EP#97 - ASTRONAUTAS DA NAU CATARINETA - 13 DE MAIO E O MITO DA ABOLIÇÃO
A diáspora africana, a 'abolição' de 1888 e a história da negritude brasileira são os assuntos do Astronautas da Nau Catarineta.
Foi ao ar no dia 13 de maio de 2026.
FICHA TÉCNICA
Apresentação: Bea Alcântara e Marcos Barbosa
Produção: Bea Alcântara
Edição de áudio: Val Donato
Redes sociais: Bianca Letícia
Bea Alcântara
- 13 de Maio e Mito da AboliçãoAbolição da escravatura · Diáspora africana · História da negritude brasileira · Lei Áurea · Resistência à escravidão · Legado da escravidão · Princesa Diana
- Museu da Diáspora NegraSalvaguarda de memórias e culturas · Histórias silenciadas e apagadas · Povos negros, indígenas e ciganos · Reencontro da Paraíba consigo mesma · Superação do trauma da escravidão · Protagonismo negro · Estevam Paletot · Museu da Diáspora Africana dos Povos Indígenas e das comunidades tradicionais na Paraíba
- 20 de Novembro vs. 13 de MaioConsciência Negra · Quilombo dos Palmares · Racismo estrutural · Reparação histórica e material
- Judas e o Messias NegroMovimento Panteras Negras · Ativismo negro nos EUA · Traição e lealdade · Opressão institucional · Daniel Kaluuya · LaKeith Stanfield · Judas and the Black Messiah
- Ações da SECTE na ParaíbaCompetições de robótica · Fortalecimento da pesquisa e desenvolvimento · Investimento no ensino superior · Programa Profix CB · Complexo Científico do Sertão · Cicquanta · Conferência Brasileira de Robótica · Olival Freire Jr. · Daniel Gomes · Claudio Furtado
- Decodificando: DiásporaDispersão de um povo · Forçada ou voluntária · Ruptura e migração · Memória, identidade e laços culturais · Diáspora judaica · Diáspora armênia · Diáspora síria
Mayday, Mayday, Cacará na escuta! Espera aí, aqui é a Paraíba? Astronautas da Nauca Parineta
Oi, gente! Tá começando mais um Astronautas da Nau Catarineta. Eu sou a Bea e esse é o programa da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior da Paraíba. E aí, pessoal? Meu nome é Marcos Barbosa e eu tô junto com vocês aqui no Astronautas. Hoje vamos falar sobre uma data meio polêmica, o dia 13 de maio.
Pois é, a data de hoje é conhecida por marcar a abolição da escravatura. Mas existe uma discussão muito grande em cima disso. E essa é a pauta do dia. O que essa data representa de fato? Antes da gente entrar no debate, vamos relembrar as ações das sectes da última semana. É hora do Reconecta aí!
A GDA Paraíba marcou presença em duas competições de robótica com resultados consistentes. Em Buenos Aires, no ITR, foram três ouros e três pratas, com destaque para sumô controlado, resgate no plano e viagem ao centro da terra.
Já na RoboRave, realizada em Campinas, São Paulo, a equipe conquistou 4 ouros e 1 prata, em provas de empreendedorismo, potencial de vendas, robô alpinista e seguidor de linha. E ainda garantindo a participação da Paraíba em mais dois mundiais, um em Osaka, no Japão, e em Houston, no Texas, em 2027.
A SECTE se reuniu, na semana passada, com o presidente do CNPq, Olival Freire Jr., o secretário do MCTI, Daniel Gomes, e representante das Universidades Públicas da Paraíba, IFAPESC. Tudo isso para fortalecer a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico no Estado. Na agenda, foram alinhados mais investimentos no ensino superior, retenção de talentos com o programa Profix CB e o reconhecimento do protagonismo paraibano em projetos estratégicos, como o Complexo Científico do Sertão e o Cicquanta.
A SECTS, representada pelo secretário Claudio Furtado, também participou da 2ª Conferência Brasileira de Robótica, que contou com representantes da UFPB, do MCTI, da Sociedade Brasileira de Pesquisa Científica, do CNPq e da Embrap. O evento discutia qual o papel das instituições governamentais no incentivo e manutenção da robótica.
