganhou. Isso aí foi um marco que eu acredito que foi bem, bem assim estimulante como banda, né?
E tem algum objetivo, tanto seu quanto da banda, que vocês gostariam de alcançar?
Ai, cara, a gente quer muito tocar nos maiores festivais do Brasil, né? A gente tem essa veia, né? A gente pensa muito no— tem o Knockout Fest, né, que acho que tem 2 em 2 anos, e tem também o Bangs Open Air, né? Que a gente tem muita vontade de tocar. Rock in Rio, por que não?
Alô, Rock in Rio!
É, vou Rock in Rio e tal. E claro, os internacionais depois, né? A gente pensando umas coisas assim, assim. A gente também tem muita vontade, e a gente até chegou nesse ponto, que é a banda meio que se autossustentar. A gente consegue tocar por editais, receber um cachê, então a gente guarda e investe na banda. A gente não pega assim meio que pra gente, sabe? Que a gente consegue gravar agora através disso, desse dinheiro da corja que a gente guarda da corja, e a gente vai e grava.
Haru, além de cantora, você também é tatuadora. Então, como você começou a se interessar pela tatuagem?
É desde pequena, desenho, né? Eu lembro que era realmente aquela criança bem bitolada no desenho. Tipo, se eu não tivesse atropelando alguém com a minha bicicleta lá fora, eu tava desenhando. Mas é sério, tinha Loiva vermelha pequena, que era o terror. Os menininhos chamam saco, alguém terminava atropelado.
E hoje em dia era um perigo.
É, e hoje em dia eu não dirijo, viu? Sério mesmo. Eu tenho carteira categoria A e B. Não, já tentei, ó. Não. E essa parte do desenho e tudo, aí eu trabalhei em escola, trabalhei como auxiliar de professora, trabalhei com a loja Shalom. Mas assim, eu sempre tive essa veia de caralho, velho, eu queria começar a tatuar, queria começar a tatuar. Aí eu me relacionei com uma pessoa que o irmão dela era tatuador, e aí casou, foi um negócio assim muito doido.
E aí ele me ensinou a tatuar, me ensinou assim, que é aquela coisa, os tatuadores antigamente era assim, você levava a pessoa que você ia tatuar, que é a cobaia, ele te dava só umas dicas ali, na hora que você terminasse ele dava para você, tá bom, tá feito aí, o resto tá contigo. Eu sei que ele teve naquela coisa de adaptação de, ah não, vamos aqui ver a primeira tatuagem, fiz, aí o resto você cai meio que aprendendo sozinho com o tempo, né?
E aí eu Passei a me interessar, trabalhei ali na galeria, depois fui pra Deol e tal. Hoje em dia eu tô em home studio ali na Barra, né, autônoma assim. Então trabalho por hora marcada, é só falar, e desenho também, mesma coisa.
Haru, você falou que malha por influência da Kenzie, e pra além da musculação, você tem algum outro hobby pra descansar no dia a dia do estresse ali depois de uma apresentação, em casa passando tempo?
Ah, cara, Recentemente eu retornei muito a desenhar. Eu peguei aquela veia de quando eu era criança mesmo, sabe? Fazia muitos anos que eu não me sentia bem desenhando, tanto que eu passei vários meses aí desenhando uma coisinha. Isso para quem trabalha com tattoo é muito, muito paia. E é como eu falei, eu falei aqui no off que como é a terapia, entrei na medicação, a cabecinha tá mais clara, as vozes calaram a boca, e agora eu consigo desenhar.
E todo dia tô desenhando, e era uma coisa que eu fazia quando era criança, sabe? Aquele verme, sabe quando você é criança que você chega, você quer ir na locadora de videogame jogar videogame? É porque não é tempo de vocês isso aí. É o verme de desenhar. É uma coisa que atualmente é o que tá me pegando muito assim, ainda mais que eu tô entrando por outras vertentes, que antes só era muito preto e branco, sabe? E agora eu tô tacando uns coloridos, tô mudando meio que meu traço, e eu tô assim me redescobrindo, sabe?
E isso tá me ajudando muito assim É, já vendi artes recentemente, tem gente me procurando, ai, tu desenha para fazer capa de single? Na hora. Então é isso, é meio que o desenho atualmente, sabe? Antigamente eu jogava muito, jogava muitos jogos no PC. É uma coisa que eu nem falo muito, mas eu era muito gamer, né? Meu irmão é gamer, o outro também. Então era 3 PC gamer, um monte de gente gritando pela casa. Mas assim, atualmente é o desenho mesmo.
Além de ser um instrumento de trabalho, para mim tem sido um hobby que eu tenho gostado para caramba.
Haru é uma palavra em japonês que significa primavera. E com esse simbolismo, o que você acha que esse seu nome artístico traz para sua arte, para sua personalidade? Como isso te reflete?
Eu ganhei esse apelido, na verdade, quando eu tinha uns 15 anos de idade, por uma galera que gostava muito da cultura japonesa. Meu artista favorito mesmo como vocalista é um japonês, né? A banda se chama Jiren Grey. E aí eu gostava muito de escutar música japonesa, então até hoje de vez em quando vou atrás de algumas bandas. Inclusive a Red Bacteria Vacuam que eu falei são japonesas. E aí eu ganhei esse apelido de uns amigos, eu não sabia o que significava. 2005, gente, a gente não tinha assim tão fácil acesso a essas coisas.
