EP#95 - ASTRONAUTAS DA NAU CATARINETA - CONHEÇA O LABDH
O procurador José Godoy e o coordenador Hugo Belarmino apresentam o Laboratório de Pesquisas e Práticas Jurídicas em Direitos Humanos, projeto apoiado pela Secties.
Foi ao ar no dia 29 de abril de 2026.
FICHA TÉCNICA
Apresentação: Bea Alcântara e Kelly Souto
Produção: Bea Alcântara
Edição de áudio: Ruthy Oliveira
Redes sociais: Bianca Letícia
Bea Alcântara
Kelly Souto
Hugo Belarmino
José Godoy
- Investigações e Ações LegaisDireitos Humanos · José Godoy · Hugo Belarmino · Secties · Ministério Público Federal da Paraíba
- Os 7 de ChicagoOs 7 de Chicago · Aaron Sorkin · Protestos contra a guerra do Vietnã · Chicago · Sacha Baron Cohen
- Mobilidade Acadêmica InternacionalUniversidade de Florença · Itália · Reino Unido · Paraíba Sem Fronteiras
- Olimpíada Brasileira de RobóticaOlimpíada Brasileira de Robótica · João Pessoa · Paraíba
- Palestra com Manuel RosaManuel Rosa · Duke University · 1494. Dom João II e o Segredo do Brasil
Meidei, Meidei, Caracará na escuta! Espera aí, aqui é a Paraíba? Astronautas da Nauca Parineta
Oi, gente! Está começando mais um Astronautas da Nau Catarineta. Eu sou a Bea e esse é o programa da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior da Paraíba. E aí, pessoal! Meu nome é Kelly Souto e no Astronautas de hoje vamos conhecer mais detalhes do Laboratório de Pesquisas e Práticas Jurídicas em Direitos Humanos.
Projeto apoiado pelas Sectes. Esse é um projeto de acompanhamento, assessoria e sistematização junto ao primeiro ofício da Procuradoria da República do Ministério Público Federal da Paraíba. Antes da gente entender melhor o que é esse projeto na prática, vamos para as atualizações da Sectes na última semana. É hora do Reconectaí! Reconectaí!
Novas oportunidades disponíveis para a Itália. Foram lançados os editais para a Universidade Firenze, a Universidade de Florença, através do programa Paraíba Sem Fronteiras. As vagas são destinadas para graduação e doutorado, com inscrições abertas até o dia 6 de maio.
Tem oportunidades para Turim, também na Itália. São vagas para doutorado, mestrado e graduação sanduíche. As bolsas cobrem a mobilidade internacional e são uma chance real de internacionalizar sua formação acadêmica sem abrir mão do seu vínculo aqui na Paraíba. As inscrições vão até o dia 15 de maio pelo SIGFAPESC.
E bora para o Reino Unido? Tem vagas de mobilidade acadêmica para graduação com inscrições disponíveis até o dia 5 de maio. Ao todo, são 25 vagas distribuídas entre quatro áreas. Gestão e negócios, redes de computadores e cibersegurança, desenvolvimento na primeira infância e educação e criação de conteúdo de mídia e design gráfico com fotografia.
Outra inscrição importante para ficar ligado é para a etapa estadual da Olimpíada Brasileira de Robótica deste ano. O prazo vai até amanhã, dia 30 de abril, e a inscrição deve ser feita exclusivamente por professores, técnicos ou tutores. Anota aí o site, obr.robocup.org.br.
A competição será realizada entre os dias 10 e 14 de agosto de 2026, no Centro de Convenções de João Pessoa. E tem mais, esse ano a Paraíba será sede da etapa nacional da OBR entre os dias 23 e 29 de novembro. Na semana passada, a SECTS promoveu uma palestra com o historiador luso-americano Manuel Rosa, pesquisador da Duke University, com o tema 1494.
Dom João II e o Segredo do Brasil. O encontro reuniu estudantes, professores, pesquisadores e o público geral para debater esse tema.
