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EP 06 - SP POD: Novo Centro Administrativo de SP: Guilherme Afif conta detalhes e bastidores do projeto

06 de maio de 202630min
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No SP POD, o secretário Guilherme Afif Domingos detalha os bastidores do Novo Centro Administrativo do Governo de São Paulo: um dos principais projetos da atual gestão. Ele explica como surgiu a proposta, os objetivos de levar a sede do governo para o centro da capital e os impactos esperados na economia, mobilidade e requalificação urbana da região.
Assuntos5
  • Novo Centro Administrativo de SPGuilherme Afif Domingos · Governo de São Paulo · Praça Princesa Isabel · Palácio dos Campos Elíseos · Brasília · Concurso público de arquitetura · Instituto de Arquitetos do Brasil
  • História e Revitalização do Centro de SPCampos Elíseos · Cracolândia · Crime organizado · Transporte ferroviário · Trem Intercidades (TIC) · Favela do Moinho · Teatro São Pedro · Sala São Paulo · Museu da Resistência · Museu da Língua Portuguesa · Estação da Luz · Parque da Luz · Pinacoteca · Museu de Arte Sacra · VLT · Habitação de interesse social · Ocupe o Centro · Central da Polícia Militar · Santa Efigênia · Boca do Lixo
  • Mentalidade EmpreendedoraGuilherme Afif Domingos · MEI (Microempreendedor Individual) · Simples Nacional · Constituição Federal · Artigo 179 da Constituição · Estatuto da Microempresa · Impostômetro · SEBRAE · Economia informal · Estatocracia
  • Biografia de Guilherme Afif DomingosCandidatura à presidência da República · Vice-governador de São Paulo · Secretário de Projetos Estratégicos · Secretário de Agricultura · Presidente do Banco de Desenvolvimento · Presidente da Associação Comercial · Presidente do SEBRAE · São Paulo S.A. (filme)
  • Impacto Econômico do Novo CentroGeração de empregos · Ativação do comércio · Economia criativa
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Eles são foras da lei. Eu falei, não, a lei é fora deles. Você tem que fazer a lei a partir dessa realidade. Isso é um soco no peito dos paulistanos. O bairro é meu. A cidade é de todos.

Olá, seja bem-vinda, seja bem-vindo ao SPPod, podcast da agência SP, que hoje recebe o secretário Guilherme Afif Domingos, que é secretário de Projetos Estratégicos do Governo de São Paulo. Secretário, seja bem-vindo. Tudo bem? Olá, secretário, seja bem-vindo. Muito obrigado.

Secretário, o senhor já foi candidato à presidência da República, o senhor já foi vice-governador, deputado, o senhor já ocupou cargos importantes nas gestões de economia do governo federal, do governo estadual e hoje o senhor é nosso, aqui do governo de São Paulo, secretário de projetos estratégicos. Como é que é hoje a atual fase do senhor e como é que todas essas experiências que o senhor viveu contribuiu hoje para o que o senhor está realizando hoje aqui em São Paulo, secretário? Eu estou muito à vontade aqui.

Muito à vontade, porque em 2022, o Paulo Guedes com quem eu trabalhava,

Um dia o Guedes me liga e fala, o Tarcísio quer conversar com você. Eu falei, não conheço o Tarcísio, nunca tinha tido contato com ele. Ele quer conversar porque ele gostaria que você escrevesse o programa de governo, que ele vai se candidatar a governador do Estado. Então, eu quero promover um almoço.

E promovemos um almoço que eu conheci o Tarcísio. E aí gostei muito dele e a recíproca foi verdadeira porque conversamos ideias. Colocamos o que eu penso e pensava e penso para São Paulo. O resgate de uma história. Porque você, em tudo que você vai fazer, você tem que puxar o fio da mirada da história. E eu disse para ele o seguinte, olha...

você tem, vamos lidar com o povo paulista e paulistano.

E o paulista tem nostalgia de origem. E o primeiro bairro organizado da cidade de São Paulo é Campos Elícius. E que hoje é o símbolo da decadência de uma cidade pujante. São Paulo é uma cidade pujante, mas quando se fala do centro histórico, fala-se de Cracolândia e domínio do crime organizado.