Então eles me apelidaram, achei legal, pensei que era uma coisa forte. Até que um dia eu conheci uma menina que ela manjava do japa e ela falou, oi, Haru, Haru. Aí, oi, Primavera, Primavera. E ficava falando. Eu olhando pra ela assim, ela não sabia não que Haru significa primavera. Aí eu digo, não. Aí meus amigos disseram que colocaram porque eu era uma pessoa meiga, né? Eu sou uma pessoa meiga, vocês estão aqui mimimi, mimimi, falando com vocês.
E essa coisa, não sei. Primavera hoje em dia eu adoto porque eu acho flores um negócio muito bonito. Flores, né, o lance de aflorar e toda aquela coisa de crescer, nascer, crescer. Enfim, eu acho a primavera para mim uma coisa que ela se transforma, ela é uma estação. E mesma coisa sou eu, me transformo. Eu não gosto de ficar em caixas, como eu já disse, né? E é uma força da natureza, é uma estação do ano. Enfim, eu acho que acredito muito nisso assim, porque Por diversas vezes, diversas pessoas em diversos lugares diferentes, do nada chega.
Você é uma força da natureza. Eu acho que eu incrementei muito isso no meu espírito raro, sabe? De tanto que quando eu chego no palco, assim, para mim é uma virada de chave muito louca, porque eu chego no palco e eu quero soltar tudo que tá dentro, né? Então, mais de conta, e só sai, só sai assim. Então eu acredito que é uma estação, é a transformação e é o florir, né? O amadurecimento, a demonstração dos sentimentos, da arte, da música, a gente bota para fora.
Então eu acredito que é meio que isso. Tem a beleza das flores, tem a beleza de se expressar, tem a beleza da arte. Muito bonito, Haru.
O que você deseja para o futuro, seja ele pessoal, profissional ou para a sociedade?
Ai, eu quero um mundo menos careta, que nem o Cazuza, né? Ai, cara, eu quero, ai, eu quero menos cara chato, menos conservadorismo, menos jovem bloqueado, se liga. Eu quero, eu quero que as minas cheguem, não fique aqueles secões enchendo o saco. Eu quero que as minas possam tocar sem aquela preocupação de, nossa, alguém tá pensando que ela vai ser marmita de alguém. Eu quero que o LGBT ele chegue e se sinta representado. Como a gente coloca a bandeira no palco, aquilo ali é um símbolo tão forte.
E é isso que a gente tem conseguido com um novo público, porque a galera jovem LGBT que tá ali chega, vê, não conhece, mas vê como teve eventos abertos que antes da gente entrar tá tudo montado e a bandeira tá lá. Então um cara tirou uma vez uma foto, um rapaz tirou uma foto, a gente tocou e tudo, aí ele mandou a foto na minha DM e disse assim: olha, eu nem sabia o que que era, eu tava passando e eu só olhei assim, eu não ia ficar, mas quando eu vi a bandeira eu falei: cara, não acredito, é uma banda de metal!
E ele ficou e assistiu. E leva representatividade, a pessoa se sente acolhida, o público se sente bem. Né, então tem gente que chega lá já com leque, né, os leques grandão e tal, gente com bag, esses cristãos da banda. E eu, caraca, velho, que foda, né? Então eu quero muito essa liberdade do meu público, não só o meu, mas todos os públicos se sentirem à vontade de estar no festival e não sentir medo, né? Não sentir medo de estar ali porque é uma pessoa queer e vai chegar um preconceituoso, um cara lá, e vai só ele e tal.
Eu quero poder estar com a minha namorada de mão dada e não ter medo de chegar um cara achando que vai dar uma proposta para gente, ou alguém com violência física, sabe? Porque isso aqui faz mesmo violência. Então quero, eu quero isso, velho. Eu quero a liberdade, eu quero um entendimento, eu quero que as pessoas possam ser quem elas são sem ferir ninguém. Se liga, bem ripão, mas é verdade, pô. Eu como mulher, pessoa LGBT, é isso, cara.
Haru, a nossa conversa vai ficando por aqui, mas a gente quer agradecer a sua presença aqui conosco. Foi uma conversa muito legal e a gente quer abrir esse espaço para você mandar o último recado, divulgar suas redes sociais, as redes da banda, espaço está aberto.
Tá, queria agradecer o convite, foi bem legal, muito bom conhecer vocês, passar a palavra. Quem quiser conhecer a banda, chega no Instagram, Haru e Acorja, no YouTube também pode chegar lá. A gente sempre divulga onde vai tocar, o que a gente vai lançar. Como artista, pode chegar lá, Haru, Haru Cade também tem o meu, e tem o meu perfil de arte no Instagram, Haru Cade Arte. Então você pode ver meus desenhos, pode encomendar desenhos e tudo faço à mão. E é isso, tamo juntos, muito obrigada, voilà!
Bom, galera, e pra quem ouviu até aqui, a gente também gostaria de agradecer. Esse episódio do Minha Fala é Pajubá vai ficando por aqui, mas se quiser ouvir os nossos próximos episódios, segue o feed do podcast na sua plataforma favorita.
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Haru Cage
Haru e a Corja
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