Hoje a gente vai receber aqui no Astronautas da Nau Catarineta dois nomes que estão aí envolvidos no Laboratório de Pesquisas e Práticas Jurídicas em Direitos Humanos, projeto que é apoiado pelas sectes. Isso porque o programa de hoje vai ser um grande decodificando, afinal vamos entender melhor o que é esse laboratório, como ele funciona na prática e quais os seus impactos.
Aproveitamos então para dar as boas-vindas ao Procurador da República José Godói e ao Professor da Universidade Federal da Paraíba e Coordenador do Laboratório, Hugo Belarmino. Sejam bem-vindos. E a nossa primeira pergunta aqui é como surgiu a ideia de criar o Laboratório de Pesquisa Voltada para os Direitos Humanos?
Olha, ele surge como uma demanda dos movimentos sociais. Em algum momento, movimentos sociais como a MST, a CPT, a SECNEC, que é a Coordenação Estadual Quilombola, a Cade e movimentos de comunidades, começaram a nos procurar para que as suas demandas conseguissem ter uma resposta. E são demandas complexas, muito complexas, que exigem detido a análise dos casos para pensarmos soluções para elas.
Relatei para eles que a gente não estava com tempo suficiente com a equipe que tinha para fazer resposta àquilo. E aí eles começaram a ideia dos movimentos que poderia ter algo para reforçar e a gente conseguia reforçar o trabalho e a gente conseguir dar resposta a essas demandas de direitos humanos aqui no Estado. E aí surgem os núcleos, né?
A primeira pessoa que abraça a ideia, que compra e leva à frente, é a secretária, então secretária de Mulher e Diversidade Humana, Lídia Moura. Conversado com ela, os movimentos conversaram, ela estava presente, ela disse, isso é pesquisa, isso é extensão, isso é produção de conhecimento. O que é feito aqui no primeiro ofício em Direitos Humanos é produção de conhecimento. E ela nos levou até o secretário Cláudio, tivemos uma reunião, e aí, a partir daí, o Cláudio puxou realmente...
por essa perspectiva e vem o professor Hugo e aí ganha-se a ideia de laboratório a partir da entrada do professor Claudio e do professor Hugo Belarmino. Mas eu diria que o primeiro passo vieram dos movimentos sociais com as suas demandas e a necessidade que fossem dadas respostas, ajuízas, as ações.
Parar dos despejos das comunidades era uma época que a gente estava tendo muitas questões de despejos e demandava muito de um grupo que não conseguia dar resposta, que era o grupo do primeiro ofício aqui do Ministério Público Federal na Paraíba, em João Pessoa. E como funciona na prática o projeto? Vou pegar o gancho, né?
A ideia do laboratório é, por isso que essa ideia de pesquisa, extensão e assessoria, tudo junto, né? A ideia é que a gente não consegue, de fato, separar. Quando a gente trabalha com direitos humanos, a gente tem sempre essa relação entre teoria e prática e entre uma prática associada com...
um determinado compromisso, um compromisso de luta, um compromisso com as populações vulnerabilizadas e tal. E aí, para que a gente conseguisse montar uma estrutura de planejamento, um fluxo de trabalho, a gente primeiro pensou, bom, precisamos ter pessoas que tenham expertise em direitos humanos.
que funcionariam como uma espécie de coordenadores de grupos de trabalho e assessoria, que a gente chama de GTAs. Então, a gente tem cinco GTAs e cada um desses GTAs tem um pesquisador, extensionista, assessor, que cumpre esse papel. E no desenho original, a gente também teria estudantes de graduação, que fariam esse papel de colaborar junto com esses pesquisadores e esses assessores para atuar. Então, essa é a estrutura mínima, assim, né? A gente tem, e eu, obviamente, na condição de coordenador do...
do laboratório, tentando equilibrar e ajustar a equipe. Por outro lado, você tem toda uma equipe que já atuava e que continua atuando brilhantemente do Ministério Público Federal do primeiro ofício, construindo uma metodologia de como esses casos iam ser encaminhados.