Isso é um soco no peito, ou um soco no queixo dos paulistanos. E os paulistas também viveram por conta da ferrovia. Nós chegamos a ser a maior malha ferroviária do mundo.

proporcional à população. Mas isso acabou. Veio o progresso, a ferrovia, a rodovia, substituiu a ferrovia, abandonamos a ferrovia e aí houve essa concentração urbana que está aqui na região. Urbana de São Paulo, Campinas, São José dos Campos, Sorocaba, um aglomerado que 80% do PIB está aqui.

As estradas já não funcionam mais, viraram marginais. Tanto a Inhaguera, como Castelo, como Bandeirantes, Ayrton Senna e o sistema cheio de imigrantes. Hoje você não consegue andar. Chega no fim da tarde, no começo da manhã, todos que trabalham fora tentam chegar na capital.

Então nós temos que recuperar o transporte ferroviário, como a Europa fez. E os leitos estão aí, estão prontos. É só nós começarmos a reocupar. Temos que fazer o TIC, que é o Trem Intercidades. Então essa conexão das ideias foi o que nos entusiasmou.

Ele colocou isso no seu programa de governo e mais do que ninguém, porque é um executor de mão cheia. O Tarcísio, quando quer fazer, ele faz. Ele tem uma firmeza muito grande de comando. E assim escolheu uma equipe técnica. O TIC já está sendo construído, começa agora a construção, foi feito o leilão.

E aí o centro da cidade, eu falei, a saída tem um projeto que é levar todo o governo aonde está a Cracolândia e aonde está o início da urbanização da cidade de São Paulo. Com equipamento cultural e entorno maravilhoso, mas com aquela miséria humana que nós tínhamos.

E aí começamos a trabalhar nesses três anos e meio de governo e já conseguindo muita coisa avançar. Cracolândia não existe mais. Favela do Moinho vai ser substituída por uma praça e por uma estação de trem. O trem intercidades construído.

E o leilão do Centro Administrativo do Estado, já colocado para ficar pronto em cinco anos. Então, foi assim que nós começamos a conversar em cima de projetos. Que bom dar certo.

Secretário, o senhor estava falando de projetos que o senhor apresentou para o governador Tarcísio, ainda em 2022, ainda na época de campanha, um deles foi a proposta da transferência da sede administrativa do governo de São Paulo para a região central, inclusive ali com um desenho.

Ali com um projeto já, né? Queria que o senhor falasse um pouco mais desse projeto. De onde surgiu a ideia? Era um projeto que o senhor já vinha trabalhando há muitos anos? Quando eu era vice-governador, eu presidia a comissão das PPPs.

E um dos projetos foi esse, de pegar a Praça Princesa Isabel, onde tinha a joia da coroa, que é o Palácio dos Campos Feliz, e fazer uma esplanada de secretarias.

Porque é como em Brasília, você tem explanado os ministérios e o poder lá na ponta. O conceito seria o mesmo aproveitando a urbanização de mais de 180 anos. Então, trazendo para o centro.

Primeiro, racionalizaria toda a parte de administração. Cairia para 250 mil metros quadrados. Portanto, uma manutenção muito menor. Em prédios novos. E trazendo uma população para uma área degradada.

Portanto, renovando o processo de estrutura habitacional, até porque grande parte desses funcionários vão querer comprar habitação e a gente vai facilitar no entorno. Então, você faz renascer uma estrutura de um bairro que estava na pior das situações, estava no alto grau de degradação física e moral.

Secretário, a gente viu o leilão aí há pouco tempo, né, do Novo Centro, um leilão que conseguiu aí uma empresa que vai investir 6 bilhões aí no projeto, e a gente viu algumas surpresas que apareceram para o senhor, que o próprio governador Tarcísio trouxe ali, e ele traz uma história curiosa, que é o desenho que vocês fizeram no papel, né. O senhor pode contar um pouquinho mais para a gente desse episódio? O senhor realmente desenhou num guardanapo? Ele que desenhou.

Ele desenhou? Ele desenhou, porque o Tarcísio é uma pessoa que estuda, estuda profundamente. Então, quando a gente falou, ele transformou a área, o que nós estávamos conversando, no papel, no desenho, na anotação, e fazer os prédios em torno do que seria a esplanada que eu disse para ele.

