Episódios de Realpolitik

Alguma vez vamos sair da rodinha do hamster?

06 de maio de 202638min
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No "Realpolitik", Sérgio Sousa Pinto e Miguel Pinheiro falam sobre os planos para a Defesa, sobre o pacto na Saúde e sobre o futuro do pacote laboral.

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Participantes neste episódio2
M

Miguel Pinheiro

Host
S

Sérgio Sousa Pinto

Host
Assuntos6
  • Pacto da SaúdeIniciativa do Presidente da República · Pacto para os próximos anos · Adalberto Campos Fernandes · Serviço Nacional de Saúde · Ineficiência do sistema de saúde · Diálogo e compromisso
  • Pacto Laboral e Concertação SocialReforma laboral · Concertação social · Reunião da Segurança Social · CIP (Confederação da Indústria Portuguesa) · UGT (União Geral de Trabalhadores) · Não reintegração após despedimento ilícito · Outsourcing · Banco de Horas
  • O Mundo em Transformação e Liderança OcidentalMundo multipolar · Relação bipolar EUA-China · Desarticulação da NATO · Europa e Estados Unidos · Autonomia europeia · Emmanuel Macron · Eleições presidenciais em França
  • Transformação da economia portuguesaCrescimento económico · Aumento da produtividade · Reforma das pensões · Carga fiscal · IRS (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares) · IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) · IVA zero no cabaz alimentar
  • Forças Armadas e DefesaRetirada de tropas americanas da Alemanha · Donald Trump e a NASA · Programa de voluntariado militar em Portugal · Serviço militar obrigatório · Guerra moderna · Investimento em defesa
  • Cultura e política em PortugalParticipação do Chega em debates · Lei da nacionalidade · Normalização do Chega · Proposta de redução da idade da reforma · Passos Coelho
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O RealPolitik tem o apoio da IMAP, a metalomecânica responsável por 24 mil milhões de euros de exportações.

Bem-vindos ao Real Politico, uma conversa sobre política e atualidade todas as semanas aqui na Rádio Observador e em podcast. Eu sou o Miguel Pinheiro. Eu sou o Sérgio Sousa Pinto. E hoje vamos falar sobre dois pactos, ou dois possíveis pactos. O possível pacto na saúde que está a ser promovido pelo Presidente da República e o possível pacto na reforma laboral. Hoje houve novidades da parte da SIP. Já lá vamos, mas antes, Sérgio, podíamos conversar. Então...

Um bocadinho sobre defesa, lá fora Donald Trump anunciou que vai retirar 5 mil soldados da base dos Estados Unidos na Alemanha e está a ameaçar fazer o mesmo noutros países europeus.

cá dentro, a AD apresentou um programa de voluntariado militar em que um jovenzinho recebe cerca de 400 euros e a carta de condução, e em troca, aceita passar entre 3 e 6 semanas num quartel qualquer, imagino que a transformar-se num Ranger em 3 a 6 semanas, dá-me ideia que em Portugal...

nenhum responsável político tem a coragem de nos explicar que as coisas vão ter de mudar muito. Vamos ter de investir muito mais em defesa, vamos ter de ter muito mais gente nas Forças Armadas. Parece-me a mim. Mas, não sei como é que tu olhas para isto tudo.

Bem, eu tenho uma opinião a esse respeito, mas estou disponível para evoluir e mudar a minha opinião se for confrontado com argumentos persuasivos, porque, como é evidente, não são especialistas em questões militares. Agora, o que me parece é que...

nas atuais condições em que a guerra é feita não servem para nada mancebos com 4 ou 6 semanas de internamento no quartel de Abrantes. É a ideia que eu tenho mas posso estar enganado, se calhar...

saem dali diretos como mandar drones para as agências distantes. Não julgo que isso faça nenhum sentido. Já antes de termos observado as condições da guerra atual, tínhamos consciência que uma coisa era a efetividade de um exército profissional comparado com um exército assente na conscrição, não serviço muito obrigado a ele.

já existiam as maiores dúvidas sobre a utilidade do serviço militar obrigatório, já se invocavam argumentos atendíveis, mas que não tinham tanto a ver com a eficácia militar, tinham sobretudo a ver com a formação do espírito cívico, a ideia de incutir nos jovens uma ideia de serviço ao país. Mas diz-me só uma coisa, tu nos teus tempos da JTS, tu apanhaste essa guerra do fim do serviço militar ou não? Não, isso queres que te diga com franqueza.

eu acho que ainda apanhei, mas ela é anterior, ou seja, quando... Aos 16 anos já havia essa coisa. Mas ainda havia serviço militar, porque eu lembro perfeitamente ter feito aquela inspeção, se não era inspeção, tinha outro nome. Com o juramento de bandeira, eu não sei o que. Não, nada disso. Fim para lá fazer uns psicotécnicos.