Para acompanhar essas e outras coberturas, basta seguir a gente nas redes sociais.
Hoje a gente vai conversar com Estevam Paletot, coordenador de pesquisa do Museu da Diáspora Negra, dos povos originários e comunidades tradicionais da Paraíba, falando sobre a importância do museu de tratar especificamente hoje sobre a diáspora africana. E para a gente entender essa conversa que rola daqui a pouco melhor, é importante saber o que significa diáspora. Essa é a palavra do decodificando de hoje. Decodificando!
Diáspora é o nome dado à dispersão de um povo a partir do seu território de origem para diferentes regiões do mundo. Essa dispersão pode ser forçada ou voluntária, mas historicamente está ligada a situações de ruptura. Guerras, perseguições religiosas ou políticas, crises econômicas, desastres naturais. É o movimento de quem parte, muitas vezes, sem escolha.
A palavra vem do grego diáspora, que significa dispersão. O termo foi usado inicialmente para descrever a situação do povo judeu, que começou a viver fora de sua terra a partir do exílio na Babilônia, no século VI a.C. Ao longo dos séculos, novas expulsões e perseguições foram espalhando os judeus por praticamente todas as regiões do mundo.
Com o tempo, o conceito foi ampliado. Hoje, a diáspora designa qualquer grupo étnico, religioso ou cultural que viva fora de sua terra de origem. Como a gente já falou, seja por ter sido forçado a partir, seja por ter escolhido migrar. O que une esses grupos não é mais o território, mas a memória, a identidade e os laços culturais que carregam consigo.
A diáspora africana é uma das mais significativas da história, causada principalmente pelo tráfico transatlântico de pessoas escravizadas entre os séculos XVI e XIX. Ela levou milhões de africanos às Américas, à Europa e a outras partes do mundo. No Brasil, esse processo deixou marcas profundas na língua, na religião, na música, culinária e em praticamente todos os aspectos da cultura nacional.
Outros povos também carregam histórias de diáspora. Os armênios foram dispersos após o genocídio no início do século XX, buscando refúgio em países da Europa, das Américas e do Oriente Médio. Os sírios, mais recentemente, foram forçados a deixar seu país por causa de uma guerra civil que se arrasta desde 2011, gerando um dos maiores fluxos migratórios do século XXI.
O que essas histórias têm em comum é a combinação de perda e resistência. Quem vive em diáspora carrega uma dupla pertença, o lugar onde está e o lugar de onde veio. E o que essas histórias têm em comum é a combinação entre perda e resistência. Quem vive em diáspora carrega uma dupla pertença, ao lugar onde está e ao lugar de onde veio. Essa tensão pode ser fonte de sofrimento, mas também de criatividade, de identidade e de uma força coletiva.
As comunidades formadas pela diáspora costumam ser bastante atuantes nos países de acolhimento. Mantém vivas suas tradições, línguas, religiões e valores, ao mesmo tempo que se integram, em maior ou menor grau, à sociedade local. Não é uma coisa ou outra, é as duas ao mesmo tempo em equilíbrio sempre negociado.
Essa capacidade de preservar a identidade mesmo longe da terra de origem é uma das marcas mais potentes da experiência diaspórica. Festas, cultos, receitas, músicas, histórias orais, tudo isso funciona como um fio que conecta gerações e continentes, impedindo que a dispersão se transforme em apagamento.
No contexto brasileiro, compreender a diáspora africana é compreender a própria formação do país. Os africanos escravizados não chegaram como mão de obra inerte. Chegaram com saberes, crenças, línguas e culturas que moldaram profundamente o que o Brasil veio a ser. Ignorar essa herança é ignorar uma parte essencial de nós mesmos.
Falar de diáspora, portanto, é falar de pertencimento, memória e identidade. É reconhecer que um povo pode ser dispersado pelo mundo, mas não apagado. Que a distância da terra de origem não significa o fim de uma cultura. E que, muitas vezes, é justamente no exílio que essa cultura se reinventa e se fortalece.