Mais tarde eu apresentei para ele o primeiro estudo que nós tínhamos feito. Mas o engraçado foi que ganhamos a eleição. Isso foi colocado no programa de governo, isso foi prometido, foi até criticado, porque a turma não sabe o que fala. E aí...

Na primeira reunião que nós tivemos aqui, era à noite, eu me lembro, era por volta das 11 horas da noite, ele falou, pô, mas isso dá pra fazer.

Olhando a equipe, né? Falei, dá, dá, vamos. Vamos desenhar aqui. Aí ele falou, vamos desenhar para ver se dá para isso. Então, ele memorizou bem tudo o que foi falado. E depois de dois meses nós viemos já com um desenho do projeto. Aí quando ele olhou o desenho e viu materializado que aquilo seria um choque de urbanismo extraordinário, ele ficou entusiasmado. Agora é para fazer. Aí está aí...

Por que demorou três anos? Porque ele tomou uma decisão muito importante. A decisão que ele tomou foi, vamos fazer um concurso público. Porque aqui no Brasil, ele falou, aí pega o arquiteto famoso, que fez tudo isso que está aí, que é famoso, arquiteto, não vou nem citar o nome, contrata esse arquiteto. Será que não tem mais nenhum talento na arquitetura paulista e brasileira?

vamos fazer um concurso público. Esse concurso com arquitetos brasileiros, os escritórios brasileiros. Poderia entrar estrangeiros em associação. E aí nós fomos até o Instituto de Arquitetos do Brasil, que aceitou o desafio de fazer o concurso público. E esse concurso público reuniu 46 escritórios.

de arquitetura, que apresentaram propostas. E um ganhou por unanimidade. Ali no leilão, até quando o governador traz aquele desenho no papel, vem um filme na cabeça do senhor, de, olha, estamos aqui, estamos no leilão desse projeto que a gente começou rabiscando no papel. O que passou na cabeça do senhor ali na hora do leilão? Primeiro, o Tati Costa.

Então o susto foi maior ainda. Eu estava de costas. Então, na verdade, aquilo lá para nós era curtir e pensar de como você puxa uma ideia, que o governador puxa essa ideia e transforma a ideia em realidade. Isso que é bonito. Por isso que demoraram três anos e meio curtindo a ideia.

trabalhando em cima da ideia, divagando sobre a ideia e confirmando a convicção de que a ideia é para valer. Tanto é que foi feita uma pesquisa pela data Folha que 83% depois que tomam conhecimento do projeto aprovam.

Então, atingimos o coração da cidade, que é aquilo do sentimento. A cidade estava ressentida. Quando você recupera o centro da cidade, você está agradando a cidade como um todo. Quando se trata...

do centro, você não fala que é o centro, você fala que é a cidade. É a cidade de todos. O bairro é meu, a cidade é de todos. Então, o centro era a cidade de todos. Se você agrada o centro, agrada a ideia deste sentimento ou ressentimento do abandono do centro, você está agradando a cidade inteira.

E, secretário, o senhor falou um pouco da questão histórica da região central, até começando com como a cidade de São Paulo cresceu, nasceu. Como que esse projeto da nova sede administrativa conversa com a história e com o presente da cidade de São Paulo? Muito bem. Ali estão os mais importantes equipamentos culturais da cidade de São Paulo.

Você tem o Teatro São Pedro. Você tem a Sala São Paulo, que é um exemplo de recuperação de uma estação de trem que faz parte da história. Que é lindíssima, né? Você tem o Museu da Resistência, ali do lado. Você atravessando...

que vai ser construído uma passarela para cobrir os trilhos. Você tem o Museu da Língua Portuguesa, que é a Estação da Luz. Aí você vai para o outro lado, você tem o Parque da Luz, o Jardim da Luz. O Jardim da Luz vai fazer 200 anos.

E ele é colado na Pinacoteca. E nós estamos fazendo um trabalho de juntar os dois. De juntar o Jardim da Luz na Pinacoteca. Porque assim é um parque que você está construindo de cultura, de exposições. Então, você valoriza o Jardim da Luz e valoriza mais ainda a Pinacoteca. Atravessa a rua, está o Museu de Arte Sacra.