E aí havia a necessidade de escolher alguns campos temáticos em que esse laboratório ia atuar, porque afinal de contas, se eu não me engano, doutor Godó, aí são 200 procedimentos que tem aberto no primeiro ofício. Fora os judiciais, né? Fora os processos judiciais, que são mais de 100. Então você tem um volume enorme de processos, então a gente tinha que escolher casos que fossem mais emblemáticos, temas que fossem mais emblemáticos, que envolvessem um grupo social.
que está ali sendo violado nos seus direitos, ou que está demandando alguma questão. E aí a gente escolheu 10 temas, se eu não me engano, 10 temas. Eu estou aqui com a filhinha para a gente poder falar dos 10 temas, mas todos esses casos de violações de direitos humanos ou de demandas de políticas públicas em direitos humanos.
Então, a estrutura foi que cada desses GTAs que eu mencionei pudessem abarcar pelo menos dois desses temas. Então, a gente teria cinco GTAs, dois temas, então a gente teria dez temas a serem trabalhados no total pelo laboratório. Tudo sempre em parceria, em diálogo direto entre.
A equipe da assessoria do Ministério Público Federal e essa equipe de pesquisadores e assessores que estão atuando nos casos concretos, mas que precisa também, e aí é onde entra a discussão da pesquisa, que é para cada caso desse existe uma complexidade de uma análise a ser feita, um afichamento dos casos a ser elaborado para depois pensar...
qual vai ser o encaminhamento jurídico propriamente, ou um termo de ajustamento de conduta, ou uma ação civil pública. Cada caso vai demandar um tipo de resposta jurídica diferente. Eu ainda vou ser mais geral antes de descer nesse detalhe. Eu vejo duas perspectivas muito interessantes do projeto do laboratório. A primeira perspectiva é direitos humanos como política pública. Então, hoje a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia em Centro Superior e a FAPESC investem em uma política pública de direitos humanos na sua efetivação.
E é uma perspectiva que a gente tem pouco. Se a gente pegar o estudo de direitos humanos, a gente tem muita gente que se dedica ao estudo de direitos humanos a partir das normativas que protegem direitos humanos. Mas nós sabemos que essas normativas, se elas não são efetivadas na vida das pessoas, elas são letra morta. Tem gente que estuda a doutrina, tem gente que estuda as decisões das cortes. Agora, estudar a implementação é algo que a gente não tem tanto.
E hoje essa equipe, ela estuda e ela discorre, ela faz relatórios, ela produz como aplicar na prática direitos humanos. Ela não apenas pensa que existe um tratado internacional que protege as comunidades tradicionais, mas ela começa a dizer...
que atuação ela fez para que aquele tratado chegasse na vida da comunidade tradicional do Porto Capim, da comunidade quilombola de Paraty, Biodapenha. Estou falando de casos aqui de João Pessoa. Então, essa é a primeira questão que eu acho muito interessante, uma perspectiva de uma política pública que investe em direitos humanos.
Então, hoje, os recursos da FAPESC e da SECTEIS investem na implementação dos direitos humanos na prática e, ao mesmo tempo, ela produz conhecimento para que outras pessoas possam ver isso. Eu acho que essas duas perspectivas são muito importantes destacarmos. O governo do Estado da Paraíba, através da SECTEIS e da FAPESC, investem na implementação dos direitos humanos na prática da vida das pessoas. E...
Ao mesmo tempo que essa equipe trabalha buscando implementar, ela produz conhecimento, ela gera conhecimento para que outras possam desenvolver projetos semelhantes. É um ciclo do conhecimento da universidade para a prática e da prática mais conhecimento de volta.
Perfeito, ela tem esse loop, esse ciclo. Então, é atuação para a efetivação dos direitos humanos, geração de conhecimento para que outras pessoas façam projetos semelhantes. Isso, que é bem típico da atuação na extensão universitária. Na extensão a gente tem esse papel, na pesquisação a gente tem esse papel. O que é, acho que, muito inovador...