Não fizeste o ambiente de bandeira? Não, eu não precisei de serviço militar porque estava na faculdade no meu tempo quase toda a gente era dispensada de serviço militar De qualquer forma tu achas que um eventual regresso do serviço militar obrigatório não resolveu os problemas da guerra moderna?

Da modernidade, guerra não, mas podia ter outras vantagens. Por exemplo, eu acho muito interessante a ideia dos jovens de todas as condições sociais durante um certo período conviverem, sobretudo numa sociedade tão dual como a nossa. Quer dizer, que experiência de Portugal, do que nós somos como sociedade e como comunidade.

podemos nós hoje ter com a proliferação dos colégios privados das escolas públicas quer dizer esta ideia Para ti seria mais uma experiência social do que propriamente militar Social e cívica, não é? Social e cívica, mas eu não estou a defender o SMO, estou a dizer que há argumentos

Eu acho que devem ser considerados na discussão. Uma coisa era a discussão que se tinha há 30 anos sobre o SM e outra é aquela que nós podemos ter hoje. E eu acho que... E também temos que perceber o que é que aconteceu neste período. Também fomos testemunhas das transformações na sociedade portuguesa.

Eu acho que esse convívio de pessoas de diferentes tratos sociais e experiências da vida tem vantagens para estreitar os laços entre todos como membros de uma mesma comunidade. Apesar dos diferentes destinos individuais, existe sempre um destino coletivo de que todos somos parte.

Mas pronto, lá está. Do ponto de vista militar, sinceramente, não percebo. Não percebo. Por outro lado, as Forças Armadas oferecem hoje em dia oportunidades interessantes, como elas próprias, têm que se sofisticar.

precisam de um tipo de pessoas, de quadros, com um nível de preparação completamente diferente. E, portanto, julgo que pessoas com vocação para certas áreas tecnológicas encontrarão nas Forças Armadas um nicho liciante. Agora não vejo o que é que isso tem a ver com a carta de condução, mas isso...

Vamos aguardar. É mais uma experiência social para utilizar a tua... Sim. Vem para as Forças Armadas e volto para casa ao volante. Eu estou a imaginar os quartéis com aqueles pindos para andarem a fazer ali manobras e a verem como é que se estaciona. Enfim, parece uma ideia. Acho que podemos dar o benefício da dúvida a esta experiência social.

Sério? Que generoso. Eu acho que sim, porque não. Ao menos estão a tentar fazer alguma coisa. Mas não te parece que isto é um pobre substituto para a conversa que deveríamos estar a ter sobre o investimento?

todos, toda a nação tem de fazer em defesa, seja em dinheiro, em dinheiro do orçamento, seja em mão de obra, em pessoas, quer dizer, claro, acho também, de facto, é preciso que as nossas Forças Armadas consigam atrair, como tu dizias, pessoas mais sofisticadas.

que não sejam seduzidas apenas para a extraordinária oferta de uma carta de condução e que possam ver ali uma carreira que lhes permita pôr em prática as coisas que as apaixonam em termos de tecnologia e de novas formas de...

de fazer a guerra ou de preparar a paz, não é? Enfim, mas não vejo que os nossos políticos, nós tivemos Gouveia e Melo no começo da campanha presidencial a falar da conversa dos tanques e da manteiga, mas depois rapidamente percebeu...

que era capaz de perder votos com aquilo, mal ele sabia. E começou a dizer que não havia nenhuma escolha a fazer entre os tanques e a manteiga, os tanques eram para dar manteiga, a manteiga era para dar tanques, tudo aquilo era maravilhoso e não havia nenhum sacrifício a fazer. Mas não está a haver uma conversa sobre, por exemplo, para onde é que o dinheiro tende a ir. Eu até tenho ideia de que tu não alinhas nesta ideia catastrofista de que...