O Brasil foi o último país independente do Ocidente a abolir oficialmente a escravidão. Por mais de três séculos, o trabalho forçado de africanos escravizados sustentou a economia colonial e imperial. Nos engenhos de açúcar, nas minas de ouro, nas fazendas de café, enfim. Estima-se que quase 5 milhões de africanos foram trazidos ao país à força, o maior contingente de todo o continente americano.
E esse processo não foi passivo. Negros e negras resistiram de todas as formas possíveis. Fugas, quilombos, negociações, suicídios, revoltas. A resistência estava presente desde a chegada dos primeiros navios negreiros. A simples sobrevivência daquelas condições subhumanas já era, por si só, um ato de resiliência.
O processo de abolição foi gradual e marcado por pressões internas e externas. A Lei Eusébio de Queiroz, em 1850, proibiu o tráfico transatlântico. A Lei do Ventre Livre, em 1871, libertou as crianças nascidas de mães escravizadas. A Lei dos Sexagenários, em 1885, liberou os maiores de 65 anos. Cada passo era pequeno e calculado para não abalar a tal ordem econômica.
Nos últimos anos, antes da abolição total, o sistema já dava sinais de colapso. O exército recusava-se a recapturar escravos fugidos. A polícia de São Paulo também deixou de persegui-los. Com a proibição do açoito em 1886, as fugas em massa se intensificaram, tornando a manutenção da escravidão inviável do ponto de vista prático e econômico.
Foi nesse contexto que a Lei Áurea foi assinada, em 13 de maio de 1888, pela princesa Isabel, então regente do Império. O texto tinha apenas dois artigos. O primeiro declarava extinta a escravidão no Brasil, o segundo revogava as disposições em contrário, curta, direta e radicalmente omissa quanto ao futuro de quem havia sido escravizado.
A lei não previa terra, moradia, educação, reparação ou qualquer forma de integração para os recém-libertos. Foram jogadas à própria sorte centenas de milhares de pessoas, que por gerações não haviam tido acesso a nenhum recurso, nenhum direito, nenhuma garantia. A liberdade formal chegou, a liberdade real não.
Antes mesmo da lei, uma reforma agrária havia limitado o acesso à terra a quem pudesse comprá-la. Sem terra e sem dinheiro, a alternativa seria a educação. Mas a elite brasileira contestava qualquer política que beneficiasse os libertos. O Estado não organizou nenhum programa de inserção. A igreja não assumiu essa responsabilidade. Nenhuma instituição o fez.
O sociólogo Florestan Fernandes descreveu com precisão esse abandono. As classes dominantes foram eximidas da responsabilidade pela manutenção e segurança dos libertos, sem que o Estado, a Igreja ou qualquer outra instituição assumissem cargos especiais para prepará-los para a nova vida. A abolição foi um ato jurídico sem consequências sociais planejadas.
Aproveitando esse contexto que a gente abordou, agora a gente conversa com Estevão Palitô, o coordenador de pesquisa do Museu da Diáspora, e acho que a primeira pergunta deve ser o que é o Museu da Diáspora e qual história ele se propõe a contar. O Museu da Diáspora Africana dos Povos Indígenas...
e das comunidades tradicionais na Paraíba é um espaço de registro e salvaguarda das memórias, das histórias, da cultura e das expressões artísticas dos povos que construíram a Paraíba e que sempre foram colocados à margem do registro histórico e da valorização pela sociedade. Assim, o museu pretende contar as histórias que foram silenciadas e apagadas na história da Paraíba. Então, pela primeira vez,
nós teremos um espaço museológico que vai se dedicar a contar histórias que não foram respeitadas e que não foram ouvidas. Os povos negros, os povos indígenas, os povos ciganos, comunidades tradicionais sempre falaram. A sociedade paraibana, o estado da Paraíba, que teve dificuldade de ouvi-los. Eu acho que esse momento é o momento para ser...
enaltecido e celebrado como um momento de um reencontro da Paraíba consigo mesma. Estevão, e por que é importante ter um espaço dedicado especialmente à diáspora africana no Brasil? Mais da metade da população brasileira é composta por pessoas de descendência africana. E uma parte também muito significativa é composta por pessoas de origem indígena e de origem cigana.
