EP#62 - RESPEITÁVEL PÚBLICO - PEDRO ANTÔNIO
Lisan Al Gaib! Os jornalistas Pedro Antônio e Ângela Duarte se juntam em uma conversa que viaja pelo universo de Duna, trazendo curiosidades e bastidores dos filmes Duna: Parte 1 (2021) e Duna: Parte 2 (2024), dirigidos por Denis Villeneuve.
FICHA TÉCNICA
Data de Veiculação: 30/04/2026
Interlocutor: Ângela Duarte
Produção: Ângela Duarte
Edição de áudio: Ivson Lira
Este programa é um produto da Rádio Parahyba FM, emissora da Empresa Paraibana de Comunicação.
André Cananéa
Ângela Duarte
Pedro Antônio
- Duna (Parte 1 e 2)Adaptações cinematográficas de Duna · Duna: Parte 1 (2021) · Duna: Parte 2 (2024) · Livro Duna de Frank Herbert · Space Opera como gênero · Adaptação de David Lynch (1984) · Minissérie de 2000 e 2003 · Série Duna: A Profecia (2024) · Planeta Arrakis e a especiaria Melange · Casa Atreides vs. Casa Harkonnen · Paul Atreides e a profecia Lisan al Gaib · Bene Gesserit · Fremen e sua cultura · Trilha sonora de Hans Zimmer · Cinematografia e construção de mundo · Planeta Caladan · Planeta Giedi Prime · Personagem Chani e sua dualidade · Personagem Stilgar e fé cega · Influências culturais de Duna · Crítica ao salvacionismo branco · Duna como alegoria (crise ambiental, colonialismo) · Messias de Duna (livro e futuro filme) · Personagem Feyd-Rautha · Personagem Imperador Shaddam IV · Personagem Princesa Irulan · Personagem Anya Taylor-Joy
- Análise crítica de cinema e sériesOuça um Filme (programa de rádio) · Análise de trilha sonora · Análise de cinematografia · Impacto de adaptações cinematográficas · Crítica de cinema
Programa não recomendado para menores de 12 anos. Está no ar, ouça um filme. Um programa para quem gosta de ouvir dicas e um ótimo papo sobre filmes. Num oferecimento do Centerplex Cinemas. Se tem sessão, tem diversão. Siga o arroba Centerplex Cinemas nas redes sociais. E fique por dentro dos melhores lançamentos de filmes e muita diversão.
Olá, meu querido ouvinte da Paraíba FM. Como é que você tá? Tudo bem? Eu sou Angela Duarte e esse é OUÇA UM FILME, o programa para os amantes da sétima arte. Hoje é quinta-feira, semana quase no fim. Coisa boa, hein? Cola comigo na 103.9 que você é meu convidado de honra pela próxima hora.
Ouça um filme e tá no ar. E se você tá chegando por aqui na Paraíba FM e não sabe muito bem como é que esse programa funciona, a ideia do Ouça um Filme é bater um papo com um cinéfilo ou com um realizador do cinema a respeito de dois filmes, seja que ele produziu ou que ele gosta, né? E aí que hoje é um episódio muito especial porque eu estou acompanhada do meu colega de trabalho, Pedro Antônio. Oi, Pedro! Olá, ouvintes! Como vão?
E aí, por que você tá aqui? Porque Pedro é simplesmente a pessoa mais fanática por Duna que eu conheço. E aí a gente vai estar falando desses dois filmes, né? Nesse esquenta aí pro terceiro filme que lança no final de 2026. Eu sou mais fanático que eu conheço também. Sim.
Bom, vamos lá, começando, né, Duna, o que a gente vai conversar hoje é a versão mais atual, né, dirigida pelo Denis Villeneuve, que é uma adaptação da obra do escritor americano Frank Herbert, né, Duna, o livro de 1965, e é mais uma dessas histórias de um gênero chamado ópera espacial, space opera, né.
Que é esse gênero que é ficção científica com viagem espacial, que é muito conhecido por ter essas viagens interdimensionais na velocidade da luz. Star Trek, Star Wars e também a saga de videogames mais effect. São ótimos exemplos desse gênero, né? Já conhecia a especiópera antes? Antes de Duna? É.
Não, acho que o primeiro exemplar que eu tenho de Space Opera, assim, na minha vida, talvez tenha sido Star Wars mesmo. Que desde sempre também sou fã de Star Wars, bem antes de ser fã de Duna, na verdade. É legal ver essa relação que os dois têm até, porque tem aquela coisa... Ah, Duna copiou Star Wars, Star Wars copiou Duna, quem veio antes, quem veio depois e tudo mais. Porque um veio antes no sentido de ser a descrição, né, de um planeta de areia e tudo mais, aquela coisa interplanetária. E o outro veio depois no sentido visual. Quando a gente vê Tatooine, a gente...
A gente viu Tatooine antes de ver a Hakes na tela. Então tem essa retroalimentação dos dois. Mas acho que são obras bem distintas. Pertencem ao mesmo gênero, claro. Mas tem uma distinção completamente à parte uma da outra. Uma se inspira muito em samurais. E outras se inspiram em outras coisas mais. Mas acho que sim. Foi Star Wars que me introduziu. E Duna meio que me batizou talvez nesse gênero. Eu gosto muito do Space Opera. Eu acho muito divertido imaginar outros universos.
Mas enfim, então, a versão mais recente do Denis Villeneuve não é a primeira vez que a gente vê Duna nas telas. É engraçado que ele quase foi adaptado lá em 1975 pelo Alejandro Jodorowsky, mas aí tiveram muitos problemas com orçamento, enfim, e isso acabou não rolando.
teve a infame ou famosa adaptação do David Lynch, né, eterno David Lynch, lá em 84. E uma curiosidade é que a trilha sonora dessa versão, né, de 84, foi composta pela banda de rock Toto, conhecida por África.