Por termos de gastar, imagina, 5% em defesa, que isso implica, meu Deus, lá se vai o Estado Social à vida, não é? Acho que tu olhas para isso de outra maneira, não é? Acho, acho, acho que...

O investimento em defesa é necessário e acho que o investimento em defesa, à escala europeia, pode aproximar-se daquilo que foi historicamente o Plano Marshall. É um fluxo brutal de dinheiro na economia, em setores de ponta, tecnologicamente muito avançados, que podem criar uma oportunidade.

de emprego, atividade económica e prosperidade para profissões altamente qualificadas, acredito nisso. Mas tu dizes, não achas que isso é um fraco substituto? Para dizer verdade, acho que quase todos os sistemas nacionais são um fraco substituto para o que está a acontecer no mundo. Nós estamos num mundo... Calhonos!

coincidirmos com estas profundas transformações em curso e nós andamos sempre aqui à roda dos nossos temas, que também é uma fábrica de substituição, que parece que aceitamos que somos espectadores dos grandes temas mundiais.

Na qualidade de espectadores, o que é que nos interessa é estar aqui na bancada, a ter os grandes temas, um mundo que está... Sim, mas a vidinha também é importante, mas antes de irmos à vidinha... Está bem, a vidinha é importante, mas a gente tem que conviver sempre nas fracas substituições. Com certeza, mas antes de irmos à vidinha, mas podemos ir um bocadinho lá para fora. Mas deixa-me dizer-te um bocadinho, ainda sobre a vidinha, tentar levar a vidinha para uma outra escola. Aqui há tempos ouvia um...

enfim, um comentador, dizer o seguinte sobre o que estava a acontecer na Alemanha. A Alemanha tem um problema de sobreprodução na indústria automóvel, não é verdade? Tem dificuldade em escoar e, portanto, está a diversificar a sua produção em muitas instalações antes dedicadas.

à produção de veículos para a vida civil, agora estão sob a alçada da Heinmetall a produzir tanques Leopard. E dizia este comentador, certamente mais conhecedor do que este tem criado, destes temas, que apesar de estamos a constatar

A diminuição da importância e papel dos blindados nos atuais teatros de operações da Guerra Moderna, nós estamos a produzir tanques Leopard em grande quantidade. Porquê? Porque é o que a raiva mental sabe fazer. Portanto, toca a produzir blindados, ainda que nós saibamos que um blindado custa não sei quantos milhões e de repente aparece um drone que custou de 5 testões e lá foi o nosso Leopard.

E, portanto, quer dizer, é um debate que tem que ser feito. Como é que se organiza esse investimento na defesa? Como é que ele se articula em termos europeus? Como é que se cria um mercado interno da defesa? Porque nós não podemos ficar cativos das grandes empresas da defesa que são praticamente monopolistas ao nível de cada Estado, não é?

É preciso que exista um ambiente competitivo para os preços crescerem, porque senão é incomportável. Sim, e em Portugal estamos a ter, e vamos continuar a ter, uma discussão sobre onde é que vamos comprar os nossos novos caças, não é? Exatamente. Os Estados Unidos?

ou se é alguns na Europa, não é? Porque, enfim, esta conversa sobre defesa partiu da decisão dos Estados Unidos de retirarem 5 mil tropas. Eu acho que o total é tropas americanas na Alemanha, ou é 20 ou é 30. Não tenho a certeza e não consigo ir agora aqui ao Google. Peço desculpa.

mas uma saída muito substancial, com ameaças de saírem de outras bases na Europa. Portanto, sempre esta ideia de Donald Trump, enfim, é assim hoje, para a semana pode não ser, não é? Mas vamos admitir que, de facto, os Estados Unidos começam a retirar, aos poucos, tropas de bases europeias.

na tua cabeça quem é que tem mais a perder com isto? São os europeus ou são os americanos?