Não dá para o Brasil continuar de costas para a sua própria história, de costas para a sua própria ancestralidade. Daí a importância de tratarmos desse reencontro, de que um espaço museológico localizado na Paraíba possa tratar desse reencontro entre as diversas memórias e os diversos povos que vieram a constituir o povo brasileiro.
Historicamente, povos indígenas, povos africanos, povos ciganos foram silenciados e colocados de lado. É preciso agora trazê-los para o centro da representação histórica, para o centro da representação cultural, para o centro da representação artística. Não podemos mais esconder que o Brasil e a Paraíba é composto por essa diversidade, por essa pluralidade. E recuperar a diáspora africana.
a partir da superação do trauma da escravidão, é um elemento fundamental nesse processo. Precisamos encarar o que foi o processo da escravidão, não somente como a violência que foi, mas também como o processo de resistência ativa.
do povo negro, dos povos negros, na luta contra a escravidão e na criação de novos mundos no Brasil, a partir da sua resistência, resiliência, criatividade e, principalmente, da sua ancestralidade. A gente sabe que a abolição de 1888 é um marco legal, mas muitos historiadores apontam que ela não veio acompanhada de condições reais de igualdade. Como o museu aborda esse legado que persiste até hoje?
Eu considero muito importante que a gente não pense a abolição apenas como a data de 1888.
Se a gente pensa apenas essa data, a gente pode ficar num registro triunfalista de que a princesa deu a liberdade, isso já foi superado pela visão histórica mais crítica e também pela visão dos próprios movimentos sociais. Então a gente tem já uma crítica muito consolidada a que a gente não pode pensar somente essa data do 13 de maio de 1888, na realidade a gente tem que pensar...
O antes e o depois dessa data do 13 de maio. E aí é muito importante a gente pensar o antes como um processo ativo em que a sociedade brasileira se organizou e lutou contra a escravidão. Vários historiadores negros têm enfatizado isso. O movimento abolicionista no Brasil é a origem da nossa sociedade civil.
É o primeiro grande movimento de massas na sociedade brasileira que atravessou diferentes classes sociais, unindo o país inteiro em um movimento cuja pauta era uma pauta de justiça social.
As origens da democracia no Brasil estão no movimento abolicionista. Nós precisamos recuperar essa informação e esse conhecimento para a nossa formação cidadã.
Houve greves, houve jornais, houve clubes abolicionistas, houve resistência ativa da população escravizada, houve resistência ativa da população negra, livre, para terminar libertando seus irmãos de cor. Ou seja, a gente tem todo um antes de 1888 que vai ser recuperado, que tem que ser recuperado, enquanto informação histórica e educação política para o povo paraibano e o povo brasileiro.
E a gente também tem o dia seguinte ao 1888, o dia seguinte que foi uma liberdade sem reparação histórica, uma liberdade sem reparação material, pelos danos sofridos, pelos séculos de escravidão e de exploração da população negra. Se discutiu muito, foi indenização para os senhores de escravos, naquela época. E isso...
É importante de ser registrado, de ser relatado as diferentes contradições do 13 de maio. 13 de maio não pode ser uma data a ser esquecida, mas tem que ser lembrada de outra maneira. Lembrada principalmente que houve o antes do 13 de maio, mas também houve o depois do 13 de maio.
o antes enquanto movimento social de amplas proporções que sacudiu o Brasil de ponta a ponta, e o depois como um momento de abandono da população que foi libertada e que foi colocada à margem da sociedade.
Então são processos que a gente tem que lembrar e não isolar o 13 de maio de 1888 apenas no ato da princesa assinando a lei com a caneta de ouro. Não, muito pelo contrário. Essa lei não surgiu do nada. Ela surgiu de uma ampla mobilização popular, social e...
Teve também, e acho que é importante percebermos isso, teve reações a essa mobilização popular e social, principalmente no pós-13 de maio, que foi o momento que deixou a população negra à margem da sociedade.
e sem reparação histórica e sem reparação material. Apenas 100 anos depois disso é que a gente está conseguindo discutir e implementar algumas políticas públicas de reparação. E aí o papel de um museu nessa educação, nesse processo educativo da sociedade paraibana, da sociedade brasileira, é fundamental para a gente trazer essas histórias, poder recontar essas histórias a partir de um ponto de vista mais crítico, mais denso e mais plural.