E também traz o debut filmico, o primeiro filme do Kyle MacLachan, que é conhecido por Twin Peaks. Tá em Fallout também, maravilhoso em Fallout. Tem o Patrick Stewart também, o Brad Dourif, o cantor Sting também tá, a Linda Hunt e muito mais. David Lynch fala que odeia esse filme, né?
É, ele é bem traumatizado... Aliás, ele era, né? Bem traumatizado com esse filme, assim. Inclusive, quando lançou o Duna 2021, ele falou que não queria nem saber. Não quero ver, não quero tocar nesse universo. Porque ele queria fazer um filme, o estúdio queria lançar outro. E como sempre acontece nesses casos, assim, deu essa divergência criativa e acabou que o filme que foi lançado não é um filme que ele considera dele. Inclusive, teve versões posteriores, assim, versões estendidas, versões pra TV desse filme.
Tentaram salvar o máximo que podia, mas é um filme bem complicado, assim, bem quebrado em conceito até. Ele, Duna, o livro tem muita, aquela coisa que acho que hoje em dia chamam de monólogo interno, né, de pensamento de personagens. Ele tenta transferir isso pro filme, aí eu já não sei dizer se é uma ideia do David Lynch ou do estúdio.
com umas narrações em off, assim. Porque assim, ah, você tá vendo um filme, que é pra você entender o que o personagem tá pensando pelas ações e pelos movimentos e tudo mais, e você tá ouvindo eles falando. Aí eu lembro uma cena muito mais básica pra mim, que é quando o personagem, ele vê no duque leto, alguém nobre e tal, aí ele tá olhando pra ele assim, porque ele é de admiração, mas aquilo não é o suficiente. Você tem que ouvir ele falando no seu pensamento, né?
Poxa, esse Duke realmente acho que é um homem muito bom. Ele pode ser um bom governante pra Harkis. Era pra você estar vendo isso na tela, assim, pela expressão. E ele tem essa explicação a mais, né? Com o pensamento em off. Mas enfim, acho que apresentou muita gente a Duna.
o do David Lynch. Não é o melhor dos filmes, mas não é a melhor das adaptações, muito longe disso. Mas, assim, eu tenho uma relação com eles como eu tenho relação com o filme do Percy Jackson. Ah, tem todas as coisas erradas que podem ter? É. Mas assim, tá lá, sabe? Apresentou uma geração, uma galera, o que é aquela obra. Então, acho que é válido nesse sentido. A gente olhar pra trás com um certo olho assim, ah, um certo carinho.
Falar assim, ah, beleza. Não foi o que a gente queria, mas tá lá. Existe e é bom que exista. É.
Vale citar também que tem uma minissérie para TV, dirigida pelo John Harrison, lançada em 2000 e também em 2003. O 2003 é o Children of Dune, que tem inclusive o James McAvoy no elenco. E também tem a série de 2024, Duna, a profecia, que conta a origem das BNJs. Mas...
Vamos falar do Grande, né? O Grande é considerado um dos melhores filmes de ficção científica da atualidade, né? A versão mais recente. Duna Pedro é um livro que, por si só, é muito difícil de adaptar. Mas o Denis Villeneuve sempre teve esse sonho, né? Ele já falou sobre isso.
E aí ele foi dirigir A Chegada, foi dirigir Blade Runner 2049, que são dois filmes muito bons. E aí, em 2021, ele lança Duna. Ele foi fazer laboratório, assim. Foi se... Habituando com a ficção científica até chegar em Duna.
Vamos começar então fazendo um resuminho do primeiro filme, né? Qual é o plot, o enredo, pra falar em português, o enredo de Duna. Duna é referente ao planeta Arrakis, que é um planeta do sistema solar lá deles, né? Que é um sistema solar mais longe da Terra. Porque na história de Duna é. Humanos já colonizaram outros planetas. É muito, muito, muito no futuro.
Então, Arrakis é um lugar que tem a... É o único lugar do mundo que tem a especialidade melange, que é o que permite que viagens interplanetárias sejam feitas, porque ela dá um outro estado de percepção à pessoa e aos navegantes, porque em Duna não é permitido que existam máquinas que copiam o pensamento humano, ou seja, computadores. Então, para eles viajarem, para eles fazerem todas as ações que um computador faria, eles precisam de humanos ultra-qualificados.
E a Especial Emelange dá essa percepção a mais e é o que permite que a viagem independentária aconteça. Que o comércio e tudo mais do Império se estabeleça. Esse Planetar Harkis era dominado por muitos anos pela família Harkonnen.
São os carecas. São os carecas. No filme de 84, eles são loiros. O Sting é um deles, né? O Sting é o loiro. Nessa, eles são carecas. E eles governam, assim, com um bom de ferro, aquele lugar. E oprimem aquela... O povo nativo, né? Que são os Fremen. E isso aconteceu por 80 anos.
De um dia pra outro, o imperador falou assim, não, eu quero que essa casa seja governada pela casa Atreides, que é a casa do Paul Atreides, que é o nosso protagonista. O duque, que é o pai dele, o duque Leto, vai governar esse lugar. O livro começa nesse ponto. O ponto é, o Paul acorda e fala assim, meu pai foi convidado pra... Convidado, assim. O imperador falou, você não é convidado, você é intimado. É a comandar, a governar o planeta Hacks, a gente vai se mandar pra lá, vamos pra Hacks.
A família se muda pra Arrakes. E lá recebem um golpe de estado. Os Harkonnen voltam ao poder junto com o Imperador. E aí o Poe vai atrás de... O Poe vai ter que fugir desse lugar, né? Vai ter que escapar disso. Ele vai atrás de reaver o comando daquele lugar. Reaver o comando de Arrakes. E o Poe, o protagonista, ele não é só... Não é que ele é o escolhido. Assim, tem muita aquela coisa do escolhido que foi o...
aquele que nasceu pra ser o novo líder, nasceu pra salvar tal coisa, como tem o Neo, como tem Harry Potter, alguma profecia desse tipo. O Paul não é que ele nasceu assim, ele foi moldado pra ser isso. O Paul, ele é filho da Lady Jessica, que é uma Bene Gesserit, que é uma ordem feminina. E ele nasceu quando deveria ser, que eles têm contudo sobre isso, ele deveria ter sido uma menina, não é seu menino.