É perto do ocidente, porque isso é mais um momento da desarticulação da NATO. E, portanto, se há algo que contribui para o poder americano global é o seu sistema de alianças. E a NATO é uma peça fundamental desse sistema de alianças. A desarticulação da NATO e a destruição da NATO, como medidas dessa natureza.

e a criação do ambiente de desconfiança entre aliados. Já havia incerteza se os Estados Unidos apareciam se Putin se lembrasse de uma aventura nos países báldicos. Imagine-se neste quadro de decisões teatrais para reagir a um discurso qualquer do Sr. Mertz que o presidente americano não terá apreciado. O mundo contempla o Ocidente cada vez com menos respeito.

e com menos respeito também com menos temor nós estamos a mudar para um mundo realmente multipolar e se calhar estamos a caminho realmente de uma relação outra vez bipolar entre os Estados Unidos e a China

numa renovação de outro período histórico desejavelmente com menos tensões e menos conflitos mas quer dizer, o acidente transformou-se numa entidade estabilizadora estabilizadora do mundo e o mundo se calhar está a ficar saturado da liderança ocidental

Antigamente convivíamos com uma realidade que sempre existiu, que eram os double standards. Quer dizer, quando se falava em double standards, pelo menos reconhecia-se que existiam standards. Agora já não há double standards, já não há standards. O problema acabou, não é? Ficou resolvido. Sim, mas realmente tens um problema de estar a criar dois ocidentes. Duas visões muito diferentes.

daquilo que deve ser o mundo ocidental. Sim, o antigo mundo ocidental são os Estados Unidos. A Europa, por enquanto, enfim, tem tido uma preocupação. Eu acho que Macron é um presidente com sentido da história, que é uma coisa fundamental. É um homem de Estado, é um homem com sentido da história.

E acho que faltam na Europa homens com o sentido da história. Ele tem perfeita consciência que o futuro da Europa defende da capacidade de nos autonomizarmos em relação aos Estados Unidos e está a tentar, e com outros líderes europeus, mostrar ao mundo que a Europa e os Estados Unidos não são a mesma coisa.

No atual quadro do desastre da guerra do Irão, é indispensável que a Europa se afirme como uma via diferente para a organização das relações internacionais.

O problema é que, um dos problemas é que, enfim, dando de barato que o Macron sabe o que está a fazer e tem um caminho, não tem tempo. Porque as presidenciais em França são em 2027. E, portanto, os franceses vão ter que escolher entre o Mélenchon, o Atal.

O Bardelá, e depois está. Presumo que surjam mais umas figuras, imagino que surja ali uma figura à direita, e eventualmente os republicanos, não sei, mas não se vê que haja ali também nada muito espetacular. Não é, quer dizer, aqueles que têm os pés bem assentes na realidade, ou seja, o centro-esquerdo e o centro-direita, ninguém os quer ouvir, porque a realidade é dura de contemplar.

Portanto, mais vale a polarização, escolher os milagreiros, quer de extrema-esquerda, quer de extrema-direita, e se isso acontecer, será uma tragédia para todos nós. Mais uma. Vamos parar só uns minutos e já voltamos para continuar a falar da vidinha.

O Renato estava apático. Ele parecia que não estava lá. As testemunhas, as mensagens e os vídeos que ajudaram a polícia a desvendar a forma como Renato se abre assassinou Carlos Castro em Nova Iorque. Até hoje, gostava muito de perceber o que aconteceu. Estes são os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal.

Os Ficheiros do Caso Carlos Castro é uma série para ouvir em seis episódios que faz parte dos Podcast Plus do Observador. É narrada por mim, Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Rezende. Último episódio. O júri chegou a uma decisão. Os Podcast Plus do Observador têm o apoio da Kia.

Música

Bem-vindos de volta ao Real Politico. Sérgio, está toda a gente a falar do Pacto da Saúde. O Presidente da República quer que o PSD, o PS e o Chega consigam fazer um acordo para os próximos anos em que todos queiram a mesma coisa.

nomeou o Alberto Campos Fernandes, que foi Ministro da Saúde e de quem pelos vídeos que muita gente no PS não gosta para tentar pôr toda esta gente a conversar há aqui três dúvidas, parece-me a primeira é se é isto que um presidente de Reboca deve fazer? Primeira dúvida Segunda dúvida o o o o o o o o o