é que essa perspectiva, além de ter sido abraçada pela Secretaria, pela FAPESC e, portanto, pelo governo do Estado nesse âmbito, você tem um espaço dentro do Ministério Público Federal que dá essa ressonância e, ao mesmo tempo, tem essa sensibilidade de dialogar de maneira horizontal com esses pesquisadores apontando...
as demandas que estão dentro desse primeiro ofício, portanto existem processos administrativos reais, que têm encaminhamentos reais e que vão sendo dialogados com essa equipe para colaborar na efetivação de direitos humanos. Então, tem um triângulo aí também entre a universidade, o Ministério Público e a Secretaria e o Governo do Estado, podendo, a partir dessa triangulação, efetivar mais direitos humanos também.
Então é a formação de pessoas e a geração de conhecimento. Formamos pessoas que estão dentro do projeto, produz conhecimento para que, através dos relatórios do que está acontecendo, para que outras pessoas vejam a atuação de direitos humanos na prática, não apenas na sua legislação, nas suas decisões, mas na sua efetivação na prática, e ao mesmo tempo na política pública, porque as soluções acontecem na vida das pessoas.
E esses resultados relatórios, essa pesquisa que volta nesse ciclo que a gente comentou, isso vira uma espécie de modelo para tornar o laboratório replicável para quem tiver interesse em aprofundar, né? Muito interessante essa pergunta, porque desde o início, quando eu fui convidado para estar junto desse projeto,
Uma das coisas que sempre me inquietavam era exatamente como a gente tem uma perspectiva de prática jurídica sempre muito tradicional, nos cursos de direito no geral. E aí essa formação vai sendo replicada e a gente tem uma cultura jurídica muito voltada para as discussões de demandas individuais e de demandas...
que não são voltadas para direitos humanos, são interesses particulares que estão ali. E quando se tem uma prática jurídica nas universidades, é esse mais ou menos o caminho tradicional. O que a gente está fazendo no laboratório é romper com esse modelo tradicional, porque as demandas são sempre coletivas, não tem nenhum caso que é do laboratório que seja um caso individual. Pode até ser que haja uma pessoa que está violada, por exemplo, nos casos que envolvem crimes de ódio.
ou algo do tipo, que você tem uma pessoa indivídua ali, um indivíduo ali. Mas tem algo muito forte envolvido, que está tratando de questões de direitos humanos, intolerância, homofobia, racismo, o que for. Então, são sempre demandas coletivas. Aliás, eu arrisco dizer que não tem como se discutir demandas de direitos humanos e elas sejam individuais.
A pauta é direitinho. Isso, a pauta é direitinho. Exatamente. Mas só que, infelizmente, a gente tem uma cultura jurídica que não decodifica isso para dentro das universidades. Então, eu, por exemplo, como professor, eu sempre defendi e defendo até hoje de que a gente tivesse uma prática jurídica diferente. E é por isso que o nome do laboratório tem a prática jurídica lá dentro também. É o Laboratório de Pesquisas e Práticas Jurídicas em Direitos Humanos.
Para quê? Para que essa leitura de direitos humanos possa também retroalimentar uma outra forma de pensar a prática jurídica dentro das universidades. Por isso que é um projeto piloto, né? Mas o que é principal é entender que se a experiência tem esse caráter pioneiro, é porque ela também tem uma possibilidade, uma potencialidade de incidir para que a própria universidade repense a sua forma de fazer prática jurídica e que outros órgãos...
também, possam também pensar a partir do modelo desse laboratório para fazer questões semelhantes. Eu poderia muito bem... Ou apoiar vocês também. Ou apoiar. Comentar também, né? É porque eu acho que cada órgão tem um potencial, né? A gente poderia ter o sistema de justiça, a Defensoria Pública do Estado, a Defensoria Pública da União, o Ministério Público Estadual, por exemplo, só para pensar nesses órgãos, poderia-se ter experiências parecidas com essa, né? Sim. E a gente acha que tem um potencial para isso também.