Ela controlou pra que isso acontecesse. Porque a ideia era que o Paul fosse a geração anterior ao Lissana Gaib. Que seria o... O grande herói, né? O grande herói. Das profecias dos Fremen, né? É, dos Fremen, que é uma profecia que não é uma profecia natural. Ela foi realmente implantada ali pra ser isso.
Que isso é uma coisa que a série de 2024 começa a contar, né? Que é lá no começo das BNJS. A série acho que é 10 mil anos antes do filme ou algo do tipo. É bem o iniciozinho da irmandade que seriam as BNJS. No filme elas já são bem mais estabelecidas já, né? E aí veio o Paul. E o Paul é treinado na arte BNJS desde criança. O que é dito que é quase impossível um homem aguentar o que as BNJS aguenta.
Lacrou. É sobre. É sobre. É, o homem não vai aguentar o que a mulher aguenta. Mas é exatamente toda essa ideia da série. Essa é a alegoria, né? E por ele ser treinado desde criança, ele tem uma sensibilidade, digamos, ímpar ali no universo. Ele é treinado com os mestres de luta dele desde criança e mesmo que ele é treinado nas Ashmen e as Jets. Então ele tem uma resistência a impulsos, a dor, a tudo mais, um controle emocional e físico.
muito grande, mas também porque ele é um ótimo lutador. Então, quando eu falo que o povo foi moldado, é isso, ele foi moldado pra ser o grande herói, porque toda a criação dele levou ele a isso. E que tem essas profecias dos Framing, né, em Arrakes, que são que o Lisanar Ghaib, que é a voz do mundo exterior, vai vir e salvar o povo da opressão e tudo mais. É uma profecia que começa a ser desenvolvida no primeiro filme e é bem, aí você vê ela acontecer realmente no segundo.
Bom, a gente consegue ver que é uma história muito densa. Uma história com muitos elementos, muita história por trás. Que é muito difícil de adaptar para o cinema, quando a gente fala, né? Porque o cinema é o quê? Duas, no máximo três horas ali de filme. E tem todo esse background para explicar. E aí, Duna, parte 1 e parte 2, eles adaptam um livro só. Isso. Que é o Duna mesmo.
que foi uma escolha massa, assim, pra permitir aprofundar mais, né? Tanto que esse Duna 1, ele é um pouco mais lento, é mais de chegada. Eu acho que vale ressaltar algumas informações, né, sobre Duna parte 1. Primeiro, o elenco, que é um elenco bem, assim, de grandes estrelas. A gente tem o Timothée Chalamet, a Rebecca Ferguson, o Oscar Isaac.
Josh Brolin, Stellan Skarsgård, Dave Bautista, Stephen McKillen Henderson, a Zendaya, o Chang Chan, a Sharon Duncan Brewster, Charlotte Rampling, o Jason Momoa e o Javier Bardem, que é o grande querido que fica gritando Lisal Caíbe o tempo todo.
É um elenco de grandes estrelas, né? E o Timothée Chalamet entrou para esse elenco bem no grande ápice da carreira dele, né? Foi. Inclusive, a gente está falando sobre isso, sobre como a Bésbara e a Jesser se organizam, né? Que elas são exclusivamente mulheres e que ele estaria nessas artes mesmo não podendo, né? Ele estaria nessas artes mesmo não podendo. O Danny Villeneuve fala que ele escalou o...
Timóteo, Timothee Chalamet, por essa energia feminina, que ele via nele uma coisa meio andrógina e que achava que era perfeita pro Paul. Eu acho que combina, porque existe muito esse clichê quando a gente fala, principalmente de fantasia, de ficção científica, de jornadas do herói, essa coisa do homem muito másculo que chega pra salvar todo mundo, eu acho que...
Dei uma detupada, porque toda a questão de Duna é que não é o poder físico, é o poder político. Sim. As alianças, as casas que têm mais arma, etc. E toda a ordem em volta, o imperador é uma figura masculina, mas a ordem em volta, digamos que fosse uma ordem religiosa, que são as menegésicas, é uma ordem feminina.
Então assim, quem tá mexendo os cordões do universo são mulheres. Mesmo que sejam às vezes por trás dos panos, assim, uma coisa mais escondida, mas elas tão ali influenciando tudo, fazendo tudo acontecer do jeito que elas querem.
Sim. Duna custou 165 milhões de dólares e arrecadou cerca de 400 milhões. Lembrando que foi lançado nos cinemas bem na pandemia, né? Foi uma das, se não há, maiores estreias durante a pandemia. Eu queria, Pedro, que a gente tirasse um momento para comentar sobre a trilha sonora de Duna.
que é encabeçada pelo Hans Zimmer. Genial, né? É só a maior compositor da atualidade, assim. Vivo, é. E o Hans Zimmer, inclusive, na época de Duna, acho que foi a época que ele teve aquele divórcio com Christopher Nolan, porque era a época que também ia ter Tenet ali, e ele escolheu fazer Duna e... Sem Tempo Pra Morrer, que foi o 007, né? O último 007 que teve.
E ele acabou não fazendo Tenet, não fazendo Oppenheimer, que foi um filme seguinte do Chris Nolan, pra fazer esses projetos. E eu acho que é muito bonito como ele se dedica nesses lugares, porque você vê ele falando, você vê ele... Ele estrinchando, ele fala com carinho, não é só uma coisa assim, ah, é um filme qualquer. Ele realmente entrou naquele universo, ele manda pro Danny Villeneuve até o... Ele falou que assim que ele terminou a parte 2, ele já mandava pra ele coisas sobre a parte 3, ideias de, ah, esse aqui vai ser o tema de tal personagem. E ele, assim, casou perfeitamente com esse universo, é um...