é a de saber se a solução para os problemas da saúde é um pacto e terceira dúvida é a de saber se o PSD, o PS e o Chega, algum dia...

poderão estar de acordo sobre o caminho a seguir, tendo em conta que são partidos diferentes, com opiniões diferentes, sobre como é que se resolvem estes problemas. Ilumina-me. Evidentemente que uma iniciativa desta natureza, tomada pela Presidente da República, até pelo seu caráter inédito, acentua a dimensão presencial do nosso sistema presencialista.

o que não é em si mesmo um mal. Do meu ponto de vista, acho que o presidente está perfeitamente dentro das suas atribuições e competências suscitando uma discussão desta natureza sobre um plano para a saúde. Acho que esteve bem na escolha do Adalberto Campos Fernandes uma pessoa muito conhecedora do Serviço Nacional de Saúde e da situação dos cuidados de saúde em Portugal.

que foi ministro e que pode contribuir, a partir de uma posição de uma certa naturalidade, a explicar, contribuir para explicar aos partidos a realidade. Ou seja, colocar bem os termos das questões que neste momento se põem ao sistema.

quais são os grandes centros de ineficiência quer dizer, os grandes problemas são estas matérias que têm que ser enfrentadas e que têm que ser resolvidas e é sobre elas que nós vamos discutir aqui as soluções possíveis

Focar exatamente onde é que tem de haver acordo, em vez de estarem a discutir. Exatamente. A situação da semana passada. O nosso debate está muito contaminado pelas dificuldades diárias que os noticiários nos vão dando conta. Eu acho que o Presidente...

que está a criar aqui um território de discussão fora dos holofotes, espero eu, entre os partidos, enfim, que é organizado e estruturado por alguém que conhece o setor, porque o debate não pode ser uma cacofonia.

inútil, tem que ser construtivo e tem que conduzir um resultado. E talvez possa organizar, pelo menos, uma abordagem estruturada da realidade da situação da saúde em Portugal, sobre o qual os partidos vão pronunciando e discutindo opções e alternativas. Eu acho que isso é útil e pode ser que...

independentemente do resultado concreto que de que venha a sair, desta experiência de diálogo sobre uma área central para o país, porque há coisas que o Estado não pode resolver, esta tem que resolver. Tem que resolver o problema da ineficiência do sistema, que é um observador de recursos nacionais e que não presta os cuidados que...

portugueses legitimamente aspiram, tendo em conta os impostos que pagam. Portanto, o SNS já neste momento consome toda a receita de IRS do país. Quer dizer, não sei como é que é possível conceber que continue a sua trajetória de expansão.

Sempre que somos confrontados com problemas na área da manutenção do equilíbrio sustamental e de rapagens, já sabe onde é que nem é preciso perguntar onde é que está a rapagem, já sabe onde é que está a máquina de rapagens. São os dermatologistas. É o Sistema Nacional de Saúde e os eventos extraordinários.

E, portanto, eu encaro com otimismo e, a casa de tudo, aquilo que contribua para que no nosso país prevaleça aos poucos e poucos uma cultura de diálogo e compromisso. Em vez de cada um aspirar a deslumbrar o país com as suas posições que são tão boas e resplandecentes que são inegociáveis. E nós vivemos neste impasse.

entre soluções que não podem ser mitigadas, alteradas, enfim, moderadas.

É bom que exista uma cultura de diálogo e uma cultura de compromisso. E como é que tu vês esta decisão que foi tomada conscientemente pelo Presidente da República e que foi articulada por Alberto Campos Fernandes de sim, claro que nesta conversa tem de estar o Chega?

É óbvio que esta conversa não pode ser só entre o PSD e o PS e tem de incluir o Chega. Não passaria pela cabeça fazer isto de outra maneira. Como é que tu... Eu compreendo que o Presidente da República, tendo em conta que é ele o agente desta iniciativa, não é? A iniciativa partiu dele, não considera que...

possa excluir um partido que gosta menos da discussão sobre o serviço de social de saúde. Não, mas eu não estava a dizer ele excluir o PS. Estava a dizer... Era uma brincadeira com o partido que gosta menos. Desculpa lá. Foi um equívoco. Desculpa lá. Mas, quer dizer, no fundo o Presidente da República não está...