Mas como o procurador Zé Godoy falou também, a questão da importância do fomento nesse projeto de soluções que vocês começaram, essa parceria com a Secretaria, com o governo da Paraíba, há pouco tempo, foram cinco meses, e eu ia até perguntar se já tinham surgido resultados, frutos desse pouco tempo, porque recentemente vocês já renovaram esse projeto, esse fomento. É preciso falar, é um investimento público e que ele traz resultados muito concretos na vida das pessoas.
Exato, então é um investimento feito pelo governo do estado, pela secretaria, com a parceria da FAPESC, da Universidade Federal do MPF, e você vê a volta para a sociedade. Por outro lado, a gente vai formar, eu costumo dizer, quando chega um estagiário no Ministério Público Federal e agora chegando os pesquisadores, eu digo a mesma coisa.
coisa, disse, olha, eu quero que vocês aprendam coisas que vão além do que estão em manuais. Fazer peças pontuais ali, os manuais ensinam a nos fazerem isso. Agora, a gente pensar fora da caixa, buscar soluções, discutindo com as comunidades, porque não é dentro de quatro paredes que a gente vai ter soluções, vai ter que ir lá. E esses pesquisadores vão comigo nas comunidades, a gente escuta lá e discute com eles as soluções.
Tanto que todas as ações que demos entrada, a comunidade estava junto no dia, nós discutimos como é que ia ser o pedido judicial ou a recomendação, como é que ia sair, e foi assinado com a presença deles. Então a gente começa a partilhar, a instituição, o Ministério Público, ela se abre a partir do projeto desse e passa a partilhar com as comunidades os encaminhamentos.
E a comunidade está entendendo que o poder público se preocupa com ele, né? Não é aquela coisa assim, ah, vou denunciar, vou falar, mas fica por isso mesmo. Não, está tendo um retorno, né? Com essa escuta. Exatamente, tem essa escuta, né? Até porque é nada mais justo do que você propor uma solução com a pessoa que precisa dessa solução. Porque você que não está nessa situação, às vezes pode propor uma solução que para ela não vai ser tão efetiva.
E estar no local é importante. Isso, e é um arrompimento de paradigma de como geralmente a gente entende o próprio direito, né? Porque o direito, às vezes, é entendido como uma coisa apartada, como uma coisa para profissionais, para especialistas. E, de fato, a gente tem uma demanda de estudo, de análise.
de muita investigação, pesquisa, mas às vezes falta exatamente fazer com que esse processo seja validado a partir do diálogo com as comunidades. E isso a gente na universidade aprende muito, pelo menos assim eu faço, porque eu coordeno projetos de extensão em pesquisa desde que eu me entendo por professor. E é através desses projetos de extensão em pesquisa que a gente aprende que não dá para produzir um direito novo se a gente tem fórmulas velhas.
E para fazer esse direito novo a gente precisa estar em diálogo. Então, eu vou fazer esse direito novo.
a partir de uma educação popular, de uma perspectiva da assessoria jurídica e da advocacia popular. E uma coisa que eu gosto muito é de estar formando pesquisadores a serem juristas mais capacitados, com sensibilidade de compreender que direitos humanos é possível, com a forma de implementá-los na prática, e eu vejo isso como... É sempre um tripé, né, doutor, né, Godoy?