Aquela forma estridente dele de compor, né? Que assim, sempre aquele... E sobe e casou, assim, demais. É uma trilha sonora muito perfeita, assim. Uma das melhores dos últimos anos, com certeza. O que eu acho o mais curioso sobre a trilha sonora do Hans Zimmer é que ele criou instrumentos novos, né? Só pra esse filme.
No livro tem uma descrição do Balisset, que é um instrumento da série fictícia do livro. Seria algo, sei lá, como um violão, um ukulele modificado. Eu acho que ele tenta trazer essas coisas de um som novo, um som próprio desse universo. É basicamente essa ideia de adaptar essa ideia que tá no livro já, de uma musicalidade própria pro filme, né?
Uma musicalidade também única ali. E também pra casar com essa ideia de ser, enfim, um futuro muito, muito distante. Parafraseando Star Wars. Um futuro muito, muito distante. Uma coisa meio desconhecida, meio inóspita. Enfim, muita fantasia. E é uma coisa surpreendente. E o legal dele não ter produzido pra Oppenheimer é que agora a gente tem outro compositor que tá... ...do que eu tô trabalhando agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora
surrupiando todos os Oscars. É que levou três já com 40 anos. Que ele fez Oppenheimer, né? Ele fez agora... Pecadores. Pecadores. E ele começou com... Ludwig Gorenstein. Sim. Que ele começou... Eu conheço até ele bem antes que ele fez a trilha sonora de Community, que é uma série de comédia. Aí depois disso ele foi pra Creed, quando ele realmente chegou pro cinema, quando ele começou a trabalhar com o Ryan Coogler, que os dois foram colegas de faculdade. E aí tá aí ganhando tudo quanto é Oscar e arrasando.
Bom, outra coisa que o Denis Villeneuve acerta muito nesse filme é toda a cinematografia, né? A construção de mundo. Como eu falei lá no começo, na conversa com o Pedro Antônio, Duna é um livro, é uma história, uma ficção muito rica e muito detalhada, com esses universos todos, e é muito difícil de se adaptar, né?
Tu acha que essa adaptação acertou na representação dos mundos e das culturas de Duna?
Com certeza. Com toda certeza, sim. E ele fez questão de dar uma identidade própria a cada. No livro, a gente passa pouco tempo em Caladan, que é o planeta natal da casa Atreides e do Paul. No filme, ele fez questão de passar umas meia hora ali, admirando Caladan, admirando os oceanos de Caladan, pra quando a gente chegar em Arrakes, que é a duna do título, né?
A gente ter esse contraste. Que a Harkis é pura deserta, pura areia. E você vê que em Calodan tem um jeito de se vestir, um jeito de se portar. Forma como as coisas acontecem, as paisagens. Em Calodan, em... A Harkis é outra coisa. Os Framing tem uma cultura toda própria de vestimenta, de... Ornamento, de tudo mais. E forma como eles...
diferencia tudo isso. Na parte 2, ele chega a mostrar Gage Prime, que é o planeta dos Harkonnen, que é também preto e branco, tem outra distinção, que você sabe exatamente de onde ele tá falando, o que ele tá mostrando ali. Então, ele foi... é bem cuidadoso nesse sentido, é bem...
Tem um esmero ali realmente da produção de pensar cada mundo, cada cultura, cada povo ali com uma certa distinção. As BNJs tem seu próprio jeito de se vestir, de se portar. Então assim, foi completamente acertado. O diretor de fotografia de Duna é o Greg Fraser.
que também ganhou o Oscar por Duna na época, pela parte 1. E se fosse por mim, ele teria pelo menos uns três. Seria por Duna, parte 1 e 2 e por Batman, que ele também fez a fotografia, ele também é ótimo. E o cara, assim, pra mim ele é o mago da luz, assim. Ele sabe fotografar. Ambiente fechado, ambiente aberto, de como ninguém, assim. Ele não tem limites, porque ele consegue capturar em tela.
O visual de Duna é realmente outra coisa muito impressionante. E aí você falou de Oscar. Vale ressaltar, né? Em 2022, Duna Partiu ganhou seis prêmios. Melhores efeitos visuais, melhor som. Trilha sonora original pro Hans Zimmer. Edição, fotografia e design de produção. Todos aí prêmios técnicos, né? Que apesar de Duna ter atuações muito boas, a parte técnica é o grande trunfo. Pelo menos pra mim.
Se fosse eu votando, eu votaria em mais prêmios pra ele. Mas, é, realmente, assim, a parte técnica brilha mais do que qualquer outra coisa, eu acho. Mas não querendo dizer que a história não seja forte bastante, porque ela é. Eu acho que é bem marcante, assim, as pessoas lembram, as pessoas lembram do que é o Lissan Gaib. Elas têm essas ideias bem fortes, mas, realmente, assim, ele te pega pelo visual, assim. É uma experiência visual muito marcante. Inclusive, é o primeiro filme que eu vi em IMAX.
que me despequei até a barra, né, barra de duca pra ver IMAX no Rio. E é outra coisa, assim, surpreendente. Porque outra aparece na internet, o pessoal comparando assim, ah, isso aqui é o que você ganha na tela IMAX. Aí tem a tela cortada da versão 16.9, que é a versão comercial mais ampla, né. Inclusive a versão que tá hoje em dia pra ver em streaming e tudo mais. A versão que não tem toda a amplitude de tela que o IMAX tem.
Eu espero que um dia seja lançado, porque pelo amor de Deus, não tem como. É muito surpreendente.
E aí, mais uma vez, você falou de streaming. Duna está disponível para assistir na HBO Max. Inclusive, foi por lá que eu assisti. Muito bom filme. Pedro, vamos para o intervalo rapidinho. Mas daqui a pouco a gente está de volta para falar de Duna parte 2. Falar um pouquinho também do enredo dessa segunda parte. Dessa adaptação da segunda metade do livro. E mais algumas curiosidades e informações sobre a parte técnica.
que triunfa mais uma vez, né? Indo na parte 2. E se você sintonizou aí no meio da conversa, tá um pouco perdido, deixa eu lhe explicar. Esse aqui é Ossum Filme, o programa das quintas do cinema, aqui na Paraíba FM, onde a gente se junta pra falar de cinema, né? Da sétima arte.