no fundo passar a mensagem de que o chamado não é não em sentido lato deve ser ultrapassado e de que o Chega tem de passar a participar e a estar sentado nas mesas em que se fala sobre os grandes temas O Chega já está sentado nessas mesas

Eu não estou a dizer que discorde, só estou... Ainda agora, a última vez que o Chega se sentou à mesa, cozinharam uma lei da nacionalidade que se prepara para chumbar no Tribunal Constitucional, portanto, quer dizer, sempre que o Chega se senta à mesa, o cozinhado sai de excelência. Mas vamos lá ver o que é que vai acontecer agora no Submissional de Saúde. Eu que tenho ouvido a parte dos deputados sobre o Submissional de Saúde, são só a habitual demagogia que se espera daquele partido.

mas também não me parece que seja má ideia tentar trazer o Chega a uma discussão mais qualificada sobre os desafios. Admitindo que o Chega tem interesse nisso, porque o Chega sabe, na ótica, na mão de evidência do Chega, as dificuldades do país são resultado de um conluio maléfico, doloso e antigo entre o PS e o PSD para arruinar Portugal. Infelizmente, verificou-se o advento histórico do Partido Chega,

que, substituindo não só os partidos como o próprio regime, vai conduzir-nos a um amanhã que canta ainda melhor que aquilo que o PCP prometia naqueles anos da dupla eleição.

Não sei se é do interesse do Chega envolver-se nos debates difíceis, nas soluções polémicas, mas às vezes necessárias, nos compromissos, nos trade-offs de que a política responsável vive. Não sei se deseja enredar-se nisso, mas se deseja-se participar nessa discussão...

Eu ficaria satisfeito que isso acontecesse, porque uma das soluções para o fenómeno chega...

seria a sua normalização. Deixar de embirrar com a Constituição, deixar de atacar os partidos, deixar de atacar os políticos, deixar de atacar os imigrantes, deixar de identificar, inventar problemas onde eles não existem, de iludir as questões essenciais, de pretender o melhor a tudo em dois mundos, ser mais socialista que o PS na área da antecipação das...

Para citar Passos Coelho, que ontem falou finalmente sobre a questão, finalmente não, enfim, ele não é obrigado a estar a falar todos os dias, mas foi falar com alunos na universidade e terá dito que a proposta de redução da idade da reforma apresentada pelo Chega como contrapartida por uma negociação da reforma laboral.

era mais era ou chega a ser mais socialista do que os socialistas Os socialistas fazem contas os socialistas têm noção de que isso é impossível e portanto nós lidamos com um dilema impossível que vamos ter que resolver da melhor maneira possível e eu acho que a solução para os problemas já parece uma coisa obsessiva

Não há solução para um conjunto de problemas nacionais, entre os quais o problema das reformas, que não passe pelo crescimento da economia, pelo aumento da produtividade, para a criação de um ambiente económico ou social, com os incentivos certos para que esses admiráveis resultados se possam produzir.

Fora disso, só restam fatores de sustentabilidade que vão devorando a expectativa de uma reforma digna e as pessoas vão sentir que passam a vida inteira a fazer descontos e depois o sistema não comporta mais do que uma...

cobertura do salário médio de uma vida de trabalho de 60, 50, 40. Não é possível. Isto é uma quebra do contrato social, que não é o resultado da maldade dos governos, mas da evolução demográfica do país, da mediocridade do desempenho económico do país.

e de condições irrepetíveis que existiam nos anos 70 e 80 na Europa e nos anos 60 de crescimento económico, população jovem, que já não se verificam. Porque na realidade, aquilo que nós estamos a fazer para manter o sistema minimamente a funcionar

para haver alguma coisa que as pessoas possam receber quando se reformam, nós não estamos apenas a aumentar a idade da reforma. Chega a ser esquecido de outro ponto. É que quase a cada segundo que passa, as pessoas, o dinheiro que vão receber quando lá chegarem é muito menor. Portanto, o ponto aqui nem é. Reformam-se mais tarde e recebem o mesmo. Não, não.

Reformam-se mais tarde e recebem menos. Neste momento já é assustador a percentagem do último salário que as pessoas recebem chegando à situação de pensionistas. E, portanto, o Chega está a olhar para um dos pontos, acho que chegará o dia em que eles dirão que todas as reformas têm que aumentar.