A gente tem um aspecto formativo, um aspecto de incidência política, né, nas políticas públicas e perante as demandas de Estado, e um aspecto propriamente jurídico-técnico. É assim que a gente fala em assessoria jurídica popular, é sempre esse tripé. É educação, formação, incidência perante o Estado, incidência política e atuação, porque é sempre político tudo isso que a gente está falando, né.
e propriamente, tecnicamente, jurídico, porque você tem que também ter um trabalho muito cuidadoso. Porque essas demandas, obviamente, a gente está falando aqui como se a gente tivesse uma concordância, uma ressonância de todas essas demandas em todos os órgãos e etc. E a gente sabe que não, são conflitos, né? Incidência no sentido de dizer, essa comunidade, ela...
tem o direito de ficar aqui porque ela já está aqui há muitos anos, existe um direito ao território, mas obviamente existem interesses conflitantes, interesses privados e que vão se produzindo. Então é nesse conflito e ao mesmo tempo nessa atuação técnica qualificada que a gente vai articulando o aspecto também formativo e o aspecto político do próprio laboratório nessa perspectiva da advocacia popular, da assessoria jurídica popular.
Então que esse projeto seja um modelo e atraia também outras instituições para fomentarem, porque assim, para que outras instituições também façam isso, porque pode ajudar mais pessoas, né? Pode resolver mais casos, né? Então que a minha expectativa, né? Ouvindo vocês, a minha expectativa é que seja um modelo realmente para atrair outras pessoas, outras instituições que possam estar auxiliando também nessa força-tarefa, que é uma força-tarefa, né? Pegar essas demandas.
É bom que o ouvinte veja o percurso que, quando essa demanda chega no Ministério Público, vai para um laboratório para poder ser resolvido. O ouvinte entende o seguinte, a defesa dos direitos humanos, a gente está falando de direitos que muitos deles incidem na vida de quase todos os nossos ouvintes. É o direito à moradia, é o direito à educação, é o direito à saúde, é o direito à alimentação, é o direito à memória e verdade, é o direito à saúde das pessoas, você não ser atropelado por... ...
por um empreendimento que prejudica a sua saúde. Então, são direitos do dia a dia das pessoas. E para que um projeto desse aconteça, essa é a felicidade que eu tenho, é preciso sensibilidade. E é bom ver gestores que têm sensibilidade da importância de implementar direitos humanos.
Isso não acontece, você precisa de investimento. E é isso, talvez, o grande salto que a Paraíba dá é essa sensibilidade de que direitos humanos é fundamental, mas ele se faz com políticas públicas, e é o que a gente está vendo nesse projeto. E a gente espera que os ouvintes possam, durante esses próximos meses...
Também continuar acompanhando um pouco esse caminho que o laboratório está trilhando desses primeiros passos, porque a gente tem esse objetivo de, também nesse campo da comunicação, conseguir trazer essas informações, não só de maneira geral sobre as demandas do laboratório, como a gente falou aqui hoje, mas também nos próximos meses a gente conseguir fazer debates mais temáticos sobre...
Cada um desses temas que a gente está mencionando aqui, a gente conseguir explorar melhor, trazer os pesquisadores para poderem explicar um pouco melhor sobre cada caso. E nesse sentido, a gente também gerar um produto de comunicação em direitos humanos, de educação em direitos humanos, para que quem estiver ouvindo se interesse pelo tema, nos pergunte, nos procure, para que a gente continue fortalecendo essa demanda também, que é fundamental, né? Pois, com certeza, considere o astronauta de portas abertas.
E encerramos o programa de hoje com a dica do dia no Cultura e Ciência. Vamos lá? Cultura e Ciência Um filme que mistura raiva, medo e esperança. A dica de hoje é Os 7 de Chicago. Queremos enfatizar novamente que estamos indo para Chicago em paz, mas com ou sem autorização, nós iremos.
Nós vamos para Chicago protestar contra a guerra do Vietnã. Não tenho o que fazer agora, só me envolver. Assistimos por uma década enquanto esses rebeldes se imprimam. Ditavam como conduzir uma guerra. Então eles vão passar os 30 anos deles em uma instalação federal, cumprindo pena. As pessoas me perguntam, Ebi, você por acaso tá com medo que a polícia exagere? Puta merda. Você tá bem? Eu estava até ver aquilo.