E hoje eu, que me chamo Ângela Duarte, estou acompanhada do meu colega aqui da Paraíba FM, o Pedro Antônio, que é um grande fã de Duna. E a gente está falando sobre esses dois filmes, Duna Parte I e Duna Parte II, dirigidos pelo Denis Villeneuve e que no final de 2026 está chegando aí Duna Parte III para encerrar essa trilogia aqui, que emocionou e encantou os quatro cantos do mundo. E agora a gente fala do mais recente, Duna Parte II.
lançado em 24, lembrando que esse papo aqui já é um grande esquenta pra dezembro de 2026, que é quando sai do Na Parte 3, aí pra encerrar essa trilogia. Pedro, vamos lá, a gente terminou o primeiro bloco falando de Oscar e de streaming,
Eu já vou pegar logo esse gancho, antes de qualquer coisa. No Oscar de 2025, o Duna Parte 2 venceu na categoria de melhores efeitos visuais. Foi indicado também pra melhor filme, design de produção, som e fotografia. E também tá disponível na HBO Max. Eu lembro, na época que lançou, todo lugar que eu ia assistir algum vídeo, qualquer coisa, a galera estava fazendo aquele canto.
Então, o orçamento de Duna Parte 2 foi 190 milhões e arrecadou cerca de 700 milhões de dólares, bem mais do que a Parte 1. Mas lembrando que a Parte 1 foi lançada durante a pandemia também, né? A Parte 1 teve várias coisas contra ela. Ela era pra ser lançada em 2020, não foi. Por causa da pandemia, justamente. Foi pra 2021. Só que 2021 foi naquela época que a Warner tava com um esquema de lança no mesmo dia na HBO Max e no cinema. Oxi, quem é que vai querer sair de casa?
justamente. Foi essa a questão. Até que saiu bastante gente de casa na época, né, pra ver. Eu, inclusive. Inclusive, minha foto no dia de Veduna, que eu tava sem a foto no cinema, mas a parte 2 já chegou num cenário bem mais favorável, porque ganhou... Tava com todo aquele hype da parte 1, que foi muito bem elogiada, ganhou prêmios, foi... O pessoal realmente gostou, o pessoal tava animado. Então a parte 2 chegou com muito hype em cima dela.
Ela também teve um adiamento pela greve, ela ia chegar na final de 2023. A greve dos roteiristas.
Foi, o roteirista e atores, né? Naquela época. O Sager. Ela ia chegar em 2023 e chegou em 2024, em março. Foi bem prestes a meu aniversário.
Então você lembra bem, né? Eu lembro bem. É, ela ia chegar em 14, acho que era no dia do menino. Aí foi adiantada duas semanas, pra dia 2 de março. E estava eu lá no IMAX, de novo, pra ver. Ah, zo. Entram no elenco de Duna Parte 2 a Florence Pugh, o Austin Butler, o Christopher Walken e a Lea Cedot. Lea Cedot, atriz francesa maravilhosa. Adoro ela.
Esse elenco, cara, é coisa de outro mundo, assim. Acho que às vezes a gente não valoriza o tanto que gente boa que foi reunida nesse elenco. Porque, cara, você tem Christopher Walken pra fazer o Imperador, importantíssimo, sabe? Tem a Florence Pugh também é ótima, o Austin Butler, alguns dos melhores atores jovens que a gente tem aí em Hollywood. Era isso que eu ia dizer. Tem um elenco jovem muito bom, né? As grandes estrelas da...
Dessa época, né? Tem a Florence, a Zendaya, o Timothee Chalamet, o Austin Butler, que tinha acabado de estourar com Elvis, né? Então, ao mesmo tempo que traz esse elenco já muito solidificado, né? Tem, além do Christopher Walken, o Javier Bardem, que é maravilhoso. Enfim, também aposta nessa juventude aí que tá dominando, né? Tudo que tem, assim, de bom, pelo menos um desses atores tá no filme.
É, e Não Satisfeito vai ter... Nesse filme já teve a participação da Anne Taylor-Joy, bem rápida. E ela vai ter um papel muito mais significativo agora no 3. Então, assim, é mais uma dessa nova geração que tá aí. É como o elenco de Era Uma Vez em Hollywood. Sem saber, você tinha ali vários...
exemplares da nova geração do que viria nos anos seguintes em Hollywood. E Duna tem um espírito mais ou menos nesse sentido, assim. É um elenco muito bom, muito estrelado de atores que não são só assim, ah, roxinho bonito de revista. Eles são lindos, o que é um elenco esteticamente perfeito, mas eles são muito, muito bons. E são ótimos nos papéis que eles fazem ali. Estão muito bem encaixados.
Essa cena que você falou da Anna Taylor Joy. Eles... É um easter egg, né? Uma surpresa. E eles viajaram pra algum país do continente africano. Uma equipe exclusiva. Só pra gravar essa cena de um segundo, dois segundos. Ela tinha acabado de gravar Furiosa. Ela conta o seu história na entrevista. Ela tinha acabado de gravar Furiosa. Denis ligou e falou assim. Ania, vem pro meu filme. Eu te prometo... Ele faz assim. Ele fala. Vem pra esse filme, mas eu te prometo o papel maior no próximo.
Ele fez isso com ela e com a Flores Pio Prometo que você vai brilhar no próximo Agora é um papel pequeno, mas eu juro que no outro Você vai ter mais espaço Aí ligou pra ela e falou, vamos, claro Meu sonho é quem não quer trabalhar com o Danny Vinenev E foram gravar rapidinho É um negócio brevíssimo No filme Mas ela tem um personagem muito importante Que vai ser muito importante realmente nessa continuação Nessa parte 3
Antes da gente mergulhar novamente nessas partes técnicas e em alguns detalhes do filme, conta para o ouvinte rapidinho do que se trata o enredo de Duna Parte 2.