O 20 de novembro é visto por muitos como uma data mais significativa do que o 13 de maio. Por que a morte de Zubi ressoa de forma tão diferente da assinatura da Leáurea? A crítica ao dia 13 de maio como um dia de celebração, ela, no final dos anos 70, começo dos anos 1980, ela foi muito importante e muito intensa. E, nesse sentido, foi proposto uma outra data.
que lembrasse e celebrasse a consciência negra não mais atrelada a uma memória oficial de um suposto ato de bondade da princesa Isabel. Nesse sentido, a data mudou para celebrar um dos principais líderes da luta quilombola no Brasil, que foi Zumbi dos Palmares. Então, uma vez que se tinha a data do assassinato de zumbi pelas tropas portuguesas, né?
ou melhor, tropas luso-brasileiras essa data ela foi foi proposta como a data de celebração da consciência negra o martírio de zumbi
o seu assassinato, como um momento de parar e pensar e refletir, da sociedade brasileira refletir sobre o que significa ter sido uma sociedade escravista durante 400 anos, de ter sido uma sociedade baseada num racismo estrutural durante 500 anos. Então é o momento dessa reflexão, dessa parada, desse olhar para a história do Brasil para entendermos o lugar...
que o povo negro deve ter nessa sociedade, e o quanto a sociedade brasileira como um todo deve ao povo negro uma reparação histórica, uma reparação material e uma reparação simbólica pela atrocidade do que foi o regime escravocrata. Então, nesse sentido, ela é uma data que mobiliza mais, que traz uma perspectiva crítica e que recupera o protagonismo negro na defesa da integridade física e cultural e humana.
da própria população negra. Então, essa é uma data que tem mais significativos que o 13 de maio. Embora, como eu disse antes, o 13 de maio deve ser pensado não isoladamente. A gente tem que pensar o antes, o durante e o depois. E, da mesma forma, também o 20 de novembro tem que ser pensado o antes, o durante e o depois. São processos históricos e não apenas datas isoladas no calendário.
Como o museu traduz um tema tão amplo, séculos de história, culturas e territórios, em uma experiência acessível para o público? E mais, o que você espera que uma pessoa carregue consigo depois de visitar o museu? A proposta do museu é que o visitante saia de lá encantado e transformado.
encantado não só pela linguagem artística, museológica e conceitual que a gente vai apresentar, mas principalmente pelos conteúdos das histórias e das vidas dos povos negros, indígenas, ciganos e tradicionais na Paraíba. Esse é um museu que vai contar muitas histórias, é um museu que vai contar de feridas profundas, mas também de vitórias, de processos de luta e de vitórias muito importantes na história de diversos povos.
E aí a gente não pode ficar apenas no momento do trauma, né? A gente tem que encontrar também a superação do trauma.
e reconhecer o protagonismo histórico dessas pessoas. Então, o visitante e a visitante sairão de lá transformados por essa experiência e renovados na sua concepção e compreensão da existência desses diversos povos na Paraíba. Bem, para finalizar, qual a participação da Sectes nessa formação do museu? A Sectes tem sido a agência de fomento fundamental e principal, junto com a Secretaria da Mulher e da Diversidade Humana.
para a consecução desse museu, não apenas no financiamento das bolsas de pesquisa, mas possibilitando toda a infraestrutura para que a gente consiga reunir o material de pesquisa, o material museológico, organizar e sistematizar esse material e prepararmos a exposição. Então tem sido um elemento fundamental.
no processo todo de construção do museu, lembrando que as tecnologias sociais promovidas por povos negros, por povos indígenas, por comunidades tradicionais, elas são fundamentais para a garantia de uma vida digna. A ideia do bem viver é uma ideia de tecnologia social. A gente não pode pensar a tecnologia apenas como o técnico, o tecnológico, as máquinas, mas também como modos de organizar o conhecimento e garantir...
a continuidade da vida. Nesse sentido, nós temos muitas tecnologias sociais que foram
criadas, elaboradas por essas comunidades, por esses povos, e a CECTIES tem esse olhar fundamental para que a gente consiga trazer essas tecnologias para o espaço do museu, para que a gente pense o museu, o museu seja um espaço reflexivo de transformação e promoção de direitos humanos na sociedade da Paraíba. A gente agradece a participação de Estevam, fica aqui o nosso muito obrigada. Esse é um debate muito importante e não vemos a hora de poder desfrutar de toda essa pesquisa no museu.