Então nós vamos unir tudo isso a um boulevard para fazer o passeio cultural de São Paulo, que se une logo aqui com o centro administrativo e que vai chegar ali o VLT, que está sendo agora construído pela prefeitura. Portanto, você tem um trabalho de recuperação daquela área extraordinária.

Fora a revitalização também, né? 17 prédios tombados serão revitalizados, inclusive está dentro desse projeto. Dentro desse projeto. Quer dizer, você não está destruindo a história, você está conservando a história. Você está demolindo aquilo que não tem valor histórico.

Mas tem um teatro também, né? O senhor está falando muito dessa vida artística do centro. É o projeto prevê-lo. É o centro de convenções do complexo. É como você tem aqui no Palácio do Bandeirante, tem um auditório de mil lugares. Mas ele é ocioso.

Nós vamos fazer um centro de convenções que vai ser usado sempre, inclusive, pelo governo. Então, o licitante, o concessionário, vai explorar esse centro de convenções como uma forma de ajudar a remunerar o custo que nós vamos ter de manter o centro com ele.

Que é importantíssimo, né? Essa fachada ativa, até para ter a movimentação. Porque, se falando de prédio com funcionários, né? Imagina que dá o horário de expediente, os funcionários vão embora, mas a fachada ativa vai manter ainda a vida, a vida noturna, a vida no final de semana desses prédios. E aí o que está acontecendo é que o entorno está sendo muito procurado agora para a construção.

Mas, na verdade, a habitação que hoje está sendo procurada são menores. Então, com isso, você vai ter uma população jovem que já tem tendência de morar naquela região. Você pega a Vila Boar, que lá é uma população jovem, dentro daqueles apartamentos. Então, você tem uma arquitetura voltada a esse tipo de consumo, que vai se voltar para o entorno.

A gente vê o senhor trazendo muito da história também, sempre quando o senhor fala da região central. O senhor é uma pessoa ligada a estudar a história da cidade? Eu sou um centrista histórico. Como seria isso? Então, é simples. Eu vim para São Paulo em 1950. Eu tinha de seis para sete anos.

Venho de Casa Branca, do interior. E meu pai tinha uma fábrica de tecido em Casa Branca. Mas a fábrica de tecido toda hora apagava a luz, não tinha energia. Então ele falou, preciso mudar para São Paulo. E trouxe a fábrica para São Paulo. Veio lá para Vila Prudente. E eu vim em 1950, quando São Paulo começava a ser a cidade que mais cresce no mundo.

Exatamente a instalação das indústrias, o pós-guerra, a indústria que ia se instalar lá na Viancheta. Aliás, eu recomendo assistir aquele filme São Paulo S.A. do Abilo Pereira de Almeida, que mostra o nascimento industrial de São Paulo. E eu assisti as transformações da cidade. Assisti no centro. Nós temos um escritório no centro.

que eu ia desde os 14 anos trabalhar com meu pai e com meu avô. Então, e ali era o centro financeiro de São Paulo. Rua Boa Vista, 15 de novembro, tinha a sede do Jockey Club. E aí eu assistia a queda.

Eu fui assistindo a decadência do centro, a mudança para as novas regiões, para Paulista, depois para Faria Lima. Os bancos todos abandonando aqueles prédios lindos que lá estão, virando estacionamento. Mármore no chão e estacionamento em cima. Era uma ajuda e ação ver isso.

Então, eu fui assistindo esse aspecto e nunca me conformei. Eu sempre achei que ali tinha que ser uma zona franca, com incentivo fiscal, para o pessoal se instalar, se reinstalar no centro. Mas não houve meio de compreenderem isso. Então, o centro se acelerou o processo de decadência. E nós estamos agora...

tentando reverter esse processo. Então, aí vocês não me perguntaram, mas eu vou responder. Por favor. Tem muitos prédios do governo no centro. O que nós vamos fazer com eles? Porque você vai esvaziar esses prédios, então vai piorar a situação. Primeiro, a prefeitura tem interesse em muitos prédios nossos.

Segundo, o que não for interesse, nós vamos fazer retrofit para a habitação. O que precisa do centro é gente morando. Ocupar o centro, né? Inclusive tem até um movimento, ocupe o centro. É 24 horas, para você ter gente que mora, porque onde você tem, depois das seis, uma cidade abandonada, ela vira palco para coisa ruim.