Todas, não é? Já é um bocadinho um subtexto o discurso do Chega, não é? Pois, nós realmente, sobre os factos costumamos estar de acordo, não é? Fizeste uma descrição das coisas como elas são e só falta acrescentar que para moderar a degradação das pensões, são necessárias transferências do Orçamento de Estado, como os recursos do Orçamento de Estado são sustentados pelos impostos

a solução é sempre a mesma em Portugal aumentar a carga escala a carga escala é inimiga do tal sistema de incentivos permite ao país sair da sepeta torta

É a rodinha do hamster É a rodinha do hamster, só que a rodinha do hamster não se mexe E esta é uma roda que vai pela ladeira abaixo É a grande diferença Com o hamster, coitado, todo desorientado lá dentro Há umas competições na Irlanda Ou na Escócia, lá o que é que é isso É que tu vais numa bola Estás dentro de uma bola e vais pela montanha Ou és a levar pancada todos os lados Estão, quando chegares ali à falésia da costa da Caparica E deras o pontapé no hamster E na roda e eles irem Projetados em direção ao oceano Há um oceano E aí

Por falar em rodinha do hamster, a rodinha do hamster da concertação social está há vários meses ali, parece que não sai do sítio, nós vamos ter uma reunião, uma suposta derradeira, a última, é sempre a última derradeira, mas pronto, reunião da Segurança Social na quinta-feira.

Hoje, quarta-feira, de manhã, a CIP deu uma conferência de imprensa. A CIP, portanto, os patrões, deu uma conferência de imprensa em que se deu, em dois pontos...

importantes, dois dos pontos que estavam a impedir um acordo, a SIP, prescinde da questão da não reintegração de um trabalhador após um despedimento ilícito, seria sempre decidido por um tribunal, mas prescinde dessa hipótese de alargar esta possibilidade de não reintegração, que hoje em dia já existe em alguns casos, e também cede na questão do outsourcing, na capacidade de...

na sequência de um despedimento haver uma contratação por outsourcing de determinados... E aparentemente também do Banco de Horas. Ouvimos agora no noticiário.

Eu penso que no Banco de Horas o ponto da SIP, penso eu, é o de que, na realidade, eles e o UGT pensam a mesma coisa, que há ali uma questão retórica. Penso eu. Mas, enfim, isto volta a trazer a possibilidade de um acordo na quinta-feira, que não sabemos se vai acontecer ou não, com certeza que o UGT pode sempre dizer que não. Agora...

A dada altura, será que estas mudanças no pacote laboral são suficientes para incentivar a tal produtividade, aumento da produtividade que tu falavas? Enfim, presumimos que se as entidades patronais.

estão de acordo com o que sair dali é porque acham que é uma melhoria, não é? Senão seriam elas a não querer avançar com o acordo. Pois, eu acho que se tem sobrevalorizado o papel e a importância da legislação laboral

no que toca aos seus impactos na produtividade e na competitividade da economia portuguesa. Mas algum certamente terá. E nós estamos a discutir este tema em cima do acontecimento. Ou seja, acabámos de saber... Sim, sim, exato. Só com estes caveatos todos, ou seja... Nós agora precisávamos de uma revisão da matéria dada por parte dos principais protagonistas que nos esclarecessem, se o governo...

que falou com as centrais, com a SIP, ou se não falou, porque o governo também tem direito de não considerar que as soluções da SIP podem esvaziar de conteúdo, significado e interesse, todo o combate político está a travar.

Também não sabemos o que é que o GT tem a dizer sobre isto. Eu continuo a dizer o que, aliás, o que ambos temos dito. Quer dizer, é desejável um compromisso, é desejável um acordo. É desejável. Será sempre melhor do que aquele que será obtido no Parlamento. Jogou ele. E, portanto, estou... Até porque tudo indica que no Parlamento não...

não vai haver acordo nenhum. Parece-me impossível. Eu bem sei que André Ventura pode perfeitamente, não terá nenhum problema em mudar de opinião de terça para quarta-feira. Não terá nenhum problema com isso. Mas eu realmente não vejo o que é que possa sair dali de útil, de um diálogo que o chega sobre a revisão laboral. Acho que não há ali consistência nenhuma.