A acusação está pronta para os argumentos iniciais? Na mesa da defesa, Abby Hoffman, Jerry Rubin, David Dellinger, Renny Davis, Lee Weiner, John Fruins, Tom Hayden e Bob Bissell. Esses réus tinham um plano. E o plano era provocar um motim. Eu chamo essa parte do julgamento de... chegou a hora dos amigos. Meu julgamento começou sem meu advogado. O tribunal presume que você está sendo representado pelo Pantera Negra sentado atrás de você. Os motins foram iniciados pelo Departamento de Polícia de Chicago. Aceito.
Ninguém objetou? Jurados 6 e 11 estão do nosso lado. Jurada número 6 e jurado número 11. Está dispensada deste júri. E pode nos dizer por quê? Porque este é o meu tribunal. Já lidamos com adulteração de júri, escutas telefônicas, um réu que foi literalmente amordaçado. Tira a mão de mim! O senhor é a primeira pessoa a sugerir que eu usei de discriminação contra um homem negro. Então que conste nos autos que eu sou o segundo.
Quando entramos aqui essa manhã, eles disseram que o mundo inteiro está assistindo. Se sairmos daqui sem dizer nada sobre o motivo que nos trouxe, vai ser de partir o coração. No verão passado, por que veio para a convenção? Para acabar com a guerra. Estamos dando a eles exatamente o que querem. Um palco e um público. Sim, acha mesmo que vai ter um grande público? Here I am!
É assim que a revolução acontece, a evolução real. Podemos ter que magoar o sentimento de alguém. O mundo está sentindo! Este processo tem motivação política? Estou cansado de ouvir isso. Meretíssimo, não do a menor importância, se o senhor está cansado ou não. Here I am! O mundo está sentindo! Temos que ter ordem! O mundo está sentindo! Precisa ter um pouco de coragem agora. O mundo está sentindo! O mundo está sentindo!
Quanto isso vale pra você? Qual o seu preço? Pra cancelar a revolução? A minha vida.
O mundo está assistindo! Os 7 de Chicago é um filme de 2020 dirigido por Aaron Sorkin baseado em uma história real sobre o julgamento de sete ativistas acusados de conspiração após os protestos contra a guerra do Vietnã. Tudo isso em Chicago, em 1968. O filme pega aspectos políticos e históricos de um enredo já conhecido para contar a partir do próprio olhar. Para alguns, pecou no ritmo, mas eu faço parte do time que gostou do filme.
É um retrato de como o sistema jurídico americano tentou, e conseguiu, silenciar quem estava nas ruas pedindo mudança. No elenco, a gente tem Sacha Baron Cohen, o Borá, Eddie Redmayne, Jeremy Strong, Michael Keaton e vários outros nomes. E pode não ser um filme para todo mundo, afinal, o julgamento é longo, tem cenas de violência e muito mais. Porém, se você gosta de história, ativismo e um drama político tipo Spotlight, pode se jogar.
O filme, que foi indicado no Oscar de 2021 em seis categorias, incluindo o melhor filme e o melhor roteiro original, está disponível na Netflix e vale o seu play. Com essa, a gente se despede. Mas se bater saudade, você pode ouvir esse e outros programas novamente. Basta pesquisar por Astronautas da Nau Catarineta, Paraíba FM. Estamos de volta na semana que vem, quarta-feira, de 1h da tarde. Tchau, tchau!
Esse foi o programa Astronautas da Nau Catarineta. Apresentação de Bel Cântara e Kelly Souto. Uma produção da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior da Paraíba em parceria com a rádio Paraíba FM 103.9, uma emissora da EPC, empresa paraibana de comunicação. Diretora-presidente, Nadá Garceis. Diretor de Rádio e TV, Rui Leitão. Gerente de Rádio e Difusão, Berlim Carvalho. Gerente Executivo de Conteúdios e Programação, André Cananera.
Pega, pega. Valeu, carcará. Tudo certo. Câmbio e desligo. Você acabou de ouvir o programa Astronautas da Nau Catarineta.
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