Agora, para encerrar o programa, a gente vai para a dica do dia no Cultura e Ciência. Cultura e Ciência O filme de hoje destaca um importante aspecto da luta do movimento negro global, os Panteras Negras. Eu estou falando do filme Judas e o Messias Negro.
Judas e o Messias Negro é um filme de 2021 de drama histórico que retrata eventos reais ocorridos em Chicago no final dos anos 1960. O filme acompanha a tensão crescente entre um agente do FBI e um jovem ativista que se vê preso em uma teia de lealdades conflitantes. Ambientado em um período de turbulência social e política, o longa explora temas de traição, poder, justiça e o custo humano de escolhas impossíveis.
é um relato perturbador sobre opressão institucional e as consequências de vidas presas entre dois mundos. Daniel Kaluuya é o líder carismático e eloquente no centro da história. LaKeith Stanfield é um jovem em situação de vulnerabilidade forçado a fazer escolhas. E Jesse Plemons é o agente federal que manipula os acontecimentos. No elenco, a gente ainda tem Dominique Fishbeck, Martin Sheen, Ashton Sanders, Aldi Smith e Daryl Britt Gibson.
O filme foi aclamado pela crítica especializada com 96% de aprovação no Rotten Tomatoes e recebeu a aclamação universal no Metacritic, com nota de 84% Nas principais premiações, concorreu em 6 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme vencendo Melhor Ator Coadjuvante com Daniel Kaluuya e Melhor Canção Original com Fight For You, da H.E.R. Kaluuya também venceu no Globo de Ouro, Critic Choice, Sagi Awards e BAFTA Ele saiu rapando tudo, meu Deus do céu
A crítica especializada elogiou particularmente a direção de Chaka King. A cinematografia refinada, o roteiro precipicais e as atuações memoráveis, tudo isso teve seu momento de elogio. Desde seu lançamento, o filme tem sido constantemente citado como um dos grandes destaques do cinema na década de 2020. E eu concordo, tá?
O filme foi lançado durante a pandemia da Covid-19, gerando números expressivos no streaming. 1,4 milhão de residências nos Estados Unidos assistiram em seu primeiro mês. A força de Judas e Messias negro reside na sua capacidade de transformar eventos históricos em drama humano relevante.
As atuações são hipnotizantes. Kalouya e Stanfield levaram os espectadores para dentro dos dilemas morais que ultrapassavam a tela. O roteiro recusa respostas fáceis e apresenta a história com a complexidade que ela merece. Pra quem ficou interessado na indicação, o filme tá disponível na HBO Max. E por favor, faça um favor para si mesmo e assista. Eu amo.
Com essa, a gente se despede, mas se bater saudade, você pode ouvir esse e outros programas novamente. Basta pesquisar por Astronautas da Nau Catarineta para a IBA-FM. Estamos de volta na semana que vem, quarta-feira, de 1h da tarde. Tchau, tchau! Esse foi o programa Astronautas da Nau Catarineta. Apresentação de Bé Alcântara e Marcos Barbosa.
Uma produção da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior da Paraíba, em parceria com a rádio Paraíba FM 103.9. Uma emissora da EPC, empresa paraibana de comunicação. Diretora-presidente, Naná Garceis. Diretor de Rádio e TV, Rui Leitão. Gerente de Rádio e Difusão, Berlim Carvalho. Gerente Executivo de Conteúdos e Programação, André Canané.
Valeu, carcará. Tudo certo. Câmbio do jogo. Você acabou de ouvir o programa Astronautas da Nau Catarineta.