e acho que suspeito que seria especialmente perigoso para o PS porque o Chega iria colocar-se na posição de ser ele o grande defensor daquilo que as centrais sindicais e os sindicatos estão a defender o Chega tem desde sempre a ambição de entrar no mundo sindical tentou

fez pelo menos duas investidas fracassadas, fracassadas também porque fazer uma coisa dessas implica trabalho, paciência, persistência, são coisas que não existem no Chega, e portanto não basta fazer uma proclamação e um discurso para conseguir de repente controlar não sei quantos sindicatos, senão é assim que as coisas funcionam.

Mas eu suspeito que o Chega aproveitaria esta oportunidade para, pondo-se o PS de lado, depois de um chumbo por parte da UGT, ser o Chega a apresentar-se como, não, não, eu é que sou o novo representante dos trabalhadores. Esqueçam lá o PS. Mas repara que também há outro risco para o PS.

é o de ficar a ideia de que o PS é o partido da inércia, ou seja, é o partido que, por definição, é contra qualquer reforma. E que é um partido que tem uma filosofia...

ou uma ideologia que fundamentalmente consiste na arrecadação, maximizar a arrecadação de impostos para depois derramar através de apoios, subsídios, programas, planificações, organizações.

discriminações nos benefícios fiscais para os que fazem as coisas boas essa ideia do PS como partido que é por definição vocação e escolha o partido que é contra todas as mudanças também não é bom para o Partido Socialista o Partido Socialista também tem que disputar o centro político toda esta parte significativa do país

que não está só no centro, aliás, provavelmente até uma parte importante dos polos políticos, mas que não se resigna e que está farta, que está cansada deste desempenho modesto da economia, que não cresce, das oportunidades que não existem, dos salários que não crescem, dos impostos que não baixam, quer dizer, esta...

das casas que já não podemos comprar qualquer dia não podemos comprar automóveis que vida é esta? que vida é esta? se o que o PS tem para dizer ao país é, vamos já criar aqui mais um fundo de apoio à aquisição não sei o que o grande ponto dos últimos dias do PS foi novamente uma medida da qual tu és muito crítico

que é do IVA zero no cabaz alimentar. Eu não sou crítico. Eu acho que a Alemanha está neste momento num pé de vento por causa do IVA que está nos 19. Nós vivemos com o IVA em 23, que somos muito mais pobres que os alemães. Quer dizer...

Eu acho que a generalidade dos impostos é uma fábrica de eleitores do Chega. Quer dizer, ninguém está bem, ninguém está contente, quem paga IRS não está contente, eu ouço o patronato. O patronato, uma das grandes reivindicações do patronato é a redução do IRS, porque diz que é impossível aumentar os trabalhadores e depois ver o Estado absorver toda uma parte desproporcionada do aumento. Quer dizer... Bom...

o patronato está mais preocupado com o IRS do que com o IRC que é uma coisa que é a princípio mas de facto é penoso quando tu falas com alguém que vai ter um aumento salarial

E quando dizes a essa pessoa qual é o aumento bruto, qual é o aumento antes de impostos, e depois qual é o aumento líquido depois de impostos. No fundo, quem é aumentado é sempre o Estado. Mas vale avisar o Estado. O Estado vai ser aumentado. Parece uma anedota. É verdade. É verdade. Eu acho que cada vez que uma empresa faz um aumento, devia receber um treinamento do Ministro das Finanças, realmente. A agradecer. Olhe, muito obrigado por mais este contributo. E pergunto.

um compromisso nacional, um pacto nacional, nós só podemos agir, ter margem de manobra para agir na área fiscal.

Se nós resolvermos os buracos sem fundo, ou seja, os focos de ineficiência dos subsistemas públicos, por isso é que a questão da saúde é tão importante, não só porque o serviço é insuficiente para as expectativas legítimas dos portugueses, mas também porque é insustentável. O custo do sistema tal como está não consente também mexidas na política fiscal.

Vamos ver, nós voltamos na próxima quarta-feira em direita ao meio-dia e em podcast vamos ver se nessa altura já conseguimos sair da rodinha do da rodinha do hamster Sérgio, até para a semana Adeus Miguel