As pessoas ficam com medo de circular, enfim. Tudo, tudo, tudo. Você vai para um processo de decadência. Então, a recuperação é, primeiro, segurança. Você vai para o centro hoje, é mais seguro que a Faria Lima.

Pode andar pelo centro, pode ir lá na zona da ex-cracolândia, ali na porta da sala São Paulo. Tranquilo, está tudo limpo, tudo em ordem, porque tem polícia. Tem um policiamento ostensivo e vai ser mais ostensivo porque o governador determinou a construção da central da polícia militar, bem no coração de onde era a Cracolândia.

É uma conquista, reconquista de espaço. O senhor tocou num ponto que eu acho que tem, depois do leilão, muita gente tem se questionado, que é a questão da habitação mesmo, né, secretário? Existe um projeto até para as reocupações, para as pessoas que vão ter que sair, isso tudo está previsto no nosso projeto? Sim. Essa questão da habitação. Sim, que são as habitações de interesse social.

O que é habitação de classe média e o que é ocupação de pessoas jurídicas, lojas, etc., aí é indenização. Você vai, o valor justo, avaliação pelo valor justo, você pode fazer isso de comum acordo ou judicialmente, mas você tem uma decisão. No caso da população de baixa renda...

que é a população de interesse social, essa nós temos que assistir. Porque uma coisa é desapropriar o predinho do proprietário. Mas ali é um cortiço. São pessoas de baixíssima renda morando lá. E isso nós temos que realocá-los numa habitação digna.

Tirado o cortiço para ele ter um apartamento de preferência na região onde ele já trabalha. Tudo isso está no planejamento da desapropriação. O Estado ajudando o concessionário no interesse social e o concessionário tratando diretamente com classe média e pessoa jurídica.

Secretário, além da questão da adaptação, a gente também tem o impacto econômico. Queria que o senhor falasse um pouco qual é o impacto econômico dessa mudança de sede ali para a região central, desde ali da geração de empregos durante as obras até após ali quando os 22 mil funcionários estarão trabalhando ali no complexo.

você vai ter uma ativação do comércio em geral, ali em torno. Hoje nós estamos experimentando com a inteligência artificial uma mudança profunda na economia.

E tem muita atividade da economia criativa que vai acabar se localizando por lá. Por exemplo, tem muita gente de indústria cinematográfica querendo voltar, porque lá já foi um centro da cinematografia paulista e brasileira. Cinemas antigos que ficavam instalados, cinema de rua que eu exerço.

Mas eram os produtores também. Eles faziam sede por lá. Que foi chamada até de boca do lixo. Na época. Bom, muito bem.

Isso começa a se reativar, à medida que você tem a gente, tem a consumo, tem a turismo, que vai começar a circular. Então a atividade econômica retorna naturalmente com a normalidade da volta das pessoas, onde eles estão seguros de poder trabalhar. Você tem ali a Santa Efigênia, que é vizinha.

que vai sofrer um upgrade dentro da indústria da economia criativa. E tem também um centro que o governador quer fazer, que é um centro de inteligência artificial.

E nós já estamos com isso bem adiantado, com a USP, com a FAPESP, com a PRODESP e com algumas empresas como a Porto Seguro, que é lá da região, para fazer esse núcleo. Trazer a juventude para estudar a economia moderna lá.

E secretário, a gente já falou bastante aqui do centro, estou me encaminhando até para o final do nosso podcast, e tem uma frase que o senhor sempre fala, que o senhor sempre leva para a sua vida, que é a questão do empreendedorismo, que seria uma filosofia de vida, o empreendedorismo para o senhor. Como é que o senhor trouxe isso para a sua vida mesmo, até para a gestão pública? Como é que o senhor vê essa questão do empreendedorismo? Foi me identificando com o Brasil real.

O Brasil real é formado, é uma pirâmide, cuja base é a economia de sobrevivência. Quase uma economia informal. Quando eu criei o MEI, pensei exatamente na formalização desta multidão que eu chamo de batalhadores. É o cara que batalha pela vida dele.

Depois você tem a economia de mercado, pequenas e médias empresas formalizadas, até grandes, que vivem em regime de competição de mercado. São empreendedores sem favorecimento. E depois tem uma cúpula que é de chorar, que é a estatocracia.