No Lan Part 2, ele pega no momento exato que a parte 1 termina, que é o Paul indo se unir aos framing, né? Eles começaram a caminhar no primeiro, e eles continuam caminhando no segundo, até chegar à base, que é o Sit-Tabber. E ali a gente vai ver realmente as coisas explodirem. Se a parte 1 teve muita preparação, o que eu também acho ótimo, mas teve muita gente que falou que era um filme muito parado, que era um filme muito...
lento, que não chegava a lugar nenhum. Porque realmente, ele vai chegar agora. Agora é realmente onde as coisas acontecem. E ele conta essa aliança do Paul com os Framing e como eles vão combater os Harkonnen. E o filme é isso. E você tem novos personagens chegando ali, novos componentes chegando à trama, né? Que é o Faden Rauter, que é o personagem do Austin Butler. É um oponente muito físico pro Paul, muito a antítese do Paul.
Que é o sobrinho do barão. Que também vai chegar ali pra apoiar essa causa deles. Dos Harkonnen. E tentar fazer oposição ao Paul. Nesse filme o Paul realmente se torna um Framing. Uma parte dos Framing. E ele ganha um novo nome. Que é uma parte também bem importante do livro. Que o Paul, de Paul Atreides, ele vira Moadib.
que é o nome que ele escolhe pra ele e Moadib nesse universo é um ratinho do deserto, um ratinho assim meio orelhudo, que aparece algumas vezes no filme como uma referência e esse ratinho ele tá parece que faz uma sombra na lua tem uma coisa também nesse sentido
E ele fala... ele escolhe esse nome, que é um nome que seria de um... uma criatura pequena, uma criatura mínima. Ele escolhe esse nome pra ele. O Alge-Digal até fala assim... Não, ele é sábio. Moadib é um nome que carrega muito simbolismo. E o Paul vira Paul Moadib e vira o Sulu, que é o nome de guerreiro dele que tem entre eles ali dentro do Sitch. Agora você é nosso irmão.
E começam a fomentar aqueles boatos. O Paul é um cara muito preparado. Ele tá aqui no meio dos frames. Será que ele é o Lisonar Ghaib? Será que a gente tá vendo o Messias chegar nessa figura messiânica? E é quando realmente essas coisas vão acontecendo. Porque, inclusive...
alimentada pela Lady Jessica, que ela tá ali realmente, ela vira reverenda mãe dos Framing, e nesse filme talvez seja a decisão mais inteligente que o Danny Van Davis tenha feito, que ele faz a personagem da Shani, a personagem da Zendaya, ser uma oposição a essa ideia.
A Shani é a parceira do Paul, nos livros ou nos filmes. Eles se apaixonam, o amor deles é lindo de ler, lindo de ver. Mas ela ama o Paul. Ela ama Moadib. Ela não quer saber do lição da Gaib. Ela fala, essa ideia é furada, vocês estão encreditando numa profecia que só vai fazer de vocês escravos de uma ordem maior. Vocês estão assim...
Vocês estão afundando numa ideia que não vai levar a nada. Se a gente tem um salvador, salvador tem que virar o nosso povo. Não de fora. Então a Shani, ela incorpora no filme essa dualidade. Ela ama o Poe, ela ama o Moadib.
Ela detesta essa ideia do Lissana Gaib. E ela vai guiar a gente. A gente vai ser os olhos do público, né? Pelo menos é essa a proposta do Denis Villeneuve, que a Shani seja os olhos do público pra gente entender os perigos de uma profecia, assim. Os perigos de acreditar cegamente numa fé e numa figura como seu salvador e a solução dos seus problemas.
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E aí, quando você vê o filme, acho que não precisa nem a gente ler o livro, porque o filme traz isso muito bem, são as inspirações do Frank Herbert, que é o autor do livro, com as questões da cultura da Ásia Ocidental, a questão do próprio alfabeto, a língua dos Fremen, que se apropria muito das línguas da Ásia Ocidental, do árabe, do péssica. É, remete muito ao árabe ali.
até as vestimentas dos personagens também. Como é que você vê isso, essa adaptação dessas influências no filme?
Inclusive, uma das críticas que existe às duas partes, eu acho até críticas bem válidas, que os Fremen deveriam ser compostos por mais pessoas do... Pessoas da Ásia Ocidental. Que existe até no segundo filme, tem uma personagem que é árabe, dos Fremen. Porque tem essa questão de...
É um povo do deserto, um povo ali que tem uma tradição muito forte, que é oprimido por pessoas que querem explorar um recurso natural. Gente, não é tão difícil. A gente tá falando de petróleo, a gente tá falando de invasão a países...
do Golf Pérsico, países que têm esse recurso abundante. E Duna sempre foi sobre isso, desde 65, estava ali a crise do petróleo acontecendo, e que continua sendo. Então são pessoas que, são grupos que invadem esses lugares, oprimem esse povo e vão atrás desses recursos, exploram recursos até não poder mais.
E no meio disso tudo, a salvação viria de um homem branco que faz parte desse grupo opressor. Então, aí ele coloca toda essa questão de, a gente vai realmente acreditar nisso? A gente vai acreditar que a salvação vem de fora? Que a salvação vem de uma figura que não é um dos nossos, não representa a nossa cultura?
Então a parte 2, assim, mergulha nisso de cabeça e explora tudo isso da melhor forma possível, pelo menos eu acho. Que talvez até o livro não tenha explorado tão bem de primeira, assim. Porque Duna em si é muito, muito bom, mas Duna fica melhor ainda quando você lê como é esse de Duna, que é a continuação. Duna tem 600 páginas, basicamente.
E Messias tem 200. Então, assim, tudo que não ficou claro pra você em Duna, Messias deixa claro. Eu falo assim, não. Esse cara aqui, tá vendo? Esse Poa Trade, ele não é um herói. Caso não tenha ficado claro, ele vai ser responsável por muitas mortes. Tipo, muitas mortes.
A Jihad, né? É. Então, isso é uma coisa que eu vejo acontecer muito quando a gente fala de filmes de ficção científica. Star Wars também já foi alvo desse tipo de comentário. Mas existe muito esse apagamento da ideia de que esses filmes todos são alegoria para alguma coisa real.
Star Wars fala sobre ditaduras, fala sobre opressão governamental, Duna fala sobre crise ambiental, sobre colonialismo, salvadorismo branco. E deveria ser mais um jeito de, de forma até lúdica, ilustrar os problemas reais, mas que acaba sendo transformado em só mais uma aventura.
Eu lembro que eu estava lendo, né, para preparar esse roteiro. O segundo livro, que vai ser adaptado no terceiro filme, né, Messias de Duna, ele foi escrito depois que o John Herbert, o Frank Herbert, desculpa, percebeu que as pessoas estavam começando a idolatrar o pau ao trades, né. Sendo que o...
O Atreides, e isso é uma coisa que fica muito clara no segundo filme, depois que a Lady Jessica toma água da vida, inclusive, é que ele é um grande peão, uma grande peça nesse jogo de dominação.
Então é uma coisa que precisa ser muito falada. Esses filmes são de entretenimento, mas também merecem ser vistos com esse olhar mais crítico, de entender que eles falam sobre uma coisa real. Não é porque é ilustrado como uma coisa que está acontecendo num futuro muito distante, em uma galáxia do outro lado do mundo, que não seja algo da gente também.
É, assim, eu acho muito legal toda essa parte comercial, eu acho muito legal a gente ter um funko do Poitrides, é muito legal ter um livro de Duna com as fotos.
E falar, ah, eu lição a Gaibe, não tem jeito. Acho legal, acho muito engraçado. Eu mergulho nisso de cabeça. Mas, assim, não esquecer de tudo que tá por trás, sabe? Não olhar pra isso de forma acrítica. Eu acho que é o que a gente acaba fazendo muito atualmente, assim. Até porque, às vezes, a gente quer ver um filme pra esparrecer. A gente quer ver um filme pra esquecer das coisas. Mas, meio que...
Pelo menos saber, né? É bom saber disso. É bom saber o que você tá se metendo. Entender o que você tá se metendo. Entender o que você tá assistindo. O que você tá consumindo. Pra mim, ele tem que vir com isso, sabe? Porque senão você tá perdendo metade do que faz a obra tão interessante, pelo menos. Com toda essa ideia. Como você falou que o Frank Herbert realmente escreveu o Messias de Duna a partir dessa ideia de assim... Eu não quero que vejam um povo como um herói.
Acho que tem muito a ver com isso, as pessoas olharem pra Luna e falarem assim, olha, mais um filme de ficção científica com um herói que vai salvar todo mundo. E o Paul, realmente, ele é um peão nessa história toda. Não tira a culpa dele de ser... Uma pessoa, no final de contas, ele é ruim. Ele é ruim, mas ele não tem... É como assim, ele não tem uma opção além de ser ruim. Ou ele é ruim ou ele vai deixar todo mundo...
tudo se acabar. Também é uma opção que você vê e pensa assim, tá, talvez se fosse melhor? Não sei. Mas os métodos dele são completamente assim, insanos. É questionável, realmente são métodos ruins. E o Danny Villeneuve, sabendo dessa repercussão no primeiro livro, ele usou, ele faz uma entrevista, ele usou a Zendaya, a Shani, como contraponto pra that.
Já desde antes, assim. Ele não falou assim, eu não vou esperar chegar em Messias pra explorar essa ideia de que ele não é um herói. Eu vou fazer no meu filme ter alguém que vai deixar esse ponto bem claro, que é a Shani. A Shani, no livro, é uma personagem que ela é a parceira do Poe. Ela é forte por si só, mas ela também tem uma participação meio passiva nesse sentido. O Poe...
Vou fazer o máximo possível pra não dar spoiler. No fim do livro, no primeiro livro, ele tem uma decisão. Toma uma decisão que é necessária pra ele obter o que ele quer. Mas é uma decisão que deixa a Shani de lado. E a Shani no livro, ela se fala assim, ok. Vou ficar aqui, vou me relegar ao meu espaço, ao meu lugar. Ela não acha legal, ela não comemora, mas ela fala assim, entendo que é isso que precisa ser feito.
Ela aceita. No livro, o filme tem essa ruptura muito forte que eu acho lindo essa ruptura existir, que é a Shani não aceita. Quando todo mundo no fim do filme, se curva o Poe, ela sai. Ela vai sozinha seguir o rumo dela.
E, nossa, eu acho a cena mais linda do mundo, assim, provavelmente. Que é uma música muito, muito triste acontecendo enquanto a Shani sai e todo mundo em volta se prepara pra uma guerra. Prepara pra atacar as casas que não aceitaram o Boatrides como o Grande Imperador. Que também a gente tem esse significado pelo Stilgar, né? Que é o Ravir Baden. Ele é o personagem que é a fé cega. Ele quer acreditar naquilo.
Ele fala, não importa nem se você não acredita. Ele fala isso pro Paul. Eu acredito, eu quero que você seja essa figura. Você vai ser porque eu preciso que isso aconteça. O Stilgar, ele é isso, enquanto a Shani é o completo oposto. E ela sai, a música triste, tocando, a guerra acontecendo, ela vai seguir o próprio caminho. Então, a Shani do filme, ela é pra ser a gente, ela é pra mostrar como entender essa história. Essa história é trágica, essa história é muito triste.
Porque não há dúvidas que o Paul e a Shani se amam. Uhum. E o modelo deles é construído de uma maneira muito linda. Tem uma cena, hoje em que eu revi o filme, uma cena que eu não tinha me reparado assim, não tinha reparado quanto ela é bonita. Que é quando o Paul é largado no deserto, pra ter meio que um teste framing ali, e já tá anoitecendo. Ela encontra ele e fala assim, ah, você tá fazendo errado, faz assim. Faz assado. Ela vai dando os caminhos pra ele. E os dois caminham.