O político acata de votos e o estranho capitalista brasileiro, que é aquele que tem só a lista de pedido capital ou ele vai buscar nos fundos públicos, como vários que nós conhecemos e onde estão todos os escândalos. E onde tem o furo nacional, o buraco na conta nacional, que procura passar a conta para os de baixo.

E os de baixo tentam escapar, que é a busca da informalidade. Então eu me debrucei sobre isso e me dediquei para fazer uma legislação para o Brasil real. E foi assim na Constituinte, que eu sou o autor do artigo 179.

que os desiguais têm que ser tratados desigualmente de acordo com as suas desigualdades. Eles são foras da lei. Eu falei, não, a lei é fora deles. Você tem que fazer a lei a partir dessa realidade. Foi assim que nasceu o Simples, assim que nasceu o MEI. Então eu me dediquei muito a isso. E esse é o empreendedorismo real.

O senhor está lançando esse ano uma biografia também, é isso, secretário? O que que combinou o professor Eccero querer lançar essa obra? Olha...

Bom, me cobravam perdidamente. Você não vai escrever nada? Até porque tem fatos curiosos da vida do senhor, né? Além de ser, já foi candidato à presidência da República. Criou impostômetro aqui em São Paulo, né? Muita gente nem sabe, né? Passa, às vezes, todo dia, nem sabe, né? Quem criou o impostômetro? Foi presidente do SEBRAE. Foi um dos nomes, né? Os principais nomes ali, voltados ao micro e pequeno empreendedor.

Também ia pedir até para o senhor falar um pouco dessa biografia, né? Quem é Guilherme Afife? Bom, primeiro me cobraram. Sempre preciso escrever a biografia. Mas eu ainda estou escrevendo currículo. Ainda não é para escrever biografia. Mas o tempo vai passando, aí eu comecei a ficar preocupado.

Porque a memória vai passando, né? Então você não pode deixar. Então você tem que descarregar o drive, né? Você descarregar a carga de memória que você tem. Foi o que eu procurei fazer, contando a história, porque que eu...

Por que eu entrei na vida pública? De onde venho? A história da família? Para poder dar uma contextualização e a sequência de um processo onde eu comecei na vida pública como presidente do Banco de Desenvolvimento, depois fui secretário da Agricultura durante três anos, fui candidato a vice-governador em 82.

Fui presidente da associação em 83, aí fizemos a luta pelo estatuto da microempresa, criamos o Congresso Brasileiro das Pequenas Empresas, exatamente pela luta. Fui para a associação comercial, me tornei presidente dela, e aí...

Lancei a campanha em defesa do contribuinte, de olho no imposto, que o cidadão não sabe que paga imposto, porque está tudo escondido. Agora não, agora você pega a nota fiscal, eu botei na Constituição isso, a obrigatoriedade de colocar isso.

Então essa luta em defesa do contribuinte me levou à Assembleia Nacional Constituinte, defendendo o pequeno empresário. Foi aí que nós tivemos as conquistas. Aí eu fui para a presidência, candidato à presidência, numa oportunidade única, que mostrava que havia o caminho da renovação. Não me arrependo, foi muito bacana. São poucos os que têm o privilégio de conhecer o Brasil.

E tratar de matéria do Brasil, conhecendo de perto. E aí, dali pra frente, eu até saí da vida pública. Voltei pra minha empresa. Fiquei 16 anos recuperando o terreno perdido, porque quando você sai... E aí, eu continuei institucionalmente. Foi aí que eu regulamentei o Simples, como presidente do SEBRAE.

regulamentei o MEI e dali fui vice-governador. E como vice-governador, que eu desenvolvi toda a ideia desses projetos que foram pagar a vida.

Guilherme Fifi Domingos, parte da história viva desse país, praticamente. Estou velhinho. Poderíamos ficar ora aqui conversando. Foi um prazer receber você aqui no nosso podcast. A gente espera que você volte outras vezes. Vai ter outros convites, secretário. Já fica marcado aqui. Com prazer. Estamos ansiosos para ver o novo centro e a gente tem certeza que isso vai acontecer, secretário. Você confira aí todas as notícias do governo de São Paulo por meio do site da Agência SP. Até uma próxima.

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