Porque ele tem um termo em Duna que é o sandwalk, eu acho que em português é caminhada pela areia, algo do tipo, eu não lembro agora. Que você tem que caminhar do jeito certo para não atrair verme de areia.
que são as grandes minhocas. As grandes minhocas. Que todo mundo sabe do que eu tô falando. Se você já vê alguma coisa de dona, sabe que são essas grandes minhocas. Então, existe um jeito certo de andar pelo deserto. E ela vai ensinar pra ele e os dois andam assim, meio sincronizados. É uma cena linda, assim. Filmado com eles sincronizados, andando. Que é fazendo aquela caminhada, né? Na areia. A lua, aquela... Nossa, é muito bonita.
É uma cena de amor muito bonita. Você vê eles se apaixonando ali. Eles meio que sintonizados ali. Uhum.
E vão ter a ruptura mais tarde, quando o povo fala, não, tem que fazer isso, tem que ir pro sul, tem que tomar a água da vida e virar o messias que eles querem que eu seja, porque é isso ou esse povo vai ser dizimado. Então, eles se afastam com essa questão de... Esse sentimento de...
propósito, de obrigação que cada um tem a Shani com o seu próprio povo, com as próprias crenças e o povo com esse papel de messias e eles se separam, eles se no filme no caso, porque no livro isso não acontece no filme eles se separam, no filme eles tem essa ruptura
Mas o amor existe, o amor tá ali. Ele só não pode ser... Concretizado. Não pode ser concretizado, é. E é muito triste o final de Duna, parte 2. E eu acho que... E uma coisa que talvez não seja se fica tão claro pro pessoal que vê o filme. A Shani tá quase chorando no final. E pra um Framing chorar, é muito... É muito específico, assim. É muito incomum. Porque os Framing vivem numa cultura sem água. Eles usam trajes que reaproveitam toda a água do corpo deles pra eles mesmos.
É uma retroalimentação, talvez, da água, dos nutrientes, né? Então, eles falam, nós não damos água aos mortos, não derramamos água pelos mortos, que no caso é chorar por luto. Então isso é muito incomum pro Framing, isso é muito raro pro Framing chorar. Eles têm uma cultura que isso não é bem visto. Você tá desperdiçando água, você tá desperdiçando nutrientes. E a Shani, nesse momento, ela tá quase chorando pelo que o povo se tornou, e o que o povo dela tá se tornando. Ela tá com os olhos marejados, assim.
É muito lindo.
Talvez eu vou mostrar o caminho.
Pedro, a gente tem um pouquinho de tempo e eu queria muito que a gente terminasse comentando de uma parte da cinematografia de Duna parte 2, que é simplesmente fenomenal, que são as cenas no planeta dos Harkonnen, que é Gery Prime que fala.
Tem essa coisa, quando a gente lê, a gente não sabe direito como é que é o... Tantas coisas que no filme eu li diferente do filme. Eu falava Harkonnen, é Harkonnen. Bom, enfim. Eu falo Bene Gesserit, não sei se é Bene Gesserit mesmo.
No universo de Duna, esse planeta dos Harkonnen, ele tem uma lua preta. Então tem toda uma explicação científica ali do universo. Mas quando eles foram transmitir para as telas, eles colocaram tudo em preto e branco. Mas não é um preto e branco com escala de cinza, que nem a gente vê normalmente. Não, é preto e branco.
É porque quando eles estão ao ar livre, que é esse caso da arena, né? O sol não ilumina, assim. Não tem uma iluminação como a gente... Acho que é só infravermelho ou algo do tipo. Isso. É só luz infravermelha. E eles usaram uma câmera infravermelha nesses momentos. Cara, é... Genial, né? É assim, é outro nível de produção, sabe? É muito nível de cuidado.
E foi justamente a cena de apresentação do Fade Houta. Que é o grande oponente direto do Paul, digamos assim, nesse filme. Apesar de ele só se encontrar realmente no final. Mas você tem que entender que o Fade Houta, ele é uma ameaça física, ele é uma ameaça brutal. E é o que a gente vê nessa cena, que é ele lutando com alguns dos últimos remanescentes da casa Trades. Que foram capturados e estão ali dopados.
E essa cena é fenomenal. Por esse uso, enfim, esse detalhe do uso da câmera infravermelha. Vale a pena conferir. Como eu falei, gente, Duna parte 2 está disponível na HBO Max. Tanto a parte 1 quanto a parte 2. E no final do ano, no final de 2026, a gente tem Duna parte 3. Que traz aí o encerramento da trilogia, o encerramento dessa jornada.
do Power Trades, e traz como grande novidade o Robert Pattinson e a Anna Taylor-Joy, né, no elenco. Bem rapidinho, Pedro, só pra gente terminar. Expectativas pro terceiro filme? As melhores possíveis, só que seja um filme que mude minha vida, que eu não seja o mesmo depois de ter desala de cinema, só isso. Estão controladas.
Eu tô muito curiosa pra ver o que é que o Hans Zimmer vai preparar pra gente. Porque o trailer já deixou todo mundo arrepiado, né? Com o canto do Lisão Gaíbe. O canto do Lisão Gaíbe, que é o Timóteo Falziano, né? O Timóteo Falziano, né? O Timóteo Falziano.
Pra mim, tem tudo pra ser o melhor ensinamento possível. E vamos lá, até dezembro. Até dezembro. Pedro, muito obrigada por ter topado, né? Fazer essa conversa. Valeu. Foi bem massa. Sempre bom falar de Duna. É, eu gostei muito. E eu espero que você, que esteja sintonizado, tenha gostado também. Tchau.
Este foi mais um episódio de Ossum Filme, recebendo hoje o jornalista Pedro Antônio. E muito obrigada a você que nos acompanhou até aqui. Meu nome é Angela Duarte, vou me despedindo. Mas se você perdeu alguma parte da nossa conversa ou quer ouvir novamente, é só pesquisar por Ossum Filme no Spotify ou no seu agregador de podcast favorito, que a íntegra do programa está por lá.
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